Óscares Barba Por Fazer 2019

A Academia tem a sua opinião, nós temos a nossa. Na 8ª edição dos Óscares Barba Por Fazer, fazemos justiça em relação a The Favourite, Shoplifters, You Were Never Really Here, Burning ou Blindspotting.

As Melhores Séries de 2018

O melhor que se fez em televisão em 2018. Atlanta, Better Call Saul, Daredevil, BoJack Horseman, e que mais?

Os Melhores Episódios de 2018

2018 é o elogio fúnebre de um cavalo, é Jimmy a virar Saul, é uma ilha em Itália e as lágrimas que correm nos rostos de Emma Stone e Yvonne Strahovski. É uma linha de Shakespeare por Bill Hader, um I Beat You de Daredevil e é, claro, Teddy Perkins.

Balanço Liga NOS 18/ 19

Passamos em análise o favoritismo do Porto, o potencial do Benfica entregue a Bruno Lage, e os extraordinários trabalhos de Silas e Ivo Vieira ao comando de Belenenses e Moreirense.

100 Jogadores que podem marcar 2019

No nosso Top do novo ano, há 6 portugueses, os centrais e o médio da moda (De Ligt, Militão e De Jong), Mbappé, Salah, Kane e Van Dijk, tudo isto num ano que deve voltar a ser Leo Messi vs Cristiano Ronaldo.

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30 de setembro de 2013

Breve Olhar sobre as Autárquicas 2013: Isaltino e os outros

Portugal é o país no qual em noite eleitoral a Casa dos Segredos 4 supera o share das edições de noite eleitoral nos restantes principais canais da grelha televisiva nacional. Só isto chegaria para se perceber o povo português, embora normalmente as Autárquicas sejam menos badaladas do que as Legislativas ou as Presidenciais. Felizmente ainda não chegámos à altura em que a abstenção de voto é inferior à abstenção de ver o main event da TVI.

    Em linhas gerais vimos o PS a conseguir quase metade das principais câmaras, o PSD teve um péssimo resultado (pior de sempre) mas embora essa derrota seja um ligeiro recado ao governo não há uma transposição 100% linear das mesas de voto nestas autárquicas para as próximas legislativas. Assistimos sim a um fortalecer da CDU (capitalização no Alentejo) e uma boa notícia: as vitórias independentes.
    Enquanto demasiada gente preferia ver o irmão gémeo do Marco a entrar na Venda do Pinheiro, ficávamos a saber que o António Costa limpou Seara e concorrência, deixando Lisboa inequivocamente sua. O socialista de origem goesa deixou um recado a Seguro, parecendo Costa nesta altura a figura mais forte no seio do seu partido. Poder-se-ia dizer que não só Costa derrotou Seara como Judite Sousa também o derrotou, tal foi o "barulho" que conseguiu fazer nas revistas sobre o divórcio, prejudicando claramente o candidato ex-Sintra.
    Nos 5 maiores municípios (Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Cascais e Sintra) o PSD tinha até ontem quatro. Após o dia de ontem, ficou apenas com Cascais, perdendo directamente para o PS (Eduardo Vítor Rodrigues) a câmara de V.N. de Gaia, na tal câmara onde Manuel Almeida queria que os ninjas tomassem o poder. O Porto foi mesmo o destaque maior da noite eleitoral de ontem ao assistirmos à vitória do independente Rui Moreira (homem de raciocínio lógico, ideias e intelecto interessantes), deixando Luís Filipe Meneses em 3.º lugar.
    Em Cascais, Carreiras (PSD) manteve-se, deixando Nuno Duarte - o Jel dos "Homens da Luta" - apenas com 1,37% (901 votos).

    A derrota do Bloco de Esquerda em todo o país é um sinal que o partido está de facto a regredir desde que Francisco Louçã abandonou o leme. A força independente foi sem dúvida uma das boas coisas a retirar destas eleições. Sem a máquina partidária, vários foram os casos independentes (Rui Moreira o principal, à cabeça, embora apoiado pelo CDS-PP) com bons resultados, num claro atestado de desconfiança e cansaço para com os partidos e o que estes representam. José Sócrates, a comentar live na RTP reiterou que era sempre favorável aos partidos contra os independentes. Não deixa de ser "engraçado" o país escutar e ainda dar a Sócrates a oportunidade de opinar, depois de tudo o que se passou.

    Mas o mais "engraçado" destas eleições foi a vitória de Isaltino em Oeiras, sem ser sequer candidato (no papel). Na sede de campanha ("Isaltino Oeiras Mais à Frente") de Paulo Vistas ouvíamos ontem os gritos efervescentes "ISALTINO! ISALTINO! ISALTINO!" gritavam os que votavam no testa de ferro de Isaltino, que nem teve, coitado, a oportunidade de sentir a sua vitória como sua. Houve quem vestisse ainda mais a camisola da corrupção e preferisse ir festejar a vitória do Isaltino para a porta da prisão... A sociedade deve-se reger por determinados princípios e a população não pode exigir integridade aos que a conduzem, se não a tiverem eles mesmos ou pior, se eles passarem um atestado de confiança a um presidiário. Logicamente percebe-se o ponto de partida destes votos - "Ele é corrupto, mas ao menos faz algo por nós, melhora Oeiras, é um Robin Hood". Pois bem, o Isaltino 'Robin Hood' Morais é o espelho de que algo está mal por estas bandas. Desculpem-me adeptos portistas, mas é como os vossos festejos após o penalty inexistente do Luís Rocha sobre o Quintero. E assim Oeiras disse a Isaltino "rouba, que nós vamos estar sempre aqui para ti e por ti".

Já agora, sabemos que Isaltino Morais festejou a sua vitória atirando jornais a arder pela janela da prisão. E pronto, acabamos este breve olhar sobre as Autárquicas 2013 com isto: http://isaltinoaindaestapreso.info/

24 de setembro de 2013

Crónica: Manuel Almeida Parte II - A Formação de Ninjas

- Começo por dizer que no final deste artigo vou fazer um elogio e um pedido desculpas ao Manuel Almeida. No entanto, até lá permitam-me satirizar sem maldade e produzir conteúdo com o intuito de soltar entre 1 a 4 gargalhadas em cada pessoa.


    Na última vez que falei sobre o Manuel Almeida (ver Aqui), candidato do PTP à Câmara de Vila Nova de Gaia, explorei única e exclusivamente a sua apresentação de candidatura. Um vídeo no qual Manuel Almeida dizia ser a voz do maltrato aos idosos, prometendo defender a discriminação dos pobres e garantindo não especular com mentes malignas. Entre outras coisas. Entretanto, o senhor Manuel Almeida já marcou presença em 3 debates (nos dias 2, 9 e 16 de Setembro) com os restantes candidatos. Não é 100% fácil resumir todas as ideias destas horas de testemunhos históricos, mas vou então iniciar a minha tentativa.

    Ficámos a saber porque é que Manuel Almeida tem dificuldades em expressar-se em bom português. Para além de "por não ser professor de português", deve-se ao facto do Manuel ter passado vários anos em Inglaterra e, assim, "para assimilar algumas palavras, quando há coisas que me chamam ou tocam, bloqueio". Concluímos que tudo toca ou chama Manuel, o ninja sensível. Manuel admite ainda o seu erro relativo à palavra "especular", dizendo no entanto que os ignorantes são aqueles que o andam a difamar. Não acho Manuel um ignorante, como lá abaixo direi. Percebemos que Manuel é claramente bilingue quando o ouvimos dizer que, várias vezes durante os anos nos quais viveu fora foi dizendo "Portugal ano a ano... been down". Não é claro que Manuel diga "been down" podendo estar perfeitamente a dizer bidão. (minuto 41:45). Ah, e brinda-nos com a brilhante lógica: "o idoso para mim é aquele que foi criança, adolescente e adulto". Não é só para ti, Manuel.
    Apercebemo-nos ainda de mais alguns momentos em que o Manuel é chamado ou tocado e bloqueia quando tenta dizer privatização mas diz privaticidade (corrigido depois pela moderadora Delfina Rocha - com uma postura profissional impecável, claramente aguentaria sem rir uma sessão de 40 horas dos Gato Fedorento ou de cócegas nos pés), ou quando procura escolher entre duas coisas pondo-as "em comparência". Não, ele não procura que elas estejam presentes, comparência era para ser comparação.

    Mas tudo é melhor quando Manuel Almeida admite aquilo que ele é, sem margem para discórdias. "Está aqui aquilo que eu sou - sou ninja!" (mostrando o braço e a sua tatuagem, minuto 05:05) diz ele, admitindo no debate com Jorge Sarabando (candidato da CDU) e Manuel Vieira Machado (independente) que acha que "até nas grandes vivendas" há gente má. O quê Manuel? Até nas grandes vivendas?! Não... não pode ser. Se me dissesses que há maldade ao pé do poço ou ao virar da esquina da aldeia ainda aceitava, agora ao pé das grandes vivendas...
    No meio de tantas outras coisas, como o momento em que invoca novamente a Máquina da Verdade (e desta vez percebemos que se refere mesmo ao detector de mentiras ou polígrafo) embora de facto ele tenha arranjado um nome que fica muito mais no ouvido - bom markteer Manuel -, Manuel acaba ainda por lançar várias acusações interessantes a Luís Filipe Meneses, à política no geral e à justiça. Aconselhando no último caso a extrema medida de espancar um juíz (11:01) para que a partir daí os juízes façam realmente justiça. Extremo e maligno Manuel, interessante como a forma prejudica muitas vezes o teu conteúdo genuíno e razoável. Há ainda o momento em que Manuel se exalta perante violações a não-virgens, o que não vou pegar - porque não é coisa para se gozar - embora estranhe o porquê da especificação/ maior horror relativo ao facto de serem não-virgens, afastando as virgens como se tivessem bicho. Pelo meio de tudo isto há o momento em que Noray Manuel Almeida (que canta muito Modern Talking normalmente) canta no meio de um debate Venha de cá senhor burugês, que lindo fado corte inglês / Mas que tão atarefado dize-o tanto e o comprou / Mas você mesmo sacana você nunca trabalhou. Não sei donde é que isto veio, mas foi muita bem, Manel. Hás-de me mandar as lyrics porque eu transcrevi só o que ouvi, até com aquele "dize-o" pelo meio (música ao minuto 43:40).

    O momento alto de todos os debates é, no entanto, aquilo que coloquei lá em cima. Manuel Almeida, quando confrontado sobre a capacidade que as forças policiais têm ou não de reunir sinergias em prol da segurança de V.N. de Gaia, responde com uma solução curiosa. "Eu, ganhando as eleições, como presidente da Câmara irei trabalhar e formar ninjas preparados para ajudar a Polícia Municipal a tomar conta de Vila Nova de Gaia". Boas notícias Ninja Hattori. Saltando montanhas, atravessando vales, poderás ter emprego no município de Gaia. Perigoso é no entanto quando o Manel diz que "toda a gente que ande a roubar, é julgada na hora". Ninja Hattori, apelo ao teu bom senso, e espero que não tenhas que usar a espada e decapitar gaienses ladrões em nome da justiça de Noray Almeida. Porque é que eu digo isto... por causa do vídeo abaixo, no qual se vê o Noray a ensinar os seus discípulos (os tais que defenderão Gaia, preparados e formados que nem as tartarugas e o seu mestre Splinter) como cortar uma melancia com uma espada, melancia essa em cima da pança de um homem.


    O vídeo chama-se "corte of melanci real", o que atesta que o Manuel viveu de facto vários anos em Inglaterra e é totalmente bilingue. O problema é a palavra melanci que fica no limbo entre Portugal e Inglaterra. Pessoalmente acho que é o nome da spice girl Melanie C dito muito rápido (Melanie C, Melanie C, melanci, melanci...). Boa escolha musical, com a música dos Drowning Pool.

Elogio e pedido de desculpas ao Manuel Almeida: Num dos debates, Manuel que acaba até por dizer que sabe que é "um bocado cómico" e que portanto vai trabalhar isso, diz: "eu sou real, eu sou assim". E a verdade é que o Manuel, embora seja uma personagem, vai apontando em várias direcções certas. Desde quando ataca a quantidade de fundos gastos pelas maiores máquinas partidárias (enquanto ele anda a afixar cartazes sozinho porque o partido o abandonou) em propaganda exclusivamente para conquistar o "poleiro", até às várias acções de lobbying e jogos de poder que põe em cheque, sem lhe chamar lobbying, demonstrando sempre humildade e sobretudo defendendo que os políticos devem de facto "ir para o terreno e não ficar a ver a novela", o que é verdade. Embora o Sol de Inverno tenha agora a Victória Guerra e ela até é gira. Acabando por disparar também contra o anterior presidente de Câmara - Luís Filipe Meneses, agora a caminho do Porto - até à Alemanha no seu domínio da Europa, o Manuel não é um político e isso é bom. Por isso Manuel, ao ver-te durante horas em todos os teus debates para poder ter material humorístico, defendo-te aqui no final de tudo isto de todos os que te chamaram ignorante, não és parvo, mais uma vez digo que o teu conteúdo por vezes é disparatado mas muitas vezes tem alguma razão de ser, embora a forma (diferente da estruturação de ideias do candidato Guilherme Aguiar, por exemplo) seja sempre errada. E hoje felizmente não preciso de uma espada para te defender, até porque deixei-a com um daqueles gajos que fazem aquele barulho estranho nas ruas, um amolador.

                    Miguel Pontares

3 de setembro de 2013

Crónica: Manuel Almeida, candidato a V.N. de Gaia, e as mentes malignas

Da última vez, para quem leu, pude falar-vos de pessoas que urinavam artisticamente para cima de um pano coberto com folhas A4 de políticos e dinheiro. Pois bem, hoje não vou conseguir bater isso. No entanto, o discurso que poderão assistir agora (caso ainda não tenham visto) é basicamente idêntico a um candidato urinar para cima dele próprio durante toda a apresentação de candidatura. Talvez pior. Vejam que eu já volto ali mais abaixo.


    E cá estou eu. Manuel Almeida, candidato à Câmara de Vila Nova de Gaia pelo PTP nestas Autárquicas 2013: é dele que vos falo hoje. Manuel José de Jesus Almeida foi, como podem ter visto, o "candidato abandonado" pela comunicação social nestas Autárquicas. A Agência Lusa, a RTP1 e o Porto Canal, todos eles sabiam, eles sabiam perfeitamente que ele ia apresentar a candidatura dele naquele dia e mesmo assim, maus como as cobras, não compareceram. Vamos perceber porquê:
    - A ausência de órgãos capazes de cobrir o evento não foi a única. A coisa começa logo mal para o Manuel quando admite, desiludido, que alguns elementos da Lista também não compareceram, concluindo que os escolheu mal ou melhor, escolheu mal a sua "equipe". Neste raciocínio de Manuel não surge a hipótese da escolha errada ter sido deles ao escolherem integrar a lista dele..
    - E então, naquela mesa digna de uma Última Ceia quem é que nós vemos? O Manuel, com tanta gente a faltar vá lá que ele apareceu, a sua filha e... o Horácio. Porque toda a gente sabe quem é o Horácio e ele não precisa de apresentações ou contextualizações. Mas ainda há mais 3 elementos: um amigo de confiança, o genro.. e o neto, do qual não sabemos o nome, apenas sabemos que é um "carequinha lindo".

    E é então que o Manuel decide dizer quais são as suas perspectivas de candidatura. Podíamos pensar à partida que ele ia procurar incrementar os índices de emprego locais, conversa de político... Mas não, o Manuel tem objectivos muito ambiciosos e precisos:
    - "Defender a discriminação entre os pobres". Interpretado literalmente isto nem é descriminarmos os pobres, esta medida consiste em promover que os pobres se achincalhem entre si, uma espécie de "Tu és mais pobre que eu, tu és pobre infinitos".
    - "Eu sou a bóz desse maltrato". Qual maltrato? O maltrato dos idosos. O Manuel indigna-se com a forma como os idosos são tratados nos lares (e tem toda a razão) mas então acha que ele deve ser a voz, ou mais concretamente, a "bóz" desse maltrato. Maligno Manuel, muito maligno.

    De resto, importa retirar algumas conclusões. O Horácio queria claramente que a apresentação da candidatura não fosse naquele dia, mas o Manuel foi taxativo porque afinal de contas ele "confia na vitória" ao serviço do Partido Trabalhista Português. Se calhar devias ter ouvido o Horácio... Ah, e afinal o que faz o Manuel na vida? Percebemos por aqui que o Manuel emigrou, tirou o curso de polícia e dá aulas de artes marciais. O que eu vou dizer agora é verdade: costuma ser conhecido como o "ninja" entre os seus e no seu facebok o seu nickname é Noray. Mas torna-se intrigante quando ouvimos o Manel, acho que já o posso tratar de forma mais pessoal, dizer "dou aulas de artes marciais, na medicina". Portanto ele entra, todo ninja, pelo hospital adentro ou por clínicas deste país e ensina golpes e cenas.
    Depois percebemos que não. Ele, na medicina, "não especula com falcatruas e indivíduos que fazem do ser humano um palhaço". Vamos guardar o especular para a seguir.
    Pena que ele tenha anulado o debate que tinha na RTP1 no dia 18, porque acho que muita gente gostava de voltar a vê-lo. Numa altura em que o Ricardo Araújo Pereira não tem explorado as suas personagens de São Jorge da Morrunhanha, faz-nos falta disto. O Manel ainda nos brinda com a sua veemência a dizer que não vai dar entrevistas e que se os jornalistas as quiserem que vão "para a praia, para a piscina, para a China". Uma coisa é certa: a notoriedade do "matarruano" Manel já disparou nestes últimos dias.

Especular (in Dicionário Priberum) - estudar, observar com atenção. Meditar, contemplar.

    Ouvimos o Manel dizer que "não especula com a descriminação", "não especula com falcatruas" e por fim, na sua brilhante frase final da apresentação (aquela que ele praticou ao espelho, como no Sims) "não vai especular com mentes malignas". E o que é isso Manel? O Manel não vai estudar ou observar com atenção mentes malignas ou o Manel não vai meditar com/ contemplar mentes malignas? Eu por acaso não gosto nada de observar mentes malignas, causa-me sempre náuseas.
    Por fim, um obrigado da minha parte ao Teixeira, amigo do Manel, que tornou este momento possível ao filmá-lo. Ah, e Manuel Almeida, um dia havemos de ir os dois à Máquina da Verdade. Se ela existir...

                    Miguel Pontares







22 de março de 2013

Sócrates - o reforço do ano da RTP


Numa altura em que se fala da ida de Ricky van Wolfswinkel do Sporting para o Norwich no próximo verão, o grande reforço não é esse. O José voltou. Todos tínhamos saudades do José.

    Falo de Sócrates, ou melhor do Sócrates, porque a personagem em questão motiva em mim o à vontade para isso. Não faz sentido a ninguém tratar por você um ladrão: “Dá-me todo o teu dinheiro!”, “Terei que rejeitar a sua proposta”. 
    Com Sócrates o que se passou foi mais ou menos isso, só que ninguém teve a hipótese de rejeitar fosse o que fosse, e o ladrão não apontou uma arma ou ameaçou, optou antes por fazer um cafunézinho enquanto metia a mão no bolso pela surra. 

    O homem sexy platina para o Correio da Manhã, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, fartou-se da sua Filosofia em Paris. Insatisfeito com o facto de apenas ter um tacho na indústria farmacêutica (enquanto Presidente do Concelho Consultivo da Octapharma para a América Latina), Sócrates quis mais. Imagino assim a conversa entre o ex-primeiro ministro e o director de Informação da RTP, Paulo Ferreira.

José Sócrates - Paulo, estou maçado com a vida que tenho levado este semestre. Não tenho muitos amigos aqui e ainda por cima a morte do meu amigo Chávez afectou-me. E há uma matéria que me atormenta e causa pesadelos, não me entra na cabeça, não a consigo estudar: a ética.
Paulo Ferreira - Estás farto de Descartes, Locke, Hume e afins?
JS - Sim Paulo, mas ganhei um respeito enorme pelos professores. Apetecia-me leccionar pá!
PF - José, o máximo que te posso fazer é dar-te 25 minutos por semana para comentares política, numa espécie de lição semanal.
JS - Porreiro pá.

    Só há uma forma de tudo isto ter algum juízo funcional. Muitas vezes as empresas responsáveis por criar seguros antivírus informáticos contratam os melhores hackerspara colaborarem com elas. A funcionalidade de ter Sócrates pode ser a de conseguir antecipar más decisões, más políticas e jogadas. Afinal de contas, ele é bom a ser péssimo. Pôr Sócrates a comentar política é como pôr o Vale e Azevedo a comentar presidencialismo desportivo ou Zé Cabra como jurado de um programa de talento musical. Claro que se pode inverter cada frase que o José disser, e aí tem-se um bom comentador.

    Uma das coisas que mais confusão me faz é… as negociações para a contratação de Sócrates terem decorrido desde o início deste ano, considerando que Sócrates não será remunerado pela sua presença no canal público. Ora, então se não se negociou em dinheiro, ou se negociou em géneros ou foi algo do género “Vá lá, vem”, “Não”, “Oh, vá lá, por favor”, “Não”, “Fogo, mas eu estou-te a pedir”. Três meses a negociar algo que não envolve um salário é curioso – ou isto é tudo uma grande treta ou então os e-mails entre o Sócrates e o Director de Informação da RTP foram muito espaçadamente respondidos, entre os arraiais académicos de Sócrates.

    É óbvio que Sócrates na RTP exponenciará as audiências – mesmo que não seja no comentário semanal, será certamente na “grande entrevista em que o antigo primeiro-ministro pretende esclarecer alguns temas a propósito dos seus 6 anos de governação”. Mas é assim a nossa sociedade. Em American PyschoPatrick Bateman (Christian Bale) mata tudo e todos e (numa das 2 possíveis interpretações do filme) pelo seu statusa sociedade escamoteia os seus crimes. Neste caso, não só a sociedade estaria a branquear a (má) influência de Sócrates no rumo do país como ainda o colocaria num púlpito para todos o ouvirmos a comentar decisores posteriores a si que têm nas mãos anos e anos de desgraças (em parte também anteriores a Sócrates) nas mãos. 
    O jantar é coelho, mas a cozinheira que foi cozinhar para França deixou o coelho cheio de moscas e a cheirar a podre. No entanto agora, a cozinheira virá refilar os erros da confecção do prato de coelho. É uma metáfora, apenas e só.

    Pena que não haja reformas, pena que não haja coragem nos mais altos cargos – a coragem de querer realmente dirigir um país e defender que quem gere danosamente as contas de uma nação, que tem que pagar de alguma maneira. Seria irracional pedir ao José que pagasse o que fez a dívida avolumar, mas umas grades à volta dele davam uma ligeira noção de justiça a muita gente e serviam de exemplo. Se um aluno tiver más notas, chumba. Se um treinador tiver maus resultados, é despedido. Se um homem bomba não explodir, perde 18 virgens. E o político?

    Das duas uma, ou a RTP está a montar uma cilada e quer apanhar Sócrates, vindo de França, acorrentá-lo a uma cadeira e julgá-lo em praça pública. Ou então, como disse o cronista do Público, Miguel Gaspar, os portugueses terão que estar munidos de um cesto de tomates podres junto à televisão em cada trecho de 25 minutos semanais. MP

30 de janeiro de 2012

Cavaco e a sua Reforma

Pensavas que escapavas da nossa guilhotina, não era Cavaco? Mas não. Tomei foi a liberdade de te escrever um poema com a minha pena e a minha tinta. Ora aqui vai:

A Reforma do Cavalo Silva

Era uma vez um cavalo, que sabia poupar
Enamorado por Maria, com quem partilhava o Lar.
De calculadora na mão um dia concluiu
Que a reforma menos as despesas dava um enorme vazio.

Mil e trezentos euros mensais da Caixa de Aposentações,
Tomara a tantos nós também poder com notas coçar os c******.
E porque fica feio escrever asneiras em poemas,
Peço desculpa senhor leitor, não volto a entrar nesses esquemas.

Voltando ao cavalo, ele tinha despesas até ao infinito e mais além,
Daí se ter queixado sem olhar a quem.
A verdade é que aos 1300 ainda se somam uns 7000 e tal,
O que faz com que tudo isto seja gozar com Portugal.

Cavalo, cavalo, eu até gosto de ti,
Mas quando te ouço dizer:
“Tudo somado é capaz de não dar para pagar as despesas”
Podes crer que mais vale ouvir cantar o Luís Represas.

O que vale ao Cavalo é que no seu estábulo sempre poupou,
Mas nestas palavras desiludiu quem nele votou.
Vê lá agora se medes as palavras,
Porque neste cantinho ibérico as almas não gostam de se sentir escravas.

MP


 - Cavaco declarou ao Tribunal Constitucional, em Dezembro passado, que os seus rendimentos relativos a 2009 eram de 142 375,70 euros por trabalho dependente (Presidência) e 140 601,81 euros de pensões (Banco de Portugal e Universidade Nova). Abdicando, com as medidas de austeridade, do seu salário enquanto Chefe de Estado em prol da sua reforma. Acabou mesmo por “largar” o seu ordenado que afectado pela austeridade seria de “apenas” 6523€ (com os cortes já feitos) mas para ter a sua reforma (que segundo consta está no valor de 10.000€ mensais) -

Nota 1: assumo-me politicamente de direita e sei ver que as palavras de Cavaco querem dizer várias coisas: estamos perante um homem que sempre soube poupar e que quem poupa consegue viver melhor; estamos perante um homem que nunca teve muito jeito para falar; estamos perante um estado social que não serve para nada, e o próprio presidente assume-o, embora não directamente; Cavaco tem bastantes despesas - manutenção semanal do seu queixo, cirurgia mensal para tentativa de remoção do pedaço de bolo que tem preso na garganta e que o faz ter aquela voz ou o polimento do seu busto (esta expressão presta-se a interpretações nojentas, mas o objectivo era apenas equipará-lo a um monumento... isto ainda foi mais nojento agora).

Nota 2: A expressão “Cavalo Silva” não tem maldade da minha parte. Respeito Cavaco como figura política, reconhecendo que nestas suas palavras esteve infeliz, como Marcelo Rebelo de Sousa bem comentou. A opção pela expressão “Cavalo Silva” deve-se ao facto de ser o modo como a minha namorada lhe chamava quando era pequenina e não sabia dizer bem algumas coisas (Não! Eu não a conheço desde essa altura, que horror! Isso seria demasiado querido e insuportável. É apenas um mito que ela me conta). E tem piada se verbalizarem alto: Cavalo Silva. 

3 de dezembro de 2011

FMI, Contas e a Greve Geral (?) de 24 de Novembro

Politicamente falando, após cortes, cortes e… esperem, cortes, é isso, a troika deu parecer positivo à segunda avaliação do programa de assistência económica e financeira. Portugal terá cumprido as metas quantitativas para Setembro, tanto do défice, como da dívida e dos pagamentos em atraso. Conclusão: alguma coisa está a ser bem feita e temos mais uns tempos (largos) de vida… má.

Continuando com algumas contas importantes, e até porque normalmente estas contas não chegam às pessoas (e aqui ficam intercaladas com sugestões de filmes e de músicas, melhor rodeadas portanto), Portugal vai ter que pagar 34.400 milhões de euros de juros à troika. Vamos rever então uma equação. O total de crédito oferecido a Portugal no âmbito do resgate financeiro é de 78 mil milhões de euros, mas só em juros vamos pagar 34 mil e 400 milhões, ou seja, quase metade. Portanto não admira que a troika ache que estamos a fazer as coisas bem feitas. 
Os anteriores governos conduziram Portugal ao estado actual, metendo dinheiro ao bolso dos “boys”, não sabendo como gerir o estado social (utilizando-o como principal visado em campanhas eleitorais), construindo obras-públicas sem fim e adoptando políticas egoístas, cobardes e criminosas. E agora nós, tal como a Irlanda e Grécia, e futuramente talvez também a Itália de Berlusconi e das suas festas Bunga Bunga, pedimos em tranches dinheiro ao exterior para (numa linguagem simples) comprar 2 maçãs, sabendo já à partida que teremos que dar 1 maçã como juros, enquanto que a nossa economia nos reduz a maçãs podres (a Fitch cortou o rating de Portugal para BB+ - “lixo”) e nunca saberemos se teremos a capacidade de nos próximos 3 anos, e esse é o desafio, produzir e exportar as nossas próprias maçãs. A verdade é uma, nos próximos tempos é garantido que vão faltar muitas maçãs e afins nas mesas dos portugueses. Todas estas metáforas com as maçãs podem soar a parvo, mas traduzem mais ou menos a actualidade económica nacional.

Isto transporta-me para outro caso, que já leva uma semana e pouco, a greve de dia 24 de Novembro. Vou saltar o facto de Portugal poder perder 1250 milhões em verbas comunitárias por paralisar a construção do TGV (porque me parece uma atitude sensata – tantas auto-estradas e tantas obras públicas sem razão de ser já nos guiaram onde estamos e a verdade é que, apesar de ajudar o turismo, não creio que seja uma solução mas sim um acentuar da corda no pescoço). Como é evidente, toda a gente tem o direito de protestar e todos têm uma voz para se fazer ouvir e para mudar o mundo. O que eu me pergunto é se fará sentido, nesta altura, nestas condições, fazer uma greve. A nível de condições de vida, perspectivas de vida, condicionamentos sociais e todo o tipo de austeridade já aplicada e que provavelmente ainda irá aumentar, nunca os portugueses tiveram tantos motivos para se queixar. No entanto, um dia de país quase parado (como se perspectivava, sendo uma greve geral da função pública) seria grave. Grave, e aí não há espaço para discussão, é empresas como a CP, o Metro ou a Carris que, com gigantescos prejuízos, ainda se dão ao luxo de reduzir os seus préstimos, impedindo que pessoas que deles estão dependentes tenham ido trabalhar.
No meio disto tudo, se houve algo “estranho” foi a diferença entre os números avançados pelo Governo e os números avançados pela CGTP. O Governo avançou às 11h30 de 24 de Novembro que a adesão teria sido de 3,6%, actualizando às 18h o número para 10,48%. A UGT falou em 75% de grevistas. Mas afinal de contas o que são 64,52%? É só o Manel e a Antónia, é uma coisinha tão pequenina… Cheira-me que o Governo pôs a fasquia baixa, e a CGTP e UGT a fasquia alta demais. A CGTP fez uma coisa muito bonita que foi congratular-se com a adesão “muito significativa” à greve. Ora, quando é para tomar uma decisão, sair de casa e votar em alguém para guiar o país num momento de dificuldade, o Zé Povinho fica no sofá. Quando é para aderir à greve, não fazer nada, o que é que o Zé Povinho faz? Fica novamente no sofá. Naturalmente há quem vá para a rua protestar (importa distinguir quem vai protestar mesmo e quem vai apenas com o objectivo de arranjar confusão) e naturalmente nem todos os grevistas são de facto grevistas pois muitos são apenas vítimas da greve. 
Não estou aqui para defender o Governo, mas o senhor Carvalho da Silva, com quem não simpatizo particularmente, falou muito inchado “Não temos metro, aviões, os portos não funcionam nem as ligações entre as margens do Tejo” – traduzindo para miúdos: “Heeyy, que bom pessoal! Conseguimos! Portugal parou e não está a conseguir produzir nada num momento de crise. Estamos todos mesmo mal mas não interessa, vamos lá contribuir hoje para ficar ainda pior!”. 
Carvalho da Silva disse que a forte adesão à greve “traduzia uma mensagem política”, mas era óbvio à priori que os portugueses estavam descontentes com a actual situação económico-social do país. Não é preciso fazer uma greve para que o governo perceba que ninguém gosta de perder o 13º mês, os subsídios ou ver o IVA de tudo a subir. Isso é óbvio, é como um clube estar a perder 7-0 e constatar “Bem, parece que estamos a perder” – não é preciso fazer uma greve para isso. No fundo, apesar de concordar com as greves, não posso elogiar, do ponto de vista de marketing, as pessoas que optam por levar uma faixa a dizer “Estamos em greve”. Isso está ligeiramente implícito. Quando eu vou na Avenida da Liberdade e me deparo com 200.000 pessoas, das duas uma, ou estão em greve ou se estiverem todas de vermelho, o Benfica foi campeão (mas aí eu já estaria no seio da multidão). Tanta gente não se junta para ir tomar um café, portanto é igualmente óbvio que estão em greve. Não precisam de o referir numa faixa ou num cartaz. É como eu andar com um post-it no meu braço a dizer “Isto é um braço”.

Greve é a cessação colectiva e voluntária do trabalho realizada por trabalhadores com o propósito de obter benefícios ou para evitar a perda de benefícios. Parece-me portanto óbvio que ninguém esperava obter caviar em tempo de sardinhas em lata, e também me parece difícil que haja sonhadores que achem que há outro caminho para atingir as metas do que a austeridade. Parece que há pessoas que pensam que os responsáveis da troika um dia acordam, reúnem-se e dizem “Epá, Portugal é um país muito bonito! Vamos lá perdoar-lhes a dívida e deixá-los sem preocupações”.

Protestar sim meus amigos, mas com cabeça. E mais uma coisa: a próxima vez que quiserem fazer uma greve, não parem Portugal. Parem a Europa toda. O Governo pode até orientar a televisão mais para a esquerda ou mais para a direita, mas quem tem o comando na mão é o FMI (a metáfora da faca e do queijo na mão já está muito gasta). Neste momento é da Europa que dependemos, e assim será, até (esperemos que aconteça) conseguirmos criar condições para voltarmos a depender de nós próprios. MP

20 de junho de 2011

Os Ministros do Apocalipse

“O relativo desafogo das nossas vidas, entre 2005 e 2010, assentou, em grande parte, na subida do endividamento do Estado (+34 pontos percentuais do PIB) e no endividamento do País (+38 pontos do PIB). Neste período, Portugal pediu emprestados, em termos líquidos, 81 mil milhões de euros, correspondentes, em média, a 44,3 milhões diários e a 1,8 milhões por hora.
(…)
Durante tanto tempo, ninguém se apercebeu deste descalabro? O que fizeram os governantes para evitar esta corrida inconsciente para o abismo? Que destino demos a todo este dinheiro? Que benefícios conhecemos e que o justificasse? Quem mais beneficiou com o nosso endividamento? Quem nos “forçou” a contrair estas enormes dívidas? Os especuladores? Os governantes alemães? As agências de “rating”? O FMI? Como é de esperar, ninguém responderá. Ainda pior que o silêncio, ninguém será responsabilizado. Nem nas urnas, o que seria coisa pouca. Nem nos tribunais, porque os autores das leis têm o cuidado de o evitar.”
Medina Carreira, “O Fim da Ilusão

Fazer pior que isto, é difícil. Porém a missão do XIX Governo Constitucional de Portugal antevê-se uma das mais difíceis de sempre. O que os espera é um bocado como no filme “Armaggedon”, mas a nível político, e deduzo que não haja um que fique com a palhinha mais pequena e tenha que ficar no meteorito, sacrificando-se.

Fonte: Henricartoon - SAPO
O motivo deste texto é precisamente o novo Governo. Divulgados os nomes na passada sexta-feira, pudemos concluir que nos próximos 4 anos (à partida) iremos ser governados por uma classe política mais jovem (média de 47 anos de idade) e com 36% de independência. Se isto é bom? Na minha opinião sim.

Sobre o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, já se disse muito e já foi escrutinado ao longo de toda a campanha eleitoral. Apenas posso acrescentar um bom comentário da responsável pela campanha eleitoral do PSD, a brasileira Alessandra Augusta, que disse após a vitória do PSD nas legislativas que “Nunca tinha sido responsável por uma campanha em que ganhou o candidato que só disse verdade”.

Passos e Portas muito discutiram em quanto se diminuía o Governo. Portas queria 12, Passos queria 10. Pegaram numa calculadora, fizeram a média e perceberam que dava 11. O lusco-fusco dos seus desejos, uma equipa de futebol político. Passemos então à análise do novo onze titular no Governo de Portugal:

Paulo Portas (Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros)
Secretário-geral do CDS-PP, ex-director do semanário “O Independente”, ex-ministro do Estado e Defesa Nacional (com a tutela dos Assuntos do Mar no curto governo liderado por Santana Lopes), Paulo Portas é claramente um dos políticos mais capazes no actual elenco político português. O Homem-Submarino será eternamente perseguido pela compra de dois submarinos quando integrava o governo de Durão Barroso. Portas começou na JSD, da qual se afastou após a morte de Francisco de Sá Carneiro. Licenciado em Direito, na Universidade Católica, acabou por se tornar jornalista (sim, porque Paulo Portas teve uma vida antes de ser político). O jornalismo que foi de resto uma das opções que resultaram dos testes psicotécnicos que fez. Advogado, jornalista, político e padre foram os resultados. Licenciou-se em Direito, já foi jornalista, é político… Isto quer dizer que Paulo Portas acabará como padre?!

Vítor Gaspar (Ministro de Estado e Finanças)
Doutorado em Economia, Vítor Gaspar já conhece bem o Ministério das Finanças, onde já foi director de Estudos Económicos. Estava como consultor do Banco de Portugal desde 2010, já havia chefiado o Gabinete de Conselheiros de Política Europeia (GCPE) e trabalhado no Banco Central Europeu, como director-geral de Research. Com meio século de vida, Vítor Gaspar herda de Teixeira dos Santos uma das pastas mais importantes, para a qual esperemos que contribuam os seus anos na Europa, os conhecimentos e pergaminhos. Publicou vários artigos, tendo recentemente lançado o livro “Imperfect Knowledge and Monetary Policy”, escrito juntamente com Otmar Issing – economista alemão. Conclui-se, portanto, que Vítor Gaspar se dá bem com os nossos “donos”. A vantagem das Finanças estarem a cargo dum independente é uma boa estratégia para a fuga às responsabilidades: “Não, ele não é nosso. Está por conta própria. Tem ideias assim… muito independentes”. Um político independente num governo é como um jovem que sai de casa cedo. Falando assim, estamos perante um dos nomes futuramente mais badalados – um “técnico” como tanto gostam de chamar aos elementos com pouco ou nenhum passado político, um homem discreto do qual se espera a melhor “Monetary Policy” e um ao contrário do seu livro um “Perfect Knowledge”.

Álvaro Santos Pereira (Ministro da Economia)
O novo ministro da economia nasceu em Viseu, licenciou-se na Universidade de Coimbra em Economia e doutorou-se em Vancouver, na Simon Fraser University. Álvaro Santos Pereira vai ter que fazer uma ligeira alteração no seu quotidiano, uma vez que actualmente era professor na universidade canadiana na qual se doutorou, leccionando a disciplina de Desenvolvimento Económico e Política Económica. É também professor visitante na University of British Columbia. Este ano editou o livro “Portugal na hora da verdade – o que fazer para vencermos a crise nacional”, tendo já escrito também o romance “Diário de um Deus Criacionista”. Tal como Passos Coelho e Vítor Gaspar, mais um membro do novo Governo que lançou um livro recentemente. Faz-me acreditar que se tivesse lançado um livro em 2010 poderia aspirar a um lugar. Tendo já sido autor de um romance, é precisamente num romance que queremos que Álvaro Santos Pereira transforme o terror da economia nacional.

José Pedro Aguiar-Branco (Ministro da Defesa)
Nascido no Porto em 1957 e licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, é a segunda vez que Aguiar-Branco integra um Governo – fora já Ministro da Justiça no executivo liderado por Pedro Santana Lopes. Aguiar-Branco, um homem casado e com 5 filhos, foi quem coordenou a comissão de revisão do programa do PSD para as últimas legislativas. Desde os anos 70 (na altura na JSD) um homem envolvido na política, o novo Ministro da Defesa, que perdera para Passos Coelho na corrida à liderança ao Partido Social Democrata em 2010, vê agora o seu opositor vencedor nesse “combate” convidá-lo para integrar o Governo.

Paula Teixeira da Cruz (Ministra da Justiça)
Uma mulher. Advogada. Esta conjugação lembra-me o filme “Legalmente Loira” com Reese Witherspoon. Paula Teixeira da Cruz nasceu em Luanda e é advogada desde 1992, e filiada no PSD desde 1995. Mulher de armas e de forte e bem argumentado discurso, já foi líder da distrital de Lisboa do PSD (no tempo de Santana Lopes), assumiu uma das vice-presidências do PSD sob a liderança de Marques Mendes, foi casada durante anos com o ex-presidente do BCP Paulo Teixeira Pinto. Não conhecendo muito o seu trabalho e capacidade enquanto advogada (muito elogiado por exemplo pelo bastonário da Ordem dos Advogados, o querido-mor de Manuela Moura Guedes – Marinho Pinto) apenas posso dizer que sempre gostei de ouvir as suas intervenções e comentários políticos na Sic Notícias e RTP N.

Miguel Relvas (Ministro dos Assuntos Parlamentares, Autarquias e Desporto)
Com 49 anos de vida, Miguel Relvas integra o PSD desde a sua adolescência, tendo já quase 30 anos de ligação “laranja” e de vida a Pedro Passos Coelho. Mais do que um braço-direito, Miguel Relvas é quase que os dois braços. Ou pelo menos um braço e o outro até à zona do cotovelo. Miguel Relvas é quase sempre a cara que vemos próxima da de Pedro Passos Coelho. Um “emplastro” político? Não, um apoio e certamente um amigo. Inscreveu-se na JSD graças à sua admiração por Sá Carneira (cuja morte acelerou a vinculação de Relvas à cor laranja, ao invés de Paulo Portas por exemplo). Olhando para Miguel Relvas e Paula Teixeira da Cruz, a ministra que referi antes, penso que ambos se podiam juntar, ligar o youtube e finalmente decidir pôr Pinto da Costa no seu devido lugar.

Miguel Macedo (Ministro da Administração Interna)
Nascido em Braga em Maio de 1959 e licenciado em Direito, Miguel Macedo foi no último ano o rosto do PSD no Parlamento na oposição ao governo de Sócrates. Há 3 meses atrás foi quem justificou em pleno Parlamento o chumbo do PSD ao Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que levaria à demissão de José Sócrates e à realização de eleições antecipadas. Publicou em tempos o “Manual do Jovem Autarca”.

Paulo Macedo (Ministro da Saúde)
Mais um Macedo no governo. Mas, neste caso, um independente. Nascido em 1963, Paulo Macedo licenciou-se em Organização e Gestão de Empresas, tendo obtido posteriormente uma pós-graduação em Gestão Fiscal. De forma leiga, há muitas vezes aquele pensamento: “Um ministro das finanças é um gestor ou economista, um ministro da educação é um professor (ou escritor), um ministro da agricultura é um agricultor, um ministro da saúde é um médico” – se nos dois primeiros casos está certo, nos outros não. A um ministro da Saúde não se exige que saiba amputar uma perna, curar uma gripe ou operar um tumor, mas sim criar uma estrutura e uma base de funcionamento para que os portugueses tenham o melhor acesso à saúde, e se conseguir ajudar a curar Portugal a nível financeiro, melhor. Em jeito de curiosidade, a única ligação até hoje de Paulo Macedo ao sector da Saúde está ligada ao BCP, onde é administrador por exemplo da Médis, a empresa que gere seguros de saúde.

Nuno Crato (Ministro da Educação, Ensino Superior e Ciência)
O 4º e último independente. Nascido em 1952, o matemático e estatístico português tem já uma vasta obra de artigos e livros publicados. Foi professor na Escola Secundária Rainha Dona Leonor, no Instituto Superior de Economia, na Universidade dos Açores, no Stevens Institute of Technology e no New Jersey Institute of Technology. Desde 2000 é professor no ISEG e pró-reitor na Universidade Técnica de Lisboa. Em 2008 foi homenageado por Cavaco Silva com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Foi presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática e é, desde 2010, presidente executivo do Taguspark. Foi um dos membros do programa Plano Inclinado e acrescente-se que o seu trabalho de investigação foi sobre processos estocásticos e séries temporais (não domino isso claramente, caro leitor) com aplicações várias, nomeadamente climáticas e financeiras. A frase que acabei de escrever acho que bastava para alguém ser ministro de algo. Honestamente, tenho grandes esperanças no novo ministro da Educação e Ensino Superior – um homem claramente inteligente e que quererá, de forma com certeza exigente mas justa, criar condições para a formação de gerações capazes. Nuno Crato é favorável aos exames nacionais no final de cada ciclo.

Pedro Mota Soares (Ministro da Segurança Social e Solidariedade)
Aos 37 anos, o advogado e vice-presidente do CDS-PP chega ao governo. Pedro Mota Soares foi um dos rostos que maior número de intervenções públicas veio tendo nos últimos tempos, como voz do Partido Popular, fosse em simples entrevistas em telejornais ou no programa Prós e Contras. Um possível futuro Paulo Portas (já foi presidente da juventude centrista, actual juventude popular), o novo ministro da Segurança Social, tem já cerca de 10 anos de deputado e destaca-se pelo bom discurso, assertividade e postura. É, dos 11 ministros, o 2º elemento mais novo.

Assunção Cristas (Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território)
Tem 36 anos sendo, como tal, a benjamim do novo governo. E a 2ª mulher. Envolvida na política desde os 27 anos, doutorada em Direito Privado, docente na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, Assunção Cristas assumiu-se em entrevista ao jornal I “a pessoa mais centrista do CDS”. Se os rumores sobre Paulo Portas não fossem os que são, diria que estávamos perante um “affaire” do líder do CDS, que explicaria a ascensão de Assunção Cristas ao governo e as pastas (de alguma importância, diga-se, que ficaram a cargo dela). Porém, ver as coisas desse modo seria um pouco machista. E Assunção Cristas é casada e tem 3 filhos. Vamos portanto acreditar no trabalho e profissionalismo da jovem ministra que terá a seu cargo a Agricultura (uma das “bandeiras” do CDS), o mar, o ambiente (e eu que pensava que o mar fazia parte do ambiente…) e o Ordenamento do Território.

Resta-nos desejar boa sorte ao XIX Governo Constitucional de Portugal: Passos Coelho + 11 (4 sociais democratas, 4 independentes e 3 democratas cristãos; 9 dos quais homens e 2 mulheres). Alguns lançaram livros recentemente, alguns são “Africanistas de Massamá”. Apenas deixo uma ligeira crítica ao desaparecimento do Ministério da Cultura. Mas a verdade é que se tudo for ao sítio, o investimento na Cultura e nas Artes será proporcionalmente mais fácil. Agora resta pedir-lhes esforço e trabalho. MP

PS: Este governo custará sensivelmente menos 1,3 a 1,4 milhões por ano, comparativamente com o governo de Sócrates, segundo o Correio da Manhã. No poupar é que está o ganho.

8 de junho de 2011

“Não, por favor, não tornem isto mais difícil”


E os portugueses não tornaram.

Foram estas as palavras (as do título) de José Sócrates aquando da sua emocionante (?) despedida do cargo de secretário-geral do Partido Socialista. Sócrates, olhando de forma salteada para os seus 2 telepontos, como que acompanhando um jogo de ténis, afirmou querer “dar espaço ao partido para discutir livremente o seu futuro”. Na 1ª frase deste parágrafo disse despedida e não demissão porque Sócrates, mantendo o ar da sua graça (arrogância habitual) nunca usou essa palavra, fazendo um balanço do tempo enquanto líder do partido, enquanto primeiro-ministro e de forma mais global, enquanto político, positivo. São opiniões, poder-se-ia dizer. Mas não, neste caso eu poderia apoiar-me em factos e dizer que não foi assim tão bom. Eufemismo. As palavras usadas por Sócrates pareciam as dum namorado a terminar uma relação com a sua namorada. Fez-me rir o José, mais uma vez. Infelizmente, durante este tempo todo deu-me muitas mais razões para chorar. Mas como estava a constatar que ia deixar de ver aquele vasto nariz durante algum tempo, admito que estava feliz.

O que me surpreendeu, no crónico Hotel ALTIS, foi a forma emocionada como alguns militantes acompanharam o Adeus socrático. Sinceramente, não compreendi tamanho afecto e devoção ao pior político desde que Portugal é uma República. Estabelecendo uma comparação infeliz, há mulheres que continuam com os seus homens mesmo depois de eles lhes baterem. O problema é que Sócrates não bateu só nos militantes do seu partido, bateu em Portugal inteiro. Mas felizmente, a maioria disse “Basta!” (alusão ao filme com Jennifer Lopez).
Um outro momento que me fez rir foi a pergunta da corajosa jornalista da Rádio Renascença. A jovem senhora, perspicaz, percebeu que a censura socrática já não estava em vigor e questionou o ex-primeiro-ministro sobre a possível celeridade da reabertura de casos como o processo Face Oculta ou o Freeport. Uma pergunta que tinha toda a lógica, mas que caiu mal no goto dos fiéis a Sócrates, que vaiaram instantaneamente a jornalista. Já Sócrates, por sua vez, afirmou não compreender a pergunta. Realmente eu nunca lhe atribuí muita inteligência, tendo em conta o estado em que nos deixou e os pergaminhos académicos que supostamente não possuirá.
Numa última referência a José Sócrates, pudemos vê-lo a dizer que se vai dedicar finalmente à sua vida pessoal. Obviamente nas redes sociais se começaram a fazer algumas piadas – Sócrates vai finalmente acabar o curso, Sócrates vai inscrever-se num curso das Novas Oportunidades, etc. Eu, pessoalmente, não me sinto particularmente inspirado para fazer uma piada sobre o futuro de Sócrates. Prefiro encarar a realidade socrática como um passado. Era bom, isso sim, que Portugal tivesse uma Nova Oportunidade para se reerguer e que tudo ficasse, pelo menos, como estava quando Sócrates pegou no leme do barco.

Numas eleições há derrotados e vencedores.

Antes de passar aos 4 partidos que me faltam analisar, considerando que o PS já está nesta espécie de despedida a José Sócrates (no dia 10 de Maio publicámos o texto “Hoje, José, nos te deitamos abaixo” e a 5 de Junho os portugueses deitaram mesmo), deixo uma palavra ao PCTP/MRPP de Garcia Pereira e ao PAN. Garcia Pereira gastou 80.000€ em campanha eleitoral para alcançar 1.1% dos votos. O PAN gastou 9.000€ e alcançou 1.0%. É só uma crítica a Garcia Pereira, até porque os 9.000€ gastos pelo PAN deduzo que tenham sido para comida para os animais. Não, não estou a chamar animais aos militantes do PAN. Esclareço isto porque lido de relance pode parecer uma afirmação ofensiva que faria de mim um animal.

Francisco Louçã, desta vez, perdeu. É certo que nunca ganha. Mas parecia que o Bloco vinha crescendo. Talvez o facto de terem provocado a queda do governo com a moção de censura (levando à entrada do FMI em Portugal) e depois não terem assinado o acordo com a troika (do russo “trenó puxado por 3 cavalos”) pode ter feito confusão a alguns eleitores.

Jerónimo de Sousa conseguiu aproximadamente 8% dos votos. É curioso que já em 2009 e 2005 tinha tido resultado muito semelhante. Conclusão: há 8% de comunistas em Portugal. É esperar uns 30 anos e cheira-me que a percentagem desce consideravelmente. Não se pode dizer que Jerónimo ganha ou perde. Jerónimo empata sempre consigo próprio. Pensemos nas eleições como os Ídolos. Todos os candidatos têm sempre o voto da família. Mas é sempre preciso conquistar votos de pessoas que não nos são nada. Jerónimo só consegue sempre os votos da “família”, os camaradas eternos.

Paulo Portas pode ser considerado um vencedor. O Homem-Submarino já dura há algum tempo no panorama político nacional. Acho que com o devido valor e trabalho. Paulo Portas é o Shaquille O’Neal da nossa política. Shaq, que se retirou recentemente da NBA, sempre foi um jogador a quem deram crédito. Porém nunca foi propriamente a estrela da equipa. Foi campeão pelos Lakers de Kobe Bryant e pelos Miami Heat de Dwayne Wade. Paulo Portas é assim. Integrou, como ministro da Defesa o governo de Durão. E agora, em funções que ainda não se conhecem, integrará o governo de Pedro Passos Coelho.
Fonte: Henricartoon - SAPO

Recentemente ouvi algo que aumentou a minha consideração por Pedro Passos Coelho. Ouvi dizer que apenas ensaiou o seu 1º discurso político; desde aí, tem sido sempre de (relativo) improviso. Se assim for, parece que o nosso novo primeiro-ministro tem algo de Martin Luther King Jr.. Também achei de bom tom a escolha do Hotel Sana por parte do PSD. Esta escolha, para além de representar algo novo, juntou na minha mente as palavras “festejos” e “Marquês”, o que me trouxe um sorriso pelas memórias de Maio de 2010.
Agora é tempo de reuniões com Paulo Portas, rápidas decisões e uma construção de um governo forte e capaz. Bagão Félix, por exemplo, era um nome que me parece que iria gerar consensos. Um dos cromos da caderneta social-democrata, mas talvez um dos mais difíceis de sair.
O dia 5 de Junho de 2010 tornou real, ainda, o sonho de Francisco Sá Carneiro: uma maioria, um governo e um presidente.

É normal e humano que diferentes pessoas tenham diferentes ideologias. Formas de estar na vida, e formas de encarar a Economia, a Saúde, a Cultura, etc. No fundo, os nossos princípios e valores que temos para nós e a forma como nos autogovernamos diz muito sobre cada um. No entanto, numa eleição num momento delicado como este, não me parece correcto que cada um encare o seu partido como um clube de futebol. E é isso que mais parece às vezes. No futebol, cada um tem o seu clube. É lógico que eu quererei sempre que o Benfica vença o Porto e o Sporting. No entanto, na política, por muito que vença um partido que não é aquele com o qual mais nos identificamos, devemos respeitar a democracia existente e a decisão da maioria dos nossos compatriotas e acreditarmos no nosso país. Todos nós somos um país, um hino, uma bandeira e neste momento impõe-se que se “levantai hoje de novo, o esplendor de Portugal”
É importante, no entanto, ressalvar uma coisa. Não nos podemos nunca esquecer de quem nos pôs na situação em que estamos. Portugal, um país tradicionalmente de esquerda, optou na sua maioria por um governo de Direita num dos momentos mais importantes da nossa História. Os tempos que se avizinham não serão fáceis, mas exigirão trabalho e esforço de todos. Há que ter confiança no novo governo eleito. Longe vão os tempos do tratado de Tordesilhas, em que meio mundo era nosso… MP

Cito Paulo Portas: “Não quero nenhuma euforia e amanhã é dia de trabalho”.

7 de junho de 2011

Falam, falam, falam, falam… mas não os vejo a fazer nada



                Este texto não vai ser muito longo. Apenas estou com vontade de me indignar um pouco sobre a abstenção nas últimas eleições. Vamos dar início à indignação? Vamos pois.

                Ora bem… Se bem se lembram, no passado dia 12 de Março deste mesmo ano, houve uma manifestação da Geração à Rasca. Uma manifestação que começou por ser dos mais jovens mas que acabou por englobar todas as faixas etárias. A manifestação era contra o governo português. Uma grande concentração de pessoas, muita bebida, música e algum forrobodó. Muito lindo, muito lindo…

                Tanto descontentamento com a austeridade para quê? Os maiores causadores da crise portuguesa são os próprios portugueses. Endividaram-se para ter mais do que aquilo que poderiam ter. Para manter aparências. A banca, essa facilitou os empréstimos. Mas a maior culpa é a de quem pede demais sem pensar em futuras consequências. Agora, todos pagam pelos portugueses que se endividaram demais. Injusto? Sim, é. Mas é assim a sociedade portuguesa. Gosta muito de ter posses e se for preciso, endivida-se mais para manter o que tem. A aparência é tudo, a inteligência é pouca.

                5 De Junho de 2011 – Eleições Legislativas. Estávamos perante as eleições mais importantes desde o «25 de Abril» devido ao momento do país. Pedia-se a máxima adesão a todos os portugueses. Resultado? 41,33% de abstenção (valor não definitivo). Mais um recorde para Portugal. Os portugueses gostam imenso de bater recordes. Sentem-se importantes. Pena que sejam recordes negativos.

                Como é que é possível o «Zé Povinho» estar constantemente a queixar-se e num dos dias mais importantes para o país deixar-se ficar no sofá ou ir para a praia? Custa muito ir votar? Eu demorei DOIS minutos desde o momento em que entrei no local para votar. Quem não votou que jamais se queixe com o que quer que seja relacionado com o governo. Falar e depois não actuar é completamente ridículo. Envergonha-me um pouco viver num país em que há muita garganta e pouca atitude.

Para terminar e fugindo um pouco ao texto, há imensos desempregados em Portugal. Mas grande parte quer um emprego e não um trabalho. Queixam-se imenso mas o trabalho existe. A grande maioria prefere ter uma “reforma antecipada”, que é o subsídio de desemprego, depois de alguns anos de trabalho. Ganhar sem fazer nada, é isso que muitos querem. E foi assim que muitos viveram na «Era Socrática». Viviam à custa do Governo Português devido à preguiça, outra grande característica dos portugueses. TM