Óscares Barba Por Fazer 2019

A Academia tem a sua opinião, nós temos a nossa. Na 8ª edição dos Óscares Barba Por Fazer, fazemos justiça em relação a The Favourite, Shoplifters, You Were Never Really Here, Burning ou Blindspotting.

As Melhores Séries de 2018

O melhor que se fez em televisão em 2018. Atlanta, Better Call Saul, Daredevil, BoJack Horseman, e que mais?

Os Melhores Episódios de 2018

2018 é o elogio fúnebre de um cavalo, é Jimmy a virar Saul, é uma ilha em Itália e as lágrimas que correm nos rostos de Emma Stone e Yvonne Strahovski. É uma linha de Shakespeare por Bill Hader, um I Beat You de Daredevil e é, claro, Teddy Perkins.

Balanço Liga NOS 18/ 19

Passamos em análise o favoritismo do Porto, o potencial do Benfica entregue a Bruno Lage, e os extraordinários trabalhos de Silas e Ivo Vieira ao comando de Belenenses e Moreirense.

100 Jogadores que podem marcar 2019

No nosso Top do novo ano, há 6 portugueses, os centrais e o médio da moda (De Ligt, Militão e De Jong), Mbappé, Salah, Kane e Van Dijk, tudo isto num ano que deve voltar a ser Leo Messi vs Cristiano Ronaldo.

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5 de fevereiro de 2015

Crónica: Repto às Pitas

    Eu bem sei que vou acabar por tocar no mesmo ponto da crónica «O que é isso do SWAG?», mas perante as imagens que vos venho mostrar senti necessidade de voltar a sair da minha gruta - com a minha longa barba - para dar uma piçada às pitas de hoje em dia.
    Acabei por escolher estes dois exemplos de crianças que demonstram muito bem que a coisa está preta na juventude portuguesa. A primeira já é uma conhecida dos internautas - Tatiana Neves. A outra - pelo que me apercebi - é uma suposta inimiga da primeira de seu nome Diana Pereira. E para quem caiu aqui de pára-quedas e não sabe o que estas duas moças fazem... Eu também não sei. Julgo que tiram fotos com algumas peças de roupa - por vezes com frases bombásticas (na cabeça delas) - com o objectivo de... Não sei qual é o objectivo. Talvez seja só angariar likes numa foto... É um objectivo de vida como outro qualquer... 
    Antes de passar ao que interessa, venho alertar-vos - caros dois leitores - que poderá existir uma linguagem menos própria no que resta deste pequeno texto. Agora avancemos:

    Ora, portanto... A Tatiana já fez outros videos, mas eu escolhi este onde ela aparece de cuecas de dormir e com um top que não lhe serve, que apenas lhe está a esmagar os poucos seios que tem. Para finalizar a indumentária tem um boné que está para ali pendurado. Dá claramente para ver o que ela tem na cabeça através do buraquinho do boné - nada (para além dum tufo de cabelo pintado). Ela começa por dizer que tudo o que tem é verdadeiro. Ok, Tatiana. Nós olhamos e percebemos isso. Mas ela continua e afirma que tem mamas e rabo, e dá umas voltinhas para o demonstrar. Epá, oh Tatiana, o Zé Maria do Big Brother também tem e não é por isso que anda no Facebook a fazer poses ridículas com «roupa artística»...
    Agora atentemos às palavras todas Charlie da Tatiana. Vamo-nos tentar abster que ela disse algumas vezes "me vêm" e foquemo-nos nas suas últimas palavras: «Cada um faz o que quer, cada um é como é e quem não gosta mete na beira do prato, quem não gosta come mais até aprender a gostar... E olhem, c'est la vie» - Muita bem. Então se quem não gosta vai meter à beira do prato como é que come mais até a aprender a gostar? Ah, espera... Já sei. É amante do período Barroco e lançou aquela antítese só para mostrar aquele domínio em cultura geral. É isso mesmo.
    Noutro video a Tatiana dirige-se aos seus haters. Haters são aqueles que criticam só porque "sim" o trabalho de outrem. Ora... Vou dar-te uma novidade, Tatiana. Tu não tens haters porque o que fazes não é digno de ser avaliado como uma coisa positiva. Tirar fotos para o Facebook para ter likes, é só parvo. Daí que seja totalmente normal que hajam pessoas que gozem com esse facto. Se és toda Charlie para tirar fotos com "roupa artística" porque "cada um faz o que quer", também nós temos o direito de gozar com isso.



    Esta ainda se enterra mais. Não fiz bem o trabalho de casa com medo de me fazer mal à saúde mental, mas julgo que esta criança é uma inimiga da Tatiana. Disputam o quê? Não sei bem... Mas deve ser uma espécie de Star Wars dos likes. Derivado à pose, só me consegui aperceber que estava a olhar para um ser humano devido às suas estranhas expressões faciais. Caso contrário, assimilaria que alguém tinha roubado um manequim da Zara Kids e o vestiu pessimamente. Mas não. É mesmo uma moça que pendurou um boné (ou terei que utilizar o termo cap?) para parecer o Megamind.
    Portanto... Ela começa por ofender as gentes do Facebook ao referir que têm um grave problema. Bem sei que não se deve julgar as pessoas pelo que vestem, mas utilizei o meu livre-arbítrio para desconfiar que se calhar seria ela a ter um. «Vaca não sou. Puta, ya. Se calhar até sou puta!» - Eu imagino o ar derrotado dos pais ao verem este video. Pelo menos é bom que fiquem com um ar derrotado e reflictam sobre o que correu mal. Só que isto não acaba aqui. Ela tem que explicar porque é que "ya", se calhar até é puta. Então diz ela que é puta (já me estou a sentir um Nuno Melo no Crime do Padre Amaro) porque as putas metem os cornos, não têm os cornos. Tão pequenina e já a querer usar a lei da lógica. Quem diria... Pena é que não tenha lógica nenhuma. E a verdade é que em tão tenra idade se orgulha perante toda a Internet que é puta e que o prefere ser a ser traída. Aqueles valores tão bem assentes...
    No fim lá manda um beijinho para os seus "jéiters" e para a Tatiana Neves que - para ela - é uma estúpida de merda e que pensa que é boa, mas de boa não tem nada. Estúpida de merda não sei. Não vou chegar a esse ponto porque não conheço a rapariga ao ponto de tirar essa conclusão. Pensar que é boa, mas não o ser já é uma acusação que apoio... Mas também não vamos falar muito, pois não pequena manequim da Zara Kids?

    Posto isto, lanço o desafio às pitas de hoje em dia de - pura e simplesmente - pensarem. Só isso. Acreditem que não custa assim tanto. Pensar nas figuras ridículas que estão a fazer e nas repercussões que isso tem no vosso futuro. Não queiram armar-se em crescidas quando ainda não o são. Desfrutem da vossa idade e não queiram ser adultas tão cedo. Ainda por cima umas adultas tão banais... 
    Bem sei que o que move grande parte da população é a busca intensa pela fama. Só que ao agir desta maneira só estão a atrair má fama. E isso não é positivo. Façam algo de produtivo que a fama advirá por acréscimo se o meio onde trabalharem for propício a isso mesmo. Procurar a fama por meios pouco éticos só atrai chacota pública. E acreditem que não vão ser felizes com a frase "Bem ou mal, falem de mim".
    Os pais também deviam ter algum controlo sobre a situação. Uma coisa é dar liberdade, outra é dar liberdade a mais. Quando acharem que é só uma fase da adolescência, já poderá ser tarde demais. Só que no que toca a valores, cada um transmite os que quer aos seus. Decerto que tentarei transmitir o melhor que tenho aos meus quando esse dia chegar.


              Tiago Moreira

8 de dezembro de 2014

Crónica: Quem és tu, senhor passageiro?

Diz-se por aí que há muito que não aparecia uma das velhas e estimadas Crónicas aqui no Barba Por Fazer. Consta, aliás, que muitos já se referiam actualmente a elas como lendas. Mitos. Houve quem dissesse que elas tinham hibernado, que tinham emigrado após "sugestão" de Passos Coelho. Mas, qual D. Sebastião numa noite de nevoeiro carregado, cá está uma. Meses depois. E de boa saúde.
    Certamente partilho com milhares de vocês várias experiências vividas nos transportes públicos portugueses. Seja num autocarro, no metro ou qualquer carruagem sobre linhas-de-ferro, há muita coisa que nos aborrece. Não vou falar daqueles momentos em que nos sentimos uma das sardinhas das latas Ramirez, nem tão pouco estou aqui para me queixar (embora fosse justificado) dos preços dos passes. O que me traz aqui é Darwin. Charles Darwin, como todos aprendemos quando temos Ciências da Natureza ou Biologia, introduziu conceitos como a "selecção natural" na sua A Origem das Espécies. E é precisamente de espécies que vos quero falar. Aquilo a que me proponho hoje é simples: com base naquilo que pude observar nos meus anos de vida, vou contar-vos que espécies todos nós podemos encontrar quando viajamos nos nossos transportes públicos. Algo como uma taxonomia dos transportes públicos, uma sistematização.
    Peço a quem estiver a ler que feche os olhos. Agora abram-nos, senão não lêem o texto. Imaginem-se num autocarro. Lá, todos nós podemos encontrar ou ser uma destas personagens:

  • O Co-Piloto: É mais ou menos evidente quem é o co-piloto. É aquele gajo que acha que o motorista do nosso autocarro é o Carlos Sousa num Dakar. Vamos nós muito bem sentadinhos no nosso autocarro a ler, a ouvir música ou a tricotar (que atire a 1.ª pedra quem nunca tricotou! Estou a gozar) e há quase sempre uma pessoa que opta por ficar de pé lá à frente, mesmo que praticamente todo o autocarro esteja vazio. O co-piloto escolhe estar ao lado do motorista, embora claramente não lhe vá indicar o caminho porque o motorista sabe o percurso de trás para a frente. E fá-lo literalmente assim. O co-piloto é um apoio para o motorista que precisa de uma palavra; um chato para o motorista que quer conduzir em paz.
        O melhor que já observei foi um co-piloto cantar uma música brasileira para o motorista com o qual o destino o juntou naquele momento. Era um autocarro da noite, quando o romantismo vem ao de cima. Mas isso é história para outro dia.

  • O Idoso que não é Velhote: Em todos os autocarros há este senhor. Normalmente é um idoso e não uma idosa. O "idoso que não é velhote" é senhor de si e da sua jovialidade, um guerreiro que nunca terá reforma, aquele que abraça os seus cabelos brancos. A última ideia não é literal porque isso (abraçar a cabeça) assemelhar-se-ia a um início de uma coreografia da Lady Gaga. E ninguém quer isso. Dito por outras palavras, o "idoso que não é velhote" é aquele senhor que, embora tenha lugares reservados para si na zona destinada a idosos/ grávidas/ deficientes, nunca aceitará sentar-se neles. Tem lá ele idade para isso!? Conclusão: em determinado contexto poderá acontecer o lugar estar vazio e certas pessoas irem de pé. Mas daí depende se se encara esse lugar como exclusivo ou prioritário.

  • O Melhor Amigo da Mochila: Admitam, muitos de vocês são esta personagem. O Melhor Amigo da Mochila pode dividir-se em 2 tipos - o casual e o premeditado. A maioria de nós somos casuais. Sentamo-nos, do lado da janela porque é mais bonito ver a paisagem, e depois colocamos a mochila/ mala no lugar do lado. Porém, uma % fá-lo porque quer com isso deixar uma mensagem: "Não senhor, aqui está sentada a minha mochila. Siga em frente, há mais lugares por aí adiante".

  • Aquele que tem um Amigo Imaginário: Esta espécie não é assim tão rara. Embora pareça em linhas gerais um maluquinho, não o é. Quer dizer, nunca se sabe o que é que nos calha na rifa. Podemos considerá-lo primo do tipo anterior. A diferença é simplesmente o lugar em que se sentam. Se o melhor amigo da mochila se senta do lado da janela, aquele que tem um amigo imaginário senta-se do lado interior. E por isso transmite sempre a ideia que tem o Asdrúbal, o seu amigo imaginário, ao lado. Quando acontece estar uma mochila do lado da janela o que acontece é o casamento entre este conceito e o anterior resultando n'O Guardião da Mochila.

  • O Velho do Restelo: Transportado directamente d'Os Lusíadas, do universo semântico de Luís Vaz de Camões, esta pessoa é aquele alarme pronto a despertar, o corvo pronto a agoirar. É aquele que quando há um acidente no lado contrário não só olha como todos os outros tugas mas levanta-se também; é aquele que quando há trânsito dispara para altos números a estimativa de hora de chegada (Só amanhã..); aquele que quando o autocarro revela algum problema, acusa tudo e todos. O motorista, a empresa, o Governo, a pessoa do lado.

  • O Dj: Um ser humano normal ouve música com headphones na quietude e paz do seu lugar. Acontece que o Dj não é um ser normal. Levante a mão quem nunca esteve num autocarro ou numa carruagem de metro/ comboio onde de repente alguém decide que aquela música que está a ouvir merece ou tem que ser partilhada com todos os outros passageiros. Para o Dj dos transportes públicos o telemóvel só conhece um modo: o altifalante.
  • O Canivete Suiço: Normalmente um canivete suiço é tido como algo bom. É multi-funcional. Porém, nos transportes públicos, este ser é um vilão. E pouco asseado ou higiénico. Estão a ver aquela pessoa capaz de descascar laranjas e comê-las durante a viagem? Aquela pessoa capaz de cortar as unhas, obrigando-nos a ouvir aquele barulho dos infernos? Pois bem, essa pessoa é o Canivete Suiço. Tradicionalmente o Canivete Suiço é também a pessoa com maior probabilidade de arrotar no autocarro e, por isso, de cheirar a chouriço. Porque para mim todos os arrotos cheiram a chouriço.

  • Aquele Cujo Nome Não Deve ser Pronunciado: O Voldemort da Carris, o Sauron da Rodoviária. Quem é? É aquela pessoa que entra no autocarro, vê o autocarro praticamente todo vazio, mas senta-se ao teu lado. Não há pior. Excepto quando se trata de uma rapariga gira, sejamos honestos.

    E pronto. As crónicas estão ressuscitadas e certamente não voltaremos a estar tanto tempo sem escrever neste formato.
    É tudo, por agora.

    PS.: Estão à vontade para acrescentar - caso se lembrem - outras espécies, na secção de comentários. 

                  Miguel Pontares

5 de novembro de 2013

Crónica: A minha 1.ª vez na Primark

Olá e boa noite a quem está a ler. Para quem não reparou, nos últimos quatro meses houve 2 grandes inaugurações em Lisboa, mais propriamente na zona do Colégio Militar/ Luz. Em Julho foi inaugurado o Museu Cosme Damião e no passado mês de Outubro foi inaugurada a Primark, no Colombo. A grande diferença é que a Primark precisa de uma carga policial maior.

    Segundo reza a lenda a Primark do Colombo abriu no dia 10 de Outubro. Reza também a lenda que, para a abertura da super-hiper-mega loja de 4.350 m2, gerou-se uma fila que ia desde a entrada da loja até ao KFC. A grande utilidade disto acho que é bastante intuitiva: uma pessoa podia estar à entrada da Primark e pedir 3 asas de frango jogando ao telefone estragado. Tratando-se dum maremoto de gente, achei por bem esperar uma semana ou duas e só então, depois de deixar a maré vazar acabei por ir lá dar um saltinho, por curiosidade. A minha 1.ª conclusão foi: ninguém dá um saltinho na Primark. É correcto sim afirmar que a Primark tem trânsito, sendo que na ausência de semáforos na loja, tudo aquilo acaba por parecer um cruzamento de uma estrada na Índia, mas com o gado a ser substituído por prateleiras com roupa.
    Em conversa com o meu amigo e co-criador deste blog, Tiago Moreira, ele disse e bem: a Primark é a feira. E é, de facto. Alguém transportou a Feira da Ladra (uma vez conheci um cão chamado Óscar na Feira da Ladra, e isto foi um aparte) para dentro do Colombo e muita gente ficou incomodada com isso. Se eu vendesse pijamas ao pé do Panteão Nacional, podendo regatear o preço dos meus pijamas e de repente surgisse um concorrente com uma banca com 4.350 m2 e um H3 e um Prego Gourmet por perto, ficava chateado. E o pior não seria apenas isto, é que os meus pijamas perderiam sempre para os da Primark. Não tendo dado muita atenção às roupas, o grande artigo da Primark pareceram-me ser os pijamas de corpo inteiro. Para quem quer ser um teletubbie ou ter um bibe para adulto, eles têm a solução. Pessoalmente acho que o uso daqueles pijamas afastam qualquer hipótese de um casal vir a conseguir a copular nessa noite. Se um homem e uma mulher se olharem frente a frente com aqueles pijamas, o mais provável é acabarem a jogar Monopólio ou a pintar as paredes com aguarelas ao som de Björk.
    Sei que desde que a Primark abriu, os polícias e seguranças do Colombo já não têm dias descansados. Portanto, senhora da voz do Metro, quem sabe se não vai ganhar um novo emprego e servir o seu be aware of pickpockets, pay special attention on entring or exiting the train como aviso temporário na super-loja, tirando ali o "train".
    É também já um mito urbano recorrente dizer-se "A Primark tem tudo" e tem de facto muita coisa. Tem tanta coisa que é muito provável que quando forem lá verão peças de roupa vossas, mas mais baratas. Ah, e multiplicada por 40. Bolas, a minha sweat com capucho grená, quarenta pessoas vão ser iguais a mim...

    Voltando à minha experiência, deixo-vos um conselho. Ir à Primark é como ir a um festival de música. Devem levar o menos possível de elementos acessórios convosco. Tenho a carteira, tenho as chaves, tenho o telemóvel, ok, estou pronto para ir à Primark. O meu maior erro foi ter ido comprar uns ténis a outra loja antes de ir à Primark. Nunca o façam. O meu saco e eu quase dissemos adeus um ao outro por diversas vezes, tendo ele quase sido levado pela corrente em vários momentos. Se foi assim com um saco com ténis não quero imaginar como seria se tivesse filhos. Para quem tenha uma criança de colo (a minha namorada é quase uma criança de colo, não, não é porque aí eu seria um Bibi), não entre na Primark. O mais provável é que perca a sua criança e testemunhe a venda dela a outra cliente minutos ou segundos depois.
    Resumidamente, a minha ida à Primark fez-me sentir inserido no ambiente em que o Arnold Schwarzenegger (sim, tive que ir ver ao Google como se escrevia) está num filme que se passa numa véspera de Natal e no qual ele quer desesperadamente encontrar um determinado brinquedo para o filho. Eu estava exactamente nas mesmas condições a nível de densidade populacional, mas sem querer encontrar nada. Aliás, a aventura da Primark é precisamente a dada altura encontrar e alcançar a saída. Um dia talvez compre lá algo e aí poderei testemunhar a experiência de estar numa fila para uma caixa da Primark: provavelmente farei amigos para a vida.

Kit-Sobrevivência para uma ida à Primark:
- Fato isolador - estilo Breaking Bad -  para evitar carteiristas;
- Bússola e Mapa da Loja;
- Idas ao Ginásio frequentes (nas semanas anteriores para aguentar e prevalecer nas sucessivas cargas de ombro);
- Gás pimenta (uma vez que a Primark pode-se tornar no paraíso dos tarados, podendo-se roçar na apertada confusão). Pensar nesta opção faz de mim um tarado?;
- Catana para "desbravar mato".

Estão à vontade para acrescentar elementos ao kit.

                    Miguel Pontares

30 de setembro de 2013

Crónica: Quintino Aires, animais e os videojogos

Legião de leitores (sim, vocês os dois), escutai a minha voz. Ouvi-me e desfrutai. Este artigo é maiorzinho que o normal, mas para o raciocínio ficar bem construído, tinha que ser, mea culpa.
    Provavelmente já terão reparado que o 'Você na TV', entre o vasto leque de ilustres convidados que recebe (ironia), tem Quintino Aires, um psicólogo, como presença assídua. O Joaquim Maria Quintino-Aires, com o seu título de professor doutor, fala ao povo hoje em dia na "Hora do Sexo" na Antena 3, "Consultório de Afecto" na Flash, "Consultório de Sexo" na TVmais e na Telenovelas e, como disse ali em cima, aparece no Você na Tv com a rubrica "Você Vê, Eu Explico". Sim, um doutorado que escreve na Telenovelas, que inveja.

    Antes de passar para a discórdia gigantesca que gerou o seu comentário no programa da Cristina Ferreira e do Goucha sobre videojogos, vou desde já influenciar-vos negativamente ao citar algumas coisas que Quintino Aires disse nos últimos anos:
"Fazer sexo com animais aumenta a ligação entre o ser humano e a natureza. Pelo que, está claro, não devemos considerar a Zoofilia uma perversão, mas sim uma celebração das nossas origens... No fundo, somos todos animais. Dois milhões e meio de portugueses, levam todos os dias, a vias de facto saudáveis relações sexuais com animais das mais variadas espécies, relações essas que, convenhamos, nada têm de censurável".
"A introdução da Educação Sexual nas escolas causa alguma confusão (...) Deveria ser demonstrado às crianças todas as variantes sexuais in loco, ou seja, deveria ser explicado através de exemplificações práticas, o verdadeiros significado do prazer, e da forma como o obter".
"O Amor não se aprende na escola... aprende-se sim nas bodegas deste país, junto de mulheres e homens, que a troco de alguns tostões, nos ensinam a razão de viver".
"As festas de swing deveriam ser publicitadas na Televisão Generalista, e ser, inclusive, incentivada a sua prática, como forma de quebrar a monotonia".
"A zoofilia deve ser desmistificada. Não se trata, hoje em dia, do pastor que, no início da sua vida sexual, de forma a substituir a masturbação copula a ovelha ou o bezerro. Nos países nórdicos é comum e socialmente aceite os actos sexuais com animais que não envolvam um tratamento desumano dos mesmos".
"Tudo o que eu digo não é opinião pessoal, é a opinião de um especialista com 30 anos de investigação e de toda a comunidade científica".

    Vamos recapitular porque, Quintino, toda a minha vida mudou agora. Eu não deveria ter aprendido nada com a minha namorada na minha inocência de adolescente, mas sim em Monsanto ou no Parque Eduardo VII. Depois, as red lights em Amesterdão deviam ser transferidas para as salas de aula do 5.º ano para as crianças aprenderem in loco. A isto se acrescenta então que, quando eu estou em casa e penso "epá, que monotonia irritante" devo então ir oferecer-me para uma festa de swing idealmente incentivada nos 4 canais ou então vou até à rua e seduzo um gato ou um cão para celebrar as origens da Natureza com eles. E claro, tenho é que ter cuidado para não o copular apenas, não posso ser desumano para com ele durante o nosso bonito acto, dizendo-lhe no fim "Cão Max, foi tão importante para ti como para mim". E eu não sabia mas pelos vistos 2,5 milhões de compatriotas meus fazem amor com animais de forma regular, em saudáveis relações sexuais. O que eu ando a perder, sou tão estúpido.
    Não coloquei aqui o facto do Quintino ter dito que o teletexto é o local certo para encontrarmos o amor, que 4 milhões de portugueses estão em relações com pessoas do mesmo sexo e de já ter utilizado nas suas brilhantes analogias as expressões "um bombeiro a descer num varão coberto de mel" e "o Manuel Luís Goucha todo nu de cócoras".


    E agora sim. O Quintino Aires colocou toda a comunidade de youtubers contra ele quando disse que "A Playstation é veneno", colocando-a lado a lado com a heroína ou cocaína. Quintino, o homem que fica sentado no carro durante minutos a observar um pai e um filho a brincarem às escondidas na rua. Algum tempo depois do Quintino bater nos videojogos, a TVI convidou um historiador de videojogos, o Ivan, para debater e defender o outro lado da moeda. No entanto, a coisa não correu muito bem. Porquê? Porque o Quintino o desrespeitou e em qualquer coisa que o Ivan dizia, o professor doutor fazia questão de dizer "Mas você não pode dizer isso (...) o que se está a passar aqui é muito grave (...) eu tenho variadíssimos prémios internacionais (...) eu só posso discutir isto com os meus pares e você não é meu par".
    Não há muito que tenha que ser dito, porque acho que já deixei a ideia que queria lá em cima ao transmitir-vos as pérolas do Quintino, mas naturalmente percebemos que o Quintino ou é mandatário da Xbox ou então guarda esta raiva depois de nunca ter conseguido terminar o Prince of Persia original. A chamada "cagança" fica mal a todos e o respeito bem a toda a gente. O senhor "sexo com animais é baril" faz questão de generalizar e defender que as suas ideias são comummente as de toda a comunidade científica e tornar juízos de valor em juízos de facto. Num debate, fez questão de o monopolizar e raramente deixar Ivan concluir o seu raciocínio, por "não ser um par". Embora nem exija muita discussão, é natural que os videojogos em excesso e sem supervisão parental podem prejudicar o desenvolvimento da criança, mas em moderação podem e desenvolvem várias componentes da criança - desde o seu inglês ao facto de ter ali uma forma de descomprimir e brincar. Ah, e para o Quintino, que acha que a criança não consegue desenvolver relações assim por se enclausurar a jogar, ele nunca conheceu o modo multiplayer porque (embora eu nunca tenha tido uma Playstation, sim é chocante) tem piada é jogar com companhia. Eu melhorei o meu inglês quando era miúdo a jogar (os jogos e filmes são úteis) e para o Quintino que acha que a criança perde movimento ao jogar videojogos, digo-lhe que eu jogava alguns jogos de futebol no computador e depois ia para o corredor com uma bola de futebol de borracha recriar os golos. Sim, eu era um miúdo querido e estranho.

    Mas pronto, provavelmente o Quintino achará que eu não posso dizer nada do que acabei de dizer, uma vez que não sou um par dele. E muito provavelmente ele preferia ter uma ovelha ou um pónei como par, se é que me estão a entender..

                    Miguel Pontares

16 de setembro de 2013

Crónica: O que é isso do SWAG?

    Para falar a verdade... Nem eu sei bem. No meu tempo haviam as porcas e os bonecos, portanto, devem ter arranjado um nome para se oficializarem na sociedade e agora denominam-se swaggers. Vieram simplificar os termos, mas nós estamo-nos a lixar para isso. Swaggers, nós vamos continuar a chamar-vos porcas e/ou bonecos na mesma. Mas foi uma boa tentativa!
    O SWAG não é só uma maneira parva de se vestir. Antes fosse! O grande problema é a maneira como se comportam já numa tenra idade. Está criada uma nova geração que preocupa um pouco... Mas cada um educa (se educar) como quer e ninguém tem que ver com isso. Vamos lá tentar esmiuçar os miúdos da cena:

Como se vestem os do SWAG?
    Os seres do SWAG apoderaram-se de certos acessórios que agora qualquer pessoa que use, todas as outras vão pensar que essa pessoa é uma autêntica anormal. Exemplos? Os bonés. Meus amigos, diz que os bonés deixaram de existir. O vírus do SWAG apoderou-se deles e transformou-os em caps. O que são os caps? São bonés. Só que agora virou moda e toda a gente tem um cap e não um boné. Para os swaggers, quanto mais colorido, melhor. Se for da Monster ou Obey (pobre Shepard Fairey, onde te foste meter...) é meio caminho andado para andarem felizes na rua. Mais... Óculos. Antigamente quem os usava era gozado e chamado de caixa de óculos. Actualmente não. Agora é cool usar óculos e quanto maiores, mais cools são. A grande maioria usa os óculos da cena a tapar metade da sua cara e têm a sua vista em perfeitas condições. Esses óculos têm tanto de útil como ter um cinto e andar com as calças pelo joelho... Ahhh!... Os do SWAG também andam assim... É verdade. Os do sexo masculino usam o cinto, mas as calças andam pelo joelho como mandam as suas leis. Ver um individuo a correr com essa indumentária faz lembrar a minha pessoa num dia em que saí da casa de banho a correr para ver um golo do Benfica. Parece que fui um swagger nos anos 90... Quanto às camisolas têm que ser da marca da cena. Segundo aqueles miúdos que o Correio da Manhã entrevistou, têm que ter paisagens paradisíacas ou que sejam da Obey ou da Wad. 
    Depois de termos feito a vistoria às trajes dos rapazes, vamos então às meninas. As meninas têm uma cara ao acordar e outra no seu dia-a-dia. Não, não estou a falar metaforicamente. Usam uma porrada de base que ao passarem o dedo pela cara, mais parece que estão a passar num carro que nunca foi lavado. E swagger girl que é swagger girl também usa cap e óculos da cena. Contudo, é nas calças que está todo o brilhantismo. Elas não usam calças (embora pensem que usam). Elas usam leggings pensando que são calças. Ou seja, a sua zona mais à rectaguarda fica toda ao léu como se ao léu estivesse. O problema é que há raparigas que não ficam contentes só por mostrar aos transeuntes que têm um traseiro e vai daí e puxam das leggings até ao umbigo como que exclamando: «Eu tenho pipi» - Não se orgulhem do efeito camel toe. Fica a dica. As leggings têm que ter padrões muito coloridos ou bandeiras dos Estados Unidos ou do Reino Unido e têm de ser acompanhadas com t-shirts/tops curtas a ver-se o piercing do umbigo e com frases e/ou imagens que mostrem que ela é uma menina má e com uma personalidade lixada. Mas calma! Porque quando está muito calor as leggings não dão jeito nenhum. O que dá jeito são calções que mostram as bordas do cu. Há quem lhes chame cuecas, as do SWAG chamam-lhes calções com estilo. Para além de serem curtos, se forem rasgados mais da cena são! Fica quase nua? Fica. Mas o que interessa? Dá likes no Facebook! Os ténis convém que sejam Air Force para dar aquela paleta da cabeça aos pés.

Como se comportam os do SWAG?
    A resposta a esta pergunta devia ser dada por quem realmente percebe... E os senhores do BBC Vida Selvagem percebem muito mais que eu, certamente. Ainda assim vou tentar... Mas vamos por partes:
    Rapazes - Os rapazes são do mais homossexual possível. Usam base já em tenra idade e aparam sobrancelhas e exterminam qualquer tipo de pelo do seu corpo quando isso já for possível. Porque pêlos é uma cena demasiado masculina para eles. A isto juntam a sua vestimenta pausada e 'bora lá para a porta da escola fumar e falar de sexo aos 13 anos. Obviamente também têm de saber o nome de todo o tipo de drogas para dar uma de quem já experimentou e assim ser um badass popular. São uns autênticos coninhas excepto quando estão com o seu grupo ou quando estão atrás de um computador. Se alguém lhes responder mal ao pé de raparigas eles soltam o seu «Lá fora falamos! Estás fodido boy!» - mesmo que estejam no exterior. 
    Nas Redes Sociais - Têm obrigatoriamente Ask.fm, Tumblr e Facebook. No Facebook partilham o seu Ask.fm para que lhes possam perguntar coisas já que ninguém lhes liga nenhuma na vida real. No Tumblr partilham gifs e imagens maricas sendo que não percebi bem o objectivo. Voltando ainda ao Facebook, é lá que eles constroem a sua vida, a sua reputação. Pelo que percebi, quantos mais likes tiver um gajo, mais campeão da escola é. Fotos em tronco nu a mostrar os abdominais feitos no giná... perdão. Feitos por não comerem. E no meio de tudo aquilo, se tiver um piercing no mamilo, melhor! Após terem o base para ser swagger, atacam as raparigas com comentários profundos do género «gira! :)» ou então «Tenx um sorrixo linduh!» numa foto em que a rapariga está com os seios de fora. Depois há toda uma nova maricagem inerente nesta gente. Eles declaram-se aos amigos nas redes sociais e partilham fotos dos mesmos a pedir para que lhes subscrevam porque os seus amigos são muito gostosos. Rapaziada, nem os maricas que são maricas fazem isto... Mas isto sou eu que não percebo como é que a vossa cabeça funciona.

    Raparigas - As raparigas têm que ser porcas. Deixemo-nos de rodeios e chamemos as coisas pelos nomes. Elas preferem bitch e ofendem-se quando lhes chamam porcas. Ora... sendo que bitch é cadela/cabra, percebe-se logo que vai uma grande cegarrega naquelas cabeças. Tal como os rapazes, têm que fumar desde bem cedo e o tema de conversa não pode fugir muito ao sexo e ao álcool. Quem for virgem aos 14 anos cheira a leitinho (podia fazer um trocadilho badalhoco, mas opto por não o fazer). À noite saem o mais despidas possível e bebem até saberem apenas vomitar e babar. É nesta fase que os swaggers se apoderam do corpo das swaggers e fica tudo satisfeito e em harmonia.
    Nas Redes Sociais - Têm que ter as mesmas redes sociais que os rapazes nas quais o Ask.fm serve para a mesma coisa e o Tumblr serve para colocar imagens inspiradoras (se não estiverem a par dessa moda, vejam aqui). Tal como os swaggers masculinos, é no Facebook que mais espalham a sua pausa. Fotos a empinar o rabo, a fazer boca de pato, de tronco nu a tapar as mamas, a fazer uma cara que elas julgam ser sexy ou tudo isto junto. Posto isto, é agir como uma bad girl dando a entender que tem uma personalidade do caraças e que com ela ninguém faz farinha! Nada as atinge... Evitam ser frontais e preferem mandar indirectas no mural. É também no mural que despejam imagens com frases inspiradoras. Se puder ser uma frase inspiradora juntamente com uma indirecta, é o delírio total. Também os likes são tudo para elas. Quem tiver mais é a mais sexy da escola. Normalmente quem ganha é a criança que mostra mais o seu corpo. No fundo, quanto menos respeito tiverem por si próprias, mais populares são na escola.

    E assim está feita a minha observação sobre esta geração que foi infectada com o SWAG. Obviamente que faltam bastantes nuances do tema, mas como felizmente não tenho nenhum amigo swagger, apenas me guiei pelo que pesquisei e vi nas redes sociais. A culpa disto tudo nem é dos miúdos. É mesmo dos pais que pelos vistos gostaram daquela brincadeira que resulta em bebés e depois educar «está quieto». Comecem a ser pais e comecem a ensinar-lhes o que é ser livre do que é ser ridículo numa sociedade civilizada. Nós estamos presos à falsa ideia de sermos livres. Na maior parte dos casos é mau. Neste caso específico, nem por isso.


                     Tiago Moreira

2 de setembro de 2013

Crónica: O Primeiro Mijo é para os Pardais - o vídeo de Ana Borralho e João Galante

    Olá malta, vim ali da casa de banho agora. Ontem circulou pelo Facebook um vídeo a testemunhar o trabalho de dois "artistas" - Ana Borralho e João Galante, num projecto da Criativa-mente, intitulado "Art piss on money and politics". Para quem ainda não viu o vídeo, veja-o primeiro. Quem já teve a gigantesca sorte de gastar 8 minutos da sua vida com isto, pode saltar para baixo.


    Ora bem, há varias coisas para se dizer. Quando uma obra se chama "Art piss on money and politics", sabemos que a coisa não vai correr bem. Afinal de contas, o que é um "mijo artístico"? Para mim, seria um jogo do Ganha num Minuto, em que tínhamos que, com extremo controlo e pontaria, urinar para uma garrafa de água do Luso de 33cl a 3 metros de distância. Mas isso é para mim. Para a Ana Borralho e para o João Galante não. E quem são afinal estes seres? Conta a lenda que eles estudaram artes plásticas e que desde 2002 trabalham juntos (conselho: separem-se) com o seu trabalho a ser apresentado em vários países no estrangeiro.
    Agora acompanhem-me. O vídeo começa com um anunciante a bajular os nossos "artistas" e desde logo vemos uma mulher a arrastar um plástico e pensamos... Oh, com o diabo, lá vem o Dexter fazer aqui das suas. Mas não, antes fosse. Com muita gente à volta de um pano cinzento, vários colaboradores começam a espalhar folhas A4 pelo mesmo pano. As folhas contêm imagens de políticos e de dinheiro. Mas o mais interessante é que eles não espalham a coisa ao acaso, eles sabem que o Portas tem que ficar no espaço H9 (senão vai o submarino ao fundo) e que o Moreira da Silva tem que ficar perto, intervalados por uma ou duas imagens de moedas. O profissionalismo, o cuidado e a calma de alguém que a seguir vai cobrir as mesmas folhas de uma maneira tão invulgar... Foi um trabalho que durou algum tempo, conseguir as várias montagens de pequenas fotos: notas, Durão Barroso, Obama (não será racismo assistir-se a 10 caucasianos a urinarem em cima da foto dum afro-americano?), Merkel, etc. O espalhar das folhas A4 dura inclusive demasiado tempo, dando a ideia de que os "performers" estão sob o efeito de Xanax, isto ao som duns tenebrosos tambores.
    E, devagarinho, enquanto os fotógrafos vão mudando a objectiva e as pessoas vão fumando e aguardando ansiosamente, lá se colocam eles em cima dos papéis e depois, sem demoras... Calças para baixo e cá vai disto. Há os mais tímidos que se concentram na sua urina e tentam-se desinibir do ambiente, há aqueles que mijam a olhar em seu redor, mas todos eles parecem estar a sentir bastante o momento. "Este é o meu momento, o meu mijo, o meu político, a minha nota. Hoje, a minha vida muda.". Até que chega o campeão, por volta do minuto 4 e meio. O campeão é um polvo: ele tem um copo de vinho na mão, está a fumar, mas quer urinar ao mesmo tempo. Só que não consegue. Enquanto isso, o indivíduo que aparece à direita já está a agitar o seu Sampaio há horas e horas. Quando consegue, o campeão quase atinge o Cócoras. Quem é o Cócoras? É o homem que urina sentado, mantendo um enorme suspense da plateia sobre a possibilidade dele ir defecar, mas a obra chama-se "Art piss on money and politics", por isso ele sabe que não está ali para isso. Isso é na sala do lado (ou na "segunda parte" anunciada no fim). Voltemos ao campeão. Ele é o único que faz a coisa como deve ser: já que está ali, tenta cobrir uma vasta área, da esquerda à direita dos partidos, das mais pequenas moedas às mais valiosas notas. É um coleccionador. Um regador.
    Até que finalmente chega o main event do cartaz: a Mijona. A Mijona sofre de um síndrome chamado efeito Pumba: quem não se lembra do Pumba a chegar ao lago para beber água e todos os animais a afastarem-se?! "Sai tudo das folhas, agora é ela!". E lá fica ela, segundos e segundos a urinar após dias a guardar-se para a sua actuação. Com todos os olhares postos nela, ela não se intimida porque sabe que mija muita bem, ela mija muito! E pronto, quando acaba de encharcar o Cavaco, lá decide terminar, para êxtase da multidão em redor, mas não sem antes utilizar uma folha A4 reciclável dos Verdes para se limpar. E assim termina, com um aplauso colectivo.

    Vamos só a algumas notas. Ana Borralho + João Galante... era de prever que teríamos um galante borralho, que é uma maneira eloquente de dizer que vamos a assistir a uma merda com pedigree. Eu perdoava toda esta gente se eles fossem gatos ou cães, mas assim não. Ou então sou eu que tenho uma mente pouco sensível para a arte: li de resto algures que isto era uma nova forma de arte - mijARTE.
    Posso ainda ser um pouco mais inconveniente (para eles) ou útil (para vocês) e dizer-vos que esta talentosa dupla recebe de apoio do Estado para a Associação Cultural Casa Branca um valor anual de 75.640,94€, o que equivale a uns 6.303,41€ por mês, dando assim um salário mensal a Galante e Borralho de 3.150,70€. Sim, meus amigos, eles ganham dinheiro com isto. Só que em vez de usá-lo para comprar um cérebro, eles esbanjam-no convocando bexigas desempregadas.
    Volta Joana Vasconcelos, estás perdoada.

Correcção: Os cerca de 75.000€ que a Associação Cultural Casa Branca recebe por parte do Estado não correspondem ao salário dos artistas, sendo sim distribuídos para diversos serviços que a mesma Associação presta, para além da criação de peças e trabalhados da dupla Ana Borralho e João Galante.

                    Miguel Pontares








15 de março de 2013

Bieber - Da Febre à Estupidez

    «Salve, pulchra, creaturis. Hodie guy narrabo vobis de stupiditas! Justin Bieber et stupiditas. Cubantem piis foveamus amplexibus osculis. Chico.»

    Sim. O Papa Francisco quis abrir o meu texto sobre o Justin Bieber. O gajo é assim... Agora quer ter o dedinho em tudo... Diz que ama a ditadura e essas cenas... Antes isso que miú... Não! Não vamos entrar por aí outra vez, porra! Fat-props, Chico One!

    E agora vamos ao que interessa. O Justin Bieber esteve cá para dar um "espectáculo" no Pavilhão Atlântico. «Mas quem é o Justin Bieber?» - pergunta não-sei-quem. Justin Bieber é um miúdo que começou a sua carreira ainda mais miúdo (15 anos) pela mão do seu manager que o descobriu no Youtube e depois Usher deu-lhe a mãozinha para se tornar numa estrela pop aos 15 anos. Justin Bieber quando começou a cantar era assim:


    Então? Que tal? Tinha estilo de pintarolas, apesar de ser daquelas pessoas que nos chamam à atenção por não sabermos se é fêmea ou macho.

    O jovem Bieber não tinha grandes posses e virou estrela assim do nada. Resultado: a fama subiu à cabeça do miúdo. Até já o intitulam (os fãs) de novo Michael Jackson, mas está longe disso. Michael Jackson não era odiado por meio mundo. Bieber é. A diferença está na atitude. Michael Jackson não tinha a mania que era o maior, apenas tinha uma pancadita. Bieber trabalha muito para os media. Já para não falar na música... Michael Jackson ouve-se bem, Bieber não. Contudo, isso é derivado dos tempos. A música evolui e agora o que Bieber faz é o Pop dos dias de hoje. Há quem goste... Eu não, certamente.
    Agora, a pequenada idolatra isto:


    Han? Muita bem... Cortou o cabelo! Já não é mau. Só que agora eu olho para ele e vejo uma jovem lesbiana sem seios chamada Renata. É o que eu vejo...
    Actualmente, o cantor está a tentar passar de criança para homem com a sua música e já vomita em palcos e cenas. Até quis bater num fotógrafo assim para o cheio porque lhe chamou convencido. Está mesmo a querer sair da casca... Mas só piora a imagem que tem. A atitude conta muito e a humildade é essencial. Há imensos músicos que fazem música do mesmo estilo de Bieber e não têm assim tão mau feedback. Com isto não quero dizer que Justin Bieber seja um mau músico (até porque não o sei, apenas sei que não gosto das suas cantigas), mas podia fazer menos coisas para desagradar o publico-geral. Quando o moço surgiu, a ideia que tenho, era de que queria aparecer em tudo. Jogar jogos da NBA, aparecer na MTV, aparecer nas festas de todas as celebridades, ir a todos os talkshows, etc... Era um chato! Parecia daquelas crianças que querem sempre brincar com o brinquedo novo dos outros meninos para chamar a atenção. Era, de facto, irritante e deve ser por isso que caiu no goto do mundo, excepto das miúdas. Ahhh... Que erro! Não são só as pitas que gostam dele... Não acreditam? Ora vejam, criaturas:

 
    Vaaaasco, Vasco... «Ele ensina-nos tanto que nós não conseguimos encontrar uma forma concreta daquilo que nós sentimos por ele e do que ele nos faz sentir todos os dias» - Não sei o que dizer. Vasco ama Justin Bieber. Vasco aprende muito com as músicas de Justin Bieber. Como? Não sei... Nem ele sabe! É inexplicável!! E também é inexplicável que o rapaz não tenha noção do ridículo. Há que saber o limite de ser fã e ser... vá... parvo. E a culpa disto, é claramente dos pais. Os pais é que deixaram que o filho crescesse sem os limites do ridículo no seu pequeno cérebro. E neste caso nota-se que o rapaz teve sempre muita liberdade e não teve pais a dizer "Não" pelo menos algumas vezes na vida. A repórter pergunta à mãe se ela permitia estas coisas e ela: «Tenho que permitir!» - diz com um sorriso atrapalhado. Tem, mãe do Vasco? Vou contar-lhe um segredo: Não tem! Han? Está surpresa? É normal... Toda a gente fica à primeira vez. A senhora é mãe, logo, pode impedir o seu pequenote de fazer coisas absurdas. Não digo que ir ao concerto do jovem Bieber seja um absurdo para o moço, mas há limites no que toca à sua entrega ao cantor. Por fim, a repórter pergunta à mãe o que acha daquilo tudo e afirma que já não tem idade para aquilo, a mãe do Vasco responde: «Pois não, mas também convem nueereecvim um bocadinho ptanto» - com isto, estamos esclarecidos.

    Mas há pior! Com a moça seguinte, o Vasco passa a ser um jovem que afinal não é assim tão apanhadito! Ora cá vai disto:


    Eu bem digo que os miúdos andam todos a bater mal da cabeça. 15 anos e já tem 6 tatuagens... Ainda por cima do Justin Bieber. Pais, eu sei que fazer o amor é divertido para caraças! Nisso estamos de acordo. Mas epá... usem protecção! É que um filho não é uma planta... Não é só tratar das necessidades fisiológicas e ver crescer... E a educação? Onde fica? É que a falta de educação não pode ser só associada a ser mal educado. Isto também é falta de educação. Falta alguém que lhe diga o que é correcto e o que não é correcto, senão ela nunca irá diferenciar uma coisa da outra. É necessário que passem valores aos vossos filhos para que eles tenham, no mínimo, sanidade mental. Depois os gostos já é com cada um. O que veste, o gosto musical, etc... Isso já não é convosco. Mas repreender quando o filho erra, é elementar. Até os animais selvagens fazem isso com as crias... Quem é que nunca viu um tamanduá a dar um raspanete ao filho por ele estar a fazer figura de parvo? Claro que toda a gente já viu!
    O repórter ia fazendo perguntas e afirmações com tom de quem estava algo perplexo e, realmente, não é para menos... Ela respondia sempre algo mais ridículo. No fundo, não a culpo muito. Não passa de uma adolescente com as suas paixões e loucuras estranhas. A culpa é mesmo - e volto a repetir - dos pais que deixaram fazer tudo.
    Mas já que o mal está feito... Rapariga das 6 tatuagens do Bieber, se me estiveres a ler... Anuncio-te a morte do hamster do Justin Bieber. Chamava-se Pac e faleceu no dia 13 de Março. Já deves saber tudo isto, obviamente... Mas era só para te dar um tema se estivesses a pensar numa 7ª tatuagem. Já que é para a desgraça, é para a desgraça...

    É triste viver num mundo em que os pais já pouco se importam com a vida dos filhos e só querem que eles sejam felizes fazendo tudo o que eles quiserem. Se alguém repreende, ouve-se sempre um "Oh... Deixa lá, coitadita..." e a vontade é sempre feita à criança. É importante dizer "Não". É importante restringir as novas tecnologias quando são muito novos. É importante educar. Acreditem que com isso, os vossos filhos não vão ser infelizes. O efeito até é o contrário. TM

13 de março de 2013

Qual é o teu nº de cabelo, Norte Coreano?


    Portugal venceu a Coreia do Norte por 7-0 no Mundial 2010. Nunca mais se ouviu falar de nenhum daqueles jogadores norte-coreanos… Quando estiver mais saudável economicamente há certos países que gostaria de visitar, obviamente, no entanto a Coreia do Norte seria muito provavelmente um país a evitar. Porquê? Porque eu já não gosto de jogar Sims. Mas o que raio é que ele está para aqui a dizer? Em jogos de personalização do jogador, como o simulador The Sims ou mesmo um jogo de futebol (PES ou FIFA) há determinados cortes de cabelo pré-definidos e nós que nos moldemos às opções que existem. É assim na Coreia do Norte.

    As ditaduras e a forma como estancam uma sociedade sempre foi algo muito engraçado (figura de estilo identificável – ironia). Mas depende sempre da perspectiva. Isso é que é preocupante. Se me disserem para eu comer ovos mexidos todos os dias e de repente me disserem, “generosamente” que afinal posso variar entre ovos mexidos, arroz de cabidela, ameijoas e esparguete à bolonhesa, parece-me que estão a ser incrivelmente simpáticos comigo, mesmo estando eu a perder 500.000.334 iguarias do mundo. O regime norte-coreano ditou portanto, num momento de “modernidade, transparência e generosidade para com a população” que há 28 penteados possíveis no país.

    Para os homens há 10 penteados possíveis. O comprimento do cabelo não pode passar os 5 centímetros e ninguém pode ter o cabelo do líder Kim Jong-Un. Ninguém! Era só o que mais faltava a plebe afrontar assim o senhor poder. Acho, porém, que escusado será dizer que esta medida era... escusada. Passo a redundância. É olhar para o cabelo dele e perceber que provavelmente não haveria muita gente a copiar. Digo eu. Mas não pensem que os cidadãos dão a volta à coisa com perucas, senhores espertalhões, porque elas também são proibidas. Assim como os cabelos com gel e os cabelos longos, porque isso é para maricas, segundo o Jong-Un. O Ronaldo teria uma neurose na Coreia do Norte e compreende-se um pouco, como jogadores visionários que eram, a abordagem dos jogadores norte-coreanos na derrota por 7-0 a jogadores como CR7 e o Tiago. “게이 잠깐만 ! 근처에 가지 마세요. 통과시켜” gritavam eles em campo, que é como quem diz “Espera aí que esse é rabiló! Não te aproximes dele. Deixa-o passar”.
    As senhoras norte-coreanas têm muito mais sorte. Mas muito mais sorte mesmo. Elas podem escolher entre 18 penteados possíveis. Sim, dezoito! Que inveja… Claro está que há diferenças entre as mulheres que já têm um norte-coreano para cortar o cabelo em casa e as que não têm, digo com isto casadas e solteiras. As casadas podem-se dar ao luxo de andar com o cabelo comprido ou apanhado – sim, toda esta medida do governo norte-coreano é uma medida de incremento da taxa de casamentos e porque não de natalidade por consequência. Não pensou o Cavaco nisto… O problema depois seria só tratar da extradição da Wanda Stuart.

    Quem não usar os cabelos impostos, vai de cana. Simples. “Cidadão norte-coreano, esse penteado não está no catálogo” “Está sim, senhor guarda” “Não, não, parece-me mesmo um cabelo com 7 centímetros de comprimento. É perpétua, cidadão, é perpétua” … “Querida norte-coreana, como vai querer hoje o cabelo?” “Ai, não sei, Ang-Lee estou com tantas dúvidas… Eu acho que o 13 me fica bem. Mas com o 16 e o 15 tão na moda...”.
                
    O problema é que, olhando para o catálogo, os cabelos masculinos, por exemplo, são quase iguais. Ainda por cima. Olhando para a imagem ao lado, vou indicar o nome, a meu ver, de cada um dos incrivelmente diferentes penteados: 
1 – tenho o cabelo armado, sou o Jay Leno, em asiático. 
2 – tenho o cabelo igual ao nº1 mas estou de lado. 
3 – sou o nº1. 
4 – também tenho o cabelo armado, mas tenho uma risca que vi que o Ronaldo usava no cabelo dele, para além disso tenho algum gel no cabelo portanto vou ser preso. 
5 – fui à máquina e pedi pente 3. 
6 –  tenho uma onda no cabelo, sou tão estiloso. 
7 – sou o nº3, logo sou também o nº1. 
8 – tenho um cabelo estranho. 
9 – tenho um cabelo estranho e uma franja às farripas. 
10 – uso um capachinho, espero que não reparem, senão torno-me companheiro de cela do nº4. 
Com isto percebemos que não só os norte-coreanos são “generosos” com o seu povo como ainda por cima pretendem, em 10 penteados, criar armadilhas.
                
    De resto, como noticiou o Diário de Notícias ao abordar este assunto, o governo norte-coreano já tinha imposto regras relativas à aparência, ou pelo menos tentado impactar fortemente a sua população. Em 2004 houve uma acção de publicidade que advertia para o facto dos cabelos compridos afectarem a inteligência. E aqui eu desisto de comentar, porque acho que já chega. Já agora, aconselho duas coisas: encaminhem as pessoas com menor criatividade nacional para cabeleireiras e barbeiros e se calhar faz sentido a criação de formas para cortar o cabelo. E há muita cozinheira aí que tem uma panóplia de formas superior ao número que seria preciso para estes cabelos formatados.
    Espero que o Kim Jong-Un também não aceda ao Google como os seus súbditos e que portanto não leia isto, mas se eu amanhã levar com um balázio a atravessar uma passadeira irei supor que foi ele. Algures numa cave norte-coreana um revolucionário prepara uma película intitulada “O meu cabelo é o nº29” – que será o mote da rebelião. Ou então não. MP

O Herdeiro de Ratzinger: Papa a Papa

fonte: Expresso.pt
    Não vou falar de Cerelac e nenhuma piada sobre papas (nessa significação da palavra) será feita nas linhas abaixo. Pela perigosa associação à pedofilia, vou fazer as piadas que sei sobre pedofilia apontadas à Casa Pia e não à Igreja e já, para despachar a coisa. Qual é o acompanhamento preferido do Carlos Cruz? Arroz de miúdos. Alguma vez viste o Bibi? Não (responde sempre a outra pessoa, inocentemente) – Estavas de costas. Sim, são extremamente estúpidas e já corriqueiras. Adiante. 
    Conta a lenda que hoje vamos falar de religião. É pertinente primeiro contextualizar-vos com o facto de eu ser ateu. Tenho fé, mas fé nos homens. Nos valores, no sentido de ética e de moral. Tenho esperança na humanidade e nos indivíduos. Fui educado assim.

    E agora, deixem-me contextualizar-vos um pouco relativamente à minha relação com a religião. Antes muito de ver um Zeitgeist, de perceber que Charles Darwin na Teoria das Espécies “matou Deus”, a minha mãe pôs-me na catequese. Fora um conselho da senhora que visitava a minha primária para nos convencer que Deus existia, e todas as mães estavam a aderir em massa à tipologia da catequese. A minha irmã tinha andado na catequese e até tinha feito a primeira comunhão, que é uma espécie de licenciatura na coisa, a meu ver. Há quem até faça o crisma, mas isso é para quem tem o mestrado-integrado em Igreja. 
    Pois eu, fui para a catequese e durei cerca de 5 aulas lá. Primeiro porque tínhamos falta se não tivéssemos ido à missa, e segundo pelo que ocorreu na minha segunda aula: a professora pediu-nos para desenharmos Deus e levarmos Deus desenhado na aula seguinte. Não, não pensem que eu levei uma folha em branco e disse, afrontando-a, que Deus não existia. Eu era uma criança dócil e inocente e como gostava de desenhar, desenhei Deus à imagem do seu filho – o Jesus. Fiz-lhe um cabelo comprido castanho, uma barba por fazer e lá lhe meti uma túnica à pensador grego (era isto que eu pensava em criança "e agora vou-lhe pôr uma túnica à pensador grego! Brilhante!" Não, não era). Embora na aula seguinte tenha tido um menos por não ter ido à missa, o meu Deus foi elogiadíssimo, e a senhora disse que estava igual. A partir daí, nunca mais fui.  Achei aquele momento estúpido e, conjugado com outras coisas, "fugi". Mas pelo menos aprendi o pai nosso. Se bem que acho que isso está ao nível de aprender a picotar um A no 1º ano.
    Continuando na minha dissertação pela Igreja e pela minha experiência junto do clero, confesso ter sempre alguma dificuldade quando estou em igrejas. Não pela instituição social em si, que acho normalmente uma construção que se deve respeitar mesmo não acreditando na ideologia de base, mas por uma espécie insuportável que infesta fortemente o espaço religioso: as beatas. São os que dão graxa a Deus, por palavras simples. E há outra coisa em que a minha destreza é incrivelmente rudimentar, e que me surpreende sempre, que é a capacidade que as pessoas mais afectas à igreja (mas não só essas, e é isso que me surpreende) têm de dizer a coisa certa no momento certo. Eu sei os cânticos do Benfica, mas aí o líder dos NN começa-o. Ali, a meu ver, nem sempre há pistas. É um dom, suponho. Eu não o tenho.
     E agora sim, depois desta contextualização, vamos falar de papa.
    Embora não seja um crente, sempre vi no papa João Paulo II uma figura incontornável e que só fazia perdurar o respeito pela doutrina católica, fruto de todo o seu esforço pela Igreja, do seu discurso e pela serenidade valorativa que emanava. Vi Karol Wojtyla lutar até ao fim das suas forças por si e por continuar a ser a voz e o corpo da Igreja no Mundo, chegando até ao ponto em que fazia confusão ver a degradação dum homem que se calhar devia ter resignado antes do fim. E depois, surgiu o alemão Ratzinger. Uma antítese que disse adeus pela “falta de forças” – um papa que nunca unificou, que sempre foi talvez demasiado intelectual e não tanto humano, pese embora tenha “reinado” em tempo de escândalos como a pedofilia e a espionagem no Vaticano. Era difícil gostar da cara dele, eu tinha medo dele. Não tinha, mas quase. Ok, tinha, admito.
    
    E agora esperamos o fumo branco do conclave de 115 cardeais. Espera-se um papa diferente, uma opção que rompa com muito do que foi a História da Igreja até agora. O filipino Luis Tagle, de 55 anos, é visto como uma opção interessante pela sua idade (fará sentido uma norma que imponha um limite de idade ao papa?), há uma série de opções que têm em vista a abertura ao “mundo novo” – o ganês Peter Turkson, os brasileiros João Braz de Avis e Odilo P. Scherer, falando-se ainda de fortes cardeais americanos – Timothy Dolan (EUA), Marc Quellet (Canadá) e Leonardo Sandri (Argentina). A isto se juntam, “os da casa”, Ravasi e Scola. Eu não sei estas coisas porque sim, fui pesquisar e consulto a Visão. Mas o que quero com isto dizer é que a Igreja deveria procurar um caminho novo – a cara da Igreja com J. Paulo II e a cara com Ratzinger, o respeito pela mesma, deteriorou-se, pelo menos é a ideia que tenho. E isto é o conselho de um ateu.
    
    E pronto, embora tenha falado do J. Paulo II e o respeite, tenho que bater na igreja porque a cara que lhe associo ainda é o “Ratazinha”. É de mau tom fazer piadas de pedofilia relacionadas com o conclave (e há limites no humor), portanto resta-me imaginar o conclave como uma rave, um Conclave dos Segredos (como o “5 para Meia-noite” bem caricaturou) no qual os cardeais vão usando o confessionário falando com A Voz. Mas já agora partilho o que aprendi sobre as eleições dos senhores que querem educar uma civilização inteira mas que guardam uma das maiores quantidades de ouro deste planeta. Um papa precisa de 2 terços dos votos para ser eleito (fazem-se quatro votações por dia) e cada cardeal coloca o seu voto no cálix de ouro (ou cálice de fogo, para os cardeais fãs de Harry Potter), fala-se italiano embora tantas nacionalidades estejam reunidas e, já agora, fiquei a saber que, após a resignação de Ratzinger, a Igreja acabou com a conta de Twitter do papa (@Pontifex), na qual Bento XVI tinha escrito 30 tweets. A Igreja 2.0, incrível. É inevitável imaginar " @Pontifex está a seguir @Crianças ".
    Volto a dizer que eu não sou claramente a melhor pessoa para falar sobre a Igreja, este texto visa apenas numa pequena reflexão mostrar-vos como tem sido a minha relação com a Igreja e informar-vos sobre o processo de eleição papal.

Ouvir-se-á, em breve: Habemus Papam. MP

27 de outubro de 2012

Os da Pesada

BA-TA-TA MOH!
    Olá, humanos! Deu-me na tola para voltar a escrever sobre temas que não lembram e não interessam a ninguém. Hoje apetece-me escrever sobre um "grupo" assustador... Os pais não os querem como amigos dos filhos... Seres maldosos e vagabundos que (pensam eles) dominam a escola... Os da pesada!
    Quem são os da pesada? Não sei. Não sei quem são e, portanto, não sei descrevê-los. Só sei que não são aqueles que a Disney faz querer que são os da pesada. Normalmente nos filmes da Disney e nos filmes para crianças, os maus da escola são uns indivíduos todos vestidos de preto, com uma crista, cheios de piercings, olhos pintados de preto e assim... Quero esclarecer os pais que estejam a ler isto - esses não são "Os da pesada". Normalmente esses só se vestem assim ou porque gostam do estilo (e aí gostos não se discutem) ou porque são os ditos "freaks"... Também podem ser "freaks" que gostam do estilo... Há um pouco de tudo na sociedade.

    E após dois parágrafos cheguei à conclusão que o tema foi para o galheiro... Mas eis que retiro o trunfo da minha manga! Não sei quem são os da pesada, mas sei quem são os que fingem ser da pesada! É verdade... A maioria tem menos de 14 anos e, se não tiverem cuidado, os vossos filhos irão todos pensar que são da pesada.
    Como é que podem evitar? Não deem internet prematuramente aos vossos filhos, saibam dizer "Não" e talvez dando uma galheta ou outra quando eles começarem a fazer estalidos com os lábios em jeito de reprovação (esse é um dos primeiros sintomas que indiciam que o seu filho esteja a ficar, como se diz em bom português, com a mania que é esperto).

    Se ainda estiverem com dúvidas do que é ou se pensarem que não é assim tão mau... Eu dou-vos exemplos de em que é que o vosso filho se pode tornar.



    Ora aqui está... O Mc Rapper Bruno descobriu o Youtube, sentiu que tinha talento e pumba cá vai disto! Mc Rapper Bruno necessitou apenas de toda uma esbelta indumentária, de uma lanterna para poder enviar seus vocais, de uma batida que se faz naqueles microfones de brincar, cheios de cores, que antigamente se compravam na loja dos trezentos e de palavras românticas como: «Vamos começar outra vez. Quero te ver feliz. Beijar a tua boca. Quero te pôr louca. Por mim. Para depois. Te dar um pudim. Feito por mim.» - Han? Muita bom...
    «Ah e tal... Mas nota-se que o rapaz tem um parafuso a menos...» - À partida diria que sim... Contudo, verão mais à frente que é difícil distinguir quem tem ou não um parafuso a menos. Eu confesso que ainda não consegui distinguir quem tem em falta o Teco ou é só um mero parvo.



    «'Bora girls, zona controlada. Vocês gostam, dou-vos batucada. Vem, vem girl. Beija dama. Ya? Ya tão, vá sem drama!"» - Estão a ver? Agora qual dos dois é que não tem o Teco? Eu bem vos avisei... É que o Mc Rapper Bruno eu entendi! Eu entendi que ele queria começar outra vez... Beijar-lhe a boca, deixá-la louca por ele para depois lhe dar um pudim feito por ele! É legítimo e eu entendi... Neste moço não consigo entender o dialecto. É que para além das palavras não fazerem sentido como um todo, ele ainda faz questão de as pronunciar de uma forma... vá... estranha e parva. Depois tem sempre uma cara de quem pensa: «Tenho imenso estilo!» - Na verdade, as pessoas normais classificam o seu "imenso estilo" como azeiteiro ou simplesmente "boneco". Mas há mais... Neste vídeo  nota-se que Francisco Moreira sente que tem um corpo invejável... Senão não o exibia com tanta naturalidade. Nos comentários ao vídeo, as jovens portuguesas denominadas "pitas" vão ao céu com os abdominais de Francisco. Terá Francisco feito muito exercício para ficar assim? Quiçá... Convém é comer. Já vi crias de antílopes no BBC Vida Selvagem mais massudas que o jovem Francisco.



    E é por causa de exemplos como o de Francisco que surgem estes... Miúdos mais novos que se sentem influenciados pelos videos dos "músicos" que vêem na net e pensam que ser mau... é fixe! Então para serem fixes têm que se comportar como verdadeiros anormais, não estejamos aqui com meias palavras. Jp Gang necessitou de uma foto sua com ar de mau (pelo menos no seu entender), de uma música que de tão irritante deverá ter vindo do jogo "World Hardest Game" e de dizer cocó. Muito cocó. Jp Gang roubou muitas coisas na sua música e fumou muitos charutos. Jp Gang precisa das galhetas que lá em cima referi.



    E aqui está outro exemplo de internet dada precocemente... Irís postou este seu vídeo na rede social Ask.Fm. O que é o Ask.Fm? Segundo percebi é uma rede social onde pessoas anónimas ou não, fazem perguntas no mural de um indivíduo e esse indivíduo responde por escrita ou por um vídeo... Estúpido, não é? Mas o que é estúpido tem sucesso na pequenada. Enquanto que na minha altura se usava o Hi5 onde se escrevia «Sou bué de fixe, sou amigo do amigo e gosto de jogar à bola», agora com o Ask.Fm há uma exposição gigantesca da estupidez (como a que existe, por vezes, neste blog). A Íris tem conta no Ask.Fm. A Íris também sofre do facto de pensar que é má e julga isso fixe. A Íris viveu um drama. A Íris deu um aperto a uma colega sua e ela foi-lhe pedir uma batata no Shopping. Mas está tudo maluco ou quê? Então vai-lhe pedir uma batata assim? No Shopping? Depois de a Íris a ter desculpado? Mas andamos aqui a mangar com a tropa, ou quê? Agora a sério... Quando ficam contentes ao ver o vosso filho dentro do quarto, colado ao computador ao invés de estar na rua... É muito provável que esteja a fazer estas figuras. Não sei o que é pior... Se andar a partir vidros da casa do vizinho a jogar à bola ou tornar-se num miúdo com a mania que é da pesada.

    E é isto, meus amigos. Internet a mais e ainda por cima precocemente anda a tirar o Tico e o Teco aos vossos filhos. Se ficaram com receio de que os vossos filhos se transformem nestes seres, já sabem o que fazer (naturalmente que existem formas mais eficazes, mas eu não sou nenhum especialista na matéria. Sou só um palerma). Se não se importarem... Rezem para que o vosso filho seja um sucesso na música para menores de 14. Caso contrário... é difícil dar a volta... Ainda por cima os Morangos com Açúcar acabaram... Torna-se tudo muito mais difícil... TM

12 de maio de 2012

Imagens Inspiradoras... ou Só Rabiças

    Olha... também voltei à escrita de temas que nos dão na tola... Isto dos dias estarem solarengos e calorosos aumentam a nossa vontade de escrever. Qual rezar a Deus ou a Maomé para ter força de vontade! A nossa inspiração está no sol... Somos uns Teletubbies másculos, na verdade.

    E o meu tema recai mesmo na inspiração. Toda a gente já se apercebeu que está na moda criar e partilhar as ditas "Imagens Inspiradoras". Epá... muita giro e tal... mas para mim isso é tudo muita rabiças. Tudo bem que queiram partilhar uma das frases de Thoreau (que por sinal até são boas)... Mas para quê colocar a frase sob uma imagem em que são folhas de Outono a cair e com o sol a brilhar em segundo plano? Serei o único a achar que as folhas de Outono são dispensáveis e que até tornam tudo muito larilas? É provável que seja.

    Antes de passar a uzucrinar as tais frases inspiradoras, tenho a dizer que tive de entrar numa das várias «Páginas de Gaja do Facebook». Julgo que não há rótulo melhor que este. As «Páginas de Gaja do Facebook» contêm todas as imagens que supostamente inspiram as pessoas. Entrei num mundo em que nunca esperaria entrar. Mundo esse que contém imagens com muito amor, paisagens e mulheres muito felizes. Naveguei por este mar adentro e pesquei estes tesourinhos para fazer troça. Comecemos!


    Há frases que não são assim nada de extraordinário, mas que pelo simples motivo de estarem sob a imagem de um ser humano com bastante poder social, tornam-se logo excelentes. Ora vejamos:

«Ri tanto como respiras e ama enquanto vives» - Se fosse uma pessoa banal a dizer isto, como eu, provavelmente chamavam-me bêbedo, drogado ou sensível (eufemismo utilizado para maricas). Mas como foi o Johnny Depp que a proferiu, a frase ganha uma pinta do caraças e torna-se extremamente profunda. Se arranjarem uma imagem do João todo pintarolas e escreverem por cima «Vive a Vida»... Toda a gente vai achar esta afirmação bué da cena. Porquê? Porque foi o Johnny que disse e não o Tó Mané.



«Não devem perder fé na humanidade. A humanidade é um oceano. Se algumas gotas do oceano estiverem sujas, o oceano não fica sujo» - Uma frase de Gandhi que, se fosse proferida pelo Cajó, toda a gente contra-argumentava o Cajó! "Oh Cajó, mas isso não é bem assim... Se todos pensarem dessa maneira o mundo tá perdido, Cajó!" e rapidamente caíam em cima do pobre Cajó que pensava estar a dizer a frase da sua vida... Contudo, como foi o Mahatma, quase ninguém se atreve a contestar e todos elogiam a sua sabedoria por proferir tais palavras. Mahatma foi um bom ser humano e deixou-nos citações bastante boas fruto do seu rico cérebro. Mas eu decidi pegar numa que não é assim grande espingarda.


    Depois existem aquelas imagens que toda a gente partilha em que a frase nada tem a ver com a imagem. Não existe a relação imagem-frase. Se não existe, porque é que escolheram aquela imagem? É arte! Quando não se sabe explicar uma coisa usa-se sempre a expressão "É arte!" - a coisa morre logo ali. 

Pessoa: "Oh Emílio, porque é que escreveste "A Vida é Bela" sobre uma imagem do Rio Trancão?"
Emílio: "É arte!"

    E com isto o Emílio matou a conversa e insultou camufladamente a pessoa chamando-lhe inculta por não saber encontrar o sentido do seu trabalho e não perceber nada de arte.

«Eu devia ter-te dado uma razão para ficar» - Está bem. Sim senhor, uma frase normal com a qual as pessoas se poderiam identificar. Imagem - a mistura do reflexo de uma pessoa com uma mata... É complicado arranjar uma conexão entre uma pessoa sozinha na mata com a necessidade de ter outra pessoa por perto. E a única ligação que encontro é um bocado para o badalhoca ou para o sádica. Não vejo o que se pode praticar mais na mata, sinceramente.




«Nunca aceites ser a segunda escolha de alguém. Tu mereces melhor» - Eia... Muita bem! Sim senhor! Esta frase fez-me sentir muito melhor e a partir de hoje vou ser uma pessoa diferente. Falando um nada mais a sério, a frase apesar de ser um pouco óbvia, não é excessivamente parva. Contudo, é-me novamente difícil relacionar a frase a uma imagem com canoas numa praia deserta... Será que o autor quis dizer "Nunca aceites ser a segunda escolha de alguém. Tu mereces estar na sombrinha duma árvore situada numa praia deserta com canoas"? Deve ser isso... É... É mesmo isso. Só pode.



    Ainda há aquelas imagens em que existe relação imagem-frase, mas como a expressão é algo abrangente, acabam por escolher o pior dos sentidos. E uso como exemplo a publicidade da «Diesel»:

«Os inteligentes podem ter cérebro, mas os estúpidos têm as bolas.» - Uma afirmação que influencia as pessoas a guiarem-se mais pelo coração, espontaneidade e pela maluquice ao invés de se colarem ao suposto correcto. Contudo, usaram a imagem de uma jovem rapariga que usou um escadote para chegar à câmera de vigilância e mostrar seus seios... Muita bem, ouve lá! Uma frase com potencial e o que é que eles sugerem às raparigas? "Sejam bardajonas! Subam todas a um escadote e deixem os vossos seios ao léu para o regozijo dos vigilantes e quiçá de umas quantas pessoas da internet! Para quê ser uma rapariga normal e tê-las naturalmente tapadas? Sê diferente! Mostra as tuas mamas às pessoas e serás mais feliz!" - Diesel, Diesel... como se as porcalhonas fossem poucas...

    E das bardajonas passamos para aquelas imagens em que é a frase que, se pensarmos bem, não faz assim tanto sentido. Pode soar profundo, mas se a racionalizarmos... verificamos que faz pouco sentido. Ora atentemos:

«O que importa é partir, não é chegar» - Frase de Miguel Torga. Portanto o Miguel está a dizer que chegar não é importante. Porém, Miguel, posso dizer-te que para poderes partir, precisas de chegar. Desta é que não estavas à espera, Miguel. Assim sendo, isto faz com que o "chegar" seja também importante. Na minha óptica, é importante partir e chegar. Mas isto sou eu que digo. E quem sou eu? Provavelmente um bêbedo ou um drogado, respondem vocês.




«Cai sete vezes, levanta-te oito» - Está boa. Para quem lê isto sem pensar muito, é capaz de ser motivacional. A mim não me motiva nada, confesso. Porque se eu cair sete vezes, como é que posso levantar-me oito? Se caio sete vezes, levanto-me... sete. Como é que me vou levantar oito se após me levantar sete vezes estou de pé? A não ser que esta frase japonesa tenha uma conotação marota... Aí já consigo perceber quem é que se levanta na oitava vez... E assim também já se fica a saber um pouco mais da rapariga da imagem. Sua maluca...




    Por fim, destaco aquelas imagens com frases cheias de bazófia. Estas frases têm o intuito de destacar a personalidade da pessoa. No fundo é um "Olhem para mim que tenho uma personalidade bué lixada! Sou tão forte emocionalmente e isso dá-me tanta pausa!" - fiquemos com o exemplo:

«Se a minha felicidade te incomoda, cuidado, o meu sorriso pode acabar contigo» - Eia! Muita bem! Cuidado com ela que está tão feliz que incomoda os outros e se sorri acaba com eles! Fogo... Que personalidade do caraças, ouve lá! Não se metam com ela porque ela é bué forte emocionalmente e nada a afecta... O que é que a moça pretende ao postar esta imagem? Atenção, é a minha resposta. O que faz com que tudo isto seja uma verdadeira antítese porque uma pessoa que necessita de atenção e de se gabar, não tem uma personalidade assim tão forte como diz ter, na minha opinião.

    E assim termino o meu texto palerma sobre imagens e frases inspiradoras que tanto circulam nas redes sociais. E porque é que escrevi sobre isto? Porque tudo em demasia, enjoa. E o uso excessivo desta nova moda, enjoa um pouco. "Então mas há boas imagens com uma boa relação imagem-frase!" - há sim senhor. Mas não são assim tantas. A maior parte são frases verdadeiras banais conjugadas numa imagem que por sua vez tornam a coisa muito cool e as pessoas gostam. E assim me despeço de vocês, meus grandes humanos. Voltarei a escrever assim que me der na cabeça falar sobre um tema estúpido que em nada vos enriquecerá. TM

11 de maio de 2012

Fobia a Cabeleireiros

Tenho a comunicar que não morremos. Parece-me pertinente, visto que nada dizemos (sem ser sob a forma de tops de música) desde que o Benfica empatou com o Rio Ave e oficializou o título do Porto. Talvez tenha sido um luto. A verdade é que nestes últimos dias não houve acontecimentos chocantes. Reparei que o Falcao venceu o Athletic Bilbao na final da Liga Europa mas o acontecimento mais marcante a nível nacional terá sido o dia do Trabalhador que se tornou dia do “Comprador” no Pingo do Doce. Lamentavelmente, nem eu nem TM estivemos presentes nessa azáfama que se viveu em cada um dos estabelecimentos do senhor Jerónimo. Aliás, o boca-a-boca que fez a campanha do desconto de 50% em compras acima de 100€ não chegou a nós.
    Inocentes, desnaturados e a tentar ser saudáveis, passámos o dia do trabalhador a jogar futebol. Quando estava a regressar para casa, um carro abordou-me no centro de Lisboa. Dentro do carro, 6 indianos. Como não percebi bem o que diziam, aproximei-me, só naquela de “6 indianos não me vão raptar, acho eu”. O indiano pai virou-se para mim e perguntou com um ligeiro desespero “Onde é o Pingo Doce?”. Eu até sabia onde era o Pingo Doce mais próximo, mas a preguiça de lhe dar as indicações fez-me dizer “O Pingo Doce... ahhhh… Não sei bem”. Desculpa indiano, menti-te. Depois o pai de todos os indianos perguntou-me “Não és de cá?” e eu pensei “Se calhar vocês é que não são de cá, digo eu…” mas optei por ficar calado e não ser xenófobo.
    E isto foi o mais perto que eu tive do acontecimento Pingo Doce no dia 1 de Maio, no qual ao chegar a casa 3 em cada 5 pessoas no Facebook falavam ou partilhavam coisas dos supermercados do Jerónimo. Não me vou pronunciar sobre isso, foi algo que me passou quase ao lado, só me deixou arreliado quando fui a um Pingo Doce a que vou de vez em quando no dia 2 de Maio e não havia as minhas bolachas (que nunca ninguém compra) só porque na véspera toda a gente queria chegar aos 100€ em compras.

Falar do Pingo Doce era capaz de se tornar repetitivo e ainda por cima o Ricardo Araújo Pereira fez questão de na sua “Mixórdia de Temáticas” colocar a fasquia inatingível, portanto vou falar duma coisa que não tem nada a ver – cabeleireiros.

Há pessoas com medo do escuro. Outras com medo de aranhas, outras de cobras, outras de palhaços. Eu, tenho medo de cabeleireiros. Lá em cima, quando podem ver os “bonecos” que nos representam, eu sou o que tem cabelo. Não, TM não é calvo. Apenas opta por manter o seu cabelo resvés à cabeça. Eu cá só faço isso no Verão. No entanto, durante o resto do ano e porque não gosto de dar uma de Rapunzel, vejo-me obrigado a cortar o cabelo. Pessoalmente, só confio em quem me corta o cabelo quando me rapam o cabelo, porque com jeitinho um gato também o conseguia fazer. Tudo o resto, desconfio sempre de quem me mete as mãos na juba.

As cabeleireiras têm um modus operandi curioso. Nós chegamos e nunca estão logo prontas para nós. Quando finalmente chega a nossa vez, lavam-nos o cabelo. E se há coisa em que lhes atribuo mérito é a lavar cabeças. Têm jeito. Mas elas não ficam por aí, elas têm que cortar. E afinal de contas, é para isso que vamos lá. As 2 últimas vezes que cortei o cabelo não correram bem. Na primeira, a mulher perguntou-me como é que queria cortar. E eu lá tentei entrar no mundo dela e disse “Quero cortar 2 dedos, acho que é o termo usado aqui”. Ela vira-se para mim e diz “Dois dedos?” (muito chocada) e eu achei estranho… Ou me tinha enganado na expressão e estava a soar ligeiramente sádico, ou ela não era muito dada àquilo. Do nada lá caiu em si e confessou-me que não estava a raciocinar bem por não ter almoçado. Eu pensei que se calhar mais valia ela almoçar antes de me enfiar tesouras pelo cabelo adentro, mas fiquei calado.

Porém, da última vez que fui cortar o cabelo (ao mesmo sítio) aconteceu uma coisa chata. Enquanto a mulher me estava a cortar o cabelo, uma amiga estava-lhe a mostrar os testes e a dizer as notas do filho dela (da cabeleireira). O problema é que o rapaz não era muito esperto e em cada “Não Satisfaz” que ele tinha, ela revelava-se ligeiramente agressiva. Comecei a desejar que inexplicavelmente nascesse um “Satisfaz Bem”, pelo menos, nas mãos da amiga dela, mas não aconteceu. Como o insucesso escolar de alguém pode ter repercussões no cabelo de outra pessoa, curioso…

"OH NÃÃÃO! É o João Rolo!"
Há outra coisa que não gosto em cabeleireiras ou cabeleireiros – a criatividade. Dizem que o cabelo é a moldura da cara... Epá, espera aí, isto está a ficar muita paneleiro. Vamos lá enrijar. Quando eu chego o que eu queria dizer era “Olá, ponha o meu cabelo como estava há 3 meses atrás se faz favor”, mas acabo por ficar sempre um bocado nas mãos delas. O problema é que quando alguém nos está a cortar o cabelo pensa pela cabeça dela e então dá jeito percebermos bem a envolvência social do cabeleireiro onde estão a ir. Uma vez fui a um cabeleireiro conceituado no Saldanha, onde vão muitas velhinhas, e saí de lá com um cabelo que parecia uma mise. Tive que rapar depois, claro. Se for à Buraca cortar o cabelo, imagino que saia de lá com trancinhas ou assim. Eu, o preconceituoso generalizador.

Isto tudo foi um devaneio apenas e só para no fim poder dizer que as mulheres realmente têm coragem. É que para nós homens há sempre um plano B, para elas rapar o cabelo (excepto para a Sinead O’Connor, que hoje em dia está um pouco esquisita) normalmente não é uma solução. Ah, e prometo que o próximo texto será mais másculo. Este foi só naquela de “há tanta testosterona aqui neste menino que até posso escrever sobre cabeleireiros”. A testar os meus limites. Até amanhã ou assim. MP

PS1:
Sim, é o João Rolo numa imagem num post nosso. Olá João Rolo. Percebe uma coisa João Rolo, estás aqui porquê? Porque personificas o porquê de existir... fobia... a... cabeleireiros, exactamente João. Se alguma vez o João Rolo aparecer neste blog podem-me mandar internar.

PS2: Se uma pessoa leu este texto até aqui, sinto-me bem sucedido.