Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

12 de junho de 2023

Prémios BPF Liga Bwin 2022/ 23

E, muitas jornadas depois, um dos campeonatos percecionado como mais longo devido à existência do Mundial do Qatar a meio da viagem, chegou ao fim. Para os lados da Luz, grita-se que o campeão voltou e pede-se o 39. 2022/23 foi Benfica do princípio ao fim, embora com acidente de percurso em Abril, suficiente para acrescentar emoção e incerteza até à jornada final, mas insuficiente para contestar a inequívoca justiça do novo campeão.

    Numa época em que o Sporting se tornou apenas o 2.º melhor Sporting da tabela classificativa, águias e dragões terminaram com 87 e 85 pontos respetivamente, qualificando-se o super competente Braga para a 3ª pré-eliminatória da Champions e garantindo o Arouca, uma das equipas-sensação da prova a par de Desp. Chaves e Casa Pia, um lugar na Europa (Liga Conferência).
    Como sempre, houve muito barulho e muito desviar de atenções fora das quatro linhas, com a toxicidade do costume de Sérgio Conceição, mas o 38 fica indubitavelmente marcado pela serenidade confiante de Roger Schmidt que, por vezes teimoso, acabou no final com rasgado sorriso. O alemão marcou claramente um novo ciclo na Luz, e resistiu à perda de Enzo Fernández, craque que o campeonato perdeu após tremendo Mundial pela Argentina (melhor jogador jovem do torneio) e que vinha pautando o jogo dos encarnados, com impressionante maturidade para os seus então 21 anos.

    Sem existir um destaque individual máximo, a Liga Bwin 2022/ 23 viu "nascer" Enzo no futebol europeu, viu João Mário marcar como nunca, umas vezes à esquerda outras vezes à direita, viu Gonçalo Ramos confirmar-se como o próximo grande avançado do futebol português e Grimaldo despediu-se com lágrimas rumo à Bundesliga, rendimento soberbo e influência vincada. No Benfica, o menino António Silva agarrou a oportunidade no começo da prova, e João Neves foi amuleto na reta final. Mas talvez seja no norueguês Fredrik Aursnes que melhor fique representado este novo Benfica: um canivete suíço tático de futebol total, com QI futebolístico acima da média a interpretar o tempo e o espaço no retângulo de jogo.
    Além dos candidatos da águia a MVP, Otávio (se não fosse controverso nas suas atitudes seria considerado de forma quase unânime o melhor jogador a atuar em Portugal), Taremi e Pepê foram as máximas figuras dos azuis e brancos. Pedro Gonçalves carregou o Sporting tanto quanto pôde, Ricardo Horta reforçou o seu estatuto como lenda em Braga, o uruguaio De Arruabarrena fartou-se de defender e os espanhóis Iván Jaime e Fran Navarro confirmaram que merecem ambos outros voos.

    David Carmo e Draxler foram flops, Florentino acrescentou valências ao seu jogo, e muitos foram os jovens talentos a despontar (Tiago Santos, Tiago Gouveia, André Amaro, Pedro Malheiro, Tomás Araújo e Ibrahima Bamba servem de exemplo).

    São os jogadores que fazem aquilo que o futebol é, e por isso os prémios abaixo são, praticamente, só deles. Abaixo encontrarão o nosso 11 do Ano, Jogador e Jovem do Ano, Treinador do Ano e algumas categorias adicionais. Comecemos:



Guarda-Redes: Nas balizas portuguesas, é indiscutível que Diogo Costa é o guardião de maior qualidade a atuar na nossa Liga, mas o número 99 do FC Porto não foi desta vez o GR que se apresentou por mais ocasiões num nível mais elevado, acumulando ainda tremenda influência no percurso da sua equipa. O uruguaio Ignacio de Arruabarrena foi a máxima figura entre aqueles que calçaram luvas nesta edição, acumulando defesas impossíveis, 14 clean sheets (apenas Odysseas, Diogo Costa e Matheus estiveram melhor neste capítulo, fruto também da maior força dos coletivos que representam) e tornando-se uma semi-lenda a defender grandes penalidades - defendeu 5 penalties ao longo da prova, três deles em jogos consecutivos. Com uma módica cláusula de 3 milhões, é quase certa a sua transferência para outros voos.
    Sem esquecer as muitas defesas do nipónico Nakamura (um dos guarda-redes mais elásticos em Portugal), os muito promissores Luiz Júnior e Andrew, a grande 1.ª volta de Ricardo Batista, a taxa de 100% de penalties (3 em 3) defendidos por Jonathan e o "achado" que foi Fabijan Buntic a custo zero, as balizas nacionais, com a fasquia alta nesta edição, devem-se ter despedido do melhor GR português da atualidade, tendo Diogo Costa brilhado sobretudo na Liga dos Campeões e não tanto a nível interno, onde ainda assim fez a diferença em Clássicos; Matheus realizou a melhor época desde que é o número 1 do Braga; Paulo Vítor defendeu 81% dos remates que enfrentou (destaque absoluto nessa matéria); e Odysseas Vlachodimos evoluiu em vários aspetos, sendo também líder destacado nos jogos sem qualquer golo sofrido (21).


Lateral Direito: O polivalente Pepê Aquino andou pelo campo todo em 2022/ 23. Jogador de importância crucial para a ideia de jogo de Sérgio Conceição, tal como Otávio, o camisola 11 jogou a extremo direito, extremo esquerdo, nas costas do avançado e, por várias vezes, foi solução de recurso a lateral direito. Gostamos mais de ver Pepê a extremo, mas o seu caráter multifacetado vale-lhe, também aqui adaptado, uma justa presença no 11 da época.
    Entre os laterais direitos de origem, e numa posição em que tem faltado qualidade nas últimas épocas (tem sido quase sempre Porro e os outros), vários jogadores encheram o olho. Alexander Bah chegou à Luz e justificou a contratação. O dinamarquês fechou a prova com 1 golo e 4 assistências, números que pode e deve melhorar, mas sempre que perdeu a timidez e galgou metros, até arrancar um daqueles seus cruzamentos, a Luz levantou-se e aplaudiu.
    O axadrezado Pedro Malheiro foi garantidamente o lateral direito que se apresentou mais forte na vertente defensiva, Costinha foi uma locomotiva e um elemento primordial no sistema tático de Luís Freire no Rio Ave, e em relação a Tiago Santos, jogador já associado ao Benfica e Sporting, podemos dizer que de todos estes atletas é aquele cujo futuro mais nos entusiasma. Fisicamente impressionante, destemido, com personalidade, forte no 1 para 1 e com muito potencial para evoluir na forma como se envolve no ataque.


Defesa Central: No Verão passado, ninguém esperava que António Silva (hoje com 19 anos, mas quando foi lançado às feras no 11 tinha dezoito) viesse a tornar-se uma das figuras deste Benfica. O jovem natural de Penalva do Castelo esperava ir ao Marquês como adepto, os adeptos olhavam para ele como eventual 5.º central (e no pós-Youth League, Tomás Araújo até era o central mais cotado nos bastidores da Luz) mas uma sequência de lesões abriu-lhe as portas do onze, ao lado de Otamendi, e António Silva não mais saiu da base de eleição de Roger Schmidt, técnico que cedo viu que o menino de 1,87m tinha as características certas para ser um dos seus projetos.
    No polo oposto do espetro da idade, Pepe voltou a ser o "patrão" da defesa portista, impressionando com arrancadas miraculosas aos 40 anos. João Basso (jogador que já representou este Arouca em 3 diferentes patamares do futebol português) voltou a evidenciar que há poucos centrais com a sua qualidade no nosso país, Tomás Araújo aproveitou a "rodagem" em Barcelos para mostrar que merece uma oportunidade na pré-época encarnada em 23-24, e André Amaro afirmou-se como mais uma pérola defensiva saída da formação do Vitória.


Defesa Central: O campeão do mundo Nicolás Otamendi. Capitão benfiquista depois de outrora portista, Otamendi viveu o seu melhor período de 2022/ 23 no Qatar, onde fez parte de uma bonita página da História do futebol mundial como um dos centrais em destaque da competição da FIFA. Na liga portuguesa, Otamendi cometeu um ou outro erro, mas no geral foi a voz de comando das águias e um líder pelo exemplo.
    Sikou Niakaté dominou o jogo aéreo como poucos, e Iván Marcano tornou-se o defesa com mais golos na História do FC Porto, convencendo Conceição a depositar em si toda a confiança mesmo depois de avultado investimento em David Carmo. Entre os jogadores mais jovens, Ibrahima Bamba demonstrou uma maturidade muito acima da média, faltando por esta altura ainda perceber se vingará como médio defensivo ou central a 3, e Filipe Relvas dissipou quaisquer dúvidas que os mais céticos podiam ter quanto ao seu potencial, crescendo à esquerda numa experiência similar à que Eddie Howe fez com Dan Burn no Newcastle.


Lateral Esquerdo: O futebol português vai ter saudades de Álex Grimaldo. Antes de partir para Leverkusen, entregue a Xabi Alonso, o lateral espanhol do Benfica revelou-se um dos principais responsáveis pelo título encarnado, com a melhor prestação individual de sempre de águia ao peito (5 golos e 9 assistências no campeonato, 8 e 14 se considerarmos todas as competições). Um dos melhores marcadores de livres diretos no mundo, Grimaldo deixa uma herança e responsabilidade pesadas para o seu sucessor.
    Sem que o Porto tivesse um destaque assíduo, e com o Braga a dividir méritos entre Sequeira e Borja, no Sporting foi Nuno Santos quem mais brilhou na ala, marcando vários golos candidatos a melhor do ano. Bruno Langa foi o lateral esquerdo mais competente a defender nesta Liga Bwin, Leonardo Lelo abriu o apetite com a sua subtileza a criar, fazendo por merecer a atenção dos principais emblemas portugueses, e Mateus Quaresma foi sinónimo de regularidade.


Médio Defensivo: Na arte mecânica de saber ler o jogo e ser o pêndulo da equipa houve, ironicamente, grande equilíbrio entre dois nomes - Manuel Ugarte e Al Musrati. O médio uruguaio, um dos 2 representantes leoninos neste 11 do Ano, acumulou desarmes e interceções valorizando-se no plano individual num coletivo irregular. Cedo deu para perceber que Ugarte duraria pouco tempo em Portugal. Poderemos segui-lo agora em Paris. Em relação a Al Musrati, o líbio - é desta que o Braga realiza significativo encaixe financeiro com ele? - terá sido até mais consistente do que Ugarte, exibindo-se porém menos vezes num pico tão alto. Mérito do Braga, com plantel bem planeado, a equipa ter acusado menos a sua ausência do que o Sporting, desequilibrado sem o seu jovem leão.
    Na posição há ainda a destacar Florentino, cuja candidatura a escolha de topo nesta eleição caiu no decorrer da segunda volta, algo que não apaga a sua brutal evolução, sobretudo na sua participação proativa no jogo, passando a pressionar em terrenos mais adiantados e contribuindo com mais passes verticais a quebrar linhas. Matheus Uribe despediu-se dos relvados portugueses num nível abaixo do que mostrou no passado, e Vítor Carvalho cresceu bastante em Barcelos com Daniel Sousa, numa época que já lhe valeu transferência para Braga.


Médio Centro: Até partir para Londres para o Chelsea, Enzo Fernández foi uma das grandes figuras, talvez mesmo a principal, do Benfica e do futebol português. Soa a injusto não incorporar o argentino (vendido por 121 milhões de euros) no 11 do Ano, mas também seria injusto esse onze não conter 1 entre Aursnes, Pote, João Mário e Otávio. O melhor Benfica foi o Benfica com Enzo, mas Fredrik Aursnes é um dos jogadores que melhor personifica o campeão nacional versão Roger Schmidt. Adquirido ao Feyenoord, jogou a médio esquerdo, a médio direito, nas costas do avançado, foi médio centro de pressionar mais a saída do adversário, foi médio centro mais a conter e orquestrar a partir de trás, e até foi lateral direito. O canivete suíço norueguês, tão adorado pelos benfiquistas quanto bacalhau numa consoada lusitana, deu jogo após jogo uma masterclass do que é tomar sempre a melhor decisão. Esteja onde estiver no campo, a bola está-lhe bem entregue. Um futuro capitão.
    Podíamos ter chamado à discussão Makouta, mas os restantes nomes para debate foram Guga (não ficaremos surpreendidos se assinar por um grande), Hidemasa Morita, elemento super completo e que talvez venha a ter maior preponderância na próxima temporada, e Santiago Colombatto, argentino que teve os holofotes sobre si na sequência da polémica com Pepe mas que já vinha justificando todos os olhares face ao seu diferenciado pé esquerdo. 


Médio Ofensivo: Com 15 golos e 11 assistências (apenas Taremi esteve diretamente envolvido em mais golos), Pedro Gonçalves, ou Pote se preferirem, foi um dos principais destaques individuais da Liga Bwin 2022/ 23. Num Sporting que desiludiu, é certo que faltou ao número 28 dizer presente doutra maneira nos "jogos grandes", e o seu capítulo mais inolvidável até foi vivido em Londres com um golo a 40 metros, mas mesmo na Liga o Sporting foi sempre Pote + 10. Sempre em alta rotação, foi o jogador mais rematador da Liga, quem mais assistências somou e, a par de Grimaldo, um dos dois jogadores que mais oportunidades criou (74).
    Alguns furos abaixo de Pedro Gonçalves esteve Rafa. O velocista do Benfica, desta vez incumbido de ocupar terrenos centrais (que máquina seria este Benfica se Rafa tivesse outro critério a decidir e uma superior visão 360º do jogo), voltou a cair de rendimento na 2.ª volta depois de arrancar a todo o gás. Oito golos e 4 assistências são números muito modestos para um jogador tão privilegiado na dinâmica encarnada.
    Gostámos muito da revelação que foi o guineense Morlaye Sylla (podia ser um jogador útil para o plantel em qualquer equipa de topo em Portugal) num Arouca onde também Alan Ruiz, peça mais central do que Sylla que andou por todo o lado, brilhou e acrescentou perfume a espaços. Menção ainda para Ivo Rodrigues, que de extremo de diagonais venenosas e drible insistente passou a um criador mais maduro, mais influente e mais focado no coletivo.


Extremo Direito: Temos poucas dúvidas que, se Otávio fosse um jogador menos controverso e com outra postura, seria considerado de forma quase unânime o melhor atleta a jogar em Portugal. O médio do FC Porto foi o jogador que vimos apresentar um nível mais elevado num maior número de jogos esta temporada, impressionando a conjugação de duelos ganhos com oportunidades criadas e decisões acertadas. Não contribui para um futebol português menos tóxico, mas é um jogador especial que podia facilmente encaixar num Liverpool, Nápoles ou Atlético desta vida. Continua no Dragão, os adeptos agradecem, os adversários não podem com ele.
    Depois da festa do título ganha contornos especiais colocar Otávio e David Neres na mesma frase, claro. O extremo brasileiro do Benfica, de penteados variados, olhar semi cerrado, drible desconcertante e pé esquerdo fulminante, foi um dos elementos mais decisivos no arranque e no fecho da prova. Pelo meio, faltou outra consistência.
    Há ainda que elogiar a forte época de Iuri Medeiros (apresentou melhores números em 21-22 e mesmo quando representou o Moreirense, mas desta vez mostrou-se sempre mais jogador no geral), o por vezes endiabrado Marcus Edwards, e Tiago Gouveia, uma jovem promessa que seguramente fará pela vida na próxima pré-época do Benfica.


Extremo Esquerdo: Aos 30 anos, João Mário explodiu. Com 23 golos no conjunto de todas as competições, guarnecidos com 13 assistências, JM marcou basicamente mais numa só temporada do que no somatória das 7 temporadas anteriores. É certo que as grandes penalidades ajudaram, mas o camisola 20 foi sempre um dos jogadores-chave de Schmidt, e até parecia a dada altura estar lançado para MVP da época, reconhecimento beliscado por uma reta final em que o seu rendimento caiu a pique.
    Ricardo Horta (6.º melhor marcador, 4.º jogador com mais assistências e 3.º no total de oportunidades criadas) voltou a carregar o Sporting de Braga, melhor acompanhado desta vez num conjunto menos Hortadependente, e Iván Jaime terá deixado os "grandes" loucos. O espanhol de 22 anos, dez nas costas da camisola famalicense, acrescentou o que lhe faltava (números e regularidade) perspetivando-se o mais do que certo salto para um grande ou para La Liga.
    Trincão, quando esteve em dia sim, foi um dos melhores, mas teve muitos dias não e longos períodos de pouca inspiração depois de um jogo incrível, e Galeno não fez esquecer Luis Díaz, naturalmente, e podia ter tido outro rendimento (Janeiro deixava perspetivas de um 2023 superior do extremo brasileiro) mas, ainda assim, cresceu muito do ponto de vista sem bola.


Avançado: Gonçalo Ramos vs Mehdi Taremi. O ponta de lança iraniano do FC Porto foi o máximo goleador da Liga, com 22 golos, mas tudo somado o "88" dos encarnados realizou uma temporada superior. Os números nem sempre dizem tudo. Com uma disponibilidade e entrega inexcedíveis, indo ao choque e pressionando, sacrificando-se para outros colegas seus estarem mais "soltos", Ramos chegou aos 19 golos sem apontar qualquer grande penalidade do Benfica. Diz a matemática que, com penalties, o rapaz de Olhão teria ficado perto dos 30 golos.
    Taremi assaltou a Bota de Prata nas jornadas finais, com um decisivo póker em Famalicão, numa corrida que durante algum tempo pareceu entre Gonçalo e João Mário, mas é injusto reduzir Taremi ao que marca. O goleador azul e branco não batalhou tanto como o avançado dos novos campeões nacionais mas, enquanto avançado criador e hábil no último passe, não há melhor que ele em Portugal.
    Fran Navarro apontou 17 golos ao serviço do Gil Vicente, embora tenha sido também o jogador que desperdiçou mais ocasiões flagrantes desta Liga; Abel Ruiz contribuiu para o bom futebol do Braga, acrescentando uma fluidez diferente do mais posicional Banza, e Yusupha merece a última vaga, que não estaria mal entregue a Mújica.



    If you love football, you love Fredrik Aursnes. Ao contrário de outros anos, em que Jonas ou Bruno Fernandes foram destaques individuais com larga vantagem sobre os restantes colegas de profissão, 2022/ 23 foi um ano de muito equilíbrio e muitas flutuações nos momentos de forma.
    Até se sagrar campeão do mundo e fazer as malas para o Chelsea, Enzo Fernández estava a ser provavelmente o melhor jogador em Portugal. Pedro Gonçalves e Ricardo Horta fizeram por merecer um lugar neste Top-6, mas nos instantes finais não fomos capazes de riscar nenhum destes seis.
    João Mário foi o Most Improved Player do ano, marcou numa só época tanto como tinha marcado nas 7 anteriores, afirmou-se na hierarquia de capitães do Benfica e, só mesmo uma reta final medíocre o afastou de uma (a dado momento) anunciada distinção como MVP. Mehdi Taremi foi o melhor marcador da prova (22 golos) e o jogador com participação direta em mais golos, mas contrariamente a JM foi o seu brilhante último quarto de campeonato que ajudou a mudar a perceção global duma época oscilante.
    Gonçalo Ramos foi o melhor avançado da Liga Bwin. Chegou aos 19 golos, deixando todas as grandes penalidades para o colega João Mário, fartou-se de correr para auxiliar sem bola e desbloquear linhas de passe, tornando-se o clássico avançado completo. Se o critério de escolha assentar nos jogadores que durante mais tempo estiveram a um nível mais alto, então Otávio e Álex Grimaldo seriam as escolhas naturais. O lateral espanhol deixa saudades na Luz, e o médio portista continua a ser uma brutalidade de jogador, vendo o seu carácter (ou falta dele) prejudicar a justa avaliação dos seus predicados técnicos e da sua impressionante versatilidade tática.
    Assim, Fredrik Aursnes é o nosso Jogador do Ano da Liga Bwin 2022/ 23. O médio norueguês, camaleão tático de fabuloso QI futebolístico será talvez quem melhor personifica este Benfica de Roger Schmidt. À falta de um óbvio MVP, a escolha acaba por recair num elemento polivalente que nos deslumbrou e convenceu a cada toque, deixando o futebol feliz como bacalhau numa consoada de Natal.



    E o sucessor de Vitinha, Pote, João Félix, Rúben Dias, Renato Sanches ou William Carvalho, para nomear alguns dos anteriores distinguidos pelo BPF, é Gonçalo Ramos.
    O Jovem Jogador do Ano, avançado de trabalho incansável, confirmou quem acreditava que poderia estar no 88 o próximo grande dianteiro do futebol português. Ramos, tal como António Silva e Enzo Fernández, deu corpo a um Benfica entusiasmante, um viveiro de juventude no qual despontou ainda João Neves (com apenas 600 minutos na Liga, tem que ficar adiada a sua presença neste Top para a próxima temporada).
    Pedro Malheiro, Tomás Araújo, Ibrahima Bamba e André Amaro foram equacionados, mas o leque fica completo com o uruguaio Manuel Ugarte, o mágico espanhol Iván Jaime e a locomotiva à direita do Estoril, Tiago Santos.



Treinador do Ano: Roger Schmidt revolucionou o Benfica. Em menos de 12 meses, o técnico alemão foi a principal figura do "38" pela forma como reconquistou os adeptos, desenvolveu jogadores (João Mário, Gonçalo Ramos, Chiquinho e Florentino tiveram todos dedo de treinador), apostou na prata da casa (em circunstâncias idênticas, muitos treinadores não confiariam em António Silva e João Neves) e tudo isto com um futebol cativante, com personalidade nos palcos europeus. A sua serenidade, de mãos nos bolsos confiante no trabalho de casa e no valor dos seus pupilos, e o sorriso rasgado no capítulo final servem de boas fotografias da Liga Bwin 2022/ 23.
    Além de Schmidt, importa valorizar novo trabalho de excelência de Sérgio Conceição, a conseguir manter a sua equipa intensa e focada numa perseguição que adiou o título encarnado até à última jornada, e Artur Jorge, o homem que bateu o recorde de pontos no Sporting de Braga, colocando os arsenalistas com hipóteses de chegar à fase de grupos da próxima Champions.
    Para Rúben Amorim foi um ano de aprendizagem, Vítor Campelos e Filipe Martins seriam escolhas sensatas para este Top-5, mas optámos por Armando Evangelista e Moreno. O técnico do sensacional Arouca convenceu-nos com um futebol de processos muito bem assimilados, enquanto que no Vitória, Moreno fez muito com pouco, orientando uma equipa forte a defender e com muitos jogadores da formação vimaranense a despontar.



Melhor Marcador: 1. Mehdi Taremi (Porto) - 22
2. Gonçalo Ramos (Benfica) - 19
3. João Mário (Benfica) e Fran Navarro (Gil Vicente) - 17

Melhor Assistente: 1. Pedro Gonçalves (Sporting) - 11
2. Álex Grimaldo (Benfica) - 9
3. David Neres (Benfica) e Ricardo Horta (Braga) - 8

Clube-Sensação: Arouca
Desilusão: Sporting
Most Improved Player: 1. João Mário, 2. Florentino, 3. Andrew
Reforço do Ano: Enzo Fernández (Benfica)
Flop do Ano: David Carmo (Porto)
Melhor Golo: Nuno Santos (Sporting 3 - 0 Boavista) (Link)




11 de janeiro de 2023

As Melhores Séries de 2022

 Avaliados os melhores episódios e as melhores novidades, despedimo-nos do melhor da Televisão em 2022 com a categoria suprema: as Melhores Séries do ano.

    Há um ano atrás, este Top-20 incluía, para nomear alguns destaques, Succession, Dave, For All Mankind, Ted Lasso e séries estreadas nesse ano como Arcane, Station Eleven ou Squid Game. Uma volta ao Sol depois, são 4 as séries que fizeram por merecer presença repetida: Reservation Dogs, The White Lotus, Hacks e For All Mankind.
    Num ano sem a dramédia da família Roy, nada nos marcou mais do que o final de Better Call Saul, dividido em duas partes (ou três, se considerarmos o epílogo a preto e branco uma espécie de pós-BCS), tendo 2022 significado igualmente o fim de Atlanta, com a 3.ª temporada a ser emitida em Março-Abril-Maio e a 4.ª em Setembro-Outubro-Novembro. The Bear foi a surpresa do Verão, Severance (brilhante conceito) um novo puzzle com muitas teorias para alimentar nos próximos anos, e felizmente House of the Dragon trouxe de volta aquele quentinho perdido desde o término de Game of Thrones.
    Oito novidades e 12 séries consolidadas compõem a nossa Lista, com dois pormenores raros - fraca presença Netflix (apenas Stranger Things e Love, Death & Robots, caindo para metade a representatividade do gigante do streaming nas nossas escolhas) e uma só mini-série (We Own This City), algo bem diferente da edição de 2021, que só no Top-10 teve 4 mini-séries.

    Apresentam-se então as 20 Melhores Séries de 2022:


1. Better Call Saul (AMC)criado por Vince Gilligan e Peter Gould

(94) - E no fim, agora com o devido distanciamento e com a moldura completa podemos dizer: Better Call Saul foi muito diferente de Breaking Bad, mas também foi (tangencialmente) melhor.
     O fim da linha para Jimmy McGill foi o remate perfeito de Gilligan e Gould para um universo de personagens nascido no ecrã em Janeiro de 2008. Saul dividiu-se em duas partes, mantendo a cores a adrenalina do engano e a justiça moral de chico-espertos imorais toldados pela diversão do golpe, e tingiu a preto e branco um epílogo romântico de arrependimento, fato platinado em tribunal e revólveres fictícios prontos a disparar pela última vez.
    Rhea Seehorn como Kim Wexler é o melhor desempenho de todos os tempos de uma atriz numa série televisiva. 

2. The Bear (FX on Hulu)criado por Christopher Storer

(90) Yes, Chef! Eis a melhor série estreada em 2022 para o Barba Por Fazer. The Bear é uma panela sob pressão, é uma cozinha stressada ao som de jazz, é água bebida de um tupperware e uma constante procura por respostas, apenas disponíveis em polpa de tomate.
    The Bear é uma família de colegas de trabalho, é um irmão em luto, é Pearl Jam, Sufjan Stevens e, por fim, Radiohead. Com muita simplicidade na receita, e um incrível Jeremy Allen White como Carmy, a série de Verão de Christopher Storer preencheu-nos como nenhuma outra das novidades do ano.

3. Severance (Apple TV+)criado por Dan Erickson

(88) No papel, a ideia de Dan Erickson tinha tudo para resultar em algo genial: Mark (Adam Scott) e os seus colegas de trabalho desempenham funções numa empresa misteriosa, sujeitando-se a um procedimento cirúrgico capaz de separar por completo o seu "eu" privado e profissional. Quando estão no trabalho, não têm memórias da sua vida exterior; quando estão fora do trabalho, desconhecem em absoluto o que fizeram no horário de expediente.
    Na prática e no ecrã, a ideia de Dan Erickson saiu ainda melhor do que as mais confiantes previsões. Com Ben Stiller a realizar 6 dos 9 episódios, Severance (demora uns episódios a agarrar, mas compensa com a intriga progressiva, num puzzle inteligente que abre uma porta com um novo ponto de interrogação à medida que fecha outra) tornou-se a nova jóia da coroa da Apple TV+, superando For All Mankind e Ted Lasso, e acreditamos que durante as próximas temporadas, Severance se torne uma das séries mais respeitadas no mundo, quer pela crítica quer pelo grande público.
    O nono "The We We Are", impróprio para cardíacos, foi o grande episódio de 2022.

4. My Brilliant Friend (HBO, Rai 1)criado por Saverio Costanzo

(86) - A adaptação dos contos napolitanos de Elena Ferrante continua a cimentar-se como uma das séries mais conhecedoras do ser humano, seja como fotografia da amizade, da inveja, do desejo ou do que é ser mulher.
    A passagem de testemunho, através de um espelho, de Margherita Mazzucco para Alba Rohrwacher foi uma das mais geniais revelações de novo casting de que temos memória.

5. Reservation Dogs (FX on Hulu)criado por Sterling Harjo e Taika Waititi

(85) - Herdeiro espiritual de Atlanta. Os Rez Dogs voltaram com a mesma sensibilidade, fazendo de um abraço entre quatro (e, por instantes, cinco) amigos à beira-mar um dos momentos mais emotivos da Televisão em 2022.

6. Barry (HBO)criado por Alec Berg e Bill Hader

(85) - Barry foi mais do que o exemplarmente bem executado e, convenhamos, inevitável twist do oitavo "starting now". A comédia sobre um assassino contratado torna-se, a cada episodio que passa, um drama mais e mais pesado; mas continuamos a ter perseguições à la GTA, um sábio conselheiro numa loja de beignets ou, como sempre, NoHo Hank.

7. Andor (Disney+)criado por Tony Gilroy

(84) Honestamente, quando Andor foi anunciado pensámos que se trataria de apenas mais uma série Star Wars. Depois do sucesso de The Mandalorian e do relativo insucesso de Obi-Wan Kenobi, Tony Gilroy edificou o novo tesouro do Disney+ e a melhor criação SW desde a trilogia original.
    O começo da jornada de Cassian Andor (Diego Luna) de ladrão e mercenário até revolucionário colocou a cereja no topo do bolo do ano televisivo de 2022, com personagens tridimensionais e bem trabalhadas, uma maturidade temática, visuais estonteantes e novas camadas de política e espionagem a acordar um universo que, sem precisar de Skywalkers, Yodas ou sabres de luz, parece agora mais vivo e relevante do que nunca.

8. House of the Dragon (HBO)criado por Ryan J. Condal e George R. R. Martin

(83) Já sentíamos falta daquela sensação de perigo constante ao fazer scroll na Internet à segunda-feira, podendo a cada esquina espreitar um spoilerGame of Thrones, a série mais mediática dos últimos anos, saiu pela porta pequena, e também por isso não tínhamos grandes expectativas para o herdeiro House of the Dragon.
    A prequela foi uma das belas surpresas de 2022, brilhando no mais importante (o enredo) e dando uma lição na arte de construir e apresentar um novo universo de personagens. Tivemos dificuldade em não revirar os olhos perante alguma incoerência na disparidade de envelhecimento entre as personagens, mas foi com gosto que corremos a estudar a árvore genealógica Targaryen, matando saudades de episódios pouco iluminados mas épicos, de crianças que lutam até uma perder o olho ou dos céus cruzados por um dragãozinho e um dragãozão.

9. Stranger Things (Netflix)criado por The Duffer Brothers

(82) - Confessamos: desde a temporada 1 (2016) até à 3 (2019), Stranger Things foi-se tornando progressivamente menos apelativa e cada vez mais uma obrigação, colocando-se num frágil limbo à beira da jarra das séries de que desistimos a meio da viagem.
    E de repente, o conteúdo porta-estandarte da Netflix deu-nos à 4.ª vez a sua melhor temporada até à data. Com um novo fan favourite (Joseph Quinn como Eddie Munson) e uma total responsabilidade no renascimento da "Running Up That Hill" de Kate Bush no Spotify, Stranger Things fez tudo bem: voltou a revelar eficácia e bom gosto ao separar as personagens em diferentes grupos para os juntar no fim, montou com mestria as revelações sobre Vecna e o paciente 1, e até a opção de estrear 7 episódios em Maio, deixando os capítulos 8 e 9 para Julho foi uma decisão acertada.

10. The Rehearsal (HBO)criado por Nathan Fielder

(82) Nathan Fielder é um dos autores mais fora da caixa dos nossos dias. Depois do sucesso de Nathan For You, da Comedy Central, o ator e humorista canadiano convenceu a HBO a apoiar as suas ideias com uma super-produção.
    The Rehearsal teve a sua origem num conceito simples: uma comédia/ documentário em que os participantes podem ensaiar ou preparar-se para determinados momentos da sua vida, não deixando nada ao acaso num mundo imprevisível. Quando parecia que este ensaio seria uma espécie de série de procedimento repetitiva, Fielder tirou-nos o tapete com uma matriosca existencialista, uma profunda reflexão sobre parentalidade.

11. Atlanta (FX)criado por Donald Glover

(81) - É um exercício complexo falar sobre o que foi Atlanta em 2022. Eleita Série do Ano pelo Barba Por Fazer no cada vez mais longínquo ano de 2018, a criação de Donald Glover voltou 4 (!) anos depois, e despediu-se em definitivo ao colocar na ar num só ano as temporadas 3 e 4.
    A comédia absurda, profundamente autoconsciente, original e satírica, apostou num compêndio de contos urbanos, marcantes embora algo desligados entre si.
    Despediu-se na interpretação do olhar de Darius (LaKeith Stanfield) tendo antes brilhado, bem ao seu estilo, numa paródia documental sobre "Pateta: O Filme".

12. The White Lotus (HBO)criado por Mike White

(80) - Em 2021, o Hawai; em 2022, a Sicília. A antologia de Mike White fez as malas para uma nova estância turística com histórias paralelas e novo casting privilegiado (F. Murray Abraham, Michael Imperioli, Aubrey Plaza, Haley Lu Richardson e Theo James) e a personagem Tanya (Jennifer Coolidge) como ponte entre as duas temporadas.
    Com White, o tradicional whodunit começa a ser substituído por um simples whodied, e mal podemos esperar pelo terceiro capítulo, à partida na Ásia, sucedâneo das semanas de férias sobre desigualdade de classes e infidelidade.

13. Hacks (HBO Max)criado por Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky

(80) - Com a HBO Max a apostar numa disponibilização de 2 episódios por semana (boa opção face às características, duração e tom da série), Hacks manteve toda a sua habilidade no desenvolvimento da relação pessoal e profissional de Ava (Hannah Einbinder) e Deborah Vance (Jean Smart).
    Deu gosto ver a série na estrada, e aquele derradeiro "The One, The Only" - bem emotivo, no seu clímax - serviria igualmente bem como season finale ou series finale. Mas ainda bem que vamos ter 3.ª temporada.

14. Winning Time: The Rise of the Lakers Dinasty (HBO), criado por Max Borenstein e Jim Hecht

(79) Entre as novas séries inspiradas por eventos reais, Winning Time merece a medalha de ouro. Adam McKay (realizador do episódio-piloto) introduziu uma distinta impressão digital em termos de estilo, com a alternância no "grão" da imagem, e o arranque da dinastia dos anos 80 dos LA Lakers contou com uma hábil forma de filmar desporto e uma astuta capacidade de colocar no ecrã o entusiasmo gerado pela revolução táctica.
    É magnífico ver Adrien Brody a emergir em segundo plano como Pat Riley, ajudou certamente a HBO encontrar um Kareem Abdul-Jabbar 99% igual ao verdadeiro e o primeiro sinal de que a série tinha tudo para correr bem deu-se logo no primeiro sorriso e na primeira transpiração de carisma de Quincy Isaiah como Magic Johnson. 
    Uma palavra final para John C. Reilly, que já merecia encabeçar um projecto desta dimensão.

15. We Own This City (HBO), criado por George Pelecanos e David Simon

(79) As séries de David Simon são, de certa forma, séries de nicho. Numa sociedade sedenta por estímulos e cliffhangers que nos façam dormir menos e devorar mais, o génio responsável por The Wire trabalha ao seu ritmo, com um realismo que nos leva para as ruas das suas histórias, mas que se recusa a recorrer a bandas sonoras influenciadoras.
    Simon e Pelecanos respeitam a audiência, são mestres do Show, don't tell e em We Own This City - 5 horas e 57 minutos dividos em seis partes - voltaram a trabalhar na mesma fasquia alta de sempre.
    A corrupção da polícia de Baltimore vacilou apenas na forma algo confusa como por vezes viajou no tempo (talvez numa segunda visualização o encadeamento seja mais intuitivo) e vincou Jon Bernthal como um dos principais nomes do meio televisivo na atualidade.

16. Pachinko (Apple TV+), criado por Soo Hugh

(78) Com potencial para se tornar uma das grandes séries dos próximos anos, Pachinko afirmou-se como o drama familiar do ano. Bebendo da magistral realização de Kogonada (ColumbusAfter Yang) a jornada de uma família coreana imigrante encantou-nos à primeira vista, e rebentou a escala ao sétimo capítulo, com o Japão e 1923 como pano de fundo.

17. Euphoria (HBO), criado por Sam Levinson

(77) - A obra-prima de Sam Levinson não nos oferecia uma temporada completa desde 2019 (em Dezembro de 2020 e Janeiro de 2021 houve apenas dois especiais focados em Rue e Jules) e o muito aguardado regresso ficou marcado pela forma desequilibrada/ com falta de linha condutora com que os acontecimentos se sucederam. A ação avançou pouco e algumas personagens caíram para segundo plano (Jules) enquanto outras dispararam de relevância (Sydney Sweeney, como Cassie, aproveitou para mostrar a boa atriz que é).
    Em todo o caso, bastava aquela descida aos infernos em "Stand Still Like a Hummingbird" para Euphoria figurar aqui. Quando pensávamos que Zendaya não poderia superar-se, ela conseguiu-o.

18. Industry (HBO, BBC Two), criado por Mickey Down e Konrad Kay

(77) - Uma das boas surpresas de 2020, que até só descobrimos em 2021, regressou à grelha da HBO tomando a opção de assumir a realidade e os efeitos da pandemia na própria narrativa do programa. Foi bom rever Harper (Myha'la Herrold é uma estrela em ascensão), Yasmin, Robert e Gus e, após vícios, solidão, acções a cair a pique, traições pelas costas e negociatas noite dentro, aquele twist com Eric Tao no final "Jerusalem" foi um dos melhores murros no estômago de 2022.

19. For All Mankind (Apple TV+), criado por Ronald D. Moore, Ben Nedivi e Matt Wolpert

(75) - Muitos críticos consideram a 2.ª temporada a mais difícil para muitas séries. É nesse Ano 2 que a série fideliza o seu público ou o perde para novos conteúdos virais. Talvez por isso, muitas séries que passam com distinção a avaliação da segunda temporada, atingem depois o seu pico de rendimento no 3.º ensaio. Este não foi o caso de For All Mankind, a ambiciosa produção espacial da Apple TV+.
    Sexto lugar nas nossas Melhores Séries de 2021, a série que continua a ser um projecto desconhecido para muita gente desiludiu-nos na ida a Marte, culpa talvez do patamar de excelência imposto pelo inesquecível "The Grey (episódio final da segunda temporada), do excesso de Danny Stevens e porventura dos prazos cumpridos na produção. Não é comum uma série com estes valores de produção ser emitida em anos consecutivos e, por vezes, a pressa é inimiga da perfeição. 

20. Love, Death & Robots (Netflix), criado por Tim Miller

(75) - Uma das duas representantes do catálogo Netflix no nosso Top-20 voltou ao seu melhor nível, apresentado na estreia em 2019, conseguindo uma certa redenção depois de virar fiasco irreconhecível em 2021. Com o regresso dos três robôs como anfitriões da temporada e David Fincher como realizador do fantástico "Bad Travelling", Love, Death & Robots voltou a experimentar diferentes estilos de animação, capazes de servir contos, ora mais leves ora mais profundos e ambiciosos. "Jibaro" é incrível.


10 de janeiro de 2023

As Melhores Novas Séries de 2022

 Eleitos os melhores episódios do ano, prosseguimos a nossa viagem ao longo de 2022 com aquelas que foram para nós as Melhores Novas Séries.

    Em 2022, foram várias as descobertas que motivaram o passa-a-palavra entre amigos. Há um ano atrás as principais novidades tinham sido Arcane e Squid Game, sem esquecer extraordinárias mini-séries (Station Eleven, The Underground Railroad, Mare of Easttown ou It's A Sin), e foi bom assistir à evolução/ consolidação no sempre desafiante Ano 2 de Reservation Dogs, The White Lotus e Hacks.
    No último ano foram em menor número as novas séries merecedoras de destaque (por isso mesmo distinguimos 17 ao contrário de 2021 em que pudemos destacar 20), mas o nível apresentado pela nata deste Top foi muito elevado.

    Vimos The Lord of the Rings: The Rings of Power, The Patient, Obi-Wan Kenobi ou Life After Life, mas nenhum nos convenceu ao ponto de estar entre as melhores novas séries do ano. Este Top-17 premeia um ano muito positivo para a HBO (6 séries presentes, 4 delas nos sete primeiros lugares) e uma Apple TV+ cada vez mais forte (4 presenças), embora seja o FX on Hulu a roubar o primeiro posto. Invulgar, embora não surpreenda totalmente, a ausência em absoluto do carimbo Netflix.

    Justificamos assim as nossas 20 Melhores Novas Séries de 2022:



1. The Bear (FX on Hulu)
Criado por: Christopher Storer
Elenco: Jeremy Allen White, Ebon Moss-Bachrach, Ayo Edebiri, Lionel Boyce, Liza Colón-Zayas
IMDb: 8.4 | Rotten Tomatoes: 100% | Metascore: 88

    Yes, Chef! Eis a melhor série estreada em 2022 para o Barba Por Fazer. The Bear é uma panela sob pressão, é uma cozinha stressada ao som de jazz, é água bebida de um tupperware e uma constante procura por respostas, apenas disponíveis em polpa de tomate.
    The Bear é uma família de colegas de trabalho, é um irmão em luto, é Pearl Jam, Sufjan Stevens e, por fim, Radiohead. Com muita simplicidade na receita, e um incrível Jeremy Allen White como Carmy, a série de Verão de Christopher Storer preencheu-nos como nenhuma outra das novidades do ano.

2. Severance (Apple TV+)
Criado por: Dan Erickson
Elenco: Adam Scott, Britt Lower, Zach Cherry, Patricia Arquette, John Turturro, Tramell Tillman
IMDb: 8.7 | Rotten Tomatoes: 97% | Metascore: 83

    No papel, a ideia de Dan Erickson tinha tudo para resultar em algo genial: Mark (Adam Scott) e os seus colegas de trabalho desempenham funções numa empresa misteriosa, sujeitando-se a um procedimento cirúrgico capaz de separar por completo o seu "eu" privado e profissional. Quando estão no trabalho, não têm memórias da sua vida exterior; quando estão fora do trabalho, desconhecem em absoluto o que fizeram no horário de expediente.
    Na prática e no ecrã, a ideia de Dan Erickson saiu ainda melhor do que as mais confiantes previsões. Com Ben Stiller a realizar 6 dos 9 episódios, Severance (demora uns episódios a agarrar, mas compensa com a intriga progressiva, num puzzle inteligente que abre uma porta com um novo ponto de interrogação à medida que fecha outra) tornou-se a nova jóia da coroa da Apple TV+, superando For All Mankind e Ted Lasso, e acreditamos que durante as próximas temporadas, Severance se torne uma das séries mais respeitadas no mundo, quer pela crítica quer pelo grande público.
    O nono "The We We Are", impróprio para cardíacos, foi o grande episódio de 2022.

3. Andor (Disney+)
Criado por: Tony Gilroy
Elenco: Diego Luna, Stellan Skarsgard, Denise Gough, Kyle Soller, Genevieve O'Reilly, Andy Serkis
IMDb: 8.4 | Rotten Tomatoes: 96% | Metascore: 74

    Honestamente, quando Andor foi anunciado pensámos que se trataria de apenas mais uma série Star Wars. Depois do sucesso de The Mandalorian e do relativo insucesso de Obi-Wan Kenobi, Tony Gilroy edificou o novo tesouro do Disney+ e a melhor criação SW desde a trilogia original.
    O começo da jornada de Cassian Andor (Diego Luna) de ladrão e mercenário até revolucionário colocou a cereja no topo do bolo do ano televisivo de 2022, com personagens tridimensionais e bem trabalhadas, uma maturidade temática, visuais estonteantes e novas camadas de política e espionagem a acordar um universo que, sem precisar de Skywalkers, Yodas ou sabres de luz, parece agora mais vivo e relevante do que nunca.

4. House of the Dragon (HBO)
Criado por: Ryan J. Condal, George R. R. Martin
Elenco: Emma D'Arcy, Olivia Cooke, Paddy Considine, Matt Smith, Milly Alcock, Rhys Ifans, Ewan Mitchell, Tom Glynn-Carney
IMDb: 8.5 | Rotten Tomatoes: 93% | Metascore: 69

    Já sentíamos falta daquela sensação de perigo constante ao fazer scroll na Internet à segunda-feira, podendo a cada esquina espreitar um spoiler. Game of Thrones, a série mais mediática dos últimos anos, saiu pela porta pequena, e também por isso não tínhamos grandes expectativas para o herdeiro House of the Dragon.
    A prequela foi uma das belas surpresas de 2022, brilhando no mais importante (o enredo) e dando uma lição na arte de construir e apresentar um novo universo de personagens. Tivemos dificuldade em não revirar os olhos perante alguma incoerência na disparidade de envelhecimento entre as personagens, mas foi com gosto que corremos a estudar a árvore genealógica Targaryen, matando saudades de episódios pouco iluminados mas épicos, de crianças que lutam até uma perder o olho ou dos céus cruzados por um dragãozinho e um dragãozão.

5. The Rehearsal (HBO)
Criado por: Nathan Fielder
Elenco: --
IMDb: 8.6 | Rotten Tomatoes: 96% | Metascore: 86

    Nathan Fielder é um dos autores mais fora da caixa dos nossos dias. Depois do sucesso de Nathan For You, da Comedy Central, o ator e humorista canadiano convenceu a HBO a apoiar as suas ideias com uma super-produção.
    The Rehearsal teve a sua origem num conceito simples: uma comédia/ documentário em que os participantes podem ensaiar ou preparar-se para determinados momentos da sua vida, não deixando nada ao acaso num mundo imprevisível. Quando parecia que este ensaio seria uma espécie de série de procedimento repetitiva, Fielder tirou-nos o tapete com uma matriosca existencialista, uma profunda reflexão sobre parentalidade.

6. Winning Time: The Rise of the Lakers Dinasty (HBO)
Criado por: Max Borenstein, Jim Hecht
Elenco: John C. Reilly, Quincy Isaiah, Adrien Brody, Jason Clarke, Solomon Hughes, Jason Segel, Tracy Letts, Hadley Robinson
IMDb: 8.3 | Rotten Tomatoes: 85% | Metascore: 68

    Entre as novas séries inspiradas por eventos reais, Winning Time merece a medalha de ouro. Adam McKay (realizador do episódio-piloto) introduziu uma distinta impressão digital em termos de estilo, com a alternância no "grão" da imagem, e o arranque da dinastia dos anos 80 dos LA Lakers contou com uma hábil forma de filmar desporto e uma astuta capacidade de colocar no ecrã o entusiasmo gerado pela revolução táctica.
    É magnífico ver Adrien Brody a emergir em segundo plano como Pat Riley, ajudou certamente a HBO encontrar um Kareem Abdul-Jabbar 99% igual ao verdadeiro e o primeiro sinal de que a série tinha tudo para correr bem deu-se logo no primeiro sorriso e na primeira transpiração de carisma de Quincy Isaiah como Magic Johnson. 
    Uma palavra final para John C. Reilly, que já merecia encabeçar um projecto desta dimensão.

7. We Own This City (HBO)
Criado por: George Pelecanos, David Simon
Elenco: Jon Bernthal, Wunmi Mosaku, Jamie Hector, Josh Charles, Dagmara Dominczyk
IMDb: 7.6 | Rotten Tomatoes: 93% | Metascore: 83

    As séries de David Simon são, de certa forma, séries de nicho. Numa sociedade sedenta por estímulos e cliffhangers que nos façam dormir menos e devorar mais, o génio responsável por The Wire trabalha ao seu ritmo, com um realismo que nos leva para as ruas das suas histórias, mas que se recusa a recorrer a bandas sonoras influenciadoras.
    Simon e Pelecanos respeitam a audiência, são mestres do Show, don't tell e em We Own This City - 5 horas e 57 minutos dividos em seis partes - voltaram a trabalhar na mesma fasquia alta de sempre.
    A corrupção da polícia de Baltimore vacilou apenas na forma algo confusa como por vezes viajou no tempo (talvez numa segunda visualização o encadeamento seja mais intuitivo) e vincou Jon Bernthal como um dos principais nomes do meio televisivo na atualidade.

8. Pachinko (Apple TV+)
Criado por: Soo Hugh
Elenco: Minha Kim, Youn Yuh-jung, Jin Ha, Lee Min-Ho, Soji Arai
IMDb: 8.4 | Rotten Tomatoes: 97% | Metascore: 87

    Com potencial para se tornar uma das grandes séries dos próximos anos, Pachinko afirmou-se como o drama familiar do ano. Bebendo da magistral realização de Kogonada (Columbus, After Yang) a jornada de uma família coreana imigrante encantou-nos à primeira vista, e rebentou a escala ao sétimo capítulo, com o Japão e 1923 como pano de fundo.

9. Welcome to Wrexham (FX)
Criado por: Rob McElhenney e Ryan Reynolds
Elenco: --
IMDb: 8.3 | Rotten Tomatoes: 90% | Metascore: 75

    Quem gosta de futebol, gostará de Welcome to Wrexham. Quem sentiu saudades de Ted Lasso em 2022 teve neste conto de fadas do 5.ª escalão do futebol britânico o substituto perfeito.
    Além de nos dar a conhecer Paul Mullin, Ollie Palmer, Aaron Hayden ou Jordan Davies, WtW superou expectativas (e os 18 episódios vêem-se a correr, o que é bom sinal), com as vedetas Rob McElhenney e Ryan Reynolds a passarem a tratar o soccer por futebol, demonstrando total compromisso e seriedade com o projecto de comprar o pequeno mas histórico clube do País de Gales.
    Acima de tudo, Welcome to Wrexham é uma óptima fotografia do que é ser adepto e da total simbiose entre uma comunidade e um clube. Muito raramente, ainda há momentos em que o futebol não é só um negócio.

10. The Offer (Paramount+)
Criado por: Michael Tolkin
Elenco: Miles Teller, Matthew Goode, Dan Fogler, Juno Temple, Burn Gorman, Giovanni Ribisi
IMDb: 8.7 | Rotten Tomatoes: 57% | Metascore: 48

    Desprezado pela crítica, apreciado pelas massas. The Offer esteve longe de ser uma mini-série perfeita, mas não foi aborrecida em momento algum, acompanhando os bastidores da produção de The Godfather e elucidando assim o espectador com muitas curiosidades a cada página do guião.
    Miles Teller e Matthew Goode foram óptimas escolhas para dar corpo, respectivamente, ao produtor Albert S. Ruddy e ao executivo Robert Evans, Juno Temple acrescenta valor em tudo o que entra, e mesmo a missão (quase) impossível de encontrar adequados Francis Ford Coppola, Marlon Brando e Al Pacino correu bastante bem.

11. The Old Man (FX)
Criado por: Jonathan E. Steinberg, Robert Levine
Elenco: Jeff Bridges, John Lithgow, Alia Shawkat, Amy Brenneman, E. J. Bonilla
IMDb: 7.6 | Rotten Tomatoes: 97% | Metascore: 72

    Num ano com três boas séries de espionagem (sim, Andor é uma série Star Wars mas também deve ser considerada uma série de espiões), The Old Man brindou-nos com Jeff Bridges num dos desempenhos mais exigentes e desafiantes da sua carreira.
    A fuga do antigo colaborador da CIA, quase sempre acompanhado pelos seus dois Rotweilers super-disciplinados, fez de Bridges uma figura de ação aos 73 anos, impressionando a coreografia nas sequências de ação e o casting, capaz de encontrar o match perfeito para as versões jovens de Bridges e Lithgow.

12. Slow Horses (Apple TV+)
Criado por: Will Smith
Elenco: Gary Oldman, Jack Lowden, Kristin Scott Thomas, Rosalind Eleazar, Freddie Fox
IMDb: 7.9 | Rotten Tomatoes: 97% | Metascore: 78

    Will Smith (atenção, é um Will Smith diferente daquele que esbofeteia humoristas) adaptou o thriller de espiões de Mick Herron, garantindo-lhe a Apple TV+ o luxo de poder contar com Gary Oldman no papel de Jackson Lamb.
    No seu ano de estreia, Slow Horses deu-nos duas temporadas (6 episódios em Abril, 6 episódios em Dezembro), sempre num nível alto com Lamb a chefiar um conjunto de agentes do MI5 renegados para um purgatório administrativo.

13. Under the Banner of Heaven (FX on Hulu)
Criado por: Dustin Lance Black
Elenco: Andrew Garfield, Daisy Edgar-Jones, Billy Howle, Wyatt Russell, Sam Worthington, Gil Birmingham
IMDb: 7.5 | Rotten Tomatoes: 86% | Metascore: 71

    O mergulho no fundamentalismo mórmon/ da igreja LDS foi uma das séries mais difíceis de 2022. Um drama familiar pesado, que bem podia ter sido uma temporada de True Detective, e que voltou a mostrar que Andrew Garfield é um dos melhores intérpretes da sua geração.
    Daisy Edgar-Jones é cada vez mais uma certeza, e Billy Howle foi uma revelação, justificando que o chamem para papéis mais ambiciosos.

14. Our Flag Means Death (HBO Max)
Criado por: David Jenkins
Elenco: Rhys Darby, Taika Waititi, Samson Kayo, Vico Ortiz, Kristian Nairn, Rory Kinnear
IMDb: 7.8 | Rotten Tomatoes: 93% | Metascore: 70

    E se um romance entre um aristocrata a atravessar uma crise de meia idade, abandonando a sua família para abraçar uma carreira como pirata, e o famoso e temível Barba-Negra acabasse por ser uma das melhores comédias de 2022?
    Com um POV original, e o neozelandês Taika Waititi metido ao barulho, Our Flag Means Death deu-nos piratas muito educados e, honestamente, até mesmo os momentos em que a série deixou a nu os seus valores de produção modestos q.b. acabaram por colar bem com o tom da criação de David Jenkins.

15. Black Bird (Apple TV+)
Criado por: Dennis Lehane
Elenco: Taron Egerton, Paul Walter Hauser, Sepideh Moafi, Greg Kinnear, Ray Liotta
IMDb: 8.1 | Rotten Tomatoes: 97% | Metascore: 80

    Black Bird é um bom exemplo de uma série que teria saído beneficiada se tivesse disponibilizado de uma vez só para binge os seus seis episódios. Consumimo-la semanalmente e não nos encheu as medidas acompanhar a investigação levada a cabo pelas personagens de Sepideh Moafi e Greg Kinnear, mas quando Black Bird sentou frente a frente assassino (Paul Walter Hauser) e informador (Taron Egerton) fez-se magia, com desabafos sinistros e perturbadores. Como um todo não é de consumo obrigatório, mas ninguém devia perder Paul Walter Hauser como Larry Hall.

16. Pam & Tommy (Hulu)
Criado por: Robert Siegel
Elenco: Lily James, Sebastian Stan, Seth Rogen, Nick Offerman
IMDb: 7.3 | Rotten Tomatoes: 79% | Metascore: 70

    É difícil não pensar na hipocrisia de Pam & Tommy, uma série que aprofunda a exposição e violação de privacidade de Pamela Anderson e Tommy Lee, tentando gerar empatia, mas que, ao fazê-lo, volta a trazer à superfície para uma geração diferente um vídeo caseiro que o casal procurou que caísse no esquecimento.
    Ignorando essa questão, a série do Hulu mostrou-se algo desequilibrada (o subplot da personagem de Seth Rogen nem sempre cativou) mas é impossível não elogiar não só o departamento de caracterização como os desempenhos dos dois protagonistas. Sebastian Stan brilhou, ocasionalmente com uma genitália falante, mas a estrela foi sem dúvida Lily James como Pamela Anderson, merecedora das várias nomeações que obteve.

17. Peacemaker (HBO Max)
Criado por: James Gunn
Elenco: John Cena, Danielle Brooks, Freddie Stroma, Jennifer Holland, Robert Patrick
IMDb: 8.3 | Rotten Tomatoes: 94% | Metascore: 70

    Refrescante ao nunca se levar demasiado a sério, Peacemaker revelou-se o palco perfeito para John Cena, seu protagonista, colocando-o num contexto de acção e fisicalidade, mas potenciando a leveza e comédia que o astro da WWE consegue oferecer.
    O anti-herói da DC, com uma águia como ajudante e um Vigilante desesperado por ser seu melhor amigo, caiu nas boas graças dos fãs de séries de super-heróis. Continuem a dar total liberdade criativa a James Gunn, e o resultado será sempre o melhor e mais insano entretenimento.