Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A anĂĄlise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reĂșne a velha guarda toda, Brad Pitt serĂĄ duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi serĂĄ Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerĂĄ debaixo da maquilhagem jĂĄ usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e hå ainda projectos de topo na HBO e no FX.

30 de maio de 2016

100 Melhores Personagens de SĂ©ries - NÂș 22



SĂ©rie: The Wire
Actor: Andre Royo


por Miguel Pontares

    'The Wire', uma daquelas sĂ©ries que toda a gente devia ver pelo menos uma vez na vida, tinha de tudo: o mundo da droga desconstruĂ­do nos seus vĂĄrios nĂ­veis, pondo os narcĂłticos a escutar drug dealers, e envolvendo nesta rede outras unidades da polĂ­cia, polĂ­ticos e inclusive crianças. Reginald "Bubbles" Cousins foi a alma e coração da sĂ©rie, mostrando a realidade e a vida dum drogado.
    No mundo cinzento da sĂ©rie de David Simon, Bubbles Ă© o elemento mais neutro e um dos mais genuĂ­nos. É impossĂ­vel nĂŁo nos preocuparmos com ele, e torcermos para que fique bem, ele que acaba por funcionar como sĂ­mbolo de esperança, flutuando entre a cor e a escuridĂŁo Ă  medida que recupera e tem recaĂ­das no seu consumo de heroĂ­na.
    Quando o conhecemos, Ă© um sem-abrigo que se multiplica em esquemas (a escada Ă© talvez o momento mais famoso) juntamente com o seu amigo Johnny Weeks para conseguirem dinheiro para comprar droga. O conhecimento profundo que tem das ruas de Baltimore torna-o informador (genial a tĂ©cnica dos chapĂ©us para diferenciar os vĂĄrios papĂ©is dos visados no trĂĄfico) dos detectives McNulty e Kima, que acabam por usĂĄ-lo ignorando parcialmente a necessidade dele se curar. Ao longo das vĂĄrias temporadas, passeia com o seu carrinho de compras a tentar fazer negĂłcio, e se no domĂ­nio do vĂ­cio demorou muito a fugir ao crĂłnico "É sĂł mais esta...", o mesmo se pode dizer em relação Ă s tragĂ©dias que marcaram o seu trajecto - o seu amigo Johnny morre de overdose; Ă© roubado e agredido; e Sherrod, o jovem que ele acolhe debaixo da sua asa frĂĄgil mas dedicada, acaba por se tornar um dano colateral. Aquilo que Bubbles foi quase sempre durante a sĂ©rie.
    No interior do vasto universo de personagens incrĂ­veis e verosĂ­meis de 'The Wire', Bubbles Ă© presença obrigatĂłria em qualquer Top-3. O actor Andre Royo Ă© o principal destaque da sĂ©rie em termos de interpretação (transitava nesta personagem entre o drama e a comĂ©dia num estalar de dedos), mergulhado a 100% no mundo da droga, convencendo-nos com os seus maneirismos; ele que chegou a ser abordado na rua e confundido com um drogado a ressacar, momento que Royo considerou o seu "Ăłscar de rua". É um dos principais crimes da HistĂłria dos Emmys a forma como Royo nunca ganhou com este Bubbles, embora a sĂ©rie como um todo tenha sido sempre subvalorizada, recebendo sĂł com o passar do tempo o merecido reconhecimento.
    Do homem que agradeceu sempre com um much obliged, e cujo percurso inclui vĂĄrias semelhanças com o que Jesse Pinkman teve mais tarde em 'Breaking Bad', ficam na retina alguns momentos-chave do seu sofrimento: quando se (e nos) desmancha em silĂȘncio ao receber a visita de Walon, a sua tentativa de suicĂ­dio na sala de interrogatĂłrio depois da morte de Sherrod, e o seu discurso ao fim de 1 ano "limpo". 
    O final de Bubbles Ă© uma das mensagens de esperança mais simples e profundas da HistĂłria da TelevisĂŁo. Revela finalmente capacidade de seguir em frente, completando o processo de luto dos que perdeu (Ain't no shame in holding on to grief, as long as you make room for other things too) e depois de muito tempo a viver na cave de casa da irmĂŁ, ela vĂȘ-o finalmente em condiçÔes de subir as escadas e sentar-se Ă  mesa com ela. Em famĂ­lia, aceite, e em paz.         
                      
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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top Ă© responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Lorena Wildering, Nuno Cunha, CĂȘ e SWP.
Foram tidos em consideração sĂ©ries com pelo menos 1 temporada, concluĂ­da a 1 de Outubro de 2015. Mais informamos que poderĂŁo existir spoilers relativos Ă s personagens e/ ou Ă s sĂ©ries que elas integram, passĂ­veis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

29 de maio de 2016

100 Melhores Personagens de SĂ©ries - NÂș 23



SĂ©rie: Breaking Bad
Actor: Dean Norris


por Tiago Moreira

    Assim que penso num polĂ­cia americano, penso em Hank Schrader. É inevitĂĄvel. O nosso tio careca de Breaking Bad tem praticamente tudo o que o estereĂłtipo dum polĂ­cia norte-americano tem. Com a excepção de que nĂŁo Ă© tolo nenhum, embora o faça transparecer um pouco.
    Se pensarmos bem a fundo, Hank, um agente da DEA que combate o mundo das drogas em Albuquerque e extremamente competente, acaba por dar a conhecer o mundo da metanfetamina ao seu cunhado Walter White. Walter fica a saber quanto dinheiro Ă© que este negĂłcio envolve ao ter ido com Hank a uma operação anti-drogas e acabou por avistar Jesse Pinkman, seu antigo aluno e envolvido neste mesmo negĂłcio.
    Hank acabou, no fundo, por ser o introdutor do negĂłcio do diamante azul a Walter White que haveria de ser o seu maior alvo no futuro. O nosso polĂ­cia era obcecado pelo seu trabalho e pela perfeição com que o praticava. Era lĂ­der de grandes operaçÔes e sempre se gabou de todos os seus feitos e do impacto que tiveram para a redução da sinistralidade em Albuquerque.
    PorĂ©m, tudo muda quando Hank descobre da existĂȘncia de Heisenberg, que na verdade era o seu cunhado Walter... Hank começou a sentir-se frustrado e com o orgulho ferido atĂ© porque começou a temer pela sua vida, a dada altura. A captura de Heisenberg tornou-se uma obsessĂŁo e isso acabou por se reflectir na sua vida pessoal. Onde Hank jĂĄ nem conseguia ter momentos de lazer com a sua famĂ­lia. Esteve desligado do mundo e com a sua presa tĂŁo perto de si...
    AtĂ© ao dia em que juntou "1+1" e o resultado foi "W.W."... Uma reflexĂŁo que obteve sentado em sua retrete e que despoletou um final de sĂ©rie extremamente emotivo.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top Ă© responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Lorena Wildering, Nuno Cunha, CĂȘ e SWP.
Foram tidos em consideração sĂ©ries com pelo menos 1 temporada, concluĂ­da a 1 de Outubro de 2015. Mais informamos que poderĂŁo existir spoilers relativos Ă s personagens e/ ou Ă s sĂ©ries que elas integram, passĂ­veis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

28 de maio de 2016

Barba no Euro: Os Nossos 23 (Inglaterra)

    Depois de Portugal, 'Os Nossos 23' viram-se para terras de Sua Majestade. A Inglaterra, selecção que guarda mĂĄs memĂłrias de Portugal entre 2004 e 2006, estĂĄ hĂĄ muito afastada dos grandes palcos e dos grandes momentos a nĂ­vel internacional. É preciso recuar ao Euro 96 (quando os ingleses foram anfitriĂ”es) para encontrar uma geração inglesa que tenha alcançado umas meias-finais; o histĂłrico recente nĂŁo Ă© famoso (em 2008 nem se qualificaram para o Euro, no Mundial 2010 ficaram-se pelos oitavos, em 2012 caĂ­ram nos quartos, e finalmente no Mundial 2014 ficaram em Ășltimo no grupo da morte, atrĂĄs de ItĂĄlia, Uruguai e da surpreendente Costa Rica). Roy Hodgson, seleccionador de 68 anos, orienta a equipa desde Maio de 2012, mas nunca encheu as medidas - o britĂąnico jĂĄ promoveu inĂșmeras estreias, chamando nomalmente quem merece, mas em termos qualitativos ilustra o momento do futebol inglĂȘs em termos de treinadores (Alan Pardew e Eddie Howe sĂŁo provavelmente os melhores, um deles um treinador de nĂ­vel mĂ©dio, e o segundo ainda muito jovem).
    Certo Ă© que a Inglaterra chega Ă  fase final com 10 vitĂłrias em 10 jogos (31 golos marcados e apenas 3 sofridos) num grupo que continha a Suiça e a EslovĂ©nia como principais adversĂĄrios. Em França, Rooney e companhia partem como favoritos num grupo bastante homogĂ©neo - PaĂ­s de Gales, RĂșssia e EslovĂĄquia - e dos mais difĂ­ceis de prever. Sem contar com os lesionados Welbeck, Butland (o primeiro teria lugar pela importĂąncia na qualificação, e o 2.Âș pelo nĂ­vel apresentado seria uma sĂ©ria ameaça para Hart) e ainda Oxlade-Chamberlain, Hodgson convocou 26 jogadores, jĂĄ perdeu Delph, tendo ainda que retirar 2 (o mais lĂłgico serĂĄ a dupla sair do trio Townsend, Wilshere e Rashford, sem afastar a hipĂłtese Sturridge, que tem deixado os ingleses em alerta com a sua condição fĂ­sica).
    Nos nossos 23 hĂĄ poucas diferenças relativamente Ă  realidade - o que reforça a justiça da maioria dos eleitos -, e Ă© no onze inicial que cometemos a nossa maior ousadia, uma que nĂŁo acreditamos que Hodgson seja capaz. Embora Inglaterra tenha normalmente pouco "estofo" nas fases finais, desta vez a possibilidade de aproveitar dinĂąmicas desenvolvidas ao longo de toda a Ă©poca, apostando em alguns elementos do Tottenham e do Liverpool (curiosamente duas equipas muito intensas, ou nĂŁo fossem orientadas por Pochettino e Klopp), pode ser um factor benĂ©fico.


A ConvocatĂłria



  • Guarda-Redes: Joe Hart (Manchester City), Ben Foster (West Brom), Fraser Forster (Southampton)
  • Defesas: Kyle Walker (Tottenham), Nathaniel Clyne (Liverpool), Chris Smalling (Manchester United), Gary Cahill (Chelsea), John Stones (Everton), Danny Rose (Tottenham), Aaron Cresswell (West Ham)
  • MĂ©dios: Eric Dier (Tottenham), Jordan Henderson (Liverpool), Danny Drinkwater (Leicester City), James Milner (Liverpool), Ross Barkley (Everton), Dele Alli (Tottenham)
  • Extremos: Adam Lallana (Liverpool), Raheem Sterling (Manchester City), Michail Antonio (West Ham)
  • Avançados: Wayne Rooney (Manchester United), Jamie Vardy (Leicester City), Harry Kane (Tottenham), Daniel Sturridge (Liverpool)
Lista de Contenção: Tom Heaton (Burnley), Ryan Bertrand (Southampton), Phil Jagielka (Everton), Mark Noble (West Ham), Jesse Lingard (Manchester United), Theo Walcott (Arsenal), Troy Deeney (Watford)


    Entre os postes, praticamente tudo igual. Impossibilitados de levar Jack Butland, que caso nĂŁo se tivesse lesionado seria o nosso titular, apostamos em Joe Hart, Fraser Forster, demarcando-nos de Hodgson na chamada de Ben Foster, do West Brom, em vez de Heaton, o melhor guardiĂŁo do Championship esta temporada. Embora Butland tenha sido o melhor GR inglĂȘs este ano, importa recordar os grandes jogos que Hart fez na Champions, e o impacto que o regresso de Forster teve na confiança e nos resultados do Southampton.
    Para o sector defensivo, imitĂĄmos o modus operandi do seleccionador e escolhemos apenas 7 jogadores, algo que se torna possĂ­vel graças Ă  polivalĂȘncia do ex-leĂŁo Eric Dier. Para a direita as chamadas de Kyle Walker e Nathaniel Clyne sĂŁo inquestionĂĄveis, enquanto que do lado oposto a concorrĂȘncia Ă© muito mais apertada - Danny Rose e Aaron Cresswell estiveram acima de quaisquer outros em 2015/ 16, batendo Ryan Bertrand e jogadores com poucos jogos como Leighton Baines e Luke Shaw. No coração da defesa, o melhor central inglĂȘs esta temporada, Chris Smalling, acompanhado por Gary Cahill, cuja Ă©poca esteve longe de ser brilhante, embora enquadrado neste elenco pode voltar ao seu melhor nĂ­vel, sendo ainda um elemento importante nas bolas paradas ofensivas. Entre Jagielka e o colega toffee John Stones, damos prioridade ao central de 21 anos, pela qualidade que oferece na construção e porque o futuro passa por ele.
    Apostando num 4-4-2 losango (o melhor esquema para conciliar os principais talentos ingleses), Ă© crucial ter vĂĄrias soluçÔes para o corredor central do meio-campo, elementos tacticamente maduros e que saibam sempre o que fazer Ă  bola. Para o vĂ©rtice mais recuado, Eric Dier e Jordan Henderson oferecem ao jogo abordagens bastante distintas - o mĂ©dio defensivo do Tottenham Ă© sobretudo um "tampĂŁo", cortando linhas de passe e fazendo a equipa respirar, enquanto que Henderson (viveu uma Ă©poca instĂĄvel em termos fĂ­sicos) acrescenta maior qualidade como lançador, organizando a equipa a partir de trĂĄs. A fantĂĄstica Ă©poca do campeĂŁo Danny Drinkwater torna-o uma presença obrigatĂłria, ele que embora nĂŁo deva ter muitos minutos, ganha importĂąncia em momentos de contenção, funcionando como segundo mĂ©dio num duplo pivot. O faz-tudo James Milner seria sempre um dos primeiros jogadores a incluir na convocatĂłria, por poder actuar em praticamente todas as posiçÔes do miolo, e neste meio-campo as despesas mais ofensivas, com capacidade de aceleração e uma meia distĂąncia de qualidade, estĂŁo entregues a Dele Alli e Ross Barkley. Alli (20 anos) Ă© um daqueles jovens que tem tudo para marcar a prĂłxima dĂ©cada, e parte na pole position para ser titular, relegando Barkley para o banco uma vez que ambos tĂȘm bastante em comum.
    O losango permitiria aos ingleses fugir ao seu tradicional 4-4-2 clĂĄssico com extremos muito verticais e pouco jogo interior, pelo que sĂł levamos 3 jogadores para o corredor, e os trĂȘs bastante diferentes. Adam Lallana, dos 3 o Ășnico que lançarĂ­amos a titular, Ă© o mais maduro, aquele que melhor sabe guardar a bola e que melhor sabe decidir (quer em transição, quer em ataque organizado). Raheem Sterling Ă© do nosso lote de 23 o jogador que menos merecia aqui constar atendendo Ă  fraca Ă©poca - esperĂĄvamos muitĂ­ssimo mais dele no seu ano de estreia no Manchester City -, mas um jogador com a sua qualidade tĂ©cnica, velocidade e vertigem a desequilibrar teria sempre que ser incluĂ­do. Por fim, e embora Hodgson o tenha ignorado (fica a ideia que Hodgson nĂŁo viu os jogos do West Ham, porque Cresswell e Antonio mereciam estar nos 23, e numa lista de 26 Mark Noble tambĂ©m cabia), Michail Antonio Ă© o nosso wildcard, pela confiança, pelos nĂșmeros (8 golos e 7 assistĂȘncias), pela pujança e por ser um daqueles jogadores que qualquer treinador gosta (cresceu imenso com Bilic e, destes 3 extremos, seria aquele que levaria mais a sĂ©rio as suas tarefas defensivas, ele que chegou a jogar vĂĄrias vezes a lateral).
    Por fim, nĂŁo havia outra hipĂłtese senĂŁo levar este quarteto de luxo: Wayne Rooney, Jamie Vardy, Harry Kane e Daniel Sturridge. Roy Hodgson tem uma boa dor de cabeça, com o capitĂŁo e melhor marcador de sempre (52 golos) de Inglaterra, Rooney, a poder ser utilizado inclusive no meio-campo, e Sturridge (cuja condição fĂ­sica ainda nĂŁo nos convenceu, embora o seu virtuosismo tĂ©cnico e eficĂĄcia o façam brilhar mesmo sem os rasgos de outrora) a poder servir de agitador do jogo, ele que nĂŁo costuma perdoar quando tem uma oportunidade. Seja como for, a dupla Vardy-Kane connosco seria sempre a titular, quer pelos golos que representam - Vardy marcou 24, Kane 25 -, quer pela confiança que tĂȘm apresentado, juntando a tudo isto o facto de terem tudo para "casar" na perfeição.

O Onze

        É provĂĄvel que Hodgson aposte, pelo menos na estreia diante da RĂșssia (e dependendo tambĂ©m das experiĂȘncias que forem feitas nos amigĂĄveis), num 11 bastante semelhante ao nosso. No entanto, se nĂłs deixamos o capitĂŁo Wayne Rooney no banco, Ă© quase impossĂ­vel que o seleccionador inglĂȘs faça o mesmo.
    Para a baliza Ă© Hart. Com Butland disponĂ­vel, a nossa escolha seria o guarda-redes do Stoke, mas atendendo Ă s opçÔes existentes, caberĂĄ a Joe Hart dar sequĂȘncia Ă s grandes exibiçÔes que fez na Champions League, em jogos de altĂ­ssimo nĂ­vel e responsabilidade. Na defesa, a dupla Smalling-Cahill parece-nos ser a mais sĂłlida para o centro, e nos laterais o mais inteligente Ă© apostar nos dois spurs, Kyle Walker e Danny Rose. Sobretudo na 2.ÂȘ metade da Ă©poca foram duas autĂȘnticas locomotivas, e jĂĄ estĂŁo habituados a servir Kane no ataque.
    Seguindo para o ataque, nas 6 posiçÔes restantes, temos um trio de elementos do Liverpool, uma dupla do Tottenham que se entende de olhos fechados, e claro, Jamie Vardy, cuja electricidade, capacidade de pressionar, velocidade e dom de explorar as costas das defesas adversĂĄrias, fazem dele um jogador de fĂĄcil convĂ­vio em campo, funcionando como verdadeiro exemplo e ponto de contĂĄgio e concentração por nunca se desligar do jogo. Pelo menos contra RĂșssia, PaĂ­s de Gales e EslovĂĄquia (diante de selecçÔes como Alemanha, França ou Espanha seria difĂ­cil a Inglaterra surgir sem Dier), a melhor fĂłrmula seria Henderson (se no estĂĄgio e nos amigĂĄveis nĂŁo parecer a 100%, Dier deve avançar) mais recuado, com Lallana e Milner mais abertos - Lallana com maior liberdade e influĂȘncia no Ășltimo terço, e Milner como elemento de equilĂ­brio constante. Estes 3 pupilos de Klopp serveriam de cortina para soltar a juventude de Dele Alli, ele que tĂŁo bem se entende com o colega de equipa Harry Kane. Embora haja vĂĄrias alternativas, Ă© muito difĂ­cil pensar num modelo de jogo funcional e relativamente equilibrado, capaz de ter em campo Alli, Vardy e Kane, um trio que deixaria a Inglaterra sempre mais perto do golo e de criar jogadas de perigo constantemente.
    Este Ă© o nosso 11, embora reconheçamos que a experiĂȘncia de Rooney serĂĄ determinante para o grupo, podendo inclusive ocupar uma das posiçÔes do losango, enquanto que para agitar e mexer com o jogo terĂ­amos sempre Sturridge, Barkley, Sterling ou Antonio.


25 de maio de 2016

Prémios BPF Premier League 2015/ 16

    Ano apĂłs ano a Barclays Premier League Ă© considerada a liga mais vibrante, mais equilibrada e imprevisĂ­vel. Todos os anos Ă© assim. Mas nesta temporada de 2015/ 16 a palavra "imprevisĂ­vel" ganhou outros contornos. Podemos estar gratos por ter assistido a uma Ă©poca histĂłrica para o futebol inglĂȘs, europeu e mundial. O Leicester City provou que nĂŁo hĂĄ impossĂ­veis, e que a entrega e o espĂ­rito de sacrifĂ­cio conjugados com uma crença e profissionalismo descomunais podem bater quaisquer super-orçamentos. Chamem-lhe conto de fadas, chamem-lhe histĂłria para contar aos netos. Pareceu um filme, um sonho. Mas foi a realidade, com um final feliz.
    Depois de Gareth Bale, Luis SuĂĄrez e Eden Hazard, o melhor jogador de 2015/ 16 foi o primeiro jogador africano a ser considerado Jogador do Ano pelos futebolistas em terras de Sua Majestade. A electricidade e garra do Leicester City contagiam e muito as escolhas do nosso 11 do ano, com 5 raposas azuis no onze inicial, acompanhadas por 2 representantes do Tottenham, 2 do Arsenal e 1 jogador de West Ham e Manchester United. Numa Ă©poca que pode ser vista como um verdadeiro milagre, houve um enorme rebranding comparativamente com 2014/ 15 - sĂł hĂĄ um repetente no 11 do ano, e o nosso Jovem Jogador do Ano Ă© o mesmo de 2015, mas tudo o resto ilustra bem quĂŁo surpreendente foi este campeonato, marcado pelo Leicester, mas tambĂ©m pelo excelente futebol do Tottenham de Pochettino, pelo papa-grandes West Ham, e por mais uma excelente Ă©poca do Southampton. Em sentido inverso, City, United e Liverpool apresentaram todos um rendimento abaixo do esperado, mas foi o Chelsea, Ășltimo campeĂŁo, a maior desilusĂŁo. SĂŁo os jogadores que nos trazem aqui, portanto Ă© chegada a altura de indicarmos as nossas preferĂȘncias: o nosso 11 do Ano, o Jogador do Ano e Jovem Jogador do Ano, o Treinador do Ano e algumas categorias acessĂłrias.
    Vamos lĂĄ a isto.


Guarda-Redes: O Ășnico jogador que repete a presença em 2014/ 15 e 2015/ 16. De Gea, guarda-redes do Manchester United, foi dado como certo no Real Madrid, mas a transferĂȘncia falhou por minutos. Louis van Gaal bem pode agradecer. NĂŁo nos atrevemos a imaginar o lugar que o United ocuparia na tabela sem o espanhol, um coleccionador de defesas impossĂ­veis e um jogador que dĂĄ pontos. É um dos 3 melhores guarda-redes da actualidade, e entre os 5 que escolhemos, aquele que foi mais determinante no trajecto da sua equipa. No Ășltimo minuto da competição um auto-golo tirou-lhe a hipĂłtese de ganhar a Golden Glove juntamente com Cech (16 clean sheets), mas pode gabar-se de ter sido o principal responsĂĄvel pelo registo do Manchester United como melhor defesa - igual ao Tottenham - da competição.
    A acompanhĂĄ-lo temos Jack Butland, "tramado" por uma lesĂŁo que o afastou do Euro-2016 (seria justo a baliza de Inglaterra ser-lhe entregue a ele e nĂŁo a Hart, caso pudesse viajar para França) depois de revelar ter ainda maior potencial do que o seu antecessor Begovic, e de ter marcado a primeira volta do campeonato como melhor GR por larga margem. Destaque ainda para Kasper Schmeichel, peça importante no trajecto do campeĂŁo Leicester, a fugir ao rĂłtulo de "o filho de Schmeichel" afirmando-se individualmente, e deixando o pai babado. Os veteranos Petr Cech (luvas de ouro) e Gomes completam o nosso Top-5, com menção honrosa para Lloris.


Lateral Direito: Parece impossĂ­vel quando o vemos jogar, mas BellerĂ­n tem apenas 21 anos. Na posição mais fraca em termos de rendimento mĂ©dio dos 5 representantes escolhidos, BellerĂ­n foi o grande destaque. O lateral do Arsenal esteve sempre num nĂ­vel alto, com alto impacto nos dois lados do campo (1 golo e 6 assistĂȘncias), e conseguindo ser ligeiramente mais constante do que Kyle Walker, que voltou ao nĂ­vel de outrora e terminou a Ă©poca em grande.
    Nyom, Sagna e Clyne ocupam as restantes vagas, numa posição que pelo 2.Âș ano consecutivo fica marcada por 2 grandes destaques (BellerĂ­n e Walker este ano, Ivanovic e Clyne na Ă©poca passada) e uma clivagem acentuada na transposição para os restantes destaques.


Defesa Central (Lado Dto.): O melhor central desta edição da Premier League. Que temporada monstruosa do defesa belga! Depois de trocar o Southampton pelo Tottenham, Alderweireld assumiu-se como o "patrĂŁo" da rectaguarda dos spurs e juntou a isso o seu impacto junto Ă s balizas adversĂĄrias (4 golos e 3 assistĂȘncias). Sempre concentrado, agressivo na medida certa, excelente na antecipação e a sair a jogar... NĂŁo se podia pedir mais.
    A vaga de Alderweireld no Southampton foi ocupada pelo holandĂȘs van Dijk, e que adaptação teve o ex-Celtic Ă  Premier League... Bate-se com Alderweireld na elegĂąncia a sair a jogar, e mostrou-se intransponĂ­vel em diversos jogos, limpando a sua ĂĄrea como poucos, fazendo por vezes tanto o seu papel como o de JosĂ© Fonte, atropelado pela fome do colega de sector. Smalling cresceu e tornou-se o esteio dos red devils, Wes Morgan foi o lĂ­der de uma equipa de guerreiros, e Scott Dann foi uma dor de cabeça para os adversĂĄrios nas bolas paradas ofensivas do Crystal Palace.


Defesa Central (Lado Esq.): Se hĂĄ um ano atrĂĄs nos dissessem que Robert Huth estaria no nosso 11 do ano da temporada seguinte, ter-nos-Ă­amos rido. Muito. O alemĂŁo de 31 anos teve um ano incrĂ­vel, formou uma dupla clĂĄssica (nem Huth nem Morgan querem ter bola no pĂ©, sĂŁo centrais "duros", fortĂ­ssimos no jogo aĂ©reo e que sĂł desligam quando o ĂĄrbitro apita) com o capitĂŁo jamaicano, e juntou a tudo isto 3 golos absolutamente decisivos - deu a vitĂłria em White Hart Lane, e bisou em casa do Manchester City. Consciente das suas limitaçÔes, Ă© tambĂ©m a principal fonte de boa disposição de um balneĂĄrio unido e solidĂĄrio, e avisou toda a gente que a qualificação para a Champions o obrigaria a praticar as suas rabonas. Nunca Ă© tarde.
    Koscielny perdeu fulgor com o decorrer da Ă©poca, Ashley Williams foi uma vez mais a alma do Swansea, ficando a ideia que a defesa Ă© "apenas" ele, Vertonghen foi menos exuberante que o companheiro e compatriota Alderweireld, mas formou uma dupla afinada (curioso o contraste entre o estilo moderno do Tottenham, e conservador dos centrais do Leicester) e, por fim, numa vaga que poderia ficar atribuĂ­da a vĂĄrios jogadores, optĂĄmos por Blind, sempre muito fiĂĄvel, sem nunca se queixar de estar numa posição que nĂŁo Ă© aquela em que rende mais.


Lateral Esquerdo: Escolher entre Fuchs, Cresswell e Danny Rose foi-nos difĂ­cil. Os dois ingleses, do West Ham e do Tottenham, destacaram-se no plano ofensivo, Fuchs sobretudo no capĂ­tulo defensivo. No desempate, pesou a importĂąncia de defender - o lateral austrĂ­aco faz tudo bem atrĂĄs, e ajudou durante toda a Ă©poca com cruzamentos venenosos, alguns na marcação de cantos e livres indirectos. Cresswell mostrou, pelo 2.Âș ano consecutivo, quĂŁo bom Ă©, a locomotiva chamada Danny Rose evoluiu imenso, apresentando-se sobretudo na segunda metade da Ă©poca num nĂ­vel como nunca antes na carreira. Patrick van Aanholt foi o defesa que mais golos (6) marcou esta temporada, e Charlie Daniels outro caso de sucesso ofensivo (3 golos e 5 assistĂȘncias) e um dos principais responsĂĄveis pela manutenção do Bournemouth.


MĂ©dio Centro: Slaven Bilic, treinador do West Ham, descreveu bem KantĂ©: ao fim de algum tempo a vĂȘ-lo em campo, qualquer pessoa começa a achar que se tratam de gĂ©meos. Steve Walsh, o olheiro que o recomendou a Ranieri, tocou num ponto decisivo no desfecho deste campeonato - Ă© como se o meio-campo fosse formado por Drinkwater, e um KantĂ© de cada lado. Tudo ficou mais fĂĄcil para os foxes ao jogarem com 12 em campo, um autĂȘntico 4-5-2. N'Golo nĂŁo pĂĄra de correr, bate tudo e todos em termos de desarmes e intercepçÔes por jogo, e se Mahrez e Vardy ajudaram a desequilibrar os adversĂĄrios, KantĂ© foi quem equilibrou o campeĂŁo Leicester. O ditado que virou moda nĂŁo Ă© exagero: 70% do mundo Ă© coberto por ĂĄgua, o resto por N'Golo KantĂ©. O mĂ©dio francĂȘs Ă© ouro.
    O nosso esquema de 4-4-2 no 11 do Ano obriga-nos a fazer alguma ginĂĄstica, e por isso mesmo para esta posição - na qual incluĂ­mos os mĂ©dios mais recuados, mestres na pressĂŁo e em fazer as suas equipas respirar - acrescentĂĄmos dois jogadores do 4-2-3-1 do Tottenham (DembĂ©lĂ©, a quem ninguĂ©m tira a bola, e que foi um dos melhores jogadores mais invisĂ­veis desta edição; e Dier, que se fez um senhor mĂ©dio defensivo), Drinkwater (tremendo crescimento, e o parceiro perfeito para KantĂ©) e ainda o capitĂŁo do West Ham, Mark Noble - marcou vĂĄrios golos, a maioria de grande penalidade, mas foi o seu trabalho em conjunto com KouyatĂ© que permitiu soltar o gĂ©nio de Payet na frente.


MĂ©dio Centro: O homem das assistĂȘncias. É certo que Özil perdeu impacto na 2.ÂȘ metade da Ă©poca, mas analisando friamente, merece de qualquer forma marcar presença no onze inicial. O alemĂŁo foi o maestro do Arsenal e demonstrou a sua inigualĂĄvel qualidade de passe - 19 assistĂȘncias (ficou a uma do recorde de Henry em 2002/ 03). Fica-nos ainda assim a sensação que Özil ainda tem mais para dar, e Ă© fĂĄcil prever que teria outros nĂșmeros caso tivesse um avançado de topo para servir.
    A escolha de Özil deixa o miĂșdo Dele Alli Ă  boca do onze. O mĂ©dio ofensivo inglĂȘs, um dos talentos mais interessantes que explodiu este ano no futebol europeu, teve um ano de sonho (10 golos, 12 assistĂȘncias), fez por merecer a titularidade no Euro-2016 e tenham atenção, porque Alli tem tudo para ser um dos mĂ©dios mais espectaculares da prĂłxima dĂ©cada.
    Barkley (caiu quando o Everton caiu como colectivo), Sigurdsson (o jogador mais consistente dos swans, e com a sua melhor Ă©poca em Inglaterra) e Wijnaldum (merece melhor que o Newcastle) completam as nossas escolhas.


Extremo Direito: "O Mahrez Ă© a nossa luz, e quando ele brilha, o King Power Stadium Ă© fantĂĄstico". A frase Ă© de Claudio Ranieri sobre o Jogador do Ano da Premier League 15/ 16. A raposa do deserto exibiu-se ao nĂ­vel dos melhores do mundo, massacrando os adversĂĄrios com momentos mĂĄgicos e o talento de um predestinado em lances de 1 para 1. Fartou-se de marcar (17 golos), fartou-se de assistir (11 golos), e criou oportunidades umas a seguir Ă s outras, com pormenores para ver e rever, formando uma dupla imparĂĄvel com Vardy e assumindo o estatuto de jogador que faz as coisas acontecer. A sua explosĂŁo nĂŁo foi uma surpresa completa, porque a magia esteve sempre Ă  vista de todos, mas a consistĂȘncia e a confiança que apresentou durante toda a Ă©poca tornaram-no um jogador verdadeiramente especial, sempre criativo, vagabundo e imprevisĂ­vel.
    Alexis SĂĄnchez foi um dos melhores do Arsenal, De Bruyne mostrou porque Ă© que no ano civil de 2015 foi um dos 5 melhores jogadores do mundo (e atenção porque com Guardiola tornar-se-ĂĄ um sĂ©rio candidato a Jogador do Ano), Willian foi o Ășnico jogador do Chelsea capaz de remar contra a crise com regularidade a alto nĂ­vel todo o ano e, por fim, optĂĄmos por Michail Antonio, um jogador polivalente (jogou a extremo direito, extremo esquerdo e terminou a Ă©poca a lateral-direito) que deu o salto com Bilic.


Extremo Esquerdo: Para os adeptos do West Ham Ă© perfeitamente legĂ­timo que considerem que Ă© Deus no cĂ©u, e Payet na Terra. O extremo francĂȘs, contratação do ano a par do seu compatriota N'Golo KantĂ©, espalhou classe nos relvados ingleses e rivalizou com Mahrez no nÂș de momentos de magia pura. Foi claramente o grande responsĂĄvel pela Ă©poca do West Ham (Ă© o talismĂŁ da equipa, composta por jogadores que nĂŁo se importam de correr mais para o manter fresco e inspirado) e os seus livres directos sĂŁo qualquer coisa... Parece nĂŁo ser capaz de tomar decisĂ”es erradas, cada cruzamento seu sai açucarado, e Ă© bom ver um jogador no auge da sua carreira.
    Eriksen (pouco falado, mas termina a Ă©poca com 6 golos e 16 assistĂȘncias), Coutinho, Arnautovic (finalmente consistente) e Tadic (grande final de temporada) juntam-se ao mago Payet.


Avançado: Recordista. ElĂ©ctrico. Festivo. Jamie Vardy deu uma festa que entrou para a HistĂłria do futebol mundial. O avançado do Leicester, exemplar na pressĂŁo constante que exerce e na forma como nunca se esconde, cresceu mais do que qualquer outro jogador esta Ă©poca (a capacidade que hoje apresenta a jogar no limite do fora-de-jogo e a explorar as costas das defesas Ă© um exemplo disso) e formou com Mahrez e KantĂ© o trio de jogadores mais determinantes na caminhada do campeĂŁo. Importa nĂŁo esquecer um "pequeno" pormenor: o sprinter Vardy bateu o recorde de van Nistelrooy, com 11 jogos consecutivos a marcar, uma sequĂȘncia fundamental para ajudar o Leicester a acreditar que o milagre era possĂ­vel.
    AgĂŒero brilhou como sempre, marcou como sempre, esteve lesionado como sempre (sem as lesĂ”es seria o melhor marcador sem qualquer dificuldade), e tem tudo para render ainda mais com Guardiola. Nas restantes 3 vagas decidimos escalar o portentoso Deeney (grande capitĂŁo, imparĂĄvel nas alturas, um trabalhador incansĂĄvel e o complemento perfeito de Ighalo) e 2 elementos que jogaram adaptados a "falso 9" em diferentes fases da Ă©poca - Roberto Firmino e AndrĂ© Ayew.


Avançado: Se no inĂ­cio da Ă©poca alguns (nĂłs incluĂ­dos) tinham dĂșvidas em relação Ă  capacidade de Kane manter o nĂ­vel, caso nĂŁo começasse a embalar cedo no campeonato, agora ninguĂ©m as tem. Harry Kane Ă©, aos 22 anos, um ponta de lança incrĂ­vel e ainda com uma margem de progressĂŁo assinalĂĄvel. Carregou o Tottenham em vĂĄrios jogos, mantendo a pressĂŁo sobre o Leicester atĂ© quando foi possĂ­vel. Conseguiu marcar ainda mais golos do que em 2014/ 15 e a tendĂȘncia serĂĄ continuar a melhorar. O melhor para o Melhor Marcador desta Ă©poca seria continuar em Inglaterra, porque as comparaçÔes com Shearer começam a fazer cada vez mais sentido.
    Romelu Lukaku, tal como Barkley, foi melhor na 1.ÂȘ volta e alcançou a sua melhor marca de golos em Inglaterra; Ighalo tambĂ©m caiu substancialmente na segunda metade, mas foi uma das figuras do campeonato atĂ© Ă  passagem de ano; Defoe contribuiu de forma decisiva para que o Sunderland se mantivesse no primeiro escalĂŁo, e PellĂš exibiu-se de forma inconsistente, mas com pujança suficiente para constar aqui.


    Ao contrĂĄrio de anos anteriores, estamos totalmente de acordo com o Top-6 eleito pela associação dos futebolistas de Inglaterra. Tal como para a PFA, tambĂ©m para o Barba Por Fazer, Riyad Mahrez foi o Jogador do Ano. NĂŁo houve nenhum jogador com impacto igual ao argelino, sempre num nĂ­vel altĂ­ssimo (quando nĂŁo marcou ou assistiu, ajudou a desbloquear defesas e espalhou magia e fantasia mas sempre de forma objectiva). Trouxe um pouco de futebol de rua para os relvados da Premier League, e tornou-se assim o primeiro jogador africano a ser considerado o Jogador do Ano, e o jogador mais barato de sempre a ser distinguido. Ele, que idolatra Messi, foi o Messi da Premier League e Ă© impossĂ­vel esquecer o momento em que calou o Etihad, na altura com um 0-2 no começo da 2.ÂȘ parte ao qual os jogadores do Leicester nem pareciam saber reagir: naquele momento, começaram a acreditar que o tĂ­tulo era realmente possĂ­vel.
    O melhor amigo de Mahrez, Jamie Vardy, fica logo atrĂĄs, ele que representa melhor que ninguĂ©m a histĂłria do Leicester - um jogador que hĂĄ poucos anos era amador, mas que lutou e bateu recordes. Vardy que foi eleito Jogador do Ano pelos jornalistas e pela Barclays, enquanto que nos prĂ©mios internos do Leicester foi Mahrez o eleito (e KantĂ© o escolhido pelos jogadores campeĂ”es), ele que tambĂ©m arrancou o prĂ©mio atribuĂ­do pela PFA na versĂŁo adeptos. Payet foi o jogador com mais classe pura em Inglaterra - momentos de "valeu o bilhete" foram com ele e Mahrez, sobretudo -, Kane o melhor marcador do campeonato e porta-estandarte goleador de uma equipa jovem mas extraordinĂĄria pela qual torcerĂ­amos em qualquer outra Ă©poca, excepto nesta; Özil criou oportunidades e desenhou linhas de passe impensĂĄveis para o comum dos mortais, e o pequeno N'Golo KantĂ© nĂŁo precisou de nĂșmeros para nos cansar de o ver a correr. Um dos obreiros do tĂ­tulo, omnipresente e incansĂĄvel, ao ponto de criar a ilusĂŁo de que a sua equipa entrou sempre em campo em superioridade numĂ©rica.


    Aqui no Barba Por Fazer consideramos candidatos ao tĂ­tulo de "Jovem Jogador do Ano" elementos que tenham atĂ© 22 anos de idade. Assim, ao contrĂĄrio da realidade, elementos como Coutinho, Butland e Lukaku nĂŁo contam para nĂłs. Por nĂŁo distinguirmos a Revelação do Ano (seria Dele Alli) mas sim o Jovem Jogador, que cumpra os critĂ©rios, com melhor rendimento durante a Ă©poca, o nosso eleito Ă© pelo segundo ano consecutivo Harry Kane (na prĂłxima Ă©poca jĂĄ nĂŁo Ă© elegĂ­vel). Marcou golos de todas as maneiras e feitios, Ă© o Ășnico dos Jovens que tem tambĂ©m lugar nos nossos 6 melhores jogadores deste campeonato, depois de funcionar como farol da equipa que praticou o futebol mais bonito em Inglaterra.
    A juventude deste Tottenham 15/ 16 fica aqui expressa, com metade dos nomeados a pertencerem aos spurs - tambĂ©m Alli e Dier marcam presença. BellerĂ­n, Ross Barkley e o francĂȘs Anthony Martial completam o sexteto de jovens promessas.


Treinador do Ano: O homem do milagre. Quando vemos uma equipa em que todos os jogadores estĂŁo a jogar acima do nĂ­vel que alguma vez tinham apresentado, hĂĄ trabalho de treinador. O azarado Ranieri acumulou infortĂșnios toda a carreira para, quando ninguĂ©m esperava, escrever o seu nome associado a um dos maiores feitos da HistĂłria do futebol e do desporto. Deu liberdade aos jogadores, soube sempre estar (no começo da Ă©poca forrou a sua sala com imagens dos outros treinadores para eles se sentirem bem recebidos quando visitassem o King Power Stadium) e manteve o plantel sempre focado, "afinando" a defesa (pizzas em troca de clean sheets) em 2016. Incutiu a crença, a determinação, a garra e a solidariedade constante que caracterizou o Leicester City, e teve a arte e o engenho de simplificar. Fez magia.
    Pochettino colocou o Tottenham a jogar um futebol de encher o olho, com muito trabalho de casa (os spurs foram a equipa em que se viu processualmente mais "dedo de treinador") e nesta altura nĂŁo restam dĂșvidas do futuro brilhante que o tĂ©cnico argentino tem pela frente. Slaven Bilic correspondeu exactamente Ă s nossas expectativas, com um West Ham entusiasmante e talhado para os jogos grandes (na prĂłxima Ă©poca, os hammers tĂȘm o estĂĄdio OlĂ­mpico como nova casa e serĂĄ muito interessante acompanhar o crescimento de um projecto bem estruturado nos prĂłximos anos), enquanto que Eddie Howe e Quique Flores fizeram trabalhos meritĂłrios no Bournemouth e Watford. O Watford de Quique realizou uma 1.ÂȘ volta impressionante, e Ă© completamente absurdo o facto da Direcção ter abdicado dos serviços do espanhol, e Howe, com um plantel limitado, vĂĄrias adversidades e uma ideia de jogo ambiciosa, comprovou porque Ă© que Ă© um dos jovens treinadores com mais margem da actualidade. Destaque ainda para mais um sensacional trabalho de Koeman, e para as boas rectas finais de Allardyce no Sunderland e Guidolin no Swansea.


Clube-Sensação: Leicester City
DesilusĂŁo: Chelsea
Most Improved Player: 1. Jamie Vardy, 2. Danny Drinkwater, 3. Eric Dier
Reforço do Ano: N'Golo KantĂ© (Leicester City) | Dimitri Payet (West Ham)
Flop do Ano: Radamel Falcao (Chelsea)
Melhor Golo: Jamie Vardy (Leicester City 2 - 0 Liverpool) (Link)



24 de maio de 2016

Balanço Final - Liga NOS 15/ 16

 Liga NOS - A temporada de 2015/ 16 nĂŁo fica para a HistĂłria como um campeonato no seu todo competitivo, renhido, equilibrado e nivelado por cima. Mas serĂĄ sempre recordado por uma luta a dois incrĂ­vel, suada e escaldante (em campo e, infelizmente, fora dele). O Sporting reergueu-se e foi o clube mais dominador, mas nĂŁo o mais eficaz, com uma ideia de jogo sĂłlida e muito trabalho de casa do mister Jorge Jesus. Mas como jĂĄ acontecera no rival, Jesus, agora de verde e branco, deixou escapar uma vantagem significativa, vendo o seu bom futebol ultrapassado por uma equipa que primou pela humildade, pela alma e pela estabilidade emocional. O Benfica, tricampeĂŁo - o que nĂŁo acontecia desde 1976/ 77 - por vezes nĂŁo conseguiu apresentar um futebol deslumbrante, sobretudo fora da Luz, mas soube reagir a um inĂ­cio de Ă©poca trĂĄgico. Alicerçados na raça, no crer e na ambição os encarnados escalaram uma montanha sem olhar para trĂĄs e sem se preocuparem com a distĂąncia a que estavam dos rivais. O resultado foi um recorde de pontos (88) e um tricampeonato imprĂłprio para cardĂ­acos. Com Lisboa em chamas, a grande desilusĂŁo acabou por ser o Porto (desde 2013 nada ganha), incapaz de aproveitar o clima hostil entre ĂĄguias e leĂ”es. Quer com Lopetegui, quer com Peseiro, o Porto esteve quase sempre irreconhecĂ­vel, com os jogadores pouco motivados e muito inseguros. Ainda assim, a marca de 73 pts conseguida por um Porto tĂŁo frĂĄgil traduz bem o nĂ­vel qualitativo do campeonato. Num ano em que a histĂłrica AcadĂ©mica e o recĂ©m-promovido UniĂŁo da Madeira descem, o Braga (vencedor da Taça de Portugal 50 anos depois) espalhou bom futebol por Portugal e pela Europa, e o Arouca de Lito Vidigal foi a equipa que mais superou as nossas expectativas.
    Com algumas surpresas, mas infelizmente na maioria desilusĂ”es, apresentamos o nosso Balanço da Liga NOS 2015/16:


 BENFICA (1)

   Na nossa AntevisĂŁo atĂ© fomos simpĂĄticos ao apontar o Benfica ao 2.Âș lugar na Ă©poca que agora findou. Afinal, no começo de Ă©poca dos encarnados via-se uma equipa ferida, apĂĄtica e com os sectores completamente desligados entre si. LuĂ­s Filipe Vieira confiou no seu feeling Rui VitĂłria, e teve o mĂ©rito de segurar o treinador quando tudo estava contra o tĂ©cnico natural de Vila Franca de Xira. No entanto, os louros da boa Ă©poca, que a comunicação social parece querer dar ao presidente, devem ser dados ao lĂ­der que foi Rui VitĂłria e aos seus jogadores. As "estruturas" nĂŁo ganham campeonatos, quem os ganha sĂŁo os jogadores e as equipas tĂ©cnicas que, unidos, conseguiram superar as diversas adversidades - uma prĂ©-Ă©poca assassina, com apenas 5 jogos do outro lado do AtlĂąntico e temperaturas absurdas para o fĂ­sico dos jogadores; fraco investimento no plantel, remendado perto do fim do mercado com a chegada dos avançados Mitroglou e JimĂ©nez. A juntar a tudo isto, Salvio lesionado, e ao longo da Ă©poca problemas fĂ­sicos intermitentes de Nico GaitĂĄn e Fejsa, e as lesĂ”es de LuisĂŁo e JĂșlio CĂ©sar, figuras de primeira linha.
    ImpossĂ­vel nĂŁo recordar a derrota na Supertaça, um forte revĂ©s seguido pelas derrotas na Liga com os rivais directos (1-0 no DragĂŁo, e o traumĂĄtico 3-0 com o Sporting, na Luz). Ainda assim, Rui VitĂłria conseguiu unir a equipa e teve a capacidade de colmatar algumas lesĂ”es com jogadores jovens que viriam a ser fundamentais como Renato Sanches e Lindelöf. O clube da Luz chegou a apresentar-se no campeonato com 4 vitĂłrias, 1 empate e 3 derrotas. DaĂ­ entĂŁo, o Benfica apenas somou mais uma derrota - contra o Porto, na Luz. A recuperação anĂ­mica foi incrĂ­vel e o 12Âș jogador foi fundamental, com os adeptos a carregarem a equipa Ă s costas, puxando pelos craques. Jonas (32 golos) e Mitroglou (20 golos) foram os goleadores de serviço, RaĂșl a arma secreta e decisiva, e Renato Sanches a cara da revolução, a alma e a peça do puzzle que faltava ao modelo de jogo. No inĂ­cio do campeonato foi o mĂĄgico Nico GaitĂĄn a fazer a diferença com a sua capacidade de desequilibrar, e na recta final foi Fejsa (um autĂȘntico tractor a cobrir todo o campo e a asfixiar os adversĂĄrios) a equilibrar a equipa jogo apĂłs jogo. Na defesa, Jardel e Lindelöf tornaram-se uma barreira intransponĂ­vel, e os laterais AndrĂ© Almeida e Eliseu foram imagem da competĂȘncia na segunda metade da Ă©poca. Por fim, Ederson... o ex-Rio Ave acabou por ser uma revelação de todo o tamanho (quase fazendo lembrar Jan Oblak), sempre destemido nas saĂ­das e sendo claramente um guarda-redes que valeu pontos e consequentemente, mais um elemento fulcral na conquista do tĂ­tulo.
    Com todos os factores negativos iniciais, era mais do que normal que o Benfica acabasse no terceiro lugar. PorĂ©m, isso nĂŁo aconteceu neste ano tĂŁo atĂ­pico. O Benfica acabou o campeonato com um recorde de 88 pontos, recuperou 7 ao rival Sporting e passou para a frente do campeonato exactamente em casa do rival. HĂĄ vĂĄrios momentos chave que podem ser dados como o ponto de viragem. Desde o emblemĂĄtico minuto 70 onde - a perder por 3-0 em casa com o rival Sporting e a serem enxovalhados pela claque visitante - os adeptos benfiquistas gritaram a plenos pulmĂ”es todo o amor que sentiam pelo clube e transmitiram Ă  equipa que, acontecesse o que acontecesse, eles estariam com a equipa atĂ© ao fim. E assim foi atĂ© ao fim, com a onda vermelha a percorrer o paĂ­s de Norte a Sul, chegando Ă s ilhas. Aquele que pode ser considerado "o jogo do tĂ­tulo" (0-1 em Alvalade, golo de Mitroglou) foi outro momento marcante e factualmente o mais importante - foi lĂĄ que o 1.Âș lugar foi tomado, tendo os pupilos de Rui VitĂłria nĂŁo arredado mais o pĂ© (ĂĄguias e leĂ”es ganharam todos os jogos atĂ© ao fim depois dessa jornada 25).
    Este nĂŁo foi o Benfica, pese o nĂșmero de pontos e golos, que melhor futebol apresentou; mas foi o Benfica que mais alma mostrou ao longo de muitos anos. Uma ideia que Ă© nĂŁo sĂł a nossa opiniĂŁo, como a de muitos benfiquistas com mais anos de futebol do que nĂłs de vida.

Destaques: Jonas, Renato Sanches, Kostas Mitroglou, Ljubomir Fejsa, Nico GaitĂĄn

 SPORTING (2)

    O Sporting voltou. Jorge Jesus chegou a Alvalade e logo no 1.Âș ano de trabalho conseguiu colocar o Sporting na luta pelo tĂ­tulo atĂ© Ă  Ășltima jornada, com um total de 86 pontos. Num campeonato nivelado por baixo em termos de qualidade global, mas com uma luta a dois extraordinĂĄria e emocionante, acabou por ser o rival Benfica (clube no qual JJ trabalhara durante 6 temporadas) a sorrir no fim, depois dos encarnados revelarem mais "estofo" mental, aproveitando para queimar uma vantagem que os leĂ”es perderam de forma proibida. Uma mentira dita muitas vezes nĂŁo se torna por isso uma verdade, pelo que se por um lado Ă© indiscutĂ­vel a supremacia do Sporting nos jogos grandes, a dĂ©calage do futebol apresentado entre Sporting e Benfica foi pouco significativa: as vitĂłrias pela margem mĂ­nima do Benfica na recta final valem tanto como as vitĂłrias pela margem dos leĂ”es a meio da temporada, e o mesmo se pode dizer aos diferentes perĂ­odos em que ĂĄguias e leĂ”es golearam. Mas Ă© habitual o adepto-comum dar maior peso Ă s imagens mentais mais recentes.
    É indiscutĂ­vel o equilĂ­brio entre Sporting e Benfica, e assim como Ă© justa a vitĂłria do tricampeĂŁo, tambĂ©m seria justo o Sporting ver coroado o seu trajecto com o trofĂ©u de campeĂŁo. Mas sĂł podia ganhar um. O que mais impressiona neste Sporting 2015/ 16 Ă© o crescimento brutal, num curto espaço de tempo, consequĂȘncia do trabalho e competitividade incutidos por Jorge Jesus (vĂȘ-se muito Jesus neste Sporting, com processos instaurados e rotinas criadas). Mesmo sem Carrillo, Jesus fez evoluir elementos como JoĂŁo MĂĄrio (o MVP dos jogos grandes), Adrien ou Slimani (ambos sĂ­mbolos da crença e atitude sportinguista), estes 3 os melhores deste Sporting, e terminou com a melhor defesa (21 golos sofridos) e o 2.Âș melhor ataque (79 golos, menos 9 que o 1.Âș classificado). Curioso acompanhar o percurso da defesa leonina, que parecia ter estabilizado em JoĂŁo Pereira - Paulo Oliveira - Naldo - Jefferson, mas que acabou por terminar numa versĂŁo 100% renovada, com Schelotto - Coates - RĂșben Semedo - Zeegelaar/ Bruno CĂ©sar, muito mais de acordo com a filosofia de jogo de Jesus, com maior qualidade na saĂ­da de bola e muito melhor projecção dos laterais nos corredores.
    Na perspectiva leonina, este poderia ser recordado como o campeonato em que Bryan Ruiz (jogador incrĂ­vel, nĂŁo obstante) nĂŁo foi capaz de finalizar contra o Benfica e em GuimarĂŁes, tendo os leĂ”es perdido apenas 1 dos clĂĄssicos, precisamente aquele que era proibido perder (depois desse jogo, tanto ĂĄguias como leĂ”es sĂł ganharam, portanto o Sporting 0-1 Benfica acabou por ser a Ășltima vez que um dos dois rivais perdeu pontos). Esta Ă©poca deve ser, no entanto, encarada como uma renovação da identidade e uma (re)afirmação da posição do Sporting no contexto do futebol nacional, dando sequĂȘncia ao bom trabalho de Jesus e dos jogadores (exemplares a todos os nĂ­veis) dentro do campo, e aprendendo a estar fora dele (o comportamento e as afirmaçÔes de Bruno de Carvalho e Jorge Jesus ao longo da Ă©poca sĂł serviram para "alimentar" e unir o rival, criando um clima de hostilidade que acabou por se virar contra o feiticeiro).
    
Destaques: JoĂŁo MĂĄrio, Adrien Silva, Islam Slimani, Rui PatrĂ­cio, Bryan Ruiz

 PORTO (3)

    A desilusĂŁo da Ă©poca. EntregĂĄmos aos anteriores vice-campeĂ”es o 1.Âș lugar na nossa antevisĂŁo, em Agosto passado, face ao novo investimento no plantel (em teoria, parecia ser o melhor do campeonato) com Casillas, Maxi Pereira, LayĂșn, Danilo, AndrĂ© AndrĂ© e Imbula a reforçarem uma equipa que parecia poder beneficiar do fogo cruzado em Lisboa, e na qual mesmo tendo perdido Jackson MartĂ­nez e Óliver, o camaronĂȘs Aboubakar parecia dar sinais de ser um digno sucessor do colombiano. O mau planeamento da Ă©poca portista vĂȘ-se por exemplo no mercado de Inverno quando Marega e Suk foram contratados, ignorando o talento de AndrĂ© Silva, cujo brilho na equipa B mostrava que ou merecia ser aposta ou tinha que ser emprestado.

    Tudo começou com Lopetegui, mantendo a equipa um constante fraco desempenho, desiludindo quer pelo colectivo (Lopetegui nunca abdicou da sua filosofia de posse extrema, com transiçÔes rĂĄpidas a serem quase um oĂĄsis no DragĂŁo) quer individualmente (Brahimi foi uma enorme desilusĂŁo, bem como Imbula, vendido em Janeiro ao Stoke). Ainda assim, com o espanhol no comando o clube da Invicta chegou mesmo ao primeiro lugar. Algo que nĂŁo durou muito, Ă  imagem da continuidade de Lopetegui, que foi coçando a cabeça jogo apĂłs jogo atĂ© ser demitido. JosĂ© Peseiro foi o escolhido por Jorge Nuno Pinto da Costa e o futebol atĂ© parecia ver melhorias. Mera ilusĂŁo, jĂĄ que o centro da defesa foi sempre um verdadeiro tendĂŁo de Aquiles. Ainda assim, mesmo perdendo pontos de forma surpreendente em vĂĄrios jogos, os azuis e brancos chegaram ao EstĂĄdio da Luz e roubaram 3 pontos ao eterno rival conseguindo um balĂŁo de oxigĂ©nio para o que restava da Ă©poca, e parecendo tornar o campeonato uma luta a 3. Novamente uma ilusĂŁo jĂĄ que a equipa de Peseiro voltaria a perder o comboio, primeiro ao levar um festival de futebol em Braga, culminando no jogo que "acordou" o Tondela e que levou ao desabafo do presidente - "Batemos no fundo".
    Os laterais Maxi e LayĂșn foram dos melhores do plantel, com Danilo Pereira a evitar males maiores Ă  frente de uma defesa invulgarmente vulnerĂĄvel. AndrĂ© AndrĂ© (o destaque maior deste Porto no inĂ­cio de Ă©poca) foi traĂ­do pelas lesĂ”es, e o mexicano HĂ©ctor Herrera, quase sozinho, nĂŁo conseguiu dar conta do recado. O final da Ă©poca serviu de raio-x/ prĂ©-Ă©poca para 2016/ 17, com o miĂșdo AndrĂ© Silva a mostrar o seu talento, numa temporada marcada pela falta de liderança e estabilidade no DragĂŁo.
    Pinto da Costa ganhou de novo as eleiçÔes e promete que para o ano vai investir bastante no plantel com vista a relançar o Porto para os palcos a que estĂĄ acostumado. EstĂĄ Ă  vista que, mais do que contratar individualidades, importa sim escolher o homem certo para o cargo de treinador. Muitos sĂŁo os nomes falados, com Paulo Sousa a parecer ser o alvo mais apetecido. Uma coisa Ă© certa: JosĂ© Peseiro nĂŁo Ă©. Como deu para ver na final da Taça de Portugal no frente-a-frente entre Peseiro e Pinto da Costa.

Destaques: Miguel LayĂșn, Danilo Pereira, Maxi Pereira, AndrĂ© AndrĂ©, HĂ©ctor Herrera

 BRAGA (4)

    Finalmente a jogar Ă  grande. O Braga de Paulo Fonseca (parece estar de malas feitas para o Shakhtar) foi uma das equipas que melhor futebol praticou nesta Ă©poca, sem nunca arredar pĂ© de nenhuma competição em que estava inserido. Os nĂșmeros reforçam-no: a equipa minhota foi a equipa portuguesa com mais jogos oficiais disputados esta temporada (57), acima de qualquer um dos 3 grandes (Benfica e Porto somaram ambos 52, e o Sporting 51).
    Conjugado com a noção de "jogar Ă  grande", no fundo representando o clube da melhor forma, Paulo Fonseca teve ainda o condĂŁo de gerir o plantel com mestria - confiou em todos os elementos e aplicou uma rotação inteligente, conseguindo ter um 11 sempre motivado, fresco e intenso. Claro estĂĄ que tudo isto sĂł foi possĂ­vel graças Ă  esquematização pensada do plantel, com 2 opçÔes vĂĄlidas e equilibradas por posição, permitindo descansar jogadores sem perder qualidade.
    Embora tenha tido alguns precalços pelo meio, ficou sempre a ideia que este Braga tinha valor suficiente para roubar o 3.Âș lugar ao Porto (porventura, com foco exclusivo, algo que nĂŁo patrocinamos, na Liga NOS a distĂąncia seria menor do que 15 pts). Rafa foi a estrela da equipa, e Ă© muito improvĂĄvel que continue no Minho, com Benfica e Porto a perfilarem-se como os destinos mais provĂĄveis para o jovem internacional portuguĂȘs. Luiz Carlos deu segurança ao meio-campo, estando Mauro ou Vukcević ao seu lado; Ricardo Ferreira e Boly foram exĂ­mios no centro da defesa (bastante melhores do que o 3.Âș central mais utilizado, AndrĂ© Pinto), a baliza esteve sempre bem entregue, primeiro a Kriticuk e depois a Marafona (Matheus foi o guardiĂŁo na Europa e quase sempre nas taças) e Pedro Santos, sempre que chamado, agitou com o jogo. A rotatividade (inteligente, e nĂŁo gratuita) de Paulo Fonseca fica demonstrada pelos avançados, que foram todos eles um destaque sĂł - Fonseca soube utilizar Hassan, Stojiljković, Rui Fonte, e atĂ© mesmo Wilson Eduardo, de forma sĂĄbia e os golos foram-se distribuindo pelos 4.

Destaques: Rafa, Luiz Carlos, Pedro Santos, Ricardo Ferreira, Willy Boly

 AROUCA (5)

    A verdadeira equipa-sensação do futebol portuguĂȘs em 2015/ 16. Depois dos brilhantes trabalhos no Belenenses e agora no Arouca, jĂĄ poucos terĂŁo dĂșvidas da qualidade de Lito Vidigal, o "engraçadinho" da turma dos treinadores. Lito teve o condĂŁo de tornar o Arouca uma equipa incrivelmente coesa, em que a força do colectivo se sobrepĂŽs sempre a qualquer individualidade (poucos foram os destaques ofensivos).
    O Arouca fez da sua defesa a sua principal arma, com Bracali sensacional, bem como Hugo Basto (conseguirĂĄ o Arouca segurar um central assim?) e Lucas Lima (o mestre das bolas paradas). Nuno Coelho e Nuno Valente, durante toda a Ă©poca com a faca nos dentes e a corda toda, representam bem a filosofia que Lito imprimiu na equipa, de longe aquela que conseguiu terminar mais acima relativamente Ă quilo que projectĂĄvamos. É verdade que o futebol do Arouca foi muitas vezes pouco cativante, mas a equipa respeitou sempre o plano para cada jogo e a estratĂ©gia de Lito - juntou a isso vitĂłrias diante de Benfica (1-0) e Porto (2-1, no DragĂŁo). Analisando estatisticamente e de forma crua o 5.Âș lugar fica justificado, os arouquenses foram o 5.Âș melhor ataque do campeonato, e a 5.ÂȘ melhor defesa.

Destaques: Lucas Lima, Hugo Basto, Rafael Bracali, Nuno Coelho, Nuno Valente

 RIO AVE (6)

    Uma Ă©poca de altos e baixos, mas que nĂŁo deixou de estar ao nĂ­vel recente e condizente com o crescimento sustentado da equipa de Vila do Conde (o Rio Ave repetiu o 6.Âș lugar de 2012/ 13, e voltou Ă  Liga Europa, onde estivera na Ă©poca passada, conseguindo desta vez a qualfiicação por intermĂ©dio do campeonato). Pedro Martins voltou a fazer um trabalho exemplar e preferiu jogar sempre de forma incisiva no ataque, como poucas equipas ousam fazer no nosso campeonato.
    Contudo, foi na defesa que esteve a maior virtude deste Rio Ave, equipa que marcou tantos golos como sofreu (44), apresentando uma diferença de golos nula. Marcelo voltou ao nĂ­vel de outrora, e os laterais Edimar e Lionn estiveram num nĂ­vel elevado ao longo da Ă©poca. O pouco-falado mas altamente determinante Wakaso foi o pĂȘndulo complementar, actuando na posição mais recuada dum meio-campo no qual Tarantini voltou a mostrar ser um lĂ­der nato. CĂĄssio continuou a exibiçÔes que tanto nos tem habituado, Renan Bressan brilhou em alguns jogos caseiros e os golos ficaram maioritariamente a cargo de Guedes e, numa fase posterior, HĂ©lder Postiga.
    Os vilacondenses fizeram o chamado "campeonato certinho", e mesmo que o objectivo definido internamente atĂ© fosse o 5.Âș lugar, a sexta posição serĂĄ certamente satisfatĂłria, carimbando o acesso Ă  Europa ao contrĂĄrio de Paços, Estoril, Belenenses e VitĂłria de GuimarĂŁes.

Destaques: Marcelo, Wakaso, Tarantini, CĂĄssio, Edimar

 PAÇOS FERREIRA (7)

    Depois do 8.Âș lugar sob a liderança de Paulo Fonseca em 2014/ 15, o Paços de Jorge SimĂŁo acabou um lugar acima da Ă©poca passada. A equipa da Capital do MĂłvel ficou a 1 ponto do apuramento para a Liga Europa, com um plantel jovem, formado sobretudo por jogadores portugueses, e com Diogo Jota (19 anos) como grande figura. O extremo esquerdo/ segundo avançado, a cumprir o primeiro ano completo como profissional, marcou 12 golos e carregou completamente a equipa Ă s costas (curioso o Paços revelar-se incapaz de garantir a Liga Europa quando jĂĄ nĂŁo contou com Jota, lesionado), acabando vendido ao AtlĂ©tico Madrid, num negociado intermediado por Jorge Mendes.
    Diogo Jota, HĂ©lder Lopes (sempre em alta rotação e um alvo interessante em final de contrato), PelĂ© e o goleador Bruno Moreira acabaram por ser os jogadores mais constantes, com Jorge SimĂŁo a promover vĂĄrias trocas: Defendi ganhou a baliza com a venda de Marafona, a dupla de centrais "rodou" entre o trio FĂĄbio Cardoso, Ricardo e Marco Baixinho, JoĂŁo GĂłis e Bruno Santos realizaram cada qual meia Ă©poca na lateral-direita, e assim sucessivamente.

Destaques: Diogo Jota, Bruno Moreira, HĂ©lder Lopes, FĂĄbio Cardoso, PelĂ©

 ESTORIL (8)

    Se o Vit. SetĂșbal foi uma das equipas-sensação da primeira volta, os canarinhos foram o espelho e quase o inverso dos sadinos, com uma segunda volta respeitĂĄvel. Os pupilos de Fabiano Soares (renovou atĂ© 2020, recebendo um voto de confiança na procura de estabilidade) começaram por fazer um campeonato pouco interessante, a meio-gĂĄs, embora nunca tendo a vida na Liga NOS em risco. Certo Ă© que, inspirados pelo matador LĂ©o Bonatini e pelo criativo Mattheus, os estorilistas cresceram muito como equipa, revelando maior entrosamento e bom futebol em vĂĄrios jogos.
     Bonatini (impossĂ­vel permanecer na Linha em 2016/ 17) foi o 4.Âș melhor marcador do campeonato, bem apoiado tambĂ©m pelo imprevisĂ­vel Gerso, e por Anderson LuĂ­s, lateral que deu muita profundidade e fez parte de uma defesa na qual Diego Carlos esteve igualmente em bom plano.

Destaques: LĂ©o Bonatini, Mattheus, Anderson LuĂ­s, Gerso, Diego Carlos

 BELENENSES (9)

    Puxando a cassete atrĂĄs, torna-se cada vez mais evidente o erro que foi despedir Lito Vidigal no decorrer de 2014/ 15. Como se nĂŁo bastasse, o conflito interno que houve no clube foi outra contrariedade - a desestabilização na estrutura do clube acabou por se reflectir em campo jĂĄ que, tendo em conta os jogadores de qualidade que SĂĄ Pinto e VelĂĄzquez tiveram ao seu dispor, o Belenenses poderia muito bem ter terminado mais acima na tabela.
    A equipa do Restelo foi a pior defesa do campeonato (66 golos sofridos), com a 3.ÂȘ pior diferença de golos da prova (pior sĂł mesmo os relegados AcadĂ©mica e UniĂŁo). Para isso muito contribuĂ­ram as goleadas impostas por Benfica (6-0 fora, 5-0 em casa), Sporting (5-2 no Restelo) e fora com Porto e Braga, ambas por 4-0.  
    O melhor momento da equipa terĂĄ sido inclusive na Europa, primeiro na garantia do acesso Ă  fase de grupos e depois na vitĂłria conseguida em Basileia. Numa Ă©poca transversalmente marcada pela irregularidade, Carlos Martins e Sturgeon acabaram por ser quem mais procurou minimizar as mĂĄs prestaçÔes. A chegada de Julio VelĂĄzquez ao comando tĂ©cnico do clube, endireitando o trabalho atĂ© entĂŁo pobre de Ricardo SĂĄ Pinto, trouxe uma ideia de jogo mais ambiciosa (por vezes demasiado inocente, como ficou claro quando Sporting e Benfica visitaram o Restelo). O "dedo" de VelĂĄzquez fica representado tambĂ©m pela boa abordagem no defeso de Janeiro - a meio do campeonato o Belenenses estava em 12.Âș embora a apenas 2 pontos do 16.Âș lugar - com as contrataçÔes de Juanto e Bakic a contribuĂ­rem para a melhoria do futebol apresentado. Miguel Rosa, apesar de nĂŁo ter sido o jogador decisivo doutras temporadas, nĂŁo deixou de ser um dos destaques de uma equipa na qual esperĂĄvamos muito mais de Kuca ou DĂĄlcio, que sĂł duraram meia Ă©poca no clube.
    Para o ano Ă© imperial continuar o trabalho deste fim de Ă©poca e melhorĂĄ-lo de forma a colocar o clube lisboeta mais acima na tabela.

Destaques: Carlos Martins, Sturgeon, Miguel Rosa, Juanto

 VIT. GUIMARÃES (10)
    
    NĂŁo fosse o Porto e o VitĂłria de GuimarĂŁes seria forçosamente a desilusĂŁo da Ă©poca, atendendo Ă s expectativas criadas mediante a qualidade do plantel. A Ă©poca iniciou-se com Armando Evangelista, em relação ao qual as nossas dĂșvidas se revelaram pertinentes, mas mesmo SĂ©rgio Conceição (poucos meses depois de treinar o rival Braga) foi uma escolha algo infeliz do presidente do clube. Apesar de sĂ©rio, Conceição nĂŁo conseguiu mais do que apelar ao coração e Ă  raça da equipa em jogos grandes, acrescentando pouco ao futebol apresentado em campo, quase sempre muitĂ­ssimo dependente do gĂ©nio do pequeno e criativo OtĂĄvio.
    CafĂș cresceu sobremaneira, revelando-se o jogador mais regular e influente da equipa a seguir a OtĂĄvio, destacando-se ainda Miguel Silva, um jovem guarda-redes com vĂĄrias lacunas mas que se agigantou nos jogos grandes. Henrique Dourado marcou alguns golos, mas o ataque deixou muito a desejar, tendo em conta os ingredientes Ă  disposição de SĂ©rgio Conceição - nomes como Hurtado, Victor Andrade, TozĂ©, Ricardo Valente, JoĂŁo Teixeira e Alex.
    A equipa somou vĂĄrios erros infantis, e Conceição virou-se quase sempre para as arbitragens com a impetuosidade que o caracteriza, incapaz de reconhecer que a equipa ficou muito ĂĄquem do exigĂ­vel. Acabou num lugar justo para o que apresentou a nĂ­vel futebolĂ­stico ao longo da Ă©poca.

Destaques: OtĂĄvio, CafĂș, Miguel Silva, Henrique Dourado

 NACIONAL (11)

    Havia matĂ©ria-prima para Manuel Machado fazer melhor. Depois do 7.Âș lugar em 14/ 15, o Nacional perdeu Marco Matias, Lucas JoĂŁo, Tiago Rodrigues, Marçal e Christian, juntando-se a estes a saĂ­da de Zainadine a meio da Ă©poca, e nĂŁo foi capaz de os substituir devidamente.
    Com um futebol pouco entusiasmante (diferença de golos de -16), o rapidĂ­ssimo Salvador Agra foi o melhor dos alvinegros, com igual nĂșmero de golos e assistĂȘncias (9). O portentoso avançado Soares ficou abaixo do expectĂĄvel, mas deixou ainda assim boas indicaçÔes para ter uma palavra a dizer no nosso campeonato, enquanto que ao contrĂĄrio dos Ășltimos anos, o "melhor AurĂ©lio" foi o mais adiantado, LuĂ­s.
    Pode-se considerar uma Ă©poca em que foram cumpridos os serviços mĂ­nimos, valorizando-se na regiĂŁo provavelmente o facto do Nacional ter sido a melhor equipa da Madeira, num ano bastante fraco - quer no nĂ­vel apresentado pelas equipas insulares, quer no futebol produzido pela esmagadora maioria das equipas, Ă  excepção de 7 ou 8.

Destaques: Salvador Agra, Soares, Rui Correia, Luis AurĂ©lio

 MOREIRENSE (12)

    Em Moreira de CĂłnegos, o campeonato foi q.b. (se por um lado a equipa de Miguel Leal melhorou ofensivamente, tambĂ©m piorou o registo defensivo). O Moreirense manteve-se no primeiro escalĂŁo, apresentando alguma irregularidade ao longo dos vĂĄrios meses de competição, mas sempre com 2 jogadores acima do restante elenco - Iuri Medeiros e Rafael Martins. O segundo, ponta de lança emprestado pelo Levante, marcou 16 golos (melhor marca do que atingira ao serviço do Vit. SetĂșbal, antes de rumar ao paĂ­s vizinho) e foi uma constante dor de cabeça para os defesas adversĂĄrios, nĂŁo mais do que Iuri, o verdadeiro craque da equipa. O talentoso extremo direito, emprestado pelo Sporting, marcou 8 golos e fez 10 assistĂȘncias, mostrando estar preparado para outro patamar depois de utilizar de forma positiva as experiĂȘncias em Arouca e Moreira de CĂłnegos.
    Veremos o que 2016/ 17 traz ao Moreirense, que provavelmente ambicionarĂĄ mais do que um 11Âș ou 12Âș lugar, com Pepa como sucessor de Miguel Leal.

Destaques: Iuri Medeiros, Rafael Martins, VĂ­tor Gomes, JoĂŁo Palhinha, Igor Stefanović

 MARÍTIMO (13)

    Tal como o Nacional, o MarĂ­timo esteve bastante aquĂ©m do futebol que habituou aos seus adeptos (nas temporadas de 2007/ 08, 2009/ 10 e 2011/ 12 o clube ficou em 5.Âș lugar). Com a 2.ÂȘ pior defesa do campeonato, foi no ataque que os insulares afastaram males maiores. Com Dyego Sousa, FransĂ©rgio e Edgar Costa (autor do golo do ano na Liga) a serem os grandes destaques, o clube madeirense acabou por ser, a seguir aos 3 primeiros classificados, a equipa que menos jogos empatou. Uma curiosidade.
    JoĂŁo Diogo foi o Ășnico jogador da defesa merecedor de destaque, tambĂ©m por ter actuado a extremo durante parte da Ă©poca, e o francĂȘs Salin, embora tenha sofrido imensos golos, nĂŁo deve ser crucificado jĂĄ que teve sempre Ă  sua frente uma defesa demasiado permeĂĄvel. Contrariamente a outras Ă©pocas que fizeram bem em mudar de ares - Belenenses, Boavista e Tondela ficaram a ganhar com a mudança de treinador - ainda nĂŁo conseguimos compreender o porquĂȘ de trocar Ivo Vieira por Nelo Vingada, que jĂĄ se sabe que nĂŁo continuarĂĄ na Madeira.

Destaques: Dyego Sousa, Fransérgio, Edgar Costa, João Diogo

 BOAVISTA (14)

    Podemos afirmar ter visto duas versĂ”es do Boavista em 2015/ 16, quase antagĂłnicas. No Bessa, a temporada começou com Petit no comando tĂ©cnico, mas a vida do homem que operou um milagre na Ă©poca anterior (e que viria a repetir a dose nesta, mas ao serviço do Tondela) durou apenas atĂ© Ă  jornada 11, quando o Boavista somava apenas 9 pontos, com um futebol ultra-defensivo, preso e sem chama. O substituto encontrado foi o bem conhecido Erwin SĂĄnchez, que trouxe novas ideias e uma abordagem totalmente diferente - RĂșben Ribeiro (contratado no mercado de Janeiro) e Renato Santos "baptizaram" uma versĂŁo bem diferente dos axedrezados, apoiados ainda pelo bom futebol de ZĂ© Manuel, e pela solidez defensiva do triĂąngulo Mika, Paulo VinĂ­cius e Henrique.
    A troca de Petit por SĂĄnchez acabou por funcionar bem para as duas partes - o Tondela que o diga - e com o boliviano como treinador temos alguma curiosidade de acompanhar o mercado de transferĂȘncias veranil do Boavista

Destaques: Paulo VinĂ­cius, ZĂ© Manuel, RĂșben Ribeiro, Renato Santos, Henrique

 VIT. SETÚBAL (15)

    Ver um jogo do VitĂłria de SetĂșbal neste campeonato, na primeira volta e outro na segunda, seria como ver o dia e a noite. Quase. Os sadinos terminaram apenas com 1 ponto a mais do que o UniĂŁo da Madeira, e em igualdade pontual com o Tondela, o que embora bata certo com as expectativas criadas no começo da Ă©poca, era difĂ­cil de adivinhar (Ă  passagem da jornada 15, o Vit. SetĂșbal era 5.Âș classificado e a equipa-sensação da Liga). Quim Machado pode-se queixar sobretudo de ter perdido RĂșben Semedo e Suk a meio da aventura, o central/ mĂ©dio defensivo por ter regressado Ă  casa-mĂŁe (Sporting) e o sul-coreano por ter despertado o interesse do Porto. A partir das saĂ­das destes 2 pilares, a equipa nunca mais foi a mesma.
    Nas Ășltimas 15 jornadas, zero vitĂłrias (sim, na segunda volta verificou-se apenas uma vitĂłria, em casa diante da AcadĂ©mica, por 2-1). AndrĂ© Claro acabou por ser o jogador mais consistente dos sadinos, numa temporada que fica marcada pelo futebol (e pelos belos golos) de Suk enquanto esteve no clube. AndrĂ© Horta foi uma revelação, e Arnold (famoso pelo seu falhanço na Luz) um jogador intermitente que sĂł apareceu a espaços, embora fundamental em vĂĄrios jogos. 

Destaques: AndrĂ© Claro, Suk, AndrĂ© Horta, Arnold

 TONDELA (16)

    Terminada a temporada, Petit e a sua equipa tĂ©cnica partiram a pĂ© rumo a FĂĄtima. Por aqui se percebe a dimensĂŁo do milagre que o antigo trinco operou na 2.ÂȘ volta do campeonato. O Tondela arrancou a Ă©poca com VĂ­tor Paneira (cujo despedimento nos pareceu precipitado), substitui-o erroneamente por Rui Bento, e na transição da jornada 12 para a 13, em Ășltimo com apenas 5 pontos, Petit foi contratado. O ex-Boavista conseguiu fazer o Tondela acreditar que a manutenção era possĂ­vel, conquistando 22 pontos na segunda volta (depois de um total de 8 na primeira metade), e alcançando um registo surreal de 5 vitĂłrias nas Ășltimas 7 jornadas, fundamentais para salvar o Tondela, que abandonou a zona de despromoção apenas na Ășltima jornada. Nas sete jornadas finais, destaque para a vitĂłria na Mata Real (4-1) e principalmente no DragĂŁo (1-0), que marcou o inĂ­cio de um novo ciclo, marcado ainda pelas vitĂłrias diante dos adversĂĄrios directos UniĂŁo e AcadĂ©mica.
    Nathan JĂșnior, o goleador da equipa com 13 golos, manteve o Tondela vivo, contando com a fiabilidade tĂĄctica e fĂ­sica de Lucas Souza e LuĂ­s Alberto, senhores dos grandes momentos. É impossĂ­vel nĂŁo falar do central Pica, que embora tenha contabilizado pouco mais de 800 minutos, fica associado ao milagre da manutenção com 3 golos marcados na recta final.

Destaques: Nathan JĂșnior, Lucas Souza, LuĂ­s Alberto, Pica

 UNIÃO DA MADEIRA (17)

    Apontado na nossa AntevisĂŁo como o elo mais fraco da Liga, o UniĂŁo da Madeira teve a manutenção na mĂŁo, mas acabou por deitar tudo a perder, servindo de exemplo negativo para equipas que no futuro estejam a lutar pela manutenção. Enquanto que o Tondela lutava com todas as suas forças contra cada adversĂĄrio, o UniĂŁo pagou caro o facto de poupar jogadores em jogos nos quais seria difĂ­cil (em teoria) pontuar. Sabendo qual seria o destino, Norton de Matos desejaria certamente poder voltar atrĂĄs no tempo. Nas Ășltimas 6 jornadas, o UniĂŁo perdeu cinco; tendo apenas uma vitĂłria nas Ășltimas 15 jornadas do campeonato.
    A descida acabou assim por ser justa, punindo uma equipa na qual Amilton, uma flecha apontada Ă s balizas adversĂĄrias, brilhou constantemente, acompanhado pela classe de Danilo Dias e de alguns elementos defensivos.

Destaques: Amilton, Danilo Dias, Paulo Monteiro, Paulinho

 ACADÉMICA (18)

    O franco investimento por parte dos estudantes - mais ano, menos ano - traria um desfecho trĂĄgico para o clube da cidade de Coimbra. A verdade Ă© que foi desta que a AcadĂ©mica acabou por descer, tendo estado, tal como o UniĂŁo, com a manutenção relativamente perto. Viterbo, o bigode que fez a Briosa sobreviver em 2014/ 15, arrancou a Ă©poca mas nos 5 primeiros jogos somou 5 derrotas, sendo por isso substituĂ­do por Filipe Gouveia que, embora com uma postura e um discurso de valor, nĂŁo conseguiu fazer o suficiente para segurar uma equipa Ă  qual falta hĂĄ vĂĄrios anos ter jogadores de qualidade.
    O desfecho acabou por ser mais do que previsĂ­vel, um pouco Ă  semelhança do Aston Villa em Inglaterra. E atĂ© acaba por ser benĂ©fico, jĂĄ que o clube precisa inevitavelmente de se reinventar para poder voltar em força ao primeiro escalĂŁo.

Destaques: Leandro Silva, Hugo Seco, Pedro Nuno