13 de maio de 2015

Real Madrid 1-1 Juventus: Na Final 12 anos depois

Real Madrid  1 - 1  Juventus (Cristiano Ronaldo (pen.) 23'; Morata 57')

    O detentor do troféu caiu nas meias-finais, o outsider da competição galgou o seu trajecto até à final de Berlim. A Vecchia Signora conseguiu marcar presença numa final da Champions League 12 anos depois (é preciso recuar a 2002/ 03, num AC Milan-Juventus ganho pelos milaneses numas grandes penalidades em que Dida e Buffon brilharam) numa exibição competente e "italiana" q.b., contra um Real Madrid que rematou muito mas mal, e conseguiu ligar pouco o seu jogo - a este nível nota-se a falta de Modric, e com Benzema a conseguir aguentar o jogo todo talvez a história tivesse sido outra. 
    Depois do 2-1 favorável à Juventus, o Real Madrid sabia que um 1-0 bastaria para seguir em frente. O Santiago Bernabéu encheu para ver dois históricos do futebol europeu a disputarem um lugar numa final onde o Barcelona já estava garantido. Benzema e Pogba, que não tinham jogado na 1.ª mão de Turim, foram hoje titulares e os primeiros minutos deram mais Real. No entanto, foi Casillas o primeiro guarda-redes a ter que se esforçar, para evitar um remate de meia distância do chileno Vidal. O Real Madrid respondeu numa bomba de Gareth Bale, defendida por Buffon, e o 1-0 chegou poucos minutos depois. James Rodríguez foi derrubado por Chiellini (erro infantil do central italiano) na grande área e Cristiano Ronaldo não perdoou, rematando ao centro da baliza. A Juventus tentou esticar o seu jogo, sempre com Morata e Tévez como referências e o seu miolo (Pirlo, Pogba, Marchisio e Vidal) inteligente a ocupar o espaço e a temporizar, mas ainda na 1.ª parte o Real voltou a coleccionar oportunidades: Cristiano Ronaldo tentou servir Isco num lance em que se aceitava (e recomendava) que tivesse sido egoísta, e Benzema também ficou a rogar pragas a Buffon num remate de ângulo apertado. Ao intervalo estava 1-0, numa metade com bastante mais Real Madrid.
    Certo é que na 2.ª parte a Juventus não demorou a empatar o jogo, adiantando-se novamente na eliminatória. Aos 57', Pogba ganhou a bola nas alturas e Morata antecipou-se aos antigos colegas de equipa disferindo depois um remate forte que bateu Iker Casillas. Era o 2.º golo do avançado espanhol na eliminatória, a alcançar estatuto de "jogador da eliminatória", especialmente por se tratar de um jogador que o Bernabéu não soube estimar. A eliminatória passava a estar em 3-2 e os merengues sabiam que 1 golo não chegaria para garantir a final mas apenas para prolongar o jogo 30 minutos. A partir do 1-1 notou-se uma Juventus mais preocupada em defender - principalmente a partir da troca de Pirlo por Barzagli - e sucederam-se as jogadas do Real Madrid sem uma finalização assertiva. Gareth Bale cabeceou por diversas vezes, Cristiano Ronaldo não se viu, e tanto o extremo galês como James Rodríguez tentaram resolver de longe. Sem efeito. Com o jogo balanceado para a baliza de Buffon, acabou inclusive por ser Casillas a ter as intervenções mais difíceis da 2.ª parte, ao negar um golo a Marchisio (excelente assistência de Vidal) e um remate frontal de Pogba.

    Ainda não é desta que há El Clásico na final da Champions. Embora seja unânime que Barcelona, Bayern e Real Madrid são as 3 equipas mais poderosas na actualidade do futebol europeu, a verdade é que nesta temporada irá repetir-se o formato das últimas duas finais: um gigante e um outsider inesperado. Em 2012/ 13 Bayern contra Dortmund, em 2013/ 14 Real Madrid contra Atlético e agora Barcelona versus Juventus.
    O campeão em título Real Madrid pode-se queixar apenas de si próprio porque teve um caminho relativamente acessível até à final (o Barcelona, por exemplo, ultrapassou Manchester City, PSG e Bayern até Berlim) e hoje faltaram soluções. Modric é uma baixa de peso, Benzema mostrou nos 67 minutos que esteve em campo a sua brutal importância na construção de jogo ofensivo, e Ancelotti usou apenas 1 substituição (Benzema por Chicharito) acreditando que os melhores estavam em campo. A Juventus, que na temporada passada falhou a final da Liga Europa graças ao mérito do Benfica, é a grande surpresa desta edição da Champions, numa época que marca o salto qualitativo de uma equipa que tem dominado a seu bel prazer as competições internas, mas à qual faltava este prestígio europeu. É bom ver Buffon e Pirlo numa final europeia, na qual o Barcelona parte como favorito, e nesta noite Álvaro Morata voltou a mostrar o seu enorme potencial e o erro que foi o Real Madrid deixá-lo sair. Certamente teria dado mais jeito, até pelo sistema de jogo da equipa de Madrid, ter Morata e não Chicharito para substituir Benzema hoje, e bastava ter visto Morata no longínquo Euro Sub-19 de 2011 para perceber que estava ali um potencial avançado titular de Espanha.
    Em Berlim, joga-se a 6 de Junho a final da Champions. Barcelona contra Juventus, curiosamente duas equipas que contam com 2 treinadores a cumprir a época de estreia nos clubes.


Barba Por Fazer do Jogo:
 Álvaro Morata (Juventus)
Outros Destaques: Marcelo, Carvajal, Isco, Benzema; Buffon, Vidal, Pogba

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