TOP | Melhores Contratações da Liga NOS

Num defeso modesto, praticamente sem Porto, o Sporting foi quem melhor se movimentou. O Benfica perdeu jogadores-chave na defesa e reforçou-se bem.. no ataque.

TOP | Melhores Contratações da Premier League

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31 de maio de 2017

Balanço Final - Liga NOS 16/ 17

 Liga NOS - E pelo quarto ano consecutivo, o Benfica sagrou-se campeão português. O 36 dos encarnados, um tetracampeonato nunca antes conquistado pelo clube da Luz, premiou a equipa mais consistente - a partir da 5.ª jornada até à última só deu Benfica na liderança - num ano em que o nível global dos 3 grandes esteve longe de impressionar. Idealmente, gostaríamos que fossem os clubes fora do habitual Top-3 a irem ao encontro da qualidade dos crónicos candidatos ao título, mas o que se verificou foi precisamente o contrário: esteve longe de ser apaixonante o futebol praticado por Benfica, Porto e Sporting.
    Falar de 2016/ 17 é falar de um Benfica que, com um super-plantel, soube manter-se focado no seu objectivo, ultrapassando as várias lesões que atormentaram o balneário. Rui Vitória, sempre determinado em encontrar soluções sem construir um muro de lamentações, comandou uma equipa que totalizou 82 pontos (menos 6 do que na época passada). O Porto de Nuno Espírito Santo, entretanto despedido, caracterizou-se pela incapacidade de aproveitar os deslizes do líder, e o Sporting caiu drasticamente (os leões somaram menos 16 pontos do que em 2015/ 16, e sofreram mais 15 golos, sendo por isso incapazes de manter o seu estatuto de melhor defesa, e terminando com o dobro dos golos sofridos do grande rival e primeiro classificado).
    No Minho, um Vit. Guimarães recordista retirou ao Braga o quarto lugar, e entre as sensações da época a maior foi sem dúvida o Feirense, um patinho feio que virou cisne acabando num absolutamente extraordinário 8.º lugar.
    Impossível também não referir a quantidade de vezes que as equipas portuguesas trocaram de treinador ao longo da época. Apenas Benfica, Porto, Sporting, Vit. Guimarães e Vit. Setúbal se mantiveram estáveis, com as restantes 14 equipas a terem pelo menos 2 treinadores (Braga, Belenenses, Arouca, Moreirense e Nacional chegaram mesmo aos 3 treinadores numa só temporada).
    Como sempre, a falta de cultura desportiva em Portugal originou muita conversa, sobre tudo menos futebol, mas dentro do campo, os corações voltaram a bater rápido ao ritmo dos intérpretes: Pizzi comandou o campeão, Bas Dost quase apanhou Messi, Ederson e Vaná acumularam defesas impossíveis, Soares evoluiu a olhos vistos, o menino Gelson partiu a loiça toda, Nélson Semedo foi apanhado em excesso de velocidade, Fábio Martins marcou golos de levantar o estádio e Lindelöf marcou aquele livre em Alvalade.
    Vamos lá analisar, equipa a equipa, esta Liga NOS 2016/ 17:



 BENFICA (1)
 
    Em Portugal, o Benfica não tem rival. É o que diz o hino do clube da Luz e foi essa a referência utilizada pela Marca ao tetracampeão português. E a verdade é que a presente época e os resultados obtidos falam por si, confirmando o acentuar da hegemonia, a estabilidade e a consistência.
    Estávamos na 5.ª jornada quando - poucas semanas depois dos encarnados terem visto um guarda-redes formado no clube, Bruno Varela, impedir o Benfica de vencer o primeiro jogo da época diante dos seus adeptos - o campeão nacional fez o derradeiro assalto ao 1.º lugar diante do Braga. Conquistado o trono, não mais as águias o largaram. E enquanto Sporting e Porto iam perdendo pontos em terrenos improváveis, os tricampeões distanciavam-se. Se no ano passado o pecado de Rui Vitória foi só ter vencido um jogo contra os dois rivais, este ano, na primeira volta, venceu o Sporting em casa e congelou a distância pontual que tinha no Dragão com um empate aos 90'+2. Tamanha ironia este mundo em que vivemos. Curioso verificar que nesta edição o líder acabou por ser inclusive a equipa com melhor aproveitamento nos jogos entre os 3 grandes (6 pontos conquistados, sem qualquer derrota nessa tríade, contra os 5 de dragões e leões). As águias podiam ter resolvido o tetracampeonato relativamente cedo, mas uma série mais negra em termos de futebol jogado, com reflexo nos resultados, acabou por dar vida ao Porto. A distância entre os dois maiores candidatos ao título de 2016/ 17 chegou a ser de apenas 1 ponto, mas os dragões nunca souberam aproveitar os deslizes.
    Na fase final da Liga, viveram-se momentos tensos para o lado da Luz. Sob imensa pressão, Rui Vitória e os seus jogadores souberam (mais uma vez) blindar o balneário, resistindo à guerra jogada fora de campo, capaz de condicionar a arbitragem, e a todos os temas extra-futebol que voltaram a poluir o futebol português, uma consequência da falta de cultura desportiva em Portugal e do tempo de antena dado aos intervenientes errados. Ainda assim, viu-se novamente a fibra do grupo orientado por RV, com a equipa a embalar na recta final (na temporada passada, 12 vitórias consecutivas, nesta zero derrotas nas últimas 15 jornadas) e a acabar por selar o destino do campeonato com um empate em Alvalade e uma difícil vitória em Vila do Conde. Dois jogos de absoluta e similar importância.
    Posto isto, é bem provável que o defeso seja quentinho no inferno da Luz, e que os cofres voltem a ficar recheados. Nesta época, Pizzi (que até nem deve ter assim tantos interessados) foi quem agarrou a batuta e orquestrou o ritmo do futebol praticado pelo Benfica. Com 4250 minutos em 52 jogos disputados ao longo da época, o general geriu os tempos da equipa e inventou muitos desequilíbrios com os seus passes a rasgar (ninguém em Portugal criou tantas oportunidades de golo como ele). Sem nunca se esconder, assumindo o jogo, fez-se MVP desta edição depois de tantas vezes ser criticado e pouco consensual entre os próprios adeptos. Depois, é impossível reflectir sobre este tetracampeonato sem falar de Ederson - um monstro, no bom sentido, claro. O brasileiro, imperial no um-contra-um e brilhante a distribuir jogo tanto com a mão como com o pé (que pontapé!), manteve o Benfica vivo em várias ocasiões, decidindo sozinho vários jogos com o seu misto de tranquilidade e loucura. O nº 1 benfiquista despediu-se de Portugal na final da Taça, mas pode não ser o único... Nélson Semedo, alegadamente cobiçado pelo Barcelona (fica difícil segurar um jogador quando clubes destes entram na corrida), foi incansável durante todo o ano. Correu, correu, correu e correu... Deu uma profundidade brutal ao flanco direito, evoluindo a nível defensivo, e voltando a exibir toda a sua velocidade e capacidade no drible. Mas a conquista do tetra não era possível sem o amuleto das águias. Fejsa é certamente um cyborg. Com menos lesões do que o habitual, o sérvio voltou a equilibrar a equipa, ajudando Pizzi como ajudara Renato Sanches, e passeando pelo campo a sua inacreditável capacidade física, dominando o seu sector com uma perna às costas. Esteve em todo o lado.
    No ataque encarnado, e embora esperássemos maior rendimento por parte dos extremos, vários jogadores foram importantes em diferentes momentos. Mitroglou resolveu jogos atrás de jogos com a sua frieza, com o seu tau-tau e a sua pokerface, Jonas regressou da lesão para espalhar magia e Raúl voltou a resolver jogos cruciais. O mexicano parece ter nascido para marcar golos decisivos.
    Prever o próximo ano é, para já, difícil. À procura do penta o Benfica manter-se-á estável e confiante (ganhar ajuda muito), mas pode ver o seu elenco a ficar bastante despido. Veremos como colmata essas saídas a chamada "estrutura". Somente com jovens valores já no clube, ou com intenso ataque ao mercado?

Destaques: Pizzi, Ederson, Nélson Semedo, Fejsa, Mitroglou

 PORTO (2)

    Quem nasceu na década de 90 estranha a (falta de) atitude e competitividade deste Porto. Até há bem pouco tempo tínhamos um Porto avído por vitórias e que jamais vacilava contra equipas de menor dimensão e nos momentos decisivos. A imagem desse Porto já não se vê há 4 (quatro!) anos. A nós, que crescemos com um Porto dominador, essa falta de chama no Dragão causa-nos alguma confusão.

    O início desta Liga NOS não foi famoso. À derrota com o Sporting e ao empate com o Tondela, o Porto acrescentou 3 empates consecutivos (Vit. Setúbal, Benfica e Belenenses) causando grande preocupação na Invicta. Mas, depois de quase arredados na corrida pelo título, a equipa portista e os adeptos começaram a partilhar com Nuno Espírito Santo a crença de que era possível. Quando? Vitória ao cair do pano sobre o Braga, com um golo do miúdo Rui Pedro (marcou, e evaporou-se depois novamente para a equipa B). A partir daí, iniciou-se uma nova vida, com maior dinâmica (fundamental a "injecção Soares"), vitórias umas atrás das outras e vários jogos sem sofrer golos. O Benfica começou a escorregar e o antigo Porto parecia estar de volta.
    À 19.ª jornada, com a derrota do Benfica em Setúbal, o Porto festejava uma vez que se via a apenas 1 ponto do líder. Mas isso foi o mais perto que os azuis e brancos conseguiram estar do primeiro lugar. Na jornada 26, depois de novo deslize encarnado (empate na Mata Real) o Porto desperdiçou uma soberana oportunidade de passar para a frente - a pressão fez-se sentir e João Carvalho (emprestado pelo Benfica ao Vit. Setúbal) marcou no Dragão porventura o golo mais importante desta edição 16/ 17.
    Mas a falta de chama de que acima falávamos evidenciou-se sobretudo na Luz. No "jogo do título" o Benfica surpreendeu pela positiva, e foi Iker Casillas a manter o Porto vivo. Péssimo Raio-X do clube portista, a preferir conservar o empate, festejando-o, revelando tremenda falta de ambição (absurdo abdicar de uma oportunidade para passar a depender unica e exclusivamente de si próprio) e confiando que o Sporting seria capaz de derrotar o grande rival semanas depois. Tal não aconteceu e os índices anímicos caíram ainda mais, com a distância pontual a chegar mesmo aos 6 pontos.
    A aposta em NES revelou-se um falhanço. O antigo guarda-redes trabalhou bem o sector defensivo da equipa, mas nunca soube incutir um espírito guerreiro, acabando a equipa por ser muitas vezes um vazio de ideias, à espera que uma bola bombeada para Soares ou um lance de génio de Brahimi chegasse para vencer. Não se pode aceitar que o discurso inicial (jogar cada jogo para a vitória) tenha sido depois substituído por um "Nós sabemos é que o adversário vai ter um jogo muito difícil para a semana". Um treinador ganhador não pode cair no erro de se fiar nas derrotas alheias e tem que mostrar trabalho dentro de campo, ganhando os seus jogos sem olhar a quem. Curioso também termos chegado a um ponto, e isso funcionou durante algum tempo a favor de Nuno, em que parece dar-se mais importância ao trabalho de um treinador (discurso) na sala de imprensa do que em campo, talvez por muita gente não ser capaz de detectar o que é ou não uma equipa bem treinada.
    E não se pode ignorar este dado: o único jogador do plantel do Porto que sabe o que é ser campeão em Portugal chama-se Maxi Pereira. É muito grave a falta de mística no clube, visível apenas em jogadores como Danilo e Marcano, ambos exemplares toda a temporada. Casillas destacou-se nos jogos grandes; Soares revolucionou o ataque, principalmente mal chegou ao clube, e Brahimi carregou a equipa com a sua qualidade técnica.
    Chega agora a altura de encontrar o substituto de Nuno Espírito Santo, já apresentado como treinador do Wolves. O herdeiro parece ser um de 3 homens: Sérgio Conceição (que está a forçar a sua saída do Nantes por "motivos pessoais"), Paulo Sousa (que rescindiu com a Fiorentina) ou Pedro Martins (que, segundo o presidente do Vitória, continua com o seu futuro em aberto). Marco Silva era a melhor hipótese, mas as exigências do português não agradaram de todo aos dirigentes dos dragões. O futuro do clube vai depender e muito das escolhas feitas durante os próximos dias.

Destaques: Danilo Pereira, Soares, Marcano, Brahimi, Alex Telles

 SPORTING (3)

   Estávamos certos no início da época quando ordenámos o Top-3 como se veio a concretizar.
    O 3.º lugar para os leões era o que se perspectivava mais provável: o facto do Sporting ter perdido algumas jóias da coroa (João Mário e Slimani) e do capitão Adrien ter ficado um pouco magoado com o fecho das portas quanto à sua saída para a Premier League eram um indício de que as coisas podiam não correr de feição em Alvalade. Os problemas foram aumentando e as guerras internas foram subindo de tom. Enquanto isto transparecia para o público geral, Bruno de Carvalho preocupava-se em gritar e apontar o dedo ao rival da Segunda Circular. A culpa é do Benfica, tornou-se então uma frase célebre no futebol português. Efectivamente, a culpa dos resultados não era do Benfica, nem dos árbitros. Bem vistas as coisas, o futebol praticado pelo clube leonino piorou substancialmente - a venda de João Mário e a época miserável de Bryan Ruiz fez desaparecer o incrível jogo interior do clube em 15/ 16 - e à medida que os resultados desfavoráveis apareciam, Bruno de Carvalho perdia o controlo e envolvia-se em algumas peripécias graves. Tanto dentro do balneário do Sporting (Adrien e William tiveram que apaziguar os adeptos com declarações) como com dirigentes adversários (presidente arouquense). Muitas distracções e muita instabilidade, que acabou por se fazer sentir no desempenho dos jogadores. O plantel nunca respirou saúde e não conseguiu corresponder às expectativas altas dos seus adeptos, perfeitamente naturais considerando a época passada.
    Num ano em que Bas Dost fez 34 golos em 31 jogos e onde Gelson (rei das assistências) se confirmou como um dos maiores talentos portugueses em ascensão, a justiça deste 3.º lugar é incontestável. Até Jorge Jesus, que tanto gosta de massajar o seu ego, este ano acabou por dar o braço a torcer. Assumiu que os outros foram melhores e que todos precisavam de trabalhar mais para tornar o Sporting num candidato ao título. Pode-se considerar 2016/ 17 um ano em que os pés voltaram à terra após uma temporada de 2015/16 de grande futebol que fez sócios e simpatizantes sonhar.
    Muita coisa necessita de mudar para que o Sporting volte ao nível em que se apresentou no ano passado. E tudo começa na coesão, firmeza e nível da sua estrutura.
Destaques: Bas Dost, Gelson Martins, Coates, Adrien, Bruno César

 VIT. GUIMARÃES (4)

    
Um clube que correspondeu este ano à dimensão dos seus adeptos. Tivemos dúvidas em relação à posição que atribuiríamos aos rivais minhotos. Equivocámo-nos. O Vitória construiu um plantel à altura do clube e com Pedro Martins - que tanto elogiámos no nossos Prémios BPF - chegou ao tão almejado 4.º lugar. Júlio Mendes reclamou o estatuto de 4.ª maior potência nacional e voltou a afirmar na final do Jamor que é e sempre será o quarto maior de Portugal e que isso se reflecte nos seus adeptos.
    Verdade seja dita, o Vitória teve o apoio incondicional dos seus adeptos em todos os jogos. Seja em casa ou fora, para um clube fora dos 3 ditos grandes, o apoio dos sócios e simpatizantes do clube minhoto foi impressionante. E os jogadores corresponderam em campo. Soares e Marega pareciam formar uma dupla mortal para todos os adversários, mas nem mesmo quando o avançado brasileiro assinou pelos dragões os vimaranenses se ressentiram. Hernâni e Hurtado foram também eles exemplares no ataque, tendo o português sido um dos extremos portugueses em melhor forma na 2.ª volta do campeonato. Será uma pena se o Porto não apostar no seu regresso. Bruno Gaspar foi um dos melhores laterais direitos do campeonato, mostrando nível para representar qualquer um dos grandes em Portugal, o que pode nem acontecer, dada a probabilidade de sair para abraçar uma aventura no estrangeiro.
    O futuro parece bem delineado nas palavras de Júlio Mendes. Este Vitória veio para ficar. A questão é com que plantel e com que treinador. O nosso conselho é tentar manter o que for possível manter, a começar por Pedro Martins. O treinador tem a maior parte da responsabilidade pelas boas exibições da equipa e a Direcção deve fazer um esforço para o manter no comando técnico do clube.

Destaques: Marega, Hernâni, Hurtado, Bruno Gaspar, Konan


 BRAGA (5)

    Uma das grandes desilusões da época. Se em anos anteriores se atribuiu a responsabilidade dos bons resultados a António Salvador, este ano tem que lhe ser apontada a responsabilidade do mau desempenho da equipa. É vergonhoso da parte do presidente bracarense apontar o dedo aos árbitros via conferência de imprensa, quando foi ele próprio a somar tiros nos pés. Claramente uma manobra de atirar areia para os olhos em ano de eleições. Todavia, uma manobra desnecessária. Era mais do que óbvia a sua vitória e só lhe ficava bem admitir os erros e limitar-se a trabalhar para que anos iguais não se repitam no futuro.
    A primeira escolha (José Peseiro) não foi feliz, e aquilo que começou torto, não mais se endireitou. Veio Jorge Simão e com a sua personalidade pouco ortodoxa acabou por criar algum mau estar dentro do plantel. Os resultados não sorriam e Jorge Simão - que vinha de peito cheio pelo que havia feito no Chaves - acabou por sair pela porta pequena, somando empates e empates. Para o que restava da época, Abel foi o escolhido (como o havia sido na vitória frente ao Sporting), desta vez com vínculo até 2020.
    Em termos exibicionais, Pedro Santos foi o capitão que tudo deixou em campo, evidenciando-se sobretudo no início da época, Rui Fonte cresceu ainda mais como jogador, Battaglia e Assis foram gigantes no meio-campo (o argentino no transporte, o ex-Chaves a encher o miolo) e Marafona evitou o que pôde na baliza.
    Veremos como Abel agarra esta oportunidade na próxima temporada, e caberá ao Braga começar a construir o seu plantel de forma mais equilibrada, aproveitando craques como Fábio Martins (brilhou no Chaves) e jovens valores como Xadas ou Pedro Neto. Acreditamos que com Abel o Braga apresentará uma melhoria em termos de resultados, mas não será fácil recuperar o domínio do Minho.

Destaques: Pedro Santos, Rui Fonte, Battaglia, Marafona, Assis

 MARÍTIMO (6)

    O último sobrevivente insular no nosso campeonato respira saúde e vai à Liga Europa. E deve-o essencialmente a um homem: Daniel Ramos. Estávamos na jornada 5 quando Carlos Pereira deu o murro na mesa e percebeu (cortar cedo o mal pela raíz foi decisivo) que o brasileiro PC Gusmão não servia: o clube da Madeira era o penúltimo classificado, com apenas 3 pontos e 1 golo marcado em cinco partidas. E tudo Daniel Ramos (ex-Santa Clara e Famalicão) mudou.
    Entregue ao técnico de 46 anos, o Marítimo veio por ali acima, fazendo do seu estádio um íman de pontos. Nos Barreiros, as duas derrotas da época aconteceram com Gusmão, e no percurso invicto de Daniel Ramos merecem destaque os empates contra Porto (1-1) e Sporting (2-2) e sobretudo a vitória imposta ao campeão nacional (2-1).
    A 3.ª melhor defesa do campeonato teve nos centrais Raúl Silva (central goleador, melhor marcador da equipa com 7 golos) e Maurício o seu cerne, apoiados pelo incansável turco Erdem Sen, pelo lateral Patrick Vieira e pelo cada-vez-mais-jogador Fransérgio.
    Para a próxima temporada há muito a fazer, mas a prioridade parece ser segurar Daniel Ramos neste projecto - o treinador fez do Marítimo a equipa portuguesa capaz de sair em menos passes e com mais qualidade em transição ofensiva - depois de vários jogadores (Raúl Silva, Fransérgio, Dyego Sousa) já se terem comprometido com o Braga.

Destaques: Erdem Sen, Raúl Silva, Fransérgio, Maurício, Patrick

 RIO AVE (7)

    Que bem jogou este Rio Ave. A equipa habitualmente "patrocinada" pelo empresário Jorge Mendes e pela sua Gestifute quis praticar um futebol vistoso desde o começo da época, mas com Capucho (saiu na jornada 10, com os vilacondenses em 12.º lugar) havia uma certa inocência, incapaz de conciliar uma ideia de jogo ambiciosa e com grande propensão ofensiva, com resultados.
    A segunda vida do Rio Ave nesta edição deu-se com Luís Castro - treinador com um trabalho desenvolvido de qualidade no Porto B - e os miúdos agradeceram. Embora a experiência de Tarantini  e Guedes, e a matreirice de Rúben Ribeiro tenham sido determinantes na caminhada, 2016/ 17 serviu para potenciar vários jovens valores: o croata Krovinovic fez justiça ao número 10 nas costas e revelou-se um craque com um perfume ímpar em Portugal, Gil Dias destruiu várias defesas com toda a sua potência, e Rafa Soares aproveitou o empréstimo para se mostrar aos responsáveis do Porto. Deve-se destacar ainda a boa reacção do clube à venda de um activo importantíssimo na primeira volta (Wakaso, vendido ao Lorient) e a valorização de elementos pouco consensuais no futebol português como Roderick e Petrovic.
     Numa época em que a vitória por 3-1 sobre o Sporting, curiosamente ainda com Nuno Capucho, terá sido o ponto alto, o Rio Ave ficou a 1 ponto da Liga Europa, podendo no próximo ano ambicionar uma classificação ainda melhor, sempre com um plantel jovem e atrevido.

Destaques: Krovinovic, Gil Dias, Tarantini, Rafa Soares, Rúben Ribeiro


 FEIRENSE (8)

    A equipa-sensação de 2016/ 17. Quando fizemos a Antevisão desta época, apontámos o Feirense ao último lugar, 10 lugares abaixo daquele que veio a ser o desfecho de uma das páginas mais bonitas da História do clube. Quando previmos o 18.º lugar, o plantel aparentemente fraco e o factor José Mota (curioso que entre os 3 treinadores mais experientes que arrancaram esta edição, Jesus, Manuel Machado e Mota, os dois últimos estiveram num nível medíocre, podendo-se confundir experientes com "ultrapassados") levavam-nos a crer que a época seria difícil, embora reconhecêssemos que a união e o conhecimento mútuo do plantel poderiam até originar alguma surpresa.
    Mas nunca algo assim. A par de Marítimo, Rio Ave, Boavista e Estoril, o Feirense soube dizer basta, apostando na pessoa certa. O interino Nuno Manta Santos (38 anos), depois de uma vida dedicada à Formação do clube, agarrou a oportunidade que teve e convenceu tudo e todos, tornando-se treinador principal basicamente a pedido dos jogadores, rendidos à capacidade do homem que transformou o patinho feio no cisne da I Liga. O empate no Dragão (1-1) para a Taça da Liga acabou por ser o ponto de viragem de uma época em que se fez História.
    É simplesmente incrível constatar que desde que entrámos em 2017 só os 3 grandes somaram mais pontos do que a equipa de Santa Maria da Feira. O trabalho de Nuno Manta (mais tarde ou mais cedo, acabará num clube de outra toada) fica também taxativo quando se verifica a recta final do Feirense: 4 vitórias e 1 empate nas últimas 5 jornadas, empatando no Dragão, vencendo o Sporting e derrotando o Vit. Guimarães na cidade-berço. Neste percurso de heróis, o guarda-redes Vaná acumulou defesas impossíveis e reflexos felinos, valorizando-se o colectivo - Vítor Bruno, Luís Machado, Tiago Silva, Flávio Ramos, Ícaro e Etebo cresceram todos com Manta.

Destaques: Vaná, Karamanos, Vítor Bruno, Etebo, Tiago Silva

 BOAVISTA (9)

    A pouco e pouco, o velho Boavista está a voltar. Os axadrezados, sem que Erwin Sánchez estivesse propriamente a fazer um mau trabalho, também trocaram de treinador a meio da época, e de facto Miguel Leal representou um casamento perfeito, parecendo hoje o clube bem entregue, estável e com margem para regressar devagarinho ao patamar de outros tempos.
     O clube do Bessa formou, juntamente com Porto e Vit. Setúbal, o trio de equipas às quais o campeão Benfica não conseguiu ganhar (ai aquele 3-3 na Luz) tanto na primeira como na segunda volta. Para tal, muito contribuiu o sempre inspirado Iuri Medeiros (7 golos e 8 assistências), a mostrar que é simplesmente criminoso se o Sporting não contar com ele na próxima época. Depois de Arouca e Moreirense, foi a vez do Boavista beneficiar do virtuosismo do extremo-direito.
    A regularidade exibicional de uma defesa que sofreu tantos golos (36) como Sporting e Braga, teve por base um gigante chamado Lucas, e vários elementos em bom plano - Edu Machado e Tiago Mesquita alternaram na direita, e Talocha impediu os adeptos de sentirem saudades de Afonso Figueiredo. Renato Santos e Fábio Espinho foram igualmente importantes numa equipa muito combativa, bem orientada e à qual faltou apenas um avançado goleador.

Destaques: Iuri Medeiros, Edu Machado, Lucas, Renato Santos, Talocha

 ESTORIL (10)

    Os mais distraídos pensarão que a época do Estoril foi tranquila e sem pressão. Normalmente, é assim a época de um 10.º classificado. Mas não. À passagem da jornada 28 o Estoril era 15.º e tinha apenas mais 5 pontos do que a primeira equipa posicionada para descer. Como vêem, nem tudo foram rosas.
    Globalmente, pode-se dizer que o Estoril (uma das equipas que teve 3 treinadores ao longo de 2016/ 17) errou, mas corrigiu o seu erro atempadamente. O clube da Linha iniciou trabalhos com Fabiano Soares (o bom trabalho da época transacta tinha originado uma renovação até 2020), mas rescindiu com o técnico brasileiro quando o clube, na jornada 13, estava em 11.º. O sucessor, o espanhol Pedro Carmona, revelou-se um verdadeiro fracasso (em 11 jornadas, ganhou uma, empatou duas e perdeu 8), deixando o clube em maus lençóis.
    E foi nesse contexto que surgiu Pedro Emanuel. O antigo treinador do Arouca e da Académica acabou por ser feliz na Amoreira, colocando vários jogadores (muito talento brasileiro) a renderem finalmente o esperado - de repente, um plantel frágil até passou a ter um banco com soluções de qualidade.
    Depois de em 2015/ 16 os adeptos terem assistido ao crescimento de um bom ponta-de-lança, Léo Bonatini, o regressado Kléber até acabou como melhor marcador da equipa, mas Paulo Henrique, outro reforço de peso, foi um verdadeiro flop. Mattheus (entretanto contratado pelo Sporting) voltou a mostrar toda a sua classe e visão de jogo, e de resto a recta final serviu para valorizar Carlinhos, Allano ou Bruno Gomes, sempre apoiados por Diogo Amado e Eduardo, e por Ailton, um lateral com muito futebol.

Destaques: Kléber, Mattheus, Ailton, Bruno Gomes, Diogo Amado

 DESP. CHAVES (11)

    Em Chaves, é uma sorte o clube não ter visto o seu emblema ou o seu estádio contratados pelo Braga. Agora mais a sério, um dos clubes recém-promovidos ao primeiro escalão, apoiado por uma estrutura que pensa o futuro do seu futebol como deve ser, tendo dinheiro para investir, tinha tudo para ser a equipa-sensação desta edição. E sê-lo-ia muito provavelmente se o Feirense não desse uma oportunidade a Nuno Manta.
    A época do Chaves começou com Jorge Simão, e terminou com Ricardo Soares (técnico do Aves na próxima época), falando-se insistentemente de Luís Castro como hipótese para assumir o clube de Vila Real em 2017/ 18. No decorrer da época, o Braga assaltou Chaves sem parar: primeiro foi o treinador Jorge Simão, e depois Battaglia, Paulinho e Assis.
    O ex-Vizela Ricardo Soares - quanto a nós um treinador mais interessante do que Jorge Simão - foi uma aposta arriscada, mas ganha. É impossível mencionar a época do Chaves sem referir o percurso na Taça - eliminaram o Porto, eliminaram o Sporting, e só caíram nas meias-finais perante o Vit. Guimarães, com Douglas a defender uma grande penalidade, que faria toda a diferença, ao cair do pano.
    Embora contando com algumas desilusões (Vukcevic, Luís Alberto e Felipe Lopes), o Chaves serviu de rampa não só para os jogadores que se transferiram para Braga como também para o central Freire. Fábio Martins (o Braga que aproveite e estime este talento) foi o craque de serviço, com vários golos de belo efeito, Nélson Lenho e Braga as vozes de comando e ícones de consistência, brilhando ainda jogadores como Perdigão, Ponck e Renan Bressan.

Destaques: Fábio Martins, Nélson Lenho, Braga, Ponck, Perdigão

 VIT. SETÚBAL (12)

    Quase todos os anos há um papa-grandes, aquilo a que na Taça se chama um tomba-gigantes. Nesta edição, a maior dor de cabeça para os 3 grandes foi o Vitória de Setúbal de José Couceiro (o único treinador que cumpriu toda a época, fora os técnicos do Top-4 final). Contra o Benfica? 1-1 na Luz, vitória por 2-0 em casa. Contra o Porto? 0-0 em Setúbal, 1-1 no Dragão. E mesmo o Sporting, vitorioso nos dois jogos do campeonato com os sadinos, foi derrotado na fase de grupos da Taça da Liga.
    Com um plantel com um orçamento curtinho, o Vit. Setúbal foi sempre uma equipa consciente das suas fraquezas e forças, acabando muitas vezes por promover maus espectáculos, ao quase abdicar de atacar. O elenco, muito português diga-se, teve no guarda-redes Bruno Varela um dos principais destaques, em Mikel Agu o seu tanque de serviço, sem esquecer a temporada de João Amaral (um daqueles jogadores que cresce de época para época), Costinha e Frederico Venâncio.
    Edinho marcou uns golinhos, e embora em Agosto passado acreditássemos que esta época seria de explosão para Nuno Santos (não foi), acabou por ser outro jogador emprestado pelos encarnados, João Carvalho, a marcar um dos golos mais importantes deste campeonato.

Destaques: Bruno Varela, Mikel, João Amaral, Costinha, Frederico Venâncio

 PAÇOS FERREIRA (13)

    Depois do 7.º lugar de 2015/ 16 com Jorge Simão, e do 8.º lugar de 2014/ 15 com Paulo Fonseca, esta época soube a pouco. Na Mata Real, começou Carlos Pinto e acabou Vasco Seabra (33 anos). Nenhum foi péssimo, mas nenhum foi óptimo.
    O jovem plantel da equipa da Capital do Móvel tinha obrigação de produzir mais em campo, com vários talentos (Ivo Rodrigues, Gleison e Leandro Silva) a ficarem bastante aquém do esperado.
    É certo que muito do que o Paços versão 15/ 16 fez se deveu ao talento individual de Diogo Jota, um dos jogadores que abandonou o clube juntamente com Hélder Lopes, Fábio Cardoso, Bruno Moreira e Pelé, mas havia, ainda assim, matéria-prima para que o clube convencesse os adeptos, e terminasse com algo mais do que apenas 4 pontos de distância para o 17.º classificado e despromovido Arouca.
    Bastante evidente a brutal importância de 2 elementos, que praticamente sozinhos carregaram a equipa: Welthon, um super-avançado que não nos surpreenderá se rumar a um dos 3 grandes e que aos 24 anos marcou 11 golos, mostrou saber marcar livres directos, e exibiu um impressionante poderio físico, e Pedrinho, o pequeno criativo da equipa que fez o suficiente para dar o salto para um dos clubes do Minho.

Destaques: Welthon, Pedrinho, Andrézinho, Marco Baixinho


 BELENENSES (14)

    Julio Velázquez, Quim Machado, Domingos Paciência. Sem grande surpresa, o Belenenses voltou a cair - do 6.º lugar conseguido a meias entre Lito Vidigal e Jorge Simão passou para 9.º na época passada, e desta feita termina uns lugares abaixo.
    Sempre com muitos jogadores portugueses no seu plantel, a equipa sofreu ao estar nas mãos dos clubes que emprestam os seus jovens à equipa do Restelo. No arranque da época a baliza parecia estar muitíssimo bem entregue a André Moreira, mas o Atlético nem o deixou chegar a calçar as luvas, depois foi Joel Pereira a abandonar o clube no decurso da época por necessidade do Manchester United de José Mourinho. E a estes dois casos pode-se ainda acrescentar o de João Palhinha, um dos destaques da equipa na primeira volta, entretanto repescado pelo Sporting.
    Refém da sua situação, o Belenenses acabou por demorar forçosamente mais a edificar o seu onze-base, faltando sempre alguma estabilidade. Na defesa, Domingos Duarte e Florent estiveram bem, André Sousa acabou por chamar mais à atenção do que nomes como Yebda e Rosell, e na frente Maurides (6 golos em 12 jogos) contribuiu.
    As oscilações do Belenenses são uma boa demonstração de quão perigoso é depositar uma fatia significativa do destino em jogadores emprestados; e, aqui entre nós, havia melhores opções do que Domingos Paciência.

Destaques: João Palhinha, Domingos Duarte, Florent, André Sousa

 MOREIRENSE (15)

    Uma temporada inesquecível em Moreira de Cónegos. Os vencedores da Taça da Liga (chocante vitórias nas meias por 3-1 diante do Benfica, e um penalty de Cauê a derrotar o Braga numa final chata) viram o homem da taça, Augusto Inácio, ser demitido com alguma ingratidão por parte da Direcção, e o seu substituto, Petit, acabou por conseguir pela segunda época consecutiva salvar uma equipa na última jornada.
    Curiosidade: Petit começou no Tondela, que acabou salvo na última jornada com Pepa como treinador. E Pepa foi o antecessor de Augusto Inácio, terminando a época no banco inicialmente entregue à equipa técnica de Petit. Vidas cruzadas, que bonito.
    Honestamente, manutenção alcançada e Taça da Liga conquistada representam uma época no seu todo bastante positiva, mas em que os adeptos só puderam respirar fundo quando Boateng e companhia derrotaram o Porto por 3-1 nos últimos 90 minutos da época. E a segunda volta poderia ter sido bastante mais serena se o Sporting não "precisasse" de Podence e Geraldes (os craques da equipa na primeira volta). Ao pequeno Podence e a Geraldes, um predestinado que Jesus ignorou, juntaram-se Cauê (o farol da equipa), Boateng (muita atenção a este rapaz), Rebocho e Sagna como jogadores mais marcantes.
    Má notícia: Manuel Machado já foi anunciado como treinador na próxima época. É verdade que há um passado de MM em Moreira de Cónegos, no início do milénio, mas é também verdade que treinou as duas equipas que desceram esta época - Nacional e Arouca.

Destaques: Cauê, Boateng, Francisco Geraldes, Podence


 TONDELA (16)

    Não deve ser nada fácil ser adepto do Tondela... Depois de uma recuperação extraordinária, capaz de garantir a manutenção na época passada após um acordar tardio com Petit, 2016/ 17 foi quase uma fotocópia, imprópria para cardíacos.
    Na nossa Antevisão prevíamos que o Tondela voltasse a escapar à descida de forma tangencial, muito graças à capacidade de Petit em dotar as suas equipas daquilo que ele era como jogador - alma de guerreiro, coração, combatividade e resiliência. O Tondela acabou mesmo por sobreviver nos limites, e Petit também, mas em clubes distintos.
    Desta vez o milagreiro foi Pepa. Cinco vitórias nas últimas 6 jornadas valeram uma saborosa manutenção - depois de tantas jornadas nas masmorras do último lugar - garantida pelas luvas de Cláudio Ramos (nenhum guarda-redes fez tantas defesas como ele), pelo talento individual e capacidade em 1 para 1 de Murillo, e por outro jovem emprestado pelo Benfica, Pedro Nuno, que carregou a equipa na fase final da época, um pouco como Pica há um ano atrás. Por agora, deixemos os adeptos respirar fundo, e logo se vê o que acontecerá para o ano.

Destaques: Cláudio Ramos, Murillo, Pedro Nuno, Wagner

 AROUCA (17)

    Queda a pique. Depois de ser a Equipa-Sensação de 2015/ 16, com Lito Vidigal (técnico subvalorizado) a conduzir a equipa ao 5.º lugar, eis que o Arouca desce de divisão.
    Como é que isto aconteceu? Bem, a equipa que em 2007 tinha Jorge Gabriel como treinador, até passou a ter um plantel com maior profundidade, preparado para uma eventual presença na fase de grupos da Liga Europa, que não se veio a verificar. Anderson Luís, André Santos, Crivellaro e Kuca foram alguns dos reforços, juntando-se a estes Jorge Intima - o rapaz de 21 anos brilhou tanto (5 golos em 10 jogos) que acabou por rumar ao Saint-Étienne, sofrendo o Arouca com a sua perda.
    Neste absoluto falhanço, houve 3 treinadores envolvidos: Lito Vidigal abandonou a equipa, deixando-a em 10.º, para ir treinar em Israel, Manuel Machado perdeu os 5 jogos em que orientou a equipa, e Jorge Leitão não foi capaz de colocar a equipa no caminho certo.
    Até bem perto do fim, a descida do Arouca era um cenário que poucos colocavam como possível - o problema é que se calhar também os jogadores, equipa técnica e responsáveis partilharam esse sentimento, "deixando andar" e acreditando que a luta pela manutenção era problema de outros. Quando parecia que entre Tondela e Moreirense, um deles faria companhia ao Nacional, quem desceu foi... o Arouca. 

Destaques: Jorge Intima, Kuca, Crivellaro

 NACIONAL (18)

    Sejamos pragmáticos: com o Nacional a descer, é da maneira que menos equipas terão jogos adiados e problemas com nevoeiro.
    Manuel Machado, Jokanovic e João de Deus. O Nacional esmerou-se para ter os piores treinadores da época e a consequência foi o último lugar, vendo ao mesmo tempo o Marítimo a solidificar a sua presença na Liga NOS.
    Pior defesa (58 golos sofridos), pior ataque (22 golos marcados, que miséria), menor número de vitórias (4), maior número de derrotas (21). O plantel não fazia prever tal hecatombe, mas tirando os laterais Victor García e Sequeira, o velocista Salvador Agra e pontualmente Hamzaoui e Washington, a equipa nunca correspondeu às expectativas, nem cumpriu os mínimos, acabando por revelar muito menos querer do que Tondela e Moreirense, que lutaram até ao fim.

Destaques: Salvador Agra, Víctor García, Sequeira

29 de maio de 2017

Balanço Final - Premier League 16/ 17

  Barclays Premier League - Depois do milagre, depois do Impossível, voltámos à realidade. No campeonato em que não há vencedores antecipados (nos últimos 8 anos nunca o campeão conseguiu renovar o seu título) e em que todos os jogos são disputados nos limites, num ritmo alucinante com tanto de louco como de apaixonante, os favoritos voltaram a instalar-se no topo da classificação.
    Com Manchester e o duelo entre Guardiola e Mourinho a aguçar o interesse dos adeptos, acabou por ser outro recém-chegado ao seu clube, Antonio Conte, a chegar, ver, transformar e vencer. Numa Premier League marcada pela sua multiculturalidade e pelas diferentes filosofias de alguns dos melhores treinadores da actualidade, o mérito do treinador italiano esteve em encontrar a fórmula perfeita (percebeu rapidamente a Liga e avaliou rapidamente os jogadores que tinha em mãos) adaptando-se, mas fiel a alguns dos seus princípios de sempre - equilíbrio, intensidade, compromisso total e versatilidade de algumas peças.
    Num ano em que os ingleses voltaram a falhar na Champions (curiosamente acabou por ser o Leicester a equipa a chegar mais longe, atingindo os quartos-de-final), o Manchester United conquistou a Liga Europa, colocando termo a um período de seca a nível de conquistas europeias por britânicos que durava desde 2013 quando o Chelsea derrotou o Benfica em Amesterdão. Na competição que aqui nos traz, a única verdadeira oposição que o Chelsea encontrou foi o Tottenham (pelo 2.º ano consecutivo, a equipa de Pochettino foi aquela que praticou o futebol mais aprazível em terras de Sua Majestade), o Manchester City teve altos e baixos, permitindo a Guardiola perceber que nem tudo na sua carreira são favas contadas, e entre Liverpool, Arsenal e Manchester United, coube aos gunners falhar o "objectivo Champions" pela primeira vez desde que Wenger orienta o clube londrino. Bournemouth, West Brom e Burnley foram as equipas que nos surpreenderam pela positiva, ao contrário do campeão Leicester, do West Ham e do Manchester United (é certo que os red devils venceram a Liga Europa, a Taça da Liga e a Supertaça, mas isso não apaga o 6.º lugar) e o Hull City, Middlesbrough e Sunderland formam o trio que desce ao Championship, com Newcastle, Brighton e Huddersfield a ocuparem as suas vagas.
    Acompanhem-nos então numa viagem e análise à época das 20 equipas da Premier League 2016/ 17, num raciocínio que visa sistematizar várias ideias, ponderar o que correu bem, o que correu mal, quem brilhou ou quem desiludiu.


 CHELSEA (1)

    Quando há vários meses fizemos a Antevisão desta Premier League, num artigo em que apontávamos o Chelsea ao 3.º lugar, previmos: "a equipa deve apresentar em campo maior harmonia, maior objectividade e intensidade na procura do golo, com transições bem trabalhadas mas um equilíbrio constante graças a um modelo em que os jogadores se mantêm numa estrutura compacta". E, de facto, foi assim o Chelsea de Antonio Conte.
    Muito do sucesso do campeão, recordista na medida em que nunca uma equipa tinha vencido 30 dos 38 jogos de Premier League, fez-se durante uma sequência de 13 vitórias consecutivas (1 de Outubro até 31 de Dezembro, com dez jogos desse período sem qualquer golo sofrido) que serviu para que os blues disparassem na classificação em termos de pontos, ganhando margem de erro e confiança. O 3-4-3 de Conte, sistema que nasceu depois das derrotas frente a Liverpool e Arsenal, revelou-se perfeito dadas as características dos jogadores ao dispor do técnico italiano, e veio a marcar uma pequena tendência em Inglaterra, com vários treinadores a experimentarem posteriormente os benefícios de uma defesa a três.
    N'Golo Kanté foi a principal figura da equipa, sagrando-se novamente campeão e voltando a contribuir de forma decisiva para o equilíbrio dos seus, conseguindo com a sua leitura de jogo, intensidade, simplicidade de processos e raça asfixiar os adversários e aumentar o oxigénio dos colegas. O 3-4-3 à frente do "luvas de ouro" Courtois teve por base um trio sólido (Cahill ao seu melhor nível, David Luiz a calar muita gente e Azpilicueta a roçar a perfeição), dois dínamos nos flancos (a entrada de Marcos Alonso no 11 coincidou com a metamorfose táctica que marcou a época do Chelsea, e Moses encontrou a sua praia a ala-direito) e um miolo de ferro no qual Kanté teve sobretudo Matic ao seu lado, contando ocasionalmente com Fàbregas e com a suprema capacidade do espanhol em encontrar linhas de passe e passar à distância. Tudo isto soltou a estrela da companhia, Eden Hazard (16 golos e 5 assistências) para uma temporada sempre num nível bastante alto, e Diego Costa que, focado e a saber dosear a sua agressividade, foi absolutamente determinante (talvez o melhor jogador da Premier League na 1.ª volta) com golos e muita luta.
    A inexistência de competições europeias contribuiu também para o sucesso deste Chelsea, mantendo-se o grupo mais fresco e tendo ainda a sorte de terem existido poucas lesões. No final, foi indiscutível a justiça do 1.º lugar, numa equipa que fez jus a essa palavra, e que demonstrou sempre enorme organização e união, sabendo lidar com a pressão, sem vacilar na Hora H.

Destaques: N'Golo Kanté, Eden Hazard, Diego Costa, David Luiz, Azpilicueta

 TOTTENHAM (2)
   
    Pelo segundo ano consecutivo, o Tottenham é a equipa em Inglaterra com maior diferença entre golos marcados e sofridos. Pelo segundo ano consecutivo, o Tottenham é a equipa que melhor futebol pratica na Premier League. Falta ganhar.
    Os spurs, depois de um 2015/ 16 com futebol de luxo mas uma recta final em queda livre, voltaram a deliciar os adeptos com um futebol de equipa grande (controlo total do jogo, muita dinâmica, pressão alta, golos bonitos, excelente entrosamento no ataque, e muito dedo de Pochettino visível no campo) e ficaram um passo mais perto do título. Com 86 golos marcados (melhor ataque), 26 golos sofridos (melhor defesa) e apenas 4 derrotas (nenhuma equipa perdeu tão pouco), a juventude ao serviço do treinador argentino evoluiu, e caso o Tottenham consiga manter o núcleo duro actual, o título que foge desde 1960/ 61 pode estar próximo.
    Invictos em White Hart Lane (única equipa que não perdeu qualquer jogo em casa), tememos que os spurs possam sofrer com o facto de em 2017/ 18, num ano em que terão melhores odds para serem campeões, existir uma mudança de morada: o Tottenham disputará todos os seus jogos caseiros em Wembley, enquanto White Hart Lane está em obras. Tal coisa pode funcionar contra ou a favor, mas a teoria diz que pode ser uma adversidade para a equipa de um dos melhores treinadores do mundo, Mauricio Pochettino, alguém que finalmente começa a ter o devido crédito.
    Nesta temporada, o Tottenham alternou entre o seu tradicional 4-2-3-1 e um 3-4-2-1, trabalhando uma ideia plástica ao longo de 90 minutos, e acabando por vezes por utilizar dois sistemas diferentes no mesmo jogo. A riqueza táctica deste Tottenham, "mandão" em quase todos os jogos em que entra em campo, está alicerçada em vários factores: a melhor defesa em Inglaterra (Alderweireld-Vertonghen são a melhor dupla, e nenhuma equipa tem melhores laterais do que Walker/ Rose), músculo no centro de jogo (Dembélé, Dier ou Wanyama), muita criatividade, técnica e boas combinações (Eriksen, Dele Alli e Son Heung-Min) e, claro, um grande matador chamado Harry Kane. O melhor marcador do campeonato, com 29 golos, 7 deles marcados nas últimas duas jornadas.
    Pelo gozo que dá ver os miúdos de Pochettino jogar, torcemos para que os spurs consigam manter quase toda a gente (seria fantástico verificar o crescimento desta equipa nos próximos 5 anos sem perder Kane, Alli, Eriksen, etc.), ganhando soluções e plantel durante o próximo defeso. Uma coisa é certa: no Norte de Londres há um projecto sustentado, com uma identidade bem definida e craques capazes de marcar a próxima década no futebol britânico.

Destaques: Hary Kane, Dele Alli, Christian Eriksen, Moussa Dembélé, Son Heung-Min

 MANCHESTER CITY (3)

    
Entre Guardiola e Conte houve nesta temporada uma diferença, que fez toda a diferença. Chegados a uma realidade nova, dois dos melhores treinadores do planeta agiram de modo diferente - Antonio Conte compreendeu mais rapidamente os tempos e a cultura do futebol inglês, adaptando-se (e acabando depois por levar várias equipas a adoptarem um esqueleto semelhante ao do seu Chelsea), enquanto que Pep Guardiola procurou implementar as suas ideias e a sua filosofia, acreditando que seria capaz de revolucionar a Premier League, adaptando-se a Liga ao seu Manchester City de sonho. Não aconteceu, com Pep a ignorar por exemplo a importância das segundas bolas em Inglaterra. Mas estamos convictos de que o treinador espanhol aprendeu muito em 2016/ 17, e surgirá fortíssimo na próxima época.
     A fechar o pódio, o novo clube de Bernardo Silva fraquejou em vários momentos, faltando consistência (Guardiola fartou-se de experimentar, mudou imenso o seu onze, fundamentalmente porque como diz Henry o facto de saber demais por vezes prejudica-o) e um balneário mais coeso e unido. O visionário que por vezes inventa e complica o simples teve sempre uma equipa desequilibrada, com o brutal talento no ataque a não equivaler às opções de qualidade reduzida atrás (ainda por cima, Claudio Bravo foi uma desilusão, e Kompany passou muito tempo lesionado).
    Tudo somado, foi uma temporada de aprendizagem e diagnóstico para Guardiola, que tem um Verão para limpar a casa e reforçar posições-chave (laterais e guarda-redes, nomeadamente), mas que terá ficado agradado com o rendimento de De Bruyne e do mago David Silva, com a generalidade da época de Agüero e com dois diamantes chamados Sané e Gabriel Jesus.
    A revolução de Guardiola continua em marcha, e terá novos capítulos num ano em que já não haverá desculpas para o espanhol.

Destaques: Kevin De Bruyne, David Silva, Kun Agüero, Leroy Sané, Gabriel Jesus

 LIVERPOOL (4)

    Ainda não foi este ano que os adeptos do Liverpool puderam quebrar o jejum no que toca à conquista do campeonato. Recordamos que os reds nunca conquistaram a primeira divisão inglesa no formato Premier League, com o 1.º lugar a fugir desde 1989/ 90. 

    Mas esta temporada deve ser vista como um passo na direcção certa. Orientado pelo alemão Jürgen Klopp (primeira época completa no clube), este Liverpool já está mais perto daquilo que o alto, loiro e louco técnico pretende - futebol de risco, transições mortíferas, exigindo uma disponibilidade física quase infinita aos seus jogadores. Extremamente bem nos jogos grandes (vitória e empate contra o Chelsea, vitória e empate contra o Tottenham, vitória e empate contra o City, duas vitórias contra o Arsenal e dois empates contra o United), o clube de Anfield teve pois alguns deslizes contra clubes de menor dimensão, que acabaram por distanciar os reds da regularidade e qualidade de Chelsea e Tottenham.
     Notou-se uma evidente evolução no futebol praticado, com os reforços Sadio Mané e Wijnaldum a encaixarem na perfeição na filosofia do treinador; mas há aspectos a corrigir, nomeadamente na defesa (James Milner, toda a época adaptado a lateral-esquerdo, foi um dos melhores do sector). No ataque, a magia de Coutinho (não o deixem escapar, por favor) e a velocidade e frieza de Mané fizeram destes 2 craques as grandes estrelas, com o papa-quilómetros Lallana a revelar-se também peça fulcral.
    O 4.º lugar era algo que já perspectivávamos no início da temporada. O ano era não só de implementação mas também de consolidação de processos, e assim foi. A base está construída e com alguns retoques no plantel (Klopp costuma ter bastante bom gosto a contratar) acreditamos que a equipa de Anfield regresse para 17/ 18 com um potencial maior e à procura de troféus. É, ainda, de saudar o regresso do Liverpool à Champions League, ainda que haja um playoff para ultrapassar.

Destaques: Coutinho, Sadio Mané, Adam Lallana, Emre Can, Wijnaldum

 ARSENAL (5)

    Apesar de terem terminado em 2.º lugar na época passada, bem que avisámos (apontámos os gunners ao sexto lugar, graças à elevada competitividade, aos reforços da concorrência e à falta de ambição do clube) que este ano poderia ser crítico para os londrinos. Depois de tantos anos na Champions League - Wenger conseguiu em 2015/ 16 a 20.ª presença consecutiva no Top-4 -, chegou finalmente o momento em que o Arsenal desce à Liga Europa, por via do 5.º lugar deste ano.
    O culpado está identificado, a paciência esgotou-se (embora a conquista da FA Cup tenha aumentado o oxigénio ao técnico francês) e Arsène Wenger tem a cabeça a prémio. "Wenger Out" é o mote seguido pela grande maioria arsenalista, expressão espalhada em dezenas de cartazes no Emirates, e que percorre a Internet em forma de hashtag. No nosso entender, o melhor para todas as partes seria dar por terminada esta Era Wenger e dar início a um novo ciclo, reinventando o clube.
    Embora haja necessidade de reforçar estrategicamente algumas posições (desde van Persie que o Arsenal precisa de um avançado ao nível do restante elenco), o que os actuais craques precisam é de um novo desafio, de um abanão que faça nascer nova mentalidade - embora seja um símbolo do clube e tenha ajudado o clube a conquistar muita coisa, é normal associar-se hoje Wenger a uma certa monotonia e conformismo. A Direcção, sempre numa postura "está bom assim, isto chega", tem-se acomodado e adiado o inevitável, afastando o clube dos títulos e hipotecando o crescimento deste Arsenal, com tudo isto a reflectir-se animicamente nos jogadores.
    Compreende-se por isso a vontade de Alexis Sánchez (24 golos e 10 assistências nesta Premier League, e um exemplar caso de fome de sucesso) em sair para clubes com mentalidade vencedora e ambição, que não se satisfaçam com um Suficiente. A continuidade de Sánchez e Özil (o alemão tem talento para render muito mais) não é certa, e todo o defeso se decidirá em função disso, mas a melhor forma de os segurar pode passar pelo nascimento de um novo projecto, com novo treinador.
    Bem se diz que é difícil separarmo-nos de alguém com quem vivemos tantos momentos bons, mas por vezes a mudança tem que acontecer para voltarmos a ser felizes. É o futuro do Arsenal que está em causa, e a Direcção irá definir o desfecho desta novela.

Destaques: Alexis Sánchez, Laurent Koscielny, Mesut Özil, Olivier Giroud, Monreal

 MANCHESTER UNITED (6)

    Para nós, a grande desilusão da temporada. Depois do grande investimento feito para satisfazer os pedidos de José Mourinho, os red devils tinham obrigação de vencer a Premier, ou no mínimo ficar perto disso. Lembram-se quanto custou Pogba? Mais de 100 Milhões! Mourinho teve todos os ingredientes para uma temporada de sonho, podendo reavivar a sua velha rivalidade com Pep Guardiola (curiosamente, os rivais de Manchester desapontaram ambos, testemunhando a superioridade de Chelsea e Tottenham), mas alguma teimosia (Depay nunca foi aposta, acabando vendido; Mkhitaryan demorou imenso a entrar nas escolhas; Martial precisava de ter minutos para não estagnar) e várias lesões acabaram por fazer deste United uma equipa com pouca chama e encanto, previsível e limitada.
    É impossível ignorar os 15 (quinze!) empates, um recorde do clube na Premier League, numa época em que nem Stoke nem Middlesbrough empataram tanto, e é bastante difícil explicar a gritante ineficácia e seca de golos da equipa de Manchester quando se tem Pogba, Mkhitaryan, Martial, Rooney, Rashford e Zlatan Ibrahimovic. Com 54 golos os red devils marcaram menos golos do que o 9.º classificado Bournemouth, e quase tantos como o Crystal Palace. O ataque, carregado essencialmente por Zlatan aos 35 anos, contrastou com o bom desempenho defensivo - segunda melhor defesa, com 29 golos sofridos.
    As 3 conquistas da época (Community Shield, Taça da Liga e Liga Europa) não apagam o sexto lugar. A vitória europeia, numa competição que Mourinho tanto desdenhou ao longo da sua carreira, acabou por garantir o objectivo Champions, amenizando aquilo que seria uma época trágica para o histórico colosso inglês. Com franqueza, estamos a falar do clube com mais títulos em Inglaterra, que com Sir Alex Ferguson no comando nunca terminou abaixo do 3.º lugar.
    O Manchester United tem que saber estar à altura da sua História, mas para já José Mourinho sai cansado para férias, dizendo que esta foi a temporada mais difícil da carreira. A versão 2017/ 18 do United terá certamente outro pedigree, veremos se terá ou não De Gea entre os postes, e preparem-se para ver o United acompanhar o investimento louco do City (a transferência de Bernardo Silva para o City pode-se considerar a primeira derrota do Verão para o United).

Destaques: Zlatan Ibrahimovic, Ander Herrera, Antonio Valencia, De Gea, Paul Pogba

 EVERTON (7)

    O facto dos toffees terem ficado logo abaixo dos 6 candidatos ao título, aproveitando o decréscimo em termos de rendimento de Leicester, West Ham e Southampton, chega para afirmar que a época do Everton correspondeu às expectativas colocadas para este Ano 1 de Ronald Koeman. O holandês, depois de um excelente trabalho num concorrente directo, acabou por "roubar" o estatuto que o Southampton tinha de primeiro clube pós-grandes. Basta verificar que o Everton vinha de duas temporadas em 11.º, num período em que os saints de Koeman tinham terminado em 7.º e 6.º lugar.
    Falar do 2016/ 17 do Everton é, invariavelmente, falar de Romelu Lukaku. O possante avançado belga, qual força da natureza, atingiu o seu novo máximo individual na Premier League - 25 golos - e levou o futebol da equipa para outro patamar. Aos 24 anos, esta deve ter sido a última temporada do belga no clube, e muito contribuiu Lukaku para fazer de Goodison Park o palco da 4.ª equipa com melhor registo caseiro.
    O apuramento para as competições europeias (Liga Europa) foi o prémio final, numa edição em que Lukaku foi o homem-golo, Gueye uma espécie de Kanté e Tom Davies uma revelação. Menos sorte tiveram Bolasie e Coleman, elementos afectados ao longo da temporada por lesões graves e em relação aos quais fazemos votos de céleres recuperações.

Destaques: Romelu Lukaku, Seamus Coleman, Idrissa Gueye, Ross Barkley, Tom Davies

 SOUTHAMPTON (8)

    Depois de Pochettino e Koeman, o Southampton apostou em Claude Puel, mas o francês - embora não tenha propriamente fracassado - não conseguiu estar ao nível dos antecessores, fazendo dos saints uma equipa razoável defensivamente mas tímida no ataque. Pessoalmente, não nos desagradava que o clube encontrasse novo homem do leme para o projecto: Marco Silva já está comprometido com o Watford, mas Eddie Howe poderia significar o casamento perfeito.
    A irregularidade dos saints, cuja performance defensiva deve ser elogiada dado o contexto - o capitão José Fonte saiu para o West Ham, e o melhor jogador da equipa, o central holandês Virgil van Dijk, falhou a segunda metade da época. Ainda assim, notou-se uma dificuldade de Puel em encontrar o seu onze-base, sem nunca identificar o melhor trio de ataque. Austin (934 minutos) voltou a acumular lesões, Jay Rodriguez (893 min) só esteve disponível a espaços, e mesmo Boufal e Shane Long nunca se afirmaram como indiscutíveis. Para além da super-época de van Dijk (qualquer equipa do Top-7 ganharia em contratá-lo) até este se lesionar, deve-se destacar o crescimento de Romeu e Redmond como atletas, a magia que o sérvio Tadic empresta ao jogo da equipa, e ainda o impacto imediato que Gabbiadini teve quando contratado ao Nápoles. Temos particular curiosidade para acompanhar a próxima época do italiano.

Destaques: Virgil van Dijk, Oriol Romeu, Dusan Tadic, Nathan Redmond, Ryan Bertrand

 BOURNEMOUTH (9)

    Vamos lá a uma pequena aula de História. Nesta que é a segunda vida do jovem Eddie Howe no clube importa relembrar que os cherries foram vice-campeões da League One em 2012/ 13, em 2013/ 14 ficaram em 10.º no Championship, em 2014/ 15 venceram o Championship, e na época passada - em estreia absoluta na Premier League - a equipa ficou no 16.º lugar. E há sete anos estava o Bournemouth na League Two (a quarta divisão inglesa).
    Sempre a subir. O Bournemouth tem progredido de forma fascinante, sem nunca abdicar de jogar bonito, mérito de Howe, alguém que já merecia outro patamar, embora também seja tentador vê-lo a continuar a fazer evoluir o clube do Sul de Inglaterra. Aliás, o que mais impressiona é constatar que na longínqua época de 2012/ 13, quando os cherries ficaram em 2.º na League One, já faziam parte do plantel elementos como Simon Francis, Steve Cook, Charlie Daniels, Harry Arter ou Marc Pugh. Quase romântico.
    Desta temporada, para além de novo crescimento (em campo e na classificação) o destaque individual inevitável é Joshua King. O norueguês realizou uma segunda volta incrível e terminou com uns sensacionais 16 golos.
    Pode este Bournemouth continuar a evoluir? Poder pode, mas o primeiro passo passará sempre por segurar o seu jovem e visionário treinador.

Destaques: Joshua King, Charlie Daniels, Adam Smith, Steve Cook, Harry Arter

 WEST BROMWICH (10)

    Com um plantel que teoricamente iria lutar para não descer, Tony Pulis, o homem que nunca vai ao fundo, conseguiu construir um 10.º classificado sólido, respirando tranquilidade.
    Para se explicar aquele que talvez seja o melhor trabalho até à data de Pulis é preciso pensar que jogadores mais se destacaram na temporada do WBA. E é bastante intuitivo: o sector mais recuado. Em melhor plano estiveram o guardião Ben Foster, os defesas Craig Dawson, Jonny Evans e sobretudo o veterano Gareth McAuley (6 golos marcados pelo central de 37 anos!), o versátil Brunt e ainda Livermore, um médio de cobertura que pouco se aventurou no ataque.
    Matt Phillips foi durante algum tempo o elemento ofensivo mais importante, conseguindo maior consistência do que Rondón ou Chadli, jogadores que perfumaram alguns jogos. E por tudo isto se compreende que o objectivo deste West Brom, como habitualmente nas equipas de Pulis, foi garantir que a equipa não perdia, que não sofria golos.
    Ninguém ficou encantado com o futebol nos Hawthorns, mas não se podia pedir mais a este elenco. Desta vez não houve qualquer estrelinha da permanência, houve trabalho e muito mérito, apoiado num grupo experiente e num treinador-personagem que conhece muito bem a Liga.

Destaques: Gareth McAuley, Craig Dawson, Ben Foster, Jake Livermore, Matt Phillips

 WEST HAM (11)

    A época dos hammers, uma das desilusões da época, explica-se através das suas dores. Duas, sobretudo, que podem ser consideradas dores de crescimento. Depois de Bilic (continuamos a considerá-lo o treinador certo para este projeto e oxalá o clube não se precipite, despedindo o croata) conduzir a equipa ao 7.º lugar, dois acontecimentos condicionaram toda a temporada: o clube perdeu o seu talismã, Dimitri Payet, determinado em jogar no Marselha, e acusou a transição do Boleyn Ground ou Upton Park, a sua casa de sempre, para o majestoso estádio Olímpico.
    Quando o plantel tinha tudo para apresentar maior profundidade, possibilitando inclusive alguma gestão e rotação a Bilic, vários reforços acabaram por ser tiros ao lado (Calleri, Töre, Nordtveit ou Arbeloa), esperando nós muitíssimo mais de Feghouli ou André Ayew.
    José Fonte acabou por transitar de uma equipa que terminou em 8.º para uma que fechou a época em 11.º, mas é importante que a Direcção confie no trabalho desenvolvido nestes dois anos, segurando os melhores jogadores desta época (Lanzini e Antonio) e construindo uma equipa que saiba fazer justiça ao estádio que hoje é seu.

Destaques: Manuel Lanzini, Michail Antonio, Robert Snodgrass, Winston Reid

 LEICESTER CITY (12)

    É difícil, senão impossível, encontrar um momento do Futebol em 2016/ 17 mais cruel do que o despedimento de Claudio Ranieri.
    Os campeões de 2015/ 16 desceram à Terra e perceberam a tempestade perfeita que foi a época do título. Na realidade, sempre dissemos que terminar no Top-8 equivalia a uma boa temporada dos foxes, mas o 12.º lugar e o brutal decréscimo qualitativo obrigam a considerar esta temporada uma desilusão a nível interno. A época do Leicester fez-se sim na Champions, conseguindo Vardy, Mahrez e companhia atingir os quartos-de-final (nenhuma equipa inglesa chegou tão longe, caindo os foxes perante o Atlético de Simeone).
    De 2015/ 16 para 2016/ 17 não mudou assim tanta coisa. Mas a saída de N'Golo Kanté para o Chelsea mudou quase tudo. Mendy não foi capaz de substituir Kanté, Ndidi conseguiu melhorar a equipa embora muito longe do nível do omnipresente médio francês; vários reforços não acrescentaram valor como se esperava (Musa, Slimani, Kapustka); e de resto uma das principais diferenças foi mesmo o elevado número de jogadores (principalmente Riyad Mahrez e os defesas centrais) muito abaixo do nível apresentado há um ano.
    No meio de tudo isto, salvou-se Jamie Vardy. E não se salvou Ranieri, com a equipa a entrar nos eixos com Shakespeare (continuará?) no comando.

Destaques: Jamie Vardy, Wilfred Ndidi, Kasper Schmeichel, Marc Albrighton

 STOKE (13)

    O Stoke é, muito provavelmente, a equipa que teve a época mais cinzenta e a presença mais neutra nesta edição. Um futebol pouco apaixonante, poucos destaques individuais, e uma equipa que sem ser desilusão nem sensação, andou sempre pelo meio da tabela longe do céu e do inferno. E, mesmo que a classificação final até fosse esta, pedia-se melhor futebol e mais chama à equipa de Mark Hughes.
    Com pouca história para contar, Lee Grant foi um dos bons guarda-redes desta Premier League, colmatando a ausência prolongada de Butland (guardião de outro nível), Joe Allen deu sequência ao seu excelente Euro-2016 afirmando-se como o melhor jogador do clube nesta época, e face ao fraquíssimo rendimento de Wilfried Bony e Berahino, o Stoke viveu da inspiração e imprevisibilidade de 2 craques peritos na irregularidade, Shaqiri e Arnautovic.

Destaques: Joe Allen, Lee Grant, Xherdan Shaqiri, Marko Arnautovic

 CRYSTAL PALACE (14)

    E Sam Allardyce lá salvou mais uma equipa. Depois de ter salvo no passado West Ham, Bolton, Blackburn e o Sunderland (sim, na época passada), o resgate do Crystal Palace foi a última missão do soldado Allardyce antes de se aposentar.
    Numa época em que o Palace começou com Pardew, e em que Allardyce passou 67 dias como seleccionador inglês, a injecção de pragmatismo do técnico que iniciou funções em Dezembro chegou para deixar o clube progressivamente mais sereno e dono do seu destino.
    A equipa que em Abril derrotou Chelsea, Arsenal e Liverpool, teve no costa-marfinense Wilfried Zaha a sua principal arma, e em Benteke (acordou quando Allardyce chegou) o goleador em momentos determinantes. Mais importante do que Townsend ou Mandanda acabou por ser o reforço de Inverno, Milivojevic, e é impossível ignorar a importância de Mamadou Sakho na defesa (o central emprestado pelo Liverpool realizou apenas 8 jogos pelo Palace na Premier League, o suficiente para surgir entre os nomeados do clube para Jogador do Ano).

Destaques: Wilfried Zaha, Christian Benteke, Mamadou Sakho, Yohan Cabaye

 SWANSEA (15)

    Todos os caminhos da temporada 2016/ 17 do Swansea vão dar a um homem: Gylfi Sigurdsson. Se houve nesta Premier League uma one man team, essa equipa foi definitivamente o Swansea, carregado pela qualidade individual do médio islandês.
    Os swans só se "encontraram" quando Paul Clement foi anunciado como treinador, e desde bem cedo que se adivinhava uma época no limbo para o clube do País de Gales. A falta de qualidade numa defesa órfã do seu capitão e líder Ashley Williams (transferido para o Everton), que se veio a tornar a 2.ª pior defesa do campeonato (70 golos sofridos), e a falta de soluções no banco não auguravam nada de bom, e ainda há muito a fazer num clube que há alguns anos respirava muito mais saúde e potencial, quando entregue a Laudrup e a Rodgers.
    A manutenção foi garantida nas últimas jornadas, e como já dissemos o peso e o contributo de Sigurdsson foi absolutamente decisivo. O nórdico que faz toda a equipa jogar realizou a sua melhor temporada em Inglaterra, com várias assistências, mostrando ser muito provavelmente o melhor marcador de bolas paradas (impressiona a constante perfeição de Gylfi a bater cantos e livres indirectos) na Premier League. Se por acaso Sigurdsson sair no próximo defeso, os swans vão passar dificuldades.
    Para além da natural relevância do "factor Clement", Sigurdsson contou com os golos de Llorente (cumpriu sem deslumbrar), com a afirmação do central Alfie Mawson e ainda com a evolução de Tom Carroll.


Destaques: Gylfi Sigurdsson, Fernando Llorente, Alfie Mawson, Tom Carroll

 BURNLEY (16)

    Das duas vezes em que o Burnley tinha subido à Premier League, o resultado tinha sido sempre o mesmo: despromoção no ano seguinte. Desta vez, os pupilos de Sean Dyche foram uma das boas surpresas deste campeonato, conseguindo uma temporada tranquila (não se pode dizer que tenham estado envolvidos na luta para não descer, acabando por cair na classificação só no fim e já com os objectivos cumpridos) com um dos plantéis mais fracos da prova.
    Pode-se dizer que esta época bem sucedida teve na sua base dois factores. Primeiro, o registo do Burnley no seu estádio, o Turf Moor - em casa, o Burnley conquistou 33 do total de 40 pontos da época. E depois, o desempenho da sua defesa: o triângulo Tom Heaton, Michael Keane e Ben Mee foi fundamental, com o guardião inglês a realizar uma temporada fantástica, e a dupla de centrais a surpreender, dominando nas alturas.
    Pensávamos que Andre Gray iria marcar mais golos (acabou por ser Sam Vokes, com 10 golos, o melhor marcador da equipa) e, de um modo geral para que o clube cresça na direcção certa, os próximos reforços têm que ser claramente na linha de Robbie Brady, para que o clube consiga não só sobreviver mas subir um degrau.

Destaques: Tom Heaton, Michael Keane, Ben Mee, Sam Vokes, Jeff Hendrick

 WATFORD (17)

    O novo desafio de Marco Silva é a equipa que ficou um lugar e 6 pontos acima do seu Hull City.
    Sob o comando de Mazzarri, o Watford até deixou boas indicações no começo da temporada (quando venceu o West Ham fora por 4-2 e o Manchester United em casa por 3-1, parecia poder estar ali uma das sensações da época), mas a lesão de Roberto Pereyra (um dos poucos jogadores acima da média na equipa) aliada ao fantasma Ighalo (entretanto fez as malas para a China) e ao carácter algo "tosco" da defesa, levou os hornets a cumprirem somente os requisitos mínimos.
    O francês Capoue (nas primeiras 5 jornadas marcou 4 golos) foi um dos fenómenos passageiros desta edição, Deeney chegou aos 10 golos, e entre os reforços de Inverno, Niang fez o suficiente para ser contratado em definitivo.
    Seja como for, Marco Silva terá muito trabalho nos próximos meses: o Watford precisa de uma revolução, uma vez que este plantel não serve para a proposta de jogo habitual do treinador português, sendo urgente um rejuvenescimento do plantel e, globalmente, mais qualidade técnica.

Destaques: Etienne Capoue, Troy Deeney, Gomes, Nordin Amrabat

 HULL CITY (18)

    Quase, quase, quase. Foi por pouco que o português Marco Silva falhou o "milagre" da época em Inglaterra. Os tigers até arrancaram a temporada a desafiar as probabilidades - as 4 primeiras jornadas supreenderam muita gente, face à quantidade de lesões e à falta de reforços do clube - mas o tempo atirou o Hull para o último lugar da tabela, chegando à 20.ª jornada com apenas 13 pontos conquistados (particularmente penoso quando à 4.ª jornada o clube já somava 7).
    O craque da equipa, Robert Snodgrass, abandonou o clube em Janeiro, altura em que Marco Silva abraçou o desafio que, embora sem final feliz, acabou por colocá-lo no mapa dos treinadores em terras britânicas. A chegada do técnico português, ousado e pronto para revolucionar a forma de jogar do Hull, significou a chegada de vários reforços (Grosicki, Niasse, Markovic, N'Diaye, Ranocchia, Elabdellaoui e Evandro) e originou um boost na confiança do plantel, que passou a acreditar na manutenção.
    Na recta final, uma derrota inesperada em casa com o Sunderland - que pôs fim ao incrível registo caseiro de Marco Silva entre Estoril, Sporting e Olympiacos - e a incapacidade do clube em reagir na jornada seguinte perante o Crystal Palace, acabaram por destruir o sonho da manutenção, numa temporada que valorizou e muito não só o treinador lusitano mas também o lateral-esquerdo Robertson e o central Maguire.
    Por força das circunstâncias, acabámos por ser todos um bocadinho do Hull e talvez o desfecho tivesse sido outro se o treinador português tivesse substituído Phelan mais cedo.

Destaques: Andrew Robertson, Harry Maguire, Sam Clucas, Eldin Jakupovic

 MIDDLESBROUGH (19)

    É em certa medida um lugar comum dizer-se que na Premier League, na luta pela manutenção, costumam salvar-se as equipas que sabem defender. No entanto, defender só não chega.
    O regresso do Middlesbrough ao primeiro escalão parecia ter tudo para dar certo. O bom trabalho de Karanka no Championship e os reforços sonantes (Negredo e Valdés principalmente, mas também a promessa dinamarquesa Viktor Fischer e o médio defensivo holandês de Roon) levavam a crer que a temporada poderia pautar pela tranquilidade e estabilidade, culminando num lugar a meio da tabela.
    No entanto, a realidade foi bem diferente. O despedimento de Karanka à passagem da jornada 27 revelou-se um erro (o Boro estava a 3 pontos do 17.º classificado, e acabou a 12), passando a ideia de que o clube estava a desistir, e os números não deixam dúvidas. O Middlesbrough fartou-se de empatar (13 empates, valor apenas superado pelo United que mais empatou na História), foi a equipa com menos vitórias (apenas 5) e o pior ataque (27 golos marcados, quando Harry Kane sozinho marcou 29 pelo Tottenham).
    A nível individual, foram vários os jogadores em sub-rendimento, com o central Ben Gibson a ser provavelmente o principal destaque ao longo dos vários meses de competição.

Destaques: Ben Gibson, Álvaro Negredo, Marten de Roon, Victor Valdés

 SUNDERLAND (20)

    Permitam-nos dizer isto: Finalmente! Depois de inúmeros anos a safar-se tangencialmente, mas quase sempre com um futebol pobre, é desta que o Sunderland desce ao Championship.
    Os black cats, num ano particularmente penoso e amargo uma vez que descem ao segundo escalão e vêem o grande rival Newcastle ocupar a sua vaga, foram a pior equipa em prova, e parece-nos improvável que consigam reagir a esta descida há muito anunciada, mediante a fraca qualidade do elenco. David Moyes não teve mãos para salvar o clube, e não deixa de ser curioso que no ano em que o Sunderland abandonou o seu habitual modus operandi (tornou-se quase tradição o clube despedir o treinador no decorrer da época, salvando-se com o seu substituto, algo que ocorreu nas transições entre Di Canio, Poyet, Advocaat e Allardyce) acaba por ocorrer o inevitável.
    Nem as infinitas do jovem Pickford nem os golos do veterano Defoe foram suficientes para segurar o Sunderland, um lanterna vermelha que tem pela frente uma verdadeira travessia do deserto.

Destaques: Jordan Pickford, Jermain Defoe