Revisão: Legion

Legion é uma amálgama difícil de descrever, uma trip psicadélica multi-género, visualmente cativante e revolucionária. Noah Hawley, o homem que não deve dormir, guia-nos num novelo que se desenrola com um bom gosto incrível e faz Brilhar Aubrey Plaza e Dan Stevens, numa série capaz de voar sobre um ninho de cucos.

Óscares Barba Por Fazer 2017

A equipa do BPF elegeu os melhores do ano. Nos nossos Óscares há justiça para 'Nocturnal Animals', 'I, Daniel Blake', Mackenzie Davis, Aaron Taylor-Johnson, Rebeca Hall ou Amy Adams, e muitos elogios para Damien Chazelle e Casey Affleck

E os Óscares 2017 foram para...

Numa noite em que La La Land ganhou 6 óscares, o último e mais importante foi para Moonlight com golpe de teatro pelo meio. Damien Chazelle, Casey Affleck, Emma Stone, Mahershala Ali e Viola Davis não esquecerão este ano

Crítica: Moonlight

Eleito Melhor Filme pela Academia, Moonlight consegue, com uma beleza rara, um trabalho de câmara e um elenco extraordinário, colocar no ecrã o tempo que demoramos a descobrir que somos, e a aceitar e abraçar isso mesmo. O filme de Barry Jenkins é uma peça universal, humana e poética, fragmentada em 3 partes (criança, adolescente e adulto).

Balanço Liga NOS 16/ 17

Um Benfica de luxo à procura do inédito tetra, um Porto que defende como ninguém mas ao qual faltam golos e um Sporting em crise. Esta é a nossa análise a meio de um campeonato com o Minho em força e Chaves a surpreender

28 de abril de 2016

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 36

Pode ser este o fim-de-semana do título! Na antepenúltima jornada da Premier League, o Leicester City depende apenas de si próprio para ter o seu primeiro match point - vencendo, haverá festa rija em Old Trafford. Caso os foxes não ganhem à primeira de 3, podem sagrar-se ainda assim campeões caso o Tottenham não consiga derrotar o Chelsea (em Stamford Bridge) na segunda-feira. Qualquer adepto romântico de futebol quer o Leicester campeão, mas é sempre melhor ver o título no relvado - e não "no sofá" - pelo que desejamos ou que o Leicester ganhe neste Domingo, ou então que o Tottenham ganhe depois para possibilitar ao Leicester vencer a sua primeira Premier League na jornada 37 junto dos seus adeptos.
    O inesperado empate do Tottenham (1-1 em casa, com o WBA) ditou o contexto actual, sendo que as derradeiras emoções extra-título dizem respeito à luta pelo 3.º lugar entre Manchester City e Arsenal (na próxima jornada há City-Arsenal); United, West Ham e Liverpool continuam com a sua ordem por definir, e na zona de despromoção temos neste momento Sunderland (31 pts), Norwich (31) e Newcastle (30, e com um jogo a mais). Nesta jornada o Newcastle tem em teoria o jogo mais fácil, embora apanhe um Crystal Palace motivado por ter chegado à final da Taça; já o Norwich, que nos parece nesta altura o mais improvável de se safar, tem o jogo mais difícil. O Newcastle tem agora 2 jogos cruciais (Palace em casa e Aston Villa fora) nos quais tem que fazer 6 pts, enquanto que os destinos de Sunderland e Norwich terão o contributo dos seus adeptos: ambas as equipas têm jornada dupla no Fantasy na 37, com o Sunderland a receber Chelsea e Everton, enquanto que o Norwich receberá Manchester United e Watford.
    Olhando para a jornada anterior, na qual - no Fantasy - houve apenas 7 jogos, quem mais pontuou foi o nigeriano Kelechi Iheanacho (16 pts). O prodígio de 19 anos marcou 2 golos e fez uma assistência diante do Stoke. Também Tadic, Westwood e Hazard (finalmente a marcar!) foram destaques, todos eles com um bis; Fàbregas fez um hat-trick de assistências, Shane Long e Ulloa brilharam na frente, e no sector defensivo os principais elementos foram Moreno, Schlupp, Zabaleta e o guardião Mannone.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 114493-481221)

Nesta 36.ª jornada, sugerimos:

Odion Ighalo - Watford - 5.5
    Sim, é um risco, um grande risco. Mas porque não arriscar? Numa fase em que Agüero e Kane lutam pela distinção de melhor marcador (um bom jogo de Vardy na jornada 37 pode relançá-lo), a 3.ª vaga de avançado é uma das grandes questões. Mesmo Agüero e Kane têm argumentos contra si - Kun está envolvido ainda na Champions, o que pode afectar os seus minutos nesta jornada (no City-Arsenal não), e Kane não tem um calendário particularmente atractivo, sendo que os spurs podem baixar animicamente quando o Leicester garantir o título.
    Depois há Sturridge (cuja Liga Europa também pode condicionar), Carroll e Defoe (melhor posicionado o primeiro, mas ambos com jogo duplo na 37) e ainda Lukaku, com muitos utilizadores alérgicos ao belga dado o seu mau momento de forma. Mas depois de tudo isto há ainda a dupla de ataque do Watford.
    Ighalo, com 15 golos, não marca desde 23 de Janeiro (11 jogos em branco na Premier); Deeney, com 9 golos, marcou apenas três nos últimos 16 jogos. A seu favor, e depois de caírem em Wembley na meia-final da FA Cup, está o calendário - uma recepção ao fraco Aston Villa, uma dupla jornada com Liverpool e Norwich, e por fim uma recepção ao Sunderland.
    Caso Ighalo e Deeney queiram terminar a equipa em beleza, recuperando o nível que apresentaram noutras fases da temporada, é difícil encontrar melhor momento. Qualquer avançado contra o Aston Villa tende a ser uma boa escolha - Agüero, Kane, Pedro, King, Rashford e Long que o digam. Mas atenção, o actual Aston Villa tende a ser pior em casa do que fora, e caso queiram adquirir o nigeriano o melhor é esperar pela conferência de Quique, uma vez que faleceu recentemente o pai de Ighalo.


Mesut Özil - Arsenal - 9.5
    Por estes dias, a ter um elemento do ataque do Arsenal, esse jogador deve ser o chileno Alexis Sánchez. O extremo dos gunners tem entrado em campo com a "corda toda" e, tendo ainda Norwich e Aston Villa em casa, não é impossível que consiga igualar o seu total de golos de 2014/ 15.
    No entanto, se há algo que este Arsenal-Norwich pode ter de diferente em relação às últimas partidas é o maior impacto de Özil. O maestro alemão (apenas 1 golo, e ZERO assistências nos últimos 8 jogos) deverá ter contra o Norwich mais espaço na sua zona predilecta, sendo que um golo cedo pode atirar o Arsenal para uma boa exibição, algo que os seus adeptos bem precisam de ver. Ao Norwich qualquer ponto serve, mas a equipa de Alex Neil não deverá comportar-se tacticamente como West Brom ou Crystal Palace no Emirates Stadium.
    Por último, é impossível ignorar este possível recorde: Mesut Özil tem 18 assistências, e o recorde da Premier numa época é de 20 (Thierry Henry)...
   

Ross Barkley - Everton - 7.0
    Roberto Martínez deve ser um dos técnicos a ceder o seu lugar na próxima temporada. A malta que joga Fantasy não se queixará. Quando se esperava que Lukaku, Barkley e companhia pudessem apresentar-se opções válidas, os toffees foram desilusão atrás de desilusão. Tiveram até agora duas jornadas duplas - na 33 marcaram apenas um golo, empatando os dois jogos; na 34 voltaram a só marcar 1 golo, empatando o primeiro jogo e perdendo o segundo por 4-0 com o grande rival Liverpool. Depois disto tudo, o KO em Wembley com De Gea a defender o penalty de Lukaku e Martial a "matar" o jogo quando já se adivinhava prolongamento.
    O ambiente no balneário do Everton deve ser pesado, e nos últimos 6 jogos só Aston Villa e West Brom fizeram pior na Premier League.
    Já não nos atrevemos a sugerir Lukaku (idealmente era uma excelente opção para as 3 jornadas finais), mas Ross Barkley parece-nos o tipo de jogador que pode "despertar" nesta recta final, ele que deverá disputar com Dele Alli uma vaga no 11 da Selecção britânica e que precisa de criar dúvidas a Hodgson, que por esta altura deve estar bem mais inclinado para Alli. Já não seria mau se se reeditasse o Bournemouth 3-3 Everton, um dos melhores jogos desta edição.
     

Césc Fàbregas - Chelsea - 8.4
    Na jornada 35 vivemos uma anomalia. No entanto, se aquele jogo dos blues se tivesse passado na época passada, seria apenas "um jogo normal". Hazard bisou, Fàbregas fez 3 assistências... em 2014/ 15 seria quase o prato do dia.
    O 9.º classificado Chelsea pouco mais tem a acrescentar a este campeonato, mas nesta fase verifica-se um crescimento de alguns jogadores a "aquecerem" para o Euro-2016. Fàbregas subiu bastante o nível ultimamente, Pedro Rodríguez a mesma coisa, e Hazard bisou no fim-de-semana passado, ele que depois de ser uma das desilusões da época, até pode virar um dos destaques do Europeu.
    No Chelsea-Tottenham, logo veremos qual será a atitude dos spurs quando entrarem no jogo (se entram em campo já com o Leicester campeão, ou se ainda têm um jogo para ganhar para manter o sonho vivo). Prevê-se uma total asfixia por parte do meio-campo do Tottenham aos médios do Chelsea, mas caso os blues queiram fazer algo, ou até quem sabe oferecer o título ao Leicester, Fàbregas será o ponto de partida de tudo.
    Para quem tem tempo, recomendamos que ouçam Fàbregas no Monday Night Football da Sky Sports ao lado de Jamie Carragher. Deu gosto ouvir falar o médio espanhol.   
       

Aaron Cresswell - West Ham - 5.7
    Por último, é bom que comecem já a olhar para a vossa equipa na jornada 37 (que tem 4 jogos a mais do que o normal). O West Ham é uma das equipas mais tentadoras nessa ronda, e mesmo nesta porque não joga há vários dias e defronta uma equipa tecnicamente inferior, embora sempre bem organizada.
    Sendo os hammers uns dos potenciais destaques na 37.ª jornada, e parecendo-nos que Payet é indiscutível (ou deveria ser), podem depois ter ainda 2 jogadores do West Ham - Carroll está num excelente momento, e depois há médios (Lanzini, Antonio) ou defesas. E nesse capítulo, Cresswell está um degrau acima de todos os seus colegas.
    O lateral-esquerdo é um dos grandes beneficiados por Carroll estar em forma, porque pode despejar bolas para a área; mas de resto, tem boas possibilidades de conseguir 1 ou 2 clean sheets nos próximos 3 jogos.
    Tem sido um dos melhores laterais-esquerdos desta Premier League (juntamente com Fuchs e Danny Rose), e é um dos vários bons laterais-esquerdos ingleses (há ainda Rose, Bertrand, Baines, Shaw, Daniels, Gibbs) da actualidade. Acreditamos que Hodgson levará ao Euro-2016, Rose e Bertrand/ Baines, mas não seria mal pensado equacionar o esquerdino do West Ham, ele que tal como todos os seus colegas de equipa despedir-se-á em breve do estádio, contra Swansea e Manchester United.    
    


Outras Opções:
- Guarda-Redes: Mesmo tendo em conta que o Norwich precisa desesperadamente de pontos, colocamos o Arsenal na pole position das clean sheets. Melhor dizendo, Petr Cech (5.9).
    O Manchester United-Leicester City tem tudo para ser um duelo de titãs entre De Gea e Schmeichel, sendo que o último pode sagrar-se campeão num estádio marcante na carreira do pai. Gomes (5.0) pode reforçar o seu estatuto de GR com mais pontos no Fantasy, e de resto temos algumas expectativas (mas reservas, também) para as exibições dos guardiões de Newcastle e Sunderland.

- Defesas: Seguindo o mesmo raciocínio acima apresentado, e visto que Héctor Bellerín (6.5) tem ainda a capacidade de desequilibrar no último terço, o lateral espanhol é o nosso defesa número 1. Também Koscielny é uma boa opção no quarteto defensivo do Arsenal. Sebastian Prödl (4.2) parece-nos ser uma opção igualmente boa, embora o Watford possa fazer alguma rotação; e, para além de Cresswell, apostamos no capitão do Leicester, Wes Morgan (4.5), e no goleador Patrick van Aanholt (4.7). O holandês é, tal como Cresswell, um bom jogador para ter na jornada 37. 

- Médios: Entre médios, Riyad Mahrez (7.3) foi eleito Jogador do Ano, marcou ao Swansea, costuma brilhar com mais intensidade nos jogos fora. Tenham juízo e apostem nele, o homem já fez 234 pontos. Alexis Sánchez (11.1) é uma boa opção para capitão, e em conjunto com Özil o potencial responsável por um bom jogo do Arsenal em termos ofensivos, e o descanso deve ter sabido bem ao mágico Dimitri Payet (8.4).
    Andros Townsend (5.7), Gylfi Sigurdsson e Sadio Mané podem ser diferenciais interessantes, numa jornada em que mais uma vez o meio-campo do Liverpool pode ser problemático, no pós e pré-Villarreal.

- Avançados: Kun Agüero (13.6) e Harry Kane (10.4) querem ser distinguidos com o troféu individual de melhor marcador da competição, e para além deles há ainda a considerar Andy Carroll (6.4), os avançados do Watford Ighalo e Deeney (embora, pelo momento de forma, representem um risco muito elevado), e outras figuras como Sturridge (pode não ser titular), Romelu Lukaku (8.7) e Defoe.


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11 (3-4-3): Cech; Bellerín, Prödl, Cresswell; Barkley, Sánchez, Mahrez, Payet; Ighalo, Agüero, Kane

Atenção a (Clássico; Diferencial):
Everton v Bournemouth - Romelu Lukaku; Ross Barkley
Newcastle v Crystal Palace - Andros Townsend; Yannick Bolasie
Stoke v Sunderland - Jermain Defoe; Patrick van Aanholt
Watford v Aston Villa - Odion Ighalo; Troy Deeney
West Brom v West Ham - Dimitri Payet; Andy Carroll
Arsenal v Norwich - Alexis Sánchez; Héctor Bellerín
Swansea v Liverpool - Gylfi Sigurdsson; James Milner
Manchester United v Leicester City - Riyad Mahrez; Wes Morgan
Southampton v Manchester City - Kun Agüero; Sadio Mané
Chelsea v Tottenham - Harry Kane; Césc Fàbregas

27 de abril de 2016

100 Melhores Personagens de Séries - Nº 30



Série: Skins
Actor: Jack O'Connell


por Miguel Pontares

    Começa tudo no sotaque. Depois na vida de excessos, sem limites nem medos. E acaba na revolta, num grito de rebeldia, no sangue que escorre pela cara. 
    É 'Skins', e é Cook.
    Effy, anteriormente descrita pela Lorena Wildering, é provavelmente a personagem que melhor dá forma ao espírito da série britânica que durou entre 2007 e 2013; no entanto, há qualquer coisa na mistura de carisma com vulnerabilidade, e de medo com coragem, que fazem de James Cook o elemento de 'Skins' com cotação mais alta aqui no Barba Por Fazer e dono deste 30.º lugar.
    Ele é o centro de problemas e de energia em qualquer festa onde esteja. É a garantia de diversão, a irresponsabilidade que não sabe quando parar. Ele vive, e reage, sem pensar nas consequências. É um dano colateral constante, um impulso a caminho da auto-destruição. Filho indesejado (a cena no barco com o pai é um dos vários momentos que reforça O'Connell como o melhor actor que esteve ao serviço da série), desprezado por toda a família, Cook preocupa-se apenas com o irmão mais novo, Paddy (alguém que o idolatra, e que ele protege incondicionalmente, consciente de que deve evitar que o miúdo siga os seus passos) e com os grandes amigos, Freddie e JJ, com os quais forma um trio quase inseparável, e ainda a confidente Naomi.
    As temporadas 3 e 4 de 'Skins' trabalham a duplicidade de Effy (a hipnotizante Kaya Scodelario), uma rapariga imprevisível que coloca Freddie e Cook em competição. Embora a história de amor "clássica" de 'Skins' seja Effy e Freddie, é curioso verificar os momentos de Cook e Effy - muitas vezes parece que Cook seria a pessoa indicada para ela, embora pudessem também destruir-se juntos.
    É difícil encontrar tanta raiva e tanto sofrimento no universo 'Skins' como aqueles que Jack O'Connell coloca na sua personagem. É o rapaz que abdica da única coisa boa que lhe aconteceu na vida (Effy) em nome da amizade com Freddie, e é ele quem vinga o amigo - depois de se desmanchar ao ver aquele caderno cheio de I love her - enquanto grita "I Am Cook!".
    Os últimos 2 capítulos de sempre de 'Skins', na sétima temporada, foram-lhe entregues e é com ele que pudemos fazer a despedida a uma geração que marcou a televisão neste século. E nessa temporada final - na qual Effy e Cassie também foram protagonistas - vemos um Cook mais maduro, que deixa de fugir e torna-se por fim alguém bem resolvido, que insiste em relações condenadas à partida, preso em triângulos, mas que sabe sair deles. Cook, o perdedor; Cook, o rejeitado; Cook, que aprendeu a estar em paz e que sabe de facto o que é a morte e a vida:

You think you know death, but you don't, not until you've seen it. Really seen it. And it gets under your skin, lives inside you.
You also think you know life. Stand on the edge of things and watch it go by, but you're not living it. Not really. You're just a tourist. A ghost. Then you see it. Really see it. It gets under your skin and lives inside you, and there's no escape. There's nothing to be done. And you know what? It's good. It's a good thing. And that's all I've got to say about it.

    Quem viu Jack O'Connell em 'Skins', 'Starred Up', 'Unbroken' e ''71' tem consciência do actor que ali está, do futuro que pode ter. Como Cook ensinou-nos o mais simples: o que interessa não é o destino, é a viagem.                                       

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Lorena Wildering, Nuno Cunha, Cê e SWP.
Foram tidos em consideração séries com pelo menos 1 temporada, concluída a 1 de Outubro de 2015. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou às séries que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

25 de abril de 2016

100 Melhores Personagens de Séries - Nº 31



Série: Modern Family
Actor: Ty Burrell


por Lorena Wildering

Já aqui falámos do Cameron, já falámos da Glória, mas falta falarmos do terceiro conjunto familiar desta família moderna: os Dunphys — três filhos, Haley, Alex e Luke, e os pais Claire e Phil Dunphy, este último largamente considerado a melhor personagem da série “Modern Family” e dono deste lugar no nosso Top.
    É o carácter pateta mas atencioso de Phil, interpretado por Ty Burrell, que o torna numa das personagens mais queridas da série. É aquela personagem-tipo, o cool dad que pensa que os filhos o acham fixe também. A sua admirável intenção é apenas tentar criar uma relação de proximidade com eles e acha que para o conseguir precisa de tratá-los como amigos. Tenta ser um pai fixe, mas pensa que isso significa saber a coreografia de “High School Musical” e usar calão que já passou de moda, o que resulta em momentos de embaraço para Haley, Alex e Luke.

    O seu nível de maturidade está quase ao nível do dos filhos (especialmente quando se junta a Luke, o filho mais novo), o que muitas vezes enerva Claire e provoca conflitos pela forma diferente de os educar. Ele próprio admite: I always said that if my son thinks of me as one of his idiot friends then I’ve succeeded as a dad.
    Enquanto Claire vê problemas em todo o lado, para Phil está sempre tudo bem. Como as crianças, encontra felicidade nas pequenas coisas que a maioria dos adultos toma como garantidas (excepto palhaços…) e tem como lema baixar as expectativas da vida; dessa forma, as melhores coisas do mundo podem tocar à porta de qualquer um.

    Esta e outras “Phil-osofias” (if life gives you lemonade make lemons; life will be all like whaaaat?) são o que motivam a sua constante boa disposição. Mas a sua natureza descontraída também o coloca em variadíssimas situações caricatas, como acusam os olhares que às vezes nos lança directamente (todos se lembram da alpaca?).
    Embora seja uma pessoa desajeitada e que facilmente se mete em apuros, Phil também consegue descer à terra e confortar a família nos momentos menos bons, e é esta versatilidade e balanço que o torna na “cola” da família Dunphy. Sim, esforça-se demasiado para que o sogro Jay goste dele e para ser visto como um “pai amigo”, mas é um pai dedicado que motiva qualquer pessoa a atingir os seus objectivos e não levar a vida tão a sério. Why the face, não é?                            

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Lorena Wildering, Nuno Cunha, Cê e SWP.
Foram tidos em consideração séries com pelo menos 1 temporada, concluída a 1 de Outubro de 2015. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou às séries que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

23 de abril de 2016

100 Melhores Personagens de Séries - Nº 32



Série: Fargo
Actor: Billy Bob Thornton


por Tiago Moreira

    Está na hora de apresentar-vos o assassino com o penteado mais feio do mundo. 
    Lorne Malvo é uma das personagens mais fascinantes dos últimos tempos no que toca ao mundo das séries televisivas.
    Fargo é uma das séries mais bem cotadas do momento e já vai para a sua terceira temporada. Uma adaptação do filme com o mesmo nome, Lorne Malvo está inserido na primeira temporada.
    Apesar do penteado ridículo, Billy Bob Thornton interpreta um homem cruel, cínico e manipulador. Tudo o que de mau existe, é provável que se encontre na personalidade de Lorne Malvo. 
    Conseguiu influenciar um choninhas a libertar todo o seu lado psicopata que vivia em sim e foi espalhando o terror na cidade de Reno, no Nevada. Completamente desprovido de valores morais, sentimento e emoções, Lorne tanto mata por dinheiro, como por belo prazer. E não se fica por aqui. Malvo nunca corre riscos. Portanto se alguém desconfiar o mínimo que seja de si, o mais provável é acabar esvaído em sangue. Um autêntico mestre do disfarce e um perfeito ladrão de identidades faz com que seja um assassino profissional praticamente perfeito.
    Uma palavra ainda para o actor Billy Bob Thornton que até então não tinha nenhum papel em que tivesse sobressaído e que o conseguiu com o seu Lorne Malvo de uma forma esplêndida.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Lorena Wildering, Nuno Cunha, Cê e SWP.
Foram tidos em consideração séries com pelo menos 1 temporada, concluída a 1 de Outubro de 2015. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou às séries que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

22 de abril de 2016

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 35

E num instante se passaram seis dias de Premier League. A jornada 34 foi carregada de emoções, altas pontuações e de algumas frustrações para os jogadores de Fantasy. Quem gastou o triple captain com Agüero ou Alexis Sánchez fê-lo em boa hora, enquanto que o Bench Boost pode ou não ter surtido efeito consoante o plantel de cada utilizador. Certo é que quem se deixou atrair por jogadores com 2 jogos (Martial e Lukaku, por exemplo) acabou por levar um murro no estômago com a máxima form over fixtures a prevalecer, e os londrinos Kane e Alli a serem o rosto da mensagem: aqueles que os tiraram da equipa, são os mesmos que agora os resgatarão na jornada 35.
    Olhando para a tabela, a 4 jornadas do fim, Leicester City e Tottenham encontram-se separados por 5 pontos; a polémica arbitragem de Jonathan Moss marcou uma jornada em que os spurs (a equipa mais forte e com melhor futebol nesta Premier League, mas não a que todos queremos como campeã) deram uma resposta forte num campo difícil para qualquer adversário. O 3.º lugar (acesso directo à Champions) parece destinado a Arsenal ou Manchester City, sendo que o embate entre os dois na jornada 37 pode muito bem revelar-se decisivo. Entre Manchester United, West Ham e Liverpool, ainda há muito para decidir e a ordem pode perfeitamente ficar de pernas para o ar. Na luta pela manutenção, a jornada 34 foi péssima para o Norwich - os canários perderam em casa com o Sunderland por 3-0, e as duas derrotas consecutivas (Crystal Palace e Sunderland), num momento crucial, podem ter traçado o destino da equipa de Alex Neil. Embora o Norwich esteja acima dos rivais Sunderland (enorme jogo da equipa de Allardyce!) e Newcastle (4 pontos em 6 possíveis nesta ronda), olhando para o calendário é fácil perceber que só bem perto do fim saberemos que duas equipas acompanham o Aston Villa, e nesta fase seria mais sensato apostar num dos rivais para sobreviver.
    Ao contrário da jornada 34, que teve 15 jogos, esta 35.ª ronda tem, no Fantasy, apenas sete jogos. O Leicester-Swansea, sem Jamie Vardy, deve ser encarado como jogo da época para os foxes, uma vez que é no papel o jogo mais acessível até ao fim. O Tottenham é claramente favorito na recepção ao WBA, tal como o City (até que ponto Pellegrini vai pensar no Real Madrid?). A rotação pode afectar os onzes de Manchester City e Liverpool, equipas nas meias da Champions e Liga Europa respectivamente; e a tarefa do Arsenal no reduto do Sunderland pode revelar-se mais complicada do que seria expectável.
    Num balanço da jornada 34, ninguém pontuou mais do que Agüero. O argentino, com 3 golos ao Chelsea e 1 ao Newcastle conseguiu o recorde de pontos (26) de um jogador numa jornada desta época. Alexis Sánchez (25 pts) ficou perto do avançado do City, e Gomes (21 pts, duas grandes penalidades defendidas) foi uma das surpresas da ronda. Sturridge, Noble, Townsend, Kane, Alli, Valencia, Darmian e Sakho foram alguns dos restantes destaques.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 114493-481221)

Nesta 35.ª jornada, as sugestões são:

Riyad Mahrez - Leicester City - 7.3
    Mais do que nunca, este é o momento de Mahrez mostrar porque é que vai ser eleito o Jogador do Ano desta Barclays Premier League. Numa jornada sem o melhor amigo Vardy, o craque argelino enfrenta um Swansea ao qual marcou 3 golos a primeira volta, e os foxes contarão certamente com o seu camisola 26 para iluminar o caminho dos 3 pontos.
    Sem ter marcado ou assistido nas últimas três jornadas, Mahrez ainda pode perfeitamente chegar a uma marca de 250 pts (longe, ainda assim, de épocas memoráveis no Fantasy de Suárez ou Lampard). Para já, sem a electricidade de Vardy mas com um estádio que se prolonga pelo mundo fora, o Leicester - caso Ranieri troque Vardy por Ulloa - terá que mudar ligeiramente o seu estilo de jogo, por não conseguir explorar as costas da defesa galesa da mesma forma. Mahrez, Drinkwater e Kanté desempenharão este fim-de-semana um papel de extrema importância, embora os homens de área sejam Okazaki e Ulloa.
    Prevemos vitória do Leicester - entrando na sequência final (United fora, Everton casa, Chelsea fora) com 5 pontos de vantagem -, e a diferença deve fazer-se nas bolas paradas e na inspiração e impacto individual de Riyad Mahrez.


Harry Kane - Tottenham - 10.3
    Crime maior do que não ter Kane, somente não ter Agüero numa jornada dupla. Depois de 21 golos e 191 pontos no Fantasy em 2014/ 15, muitos (nós incluídos) duvidaram da capacidade para Kane conseguir repetir uma época ao mesmo nível.
    A menos de um mês do fim da competição, não restam dúvidas. Harry Kane, desde que permaneça no campeonato inglês, vai ser um dos principais jogadores na próxima década. Disputadas 34 jornadas, Kane tem agora 24 golos e um total de 199 pontos. É inevitável que passe os 200, mas não é tão certo assim que arrecade o título de melhor marcador da BPL. A corrida a 4 parece ser agora a dois, parecendo-nos difícil que Lukaku e Vardy acabem por ganhar. O favorito é Kane, mas um jogador como Agüero pode sempre, em dia sim, fazer 2 ou 3 golos e relançar por completo a distinção individual (da qual o argentino é detentor).
    Contra o West Brom o Tottenham procurará repetir a exibição de segunda-feira passada, e o momento de forma de Kane torna-o obrigatório nesta jornada. Com Alli, Eriksen e Lamela no apoio, é muito difícil o inglês não fazer o gosto ao pé, tendo a vantagem de ser titular certo, ao contrário de Agüero ou Sturridge (achamos que serão titulares, mas a probabilidade de não o serem é real).
   

Graziano Pellè - Southampton - 8.0
    Não tem muito que saber: o Aston Villa está despromovido, vai ficar em último e, como tal, embora os jogadores não tenham qualquer pressão, não têm também qualquer motivação para correr mais, para meter o pé, etc.
    Por isso mesmo, qualquer avançado que defronte o histórico clube de Birmingham "arrisca-se" a sair de barriga cheia do fim-de-semana. Mesmo jogando fora, o Southampton tem mostrado ser uma das equipas mais consistentes da Premier League, principalmente na 2.ª volta, e Koeman é um dos treinadores que melhor prepara cada jogo. Há ainda a possibilidade do Aston Villa utilizar estes últimos jogos para lançar vários elementos da sua formação (para além de Grealish, do qual esperávamos bastante evolução esta época, há por exemplo Hepburn-Murphy, Suliman e Andre Green), mas acreditamos que esta jornada pode ser um mimo para Pellè, Long, Mané e Tadic. Não é certo que joguem os 4, mas pelo menos três devem ser titulares, e podem pontuar bastante.
     

Joshua King - Bournemouth - 4.3
   Um dos jogos mais curiosos da jornada é o Bournemouth-Chelsea. Se no começo do campeonato nos dissessem que à jornada 34 os cherries teriam apenas menos 3 pontos do que os campeões em título seria fácil imaginar o incrível campeonato da equipa recém-promovida. Como sabemos, o campeonato do Chelsea é que foi anedótico, e a invencibilidade construída sob o comando de Hiddink caiu contra o Swansea mas manteve-se em Stamford Bridge, com Agüero a aplicar chapa 3.
    Sem fazer um campeonato extraordinário, o Bournemouth é uma das equipas do ano (ok, há o Leicester e o West Ham) e Eddie Howe conseguiu garantir que a sua equipa chega à recta final segura e tranquila, fiel à sua ideia de jogo e com um plantel e orçamento muito inferiores à média. Diante do Chelsea, prevê-se um jogo aberto e bem jogado, e Joshua King pode manter a boa forma. Depois de marcar ao Aston Villa e ao Liverpool aproxima-se um novo desafio para um jogador avaliado em 4.3 e que marcou 4 golos nos últimos seis jogos.
    Se por acaso Callum Wilson for titular pela primeira vez desde que está recuperado da lesão, é natural que King seja "atirado" para uma ala mas, seja como for, parece-nos um elemento com potencial para baralhar a defesa do Chelsea.
       

Fabio Borini - Sunderland - 5.4
    Em 2012/ 13 Martin O'Neill era o treinador dos black cats. O caso estava mal parado, foi substituído por Di Canio e o Sunderland garantiu a manutenção. Na época seguinte quando tudo apontava para a descida, Di Canio foi substituído por Poyet e o Sunderland conseguiu permanecer entre os grandes. Já na temporada passada, Poyet começou a época mas foi Advocaat a salvar o Sunderland no limite. O que nos traz a 2015/ 16: Advocaat começou a época, mas o clube mudou de treinador, e Allardyce conseguiu incutir na equipa o espírito necessário para combater até ao fim.
    Norwich, Sunderland ou Newcastle. Só uma destas equipas conseguirá estar na Premier League 2016/ 17, enquanto as outras duas passarão a próxima época no Championship.
    O italiano Fabio Borini, tal como o veterano Jermain Defoe, pode muito bem ser um dos obreiros de mais um pequeno milagre do Sunderland na recta final. Os black cats têm 3 jogos em casa nos últimos 5 (na jornada 37 do Fantasy, são uma das equipas que joga duas vezes, ambas diante do seu público) e a vitória em casa do Norwich pode ter sido um ponto de viragem - ponto a ponto o Sunderland tem lutado, e nos últimos 9 jogos só perdeu por duas vezes (Leicester e West Ham, fora). Parece propositado, e acontece de forma crónica, mas atenção a estas jornadas finais. A primeira final coloca o Sunderland frente-a-frente com um Arsenal que ainda quer garantir o acesso directo à Champions. Os gunners podem até ganhar, mas estejam atentos a Borini, um dos jogadores que pode explodir nestas derradeiras jornadas.
    


Outras Opções:
- Guarda-Redes: Não há De Gea nem penalties para Gomes defender, portanto é simples. Há quatro guarda-redes com boas hipóteses de conseguirem clean sheet: Kasper Schmeichel (5.0), Joe Hart (5.6), Hugo Lloris (5.4) e Fraser Forster (5.0).
    Não excluímos o cenário de Klopp voltar a entregar a baliza a Ward, daí não mencionarmos Mignolet, embora a rotação do técnico alemão não precise de ser tão vincada desta vez (é perfeitamente possível jogar Sábado e quinta-feira, pelo que Klopp só deve fazer algumas pequenas alterações).

- Defesas: Na defesa confiamos numa demonstração de segurança por parte do Leicester. O primeiro classificado recebe um Swansea que, tirando um islandês chamado Sigurdsson, não costuma ser muito perigoso (atenção a Ayew neste jogo) e por isso tanto Christian Fuchs (5.1) como o gigante Robert Huth (4.9) podem dar bons pontos. O mesmo raciocínio se aplica em relação ao Tottenham, equipa na qual Toby Alderweireld (6.4) e Kyle Walker (5.1) são as melhores opções.
    Virgil van Dijk (5.7) pode revelar-se intransponível em casa do Aston Villa, numa jornada que pode ser boa para Sakho e Moreno (caso joguem), Zabaleta, enquanto que no Sunderland-Arsenal, as investidas ofensivas de van Aanholt e Bellerín terão uma palavra a dizer no resultado final.

- Médios: A nível de meio-campo já falámos de Mahrez, e mesmo de King, mas para além do argelino, emergem como principais jogadores Alexis Sánchez (11.0) e Dele Alli (6.2). O chileno marca há 4 jogos consecutivos, enquanto que Alli, apesar de render sobretudo fora, atravessa um momento sensacional.
    O facto de Pellegrini poder deixar De Bruyne no banco é suficiente para não o considerarmos, e o mesmo acontece com Coutinho ou James Milner, embora acreditemos que Klopp só deverá "rodar" aproximadamente 3 (no máximo 4) jogadores do seu melhor 11 neste momento. No Bournemouth, Matt Ritchie pode dar-se bem se tiver Kenedy como lateral-esquerdo; e para além de Alli, Lamela e principalmente Eriksen são bons diferenciais.
    No Southampton, resta saber se Koeman aposta num 4-4-2 (Sadio Mané (7.3) e Tadic a servirem Long e Pellè) ou se apenas três destes elementos são titulares, e na ausência de Vardy podem ser jogadores como Kanté e Drinkwater - ambos a realizarem épocas inesquecíveis, mas que não se reflectem em termos de Fantasy - a agigantar-se.

- Avançados: Com Vardy castigado (ele que seria uma excelente opção para esta jornada), há 4 avançados dos quais será importante terem três - Kun Agüero (13.5), Kane, Daniel Sturridge (10.0) e Pellè.
    Acima já falámos de Pellè e Kane, sendo que o avançado inglês do Tottenham reúne tudo a seu favor nesta jornada - é garantido que será titular, porque não há a possibilidade de, ao contrário de Agüero e Kane, ser poupado para compromissos europeus; e joga segunda-feira, o que pode ser importante porque entrará em campo sabendo o que Agüero fez e como está a luta pelo estatuto de melhor marcador. Claro está que Agüero é Agüero, e como mostrou em Stamford Bridge pode fazer sem grande dificuldade um hat-trick ou pelo menos 2 golos em qualquer jogo. Pellegrini parece ter modificado a sua postura e o mais provável é Agüero ser titular mas durar apenas 60 minutos em campo, saindo caso o jogo esteja resolvido. Pellè, tal como Shane Long, tem o Aston Villa como adversário; enquanto que Sturridge foi suplente utilizado no derby de Merseyside, portanto deve ser titular diante do Newcastle (Klopp pode sempre jogar com Firmino a 9, deixando Sturridge fresco para o jogo com o Villarreal, mas achamos que o britânico será titular).


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11 (3-4-3): Hart; Walker, Huth, Fuchs; Alli, Sánchez, Mané, Mahrez; Sturridge, Agüero, Kane

Atenção a (Clássico; Diferencial):
Manchester City v Stoke - Kun Agüero; Aleksandar Kolarov
Aston Villa v Southampton - Graziano Pellè; Shane Long
Bournemouth v Chelsea - Joshua King; Matt Ritchie
Liverpool v Newcastle - Daniel Sturridge; James Milner
Sunderland v Arsenal - Alexis Sánchez; Fabio Borini
Leicester City v Swansea - Riyad Mahrez; Leonardo Ulloa
Tottenham v West Brom - Harry Kane; Kyle Walker

20 de abril de 2016

100 Melhores Personagens de Séries - Nº 33



Série: Downton Abbey
Actriz: Maggie Smith


por Lorena Wildering

    “Downton Abbey” é daquelas séries em que bastou ver o nome “Dame Maggie Smith” para perceber que seria televisão de qualidade. Mas a qualidade desta série britânica (uma associação redundante, na verdade) não se deixou arrastar atrás da sombra desta rainha da cultura inglesa.
    É em pleno 1912, no momento em que a tragédia do Titanic passou a estar de boca em boca por todo o mundo, que conhecemos a família Crawley e os seus empregados pela primeira vez. Todos vivem em Downton, uma pequena aldeia no norte de Yorkshire, em Downton Abbey, a propriedade da família.
    Entre um enorme elenco (contou com 56 personagens), onde chapéus vistosos abundam e os corpetes estão bem apertados e escondidos por baixo de elegantes vestidos, surge Violet, Condessa de Grantham, a matriarca da família Crawley. É mãe de Robert, o sétimo Earl de Grantham, e avó da fria e arrogante Mary; da ignorada e “patinho feio” Edith; e da bondosa e ambiciosa Sybil.

    O papel de Violet é consistente ao longo das seis temporadas: é a avó que defende as netas independentemente das suas escolhas controversas para a altura, nem que seja só para não gerar polémica e arruinar a reputação da família (como Mary perder a virgindade fora do casamento com um diplomata turco; Edith engravidar também fora do casamento; e Sybil fugir e casar com o motorista Tom Branson); é a mãe e sogra que torce o nariz à mudança para os tempos modernos; e é a mulher que nos deu as frases mais memoráveis da série, especialmente com as suas brigas com a prima Isobel Crawley, mãe de Matthew, com quem Mary casa e que, mais tarde, em jeito Downton, morre num acidente de viação.
    Decorrida a Primeira Guerra Mundial e até ao desfecho da série, já em 1925, o seu carácter teimoso nunca deixa de estar presente, mas também vamos conhecendo um pouco da sua história de quando o seu marido ainda era vivo. Na quinta temporada descobrimos que Violet, já casada, apaixonou-se pelo monarca russo Igor Kuragin, e que num momento de loucura quase fugiram juntos. Revêem-se anos mais tarde, Igor agora um refugiado devido à Revolução Russa, mas Violet encerra esse capítulo quando o ajuda a reencontrar a sua esposa perdida. Certamente terá sido este momento da sua vida que a permitiu ser tão compreensiva com os “erros” das suas netas.

    Ao longo dos anos em que a série decorreu, muitos foram os rumores de que a temporada seguinte seria a última com Maggie Smith, algo que felizmente nunca chegou a acontecer, uma vez que provavelmente resultaria na morte da personagem. Contudo, a actriz terá sido um dos motivos pelos quais a sexta temporada foi a última: Maggie estava farta de usar corpetes e era contra a improbabilidade de uma pessoa com a idade da personagem (84 anos), naquela altura, ter uma esperança de vida tão elevada.
    A febre de “Downton Abbey” que nos permitiu conhecer melhor os costumes da alta sociedade inglesa dos anos 10-20 espalhou-se um pouco por todo o mundo, como aliás se comprova pelas 27 nomeações que recebeu para os Emmys, e só ao fim das duas primeiras temporadas. Maggie Smith por si só, ganhou dois, sempre merecidos quando toca a esta grande actriz. “Classic Granny” como diz Mary, e classic Maggie.
                          
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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Lorena Wildering, Nuno Cunha, Cê e SWP.
Foram tidos em consideração séries com pelo menos 1 temporada, concluída a 1 de Outubro de 2015. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou às séries que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

Revisão: 'Vinyl'

Criado por
Martin Scorsese, Mick Jagger, Rich Cohen e Terrence Winter

Elenco
Bobby Cannavale, Ray Romano, Olivia Wilde, Ato Essandoh, Juno Temple, James Jagger, Jack Quaid, Paul Ben-Victor, Max Casella, J.C. MacKenzie, Annie Parisse

Canal: HBO

Classificação IMDb: 7.9 | Metascore: 71 | RottenTomatoes: 77%
Classificação Barba Por Fazer: 75


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 

A História: 

    No início de Janeiro escrevemos aqui no BPF acerca das 20 Novas Séries em relação às quais tínhamos expectativas mais elevadas neste ano de 2016. 'Vinyl' encabeçava a lista. E não tinha muito que saber: Martin Scorsese a produzir, em conjunto com Mick Jagger, e a realizar o episódio-piloto, Terrence Winter ('Boardwalk Empire', 'The Wolf of Wall Street' e 'The Sopranos') como showrunner e um actor fantástico mas subvalorizado como Bobby Cannavale como protagonista. Depois, a HBO raramente desilude e a confiança depositada em 'Vinyl' - a segunda temporada já estava confirmada mesmo antes do primeiro episódio estrear - levava a crer que aí vinha um dos melhores projectos dos últimos anos.
    Mas (para já) não. A série que em Portugal foi transmitida no TVSéries acabou por desiludir face às expectativas criadas; aconselhamo-la mesmo assim e acreditamos que ainda vai a tempo de resultar em algo épico. Basicamente e face aos ingredientes (setup, tema, elenco, produção) tinha obrigação de dar cabo da concorrência, embora acabe por ser "apenas" uma boa série.

    Vamos por partes. 'Vinyl' passa-se nos anos 70 e tem como protagonista Richie Finestra (Bobby Cannavale), o dono da discográfica American Century. Finestra, enquanto se encharca em álcool e drogas, tenta manter o negócio vivo depois de ter uma epifania que o leva a não abrir mão da sua empresa para os compradores interessados. O tempo dado ao protagonista é proventura exagerado, considerando o universo rico de personagens que lhe fazem companhia durante a sua sucessão imparável de erros, defeitos e más decisões. Pelo meio, os vícios afastam-no da mulher Devon (Olivia Wilde) e dos filhos, enquanto tenta que os Nasty Bits (banda liderada por Kip, interpretado por James Jagger, filho da estrela dos Stones) vinguem e sejam os porta-estandartes da nova identidade da discográfica.
    Um dos problemas de 'Vinyl' é o facto de, ao longo de 10 episódios, parecer estar sempre à procura de se encontrar. O tema não é original (é uma espécie de 'Mad Men' da música, aproximando-se inclusive do nosso produto nacional 'Os Filhos do Rock') pelo que teria que ser a abordagem a fazer a diferença. Durante esta temporada, quiseram chegar a tantos lugares, que não chegaram a nenhum. Embora 'Vinyl' conte com uma realização de alto nível (respeita o ritmo, a energia e o tom scorsesiano, com brilhante edição, escolha de planos e, claro, banda sonora) e um elenco a corresponder (Cannavale é a vedeta mas por exemplo Ray Romano surpreende num papel dramático), acaba por cair em lugares comuns e clichés previsíveis em termos de história, esquecendo-se que a Música deveria ser o foco.

   Ao fim de 10 doses de 'Vinyl' é mais ou menos evidente que a história é tanto mais interessante quanto mais se concentra na música pura e dura - embora no fim o caso mude de figura, a presença da máfia (afinal, estamos a falar de Terrence Winter) parece forçada e pouco ajuda - e quanto mais nos forem dados a acompanhar os vários sucessos e insucessos dos vários trabalhadores da American Century. A personagem de Cannavale está construída como o anti-herói clássico, mas se deixarmos de parte a sua decisão inicial que desencadeia toda a série e o discurso que encerra a finale, é bastante difícil criar empatia com Finestra, pelas suas decisões e atitudes e não por culpa do actor.
    Posto isto, mantemos a nossa esperança e a 2.ª temporada tem tudo para subir o nível. Estamos a falar de uma série na qual a HBO já investiu muito, e com vários pontos a favor: honra as raízes do rock'n'roll com várias lendas da música (Robert Plant, Alice Cooper, David Bowie, Elvis Presley, John Lennon) a serem recriadas e introduzidas na história; reinventa a História da Música na medida em que utiliza os anos 70 como setup para mesclar a realidade Vinyl com a verdadeira realidade; e o falhanço na empatia do protagonista, não se estende a várias personagens secundárias das quais até nos dá vontade de saber mais e de os ver e ouvir mais tempo.    
    
    
A Personagem: Zak Yankovich (Ray Romano).
    O piloto, realizado por Scorsese, define bem a primeira temporada de 'Vinyl': mais do que uma apresentação da série, é uma apresentação do protagonista. Richie Finestra, o anti-herói interpretado pelo magnífico Bobby Cannavale, é um homem de vícios, medos, fantasmas e defeitos, e que praticamente só tem de bom a paixão e a sua visão para a música.
    Ao longo desta temporada, Zak e Clark são bastante melhor trabalhados do que Richie, cuja história, tal como a de Devon, podia ser bem mais interessante. Kip (para a personagem que é, o filho de Mick Jagger nem precisa de ser um grande actor) faz-se acompanhar por personagens que mereciam mais tempo (Lester e Jamie), para não falar dos sócios de Richie e Zak - Skip e Scott - bastante acessórios nesta fase inicial.
    Tudo somado, Zak Yankovich acaba por ser a personagem mais interessante da primeira temporada. Ray Romano (sim, o lendário comediante e actor de 'Everybody Loves Raymond'!) está completamente submerso na personagem, totalmente de acordo com o tom da série, e pertencem-lhe praticamente todos os momentos de maior tensão de qualidade de 'Vinyl'. Uma personagem reprimida, que vive na sombra, na qual tudo faz sentido (tão brutal tudo o que acontece desde Las Vegas até à cena no elevador 2 episódios depois). Enfim, Ray Romano é uma agradável surpresa e mais um daqueles casos de actores rotulados como cómicos e que "partem tudo" ao fazer algo bem diferente.


O Episódio: 08 'E.A.B.'.
    Deixemos de parte o piloto porque não compete de igual por igual com os restantes episódios. Tem 1h53min e é por isso um filme realizado por Martin Scorsese. Sem batotas, os outros competem entre si. É um facto que a série demora muito a colocar a chave na ignição e os melhores episódios estão guardados para os fiéis que se mantenham ligados a 'Vinyl' até ao fim. O oitavo 'E.A.B.' é o primeiro episódio sólido de uma ponta à outra, num nível que se esperava para a série toda, e a season finale salva a temporada, ficando a ideia - como em 'Mr. Robot', sendo que aí foi o próprio criador a referir - que a primeira temporada seria um gigantesco primeiro Acto se 'Vinyl' fosse um filme.
    Entre 'E.A.B.' e 'Alibi', o episódio 8 ganha à tangente. Para além de colocar na mesma sala John Lennon, Bruce Springsteen e Bob Marley, tem aquele que é muito provavelmente o melhor momento musical da temporada - Lester Grimes (Ato Essandoh) pega na guitarra e passa de manager para mentor dos Nasty Bits enquanto viaja pela música assente nos acordes EAB (Mi, Lá, Si). Irónico (ou intencional?) que a progressão de acordes sirva não só para os Nasty Bits como para a série que, a partir deste episódio, tem uma base para trabalhar e crescer. O episódio fecha com Clark a descobrir um submundo à espera de ser explorado.


O Futuro: 
    Uma coisa é certa: a HBO não se ficou por meias-medidas e despediu Terrence Winter como showrunner, contratando Scott Z. Burns (trabalhou bastante com Steven Soderbergh) para orquestrar a segunda temporada. Depois de alegar "diferenças criativas" para afastar Winter, veremos se a troca faz 'Vinyl' corresponder ao seu potencial, ou se Burns queima em definitivo o futuro da série de Martin Scorsese e Mick Jagger.
    Depois de falhanço atrás de falhanço, o final de temporada trouxe finalmente algum sucesso para a American Century, agora Alibi Records. A tensão entre Richie e Zak, os vários projectos prometedores (os Nasty Bits, novo símbolo da Alibi; Xavier, o projecto pessoal de Zak; e a forma como Clark está a descobrir o disco) e o envolvimento com a máfia são alguns dos pontos-chave do que a próxima etapa nos reserva, mas importa referir que a série tem tratado mal as mulheres. A química existe entre Cannavale e Wilde, mas a forma como Devon foi explorada tornou-a quase supérflua infelizmente (quase inexistente no clímax da temporada), enquanto que Jamie é quase chutada para um canto bem perto do fim, embora ainda tenha muito para dar. Duas excelentes actrizes, Olivia Wilde e Juno Temple.
    O Richie Finestra de Bobby Cannavale pode facilmente tornar-se uma das grandes personagens do actual panorama televisivo, e se a série deixar de caminhar em mil diferentes direcções, e privilegiar as boas personagens que tem, o resto vem por acréscimo. Richie, Zak, Lester, Clark, Jamie, Kip, Devon, é deles que nós queremos saber. Deles, e da música. 

    Porque o truque para 'Vinyl' está em respeitar a música. Quanto melhor conseguir misturar os conflitos, o drama e as personagens com a energia do rock'n'roll (é inevitável pensar quão bom podia ter sido explorarem o início do grunge...) mais natural e orgânico será ver e gostar da série. Como é que o vão fazer? Disso percebem eles. Nós estaremos cá para ver.     

19 de abril de 2016

100 Melhores Personagens de Séries - Nº 34



Série: Game of Thrones
Actriz: Maisie Williams


por Tiago Moreira

    Joffrey, Cersei, Walder Frey, Meryn Trant, Tywin Lannister, The Red Woman, Beric Dondarrion, Thoros of Myr, Ilyn Payne, The Mountain, The Hound.

    Onze nomes no total. E todos eles têm algum em comum - o desejo da sua morte por parte de Arya Stark.
    Pois é pessoal, bem sei que Jon Snow, Tyrion e Daenerys colhem toda a atenção em Game of Thrones. Porém, não nos podemos esquecer desta pequena pirralha que teve um percurso ascendente no seu enredo. Duma personagem inicialmente sem grande importância tornou-se quase que uma peça fulcral da série.
    Arya Stark é a verdadeira personificação da revolta. Foi perdendo aos poucos todos os que amava, mas nunca baixou os braços e a tal revolta foi sempre aumentando. Tudo se iniciou com a morte do seu pai, que a própria presenciou até uma infinidade de azares que foi colhendo ao longo do seu caminho. Apesar de quase sempre acompanhada, quer seja por amigos que foi fazendo ou pelo The Hound (que a acabou por raptar), Arya quis sempre rumar - para onde quer que fosse - sozinha. Não conseguia confiar em ninguém e só pensava em vingar todas as pessoas que amava e tendo como objectivo matar os onze nomes com que iniciei o texto.
    Joffrey e Cersei por terem morto o seu pai e a sua cadela, Walder Frey por ter encabeçado o massacre que vitimou a sua mãe e o seu irmão, Mery Trant por ter morto Syrio Forel, Tywin Lannister por representar e ter dado os valores que todo o seu nome de família representa, The Red Woman por ter levado Gendry com intenções de o matar, Beric Dondarrion e Thoros of Myr por terem vendido Gendry à Red Woman, Ilyn Payne por ter executado o seu pai, The Mountain por ser um dos guerreiros mais fiéis e cruéis da casa Lannister e por ter torturado milhares de inocentes e The Hound por ter sido também ele um dos fiéis guerreiros dos Lannisters, por ter morto o seu amigo Mycah e ainda por se ter recusado a ajudar a família Stark aquando do seu massacre.
    Arya foi libertada duma espécie de campo de concentração liderado pelo The Mountain por Jaqen H’ghar. O mesmo que, agora em Braavos, é uma espécie de mestre para Arya, ajudando-a a vingar a sua família. Contudo, para que Arya Stark se torne "ninguém", precisa de se esquecer de quem é e de toda a raiva que está dentro de si. Um desafio gritante para esta pequena que na próxima temporada parece ter algum destaque no enredo.
    Enquanto não sabemos mais do seu destino,
    Valar Morghulis.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Lorena Wildering, Nuno Cunha, Cê e SWP.
Foram tidos em consideração séries com pelo menos 1 temporada, concluída a 1 de Outubro de 2015. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou às séries que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

16 de abril de 2016

Revisão: '11.22.63'

Criado por
Bridget Carpenter

Elenco
James Franco, Sarah Gadon, George MacKay, Chris Cooper, Daniel Webber, Lucy Fry, T. R. Knight, Kevin J. O'Connor, Josh Duhamel

Canal: Hulu

Classificação IMDb: 8.3 | Metascore: 69 | RottenTomatoes: 79%
Classificação Barba Por Fazer: 63


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 

A História: 

    Numa fase em que a Netflix está a elevar a fasquia, puxando pelos concorrentes indirectos, gigantes como a HBO e a AMC, outros serviços de streaming sentem-se incentivados para lançar os seus próprios conteúdos originais. É o caso do Hulu, lançado há dez anos e que conta actualmente com 9 milhões de subscritores. Tendo começado a surgir no mapa, em termos de originais, em 2010, pode-se dizer que 2016 está a ser o ano de afirmação do Hulu: estreou a sua primeira série com pernas para andar, 'The Path' (com Aaron Paul, Hugh Dancy e Michelle Monaghan), e apostou na mini-série '11.22.63', com nada mais nada menos do que J.J. Abrams e Stephen King como produtores executivos e James Franco como protagonista.
      A mini-série de 8 episódios baseia-se no livro "11/22/63" de Stephen King, publicado em 2011, e a premissa da mini-série, como do livro, é então a seguinte: é dada a Jake Epping (James Franco), um professor de Inglês do Maine, a hipótese/ missão de viajar no tempo até Outubro de 1960, podendo assim evitar o assassinato de John F. Kennedy a 22 de Novembro de 1963. O passado tenta permanecer inalterado, complicando de diversas formas o objectivo de Jake, sendo que tudo o que Jake muda tem repercussões no futuro, e se regressar ao presente, voltando depois novamente a '60 há um reset e começa tudo no mesmo ponto. O passado não se altera duas vezes. No passado, Jake assume nova identidade - James Amberson - e sabe que terá 3 anos para estudar Lee Harvey Oswald e várias teorias da conspiração criadas à volta do assassinato.
    Para além dos obstáculos que vão surgindo no caminho de Jake, a capacidade de '11.22.63' se estender ao longo de 8 episódios deve-se à forma como Jake se adapta ao passado e às pessoas que conhece, começando a desviar-se daquilo que o levou aos anos 60, aproximando-se e preocupando-se com várias pessoas que surgem na sua jornada. A mini-série acaba por ser uma aula de História, com a ficção científica como suporte, misturada com o romance que se desenvolve entre Jake e Sadie (Sarah Gadon), e a amizade com o seu "irmão" Bill Turcotte (George MacKay), que o ajuda na sua investigação, acreditando nele.
    De um modo geral, os 8 episódios vêem-se muito bem, com o "gancho" certo no final de cada episódio para levar o espectador para o seguinte. Por cá, a série estreou na FOX no passado dia 11 de Abril, mas é um daqueles casos de série que justifica ser vista de uma assentada. Aliás, nos extra-Netflix, só grandes séries como 'Mr. Robot', 'Game of Thrones', 'Better Call Saul' ou 'Fargo' é que ainda exigem ser vistas semana a semana.
    A recriação do período (anos 60) está excelente - para todos os efeitos é uma mini-série de época - mas um dos contras é o estilo de realização adoptado. Compreende-se e justifica-se a adaptação ao tom do livro de King e à época, mas a utilização exagerada de banda sonora, por exemplo, acaba por ser desgastante em alguns momentos, parecendo em certa medida um filme de Steven Spielberg (com tudo o que isto tem de bom e de mau).
    
    
A Personagem: Bill Turcotte (George MacKay).
    Seja Jake Epping ou James Amberson, James Franco é o rosto do projecto e é sempre ele quem segura a aventura do primeiro ao último instante. Já agora, deparar-se-ão com algo inacreditável se forem ao IMDb ver a omnipresença de Franco em 2016.
    No entanto, série que é série precisa de boas personagens secundárias. É o caso de Bill Turcotte. Bill (bastante mais velho no livro do que na série, uma curiosidade) é alguém que pouco tem, e que ao acreditar que Jake vem do futuro, acaba por largar o pouco a que está preso para o ajudar a evitar que JFK seja morto.
    É um underdog ao longo de toda a série, e um rapaz errático ao ponto de percebermos cedo que pode ser ele a comprometer tudo. Torna-se um irmão para Jake, e mantém-se leal a ele até ao fim. Pelo meio, apaixona-se pela mulher de Lee Harvey Oswald, e o fim da personagem (altamente trágico) acaba por não fazer jus à importância da personagem e ao trabalho do actor, parecendo demasiado acelerado e tratando-o quase como perfeitamente acessório.
    Bill é a surpresa de '11.22.63' - e George MacKay um actor a para continuarmos a acompanhar, tal como Sarah Gadon, que deve abrir muitas portas depois disto -, mas importa referir também Johnny Clayton, o ex-marido de Sadie. Interpretado por T.R. Knight (que foi George O'Malley na 'Anatomia de Grey') revela-se um antagonista fascinante, tem um dos momentos da série e consegue deixar a sua marca bem vincada, precisando para isso de pouco tempo de ecrã.   


O Episódio: 08 'The Day in Question'
    A finale é boa, mas também podíamos eleger como melhor um dos 2 primeiros episódios ('11.22.63' não mantém o nível do seu arranque) ou o quinto 'The Truth', realizado por James Franco e com o actor T.R. Knight a surpreender.
    O derradeiro episódio tem a vantagem de nos manter durante grande parte do tempo sem saber para onde estamos a ser guiados. É peculiar o tempo a mais que é dado a alguns pontos da história nos episódios anteriores, passando a correr o momento em que Jake regressa a 2016 e não chegamos a perceber exactamente a nova História do país pós-63.
    É o episódio que exige mais de James Franco (com tantos momentos com Sadie, é com o seu aluno Harry que atinge o pico emocional) e os 20 minutos finais são basicamente Jake e Sadie, a pedir aos espectadores que chorem baba e ranho.

    Normalmente analisamos o futuro das séries sobre as quais escrevemos, algo que não faz sentido em relação a '11.22.63' (ou '22.11.63' em Portugal) por tratar-se de uma mini-série. Fazemos votos que o Hulu continue a cozinhar originais deste nível ou acima.