Previsões Óscares 2018 (Actualizado a 01/10/17)

Que filmes devem ter debaixo de olho? As previsões dos Óscares 2018 estão de volta e trazem Christopher Nolan, Daniel Day-Lewis, Gary Oldman, Saoirse Ronan, Sally Hawkins, Frances McDormand, Willem Dafoe e Sam Rockwell.

Emmys Barba Por Fazer 2017

A 12 de Julho apresentámos os nossos nomeados, diferentes da Academia de Televisão, Artes e Ciências. Estes são os vencedores, num mundo paralelo onde Better Call Saul, Carrie Coon, Aden Young, Michael McKean e Master of None são reconhecidos.

TOP | Melhores Contratações da Liga NOS

Num defeso modesto, praticamente sem Porto, o Sporting foi quem melhor se movimentou. O Benfica perdeu jogadores-chave na defesa e reforçou-se bem.. no ataque.

TOP | Melhores Contratações da Premier League

O Barba Por Fazer ordenou as principais transferências do defeso inglês num campeonato que movimentou 1,6 mil milhões de euros.

Crítica: Dunkirk

Não é o melhor filme de Christopher Nolan, mas é o melhor desde os últimos óscares. Se só puderem ir ao cinema uma vez até ao fim de 2017, escolham a experiência que é ver Dunkirk.

31 de agosto de 2015

Revisão: 'Hannibal' (3.ª Temporada)

Criado por
Bryan Fuller

Elenco
Mads Mikkelsen, Hugh Dancy, Laurence Fishburne, Caroline Dhavernas, Gillian Anderson, Richard Armitage, Rutina Wesley, Joe Anderson

Canal: NBC

Classificação IMDb: 8.6 | Metascore: 84 | RottenTomatoes: 97%
Classificação Barba Por Fazer: 83


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 
A História: 
    E acabou. Uma das melhores séries de 2013 para cá conheceu há dias o seu último capítulo, numa finale mais-que-perfeita e que simbolizou tudo o que as 3 temporadas (não houve mais porque a NBC cortou as pernas ao grande plano de Bryan Fuller) tiveram: brilhante desempenho do elenco, um grafismo sangrento e poético como pouco se vê, e a dinâmica Hannibal Lecter/ Will Graham no centro de tudo.
    Depois de uma season finale emocionante na 2.ª temporada, na qual ficaram em suspenso os sinais de vida de Will Graham, Jack Crawford, Alana Bloom e Abigail Hobbs, todos eles voltaram, mas nenhum regressou igual. Alana Bloom transformada (que diferença desta temporada para as duas anteriores), Jack obcecado em capturar Hannibal, e Abigail foi a única vítima mortal, visitando esta temporada apenas como alucinação de Will Graham.
    Pode-se dividir esta season em duas partes distintas, claramente. Há uma primeira metade mais fraca, com Hannibal em Itália, ainda com Mason Verger (Joe Anderson substituiu o actor Michael Pitt) envolvido a história. E uma segunda, que se desenrola do oitavo ao derradeiro episódio, com um nível de excelência e com o antagonista Francis Dolarhyde aka The Great Red Dragon, interpretado de forma surpreendente por Richard Armitage, o Thorin de Peter Jackson.
    Bryan Fuller manteve uma narrativa chamativa, apoiada na mesma direcção artística e qualidade de realização que sempre caracterizou 'Hannibal', mas os primeiros 7 destes 13 episódios são, em parte, morosos. Acontece pouco e a acção evolui devagar, enquanto Hannibal serve as suas refeições sempre com a companhia de Bedelia (Gillian Anderson, mais presente nesta temporada, felizmente), Jack e Will procuram encontrar o canibal preferido do Cinema e da Televisão, e com Alana Bloom a ajudar Mason Verger na procura de vingança. Nessa Parte I, chamemos-lhe assim, o episódio 7 ('Digestivo') é claramente o destaque.
    É possível que muitos espectadores tenham até desistido da série na sua primeira metade, mas o valor apresentado antes, o percurso das personagens e o facto de o fim estar próximo, eram motivos mais do que suficientes para, quase por respeito ao passado de Hannibal e Will, permanecer com fé na história. O episódio 8 é uma metamorfose completa, à semelhança daquela que Francis Dolarhyde opera em si mesmo e, com o Dragão Vermelho à solta e Hannibal detido, tudo se torna espectacular. Os últimos 6 episódios parecem uma mini-série de topo, com o já referido Richard Armitage e a actriz Rutina Wesley a acrescentarem qualidade ao elenco. É impressionante como Dolarhyde é apresentado de um modo tão magnético, sem que a personagem tenha que dizer uma palavra no seu primeiro episódio, e o facto de voltarmos a ter Hannibal e Will frente-a-frente, na tentativa de travar o Dragão Vermelho, serve por si só para elevar a série ao patamar a que nos habituou.
    
A Personagem: Hannibal Lecter (Mads Mikkelsen) + Will Graham (Hugh Dancy).
    Não tenham dúvidas que a adição de Francis Dolarhyde é o bónus desta temporada. O actor Richard Armitage foi uma muito boa surpresa, e analisando isoladamente foi o destaque individual da 3.ª vez que o coração de 'Hannibal' bateu. Mas, por se tratar de uma despedida, é impossível não referir a importância da dinâmica Hannibal Lecter e Will Graham. A série foi sempre sobre eles. O fascínio de um pelo outro, a relação amor/ ódio, o desejo de Hannibal de transformar Will. O criador e argumentista Bryan Fuller conseguiu ainda um final adequado e perfeito para um dueto que brilhou sempre que partilhou o ecrã - quer nas sessões do psicólogo Hannibal no seu escritório, quer no asilo psiquiátrico quer agora com um vidro a separar o predador e a presa (?).
    Os actores Mads Mikkelsen e Hugh Dancy fizeram da série uma das melhores dos últimos anos, participando activamente junto de Fuller na definição e construção dos caminhos das suas personagens. E é muito raro encontrar-se a química que existiu e se intensificou entre os dois actores, numa relação perturbadora mas ao mesmo tempo quase erótica.

O Episódio: 13 'The Wrath of the Lamb'.
    A series finale de 'Hannibal' é oficialmente um dos melhores pontos finais que alguma série teve. Não se podia pedir mais. Resulta muitíssimo bem se nunca mais ouvirmos falar de 'Hannibal', mas resulta igualmente bem se outra cadeia televisiva quiser prolongar a série, ou se Fuller criar um filme, uma ideia em relação à qual Mikkelsen e Dancy já manifestaram interesse.
    A ira do cordeiro dita o fim do Grande Dragão, e os 10 minutos finais da série são surreais. A partilha de Hannibal e Will simbolizada com mestria, e quando se inicia a música "Love Crime" de Siouxsie Sioux e Brian Reitzell, criada propositadamente para a série, começa o adeus: o abraço, a queda e aquele plano final perfeito. Como se não bastasse ainda há aquela cena pós-créditos genial e aquela imagem de Dolarhyde deitado com o sangue a desenhar as suas asas. 

O Futuro: 
    Foram três temporadas do melhor que há em termos de evolução da história, performance dos actores e realização. Bryan Fuller disse um dia que tinha um plano de 8 temporadas para 'Hannibal' (um número exagerado, porque 4 ou 5 chegariam para explorar de forma rica e condensada o universo de personagens de Thomas Harris), mas a NBC ditou que seriam apenas 3. Ficaram a faltar figuras como Clarice Starling (circulou o rumor que Fuller queria Ellen Page para o papel) e "Buffalo Bill" e a cena pós-créditos do episódio 13 serve de teaser e de possível ponte para uma nova oportunidade, seja na concorrência - a Netflix e Amazon já rejeitaram a possibilidade - ou num filme, quer seja para o grande ecrã ou um filme televisivo.
    'Hannibal' deixou-nos de barriga cheia, e esta última temporada só não alcançou um estatuto superior pela menor qualidade da primeira metade. Mas uma coisa é certa: vai deixar saudades.
  

30 de agosto de 2015

Crítica: Southpaw

Realizador: Antoine Fuqua
Argumento: Kurt Sutter
Elenco: Jake Gyllenhaal, Forest Whitaker, Rachel McAdams, Oona Laurence, Naomie Harris, 50 Cent
Classificação IMDb: 7.4 | Metascore: 57 | RottenTomatoes: 61%
Classificação Barba Por Fazer: 73

    Que grande actor que Jake Gyllenhaal se está a tornar. 'Southpaw' é um daqueles filmes que, em termos de história, nada acrescenta à biblioteca cinematográfica, valendo sim pelo desempenho de Gyllenhaal, bem apoiado por Forest Whitaker. O filme em si é carregado de clichés e é conduzido com previsibilidade e de acordo com a dinâmica habitual nos filmes deste género, sendo segurado pelo actor que já se tinha destacando em 'Donnie Darko', 'Jarhead' e recentemente 'Prisoners' e 'Nightcrawler', tratando-se o último de um filme no qual nomeámos Gyllenhaal nos nossos Óscares, mas a Academia não o fez.
    A história de 'Southpaw' tem pouco de complexo. Billy Hope (Jake Gyllenhaal) é um pugilista invicto, detentor do título Mundial de pesos-leves, que luta não só por ser o que melhor sabe fazer, mas também para garantir uma boa vida para a sua mulher Maureen (Rachel McAdams) e para a sua filha Leila (Oona Laurence). Tudo muda na vida do campeão num dia fatídico: numa confusão iniciada pelo pugilista rival Miguel "Magic" Escobar, o irmão deste acaba por matar Maureen, deixando Billy perdido e numa estrada auto-destrutiva. A dificuldade em viver sem a mulher leva Billy a perder a cabeça num combate, acabando suspenso, e acaba por perder tudo - a casa, e a filha, entregue aos Serviços Sociais. Ao bater no fundo, e com vista a demonstrar-se capaz de tomar conta de Leila, Billy tem então que se reencontrar e recompor, apoiado por "Tick" Wills (Forest Whitaker), um treinador/ mentor.
    A tendência em muitos filmes que pisem o ringue é apostar neste formato. Podemos chamar-lhe descida a pique e recuperação em resposta. Nas últimas décadas largas, e deixando 'Raging Bull' como um exemplo doutro campeonato, o filme do género que conseguiu acrescentar efectivamente valor foi 'Warrior' (focado em MMA, e não boxe), tendo mais alma do que os outros. Fuqua, o realizador de 'Training Day', contou com um elenco invulgar conjugando os músicos 50 Cent e Rita Ora com grandes actores. A pequena Oona Laurence tem aos 13 anos um futuro promissor pela frente, de Rachel McAdams pode-se esperar mais em 'Spotlight' do que nesta colaboração, mas o filme é de uma ponta à outra segurado pelo viciante Jake Gyllenhaal. Whitaker assenta bem no papel de mentor sôfrego, com um passado assombrado mas sabendo transmitir um conselho e a disciplina necessária, enquanto que Gyllenhaal.. é 'Southpaw'. Para além da transformação física (muito teve que trabalhar para ficar nesta forma) impressiona o modo como consegue passar-nos o desespero e a vulnerabilidade de Billy Hope. Com a mulher nos seus braços, ao colocar luvas para baixo aceitando a sua punição suicida, e principalmente nos momentos com a sua filha. "Tick" Wills ensina a Billy Hope que por vezes temos que nos defender, para aproveitarmos o que de melhor temos, e a combater usando a cabeça em vez de se mover apenas pela raiva. 'Southpaw' é um filme sobre recuperação, sobre luto, transita de uma história de vingança para uma história de um pai à procura de garantir condições para viver com a filha.
    O melhor momento do filme passa-se no canto de um ringue de boxe, e Gyllenhaal - vamos aguardar e ver muitos outros filmes e aí tiraremos conclusões - é um nome para incluir nas hipóteses para óscar, porque um papel deste patamar seria nomeado em várias das últimas edições da cerimónia da Academia. Como ficou aqui dito, 'Southpaw' é um filme carregado pelo seu protagonista, e ficamos a aguardar por 'Demolition' - não é certo se estreará a tempo de ser candidato em 2016 ou se só no ano seguinte, mas antecipamos com grandes expectativas uma colaboração de Gyllenhaal com o realizador Jean-Marc Valée (recentemente ajudou McConaughey a ganhar um óscar, e Reese Whiterspoon a ser nomeada). E como referimos há umas semanas, Gyllenhaal seria um reforço brutal para uma 3.ª temporada de 'True Detective'. Este filme comprova-o.

26 de agosto de 2015

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 4

A última jornada antes do fecho do mercado. A Barclays Premier League joga-se Sábado e Domingo, e só voltará depois dia 12 de Setembro com os plantéis 100% fechados e com alguns wildcards a serem activados nesse intervalo temporal.
    Ao contrário do que é habitual, nesta 4.ª jornada não há um super-jogo, sendo o mais cotado o embate entre Tottenham e Everton. No entanto, há bons jogos: o Bournemouth recebe o fenómeno Leicester, o Liverpool (que tal como o Manchester City ainda não sofreu qualquer golo) mede forças com o West Ham, e o Manchester United desloca-se ao País de Gales para defrontar o Swansea.
    Falar da última jornada é falar de Callum Wilson. O avançado do Bournemouth conseguiu 17 pontos no Fantasy com um fantástico hat-trick na vitória do Bournemouth por 4-3. Kolarov e Scott Dann foram os defesas mais pontuados, Cech e Krul brilharam entre os postes, juntando o checo à quantidade de defesas o elevado grau de dificuldade de muitas; Pedro Rodríguez estreou-se da melhor forma pelo Chelsea com 1 golo e 1 assistência, Diego Costa esteve em bom plano tal como Sako e James Morrison. Riyad Mahrez voltou a aparecer em grande.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 114493-481221)

Olhando para a quarta jornada, sugerimos:

Kun Agüero - Manchester City - 13.2
    A lógica diz que se Agüero foi capaz de fazer o que fez a Cahill e Terry, certamente causará pesadelos a Cathcart e Prödl. O Manchester City, líder isolado 100% vitorioso, é sempre mais forte no seu estádio e a sua dinâmica ofensiva actual deve ser suficiente para incomodar um Watford que tem deixado uma boa imagem, não sofrendo qualquer golo nos últimos dois jogos (dois empates 0-0).
    Agüero, Silva, Yaya Touré e Sterling são os quatro jogadores de ataque que interessam, até porque Pellegrini pode optar por Navas ou Nasri na restante vaga ofensiva (isto se não apostar esta jornada num 4-4-2 com Bony e Agüero). Na defesa do City, Kompany e Kolarov têm realizado um arranque de época sensacional, embora Sagna (beneficiou com a lesão de Zabaleta) seja a opção mais económica. O calendário do líder City é bastante favorável, com 4 jogos em casa nos próximos 6, e Agüero deverá progressivamente melhorar a sua condição física e a sua relação com a baliza adversária.

Pedro Rodríguez - Chelsea - 9.5
    O extremo direito espanhol, um dos jogadores mais subvalorizados nos últimos anos, chegou à Premier League e teve impacto imediato. Mourinho ganhou um reforço de peso (pagar 28 Milhões por alguém como Pedro, considerando o contexto e os valores praticados neste defeso, é incrível) e Pedrito não demorou muitos minutos a demonstrar porque é que é um dos jogadores com maior capacidade de finalização no futebol actual. Juntando à sua grande eficácia nas oportunidades que tem, o facto de aparecer sempre nos momentos certos, não era muito difícil imaginar que acabaria por dizer presente na estreia. Contra o Crystal Palace, o Chelsea é favorito e tentará ganhar em Stamford Bridge pela primeira vez. Hazard é sempre Hazard (embora ande a desiludir é capaz de aparecer finalmente a marcar) mas é para Pedro Rodríguez que olharemos. Tal como aconteceu com Alexis Sánchez e Fàbregas, o ex-Barça tem tudo para brilhar ao sentir-se valorizado num novo projecto.

Philippe Coutinho - Liverpool - 8.1
    Num universo paralelo, Coutinho terminou o Arsenal-Liverpool com um hat-trick e uma exibição para correr a imprensa mundial. Neste universo, Petr Cech disse não a toda e qualquer iniciativa do 10 brasileiro.
    Coutinho evoluiu sobremaneira em 2014/ 15, mas é bem capaz de continuar a sua evolução esta temporada, com melhores números (tanto de golos como assistências). À medida que a química de Coutinho com Benteke e Firmino for crescendo, veremos o Liverpool cada vez mais forte. Esta jornada o adversário é o West Ham, que sofreu 4 golos em casa e continua sem Adrián na baliza. Por isso mesmo, Benteke e Coutinho quererão tirar a barriga de misérias depois de Cech lhes roubar protagonismo na 2.ª feira passada.

Xherdan Shaqiri - Stoke City - 7.0
    O Stoke totaliza apenas 2 pontos em 9 possíveis, mas neste início já visitou White Hart Lane e recebeu o Liverpool. A equipa de Mark Hughes, na qual o guarda-redes Butland se tem mostrado à altura de calças as luvas que outrora pertenceram a Begovic, recebe o último classificado WBA (equipa instável pelo insistente interesse de que Berahino tem sido alvo) e deve alinhar com Shaqiri, Arnautovic e Afellay (havendo ainda Walters, certamente mais regular, e Adam) atrás de Diouf. Em teoria, mal Bojan possa ser titular deve entrar directo no 11, mas o que é certo é que no seu perfeito juízo Hughes nunca retirará Shaqiri e Diouf do esqueleto-base. O extremo suiço tem tudo para resultar na Premier League, e depois de uma assistência na estreia, o primeiro jogo em casa pode ficar marcado pelo primeiro golo.

Callum Wilson - Bournemouth - 5.5
    O Bournemouth mora actualmente no 13.º lugar, mas tem tido um trajecto curioso: dominou o Aston Villa mas algum nervosismo e pouca eficácia ditou uma derrota na estreia, em Anfield perdeu com o Liverpool mas o que é certo é que marcou um golo limpo e sofreu um golo ilegal. À terceira jornada, chegou a 1.ª vitória, num surpreendente 4-3 em casa do West Ham. Francis e Gradel estiveram bem, mas o grande destaque foi sem dúvida Callum Wilson. O marcador de serviço do Bournemouth fez 3 golos (primeiro hat-trick desta edição da liga inglesa), igualando Gomis, e ficando a apenas 1 golo do inesperado líder Mahrez. Esta jornada há Bournemouth-Leicester, um jogo que representa a total imprevisibilidade da Premier League. As duas equipas aparecerão em campo confiantes, e à partida pode-se esperar um jogo aberto e com golos. Wilson, Ritchie, Vardy e Mahrez poderão aparecer.


Outras Opções:
- Guarda-Redes: Faz sentido que Simon Mignolet (5.1) e Joe Hart (5.6) permaneçam escolhas seguras depois de não sofrerem qualquer golo em 3 jogos. O Chelsea e o Southampton não merecem um voto de confiança tão significativo pela forma como as suas defesas se têm exibido, mas o baratinho Jack Butland (4.5) pode dar pontos. Depois daquele jogo contra o Liverpool, é impossível não mencionar Petr Cech (5.5), até porque o Newcastle ainda não se encontrou.

- Defesas: Vincent Kompany (6.3) Aleksandar Kolarov (5.7) são os dois defesas com mais pontos neste Fantasy, juntando às clean sheets um elevado impacto junto das balizas adversárias, embora Sagna seja a opção mais em conta do clube. No Liverpool, Martin Skrtel (5.5), Nathaniel Clyne (5.5) e o jovem Joe Gomez são as opções de topo, e Jordan Amavi (5.0) pode fazer algo, embora o Sunderland queira dar um murro na mesa, e venha de uma vitória com muitos golos na Capital One Cup.

- Médios: Neste momento, com a confiança e futebol que apresenta, é um crime não falar de Riyad Mahrez (6.0). Tendo já referido Pedro, Hazard, Coutinho, Silva e Shaqiri, podem também apostar na primeira grande jornada de Alexis Sánchez (11.0), com Özil a ser um elemento fulcral no desenrolar do jogo, e num novo bom jogo de Ross Barkley (6.6). Sadio Mané é uma opção de topo caso esteja disponível, Depay irá defrontar uma defesa competente, e Scott Sinclair é uma boa opção caso Sherwood lhe dê uma merecida titularidade.

- Avançados: Agüero, Benteke e Wilson já foram referidos, e por isso mesmo acrescentamos Diego Costa (11.0)Mame Biram Diouf (6.5) e Graziano Pellè (8.0). Veremos quem leva a melhor no duelo Kane vs Lukaku, e Gomis procurará manter a sua média de 1 golo/ jogo, desta vez contra o Manchester United.

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11 (3-4-3): Mignolet; Amavi, Kompany, Caulker; Pedro, Coutinho, Mahrez, Shaqiri; Agüero, Benteke, Wilson

Atenção a:
Newcastle v Arsenal - Mesut Özil
Aston Villa v Sunderland - Jordan Amavi
Bournemouth v Leicester - Callum Wilson
Chelsea v Crystal Palace - Pedro Rodríguez
Liverpool v West Ham - Philippe Coutinho
Manchester City v Watford - Kun Agüero
Stoke v WBA - Xherdan Shaqiri
Tottenham v Everton - Ross Barkley
Southampton v Norwich - Graziano Pellè
Swansea v Manchester United - Bafétimbi Gomis

24 de agosto de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 1



Filme: Fight Club
Actor: Brad Pitt

por Miguel Pontares

Líder por natureza. 
Anti-consumismo. Nietzschiano. Revolucionário. 
Imaginário.

    É irónico que, depois de 99 personagens, o número 1 seja alguém que, de facto, não existe. 
  Tyler Durden é a personagem mais completa e fascinante que o Cinema já produziu, afirmando ser tudo aquilo que queremos ser mas não podemos (All the ways you wish you could be, that's me. I look like you wanna look, I fuck like you wanna fuck, I am smart, capable, and most importantly, I am free in all the ways that you are not).

    A manifestação da perturbação de identidade dissociativa do narrador (Edward Norton) explode carisma por todos os lados. Antes de o conhecermos pela primeira vez formalmente, no avião, vemo-lo por 6 vezes: 4 flashes que podemos não identificar se piscarmos os olhos naquele momento exacto, num anúncio televisivo e, bem mais declaradamente, no tapete rolante. Tyler faz e vende sabonete (concebido através de gordura humana), trabalha como projeccionista divertindo-se ao inserir frames impróprios, e urina nas sopas que serve enquanto empregado num hotel de luxo. Está longe de ser um exemplo, sendo inclusive um perigo quando o Fight Club se transforma no Projecto Mayhem -  quando a inspiração vira extremismo, anarquismo.
    Anda pela casa de bicicleta. Veste-se de forma esquisita, mas consegue sempre ter estilo. Sempre. Se pudesse lutar com alguém escolheria o seu pai, Hemingway ou Abraham Lincoln. É um ídolo que irradia confiança, capaz de envolver qualquer um com os seus grandes momentos/ discursos.
    Em 'Fight Club', o filme em que há pelo menos um copo de Starbucks em cada cena, a mensagem é sempre transmitida por Tyler Durden. Tanto a obra de Palahniuk (que, caso raro, defendeu que o filme era melhor que o seu livro; apenas li o livro já depois de ver o filme, e é menos ingrato fazer comparações quando ocorre o inverso) como, por consequência, o filme de Fincher defendem a emancipação espiritual, o grito de revolta contra uma Sociedade materialista, pré-formatada ou programada. Servem de metáfora para o risco, para a procura do sonho mesmo que seja um erro, tropeçando enquanto se rema contra uma maré de conformismo.
    Para além de todos os traços da personagem - a sua loucura cativante, ser o id cool e hedonista do inconsciente do narrador - e fazendo todas as vénias deste mundo à dinâmica da dupla Brad Pitt/ Edward Norton, pode-se dizer que há 4 momentos-chave que entregam o 1.º lugar deste Top-100 a Tyler Durden. É capaz de resultar dar-lhes uns nomes, à Quentin Tarantino:

    - 8 Regras: Na cave, o clube de combate rege-se por oito regras. Primeiro, não falar sobre o Fight Club. Segundo, não falar sobre o Fight Club! Terceiro, se alguém gritar "Pára!" ou desistir, o combate acaba. Quarta regra, dois lutadores de cada vez. Quinta regra, um combate de cada vez. Sexta, nada de camisas e sapatos. Sétima, as lutas duram o tempo que tiverem que durar. E a oitava e última regra: se esta for a vossa primeira noite no clube, têm de lutar. As 8 regras colocam ordem numa iniciativa que pretende apenas servir de escape, uma nova Igreja para os participantes, convidados a "sentir" algo. Mas mais do que as 8 regras, que ajudam 'Fight Club' a materializar-se como filme de culto, Tyler odeia o consumismo que padroniza comportamentos e pensamentos - diz "The things you own, end up owning you", e acrescenta mais tarde que não somos o nosso trabalho, não somos o dinheiro que temos no banco, não somos o carro que conduzimos ou o conteúdo da nossa carteira.

    - Queimadura contra Deus: A cena que os pais de Brad Pitt não foram capazes de ver. Durden queima a mão do narrador "Jack" com químicos e, enquanto este exaspera, dá-lhe um sermão. Tyler diz-lhe que sem dor e sem sacrifício não teríamos nada, promovendo a renúncia a Deus, porque no seu entender devemos considerar a possibilidade dele nos odiar e de sermos os seus filhos indesejados. A sua lição final desse capítulo é que só depois de perdermos tudo é que ficamos livres para conquistar qualquer coisa.

    - O Veterinário: Poucas vezes aclamado, é talvez o momento mais positivo e altruísta da personagem. Durden desloca-se a uma loja de conveniência e, nas traseiras, obriga o empregado, um jovem asiático, a colocar-se de joelhos, apontando-lhe uma arma à cabeça. Ameaça-o fazendo-o revelar-lhe aquilo que ele queria realmente ser (um veterinário), e obriga-o a perseguir esse sonho nas seis semanas seguintes, ficando-lhe com a carta de condução como caução até confirmar que ele fora atrás do seu sonho. "Amanhã vai ser o dia mais bonito da vida de Raymond K. Hessel". O facto da arma estar descarregada e a parte traseira de uma porta que mais tarde se vê em casa de Tyler com múltiplas cartas de condução, acrescenta valor a este momento.

    - A Melhor Cena de Sempre: despe o casaco vermelho, e fica em t-shirt branca. Tem a palavra Tyler Durden: Man, I see in fight club the strongest and smartest men who've ever lived. I see all this potential, and I see squandering. God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars (olhando para a personagem de Jared Leto). But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off.
    O discurso lendário chegaria só por si, mas depois há isto. Não bastava o discurso sobre o potencial desperdiçado de uma geração, não chegava a gargalhada antecessora do Joker de Ledger enquanto é agredido pelo dono do bar, Lou. Quando parece K.O., Tyler Durden atira-se a Lou, tosse e cospe sangue sobre ele, agita o rosto ensanguentado enquanto ri louco e desesperado para que a causa e o Clube continuem de pé, exigindo a palavra do dono do bar. 
    O melhor momento da melhor personagem e melhor papel de Brad Pitt, uma cena doentia e impressionante, capaz de tornar uma simples frase como "You don't know where I've been, Lou" uma das minhas preferidas de todo o Cinema que consumi. Às vezes diz-se muito com pouco.

    Soltem os Pixies e o seu "Where is My Mind", porque Tyler Durden merece ser rei. Cem personagens depois, a aventura termina. 
    Muito Obrigado. E.. até já.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

23 de agosto de 2015

Garganta Afinada. Top 20 ( nº 108 )

    Adivinhem quem está de volta? Pois é... É o nosso Garganta Afinada. Costumávamos aparecer em dias solarengos, mas com a falta do mesmo no dia de hoje, decidimos dar sol às vossas vidas com mais um top recheado de boa música!
    Ao contrário do que vos temos habituado, este top 108 conta apenas com uma música vinda desta Ocidental praia lusitana - contamos com as palmas e música electrizante de Da Chick que contagiou todo o público que assistiu ao seu concerto no Super Bock Super Rock. Vemos ainda o regresso de um dos cantores mais admirados por nós - City and Colour - com uma "Woman" carregada de emoções fortes como tão bem nos habituou. Entre as 20 músicas de hoje, há vários resquícios pós-Alive. As cicatrizes de James Bay, o lobo do novo álbum dos Mumford & Sons e ainda uma música dos Kodaline. No último caso mantendo o registo habitual de videoclips que parecem autênticas curta-metragens. Nesta “Ready” é o actor Christopher Mintz-Plasse quem nos cativa, ao som da banca que marcou presença no palco Heineken. Há ainda uma contagiante "Moutain At My Gates" dos Foals à qual é quase impossível ficar indiferente e uma não muito antiga de Fink que esteve incluída na banda sonora da série Suits. E já que tocámos no assunto "Séries", há também forte influência da série ‘Sense8’, da Netflix, nesta 108.ª compilação. Sigur Rós, The Antlers e Antony and the Johnsons (grande versão de “Knocking On Heaven’s Door”) são a prova viva de que escolher uma boa banda sonora ajuda e muito uma série. Mas quem não precisa de ajuda da música é a série Mr. Robot. Ainda assim, presenteia-nos com momentos fantásticos acompanhados de muito boa música. Exemplo disso é a "Gone" dos franceses M83, "New Brave" de CTZNSHP e a "Two Weeks" dos FKA twigs que acompanhou uma das melhores cenas da série protagonizada pelo insano Tyrell Wellick (Martin Wallström).  Este GA marca também a estreia dos The Neighbourhood em terras barbudas, bem como dos britânicos Portico (a música tem menos de 2 minutos, mas sabe bem ouvi-la). Por fim, há ainda mais um remix extremamente bem conseguido de Carlos Serrano ao fundir a música "Stronger" de Kanye West com a "Can't Feel My Face" de The Weeknd. Mais um grande trabalho do DJ natural de San Diego.
    Deixamo-vos com estas 20 músicas e prometemos voltar não muito tarde! Fiquem atentos!




1. M83 - Gone
2. Antony and the Johnsons - Knocking On Heaven’s Door


22 de agosto de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 2



Filme: Into the Wild
Actor: Emile Hirsch

por Tiago Moreira

    Todos temos um filme favorito. Aquele que por alguma razão nos tocou. Que inexplicavelmente deixou-nos água pela barba com o trailer e que posteriormente nos seduziu completamente deixando-nos agarrados ao ecrã. "Into the Wild" é sem sombra de dúvidas esse tal meu filme. Não me venceu com um trailer, mas sim com o grande teaser que o videoclipe da música "Hard Sun" de Eddie Vedder acabou por ser. O facto da banda sonora ser toda da autoria de Eddie Vedder foi um factor de peso para que ficasse totalmente preso ao filme realizado por Sean Penn. No meio de tantas paisagens paradisíacas e de tantos momentos fortes do nosso personagem, a voz de Vedder deixa-nos sempre arrepiados, casando na perfeição com todas as imagens captadas.
    Sem mais demoras, apresento-vos o nosso personagem de hoje - Christopher McCandless. Isto sou eu a apresentá-lo. Se fosse o mesmo talvez se apresentasse por Alex Supertramp. Porquê? Porque acabou por ser a sua nova identidade. Chris, depois de se formar, largou toda a sua vida social para se tornar livre. Não, McCandless não vivia numa ditadura, mas sentia-se preso a todas as «regras» e patamares que a sociedade nos incute. Com uns pais bastante severos e para quem a aparência da sua família perante a sociedade era tudo, Chris - com uma mente fomentada por escritores como Thoreau, Tolstoy e Jack London - acabou por doar todo o seu dinheiro a instituições de caridade e partiu com direcção ao selvagem, mais concretamente em direcção ao Alasca. Pelo seu caminho encontrou várias pessoas que com a sua personalidade forte, mentalidade louca, mas ao mesmo tempo bastante ponderada e inteligente, Alex (era assim que era conhecido perante todas estas pessoas) deixou a sua marca na vida de todas elas. Com um estilo de vida completamente inspirador, Supertramp influenciou positivamente todos os seus amigos de viagem a não se acomodarem ao veneno que o mesmo achava que a sociedade era. Incentivou-as a deixarem de parte todos os limites impostos pela sociedade e a aproveitarem a sua vida, sem qualquer receio. Contudo, a teoria que tentava defender, que consistia no facto do ser humano não necessitar de se relacionar com outras pessoas para ser feliz e que todos os materiais ao nosso redor eram desnecessários para a vida humana, saiu gorada. Uma das suas últimas anotações, quando se encontrava na sua carrinha totalmente isolado do mundo, foi mesmo «Happiness only real when shared». Uma verdade arrebatadora e que muitos de nós, no meio do nosso egocentrismo, desprezamos completamente.

    Christopher McCandless é uma das personagens mais inspiradoras de sempre. Pelo menos para mim. Sou fã de livros e filmes baseados em histórias verídicas e esta sem dúvida alguma que é a melhor de todas que alguma vez li/assisti. Faz-nos reflectir bastante sobre toda a verdade em que estamos inseridos e como é que a sociedade nos conseguiu formatar de tal forma que estrutura toda a nossa vida em patamares. E não só. A sociedade ilude-nos quanto ao facto de sermos livres. Nós estamos presos à falsa ideia de sermos livres. A verdadeira liberdade não nos é totalmente conhecida. Tudo porque a maioria das pessoas apenas pensam que querem liberdade. Na verdade, apenas querem ser - hiperbolizando um pouco - escravas da sociedade, da ordem social, do materialismo e de todas as leis que nos regem. A única liberdade que o Homem realmente quer é a liberdade para se sentir confortável (Sim, também fui bastante influenciado por Sons of Anarchy). Nada mais que isso. E Chris deu-nos o seu exemplo de vida para que fujamos de todos esses aspectos. Para que saibamos seguir o nosso caminho mesmo que nos olhem com desdém enquanto caminhamos. Para que saibamos partilhar a nossa vida com quem realmente merece. Para que vivamos até ao limite da nossa condição física da melhor forma possível ignorando juízos de valor de outrem.
    E passou-nos tudo isto de uma forma pura. Ou diria melhor... selvagem.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

20 de agosto de 2015

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 3

Venha de lá esse fim-de-semana de Premier League! As jornadas 3 e 4 serão as últimas antes do defeso fechar, e portanto até lá ainda podem esperar reforços em vários clubes. Em Inglaterra o Deadline Day costuma ser um dia bastante movimentado, e não será surpreendente se Manchester City, Chelsea, Manchester United, Arsenal, Tottenham, West Ham e Everton, nomeadamente, ainda acrescentarem qualidade aos seus elencos.
    Ao longo de Sábado e Domingo jogam-se 9 jogos fantásticos mas o "jogo grande" acontece somente na noite de 24 de Agosto - o Arsenal recebe o Liverpool, uma das 4 equipas que tem 6 pontos em 6 possíveis. No entanto, há vários jogos prometedores - o Leicester, a transbordar confiança, recebe um Tottenham que ainda só somou 1 ponto; o Everton recebe o líder Manchester City e mesmo os jogos entre Norwich e Stoke, e West Ham e Bournemouth podem ser bons de acompanhar. E porque faz sentido referir o campeão em título, o descaracterizado Chelsea visita o West Brom à procura da primeira vitória da temporada.
    Entrando na máquina do tempo, a jornada 2 foi de Romelu Lukaku. O avançado belga bisou na vitória inesperada do Everton por 3-0 no campo do Southampton, num jogo em que também Barkley e Coleman (ambos 11 pontos) se destacaram. David Silva, Kompany, Redmond, Mahrez, Hoolahan e Joel Ward foram outros dos nomes fortes da ronda.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 114493-481221)

Para esta terceira jornada, recomendamos:

Bafétimbi Gomis - Swansea - 7.1
    Depois de se assumir como primeira escolha após a transferência de Wilfried Bony para o Manchester City, Gomis demorou a ter impacto na segunda metade da época passada. Neste arranque de campeonato, Gomis leva até agora 1 golo em cada jogo e defronta este Sábado o último classificado Sunderland.
    O Swansea está lançado para mais uma época consistente e tem tido em Gomis e Ayew os marcadores de serviço. Contra um Sunderland que sofreu 7 golos nas duas primeiras jornadas, o francês e o ganês voltarão a ser excelentes opções, bem como Montero (tem destruído quem lhe aparece pela frente com a sua capacidade de driblar) e não demorará muito até Sigurdsson dizer presente. Na antevisão desta edição da Premier League, Gomis não seria um dos avançados dos quais se esperaria grande regularidade e grandes números, mas este início positivo pode embalá-lo para uma época muito interessante.

Memphis Depay - Manchester United - 8.5
    Na Premier League desiludiu (com o Aston Villa, principalmente, dispôs de uma oportunidade de golo clara), mas realizou o seu primeiro grande jogo em Old Trafford no Play-Off de acesso à Liga dos Campeões diante do Club Brugge. Depay não só fez o gosto ao pé pela primeira vez como terminou o jogo com 2 golos e 1 assistência, contribuindo decisivamente para a vitória por 3-1.
    O extremo holandês, que andará a deambular entre a esquerda e o centro, levará toda a confiança para o jogo contra o Newcastle e Old Trafford quererá ver o seu novo camisola 7 a conseguir um impacto e números semelhantes na principal competição do futebol inglês. O compatriota Janmaat, suspenso, não será oposição para Depay e o Manchester United de van Gaal promete este Sábado (pela terceira jornada consecutiva são os red devils a abrir a jornada) conseguir algo mais do que um 1-0. Wayne Rooney e algumas caras da defesa serão também bons jogadores para ter.

Riyad Mahrez - Leicester City - 5.8
    Provavelmente só a família do argelino Mahrez acreditaria que finda a segunda jornada, o jogador do Leicester City estaria isolado na liderança dos melhores marcadores (3 golos), e seria a par de Kompany o jogador mais pontuado no Fantasy, com 25 pontos. É preciso recordar que na temporada passada Mahrez fez apenas 4 golos e que jogadas apenas duas jornadas já totaliza quase um quarto do seu total de pontos no Fantasy em 2014/ 15. Ninguém espera que Mahrez se apresente imparável e ao nível que tem jogado durante toda a época, mas há fortes indicadores que esta será uma grande época para o craque do Leicester. Seja como for, é impossível ignorar a confiança que Mahrez e o 2.º classificado da Premier League apresentam em campo neste momento. O Leicester costuma ser mais forte em casa (também por isso foi surpreendente a vitória em casa do West Ham, depois dos hammers ganharem no Emirates Stadium) e contra o Tottenham pode-se esperar um jogo aberto, especialmente interessante pelo momento de confiança que se vive de um lado, e alguma apatia/ desilusão no outro.

Nathan Redmond - Norwich City - 5.5
    Jogadas as duas primeiras jornadas, o Norwich experimentou até agora sensações adversas. Foi derrotado em casa por 3-1 pelo Crystal Palace, e venceu o Sunderland fora também por 3-1. O elemento positivo comum nos 2 jogos foi o jovem Nathan Redmond. O extremo que representou os sub-21 ingleses no Europeu da República Checa, marcando 1 dos dois golos que a sua Selecção conseguiu no certame, leva 2 golos em 2 jogos na Premier League, nunca tendo ainda cumprido os 90'. Diante do Palace, Redmond "saltou" do banco aos 54 minutos, mas o golo que marcou garantiu-lhe a titularidade no encontro seguinte. Esta jornada o Norwich joga em casa, recebe o Stoke e o desfecho do jogo é imprevisível, com a maior experiência e o factor Shaqiri a poderem jogar a favor da equipa de Mark Hughes. No entanto, espera-se um Norwich galvanizado pelos 3 pontos conquistados no terreno do Sunderland. E o jovem Redmond pode funcionar como um excelente diferencial, ao constar numa pequena % de plantéis de Fantasy.

Eden Hazard - Chelsea - 11.5
    O 10 belga de Mourinho tem desiludido, indiscutivelmente. Contra o Swansea só acordou nos 15 minutos finais, sem conseguir mudar o rumo da partida, e diante do Manchester City foi um de tantos jogadores do Chelsea abaixo do rendimento médio. O campeão Chelsea atravessa um momento complicado, mas até pelo facto de muitos utilizadores irem retirar Hazard das suas equipas, aconselhamos a que - pelo menos mais 1 ou 2 jornadas - o mantenham. O adversário desta jornada é o WBA, uma equipa que costuma ser forte defensivamente, mas poderá ser tanto o grito despertador do Chelsea como do seu melhor jogador, Eden Hazard.


Outras Opções:
- Guarda-Redes: O argentino Sergio Romero (5.1), que ainda não sofreu golos, volta a ser uma boa opção para esta jornada. Alex McCarthy (4.0) é também um jogador a considerar, especialmente pelo seu preço. Fabianski não é uma garantia de clean sheet, e nos restantes jogos é mais difícil prever que equipa não sofrerá qualquer golo, embora antecipemos com expectativa o jogo de Randolph, suplente do suspenso Adrián, contra o Bournemouth.

- Defesas: Matteo Darmian (5.7) e Chris Smalling (6.1) estão num bom momento, bem como o lateral-esquerdo Shaw, e Joel Ward (4.5) tentará levar a confiança para o próximo jogo. O poderoso Vincent Kompany (6.2) parece estar de volta, e Aaron Cresswell (5.5) tem maiores hipóteses de fazer a diferença na frente do que assegurar que na sua baliza nada entra.

- Médios: Referidos Depay, Mahrez, Hazard e Redmond, não se deve ignorar o que poderão fazer Bolasie e Puncheon diante do Aston Villa, nem a estreia de Xherdan Shaqiri (7.0) pelo Stoke. Dimitri Payet (7.6) deverá provocar uma valente dor de cabeça à defesa do Bournemouth, enquanto que Ayew, Montero, Silva e Mané nunca são cartas fora do baralho. Muito pelo contrário. No Arsenal-Liverpool, jogadores como Alexis, Özil e Coutinho parecem ser as opções que contribuirão mais em termos de oportunidades de golo criadas.

- Avançados: Para além de Gomis e Rooney, muita atenção a três avançados do Leicester-Tottenham (Vardy, Okazaki e Kane), tal como a Diego Costa (11.0) e Mame Biram Diouf (6.5). Quem levará a melhor entre Pellè e Deeney e que impacto conseguirá ter Benteke no jogo grande são algumas das questões, numa jornada em que Wickham, Lukaku e Kun Agüero (13.1) podem voltar a fazer balançar as redes. Comecem a preparar as vossas equipas, porque a partir da 4.ª Kun é uma obrigatoriedade.

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11 (3-4-3): Randolph; Darmian, Cresswell, Ward; Hazard, Redmond, Mahrez, Depay; Rooney, Wickham, Gomis

Atenção a:
Manchester United v Newcastle - Memphis Depay
Crystal Palace v Aston Villa - Yohan Cabaye
Leicester v Tottenham - Riyad Mahrez
Norwich v Stoke - Nathan Redmond
Sunderland v Swansea - Bafétimbi Gomis
West Ham v Bournemouth - Dimitri Payet
WBA v Chelsea - Eden Hazard
Everton v Manchester City - Kun Agüero
Watford v Southampton - Sadio Mané
Arsenal v Liverpool - Alexis Sánchez

19 de agosto de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 3



Filme: The Dark Knight
Actor: Heath Ledger

por Miguel Pontares

    Coloca a cabeça fora da janela do carro da polícia. Cabelos molhados ao sabor do vento. É livre.
    A língua serpenteia pela gengiva, divide falas com uma lambidela. O lápis está na mesa, Ta-daa, desapareceu. Aplaude dentro da cela. Explica as cicatrizes. Foi o pai, alcoólico, abusador. Foi ele próprio,  auto-mutilado, movido pela mulher.
    Ri. E o riso ecoa imortal, psicótico, descontrolado e estridente.
    O "palhaço psicopata, esquizofrénico, assassino de massas, com zero empatia" (descrição de Ledger sobre a sua personagem) de Gotham. Chegou a vez dele.
    Aquilo que Christopher Nolan conseguiu fazer com um franchise de super-heróis muito dificilmente será repetido em filmes do género. O realizador, que aos 45 anos reúne uma colectânea de trabalhos das mais consistentes e incríveis, é quase sempre a figura nº 1 nos seus filmes. Em 'Memento', 'The Prestige', 'Inception' ou 'Interstellar' o conceito vence sempre, ajudado pelos actores. 'The Dark Knight' é o único filme de Nolan em que acima de tudo está um actor e uma personagem: Heath Ledger, como Joker.
    O anarquista e caótico Joker, o antagonista em melhor posição neste Top-100, é um daqueles homens "que só quer ver o mundo a arder". Usa uma faca para saborear as pequenas emoções, precisa do Batman porque ele o completa (I think you and I are destined to do this forever), e diz ter gostos simples: dinamite, pólvora e gasolina. Nada o prende a nada, não tendo qualquer espécie de moral ou regras.
    'The Dark Knight' faz parte daquele conjunto de filmes que já desconheço o número de vezes que vi. Mas o desempenho de Heath Ledger impressiona e arrepia sempre. A maquilhagem inconfundível (aquele sorriso de Glasgow, a tez branca e os olhos com um tom negro circundante) e o cabelo esverdeado são o ponto de partida para uma personagem marcante, inesquecível e para a qual as palavras não chegam para fazer justiça.
    Há muitas personagens deste Top que conseguem ter vários momentos emblemáticos ao longo dos seus filmes, uns 5 ou 6 por exemplo, em alguns casos, vamos supor. Joker não entra nesse universo. Praticamente todas as suas cenas são do outro mundo. Podemos começar com a sua entrada, aquele assalto ao banco orquestrado por ele servindo-se de criminosos, com máscaras de palhaço, instruídos para se matarem entre si um por um; depois há o lápis, uma cena icónica mas que nem é das minhas preferidas. É genial nunca nos ser dita de facto a origem das suas cicatrizes na boca - primeiro culpa o pai ("Why so serious?", "Let's put a smile on that face"), depois diz ter sido ele próprio, com uma lâmina, em solidariedade com a mulher ("Now I'm always smilling"). Mas a coisa não fica por aqui: diz-se um agente do caos, justo, enquanto fala com Harvey Dent no hospital, tem aquele frente-a-frente épico na noite de Gotham com Batman (o morcego herói não consegue ir contra ele, enquanto ele fica imóvel a desejar que Batman quebre a sua única regra), filma-se num vídeo arrepiante e desliza ao longo de uma pirâmide de notas antes de a colocar em chamas. A boa realização e edição ajudam a magnitude dos seus planos, quer quando obriga Batman a escolher entre Rachel e Harvey, conseguindo escapar da cela enquanto tudo isso decorre ("I want my phone call"), quer quando coloca o destino nas mãos de civis e presidiários nos dois barcos.
    Mas, tendo que escolher A Cena, é impossível não ser o momento em que é interrogado por Batman. Todo o discurso - a oposição vs aproximação filosófica entre herói e vilão - até conduzir Bruce Wayne a escolher entre Rachel e Dent, espancado brutalmente, encurralado enquanto se ri histericamente. Um momento em que nasceu uma Lenda.

    Joker é uma grande personagem por si só. Jack Nicholson foi incrível, Jared Leto também o será certamente. Tanto um como outro tendo em si uma estranha loucura, à partida. Ledger não tinha. Adquiriu-a. Na preparação da personagem e do filme, fechou-se num quarto de hotel durante 1 mês, experimentando vozes enquanto descobria que voz e que riso devia ter o seu Joker. Criou um diário escrevendo nele como se fosse a personagem, registando pensamentos e sentimentos.
    Christopher Nolan deu-lhe bastante liberdade na construção e postura da personagem, e usou as suas improvisações extra-guião como o momento genuíno em que aplaude dentro da cela, ou a sua retirada do hospital, reagindo confuso e persistente perante o facto do seu detonador não funcionar à primeira. Construiu-se o mito que agiganta a personagem e a interpretação de que Joker consumiu tanto o actor que originou a sua morte. O que é factual é que, ao contrário dos rumores de que Heath Ledger andaria pelo set a assustar a equipa como Joker, Ledger conseguia de facto "saltar" rápido para fora da personagem, andando de skate pelos cenários maquilhado ou vestido como Joker para relaxar, ou simplesmente abraçando tudo e todos bem humorado.
    Estrelas como Cobain, Marilyn Monroe ou até Elvis serão sempre recordados jovens por terem morrido cedo. No caso de Heath Ledger é difícil que a última imagem não seja dele como Joker. Um papel sem concorrência possível, justamente reconhecido com um óscar póstumo.

    Quando vemos Joker, não vemos Heath Ledger. Nem um bocadinho dele. Está perdido na personagem. Totalmente convertido, mergulhado. Mas ao mesmo tempo, vemos tudo o que Ledger poderia ter vindo a ser, vemos o potencial incrível para partir dali para uma carreira extraordinária, um actor a chegar mais alto do que qualquer outro.
    Fecho os olhos e a última imagem é a primeira também. Com a cabeça fora da janela do carro da polícia, cabelos molhados ao sabor do vento. Livre. Imortal.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

17 de agosto de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 4



Filme: The Godfather
Actor: Marlon Brando

por Miguel Pontares

    A trilogia de Francis Ford Coppola é, principalmente, sobre Michael Corleone, mas quando se fala n'O Padrinho é Don Vito que nos assalta a mente. Aquele rosto carregado de quem já viveu muito, de bochechas preenchidas e maxilar inferior proeminente, e o cabelo puxado para trás. Poucos actores houve e haverá como Marlon Brando. Vito foi um dos seus melhores papéis, e a melhor personagem que vestiu.
    Aquilo que nos acontece com o seu filho Michael - vemo-lo vezes e vezes sem conta envolvido em actos criminosos mas mesmo assim reconhecemos-lhe, vá-se lá saber como, alguns valores, sendo o da Família o mais alto - é expresso de uma forma ainda mais intensa pelo primeiro chefe da família. Don Vito Corleone, nascido Vito Andolini, é o menino que vê a sua mãe a morrer às mãos dos homens de Don Ciccio - que matara o seu pai e irmão - e que anos mais tarde se vinga no regresso à sua Sicília; é o homem que só respeita e considera verdadeiros homens aqueles que passam tempo e estimam as suas famílias; é aquele que quer o melhor para o filho Michael (Al Pacino), por ter maior potencial e não se querer envolver tanto nos negócios da família, e que por isso sofre quando o vê a seguir as suas pisadas, com simultâneo alívio por poder partir em paz, estando a família protegida e em segurança.
    No Cinema, como em todas as narrativas escritas ou projectadas de forma audiovisual, há heróis e vilões. Don Vito Corleone move-se numa linha fina, num limbo perfeito em equilíbrio entre as duas dimensões. A sua afirmação, económica e social, faz-se graças à ilegalidade, com roubo (o famoso tapete) ou o assassínio de Don Fanucci, mas no limite pode-se dizer que o mafioso jogo de favores que desenhou, tinha como propósito principal garantir que a sua descendência não teria que viver do mesmo modo. Na percepção global da personagem, para além de ser valorizada pela versão jovem de Vito (magnífica interpretação de Robert De Niro) no segundo filme, pesa muito o facto de o conhecermos inicialmente na fase final da sua vida: vemos um senhor, sensato e ponderado, capaz de ler os outros,  a saber ouvir e saber discutir, porventura arrependido e sempre preocupado com os seus. 
    Uma das melhores ilustrações da personagem é mesmo o momento em que está no seu escritório, a discutir negócios e a "amizade", enquanto carinhosamente afaga o pêlo do gato que tem ao colo. Um pormenor extra-guião, aproveitado pelo realizador Coppola depois de num intervalo das gravações Marlon Brando ter começado a brincar com um gato transeunte. E sim, é a primeira vez que alguém escreve "um gato transeunte".
    
    O chefe da família Corleone, a única personagem da História do Cinema a valer 2 óscares aos dois actores que a interpretaram (Brando, que rejeitou o óscar, e De Niro), é acima de tudo uma personagem marcante e completa. Tem uma primeira cena/ impressão forte e distintiva, umas quantas quotes para a posteridade, é facilmente identificável através do seu timbre ou da sua figura, e tem uma das mortes mais tocantes de sempre: traído pelo coração enquanto brinca com o neto no jardim.
    Toda a gente sabe quem é o Padrinho. Se isso chega para fazer dele o nosso 4.º classificado? Não, mas é melhor jogar pelo seguro, antes que nos faça uma proposta que não podemos recusar. Acordar com cabeças de cavalo na cama não faz parte dos meus planos.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

16 de agosto de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 5



Filme: The Silence of the Lambs
Actor: Sir Anthony Hopkins

por Tiago Moreira

    Senhoras e senhores, se este sujeito disser que vos quer papar, não é um comentário ordinário da sua parte. Ele quer mesmo papar-vos literalmente. De faca e garfo. É verdade... Ele gosta dum bom bife do lombo. A questão é que é do vosso lombo e não a de outro animal irracional. Julgo que com esta apresentação é mais do que claro que estou a falar de Hannibal Lecter.
    Uma personagem criada pelo escritor Thomas Harris e com Sir Anthony Hopkins a dar corpo ao mesmo no grande ecrã. É uma personagem tão complexa que teve sucesso em quatro livros do escritor e nos quais três se tornaram filmes. Como se não bastasse, mais recentemente, foi criada uma série com base no nosso personagem de hoje.
    Uma das mentes mais doentias, audazes e extremamente inteligentes de sempre no mundo da ficção. Um canibal que acabou por sê-lo derivado ao seu passado peculiar. Para além de haver uma pequena indicação que é uma condição já de família, o grande impacto traumático deveu-se quando este viu a sua irmã ser devorada pelos hiwis - lituanos que ajudavam os nazis na Segunda Guerra Mundial fazendo-se passar por elementos da Cruz Vermelha. O mais inacreditável e o que o torna um alvo bastante improvável para a polícia é que o mesmo acaba por ser um especialista em psiquiatria e que acaba por ajudar a polícia em determinados casos. Basicamente é como se tivesse um jogo de xadrez muito bem estudado, como se fosse um computador extremamente bem programado. Só que até o mais bem elaborado plano tem as suas falhas que o tornam falível.
    É uma das personagens mais admiradas por nós e certamente por muito boa gente atenta à ficção mundial. Se nunca viram "The Silence of the Lambs", "Hannibal" ou "Red Dragon", não é tarde para começarem a fazê-lo.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

15 de agosto de 2015

Manchester United e Leicester imparáveis, Everton surpreende Koeman e Fonte

A segunda jornada da Premier League iniciou-se, coisa rara, numa sexta-feira, e teve seguimento hoje, contabilizando já 7 partidas jogadas entre as 10 da jornada. O Manchester United de van Gaal voltou a ganhar pela margem mínima, enquanto que este Sábado o Leicester City ganhou por 2-1 no terreno do West Ham, o Tottenham desiludiu e no Southampton-Everton os toffees mostraram que querem escrever um destino diferente esta época.

    Foi às 19:45 de ontem que se iniciou a jornada 2. O Manchester United deslocou-se ao campo do Aston Villa e, tal como na jornada inicial, ganhou por 1-0. Se frente ao Tottenham a vitória chegou por intermédio de um auto-golo, desta vez os red devils marcaram o seu golo - Juan Mata, um dos melhores em campo, descobriu o jovem Januzaj (a única alteração de van Gaal para o 11, retirando Young) e o belga driblou um adversário antes de marcar com calma e classe. A equipa de Sherwood deu boa réplica, com o lateral Amavi em bom plano, mas a defesa do United manteve-se intransponível, com a linha Darmian, Smalling, Blind e Shaw a voltar a destacar-se. Rooney e Depay estiveram abaixo das expectativas.
    Entre Southampton e Everton o jogo teve um desfecho.. improvável. Em 2014-15 os saints tinham vencido por 3-0, e desta vez perderam pelos mesmos números. O Everton de Roberto Martínez, depois de uma fraca exibição na 1.ª jornada e tendo um calendário difícil a curto-prazo, aproveitou para chegar aos 4 pontos na Premier League. Lukaku bisou e Ross Barkley voltou a fazer o gosto ao pé, num excelente jogo da dupla Jagielka-Stones.
    Já o Tottenham recebeu o Stoke City e empatou a duas bolas. Os spurs tiveram o jogo na mão, depois de Dier e Chadli marcarem 2 golos, mas o Stoke - que na temporada passada tinha ganho em White Hart Lane - encostou a equipa da casa à sua baliza e empatou com o individualista Arnautovic a reduzir de grande penalidade e Diouf a fazer o 2-2. Importa referir que o guardião Hugo Lloris foi um dos melhores em campo. 

    Quem parece ir ter outra época tranquila e de qualidade é o Swansea. Os cisnes do País de Gales receberam o Newcastle mas nunca houve dúvidas sobre qual seria o desfecho da partida: Gomis (atenção porque pode atingir números que não seriam esperados) fez o 1-0, a expulsão de Janmaat por duplo amarelo condicionou ainda mais a resposta do Newcastle, e o ganês André Ayew voltou a marcar num excelente cabeceamento. Vários pontos em comum nas exibições do Swansea frente a Chelsea e Newcastle: portentosa exibição do central Williams, golos de Gomis e Ayew, e uma super-exibição do equatoriano Montero.
    Neste momento, no topo da tabela mora o Leicester City (6 pontos tal como o Manchester United, total que Manchester City, Liverpool e Crystal Palace ainda podem atingir). A equipa de Claudio Ranieri, que fora a que melhor futebol praticou na 1.ª jornada - embora contra o Sunderland - voltou a deslumbrar, em casa do West Ham (que ganhou em casa do Arsenal uma semana antes). Okazaki e Mahrez (grande início de campeonato) colocaram as raposas a ganhar, Schmeichel viu-lhe perdoada uma grande penalidade e expulsão, Payet (acabou de chegar e já assume a equipa em todos os momentos) reduziu para 1-2, e no final o guarda-redes Adrián acabou expulso depois de se aventurar na grande área adversária num canto.
    Watford e WBA empataram a zeros, enquanto que o Norwich encantou em casa do Sunderland. Martin, Whittaker e Redmond marcaram para os visitantes, enquanto que Watmore marcou o golo do Sunderland, claro candidato a equipa mais fraca da competição neste momento.

14 de agosto de 2015

Antevisão da Liga NOS 2015/ 16

 Liga NOS - Embora todos os anos haja esta sensação, esta é definitivamente a Liga portuguesa mais esperada e escaldante dos últimos anos! Jorge Jesus incendiou o defeso ao trocar o Benfica pelo grande rival Sporting, e originou uma avalanche de contratações tanto no clube leonino como, principalmente, no Porto, apostado em sair vitorioso enquanto Lisboa está em chamas. Lopetegui terá mais uma vez um super-plantel numa nova época em que há verdadeiramente 3 candidatos, e cujo desfecho é muito mais difícil de prever do que em qualquer outra ocasião da última década. Os jogadores são os craques mas, especialmente esta temporada, Rui Vitória, Julen Lopetegui e Jorge Jesus têm muito a ganhar e muito a perder. Depois de no Verão passado ter perdido vários jogadores fulcrais, o Benfica perdeu desta vez o cérebro dos últimos 6 anos.. mas ganhou outro cérebro. Sumariamente podemos dizer que lutarão pelo título quem tem o melhor plantel (Porto), quem tem o melhor treinador do futebol português (Sporting) e quem ultimamente tem apresentado maior capacidade e cultura de vitória (Benfica). Ser bicampeão nacional pesa.
    O Top-3 mantém-se um campeonato aparte, mas interessa verificar ainda como decorre a batalha do Minho (Paulo Fonseca deverá ambicioso, pondo o Braga a jogar à grande, e em Guimarães veremos se Armando Evangelista é ou não o homem certo para o lugar), que rendimento Sá Pinto retira de um Belenenses muito prometedor, como se sai o Paços com uma equipa jovem mas cheia de talento, e quem leva a melhor na região autónoma da Madeira, esta época representada por 3 e não apenas as habituais 2 equipas. 

    Até ao final de Agosto haverá reforços, que podem mudar muita coisa e resolver várias indefinições em alguns plantéis. No entanto, considerando os elencos actuais, esta é a nossa previsão: 


 PORTO (1)

    Dos três candidatos ao título, o Porto é aquele que tem o melhor plantel. Se isso se traduzirá em sucesso? Veremos. Enquanto que no Sporting há uma enorme motivação, confiança e euforia, entre dragões - tal como na Luz - paira um clima de apreensão e desconfiança. Pinto da Costa voltou a dar um super-plantel a Lopetegui, mas o treinador espanhol terá que fazer pela vida, controlando-se na sua habitual tendência para inventar demais, e procurando encontrar um 11 base cedo. Os jogos da pré-época permitiram voltar a ver alguns dos problemas que este Porto já tinha no seu processo ofensivo em 2014-15, sendo que desta vez não haverá aquele que era, de longe, o jogador mais influente do Porto: Jackson Martínez. Tal como o colombiano, já não estão no clube Danilo, Óliver, Casemiro e Quaresma.
    Os azuis e brancos conseguiram Iker Casillas (a contratação mais mediática do nosso Futebol) e têm a melhor dupla de laterais (Maxi Pereira herdou o mítico "2") no futebol português. No centro da defesa Maicon e Marcano parecem ser o melhor duo, exigindo-se que Maicon se assuma de vez como o patrão, embora fosse benéfico o clube contratar ainda um grande central. Chegando ao meio-campo, o leque de opções é simplesmente extraordinário: Danilo Pereira (vai crescer tanto de dragão ao peito..), Imbula (parecia impossível vê-lo em Portugal), Rúben Neves (este ano poderá ser verdadeiramente uma das Revelações, com mais minutos), André André (o novo Moutinho), Herrera, Sérgio Oliveira e, porque não, Evandro. Temos a impressão que o mexicano Herrera ainda será vendido, mas Lopetegui só tem que colocar em campo Danilo e Imbula (que poderio na zona nevrálgica!), enquanto que o 3.º médio seria agora Herrera, mas poderá ser André André, Rúben Neves ou o tal médio ofensivo que o clube ainda precisa. Alguém capaz de levar a bola numa bandeja até Aboubakar ou Osvaldo, tendo capacidade de driblar e de último passe, aliando a isso intensidade. Lucas Lima seria esse jogador, Óliver também o poderia ser, mas o clube parece não conseguir garantir os jogadores que quer com esse perfil, havendo ainda bastante curiosidade para perceber que funções terá Bueno na manobra ofensiva da equipa.
    Sem CAN, esta tem tudo para ser a época de Brahimi. O argelino é um dos jogadores com maior qualidade técnica a pisar os nossos relvados e o flanco esquerdo será dele, embora se possa também assumir como médio ofensivo em zonas centrais. Tello e o regressado Varela concorrerão por um lugar, enquanto que na frente Aboubakar é a primeira opção, mas Osvaldo tentará baralhar as contas. Já se sabe que Osvaldo pode ser simultaneamente um dos melhores avançados desta época ou uma bomba-relógio pronta a explodir por um motivo trivial. Imprevisibilidade é o nome do meio do novo camisola 10, um avançado fantástico mas temperamental.
    O Porto tem obrigação de ser campeão, atendendo ao plantel que tem, e de certa forma ter-se-á ficado a rir enquanto Jesus carregou as malas de um rival de Lisboa para o outro. O plantel ainda pode ser melhorado, com uma ou duas contratações, mas na Invicta a maior dúvida é mesmo Julen Lopetegui.

Atenção a: Yacine Brahimi, Giannelli Imbula, Danilo Pereira, Vincent Aboubakar, Rúben Neves


 BENFICA (2)

   «O campeão é sempre o favorito» - Uma frase que se tornou um cliché no mundo do futebol, mas que não espelha a realidade. Este ano, o Benfica parte atrás da equipa do Porto, tendo até agora um plantel inferior e várias feridas ainda por sarar. Os encarnados perderam o treinador e o vice-capitão para cada um dos rivais, tendo essas perdas um grande impacto anímico sobre a equipa da Luz. À instabilidade inicial juntou-se a má preparação da pré-época, sob a orientação de Rui Vitória. O novo técnico dos encarnados ainda não mostrou melhorias no jogo e os adeptos já começam a desesperar. A única coisa que se pede é que o Benfica assuma o jogo e isso não se verificou em praticamente nenhum dos jogos que o clube já efectuou.
    Olhando concretamente para o plantel, é imperial que a ida ao mercado se verifique mesmo. É urgente a contratação de um lateral esquerdo e ainda de um médio que preencha a função 8, um jogador com as características que tanto faltam a este Benfica. Mitroglou e Raúl Jiménez são duas contratações muito importantes para o plantel. O grego é um avançado mais posicional, enquanto que o mexicano é um avançado mais móvel e que muito provavelmente casará melhor com Jonas, daí termos dado destaque a esta dupla. Se houver um aumento de qualidade no jogo do Benfica e a equipa conseguir estabilizar métodos de jogo, criando rotinas, esta pode ser uma dupla tão goleadora quanto Jonas e Lima. Nico Gaitán é o melhor jogador do Benfica e o momento menos bom do clube poderia agravar-se ainda mais com a sua saída. Isto porque o argentino é quem assume o ataque das águias, tendo o condão de desequilibrar e inventar lances através da sua magia singular. Há poucos em Portugal como Gaitán, um jogador de Top mundial.
    Na defesa, onde Luisão-Jardel se mantêm no centro, embora Lisandro possa quiçá beliscar a titularidade de Jardel, falta evidentemente um lateral esquerdo de qualidade. Na direita, Nélson Semedo tem tudo para ser um dos destaques positivos deste Benfica. O jovem já mostrou a sua qualidade no jogo contra o Sporting e se foi aposta num jogo de elevada importância como o da Supertaça, deverá ser aposta na Liga (embora deva depender dos jogos em questão). O jovem lateral já mostrou a sua grande disponibilidade física nos sectores mais recuados e a sua habilidade para desequilibrar no último terço. Faz lembrar os tempos áureos de Nélson (tempos esses que duraram meia época), mas com um futuro bem mais promissor. Andreas Samaris terá neste ano a companhia do compatriota Mitroglou e na nossa opinião será esta a sua época de afirmação no clube, como temos vindo a insistir. O médio tem sido um dos elementos com maior preponderância no plantel das águias e Rui Vitória parece confiar muito nas capacidades do grego, vendo-o até como um dos 3 primeiros capitães. Pizzi renderá mais se for usado no flanco ou como 3.º médio e Carcela deu boas indicações na pré-época. Não podemos não nos referir ou menosprezar a possível contratação de Meli. Confirmando-se, e afirmando-se o argentino no plantel encarnado, poderá ser um dos jogadores mais influentes deste Benfica. Com uma disponibilidade física imensa e com um grande espírito de sacrifício, poderá tornar-se um caso sério com algumas correcções de Rui Vitória e progressivo conhecimento da realidade portuguesa.
    O Benfica parte atrás do Porto. Parte fragilizado, com um plantel em construção e ainda com ideias por assimilar do novo técnico. Apesar de prevermos uma Liga bastante competitiva entre os 3 grandes, acreditamos que o Benfica ficará em 2.º, acreditando que o futebol do bicampeão apresentará vistosas melhorias sob a batuta de Rui Vitória.

Atenção a: Jonas, Nico Gaitán, Raúl Jiménez, Nélson Semedo, Andreas Samaris

 SPORTING (3)

    Esta é a primeira vez nos últimos anos largos em que o Sporting pode efectivamente ser campeão. Mesmo tendo ido buscar o "cérebro" do Benfica, o Sporting parte atrás de Benfica e Porto. Nas últimas épocas houve um bom contributo de grandes treinadores (Leonardo Jardim e Marco Silva) mas os leões não se conseguiram impor em definitivo. Agora com Jorge Jesus, tudo poderá ser diferente, mas o facto da equipa ter sido verdadeiramente reforçada é um aspecto a ter em conta para que isso se justifique. O Sporting, até agora, conseguiu segurar as suas pérolas (João Mário, Slimani, faltando resolver o caso Carrillo), reforçando o seu plantel dentro do que é exequível. A aposta em Bryan Ruiz e Teo Gutiérrez é um significativo upgrade em relação a anos anteriores e ambos poderão contribuir para um Sporting mais consistente e menos perdulário no ataque. A organização defensiva era um relativo problema dos leões, mas Jesus, progressivamente mais competente e experiente com o decorrer dos anos, traz consigo melhorias a esse nível. Todos os processos no sector mais defensivo são quase uma obsessão do técnico. Naldo ainda tem que provar a sua qualidade, João Pereira necessita de mostrar o quão maduro diz estar, mas Paulo Oliveira e Jefferson (atenção às suas assistências e bolas paradas) podem muito bem ser destaques desta equipa em crescendo do Sporting.
    João Mário deverá ser um dos jogadores mais importantes na 'Era Jesus'. Um jogador com um elevado QI futebolístico e que tanto tem a qualidade de vir atrás buscar jogo, como também tem a qualidade de o levar para a frente. Poderá ser um dos leões cujo rendimento aumentará com Jesus. Mas é de André Carrillo que se esperam as melhores coisas. O peruano tem vindo a crescer no clube de Alvalade e, apesar de no último ano já ter sido mais constante, todos os adeptos de futebol crêem que o extremo pode dar ainda mais ao Sporting. Este pode muito bem ser o ano da explosão de Carrillo, tendo em conta o estilo de jogo e a forma de trabalhar de Jorge Jesus. Slimani será uma pedra fundamental no ataque verde e branco sendo o artilheiro de serviço, enquanto que Bryan Ruiz (o jogador que Jesus diz "saber tudo") será o maestro do ataque, como já deu para perceber neste jogo da Supertaça. Por fim, destacamos ainda William Carvalho. Depois de uma primeira época sensacional, o trinco do Sporting desceu bastante de forma na última época. Não fez uma época má - pelo contrário -, mas habituou-nos a um nível muito elevado na sua época de estreia de leão ao peito. Acreditamos veementemente na sua explosão este ano onde evoluirá exponencialmente com Jorge Jesus. A posição 6 é uma das mais e melhor trabalhadas pelo técnico e isso beneficiará tanto o Sporting, como a Selecção Portuguesa.
    Prevê-se uma autêntica guerra, taco a taco, entre Porto, Benfica e Sporting, mas ainda assim em termos de expectativas os leões partem atrás dos rivais. Jesus brilhou no seu 1.º ano de águia ao peito, com um plantel bastante mais valioso do que aquele que encontra neste Sporting, mas não se pode ignorar algo: o Sporting é, entre os 3 grandes, a equipa que mais rapidamente assimilou as ideias do treinador, e para já aquela que apresenta maior equilíbrio e pressiona melhor.

Atenção a: André Carrillo, Islam Slimani, João Mário, Bryan Ruiz, William Carvalho



 BRAGA (4)

    Paulo Fonseca pode não ser o melhor aluno a Geografia, mas é bom treinador. O homem que falhou ao leme do Porto voltou a resultar na Mata Real e abraça, justamente, um projecto mais ambicioso. O Braga perdeu alguns jogadores importantes como Éder, Zé Luís, Pardo e Rúben Micael, mas Fonseca tem disponível um grupo de jogadores com potencial. Matheus e Kritciuk (na Liga só o Porto consegue ter um melhor par - Casillas, Hélton) são dois grandes guarda-redes, e a defesa permanece intocável - Baiano, Aderlan, André Pinto e Djavan - sendo essencial preservar o "patrão" Aderlan Santos. No meio-campo e ataque ver-se-ão esta época bastantes caras novas, e Fonseca terá que conseguir que alguns jogadores jovens se adaptem rápido, numa equipa que deverá alternar entre o habitual 4-3-3 e um 4-4-2 como gente grande, clássico ou losango, pelo menos olhando para os avançados que o Braga tem/ quer ter.
    Rafa e o ex-Barça B Román serão os grandes desequilibradores da equipa, com a sua criatividade a poder resolver muitos jogos. No miolo Alef sucede ao companheiro de sub-20 Danilo, e havendo Mauro, Tiba e Luiz Carlos, a novidade da pré-época foi a confiança que Fonseca parece depositar no montenegrino Nikola Vukcević. Chegando ao ataque, há várias figuras para actuar nos flancos - Pedro Santos, o veterano Alan, os já referidos Rafa e Román e ainda Fábio Martins e William Pottker (temos alguma curiosidade para ver o "Hulk" Pottker em acção). Para marcar golos, António Salvador contratou Rodrigo Pinho, Crislan, Rui Fonte (emprestado, e caso mantenha as lesões longe, a enfrentar uma época muito importante) e Stojilković, mas Nélson Oliveira parece ser também um desejo do clube bracarense. Os dois avançados brasileiros têm qualidade técnica e veia goleadora, mas a contratação de Nélson Oliveira (ao desligar-se contratualmente do Benfica ficaria muito mais "solto" e estaria certamente determinado a provar o seu valor, do zero) daria outra qualidade ao ataque do Braga, que se caracterizará sempre por bastante mobilidade e bom entendimento dos homens da frente. O Braga está longe do nível do Top-3, mas este defeso amealhou bom dinheiro e deve procurar reforçar o seu estatuto de 4.ª equipa, enquanto procura sucesso nas taças.

Atenção a: Joan Ángel Román, Rafa, Aderlan Santos, Rui Fonte, Matheus

 BELENENSES (5)

    É inevitável olhar para a evolução que o Belenenses levou desde 2010 - ano em que desceu para a II Liga, enfrentando tempos bastante difíceis. Um histórico português em que muitos adeptos perderam a esperança de voltar a ver nos grandes palcos da Primeira Liga. Depois de um primeiro ano na Segunda Liga francamente mau, em 2011/12 notou-se uma melhoria exibicional, mas que continuava a deixar os seus adeptos e simpatizantes algo preocupados. Contudo, em 2012/13 deu-se a subida à Primeira Liga e verificou-se uma subida gradual de rendimento. No primeiro ano não foram além do 14.º lugar (um lugar acima da linha d'água), mas no ano seguinte justificaram porque é que não mereciam descer - uma época extraordinária dos azuis do Restelo face ao plantel que Lito Vidigal e Jorge Simão tiveram, com muitos jogadores portugueses, acabando mesmo por assegurar a entrada na Liga Europa com um 6.º lugar.
    Este ano, com Ricardo Sá Pinto no comando, os Belenenses têm uma equipa 100% portuguesa. Com a contratação de alguns bons valores como o experiente Tonel, os jovens Geraldes (por empréstimo do Sporting) e João Amorim para as laterais ou até João Vilela (boa aquisição, resgatado ao Gil Vicente). A juntar a todos estes jogadores de qualidade, chegou também Rúben Pinto (finalmente desligado do Benfica, e esperamos que esta seja a época de afirmação do jovem médio, com exibições de qualidade como as que fazia pelo Benfica B) e André Sousa, o ex-Académico de Viseu que garantirá uma equipa sempre equilibrada. Ainda assim, é de Miguel Rosa de quem se espera mais nesta equipa lusitana. Aos 26 anos é a alma do clube lisboeta. Entrega-se sempre de uma forma apaixonada ao jogo e dá tudo por tudo em cada lance. Quando o jogo está difícil, é nele que os adeptos depositam toda a sua esperança. Carlos Martins, já mais rotinado que na época passada, é outro dos jogadores a ter em conta. O médio espalha classe pelo meio-campo e pode resolver qualquer jogo à lei da bomba como tanto gosta. Por fim, acreditando nós que Sturgeon dará o salto para fora do país, é em Dálcio que confiamos uma maior evolução. O jovem jogador emprestado pelo Benfica já mostrou a sua qualidade na época passada e julgamos que este será o seu ano de afirmação no clube. O meio-campo merecia um avançado doutro estatuto, estando neste momento o lugar entregue a Camará ou Betinho. Postiga, Marreco e Rubio foram tentativas falhadas, e Nélson Oliveira seria - tal como para o Braga - uma opção muito interessante.
    Ricardo Sá Pinto já mostrou que aspira a voos mais altos ao derrotar o IFK Goteborg na 3.ª Pré-Eliminatória da Liga Europa e o 5.º lugar nesta Liga NOS é bem possível de almejar. Os azuis do Restelo podem aproveitar o revés que equipas como Vitória de Guimarães e Rio Ave sofreram e colocar-se logo atrás dos 4 grandes portugueses, com futebol positivo e um plantel que sabe cantar o hino.

Atenção a: Miguel Rosa, Dálcio, Carlos Martins, Rúben Pinto, André Sousa

 VIT. GUIMARÃES (6)

    Entre 2011 e 2015, o trabalho de Rui Vitória no clube da cidade-berço foi extraordinário. O agora treinador do Benfica fez, ano após ano, omeletes sem ovos, conseguindo sucesso (6.º lugar em 2011/ 12, vitória na Taça de Portugal em 2012/ 13, 5.º lugar na época passada) ao mesmo tempo que enfrentou o desafio de reconstruir a sua equipa sistematicamente, promovendo jovens valores e recorrendo à equipa B. O Vitória aposta tanto na sua segunda equipa que desta vez da B vem.. o treinador. Armando Evangelista tem em mãos uma tarefa difícil, e temos dúvidas que tenha mãos para o projecto. Já falhou o acesso à Liga Europa, isto depois do plantel ser desenhado para competir em várias frentes, mas a ausência de competições europeias pode ajudar a manter o foco na Liga. Se a evangelização da cidade de Guimarães (e os adeptos do clube são muito exigentes) não correr bem, parece-nos que a classificação final do clube será tanto mais alta quanto mais cedo houver um novo treinador ("qual" é outra história).
    Da temporada passada para esta o clube perdeu, para além do treinador, duas peças de grande importância: André André e Bernard. Os principais reforços até agora foram Tozé (mereceu a aposta), Licá (um passo atrás necessário), Montoya (tem qualidade técnica), Otávio (novamente emprestado), Bruno Gaspar a título definitivo e Henrique Dourado (2.º melhor marcador do Brasileirão 2014). O avançado brasileiro é uma aposta forte para fazer golos, partindo como favorito para ganhar a titularidade a Tomané e aos jovens Ricardo Gomes e Vigário. Já os flancos serão disputados por Ricardo Valente, Alex e Licá. Seria importante segurar Josué Sá, mantendo-o em dupla com João Afonso, e no meio-campo Bruno Alves (aposta forte de Evangelista, que o conhece da B) está a demorar a dar boa resposta, embora o tridente Cafú, Montoya e Tozé (os últimos dois podem cumprir o papel de médio mais adiantado ou até jogar no flanco) não fosse também garantia da intensidade e disciplina necessárias. A equipa ganharia ao ter um médio como João Teixeira, e depois de Douglas e Assis dividirem o tempo de jogo na baliza em 2014-15, resgatar José Sá ao Marítimo não era mal pensado. Um médio é possível que chegue, um novo guarda-redes não.

Atenção a: Henrique Dourado, Ricardo Valente, Alex, Tozé, Licá

 PAÇOS FERREIRA (7)

    Jorge Simão herdou a equipa de Paulo Fonseca e este Paços, jovem e talentoso, é uma equipa bastante portuguesa e que promete entusiasmar. Na Capital do Móvel, os reforços têm sido muito bem escolhidos - Roniel foi emprestado pelo Porto, Fábio Cardoso e Pelé pelo Benfica, Marafona e Christian foram resgatados a outras equipas da Liga NOS, e chegaram vários jogadores da Segunda Liga. Falar do Paços ao longo da época será, em princípio, falar de uma equipa com futebol positivo. Marafona e Defendi disputarão a baliza, do quarteto Marco Baixinho, Fábio Cardoso, Miguel Vieira e Ricardo sairá a dupla de centrais privilegiada, e João Góis deve ser o lateral-direito depois da sua boa época no Chaves. Do lado esquerdo, Hélder Lopes continua no clube e, mantendo-se, a sua titularidade é inquestionável. As chegadas de Pelé (já conhece Jorge Simão) e Christian deverão tornar o meio-campo pacense bastante completo, enquanto que no ataque Cícero promete complicar a vida a Bruno Moreira, havendo ainda a opção Edson Farias. Romeu, Roniel, Manuel José, Vasco Rocha e Minhoca, de quem se espera maior consistência, serão outras das opções ao dispor do treinador ex-Belenenses, e temos altas expectativas para acompanhar a época de Diogo Jota. O miúdo de 18 anos, lançado por Paulo Fonseca, é uma lufada de ar fresco no futebol português e poderá ser uma das Revelações desta Liga. Na senda de Jota, Andrezinho poderá dar os primeiros passos a sério neste campeonato e, globalmente, parece-nos que o Paços ainda tentará garantir um ou dois excedentários dos grandes (Nuno Santos seria ouro sobre azul).

Atenção a: Diogo Jota, Pelé, Cícero, Christian, João Góis

 NACIONAL (8)

    Ninguém duvida que o eloquente dicionário de nome Manuel Machado é hoje em dia um dos treinadores mais experimentados do futebol português. O arqui-inimigo de Jorge Jesus conhece a realidade e, não sendo um revolucionário ou alguém que coloque as equipas a jogar um futebol muito atractivo, consegue normalmente resultados, construindo equipas sérias e eficazes. Este Nacional perdeu várias figuras influentes (Marco Matias, Lucas João, Tiago Rodrigues, Marçal e Christian) mas o clube de Rui Alves já nos habituou a saber substituir e dar boa resposta às suas perdas. O avançado Soares deve emergir esta época como o melhor marcador da equipa, secundado num dos flancos pelo ágil Salvador Agra, um extremo que teoricamente pode crescer muito sob a orientação de Manuel Machado. O holandês Cas Peters fez uma boa pré-época mas acabou estranhamente dispensado pelo clube e, por isso mesmo, achamos que ainda deverá chegar um extremo para o 11, embora o jovem João Camacho tenha valor. Gottardi, Zainadine, Ali Ghazal e os irmãos Aurélio continuam no clube, podendo Sequeira ser o herdeiro de Marçal como já fora em alguns jogos de 2014-15, enquanto que no meio-campo os recém-chegados Zezinho e Nenê Bonilha terão que demonstrar ser verdadeiros reforços para o sector que tudo liga. Manuel Machado precisa de 1 extremo e de 1 médio mas, de qualquer modo, a sua equipa deverá terminar sempre entre a 7.ª e a 10.ª posição.

Atenção a: Soares, Salvador Agra, João Aurélio, Nenê Bonilha, Sequeira

 MARÍTIMO (9)

    Depois do 9.º lugar na época passada, imaginamos que o Marítimo de Ivo Vieira possa conhecer igual ou semelhante destino na tabela esta temporada. A equipa insular reúne um elenco interessante, mas depende muito do seu melhor jogador: o portentoso avançado Moussa Marega. O jogador do Mali deixou muito boas indicações na 2.ª metade da época passada, contratado para substituir Maazou, e a sua continuidade é fundamental. No entanto, não nos surpreendia que ainda fosse alvo de cobiça até ao fecho de mercado ou no defeso de Janeiro. Marega é capaz de colocar a equipa noutro patamar, apoiado pela consistência que Tiago Rodrigues (grande médio, exímio marcador de bolas paradas, emprestado desta vez ao rival do Nacional) e Gevorg Ghazaryan irão dar ao miolo. Na baliza, depois de Wellington e Salin disputarem a titularidade em 2014-15, o mais inteligente seria apostar em José Sá depois daquele fantástico Euro Sub-21; João Diogo e Rúben Ferreira são laterais preponderantes na equipa, e após as saídas de Bauer e Igor Rossi, Deyvison (ex-Tondela) e Dirceu poderão formar o novo coração da defesa. Figuras como Alex Soares, Fransérgio ou Lynneeker tornam o plantel mais amplo, embora pareçam faltar soluções para os extremos (António Xavier e Edgar Costa partem na frente, podendo Éber Bessa aparecer mais esta época), parecendo-nos importante que os extremos surjam com mais frequência na ficha de jogo, ajudando mais Marega.

Atenção a: Moussa Marega, Tiago Rodrigues, António Xavier, Gevorg Ghazaryan, Alex Soares


 RIO AVE (10)

    Voltando ao continente, o Rio Ave é uma verdadeira incógnita. Tem um treinador de qualidade, mas a verdade é que o seu plantel sofre dalguma indefinição. Tanto Hassan como Ukra, e até Marcelo, ainda não é certo que fiquem e perdê-los significaria um forte golpe para Pedro Martins. Especialmente o extremo que era uma das figuras mais importantes do ataque vila-condense. Ainda assim, as aquisições de Heldon e Kayembe podem vir a ser importantes no ataque. Pedro Paulo parece ser aposta do técnico português para a equipa principal, mas só o tempo dirá o que o brasileiro vindo do Atlético Paranaense poderá dar ao ataque do Rio Ave. Na defesa, é imperial que se arranje um substituto à altura de Tiago Pinto. Confirmando-se o regresso de Edimar à equipa de Vila do Conde, serão muito boas notícias para a saúde defensiva da mesma. Juntando-se a continuidade de Marcelo, a consistência defensiva poderá ser maior e idêntica há de 2 anos atrás. Yazalde será mais um a contribuir para a qualidade ofensiva, que é o ponto forte deste Rio Ave de Pedro Martins. No miolo, será necessário Pedro Moreira e Renan Bressan afirmarem-se como capazes de coordenar toda a equipa.
    Não auguramos uma melhoria significativa, mas sim uma manutenção daquilo que foi o Rio Ave no ano passado. Acreditamos que ficará a meio da tabela e que não será capaz de chegar perto da Europa, mas também não esperamos minimamente ver os vila-condenses em risco de descer.

Atenção a: Marcelo, Héldon, Kayembe, Pedro Paulo, Yazalde

 ESTORIL (11)

    Este Estoril está longe de ter a qualidade de jogo da equipa que Marco Silva orientava. Se o Rio Ave é uma incógnita, o Estoril ainda será mais. Com várias entradas de jogadores não tão reconhecidos no que toca à sua qualidade, é em "chuta-chuta" que se colocam todas as aspirações do Estoril Praia. Bruno César está de volta a Portugal e depois de ter deixado o Benfica (onde era aposta de Jorge Jesus) por uma aventura arábica, volta pela mão do presidente Alexandre Faria. É sem dúvida uma das contratações mais sonantes do defeso em Portugal e é inevitável que se peçam coisas boas de "chuta-chuta". É uma contratação de peso... a todos os níveis. Falando no presidente canarinho, o mesmo afirmou que a porta estará aberta quer para entradas, quer para saídas. Isto porque se fala bastante na saída de Sebá para o Olympiakos de Marco Silva. O extremo tem mostrado elevada qualidade e seria um dos melhores reforços do Estoril caso se mantivesse no plantel. Gerso e Léo Bonatini também poderão destacar-se no ataque estorilista, enquanto que Anderson Esiti será o pêndulo do meio campo. Perspectiva-se uma boa época do nigeriano.
    Será uma luta difícil para o Estoril que, depois de José Couceiro não ter resultado, manteve Fabiano Soares no leme, embora o treinador ainda tenha que provar o seu valor. O pós-Marco Silva previa-se uma fase sempre ingrata. Somando tudo, Alexandre Faria continua a garantir que o grande objectivo do Estoril é a manutenção. O que achamos bastante legítimo.

Atenção a: Bruno César, Gerso, Léo Bonatini, Sebá, Anderson Esiti


 AROUCA (12)

    O antepenúltimo classificado de 2014/ 15 está mais forte. Pedro Emanuel abandonou o clube de Aveiro em direcção ao Chipre, mas a Direcção garantiu um treinador mais capaz: Lito Vidigal, o principal responsável pelo 6.º lugar do Belenenses na época transacta. Havia muito a melhorar no plantel, mas Lito terá um elenco luso-brasileiro que pode realizar um bom campeonato. Bracalli assumirá a baliza, na defesa Borja López (emprestado pelo Mónaco) e os laterais Jaílson e Lucas Lima são verdadeiros reforços, enquanto que no meio-campo Lito Vidigal já tinha boas opções com rendimento regular - David Simão, Artur, Nuno Coelho (médio defensivo ou central) e Pintassilgo -, sendo bem possível que Lito retire muito mais de Nildo Petrolina. A este miolo, para além do brasileiro Karl, chegou também Nuno Valente, do Braga B, uma das melhores contratações do clube, podendo ser uma agradável surpresa no principal escalão. No ataque, para além de Roberto Rodrigo, os brasileiros Maurides (irmão de Maicon, central do Porto) e Leandro tentarão garantir golos, e esperamos que o novo camisola 11, Ivo Rodrigues, aproveite este empréstimo para crescer. Para além do jovem craque do Porto, garantir por empréstimo outro extremo dos grandes (fazer regressar Iuri Medeiros, que não quer ser emprestado ao Moreirense, era o ideal) poderia muito bem elevar este Arouca a outro patamar.

Atenção a: Ivo Rodrigues, Nuno Valente, Nildo Petrolina, Maurides, Borja López

 BOAVISTA (13)

    Uma verdadeira supresa da Liga NOS 2014/ 15. Petit foi dado como morto antes do combate e provou que o Boavista está bem vivo. Jogou com as armas que tinha e foi conquistando um lugar cada vez mais confortável na Primeira Liga. O histórico português voltou aos palcos que merece e este ano perspectiva-se que garantam de novo a manutenção. O segredo estará todo na defesa. Se no ano passado mostraram que essa foi a sua grande arma, este ano essa arma ganhou ainda mais força. Com as entradas do bem conhecido Paulo Vinícius (ex-jogador do Braga) e do mundialista Samuel Inkoom, o Boavista tem tudo para assegurar a manutenção, fiel à sua ideia de jogo defensiva e apoiado no rigor e no plano físico. Uma equipa em parte à imagem de Petit. A juntar aos dois novos defesas, Afonso Figueiredo continua no plantel dos axadrezados e será certamente um jogador que mostrará novamente a sua qualidade, enquanto que o central Henrique pode ressuscitar depois de não render tanto desde os tempos do Feirense. Na frente, Uche Nwofor é o novo homem-golo, que terá como missão transformar as poucas oportunidades de golo... em golo. Para isso terá também a ajuda de Zé Manuel que no ano transacto acabou por fazer boas exibições ao serviço dos axadrezados.
    Não será fácil para o Boavista assegurar de novo a manutenção, mas com todo o trabalho que Petit e toda a sua equipa técnica demonstraram na temporada anterior, é legítimo que a equipa do Norte volte a agarrar a manutenção já que reforçaram (e bem) o seu ponto forte - a defesa.

Atenção a: Uche Nwofor, Samuel Inkoom, Afonso Figueiredo, Paulo Vinícius, Zé Manuel


 MOREIRENSE (14)

    Em Moreira de Cónegos a chave tem sido a muito boa organização defensiva, característica das equipas de Miguel Leal. Contudo, no ano que se avizinha, a aposta no mercado dos adversários do Moreirense tem sido muita e o clube nortenho tem ficado um pouco aquém no defeso. Ainda assim, fizeram algumas contratações interessantes que podem muito bem aumentar a qualidade de jogo da equipa de Miguel Leal - um dos bons treinadores portugueses. Luís Carlos será uma interessante aquisição vinda do Korona Kielce da Polónia, mas terá ainda a companhia do irrequieto Emmanuel Boateng que se transferiu do Rio Ave. A sua irreverência poderá ser uma das peças-chave deste ataque. Vítor Gomes será o novo patrão do meio campo depois do melhor jogador da equipa de Moreira de Cónegos ter abandonado o clube para ingressar no AEK. Falamos de André Simões. Rámon Cardozo terá que recuar dois anos atrás e provar a qualidade que mostrou nesse ano no Setúbal, enquanto que Pierre Sagna - depois de ter feito uma boa época no Chaves - será uma mais-valia na defesa. Temos ainda alguma curiosidade para acompanhar a evolução dos jovens Caleb Gomina e Ohemeng.
    O Moreirense tem como ponto forte a boa organização defensiva, mas a verdade é que comparativamente com outras equipas, não parece ter os mesmos argumentos.

Atenção a: Luís Carlos, Rámon Cardozo, Vítor Gomes, Emmanuel Boateng, Pierre Sagna

 TONDELA (15)

    O campeão da Segunda Liga 2014/ 15 perdeu o treinador Quim Machado e o seu goleador Tozé Marreco. Mas há vida depois de Marreco. O antigo capitão do Benfica, Vítor Paneira, que levou o Varzim à Segunda Liga, é o novo treinador e o projecto tem pernas para andar. O Tondela soube atacar o mercado e garantir um plantel equilibrado e maduro - jogadores com experiência de primeiro escalão como Markus Berger, Kaká, Luís Tinoco, Bruno Nascimento e principalmente Luís Alberto, chegaram para garantir uma equipa sólida e experiente na hora de defender. Raphael Guzzo, promessa benfiquista que esteve em destaque no Mundial Sub-20, uma das 3 águias emprestadas ao clube, parece poder acrescentar as características que faltavam a este plantel - uma espécie de Ruben Amorim rejuvenescido, trabalhador, sendo capaz de equilibrar mas tendo também chegada à área. Na frente, Nathan Júnior e Piojo tentarão fazer esquecer Tozé Marreco, e o conjunto de opções ao dispor de Paneira para os flancos é interessante - o Benfica emprestou Jhon Murillo e Romário Baldé, o Braga emprestou Dolly Menga e há ainda Wagner e Luís Machado.
    Ao contrário do União da Madeira (no qual a importância de Vítor Oliveira era esmagadora), o Tondela tem boas hipóteses de garantir a manutenção, e Paneira terá um misto de experiência e juventude sob as suas ordens, podendo 2015/ 16 ser uma época de boas indicações para figuras até aqui desconhecidas como Murillo, Nathan Júnior, Luís Machado, Lucas Souza, Edu Machado ou Bruno Monteiro. A fórmula é a de quem quer ficar: um treinador capaz, uma defesa experiente, um meio-campo musculado e um ataque dinâmico.

Atenção a: Jhon Murillo, Nathan Júnior, Luís Alberto, Raphael Guzzo, Luís Machado


 ACADÉMICA (16)

    A Académica tem Viterbo e o seu bigode no comando. Foi uma equipa que produziu um fraco futebol no ano passado, mas que poderá safar-se à risca da descida. Os estudantes estão longe de apresentarem um futebol vistoso, mas a verdade é que conseguem arrancar muitos empates. E todos esses pontos são preciosos no que toca à manutenção. Ainda assim, este ano terão Gonçalo Paciência. O filho de Domingos chega finalmente ao primeiro escalão e promete aquecer as redes dos adversários. Juntamente com Rui Pedro e Rabiola, os estudantes poderão transformar os empates em vitórias preciosas. O jovem Leandro Silva seguiu os passos de Gonçalo e também vem directamente da equipa secundária do Porto. Será também um elemento interessante para acompanhar. Por fim, Emídio Rafael é o elemento da defesa do qual se espera maior destaque, pelo bom desempenho defensivo e pelo bom apoio que dá ao extremo, podendo ser feliz no clube onde realizou a sua melhor época individual.
    Os reforços não nos parecem suficientes para batalhar contra vários clubes com idênticos objectivos, mas a verdade é que a Académica tem sempre a "estrelinha" do seu lado. Não é improvável a sua descida, mas cremos que a equipa de Viterbo se poderá manter na Liga NOS.

Atenção a: Gonçalo Paciência, Rui Pedro, Emídio Rafael, Leandro Silva, Rabiola

 VIT. SETÚBAL (17)

    "Quem não come alhos, não cheira a eles!" - Foi com esta mítica declaração que António Fiúza, presidente do Gil Vicente, tentou expulsar o Vitória de Setúbal da Liga NOS. Não surtiu efeito, mas pode acontecer que Fiúza tenha que esperar apenas 1 ano para ver o seu desejo realizado. O Vit. Setúbal foi um dos sobreviventes (14.º lugar, a 6 pontos do Gil Vicente) em 2014-15, também pelo nível medíocre que Penafiel e Gil Vicente apresentaram, mas desta vez englobamos a equipa do Sado no conjunto de 3-4 equipas que nos parece poder ter um destino menos feliz. A equipa sadina tem os seus fervorosos adeptos como um ponto a favor, bem como Quim Machado (o treinador que fez subir o Tondela) mas garantir a manutenção será operar um pequeno milagre com um plantel muito longe da qualidade doutros. O guardião Diego Silva, com 36 anos, regressou ao futebol português, bem como o lateral Nuno Pinto; Frederico Venâncio deve assumir-se como o patrão de uma defesa instável, Rúben Semedo veio de Alvalade podendo jogar na defesa ou como trinco, e - para além da renovação do empréstimo do mexicano Dávila, do Chelsea - o Setúbal terá que provar que a sua prospecção nos escalões secundários portugueses foi eficaz. André Claro (Arouca) e Fábio Pacheco (veio com Quim Machado do Tondela e promete ser um excelente 6 nesta equipa) serão porventura os principais reforços, e dos jogadores do CN Seniores João Costa é aquele sobre o qual existem maiores expectativas, tendo também regressado alguns elementos que o clube tinha a rodar. Será em princípio uma equipa para descer ou andar perto disso, mas caso isso não aconteça tratar-se-ia sempre de uma agradável surpresa. 

Atenção a: André Claro, Fábio Pacheco, Frederico Venâncio, Diego Silva, Rúben Semedo


 UNIÃO DA MADEIRA (18)

    É inevitavelmente o elo mais fraco da Liga NOS. O União da Madeira subiu de divisão com muito suor e esforço, agigantado pelo extraordinário trabalho de Vítor Oliveira, mas também com alguma sorte pelo meio já que ficou à frente de um Chaves que se vinha exibindo a bom nível. Sem grandes armas e sem querer entrar em devaneios financeiros, o União da Madeira parte como clube mais modesto - um pouco à imagem do Boavista no ano passado. Com isto não queremos dizer que não terá hipóteses de competir por um lugar na Primeira Liga, até porque o exemplo que demos dos axadrezados foi a prova viva que as surpresas acontecem, e o esforço e o trabalho são sempre recompensados.
    O segundo clube com mais sócios na Madeira, atrás do Marítimo, tem as suas esperanças todas depositadas em Danilo Dias. O brasileiro volta a Portugal e a uma ilha onde anteriormente já foi muito feliz. Depois de boas épocas no Marítimo, o brasileiro volta à primeira liga portuguesa para ingressar no União. Uma contratação fulcral que se junta a um ataque onde já se encontram Kisley e William Soares (bom médio-centro) que serão jogadores certamente a acompanhar. Contudo, é Élio Martins o artilheiro de serviço. Depois de ter marcado 15 golos na Segunda Liga, o avançado português tentará fazer o gosto ao pé na mais alta competição portuguesa. A contribuição de Paulinho na defesa dará uma maior maturidade ao sector defensivo já que o próprio já tem experiência na Liga NOS ao ter jogado pelo Moreirense.
    Como já referimos, o mais espectável é que a equipa madeirense tenha guia de marcha de novo para o segundo escalão, mas tudo é possível no mundo do futebol... Norton de Matos arrisca-se a ser uma das primeiras chicotadas psicológicas.

Atenção a: Danilo Dias, Élio Martins, Kisley, William Soares, Paulinho