24 de dezembro de 2015

Crítica: Sicario

Realizador: Denis Villeneuve
Argumento: Taylor Sheridan
Elenco: Emily Blunt, Benicio del Toro, Josh Brolin, Daniel Kaluuya, Jeffrey Donovan, Jon Bernthal, Maximiliano Hernández
Classificação IMDb: 7.6 | Metascore: 82 | RottenTomatoes: 94%
Classificação Barba Por Fazer: 80

    O novo filme de Denis Villeneuve (Prisoners) é basicamente aquilo que gostaríamos de ter tido como segunda temporada de 'True Detective'. Que levante a mão quem viu o filme e não gostaria de ver o ambiente de 'Sicario' ampliado e explorado ao longo de 8 episódios da HBO.
    Sicario, palavra usada no México para assassino contratado, tem como protagonista Kate Macer (Emily Blunt), uma agente do FBI destemida, que vive em exclusivo para o trabalho e inquebrável no seguimento das regras e procedimentos legais. Kate é recomendada pelo seu chefe para colaborar numa operação-conjunta com a CIA, para a qual ela tem que se voluntariar, e que tem por objectivo formal desmantelar um cartel mexicano e capturar o líder.
    É na fronteira entre USA e México que 'Sicario' trabalha a sua narrativa. E, mais importante ainda, na fronteira entre aquilo que é ético e conforme as regras, e aquilo que é ilegal, extra-código. Kate, uma mulher num mundo de homens, faz-se acompanhar pelo agente Matt Graver (Josh Brolin) e pelo consultor Alejandro Gillick (Benicio del Toro), que parecem estar sempre um passo à frente dela, e para quem a justiça se pode obter de forma alternativa.
 
    Embora no fim fiquemos com a sensação de "epá, isto podia ter sido verdadeiramente incrível e foi só bastante bom", todos os elementos fazem sentido em 'Sicario'. Começando pela Fotografia de Roger Deakins (o DiCaprio da Fotografia, acumula 12 nomeações sem nunca ter ganho), passando pela banda sonora do islandês Jóhann Jóhannsson (ganhou o ano passado o globo de ouro de melhor banda sonora com 'The Theory of Everything) que ajuda a manter o suspense, o ritmo e o tom certos deste thriller e, sem dúvida, pela realização de Denis Villeneuve, que volta a demonstrar ser, possivelmente logo depois de David Fincher, o mestre do género no Cinema actual. A primeira cena de 'Sicario' deixa água na boca, mas há diversos pormenores fortes (momentos em visão nocturna, del Toro à mesa) que fazem a diferença e preenchem o silêncio das personagens.
    No centro estão três actores - Blunt, Brolin e del Toro - embora também façam parte do elenco actores com talento como Jon Bernthal (The Walking Dead), Jeffrey Donovan (Fargo) e Daniel Kaluuya (Black Mirror), todos eles com boas experiências televisivas para contar. Mas se há coisa que 'Sicario' faz é colocar lado a lado e frente-a-frente as personagens de Emily Blunt e Benicio del Toro. Alejandro (del Toro), uma das melhores personagens do Cinema este ano, enigmático e misterioso, diz You will not survive here. You are not a wolf, and this is a land os wolves now, a frase que fica a ecoar na nossa cabeça quando acaba o filme. Contra si, 'Sicario' tem a previsibilidade das curvas e contra-curvas finais, e a personagem de Emily Blunt poderia ser mais desenvolvida. Encontra alguns paralelismos com a Ani Bezzerides de Rachel McAdams na 2.ª Temporada de 'True Detective', e percebe-se o objectivo de a manter íntegra e um elemento constante durante a exploração dos contrastes. Mas, e embora Blunt dê luta a del Toro como destaque do filme, faz alguma confusão não a termos presente no clímax, e ela terminar a sua jornada exactamente como começou.
    Nota apenas para o futuro do trio Blunt, del Toro e Villeneuve. A actriz inglesa, cujo trabalho dá sempre gosto ver até porque recentemente se tem associado aos projectos certos ('Looper' ou 'Edge of Tomorrow' anteriormente), será protagonista da adaptação do êxito literário de 2015 A Rapariga no Comboio; del Toro juntar-se-á ao mundo Star Wars em 2017; e Denis Villeneuve será o realizador da sequela de 'Blade Runner', produzida por Ridley Scott e com Ryan Gosling.
    Em termos de óscares, não cremos que Benicio del Toro seja um dos cinco escolhidos na categoria de Actor Secundário, mas parece impossível Roger Deakins não ter a sua 13.ª nomeação (e sim, tendo presente o trabalho de Lubezki em 'The Revenant', ainda não será desta).
    Emily Blunt e Benicio del Toro são as principais, mas não as únicas razões para verem um filme de contrastes, violento e tenso.

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