8 de janeiro de 2018

As Melhores Séries de 2017


Distinguidas as melhores novidades (personagens e séries estreadas em 2017), é altura de subir a fasquia e colocar todas as séries em pé de igualdade.
    Embora pouco exuberante no nível apresentado por séries novas, o último ano foi muito, muito forte para a televisão. Optámos por escolher as 20 séries que mais se destacaram em 2017, e como podem ver os oito primeiros lugares são ocupados por séries que viveram as suas segundas, terceiras, quartas e até sétimas temporadas.
    The Leftovers (HBO) e Halt and Catch Fire (AMC) despediram-se em definitivo, e no nosso Top, embora a Netflix seja quem mais séries tem entre os 10 primeiros classificados (5), o Top-4 divide-se entre USA, AMC, Netflix e HBO.
    Sem mais demoras, e antes de vos apresentarmos nos próximos dias, os melhores episódios que a televisão nos deu em 2017, fiquem a conhecer as nossas preferências.



1. Mr. Robot (USA), criado por Sam Esmail

    Sam Esmail é uma criatura especial, e a cada ano um melhor realizador. Depois de uma 2ª temporada que afastou alguns fãs, Mr. Robot disparou para o patamar ao qual só pertencem os melhores de sempre. Bobby Cannavale foi um interessante reforço na série mestre em construir personagens (em cada facção da tríade fsociety, E-Corp e Dark Army estão personagens brutais) e criar ilusões. Em 2017, nenhuma outra série teve tantos episódios geniais (_kill-pr0cess.inc, shutdown -r, _runtime-err0r.r00, sobretudo).
    Raramente nos faltam as palavras, mas Mr. Robot teve esse condão. Foi perfeita.

2. Better Call Saul (AMC), criado por Vince Gilligan e Peter Gould

    Numa época em que tantas vezes se cai no exagero fácil, a terceira temporada de Better Call Saul é digna de ser considerada uma obra-prima. Esta ilha no actual panorama televisivo, depois de tanto tempo e paciência a construir, gerou uma destruição e colapso muito mais doloroso por isso mesmo.
    Cada vez com mais semelhanças em relação ao irmão mais velho, Breaking Bad (a nossa série favorita de todos os tempos, mais preocupada em entreter do que BCS), do que a primeira vista parece indicar, Vince Gilligan fez-nos navegar num mar cinzento, oferecendo um retrato perfeito e subtil das invejas e frustrações dos irmãos McGill. Em suma, um poema visual, uma cinematografia sem concorrência e uma exposição refinada e contida.
    Michael McKean como Chuck merecia tudo, e o tempo dará à sua personagem o reconhecimento e a eternidade que os prémios não deram.

3. Master of None (Netflix)criado por Aziz Ansari e Alan Yang

    Com muita Itália no cardápio, Aziz Ansari fez da segunda temporada de Master of None um ensaio sobre relações para falar subtilmente sobre solidão. A melhor série da Netflix em 2017, pontuada por várias decisões corajosas, mascarou o desespero e o cansaço emocional numa mistura de sabores e numa relação semi-platónica. E, sem ser pretensiosa, explorou quem somos e quem queremos ser. Com a simplicidade e honestidade de quem já passou por tudo o que coloca no ecrã.
    E sim, apaixonámo-nos por Francesca (Alessandra Mastronardi).

4. The Leftovers (HBO)criado por Damon Lindelof e Tom Perrotta

    O desafio deixado pela obra-prima de Lindelof foi evidente: conseguiremos nós espectadores, desta vez nós, seguir em frente e lidar com a perda de uma série assim? Ao longo de três temporadas, The Leftovers amadureceu numa caminhada entre a fé e o cepticismo, o bizarro e o profundo, a realidade e a ficção.
    Gigante injustiça Carrie Coon não ter vencido os prémios que merecia (ou seja, todos) com a sua Nora Cursed

5. Narcos (Netflix), criado por Carlo Bernard, Doug Miro e Chris Brancato

    Contra todas as probabilidades. Depois de duas temporadas em que Wagner Moura sugou todas as atenções e elogios para si, Narcos disse adeus ao seu protagonista e ao seu antagonista... e o resultado foi a melhor temporada até à data. Com momentos de tensão que não deixam ninguém respirar e que forçam o consumo compulsivo da série, esta temporada teve a magia de se assemelhar a The Wire pela capacidade de mostrar toda a teia, todo o jogo.
    Todas as personagens foram valorizadas, com importância e o seu espaço. Destaque especial para Jorge Salcedo (Matias Varela) e para a brilhante contribuição do português Pêpê Rapazote.

6. Halt and Catch Fire (AMC), criado por Christopher Cantwell e Christopher C. Rogers

    É bom quando uma série se despede em grande. Foi o caso de Halt and Catch Fire que, na sua temporada final, alcançou um nível nunca antes visto. A melhor série entre aquelas que ninguém viu triunfou ao transformar-se e evoluir, tal como o período que homenageou. Mas brilhou ao explorar algo improvável e pouco frequente: o falhanço. Dedicada aos revolucionários invisíveis, deixou à vista de todos o brutal nível do elenco - Mackenzie Davis, Kerry Bishé, Lee Pace e Scoot McNairy estiveram num nível imaculado.

7. BoJack Horseman (Netflix)criado por Raphael Bob-Waksberg

    E se uma série de animação com um cavalo como protagonista conseguisse ser uma das séries mais humanas e emocionalmente mais devastadoras da actualidade? Na quarta temporada, o incrível, ousado, cínico e satirizante exame à consciência e natureza humanas manteve o niilismo e o tom depressivo, mas ofereceu finalmente uma luz ao fundo do túnel para BoJack.
    Com um dos melhores retratos de doença mental no seu episódio "Time's Arrow", BoJack continua a revolucionar a animação e desta vez recomenda uma segunda visualização global, por nem levar o espectador a suspeitar do twist final que muda muita coisa.


8. Game of Thrones (HBO)criado por David Benioff e D. B. Weiss

    A série mais popular da actualidade manteve-se um fenómeno de audiências e de múltiplas teorias entre cada fim-de-semana. Os sete episódios transpareceram uma escrita preguiçosa (impossível não acontecer com a ampulheta a ter cada vez menos areia para verter, sendo esquisito para o espectador ver personagens a atravessarem de um episódio para outro distâncias que até aqui demoravam vários episódios ou temporadas).
    Não obstante, a super-produção voltou a dar-nos episódios do outro mundo ("Spoils of War") e a deixar os fãs com o coração na boca em vários momentos. Em 2018 não há GoT, que voltará certamente em modo locomotiva em 2019.


9. Mindhunter (Netflix)criado por Joe Penhall

    A melhor série estreada em 2017 a surgir neste TOP-20 não nos encheu por completo as medidas. Mindhunter teve alguns subplots desnecessários (não era preciso tanto tempo dedicado à relação de Holden Ford com a namorada), mas naquilo em que foi bom, foi muito bom. Não é todos os anos que temos a sorte de assistir a quatro episódios (1, 2, 9 e 10) realizados pelo perfeccionista David Fincher; a dinâmica entre Ford e Tench está bem construída, e a super-prestação de Cameron Britton como Ed Kemper tem um peso bastante significativo na percepção global da série. 

10. Dark (Netflix), criado por Baran bo Odar e Jantje Friese

    A germânica Dark foi uma das assinaláveis novidades de 2017. Com uma narrativa cruzada, distribuída entre três períodos de tempo (2019, 1986 e 1953) revelou tremenda ambição na vastidão de personagens que fez questão de apresentar. Este puzzle sobrenatural, bem interligado e mais intrigante a cada episódio que passa contará connosco nos próximos anos.

11. Big Little Lies (HBO)criado por David E. Kelley

    Querem retirar o melhor possível de um actor? Coloquem Jean-Marc Vallée atrás da câmara. Depois de "espremer" Matthew McConaughey em Dallas Buyers Club, Reese Whiterspoon em Wild e, até certo ponto, Jake Gyllenhaal no menosprezado Demolition, Vallée - que realizou todos os sete episódios desta primeira temporada de Big Little Lies - viu Nicole Kidman como há muito não a víamos, com Alexander Skarsgard, Whiterspoon e Shailene Woodley abaixo, mas num nível muito forte.
    Ao contrário de 13 Reasons Why, a renovação - a série da HBO estava inicialmente pensada como mini-série limitada - não nos faz confusão. Mas temos pena que Jean-Marc Vallée não continue ligado.

12. Legion (FX), criado por Noah Hawley

    De génio e de louco todos temos um pouco. Mas Legion tem de ambos altas doses. Depois de bem-sucedido com Fargo, Noah Hawley virou-se para as bandas desenhadas e, numa época em que Daredevil tem imposto o tom das séries Marvel-Netflix, foi bom conhecermos uma fórmula absolutamente revolucionária e arriscada na parceria Marvel-FX.
    Os incríveis papéis de Aubrey Plaza e Dan Stevens foram a cereja no topo do bolo. E a banda sonora de Jeff Russo, inspirada no inigualável álbum "The Dark Side of the Moon" dos Pink Floyd, serviu de complemento perfeito para um puzzle nunca antes visto, embora feito com as mesmas peças de sempre.

13. The Deuce (HBO)criado por David Simon e George Pelecanos

O legítimo herdeiro de The Wire, embora a anos-luz da série de Omar Little, Jimmy McNulty, Stringer Bell, Bubbles e companhia, revelou-se logo na primeira temporada material requintado e maduro. Ou não estivéssemos a falar de David Simon, um dos nomes mais conceituados a escrever para televisão. Não ficámos fãs dos gémeos interpretados por James Franco, mas Maggie Gyllenhaal (que papelão!), Gary Carr, Margarita Levieva, Emily Meade e repetentes com Simon como Lawrence Gilliard Jr. e Dominique Fishback fizeram de The Deuce uma série sólida e com potencial. PS.: A interacção entre Candy (Gyllenhaal) e Rodney (Method Man) no quinto "What Kind of Bad?" devia ser mostrado em aulas para actores.

14. The Handmaid's Tale (Hulu)criado por Bruce Miller

    Vencedora de 8 emmys, The Handmaid's Tale surgiu no momento certo quando pensamos no actual momento político e sociocultural norte-americano. Margaret Atwood estará orgulhosa com o retrato do seu futuro não-tão-distante, com a outrora directora de fotografia Reed Morano a elevar a fasquia na realização, excelentes interpretações (Elisabeth Moss e Yvonne Strahoviski à cabeça), podendo do ponto de vista do argumento ser superior.

15. Black Mirror (Netflix)criado por Charlie Brooker

    À quarta vez que Charlie Brooker nos ofereceu contos perturbadores com a tecnologia como arma para, ao visitar o futuro, nos fazer reflectir sobre o presente, Black Mirror teve altos e baixos. Não tendo um "San Junipero" como na temporada anterior, a série que a Netflix importou do Channel 4 deixou boas memórias graças a "Hang the DJ", "USS Callister" e "Black Museum". Os restantes três episódios pouco ou nada acrescentaram às nossas vidas.

16. Stranger Things (Netflix), criado por The Duffer Brothers

    Quando Stranger Things estreou em 2016, impressionou-nos mas não nos levou ao céu como a tantos espectadores. A alguns pelo notável saudosismo de vários elementos da cultura pop dos anos 80, a outros porque virou moda.
    A segunda temporada manteve o nível da primeira, desenvolvendo personagens (a dupla Steve e Dustin é capaz de ser o bromance de 2017) e tornando a criação dos irmãos Duffer cada vez mais uma espécie própria entregue a uma fórmula cada vez mais sua.


17. Rick and Morty (Adult Swim)criado por Justin Roiland e Dan Harmon

    É bastante difícil escolher hoje em dia qual a melhor série de animação: Rick and Morty ou BoJack Horseman. Deprimentes, filosóficas, ambiciosas, humanas e existencialistas. Depois de uma espera de dois anos, os fãs puderam ficar de barriga quase cheia. Se por acaso a série de Roiland e Harmon tivesse capitalizado sobre o brilhantismo de "The Ricklantis Mixup" (não é por acaso que tem 9.9 no IMDb, acreditem), não teríamos ficado com a sensação de um clímax demasiado cedo. Problema: a série do Adult Swim só deve regressar em 2019.


18. The Punisher (Netflix)criado por Steve Lightfoot

    Não chegou ao nível de Daredevil, e mesmo Jessica Jones foi mais consistente como um todo. A estreia a solo de Jon Bernthal como Frank Castle teve episódios a mais, mas perto do fim os episódios "Home" e "Memento Mori" e aquele shot final, perdido sem uma guerra para o ocupar, justifica perfeitamente a sua presença aqui. No geral, melhor quando vimos Frank Castle, pior quando vimos Pete Castiglione.

19. Patriot (Amazon), criado por Steven Conrad

    A Amazon, que algures nos próximos anos estreará a série de The Lord of the Rings, teve o mérito de acreditar em Patriot, renovando inclusive a série, que passou ao lado para muita gente. Steve Conrad, o argumentista de The Pursuit of Happyness e The Secret Life of Walter Mitty, teve liberdade para criar um universo sui generis, repleto de humor negro (tão bom, por exemplo, aquele pedra, papel ou tesoura a meio de um momento tenso) que tanto faz lembrar os Coen como Wes Anderson.
    E Michael Dorman fez de John Tavner uma personagem incrível: um agente infiltrado, incompetente no seu local de trabalho que serve como máscara, e que não aguenta mais as suas obrigações, descomprimindo nas canções folk que compõe e nos longos passeios suicidas de bicicleta.

20. Godless (Netflix), criado por Scott Frank

    Entre as nossas 20 escolhas, Godless é a única mini-série limitada. Big Little Lies também nasceu com esse rótulo, mas o sucesso levou a HBO a prolongar a vida da série produzida e protagonizada por Reese Whiterspoon e Nicole Kidman.
    É com alguma pena que deixamos de fora GLOW, Preacher e American Vandal, mas o western escrito e realizado por Scott Frank, com Steven Soderbergh envolvido na produção, apresentou-se conciso na narrativa, valorizando todos os membros do elenco (destaque sobretudo para Jeff Daniels, Merritt Wever, Jack O'Connell e Michelle Dockery).

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