O 31º título azul e branco, com a festa a regressar aos Aliados após 3 anos de interregno, foi uma lição para o futebol português. O Futebol Clube do Porto de AVB escolheu o treinador certo, realizou dois mercados (Verão e Janeiro) praticamente irrepreensíveis, tomando assim o trono do futebol português, com o Sporting a falhar o tri e o Benfica a insistir na auto-sabotagem.
Com uma defesa exemplar (apenas 18 golos sofridos, algo que não acontecia desde 17/ 18, altura em que também o Porto se sagrou campeão) e muita energia e intensidade ao longo de todo o campo, os dragões oficializaram a conquista na jornada 32, numa prova de extrema regularidade (a invencibilidade durou 19 rondas), começada com 7 vitórias consecutivas, perdendo apenas para os improváveis AFS e Casa Pia.
O Sporting não desmoronou no pós-Gyökeres, cabendo ao colombiano Suárez tentar fazer esquecer o sueco que decidiu quase sozinho 2 campeonatos. Alvalade foi bem mais feliz nas grandes noites europeias do que nos fins-de-semana portugueses, numa época que deve marcar o fim de ciclo para várias figuras dos últimos anos, Hjulmand à cabeça. Neste Sporting há cada vez menos de Amorim, e por isso cada vez melhor se perceberá quem é Rui Borges, e a se a sua renovação fez sentido.
Na Luz, aterrou José Mourinho, um "treinador de perfil vencedor" que serviu para Rui Costa vencer eleições. 65% de sócios votantes bateram recorde mundial para condenar os encarnados a mais do mesmo: o Benfica atual não tem projeto, coleciona erros que o fazem partir sistematicamente atrás dos rivais e revela-se incapaz de olhar para si mesmo, e assumir culpas. E mesmo assim, este Benfica que é sombra do que podia ser, não teve qualquer derrota ao longo de 34 jogos.
Com o Braga de Vicens a sorrir às quintas-feiras (semi-finalista da Liga Europa) mas a terminar a anos-luz dos 3 grandes, a Liga Conferência quase foi do Famalicão, que viu o Torreense via Taça de Portugal modificar os planos de toda a gente.
Gil Vicente, Moreirense, Arouca e Alverca foram overachievers, numa edição em que o FC Porto de Farioli e Villas-Boas acertou em cheio nas contratações: o miúdo dinamarquês Froholdt foi a fotografia perfeita do espírito e das pilhas que o novo campeão nacional teve, com os polacos Bednarek e Kiwior a formarem uma defesa irrepreensível, Pietuszewski (tanto potencial!) a ser uma fantástica vitamina a meio da época, sem esquecer a muita utilidade de Rosario ou Fofana.
Luis Suárez sagrou-se o melhor marcador, com 28 golos, deixando distantes Pavlidis e os sensacionais Begraoui e Chuchu Ramírez. Em Braga, Zalazar e Ricardo Horta fizeram miséria nas defesas adversárias, o benfiquista Schjelderup explodiu finalmente ao entrarmos em 2026 e, numa Liga onde os nórdicos têm sido referências, Morten Hjulmand e Fredrik Aursnes continuaram a ser absolutamente determinantes no equilíbrio, coesão e comunicação dos rivais de Lisboa.
Diogo Costa não foi o único guarda-redes a brilhar, impressionando Hornicek, Carevic ou Bernardo Fontes; Pablo, André Luiz e Andrew evoluíram tanto que em Janeiro fizeram as malas para o estrangeiro; e além das promessas dos "grandes" 25/ 26 foi espaço de afirmação para Gustavo Sá, Ibrahima Ba, Mathias de Amorim e Alex Amorim.
São os jogadores que fazem aquilo que o futebol é, e por isso os prémios abaixo são, praticamente, só deles. Abaixo encontrarão o nosso 11 do Ano, Jogador e Jovem do Ano, Treinador do Ano e algumas categorias extra:
Guarda-Redes: Depois de dois anos em que guardiões de equipas mais modestas roubaram atenções (Ricardo Velho e Patrick Sequeira), nesta edição a normalidade regressou, com alguns dos melhores tecnicamente a exibirem-se, com consistência, de acordo com a sua qualidade global.
Trubin tornou-se viral devido ao seu golo no último segundo ao Real Madrid, Rui Silva cumpriu, e Renan Ribeiro foi o 2º guarda-redes com mais defesas, mas na hora de fazer um balanço não tivemos dúvidas sobre o nosso quinteto. Kaique saiu do Farense para substituir Lucas França na Madeira e o Nacional acabou por substituir um especialista na defesa de grandes penalidades por outro. Em 2025/ 26, o brasileiro de 23 anos e 1,93m defendeu 4 dos 7 penáltis enquadrados. Mais ainda nos impressionou Bernardo Fontes: depois de figurar no 11 do Ano da Segunda Liga, o brasileiro - que tudo indica será o titular do Braga na próxima temporada - fartou-se de defender (113 defesas) registando a melhor exibição de um GR esta época quando somou 12 defesas na recepção ao Sporting.
O checo Lukas Hornicek confirmou ser um predestinado das balizas. Sofreu com a irregularidade interna do Braga mas foi muito possivelmente o guardião a apresentar um maior volume de "defesas impossíveis". No seu todo, é o único em Portugal capaz de ombrear com Diogo Costa. Não nos surpreende, por isso, que seja o sucessor do português no Dragão, ou que calce as suas luvas na próxima Premier League.
Menos atraente ou convincente na estética com que defende, Lazar Carevic tem os números a seu favor: num Famalicão muito bem organizado, fez a diferença com 93 defesas, somando clean sheets em metade dos jogos da prova (17). Mas o Guarda-Redes do Ano foi mesmo Diogo Costa. O capitão do FC Porto foi menos testado (mérito do coletivo azul e branco) mas disse sempre presente, contagiando os colegas com a sua segurança - em muitos jogos só teve que fazer 1 ou 2 defesas, mas fê-las - terminando com um inequívoco registo de 80,6% de remates defendidos. É um dos melhores do mundo.

Lateral Direito: No lado direito da defesa, Dedic começou muito bem e Fresneda amadureceu, mas voltaram a convencer-nos mais os laterais de equipas de outros voos. O capitão do Arouca, Tiago Esgaio, voltou a primar pela regularidade, juntando 3 golos e 5 assistências, e Dinis Pinto estava bem lançado para ser o defesa com mais assistências da competição (somou 6 em 2014 minutos) mas uma lesão impediu que contribuísse nos últimos 3 meses da Liga.
Esta foi claramente a melhor temporada de Víctor Gómez no Braga, justificando inclusive a sua inclusão na pré-lista do selecionador espanhol. Não integrou os 26 finais, mas tem motivos para se sentir realizado na mesma. Quanto a Alberto Costa começou e terminou bem a época, chegou às 8 assistências, mas o facto de ter chegado a perder o seu lugar no 11 belisca a sua campanha. Rodrigo Pinheiro contribuiu menos no ataque (3 golos e duas assistências) mas foi sistematicamente um fiável dínamo da turma de Hugo Oliveira. Defende como poucos, mantém os índices de concentração e de boas decisões elevadíssimos, e merece claramente dar o salto para ver como responde noutro patamar competitivo, mais exigente.
Defesa Central: Quando o Porto anunciou a contratação de Jan Bednarek, a comparação com Coates/Sporting surgiu naturalmente. Um grande português estava a recrutar um central maduro e dominante nos duelos, que não sobressaía sobremaneira em Inglaterra. O antigo capitão do Sporting chegou a Portugal com 26 anos, Bednarek chegou à Invicta com 29. Um dos melhores jogadores desta edição, o patrão da defesa portista formou com Kiwior a melhor dupla, sendo ele o pioneiro de um contingente polaco indissociável da conquista comandada por Farioli.
Além dele, Tomás Araújo voltou a mostrar que com bola não há outro central como ele em Portugal (descobre linhas de passe que muitos médios ofensivos seriam incapazes), falhando alguns jogos por lesão e outros por opção de José Mourinho. Num patamar abaixo, Ibrahima Ba (21 anos) deixou claro que está talhado para clubes de topo, Gustav Lagerbielke (presente nos convocados da Suécia para o Mundial) revelou-se uma bela aposta do Braga, e Naves foi o comandante da defesa do sensacional Alverca.

Defesa Central: Jakub Kiwior apresentou durante algum tempo uma daquelas "estatísticas van Dijk". O central canhoto foi ultrapassado apenas 1 vez (!) durante toda a primeira volta. Parceiro de setor do compatriota Bednarek, o atleta emprestado pelo Arsenal foi um reforço de luxo para o futebol português. Central elegante e muitíssimo inteligente na antecipação e no condicionamento dos adversários, foi um dos mais sérios candidatos a MVP. A chegada de Thiago Silva atirou-o para o lado esquerdo da linha de 4 portista, mas foi sempre a central (posição de origem) que fez mesmo a diferença. Que nunca saia de lá.
A incapacidade do Benfica em gerir bem o dossier Otamendi levou a que o argentino acabasse por não sair pela porta grande, como o seu trajeto na Luz merecia, e sem esquecer o goleador Maracás e o imponente Brayan Medina, optámos por valorizar o contributo de Gonçalo Inácio na 1ª fase de construção, queimando setores com a sua visão e execução, Zé Vítor foi um papa números (4 golos, 202 alívios, 58 desarmes, 46 interceções e 26 remates bloqueados), Justin de Haas foi o central mais goleador (5 golos) antes de se mudar para a Liga espanhola, e Felix Bacher esteve bem numa defesa do Estoril onde Ferro também reencontrou os dias felizes da sua carreira.

Lateral Esquerdo: O sucessor de Carreras só poderia mesmo ser Maxi Araújo. Incansável a dar apoio ao longo do seu corredor, fartando-se de surgir em zonas de finalização, o uruguaio foi um dos melhores do Sporting. Naquela que acreditamos que terá sido a sua última época em Portugal (fez uma extraordinária Liga dos Campeões, com especial destaque para o seu jogão diante do Bodo/Glimt) marcou 5 e deu 4 a marcar.
Como é sabido, o lado esquerdo da defesa portista variou entre 4 nomes (Zaidu, Martim, Kiwior e Moura), o que nos permitiu focar-nos no crescimento competitivo de Samuel Dahl, jogador com mais desarmes (88) da Liga, no tantas vezes intransponível Ghislain Konan e no sempre certinho João Mendes. Sobre Sidny Lopes Cabral há mais a dizer: o cabo-verdiano não agarrou a oportunidade na Luz mas nada apaga a sua primeira volta no Estrela, onde estava a ser um dos jogadores em destaque do campeonato. Especialista a bater bolas paradas - mas com muito a melhorar na condução, no passe curto, no entendimento do jogo e na tomada de decisão - Sidny Cabral será sempre um jogador valioso para quem o saiba aproveitar e estimular.

Médio Centro: Pelo terceiro ano consecutivo, Morten Hjulmand integra o nosso 11 do Ano. Elegemos os melhores desde a temporada 2013/ 14 e esta é a primeira ocasião em que um jogador é eleito 3 anos consecutivos. Algo que não aconteceu antes pela dificuldade em segurar grandes jogadores em Portugal mais do que 2 anos (Bruno Fernandes e Gyökeres) ou pela pontual aparição de uma temporada de menor fulgor a interromper uma sequência de distinções (Alex Telles, Jonas, Pizzi, Otávio, etc). Esta até foi a pior, ou menos extraordinária, temporada do dinamarquês no nosso campeonato. O capitão do Sporting manteve-se influente, um adversário que ninguém deseja, voltando a encher o campo e a conseguir controlar, quase sozinho, vários jogos com a sua leitura tática e posicionamento adequado. Os sportinguistas ficarão com saudades dele, os rivais respiram de alívio com a sua mais do que provável transferência.
Igualmente sinónimo de QI futebolístico elevado, a presença de Fredrik Aursnes como médio centro coincidiu com as melhores fases do Benfica, e será totalmente aceitável quem o considere justo titular neste 11 em vez de Hjulmand, tal o equilíbrio performativo entre ambos.
Luís Esteves foi o pensador de jogo do Gil Vicente, Alan Varela foi uma das plataformas giratórias do campeão nacional, contribuindo com simplicidade para quebrar a primeira linha de pressão dos adversários, e Mathias de Amorim melhorou a olhos vistos, evidenciando qualidade, no mínimo, para um grande português.

Médio Centro: Esta foi a Liga dele. Victor Froholdt chegou do Copenhaga a troco de 20 milhões de euros, e hoje vale certamente o triplo. O dinamarquês de 20 aninhos e 1,87m, simultaneamente o nosso Jogador do Ano e Jovem Jogador do Ano, algo que só acontecera aqui no BPF uma vez (Pedro Gonçalves em 20/21), correu, correu e correu. Mas mais do que correr muito, correu bem. Peça-chave na ideia de Farioli, Froholdt deu corpo às melhores facetas do ADN portista e, qual miúdo omnipresente, recuperou bolas, pressionou até à exaustão e galgou metros, transportando consigo o Porto em direção ao título. Quando ele começou a quebrar fisicamente, o Porto também deu sinais de quebrar, mas Farioli soube proteger o seu menino de ouro, descansando-o na Liga Europa sem o "rebentar" e assegurando assim uma reta final de campeonato com pleno fulgor.
Curiosamente, Santi García mostrou em Barcelos muitas das qualidades e caraterísticas que Froholdt exibiu no Dragão, e Gabri Veiga (pode dar muito mais na próxima época) fez a diferença na bola parada e, a espaços, com o seu recorte técnico diferenciado.
Leandro Barreiro correspondeu sempre ao que lhe foi pedido, em diversas funções no campo, e Taichi Fukui dificilmente continuará no Arouca. Uma palavra para Alex Amorim, jogador que seguramente estaria aqui se não se tivesse transferido para a Serie A a meio da época.
Extremo Direito: Disputado pelos rivais de Lisboa no final da época, tendo sido cativado pelo projeto do Sporting, o uruguaio Rodrigo Zalazar foi um dos jogadores realmente entusiasmantes nesta edição. Autor de 16 golos e 5 assistências, o craque do Braga fez mais do que suficiente para integrar a nossa shortlist de candidatos a Jogador do Ano, brilhando com golaços, com pormenores de levantar o estádio e de fazer os defesas rogarem-lhe pragas. Aos 26 anos está na plenitude das suas faculdades e reúne todos os ingredientes para ser um dos nomes fortes da edição de 26/27.
André Luiz só durou meia época, mas deixou marcas com seu drible e a ótima sintonia com Clayton, Murilo chegou aos 11 golos no Gil, Diogo Travassos fez a diferença como extremo direito e nas duas laterais, e Figueiredo foi o mais esclarecido dos criativos do Alverca, quando a lógica até fazia exigir-se mais de Chiquinho e Lincoln.

Extremo Esquerdo: Como ponto prévio, Andreas Schjelderup foi o jogador que mais nos deixou babados na segunda volta do campeonato, explodindo com a entrada em 2026. O norueguês (7 golos e 5 assistências) foi o melhor jogador do Benfica em inúmeros jogos, tendo a sua vida mudado quando bisou no 4-2 ao Real Madrid (28 de Janeiro), altura em que o clube da Luz equacionava vendê-lo ao Club Brugge. Queríamos muito ter Schjelderup no 11 do Ano, especialmente porque é fácil imaginar que os relvados portugueses não o tenham a espalhar vertigem e irreverência na próxima época, mas não pudemos ser injustos com Ricardo Horta. O melhor jogador da História do Braga voltou a juntar números (14 golos e 4 assistências) à participação em vários golos candidatos a melhor do ano, formando ótimo tridente ofensivo com Zalazar e Pau Víctor.
Mesmo em défice físico, Pedro Gonçalves somou 21 participações em golos, João Carvalho (tinha facilmente lugar como suplente em qualquer um dos 3 grandes) foi um dos reis das assistências, e a aparição do super promissor Oskar Pietuszewski também merece ser considerada. Diamante polaco de 18 anos, é no mínimo um dos principais candidatos a Jovem Jogador do Ano em 2026/ 27.

Segundo Avançado / Avançado: Entre avançados com mestria em baixar para vir buscar jogo, ligando a equipa, e médios ofensivos visionários, a dúvida desta edição seria sempre entre Francisco Trincão e Vangelis Pavlidis. O grego do Benfica foi o 2º melhor marcador da Liga (22 golos) mas sai prejudicado pela reta final, diminuindo o seu rendimento a partir do momento em que Rafa chegou à Luz, e acabando inclusive abaixo de Ivanovic na hierarquia num par de jogos. É curioso o exercício de análise temporal de Pavlidis: incrível no somatório da 2ª metade de 24/25 e 1ª metade desta edição, e bem menos convincente na junção da 1ª metade de 24/25 com a segunda volta deste campeonato. A escolha recai assim em Francisco Trincão, senhor de 11 assistências e 86 oportunidades criadas (para se ter noção, Luís Esteves e Aursnes, os jogadores seguintes nessa métrica, tiveram 57 e 56). Num Sporting que encheu o olho com bom futebol, Trincão foi sistematicamente o epicentro criativo; e num Sporting fustigado com lesões, foi positivo o craque português "sobreviver" sempre, embora seja impossível negar que foi espremido para lá do limite.
De resto, Yanis Begraoui somou 20 golos, uma marca espetacular para um jogador fora dos "3 grandes". Pau Víctor foi bem mais do que os números que somou, ajudando sobretudo a desbloquear o melhor futebol de Horta e Zalazar, e Gustavo Sá (exemplar a forma como resistiu ao assédio saudita e permaneceu no seu Famalicão) tem mesmo que dar o salto, quiçá para o seu Porto, continuando a poder ser trabalhado e especializado em várias posições.
Ponta de Lança: Nos dois anos anteriores, Gyökeres marcou 29 e 39 golos. Luis Suárez ficou-se pelos 28, sagrando-se ainda assim de forma folgada o melhor marcador desta Liga. Irrequieto, determinado e sempre muito rematador, o colombiano foi uma aposta ganha. A esmagadora maioria dos clubes viria ladeira abaixo ao ter que substituir um fenómeno como Gyökeres, mas Suárez - sem ter o impacto individual do sueco - correspondeu e contribuiu para um ataque coordenado, criativo e com muita variabilidade de soluções.
Chuchu Ramírez (18 golos) deixou para trás a má experiência em Guimarães, percebendo que é na Madeira que consegue soltar o melhor de si, Pablo destacou-se tanto que o West Ham não resistiu e pagou 23 milhões por ele, Samu (não é a peça certa para a dinâmica ideal do ataque do Porto) marcou vários golos até à sua lesão, e Clayton voltou a provar que era um dos pontas de lança de topo em Portugal, saindo com o seu amigo André Luiz para o Olympiacos.

Depois de 2 anos do sueco Viktor, o primeiro ano do dinamarquês Victor Froholdt. Ao contrário de outras épocas em que alguns craques deixaram a concorrência a anos-luz (Gyökeres, Bruno Fernandes ou Jonas foram disso exemplo), desta vez o equilíbrio foi maior, permitindo maior debate sobre quem foi efetivamente o Jogador do Ano. Escolher Froholdt significa, também, identificar os pontos fortes deste Porto de Farioli - a capacidade física, o foco em ganhar cada bola e cada duelo, a auto-confiança, o condão de impedir o adversário de soltar o seu futebol, e o estofo para dizer presente nos momentos decisivos, com a personalidade que distingue os craques dos restantes.
Nos nossos 6 candidatos poderiam figurar Ricardo Horta, Maxi Araújo, Hjulmand, Diogo Costa, Aursnes, Schjelderup ou Pavlidis mas optámos por premiar os muitos golos de Luis Suárez, a dupla polaca Jan Bednarek e Jakub Kiwior, e os criativos que mais nos encantaram, Rodrigo Zalazar e Francisco Trincão.
Álvaro Carreras (2025), João Neves (2024), Gonçalo Ramos (2023), Vitinha (2022), Pedro Gonçalves (2021), Marcus Edwards (2020), João Félix (2019), Rúben Dias (2018), Gelson Martins (2017), Renato Sanches (2016), Óliver Torres (2015) e William Carvalho (2014). Foram estes os antepassados de Victor Froholdt nas escolhas anuais do Barba Por Fazer.
Num ano em que Rodrigo Mora (o sacrifício do seu talento foi, aparentemente, o preço a pagar para o Porto ter sucesso com a fórmula de Farioli) partia com algum favoritismo, foi o seu colega de equipa oriundo do Copenhaga a sobressair. Torcemos para que possamos continuar a ver na próxima época Andreas Schjelderup por cá, mantendo o nível destes últimos 5 meses; e Oskar Pietuszewski assume desde já uma das posições dianteiras para a candidatura a Jovem Jogador do Ano 2026/ 27.
Sem esquecer Alex Amorim, Gustavo Sá, Martim Fernandes e Prestianni, o nosso Top6 deste ano fica completo com Pablo, o centralão Ibrahima Ba e o requintado Mathias de Amorim.
Treinador do Ano: À terceira, André Villas-Boas acertou em cheio. Sucessor de Vítor Bruno e Anselmi, o italiano Francesco Farioli foi uma das figuras do futebol português, assimilando rapidamente o que é o FC Porto, e conseguindo esculpir e afinar uma equipa para vencer em Portugal. O Porto de Farioli defendeu melhor do que todas as outras equipas, e provou que com duas janelas de transferências excelentes, um grande português consegue não só recuperar o atraso para os outros como ultrapassá-los. Aos 37 anos, o antigo pupilo de De Zerbi mostrou no Dragão que aprendeu com a passagem por Amesterdão, e cremos que no próximo campeonato, mesmo perdendo alguns jogadores-chave, Farioli conseguirá construir uma equipa mais forte, e ofensivamente mais implacável.
Equacionámos Tiago Margarido e Custódio Castro para o nosso leque de treinadores do ano, mas acabámos por preferir o belo futebol do Gil Vicente de César Peixoto (muito astuto a definir o perfil de jogadores que pretende para cada posição, e corajoso no que pede aos seus médios), a overperformance do Moreirense de Vasco Botelho da Costa (mais tarde ou mais cedo estará num grande), o ótimo trabalhado continuado por Hugo Oliveira na estável fábrica de talentos de Famalicão, e apesar de Rui Borges ter falhado - principalmente nas substituições e na gestão física do seu plantel entre as várias competições - não dá para ignorar que o seu Sporting foi a equipa que praticou o futebol mais tecnicista em Portugal, causando enormes dificuldades aos adversários pelo manancial de soluções quer por fora quer por dentro. E isso, além de traduzir a boa química entre os jogadores, também revela dedo de treinador, quer queiramos quer não.
Melhor Marcador: 1. Luis Suárez (Sporting) - 28
2. Vangelis Pavlidis (Benfica) - 22
3. Yanis Begraoui (Estoril) - 20
Melhor Assistente: 1. Francisco Trincão (Sporting) e João Carvalho (Estoril) - 11
3. Alberto Costa (FC Porto), Gabri Veiga (FC Porto), Pedro Gonçalves (Sporting), Luís Esteves (Gil Vicente) e Jérémy Livolant (Casa Pia) - 8
Clube-Sensação: Gil Vicente
Desilusão: Benfica
Most Improved Player: 1. Yanis Begraoui, 2. Pablo, 3. Santi García
Reforço do Ano: Victor Froholdt (FC Porto)
Flop do Ano: Dodi Lukebakio (Benfica)
Melhor Golo: Rodrigo Zalazar
(AFS 0 - 4 Braga) (
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