Revisão: Legion

Legion é uma amálgama difícil de descrever, uma trip psicadélica multi-género, visualmente cativante e revolucionária. Noah Hawley, o homem que não deve dormir, guia-nos num novelo que se desenrola com um bom gosto incrível e faz Brilhar Aubrey Plaza e Dan Stevens, numa série capaz de voar sobre um ninho de cucos.

Óscares Barba Por Fazer 2017

A equipa do BPF elegeu os melhores do ano. Nos nossos Óscares há justiça para 'Nocturnal Animals', 'I, Daniel Blake', Mackenzie Davis, Aaron Taylor-Johnson, Rebeca Hall ou Amy Adams, e muitos elogios para Damien Chazelle e Casey Affleck

E os Óscares 2017 foram para...

Numa noite em que La La Land ganhou 6 óscares, o último e mais importante foi para Moonlight com golpe de teatro pelo meio. Damien Chazelle, Casey Affleck, Emma Stone, Mahershala Ali e Viola Davis não esquecerão este ano

Crítica: Moonlight

Eleito Melhor Filme pela Academia, Moonlight consegue, com uma beleza rara, um trabalho de câmara e um elenco extraordinário, colocar no ecrã o tempo que demoramos a descobrir que somos, e a aceitar e abraçar isso mesmo. O filme de Barry Jenkins é uma peça universal, humana e poética, fragmentada em 3 partes (criança, adolescente e adulto).

Balanço Liga NOS 16/ 17

Um Benfica de luxo à procura do inédito tetra, um Porto que defende como ninguém mas ao qual faltam golos e um Sporting em crise. Esta é a nossa análise a meio de um campeonato com o Minho em força e Chaves a surpreender

31 de julho de 2014

Peter Lim quase a chamar Enzo, Southampton mantém interesse em Rojo

  Valência - Mais um reforço para Nuno Espírito Santo. Yoel Rodriguez, guarda-redes do Celta de Vigo, assinou para já por empréstimo (mas poderá prolongar posteriormente o seu vínculo até 2018 com o novo clube milionário). Em sentido inverso, Guaita foi vendido ao Getafe.
    Peter Lim está ainda muito perto de garantir a compra do clube o que fará - ao que tudo indica - com que alguns negócios possam avançar - nomeadamente o de Enzo Pérez, o maior desejo do técnico português. O investidor natural da Singapura obteve 17 votos a favor e 2 contra numa Assembleia decisiva onde esteve reunida a Fundação Valência. Resta agora Lim e a Bankia chegarem a acordo para formalizarem a compra do clube espanhol.
    BPF - As peças do puzzle vão-se compondo para que o milionário da Singapura consiga comprar o Valência. Chegando a acordo com a Bankia, será com naturalidade que os empréstimos de André Gomes e Rodrigo se transformarão em transferências a título definitivo, assim como Enzo Pérez deverá acabar por viajar para Espanha (alegadamente 25 Milhões + 5 em objectivos). Se com o plantel actual, o Benfica necessita de um GR e um defesa central, saindo Enzo e atendendo ao peso do camisola 35 na dinâmica benfiquista, poderá ser necessário um reforço maior durante o próximo mês. Neste contexto seria importante o Benfica segurar Gaitán. Melhor seria, claro está, segurar Enzo e Gaitán.

  Southampton - Ainda não morreu a hipótese de Marcos Rojo rumar a Inglaterra para jogar num dos clubes mais badalados neste defeso. Ainda ontem o Southampton confirmou Ryan Bertrand (o lateral-esquerdo do Chelsea foi emprestado), mas Koeman parece continuar interessado naquele que foi um dos melhores laterais esquerdos do Mundial 2014. O Sporting tem 25% dos direitos económicos do central/ lateral argentino, e nesta altura parece que a transferência, a ocorrer, será sempre por valores entre 15 e 20 milhões. BPF - Ainda não é perceptível se a contratação de Rojo para o Southampton se destina a fazer dele o parceiro de José Fonte a central, ou torná-lo a 1.ª opção para lateral esquerdo. Temos o feeling de que a dupla J.Fonte-Rojo não seria uma garantia de segurança no centro da defesa dos saints.


Outros Destaques:
- Guillermo Ochoa no Málaga é quase uma realidade (clube certo, opção realista e ajustado à dimensão do guardião mexicano);
- Em Itália o Inter quer juntar o polémico Pablo Osvaldo aos seus quadros. O avançado que pertence ao Southampton chegaria a Milão emprestado, com uma opção de compra de 7 Milhões;
- O Barcelona tem tudo apalavrado para garantir Daniel Agger, embora ainda queira um forcing final para assegurar a sua 1.ª opção para o coração da defesa - Marquinhos, do PSG;
- Tanto em Inglaterra como na Colômbia começa a ganhar força a hipótese de Juan Quintero trocar o Porto pelo Arsenal, algo negado para já pelo empresário do jogador;
- Na sequência da contratação de Chambers, o Arsenal vai emprestar Carl Jenkinson ao West Ham;
- Hélder Barbosa desvinculou-se do Braga e é jogador do AEK até 2017;
- Gaël Kakuta, jogador associado ao Sporting durante este Verão, juntou-se hoje oficialmente ao Rayo Vallecano depois dos responsáveis do clube terem chegado a acordo com o Chelsea pelo empréstimo do atleta por uma época. O extremo francês junta-se assim a Licá e Abdoulaye, como noticíamos ontem;
- O Newcastle disse a Hatem Ben Arfa para procurar novo clube;

30 de julho de 2014

Lukaku no Everton por 35 Milhões; De Vrij na Lázio e Agger perto de Barcelona

  Everton - O 5.º classificado da última Premier League anunciou hoje a contratação do belga Romelu Lukaku. O ponta de lança assinou contrato com os toffees até 2019, tornando-se na contratação mais cara da História do clube - 35 Milhões de Euros. Em Goodison Park, o avançado no qual Mourinho nunca confiou - e que tem tudo para ser um dos melhores na sua posição nos próximos anos - vai envergar a camisola 10.

    BPF - Roberto Martínez ganha um reforço importantíssimo e faz sentido este all in do Everton em Lukaku. Os elevados valores são questionáveis mas o mercado interno da Premier League não é propriamente um mundo lógico. Em todo o caso, é notável como o Everton (hoje tanto Lukaku como Martínez vincaram a vontade de fazer do Everton "um dos melhores em Inglaterra") tem revelado maturidade neste defeso: garantiu Gareth Barry em definitivo, fez o mesmo com Lukaku, renovou com Ross Barkley e, até ver, segurou Leighton Baines e Seamus Coleman. O lateral inglês já não parece fugir mas Coleman seria uma opção interessante para o Manchester United, clube que estará interessado em James McCarthy. A juntar a tudo isto houve a contratação do jovem bósnio Muhamed Besic, jogador polivalente e que terá o seu papel no versátil meio-campo de Roberto Martínez. Com a contratação de Lukaku assegurada, fica agora a faltar um extremo (teria sido bom Deulofeu continuar) e o Everton terá todos os ingredientes para uma boa época.

  Barcelona - O central do Liverpool, Daniel Agger, está em vias de se tornar reforço do Barcelona. Depois de contratado o central/ lateral Mathieu, era esperado outro central para Luis Enrique e parece que o central dinamarquês do Liverpool será o eleito. Há dias a primeira loja que comercializou as camisolas de Suárez (Barcelona) e James (Real Madrid), ainda antes destes assinarem, colocou à venda a camisola do Barcelona com Hummels nas costas e ganhou força a hipótese do central do Dortmund assinar pelos catalães. Embora não seja de afastar essa hipótese, neste momento parece que o Barça optará por uma opção mais em conta: Agger encaixa no estilo de jogo blaugrana e o Liverpool pode vendê-lo porque tem Skrtel, Lovren e Sakho - para nós a dupla seria Skrtel-Lovren.

Outros Destaques:
- Stefan De Vrij, central holandês do Feyenoord e um dos melhores 5 centrais do Mundial 2014, assinou pela Lázio. Foi assim o ponto final nos rumores que o davam como hipótese para Old Trafford;
- O central leão Eric Dier deve fazer as malas nos próximos dias rumo a Londres, para assinar contrato com o Tottenham;
- Também por cá o Porto conseguiu emprestar Licá e Abdoulaye ao Rayo Vallecano;
- Ryan Bertrand foi emprestado pelo Chelsea ao Southampton. É a 7.ª vez que Bertrand é emprestado na sua precoce carreira e veremos se será a 1.ª opção para substituir Shaw (para isso quase mais valia apostar em Targett) ou se o Southampton ainda irá contratar outro lateral esquerdo. Certo é que nos próximos dias se pode esperar uma forte abordagem dos saints ao mercado, com um central, um guarda-redes e um jogador ofensivo na agenda;
- Precisamente no Southampton, Morgan Schneiderlin terá requisitado formalmente uma transferência depois de lhe ser vetada a saída do clube para Tottenham (ou Arsenal). O médio francês tinha tudo acertado quando o presidente do clube decidiu que não sairia mais ninguém. Lallana, Shaw, Lambert, Lovren e Chambers já seguiram caminho, e sem Schneiderlin e Jay Rodriguez ficaria certamente mais complicado, embora os saints estejam a contratar bem (Tadic e Pellè), tenham muita juventude para lançar, mas de uma maneira ou doutra Koeman precisará sempre de tempo para trabalhar com este renovado plantel.
- M'Bolhi, guardião da Argélia no Mundial, assinou pelos Philadelphia Union, da MLS;
- Manchester United quer o "novo Gareth Bale", Oscar Borg, formado no West Ham.

Crítica: The Grand Budapest Hotel

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Wes Anderson
Argumento: Stefan Zweig, Wes Anderson, Hugo Guinness
Elenco: Ralph Fiennes, Tony Revolori, F. Murray Abraham, Adrien Brody, Willem Dafoe, Edward Norton, Tilda Swinton, Jude Law, Harvey Keitel, Saoirse Ronan, Bill Murray
Classificação IMDb: 8.1 | Metascore: 88 | RottenTomatoes: 92%
Classificação Barba Por Fazer: 84

    Uma coisa é certa: tal como Tarantino, Nolan ou Winding Refn têm uma impressão digital a realizar, Wes Anderson também a tem. A sua cabeça e o modo como realiza e, principalmente, como escreve cada história fazem-no ser um caso aparte. Com isto não quer dizer que esteja sequer no Top-20 de realizadores da actualidade mas este 'The Grand Budapest Hotel' parece ser a sua obra-prima até ao momento, sucedendo aos mais conhecidos 'Moonrise Kingdom' e 'The Royal Tenenbaums'. Desta vez, baseando-se na obra de Stefan Zweig, Wes Anderson - um comediante por natureza - conta-nos as aventuras de Monsieur Gustave H (Ralph Fiennes), um porteiro de um hotel na Hungria, no período vivido entre as 2 grandes Guerras.
    A acção começa com um hotel às moscas, ocupado no entanto por um escritor (Jude Law), e pelo milionário Sr. Moustafa (F. Murray Abraham) que ano após ano continua a escolher um pequeníssimo e peculiar quarto quando passa férias no The Grand Budapest Hotel. Circunstâncias fazem com que os dois troquem impressões e o milionário acaba por contar a história de Monsieur Gustave H, seu grande amigo noutra época, quando ele - na altura chamado Zero Moustafa - era apenas um paquete.
    Toda a história acaba por resultar num argumento magnificamente bem escrito - um dos melhores desde os últimos óscares - com um humor físico pouco usual hoje em dia e com a dupla Ralph Fiennes e o jovem Tony Revolori (Zero) em total sintonia. Wes Anderson continua a retirar o melhor e a faceta mais improvável de certos actores e neste caso volta a fazê-lo com Harvey Keitel, Tilda Swinton e Edward Norton, entre vários. Mas o destaque principal do filme é sem margem para dúvidas, Ralph Fiennes. O Voldemort naturalmente com um lugar para sempre na História do cinema depois d'O Fiel Jardineiro, O Paciente Inglês ou A Lista de Schindler, e ficamos por aqui para não prolongar a enumeração, tem aqui um papel espectacular a nível de comédia. Este Monsieur Gustave colecciona momentos, começando na sua personalidade, passando pela escolha de palavras e terminando por exemplo na sua forma de se relacionar com os outros prisioneiros durante o período em que está encarcerado.
    Fiennes não deverá ter aqui o suficiente para um óscar - até porque tendemos irremediavelmente a valorizar outro tipo de desempenhos individuais - mas será uma opção válida para os Globos de Ouro na categoria Melhor Actor Comédia/ Musical.
    É uma garantia: 'The Grand Budapest Hotel' é tempo bem passado.

29 de julho de 2014

Crítica: Locke

Realizador: Steven Knight
Argumento: Steven Knight
Elenco: Tom Hardy, Olivia Colman, Ruth Wilson, Andrew Scott
Classificação IMDb: 7.1 | Metascore: 81 | RottenTomatoes: 91% 
Classificação Barba Por Fazer: 75

    Estreou há sensivelmente um mês nas salas de cinema portuguesas o mais recente filme de Tom Hardy, 'Locke'. Como aviso prévio talvez faça sentido referir que Locke não é filme de cinema, de grande ecrã; é preferível vê-lo em casa, de forma mais intimista, a deixar o filme crescer, com a sala às escuras. E com isto não pretendo rebaixar Locke. Há certas molduras que de facto fazem mais sentido para determinada fotografia - o talento musical infinito de Noiserv, por exemplo, merece ser apreciado numa sala mais pequena do que num festival. Mas isto é só um pormenor.
    'Locke' é um filme sem igual, garantidamente, em que durante 1 hora e 25 minutos acompanhamos Ivan Locke (Tom Hardy) numa viagem de carro. Locke é um pai de família, com a sua mulher e 2 filhos, um empreiteiro de sucesso no ramo da construção civil. Sem desvendar demais a nível de sinopse, apraz dizer que Ivan Locke recebe - no início do filme - uma chamada de uma mulher, chamada essa que virará a sua vida do avesso durante a hora e meia seguinte, decorrida a viajar nas imediações de Londres. Uma viragem quer do ponto de vista pessoal, quer profissional.
    Não podemos dizer que estamos perante um filme incrível ou perante um clássico. É sem dúvida alguma um filme inovador pela forma como foi realizado e escrito (tudo obra de Steven Knight), combinando também boa fotografia e sendo de certa forma "carregado" pela interpretação de Tom Hardy. O actor britânico já teve melhores papéis que este mas ainda assim mostra-nos desta vez uma personagem complexa: assumiu sotaque galês, revela problemas por resolver com o seu pai nos seus monólogos e devaneios e tenta manter uma postura ponderada e calma quando o desenrolar dos acontecimentos, relativamente aos quais ele caminha em sentido inverso, vai fazendo com que tudo saia do seu controlo. É um filme apenas com Tom Hardy no ecrã, ao longo do qual os diálogos se vão sucedendo através de chamadas telefónicas - Olivia Colman e Ruth Wilson dão voz às 2 mulheres que interessam naquela noite a Ivan Locke, enquanto que o seu colega de trabalho Donal é o actor Andrew Scott, o impressionante Jim Moriarty na série 'Sherlock'.
    É um bom thriller, mantém o suspense e o argumento funciona bem de forma galopante, quase enervante; mas certamente não agradará a alguns espectadores, sobretudo os menos pacientes. Relativamente a Tom Hardy, um dos actores da sua geração cujo trabalho mais valorizamos aqui no BPF, poderemos vê-lo em breve como Mad Max, a interpretar 2 gémeos em 'Legend', esperando-se sobretudo bastante de 'The Revenant', de Alejandro González Iñarritu, que juntará Tom Hardy a... Leonardo DiCaprio.

28 de julho de 2014

Mundial 2014: Vencedores e Derrotados

O Mundial 2014 terminou e, na despedida final, fazemos uma avaliação de quem saiu da competição com motivos para sorrir ou para chorar. 
    Nesta análise amplificada consideramos não só elementos com ligação directa ao que aconteceu em solo brasileiro - o futuro diferente que James Rodríguez escreveu para si ou o meritório trabalho que tem que ser reconhecido à selecção alemã - bem como, de forma mais indirecta, coisas que este Mundial nos deixa: a valorização de determinados campeonatos ou de um certo esquema de jogo. 
    Temos assim os Vencedores e Derrotados deste Mundial:

Mannschaft

    A vitória alemã foi incontestável. Venceu a equipa que melhor funcionou como um todo – onde todos os jogadores sabiam o que fazer, embora com elementos como Müller, Kroos, Lahm, Neuer e Hummels a destacarem-se dos seus pares. Já há muito se dizia que esta geração tinha tudo para ganhar e foi desta que o conseguiram, ficando para a História dos Mundiais a forma como a Alemanha atropelou o anfitrião Brasil por 7-1. Em todo o caso o que importa salientar neste caso é que esta foi uma vitória do tempo, do processo e do planeamento. Esta Alemanha não surgiu do nada, foi construída ao longo de anos e anos, com uma reformulação estratégica na formação e da percepção do que é o próprio jogador alemão. Löw teve matéria-prima de alta qualidade ao seu dispor, não pôde contar com jogadores como Reus e Gündogan mas afinou uma máquina que conciliou o bom futebol com o ADN alemão. É caso para dizer que todas as selecções – Portugal e Brasil, por exemplo – deviam olhar para o exemplo alemão, assim como a Alemanha não teve problemas em seguir os passos que levaram a Espanha à sua hegemonia terminada neste Mundial.

La Roja

    Já que estamos a falar na selecção de Espanha, é inegável que esta saiu pela porta pequena. Humilhada pela Holanda, magnificamente anulada e derrotada pelo Chile de Sampaoli, a campeã do Mundo e bicampeã da Europa ficou-se pela fase de grupos. Jogadores como Casillas e Piqué estiveram anedóticos e Del Bosque não conseguiu encontrar a fórmula certa para combinar tanto talento. O tempo passou pela Espanha, que não apresentou qualquer chama e determinação neste Mundial, embora seja provável que em 2016 nuestros hermanos tenham novamente uma palavra a dizer no Euro juntamente com Alemanha, Holanda, a anfitriã França e a mais madura Bélgica. E sim, ainda haverá Itália, Portugal e Inglaterra.

Guarda-Redes

    Indiscutivelmente este foi um Mundial que valorizou o homem com luvas. Parece um contra-senso considerando que foi uma competição com 171 golos marcados – igualando o máximo anterior que se registara no França’98 -, mas o que é certo é que em solo brasileiro houve exibições monumentais de GR, defesas impossíveis e Manuel Neuer deixou uma marca importante na forma como demonstrou aquilo que um guardião tem que ser no futuro – dependendo da equipa claro e da sua forma de jogar, um GR tem que se considerar o último defesa e ajudar sendo o primeiro a construir (as reposições e lançamentos, com o pé e com a mão, o passe ao primeiro toque, fazem a diferença entre um GR de equipa pequena e grande). Manuel Neuer recuperou o estatuto de melhor guarda-redes do mundo; Tim Howard estabeleceu um recorde de defesas num jogo do Mundial (16 contra a Bélgica); Ochoa, Ospina, Romero e M’Bolhi brilharam todos em diferentes momentos e Keylor Navas (Costa Rica) terá sido mesmo o guarda-redes mais consistente e com maior impacto individual no incrível caminho da sua selecção – homem do jogo contra Inglaterra, Grécia e Holanda.
    Keylor Navas contra Grécia e Holanda, Neuer contra a Argélia, Ochoa contra o Brasil, Tim Howard contra a Bélgica – jogos para mais tarde recordar.

3-5-2

    A táctica é um esqueleto, uma forma de organização e referência, culminada e dependente sempre do que os jogadores fazem. É forma de equilíbrio, de estudo, representativa da preparação e sempre valorizada (ou não) da estratégia para cada jogo. José Mourinho disse há anos que acreditava que o 3-5-2 seria a táctica do futuro. Têm que se admirar os visionários do futebol, os que antecipam comportamentos com anos de distância e aqueles que mudam paradigmas e reinventam o desporto (menção a Guardiola, neste caso). O 3-5-2 acabou por sair valorizado deste Mundial, numa época em que a esmagadora maioria das equipas no futebol europeu se estrutura num 4-2-3-1 ou em 4-3-3. Louis Van Gaal deve ser considerado como o porta-estandarte: olhou para a sua Holanda, percebeu como podia ganhar segurança, equilibrar a equipa e libertar elementos como Robben, Sneijder e RVP, e a sua Holanda foi o verdadeiro caso de estudo táctico que fica deste Mundial. A reforçar este modelo houve ainda o Chile de Sampaoli – que só contra a Austrália, na jornada inaugural, jogou de outra forma; o México do piojo Miguel Herrera e, embora numa disposição muito mais aproximada de um 5-4-1, a Costa Rica trilhou também o seu caminho com enorme organização, consciência e coragem. Faz sentido colocá-la neste lote por tudo começar numa defesa também com 3 centrais.
    Claro que não há esquemas iguais. Na Holanda vimos aquilo que em campo se materializava num 3-4-1-2 com um dos centrais muito mais posicional (Vlaar), enquanto que no México o líbero (Rafa Márquez) era o primeiro a participar no processo de construção, projectando os alas Layún e Aguilar muito mais do que por exemplo fazia o Chile.
    É possível que vários treinadores repensem as suas equipas depois deste Mundial. É mais fácil, pelo menos para equipas ambiciosas e de topo, adoptar um esquema assim numa competição curta do que num campeonato. Pelo que se viu até agora nesta pré-época, Van Gaal parece estar a levar o seu 3-4-1-2 para Manchester e, verdade seja dita, é o único modelo que permite retirar o melhor de Rooney, Mata e Van Persie, sem desequilibrar a equipa.

Scolari e Futebol Brasileiro

    Se a Alemanha saiu vitoriosa, a vários níveis, deste Mundial, a canarinha ainda estará a tentar recalcar o trauma. A postura alegre da selecção mais vezes campeã do mundo caiu num estado de depressão. Scolari – um motivador, um mestre na condução de homens mas não de jogadores de futebol, baseando-se na fé e na crença no talento individual – viu-se derrotado, ultrapassado frente a equipas muito melhor preparadas. A lesão de Neymar Jr. ou a ausência de Thiago Silva contra a Alemanha estão longe de servir de desculpa porque o problema brasileiro é estrutural. É evidente que houve falhas individuais: Dani Alves foi uma sombra, Fred (um dos protegidos, das teimosias de Scolari) foi pior que uma sombra e contra a Alemanha, num total desnorte, viu-se David Luiz – até aí um dos melhores da competição – a perder totalmente o controlo emocional. Tudo isto teve, ainda assim, na sua base a falta de organização em campo, a sobranceria ao praticamente não se preparar para o jogo do adversário (contra México, Chile e sobretudo Alemanha foi evidente). O Brasil precisava de uma reformulação a vários níveis e sinceramente com Dunga dá a ideia de que a canarinha passou do Mestre para um anão menos qualificado. Mas não é com anões que o Brasil vai lá, e ficou a ideia de que um seleccionador europeu poderia ser útil neste processo.

James Rodríguez

    El Bandido James Rodríguez foi o jogador que mais encantou nos 5 jogos que disputou. Deixou uma marca forte contra qualquer adversário, assumiu sempre a sua equipa sem medo e surpreendeu ao consagrar-se o melhor marcador (6 golos). No final, depois de sair devidamente homenageado por David Luiz, disse que o seu sonho era jogar no Real Madrid. Conclusão: o 10 do Real Madrid está entregue, fazendo companhia a Ronaldo, Bale, Benzema, Modric e Toni Kroos, e reforçando a ideia de que Di María abandonará o Bernabéu. E neste mundo só o Real seria capaz de deixar Ángel escapar.

Liga Mexicana, Colombiana e da Costa-Rica

    Num defeso hipervalorizado, todos os clubes tentarão encontrar as melhores opções ao melhor preço. O Mundial acabou por reforçar a boa prospecção que o Porto fez nos últimos anos, antecipando-se neste caso ao que se poderá tornar norma, uma vez que depois deste Brasil’2014 os clubes europeus vão olhar com outra atenção para a liga mexicana, para o futebol colombiano e inclusive para o futebol da Costa Rica. A Liga Mexicana saiu valorizada pela elevada quantidade de jogadores locais que M. Herrera chamou (Aguilar, Layún, Vázquez, Peralta, Salcido ou Maza Rodríguez são exemplos disso), tendo ainda um equatoriano a contribuir para esta ideia – Enner Valencia jogava no México (Pachuca) e transferiu-se entretanto para a Premier League, para o West Ham, depois de ser uma das revelações do torneio. A boa prestação da Colômbia levará os olheiros a tentarem descobrir o próximo James Rodríguez, e a presença de valores como Tejeda e Umaña no seu campeonato local, no Saprissa da Costa Rica, terão feito com que a pátria de Keylor Navas, Bryan Ruiz e Joel Campbell fique mais no mapa do que até aqui.

Luis Suárez

    Depois de uma Premier League para a qual todos os elogios seriam poucos, Suárez chegou ao Mundial a poder dizer com legitimidade que era o jogador que mais se aproximava neste momento do nível de Messi e Ronaldo. No entanto, Suárez chegou como 3.º melhor do mundo mas saiu como caso clínico e do foro psicológico indesculpável. Após um ano exemplar na Premier, Suárez voltou a morder (pela 3.ª vez na sua carreira) e a FIFA penalizou-o e bem. Ainda pudemos ver o seu brilhantismo contra a Inglaterra mas a sua 3.ª dentada ajudou a que o Liverpool libertasse para Barcelona um dos jogadores marcantes da História de Anfield. Não faria sentido continuar a iniciar a Premier League sem poder contar com o melhor jogador (já no ano passado o Liverpool não contou com Suárez nas primeiras 5 jornadas após ter mordido Ivanovic no fim da época anterior; e esta época seriam ainda mais jogos) e por isso o ombro de Chiellini terá catalisado a transferência. Somos fãs absolutos do futebol e do génio que é Luis Suárez, mas este seu comportamento recorrente não tem desculpa… e é estranho.

Louis van Gaal

    Neste caso, não há muito a dizer. Van Gaal foi o melhor seleccionador deste Mundial e conseguiu combinar a ousadia de escolher um esquema e de o trabalhar, depois de analisar bem as características de todos os seus jogadores, com a forma como soube sempre ler bem o jogo no seu decurso, mexendo com ele a partir do banco e lançando praticamente sempre as cartas certas. O Manchester United tinha sido fortemente elogiado em 2010 quando se antecipou a toda a concorrência e contratou Chicharito antes deste brilhar e mostrar-se ao mundo pelo México, mas desta vez o brilhantismo dos red devils foi muito mais significativo ao convencer um dos melhores treinadores da actualidade a assumir o comando de Old Trafford, vinculando-se antes do Mundial. Sir Alex Ferguson tem, finalmente, sucessor.

Arbitragem

    No final acabou quase sempre por prevalecer o bom futebol, mas o Mundial 2014 não deixa de ficar manchado por alguns erros de arbitragem. A coisa não começou famosa logo no jogo inaugural com o árbitro a ir na cantiga de Fred (simulação) e houve mais episódios: o México viu 2 golos limpos serem-lhe anulados contra os Camarões, o Irão teve fortes razões de queixa contra a Argentina, Dzeko poderia ter começado a ganhar contra a Nigéria se não fosse o árbitro intervir mal, Portugal foi prejudicado – embora a justificação esteja longe de ser essa – frente à Alemanha, a dentada de Suárez passou incólume. Na fase a eliminar houve, felizmente, bastantes menos erros, acabando por passar sempre a equipa que mais mereceu pelo jogo jogado. Apenas os nigerianos poderão guardar algum rancor da arbitragem contra a França e a Costa-Rica provavelmente não teria que ter ido ao prolongamento diante da Grécia se tudo tivesse sido bem ajuizado.

Klose e Müller

    Num Mundial com vários recordes – pessoais e colectivos -, Miroslav Klose conseguiu porventura o mais emblemático de todos. Em casa de Ronaldo “Fenómeno”, o avançado alemão de origem polaca marcou 2 golos e tornou-se o melhor marcador de sempre de Mundiais com 16 golos. Importa incluir Thomas Müller na equação porque o camisola 13 da Alemanha voltou a marcar 5 golos, tal como fizera em 2010 quando foi melhor marcador e melhor jogador jovem, e tem neste momento 10 golos… tendo apenas 24 anos. Quer isto dizer que poderá muito bem ser Müller a ultrapassar o recorde do compatriota Klose. É bem possível que Müller jogue em 2018 e 2022 (e 2026 se seguir o exemplo de Klose em termos de longevidade) e por isso tem ainda bastante tempo para marcar 7 golos que o deixem no topo. Caso mantenha a média apresentada até agora, teríamos novo recorde no decorrer do Mundial 2022.

Eredivisie

    Graças ao trabalho de Louis Van Gaal, o futebol holandês tornou-se alvo da cobiça dos maiores clubes europeus. O facto da Holanda contar com jogadores jovens e a menor dimensão dos clubes holandeses no actual panorama em termos de competições europeias originou para já Martins Indi no Porto, Janmaat no Newcastle e há vários outros jogadores da liga local que despertam neste momento interesse: Daley Blind é pretendido por Manchester United e Barcelona, De Vrij estará também na lista de compras do seu seleccionador bem como de alguns clubes italianos e ainda há jovens valores como Clasie, Depay e Wijnaldum. Mesmo entre os jogadores que já jogavam fora de portas, desta Holanda Vorm já mudou (sem grande nexo, por haver Lloris) do Swansea para o Tottenham, mas há ainda vários jogadores que podem trocar de emblema ao peito, tais como Vlaar e Sneijder.
    O talento combinado com o menor valor de mercado já fez vários outros elementos – estrangeiros ou holandeses não-convocados – viajar neste defeso: Finnbogason assinou pela Real Sociedad, Graziano Pellè seguiu Koeman para o Southampton, que também garantiu o espectacular Dusan Tadic. O capitão do Ajax, Siem de Jong, vai espalhar classe na Premier League ao serviço do Newcastle, e novos valores aparecerão fruto da boa escola holandesa – Klaassen vai continuar a crescer, e ainda ontem o jovem dinamarquês Lucas Andersen mostrou-se no Estádio da Luz na Eusebio Cup. 

Selecção Nacional: O que falhou no Mundial?

    Passados alguns dias de terminar o Mundial 2014, decidimos - tal como prometêramos - analisar a paupérrima prestação da Selecção Portuguesa no Campeonato do Mundo no Brasil. A verdade é que foram um conjunto de factores que culminaram na eliminação precoce de Portugal e tudo começou bem antes da prova. Já na fase de qualificação e jogos amigáveis se previa que o resultado não seria bom.
  Enumerámos 4 razões fulcrais que achámos serem determinadoras do desfecho luso. Fiquem então a saber quais são:

1 - A Convocatória: Paulo Bento não escolheu os melhores para levar ao Brasil. Até aqui toda a gente tinha chegado. Contudo, o problema advém da não inserção de novos jogadores em jogos particulares e de qualificação. Não é numa grande competição que se faz a revolução na equipa. A entrada de novos jogadores deveria ser imposta gradualmente. Chamar atletas em boa forma como Adrien, Candeias, Bebé, José Fonte ou até mesmo Cédric para ganharem espírito de Selecção e se integrarem com o núcleo duro da mesma era extremamente importante. Porém, Paulo Bento tem uma teimosia inerente que o fez - e faz - apostar constantemente nos mesmos jogadores e Portugal sofreu na pele as consequências das escolhas de Bento. O técnico português criou na sua cabeça um conjunto de jogadores intocáveis que estariam destinados a jogar desde o primeiro jogo da qualificação até ao último do Mundial. Paulo Bento pretendia ter um grupo coeso com rotinas de jogo, mas esqueceu-se que os jogadores envelhecem, perdem qualidades e passam por fases menos boas. Raul Meireles, Postiga e Hugo Almeida - por exemplo - são jogadores fora de forma e que jamais mereceriam a titularidade. Os dois últimos nem sequer na convocatória mereciam constar. Nani, Ronaldo, Coentrão e Pepe seriam provavelmente os únicos que mereceriam sempre o benefício de dúvida, valendo o risco mesmo perante a desconfiança relativamente à componente física, dada a sua qualidade fora do normal que Portugal não tem para dar e vender. O seleccionador português, para além de não incluir novos valores na equipa, fechou ainda os olhos à temporada fantástica de Danny e não tomou a iniciativa de falar com Tiago para fazer com que este voltasse atrás com a renúncia. No fundo, Tiago até se colocou à disposição do técnico, mas Paulo Bento só olhou para os factos ditos oficiais e nem sequer pensou em ter no seu plantel um dos jogadores mais influentes do clube campeão em Espanha e vice-campeão da Europa, preferindo o seu Miguel Veloso e o seu Raul Meireles a todo o custo.

2 - Atitude Comodista e "RonaldoMania": Os lugares cativos de Paulo Bento levam - directa ou indirectamente - a uma atitude comodista dos jogadores em questão. Os atletas sentem que não necessitam de se empenhar tanto para agarrar o lugar e isso resulta numa displicência e falta de intensidade incríveis dentro de campo. E como se isso não fosse suficiente, ainda houve a "RonaldoMania". Durante as semanas de preparação, houve uma actualização diária sobre a lesão de Cristiano Ronaldo. No Brasil, todas as estações televisivas queriam acompanhar a Selecção de Cristiano Ronaldo, que por acaso também se chamava Selecção de Portugal. Na página do Facebook da Selecção e na imprensa portuguesa quase que se fazia um reality show à volta da equipa. Tudo isto, segundo a lógica, teria à partida um efeito positivo - Ronaldo lida bem com a pressão e alimenta-se dela como ninguém e os restantes jogadores teriam um menor peso nos ombros. Infelizmente, o facto de Portugal ter o melhor do mundo tornou-se em campo um problema e não uma solução. Os jogadores já por si só sem qualquer motivação em campo, completamente displicentes, ao invés de jogarem como uma equipa sólida beneficiando com o facto de terem o melhor do mundo do seu lado - prémio justamente atribuído a Ronaldo -, jogaram sempre com a cabeça levantada à procura de Cristiano Ronaldo. A selecção tornou-se desde bem cedo Ronaldo+10 e - dada a má condição física do jogador - tudo se  tornou ainda mais complicado. Se houvesse a tal entrada gradual de jogadores em boa forma, a competitividade seria maior entre os atletas e isso resultaria numa melhor performance em campo. Estes jogadores - na sua maioria jovens - têm como sonho representar o seu país. Aliando as boas exibições que até então tinham feito com o factor motivacional de poderem ajudar o seu país numa prova tão grande como o Campeonato do Mundo, talvez as coisas tivessem corrido melhor para a Selecção das Quinas.

3 - Teimosia no 11: Para além dos erros cometidos antes do Mundial, no decorrer do mesmo também houve a teimosia de Paulo Bento no mesmo 11. Se pensarmos no 11 que iniciou o jogo com a Alemanha, qualquer português teria escolhido 7 a 8 daqueles jogadores. Patrício justificava a escolha pese embora a melhor época de Beto, o quarteto defensivo seria aquele para todos nós, Moutinho e Ronaldo eram garantidos e Nani seria o único que não seria unânime, deixando assim 3 ou 4 vagas muito questionáveis. Fazendo este exercício, percebe-se que se houve sector em que Paulo Bento foi teimoso foi de facto o meio-campo. E foi sempre o meio-campo o problema mais evidente em termos de jogo. Moutinho - inferior ao nível habitual - precisava de outras peças para o contagiarem, uma vez que não conseguiu que a coisa se desse em sentido inverso. O comum adepto sabia que Meireles não tem hoje a capacidade física de 2012 e só para Paulo Bento é que Veloso levava vantagem sobre William Carvalho. Sempre defendemos que o meio-campo de Portugal deveria ser composto por William, Adrien/Tiago e Moutinho, sendo que, considerando a convocatória feita, automaticamente Rúben Amorim surgia como escolha óbvia para substituir os não-convocados. Curiosamente, foi este o meio-campo que Portugal apresentou no único jogo que ganhou. Um treinador que não arrisca e que prefere morrer agarrado às suas ideias, não conseguindo reconhecer que pode estar errado, é um treinador com medo. E num Mundial e sobretudo numa Selecção não-favorita como a nossa, um treinador precisa de inovar, de criar, de ousadia e de coragem.
    A juntar à teimosia do 11 inicial vem ainda a táctica utilizada. No plano teórico Portugal abordou todos os jogos no seu tradicional 4-3-3. No entanto, e observando o comportamento táctico da Selecção das Quinas nos 3 jogos, Portugal jogou em 4-4-2. Com Ronaldo limitado fisicamente, a vagabundear no ataque e para não ter responsabilidades defensivas, era esperado que Portugal privilegiasse um 4-4-2 sem bola, copiando de certa forma a solução criada por Ancelotti no Real Madrid. Problema? A diferença qualitativa dos jogadores, inclusive em termos físicos. E se isso resultou para o Real na Baviera e para Portugal na Suécia, o espaço que não foi concedido por Alemanha e EUA anulou essa nuance. O 4-4-2 acabou por ser o esqueleto de Portugal em todos os momentos (exceptuando no final do jogo com o Gana, e nos primeiros minutos da partida com a Alemanha) e desequilibrou por completo a nossa Selecção. O médio com responsabilidades de fechar à esquerda - Veloso no primeiro jogo e Meireles no segundo - nunca o conseguiu fazer com qualidade e critério e Portugal acabou nos 2 primeiros jogos a perder o controlo do meio-campo e do jogo porque nunca se equilibrou. Possivelmente uma solução simples teria passado por abdicar do ponta de lança puro de Portugal porque se o objectivo era Ronaldo estar próximo da baliza e não defender, mais valia ficar só ele, e apostar em Vieirinha+Nani nas alas. Embora o primeiro problema fosse, como já mencionado, os elementos que compunham o miolo.

4 - Lesões: Disse o médico Henrique Jones que neste Mundial 2014, por comparação com outras competições, o índice lesional apresentado por vários jogadores era superior ao normal. A Selecção Portuguesa cruzou jogadores com excesso de jogos nas pernas ou um final de época muito intenso - casos de Ronaldo e Coentrão, com jogadores com falta de jogos (Postiga, Hugo Almeida e Nani eram exemplos disso, embora o jogador do Manchester United pudesse valer o wildcard). Neste Mundial Hugo Almeida, Fábio Coentrão, Rui Patrício, Hélder Postiga, André Almeida e Beto acabaram todos por se lesionar, originando no conjunto 5 alterações forçadas em 9 realizadas. Houve neste capítulo várias coisas negativas como o peso que Coentrão tem no jogo de Portugal e a falta que a equipa sentiu, bem como o facto de Cristiano Ronaldo nunca ter estado realmente a 100%. De certa forma houve também consequências positivas porque Paulo Bento viu-se obrigado a aproximar-se daquele que seria o onze ideal de Portugal (considerando a convocatória feita), embora tenha acabado por alterar o cerne da questão tarde demais resultante da já tão mencionada teimosia do seleccionador. No fim de contas, Paulo Bento preferiu arriscar no seu 11 base mesmo que muitos jogadores estivessem em dificuldades físicas ou em baixo de forma, ao invés de arriscar em novos valores que poderiam acrescentar algo de novo ao futebol português.

    Estes são apenas alguns aspectos que achámos merecedores de destaque perante esta fase negativa da Selecção Nacional. Tal como os nossos antepassados que outrora navegaram por mares nunca dantes navegados, assumindo o risco com vista a eventuais conquistas - se nos permitem tal hiperbólica comparação -, a Selecção necessita desse mesmo risco. Ou se troca para um seleccionador com coragem ou Paulo Bento terá que sair da sua "bolha protectora" se almeja chegar longe com este país. Não nos podemos resumir a Ronaldo. Temos que ser 11 em campo com a importância distribuída por todos os elementos. Só construindo um novo grupo poderemos augurar com algo de bom para a Selecção Nacional.
    Portugal vai chegar a bom porto, e há craques já aí à espreita como Rony Lopes e Bernardo Silva. Tenham eles oportunidades..

22 de julho de 2014

Garganta Afinada. Top 20 ( nº 97 )

    Olá gente maravilhosamente estranha que ousa entrar neste post! Após a maratona do Mundial, fizemos uma pausa ligeira onde acabámos por reunir umas quantas músicas do caraças para poderem ouvir onde quiserem. Temos músicas para dançar - de seu nome específico "pão-com-grão" - e outras que tendem a ser ouvidas no carro para reflectirem sobre a vossa complicada vida amorosa. Mas vamos lá ao que interessa, pessoas!
    A figurar no nosso top temos mais uma vez o ruivo Ed Sheeran. Com "Thinking Out Loud" do seu mais recente álbum, conquistou o nosso segundo posto. Sempre a somar pontos. Temos também a banda portuguesa D'Alva que tem mostrado o seu grande valor e que - a seu tempo - vão ter a visibilidade e o consequente sucesso musical que tanto merecem. Entre outras coisas, há 2 artistas do The Voice, um ainda em competição o outro não, com duas versões que marcaram o programa. Luís Sequeira colocou-se na pole position com “High and Dry” na sua audição, mas foi com U2 que garantiu um lugar nas galas. Precisamente numa gala, Bruno Vieira - um talento com lugar no espectro musical português, na linhagem de António Zambujo - destacou-se com uma versão intimista de “Eu Sei que Vou-te Amar”, original de Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Quem também teve passagem curta pelo The Voice (já tendo ido ao Ídolos) foi Bruno Meyners – descobrimos este "In Your Eyes" que conta com a voz de Meyners, um músico que até agora merecia outra sorte. Ainda há NBC que volta a mostrar que tem o dom palavra em "Cobre Que Te Cobre" do seu mais recente EP intitulado "EPidemia". Uma letra épica - uma de várias deste grande artista natural de São Tomé e Príncipe. Pelo meio ainda estão presentes as bandas portuguesas Klepht e The Vicious Five com novos trabalhos e - agora com atenção - pela 1.ª vez na História do Barba Por Fazer temos connosco Mariza. “O Tempo Não Pára” merece destaque, numa fuga ao registo habitual da fadista. As músicas de Dawn Golden e The Heavy continuam a comprovar a qualidade musical que acompanha Suits e - continuando a onda das séries - os The Acid marcaram o regresso da série Under the Dome. Ainda há Mastiksoul a mostrar toda uma nova faceta com a música acústica "I Will Love Again" que promete marcar este Verão 2014. Por fim, uma palavra ainda para os Foster the People. A banda de Mark Foster deu um dos melhores concertos deste Optimus Alive, dando claramente outra dimensão aos êxitos de "Torches" e "Supermodel". Foster foi uma boa surpresa, encheu o palco como vocalista e não deixou de fazer o seu riso psicadélico característico desta “Don’t Stop (Color on the Walls)”.
    Damos por encerrado a nossa pequena grande introdução do Garganta Afinada e prometemos voltar a dar-vos mais música quando bem nos apetecer.
    Até sempre, pessoas esbeltas e não se esqueçam: Não nos atirem cuecas para o palco porque nós não somos o Tony Carreira.





1. Dawn Golden - All I Want
2. Ed Sheeran - Thinking Out Loud
3. D'Alva - Homologação
4. Francisco Maria & Fitz ft. Bruno Meyners - In Your Eyes
5. NBC - Cobre Que Te Cobre
6. Bruno Vieira - Eu Sei que Vou-te Amar (The Voice)
7. Klepht - 21/6
8. Foster The People - Don't Stop (Color On The Walls)
9. The National - This Is The Last Time
10. MINX - Worry About Jack
11. Luís Sequeira - Where The Streets Have No Name (The Voice)
12. Michael Jackson feat. Justin Timberlake - Love Never Felt So Good
13. The Heavy - How You Like Me Now (Raffertie Remix)
14. HMB - Feeling
15. Mariza - O Tempo Não Pára
16. Paloma Faith - Only Love Can Hurt Like This
17. The Acid - Basic Instinct
18. The Vicious Five - Young Divorce
19. Lana del Rey - Ride
20. Mastiksoul feat. Dmol - I Will Love Again (Acoustic Version)

15 de julho de 2014

Os 23 do Mundial

    Não podíamos despedir-nos do Mundial 2014 sem antes deixarmos, em jeito de balanço, as nossas considerações sobre quem foram os melhores da competição do Brasil. Entre tantas outras coisas, este Mundial - ganho com justiça pela Alemanha - ficará para sempre na memória dos adeptos pelas boas exibições de vários guarda-redes, pelo futebol perfumado de James Rodríguez, pela mestria e ousadia de Van Gaal a orientar a Holanda, pela surpreendente Costa Rica, pela queda precoce de várias selecções fortes (Itália, Portugal, Inglaterra e, sobretudo, a Espanha) e, mais do que qualquer outra coisa, pelo histórico e imortal 7-1 que a campeã Alemanha aplicou ao anfitrião Brasil.
    Ao longo deste mês elegemos o melhor 11 de cada ronda. Não o faremos para a final e para o jogo de atribuição da medalha de bronze, optando sim por apresentar agora aqueles que foram para a equipa do Barba Por Fazer os 23 jogadores deste Mundial: a convocatória com os jogadores em maior destaque ao longo da competição, evidenciando claro a constituição do melhor 11 global. Para além disso, abaixo podem também encontrar a distinção do nosso Bola de Ouro, do Melhor Guarda-Redes, Melhor Jovem, Melhor Seleccionador e Melhor Golo.

Os 23 do Mundial

Guarda-Redes: Keylor Navas (Costa Rica), Manuel Neuer (Alemanha), Sergio Romero (Argentina)
Defesas: Philipp Lahm (Alemanha), Mats Hummels (Alemanha), Ezequiel Garay (Argentina), Ron Vlaar (Holanda), Stefan De Vrij (Holanda), Giancarlo González (Costa Rica), Daley Blind (Holanda), Marcos Rojo (Argentina)
Médios/ Extremos: Javier Mascherano (Argentina), Toni Kroos (Alemanha), James Rodríguez (Colômbia), Ángel Di María (Argentina), Arjen Robben (Holanda), Neymar Jr. (Brasil), Alexis Sánchez (Chile), Juan Cuadrado (Colômbia)
Avançados: Thomas Müller (Alemanha), Lionel Messi (Argentina), Enner Valencia (Equador), Karim Benzema (França)


    Começando pela baliza, os nossos 3 eleitos foram os três guardiões que a FIFA também destacou, e bem: Navas, Neuer e Romero. Foi um Mundial com exibições monumentais de vários GR (Ochoa, Ospina, Tim Howard, Bravo ou M'Bolhi saíram valorizados da Copa) sendo fácil no entanto evidenciar 3, sobretudo dois deles bem distantes de toda a concorrência. Sergio Romero, como verão abaixo na distinção do Melhor Guarda-Redes, merece o bronze. O keeper argentino esteve seguro, foi decisivo em dois jogos (Irão e Holanda) e conseguiu sofrer apenas 1 golo na fase a eliminar, o golo de Götze na final. No entanto, e contra si, tem o facto do mérito defensivo da Argentina ter tido grande influência da defesa e do meio-campo defensivo, não o testando tanto. Assim, os 2 melhores guarda-redes deste Mundial foram Keylor Navas e Manuel Neuer. Optámos por eleger Navas como o melhor do torneio porque de facto foi o mais extraordinário - na fase de grupos sofreu apenas 1 golo, e de grande penalidade, defrontando Uruguai, Itália e Inglaterra e esteve extraordinário contra Grécia e Holanda. Foi o GR com defesas mais espectaculares e mais difíceis neste Mundial e por isso mesmo o nosso eleito. Relativamente a Neuer, apenas podemos dizer que o escolhido podia também ter sido nele e se Navas foi o melhor da competição, Neuer recuperou neste Mundial o estatuto de melhor guarda-redes do Mundo. Ninguém vai esquecer o "Beckenbauer com luvas" , como alguém se referiu a ele, da Mannschaft. Para melhor líbero só haveria uma hipótese.
    Na defesa não foi muito complicado chegar aos 4 titulares, embora tenha havido uma boa % de bons centrais neste Mundial. Philipp Lahm, Mats Hummels, Ezequiel Garay e Daley Blind compõem a nossa defesa. O lateral alemão começou o Mundial a médio mas foi com a sua passagem para a sua posição de origem - no decorrer do jogo com a Argélia - que a Alemanha exponenciou o seu futebol para outro patamar. Um lateral perfeito, o jogador que mais merecia erguer o troféu na final. Em termos de centrais, Mats Hummels foi indiscutivelmente o melhor: marcou a Portugal e França, e esteve num nível absurdo a antecipar-se e a ganhar os duelos tanto com bola no relvado como pelo ar. A sua melhor exibição terá sido sem dúvida contra a França. A acompanhá-lo optámos por Garay pela sua regularidade. Sobretudo a partir dos oitavos esteve brilhante em termos de posicionamento, leitura de jogo e antecipação, desarme e jogo aéreo. Um dia talvez alguém explique como saiu do Benfica por 6 Milhões. Com Garay a titular, deixamos no banco Ron Vlaar (um jogador que teve algum hype mas que foi monumental contra a Argentina), o colega Stefan De Vrij (cresceu muito com este Mundial, foi extremamente regular, nunca conseguiu uma super-exibição como Vlaar mas esteve impecável nos 3 jogos finais) e Giancarlo González (o patrão da defesa da Costa Rica, claramente a pedir o salto para um bom clube, irrepreensível nas suas acções). Em todo o caso há outros 2 defesas centrais que merecem ser referidos: Rafa Márquez e David Luiz. O central mexicano esteve irreconhecível - pela positiva - nos 4 jogos do México, sendo determinante em todo o jogo da equipa, ficando infelizmente ligado ao adeus mexicano; David Luiz estava muito bem posicionado para figurar nos nossos 23 (e inclusive no 11) até às meias-finais mas depois caiu a pique nos últimos 2 jogos. Prejudicou-se a si próprio por ser um jogador bastante emotivo, coleccionou erros mas para nós isso não chegou para o considerarem um dos piores do Mundial como muitos querem fazer crer. Na esquerda houve 3 excelentes laterais - Blind, Rojo e Ricardo Rodríguez. O lateral suiço abandonou a competição muito cedo e não a conseguiu marcar o suficiente para o privilegiarmos relativamente a Blind e Rojo. O jogador do Sporting surpreendeu pela forma como se exibiu a lateral, foi um dos melhores jogadores argentinos, mas esteve inferior a Daley Blind. O jogador do Ajax acabou o Mundial com 1 golo e 3 assistências e demonstrou a sua polivalência, a sua qualidade técnica e táctica, conseguindo sempre bastante impacto no esquema holandês.
    Chegando ao meio-campo, havia 2 elementos essenciais: Javier Mascherano e Toni Kroos. Mascherano foi a alma da Argentina quando a genialidade de Messi perdeu fulgor. Houve uma Argentina que viveu dos rasgos de Messi (até ao jogo com a Bélgica, inclusive) e outra com Mascherano em evidência, a combater pelos seus, incansável e omnipresente. Uma Argentina com outros rasgos, diga-se. Já Toni Kroos, embora tenha sido uma das desilusões da final, esteve intocável até aí: decisivo na construção alemã, com uma super-exibição no Mineiraço e um exímio marcador de bolas paradas. Em terrenos mais adiantados merecem destaque James Rodríguez e Arjen Robben - os dois jogadores com maior impacto individual neste Mundial. James perfumou o Brasil com a sua magia, o seu futebol alegre. O 10 colombiano - um dos jogadores do qual por acaso esperávamos mais antes do Mundial mas não tanto, confessamos - encantou em todos os jogos, marcou 6 golos (melhor marcador), fez 2 assistências e saiu com o Mundo de olhos nele e com o planeta-futebol a respeitá-lo. Um 10 puro, mas com golo nos pés. Arjen Robben deixou tudo e todos para trás, e vacilou apenas na meia-final. Bateu recordes de velocidade, apresentou um fulgor e intensidade superiores a qualquer outro jogador, foi o motor da Holanda e o grande desequilibrador da selecção de Van Gaal. Para além destes elementos houve ainda espaço para Neymar (acabou por ser o brasileiro mais regular, e o Brasil sofreu pela dependência que desenvolveu relativamente a ele), Di María (veneramo-lo mas a verdade é que só começou a aparecer na partida com a Nigéria, fez um jogão com a Suiça e lesionou-se cedo frente à Bélgica, o que acabou por ser curto e um jogador do seu calibre não merecia ficar de fora dos 2 últimos jogos). Premiámos também o Mundial de Alexis Sánchez, novo reforço do Arsenal, pelo enorme impacto que teve no futebol do Chile, destacando-se contra Austrália, Espanha e Brasil (Brasil e Espanha desorientaram-se sempre que Alexis espalhou magia e recuou para destruir as defesas adversárias). A fechar e a premiar a boa campanha da Colômbia colocámos o "melhor amigo" de James, Juan Cuadrado, o jogador que termina o Mundial com mais assistências.
    No ataque os dois jogadores merecedores de maior destaque foram Thomas Müller e Lionel Messi. O alemão - que a seu tempo, se não for prejudicado por nenhuma lesão, irá bater o recorde de Klose - fez 5 golos, 3 assistências e, por muito que passe muito tempo a barafustar e a protestar com os árbitros, é um exemplo pelo empenho que deixa em campo. É um predestinado para os grandes palcos mas não é por isso que se sente mais importante que os outros; é um jogador de equipa, que corre que se farta, com faro de golo e muito inteligente a ocupar espaços. Depois, Lionel Messi. Quer queiramos quer não a Argentina marcou 8 golos neste Mundial e Messi esteve envolvido em 7 deles. É indiscutível que foi caindo de rendimento, que no mata-mata devia ter feito muito mais, que não merecia ter-lhe sido entregue a Bola de Ouro da competição, mas é também claro que sem Messi a Argentina nunca teria chegado à final e se qualquer outro jogador tivesse tido o trajecto de Messi neste Mundial, neste momento toda a gente se perderia em elogios para com esse jogador, mas os parâmetros de avaliação e exigência para um jogador como Messi (ou como Ronaldo, também) são diferentes. Numa opção que não será certamente consensual integrámos também nos nossos 23 Enner Valencia, por ter sido uma revelação ao serviço do Equador e pela marca que deixou. A fechar as nossas escolhas, Karim Benzema é o porta-estandarte do bom futebol que a França apresentou até sucumbir frente à Alemanha. O avançado do Real Madrid foi o principal destaque dos gauleses onde Valbuena e Pogba também estiveram a bom nível

    Estes foram os 23 que escolhemos com base na qualidade que apresentaram ao longo do Mundial. Fica, no entanto, uma menção a jogadores como Ochoa, Ospina, Tim Howard, Medel, Aurier, Juan Carlos Paredes, Ricardo Rodríguez, Brahimi, Sneijder, Celso Borges, Tejeda, van Persie, Herrera, Valbuena e Pogba. Alguns destes jogadores acabaram por abandonar o Mundial cedo demais - Pjanic e Gervinho foram também exemplos disso, enquanto que também houve elementos como Schweinsteiger ou Wijnaldum cujo impacto foi maior nos jogos finais, apresentando no entanto menor regularidade.

Bola de Ouro (Melhor Jogador)

    Como podem ver, para nós não foi Messi. Num Mundial em que elementos como Kroos, Lahm, Mascherano e Messi estiveram bem, houve 3 que estiveram ainda melhor, dois deles atingindo o Olimpo do futebol com a bola nos pés, mas infelizmente sem conseguirem festejar no fim. Thomas Müller foi o melhor dos alemães. Depois de em 2010 ter sido o melhor marcador e o melhor jogador jovem, 4 anos depois consegue ser campeão do mundo. Ofensivamente sempre o jogador mais esclarecido e esforçado, uma carga de trabalhos para qualquer equipa. Acima dele, os 2 melhores jogadores do Mundial 2014. Se James tivesse chegado às meias-finais (perdurando assim até aos últimos dois dias de competição), seria um verdadeiro crime a FIFA não o distinguir. Neste contexto, percebe-se que se procure premiar um jogador que esteve entre os semi-finalistas e nesse caso o melhor do Mundial pela FIFA deveria ter sido Robben. Uma vez que temos os nossos próprios critérios, tendo avaliado jogador a jogador, jogo a jogo, durante todo o Mundial, James Rodríguez é para nós o Bola de Ouro do Mundial 2014. Até ser eliminado foi o maior destaque da competição e nenhum jogador mesmo assim veio a atingir, no conjunto dos jogos realizados, o nível do colombiano e um impacto tão grande no jogo da sua equipa. James encantou, perfumou o Brasil com o seu futebol alegre, com a magia de um 10 que o Mundo inteiro passou a conhecer. Para além disto, acabou ainda como melhor marcador com 6 golos em 4 jogos e meio. A nossa medalha de prata ficou para Arjen Robben. O holandês teve enorme responsabilidade no percurso e sucesso da Holanda (3.º lugar). O extraordinário jogador holandês foi em todos os jogos o dinamizador da Holanda, o motor da equipa, um velocista com um trajecto e uma "fome" incrível. Deixou tudo e todos para trás, com a bola nos pés, e merecia uma distinção que tanto podia ir para ele como para James. Este foi um Mundial sem medo, com futebol ofensivo e por isso mesmo a Bola de Ouro merecia ficar entregue a um dos 2 jogadores que mais deslumbraram e que assumiram sempre a sua equipa em alto nível, do primeiro minuto ao último. Este foi o Mundial dos 7-1 e o Mundial de James, mas compreendíamos que para a FIFA e para a generalidade da imprensa Robben fosse uma opção que gerasse consenso. Arjen sim, Lionel não. Para nós, El Bandido. Génio, craque, o Mundo rendeu-se a James Rodríguez.

Melhor Guarda-Redes

    Pelo que acima já dissemos, na justificação dos 3 guarda-redes dos nossos 23, a escolha recaiu nos mesmos elementos da FIFA. Romero com o último lugar do pódio, Manuel Neuer a recuperar o estatuto de melhor guarda-redes do mundo na actualidade e Keylor Navas como o melhor guarda-redes do Mundial propriamente dito, juntando à melhor média de golos sofridos/ jogo (0,4 melhor que os 0,57 de Neuer e Romero) a maior quantidade de intervenções de elevado grau de dificuldade. De qualquer forma, muito renhido e muito difícil de escolher entre Navas e Neuer. Se fosse possível dividir o troféu a meias, talvez o fizéssemos.

Melhor Jogador Jovem

    Não se pode dizer que este tenha sido um Mundial para a juventude. Considerando que o prémio se destina a jogadores com 21 anos (máximo), as melhores performances nesta faixa etária ficaram bem longe do nível de Thomas Müller em 2010 ou Lukas Podolski em 2006. Nenhum jogador entre os jovens candidatos foi um destaque claro do Mundial e por isso as nossas opções acabaram por recair nas 3 alternativas menos más.
    Sterling foi contagiado pela má prestação inglesa, Ross Barkley, Kovacic ou Draxler não tiveram espaço nem minutos suficientes, Quintero e Green deixaram uma marca muito pequena, e elementos como José María Giménez e Omeruo acabaram por tombar cedo. Romelu Lukaku era um dos mais fortes candidatos e desiludiu (apareceu ao nível esperado apenas no prolongamento frente aos EUA, a decidir o jogo) e quem ganhou com o fraco rendimento de Lukaku foi Divock Origi. O jogador do Lille foi uma revelação, deu-se a conhecer com este Mundial e foi útil ou decisivo em todos os jogos da fase de grupos. Acima dele, esteve Memphis Depay - o jovem craque holandês (em 2016 poderá ter um peso superior na selecção de Hiddink) esteve muito bem contra Austrália e Chile, amealhando 2 golos e 1 assistência nos poucos minutos que teve mas não conseguiu manter o nível quando teve oportunidade na fase a eliminar. Com isto, Paul Pogba acabou por ser - tal como a FIFA premiou - o melhor jovem do Mundial 2014. Não esteve brilhante contra as Honduras, com a Suiça Deschamps castigou-o deixando-o no banco mas conseguiu ainda deixar a sua marca quando entrou, frente ao Equador foi o melhor elemento francês no bom jogo de Domínguez, atingiu o seu apogeu com a Nigéria (Valbuena e ele foram os melhores franceses) e depois caiu, como toda a França, contra Hummels, Neuer, contra a Alemanha campeã do mundo. Em 2016 teremos Pogba mais maduro, Pogba a jogar o europeu em casa. À beira do pódio ficou, efectivamente, Varane.

Melhor Seleccionador

    Foi, em certa medida, um Mundial de treinador. Um Mundial de preparação, de estudo, culminado depois nas prestações brilhantes de alguns jogadores. Caiu por terra a monarquia espanhola, acabou por não ganhar o futebol crente na individualidade e com falta de orientação a partir do banco (exemplos de Sabella e Scolari), vingando sim quem melhor se preparou: quer ao longo de anos a fio (Alemanha), quer jogo a jogo (Holanda, entre outros). Parece unânime que Louis Van Gaal foi o melhor seleccionador entre os 32. Teve a inteligência de fazer uma brilhante análise à matéria que tinha em mãos e trabalhou a Holanda para um esquema que protegeu algumas fragilidades e potenciou elementos. O seu 3-4-1-2 tornou uma selecção tipicamente inocente e quase exclusivamente ofensiva num colectivo forte, coeso, com grande flexibilidade táctica, inteligência e eficácia. Para tudo isto Van Gaal foi astuto, inteligente, fez em 90% das situações a melhor leitura a partir do banco e transformou Kuyt ou Wijnaldum, ficando para sempre a sua cartada ao lançar Krul aos 120 frente à Costa Rica. A completar o pódio optámos por Jorge Luis Pinto (incrível trajecto dos ticos magnificamente bem organizados defensivamente) e Joachim Löw (determinante ao leme da Alemanha, a afinar uma máquina onde todos os jogadores sabiam sempre o que fazer em campo, e onde o valor da equipa foi sempre o mais alto). O careca Sampaoli merece também a referência positiva numa competição que valorizou esquemas com 3 centrais (Holanda, Costa Rica, Chile e México contribuíram para isso).

Melhor Golo

    A lista poderia ser superior - de 10 golos, por exemplo - mas preferimos focar os 5 melhores golos deste Mundial. A arte, a espontaneidade, a magia e o génio de James Rodríguez ocupa o 1.º lugar com um golaço frente ao Uruguai que representou o Bola de Ouro (para o BPF) deste Mundial a tocar no céu. Uma boa jogada colombiana com James a matar no peito e, rodeado por um quadrado uruguaio, a disferir um remate espectacular, perfeito, com toda a naturalidade que caracterizou James no torneio.
    Compusemos o pódio também com o golo de cabeça de van Persie à Espanha - talvez o golo de todos com execução mais complexa e difícil de repetir, um cabeceamento em "peixinho" a fazer um chapéu a Casillas depois de um cruzamento milimétrico de Blind. Provavelmente um dos 2 melhores golos de cabeça que já vimos. Depois, o golo de Tim Cahill - novamente um lance genial sem pensar 2 vezes, um golo que se "vê mais" mas que não deixa de ser incrível pelo momento, pela trajectória da bola. Não conseguimos escolher apenas 3 golos porque ficariam assim de fora Robben e Shaqiri. Arjen Robben bateu o recorde de velocidade de um futebolista, contra a Espanha, numa correria infernal seguida de toda a calma e técnica para humilhar Casillas e os defesas espanhóis, sem saberem como parar o 11 da Holanda. Por fim, Xherdan Shaqiri encerra o nosso lote de escolhas com um míssil teleguiado. Um golo à Hulk, pressionado por um defesa das Honduras, num remate indefensável e de potência extrema depois de uma movimentação a partir do flanco.


13 de julho de 2014

Alemanha 1-0 Argentina: Götze dá o Mundial à Alemanha


Alemanha  1 - 0  Argentina (Götze 113')

    A vitória podia ter caído para qualquer lado (felizmente a final não foi decidida nas grandes penalidades) mas a Alemanha sagrou-se nova campeã do Mundo no Brasil 2014. Acabou por vencer o colectivo que se apresentou mais forte ao longo da competição, com melhor futebol, mais golos, mas naturalmente uma final poderia cair para qualquer lado e o jogo de hoje reforçou essa ideia. Só no prolongamento alguém conseguiu marcar, com o jovem Mario Götze a marcar um golo que marcará para sempre a sua história e a dos alemães.
    No lançamento da final, Löw teve um contra-tempo com a lesão de Khedira no aquecimento, surgindo Kramer a titular. De resto, tudo normal. Por sua vez, Sabella escolheu o mesmo 11 que tinha defrontado a Holanda, sendo que - como se veio depois a verificar - Di María não pôde ser opção. O jogo iniciou-se com bom ritmo e algumas mudanças de velocidade de Messi a desorientarem a defesa germânica. A Alemanha desde cedo teve mais bola, como era de esperar, mas a 1.ª oportunidade clamorosa pertenceu aos argentinos - Kroos atrasou para Neuer sem noção do posicionamento de Higuaín e deixou o avançado na cara de Neuer; no entanto, Gonzalo desperdiçou e rematou ao lado. Higuaín festejou golo pouco tempo depois mas com o golo a ser bem anulado por fora-de-jogo. O meio-campo alemão continuou amaldiçoado e Kramer teve que sair - após um lance aparatoso com Garay - dando lugar a Schürrle e passando Özil para zonas interiores, o que resultou também em menor preponderância de Kroos em zonas de decisão. O final da 1.ª parte ficou marcado por uma entrada perigosa de Höwedes sobre Zabaleta, um corte providencial de Boateng depois de uma arrancada imparável de Messi, uma boa defesa de Romero (sempre muito seguro no 1.º tempo) e o lance mais perigoso dos primeiros 45 com Höwedes a fazer a bola bater no poste após um cabeceamento violento.
    Sabella entendeu que ao intervalo era momento para trocar Lavezzi por Agüero (em condições físicas normais seria uma boa opção mas com Agüero tão longe do seu apogeu podia ter esperado um pouco mais, embora a substituição tenha tido um impacto positivo) e a Alemanha não reagiu bem ao losango argentino. Messi voltou a ter o golo nos pés mas atirou ao lado, num regresso a todo o gás dos argentinos. Rizzoli teve uma arbitragem decente, embora fosse coleccionando algumas decisões com pouco nexo: a título exemplificativo, Neuer teve uma saída corajosa em que conseguiu jogar bola mas abalroou Higuaín. Não era uma situação de grande penalidade mas o lance estava ainda mais longe de ser uma falta de Higuaín, que foi o que o árbitro italiano considerou. Depois do clique argentino inicial, o jogo retomou o equilíbrio e a Alemanha voltou a assumir o comando das operações embora contra uma Argentina bem organizada e com o trio de médios posicionado na perfeição e com intensidade (Mascherano acima de qualquer outro, e a seguir a ele Enzo). Atravessou-se um período bastante faltoso e, já com o prolongamento a chegar, Sabella substituiu Enzo por Gago (decisão no nosso entender errada porque Biglia parecia mais necessitado) esgotando as substituições enquanto que Löw trocou Klose por Götze (opção lógica). Já o prolongamento iniciou-se praticamente com Romero a negar o golo a Schürrle com uma boa intervenção, e do outro lado Palacio tentou fazer um chapéu a Neuer mas o esférico saiu ao lado. Não deve ser fácil finalizar com um susto em simultâneo da chegada de um gigante alemão. O tempo foi passando e quando já se cheirava a penalties Götze decidiu o jogo. Schürrle inventou a jogada a partir do flanco direito e cruzou para a área onde surgiu Götze a explorar um autêntico "buraco" entre os centrais Demichelis e Garay (a exibição extraordinária da dupla não merecia a falha). Depois... depois foi o talento de Mario Götze, 22 anos, a fazer a diferença - recebeu no peito e rematou para o golo que valeu um Mundial. Qualquer golo naquela fase seria dificílimo de engolir para qualquer selecção e a Alemanha conseguiu segurar a vantagem. Neuer continuou a brilhar nas suas saídas e o jogo terminou com um livre directo de Lionel Messi direitinho para a bancada.

    A Alemanha conquistou o Mundo 24 anos depois, sagrando-se tetra-campeã. Ao longo do Mundial a selecção germânica foi a selecção mais forte, era a favorita para hoje, mas a verdade é que por exemplo a Holanda fez um Mundial superior à Argentina e a passagem argentina não soou nada mal considerando o jogo entre as selecções de Van Gaal e Sabella. Hoje acabou por ser um golo solitário de Götze a fazer a diferença, numa final bastante equilibrada. A Argentina demonstrou preparação para o jogo de hoje, Mascherano voltou a ser o melhor argentino, mas no fim ganhou a Alemanha.
    Pela 1.ª vez tivemos uma selecção europeia a vencer um Mundial em solo americano e invariavelmente este Mundial ficará marcado pelo Brasil 1-7 Alemanha. Esta brilhante geração alemã - a evoluir e a maturar-se ao longo dos últimos anos - subiu finalmente aos sete céus, mas ficará sempre a ideia de que esta Argentina com outro seleccionador poderia ter sorrido no fim. Uma coisa é certa: Philipp Lahm era, no actual panorama desportivo, um dos jogadores que mais merecia erguer a taça de campeão do mundo. Um exemplo a todos os níveis para o futebol. Falando de Lionel Messi, apareceu em bom plano na 1.ª parte mas depois desapareceu quase por completo. Hoje podia ser uma final para Messi aparecer em grande mas acabou por sucumbir e no fim ganhou, reforçamos, a melhor equipa no verdadeiro sentido da palavra. Analisando o jogo no seu todo houve boas exibições - Schweinsteiger, Mascherano, por exemplo - mas porque há momentos que ficam para a eternidade, hoje damos as honras a Götze.
    Terminou um mês com o melhor futebol do mundo e em breve divulgaremos aqui no Barba Por Fazer aqueles que foram os nossos 23 deste Mundial (destacando o 11 titular), elegendo também no nosso entender o Melhor Jogador, Melhor Guarda-Redes e Melhor Jovem. James Rodríguez acabou por ser o melhor marcador do Mundial, enquanto que Neuer e Messi (a seu tempo vamo-nos pronunciar sobre esta distinção) foram os vencedores para a FIFA de "Luva de Ouro" e "Bola de Ouro". Pogba foi eleito o Melhor Jovem.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Mario Götze (Alemanha)
Outros Destaques: Neuer, Hummels, Lahm, Schweinsteiger; Romero, Garay, Zabaleta, Mascherano

Brasil 0-3 Holanda: Brasil com a praia, Holanda com o bronze

Brasil  0 - 3  Holanda (Van Persie 3', Blind 17', Wijnaldum 90'+1)

    No jogo de atribuição do 3.º e 4.º lugar a Holanda conseguiu despedir-se do Mundial 2014 como merecia e o Brasil não recuperou do trauma, hipotecando as suas aspirações cedo e novamente com erros da defesa e uma total descoordenação táctica. Hoje Scolari voltou a contar com Thiago Silva, colocou Maxwell no 11 titular bem como Ramires, Willian e Jô. Já Van Gaal manteve o seu esquema que marcou a cruzada laranja na competição, destacando-se apenas a titularidade de Jordy Clasie e De Guzmán (o 1.º já era esperado no lugar de De Jong, enquanto que o segundo foi chamado ao onze depois de Sneijder se lesionar no aquecimento). Os jogadores brasileiros queriam dar ao seu povo o último lugar do pódio em jeito de pedido de desculpas, mas a pressão/ trauma provenientes do Mineiraço combinados com a forma de jogar desta Holanda (de difícil encaixe para qualquer equipa, e o Brasil já tinha passado dificuldades com México e Chile, ideias de jogo diferentes mas próximas no papel) colocavam o favoritismo do lado holandês.
    Se contra a Alemanha o Brasil sucumbiu em velocidade-cruzeiro entre os 11' e os 29', desta vez começou tudo bem mais cedo. Praticamente com o jogo a começar Van Persie desmarcou Arjen Robben e o velocista disparou em direcção à baliza, sendo apenas parado por Thiago Silva. A falta do central e capitão brasileiro iniciou-se fora da grande área e terminou mesmo no limite - aceitar-se-ia o livre directo em lugar da grande penalidade que o árbitro argelino assinalou, mas ficou um vermelho por mostrar a T. Silva. Robin van Persie, chamado a converter, rematou certeiro e com 4 golos isolou-se como melhor marcador desta Holanda. O Brasil tentou reagir, com Maxwell interventivo, mas acabou por ser a Holanda a ampliar o resultado. Robben voltou a deixar a sua marca na jogada, De Guzmán cruzou para a pequena área e David Luiz fez um corte para o pior sítio possível, onde estava Daley Blind. O lateral/ ala esquerdo recebeu, amorteceu e rematou para o 2-0. Foi a estreia a marcar do jogador do Ajax - eleito melhor jogador da Eredivisie 2013/ 14 -, indubitavelmente um dos 3 melhores laterais esquerdos deste Mundial, e porventura o melhor. Com o 2-0 aos 17 minutos era inevitável qualquer adepto pensar "outra vez?", mas as coisas acalmaram. De resto, nunca foi fácil para o Brasil (que hoje melhorou relativamente ao jogo com a Alemanha, o que era quase impossível que não acontecesse..) desmontar o meio-campo e a defesa holandesa e a melhor oportunidade da equipa anfitriã na 1.ª parte surgiu num livre de Oscar ao qual ninguém conseguiu chegar para desviar para a baliza.
    Na segunda metade Scolari foi refrescando os seus médios - tirou Luiz Gustavo e Paulinho, colocou Fernandinho e Hernanes - e o primeiro sinal de perigo pertenceu a Ramires. O queniano fez a bola passar a centímetros do poste, mas hoje a baliza não queria nada com os brasileiros. O jogo foi prosseguindo de caso em caso, com bastante trabalho para o senhor argelino, e possíveis grandes penalidades (Blind sobre Oscar, Fernandinho sobre Robben) que não convenceram o árbitro; a descrença brasileira foi sendo cada vez mais acentuada com a passagem dos minutos e o 3-0 surgiu no início do tempo de compensação. Robben deu para Janmaat, que surgia nas suas costas, e o lateral do Feyenoord cruzou para uma finalização de primeira de Wijnaldum - um golo merecido para um jogador que cresceu muito neste Mundial. Van Gaal ainda pôde colocar Vorm (era o único jogador holandês que ainda não tinha jogado no Brasil) e garantiu um 3.º lugar para uma selecção que analisando globalmente merecia estar na final, mas verdade seja dita não conseguiu fazer o suficiente para cantar vitória contra a Argentina.

    A vitória foi incontestável e era à priori bem mais justo a Holanda garantir lugar no pódio do que o Brasil. A Holanda termina o Mundial sem derrotas e Van Gaal (que agora rumará a Old Trafford) foi o melhor seleccionador desta edição da maior prova do futebol mundial. Arjen Robben foi sem margem para dúvidas um dos melhores jogadores deste Mundial (talvez a par de James o jogador com maior impacto individual no jogo da equipa), e outros colegas seus merecem algumas considerações. De Vrij sai bastante valorizado do Brasil, tendo sido inclusive mais regular do que Vlaar (naturalmente ninguém esquecerá a super-exibição contra a Argentina); Wijnaldum que outrora era o típico criativo holandês apenas com impacto no último terço, é agora um jogador todo-o-terreno, muito mais consciente e polivalente; Clasie jogou apenas contra Argentina e Brasil mas chegou para mostrar todo o talento que tem; será difícil para o Ajax segurar Blind depois de tudo o que fez esta temporada, culminando hoje, ele que até seria um alvo interessante para Van Gaal se o United não tivesse garantido já Luke Shaw. Mesmo assim, Blind pode também jogar a médio defensivo e central, mas o holandês que encaixaria melhor em Old Trafford era Kevin Strootman, a grande baixa da Holanda neste Mundial.
    Relativamente ao Brasil, Scolari colocou o lugar à disposição mas os problemas estruturais continuarão. Seria importante o futebol brasileiro procurar estabelecer reformas e projectar o seu futuro, e um seleccionador estrangeiro poderia ser benéfico (embora se fale em Tite, talvez o treinador brasileiro mais "europeu"). É nítido para todos que o Brasil desiludiu - até poderia ter perdido nas meias mas é vergonhoso nos 2 últimos jogos ter 10 golos sofridos. Houve muita coisa errada mas fazemos uma pequena ressalva relativa a David Luiz. O central que rumou ao PSG estava a ser até ao jogo com a Alemanha, um dos 2 melhores centrais deste Mundial - já tinha marcado, assistido, interessando sobretudo a forma como estava a ser jogo após jogo o elemento mais fiável e em melhor plano do eixo defensivo da "canarinha". Para muitos Thiago Silva tornou-se imediatamente um dos melhores centrais do Mundial apenas e só por não ter estado presente no descalabro com a Alemanha, mas hoje foi o primeiro a errar e analisando de forma crua Thiago Silva acaba por fazer neste Mundial 1 jogo decente (Chile) e 1 bom jogo (Colômbia), sendo David Luiz - e podemos afirmar isto porque vimos todos os jogos ao contrário de muita gente que lança alguns palpites sem ter um Mundial inteiro na cabeça - sempre superior ao companheiro. Claro que as 2 últimas exibições de D. Luiz o impedem de figurar num 11 do Mundial, mas não destruam o rapaz (chegou-se ao ponto de o considerar o pior central deste Mundial..). 

    O Mundial termina amanhã e o planeta-futebol aguarda impacientemente o embate entre Alemanha e Argentina. Lionel Messi ou Philipp Lahm, um deles vai erguer o troféu!


Barba Por Fazer do Jogo: 
Arjen Robben (Holanda)
Outros Destaques: Blind, De Vrij, Clasie, Wijnaldum, Van Persie