22 de abril de 2015

Bayern Munique 6-1 Porto: Exterminador de sonhos

Bayern Munique    6 - 1    Porto (Thiago 14', Boateng 22', Lewandowski 27', 40', Müller 36', Xabi Alonso 88'; Jackson 73')

    Acabou o sonho português. O Porto não conseguiu aproveitar a vantagem que trazia de solo nacional e acabou por ser goleado em Munique por um Bayern com uma fome imensa de vingança. A malapata dos portugueses contra os alemães continua, num jogo em que Guardiola soube unir a sua equipa e moldá-la face às suas grandes ausências no plantel. Já Lopetegui deu dois tiros nos pés com as suas escolhas...
    O Bayern Munique continuou privado de Robben, Ribery, Alaba e Benatia. Schweinsteiger já se sentava no banco, mas não estava em condições ideais para entrar na partida. Embora a equipa permaneça com inúmeras estrelas, era necessário que Pep Guardiola moldasse a sua estratégia já que teria de virar uma eliminatória sem as suas asas - Robben e Ribery, já ausentes na primeira mão. A diferença é que o Bayern desta vez mostrou-se organizado e com uma fome de golo fora do normal... E sem Dante no onze. Por sua vez, Lopetegui decidiu tentar defender o resultado e - estando desprovido de laterais - optou por jogar com quatro centrais. Reyes jogou no lugar de Danilo e Martins Indi no lugar de Alex Sandro. No eixo da defesa, Maicon fez dupla com Marcano.
    Desde bem cedo se viu um Porto recuado e determinado apenas em não errar defensivamente. O objectivo de Lopetegui era não abrir espaços para a velocidade e vontade de atacar com tudo dos alemães. Só que quatro centrais não significam maior consistência defensiva. Pelo contrário. Reyes e Indi não tinham de todo pernas para aguentar as investidas de Bernat e Lahm, respectivamente. As bolas nas costas dos laterais eram um perigo eminente para a baliza de Fabiano. Quaresma e Bernat acabaram por se pegar, com o espanhol a vingar-se das maldades do Harry Potter da primeira mão. Era dos mais enérgicos jogadores em campo e o primeiro golo acabou por nascer dos seus pés. Após a ameaça uns minutos antes de Müller e Lewandowski (remate do alemão para boa defesa de Fabiano e recarga do polaco ao poste), Bernat explorou as facilidades no corredor para disferir um cruzamento perfeito para a entrada fulgurante de cabeça de Thiago Alcântara ao primeiro poste. Estava feito o primeiro no jogo, mas não estavam cumpridos os 13 minutos de azar do Porto. O relógio assinalava 22 minutos de jogo quando os alemães beneficiavam do primeiro pontapé de canto. Canto batido à maneira curta, Thiago cruza para a área, Holger Badstuber cabeceia para perto da pequena área onde Boateng consegue desviar para golo. Muitas facilidades dadas pela defesa do Porto neste lance. Uma jogada que em nada parecia levar selo de golo, acabou por sê-lo através da insistência dos dois centrais do conjunto alemão. A eliminatória já não jogava a favor do dragão e complicou-se ainda mais com um golo de antologia dos alemães. Alcântara jogou largo para as costas de Indi, Lahm - de primeira - colocou na área onde Müller - também ele de primeira - serve para o golo de Robert Lewandowski. Uma jogada toda ao primeiro toque desde a sua génese - os pés de Thiago Alcântara. Foi mais um duro golpe para a moral dos portugueses e Lopetegui acabou por reagir muito tarde a um dos seus grandes erros. Após o terceiro golo, decide colocar Ricardo Pereira no lugar de Reyes para tentar que as saídas rápidas de Bernat não fizessem tanta mossa. Porém, o caudal ofensivo dos alemães ainda não tinha parado. Müller aproveitou os espaços dados para rematar de fora de área culminando num frango de Fabiano. A bola ainda desvia em Indi, mas vai na direcção do guarda-redes brasileiro... Contudo, o esférico acabou mesmo por entrar numa tentativa falhada de Fabiano pontapear para longe. No mínimo caricato... A pausa que Lopetegui tanto ansiava no jogo não aconteceria sem mais um golo alemão. Müller trabalhou bem na direita - ao aguentar a carga do defesa portista - e serviu para o bis de Lewandowski. O polaco temporizou e rematou por baixo das pernas de Maicon, sem hipótese para Fabiano. Lopetegui esfregava os olhos e não queria acreditar no que via...
    O segundo tempo começou bem mais calmo. É inevitável que uma equipa que esteja a vencer por 5-0 ao intervalo, regresse um pouco mais relaxada e encostada ao resultado. O treinador portista parecia já pensar no jogo da Luz ao deixar no banco Ricardo Quaresma e a lançar Rúben Neves na partida. Poderia interpretar-se como uma opção de pura estratégia, mas viria a verificar-se mais tarde - com a saída de Brahimi por Evandro - que não. Lopetegui já dava indícios de estar a atirar a toalha ao chão. O Porto conseguia ter mais bola do que na primeira parte, mas não criava oportunidades de golo. Até ao seu golo não tinha feito qualquer remate à baliza de Manuel Neuer. Já com Evandro em campo, Ricardo Pereira desequilibrou na direita e lançou para a linha de fundo onde Herrera cruzou para o golo de Jackson Martinez. O Porto parecia apenas ter vida nas pernas cansadas do capitão e a verdade é que o colombiano esteve perto de reduzir a vantagem numa grande jogada individual. Mas isso não se verificou e Marcano colocou um ponto final ainda mais firme na eliminatória ao ser expulso após entrada dura sobre Thiago Alcântara. Sempre muito precipitado nas suas investidas o espanhol foi tomar banho mais cedo sem contestar. No livre, Xabi Alonso mostrou que quem sabe, nunca esquece. Excelente execução do espanhol - sem qualquer hipótese para Fabiano - a fechar o resultado.
    A eliminatória acabou por ficar em 7-4 a favor dos alemães, embora o sonho tenha sido bem real com a fantástica primeira-mão portista. Contudo, o medo de Lopetegui em perder a eliminatória acabou por sentenciar o sonho de todos os portistas. Guardiola voltou a mostrar toda a sua mestria ao estudar por completo o Porto e ao explorar todos os seus pontos fracos. Jackson foi o único a querer contrariar o resultado apesar das suas limitadas condições físicas e Ricardo Pereira também era dos poucos determinados - quando entrou - a acreditar no sonho europeu. De resto, toda a equipa foi uma nulidade muito por culpa da estratégia do treinador e por culpa da inteligência de Guardiola. É difícil eleger um melhor jogador em campo quando quase toda a equipa fez um jogo soberbo. Ainda assim, é em Philipp Lahm que revemos maior importância nesta exibição. É um jogador que sabe jogar em todo o campo e que hoje foi fulcral quer na construção das jogadas, quer na concretização das mesmas. A par do alemão, Thiago Alcântara também se mostrou a grande nível. A aparecer em praticamente todos os golos e a - literalmente - catapultar a equipa para a frente com toda a sua classe e visão de jogo. Lewandowski foi um autêntico sniper na área portista ao ter sempre os olhos na baliza e a rematar sempre que podia... Dois golos foi o que levou deste jogo. Bernat mostrou-se sempre irrequieto e se no jogo anterior tinha sido maltratado por Ricardo Quaresma, nesta partida respondeu com grande nível. Reyes e Quaresma não conseguiram segurar as investidas do pequeno espanhol. Xabi Alonso e Götze - também eles foram importantes na construção dos ataques alemães, com maior ênfase para o espanhol. Müller foi um autêntico aliado de Lewandowski e foi outra dor de cabeça para a defensiva portista. Praticamente todos os ataques passavam por ele. Um autêntico desequilibrador que é - na nossa opinião - extremamente subvalorizado.

    O Bayern espera assim pelos restantes clubes nas meias-finais juntamente com o Barcelona. Os espanhóis acabaram por fazer um jogo de contenção e mesmo assim ganharam a um PSG fragilizado por duas bolas a zero. Neymar marcou dois golos, mas a estrela foi Andrés Iniesta. O médio espanhol espalhou magia por Camp Nou e deu muitas dores de cabeça aos franceses.


Barba Por Fazer do Jogo:
 
Philipp Lahm (Bayern Munique)
Outros Destaques: Thiago Alcântara, Lewandowski, Müller, Bernat; Jackson, Ricardo.

0 comentários:

Enviar um comentário