Revisão: Legion

Legion é uma amálgama difícil de descrever, uma trip psicadélica multi-género, visualmente cativante e revolucionária. Noah Hawley, o homem que não deve dormir, guia-nos num novelo que se desenrola com um bom gosto incrível e faz Brilhar Aubrey Plaza e Dan Stevens, numa série capaz de voar sobre um ninho de cucos.

Óscares Barba Por Fazer 2017

A equipa do BPF elegeu os melhores do ano. Nos nossos Óscares há justiça para 'Nocturnal Animals', 'I, Daniel Blake', Mackenzie Davis, Aaron Taylor-Johnson, Rebeca Hall ou Amy Adams, e muitos elogios para Damien Chazelle e Casey Affleck

E os Óscares 2017 foram para...

Numa noite em que La La Land ganhou 6 óscares, o último e mais importante foi para Moonlight com golpe de teatro pelo meio. Damien Chazelle, Casey Affleck, Emma Stone, Mahershala Ali e Viola Davis não esquecerão este ano

Crítica: Moonlight

Eleito Melhor Filme pela Academia, Moonlight consegue, com uma beleza rara, um trabalho de câmara e um elenco extraordinário, colocar no ecrã o tempo que demoramos a descobrir que somos, e a aceitar e abraçar isso mesmo. O filme de Barry Jenkins é uma peça universal, humana e poética, fragmentada em 3 partes (criança, adolescente e adulto).

Balanço Liga NOS 16/ 17

Um Benfica de luxo à procura do inédito tetra, um Porto que defende como ninguém mas ao qual faltam golos e um Sporting em crise. Esta é a nossa análise a meio de um campeonato com o Minho em força e Chaves a surpreender

30 de novembro de 2011

Tenho a Barba Por Fazer, e estes Filmes Deves Ver

Esta semana as nossas sugestões passam por um envolvente e marcante filme que estreará esta quinta-feira nas salas de cinema portuguesas, Warrior, e um filme diferente, Scott Pilgrim vs. the World, que em 2010 merecia mais crédito do que aquele que teve. Aqui não há espaço para injustiças e fundamentalismos. Quando um filme é bom, é bom. E pronto.  

Warrior

Realizador:
Gavin O’Connor
Argumento:
Gavin O’ Connor, Anthony Tambakis e Cliff Dorfman
Elenco:
Tom Hardy, Joel Edgerton, Nick Nolte, Jennifer Morrison
Classificação IMDb:
8.3

Ponto prévio: Não via um filme tão bom como “Warrior” há muito tempo. Diferentes filmes marcam-nos por diferentes motivos. Este marcou-me. Na sequência de no ano passado a Academia ter eleito “The Fighter”, um filme desportivo e de pugilismo, como nomeado para Melhor Filme (o que apenas aconteceu por serem 10 nomeados e quase 100% graças à interpretação de Christian Bale), este ano surge um filme com algumas semelhanças. Desde logo, os dois temas fundamentais: a família e, se em “The Fighter” o recinto de combate era um ringue de boxe, em “Warrior” é uma jaula de luta livre/ artes marciais mistas (género UFC). Como qualquer filme do género, como “The Fighter” ou o antigo “Rocky”, há sempre uma certa previsibilidade no decorrer da acção, que não nos detém de torcer pela personagem principal. Em “Warrior”, no entanto, o fim não é tão previsível porque acompanha o caminho de dois irmãos (Tom Hardy e Joel Edgerton na pele de Tommy e Brendan Conlon) rumo à conquista dum torneio individual. Tommy Riordan Conlon (Tom Hardy) é um ex-lutador (na altura treinado pelo pai), desertor de guerra, magoado com o pai e irmão e com muitas memórias tanto da família como da guerra por recalcar. Brendan Conlon é um ex-lutador ao qual nunca ninguém atribuiu crédito, professor de Física e que, para manter a sua família (mulher e filhos) com um tecto, vê-se obrigado a ter que voltar a lutar. Entre ambos têm em comum um passado não resolvido, um pai (Nick Nolte) que fora alcoólico e uma mãe já falecida. “Warrior” é um filme longo que nos agarra à medida que decorre, que nos divide no apoio a cada um dos irmãos e que tem o seu apogeu na última cena, ao som de “About Today” dos The National. Deduzo que o filme irá escapar às nomeações para os Óscares (até por “The Fighter” ter sido nomeado no ano passado) mas julgo que seria justo pensar em Tom Hardy (percurso cada vez mais interessante e consistente como actor) para melhor actor principal e Nick Nolte para melhor actor secundário. Naturalmente ainda não vi todos os filmes que poderão ir a Óscar, mas tenho alguma dificuldade em achar que irei ver algum que bata “Warrior”. Assim, se fosse eu a nomear claramente estaria na disputa para o título de melhor filme do ano. O filme promove no seu poster a frase que o resume à sua essência: “Family is worth fighting for”. MP



Scott Pilgrim vs. the World
 

Realizador: Edgar Wright
Argumento: 
Michael Bacall, Edgar Wright, Bryan Lee O'Malley
Elenco: 
Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead
Classificação IMDb: 
7.6


Scott Pilgrim vs. the World não é um filme do outro mundo, mas vale a pena ser visionado. A história é baseada numa banda desenhada criada por Bryan Lee O'Malley, como tal, não passa de uma alusão à vida de um comum adolescente. Todo o enredo é repleto de efeitos e bastante fiel ao mundo dos videojogos. Tudo se passa em Toronto onde Michael Cera interpreta Scott Pilgrim, baixista da banda "Sex Bob-omb". Scott começa a namorar com uma rapariga do liceu de nome Knives. Porquê? Nem ele sabe. Só começou a andar com ela porque não tinha ninguém e tinham um pouco em comum. Porém, pouco tempo depois tem um sonho com uma rapariga. Rapariga essa que ele mais tarde vê na sua cidade. Scott esquece tudo o que se passa à sua volta e apenas pensa na rapariga de cabelos cor-de-rosa dos seus sonhos: Ramona Flowers. Acaba por investigar sobre a sua vida e posteriormente conhece-a. Pilgrim fica nas nuvens e até se esquece que tem namorada. Sim, ele começa a namorar com Ramona mesmo tendo Knives. Só que ele fica com dois problemas: Knives, em que ele resolve rápido e acaba com ela, deixando-a revoltada e os sete ex-namorados de Ramona. Scott terá que derrotar todos os 7 ex-namorados de Ramona para poder ficar com ela. E sem vos querer adiantar mais sobre o filme, é este o objectivo. O filme conta ainda com uma boa banda sonora (nada do outro mundo) e com boas interpretações, tendo em conta que não é um filme sério. TM

Garganta Afinada. Top 20 ( nº 40 )



1. James Blake - A Case of You
2. Alex Turner - It's Hard to Get Around the Wind
3. The National - Terrible Love
4. Radiohead - Exit Music (For a Film)
5. Bon Iver - Blindsided
6. Ben Harper - Walk Away
7. Jose Gonzalez - Crosses
8. Nirvana - Lake of Fire
9. Ben Howard - Soldiers
10. Ed Sheeran ft. P Money - Lego House (Gosling Remix)
11. Filipe Pinto - Projecto de Despedida
12. Beck - Ramona
13. Nada Surf - Always Love
14. We Trust - Time (Better Not Stop)
15. The Black Keys - Little Black Submarines
16. Adele - Crazy For You
17. Beachwood Sparks - By Your Side
18. Os Golpes - Território Justo
19. Frankie Chavez - This Train is Gone  
20. Katy Perry - The One That Gone Away (Acoustic)

29 de novembro de 2011

3 Dias para o Sorteio do Euro-2012


Para os mais esquecidos, ou apenas para quem ainda não sabia quando iria acontecer, o sorteio da fase final do Euro 2012 acontecerá no próximo dia 2 de Dezembro (Sexta-feira), em Kiev, às 17h em Portugal.
Os potes foram constituídos da seguinte forma:

Pote 1 – Ucrânia, Polónia, Espanha, Holanda

Pote 2 – Alemanha, Itália, Inglaterra, Rússia
Pote 3 – Croácia, Grécia, Portugal, Suécia
Pote 4 – Dinamarca, França, República Checa, Irlanda

Quando fases finais de competições internacionais são organizadas por 2 países em conjunto, geralmente uma das consequências é a existência dum “grupo da morte”. A presença de Ucrânia e Polónia (países organizadores) no pote 1, onde supostamente deveriam estar as 4 selecções com melhor coeficiente, gera a possibilidade de existência dum grupo: Espanha, Alemanha, Portugal, França. Naturalmente, os jogadores de Paulo Bento construirão a sua própria sorte em campo, entre 8 de Junho e 1 de Julho, mas a verdade é que a sorte pode ser nossa amiga e ditar um grupo: Ucrânia/ Polónia, Rússia, Portugal, Irlanda.
De uma forma geral, a meu ver a grande prioridade será escapar à Alemanha (neste momento a selecção mais forte); a Holanda, apesar de ter sido finalista do mundial 2010 e de apresentar uma geração madura e com o futebol ofensivo que caracteriza o país, geralmente encaixa bem com a nossa selecção, tal como a Inglaterra (desfalcada à priori de Wayne Rooney na fase de grupos). Ainda para mais, a Inglaterra é uma equipa que tem mais lógica que nos calhe já na fase a eliminar, para nos divertirmos e sofrermos em mais uma série de penalties. No pote 4, a instável França é um adversário a evitar, pela História que temos, e que não nos é favorável, com os gauleses. Um duelo ibérico (o último terminou com a nossa vitória 4-0 na Luz) não me parece tão assustador assim, visto que são nossos vizinhos e, apesar de campeões da Europa e do Mundo, talvez não tenham as mesmas “ganas” de continuar a ganhar. Assim sendo, tudo o que seja Ucrânia, Polónia, Grécia, Suécia, Dinamarca (numa fase final Portugal não vacilaria com estas 2 selecções) e República Checa será bom. A Itália é uma incógnita, a Irlanda está “italianizada” por Trapattoni e a Croácia e Rússia parecem-me equipas que, com alguma sorte, podem surpreender.
A verdade é uma, Cristiano Ronaldo está mais maduro e poderá ser esta a sua primeira grande competição a nível de selecções (depois do Euro-2004) e quem tem Ronaldo, Nani, Pepe e Coentrão “arrisca-se” a chegar muito longe. Boa sorte Portugal e, venha quem vier, é uma questão de “contra os canhões, marchar, marchar!”. MP

A caminho dos Óscares 2012

As constantes previsões sobre os próximos Óscares continuam a evoluir. De um modo geral, o antecipadamente favorito "The Artist" parece estar a baixar a sua cotação, ao passo que "War Horse" de Spielberg e a boa realização de Scorsese em "Hugo" parecem estar a emergir, "War Horse" de forma mais sustentada. A seu tempo, e quando os filmes já estiverem passíveis de ser vistos e apreciados, falaremos deles e dos outros mais fortes candidatos, cuja data de lançamento é mais próxima da data da cerimónia topo da 7ª Arte. Como pretendemos abordar todos os filmes que possam ter aspirações a surgir nomeados, vemo-nos na necessidade de falar de "The Tree of Life". "Rango" é uma garantia.


The Tree of Life

Realizador:
Terrence Malick
Argumento:
Terrence Malick
Elenco:
Brad Pitt, Jessica Chastain, Sean Penn, Hunter McCracken
Classificação IMDb:
7.3

Oxalá pudesse estar a escrever neste momento sobre o filme que irei recomendar no próximo “Tenho a Barba Por Fazer, e estes Filmes Deves Ver”, mas infelizmente a minha opinião não vai ao encontro das previsões sobre os favoritos da Academia. “The Tree of Life” é um filme… muito estranho. Honestamente, bem lá no fundo, eu consigo perceber a ideia principal de Terrence Malick, porém não a soube explorar e o filme torna-se cansativo, demasiado vago e até irritante em certos momentos. O realizador texano reuniu um bom leque de actores (Brad Pitt, Jessica Chastain, Sean Penn e o jovem Hunter McCracken, que talvez venha a ter uma carreira interessante) mas fez questão de dar maior protagonismo a ele próprio e ao seu argumento. Um argumento que Sean Penn qualificou como o melhor argumento que já alguma vez lera, mas que ele acha que não resultou com a mesma emoção no ecrã. Acredito Sean. A acção centra-se nos anos 50, no seio duma família na qual Brad Pitt e Jessica Chastain são os pais de 3 filhos, pretendendo Malick que os pontos-chave do filme sejam a perda de inocência por parte do filho mais velho, a procura (anos mais tarde) de uma reconciliação com o seu pai, e a reflexão sobre as origens e o significado da vida, em paralelo com questões de natureza religiosa como a existência da fé. Honestamente, a 2ª metade do filme é melhor que a 1ª (na qual senti que Malick me estava a tentar lavar o cérebro, e ainda para mais mal lavado) mas a gritante quantidade de metáforas e de elementos visuais acabam por desgastar o espectador, a não ser aqueles que gostam de tudo apenas por ser diferente e estranho, perdendo-se um pouco as boas interpretações de Brad Pitt e Jessica Chastain e a relação de ambos com os seus filhos, os moldes da rigidez/ liberdade da sua relação, bem representados, diferenciando o caminho da natureza e o caminho da graça. O filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes, mas nos óscares parece apenas surgir nas cogitações para melhor fotografia e melhores efeitos visuais, devendo ficar “à porta” nas categorias de melhor realizador (Scorsese e o seu “Hugo” parece que irão deixar Woody Allen e Malick apenas focados noutras categorias) e melhor filme (era só o que mais faltava...). Em suma, um filme que a nível de interpretações não é mau, mas que é muito esotérico para o meu pequeno cérebro limitado e grotesco.

Rango

Realizador:
Gore Verbinski
Argumento:
John Logan, Gore Verbinski e James Ward Byrkit
Elenco:
Johnny Depp, Isla Fisher, Abigail Breslin, Alfred Molina, Bill Nighy
Classificação IMDb:
7.4
“Rango” surge neste espaço pré-Óscares porque, a par de Tintin, será o filme de animação com maiores aspirações a ganhar. A acompanhar estes dois filmes deverá estar “Arthur Christmas” e mais dois ainda não tão definidos. “Rango” está, a meu ver, uns furos abaixo de Tintin, mas não me surpreende que seja o sucessor de Toy Story 3, e o seu maior destaque é mesmo a forma singular como a voz de Johnny Depp encaixa no camaleão “Rango”. É curioso visto que muitas vezes se pode considerar Johnny Depp um actor camaleónico pela forma como se adapta a tantos papéis e, neste caso interpreta um camaleão, sem metáforas. “Rango” conta a história dum camaleão que vive uma vida banal de animal de estimação e enfrenta uma crise de identidade. Um acaso leva Rango a um novo lugar, onde ninguém o conhece e onde pode ser quem quiser. Assim, com um passado para trás, o camaleão acaba nomeado xerife e tenta tornar-se no herói que sempre quis ser. O filme aborda do ponto de vista sociopolítico a privação de alguns recursos (água) por parte de quem detém o poder e tem a moral de devermos procurar ser o que queremos e não nos deixar ser irreconhecíveis mesmo para nós próprios. Para quê camuflarmo-nos quando podemos usar sempre a nossa verdadeira cor, acho que no fundo é isso. Tenho urgentemente que me deixar destas frases finais maricas. MP

28 de novembro de 2011

Dragão Q.B.

Fonte: Henricartoon


                «Epá, 3-2… Deve ter sido um grande jogo!» - Este é um possível comentário de quem não viu o jogo entre o Porto e o Braga de ontem. Pois bem… não foi.

                Na primeira parte pouca coisa aconteceu. Nenhuma das equipas conseguia criar perigo às redes adversárias. O primeiro remate dos jogadores azuis e brancos foi mesmo aos 25 minutos. Eu vi o jogo todo porque pensei que iria ser electrizante, como de resto têm sido os jogos entre os dois clubes no dragão nos últimos dois anos. A primeira parte terminou com um golo de Hulk que cabeceou para o fundo da baliza, após grande passe de James Rodríguez. Quim não se decidiu a tempo e ficou a meio do caminho.
                Na segunda parte já houve um maior destaque nas jogadas individuais dos jogadores do Porto. Hulk parecia ter voltado aos grandes jogos. Givanildo acabou mesmo por marcar um grande golo como muitas vezes o fez na temporada passada. Um remate sem hipóteses para Quim. Depois do segundo golo, o Porto não descolou o meio campo do Braga que parecia não ter ideias. E assim surge um golo que não foi validado. Mas foi uma decisão incorrecta. Rodriguez não estava em fora de jogo. Os azuis e brancos não desistiram e acabaram mesmo por marcar mais um em mais uma boa arrancada de Hulk que, após ir à linha, assiste Kleber que apenas tem que encostar para o fundo das redes bracarenses. Eis que… o Sporting de Braga acorda. Nuno Gomes parece ter sido um talismã para os arsenalistas que, com a sua entrada, marcou dois golos. É verdade. Marcou dois golos no fim sem pedir licença. O primeiro surge numa “travadinha” de Hulk que decide fazer uma tesoura ao pobre Leandro Salino. Grande penalidade convertida com sucesso por Lima. Lima que reduziu para 3-2 nos descontos após uma simulação de Nuno Gomes que engana por completo a defesa portista.
                Contudo, já era tarde. O Porto ganhou mesmo por 3-2 e não deixou o Benfica fugir. Não foi um jogo muito emocionante, mas chegou um Porto Q.B. para derrotar um Braga transfigurado.

                Do jogo nada mais se pode comentar por não haver nada a dizer. Porém, olhando para a tabela classificativa, as próximas quatro jornadas vão ser no mínimo… interessantes. As seguintes jornadas contam com os seguintes jogos: Marítimo-Benfica (12ª jornada), Porto-Marítimo (13ª jornada), Sporting-Porto (14ª jornada), Braga-Sporting (15ª jornada). Estas quatro jornadas podem decidir muito. Tudo pode acontecer. Um dos clubes que segura a liderança pode descolar-se e isolar-se no primeiro lugar. Ou então todos se aproximam de novo e mantêm a grande disputa que a Liga Zon Sagres de 2011/12 vem mostrando. TM

27 de novembro de 2011

Benfica x Sporting: Suplemento National Geographic

Por não querer misturar coisas, decidi lançar este suplemento National Geographic em separado da crónica do jogo, dirigindo a crónica a toda as pessoas que queiram ler, e este suplemento dando destaque ao Reino Animal ("Ah mas o homo sapiens também faz parte do reino Animalia", faz, mas vocês percebem o objectivo da mensagem).

Suplemento National Geographic:

              O Benfica decidiu estrear no derby uma caixa de segurança. Uma estrutura que existe nos estádios de Ajax, Barcelona, AC Milan e Inter, etc. Se foi provocação? Poderá ser assim entendida, mas também se pode considerar que foi um bom teste para a mesma. Pobre caixa de segurança e pobres cadeiras, que não sabiam o que as esperava. Eduardo Barroso, conhecido cirurgião e comentador sportinguista, presidente da Assembleia leonina, intitulou a caixa de segurança de “jaula”, queixando-se na altura de que os adeptos do Sporting estavam a ser tratados como animais. Sem pretender generalizar as acções de alguns para a massa associativa total, como tantas pessoas gostam de fazer, quem esteve dentro da caixa de segurança foram de facto animais. 
               Godinho Lopes veio, em comunicado, queixar-se das condições da caixa de segurança, etc. Ora, eu não sei se Godinho Lopes é burro, mas inteligente e informado não o é certamente. Já estou cansado de apresentar sempre argumentos contra pessoas que acham que têm razão mas têm os telhados das suas casas com os vidros completamente partidos (e neste caso vão também a casa dos outros partir os vidros delas). No ano de 2010, fui ao Estádio Alvalade XXI com TM ver um jogo da taça da liga, que acabou com a vitória do Benfica por expressivos 4-1. Na altura, comprámos bilhete para uma fracção do estádio, mas a segurança do Sporting confinou os adeptos do Benfica a outra área. Uma área da qual não podíamos sair para realizar necessidades fisiológicas ou beber água. Uma área onde, após o término do jogo, tivemos que estar ainda 1h30min à espera de poder ir embora. Os adeptos do Benfica, entre os quais nós, passaram esse tempo em cânticos e alegres, e não desataram a partir vidros e queimar cadeiras. Godinho Lopes, devia conhecer melhor os seus filhos. Antes de falar dos outros. É que os adeptos do Sporting, não todos naturalmente, acabaram por salvar o seu dia com o incêndio provocado por alguns dos seus na bancada do Estádio da Luz. Enquanto que a Sporttv captou alguns adeptos a filmarem o incêndio muito felizes da vida, nas redes sociais uma imensidão aderia ao grupo “Eu vi o Estádio da Luz a arder”, contemplando esse grupo com imensos “Gosto”. Como TM me disse, e bem, “para eles o incêndio valeu-lhes o dia. Para nós a vitória, que nos dá a liderança”. Sei que um animal quando enjaulado pode reagir mal. Mas ao menos, enquanto enjaulado, os danos por ele provocados são apenas restritos àquela área. Neste sentido, ainda bem que foi criada a caixa de segurança para este jogo. Queixaram-se da revista ter sido demorada, mas devia ter demorado mais tendo em conta que entrou um very-light para dentro da caixa de segurança. E o vidro terá que ser reforçado, pelo menos quando dentro da casota estiverem animais que ainda não foram educados pelos seus donos.

           Tal com o incêndio foi extinto, espero que se siga em frente (pagando pelos danos causados quem tiver que pagar) e que deixe de existir este anti-clubismo que só corrói mentes e não abona em nada a favor do futebol português e da nossa sociedade. E ainda por cima, caros adeptos do Sporting e do meu clube, infelizmente quase todos os anos enquanto andamos aqui a picarmo-nos, o Porto foge e festeja o título outra vez. Porém, não me parece que este ano será assim. MP