Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

31 de maio de 2026

Prémios BPF Premier League 2025/ 26

A longa espera terminou. Em 2003/ 2004 uma equipa ficou imortalizada no panteão do futebol inglês: The Invincibles. Com Henry, Vieira, Bergkamp, Pires ou Cole, o campeão Arsenal fez História ao completar a temporada sem qualquer derrota. Os anos passaram e os gunners viram Chelsea (5 vezes), Manchester United (5 vezes), Manchester City (8 vezes), Liverpool (2 vezes) e até o Leicester (1x) ocuparem o posto mais ambicionado da Premier League. 22 anos depois, chegou finalmente o merecido momento do Arsenal.

    A Premier League 2025/ 26 arrancou com o doloroso luto do falecimento de Diogo Jota, uma tragédia que marcou e marcará sempre os seus colegas no Liverpool. Com os reds, campeões em título, abalados, a luta pelo campeonato fez-se a dois entre Arsenal e Manchester City. E aí prevaleceu a garantia de Declan Rice (It's not done) sobre o good feeling de Erling Braut Haaland.
    Primeiro e segundo classificado foram mantendo o outro vivo com alguns deslizes, mas nem quando aquele super intenso City 2-1 Arsenal coroou o horrível mês de Abril do Arsenal, o City conseguiu embalar, liquidando quaisquer hipóteses nos empates como visitante nos terrenos de Everton e Bournemouth.
    O justo campeão Arsenal, recordista em golos de canto, pode muito bem ter vencido num momento determinante. O processo de Arteta (2º lugar nos três campeonatos anteriores) exige agora toda a confiança e tempo do mundo - e a paciência poderia esgotar-se em definitivo se o City tivesse voltado a vencer no photo finish -, e o técnico espanhol sairá muito melhor treinador, menos pesado e mais liberto para experimentar outras coisas, desta temporada. Mais importante: o Arsenal sai rei num momento em que a Premier League vira a página. Guardiola, Bernardo Silva e Salah deixam o futebol inglês muito mais pobre e será muito estranho não os vermos por lá na próxima temporada.

    Trocando Amorim por Michael Carrick, o Manchester United subiu 12 lugares na tabela (na comparação com a classificação final da época transata) e o "Jogador do Ano" Bruno Fernandes chegou às 21 assistências, passando a ser exclusivamente seu o recorde anteriormente partilhado por Kevin De Bruyne e Thierry Henry.
    Aston Villa (e não é que Unai Emery venceu mais uma Liga Europa?) e Liverpool também vão à Champions, Bournemouth, Sunderland e Crystal Palace (vencedor da Liga Conferência) irão competir na Liga Europa, e o Brighton estará na Liga Conferência. O Forest passou de 7º para 16º, mas a grande desilusão foi mesmo o Tottenham - os spurs repetiram o chocante 17º lugar, mas desta vez a descida para o Championship só foi evitada na derradeira jornada, caindo o West Ham para a segunda divisão.

    Além do recordista Bruno Fernandes, 2025/ 26 fez de Erling Haaland o melhor marcador da competição pela 3ª vez em 4 anos, ficando assim na companhia de Shearer e Kane, determinado em igualar Henry e Salah no próximo ano. O título do Arsenal fez-se da personalidade de Declan Rice, das super defesas de Raya e da melhor dupla de centrais do planeta (Saliba-Gabriel). Szoboszlai deu uma masterclass de como bater livres diretos, Elliot Anderson encheu o campo fim-de-semana sim fim-de-semana sim, e Igor Thiago ficou a apenas 5 golos do robô norueguês. Houve desilusões (Cole Palmer e Foden têm obrigação de render muito mais), houve evoluções (James Garner ou Matheus Nunes são hoje muito melhores do que há um ano) e a houve como sempre a ousadia da juventude, dos citizens O'Reilly e Cherki aos cherries Kroupi e Rayan, sem esquecer o nosso Mateus Fernandes e os lançamentos longos de Kayode.

    Como todos os anos, é chegada a altura de indicarmos aqueles que foram para nós os melhores do ano: o nosso 11, o Jogador do Ano e o Jovem Jogador do Ano, o Treinador do Ano, e ainda algumas categorias complementares.



Guarda-Redes: O melhor guarda-redes do mundo em 2025/ 26. A evoluir de ano para ano, o espanhol David Raya foi simultaneamente um dos 3 jogadores mais determinantes no título do Arsenal e, também por isso, um dos melhores jogadores da Premier League. Além de conquistar as Luvas de Ouro (somou 19 jogos sem golos sofridos) pelo 3º ano consecutivo, o número 1 dos gunners acumulou incontáveis defesas de um grau de dificuldade elevado, dizendo presente em momentos capitais da caminhada dos campeões, com o episódio mais recente a ser aquela defesa numa situação de 1 para 1 com Mateus Fernandes no West Ham-Arsenal.
    Kelleher e Dean Henderson não ficaram longe de integrar o nosso Top-6, mas tivemos que privilegiar o efeito Senne Lammens, que apareceu discreto e com pouco nome mas afirmou-se como um dos maiores upgrades desta edição, permitindo ao United regressar aos seus melhores dias, e Robin Roefs, um "achado" por pouco mais de 10 milhões que contribuiu para fazer do Sunderland a sensação e principal overachiever da prova.
    Gigi Donnarumma, sendo um guarda-redes muitíssimo diferente do perfil de Ederson, defendeu 72,4% dos remates que enfrentou, mas aqui e ali "ofereceu" o que não devia, e Jordan Pickford apresentou a consistência do costume, realizando em St. James' Park aquela que foi considerada a Defesa do Ano, perante um potente remate de Tonali. 


Lateral Direito: Entre os defesas direitos, Nordi Mukiele foi o melhor defensor do Sunderland, atuando umas vezes a lateral e outras a central, e o italiano Michael Kayode exibiu-se num nível muito, muito interessante para um defesa estrangeiro de 21 aninhos e com apenas ano e meio de experiência na liga inglesa.
    Polivalente, Reece James foi brilhante como lateral direito e foi brilhante como médio centro, representando por si só uma das poucas nuances táticas interessantes da época do Chelsea, sobretudo na fase Maresca. Quem foi médio e hoje é lateral direito é Matheus Nunes, uma feliz adaptação de Pep Guardiola, encontrando a posição adequada para o português, ex-Sporting, potenciar as suas melhores caraterísticas e ver menos expostas as suas eventuais lacunas. Um ano de muita aprendizagem para Matheus Nunes.
    Num nível acima de todos esteve Jurriën Timber. O defesa neerlandês marcou 3 golos e fez 5 assistências, mas nem precisava desses números (ofensivos) para merecer esta distinção anual. Super concentrado, inteligente, com verdadeiro gosto em defender e a parecer, com a sua "presença" e aura, mais alto do que o seu 1,79m, foi parte importante nos melhores momentos da defesa do Arsenal, que se conseguiu safar com White e Mosquera quando se lesionou.


Defesa Central: Aos 25 anos, William Saliba chegou àquele ponto em que, tal é a sua qualidade e imponência, acaba a ser comparado consigo próprio. 2025/ 26 não foi a melhor versão do central francês, mas apesar de Gabriel ter sido marginalmente superior e mais influente no título, defensivamente Saliba não lhe ficou muito atrás. Elegante, quase sempre senhor do lance, exemplar.
    Optámos por incluir nesta categoria o sempre esforçado e dominante James Tarkowski e uma tremenda surpresa chamada James Hill (só esta época acordámos para o seu potencial). No coração da defesa do Crystal Palace, Maxence Lacroix foi a voz de comando, e Jan Paul van Hecke viveu a melhor temporada da sua carreira, começando a aparecer com naturalidade associado a outras equipas.


Defesa Central: O azar de ter falhado a grande penalidade que coroou o PSG como campeão europeu em Budapeste não apaga nem um pedacinho da impressionante Gabriel Magalhães. Na sua sexta temporada em Londres, o central brasileiro voltou a ser uma terrível ameaça nos cantos, mas desta vez foi sobretudo junto à sua baliza que marcou pontos. Sempre crente na sua equipa e no grande objetivo, deu o corpo ao manifesto com blocos e desarmes corajosos, e formou com Saliba e Raya um tridente fantástico.
    Marc Guéhi fez meia época a ser o melhor jogador do Crystal Palace, mudando-se em Janeiro para o Manchester City, onde imediatamente se tornou um dos indiscutíveis de Pep Guardiola. Não é à toa que será certamente titular na Inglaterra neste Mundial 2026. Depois, Marcos Senesi (reforço do Tottenham para 26/27) levou à letra a missão de fazer esquecer os companheiros Zabarnyi e Huijsen, Virgil van Dijk caiu de rendimento (fora um dos melhores jogadores na época anterior) mas marcou 6 golos e evitou males maiores para o desorientado Liverpool, e finalmente recaiu em Nathan Collins a nossa escolha final, em prejuízo de nomes como Thiaw ou van de Ven.


Lateral Esquerdo: O elemento mais novo do nosso 11 do Ano foi uma revelação. Nas escolas do City desde os seus 8 anos de idade, Nico O'Reilly não deu hipóteses ao reforço Aït-Nouri (o Manchester City pagou quase 40 milhões por ele e muitos pensariam que seria titular depois de boas exibições no Mundial de Clubes) e deixou Gvardiol preocupar-se apenas com o centro da defesa. Atrevido, com muita personalidade, técnica refinada e porte (1,93m) de gente grande, o Jovem Jogador do Ano desta Premier League marcou golos importantes e apareceu na frente sempre que pôde. Potencial gigantesco.
    O futuro promete ser igualmente risonho para Lewis Hall, um dos jogadores que Tuchel deixou injustamente de fora dos seus 26, e Adrien Truffert mostrou-se um excelente substituto de Kerkez.
    Em Londres, Marc Cucurella foi um dos poucos blues a sair com nota positiva, e Riccardo Calafiori foi excelente na primeira volta, perdendo o estatuto de indiscutível com o tempo.


Médio Defensivo: Qual será o sortudo grande inglês que vai conseguir contratar Elliot Anderson? Numa temporada fraca do Nottingham Forest, Anderson e o colega Gibbs-White seguraram praticamente sozinhos os reds na Premier. Jogador completíssimo, com um raio de ação difícil de explicar, somou 515 ações defensivas (para se ter uma noção, apenas 3 jogadores ficaram acima das 400). Encheu realmente o campo, jogo sim, jogo sim.
    Entre os médios mais recuados, Martín Zubimendi escolheu o momento e o clube certo para finalmente deixar a sua Real Sociedad, e Casemiro (9 golos) ajudou Bruno Fernandes a ter o seu recorde de assistências e calou os críticos, provando não estar de todo acabado, e conseguindo fazer na liga inglesa o que fizera na La Liga. Sandro Tonali (suspeitamos que seja transferido neste Verão) é alérgico a jogar mal, e Anton Stach foi um dos jogadores mais subvalorizados desta edição, ombreando com Szoboszlai nos livres diretos - o húngaro marcou 4, mas o alemão só ficou um atrás.


Médio Centro: Declan Rice foi o MVP dos campeões ingleses. Um role model dentro e fora de campo, o médio inglês de 27 anos consolidou o seu estatuto como um dos melhores médios do planeta e, com a sua determinação e intensidade, manteve os gunners sempre ligados à corrente, compreendendo o jogo como poucos e conseguindo ter impacto no ataque e na defesa. Pode não ter a técnica de grandes médios da atualidade como Pedri e Vitinha, mas é difícil que alguém veja um jogo de Declan Rice sem se render à influência que consegue ter em todos os atletas à sua volta.
    No que diz respeito aos centro-campistas, James Garner foi um dos jogadores que mais evoluiu esta temporada, Mateus Fernandes (como é possível Roberto Martínez não o ter convocado para o Mundial?) colecionará interessados em impedirem que desça com o West Ham para o Championship, Bruno Guimarães manteve a bitola habitual, e Granit Xhaka foi um dos Reforços do Ano, liderando o Sunderland, para quem não houve impossíveis.


Médio Ofensivo: O Jogador do Ano. Num ano em que nenhum craque deixou a concorrência a milhas de distância como Mo Salah na época passada, Bruno Fernandes carregou o seu Manchester United ao terceiro lugar (os red devils tinham ficado num chocante 15º lugar no ano anterior) e bateu um dos recordes míticos da Premier League. Kevin De Bruyne e Thierry Henry partilhavam o recorde de assistências (20), mas o criativo português ocupa agora o topo, sozinho, com 21. Em 2025/ 26 criou 136 oportunidades de golo, quase o mesmo que os 2 criadores seguintes (Szoboszlai e Enzo Fernández) juntos.
    Bernardo Silva despediu-se da Premier League com exibições que combinaram toda a sua qualidade técnica e toda a sua capacidade de sacrifício, Rayan Cherki foi uma "pechincha" (custou 36 milhões) e pintou belos quadros com a sua magia e futebol de rua, Morgan Gibbs-White apontou 15 golos (único médio a marcar mais do que 10) e o sempre subtil Mikkel Damsgaard só não teve os números, mas foi fundamental na ideia de Keith Andrews, sendo muitas vezes o homem do passe para o passe.


Extremo Direito: Sim, é uma pequena batota. Dominik Szoboszlai dificilmente foi extremo direito nesta edição, atuando em todo o campo, principalmente como médio ofensivo mas também no corredor direito, como lateral. O húngaro - autor de 4 livres diretos, dois deles absolutamente espetaculares contra Manchester City e Arsenal - foi um dos jogadores mais consistentes da jornada 1 à 38, conseguindo manter o foco e a excelência numa fase em que tantos jogadores do Liverpool, compreensivelmente, se perderam. Poucos jogadores nos deram tanto prazer ver jogar esta época como Szoboszlai.
    Entre os "legítimos" extremos direitos, Bukayo Saka foi decisivo quando esteve em campo, mas um jogador especial como ele está obrigado a ter mais números (7 golos e 5 assistências é muito pouco, quando podia fazer o triplo) e a jogar mais minutos (o corpo só permitiu 2226). O galês Harry Wilson realizou a melhor época da carreira, se excluirmos aquelas em que brilhou no Championship, e terá muitos interessados agora que é um jogador sem contrato; Jarrod Bowen (9 golos e 11 assistências) tentou ao máximo evitar que o seu West Ham descesse, e Bryan Mbeumo não esteve mal na sua primeira época em Old Trafford, aparecendo em bom plano sobretudo nos jogos grandes.
    Na hora do Adeus, uma menção apenas a Mohamed Salah, que não conseguiu apresentar o rendimento que desejava, mas 25/26 não apaga o percurso do melhor extremo direito da História da Premier League.


Extremo Esquerdo: Ora à esquerda, ora à direita, tanto no Bournemouth como no Manchester City, Antoine Semenyo foi o melhor extremo desta Premier League. A ascensão meteórica do ganês, que ainda há poucos anos jogava no Bristol City, tem sido alcançada com tremendo mérito. Um dos nossos 6 nomeados para Jogador do Ano, Semenyo chegou à marca de 17 golos (10 pelos cherries, 7 pelos cityzens) e foi uma permanente seta apontada às balizas adversárias.
    O seu colega de equipa, o belga Jérémy Doku, terá sido porventura o melhor jogador da Premier League no último quarto da época, com maior objetividade nos dribles e a carregar os segundos classificados, Morgan Rogers voltou a combinar golaços e poderio físico, Leandro Trossard foi um assassino silencioso e um soldado perfeito para Arteta, e Anthony Gordon, reforço do Barcelona para 26/27, esteve em bom plano, embora o seu maior brilho tenha sido na Liga dos Campeões.


Ponta de Lança: Mais um prémio de Melhor Marcador para o robô norueguês Erling Braut Haaland. Com 27 golos marcados, Haaland igualou a sua marca individual de 23/24, abaixo da inesquecível temporada de estreia (36 golos), conseguindo assim igualar Shearer e Kane com 3 distinções de máximo goleador, ficando assim apenas atrás das 4 de Henry e Salah. Na hora de avaliações finais, é importante recordar que Haaland tinha 19 golos à 17ª jornada, caindo bastante na segunda volta quando as projeções chegaram a colocar uma marca de 42 tentos no seu horizonte matemático.
    No mundo dos homens-golo, Igor Thiago chegou aos 22 - oito deles de grande penalidade - e deu sequência à boa fama dos dianteiros do Brentford, equipa que tivera Toney, Wissa e Mbeumo, João Pedro foi o melhor jogador do Chelsea, destacando-se sobretudo nas circunstâncias em que lhe foi permitido jogar mais solto e móvel, Viktor Gyökeres marcou muito menos do que no Sporting (e pagou caro, sobretudo sendo ele um jogador tão dependente do físico, a quase nula pré-época) mas cumpriu o seu papel ao desgastar defesas, e a reta final de Ollie Watkins, que lhe permitiu chegar ao pódio dos marcadores, impediu a inclusão de outros nomes como Welbeck ou Calvert-Lewin.




    Na hora de identificar os melhores do ano, não surpreende que 3 jogadores do Arsenal marquem presença no nosso Top-6. Gabriel Magalhães foi um guerreiro e um muro, David Raya acumulou defesas decisivas e não sofreu golos em metade dos jogos do campeonato, e Declan Rice carregou o Arsenal, nunca se escondendo e jamais deixando os colegas perderem a esperança na conquista do título. No entanto, é também pelo facto de no Arsenal a importância ter ficado mais diluída entre vários jogadores que Bruno Fernandes acaba por ser o nosso Jogador do Ano 2025/ 26. Recordista de assistências (21) na História da liga inglesa, o craque português foi criatividade e inteligência, foi disponibilidade física e cruzamentos de régua e esquadro. Não é pelo recorde que o escolhemos, é sobretudo pela noção que nenhum jogador foi tantas vezes o melhor em campo ao longo das 38 jornadas desta edição.
    E porque nem tudo pode ser vermelho, de azul celeste entram nos nossos 6 deste ano o melhor marcador Erling Haaland, e Antoine Semenyo, que já enquanto jogador do Bournemouth estava bem posicionado para aqui estar, e não perdeu essa vaga ao dar o salto para o Manchester City.



    Na categoria onde já passaram Harry Kane, Trent Alexander-Arnold, Phil Foden, Erling Haaland ou Cole Palmer, o sucessor de Morgan Rogers (eleito em 24/25) só podia ser Nico O'Reilly. O lateral esquerdo de 21 anos do Manchester City impressionou-nos a sair de cabeça levantada de situações apertadas, disse presente nos momentos em que só os grandes jogadores aparecem, e não esteve longe de integrar o restrito leque de nomeados para Jogador do Ano.
    O seu colega Rayan Cherki foi o principal opositor nesta eleição. Ambidestro, imaginativo e um fantasista por natureza, o craque francês colecionou dribles e passes de fazer arregalar os olhos, mas não foi tão consistente e influente quanto O'Reilly.
    Deixando Rayan, Alex Scott e Minteh de fora, e conscientes que Max Dowman estará aqui em breve, distinguimos o rigor defensivo e a energia dos laterais Lewis Hall e Michael Kayode, o operário incansável Mateus Fernandes e o diamante precoce Junior Kroupi, um fenómeno em potência. 



Treinador do Ano: Mikel Arteta merece. Mal amado por muitos adeptos de futebol, talvez pela arrogância (entretanto minimizada) de quem parecia ter um complexo de inferioridade em relação a Guardiola, o técnico espanhol de 44 anos conseguiu guiar o Arsenal ao título 22 anos depois. Goste-se mais ou menos do estilo - sim, este Arsenal perde muito tempo, não deslumbra na dinâmica ofensiva e foi menos corajoso e mais prudente em muitos momentos da época - é inequívoco que os gunners são hoje uma das melhores equipas do mundo, há mérito em saber preparar os cantos melhor do que os outros, e ninguém vence uma Premier League contra uma equipa de Guardiola sem conseguir exercer controlo e ter nervos de aço. Este Arsenal tem um processo, e deve ser confiado, porque a tendência é para crescer.
    No ano em que a Premier se despede daquele que para muitos é o melhor treinador da História do futebol, havia argumentos para incluir neste Top-5 Unai Emery, Fabian Hürzeler e Daniel Farke, mas decidimos elogiar o quanto o Manchester United evoluiu com a pacata liderança de Michael Carrick, homem da casa que teve o mérito de simplificar tudo, Régis Le Bris colocou o promovido Sunderland na Liga Europa, Keith Andrews fez do Brentford uma das equipas que mais condicionou e influenciou a abordagem tática global desta edição, e Andoni Iraola quase deixou o Bournemouth na Liga dos Campeões, podendo agora dar o "salto" para um clube com outras aspirações.



Melhor Marcador: 1. Erling Haaland (Manchester City) - 27
2. Igor Thiago (Brentford) - 22
3. Ollie Watkins (Aston Villa) - 16

Melhor Assistente: 1. Bruno Fernandes (Manchester United) - 21
2. Rayan Cherki (Manchester City) - 12
3. Jarrod Bowen (West Ham) - 11

Clube-Sensação: Sunderland
Desilusão: Tottenham
Most Improved Player: 1. Igor Thiago, 2. Matheus Nunes, 3. James Garner
Reforço do Ano: Rayan Cherki (Manchester City)
Flop do Ano: Yoane Wissa (Newcastle)
Melhor Golo: Harrison Reed (Fulham 2 - 2 Liverpool) (Link)

Prémios BPF Liga Portugal Betclic 2025/ 26

 O 31º título azul e branco, com a festa a regressar aos Aliados após 3 anos de interregno, foi uma lição para o futebol português. O Futebol Clube do Porto de AVB escolheu o treinador certo, realizou dois mercados (Verão e Janeiro) praticamente irrepreensíveis, tomando assim o trono do futebol português, com o Sporting a falhar o tri e o Benfica a insistir na auto-sabotagem.
    Com uma defesa exemplar (apenas 18 golos sofridos, algo que não acontecia desde 17/ 18, altura em que também o Porto se sagrou campeão) e muita energia e intensidade ao longo de todo o campo, os dragões oficializaram a conquista na jornada 32, numa prova de extrema regularidade (a invencibilidade durou 19 rondas), começada com 7 vitórias consecutivas, perdendo apenas para os improváveis AFS e Casa Pia.

    O Sporting não desmoronou no pós-Gyökeres, cabendo ao colombiano Suárez tentar fazer esquecer o sueco que decidiu quase sozinho 2 campeonatos. Alvalade foi bem mais feliz nas grandes noites europeias do que nos fins-de-semana portugueses, numa época que deve marcar o fim de ciclo para várias figuras dos últimos anos, Hjulmand à cabeça. Neste Sporting há cada vez menos de Amorim, e por isso cada vez melhor se perceberá quem é Rui Borges, e a se a sua renovação fez sentido.
    Na Luz, aterrou José Mourinho, um "treinador de perfil vencedor" que serviu para Rui Costa vencer eleições. 65% de sócios votantes bateram recorde mundial para condenar os encarnados a mais do mesmo: o Benfica atual não tem projeto, coleciona erros que o fazem partir sistematicamente atrás dos rivais e revela-se incapaz de olhar para si mesmo, e assumir culpas. E mesmo assim, este Benfica que é sombra do que podia ser, não teve qualquer derrota ao longo de 34 jogos.

    Com o Braga de Vicens a sorrir às quintas-feiras (semi-finalista da Liga Europa) mas a terminar a anos-luz dos 3 grandes, a Liga Conferência quase foi do Famalicão, que viu o Torreense via Taça de Portugal modificar os planos de toda a gente.
    Gil Vicente, Moreirense, Arouca e Alverca foram overachievers, numa edição em que o FC Porto de Farioli e Villas-Boas acertou em cheio nas contratações: o miúdo dinamarquês Froholdt foi a fotografia perfeita do espírito e das pilhas que o novo campeão nacional teve, com os polacos Bednarek e Kiwior a formarem uma defesa irrepreensível, Pietuszewski (tanto potencial!) a ser uma fantástica vitamina a meio da época, sem esquecer a muita utilidade de Rosario ou Fofana.
    Luis Suárez sagrou-se o melhor marcador, com 28 golos, deixando distantes Pavlidis e os sensacionais Begraoui e Chuchu Ramírez. Em Braga, Zalazar e Ricardo Horta fizeram miséria nas defesas adversárias, o benfiquista Schjelderup explodiu finalmente ao entrarmos em 2026 e, numa Liga onde os nórdicos têm sido referências, Morten Hjulmand e Fredrik Aursnes continuaram a ser absolutamente determinantes no equilíbrio, coesão e comunicação dos rivais de Lisboa.

    Diogo Costa não foi o único guarda-redes a brilhar, impressionando Hornicek, Carevic ou Bernardo Fontes; Pablo, André Luiz e Andrew evoluíram tanto que em Janeiro fizeram as malas para o estrangeiro; e além das promessas dos "grandes" 25/ 26 foi espaço de afirmação para Gustavo Sá, Ibrahima Ba, Mathias de Amorim e Alex Amorim.

    São os jogadores que fazem aquilo que o futebol é, e por isso os prémios abaixo são, praticamente, só deles. Abaixo encontrarão o nosso 11 do Ano, Jogador e Jovem do Ano, Treinador do Ano e algumas categorias extra:



Guarda-Redes: Depois de dois anos em que guardiões de equipas mais modestas roubaram atenções (Ricardo Velho e Patrick Sequeira), nesta edição a normalidade regressou, com alguns dos melhores tecnicamente a exibirem-se, com consistência, de acordo com a sua qualidade global.
    Trubin tornou-se viral devido ao seu golo no último segundo ao Real Madrid, Rui Silva cumpriu, e Renan Ribeiro foi o 2º guarda-redes com mais defesas, mas na hora de fazer um balanço não tivemos dúvidas sobre o nosso quinteto. Kaique saiu do Farense para substituir Lucas França na Madeira e o Nacional acabou por substituir um especialista na defesa de grandes penalidades por outro. Em 2025/ 26, o brasileiro de 23 anos e 1,93m defendeu 4 dos 7 penáltis enquadrados. Mais ainda nos impressionou Bernardo Fontes: depois de figurar no 11 do Ano da Segunda Liga, o brasileiro - que tudo indica será o titular do Braga na próxima temporada - fartou-se de defender (113 defesas) registando a melhor exibição de um GR esta época quando somou 12 defesas na recepção ao Sporting.
    O checo Lukas Hornicek confirmou ser um predestinado das balizas. Sofreu com a irregularidade interna do Braga mas foi muito possivelmente o guardião a apresentar um maior volume de "defesas impossíveis". No seu todo, é o único em Portugal capaz de ombrear com Diogo Costa. Não nos surpreende, por isso, que seja o sucessor do português no Dragão, ou que calce as suas luvas na próxima Premier League.
    Menos atraente ou convincente na estética com que defende, Lazar Carevic tem os números a seu favor: num Famalicão muito bem organizado, fez a diferença com 93 defesas, somando clean sheets em metade dos jogos da prova (17). Mas o Guarda-Redes do Ano foi mesmo Diogo Costa. O capitão do FC Porto foi menos testado (mérito do coletivo azul e branco) mas disse sempre presente, contagiando os colegas com a sua segurança - em muitos jogos só teve que fazer 1 ou 2 defesas, mas fê-las - terminando com um inequívoco registo de 80,6% de remates defendidos. É um dos melhores do mundo.


Lateral Direito: No lado direito da defesa, Dedic começou muito bem e Fresneda amadureceu, mas voltaram a convencer-nos mais os laterais de equipas de outros voos. O capitão do Arouca, Tiago Esgaio, voltou a primar pela regularidade, juntando 3 golos e 5 assistências, e Dinis Pinto estava bem lançado para ser o defesa com mais assistências da competição (somou 6 em 2014 minutos) mas uma lesão impediu que contribuísse nos últimos 3 meses da Liga.
    Esta foi claramente a melhor temporada de Víctor Gómez no Braga, justificando inclusive a sua inclusão na pré-lista do selecionador espanhol. Não integrou os 26 finais, mas tem motivos para se sentir realizado na mesma. Quanto a Alberto Costa começou e terminou bem a época, chegou às 8 assistências, mas o facto de ter chegado a perder o seu lugar no 11 belisca a sua campanha. Rodrigo Pinheiro contribuiu menos no ataque (3 golos e duas assistências) mas foi sistematicamente um fiável dínamo da turma de Hugo Oliveira. Defende como poucos, mantém os índices de concentração e de boas decisões elevadíssimos, e merece claramente dar o salto para ver como responde noutro patamar competitivo, mais exigente.


Defesa Central: Quando o Porto anunciou a contratação de Jan Bednarek, a comparação com Coates/Sporting surgiu naturalmente. Um grande português estava a recrutar um central maduro e dominante nos duelos, que não sobressaía sobremaneira em Inglaterra. O antigo capitão do Sporting chegou a Portugal com 26 anos, Bednarek chegou à Invicta com 29. Um dos melhores jogadores desta edição, o patrão da defesa portista formou com Kiwior a melhor dupla, sendo ele o pioneiro de um contingente polaco indissociável da conquista comandada por Farioli.
    Além dele, Tomás Araújo voltou a mostrar que com bola não há outro central como ele em Portugal (descobre linhas de passe que muitos médios ofensivos seriam incapazes), falhando alguns jogos por lesão e outros por opção de José Mourinho. Num patamar abaixo, Ibrahima Ba (21 anos) deixou claro que está talhado para clubes de topo, Gustav Lagerbielke (presente nos convocados da Suécia para o Mundial) revelou-se uma bela aposta do Braga, e Naves foi o comandante da defesa do sensacional Alverca.


Defesa Central: Jakub Kiwior apresentou durante algum tempo uma daquelas "estatísticas van Dijk". O central canhoto foi ultrapassado apenas 1 vez (!) durante toda a primeira volta. Parceiro de setor do compatriota Bednarek, o atleta emprestado pelo Arsenal foi um reforço de luxo para o futebol português. Central elegante e muitíssimo inteligente na antecipação e no condicionamento dos adversários, foi um dos mais sérios candidatos a MVP. A chegada de Thiago Silva atirou-o para o lado esquerdo da linha de 4 portista, mas foi sempre a central (posição de origem) que fez mesmo a diferença. Que nunca saia de lá.
    A incapacidade do Benfica em gerir bem o dossier Otamendi levou a que o argentino acabasse por não sair pela porta grande, como o seu trajeto na Luz merecia, e sem esquecer o goleador Maracás e o imponente Brayan Medina, optámos por valorizar o contributo de Gonçalo Inácio na 1ª fase de construção, queimando setores com a sua visão e execução, Zé Vítor foi um papa números (4 golos, 202 alívios, 58 desarmes, 46 interceções e 26 remates bloqueados), Justin de Haas foi o central mais goleador (5 golos) antes de se mudar para a Liga espanhola, e Felix Bacher esteve bem numa defesa do Estoril onde Ferro também reencontrou os dias felizes da sua carreira.


Lateral Esquerdo: O sucessor de Carreras só poderia mesmo ser Maxi Araújo. Incansável a dar apoio ao longo do seu corredor, fartando-se de surgir em zonas de finalização, o uruguaio foi um dos melhores do Sporting. Naquela que acreditamos que terá sido a sua última época em Portugal (fez uma extraordinária Liga dos Campeões, com especial destaque para o seu jogão diante do Bodo/Glimt) marcou 5 e deu 4 a marcar.
    Como é sabido, o lado esquerdo da defesa portista variou entre 4 nomes (Zaidu, Martim, Kiwior e Moura), o que nos permitiu focar-nos no crescimento competitivo de Samuel Dahl, jogador com mais desarmes (88) da Liga, no tantas vezes intransponível Ghislain Konan e no sempre certinho João Mendes. Sobre Sidny Lopes Cabral há mais a dizer: o cabo-verdiano não agarrou a oportunidade na Luz mas nada apaga a sua primeira volta no Estrela, onde estava a ser um dos jogadores em destaque do campeonato. Especialista a bater bolas paradas - mas com muito a melhorar na condução, no passe curto, no entendimento do jogo e na tomada de decisão - Sidny Cabral será sempre um jogador valioso para quem o saiba aproveitar e estimular.


Médio Centro: Pelo terceiro ano consecutivo, Morten Hjulmand integra o nosso 11 do Ano. Elegemos os melhores desde a temporada 2013/ 14 e esta é a primeira ocasião em que um jogador é eleito 3 anos consecutivos. Algo que não aconteceu antes pela dificuldade em segurar grandes jogadores em Portugal mais do que 2 anos (Bruno Fernandes e Gyökeres) ou pela pontual aparição de uma temporada de menor fulgor a interromper uma sequência de distinções (Alex Telles, Jonas, Pizzi, Otávio, etc). Esta até foi a pior, ou menos extraordinária, temporada do dinamarquês no nosso campeonato. O capitão do Sporting manteve-se influente, um adversário que ninguém deseja, voltando a encher o campo e a conseguir controlar, quase sozinho, vários jogos com a sua leitura tática e posicionamento adequado. Os sportinguistas ficarão com saudades dele, os rivais respiram de alívio com a sua mais do que provável transferência.
    Igualmente sinónimo de QI futebolístico elevado, a presença de Fredrik Aursnes como médio centro coincidiu com as melhores fases do Benfica, e será totalmente aceitável quem o considere justo titular neste 11 em vez de Hjulmand, tal o equilíbrio performativo entre ambos.
    Luís Esteves foi o pensador de jogo do Gil Vicente, Alan Varela foi uma das plataformas giratórias do campeão nacional, contribuindo com simplicidade para quebrar a primeira linha de pressão dos adversários, e Mathias de Amorim melhorou a olhos vistos, evidenciando qualidade, no mínimo, para um grande português.


Médio Centro: Esta foi a Liga dele. Victor Froholdt chegou do Copenhaga a troco de 20 milhões de euros, e hoje vale certamente o triplo. O dinamarquês de 20 aninhos e 1,87m, simultaneamente o nosso Jogador do Ano e Jovem Jogador do Ano, algo que só acontecera aqui no BPF uma vez (Pedro Gonçalves em 20/21), correu, correu e correu. Mas mais do que correr muito, correu bem. Peça-chave na ideia de Farioli, Froholdt deu corpo às melhores facetas do ADN portista e, qual miúdo omnipresente, recuperou bolas, pressionou até à exaustão e galgou metros, transportando consigo o Porto em direção ao título. Quando ele começou a quebrar fisicamente, o Porto também deu sinais de quebrar, mas Farioli soube proteger o seu menino de ouro, descansando-o na Liga Europa sem o "rebentar" e assegurando assim uma reta final de campeonato com pleno fulgor.
    Curiosamente, Santi García mostrou em Barcelos muitas das qualidades e caraterísticas que Froholdt exibiu no Dragão, e Gabri Veiga (pode dar muito mais na próxima época) fez a diferença na bola parada e, a espaços, com o seu recorte técnico diferenciado.
    Leandro Barreiro correspondeu sempre ao que lhe foi pedido, em diversas funções no campo, e Taichi Fukui dificilmente continuará no Arouca. Uma palavra para Alex Amorim, jogador que seguramente estaria aqui se não se tivesse transferido para a Serie A a meio da época.


Extremo Direito: Disputado pelos rivais de Lisboa no final da época, tendo sido cativado pelo projeto do Sporting, o uruguaio Rodrigo Zalazar foi um dos jogadores realmente entusiasmantes nesta edição. Autor de 16 golos e 5 assistências, o craque do Braga fez mais do que suficiente para integrar a nossa shortlist de candidatos a Jogador do Ano, brilhando com golaços, com pormenores de levantar o estádio e de fazer os defesas rogarem-lhe pragas. Aos 26 anos está na plenitude das suas faculdades e reúne todos os ingredientes para ser um dos nomes fortes da edição de 26/27.
    André Luiz só durou meia época, mas deixou marcas com seu drible e a ótima sintonia com Clayton, Murilo chegou aos 11 golos no Gil, Diogo Travassos fez a diferença como extremo direito e nas duas laterais, e Figueiredo foi o mais esclarecido dos criativos do Alverca, quando a lógica até fazia exigir-se mais de Chiquinho e Lincoln. 


Extremo Esquerdo: Como ponto prévio, Andreas Schjelderup foi o jogador que mais nos deixou babados na segunda volta do campeonato, explodindo com a entrada em 2026. O norueguês (7 golos e 5 assistências) foi o melhor jogador do Benfica em inúmeros jogos, tendo a sua vida mudado quando bisou no 4-2 ao Real Madrid (28 de Janeiro), altura em que o clube da Luz equacionava vendê-lo ao Club Brugge. Queríamos muito ter Schjelderup no 11 do Ano, especialmente porque é fácil imaginar que os relvados portugueses não o tenham a espalhar vertigem e irreverência na próxima época, mas não pudemos ser injustos com Ricardo Horta. O melhor jogador da História do Braga voltou a juntar números (14 golos e 4 assistências) à participação em vários golos candidatos a melhor do ano, formando ótimo tridente ofensivo com Zalazar e Pau Víctor.
    Mesmo em défice físico, Pedro Gonçalves somou 21 participações em golos, João Carvalho (tinha facilmente lugar como suplente em qualquer um dos 3 grandes) foi um dos reis das assistências, e a aparição do super promissor Oskar Pietuszewski também merece ser considerada. Diamante polaco de 18 anos, é no mínimo um dos principais candidatos a Jovem Jogador do Ano em 2026/ 27.


Segundo Avançado / Avançado: Entre avançados com mestria em baixar para vir buscar jogo, ligando a equipa, e médios ofensivos visionários, a dúvida desta edição seria sempre entre Francisco Trincão e Vangelis Pavlidis. O grego do Benfica foi o 2º melhor marcador da Liga (22 golos) mas sai prejudicado pela reta final, diminuindo o seu rendimento a partir do momento em que Rafa chegou à Luz, e acabando inclusive abaixo de Ivanovic na hierarquia num par de jogos. É curioso o exercício de análise temporal de Pavlidis: incrível no somatório da 2ª metade de 24/25 e 1ª metade desta edição, e bem menos convincente na junção da 1ª metade de 24/25 com a segunda volta deste campeonato. A escolha recai assim em Francisco Trincão, senhor de 11 assistências e 86 oportunidades criadas (para se ter noção, Luís Esteves e Aursnes, os jogadores seguintes nessa métrica, tiveram 57 e 56). Num Sporting que encheu o olho com bom futebol, Trincão foi sistematicamente o epicentro criativo; e num Sporting fustigado com lesões, foi positivo o craque português "sobreviver" sempre, embora seja impossível negar que foi espremido para lá do limite.
    De resto, Yanis Begraoui somou 20 golos, uma marca espetacular para um jogador fora dos "3 grandes". Pau Víctor foi bem mais do que os números que somou, ajudando sobretudo a desbloquear o melhor futebol de Horta e Zalazar, e Gustavo Sá (exemplar a forma como resistiu ao assédio saudita e permaneceu no seu Famalicão) tem mesmo que dar o salto, quiçá para o seu Porto, continuando a poder ser trabalhado e especializado em várias posições.


Ponta de Lança: Nos dois anos anteriores, Gyökeres marcou 29 e 39 golos. Luis Suárez ficou-se pelos 28, sagrando-se ainda assim de forma folgada o melhor marcador desta Liga. Irrequieto, determinado e sempre muito rematador, o colombiano foi uma aposta ganha. A esmagadora maioria dos clubes viria ladeira abaixo ao ter que substituir um fenómeno como Gyökeres, mas Suárez - sem ter o impacto individual do sueco - correspondeu e contribuiu para um ataque coordenado, criativo e com muita variabilidade de soluções.
    Chuchu Ramírez (18 golos) deixou para trás a má experiência em Guimarães, percebendo que é na Madeira que consegue soltar o melhor de si, Pablo destacou-se tanto que o West Ham não resistiu e pagou 23 milhões por ele, Samu (não é a peça certa para a dinâmica ideal do ataque do Porto) marcou vários golos até à sua lesão, e Clayton voltou a provar que era um dos pontas de lança de topo em Portugal, saindo com o seu amigo André Luiz para o Olympiacos.




    Depois de 2 anos do sueco Viktor, o primeiro ano do dinamarquês Victor Froholdt. Ao contrário de outras épocas em que alguns craques deixaram a concorrência a anos-luz (Gyökeres, Bruno Fernandes ou Jonas foram disso exemplo), desta vez o equilíbrio foi maior, permitindo maior debate sobre quem foi efetivamente o Jogador do Ano. Escolher Froholdt significa, também, identificar os pontos fortes deste Porto de Farioli - a capacidade física, o foco em ganhar cada bola e cada duelo, a auto-confiança, o condão de impedir o adversário de soltar o seu futebol, e o estofo para dizer presente nos momentos decisivos, com a personalidade que distingue os craques dos restantes.
    Nos nossos 6 candidatos poderiam figurar Ricardo Horta, Maxi Araújo, Hjulmand, Diogo Costa, Aursnes, Schjelderup ou Pavlidis mas optámos por premiar os muitos golos de Luis Suárez, a dupla polaca Jan Bednarek e Jakub Kiwior, e os criativos que mais nos encantaram, Rodrigo Zalazar e Francisco Trincão.




    Álvaro Carreras (2025), João Neves (2024), Gonçalo Ramos (2023), Vitinha (2022), Pedro Gonçalves (2021), Marcus Edwards (2020), João Félix (2019), Rúben Dias (2018), Gelson Martins (2017), Renato Sanches (2016), Óliver Torres (2015) e William Carvalho (2014). Foram estes os antepassados de Victor Froholdt nas escolhas anuais do Barba Por Fazer.
    Num ano em que Rodrigo Mora (o sacrifício do seu talento foi, aparentemente, o preço a pagar para o Porto ter sucesso com a fórmula de Farioli) partia com algum favoritismo, foi o seu colega de equipa oriundo do Copenhaga a sobressair. Torcemos para que possamos continuar a ver na próxima época Andreas Schjelderup por cá, mantendo o nível destes últimos 5 meses; e Oskar Pietuszewski assume desde já uma das posições dianteiras para a candidatura a Jovem Jogador do Ano 2026/ 27.
    Sem esquecer Alex Amorim, Gustavo Sá, Martim Fernandes e Prestianni, o nosso Top6 deste ano fica completo com Pablo, o centralão Ibrahima Ba e o requintado Mathias de Amorim.




Treinador do Ano: À terceira, André Villas-Boas acertou em cheio. Sucessor de Vítor Bruno e Anselmi, o italiano Francesco Farioli foi uma das figuras do futebol português, assimilando rapidamente o que é o FC Porto, e conseguindo esculpir e afinar uma equipa para vencer em Portugal. O Porto de Farioli defendeu melhor do que todas as outras equipas, e provou que com duas janelas de transferências excelentes, um grande português consegue não só recuperar o atraso para os outros como ultrapassá-los. Aos 37 anos, o antigo pupilo de De Zerbi mostrou no Dragão que aprendeu com a passagem por Amesterdão, e cremos que no próximo campeonato, mesmo perdendo alguns jogadores-chave, Farioli conseguirá construir uma equipa mais forte, e ofensivamente mais implacável.
    Equacionámos Tiago Margarido e Custódio Castro para o nosso leque de treinadores do ano, mas acabámos por preferir o belo futebol do Gil Vicente de César Peixoto (muito astuto a definir o perfil de jogadores que pretende para cada posição, e corajoso no que pede aos seus médios), a overperformance do Moreirense de Vasco Botelho da Costa (mais tarde ou mais cedo estará num grande), o ótimo trabalhado continuado por Hugo Oliveira na estável fábrica de talentos de Famalicão, e apesar de Rui Borges ter falhado - principalmente nas substituições e na gestão física do seu plantel entre as várias competições - não dá para ignorar que o seu Sporting foi a equipa que praticou o futebol mais tecnicista em Portugal, causando enormes dificuldades aos adversários pelo manancial de soluções quer por fora quer por dentro. E isso, além de traduzir a boa química entre os jogadores, também revela dedo de treinador, quer queiramos quer não.




Melhor Marcador: 1. Luis Suárez (Sporting) - 28
2. Vangelis Pavlidis (Benfica) - 22
3. Yanis Begraoui (Estoril) - 20

Melhor Assistente: 1. Francisco Trincão (Sporting) e João Carvalho (Estoril) - 11
3. Alberto Costa (FC Porto), Gabri Veiga (FC Porto), Pedro Gonçalves (Sporting), Luís Esteves (Gil Vicente) e Jérémy Livolant (Casa Pia) - 8

Clube-Sensação: Gil Vicente
Desilusão: Benfica
Most Improved Player: 1. Yanis Begraoui, 2. Pablo, 3. Santi García
Reforço do Ano: Victor Froholdt (FC Porto)
Flop do Ano: Dodi Lukebakio (Benfica)
Melhor Golo: Rodrigo Zalazar (AFS 0 - 4 Braga) (Link)