Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

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3 de março de 2014

E os Óscares foram para...

Como era, de certo modo, expectável a noite de ontem - a 86.ª edição dos Óscares da Academia - não ditou um vencedor absoluto. 12 Years a Slave, Gravity e Dallas Buyers Club saíram todos eles do Dolby Theatre com grandes motivos de satisfação, podendo ser considerados os vencedores da noite, enquanto que American Hustle (com 10 nomeações) e The Wolf of Wall Street podem-se definir - e ontem já tínhamos cogitado este cenário nas nossas previsões - como o derrotado e injustiçado da noite, respectivamente.
    Ellen Degeneres entrou para a História dos Óscares. Mas antes disso, do Twitter. A apresentadora da cerimónia esteve ao mais alto nível e, num de vários momentos improváveis tirou uma fotografia (o tão popular selfie) rodeada de várias estrelas (Brad Pitt, Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Angelina Jolie, Kevin Spacey, Lupita Nyong'o, Julia Roberts, Meryl Streep, Jared Leto, Channing Tatum.. e até o irmão de Lupita) cuja repercussão foi brutal a nível de retweets. Ellen colocou a fasquia bem alta com o seu monólogo introdutório: abordou sarcasticamente a preocupação da organização para com a chuva, acrescentou um improviso de última hora com a "nova queda" de Jennifer Lawrence e fechou com chave de ouro na referência ao que Jonah Hill "mostrou" em The Wolf of Wall Street. A tudo isto Ellen ainda acrescentou um momento que o público não esquecerá ao ter encomendado pizza para os convidados - o que proporcionou vermos Brad Pitt a distribuir pratos de cartão ou Harrison Ford a fazer Ellen voltar atrás para tirar, com toda a naturalidade, um guardanapo para si.
    Volta Ellen, em 2015 ninguém te dirá que não. Relativamente aos artistas que apresentaram determinadas categorias, destaque para John Travolta que conseguiu chamar Adele Dezeem à Idina Menzel; ao momento em que Jim Carrey imitou Bruce Dern em Nebraska; e também à entrada de Kevin Spacey, falando à Frank Underwood em House of Cards.

Melhor Filme: 12 Years a Slave
Melhor Realizador: Alfonso Cuarón
Melhor Actor: Matthew McConaughey
Melhor Actriz: Cate Blanchett
Melhor Actor Secundário: Jared Leto
Melhor Actriz Secundária: Lupita Nyong'o
Melhor Argumento Original: Her
Melhor Argumento Adaptado: 12 Years a Slave
Melhor Direcção Artística: The Great Gatsby
Melhor Fotografia: Gravity
Melhor Figurino: The Great Gatsby
Melhor Montagem/ Edição: Gravity
Melhor Caracterização: Dallas Buyers Club
Melhor Banda Sonora: Gravity
Melhor Mistura de Som: Gravity
Melhor Edição de Som: Gravity
Melhores Efeitos Visuais: Gravity
Melhor Música: "Let it Go"
Melhor Filme de Animação: Frozen
Melhor Filme Estrangeiro: The Great Beauty
Melhor Documentário: 20 Feet From Stardom
Melhor Curta-Metragem: Helium
Melhor Documentário (Curta): The Lady in Number 6
Melhor Curta de Animação: Mr. Hublot

12 Years a Slave sagrou-se Melhor Filme, Argumento Adaptado e teve a Melhor Actriz Secundária. Gravity foi o papa-troféus "técnico" e perfez, como ontem tínhamos sugerido como hipótese, 7 óscares (6 categorias técnicas + Melhor Realizador). Dallas Buyers Club, por sua vez, garantiu 3 estatuetas, com destaque para o facto de ter sido o único filme a somar 2 vitórias a nível de interpretação (Matthew McConaughey e Jared Leto).
    Her foi justamente vencedor enquanto Argumento Original, deixando American Hustle sem qualquer óscar, isto porque Lupita Nyong'o derrotou mesmo Jennifer Lawrence. Blanchett e Jared Leto eram dados adquiridos, mas nós ontem ainda tínhamos alguma esperança (apontámos ainda assim mais de 90% de favoritismo a McConaughey) que Leonardo DiCaprio vencesse. DiCaprio já merecia um óscar antes deste ano e depois do seu melhor desempenho de sempre - enquanto Jordan Belfort - provavelmente já não saberá o que tem que fazer para ganhar um óscar. Ainda assim, Matthew McConaughey (que elegemos nos nossos Óscares Barba Por Fazer como Personalidade do Ano no cinema) teve provavelmente o melhor discurso de aceitação - someone to look up to, something to look forward to, someone to chase. E já que falamos em discursos, Lupita e Jared foram outros dois actores com bons discursos. Lupita acabou por dar ênfase aos sonhos das pessoas dizendo -  When I look down at this golden statue, may it remind me and every little child that no matter where you're from, your dreams are valid - e Leto acabou por agarrar no seu personagem e filme (Dallas Buyers Club) para dar a cara contra a discriminação - This is for the 36 million people who have lost the battle to AIDS and to those of you who have ever felt injustice because of who you are or who you love, tonight I stand here in front of the world for you!
    Para finalizar, em tom de bazófia, referimos que apenas falhámos redondamente no Óscar de Melhor Curta de Animação. A Academia é cada vez mais previsível e vai caindo sempre nos mesmos clichés. Por vezes são clichés justos, mas a maioria não.

    Até aos próximos Óscares, pessoas esbeltas! E continuem a seguir as nossas críticas a caminho dos Óscares de 2015!

Miguel Pontares e Tiago Moreira
    

2 de março de 2014

Previsões Vencedores Óscares 2014

    Boas noites, caras pessoas que estão a pensar deitar-se tarde e com não só ânsia de saber os vencedores desta 86.ª edição dos Óscares da Academia, como também a ânsia e esperança que não hajam vozes portuguesas a comentar por cima da cerimónia. Torna-se chato ouvir duas pessoas a encher chouriços e a não deixar ouvir as piadas que Ellen fará. É verdade... Ellen DeGeneres será a apresentadora dos Óscares, perfazendo assim a sua segunda aparição na cerimónia, 7 anos depois. Uma cerimónia que nos remonta a 2007 que - como já puderam notar pelo artigo Óscares Barba Por Fazer 2014 - esperemos que se repita em parte. Que ganhe novamente Scorsese e o seu filme nomeado, mas que Leonardo DiCaprio não fique de novo apenas pela nomeação e que vá para casa com a sua tão merecida estatueta de ouro (ou oiro, caso prefiram). Pelo palco passarão ainda nomes como Jennifer Lawrence, Christoph Waltz, Benedict Cumberbatch, Angelina Jolie, Brad Pitt, Kevin Spacey, Jim Carrey, Kate Hudson, Goldie Hawn, Robert De Niro ou Joseph Gordon-Levitt para se limitarem a anunciar as categorias ou para fazerem as suas piadas da praxe. Para os momentos musicais são esperados Pharrell, Karen O da banda 'Yeah Yeah Yeahs', os inconfundíveis U2, Pink e ainda a senhora da balada do 'Frozen' - Idina Menzel, mas chamemos-lhe Elsa.
    Posto isto, e sem querer encher chouriços como os senhores da quatro, lançamos as nossas previsões que nem uns videntes. Possivelmente, se os Dothraki existissem, certamente que nos cuspiam e acabariam por nos degolar. Felizmente não existem e podemos brindar-vos com esta lista em que à frente de cada categoria está o provável vencedor ou vencedores.


Melhor Filme: 12 Years a Slave
Melhor Realizador: Alfonso Cuarón
Melhor Actor: Matthew McConaughey (Leonardo DiCaprio)
Melhor Actriz: Cate Blanchett
Melhor Actor Secundário: Jared Leto
Melhor Actriz Secundária: Lupita Nyong'o (Jennifer Lawrence)
Melhor Argumento Original: Her | American Hustle
Melhor Argumento Adaptado: 12 Years a Slave (Philomena)
Melhor Direcção Artística: The Great Gatsby
Melhor Fotografia: Gravity
Melhor Figurino: The Great Gatsby | 12 Years a Slave | American Hustle
Melhor Montagem/ Edição: Gravity (Captain Phillips)
Melhor Caracterização: Dallas Buyers Club (Jackass Presents: Bad Grandpa)
Melhor Banda Sonora: Gravity
Melhor Mistura de Som: Gravity
Melhor Edição de Som: Gravity
Melhores Efeitos Visuais: Gravity
Melhor Música: "Let it Go"
Melhor Filme de Animação: Frozen
Melhor Filme Estrangeiro: The Great Beauty
Melhor Documentário: 20 Feet From Stardom | The Act of Killing (The Square)
Melhor Curta-Metragem: The Voorman Problem | Helium
Melhor Documentário (Curta): The Lady in Number 6
Melhor Curta de Animação: Get a Horse!

Conclusões finais:
    Mais uma vez não haverá um grande vencedor nestes Óscares. As estatuetas serão repartidas e num ano tão rico como o que passou em termos cinematográficos, compreende-se perfeitamente. Todavia, existe um derrotado da noite. American Hustle e, por consequência, David O. Russell serão os grandes derrotados da noite ao terem tido um hype muito grande no mundo do cinema e acabarão praticamente e/ou totalmente de mãos vazias. Se houvesse espaço para o injustiçado da noite seriam claramente Martin Scorsese o seu 'The Wolf of Wall Street'.
    Matthew McConaughey tem as probabilidades do seu lado, com mais de 90%, mas esperemos que o nosso desejo e de grande parte dos amantes do cinema se realize. DiCaprio merece neste seu enorme papel como Jordan Belfort. Matthew esteve bem em 'Dallas Buyers Club', mas não supera Leonardo. O seu extremo emagrecimento para a película não pode ser um argumento que pese assim tanto nas opiniões da Academia e - muito menos - o facto da sua personagem em 'True Detective' ser fantástica - como de resto um membro da Academia deu como argumento do seu voto.
    Lupita está fortemente cogitada para ganhar e analisando o historial de correlações dos Screen Actors Guild Awards e outros prémios com as posteriores vitórias nos Óscares, pode-se imaginar que a jovem actriz derrote mesmo Jennifer Lawrence.
    O papel extremamente convincente de Jared Leto como Rayon é uma vitória praticamente certa, assim como Cate Blanchett e ainda Alfonso Cuarón e o seu Gravity. Diz-se ainda que Michael Fassbender jamais poderia ganhar a estatueta de ouro por ser um vilão - mesmo apesar de Anthony Hopkins ou o falecido Heath Ledger já terem ganho - por a Academia preterir o negativismo e pelo actor não ter comparecido nas anteriores entregas de prémios. Um Óscar «é um prémio entregue anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (...) em reconhecimento à excelência de profissionais da indústria cinematográfica, como directores, actores(...)». Mas pelos vistos, a assiduidade e consequente "marketing" é mais importante...
    Gravity será o "papa-troféus" técnicos acumulando um total de 7 Óscares sucedendo assim a Life of Pi e Hugo.
    No melhor Documentário, Curta-Metragem, Figurino e Argumento Original surgem algumas dúvidas em relação aos vencedores. Sendo que no Argumento Original, o mais provável é que seja Spike Jonze com 'Her' o justo galardoado. Porém, sendo 'American Hustle' o suposto derrotado da noite, podem brindá-lo com a estatueta em modo de cafuné.
    Quanto ao Melhor Argumento Adaptado, o mais provável e que - no fundo - faz mais sentido é que seja atribuído a  '12 Years a Slave'. No entanto, 'Philomena' ainda pode surpreender e "roubar" o Oscar aos escravos (um pouco racista da sua parte, Philomena).

    E assim termina a nossa magia negra da adivinhação. Oxalá que sejamos uns bruxos de segunda e que erremos bastante nas previsões dando lugar à justiça cinematográfica. Já têm os vossos snack's predilectos por perto? Não? Então aproveitem para ir buscar que ainda têm tempo. É que daqui a pouco já começam as perguntas do "O que trazes vestido?" dos repórteres. O momento alto das suas vidas milionárias.

Fiquem ligados!
Miguel Pontares e Tiago Moreira

1 de março de 2014

Óscares Barba Por Fazer 2014

    Senhoras e senhores, meninos e meninas, e tu José Castelo Branco que não te inseres em nenhuma das categorias anteriores, eis a 3.ª edição dos Óscares Barba Por Fazer. Para este ano de 2014 achámos que estava na altura de criarmos um post individual para as nossas opiniões relativamente à maior cerimónia da Sétima Arte. Uma cerimónia nossa. Todas as opiniões e vencedores que surgirão abaixo são aqueles que nós achamos, depois de ter visto tudo e mais alguma coisa, que mereciam ser nomeados ou mesmo arrecadar a estatueta dourada em cada categoria. Em muitos dos casos os nossos vencedores não são aqueles que esperamos que a Academia vá escolher e em vários casos nomeámos também filmes, realizadores, actores ou actrizes que não figuraram na shortlist final da Academia.
    Publicaremos depois as nossas previsões para os óscares reais. Por outras palavras, os Óscares Barba Por Fazer podem ser entendidos como os justiceiros do mundo do Cinema, nos quais o Leonardo DiCaprio consegue vencer - como na realidade mereceria.
    Nos nossos Óscares BPF há menos categorias. Há apenas aquelas que entendemos como essenciais. Nos próximos anos iremos manter este sistema no qual nomeamos tantos filmes como o nº determinado pela Academia, e nos quais referiremos sempre o vencedor, os restantes nomeados e, em algumas categorias, menções honrosas para quem ficou "à porta" da nomeação e merecia ainda assim uma palavra de apreço. Embora estejamos a cometer um homicídio premeditado sobre algumas categorias, achámos também que devíamos criar algumas novas, que ficarão no final deste artigo. Em 3, 2, 1... vamos lá então começar!

MELHOR FILME

    Sim, The Wolf of Wall Street é o nosso filme do ano. Scorsese e DiCaprio criaram um dos mais épicos filmes do século XXI e merecem todo o crédito por isso. Este Lobo tem tudo. Desde grandes papéis dos seus actores, grande realização a um argumento magnificamente transposto para o ecrã (memoráveis os discursos de Jordan Belfort!). O runner up pode ser considerado 'Her'. Spike Jonze criou um filme pertinente, inteligente e emocional, com o melhor papel da carreira de Joaquin Phoenix. Nos restantes 7 nomeados, optámos por integrar Fruitvale Station, The Hobbit: Desolation of Smaug (não vamos em cantigas de "é bom, mas adia e nomeia-se só o último"), Rush, Prisoners e Lone Survivor. American Hustle desiludiu-nos mas ainda assim merece estar entre os melhores filmes do ano. Se houvesse mais lugares provavelmente Blue Jasmine, Before Midnight ou Nebraska marcariam presença.

MELHOR ACTOR

    O raciocínio é, neste caso, o mesmo. Joaquin Phoenix teve de facto o melhor desempenho da sua carreira, mas este Jordan Belfort é o melhor papel da carreira de DiCaprio. E DiCaprio já teve vários papéis com muita qualidade! Matthew McConaughey esteve bem, mas vejam-no na série 'True Detective' onde o seu Rust Cohle é esse sim uma personagem extraordinária. O jovem Michael B. Jordan e Hugh Jackman (intenso em 'Prisoners' e desta vez a merecer a nomeação, ao contrário de Les Misérables) fecham o nosso lote de nomeados. As menções honrosas ficam para Bruce Dern e James McAvoy, com o seu papel em 'Filth'.

MELHOR ACTRIZ

    Cate Blanchett. O ano é dela. Em alguns filmes não soa 100% natural mas depois de ter estado bem em 'I'm Not There' e 'The Aviator', com Woody Allen conseguiu chegar ao topo. Em 'Blue Jasmine' Cate enche o ecrã em todas as cenas que entra, convence e transpira estatueta dourada em cada take. Para não a deixarmos sozinha chamámos Sandra Bullock e Judi Dench, tal como a Academia, mas optámos por preterir Meryl Streep e Amy Adams (a "nova Meryl Streep") pelo talento emergente de Adèle Exarchopoulos (se esquecermos as inquietantes cenas sexuais em 'Blue is the Warmest Colour' o seu papel é de uma actriz com A grande) e por Julie Delpy, no seu 3.º filme da sua história ao lado Ethan Hawke.

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO

    Jared Leto? Não. Jonah Hill? Podia ser, mas não é. Michael Fassbender é, para nós, o actor secundário do ano. O actor "fetiche" de Steve McQueen foi para nós o principal destaque de '12 Years a Slave', num dos melhores desempenhos individuais do ano. Jonah Hill mostrou de vez que é um actor com um potencial gigantesco e esteve muito superior ao seu papel em 'Moneyball'. Jared Leto foi incrivelmente (e assustadoramente?) convincente, Bradley Cooper manteve a sua qualidade com O. Russell a orientá-lo e Brühl tinha que estar presente. Deixámos o Abdi ir apanhar ar ao barco, e as menções honrosas neste caso ficam entregues a Keith Stanfield (actor de 'Short Term 12' com um futuro promissor) e Will Forte, o filho de Bruce Dern em Nebraska, que dificilmente voltará a ser interno no Saturday Night Live.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA

    Hesitámos entre Jennifer Lawrence e Lupita Nyong'o (a dúvida que a Academia também terá tido) mas optámos pela Jennifer. No ano passado demos-lhe o óscar de melhor actriz e este ano a naturalidade com que ela desempenha as suas personagens continua a fazer a diferença. A estreante e mexicana (sim, ela é mexicana) Lupita vai ter um futuro certamente brilhante depois desta estreia em longas-metragens. Provavelmente com alguma polémica, escolhemos também Scarlett Johansson pela sua voz (Samantha) em 'Her'. Scarlett não deu corpo ao seu papel, mas as emoções que fez passar - também por mérito do papel de Phoenix - não nos deixaram outra alternativa senão nomeá-la. Amy Adams, também em 'Her', e Julia Roberts, no seu regresso aos seus bons papéis, fecham o quinteto. June Squibb e Léa Seydoux merecem também o seu devido destaque, embora não as tenhamos nomeado.

MELHOR REALIZADOR

    Queríamos poder dar a vitória a Spike Jonze (Her), mas o "dedo" e "olho" de Scorsese em 'The Wolf of Wall Street' é arte pura. Veremos o que faz nos próximos anos com 'Sinatra' e 'Silence', este último com Liam Neeson, Andrew Garfield, Adam Driver e Ken Watanabe no elenco. Spike Jonze é claramente um nome a nível de realização para nos mantermos atentos e Steve McQueen a mesma coisa. McQueen conseguiu uma obra-prima que teria outra potência se a escravatura não tivesse sido tão explorada nos últimos anos em filmes inferiores. McQueen fez um filme ao nível de Spielberg, apenas ainda não tem o nome do experiente realizador. Peter Jackson e Cuarón foram as nossas restantes escolhas, deixando Woody Allen e David O. Russell (esperávamos mais dele) "à porta".

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL

    Nesta categoria, sucedendo aos nossos 2 últimos vencedores 'Django Unchained' e 'Midnight in Paris', escolhemos por larga margem... 'Her'. Oxalá a escolha da Academia volte a coincidir com a nossa por uma 3.ª vez consecutiva. O argumento de Spike Jonze é futurista, humano, sensível, emotivo e acima de tudo, fazendo jus à categoria, original. Nas nossas restantes escolhas 'Prisoners' e 'The Place Beyond the Pines' foram outsiders que achámos que mereciam destaque e justas nomeações, deixando outros 4 filmes ('Filth', 'Fruitvale Station', 'Rush' e 'Saving Mr. Banks') apenas com menções honrosas. No caso de 'Fruitvale Station' e 'Rush', embora sejam baseados em factos verídicos, considerámo-los argumentos originais uma vez que não se basearam em nenhum material anteriormente publicado.

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO

    A categoria de 'Melhor Argumento Adaptado' reuniu um menor número de filmes, sendo que 'The Wolf of Wall Street' voltou a merecer a nossa estatueta. Apenas nos diferenciamos da Academia na troca de 'Philomena' por 'Lone Survivor'.

Agora sim, fechamos então a nossa cerimónia com 3 categorias - uma delas existente também na realidade (e a qual não podíamos esquecer pela nossa íntima ligação à Música) - e outras que achámos por bem criar.

Personalidade do Ano: Matthew McConaughey
Rookie do Ano: Adèle Exarchopoulos. Outros nomeados: Lupita Nyong'o, Will Poulter, Tye Sheridan e Keith Stanfield
Melhor Banda Sonora: Her. Outros nomeados: Lone Survivor, 12 Years a Slave.

    Escolhemos McConaughey porque, embora não tenha sido para nós o Melhor Actor do ano, este ano terá sido um virar de página (embora já anunciado nos seus últimos filmes) na sua carreira. Esteve em 'Mud', brilhou em 'Dallas Buyers Club' e ainda teve uma curta presença, mas inesquecível, em 'The Wolf of Wall Street'. Se a tudo isto juntarmos o seu impressionante papel na série 'True Detective' e o facto de integrar o elenco do próximo filme de Christopher Nolan ('Interstellar'), estamos na presença da nossa Personalidade do Ano do cinema de 2014.
    Nos rookies, iremos nomear sistematicamente nos próximos anos 5 talentos emergentes. Jovens ou não, desde que sintamos que a estrela dentro deles - seja em que género for - nasceu. Demos a vitória a Adèle, mas esta "fornada" poderá dar que falar nos próximos anos.
    Por fim, os Arcade Fire conseguiram uma banda sonora excelente em 'Her'. Um trabalho incrível que bateu o trabalho de outra banda que também gostamos - os Explosions in the Sky - que trataram de tornar 'Lone Survivor' um filme melhor. Por fim, e abaixo destes 2, 12 Years a Slave. Sim, é Hans Zimmer e deixamo-nos sempre envolver pelo seu trabalho em todos os filmes em que trabalha, mas neste ano não é o nosso eleito.

    Fiquem à vontade para dar as vossas opiniões. Estas são as nossas.
    Amanhã publicaremos as nossas previsões relativamente a quem achamos que deverá arrecadar as estatuetas douradas em cada categoria. Tentem ficar acordados para a cerimónia, munidos de mantas e pipocas, e podem contar com os óscares Barba Por Fazer nos próximos largos anos!

Atenciosamente,
Miguel Pontares e Tiago Moreira

19 de fevereiro de 2014

Crítica: Philomena


A CAMINHO DOS ÓSCARES 2014
Realizador: Stephen Frears
Argumento: Steve Coogan, Jeff Pope, Martin Sixsmith
Elenco: Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark
Classificação IMDb: 7.6 | Metascore: 77 | RottenTomatoes: 92%
Classificação Barba Por Fazer: 76


    Uma história que merecia ser contada. É isto, acima de tudo, que é 'Philomena'.

    Stephen Frears (ele que está a trabalhar actualmente no filme biográfico do ciclista Lance Armstrong, que será interpretado por Ben Foster) conseguiu que a sua Philomena fosse nomeada para 4 óscares da Academia, mas tudo no filme é Judi Dench, num argumento baseado na obra "The Lost Child of Philomena Lee" do verdadeiro Martin Sixmith (interpretado por Steve Coogan) embora adaptado com a ajuda precisamente do actor britânico.
    'Philomena' conta então a história de uma mãe, chamada Philomena (Judi Dench), e da sua viagem para encontrar o seu filho que lhe foi retirado quando esta era interna num convento, no qual as freiras não aceitavam que as jovens pudessem desrespeitar a sua vocação, afastando-as dos seus filhos em tenra idade. A acção decorre décadas depois deste afastamento quando o desempregado Martin Sixmith (Steve Coogan) está hesitante entre escrever uma obra sobre a História Russa ou uma obra com interesse humano. Acaba por optar pela 2.ª hipótese quando é confrontado com a história que Philomena, por intermédio da sua filha, lhe conta e do seu desejo inqualificável de reencontrar o seu filho muitos anos depois. Toda a acção é conjugada com alguns flashbacks em que compreendemos tudo o que se passou com a jovem Philomena (aí interpretada por Sophie Kennedy Clark).

    Provavelmente não seria de caras um nomeado para Melhor Filme - aliás, se a Academia mantivesse como antigamente os crónicos 5 nomeados muitos filmes hoje em dia não se poderiam gabar de ter alcançado a nomeação máxima - mas é justo que Judi Dench tenha sido considerada para o óscar de Melhor Actriz. Não é um papel superior ao de Cate Blanchett em 'Blue Jasmine' (esse sim o desempenho feminino do ano) mas é um dos melhores papéis da carreira da experiente e incontornável actriz, que conseguiu com 'Philomena' a sua 7.ª nomeação, tendo ganho em 1999 com o papel secundário em 'Shakespeare in Love'. É, como acima foi referido, uma história que merecia ser contada. Tanto pelo jornalista Martin Sixmith, como agora transposta para o grande ecrã. Judi Dench é o destaque de um filme onde a improvável amizade entre Philomena Lee e o jornalista é engraçada e, precisamente por ser uma história real interessante, tem uma "aura" semelhante a 'Saving Mr. Banks', embora seja melhor graças a Judi Dench.

18 de fevereiro de 2014

Crítica: Nebraska


A CAMINHO DOS ÓSCARES 2014 
Realizador: Alexander Payne
Argumento: Bob Nelson
Elenco: Bruce Dern, Will Forte, June Squibb, Bob Odenkirk, Stacy Keach
Classificação IMDb: 7.7 | Metascore: 86 | RottenTomatoes: 91%
Classificação Barba Por Fazer: 76


    Nunca gostei muito de Alexander Payne. Talvez por ele me provocar alguma pain. Fazer a pior piada do ano: nível superado! Deu-nos 'As Confissões de Schmidt' e 'Sideways' mas baixou o nível com 'The Descendants'. O bastante aclamado filme de 2011 (que concorreu aos óscares no ano seguinte) apenas ganhou uma nomeação aqui no Barba Por Fazer, na altura para Shailene Woodley para actriz secundária. Payne tem sempre a sua marca a realizar: ou se gosta ou não se gosta. Tem a capacidade de explorar bem o talento de alguns actores (George Clooney não é um actor, é apenas um homem que a Academia venera e que mostrou não saber correr em 'The Descendants', daí talvez não termos gostado desse filme), faz sempre filmes bastante humanos (sim marcianos, vão para outra secção, o Payne não é para vocês), relativamente lentos na evolução da acção, embora bastante reais e mensuráveis.

    'Nebraska', nomeado para 6 óscares, é tudo isto. E é melhor que 'The Descendants'. Resumidamente conta a história de Woody Grant, um idoso interpretado por Bruce Dern, que viaja com o seu filho David (Will Forte) de Montana até ao Nebraska, com o objectivo de recolher aquilo que ele entende ser um prémio que ganhou, no valor de 1 milhão de dólares. Integralmente a preto e branco, 'Nebraska' conta com um bom papel de Bruce Dern e com actuações agradáveis de Will Forte (a malta do Saturday Night Live estará orgulhosa dos novos passos da carreira dele) e June Squibb. Bruce, na pele de Woody Grant, é um velhote que facilmente se desliga do mundo à sua volta, prejudicado no seu passado por não saber dizer "não" e acreditando como ninguém mais que aquele prémio é real e que pode ser uma ajuda para o futuro dos seus. Um papel interessante de Bruce Dern (o tal actor com quem Tarantino quer muito trabalhar em breve), alguns bons momentos e um desfecho bem conseguido, é o que temos neste 'Nebraska'. Desde a comédia presente no diálogo honesto de Woody com o seu filho, nas várias intervenções da personagem de June Squibb e nas 2 figuras que são os primos de David a outros momentos mais "acolhedores" caracterizadores da preocupação de David com o seu pai, culminando nos últimos quilómetros do filme.

    Compreende-se portanto a nomeação de Bruce Dern para melhor actor, sendo que June Squibb e Will Forte também têm bons desempenhos, sendo Forte prejudicado por um ano bastante... forte (passo a redundância) a nível de actores secundários. Melhor realizador? Não Payne, este ano houve melhores. Mas a Academia assim não entendeu.
    A tudo isto se acrescenta o actor Stacy Keach, que nos recorda imediatamente de 'Prison Break' e claro, Bob Ondenkirk, o outro filho de Woody Grant, que provavelmente soará mais familiar se lhe chamarmos Saul Goodman. A personagem de Breaking Bad que terá em 2014 o início da sua spin-off 'Better Call Saul'.
    Não direi 'Better See Nebraska' porque não é um dos filmes do ano. Mas não faz mal nenhum a quem o vir.

23 de janeiro de 2014

Gravity e 12 Years a Slave empatam (inédito) nos PGA

Como já anteriormente mencionámos os Producers Guild Awards (PGA) são a mais fiável previsão na 7.ª Arte sobre quem ganhará o óscar de Melhor Filme. Em 25 anos de existência, foram apenas sete (1993, 96, 99, 2002, 2005, 2006 e 2007) as vezes em que o vencedor dos PGA não coincidiu tempos depois com o vencedor da estatueta dourada mais aguardada da noite. E, como se pode ver pelos anos acima referidos, de 2008 para cá tem sido limpinho e fácil antecipar vencedores. Ora, este ano, ao fim de 25 anos a ajudar as casas de apostas, aconteceu algo inédito nos PGA - um empate.
    Tornando a corrida aos óscares, nos quais certamente não haverá um empate (numa categoria tão forte), ainda mais renhida e imprevisível, a votação recaiu de forma igual em 'Gravity' e '12 Years a Slave' deixando tanto Cuáron como McQueen e os respectivos elencos e produtores com legítimas e equilibradas aspirações.
    A noite dos Producers Guild Awards coroou ainda 'Frozen' como melhor filme de Animação; na televisão 'Breaking Bad' manteve a sua justa senda de vitórias, enquanto que 'Modern Family' e 'Behind the Candelabra' também ganharam nas suas categorias.

16 de janeiro de 2014

Óscares 2014: Nomeações

Foi há momentos que ficámos a saber todos os nomeados para os Óscares 2014. Chris Hemsworth, o Thor do grande ecrã - que este ano fez de James Hunt em 'Rush' - juntou-se a Cheryl Boone Isaacs e passámos a ter a certeza sobre todos os filmes e actores/ actrizes que concorrem aos prémios máximos do Cinema. No geral, não houve grandes surpresas, os comentários necessários estarão presentes abaixo de cada categoria.
    Num balanço geral, 'American Hustle' reuniu 10 nomeações (incluindo Filme, Realizador, Argumento Adaptado e as 4 diferentes categorias de interpretação) e 'Gravity' também conseguiu amealhar 10 nomeações, mas com uma esmagadora dose técnica. '12 Years a Slave' reuniu 9 nomeações, enquanto que 'Dallas Buyers Club' e 'The Wolf of Wall Street' tiveram mais crédito - e ainda bem - do que se esperava com 6 e 5 nomeações respectivamente.
E agora podem ver os nomeados deste ano:

Melhor Filme
12 Years a Slave, The Wolf of Wall Street, Captain Phillips, American Hustle, Dallas Buyers Club, Her, Nebraska, Philomena, Gravity

    9 nomeados. As maiores surpresas acabaram por ser as inclusões de 'Dallas Buyers Club' e 'Philomena' (embora nos últimos dias andassem a ser bastante falados nos bastidores do Cinema americano) e, embora já fosse esperado mas não garantido, é bom constatar que foi dado o merecido crédito a 'The Wolf of Wall Street' e 'Her'.

Melhor Actor
Leonardo DiCaprio (The Wolf of Wall Street), Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club), Bruce Dern (Nebraska), Christian Bale (American Hustle), Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave)

    Boas surpresas. Tom Hanks e Robert Redford não foram considerados e abriram espaço para Leonardo DiCaprio e Christian Bale, sobretudo DiCaprio era obrigatório constar.

Melhor Actriz
Cate Blanchett (Blue Jasmine), Sandra Bullock (Gravity), Amy Adams (American Hustle), Judi Dench (Philomena), Meryl Streep (August: Osage County)

    Uma categoria cujo quinteto final era previsível, embora a Academia tenha optado por trocar a esperada Emma Thompson por Amy Adams. Alegadamente, a dúvida era entre incluir Streep e Adams.

Melhor Actor Secundário
Michael Fassbender (12 Years a Slave), Jared Leto (Dallas Buyers Club), Jonah Hill (The Wolf of Wall Street), Barkhad Abdi (Captain Phillips), Bradley Cooper (American Hustle)

    A Academia deu mesmo a nomeação a Barkhad Abdi após o seu 1.º papel na indústria do Cinema e fez justiça ao incluir Jonah Hill neste lote de 5 homens. Daniel Brühl ficou certamente perto.


Melhor Actriz Secundária

Jennifer Lawrence (American Hustle), Lupita Nyong'o (12 Years a Slave), Julia Roberts (August: Osage County), June Squibb (Nebraska), Sally Hawkins (Blue Jasmine)

Melhor Realizador
Steve McQueen (12 Years a Slave), Alfonso Cuáron (Gravity), Martin Scorsese (The Wolf of Wall Street), Alexander Payne (Nebraska), David O. Russell (American Hustle)

    Mais uma categoria dentro das expectativas. Scorsese surge - justamente - num lugar que se esperava que fosse atribuído a ele ou Spike Jonze, ou ainda aos irmãos Cohen caso a Academia engraçasse com 'Inside Llewyn Davis', algo que não aconteceu.

Melhor Argumento Original
Her, Blue Jasmine, American Hustle, Dallas Buyers Club, Nebraska

Melhor Argumento Adaptado
The Wolf of Wall Street, 12 Years a Slave, Before Midnight, Captain Phillips, Philomena

    No Argumento Adaptado foi 100% como imaginado, enquanto que nos Originais apenas era esperado 'Inside Llewyn Davis' e foi indicado 'Dallas Buyers Club'.

Melhor Filme Estrangeiro
The Great Beauty (Itália), The Broken Circle Breakdown (Bélgica), The Hunt (Dinamarca), Omar (Palestina), The Missing Picture (Cambodja)



Melhor Filme de Animação

Frozen, The Croods, Despicable Me 2, The Wind Rises, Ernest & Clementine

Melhor Banda Sonora
Gravity, Her, Philomena, Saving Mr. Banks, The Book Thief

Melhor Fotografia
Gravity, Inside Llewyn Davis, Nebraska, Prisoners, The Grand Master

Melhor Edição
American Hustle, 12 Years a Slave, Gravity, Dallas Buyers Club, Captain Phillips

Melhor Música
"The Moon Song" (Her), "Let it Go" (Frozen), "Ordinary Love" (Mandela: Long Walk to Freedom), "Happy" (Despicable Me 2), "Alone Yet Not Alone" (Alone Yet Not Alone)

Melhor Edição de Som
Gravity, Lone Survivor, The Hobbit: The Desolation of Smaug, Captain Phillips, All is Lost

Melhor Mistura de Som
Gravity, The Hobbit: The Desolation of Smaug, Lone Survivor, Inside Llewyn Davis, Captain Phillips

Melhores Efeitos Visuais
Gravity, The Hobbit: The Desolation of Smaug, The Lone Ranger, Iron Man 3, Star Trek Into Darkness

Melhor Design de Produção
Gravity, American Hustle, Her, 12 Years a Slave, The Great Gatsby

Melhor Maquilhagem
Dallas Buyers Club, The Lone Ranger, Jackass Presents: Bad Grandpa

Melhor Guarda-Roupa
American Hustle, 12 Years a Slave, The Invisible Woman, The Great Beauty, The Grandmaster

Melhor Curta-Metragem
Helium, The Voorman Problem, Aquel No Era Yo (That Wasn't Me), Avant Que De Tout Perdre (Just Before Losing Everything), Pitääko Mun Kaikki Hoitaa? (Do I Have to Take Care of Everything?)

Melhor Curta-Metragem de Animação
Get a Horse!, Feral, Mr. Hublot, Possessions, Room on the Broom

Melhor Documentário
The Act of Killing, Dirty Wars, The Square, 20 Feet From Stardom, Cutie and the Boxer

Melhor Documentário (Curta)
Facing Fear, Karama Has No Walls, CaveDigger, The Lady in Number 6: Music Saved My Life, Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall

15 de janeiro de 2014

Crítica: Her

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2014 
Realizador: Spike Jonze
Argumento: Spike Jonze
Elenco: Joaquin Phoenix, Scarlett Johansson, Amy Adams, Rooney Mara, Olivia Wilde 
Classificação IMDb: 8.0 | Metascore: 90 | RottenTomatoes: 95%
Classificação Barba Por Fazer: 88


    Spike Jonze é um homem com uma boa cabeça. Frequentemente no mundo das curtas-metragens, tinha realizado até hoje 'Being John Malkovich', 'Adaptation' e 'Where the Wild Things Are' e ao 4.º filme conseguiu a sua obra-prima, num argumento de génese totalmente escrito por si. 'Her' é muito provavelmente o Melhor Argumento Original do ano. Ganhou o Globo de Ouro nessa categoria e é pertinente, sensível e inteligente.
    Num futuro não muito distante do mundo actual, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) acabou uma relação recentemente com Catherine (Rooney Mara) e é responsável, numa empresa, por escrever cartas de amor pessoais para pessoas com dificuldades em expressar os seus sentimentos. Theodore é um homem solitário, fechado no seu mundo até ao dia em que compra um sistema operativo com inteligência artificial, projectado com base nas sua personalidade e com a capacidade de evoluir como um ser humano. "Samantha" (voz de Scarlett Johansson) e Theodore desenvolvem uma relação, acabando o OS por aprender progressivamente como são as relações humanas, embora sem nunca ter um corpo que permita que a relação dê um passo determinante. Tudo o resto é cinema, bom cinema, é uma evolução bem pensada, futurista mas tangível. São sentimentos sem toque e ensinamentos metaforizados.
    O intelecto de Spike Jonze permitiu que 'Her' seja tudo: drama, ficção científica, romance e até comédia. É um filme sobre relações humanas e sobre o amor, com Samantha a funcionar na perfeição como a redoma individualizada que a tecnologia nos permite hoje em dia. Pode um homem apaixonar-se por uma máquina? Claro que a esta pergunta de normalmente fácil resposta, importa acrescentar que a máquina tem a voz da Scarlett Johansson.

    'Her' é claramente candidato a vencer o óscar de Melhor Argumento Original e seria interessante constar da lista de nomeados a Melhor Filme. Joaquin Phoenix está muitos furos acima do seu papel em 'The Master', que lhe valeu uma injusta nomeação a Melhor Actor no ano passado e este deve ser mesmo o melhor papel em que já o vi (o seu azar é que este é um ano bastante rico a nível de interpretações). Mais difícil mas não impossíveis serão as nomeações de Spike Jonze para realizador e a dupla Scarlett Johansson/ Amy Adams para actrizes secundárias, embora fique a questão: pode uma voz ser nomeada para um óscar de melhor actriz secundária?
    Vendo 'Her' é inevitável pensarmos em outros bons filmes como 'Lars and the Real Girl' ou 'Bicentennial Man' que juntos dariam em linhas gerais este filme. Spike Jonze teve a ideia de 'Her' quando leu um artigo sobre troca de mensagens instantâneas com estruturas com AI - ao início há um fase de excitação e curiosidade, mas que depois se gasta, embora o sistema se torne cada vez mais inteligente ao falar com um número cada vez maior de pessoas. Scarlett substituiu a actriz Samantha Morton - e ainda bem - e a banda sonora de 'Her' é também excelente com os Arcade Fire a trabalharem para o filme e Karen O (das Yeah Yeah Yeahs) a dar uma mãozinha. 'Her' é um bom e diferenciador filme, e preenche também as expectativas de quem já quis ouvir uma espécie de orgasmo das actrizes Scarlett Johansson e Kristen Wigg. Sim, eu sei que escrever "orgasmo" e "Scarlett Johansson" no mesmo artigo irá potenciar as hipóteses de muita gente chegar a ele em motores de busca. Já agora, há um momento bastante bom e intimista quando Scarlett canta The Moon Song acompanhada pelo ukelele de Joaquin Phoenix. Ah, e aquele boneco cabeçudo e cómico (quem vir o filme reconhecê-lo-á facilmente por esta descrição) merecia um filme só para ele. A voz foi-lhe dada curiosamente pelo realizador Spike Jonze (que, já agora, a título de curiosidade entrou em 'The Wolf of Wall Street' embora o seu papel não entre nos créditos).
    São as relações 2.0 e todo um conjunto - um bom conceito, um bom realizador, bons papéis e boa música - que fazem de 'Her' um dos filmes interessantes deste ano. Já dá para afirmar que este ano foi superior ao ano passado do Cinema, a nível de filmes e de actores/ actrizes.
    Tem um bom fim, outro bom momento com a carta de Theodore para Catherine e o bom papel de Samantha só se torna real graças a Theodore, pois é nas reacções de Joaquin Phoenix que se espelham as palavras e emoções da voz de Scarlett. É sensitivo, é físico sem o ser, é futuro ao ser presente, é o amor contado por Spike Jonze em 'Her'.

10 de janeiro de 2014

Crítica: The Wolf of Wall Street

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2014 
Realizador: Martin Scorsese
Argumento: Terrence Winter, Jordan Belfort
Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey, Kyle Chandler, Jon Bernthal, Jean Dujardin 
Classificação IMDb: 8.2 | Metascore: 75 | RottenTomatoes: 77%
Classificação Barba Por Fazer: 85


    DiCaprio em grande. Scorsese em grande. Foi já criticado, foi já elogiado, 'The Wolf of Wall Street' é um dos 2 filmes do ano juntamente com '12 Years a Slave'. Claro está que tudo necessitará de profundo concílio entre a nossa equipa para os "Óscares Barba Por Fazer" que apresentaremos perto da data dos óscares que realmente interessam, mas no que a mim me diz respeito este Lobo junta-se ao Escravo como os grandes destaques do ano, conseguindo DiCaprio e Scorsese para mim a camisola amarela na corrida ao título de filme do ano.
    Esqueçam 'Wall Street' de 1987 com Michael Douglas como Gordon Gekko, esqueçam o irreverente  e menos conhecido 'Boiler Room'. 'The Wolf of Wall Street' é o rei dos filmes da bolsa. E muito mais.
    O novo filme de Martin Scorsese tem 3 horas de duração - ligeiramente mais do que o sumo da história pedia -, baseando-se na obra escrita pelo próprio Jordan Belfort, magnificamente transformada em argumento por Terrence Winter. O filme já levantou grande polémica por ser considerado pela Crítica como uma glorificação abusiva do errado, em vez de uma sátira destrutiva. A verdade é que Scorsese e DiCaprio (dupla em trabalho conjunto pela 5.ª vez) fazem o filme transbordar humor negro por todos os lados, carisma até ao tutano e cocaína em fila indiana.
    Sem dizer demais e ser spoiler, o filme começa com Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) a iniciar-se como corrector da bolsa em Wall Street. O seu chefe Mark Hanna (Matthew McConaughey) ensina-lhe que o sucesso dele terá por base uma vida de excessos, com droga e prostitutas presentes. No dia em que consegue a sua licença, Jordan Belfort vê-se sucumbido perante a "Segunda-feira Negra" e é obrigado a encontrar um caminho alternativo para obter a mais potente droga de todas: o dinheiro. Belfort começa então por baixo, numa correctora de acções de baixo custo mas com uma esmagadora margem de lucro para si e acaba por criar a sua firma - Stratton Oakmont - ensinando vários dealers a saber vender segundo um guião, e contando desde a génese com o seu inseparável Donnie Azoff (Jonah Hill). Tudo o resto é espectáculo. É cinema. É uma montanha russa de excessos, de adrenalina e vida no limite, de liderança e de auto-destruição, numa ambição e ganância sem horizonte final. Porque a meta é sempre ter e ser mais. Sempre mais.
    Para mim, desde 'Blood Diamond' que Leonardo DiCaprio não apresentava este nível. Cada discurso de Belfort para a sua equipa impressiona (brilhante como vende à sua equipa o potencial de Madden, e o discurso de quase-despedida), cada atitude excêntrica convence a audiência relativamente a um grande papel. Em 2007, DiCaprio foi nomeado para Melhor Actor num dos anos recentes com maior qualidade - perdeu para Forest Whitaker (The Last King of Scotland) mas havia ainda Will Smith (The Pursuit of Happyness) e Ryan Gosling (Half Nelson). Sete anos depois DiCaprio merece a nomeação, merece a vitória por ser o melhor papel de um actor este ano, mas infelizmente cheira-me que não lhe darão a vitória e nem a nomeação é garantida. DiCaprio dá tudo dele neste papel, brilha nos monólogos dirigidos à audiência e para os seus seguidores. Um grande papel de um grande actor, orientado pelo realizador que melhor sabe espremer seu talento. Vemos DiCaprio no grande ecrã e parece que estamos a ver um actor "no ponto", uma simbiose ou fusão das melhores características de Jack Nicholson e Marlon Brando. Scorsese começou a ser colocado nas shortlists de candidatos a Melhor Realizador quando o filme estreou, e justifica-se. Para além de tudo isto, há um pequeno contributo de Matthew McConaughey (a música à mesa foi improvisada por ele, tal como muitas coisas do filme foram deixadas ao improviso) no início do filme, uma Margot Robbie que - com uns surpreendentes 23 anos - confirmou expectativas e conjugou um bom papel com a sua garantida ascensão como sex symbol, e Jon Bernthal (o Shane de Walking Dead) fica intimamente ligado à qualidade do filme e à memória que este deixar, com a cena sell me this pen.
    Depois de tudo isto há Jonah Hill no papel de Donnie Azoff. Jonah continua irremediavelmente com a sua piada, mas agora já não há dúvidas do actor que ali está. Em 'Moneyball', ao lado de Brad Pitt, surpreendeu, mas desta vez é o papel da sua (ainda precoce) carreira. Quase parece em alguns momentos que estamos a ver o apogeu - felizmente sistematicamente adiado - de DiCaprio e Hill, numa espécie de dupla DeNiro/ Pesci, nos 'Goodfellas' de Scorsese. O filme deve ser portanto nomeado para a categoria principal, Scorsese pode ter ambições, DiCaprio deveria ser uma garantia mas nem é certo que figure entre os 5 finalistas e Jonah Hill à partida deve-se juntar a Barkhad Abdi, Bradley Cooper e Daniel Brühl na luta pelos 3 lugares que farão companhia a Michael Fassbender e Jared Leto. A nomeação para Melhor Argumento Adaptado parece mais linear e segura.
    Quanto a curiosidades: o papel principal esteve supostamente entre DiCaprio e Brad Pitt, a cena do beijo entre Jordan Belfort e a tia Emma foi repetida 27 vezes por nervosismo de DiCaprio, sempre que surge cocaína trata-se na realidade de vitaminas e Jonah Hill quis mesmo comer o peixe por toda a gente estar a dar tudo de si no filme, mas não o deixaram. Para além de tudo o que já foi dito acima, junta-se uma boa banda sonora e a cena em que se vê uma mulher, no infernal, caótico e insano ambiente da bolsa, a deixar o seu cabelo ser rapado como atracção do dia por dinheiro já foi comparada ao momento em que Patsey é chicoteada em '12 Years a Slave' como momentos-chave do espírito de ambos os filmes, nos quais não há limites e o pecado respira por todos os poros. 

    É o filme do ano, com DiCaprio no seu melhor. O filme vende-se sozinho, por isso: sell me this pen.

9 de janeiro de 2014

Crítica: August - Osage County

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2014 
Realizador: John Wells
Argumento: Tracy Letts
Elenco: Meryl Streep, Julia Roberts, Ewan McGregor, Abigail Breslin, Margo Martindale, Benedict Cumberbatch, Sam Shepard 
Classificação IMDb: 7.2 | Metascore: 58 | RottenTomatoes: 64%
Classificação Barba Por Fazer: 71


    Estava no outro dia a falar com um amigo meu e ele referia (e bem) o facto de nos últimos anos a Academia gostar sempre de ter o "filme da família". Longe vão os tempos de um filme de família com total cabimento na corrida às estatuetas douradas, como 'Four Weddings and a Funeral' ou mais recentemente 'Little Miss Sunshine'. Desde aí viu-se um 'The Kids Are All Right' (inevitavelmente lembra-me sempre o nome parecido de uma música dos The Offspring) nomeado para 4 óscares e, na senda desse mesmo filme, August: Osage County não é filme de óscar. Corrijo: não há razões para aspirar a ser nomeado para Melhor Filme, mas deve conservar legítimas esperanças a nível de interpretações femininas.
    August: Osage County é um argumento adaptado, colocando no grande ecrã a peça de Tracy Letts, um enorme sucesso norte-americano, descrito como uma peça de humor negro onde uma família confronta o seu passado e o seu presente. Em suma, em August: Osage County há uma reunião familiar motivada pelo desaparecimento do pai da família Weston, Beverly (Sam Shepard), marido de Violet Weston (Meryl Streep), uma mulher viciada em comprimidos e sem papas na língua. A ocasião proporciona o reencontro das 3 irmãs - entre as quais Barbara (Julia Roberts) se apresenta como a mais forte e preocupada em controlar e "pôr nos eixos" a mãe, a imprevisível Violet. A crise que gera todo este reencontro na casa onde as mulheres Weston foram criadas vê-se ainda apimentada por várias relações e condicionantes, uma das quais digna de uma novela da TVI. 
    Aqui está um filme que tem elenco de filme de óscar, mas que não tem a qualidade de filme de óscar. E provavelmente o factor John Wells na realização também não tenha ajudado o filme. Não obstante, reúne-se aqui uma bem mais crescida Abigail Breslin (curiosamente a estrela de 'Little Miss Sunshine', referido lá em cima); Benedict Cumberbatch que continua em busca do seu grande papel cinematográfico, depois do sucesso na série 'Sherlock', e que nos mostra aqui num momento ao piano que até não canta nada mal; e depois actores e actrizes como Ewan McGregor, Margo Martindale, Sam Shepard ou Chris Cooper.
    No entanto, os dois bons motivos de 'August: Osage County' são Meryl Streep e Julia Roberts. A 1.ª pode ser considerada actriz principal e a 2.ª secundária, mas a coesão de forças no grande ecrã faz com que muitas das vezes estejamos perante um filme com co-protagonistas femininas. Embirro ocasionalmente com Meryl Streep mas a verdade é que a super-nomeada actriz saiu do seu registo habitual ao fazer de Dama de Ferro e 1 ano depois continua a estar bem longe do seu ADN normal, com uma boa interpretação. Relativamente a Julia Roberts, podemos dizer que o cinema a tem de volta. O filme poderá ser nomeado para Melhor Argumento Adaptado, mas as nomeações mais esperadas por todo o elenco e produção serão as das 2 actrizes. Streep disputará com Emma Thompson e Amy Adams um conjunto de 2 lugares - luta da qual não se deve excluir também as jovens Adèle Exarchopoulos e Brie Larson -, isto considerando que Cate Blanchett, Sandra Bullock e Judi Dench são dados garantidos. Por outro lado, Julia Roberts sabe que na sua categoria Jennifer Lawrence e Lupita Nyong'o são quase certezas e por isso inserir-se-á num lote com June Squibb, Oprah Winfrey, Sally Hawkins e Scarlett Johansson na corrida a 3 lugares. Octavia Spencer e Léa Seydoux também poderiam ser consideradas, mas são menos prováveis.
    Bom momento de Meryl Streep a contar a história das botas e é curioso como aquela que acaba por ser a cena cabeça-de-cartaz do filme - a longa cena à mesa com toda a família reunida em acesa conversa - perde em larga escala a nível de conteúdo para uma cena semelhante do ponto vista cénico de 'Before Midnight'.

8 de janeiro de 2014

Crítica: Dallas Buyers Club

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2014 
Realizador: Jean-Marc Vallée
Argumento: Craig Borten, Melisa Wallack
Elenco: Matthew McConaughey, Jared Leto, Jennifer Garner, Steve Zahn, Denis O'Hare 
Classificação IMDb: 8.0 | Metascore: 84 | RottenTomatoes: 94%
Classificação Barba Por Fazer: 79


    Muitos terão visto 'The Machinist' com Christian Bale. Na altura o batman "brincou" com o seu peso e ficou irreconhecível. Tal magreza e transfiguração voltou a repetir-se - ainda que em menor escala - em 'The Fighter' pelo qual Christian Bale ganhou então de forma mais do que justa o óscar de melhor actor secundário. Na senda dessas impressionantes transformações, eis Matthew McConaughey em 'Dallas Buyers Club'. Já há vários anos que se perdeu o estigma de que um sex symbol morre exclusivamente dentro desse cliché e não pode ser fora disso um bom actor. Veja-se DiCaprio, veja-se Johnny Depp, veja-se Brad Pitt, Ryan Gosling ou Bradley Cooper. Não Jennifer Lawrence e Scarlett Johansson, não perderam o estatuto de sex symbols para mim, apenas estou a falar em nome do povo feminino. Vários anos depois de entrar em 'Como Perder um Homem em 10 dias', Matthew mostra-nos agora Como Perder Muitos Quilos para um filme. A transfiguração do actor impressiona e, a nível de preparação para um papel, o mérito de Matthew e a nomeação/ vitória no óscar seria justamente dele e de mais ninguém. Mas vamos ao filme.
    'Dallas Buyers Club' conta a história de Ron Woodroof (Matthew McConaughey), um electricista homofóbico e cowboy nos populares rodeos locais, que acusa positivo o vírus da SIDA. Rapidamente Ron se vê marginalizado pelos seus pares e procura tentar sobreviver à custa de uma droga em fase experimental e autorizada pela FDA (Food and Drug Administration) chamada AZT. O consumo de AZT não melhora o estado de saúde de Ron, que acaba por recorrer a uma terapia alternativa - às margens da lei da FDA e à base de DDC e do péptido-T - procurando a todo o custo ajudar outras pessoas com HIV ao comercializar para eles essas mesmas substâncias não-aprovadas mas com efeitos positivos.
     Em todo este processo Ron conta com a ajuda de um transsexual de nome Rayon (Jared Leto), que Ron vai progressivamente considerando um amigo, e com os conselhos de uma médica interpretada por Jennifer Garner.
    Jared Leto perdeu 14 quilos para ser Rayon e Matthew McConaughey perdeu uns expressivos e avassaladores 23 quilos para este papel. Claro está que os óscares e a avaliação de um papel não se limitam a um The Biggest Loser, mas confesso que, talvez por ter criado expectativas elevadas, os papéis dos 2 actores são de bom nível mas não "rebentam a escala". É quase de certeza o melhor papel da carreira de cada, ainda que Jared Leto tenha estado bastante bem em 'Requiem for a Dream'. A personagem de McConaughey é interessante, com muitas imagens e momentos que arrepiam, e com uma humanidade posta progressivamente a descoberto. Jared, na pele de Rayon, transforma-se e terá talvez a sua grande cena em conversa com o pai.
    Talvez o problema tenha sido eu criado à priori expectativas muito elevadas para ambos, como já referi, mas 'Dallas Buyers Club' não é um filme do outro mundo, embora recomende e seja interessante vê-lo. Aceito que Jared Leto seja nomeado para o óscar de melhor actor secundário, mas nessa categoria Michael Fassbender, em '12 Years a Slave', neste momento tem grande vantagem para a concorrência. A nível de melhor actor ainda não vi nenhum desempenho este ano que fosse extraordinário (tenho esperança em ti DiCaprio!), mas já vi muitos - muitos mesmo - bons e entre eles muito provavelmente Matthew McConaughey será um dos que merece um lugar entre os nomeados a melhor actor e (e terá garantidamente essa nomeação), quem sabe, até mesmo a vitória. A ele poder-se-iam juntar Chiwetel Ejiofor, Tom Hanks, Hugh Jackman, Michael B. Jordan ou Christian Bale. A 15 de Janeiro saberemos mais mas, a nível de nomeações McConaughey e Leto são certezas, às quais se podem juntar eventualmente a nomeação para Melhor Maquilhagem e, visto que os PGA colocaram Dallas BC entre os 10 filmes do ano, o projecto de Jean-Marc Vallée poderá até correr por fora na luta ao óscar máximo. Para já teremos dia 12 os Golden Globes (nos quais há várias vezes muita coisa que difere dos óscares) nos quais a dupla McConaughey e Leto pode começar a sua escalada de ambições.

    Desiludiu-me, mas porque eu coloquei o filme logo à partida num pedestal exagerado e injusto. E, depois de 'The Lincoln Lawyer' ou 'Mud' acho que já não há quaisquer dúvidas do valor de Matthew como actor. Próximo passo: 'Interstellar' realizado por Christopher Nolan, a estrear no final de 2014.

4 de janeiro de 2014

Crítica: 12 Years a Slave

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2014 
Realizador: Steve McQueen
Argumento: Salomon Northup, John Ridley
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Lupita Nyong'o, Benedict Cumberbatch, Sarah Paulson, Paul Dano, Brad Pitt 
Classificação IMDb: 8.1 | Metascore: 96 | RottenTomatoes: 96%
Classificação Barba Por Fazer: 81


    Depois de 'Django Unchained', 'Lincoln' (por todo o enredo se desenrolar à volta da decisão de abolir a escravatura) e mais recentemente 'The Butler', o papel dos negros no contexto socio-cultural americano parecia estar já gasto e usado demais no cinema recente. No entanto, McQueen arriscou e conseguiu uma perspectiva diferente. Um filme forte, intenso, cru e sem tabus. A impressão digital característica de Steve McQueen.
    12 Years a Slave relata a história verídica de Salomon Northup - baseando-se o argumento no livro que foi escrito pelo próprio em 1853. Salomon Northup (Chiwetel Ejiofor) era um homem livre que, depois de enganado e raptado, é introduzido numa rede de escravidão, servindo diferentes "mestres" ao longo do tempo, num período em que os escravos eram encarados como propriedade e não como pessoas. Depois de vários filmes com a escravidão e o racismo presentes, surge o mais transparente, o mais fiel, e no qual a escravização de um homem livre resulta bem com a audiência por se poder imaginar como seria essa passagem. Em 'Django Unchained', Jamie Foxx interpreta um homem com algumas semelhanças, mas o efeito Tarantino nesse caso coloca o filme num espectro diferente. Quentin cartoonizou aquilo que McQueen mostra totalmente sem filtros. 12 Years a Slave é mais realista, menos sanguinário (Tarantino é Tarantino, é um mundo à parte, incomparável), mas com uma dose muito maior de sofrimento. Depois de escravizado, Salomon diz a dada altura I don't want to survive. I want to live. Mas a verdade é que na hora seguinte o que vemos é Salomon de facto a tentar sobreviver, para poder depois finalmente voltar a viver, procurando manter-se são e racional numa conjuntura criminosa. O primeiro "mestre" de Salomon - então obrigado a responder pelo nome Platt - é Ford (Benedict Cumbercatch), um homem que percebe que Salomon não pertence àquele mundo (como ninguém devia pertencer), que o defende mas que não é capaz de lutar definitivamente pela sua emancipação. Ford protege-o de Tibeats (Paul Dano), um dos actores em destaque no filme. Paul Dano tem várias cenas de enorme qualidade, e é um actor que já merecia outro reconhecimento e protagonismo.
    O 2.º mestre a que Salomon/ Platt é entregue é Edwin Epps, interpretado por Michael Fassbender, provavelmente o maior destaque do filme a nível de interpretação. Um homem que abusa de uma das suas escravas (Patsey - Lupita Nyong'o) contra a vontade da sua mulher (Sarah Paulson). Edwin Epps é a total personificação de um mundo preconceituoso e desajustado, uma personagem que acha que os seus escravos são sua propriedade, lidando com eles ao sabor do vento. O destino de Salomon só muda quando surge Bass (Brad Pitt), um canadiano capaz de lutar pelo certo em vez de esconder a cabeça entre as pernas e aceitar o errático mundo.
    Steve McQueen conseguiu um dos filmes do ano. Para tal contribuiu a excelente banda sonora de Hans Zimmer, um rico património gráfico a nível de Fotografia e, claro, um elenco magnificamente escolhido e trabalhado. Actores como Paul Dano e Sarah Paulson estão e são excelentes e continuam a demonstrar terem potencial para voos mais altos; Lupita Nyong'o - à partida disputará o óscar de melhor actriz secundária com Jennifer Lawrence - é uma das boas surpresas, numa personagem em total desespero e que suplica a Salomon que ponha termo à sua vida. Depois há Chiwetel Ejiofor, que será certamente nomeado para melhor actor nos óscares. Conseguiu mostrar a dificuldade que era manter a sanidade, mantendo a esperança no seu futuro. Por fim, Michael Fassbender. O menino-bonito de McQueen (titular indiscutível nos filmes do realizador, já participara em 'Hunger' e 'Shame') é A personagem de 12 Years a Slave. Mexe com os outros à medida que ele próprio actua consoante o que lhe dá na cabeça, e é um nome garantido na categoria de melhor actor secundário do ano. Será entre ele e Jared Leto, provavelmente.
    Um bom filme, com momentos marcantes (a forma como Salomon luta por subsistir quase enforcado; os diálogos mais icónicos de Salomon com Edwin Epps e com Patsey; a música cantada no funeral em que a câmara foca apenas Salomon; o castigo de Patsey; os vários segundos apreciando a reflexão e o desespero no olhar de Salomon, num claro momento à McQueen).
    Parte como um dos favoritos a filme do ano e nos próximos óscares deve somar aproximadamente 11 nomeações. Melhor Filme, Melhor Realizador (Steve McQueen), Melhor Actor (Chiwetel Ejiofor), Melhor Actor Secundário (Michael Fassbender), Melhor Actriz Secundária (Lupita Nyong'o), Melhor Argumento Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Banda Sonora e talvez mais 3 categorias técnicas.
    Intenso, dramático, violento, marcante. Alguém lhe chamou 'A Lista de Schindler' dos filmes sobre escravidão. É exagerado, mas 12 Years a Slave já tem lugar marcado na história do cinema moderno.