Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

21 de abril de 2015

Revisão: 'Daredevil'

Criado por
Drew Goddard

Elenco
Charlie Cox, Vincent D'Onofrio, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Vondie Curtis-Hall, Rosario Dawson, Ayelet Zurer

Canal: Netflix

Classificação IMDb: 8.8 | Metascore: 75 | RottenTomatoes: 98%
Classificação Barba Por Fazer: 85


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 
A História: 
    Os super-heróis estão para ficar na televisão. A "guerra" Marvel-DC já leva algum tempo no grande ecrã (com vantagem para a DC Comics graças ao trabalho de Christopher Nolan na trilogia 'The Dark Knight') e nos últimos tempos as séries têm-se tornado a nova casa dos heróis e vilões das bandas desenhadas. Para além de séries antigas ('Smallville' terá sido a mais recente), pode-se considerar que a competição ganhou vida a partir do momento em que a CW estreou 'Arrow'. As aventuras de Oliver Queen continuam a ser sinónimo de consistência e qualidade no género, mais cativantes do que 'The Flash', que a mesma rede televisiva lançou no ano passado.
    Pois bem, a Marvel já tinha 'Agents of S.H.I.E.L.D.' mas agora, com o cunho especial e único que as produções da Netflix têm, recuperou Daredevil. Longe vai o ano de 2003 quando Ben Affleck foi Matt Murdock num filme fraquinho e fácil de esquecer. Charlie Cox dá 40 a zero a Affleck na pele do super-herói cego que encontra "outras formas de ver", mas o mais importante é que este 'Daredevil' é o projecto mais maduro e negro do género na televisão. Já foi comparado a 'The Wire', teve cenas associadas ao clássico sul-coreano 'Oldboy' e a 'True Detective' mas é preciso não entrar em comparações descabidas - 'Daredevil' é bom, isso é, e passo a explicar porquê.
    Os fãs de BD's irão venerar este 'Daredevil' mas também quem não seja fanático poderá gostar graças à sua abordagem humana e terra-a-terra. Durante 12 episódios e meio, Matt Murdock (Charlie Cox) veste apenas roupas escuras e uma venda (se não fosse o respeito pela banda desenhada, seria melhor ficar sempre assim), não precisando de fatos típicos de super-herói, e o facto de acompanharmos a ascensão simultânea do herói e do vilão Wilson Fisk (Vincent D'Onofrio) dá-nos uma nova perspectiva. No entanto, a série criada por Drew Goddard e assumida depois por Steven S. DeKnight afasta-se de algumas práticas recorrentes quando se inicia o conto de um super-herói. 'Marvel's Daredevil' fica-se pelas ruas, não sobe aos céus, e não se coíbe de mostrar sangue, acabando por ser quase um filme de 13 horas e não uma série com 13 episódios.
    Apenas com alguns flashbacks rumo à infância de Matt Murdoch e de Wilson Fisk, 'Daredevil' arranca a partir do momento em que Matt e o seu melhor amigo Foggy Nelson (Elden Henson) abrem a sua firma de advogados, e cresce a partir daí, envolvendo poucas mas boas personagens e opondo Matt, a querer defender a sua cidade, e Fisk a querer renovar a cidade de acordo com as suas ideias. Um dos vários factores que faz com que 'Daredevil' resulte é o elenco. Quando se atrai Vincent D'Onofrio para uma série é porque a coisa é capaz de ser prometedora, e todos os actores parecem escolhidos a dedo, sendo que o britânico Charlie Cox passa perfeitamente por americano e a ascensão de Matt Murdock é interessante, porventura com umas influências do que Nolan e Bale fizeram com Batman.
    As sequências de combate são brutais (o episódio 9 é exemplo disso) e magnificamente coreografadas (ai aquele fim do 2.º episódio...), os crimes são progressivos e não são megalómanos, a Realização e a Fotografia são acima da média, a melodia do genérico é apelativa, há tensão por todos os lados e tudo parece real. E talvez isso seja significativo numa série sobre um super-herói da Marvel.
    
A Personagem: Wilson Fisk (Vincent D'Onofrio).
    O brutal Wilson Fisk, popularizado como Kingpin no universo Marvel, é o grande destaque desta temporada. É tão raro ver uma abordagem assim para um antagonista hoje em dia.. A história de amor que existe em 'Daredevil' é a do vilão, o que nos mostra 2 coisas - que é um vilão capaz de amar e, mais importante, que alguém é capaz de o amar. Sim, porque até Hitler tinha Eva Braun. Para além disto, 'Daredevil' ensina a 'Arrow' ou 'The Flash' que por vezes não é preciso rodar episódio a episódio as ameaças existentes, sendo preferível aprofundar um "mau" como acontecia quando éramos miúdos (quantas horas é que o Son GoKu lutou com o Freeza?) nos desenhos animados.
    Não é aquele vilão ao lado do qual queremos estar (no 8.º episódio 'Shadows in the Glass' visitamos o seu passado e vemos a ténue fronteira entre a criança meiga e o monstro em ebulição) mas há parte de nós que pede que Daredevil não o mate. É excelente também o facto de Wilson Fisk, tanto para a audiência como para Matt Murdoch, demorar uns episódios a ganhar corpo, e é ele que nos demonstra pela 1.ª vez quão brutal e sangrenta é a série.

O Episódio: 13 'Daredevil'.
    Os dois primeiros episódios são bastante bons (sobretudo o final do segundo com a sequência de 5 minutos no corredor que já se tornou viral entre os fãs, e que merece destaque não só pela criatividade com que foi realizada mas pela sinceridade física do combate), 'In the Blood' (04) e 'Shadows in the Glass' (08) são fundamentais no trajecto de Fisk, 'Speak of the Devil' (09) tem uma sangrenta luta entre Daredevil e Nobu; mas o último episódio, para além de ser um culminar, faz justiça à temporada. Um dos pontos altos é a história do bom samaritano de Wilson Fisk na carrinha do FBI. 

O Futuro: 
    O plano da Marvel, em cooperação com a Netflix, parece ser apostar ainda nas storylines de Jessica Jones, Iron Fist e Luke Cage e juntá-los numa mini-série ('The Defenders'). De qualquer modo, Charlie Cox como Daredevil merece mais temporadas (ainda há por exemplo Bullseye e Elektra como personagens-ícone ligados ao diabo de Hell's Kitchen) e não é impossível, analisando a transição de Agent Carter do Cinema para a Televisão, que Matt Murdock faça o caminho inverso.

20 de abril de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 47



Filme: Juno
Actriz: Ellen Page

por Miguel Pontares

Nem só de uma boa banda sonora se faz o fresco, descontraído, cómico e feminista (Vanessa, If you're still in, I'm still in) 'Juno'.
    Juno MacGuff é uma jovem adolescente de 16 anos que descobre que está grávida do seu "namorado" Paulie Bleeker (Michael Cera). Eu sei, é chocante imaginar que o Michael Cera com aquela cara seria capaz de engravidar alguém... Camada a camada, vou desconstruir a rapariga que quando questionada "Quanto tempo falta?" pensa que se estão a referir ao fim do secundário e não ao fim da gravidez.
    Para além de todas as suas decisões e da forma madura como progressivamente encara a gravidez - refuta o seu instinto inicial de abortar e mais tarde procura encontrar o casal certo para adoptar o seu futuro filho -, há muita coisa na personagem de Ellen Page que a torna inesquecível. É impossível não criar empatia com ela. Primeiro, pela extrema naturalidade que Page emana, e depois pela personalidade de Juno - o sarcasmo no ponto, sem problemas em dizer o que pensa, sem se importar com o que pensam dela, como se vivesse num mundo aparte, um mundo sem governo mas do qual ela seria rainha na mesma.
    Mas ela não é de um mundo aparte. É deste. E nesta realidade, Juno lida com assuntos acima do nível de maturidade esperado para a sua idade, mantendo ao mesmo tempo um sentido de humor único e próprio - como exemplo, diz a dada altura ao casal que pretende adoptar o seu filho que talvez fosse melhor eles irem buscar a criança à China, uma vez que lá provavelmente dão os miúdos como se fossem iPods, distribuindo-os com aqueles aparelhos que disparam t-shirts nos estádios.
    'Juno', o melhor de Jason Reitman até agora e escrito pela polémica Diablo Cody, enquadra-se naquela classe de filmes honestos e simples como '500 Days of Summer' e 'Silver Linings Playbook' e a sua força deve-se 90% à personagem principal. Juno MacGuff é aquela rapariga capaz de baixar a guarda a qualquer rapaz, facilitando a interacção e a amizade; é fonte de carisma com episódios de vulnerabilidade (I just need to know that it's possible that two people can stay happy together forever). Não é hipster, é indie, alternativa. É uma canção dos The Moldy Peaches que ganhou vida.
    E sim, a cereja no topo do bolo é o seu bom gosto musical (mérito de Ellen Page que acrescentou os The Moldy Peaches e Cat Power à banda sonora).
    Nestas 100 personagens, esta vale por 2 ou não fosse ela a única personagem grávida. E só isso já chegaria para fazer dela alguém especial. 


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

19 de abril de 2015

Revisão: 'Bloodline'

Criado por
Glenn Kessler, Todd A. Kessler, Daniel Zelman

Elenco
Kyle Chandler, Ben Mendelsohn, Linda Cardellini, Norbert Leo Butz, Sissy Spacek, Chloë Sevigny, Sam Shepard

Canal: Netflix

Classificação IMDb: 8.2 | Metascore: 75 | RottenTomatoes: 80%
Classificação Barba Por Fazer: 78


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 
A História: 
    Depois de 'House of Cards' e 'Orange is the New Black' (há quem a considere Comédia), 'Bloodline' é o novo tesourinho dramático e original da Netflix. Para quem conhece 'How to Get Away with Murder', peguem no mesmo ponto de partida - um crime inicial que nos é relatado, embora se torne depois um ponto de chegada da narrativa - e acrescentem-lhe um tom mais negro, as relações entre as personagens trabalhadas de uma forma mais intensa e melhores interpretações por parte do elenco.
    'Bloodline' é um drama puro que explora a noção de família melhor do que a esmagadora maioria das séries. Sob o mote We're not bad people, but we did a bad thing, a série foca-se na família Rayburn e no seu passado por resolver. Os Rayburn têm uma unidade hoteleira nas paradisíacas Florida Keys e tudo está bem: os pais Sally e Robert e os filhos John (Kyle Chandler), o xerife local, Meg (Linda Cardellini) e Kevin (Norbert Leo Butz) vivem pacatamente até à chegada do filho/ irmão mais velho, Danny (Ben Mendelsohn), a "ovelha negra" da família que transporta consigo um passado irreparável e que, sempre errático, é claramente o mais perturbado e menos estável dos Rayburn.
    Ao longo de uma temporada fragmentada em 13 partes (demora a "aquecer" um pouco nos primeiros episódios), os criadores de 'Bloodline' dão-nos a conhecer o passado da família em flashbacks (bem escolhidos os actores jovens) e a história desenrola-se de uma forma contagiante e intrigante que nos agarra cedo e que "explode" nos episódios finais. Alguns diálogos serão morosos e exigentes para um tipo de espectadores habituados a séries mais suaves e fáceis de mastigar, mas a Netflix tem em 'Bloodline' uma família rica em conteúdo e cujas aparências iludem, e captando a essência da dinâmica familiar e dos laços entre as várias personagens como poucas séries conseguem. Sem filtros, estamos perante um drama familiar cujas camadas vamos desvendando à medida que os episódios passam e a série convida-nos a escolher um lado, para além de mostrar as rivalidades e as palavras silenciosas que caracterizam muitas famílias.
    Para uma fracção da audiência um dos motivos atractivos de 'Bloodline' era o regresso de Kyle Chandler (outrora em 'Friday Night Lights') ao panorama televisivo, mas é o irmão mais velho, interpretado por Ben Mendelsohn, que torna a série e esta 1.ª temporada especiais. Basicamente, enquanto que John, xerife na comunidade mas também de certo modo na família, procura sempre ser o ponto de equilíbrio dos Rayburn, Danny é quem agita as coisas e traz à tona mentiras e sentimentos de culpa reprimidos.
    Com drogas, crime e uma escrita de excelência combinada com um elenco bem escolhido, 'Bloodline' não vos vai sair da cabeça, embora seja - neste caso específico e dadas algumas variáveis - bastante difícil que a próxima temporada seja superior a esta.
    
A Personagem: Danny Rayburn (Ben Mendelsohn).
    Que actor! Ben Mendelsohn, embora já com 46 anos, tem que ter o merecido crédito (nomeações e melhores papéis para filmes/ séries no futuro) depois de nos dar este Danny. A "ovelha negra" da família Rayburn é basicamente o maior motivo de interesse, para além de um conceito inteligente, bem escrito e bem trabalhado. Danny é aquela personagem que erra e erra mas que nos capta a atenção desde bem cedo, desejando que faça as escolhas certas ou que o compreendam. É aliás uma montanha russa autêntica - rouba ao restante elenco todas as cenas nas quais entra e alterna entre estados de vulnerabilidade com momentos em que até temos medo do que ele possa fazer. Claramente a personagem-chave da 1.ª temporada, e um clássico caso de amor/ ódio.

O Episódio: 12 'Part 12'.
    É verdade que é na 13.ª parte que todas as peças do puzzle ganham sentido, mas - principalmente para quem venere Danny Rayburn - o penúltimo episódio da temporada é o grande destaque. Há duas cenas que fazem o episódio, primeiro na confissão com todos à mesa (aquele grito de Danny a meio da sua exposição..) e finalmente à beira-mar com a relação entre John e Danny a ser levada ao limite.

O Futuro: 
    É tão raro uma temporada terminar, ser extraordinária, mas um "pequeno" factor fazer-nos duvidar da capacidade da segunda temporada manter o nível. A lógica impõe, tal como em 'How to Get Away with Murder' que na 2.ª temporada o objectivo seja manter o crime oculto. Apurar o que sabe Lenny Potts e a importância do jovem introduzido no fim do episódio 13 são duas das coisas em aberto, numa 2.ª temporada que pode não corresponder ao valor da 1.ª, mas devemos dar o benefício da dúvida a quem conseguiu brilhantemente criar 'Bloodline'.

18 de abril de 2015

Belenenses 0-2 Benfica: Ao colinho de Jonas

Belenenses    0 - 2   Benfica (Jonas 6', 60')

    Hoje no Restelo não foram de todo favas contadas. Grande atitude da equipa comandada por Jorge Simão a pressionar fortemente o líder do campeonato não o deixando sair a jogar. Todavia, do outro lado havia Jonas. E este voltou a decidir com uma classe e calma fora do normal.
    Os Belenenses não contaram com Rui Fonte e Miguel Rosa por opção e lesão, respectivamente. A razão deve-se pelos mesmos ainda estarem ligados ao Benfica. Rui Fonte encontra-se emprestado pelo clube da Luz, enquanto que Miguel Rosa encontra-se vendido ao clube da capital, mas com o Benfica a continuar a ter privilégios sob o passe do jogador (embora como referimos atrás, a razão comunicada tenha sido a lesão do jogador). Uma política defendida pelos azuis do Restelo e que já fez correr muita tinta pela imprensa. Dálcio e Pelé (supostamente adquiridos pelo Benfica) jogaram de início. Do lado das águias, Salvio foi baixa de última hora por lesão muscular pelo que jogou Ola John no seu lugar. André Almeida deu lugar ao castigado Maxi Pereira.
    Desde cedo que se notou uma intensidade muito grande no jogo quer dum lado, quer do outro. Uma intensidade que deu consequência a um jogo confuso, atabalhoado. E cedo surgiu o golo do Benfica, como tem sido imagem de marca. Pelé atrasou mal o esférico obrigando Ventura a sair-se da baliza e evitar que Lima ficasse isolado. Contudo, o corte foi parar aos pés de Jonas que com toda a calma tirou um adversário da frente e rematou para golo. Um tento muito idêntico ao que marcou frente ao Arouca. Se pensavam que o Belenenses viria abaixo com o golo madrugador, enganem-se. Com um jogo assumidamente ofensivo, com uma pressão alta, encostou o Benfica às cordas e era através de Carlos Martins com os seus remates de meia distância e na velocidade de Dálcio e Sturgeon que tentavam fazer frente a uma defesa impenetrável do Benfica (embora tenham havido algumas desconcentrações no eixo da mesma). Apesar do esforço colectivo da equipa da casa, só Carlos Martins conseguiu criar perigo num livre directo que culminou numa grande defesa de Júlio César.
    A segunda parte começou com um ritmo mais calmo que o da primeira... Mas começou da mesma maneira - com um golo cedo. Duas oportunidades, dois golos de Jonas. Gaitán a trabalhar bem na esquerda e a cruzar para Jonas. O brasileiro recebeu de peito e rematou forte fora do alcance de Ventura. É incrível esta fusão de classe com instinto matador de Jonas. O camisola 17 das águias já soma 16 golos na liga e parte para o clássico com o Porto com apenas menos um que Jackson Martinez. De ainda frisar - como curiosidade - que o brasileiro tem 16 tentos em apenas 22 jogos enquanto que o colombiano necessitou de 25 para fazer os seus 17. Com dois golos de vantagem, o Belenenses acabou por perder gás, mas Carlos Martins continuava a sua tentativa de mostrar a Jesus que ainda merecia estar entre as opções encarnadas. O médio usava e abusava da meia distância, enquanto que Dálcio tentava desequilibrar  no corredor direito - sem sucesso. Com o jogo controlado, Jorge Jesus foi retirando as suas estrelas que não poderiam ver amarelo (Samaris e Jonas) correndo o risco de não jogar contra o Porto. O jogo decisivo já está aí à porta e era inevitável que o treinador das águias não quisesse correr riscos. Ao cair do pano, Dálcio ainda obrigou Júlio César a uma defesa memorável... Filipe Ferreira assistiu e Dálcio desviou um cima do golo para uma defesa fantástica do internacional brasileiro.
    Não foi um jogo fácil, muito pelo contrário. O Benfica sofreu na pele a estratégia ousada de Jorge Simão e por vários momentos teve sob pressão. Contudo, duas oportunidades de Jonas deram dois golos ao Benfica e assim os 3 pontos que necessitavam para ir a jogo com o rival Porto sem uma pressão extra. O Porto tem ainda o jogo contra o Bayern a meio da semana e o resultado do mesmo pode condicionar os jogadores portistas quer física, quer mentalmente. 
    Quem levará a melhor no grande clássico?


Barba Por Fazer do Jogo:
 Jonas (Benfica)
Outros Destaques: Carlos Martins, Sturgeon, Dálcio; Gaitán, Jardel, Samaris.

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 48



Filme: No Country for Old Men
Actor: Javier Bardem

por Miguel Pontares

Definitivamente, o assassino com o pior corte de cabelo de sempre. E só isto chegaria para fazer dele uma personagem forte pela facilidade de se fixar no nosso imaginário.
     Criação literária de Cormac McCarthy, adaptado ao grande ecrã pelos irmãos Joel e Ethan Coen, Anton Chigurh enquadra-se naquele grupo de personagens das quais não precisamos de muitas cenas para perceber a sua qualidade, embora pouco percebamos realmente sobre ele. Muitas vezes sentimo-nos inexplicavelmente atraídos por antagonistas ou vilões pela simples vontade de compreender os motivos que fizeram alguém desviar-se do comportamento e dos valores ditos normais. Perceber e aceitar um herói não é complexo, o que torna muitos antagonistas interessantes graças a esse trajecto de declínio/ deterioração. Umas vezes uma sucessão de escolhas erradas, outras uma série de más influências.
    Anton Chigurh é, no entanto, um caso especial. É genuíno na sua assustadora forma de estar, um daqueles homens que apenas quer ver o mundo a arder (palavras de Alfred sobre Joker em 'The Dark Knight'), dando ares de Anjo da Morte. Conhecemos Chigurh de olhar vidrado enquanto estrangula um polícia e ao longo de 'No Country For Old Men' são várias as pessoas que ele mata mantendo-se fiel a uma espécie de código moral deturpado, e deixando o destino de uma ou doutra personagem ser decidido por uma moeda.
    Chigurh é estranhíssimo, desde a arma que usa à sua capacidade de interacção. É um assassino contratado, sem remorsos e compaixão. Javier Bardem enche as medidas acompanhado por Josh Brolin, Tommy Lee Jones e Woody Harrelson, sendo que o primeiro actor espanhol a ser nomeado pela Academia agradeceu, no seu discurso de aceitação do óscar de melhor actor secundário em 2007, aos irmãos Coen por terem sido loucos o suficiente para acreditarem que ele poderia interpretar aquela personagem e por lhe terem colocado o pior penteado da História na sua cabeça (Bardem chegou a gozar dizendo que graças àquele cabelo ninguém faria sexo com ele pelo menos nos 3 meses seguintes).
      Invulgar e único num estilo só seu, Anton Chigurh é uma verdadeira personagem em tudo aquilo que o define, e embora não saibamos nem as suas origens nem o seu futuro, para quem alguma vez teve dúvidas se ele mata ou não a mulher de Moss, basta repararem na forma como ele olha para as solas dos sapatos depois do seu encontro com ela, e terão aí a vossa resposta. 


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

16 de abril de 2015

Hazard, Alexis, Kane, De Gea, Coutinho e Diego Costa nomeados para Jogador do Ano

  Premier League - A Associação Profissional de Futebolistas em Inglaterra divulgou hoje a shortlist de 6 possíveis vencedores dos prémios de Jogador do Ano e Jovem Jogador do Ano.

   Depois de no ano passado Luis Suárez ter vencido o principal prémio, com Hazard a arrecadar a honra da juventude, desta vez o belga é precisamente o principal candidato a suceder a Luis Suárez e Gareth Bale.
    Na corrida para a distinção de Jogador do Ano estão então Eden Hazard (Chelsea), Alexis Sánchez (Arsenal), Harry Kane (Tottenham), David De Gea (Manchester United), Philippe Coutinho (Liverpool) e Diego Costa (Chelsea). Os candidatos a Jovem Jogador do Ano são praticamente os mesmos, constando Raheem Sterling (Liverpool) e Thibaut Courtois (Chelsea) nos lugares de Alexis e Costa, não elegíveis para essa categoria.
    O mais certo, e mais justo atendendo ao que aconteceu nas 32 jornadas já jogadas de Premier League, será Eden Hazard ser eleito o Jogador do Ano da PFA e pode dar-se o caso de - tal como Gareth Bale (12/ 13), Cristiano Ronaldo (06/ 07) e Andy Gray (76/ 77) - vencer em simultâneo os dois prémios. De qualquer forma, e até pela forma como em Inglaterra há actualmente um enorme respeito pelo crescimento de Harry Kane como jogador, o mais sensato será Hazard ser o Jogador e Kane o Jovem Jogador do Ano. Ganhando, Hazard tornar-se-á o 1.º jogador belga galardoado e apenas o segundo jogador do Chelsea (só John Terry ganhou em 2004/ 05) a ser distinguido.

    Abordando a justiça das nomeações, havia 4 jogadores que tinham que constar - Hazard, Alexis, Kane e De Gea - e os restantes dois lugares para Jogador do Ano acabariam por ter que ir parar a alguém entre Agüero, Silva, Diego Costa, Fàbregas, Henderson, Coutinho e Cazorla.
    A PFA considera passíveis de ser nomeados para Jovem Jogador do Ano elementos sub-23, o que gera sempre uma lista de créditos firmados e não um conjunto de jovens talentos. Com o actual critério Hazard e De Gea (no decorrer da época já completaram 24 anos) figuram, e talvez fosse primordial considerar outros elementos antes de Courtois (que é um dos melhores do mundo na sua posição isso não está em questão). Kane, Coutinho e Sterling são escolhas perfeitamente adequadas, mas - baixando a idade - poder-se-iam fazer acompanhar por exemplo por Berahino, Ings e Bellerín. Apenas uma nuance, mas que contornaria os procedimentos actuais que geram 2 listas quase iguais de Jogador e Jovem Jogador do Ano.

Revisão: 'House of Cards' (3.ª Temporada)

Criado por
Beau Willimon

Elenco
Kevin Spacey, Robin Wright, Michael Kelly, Elizabeth Marvel, Molly Parker, Mahershala Ali, Paul Sparks, Lars Mikkelsen

Canal: Netflix

Classificação IMDb: 9.0 | Metascore: 76 | RottenTomatoes: 77%
Classificação Barba Por Fazer: 77


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 
A História: 
    Depois da escalada rumo à vice-presidência (1.ª temporada) e à presidência (2.ª temporada) da Casa Branca, 'House of Cards' voltou com um novo desafio para Frank Underwood: manter-se presidente dos EUA.
    A série que explora os bastidores e jogos de influência da política norte-americana perdeu algum do seu poder no 3.º acto, não deixando ainda assim de aguçar a curiosidade para uma quarta temporada em 2016. Desta vez, embora de uma forma geral seja a menos forte (dizer "mais fraca" seria errado) de 3 seasons, Beau Willimon teve a inteligência de virar o tabuleiro e fazer com que Frank Underwood (Kevin Spacey) tenha praticamente tudo contra si, perdendo aliados e falhando em decisões capitais para o seu percurso. Esta temporada é um passo atrás para Underwood, até porque sabe que não há mais degraus para subir, mas um passo ao lado para Beau Willimon que embora introduza duas excelentes personagens (Heather Dunbar e Viktor Petrov), acaba por jogar mais ou menos pelo seguro. Não choca tanto, não marca tanto e fica a ideia de que o acontecimento com que encerra a season finale se poderia perfeitamente ter dado a meio desta temporada, tornando-a mais apetecível.
    O monstro político, estratega, sem piedade, manipulador e metódico Francis Underwood volta a criar o mesmo impacto gráfico de antes: se no arranque da segunda temporada todos ficámos de boca aberta no episódio que envolveu Zoe e a linha de metro; desta vez o início volta a repudiar, com Francis a urinar sobre a campa do seu pai. Ao longo de 13 capítulos (o formato de sucesso da Netflix), a 3.ª Temporada dedica-se essencialmente à luta de Frank para segurar o lugar apostando tudo no seu programa de empregos AmericaWorks, rivalizando com Heather Dunbar (introduzida no fim da 2.ª temporada ganha relevo, interpretada de forma poderosa por Elizabeth Marvel) e a sua "aliada" Jackie em campanha eleitoral. Fundamentais na construção de toda a acção são: o desejo de Claire Underwood em assumir lugar de destaque nas Nações Unidas, a recuperação do afastado Doug Stamper, a relação de Frank com Thomas Yates, um escritor contratado para promover o AmericaWorks de forma subliminar e finalmente as relações políticas entre os EUA e a Rússia, com o presidente Viktor Petrov a dominar por completo cada cena em que entra.
    Mais uma vez Beau Willimon consegue construir um mundo, espelho da realidade, em que se reflecte o impacto das relações pessoais entre figuras poderosas na vida dos cidadãos de um país inteiro. No conjunto, ou o binge-watch que 'House of Cards' permite passa a correr ou faria mais sentido algumas coisas avançarem mais já nesta temporada. Mas sem dúvida que o final de temporada nos deixa a querer mais e sem saber qual o rumo que as coisas irão tomar depois de uma cisão inesperada.
    
A Personagem: Claire Underwood (Robin Wright).
    As duas primeiras temporadas gritam Francis Underwood por todo o lado. Desta vez, e depois de ficar ao lado do marido naquela ambição imparável de duas pessoas que tudo têm em comum, Claire dá nesta 3.ª temporada um passo em frente. Assume o púlpito por várias vezes (Willimon e a sua equipa de argumentistas terão provavelmente querido beber da importância crescente que Michelle Obama teve no mandato do marido) e desempenha um papel decisivo no desenrolar da temporada não só pela sua vontade de ser embaixadora da ONU como na forma como a sua relação com o presidente russo mina o caminho idealizado por Frank Underwood.
    A temporada dedica muito tempo a Doug Stamper (mais interessante acompanhá-lo na segunda temporada do que nesta, sinceramente) e, para além de Claire e do sempre hipnotizante Frank, há 2 personagens que acrescentam valor. Heather Dunbar (Elizabeth Marvel) pela forma como faz frente a Francis e tenta "jogar limpo" e principalmente o presidente russo Viktor Petrov - o actor Lars Mikkelsen chama a si as atenções em todos os momentos em que aparece, e é a prova de que o talento corre no sangue dos irmãos Mikkelsen (o irmão Mads é Hannibal Lecter na série da NBC).

O Episódio: 06 'Chapter 32'.
    Apenas 6 realizadores estiveram responsáveis por esta temporada (John David Coles, Jonh Dahl, Tucker Gates, Agnieszka Holland, a actriz Robin Wright e James Foley). É um episódio do último, representação perfeita da importância de Claire Underwood nesta temporada, que talvez seja o melhor entre os treze. 'Chapter 32' é o exemplo chapado da qualidade de 'House of Cards': política a ser jogada em várias frentes, pormenores surpreendentes e este 32.º capítulo acaba por ser fundamental influenciando o dominó até à última peça da finale. "Somos assassinos, Francis" diz Claire, "Não, somos sobreviventes" responde Francis, acrescentando depois "Nunca te deveria ter nomeado embaixadora", e recebendo um "E eu não deveria ter-te feito presidente" de Claire. Isto é 'House of Cards'.

O Futuro: 
    Há uma campanha eleitoral a decorrer, os problemas de Doug com Rachel estão enterrados mas poderão assombrá-lo, e a 4.ª temporada pode rumar em direcção a muitos caminhos. Colocar Frank e Claire frente a frente e não lado a lado mudaria toda a óptica da série, e é importante percebermos se a decisão de Claire não tem volta a dar, e se na base dela estão questões morais (despertadas por Michael Corrigan) ou a sua ambição individual. Na 4.ª Temporada (ainda) mais Frank Underwood, se faz favor.

Champions: Dentada à Suárez

O Barcelona venceu hoje no Parque dos Príncipes por três bolas a uma e tal como já tinha feito na eliminatória anterior com o City, deixou praticamente tudo decidido para o jogo na Catalunha. Luis Suárez voltou a morder e de que maneira... O uruguaio fez uma exibição brilhante que nos remontou aos tempos em que jogava com a camisola de Liverpool. Um jogo para mais tarde lembrar para Suárez e para esquecer para toda a equipa parisiense.

PSG  1 - 3  Barcelona (Mathieu (a.g.) 82'; Neymar 18', Suárez 67', 79')

    Sem Ibrahimovic, Thiago Motta e Verrati - mais David Luiz que recuperou milagrosamente e se sentou no banco -, Laurent Blanc já começava em desvantagem para este encontro. E a verdade é que o golo não demorou muito a chegar para o lado blaugrana. Uma perda de bola em zona crítica possibilitou que Messi tenha oferecido o golo de bandeja a Neymar Jr. Estava dado o primeiro golpe nos franceses, mas um azar nunca vem só... pouco depois, Thiago Silva encaminhou-se para fora do relvado lesionado. Teve que ser David Luiz - que vinha de lesão e que recuperou milagrosamente com um fisioterapeuta do Zenit - a ir a jogo. Os espanhóis acabaram por gerir o jogo até ao intervalo e não deixaram a equipa parisiense ter ideias. Neymar e Messi podiam ainda ter castigado ainda mais a baliza de Sirigu, mas o resultado não se viria a alterar. 
    Para a segunda parte o PSG até começou melhor, mas rapidamente viram que tudo viria a piorar. Iniesta também teve o azar de se lesionar, mas a estrela da noite ainda estaria para brilhar. Luis Suárez fez com que os defesas do PSG parecessem medíocres ao fazer deles o que queria... Que o diga David Luiz... O brasileiro acabou por sofrer dois túneis do uruguaio nos dois golos do mesmo. No primeiro partindo da direita até às redes de Sirigu, o segundo numa corrida em zona frontal até ao ângulo da baliza do italiano. Dois fantásticos golos que envergonharam David Luiz. Não era de todo a noite de David. O Barcelona acabou por ter mais oportunidades e Cavani, Lavezzi e companhia não tinham a sorte do seu lado quando atacavam. O golo francês que acabou por surgir na recta final apenas aumentou as probabilidades de passarem à próxima fase - que não deixam de ser muito poucas...


Barba Por Fazer do Jogo:
 Luis Suárez (Barcelona)
Outros Destaques: 
Maxwell, Cavani; Messi, Neymar.

15 de abril de 2015

Porto 3-1 Bayern: Super Dragões

Porto  3 - 1  Bayern Munique (Quaresma (pen.) 4' 10', Jackson Martínez 65'; Thiago 28')

    Simplesmente incrível! O Futebol Clube do Porto surpreendeu o futebol europeu com uma vitória clara e colocou-se em boa posição para seguir para as meias-finais da Champions. No Dragão, Jackson Martínez regressou e logo para titular e o Porto aos 10 minutos já vencia por 2-0. Os azuis e brancos souberam explorar as fragilidades de alguns elementos do Bayern, pressionaram alto nos momentos certos e foram superiores contra um Bayern que - mesmo não tendo Robben, Ribéry, Schweinsteiger, Alaba, Benatia e Javi Martínez - era favorito.
    Hoje foi um daqueles jogos em que fica demonstrado porque é que o futebol é tão bonito e imprevisível. O jogo começou praticamente com Jackson, com a corda toda, a aproveitar um erro de Xabi Alonso e a ser derrubado por Neuer na grande área. O árbitro assinalou correctamente a grande penalidade mas o gigante alemão poderia ter sido expulso. Ricardo Quaresma, com nervos de aço, fez o 1-0 e, com um desperdício de Lewandowski pelo meio, o extremo portista voltou a destacar-se à passagem do minuto 10: desta vez a bola queimou Dante, Quaresma arrancou disparado com a bola e, novamente cara a cara com Neuer, finalizou de trivela. Com 2-0 no marcador o Porto procurou manter a estratégia: desistir de ter bola em algumas zonas, procurando provocar o erro e permanecer coeso e intenso. O Bayern ainda reduziu para 2-1 através de Thiago Alcântara depois de um bom cruzamento do central Boateng, e até ao fim da frenética 1.ª parte Alex Sandro ainda acertou na trave num cruzamento-remate.
    Se o intervalo poderia permitir à equipa de Guardiola recompor-se e entrar forte na segunda parte, não foi isso que aconteceu. Pleno de garra, o Porto iniciou a 2.ª parte do mesmo modo que o tinha feito no começo, com Brahimi e Óliver a assumirem a bola e foi preciso uma brilhante intervenção de Neuer a tirar o golo ao mexicano Herrera. O 2-1 era um bom resultado mas o Porto sabia o que era melhor ainda.. o 3-1. E foi o que Jackson Martínez fez aos 65' - Alex Sandro colocou a bola entre os centrais, Boateng vacilou e Jackson fugiu aos centrais, a Neuer e finalizou com os centrais (que noite horrível!) a acompanharem a bola até à baliza. O Bayern nunca soube reagir, sobretudo depois do 3-1 que "matou" a equipa e encontrou uma defesa que soube sempre tirar os espaços a Müller e Lewandowski.

    3-1 contra um dos 3 principais favoritos a ganhar a Champions. O Porto transcendeu-se e embora na 2.ª mão não vá contar com os laterais Danilo e Alex Sandro (Lopetegui deverá apostar em Ricardo Pereira, Maicon, Marcano e Martins Indi, a não ser que privilegie uma defesa a 3), a verdade é que basta o Porto marcar 1 golo e o Bayern terá que imediatamente marcar 3 golos.. para ir a prolongamento.
    Portugal e as equipas portuguesas saem valorizadas pela performance do Porto hoje, e se as equipas querem realmente ser "grandes" a Champions é o palco para tal. O Porto soube estudar o Bayern (os alemães sofreram hoje 3 golos embora no campeonato tenham apenas um total de 13 golos sofridos), provavelmente só o Wolfsburgo conseguiu esta época impor-se ainda melhor ao campeão da Bundesliga, e por mérito do Porto o Bayern fez francamente pouco. E o que fez, fez mal. Que o digam especialmente Dante e Boateng.
    O principal destaque foi a forma como a equipa funcionou na perfeição, mas há dois nomes que merecem um louvor diferente: Jackson Martínez e Ricardo Quaresma. O extremo bisou e inspirou os colegas ao marcar 2 golos em 10 minutos, revelando enorme compostura; já Cha Cha Cha foi impressionante. Fez os 90 minutos e foi inexcedível - como capitão, impôs a partir da frente o ritmo aos colegas, ganhando a grande penalidade com 2 minutos de jogo e coroando a exibição ao marcar o 3-1. Ele acreditou, e a equipa acreditou.
    É certo que é possível o Bayern ganhar 2-0 na Alemanha (dificilmente o conseguirá se entre Robben, Ribéry, Alaba e Schweinsteiger 2 deles não recuperarem), mas o Porto está bem colocado para figurar entre o Top-4 da Champions 2014/ 15 o que, no actual contexto, é um feito tremendo. 


Barba Por Fazer do Jogo:
 Jackson Martínez (Porto)
Outros Destaques: Alex Sandro, Casemiro, Óliver, Brahimi, Quaresma; Thiago 

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 49



Filme: Seven Pounds
Actor: Will Smith

por Tiago Moreira


    Quando ouvimos falar do nome de Will Smith lembramo-nos logo da sua personagem em "Pursuit of Happiness". De facto, é das melhores interpretações do actor - senão a melhor. Contudo, existe uma outra que escapou a muito boa gente amante do cinema. A história de Grant Nieporte e realizada por Gabriele Muccino teve um impacto misto na crítica, alternando entre boas e más pontuações ao filme.
    É um filme com emoção do início ao fim e que Will Smith consegue brilhantemente transparecer. Quase que conseguimos sentir as emoções interpretadas pelo actor e a banda sonora acaba por se tornar numa fiel aliada de Will ao longo da película.
    Para nos contextualizarmos um pouco, Will Smith dá-se a conhecer como Ben Thomas. Um homem que tinha praticamente tudo na vida. Uma casa fabulosa e uma mulher que amava. Contudo, uma distracção na estrada acaba por virar a vida de Ben do avesso. Ele acaba por sair praticamente ileso, mas vitimou sete pessoas inocentes - incluindo a sua mulher. Ben passa duma vida perfeita a uma profunda depressão. Para se sentir bem consigo próprio, Thomas decidiu que iria mudar a vida a outras sete pessoas que estariam em extremas dificuldades - quer física, quer mentalmente -, mas para isso queria certificar-se que as mesmas mereciam essa oportunidade única na vida - a oportunidade de viver em condições normais, a oportunidade de pura e simplesmente viver. Para isso usou os meios que tinha à sua mercê - ilegalmente. O resto depois vocês vêem. Vale a pena.
    A frase inicial de Will Smith no filme resume tudo: "In seven days, God created the world. And in seven seconds, I shattered mine." - E é algo que pode ser usado em qualquer contexto. Algo bom demora sempre muito tempo para que se torne bom, mas basta um pequeno deslize certeiro para que tudo se desmorone. É como se nós estivéssemos a construir um castelo de pedra com todo o esforço e que o mesmo se tornasse num castelo de cartas que desaba ao mínimo sopro, ao mínimo erro grave.
    Ben - que não é Ben - optou por redimir-se do seu erro devolvendo a vida a sete outras pessoas. Por uma delas acaba mesmo por se apaixonar. Uma das mais emocionantes histórias de amor, sem a purpurina que os romances de hoje em dia têm.
    Ben deu tudo de si. Literalmente tudo de si.


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 33

Fantasy Premier League - É uma jornada composta apenas por 7 jogos, mas não deixa de ser uma jornada para acompanhar de perto.
    Depois de um fim-de-semana marcado pela passagem de testemunho em Manchester (Old Trafford festejou a vitória de 4-2 sobre o rival), nesta jornada 33 o jogo grande volta a meter ao barulho a equipa de van Gaal. Os red devils deslocam-se a Stamford Bridge para tentar baralhar as contas do super-favorito-ao-título Chelsea. É difícil que os 4 primeiros classificados não sejam (ainda que a ordem possa mudar) os actuais, uma vez que embora o Liverpool esteja perto, o calendário do Manchester City é teoricamente acessível até ao fim. Assim, os principais focos de interesse são: o acesso à Liga Europa (que pode ser ou não simplificado consoante Liverpool ou Arsenal vençam a FA Cup) e, sobretudo, a luta pela manutenção! O Leicester City parece ter encontrado uma vida extra e do 20.º ao 14.º lugar ainda muita coisa pode mudar.
    Falando em termos de Fantasy e olhando para a ronda passada, foi a ronda de Yannick Bolasie. O extremo congolês, sempre entusiasmante mas nem sempre capaz de bons pontos, estabeleceu um novo máximo individual de uma jornada ao fazer 24 pontos (3 golos e 1 assistência nos 4-1 em casa do Sunderland); mas também o colega de equipa Glenn Murray brilhou (1 golo e 2 assistências) totalizando 14 pontos. Ashley Young foi a figura do derby de Manchester, Agüero bisou nesse mesmo jogo, no meio-campo destacaram-se Ramsey, Fàbregas e Joe Allen, e do ponto de vista defensivo Cresswell, Lovren e Alderweireld.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Desta vez não há Arsenal e Liverpool, nem Charlie Austin e Benteke, nem Hull e Sunderland. Assim sendo, algumas hipóteses para esta jornada são:

 Yannick Bolasie - Crystal Palace - 5.5

    Confiança não há de faltar no Selhurst Park. O Crystal Palace perdeu Tony Pulis e podia ter-se perdido na tabela mas a chegada de Alan Pardew, um dos treinadores do ano em Inglaterra e a prova de que ainda há quem siga o coração no futebol, "acordou" alguns jogadores e melhorou substancialmente a qualidade de jogo ofensivo dos eagles. Por esta altura com 42 pontos e a salvo da descida (normalmente a meta de 40 pts chega para garantir a manutenção), o Crystal Palace pode atrever-se a subir alguns lugares, estando a apenas 5 pontos do 8.º lugar (Swansea). 

    Nos últimos 6 jogos, o Crystal Palace ganhou por 5 vezes, uma sequência apenas interrompida em casa do Southampton e marcada positivamente pela vitória diante do Manchester City e pela vitória fora por 4-1 contra o Sunderland na última jornada. Glenn Murray (5.2) tem sido um dos jogadores em forma, recuperado por Pardew, e com 12-12-14 nas últimas 3 jornadas, e Yannick Bolasie explodiu na jornada passada com um hat-trick inédito e uma bola do jogo para guardar em casa. Ao extremo internacional pelo Congo mas nascido em Lyon, sempre faltou consistência e o que é certo é que nos últimos quatro jogos somou 3 golos e 4 assistências. Está em forma e promete ser uma valente dor de cabeça para um WBA que leva três derrotas consecutivas, sempre a sofrer 3 ou mais golos. Pulis conhece muito bem os jogadores deste Crystal Palace mas um golo cedo e o ambiente festivo do Selhurst Park pode catalisar a equipa da casa para nova vitória, com Bolasie e companhia a sentirem-se imparáveis.

 Jamie Vardy - Leicester City - 4.5

    Será Vardy o herói da manutenção do Leicester City? A ideia que nos dá é que o Leicester está em último desde que o campeonato começou mas, num volte-face à Premier League, de repente parece possível permanecer no principal escalão. A conjugação de resultados desfavoráveis dos concorrentes directos com as últimas 2 vitórias (2-1 ao West Ham com golo de Andy King aos 86' e 3-2 em casa do WBA com Huth a marcar aos 81' e Vardy aos 90') deixaram a luta para não descer definitivamente ao rubro. O Leicester, ao longo do campeonato, nunca mostrou capacidade defensiva - muitas vezes essencial para permanecer entre os grandes - mas tem-se destacado pela capacidade de ombrear com os maiores emblemas. A derrota em casa do Tottenham por 3-4 e a vitória épica ainda em Setembro contra o Manchester United por 5-3 são prova disso.
    O Leicester está a 3 pontos do 17.º lugar, tendo 1 jogo a menos, e tem pontos a seu favor: nas últimas 4 jornadas joga em casa 3 vezes e, para que a luta dure até ao fim as duas próximas jornadas serão decisivas: recebe o Swansea, e depois há um Burnley-Leicester que vale a pena ver. Nugent, Ulloa, Cambiasso e Jamie Vardy (2 golos e 2 assistências nos últimos 3 jogos), é deles que a equipa depende.

 Kun Agüero - Manchester City - 12.4

    O derby de Manchester foi negativo para a equipa azul celeste mas salvou-se o bis de Kun Agüero. O avançado argentino não tinha marcado nas 5 jornadas anteriores, mas achou por bem voltar ao activo em Old Trafford. O campeonato caminha para os braços do Chelsea, mas o prémio de melhor marcador ainda pode ir para um jogador do Manchester City. Agüero tem actualmente 19 golos, tantos como Diego Costa e Kane, sendo que o avançado do Chelsea falhará os próximos jogos por lesão e, comparando o calendário de Kane com o de Agüero, o argentino leva vantagem. West Ham (casa), Aston Villa (casa), Tottenham (fora) e QPR (casa) são os próximos 4 desafios do 16 do Manchester City, equipas contra as quais Agüero totalizou 7 golos na primeira volta. O título cada vez mais longe pode desmotivar o City mas a importância de não perder um lugar entre o Top-4 e a possibilidade de Agüero ser Bota de Prata podem despertar o melhor tanto do craque argentino como de Silva e Yaya Touré. Agüero nunca foi o melhor marcador na Premier League, e o seu recorde pessoal são 23 golos. Cheira a superação.


 Seamus Coleman - Everton - 6.8

    O Everton foi, sem margem para dúvidas, a Desilusão da época. Com um plantel idêntico ao do ano passado, os toffees passaram de 5.º para um actual 12.º lugar e a sobrecarga de jogos europeus não explica tudo. As últimas jornadas podem tornar a época menos má, e a locomotiva irlandesa Seamus Coleman, muito longe do estrondoso nível de 13/ 14 mas a crescer nos últimos jogos, pode ter um impacto decisivo contra o Burnley.

 Eden Hazard - Chelsea - 11.2

    Claro favorito para ser o Jogador do Ano, por estar a ser o mais consistente, e o primeiro jogador a chegar aos 200 pontos nesta época no Fantasy. O belga vai atingir um novo máximo de época, estatisticamente só Bolasie, Murray e Mata estão em melhor forma do que ele e não é por o adversário desta jornada dar pelo nome de Manchester United que Hazard é menos candidato a somar uma boa pontuação. Sem Diego Costa a equipa precisa ainda mais do talento do belga, Valencia não será o jogador mais indicado para lidar com as características do 10 do Chelsea e na eventualidade de haver uma grande penalidade, é quase garantido que não falha. Contra si, Hazard só tem uma coisa: Mourinho contra Manchester United e Arsenal pode preferir não sofrer e empatar do que marcar para ganhar. A ver vamos.

Outras Opções:
- Guarda-Redes: Apenas 7 jogos, com Joe Hart (6.1) a ser o principal candidato a conseguir uma clean sheet. A sede de manutenção do Burnley pode complicar a vida do Everton, o Stoke-Southampton é difícil de antever e o Leicester precisará de uma boa exibição de Kasper Schmeichel (4.4) em casa. Um dos duelos da jornada é Courtois vs De Gea.

- Defesas: Jogando pelo seguro e tentando conciliar uma eventual possibilidade de garantir clean sheet com uma maior probabilidade de ter pontos ofensivamente, a dupla do Crystal Palace - Joel Ward (4.7) e Scott Dann (4.9) -, Jeffrey Schlupp (4.5) e Leighton Baines (7.0) são boas opções. A defesa do Manchester City inspira sempre cuidados porque pode haver rotação e não será surpreendente um defesa de Mourinho marcar no jogo grande.

- Médios: Ramsey, Sterling, Alexis Sánchez, Coutinho, Cazorla, Matt Phillips, Henderson e Özil. Nenhum deles conta para esta jornada 33. Considerando isto, e tendo já referido Bolasie e Hazard, o improvável Esteban Cambiasso (4.7) e o mago David Silva (9.8) poderão marcar ou assistir. Mirallas e Barkley seriam boas opções se estivessem com mais minutos nas pernas, e também Puncheon, Jedinak ou Zaha podem contribuir para um eventual bom jogo do C. Palace. E Sadio Mané já sabe o que é marcar ao Stoke.

- Avançados: A suspensão de Sissoko pode ajudar a desequilibrar o Newcastle-Tottenham a favor dos spurs, beneficiando Harry Kane (6.4) com isso e podendo assim voltar aos golos depois de uma pausa de 2 jornadas. No Manchester City não é certo se Bony recuperará a tempo, nem tão pouco se Dzeko será lançado a titular e se Yaya Touré (contrariamente ao jogo de Old Trafford) aparecerá em campo com ganas de ganhar e transportar a equipa, potenciando os seus avançados. 

14 de abril de 2015

Champions: Atlético e Real a zeros, Juventus em vantagem

Na primeira noite de quartos-de-final da Champions houve muita luta e apenas 1 golo marcado. Em Madrid, no sétimo derby da época, o Real Madrid voltou a não conseguir derrotar o Atlético, num nulo para o qual contribuiu de forma decisiva o guarda-redes esloveno Jan Oblak.
Em Itália, a Juventus ganhou vantagem frente ao Mónaco. Vidal marcou o único golo da noite numa grande penalidade originada por Ricardo Carvalho.

Atlético Madrid  0 - 0  Real Madrid

    Sete jogos em 2014/ 15 entre Atlético Madrid e Real Madrid, 0 vitórias para o campeão europeu em título. Na eliminatória mais equilibrada dos quartos (Barcelona, Bayern e Juventus gozam do estatuto de favoritos) o 0-0 inicial manteve-se até ao fim mas o jogo foi fértil em oportunidades, principalmente para a equipa visitante. Defrontar o Atlético de Simeone em jogos a eliminar é um sarilho, com a dupla de centrais Godín-Miranda sempre afinada, mas hoje foi o ex-Benfica Jan Oblak a revelar-se decisivo.
    No Calderón começou muito melhor o Real Madrid, mas a 1.ª parte foi do jovem guardião esloveno que finalmente está a confirmar o seu enorme valor e potencial. Logo nos instantes iniciais Carvajal foi o primeiro a testar Oblak, e Gareth Bale teve bem cedo o golo nos pés isolado perante Oblak, com o esloveno a evitar o 0-1 com uma intervenção monstruosa na sua saída da baliza. Bale, um dos mais interventivos na primeira parte, não terá gostado de conhecer Oblak num par de ocasiões e o colombiano James Rodríguez, numa trivela que tinha como destino o canto inferior da baliza do Atlético, viu novamente Oblak esticar-se para manter a sua baliza sem golos. O Atlético só esteve perto de marcar num lance de Griezmann e à beira do intervalo, Varane aventurou-se num contra-ataque com uma arrancada impressionante pelo flanco direito e no final da jogada Oblak tirou mais uma vez o golo a James. A 2.ª parte foi bem menos recheada de oportunidades de golo, com o Atlético a equilibrar a partida e o Real bastante abaixo do ritmo que impôs nos primeiros 45. Como sempre o jogo esteve "quentinho" - os momentos entre Carvajal e Mandzukic mostraram isso - e, não fosse Varane, e Fernando Torres poderia ter marcado no final depois de um erro de Casillas.
    Houve mais Real Madrid do que Atlético, mas houve Oblak. Aquele que na temporada passada defendeu a baliza do Benfica, para além de estar a encantar os seus adeptos com as recentes exibições na Liga BBVA, transportou essa aura para a Champions. Foi o homem do jogo ao travar uma 1.ª parte forte do Real Madrid, e voltará a ser importantíssimo daqui a uma semana. Oblak e Casillas foram o dia e a noite, e foi um jogo de centrais: Godín, Miranda e sobretudo Varane estiveram em alto nível. O 0-0 é um resultado que certamente não incomoda este Atlético de Simeone, e o Santiago Bernabéu terá um grande jogo, com o Real a deter ligeiro favoritismo.


Barba Por Fazer do Jogo:
 Jan Oblak (Atlético Madrid)
Outros Destaques: 
Godín, Miranda; Varane, James Rodríguez



Juventus  1 - 0  Mónaco (Vidal (pen.) 57')


    Em Turim o Mónaco de Leonardo Jardim tentou repetir em parte a fórmula com que derrotou o Arsenal em Emirates, mas a vecchia signora cantou vitória no fim.
    Os monegascos entraram atrevidos, Ferreira-Carrasco teve hipótese de colocar a sua equipa na frente mas vacilou tal como vacilaria Vidal, assistido por Tévez, no derradeiro lance da 1.ª parte. Uma primeira parte com as duas equipas encaixadas, um pressing inicial do Mónaco a tentar provocar nova surpresa e depois uma Juventus a tornar-se senhora do jogo, mas sem conseguir ultrapassar uma zona central habitada por Abdennour, Ricardo Carvalho, Kondogbia, Fabinho e Moutinho.
    Na 2.ª parte entrou o jovem Bernardo Silva e logo nos primeiros minutos em campo teve o golo nos pés - Ferreira-Carrasco soltou o pequeno craque português e Bernardo, com pouco ângulo, não conseguiu bater Buffon. O 0-0 durou até aos 57 minutos, altura em que o árbitro assinalou grande penalidade a favor da Juventus. Ricardo Carvalho travou Morata quando este podia receber a bola perto da baliza, ficando no entanto a dúvida se a falta deveria ser assinalada fora ou dentro da grande área. O chileno Arturo Vidal não deu hipóteses a Subasic e deixou Turim ao rubro. A partir desse momento, a Juve geriu com algum conforto a sua vantagem, beliscada não obstante por um cabeceamento de Berbatov que não passou longe. 
    Genericamente, ficou a ideia de que o Mónaco poderia ter conseguido nova "gracinha", não só porque arrancou o jogo sem medo mas porque a Juventus esteve longe do patamar que apresentou em Dortmund e fez apenas o suficiente para ganhar. Resta agora a 2.ª mão em França, embora seja complicado ultrapassar esta Juventus quando os italianos sabem que lhes basta não sofrer - é difícil saber jogar em 3-5-2, mas estando esta Juventus mais do que rotinada nesse modelo, acaba sim por ser difícil desmanchar a teia defensiva da equipa capitaneada por Buffon.

Barba Por Fazer do Jogo: Arturo Vidal (Juventus)
Outros Destaques: 
Evra, Chiellini; Kondogbia, Ferreira-Carrasco

Revisão: 'Better Call Saul'

Criado por
Vince Gilligan, Peter Gould

Elenco
Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Michael McKean, Rhea Seehorn, Patrick Fabian, Michael Mando, Mel Rodriguez

Canal: AMC

Classificação IMDb: 8.7 | Metascore: 78 | RottenTomatoes: 97%
Classificação Barba Por Fazer: 85



- Abaixo podem encontrar Spoilers - 
A História: 
    A spin-off de 'Breaking Bad' terminou no passado dia 6 de Abril ao décimo episódio ('Breaking Bad' teve 7 na sua temporada de estreia) e superou expectativas, com Vince Gilligan e Peter Gould a provarem que não perderam o jeito e que há vida depois - ou mais propriamente, antes - de Walter White e Jesse Pinkman.
    'Better Call Saul' eleva ao estatuto de protagonista o advogado manhoso de Walter White, Saul Goodman mas, como Nuno Markl escreveu numa magnífica análise na sua Cave, o cartoon é desta vez transformado em humano. Saul Goodman foi em tempos Jimmy McGuill e é assim que o conhecemos desta vez. Ao longo de uma dezena de episódios acompanhamos um homem que aos olhos do irmão Chuck (um advogado de renome, que nos intriga pela sua "alergia electrónica") nunca passará de um mestre dos esquemas e artimanhas capaz de assumir sempre o atalho mais fácil, e esta 1.ª Temporada dedica-se - ou não fosse Vince Gilligan o especialista em trabalhar o arco de uma personagem - a pegar num homem que procura a aprovação do irmão e um lugar digno na sociedade mas que, por uma conjugação de factores, abraça uma natureza que procurou rejeitar e arranca em direcção à personagem que conhecemos entre 2008 e 2013 em 'Breaking Bad'.

    Os 2 primeiros episódios ("Uno" e "Mijo") agarram o espectador como poucas outras séries, a temporada baixa o nível mas quando visitamos o passado de Mike Ehrmantraut ("Five-O") e finalmente no penúltimo e último episódios, só apetece que a segunda temporada esteja já aí ao virar da esquina. Com muitas questões morais pelo meio e com toda a criatividade ao serviço das mais engenhosas vigarices, Gilligan volta a dar-nos uma personagem complexa (e Saul Goodman parecia antes tão simples ao pé de um Professor de Química com cancro mas egoísta e genuinamente mau, e de um rapaz que veio a perder tudo e com o qual era impossível não partilharmos o sofrimento), mantendo o tom e fazendo-se acompanhar por vários realizadores que já tinham colaborado consigo.
    Em termos concretos, Jimmy McGuill trabalha por conta própria, cuida do irmão, familiariza-se com o apelido Salamanca, envolve-se no caso do pitoresco casal Kettleman, conhece Mike, luta pelos seus clientes idosos e visita as suas origens e o seu velho amigo Marco (Mel Rodriguez), que acaba por se revelar determinante no destino da personagem principal. Para além da evolução postural e do impacto do contexto sobre Jimmy McGuill, ficam na retina as elaboradas artimanhas - a dos gémeos skaters (percebemos que a série é boa quando Jimmy os salva num julgamento no meio do deserto), o herói do billboard, a forma como se resolve o caso Kettleman, e os vários esquemas com Marco desde um beco até uma moeda.
    Não é preciso ter visto 'Breaking Bad' para apreciar 'Better Call Saul', mas há momentos que se tornam especiais tendo a série anterior presente. Desde as primeiras imagens, que trazem à tona uma conversa entre Pinkman e Goodman; à mentira com um nome de Kevin Costner, passando pela justificação do porquê de Saul/ Jimmy ter aquele anel no mindinho e acabando no momento em que, embora não o escolha, Jimmy McGuill confronta-se pela primeira vez com aquele que será um dos seus futuros fatos característicos. Os pormenores que interligam as séries são subtis. E é assim que as coisas deviam ser sempre, sem nos espetarem tudo na cara.

    O mais importante para esta nova aposta da AMC é que, finda a primeira temporada, 'Better Call Saul' tem valor por si só, ganhou a sua independência e embora seja impossível (teoricamente) chegar no cômputo geral ao nível que 'Breaking Bad' (para nós a melhor série de TV até hoje) atingiu, o que é certo é que avaliando bem esta primeira temporada acaba por ser superior à 1.ª da irmã mais velha. Mas deixa de fazer sentido manter comparações no futuro.
    
A Personagem: Jimmy McGuill (Bob Odenkirk).
    Embora Chuck McGuill seja uma personagem inicialmente intrigante, seja interessante recuar ao passado de Mike e Marco seja peça-chave, 'Better Call Saul' tem claramente no protagonista a personagem-chave da primeira temporada. É um novo lado de Bob Odenkirk que a dupla Gilligan/ Gould explora, numa nova demonstração do que é bom character development. Para quem via Saul Goodman como aquela figura alegre, capaz de quebrar o gelo em qualquer momento, é bom conhecer agora um passado em tons de negro.

O Episódio: 09 'Pimento'.
    O penúltimo episódio da temporada pode ser considerado o ponto-crítico na viagem de McGuill até Goodman. A relação entre os irmãos Jimmy e Chuck torna-se mais transparente que nunca, e Mike define a série e o trabalho concepcional de Vince Gilligan quando explica a diferença entre ser um homem mau e um criminoso: I've known good criminals and bad cops, bad priests, honorable thieves-you can be on one side of the law or the other, but if you make a deal with somebody, you keep your word. You can go home today with your money and never do this again, but you took something that wasn't yours and you sold it for a profit. You're now a criminal; good one, bad one-that's up to you.
    Para além de 'Pimento', também 'Five-O' é excelente - dedicado em exclusivo ao passado de Mike Ehrmantraut, e com uma realização (Adam Bernstein, que realizou episódios de 'Breaking Bad' e 'Fargo') com ares de Scorsese.

O Futuro: 
    Daqui para a frente estão criadas as bases para o nascimento e ascensão de Saul Goodman. A próxima temporada promete mais acção porque Jimmy deve passar para o lado errado da Lei, e seria bom ver Nacho Varga (Michael Mando) mais envolvido, e Price (Mark Proksch, que só surgiu em 'Pimento') bem que também podia voltar a aparecer. Também deveremos testemunhar o desenvolvimento da relação Jimmy-Mike, perceber o passado de Jimmy com Kim; mas para que a série possa alcançar um dia o estatuto de Clássico precisa ainda que surjam novas personagens acessórias mas cativantes (dificilmente Chuck, Howard e Kim se tornarão entusiasmantes de uma forma marcante) .