2 de julho de 2015

Crítica: Inside Out

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2016
Realizador: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen
Argumento: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen, Meg LeFauve, Josh Cooley, Amy Poehler, Bill Hader
Elenco: Amy Poehler, Phyllis Smith, Bill Hader, Mindy Kaling, Lewis Black, Richard Kind, Kaitlyn Dias
Classificação IMDb: 8.2 | Metascore: 94 | RottenTomatoes: 98%
Classificação Barba Por Fazer: 80

    Criar algo novo é ao mesmo tempo simples e complexo. Os estúdios da Walt Disney, desde os finais dos anos 30, e os estúdios da Pixar (Toy Story foi o primeiro filme em 1995) sabem disso melhor que ninguém. A complexidade de estruturar um filme de animação passa e muito pela capacidade que o filme tem de ter, sendo bom, de agradar a crianças e adultos. Quando somos miúdos por vezes não enchemos determinados momentos ou palavras de significado, mas desde bem cedo - por via das expressões dos "bonecos" nomeadamente - somos atraídos e educados pelo Cinema. Desde perceber o sofrimento de Simba ao tentar acordar Mufasa, a revelar um fascínio pela transformação do Monstro em príncipe, os filmes de animação procuram despertar emoções. 'Inside Out' (Divertida-mente nas salas portuguesas) é precisamente sobre isso: emoções.
    Aquele que é possivelmente o filme mais inteligente e complexo da Disney/ Pixar até hoje, parte de um princípio criativo e diferenciador: quando nascemos, 5 emoções nascem connosco e controlam a nossa conscîência - a Alegria (Amy Poehler, Carla Garcia na versão portuguesa), a Tristeza (Phyllis Smith, Custódia Gallego), o Medo (Bill Hader, João Baião), a Raiva (Lewis Black, Nuno Pardal) e a Repulsa (Mindy Kaling, Bárbara Lourenço). À medida que crescemos, produzimos memórias, algumas essenciais e capazes de contribuir para a nossa identidade/ personalidade. Em 'Inside Out' tudo corre bem, com a Alegria no controlo das operações e sem que qualquer uma das emoções perceba para que serve a inoportuna Tristeza, até que Riley - a menina cujo cérebro visitamos durante grande parte do filme - muda de casa, do Minnesota para San Francisco, aos 11 anos de idade. No comando das operações, todas as memórias em que a Tristeza toca tornam-se memórias tristes e a grande "trama" do filme desenvolve-se a partir do momento em que Riley percebe as suas memórias essenciais, a Alegria e a Tristeza, ficando entregue apenas às restantes 3 emoções, enquanto a Alegria e a Tristeza se aventuram no subconsciente e na memória de longo prazo para salvar Riley.
    Isto pode parecer e é um exagero, mas se Christopher Nolan tivesse realizado um filme de animação, esse filme seria muito provavelmente 'Inside Out'. Capaz de nos levar numa viagem inteligente e repleta de pormenores subtis e cómicos (os esquecedores, a Sonho Produções, a Imaginolândia e, claro, aquela sequência pós-final de "visitas mentais" sem parar), agradando a todas as idades, e sem medo de "puxar" pelas crianças, numa narrativa instrutiva e na qual as emoções (personagens do filme) acabam por se activar em nós com mestria e sensibilidade.

    No meio da história, que vale cada cêntimo do bilhete, destaca-se uma personagem-extra, Bing Bong (voz de Richard Kind, e de Nuno Markl na versão portuguesa). O outrora amigo imaginário de Riley, misto de elefante, gato e golfinho, acaba por nos brindar com um dos momentos mais tocantes da Animação recente. E 'Inside Out' deve aspirar ao Óscar de Melhor Filme de Animação em 2016, porque é inclusive candidato a melhor filme da Pixar - 'Toy Story' será sempre especial, mas esta viagem à nossa mente não perde em nada para 'Up', 'Ratatouille', 'WALL-E', 'Brave' ou 'Finding Nemo'.
    Acompanhado pela mais-uma-vez-brilhante banda sonora de Michael Giacchino, o filme tem um conceito extraordinariamente bem explorado e acaba por ser o filme mais adulto da Pixar. É uma lição, para miúdos e graúdos, sobre quem e como somos: perto do fim vemos a "consola" das emoções amplificada para que todas possam trabalhar em conjunto, tal como é brilhante o momento em que essa mesma consola começa a perder cor, no momento em que Riley parece estar a entrar em depressão. Genial da parte de Pete Docter e da sua equipa a forma como nos fazem percepcionar depressão como o não sentir nada, a ausência de emoções, e não abundante Tristeza; tal como também é interessante ver a emoção-chefe na mente do pai e da mãe de Riley.

    Aquele derradeiro "Ela tem 12 anos, afinal o que é que agora pode correr mal?!" deixa claramente em aberto a possibilidade de uma sequela, mas num caso como este até talvez o mais sensato fosse preservar a beleza criativa da versão original e deixá-la única, eterna e intocável. Embora a própria Pixar já nos tenha demonstrado que voltar a explorar algo excelente pode resultar ('Toy Story 3').
    'Inside Out' é um daqueles poucos filmes de animação cujo valor será intemporal e viver durante gerações, é muito provavelmente o filme da Pixar que mais diferença fará revê-lo mais tarde se o virmos pela 1.ª vez em crianças; e, para além de merecer o óscar na sua categoria, não seria surpreendente vê-lo a concorrer em categorias como Melhor Argumento Original, Melhor Filme ou Melhor Banda Sonora Original.

    Julgo que, para o orgulho de Pete Docter, Richard Kind, Nuno Markl e Bing Bong, todos nós já fomos até à Lua com este filme. E a Riley também há-de lá chegar.

1 comentários:

  1. "Divertida-Mente": 5*

    Estava reticente acerca de "Divertida-Mente" pois é um filme de animação e já não sou muito fã, mas surpreendeu-me pela positiva.
    Este filme é fantástico e recomendo que vejam "Inside Out", pois tem uma maravilhosa história e mexe com os nossos sentimentos.

    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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