Previsões Óscares 2018 (Actualizado a 01/10/17)

Que filmes devem ter debaixo de olho? As previsões dos Óscares 2018 estão de volta e trazem Christopher Nolan, Daniel Day-Lewis, Gary Oldman, Saoirse Ronan, Sally Hawkins, Frances McDormand, Willem Dafoe e Sam Rockwell.

Emmys Barba Por Fazer 2017

A 12 de Julho apresentámos os nossos nomeados, diferentes da Academia de Televisão, Artes e Ciências. Estes são os vencedores, num mundo paralelo onde Better Call Saul, Carrie Coon, Aden Young, Michael McKean e Master of None são reconhecidos.

TOP | Melhores Contratações da Liga NOS

Num defeso modesto, praticamente sem Porto, o Sporting foi quem melhor se movimentou. O Benfica perdeu jogadores-chave na defesa e reforçou-se bem.. no ataque.

TOP | Melhores Contratações da Premier League

O Barba Por Fazer ordenou as principais transferências do defeso inglês num campeonato que movimentou 1,6 mil milhões de euros.

Crítica: Dunkirk

Não é o melhor filme de Christopher Nolan, mas é o melhor desde os últimos óscares. Se só puderem ir ao cinema uma vez até ao fim de 2017, escolham a experiência que é ver Dunkirk.

28 de junho de 2015

Crítica: Mad Max - Fury Road

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2016
Realizador: George Miller
Argumento: George Miller, Brendan McCarthy, Nick Lathouris
Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Zoë Kravitz, Riley Keough
Classificação IMDb: 8.1 | Metascore: 90 | RottenTomatoes: 97%
Classificação Barba Por Fazer: 80


Uma injecção de adrenalina.
Podia definir-se assim a nova criação de George Miller, sucesso junto do grande público e da crítica especializada. As aventuras de Max Rockatansky começaram em 1979, tendo prosseguido em 1981 e 1985, nos três casos com Mel Gibson como porta-estandarte do projecto. Passados trinta anos, Mad Max regressa, com mais força e capacidade para reiniciar o franchise. O rejuvenescimento da criação original de George Miller e Byron Kennedy passou pela aposta em Tom Hardy, mas a isso chegaremos no seu devido tempo.
    'Mad' Max Rockatansy (Tom Hardy) encontra-se, como nas ocasiões anteriores, num mundo pós-apocalíptico, numa distopia em tudo o que a caracteriza - o totalitarismo e controlo da sociedade, neste caso por Immortan Joe, o clima de violência e pessimismo, pobreza e ignorância colectiva. Max, num mundo que entrou em colapso depois de uma guerra nuclear, tem por objectivo primário a sua sobrevivência individual, mas vê-se envolvido - depois de capturado pelos war boys e de servir de dador de sangue para Nux - numa fuga orquestrada por Furiosa.
    'Mad Max: Fury Road' é indiscutivelmente um dos filmes graficamente mais apelativos dos últimos anos. É, primeiro que tudo, um regresso a uma identidade em termos de realização que se perdeu um pouco mas que marcou os anos 70 e 80 graças a realizadores pioneiros como George Lucas, Spielberg, Ridley Scott ou mesmo George Miller. Um ADN que todos esperamos ver reflectido na nova geração 'Star Wars', certamente.
    A banda sonora contagiante, obra de Junkie XL, é outro dos factores que reforça esta história de sobrevivência, vingança e solidão, conjugando-se com as cores fortes que nos enchem o olho. A história, essa, é que talvez pudesse ter mais sumo para acompanhar uma viagem excitante e que ganha claramente ao ser vista no Cinema (faz diferença, neste caso), numa perseguição/ fuga em que há poucas curvas e contra-curvas, e muita estrada para seguir em frente, pisando o acelerador com força e enchendo o depósito de gasolina de um modo.. diferente, mas criativo.
    Furiosa, a personagem de Charlize Theron, é de forma indiscutível um dos pontos-chave do filme. Não é a cabeça do projecto mas é a alma do filme, aquela que desencadeia toda a sequência de eventos. Já considerada um símbolo do feminismo - e este Mad Max é inequivocamente a procura de condições de igualdade (de género e não só) e a emancipação estrada fora - Furiosa é aquele tipo de personagem feminina dominante, apelativa a vários níveis: o seu foco, a procura de justiça e de melhores condições, o facto de não ter um braço, o cabelo curto e a beleza da actriz. Uma mixórdia que resulta quase na perfeição, não fosse o olhar demasiado sôfrego correr o risco de se tornar banal ao longo do filme, embora tenha o seu ponto alto num grito para os céus, de joelhos assentes num deserto infinito. E sim, não nos podemos esquecer de acrescentar que Furiosa está a resgatar as 5 mulheres de Immortan Joe - 2 modelos da Victoria Secret, a filha de Lenny Kravitz, a neta de Elvis Presley e uma novata australiana.
    Já sobre Tom Hardy há pouco a dizer. O actor britânico já demonstrou conseguir adaptar-se a diferentes géneros e o seu low profile embora sempre intenso poderá manter o franchise num patamar bem acima do que Mel Gibson fez anteriormente. Sem querer, acabamos por fazer algumas comparações com o universo de 'The Dark Knight Rises', quer por Hardy passar o início do filme com uma máscara que nos transporta para Bane, quer pelo plano final em que a plataforma sobe e os créditos surgem, idêntico ao final do terceiro e último filme da trilogia a cargo de Christopher Nolan.
    Tudo somado, fica a sensação de que falta algo a este 'Mad Max: Fury Road' - entretenimento a mil à hora, e um passo que não se previa na carreira do realizador George Miller, depois de nos últimos anos nos ter dado 'Babe' ou 'Happy Feet'. O próximo 'Mad Max: Wasteland' já está confirmado, e não será difícil preencher o elenco com novos elementos de peso.
    Tendo abordado os protagonistas Max e Furiosa, é impossível e criminoso falar deste 'Mad Max' sem referir a sua melhor personagem - Nux, interpretado por Nicholas Hoult. É o espelho perfeito do que é o filme e a distopia de George Miller, e o melhor é tributá-lo citando-o neste encerro:

Oh, what a day... What a lovely day.

26 de junho de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 24



Filme: Blood Diamond
Actor: Leonardo DiCaprio

por Tiago Moreira

    Olha quem é ele... É o DiCaprio novamente. Julgo que passa despercebido que somos fãs do seu trabalho, certo? Mas de facto é inevitável termos várias personagens suas no nosso top porque todas elas têm um grande peso.
    Hoje temos aqui presente Danny Archer do filme Blood Diamond. Bem recebido pela crítica e bem pontuado no IMDb (8.0) e teve dedo tanto americano como alemão na sua produção.
    Não se trata apenas de uma boa personagem, mas sim de um grande tema revertido para o grande ecrã. Todos nós vivemos confortáveis no nosso mundo calmo e alegre, mas esquecemo-nos que noutros países a realidade é totalmente diferente. Diamante de Sangue dá o exemplo da Serra Leoa que na década de 90 teve uma guerra civil onde as guerrilhas espalhavam o terror perante todos os cidadãos. O grande motivo era político. Movidos pela ganância, queriam que no poder se sentasse alguém que servisse os seus sujos interesses. Um país rico em diamantes onde essas mesmas guerrilhas destruíam famílias para que os homens com maior porte fossem escravizados para achar essas pedras preciosas.
    E é aí que entra Danny Archer. Um ex-mercenário que procura um bilhete que o leve para fora de África. E esse mesmo bilhete está nas mãos de Solomon Vandy (Djimon Hounsou), que ao ser obrigado a trabalhar nos campos de diamante encontrou uma pedra cor-de-rosa extremamente rara e consequentemente valiosa. É na prisão que estas duas personagens se cruzam e Archer fica a saber que Solomon tem essa mesma pedra. Vendo em Solomon um bilhete para sair de África, Archer tenta fazer de tudo para resgatar a pedra. Com uma retórica sempre muito bem afinada e conseguindo quase sempre o que quer, Archer acaba por mostrar o seu lado humano perante Solomon Vandy e Maddy Bowen (Jennifer Connelly) uma jornalista americana. No fundo, acabaria por abdicar dos seus próprios interesses em detrimento de duas pessoas que - no seu entender - mereciam muito mais. Um final forte só ao nível dos melhores filmes.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

Revisão: 'Game of Thrones' (5.ª Temporada)

Criado por
David Benioff e D.B. Weiss

Elenco
Peter Dinklage, Emilia Clarke, Kit Harington, Lena Headey, Nikolaj Coster-Waldau, Stephen Dillane, Maisie Williams, Sophie Turner, Alfie Allen, Aidan Gillen, Conleth Hill, Liam Cunningham.

Canal: HBO

Classificação IMDb: 9.5 | Metascore: 91 | RottenTomatoes: 95%
Classificação Barba Por Fazer: 83


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 
A História: 
    A quarta temporada de Game of Thrones acabou com algum suspense - de resto - como tem sido habitual. No fim ficámos na dúvida que impacto teria Stannis em Castle Black, como iria evoluir o império de Daenerys Targaryen, o que seria de Tyrion após matar o seu pai e tendo como fiel advisor Varys... Estas provavelmente eram as questões mais expectantes a par do que iria acontecer a Bran (que já sabíamos de antemão que não faria parte desta Season 5).
    Porém, o início desta temporada foi bem calmo e só no quarto episódio é que ganhou alguma vida com a incerteza criada em torno da morte ou não de Torgo Nudho e Ser Barristan Selmy. Episódios calmos, mas essenciais para mostrar a evolução de Jon Snow.
    E é por aí mesmo que começamos - pelo Norte. Com os selvagens a perderem a batalha contra todo o exército da Night's Watch e contra Stannis. Stannis Baratheon pretendia com isto aumentar o seu exército com os selvagens, mas a verdade é que Mance Rayder não se ajoelhou e preferiu ser sentenciado à morte do que lutar pelo legítimo rei. É aqui que Jon Snow ganha alguma preponderância perante os selvagens ao dar uma morte piedosa ao rei para lá da muralha. Jon que se tinha tornado Lord Commander of the Night's Watch e os primeiros episódios são praticamente a sua ascensão como personagem. Após os caminhos de Jon e Stannis se cruzarem, o filho bastardo de Ned Stark partiu para lá da muralha com o objectivo de convencer o restante povo selvagem a lutar pelos vivos, enquanto que Stannis Baratheon partiria para Winterfell com o objectivo de tomar o Norte agora pertencente aos Bolton. E é por aí que seguimos. Theon continua irreconhecível nas mãos de Ramsey como Reek, mas agora torna-se ainda mais insuportável a sua existência por se mostrar sempre apático mesmo com Sansa Stark - com quem cresceu - perto de si... e também nas mãos e mente sempre perversa de Ramsey Bolton. Sim... Sansa acabou em casa, mas não da melhor forma. Casou-se com Ramsey Bolton e tornou-se numa das mais recentes jogadas de xadrez de Petyr Baelish.
    Mais a sul, em King's Landing, o caos instala-se quando menos se esperava. Com as recentes mortes de Joffrey e Tywin Lannister é Tommen quem sobe ao trono. No fundo, é Cersei que tem o poder nas mãos já que Tommen não tem o mínimo da autoridade de Joffrey. Ainda assim, a guerra cínica entre Cersei e Margaery chega ao extremo. Ao aparecer um novo "exército" movido pela religião comandado por uma personagem denominada High Sparrow, Cersei acaba por usar isso a seu favor e consegue afastar Loras e Margaery do seu caminho devido aos seus pecados. Era o motivo ideal para que a sua vontade se pudesse concretizar sem que o povo se opusesse. Afinal de contas... São pecados e devem ser punidos. Todavia, esqueceu-se que ela própria também tem os seus pecados e o motivo que a ajudou a subir ao poder, era o mesmo que viria a virar-se contra ela.
    A acção continuou em terras mais sulistas com Jaime e Bronn a partirem de King's Landing com destino a Dorne - com o intuito de resgatar a princesa Myrcella (e filha de Jaime, fruto de incesto com Cersei). Dois contra muitos... era demasiado óbvio que não iria correr bem. Ainda por cima com a sede de vingança que Ellaria Sand tinha para com todos os Lannister's depois de ter visto o seu amado príncipe Oberyn morrer em King's Landing, num combate contra The Mountain.
   É necessário passarmos para a outra margem do Mar Estreito para encontrarmos Arya. Com uma sede de vingança imensa, Arya partiu para Braavos para se tornar aprendiz de Jaqen H'ghar e fiel ao Many-faced God. Para isso, Arya sujeitou-se a um treino específico para se tornar em "ninguém". Teria que se esquecer de quem era para servir o Many-faced God.
    E finalmente chegamos a Meereen. Com Daenerys Targaryen a padecer de uma guerra civil no seu império juntamente com um ataque dos Sons of Harpy. Talvez seja o primeiro pico no gráfico de ascensão de Daenerys, que acabaria por receber das mãos de Jorah Mormont um Lannister - Tyrion. Jorah acabaria por raptar o assassino de Tywin das mãos de Varys para que a única Targaryen viva lhe perdoasse... Porém, nem tudo corre como planeado e os diálogos de Tyrion e Daenerys acabaram por ser dos mais interessantes de toda a série.
    Não foi das temporadas mais empolgantes de Game of Thrones, mas - na nossa opinião - acabou por ter o melhor final de temporada de sempre com os três últimos episódios a serem memoráveis.
    
A Personagem: Jon Snow (Kit Harington).
    Daenerys, Theon, Baelish ou Jaime. Eram estas as nossas apostas à priori para a melhor personagem desta temporada que passou. Contudo, Daenerys sofreu um revés na sua ascensão, Theon não "explodiu" como personagem depois de tudo o que passou, Baelish foi importante para o enredo, mas não assumiu a preponderância esperada no mesmo e Jaime acabou por cair num segmento mais enfadonho da série ao partir para Dorne com Bronn e a cruzar-se com as não deslumbrantes Sand Snakes.
    Coube a Jon Snow ser a surpresa total desta Season. Verdadeiramente fiel aos seus irmãos de Castle Black, Jon Snow liderou as tropas contra os selvagens - ainda na temporada anterior - e venceu a mesma. Para espanto de Ser Alliser Thorne, tornou-se Lord Commander of the Night's Watch com a ajuda de Maester Aemon - o membro mais respeitado em Castle Black. Sempre vimos um Jon Snow muito preso nas suas acções com medo das consequências. O facto de querer agradar a gregos e troianos ao se limitar a não agir, fazia com que os outros olhassem para ele como um homem sem qualquer autoridade. No entanto, foi na batalha de Castle Black - ainda antes de se tornar comandante - que começou a ganhar alguma preponderância perante todos os seus irmãos. O momento da viragem foi quando Snow executou Janos Slynt após este ter desobedecido a uma ordem. Slynt ainda pediu misericórdia, mas Jon cumpriu o seu dever fazendo lembrar o seu honrado pai Eddard Stark logo no primeiro episódio - tudo isto perante o olhar orgulhoso de Stannis Baratheon. Mais tarde tomou a decisão mais difícil de todas: partir para lá da muralha para salvar todos os selvagens da morte e convencendo-os a lutar pelos vivos contra os White Walkers. Alliser obviamente sempre se opôs e com ele a grande maioria dos seus "irmãos". A dúvida gerou-se na cabeça de Snow, mas Maester Aemon desfez todas essas dúvidas com uma das citações mais fortes desta 5ª temporada: «Kill the boy and let the man be born». Jon acaba por partir com Tormund e mais alguns aliados e juntos acabam por cumprir o objectivo ainda que com uma batalha inesperada pelo caminho. Ser Alliser Thorne não esperava que Snow retornasse vivo e muito menos que regressasse com um exército. A ascensão de Jon parecia cada vez mais evidente até que o mesmo sofre uma traição nada esperada.
    Não há melhor personagem desta temporada do que Jon Snow. Teve um impacto gigante na história e os melhores episódios foram feitos à volta da sua personagem. Não só vimos a ascensão que todos esperávamos que acontecesse como também ficou uma grande incógnita quanto à sua personagem.

O Episódio: 10 'Mother's Mercy'.
    Os últimos três episódios foram verdadeiramente épicos. Tivemos alguma dificuldade em escolher o melhor, mas - de facto - o último teve um impacto gigante perante o público. Não só pelo facto de ser o mais emocionante e inesperado, como também por ser o último - o que significa que temos que esperar um ano para saber o que vai acontecer a seguir. Nem os fãs dos livros sabem mais do que aqueles que só acompanham a série.
    O último episódio - Mother's Mercy - acabou por conter algumas surpresas. Algumas boas outras exasperantes. Stannis acabaria por ser refém da sua teimosia e de toda a sua ambição que se sobrepunha a tudo e a todos ao arriscar em travar uma batalha com os Bolton, mesmo em inferioridade numérica. Theon aproveitou essa mesma distracção para finalmente dar um ar da sua graça que tantos de nós esperávamos, mas uma atitude que só saberemos as suas repercussões na próxima temporada. Quem está na mesma situação é Arya. Depois de ter sido submetida a um treino intensivo sob o olhar atendo do Many-faced God, não conseguiu abstrair-se do seu passado e acabou por infringir um código implícito por Jaqen H'ghar, tendo sido castigada por isso mesmo sendo que temos que esperar 1 ano para saber as suas consequências. Em King's Landing, Cersei acabou por fazer parte de uma das cenas mais fortes desta temporada. Ao ter que fazer uma longa caminhada desprovida de roupa, para ser absolvida de todos os seus pecados. Apesar de "ferida", ficou bem claro que não ficou "morta" e avizinha-se uma vingança. Já o seu amado Jaime, acabou por ter um momento inesperado de afecto, mas que duraria pouco tempo. Haverá certamente, uma investida de Jaime na sexta temporada.
    Por fim, os destinos mais inesperados neste episódio 10 foram o de Daenerys e Jon Snow. Enquanto que a Khaleesi acabou numa situação desesperante, Jon Snow acabou traído por quem se esperava e por quem não se esperava assim tanto.

O Futuro: 
    Ponto positivo: a partir de agora George R. R. Martin não participa mais na construção dos argumentos. Portanto, julgamos que podemos contar com um desenrolar do enredo mais interessante e não tão destrutivo como aquele que o escritor nos habituou.
    A nossa teoria vai um pouco de encontro com a maioria dos fãs dos livros de George R. R. Martin. Tentámos juntar todas as peças do puzzle que nos deram e decidimos dar numa de profetas. Mas vamos por partes:
    Cersei e Jaime terão algo em comum - vingança. Cersei por tudo o que passou com a Faith of the Seven e Jaime por ter perdido a sua filha por envenenamento após uma confissão da mesma que o deixou extremamente feliz. Apostamos em Jaime como uma das personagens mais relevantes da próxima temporada, onde travará uma guerra com as Sand Snakes e quiçá contará com a ajuda de Trystane.
    Quanto a Theon, Sansa, Tyrion e Daenerys não temos qualquer palpite. São quatro personagens que acabaram praticamente numa verdadeira incógnita. Com Theon e Sansa a terem uma atitude suicida e Daenerys a reencontrar-se - sozinha - com um exército Dothraki, não nos sobra qualquer palpite para o desenrolar das suas personagens. Já de Tyrion, o pouco que poderemos prever é que tomando a liderança de Meereen na ausência de Daenerys voltaremos a reaver o pequeno líder que encontrámos na Season 4, mas agora a tempo inteiro e sem qualquer restrição (como Joffrey). Varys será importantíssimo e extremamente relevante no que se avizinha.
    Por fim, apresentamos agora a nossa - e a da maioria dos fãs dos livros - grande teoria. E a teoria rebate-se na morte de Jon Snow. Traído pelos seus irmãos de Castle Black por quem foi diversas vezes esfaqueado, Jon viu a sua vida sucumbir numa emboscada encabeçada por Alliser e na qual Olly foi fulcral. Pois bem... No nosso entender, Jon Snow não estará fora das próximas séries e voltará à vida pelas mãos de Melisandre. A sacerdotisa não faz nada por acaso. Mede sempre todos os seus passos. E após verificar que se equivocou com Stannis Baratheon, voltou a Castle Black. Movida pelo seu Lord of the Light, Melisandre busca a reencarnação do Azor Ahai - um herói que derrotará o Great Other - o grande inimigo do Lord of the Light e que representa o Deus da escuridão, frio e morte. Com o decorrer da história de Stannis, Melisandre foi apercebendo-se que se equivocou e desertou quando o sacrifício da princesa Shireen não deu resultado. Nesse momento, juntou todas as peças que o seu Deus lhe tinha dado e que vos fazemos recordar com citações suas:

"It is not the foes who curse you to your face that you must fear, but those who smile when you are looking and sharpen their knives when you turn your back. You would do well to keep your wolf close beside you. Ice, I see, and daggers in the dark. Blood frozen red and hard, and naked steel. It was very cold"

"I pray for a glimpse of Azor Ahai, and R'hllor shows me only snow (Snow)."

"When the red star bleeds and the darkness gathers, Azor Ahai shall be born again amidst smoke and salt to wake dragons out of stone."

    A primeira citação remete-nos a um diálogo entre Melisandre e Snow, em Castle Black, onde a mesma já previa qual seria o seu destino. Ao mesmo tempo que avisava Snow de forma indirecta, anteriormente já tinha afirmado perante Stannis - num momento de introspecção em que olhava as chamas - que rezava por uma pista de Azor Ahai, mas R'hllor só lhe mostrava neve (Snow). E finalmente juntamos a última peça em que Melisandre havia declarado a terceira citação também a Jon. Tudo isto faz com que acreditemos que Jon Snow voltará à vida pelas mãos de Melisandre e que o mesmo tem sangue Targaryen. Significa então que não interpretamos a parte "to wake dragons out of stone" como apenas uma afirmação metafórica. Voltando a fita um pouco atrás, sempre conhecemos Jon Snow como o filho bastardo de Ned Stark. Mas traçando o perfil do honrado Eddard, o facto de ter um filho bastardo é uma contradição à sua personalidade. Com a ajuda de outros opinadores, chegámos à conclusão de que Jon poderá não ser filho de Ned, mas sim seu sobrinho fruto da relação de Lyanna Stark (falecida irmã de Ned) e Rhaegar Targaryen (irmão falecido de Daenerys). Rhaegar, apesar de casado com Elia Martell, teve em Lyanna a sua grande paixão. Uma paixão que acabou por derramar muito sangue, já que o mesmo Rhaegar decidiu raptar a irmã de Ned como uma grande prova de amor segundo a tradição Targaryen. Esta atitude inesperada levou a uma rebelião pelas mãos de Robert Baratheon onde culminou na morte do mad king Aerys II Targaryen e num reinado de Robert. Rhaegar acabaria por falecer num combate com o "pai" de Joffrey, Elia Martell também acabaria brutalmente assassinada pelo The Mountain (o grande motivo de vingança de Oberyn) e Lyanna - alojada em Dorne - morreria pouco tempo depois, mas ainda a tempo de uma visita do seu irmão Ned. Lyanna fez com que o irmão fizesse uma promessa e como honrado que é, Ned cumpriu. Nem nós - acompanhantes da série - nem os fãs dos livros sabem no que consistiu essa promessa. Mas juntando um mais um, deduzimos que Jon é essa mesma promessa. Sendo assim fruto de uma relação entre Lyanna e Rhaegar e não duma relação extra-conjugal de Ned Stark. E para salvar a vida de Jon, Lyanna fez desse o seu último desejo perante Ned. A palavra de Eddard permaneceu até ao fim, mesmo que isso mexesse com o valor sentimental da sua família. Uma atitude que se encaixa mais no perfil do senhor de Winterfell, do que propriamente ter um caso extra-conjugal.
    Para finalizar, tendo Daenerys apenas controlo de Drogon, acreditamos que Viserion e Rhaegal pertencerão a Jon Snow e a Bran Stark. A Jon por ter sangue Targaryen e a Bran por ser um warg, um dos escolhidos pelo corvo de três olhos (o mesmo que acabaria - na Season 4 - por dizer que Bran iria aprender a voar) e também por uma das suas visões consistir num voo sobre King's Landing do ponto de vista de um dragão.

24 de junho de 2015

Garganta Afinada. Top 20 ( nº 107 )

    Um "olá" para todas as pessoas que estão a gozar o Verão e para aquelas que não estão. No fundo, é um "olá" para todos. Uma introdução estúpida, mas que vocês continuam a ler para ver se dá em alguma coisa. Digo-vos já de antemão que isto não vai dar em rigorosamente nada. Mas deixemo-nos de parvoíces e avancemos para mais um Garganta Afinada!
    Então não é que após 15 GA's (se não contarmos com a Edição Especial nº 100) os Linda Martini voltam a ocupar um lugar no nosso top? E logo na segunda posição com o seu novo single "Dez Tostões". Confessamos que já tínhamos bastantes saudades de toda a musicalidade que a banda produz. Do último GA para este mantêm-se os Bear’s Den. Parecem os Snow Patrol em alguns versos, e só precisam que mais gente repare no seu talento. Quem também é repetente é W-Magic que há cerca de um mês levantou um pouco mais o véu do seu álbum com a música "Tornado", que conta com a participação de Diogo Piçarra. Uma junção perfeita. No nosso cantinho português voltamos também a contar com a emergente Isaura, que canta em inglês e estará no Super Bock Super Rock, e ainda uma das vozes que por cá se tem colocado num pedestal nos últimos anos: António Zambujo. O compincha de Miguel Araújo foi quem saiu em altas dos Globos de Ouro da SIC e, embora algumas categorias musicais pudessem ter outros nomeados, a verdade é que a vitória ficou em boas mãos com Zambujo e o “Pica do 7”. E já que tocamos no assunto da ocidental praia Lusitana e do que de bom se faz por cá, enaltecemos a nova rubrica "Confessions" da Mega Hits onde passam por lá artistas nacionais a cantar quer temas seus, quer algumas covers. Tudo isto ao vivo. Um pouco à margem do que se faz na BBC Radio 1, que só enriquece os nossos ouvidos e que demonstra ainda mais o talento que temos em Portugal. Neste GA temos Agir a cantar uma música da autoria do seu pai - Paulo de Carvalho - "Meu Fado, Meu", Richie Campbell a interpretar de forma brilhante um tema não tão conhecido de Bob Marley e ainda Carolina Deslandes a interpretar o seu novo tema "Carousel" em versão acústica com direito a uma perninha da "Cry Me a River" de Justin Timberlake. Três momentos musicais simplesmente magníficos. E aproveitando a vertente acústica, NTS lançou há alguns dias o tema "Ela Quer" que contou com a ajuda de Do.Be! e Vitor Alpha. As músicas dos More Than Most (parecem uma fusão pouco madura de Red com Linkin Park) e dos aqui-pouco-presentes Panic! At The Disco até fazem crer que isto é um Garganta Afinada publicado na nossa adolescência, e há ainda espaço para “Crystals”, uma das músicas do novo álbum dos Of Monsters and Men, que será lançado a 9 de Juho. Dengaz lançou o seu mais recente single "ILWY" que tal como a maioria das músicas do rapper português tem um toque bastante pessoal. Fred e King Kong decidiram fazer um remix da música "Vício" dos 5-30 e a verdade é que esta nova versão se torna mais viciante que a original... Provenientes de concursos televisivos têm lugar neste Top o escocês Steve McCrorie e o britânico Calum Scott. McCrorie foi o vencedor do último The Voice do Reino Unido, e Calum Scott brilhou na sua audição no Britain’s Got Talent. Fez com que Simon Cowell carregasse no botão dourado e originou comentários (exagerados) do jurado, mas esta “Dancing On My Own” poderia muito bem estar a passar na rádio. Para finalizar, e como está quase tudo em modo Verão, deixamo-vos um dos últimos temas de Karetus - Move it Up - para abanar o esqueleto. Mais uma produto nacional que está cada vez mais em crescendo!
   Agora desaparecemos. Muito provavelmente para a praia. Ehehe...




1. Calum Scott - Dancing On My Own
2. Linda Martini - Dez Tostões


23 de junho de 2015

Revisão: 'Orange is the New Black' (3.ª Temporada)

Criado por
Jenji Kohan

Elenco
Taylor Schilling, Uzo Aduba, Kate Mulgrew, Laura Prepon, Nick Sandow, Danielle Brooks, Taryn Manning, Jackie Cruz, Dascha Polanco, Laverne Cox, Ruby Rose

Canal: Netflix

Classificação IMDb: 8.3 | Metascore: 83 | RottenTomatoes: 96%
Classificação Barba Por Fazer: 75


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 
A História: 
    A prisão federal feminina de Litchfield ofereceu-nos mais um binge-watch irresistível, embora esta terceira temporada seja inferior às duas anteriores. Para começar, há boas notícias: Larry (Jason Biggs, actor de 'American Pie') não entra, e Alex Vause regressa para bem perto da protagonista.
    Depois de uma season em que Vee, magnífica interpretação de Lorraine Toussaint, virou Litchfield de pernas para o ar, à terceira a prisão acalma um pouco. A fórmula mantém-se: um humor muito próprio, a valorização das personagens secundárias, e o respeito pela mulher. Porque não há série que saiba melhor o que é ser mulher, mesmo que várias personagens estejam longe de ser respeitadas ao longo do seu percurso. E, já sabemos, que ampla riqueza e diversidade que existe em tons de laranja! Nesta temporada um dos pontos-chave é a privatização de Litchfield, solução encontrada por Caputo para que a prisão não feche - a redução de gastos precipita muita coisa, não só na realidade dos guardas (são contratados elementos novos, mas sem preparação) como na das reclusas (Piper Chapman entra em modo empreendedor..), acabando por surgir a maior das mudanças nos segundos finais da temporada, a aguçar o apetite para 2016. Para além da privatização e do triângulo amoroso de Piper, Alex e da rookie Stella, o foco está essencialmente nas relações familiares e na liberdade espiritual. A fé tem um papel significativo, quer no culto que envolve Norma, Leanne e muitas outras, mas também na conversão de Cindy ao judaísmo (uma brincadeira, inicialmente, mas que nos convence a todos na hora H).
    Como sempre há novidades imprevisíveis como o facto de Crazy Eyes se tornar a E.L. James do universo prisional ou o "clima" entre Red e Healy. Desta vez não há uma antagonista clara - possivelmente a 4.ª temporada tratará disso - e há sim evoluções inesperadas de determinadas personagens. E, principalmente e como sempre, informações adicionais do seu passado.
    Estar abaixo da temporada 1 e 2 não significa que a série assuma agora uma curva descendente. Pelo contrário. Esta temporada sabe sempre a preparação e enriquecimento, para 2016 ser um grande ano para a Netflix e 'Orange is the New Black'. Fé, liberdade, maternidade e família, é isto que irão encontrar na prisão mais cativante da actualidade.
    
A Personagem: Tiffany 'Pennsatucky' Doggett (Taryn Manning).
    Embora cada espectador tenha as suas preferências pessoais, será mais ou menos consensual que Crazy Eyes e Red são as duas personagens mais interessantes da série no seu todo. Foram por isso mesmo dos maiores destaques na temporada de apresentação, enquanto que a segunda etapa do percurso ficou marcada por um íman chamado Vee. Nesta 3.ª temporada há várias personagens-satélite que têm o seu momento - Norma e Daya, com a fé e o binómio infância/ maternidade a desempenharem um papel tão grande desta vez, mas também Caputo ou Soso. A introdução da australiana Ruby Rose é o "achado" da temporada, com a sua Stella aka Justin Bieber aka The Girl with the Teenage-Mutant-Ninja-Turtle Tattoo a animar a relação aborrecida de Piper e Alex Vause, mas apesar da temporada não ser monopolizada por nenhuma Vee, talvez Doggett seja a personagem com a evolução mais interessante. A temporada três visita o passado de 'Pennsatucky' nos episódios 01 e 10, descortinando um passado violado, com experiências sexuais abusivas e no qual a sorte (leia-se Nathan) durou pouco. No presente vemos Doggett menos fanática em termos religiosos, e a sua relação com o agente Coates acaba por marcar a temporada, para o bem e para o mal. O percurso de Doggett começa logo a marcar pontos no primeiro episódio, num diálogo forte com Big Boo, e poucas imagens têm tanto impacto quanto o fecho do episódio 'A Tittin' and a Hairin', um grande plano da personagem de Taryn Manning, incapaz de nos deixar indiferentes.

O Episódio: 13 'Trust No Bitch'.
    Com o formato já adoptado outrora em séries como 'Prison Break' e 'Skins' (no começo da série de Scofield e Burrows havia também, por episódio, os flashbacks de contextualização do passado de cada recluso; enquanto que 'Skins' sempre deu especial destaque por episódio à perspectiva de cada personagem), é inevitável que acabem por ter mais significado os episódios que acrescentam um background mais interessante a cada uma das presidiárias. Nesse sentido, os episódios 06, 10, 11 e 05 acabam por ser dos melhores da temporada. Quem diria que uma visita ao mundo - anterior e actual - de Chang seria um dos pontos altos ou que os espectadores viriam a sofrer com uma lágrima de Doggett. De resto, o episódio 11, dedicado a Joe Caputo, bate certo com a crescente importância da personagem nesta 3.ª temporada, e o final do episódio de Flaca (05) é o exemplo perfeito da interligação inteligente que a escrita de OitNB promove entre o passado de cada reclusa e as vivências em Litchfield.
    No entanto, o episódio que melhor representa a temporada é mesmo a finale. Em 'Trust No Bitch', a frase tatuada por Stella no braço de Piper, voltamos a testemunhar a frieza que Piper Chapman esconde atrás do seu sorriso e inocência habituais. É felizmente um dos episódios mais agitados numa temporada mais leve que as anteriores, mas a cena do lago acaba por ser o remate adequado - o verdadeiro momento de ode à mulher e à liberdade, reforçando temas focados ao longo da temporada como a família e a maternidade, a fé e a religião, e a capacidade de perdoar.

O Futuro: 
    É impossível antecipar a criatividade de Jenji Kohan e da sua equipa de argumentistas. No entanto, depois de uma temporada mais leve, espera-se que em 2016 Litchfield volte a "pegar fogo". E o aumento do nº de reclusas, expresso no fim ao som dos Foreigner, deixa antever a chegada de novas personagens (Judy King?) e criação de mais fracções. A 4.ª Temporada responderá ainda a várias questões: como fica a situação de Stella? O que aconteceu a Alex Vause? Nicky voltará depois de um desaparecimento precoce? Soso junta-se ao clã afro-americano? Que novos dias viverá a relação de Sophia e Gloria? 
    Faltando alegadamente cerca de 8 meses de pena para Piper cumprir, isso equivalerá talvez a mais 2 temporadas, salvo novas circunstâncias que surjam. A 3.ª temporada acaba por ser uma temporada de transição e construção, e nesse sentido exigir-se-á mais acção e momentos de deixar o espectador com o coração na boca na próxima vez que a prisão abrir portas.

22 de junho de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 25



Filme: The Prestige
Actor: Christian Bale

por Miguel Pontares

Estão a prestar atenção? 
Qualquer truque de magia é composto por três partes, ou actos.
    A Prova: o mágico mostra-vos algo comum. Um baralho de cartas, um pássaro ou um homem. Ele mostra-vos este objecto, e talvez vos peça que o inspeccionem para se assegurarem que é real, inalterado, normal. Mas provavelmente não é.
    A Volta: o mágico pega no comum e faz algo extraordinário com ele. Vocês procuram o segredo, mas não o descobrem, porque não estão realmente à procura. Não querem realmente sabê-lo. Querem ser enganados. Mas ninguém bate palmas, porque fazer algo desaparecer não é suficiente, é preciso trazê-lo de volta. É por isso que todos os truques de magia têm um terceiro acto, a parte mais difícil, a que chamamos O Prestígio.

    Se me dessem a oportunidade de ter escrito 3 argumentos da História do Cinema, escolheria sem ter que pensar muito '12 Angry Men', 'Fight Club' e 'The Prestige'. Por diferentes motivos, claro. No 3.º caso, este terceiro passo, pela inteligência com que os irmãos Christopher e Jonathan Nolan souberam adaptar (e melhorar) a obra ficcional de Christopher Priest, fazendo com que cada palavra que é dita se torne valiosa, enchendo-se de significado à posteriori, e transformando o filme em si no verdadeiro número de magia.
    Quem não viu o filme, não leia mais antes de o ver. Porque Alfred Borden, como outras personagens destas 100 - entre os já apresentados, por exemplo Aaron Stampler, Keyser Soze ou Leonard Shelby - perde impacto quando sujeito a spoilers. 'The Prestige' ilude o espectador à medida que a narrativa segue o caminho que Alfred Borden (Christian Bale) e Robert Angier (Hugh Jackman) tomam para se poderem afirmar melhor mágico do que o outro.
    Quando os aprendizes Borden e Angier visitam um mágico chinês, Borden percebe que só o compromisso total e o sacrifício podem conduzir ao truque perfeito. A morte da mulher de Angier, Julia, atiça a rivalidade dos dois, que seguem caminhos diferentes mas igualmente ambiciosos. Borden torna-se "O Professor", contando com o seu ajudante Fallon e casando-se com Sarah, da qual tem uma filha. E Angier, um showman por excelência que assume o nome artístico "O Grande Danton" colabora com Olivia (Scarlett Johansson), Cutter (Michael Caine) e com um duplo seu nos seus espectáculos, mais espampanantes e bem montados, mas aos quais falta a magia pura de Borden.
    Com avanços e recuos no tempo - ou não fosse um filme do dono do tempo Christopher Nolan - tanto Borden como Angier percebem aquilo que têm que fazer para se superiorizarem ao outro. Borden cria o truque perfeito, O Homem Transportado; o que leva Angier a recorrer à ciência e a Tesla para adquirir uma suposta máquina de tele-transporte (ou clonagem) que julga ser o segredo do rival. Pelo meio, Olivia acaba por se apaixonar por Borden, numa altura em que a sua mulher Sarah já se suicidou por ter descoberto a essência do truque do marido.
    "O Verdadeiro Homem Transportado", de Angier, torna-se o grande destaque em Londres, até ao dia em que Borden faz parte da audiência, acabando preso e condenado à morte por matar Angier, trancado e afogado numa caixa cheia de água. A timeline de Nolan não tem nada de confuso, mas a verdadeira magia do realizador, o melhor contador de histórias da actualidade, está em conseguir enganar os espectadores, porque como Cutter nos diz inicialmente e reforça no fim, queremos ser enganados. 'The Prestige' resume-se em última instância à dicotomia Ciência Vs Magia, e é muito melhor interpretar o filme desacreditando as capacidades da máquina de Tesla...
    Sobre Alfred Borden não nos ficam dúvidas. Consciente dos sacrifícios necessários para ser o melhor mágico, ele e Fallon (que é na realidade o seu irmão gémeo, caracterizado) dividem a mesma vida. Um ama Sarah, o outro ama Olivia, e quando um perde dois dedos o outro corta-os também propositadamente. No fim, o que morre enforcado é aquele que ama Olivia, sobrevivendo aquele que tinha uma filha e amava Sarah. A noção de total compromisso, privação e sacrifício em nome de algo maior é o que torna Alfred Borden uma grande personagem, um verdadeiro segredo, sacrificando-se inclusive um dos gémeos para imortalizar uma ilusão que na verdade era uma realidade. Numa 2.ª ou 3.ª visualização do filme é possível distinguir, por várias pistas, que Borden está em cena. 
    Relativamente ao filme em si, que nos obriga a uma concentração e maior processamento de informação característicos dos filmes de Nolan, há quem queira interpretar Fallon como um clone de Alfred depois deste usar a máquina de Tesla. No entanto, o filme e a história ganham um gosto especial se não acreditarmos que a máquina funcione. A duplicação de gatos e chapéus pode ser vista como uma encenação de Tesla, e sabendo o espectador que Angier tem um duplo, a verdade é que a única vez em que vemos de facto a máquina funcionar é quando Angier conta o seu "segredo" a Borden à beira de morrer. Portanto, ou Angier aka Lord Caldow consegue sair por cima, enganando Borden inclusive, ou então a sua máquina funcionou de facto, algo que é a leitura simples e imediata no pós-primeira visualização, e coleccionou homicídios, como nos é feito querer à primeira vista.
    Mas nós queremos ser enganados, e do outro lado há alguem (Borden, Angier, Nolan, Priest) que quer apenas fazer-nos imaginar, pensar, duvidar, acreditar, inspirar.
    De uma maneira ou de outra, o sacrifício é o preço de um bom truque. É isso que nos mostra Alfred Borden, a personagem que é a soma de duas meias vidas. Ele viveu o seu truque, e é por isso que ele está aqui.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

ÚLTIMA HORA: Mitrović certo no Benfica; Jonas e Lima saem

    Ao que nos foi possível apurar, a dupla que se fartou de facturar na temporada transacta vai mesmo abandonar o clube da Luz. Da China surgiram duas propostas irrecusáveis no entender dos dirigentes do Benfica e no dos próprios jogadores - que irão auferir no seu novo clube um montante francamente melhor daquele que tinham actualmente.

    Em contrapartida, as águias conseguiram assegurar o ingresso do internacional sérvio Aleksandar Mitrović, de 20 anos. Apesar de ter alguns clubes europeus - nomeadamente o B. Dortmund - atrás de si, a vontade do avançado possante foi decisiva. Mitrović aconselhou-se com os seus compatriotas e não teve dúvidas quanto ao seu futuro.

    Depois de Taarabt e Carcela, está muito perto de ser consumada a transferência do sérvio, faltando apenas tratar das formalidades normais inerentes a um negócio.

BPF - É quase certo que a táctica que foi tão habituada aos benfiquistas irá mudar. A saída de Lima e Jonas e a aposta em Taarabt é um indício disso mesmo. Deixa de haver o famoso "9,5" e passa a existir um "10" - abrindo vaga a Taarabt, Djuricic e Fariña.
    Mitrović ainda não tem o espírito de sacrifício e inteligência de Lima e provavelmente nunca terá a técnica e classe pura de Jonas. É um avançado de área que se assemelha mais ao jogo de Óscar Cardozo (sendo que o sérvio é bem mais móvel) e uma das maiores promessas sérvias a par de Marković e de Živković (também muito perto do clube da Luz).
    Já a saída da dupla de avançados brasileira é sempre má. Uma química como a que Lima e Jonas têm não se vê todos os dias. E embora Jonas pudesse vir a ter algumas dificuldades em se impor no suposto novo sistema de jogo do Benfica, é sempre um crime vender um jogador com a classe de Jonas e ainda por cima tendo em conta a temporada que realizou.
    Certamente que Rui Vitória contará com mais reforços nomeadamente para as laterais e quiçá para o meio campo (apesar do mesmo estar lotado de qualidade). Também não afastamos a hipótese dos encarnados investirem ainda em mais um jogador com características ofensivas (diferentes das que Mitrović apresenta) para colmatar a saída de Jonas.

20 de junho de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 26



Filme: Raging Bull
Actor: Robert DeNiro

por Miguel Pontares

    Sangue e cabeça quente, um fervilhar de emoções, um homem para quem todo e qualquer momento pedia um ringue, palco para entrar em ebulição.
    Até hoje Robert DeNiro e Martin Scorsese colaboraram por oito ocasiões. Uma ligação que se iniciou nos anos 70 com 'Mean Streets', com 'Casino' (1995) a ser a última cartada. Se neste século a musa do realizador ítalo-americano dá pelo nome de Leonardo DiCaprio, no anterior o sucesso de DeNiro e Scorsese esteve sempre de mãos dadas.
    Nestas 100 Personagens tentámos ao máximo privilegiar criações originais, saídas do imaginário, mas há casos pontuais que não poderiam ficar de fora, mediante o incrível desempenho dos actores, capaz de imortalizar determinadas personalidades no Cinema. Jake LaMotta é um desses casos. A alcunha de touro enraivecido assenta na perfeição a uma força da natureza, um campeão guiado pelo impulso e incapaz de se auto-controlar. Ganhou 83 dos seus 106 combates, mas foi também um exemplo de uma carreira abaixo do potencial. Está longe de ser uma figura reconhecida pela sua incrível nobreza, tendo tido inclusive ligações à máfia, mas é indiscutivelmente - mérito de DeNiro e Scorsese - um marco no Cinema norte-americano.
    'Raging Bull' visita os feitos da carreira de LaMotta, mas explora igual e principalmente a capacidade auto-destrutiva de Jake. Se o seu temperamento incontrolável e instinto violento foram a base do sucesso de luvas calçadas, foi também o que o fez destruir tudo e todos em seu redor. No filme de Scorsese, destaca-se a relação de Jake com o irmão, Joey LaMotta (Joe Pesci), e com a mulher Vikki. A aventura do "touro" define o clássico sonho americano, embora acabando por afastar as bases do seu sucesso, suspeitando de múltiplas infidelidades. Paranóico, aquilo que faz LaMotta brilhar no ringue é também aquilo que mina a sua vida pessoal e afectiva.
    Como em tantos outros, este foi mais um dos papéis no qual Robert DeNiro colocou tudo o que tinha. Valeu-lhe o seu único óscar de Melhor Actor, treinando com o próprio Jake LaMotta até este o considerar pronto para ser um boxer profissional; e engordando nos melhores restaurantes de Paris para filmar LaMotta no pós-carreira, um comediante dono de bares nocturnos. Interessante é também o olho de DeNiro para actores, porque para além de ter sido ele a recomendar a Scorsese o potencial de um jovem menino chamado Leonardo DiCaprio, foi também ele que sugeriu a escolha de Joe Pesci para 'Raging Bull', o actor que dez anos mais tarde "partiu tudo" em 'Goodfellas'. E nestas descobertas em cadeia, foi Pesci que descobriu Cathy Moriarty, a actriz que interpretou Vikki LaMotta.
    É com tristeza que vemos DeNiro já com 71 anos, Pacino com 75, Pesci com 72 e Jack Nicholson com 78. Actores assim deviam durar para sempre, e em memória aos grandes filmes que fizeram com a máfia como tema central, fazia sentido alguém criar um bom conceito para uma nova geração.
    Podemos guardar muita coisa que DeNiro deu ao Cinema, mas um dos seus momentos mais especiais é sem dúvida na pele de Jake LaMotta, numa cela escura, a esmurrar e cabecear desenfreadamente uma parede. Intenso, como a personagem e como vários dos principais papéis do homem que nasceu em Agosto de 1943.
    
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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

17 de junho de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 27



Filme: Requiem for a Dream
Actriz: Ellen Burstyn

por Miguel Pontares

    São diversos os motivos pelos quais tantas personagens têm aqui figurado: um percurso cativante, coerente nuns casos e inesperado noutros, um grafismo singular, um final apropriado e lendário, o impacto no Cinema e a capacidade de nos hipnotizar quando enche o ecrã. Todas estas razões têm contribuído para escolher uma ou outra personagem, nuns casos - Tommy DeVito (28) ou Dr. Sean Maguire (31) por exemplo - algo reforçado pelos magníficos desempenhos dos actores, noutros - os animados, nomeadamente - não tanto. A presença de Sara Goldfarb é, essencialmente, uma tentativa nossa de atribuir alguma justiça a um papel extraordinário da veterana actriz Ellen Burstyn.

    O perturbador mundo da droga foi explorado até hoje em séries como 'The Wire', 'Breaking Bad' ou 'Skins' e em filmes como 'Trainspotting' e 'Cidade de Deus', para além de funcionar como elemento satélite em tantos outros. No entanto, não há visita mais crua e negra ao conceito de vício do que 'Requiem for a Dream' de Darren Aronofsky. 
    Sara Goldfarb é uma viúva solitária, mãe de Harry (Jared Leto), que desenvolve uma obsessão depois de receber um telefonema a dizer que será mais tarde convidada para um programa televisivo. A curva descendente e delirante de Sara leva-a a um regime diário de anfetaminas e calmantes, tendo como simples objectivo recuperar a aparência de outros tempos. O vício de Sara Goldfarb intensifica-se com o passar das estações do ano, passando a alucinar depois de aumentar voluntariamente a dosagem, à medida que o convite formal para ir à Tv não chega.
    O triste e angustiante destino da personagem, que nos preocupa, choca e indispõe em consonância com as restantes personagens do filme, acaba por ter como pano de fundo um hospital psiquiátrico, no qual é alvo de ECT e termina catatónica. Irreconhecível.
    O final miserável, resultante de uma auto-destruição, é aliás transversal aos 4 protagonistas de 'Requiem for a Dream': para além de Sara, o seu filho Harry acaba por amputar um braço, Marion (Jennifer Connelly) participa em orgias em troca de cocaína e também para Tyrone (Marlon Wayans) a vida não é um sonho.
    Por maior respeito que tenha pela Erin Brockovich de Julia Roberts, o papel de Ellen Burstyn, candidata a melhor actriz em 2000, foi doutra liga. Merecia a estatueta, 27 anos depois de vencer o único óscar da sua carreira.

    A acompanhar a actuação da actriz hoje com 82 anos há uma banda sonora inconfundível, e aquele momento em que numa posição fetal fica traduzido o trajecto do filme, o definhar da condição humana. Darren Aronofsky teve o condão de nos mostrar - e Sara Goldfarb é o epíteto do que o filme vale - não só que a vida não é um sonho, mas que muitas pessoas a deixam transformar-se numa prisão espiral, num verdadeiro pesadelo. E é essa a arte deste Requiem: a capacidade de nos agarrar e abanar.
    
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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
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15 de junho de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 28



Filme: Goodfellas
Actor: Joe Pesci

por Nuno Cunha (Escritor Convidado)

    No lote das melhores obras cinematográficas de sempre, é frequente incluirmos 'Goodfellas'. Sobretudo se tivermos um fraquinho por filmes sobre a máfia. 'Goodfellas' marcou a primeira de duas bem-sucedidas colaborações entre o realizador Martin Scorsese e o escritor Nicholas Pilleggi, autor do livro 'Wiseguy', no qual o filme se baseia e corresponsável pelo guião do mesmo. Depois de Goodfellas (1990), também em Casino (1995), decidiram repetir a fórmula mágica: Pilleggi escreve o livro, Scorsese decide adaptá-lo para filme e ambos escrevem o guião.
    Como qualquer verdadeiro fã de filmes sobre a máfia sabe, as conexões entre 'Goodfellas' e a série Os Sopranos (2007) são intermináveis, a começar pelos 24 actores e actrizes que entraram no elenco dos dois projetos! Muitas são, também, as referências a nível de enredo que a série faz ao filme, como por exemplo a cena em que Christopher (Michael Imperioli) dá um tiro no pé de um empregado por este o fazer esperar demasiado tempo para ser atendido, quando 10 anos antes, em 'Goodfellas', foi Spider (Michael Imperioli) quem foi baleado no pé por DeVito, pelo mesmo motivo.
    Num filme que tem Henry Hill (Ray Liotta) como personagem principal e Jimmy Conway (Robert De Niro) como seu mentor no mundo da máfia, é Tommy DeVito, a personagem de Joe Pesci, quem mais sobressai. Na pele de um gangster que tão depressa está a contar uma piada como a disparar sobre alguém, DeVito mostra-se como um italiano com temperamento forte e imprevisível.
    Muito do sucesso de 'Goodfellas' pode ser explicado pela liberdade que Scorsese decidiu dar aos seus actores para improvisarem, tornando as cenas mais genuínas e autênticas. E foi nas cenas de improviso que Joe Pesci mais brilhou e melhor conseguiu representar os bastidores da máfia de Nova Iorque nos anos 50.
    Uma das cenas mais icónicas de 'Goodfellas' acontece quando DeVito decide “apertar” com o jovem Hill durante um jantar. Esta cena, que foi inspirada num episódio da juventude de Joe Pesci, foi parcialmente improvisada. Apesar de não estar escrita no guião, Pesci e Liotta ensaiaram o diálogo antes de entrarem em cena, mas Scorsese insistiu para que o resto dos actores presentes só o ouvissem pela primeira vez durante as gravações, para que as suas reações fossem o mais reais possível.
    Tal como outras personagens do filme, Tommy DeVito foi inspirado num gangster real, de seu nome Thomas DeSimone. Fisicamente, a personagem de Pesci não podia ser mais diferente de DeSimone, já que este último era alto e pesado. Mas isso não serviu de desculpa a Joe Pesci para deixar de protagonizar um dos melhores desempenhos de sempre do cinema, que segundo o verdadeiro Henry Hill, conseguiu retratar 90 a 99% as características de DeSimone.
    Tommy DeVito valeu a Joe Pesci o único Óscar da sua carreira (e o único Óscar de 'Goodfellas'), na categoria de Melhor Actor Secundário. No momento de agradecer, Pesci bateu o recorde do discurso mais rápido de sempre, dizendo apenas “It's my privilege. Thank you”.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

13 de junho de 2015

Arménia 2-3 Portugal: Ronaldo reserva bilhetes para França

Arménia  2 - 3  Portugal (Marcos Pizzelli 14', Mkoyan 72'; Cristiano Ronaldo (pen.) 29' 55' 58')

    Portugal venceu pela primeira vez na sua História na Arménia, com o capitão e "Bola de Ouro" Cristiano Ronaldo a fazer a diferença a favor da nossa Selecção. No último jogo de suspensão do seleccionador Fernando Santos, Vieirinha foi o lateral-direito, Nani manteve a titularidade deixando Quaresma no banco, Bruno Alves fez dupla com Ricardo Carvalho e Fábio Coentrão voltou a actuar no meio-campo. Portugal começou a perder, deu a volta graças a um hat-trick de Ronaldo e, embora a Arménia tenha sido superior em termos técnicos, beneficiando de mais do que um erro de Rui Patrício, a Selecção das Quinas acabou por coleccionar mais 3 pontos, fundamentais rumo ao Euro-2016 em França.
    Na Arménia, Portugal fez uma má primeira parte, contrariamente à equipa da casa. A equipa arménia, alicerçada na visão de jogo e qualidade de Mkhitaryan, jogador do Dortmund, castigou a pôs em sentido a defesa portuguesa, e o golo chegou aos 14 minutos. Marcos Pizzelli assumiu de muito longe um livre directo e disparou para um grande golo. Houve, no entanto, culpas de Rui Patrício, claramente surpreendido pela opção do jogador nascido no Brasil. Na 1.ª parte a presença de Danny em campo foi sempre supérflua, Moutinho e Tiago sofreram com a quantidade de adversários e com as movimentações dos mesmos, e o empate acabou por chegar com alguma sorte - João Moutinho foi derrubado dentro de área, e Cristiano Ronaldo não perdoou na conversão. Para além do 1-1, Portugal deixou apenas outro aviso, com Fábio Coentrão a testar o guarda-redes da Arménia.
    O arranque da 2.ª parte voltou a ter mais Arménia, com Mkhitaryan e Pizzelli novamente em evidência, mas entre os 55 e os 58 minutos Ronaldo achou que Portugal devia ganhar o jogo. O 7 de Portugal pressionou até ao limite e aproveitou um erro da defesa no 1-2 e três minutos depois não pediu licença a ninguém e rematou uma bomba do meio da rua, sem qualquer hipótese nem para aquele guarda-redes, nem para qualquer outro. O 1-3 deixava Portugal com algum conforto, mas Tiago (2.º amarelo) foi expulso aos 61' e deixou Portugal a suar até ao fim. Principalmente porque Mkoyan reduziu para 2-3, numa recarga de um remate de Aras, depois de uma abordagem deficiente de Rui Patrício. Nos minutos finais Portugal reforçou o meio-campo, João Moutinho disse finalmente presente à equipa, Aras Özbiliz foi o mais inconformado dos arménios, mas Portugal segurou 3 pontos determinantes.

    Portugal esteve longe de encantar mas, mais uma vez, ganhou. Com Fernando Santos como seleccionador a equipa ainda nunca deslumbrou nem apresentou uma ideia de jogo capaz de encher o olho, mas depois de Portugal perder 1-0 com a Albânia ainda sob o comando de Paulo Bento, com o ex-seleccionador da Grécia soma 4 vitórias em 4 jogos oficiais. Com o actual formato de qualificação para o Euro-2016 é quase uma certeza absoluta a presença de Portugal no certame francês.
    Esta tarde até foi a Arménia a apresentar maior qualidade colectiva (Mkhitaryan contagiou os colegas) mas, verdade seja dita, Cristiano Ronaldo decidiu quase sozinho. O cada-vez-mais avançado de Portugal goza de um estatuto especial e o esquema actual protege-o (não defende, embora pudesse pressionar mais, o lance do 2.º golo foi excepção), e hoje iluminou o caminho até terras gaulesas. Vieirinha justificou a continuidade na sua aposta a lateral direito, Ricardo Carvalho vincou que é actualmente o melhor central português, embora tivéssemos colocado José Fonte ao seu lado e não Bruno Alves; e João Moutinho evoluiu na 2.ª parte e ajudou Portugal nos minutos finais, já com William e Adrien perto de si, a congelar o ímpeto adversário. Portugal tem sido eficaz mas precisa de assimilar melhor o modelo de jogo, e Danny pelo que (não) tem feito não merece ser titular. Segue-se agora um amigável contra Itália, no qual Pizzi e André André já poderão contribuir, ao contrário de William Carvalho e Bernardo Silva que seguirão para o Europeu de Sub-21.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Cristiano Ronaldo (Portugal)
Outros Destaques: Mkhitaryan, Marcos Pizzelli; Vieirinha, R. Carvalho, João Moutinho

3 de junho de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 29



Filme: Raiders of the Lost Ark
Actor: Harrison Ford

por Miguel Pontares

    É praticamente criminoso, em qualquer tentativa de encontrar o conjunto das melhores personagens de sempre do Cinema, não constar Indiana Jones.
    Harrison Ford, actualmente com 72 anos, nunca ganhou um óscar e foi nomeado somente para 1, mas poucos actores conseguiram até hoje atravessar um período tão fértil em termos de projectos marcantes como Ford. Nos anos 70 e 80, Ford destacou-se como Han Solo em 'Star Wars', aceitou ser a estrela da dupla Lucas/ Spielberg como Indy, e ainda foi Rick Deckard em 'Blade Runner'. As 3 personagens têm uma abordagem semelhante, sempre com o humor confiante e arrogante (no bom sentido) do actor, e conseguindo em cada acção ser ainda mais cool do que na anterior. Precisamente por não haver assim tanto a afastar Han Solo de Indiana Jones - tirando a amizade do primeiro com o peludo Chewbacca - optámos por colocar aqui a personagem de Ford que mais marcou o Cinema, talvez por partir de um conceito mais original. George Lucas, o realizador de 'Star Wars', criou Indiana Jones (inicialmente Indiana Smith, até Spielberg sugerir a mudança) e acertou em cheio: um professor de Arqueologia que tem uma vida dupla, assumindo-se nas horas vagas como um aventureiro que procura descobrir tesouros e impedi-los de caírem nas mãos erradas. Tinha tudo para resultar. E resultou.
    É mais ou menos unânime que, entre os quatro filmes do homem que não se separa do seu chapéu, do revólver e do chicote, 'Raiders of the Lost Ark' e 'Indiana Jones and the Last Crusade' são os dois melhores, curiosamente ambos marcados pela oposição nazi; e o último (2008) é algo que era preferível não ter acontecido. Inevitavelmente, o 1.º contacto com Jones é o mais marcante. É em Raiders que o vemos acompanhado por Marion e Sallah, tendo a Arca da Aliança como objectivo. É nesse filme que Ford improvisa uma das cenas que se tornou célebre - numa praça, surge um egípcio com uma espada, e embora estivesse planeado haver uma longa luta entre ele e Indiana Jones, o actor não tinha energia por estar com uma intoxicação alimentar e mudou o guião, sacando do revólver, matando o oponente num instante e seguindo em frente.
    Indiana Jones esteve para ser interpretado por Tom Selleck (Três Homens e um Bebé) porque George Lucas não queria que Ford se tornasse para ele o que De Niro era na altura para Scorsese, mas por insistência do realizador Spielberg acabou mesmo por ser Ford o escolhido. A árvore genealógica de Indy também é curiosa: é filho do actor Sean Connery, pai de Shia LaBeouf e a versão jovem de Henry Walton "Indiana" Jones, Jr. ficou a cargo de River Phoenix, o irmão mais velho de Joaquin Phoenix, que morreu de overdose com apenas 23 anos e toda uma carreira pela frente.
    É difícil encontrar personagem mais interessante - desde a concepção até à forma como Ford o veste - em filmes de Aventura e Acção. Nos anos 80 muita gente ficou fascinada e tentada a abraçar a Arqueologia. Julgo que isso diz bastante sobre a influência cultural e social do homem que não temia nada, excepto cobras.


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

1 de junho de 2015

Convocatória para o Euro Sub-21 anunciada

  Selecção (Sub-21) - Rui Jorge convocou 25 jogadores numa primeira lista para o Europeu da categoria de Sub-21, que tem início a 17 de Junho, com Portugal a fazer a sua estreia no dia seguinte diante da Inglaterra. A lista final para o República Checa 2015 será divulgada a 7 de Junho.

Convocatória:

Guarda-redes: José Sá (Marítimo), Bruno Varela (Benfica), Daniel Fernandes (Osnabrück)

Defesas: João Cancelo (Valência), Ricardo Esgaio (Académica), Paulo Oliveira (Sporting), Frederico Venâncio (Vit. Setúbal), Tiago Ilori (Bordéus), Tobias Figueiredo (Sporting), Raphaël Guerreiro (Lorient)

Médios: William Carvalho (Sporting), Rúben Neves (Porto), Sérgio Oliveira (Porto), Rúben Pinto (Paços Ferreira), João Mário (Sporting), Tozé (Estoril), Bruno Fernandes (Udinese), Bernardo Silva (Mónaco), Rafa (Braga)

Extremos/ Avançados: Ivan Cavaleiro (Deportivo), Carlos Mané (Sporting), Iuri Medeiros (Arouca), Ricardo Pereira (Porto), Ricardo Horta (Málaga), Gonçalo Paciência (Porto)

    BPF - Dá gosto ver a constituição desta Selecção. Sem margem para discussão, uma das melhores gerações de sempre. Houve o bom senso por parte de Rui Jorge e Fernando Santos em considerarem que elementos como William Carvalho, Bernardo Silva, João Mário e Raphaël Guerreiro - cada vez mais são presenças regulares na Selecção principal - seriam mais-valias para este grupo, e André Gomes talvez também aqui estivesse se não se tivesse lesionado.
    A grande surpresa da convocatória é mesmo a ausência de Bruma, que já provocou imediata reacção do seu empresário Cátio Baldé. Se é certo que Bruma foi uma das figuras no Mundial sub-20 de 2013, no qual Portugal foi eliminado nos oitavos pelo Gana mas Bruma foi mesmo assim o 2.º melhor marcador, também é certo que desde aí para cá o extremo formado no Sporting fez uma série de más escolhas, tendo tido também azar com a sua lesão. A fantasia que Bruma acrescenta teria sempre lugar, mas Rui Jorge terá preferido jogadores cujo comportamento é mais fácil de prever como Cavaleiro, Ricardo Pereira e Horta, apostando ainda em jogadores que se destacaram por cá como Iuri e Mané.
    Nesta geração há apenas 1 verdadeiro ponta-de-lança, Gonçalo Paciência, a recuperar de lesão, podendo Portugal vir a jogar com uma frente mais móvel, com Ivan Cavaleiro como elemento mais central. Havendo ainda que retirar 2 jogadores a esta lista, talvez Bruno Fernandes (embora de forma injusta tem sido poucas vezes chamado) e Rúben Pinto corram risco de ficar de fora.

    Portugal defrontará Inglaterra (ficaram alguns de fora mas mesmo assim surgem nomes como Kane, Berahino, Ings, Redmond e Ward-Prowse), Itália e Suécia na fase de grupos. Os nossos jovens têm tarefa complicada mas temos boas razões para ter esperança. Basta imaginarmos um onze com José Sá, Cancelo, Paulo Oliveira, Ilori, Guerreiro, William, Rúben Neves, João Mário, Bernardo, Rafa ou Mané e Cavaleiro. Mas Rui Jorge têm muitas e boas opções para tomar, várias e boas dores de cabeça.