Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

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23 de fevereiro de 2015

'Birdman' vence Óscares 2015

E lá aconteceu. A 87.ª edição dos Óscares da Academia ocorreu na noite passada e, com uma ou outra surpresa pelo meio, distinguiu 'Birdman' como filme do ano. O filme do mexicano Alejandro González Iñárritu, que era um dos favoritos da noite, ganhou 4-1 a 'Boyhood', e empatou em nº de estatuetas conquistadas com 'The Grand Budapest Hotel'. Um 4-4 com clara vantagem para 'Birdman' considerando o valor das categorias ganhas.
    Neil Patrick Harris conduziu a cerimónia, introduzindo-a através de um número musical (com Anna Kendrick e Jack Black incluídos) onde passou debaixo das pernas de Sharon Stone; para além disso, gozou com John Travolta (na piada Cumberbatch-Affleck e no seu envelope final de previsões), ficou em cuecas à la Michael Keaton, descobriu o gémeo de Matt Damon e disparou em direcção à polémica acerca da ausência de actores negros entre os nomeados.
    John Legend e Common (que viriam a ganhar o óscar com "Glory") ofereceram-nos o melhor momento musical da noite, embora Lady Gaga tenha tributado condignamente 'The Sound of Music' 50 anos depois. Adam Levine, Rita Ora, Jennifer Hudson, Tim McGraw e uma invasão de palco que mais parecia a Comic-Con para cantar "Everything is Awesome" foram os restantes destaques musicais da noite.
    Nos discursos, os mais marcantes terão sido porventura Graham Moore ("Stay weird") após vencer pelo Argumento Adaptado de 'The Imitation Game'; Patricia Arquette no seu final feminista, J.K. Simmons a abrir com a ode aos pais, e Alejandro G. Iñárritu - que foi 3 vezes ao palco - quando venceu como Melhor Realizador. Houve também espaço para todos os vencedores de 'The Grand Budapest Hotel' agradecerem a Wes Anderson, tal como as 3 vezes que 'Whiplash' subiu ao palco resultaram no maior reconhecimento de Damien Chazelle. Pelo meio de tudo isto, alguém dedicou a vitória também ao seu cão, o realizador de 'Ida' Pawel Pawlikowski embora estivesse a ter um discurso engraçado foi "convidado" a sair do palco onde parecia querer acampar, primeiro pela habitual música e depois por uma salva de palmas, e o agradecimento mais genuíno foi sem dúvida de Eddie Redmayne. Fica para a História. 

Melhor Filme: Birdman
Melhor Realizador: Alejandro G. Iñárritu
Melhor Actor: Eddie Redmayne (The Theory of Everything)
Melhor Actriz: Julianne Moore (Still Alice)
Melhor Actor Secundário: J.K. Simmons (Whiplash)
Melhor Actriz Secundária: Patricia Arquette (Boyhood)
Melhor Argumento Original: Birdman
Melhor Argumento Adaptado: The Imitation Game
Melhor Design de Produção: The Grand Budapest Hotel
Melhor Fotografia: Birdman
Melhor Guarda-Roupa: The Grand Budapest Hotel
Melhor Edição/ Montagem: Whiplash
Melhor Caracterização: The Grand Budapest Hotel
Melhor Banda Sonora: The Grand Budapest Hotel
Melhor Mixagem de Som: Whiplash
Melhor Edição de Som: American Sniper
Melhores Efeitos Visuais: Interstellar
Melhor Música: "Glory", Selma
Melhor Filme de Animação: Big Hero 6
Melhor Filme Estrangeiro: Ida
Melhor Documentário: Citizenfour
Melhor Curta-Metragem: The Phone Call
Melhor Documentário (Curta): Crisis Hotline: Veterans Press 1
Melhor Curta de Animação: Feast

    Contas feitas, 'Birdman' venceu 4: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Original e Melhor Fotografia, confirmando um realizador mexicano a suceder a outro realizador mexicano, e manteve-se a correlação entre Producers Guild Awards e os Óscares. Aliás, se considerarmos os vencedores nos Producers, Directors, Screen Actors e Writers Guild Awards a única diferença acabou por ser 'Birdman' ganhar o Argumento Original e não 'The Grand Budapest Hotel'.
    Os 4 actores vencedores foram os apontados como favoritos (torcíamos sobretudo por J.K. Simmons e Redmayne), num ano em que não nos podemos queixar propriamente de justiça nas categorias de interpretação. 'The Grand Budapest Hotel', embora não tenha sido um papa-técnicos como 'Gravity' no ano passado, venceu 4 óscares (imaginava-se que poderia ganhar 4 ou 5); e 'Whiplash' acabou por ficar no último lugar do pódio ao juntar ao Actor Secundário e Mixagem de Som a estatueta por Edição/ Montagem que se esperava que fosse para 'Boyhood'.
    A Edição foi assim uma das surpresas da noite, juntamente com o facto de 'Birdman' ter batido 'The Grand Budapest Hotel' no Argumento Original. Embora nesse caso tenha sido menos surpreendente. Uma grande surpresa foi a vitória de 'Big Hero 6' quando 'How to Train Your Dragon 2' parecia uma certeza como Melhor Filme de Animação.

    Venham os próximos!

21 de fevereiro de 2015

Previsões Vencedores Óscares 2015

Quem vai ganhar? O Dolby Theatre em Los Angeles vai receber amanhã à noite a 87.ª edição dos Óscares da Academia e a cerimónia, conduzida por Neil Patrick Harris (How I Met Your Mother), promete e muito. Simplesmente porque este ano parece relativamente mais difícil prever qual será o grande vencedor da noite, porque algumas das principais categorias não têm um claro favorito antecipado. 'Birdman' e 'The Grand Budapest Hotel' são os filmes mais nomeados - ambos com 9 nomeações -, mas a luta pela sucessão a '12 Years a Slave', 'Argo', 'The Artist', etc. deve ser entre 'Boyhood' e 'Birdman'. Depois de 12 anos escravo teremos os 12 anos da juventude de Mason a serem reconhecidos, ou a sátira ao mundo do espectáculo fará voar definitivamente o homem-pássaro?
    Pelo palco vão passar nomes como Cate Blanchett, John Travolta, Scarlett Johansson, Viola Davis, Josh Hutcherson, Liam Neeson, Jessica Chastain ou Meryl Streep. Teremos por exemplo Matthew McConaughey a entregar o óscar a Julianne Moore, e Lupita Nyong'o a dar a estatueta a J.K. Simmons.
    Mais cedo puderam ler os nossos Óscares Barba Por Fazer 2015, mas por agora fiquem com as previsões para amanhã (num ano mais difícil de prever do que os últimos).

Melhor Filme: Birdman | Boyhood
Melhor Realizador: Alejandro G. Iñárritu | Richard Linklater
Melhor Actor: Eddie Redmayne (Michael Keaton)
Melhor Actriz: Julianne Moore
Melhor Actor Secundário: J.K. Simmons
Melhor Actriz Secundária: Patricia Arquette
Melhor Argumento Original: The Grand Budapest Hotel
Melhor Argumento Adaptado: The Imitation Game (Whiplash)
Melhor Design de Produção: The Grand Budapest Hotel
Melhor Fotografia: Birdman
Melhor Guarda-Roupa: The Grand Budapest Hotel
Melhor Edição/ Montagem: Boyhood
Melhor Caracterização: The Grand Budapest Hotel
Melhor Banda Sonora: The Theory of Everything  | The Grand Budapest Hotel
Melhor Mixagem de Som: Whiplash (American Sniper)
Melhor Edição de Som: American Sniper
Melhores Efeitos Visuais: Interstellar
Melhor Música: "Glory", Selma
Melhor Filme de Animação: How to Train Your Dragon 2
Melhor Filme Estrangeiro: Ida
Melhor Documentário: Citizenfour
Melhor Curta-Metragem: The Phone Call | Butter Lamp | Parvaneh
Melhor Documentário (Curta): Crisis Hotline: Veterans Press 1 | Joanna
Melhor Curta de Animação: Feast | The Dam Keeper


Conclusões finais:

    Há muito que se espera 'Birdman' vs 'Boyhood', mas ainda não é certo quem sairá vencedor do round final. É difícil adivinhar quem vencerá tanto a categoria de Melhor Filme como de Melhor Realizador e é por aí que passará a definição do vencedor da noite. Pela lógica, e analisando a correlação com os vencedores dos Producers Guild Awards (PGA), 'Birdman' deve ser o vencedor. Mas pode acontecer a Academia gostar do projecto de 12 anos de Linklater. Dando o óscar a 'Birdman' depois surge outra questão: a Academia divide o bem pelas aldeias e - tal como nos últimos dois anos - premeia Richard Linklater, ou vai all-in com 'Birdman' e faz com que um realizador mexicano (Iñárritu) suceda a um.. realizador mexicano (Alfonso Cuarón). Oxalá desse uma "travadinha" aos votantes e 'Whiplash' (uma vez que não há 'Interstellar' nos 8) saísse vencedor, mas tirando os favoritos 'Birdman' e 'Boyhood', só 'American Sniper' guarda uma ligeira % naquilo que seria uma vitória política à 'The Hurt Locker'.
    Nas 4 categorias de actores e actrizes, só numa parece haver dúvidas. Julianne Moore, J.K. Simmons e Patricia Arquette já terão o discurso de vitória mais que ensaiado, mas resta saber quem será o Melhor Actor. A luta é entre Michael Keaton e Eddie Redmayne (poderia a Academia recompensar Bradley Cooper pela 3.ª nomeação consecutiva?), e embora o papel de Keaton seja o tipo de papel que os Óscares adoram, os indicadores mais fiáveis apontam Redmayne como favorito. Um dado importante foi a vitória do actor de 'The Theory of Everything' nos SAG (Screen Actors Guild Awards). É preciso recuar a 2003 para um Melhor Actor nos SAG não ter sido depois Melhor Actor nos Óscares..
    'The Grand Budapest Hotel' é favorito no Argumento Original (é provável que a Academia leve Wes Anderson ao palco, tornando o seu filme sucessor de 'Her', 'Django Unchained' e 'Midnight in Paris'; só 'Birdman' ou 'Boyhood' lhe poderiam estragar a festa), e 'The Imitation Game' parte na frente no Adaptado. Das duas uma, ou os votantes querem alguém no palco a homenagear Alan Turing, ou o jovem realizador-argumentista de 'Whiplash' Damien Chazelle terá o seu momento. Gostávamos que acontecesse o segundo cenário.
    Ao contrário do ano passado, neste ano não haverá um papa-prémios técnicos como houve 'Gravity'. A Fotografia de Emmmanuel Lubezki deve valer óscar a 'Birdman', e também é mais ou menos seguro que 'The Grand Budapest Hotel' ganhe em Design de Produção, Guarda-Roupa ('Into the Woods' tem capacidade para se intrometer?) e Caracterização (uma categoria menos fiável porque os outros 2 candidatos têm hipóteses). A banda sonora é um dos pontos de curiosidade da noite: Alexandre Desplat está nomeado 2 vezes ('The Grand Budapest Hotel' e 'The Imitation Game') o que pode ajudar a que os votos tendam para ele na vertente hoteleira. Senão, será um islandês a ganhar.
    A melhor canção deve cair para Selma com a "Glory" de John Legend e Common. Aí basicamente só "I'm Not Gonna Miss You" pode ter algumas esperanças. E de resto estamos em crer que 'Interstellar' vencerá o seu único óscar na categoria de Efeitos Visuais (o cúmulo seria nem isso ganhar e perder para os macacos, que não ganharam em 2012), 'Citizenfour' é o Documentário favorito, 'Boyhood' está na pole position na Edição (não é de afastar as hipóteses 'Whiplash' ou 'American Sniper') e na dupla Edição de Som/ Mixagem de Som ou acontece que 'American Sniper' amealhe os dois de uma vez ou, e arriscamos mais nisso, ganha apenas o primeiro, perdendo no 2.º caso para 'Whiplash'. Dependendo do amor da Academia por 'Birdman', o filme de Iñárritu pode intrometer-se nesta dupla, tal como no argumento original. Embora corra por fora nas 3 categorias.
    E isto leva-nos ao filme de animação e filme estrangeiro. 'How to Train Your Dragon 2' é apontado como favorito (o que só não acontecerá se a Academia preferir o traço de 'Song of the Sea' ou 'The Tale of Princess Kaguya'), e o polaco 'Ida' deve ganhar. A seu favor tem o facto de ser o único filme estrangeiro que soma outra nomeação (Fotografia), mas não achamos de todo impossível o argentino 'Wild Tales' ou o russo 'Leviathan' surpreenderem.
    Por fim, as curtas-metragens. Nas 3 categorias os vencedores esperados são 'The Phone Call', 'Crisis Hotline: Veterans Press 1' e 'Feast'. No entanto, a tarefa pode não ser tão fácil para a curta com Sally Hawkins, 'Joanna' pode roubar 'Crisis' e é um feeling pessoal que o porquinho de 'The Dam Keeper' pode bater o cão de 'Feast'.

    Perante tudo isto, pode dar-se o cenário de em termos de nº de óscares ganhos 'The Grand Budapest Hotel' acabe à frente. O filme de Wes Anderson deve conseguir entre 4-5 óscares, 'Birdman' só tem a Fotografia já na mão, mas pode juntar-lhes os 2 mais importantes da noite (Filme e Realizador) e aí seria, embora só com 3 estatuetas, o grande vencedor. No entanto, parece estranho a Academia gostar de 'Birdman' ao ponto de lhe atribuir essas vitórias mas não premiar Keaton.. Caso seja 'Boyhood' o vencedor, pode ambicionar 4 (Filme, Realizador, Actriz Secundária, Edição) e por isso tudo se decide principalmente na dicotomia Filme/ Realizador. Ou não, se acontecer Birdman/Linklater ou Boyhood/Iñárritu.
    Se 'Boyhood' for o vencedor é difícil que ganhe mais óscares que 'The Grand Budapest Hotel', embora mais valiosos. Com 'Birdman' a "partir a loiça toda" podíamos chegar a um muito improvável total de 7 óscares (Filme, Realizador, Actor, Arg. Original, Fotografia, Edição Som, Mix Som), embora achemos que daí só deve/ pode efectivamente ganhar uns 3 ou 4.

    E pronto, agora vão lá às vossas lides domésticas e amanhã nós estendemos a nossa manta até vocês. Não se esqueçam de trazer pipocas, preferencialmente salgadas.

Fiquem ligados!
Miguel Pontares e Tiago Moreira

Óscares Barba Por Fazer 2015

Há coisas que têm que ser ditas. E por isso temos que ser fortes e abrirmos as hostilidades como há um ano: Senhoras e senhores, meninos e meninas, e tu José Castelo Branco que não te inseres em nenhuma das categorias anteriores, cá estão os Óscares Barba Por Fazer 2015.

    Embora esta seja a 4.ª edição dos nossos humildes prémios, só no ano passado é que começámos a dedicar um artigo exclusivo aos nossos devaneios. As opiniões, vencedores (e mesmo nomeados) que encontrarão abaixo são os nossos e não os da Academia.
    As nossas previsões para os óscares reais chegarão mais logo, e por agora vamos tentar fazer justiça. O formato mantém-se o mesmo: temos menos categorias - as que achamos essenciais - porque não temos orçamento para mais, algumas considerações sobre a Personalidade e Rookie do ano cinematográfico. E damos também guarida aos coitadinhos, atribuindo algumas menções honrosas em algumas categorias.
    Foi um bom ano para o Cinema. Daqui a vários anos relembrar-nos-emos do quarto de Murph, daquele solo final de bateria em 'Whiplash', do olhar de Emma Stone para o céu, ou de uma mãe a aperceber-se de como passaram 12 anos.
    Pedimos desculpa, os nossos fatos parecem os mesmos do ano passado, mas prende-se com o facto de nós termos vários fatos iguais.

MELHOR FILME
Vencedor: Interstellar
Outros Nomeados: Whiplash, Boyhood, The Grand Budapest Hotel, Gone Girl, Birdman, The Theory of Everything, The Imitation Game

    O sucessor de 'The Wolf of Wall Street' no universo Barba só podia ser um - 'Interstellar'. Como dissemos anteriormente, o filme de Christopher Nolan (importa salientar o sistemático contributo do irmão Jonathan Nolan) é de génio. Uma odisseia inesquecível, capaz de se perpetuar na nossa memória. 'Interstellar' é muito mais do que um portento técnico, é ousado e ganha o seu brilho especial na forma como eterniza o quarto de uma rapariga de 10 anos, e a relação dela com o pai. É mais uma prova da inteligência sobre-humana dos Nolan, da forma apaixonada como Christopher encara e explora a dimensão temporal e como ainda não tínhamos os nossos Óscares nos anos de 'Memento', 'The Prestige' ou 'Inception', desta vez não vamos deixar escapar esta oportunidade. 'Interstellar' merece o infinito, embora vá mais além, e este é o nosso possível obrigado.
    Se houvesse um runner-up seria, para nós, 'Whiplash'. E dos 8 nomeados pela Academia era aquele que gostávamos que ganhasse, embora seja quase impossível. O filme do jovem realizador Damien Chazelle tem tantos ingredientes: brutal intensidade, flui ao ritmo de uma "bateria sangrenta", e as interpretações de J.K. Simmons e Miles Teller (um crescimento surpreendente!) são do melhor que vimos este ano. Gostámos da capacidade de 'Boyhood' em contar uma história simples, fazendo-nos crescer com as personagens, identificando-nos com momentos/ fases; 'The Grand Budapest Hotel' é mais do que a comédia do ano; e na nossa opinião 'Gone Girl' (relativamente à Academia saem 'Selma' e 'American Sniper, por 'Interstellar' e 'Gone Girl') merece constar. 'Birdman', 'The Theory of Everything' e 'The Imitation Game' fecham as nossas escolhas, num ano forte do Cinema.

MELHOR REALIZADOR
Vencedor: Christopher Nolan (Interstellar)
Outros Nomeados: Alejandro González Iñárritu (Birdman), Damien Chazelle (Whiplash), Richard Linklater (Boyhood), Wes Anderson (The Grand Budapest Hotel)

    Os motivos pelos quais escolhemos 'Interstellar' para Melhor Filme reflectem-se na escolha do Realizador. Christopher Nolan é um homem aparte, uma figura que até hoje nunca foi nomeado pela Academia na vertente de realização, e que se arrisca a seguir os passos de Stanley Kubrick (também nunca foi Melhor Realizador). Mas o que é que é a Academia quando se pode ganhar nos Óscares BPF?! As inovações em termos de formato de Iñárritu e Linklater e o talento de 2 realizadores que têm muito para dar nas próximas décadas - Damien Chazelle e Wes Anderson - completam a lista de nomeados. David Fincher e James Marsh seriam os senhores seguintes a considerar..

MELHOR ACTOR
Vencedor: Eddie Redmayne (The Theory of Everything)
Outros Nomeados: Miles Teller (Whiplash), Jake Gyllenhaal (Nightcrawler), Benedict Cumberbatch (The Imitation Game), Michael Keaton (Birdman)

    Vamos pôr as coisas nestes termos: Eddie Redmayne conseguiu fazer aquele papel e terminá-lo sem um torcicolo. Mas não é só por isso que achamos que ele merece o óscar. A par de Miles Teller (talvez nesse caso o "salto" tenha sido maior) atingiu um patamar que não julgávamos que atingiria tão cedo, e a forma como se tornou Hawking é impressionante. E nós até somos um pouco anti-papéis com deficiências. Isto foi horrível de se dizer.
    Para além de Redmayne, Miles Teller e Jake Gyllenhaal (nenhum deles nomeado pela Academia) estiveram em alto nível - Teller contagiado pelo mentor J.K. Simmons e Gyllenhaal provavelmente no seu melhor papel até à data. Desde o olhar lunático até à brilhante interiorização da personagem - um homem persistente e pretensioso. Quem visionar 'Nightcrawler' ficará certamente com a prestação de Jake na retina. Simplesmente muito bem executada. O ano ficou também marcado pelo 1.º papel de Cumberbatch merecedor da nossa atenção, e Michael Keaton merece figurar no Top-5 - 'Birdman' é um conjunto de coisas que resultam, é segurado em parte pelos desempenhos de Edward Norton e Emma Stone, mas as cenas de Keaton "com Birdman" são um dos ingredientes fortes. À beirinha de um lugar ao Sol deixámos Bradley Cooper (American Sniper) e Ralph Fiennes (The Grand Budapest Hotel). Mas o ano, embora não tenha tido nenhum actor ao nível de Leonardo DiCaprio em 2014, teve muitos papéis num nível Bom. É que também Jack O'Connell ou David Oyelowo podiam estar aqui.

MELHOR ACTRIZ
Vencedora: Rosamund Pike (Gone Girl)
Outras Nomeadas: Julianne Moore (Still Alice), Reese Whiterspoon (Wild), Felicity Jones (The Theory of Everything), Marion Cotillard (Deux Jours, Une Nuit)

    Enquanto que a Academia optará por Julianne Moore, nós - embora seja muito renhido - escolhemos Rosamund Pike. Num filme em que Ben Affleck fez mais uma vez de Ben Affleck, coube a Rosamund dar maior ênfase ao filme. Numa história muito bem construída, a nossa eleita acaba por ser uma actriz dentro e fora do filme que arrebatou todas as atenções. Quem viu 'Gone Girl' é impossível ficar indiferente à performance vingativa e maliciosa de Rosamund Pike.
    Percebemos que Julianne Moore seja mais "papel de óscar" na forma progressiva como perde valências ao longo do filme. De resto, acabámos por manter o mesmo quinteto da Academia, com Whiterspoon e a sua mochila às costas em busca de respostas, Felicity Jones (num papel à la Jennifer Connelly em 'A Beautiful Mind') a segurar Redmayne, e Marion Cotillard. A actriz francesa esteve a um nível muito semelhante ao de Jennifer Aniston (Cake) e Kristen Wiig (The Skeleton Twins) mas acabámos por optar por ela. Também Essie Davis (The Babadook) está nas nossas menções honrosas.

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Vencedor: J.K. Simmons (Whiplash)
Outros Nomeados: Edward Norton (Birdman), Ethan Hawke (Boyhood), Steve Carell (Foxcatcher), Mark Ruffalo (Foxcatcher)

    Considerando as 4 categorias interpretativas, o papel do ano é de J.K. Simmons em 'Whiplash'. O seu Terrence Fletcher é extremista no método, um perfeccionista e uma fonte de, ao mesmo tempo, medo e inspiração. Not quite my tempo diz ele, mas este é o tempo certo para Simmons. Quem sabe se não surgirá na nossa rubirca '100 Melhores Personagens de Filmes'..
    Noutro ano Edward Norton (é bom vê-lo regressar à piscina dos grandes) poderia ambicionar a ganhar; Ethan Hawke é um dos principais motivos de interesse ao longo de 'Boyhood' e por fim nomeámos a dupla de 'Foxcatcher' - Steve Carell e Mark Ruffalo. Sim, considerámos Carell e o seu nariz proeminente actores secundários. Neste caso deixámos à porta o veterano Robert Duvall (The Judge), Takamasa Ishihara (Unbroken) e a promessa Ansel Elgort (The Fault in Our Stars).

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Vencedora: Patricia Arquette (Boyhood)
Outras Nomeadas: Emma Stone (Birdman), Jessica Chastain (A Most Violent Year), Keira Knightley (The Imitation Game), Agata Kulesza (Ida)

    Das 4 categorias de actores/ actrizes, este ano esta foi francamente a mais fraquinha. A nossa dúvida foi entre Patricia Arquette e Emma Stone mas acabámos por tender para a mulher que acompanhou o crescimento do pequeno Mason ao longo de 12 anos. Arquette conseguiu um excelente retrato do que é ser mãe, e do ciclo da vida. Emma Stone, que confirmou este ano que é actriz para estar nestas andanças nos próximos anos, foi responsável por alguns dos grandes momentos de 'Birdman' - principalmente o seu monólogo quando confronta o seu pai, mas também os diálogos no terraço com Edward Norton e, claro, aquele olhar para o céu no remate do filme. Concordamos com a nomeação de Keira Knightley, mas a completar as nossas 5 secundárias estão Jessica Chastain e a polaca Agata Kulesza. Uma menção ainda para a jovem Joey King pelo seu papel no indie 'Wish I Was Here'.

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Vencedor: Interstellar
Outros Nomeados: The Grand Budapest Hotel, Birdman, Boyhood, The Skeleton Twins

Por mais que tenhamos gostado do Argumento de Wes Anderson para 'The Grand Budapest Hotel', o cómico e estranho realizador-argumentista vai ter que esperar. Os manos Jonathan e Christopher Nolan são para nós quem merece vencer com um argumento que é ao mesmo tempo tão futurista e para a frente, mas que nos toca pela forma como não esquece a importância das relações, explorando com genialidade e sensibilidade a maneira certa de comunicar uma mensagem. 'Birdman' e 'Boyhood' estão também nesta categoria, tal como 'The Skeleton Twins', um drama cómico/ comédia dramática com os ex-Saturday Night Live Bill Hader e Kristen Wiig (uma actriz que está a tornar-se aos poucos um caso sério...). 'Nightcrawler' (é bom, mas podia ser bem melhor) e 'Wish I Was Here' de Zach Braff ficam com uma palmadinha nas costas.

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Vencedor: Whiplash
Outros Nomeados: Gone Girl, The Theory of Everything, The Imitation Game, Unbroken

    Na realidade é um mero preciosismo técnico que torna 'Whiplash' um argumento adaptado. A ideia de Damien Chazelle foi original mas, como o seu filme era uma curta-metragem no ano anterior, o filme é agora "baseado em material anteriormente publicado". E ainda bem. Assim não tivemos quaisquer dúvidas em premiá-lo com este óscar, e vamos ficar atentos ao futuro de Chazelle (30 anos). 'Gone Girl' (injusta snub da Academia para Gillian Flynn), 'The Theory of Everything', 'The Imitation Game' e 'Unbroken' fecham as nossas escolhas, sem necessidade de menções honrosas, e com Hawking, Turing e Zamperini devidamente homenageados. Histórias que mereciam ser contadas.

Tal como em 2014, fechamos então a nossa cerimónia-em-formato-digital com mais 3 categorias.


Personalidade do Ano: Richard Linklater
Rookie do Ano: Jack O'Connell. Outros nomeados: Ellar Coltrane, Ansel Elgort, Joey King, João Jesus.
Melhor Banda Sonora: Hans Zimmer (Interstellar). Outros nomeados: Jóhann Jóhannsson (The Theory of Everything), Alexandre Desplat (The Grand Budapest Hotel), Son Lux, (The Disappearence of Eleanor Rigby).

    Se no ano passado era inequívoco que McConaughey merecia ser a Personalidade do Ano (porque juntou 'Dallas Buyers Club' a 'Mud', à sua participação em 'The Wolf of Wall Street', destacando-se mais do que em qualquer outro lado na série 'True Detective'), este ano não foi tão claro. Optámos por Richard Linklater por ser um realizador cujo trabalho já conhecíamos há alguns anos (no ano passado nomeámos o seu 'Before Midnight' em 2 categorias) mas que finalmente parece estar a ser levado a sério. Homem simples e de formatos originais, vamos ver como desenvolve a sua carreira agora que os olhares e a pressão já incidem sobre ele.

    Nos Rookies (destinados a destacar 5 talentos emergentes) o sucessor de Adèle Exarchopoulos é o britânico Jack O'Connell. Conhecemo-lo em 'Skins' quando fazia de Cook, mas este será sempre o ano da sua entrada em Hollywood. Ganhou especial notoriedade graças ao 'Unbroken' de Angelina Jolie, mas esteve também em 'Starred Up' e ''71'. Já ninguém o pára. Os restantes 4 talentos que decidimos destacar são Ellar Coltrane (embora achemos o seu futuro no Cinema uma gigante incógnita), Ansel Elgort, Joey King e o português João Jesus, autêntica Revelação em 'Os Gatos Não têm Vertigens'.
    No ano transacto tivemos colaborações dos Arcade Fire ou Explosions in the Sky nas bandas sonoras de filmes, desta vez o destaque máximo vai para um dos maiores génios da composição para cinema - Hans Zimmer. E o pódio fica fechado com o islandês Jóhannsson, Alexandre Desplat e a sua cómica banda sonora, e ainda Son Lux.


Estejam, naturalmente, à vontade para dar as vossas opiniões. Estas são as nossas.
Ainda hoje publicaremos as nossas previsões relativamente a quem achamos que deverá arrecadar as estatuetas douradas em cada categoria.


Miguel Pontares e Tiago Moreira

10 de fevereiro de 2015

Crítica: Selma

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Ava DuVernay
Argumento: Paul Webb
Elenco: David Oyelowo, Carmen Ejogo, Tom Wilkinson, Tim Roth, André Holland, Wendell Pierce, Lorraine Toussaint
Classificação IMDb: 7.5 | Metascore: 89 | RottenTomatoes: 99%
Classificação Barba Por Fazer: 74



    Pois é, entre os 8 nomeados da categoria de Melhor Filme, só nos faltava apreciar e criticar este.
    'Selma' foi alvo de duas das grandes snubs no anúncio dos nomeados, com o actor David Oyelowo e a realizadora Ava DuVernay a não serem escolhidos pela Academia. Injusto? Apenas em parte.
    A realizadora afro-americana que já tinha sido responsável por 'Middle of Nowhere' (em que por exemplo Oyelowo e Lorraine Toussaint também entraram) assumiu um projecto que esteve por vários anos associado a Lee Daniels, e para além de vários bons pormenores de realização, reescreveu também os discursos de Martin Luther King Jr. Nem todo o argumento foi obra de Paul Webb, podemos dizer.
    'Selma', o drama histórico em busca de iguais direitos para a comunidade negra, aborda a marcha da liberdade iniciada em Selma (cidade em Alabama) na luta pelo direito ao voto por parte dos afro-americanos, guiados pelo inspirador Martin Luther King Jr. (David Oyelowo). O filme retrata ainda relação de Luther King Jr. com o presidente Lyndon B. Johnson (interpretado por Tom Wilkinson), que segundo alguns historiadores não faz justiça à posição política assumida na altura pelo 36.º presidente dos EUA.
    Como sempre, as imagens valem mais que mil palavras e por muita coisa que se possa escrever, não há murro no estômago igual a ver a forma como DuVernay reproduz as cenas arrepiantes passadas na ponte Edmund Pettus, exemplares do melhor e do pior da humanidade. Por um lado uma parcela da sociedade capaz de perseguição e violência inqualificáveis; por outro, a capacidade de lutar por um sonho, tendo fé num futuro melhor. Um activismo político não-violento, com a assinatura do Nobel da Paz de '64.
    Pode parecer parvo mas faz alguma confusão ao início ver David Oyelowo como Martin Luther King Jr., pouco tempo depois de surgir em 'The Butler' como o filho de Cecil Gaines, num filme em que contracenou com Nelsan Ellis (o Lafayette de True Blood) que na altura fez de Martin Luther King Jr. Passada essa fase, é indiscutível a qualidade com que Oyelowo se transforma em Luther King, com uma paixão, carisma e magnetismo impressionante nos seus discursos, ainda mais interessante pela forma como o actor britânico modelou a sua voz para se assemelhar ao sotaque americano e ao timbre de uma das personalidades mais marcantes da História.
    'Selma' concorre aos Óscares na categoria de Melhor Filme e de Melhor Canção Original, e tem legítimas aspirações a arrecadar 1 estatueta dourada graças à música de John Legend e Common (sendo que o segundo músico entra também no filme como actor). Embora seja sempre incorrecto fazer comparações, pode-se dizer que este filme, que envolveu Oprah Winfrey e Brad Pitt na produção, é inferior a um '12 Years a Slave' mas superior a 'The Butler'. São muitos os filmes que nos últimos anos exploraram a brutal injustiça sofrida por afro-americanos no passado mas deste, cuja nomeação para Melhor Filme é discutível, guarda-se uma coisa: David Oyelowo merece ficar para a História do Cinema como "O" Martin Luther King Jr.

1 de fevereiro de 2015

Crítica: Wild

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Jean-Marc Vallée
Argumento: Nick Hornby, Cheryl Strayed
Elenco: Reese Whiterspoon, Laura Dern, Thomas Sadoski, Gaby Hoffmann
Classificação IMDb: 7.1 | Metascore: 76 | RottenTomatoes: 90%
Classificação Barba Por Fazer: 74



    Reese Whiterspoon foi, porventura, a mulher mais influente no Cinema em 2014. A actriz que venceu o Óscar em 2006 com 'Walk the Line' e que este ano também está nomeada na principal categoria feminina, tentou combater a vastidão de histórias com protagonistas masculinos. E fez a sua parte, lutando como pôde pelo papel das mulheres e actrizes na 7.ª Arte. Produziu 'Gone Girl', acreditando no potencial do livro de Gillian Flynn, entregando a cadeira de realizador a David Fincher e levando a que Rosamund Pike brilhasse; e deu ela própria corpo à história que Cheryl Strayed contou no seu memorial Wild: From Lost to Found on the Pacific Crest Trail.
    'Wild' não é um 'Into the Wild' sem barba, uma versão feminina do filme que exaltou a jornada de Christopher McCandless. É diferente em muitas variáveis, embora partilhe o lado selvagem, a mochila às costas, a comunhão com a natureza, a procura de respostas e a libertação/ realização pessoal por via do desafio. É um filme que se sente de um modo muito específico, cuja realização de Vallée procura fazer-nos experimentar e compreender as epifanias de Cheryl Strayed (Reese Whiterspoon) ao longo da trilha do Pacific Crest. Durante 94 dias e 1.800 km, Cheryl procurou recuperar da perda da sua mãe (Bobbi, interpretada por Laura Dern), vítima de cancro, e reencontrar o seu caminho, depois de devaneios e desvios problemáticos.
    Tudo começa com uma respiração ofegante, uma bota a ser descalçada (num plano que se assemelha à capa do livro de Strayed, bem jogado Vallée!) e uma unha a ser sacrificada. Entre medos, citações de famosos e etapas progressivamente conquistadas, o sumo que se retira no fim é o de uma mulher a reflectir num momento determinante da vida, à procura de se descobrir novamente e a cumprir de vez um luto necessário e adiado.
    A figura Cheryl Strayed e a sua história reservava por si só potencial suficiente mas Reese Whiterspoon preenche as expectativas, conseguindo um dos melhores desempenhos femininos do ano (embora este ano nenhuma actriz chegue ao patamar de Cate Blanchett no ano passado, tal como nenhum actor - numa fornada com uma brutal quantidade num nível Bom - foi tão espectacular como DiCaprio) e o realizador Jean-Marc Vallée confirma definitivamente o seu valor. Depois de um 'Dallas Buyers Club' que valeu óscares a McConaughey e Jared Leto, o realizador canadiano volta a estar ligado a um filme com exigências físicas (embora nada que se compare a DBC), conseguindo uma nova parelha nomeada para as estatuetas douradas. Whiterspoon e Laura Dern estão na corrida - nas 2 únicas nomeações do filme - embora Julianne Moore e Patricia Arquette sejam as favoritas em cada caso. A nomeação de Laura Dern é contestável porque há uma enormidade de desempenhos àquele nível anualmente, embora também seja uma demonstração da fraca colheita da categoria (actriz secundária) em 2015. É impressionante a quantidade de filmes deste ano com protagonistas masculinos, algo que é comum mas que neste ano é particularmente exagerado. E também por esse women power, 'Wild' tem direito a pôr-se em bicos de pés para também ser notado.
    Emana aquela vibração indie, vale por Whiterspoon, embora não consiga ombrear com os melhores frutos do pomar cinematográfico de 2014/ 15. 'Wild' estreia nas salas de cinema portuguesas a 19 de Fevereiro, designando-se 'Livre'. Aquilo que se perde na tradução literal, ganha-se no facto de ser um título que capta bem a ideia do filme.

21 de janeiro de 2015

Crítica: American Sniper

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Clint Eastwood
Argumento: Jason Hall, Chris Kyle, Scott McEwen, James Defelice
Elenco: Bradley Cooper, Sienna Miller, Luke Grimes, Keir O'Donnell
Classificação IMDb: 7.3 | Metascore: 72 | RottenTomatoes: 72%
Classificação Barba Por Fazer: 74



    Com 6 nomeações para Óscar, o novo filme de Clint Eastwood foi uma das surpresas na divulgação dos nomeados. Estreia em Portugal esta quinta-feira, dia 22, e é a "prova provada" de que Bradley Cooper se adapta a qualquer exigência ou circunstância. Para os mais desatentos fica a curiosidade: se considerarmos os últimos 4 anos Meryl Streep é quem guarda melhor registo junto da Academia (3 nomeações, vencendo 1 óscar) mas nos últimos três anos (2015, 2014, 2013) só um actor foi sempre nomeado.. Bradley Cooper.
    'American Sniper' é o típico filme que cai bem nos Estados Unidos. Junta a um veterano conceituado como é Eastwood e um actor que goza cada vez mais de um estatuto "especial", um enredo que toca no coração azul, vermelho e branco, e conveniente do ponto de vista político. Um herdeiro de 'The Hurt Locker', sob este último ponto de vista.
    No centro de tudo temos Chris Kyle, o sniper mais letal na História das forças armadas norte-americanas. Kyle, interpretado por um Bradley Cooper que "cresceu" 20 quilos para este papel, alistou-se e foi enviado para o Iraque em 2011, após os ataques do 11 de Setembro. Daí para a frente Eastwood guia-nos numa tensa história de guerra, com momentos de cortar a respiração e de um sangue frio sobre-humano (ou desumano). A excelente interpretação de Bradley Cooper como Chris Kyle faz-nos ler na perfeição um homem que passa a ter a Guerra como casa, como lar, parecendo incapaz de sorrir e de desfrutar de um estado de paz, nos regressos para perto da família.
    O Box Office incrível que teve nos EUA, conjugado com o tema, a persona e a dupla Eastwood/ Cooper deixava adivinhar que a Academia abraçaria de bom grado este filme; mas foi surpreendente o elevado número de nomeações (6), tantas como teve 'Boyhood' e sendo apenas suplantado por 'The Imitation Game' com 8 e a dupla 'Birdman' e 'The Grand Budapest Hotel' com 9.
    Cooper perde-se propositadamente no filme, como Kyle se perda na Guerra. Distante de tudo e focado apenas na missão - matar -, é notável como Bradley Cooper consegue desta vez esmorecer todo aquele turbilhão eléctrico que o caracterizou em 'Silver Linings Playbook' e 'American Hustle'. São dois Kyle's: um em casa transparente, e outro na sua casa focado, vivo. Com o inimigo em ponto de mira.
    Tal como Louis Zamperini ou Alan Turing, Chris Kyle é homenageado este ano mundo fora com um filme que levantou polémica - por soar pró-guerra - e Bradley Cooper não enche as medidas ou corresponde às (demasiado elevadas?) expectativas embora esteja muitíssimo bem no papel do homem que não se deixava atormentar pelas pessoas que matava, mas sim pelas que não conseguiu salvar. Falar na justiça das nomeações é sempre delicado mas o que é certo é que 'American Sniper' não se distingue como um dos 4/5 filmes de Top deste ano. No entanto, e considerando que a Academia nomeou 8 filmes, aceita-se que o filme de Clint Eastwood se insira no conjunto de filmes que estaria na "corda-bamba" entre a nomeação e o esquecimento. Já Cooper teve a Academia a fazer-lhe uma vénia pelo 3.º ano consecutivo num ano cinematográfico em que ninguém esteve ao nível que DiCaprio apresentou no ano passado em 'The Wolf of Wall Street' mas com muitos actores principais num nível bom (Miles Teller, Michael Keaton, Eddie Redmayne, Benedict Cumberbatch, Jack O'Connell, Jake Gyllenhaal, Ralph Fiennes e Steve Carell, para dizer alguns).

20 de janeiro de 2015

Crítica: Unbroken

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Angelina Jolie
Argumento: Joel & Ethan Coen, Richard LaGravenese, William Nicholson, Laura Hillenbrand
Elenco: Jack O'Connell, Takamasa Ishihara, Domnhall Gleeson, Garrett Hedlund, Finn Witrock
Classificação IMDb: 7.2 | Metascore: 59 | RottenTomatoes: 51%
Classificação Barba Por Fazer: 75

    Charles Chaplin, Clint Eastwood, Mel Gibson, Ben Affleck, George Clooney, Sean Penn, Jodie Foster.. A lista podia continuar. Hollywood tem visto actores tornarem-se realizadores, uns com mais e outros com menos sucesso. Angelina Jolie é um nome para levar a sério. A Crítica não parece protegê-la e catalisá-la como a outros mas, depois de entrar com o pé esquerdo em In the Land of Blood and Honey, desta vez a coisa correu bem.
    E correu bem por vários motivos. Em primeiro lugar, a história: 'Unbroken' conta a incrível história de vida de Louis Zamperini, um atleta olímpico e prisioneiro de guerra no Japão durante a II Guerra Mundial. A juntar a este potencial de base, o argumento teve o dedo dos irmãos Coen e Jolie conseguiu reunir o elenco com maior potencial do ano. 
    Jack O'Connell (o 'Cook' da série britânica Skins) dá corpo a Zamperini - falecido em Julho de 2014 - e o filme cruza diferentes momentos da vida do herói norte-americano. A juventude e a progressão até se tornar atleta olímpico, o tempo enquanto serviu a Força Aérea dos EUA e finalmente a difícil sobrevivência em solo nipónico como prisioneiro de guerra. 'Unbroken', ou Invencível como se chama por cá, é um filme com alma e que segue a linhagem de tantas outras películas que evidenciaram o melhor e o pior que a humanidade tem. Com estes dois pólos a medirem forças nos momentos Zamperini/ Watanabe (Takamasa Ishihara). A boa banda sonora de Alexandre Desplat (compositor nomeado para dois Óscares em 2015 pelo seu trabalho em 'The Imitation Game' e 'The Grand Budapest Hotel') dá outra dimensão aos acontecimentos, impressionando a entrega do ponto de vista físico de alguns dos actores, e vários momentos definidores do carácter de Zamperini como quando aceita ser esmurrado para que outro prisioneiro não seja violentamente castigado, quando recusa o conforto e o luxo ao opor-se a mentir sobre a sua pátria, e finalmente naquela imagem de marca - o homem que parece crucificado ao não deixar aquele bloco de madeira cair, e no limite das suas forças não se coíbe de olhar nos olhos o seu maior pesadelo.
    Angelina Jolie conseguiu com 'Unbroken' um descendente de 'Braveheart' ou 'Gladiator'. Inferior a ambos sim, mas meritório. O filme está nomeado para 3 óscares (Fotografia, Edição de Som e Mixagem de Som) mas Jolie até poderia constar entre os Realizadores nomeados. Teve maior valor do que Morten Tyldum ou Bennett Miller, embora tenha tido pelo menos 6 realizadores num nível acima: Nolan, Linklater, Iñárritu, Anderson, Chazelle e Fincher. Quanto ao elenco de 'Unbroken', como dissemos acima é um turbilhão de potencial. Finn Wittrock (o Dandy de American Horror Story: Freak Show), Domnhall Gleeson (futuramente em Star Wars), Garrett Hedlund (nomeado para Melhor Actor Secundário nos Óscares BPF 2013) e há ainda o surpreendente Takamasa Ishihara, músico japonês convertido por Jolie num Watanabe maquiavélico, na sua estreia como actor. 
    Claro que todos os caminhos vão dar a Jack O'Connell. O actor britânico é definitivamente um dos Rookies do Ano, juntando a 'Starred Up' e ''71' o seu trabalho mais exigente e com maior projecção até agora. Até à data era difícil não ver nele James Cook, mas este terá sido o primeiro ano do resto da sua vida, uma vez que já está envolvido em projectos que reúnem nomes como Clooney, Julia Roberts, Christoph Waltz e Judi Dench. E ele merece.

15 de janeiro de 2015

Óscares 2015: Nomeações

Os realizadores Alfonso Cuarón e J.J. Abrams, o actor Chris Pine e a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, anunciaram há momentos os nomeados para os Óscares 2015 - 87.ª edição, a realizar-se no dia 22 de Fevereiro.
    'Birdman' e 'The Grand Budapest Hotel' foram os dois filmes com mais nomeações - 9. Houve algumas surpresas, como as 6 nomeações de 'American Sniper', a ausência de 'The Lego Movie' entre os filmes de animação e Marion Cotillard surgiu entre as candidatas a Melhor Actirz (uma boa surpresa). Este ano a Academia encurtou o número de nomeados a Melhor Filme de 9 (como tinha sido nos últimos três anos) para 8.
    A seguir aos dois filmes mais nomeados, 'The Imitation Game' reúne 8 nomeações, 'Boyhood' e 'American Sniper' 6 e com 5 nomeações temos 'Whiplash', 'The Theory of Everything' e 'Interstellar' (como se esperava, infelizmente apenas destacado do ponto de vista técnico).

Algumas Considerações:
- É lógico, com tanta politiquice sempre associada aos Óscares que um filme como 'American Sniper' cairia no goto, e não deixa de ser um pouco estranho que 'Selma', que nas restantes categorias foi apenas nomeado para Melhor Canção Original, surja entre os nomeados para Melhor Filme (onde de resto todos têm entre 9 e 5 nomeações). A progressiva revelação dos nomeados de outras categorias permitiu construir a suposição de que 'Foxcatcher' estaria entre os nomeados;
- Não se confirmaram os rumores de que Steve Carell poderia acabar por ser considerado actor secundário, e na categoria de Melhor Actor a presença de Bradley Cooper (inferior a outras prestações como 'Silver Linings Playbook' ou 'American Hustle') surpreendeu, e acabaram por ficar de fora Jake Gyllenhaal, David Oyelowo e Ralph Fiennes. E já agora, Miles Teller, embora nunca tenha havido buzz para ele ser nomeado. Entre as actrizes, a presença de Cotillard deitou por terra as esperanças que Jennifer Aniston ou Amy Adams tinham. Os actores secundários não surpreendem, mas do lado feminino a nomeação de Laura Dern - porque as outras 4 eram garantidas - "atirou" para fora Jessica Chastain (A Most Violent Year) ou Rene Russo (Nightcrawler);
- Bennett Miller foi uma surpresa, num ano em que Damien Chazelle, David Fincher e Christopher Nolan mereciam mais do que ele. Embora já imaginássemos que Nolan não seria considerado, com Chazelle, Fincher ou Ava DuVernay a história era outra;
- 'The Lego Movie', que até aqui era por muitos considerado o favorito para Melhor Filme de Animação, não foi nomeado; a ausência de Gillian Flynn (Gone Girl) nos Argumentos Adaptados foi surpreendente; e em termos de Melhor Fotografia é quase criminoso 'Interstellar' não constar. Dá alguma vontade de rir pensar que 'Gravity' teve, no ano passado, o dobro das nomeações do filme de Christopher Nolan.


Melhor Filme
American Sniper, Birdman, Boyhood, The Grand Budapest Hotel, The Imitation Game, Selma, The Theory of Everything, Whiplash


Melhor Actor
Michael Keaton (Birdman), Benedict Cumberbatch (The Imitation Game), Eddie Redmayne (The Theory of Everything), Steve Carell (Foxcatcher), Bradley Cooper (American Sniper)

Melhor Actriz
Julianne Moore (Still Alice), Rosamund Pike (Gone Girl), Felicity Jones (The Theory of Everything), Reese Whiterspoon (Wild), Marion Cotillard (Deux Jours, Une Nuit)


Melhor Actor Secundário
J.K. Simmons (Whiplash), Robert Duvall (The Judge), Edward Norton (Birdman), Ethan Hawke (Boyhood), Mark Ruffalo (Foxcatcher)

Melhor Actriz Secundária
Patricia Arquette (Boyhood), Emma Stone (Birdman), Keira Knightley (The Imitation Game), Meryl Streep (Into the Woods), Laura Dern (Wild)

Melhor Realizador
Alejandro González Iñárritu (Birdman), Richard Linklater (Boyhood), Bennett Miller (Foxcatcher), Wes Anderson (The Grand Budapest Hotel), Morten Tyldum (The Imitation Game)

Melhor Argumento Original
Birdman, Boyhood, Foxcatcher, The Grand Budapest Hotel, Nightcrawler

Melhor Argumento Adaptado
American Sniper, The Imitation Game, Inherent Vice, The Theory of Everything, Whiplash

Melhor Filme Estrangeiro
Ida (Polónia), Leviathan (Rússia), Tangerines (Estónia), Timbuktu (Mauritânia), Wild Tales (Argentina)

Melhor Filme de Animação

Big Hero 6, The Boxtrolls, How to Train Your Dragon 2, Song of the Sea, The Tale of Princess Kaguya

Melhor Banda Sonora Original
The Grand Budapest Hotel, The Imitation Game, Interstellar, Mr. Turner, The Theory of Everything

Melhor Canção Original
"Everything is Awesome" The Lego Movie, "Glory" Selma, "Grateful" Beyond the Lights, "I'm Not Gonna Miss You" Glen Campbell: I'll Be Me, "Lost Stars" Begin Again

Melhor Fotografia
Birdman, The Grand Budapest Hotel, Ida, Mr. Turner, Unbroken

Melhor Edição
American Sniper, Boyhood, The Grand Budapest Hotel, The Imitation Game, Whiplash


Melhor Edição de Som
American Sniper, Birdman, The Hobbit: The Battle of the Five Armies, Interstellar, Unbroken

Melhor Mistura de Som
American Sniper, Birdman, Interstellar, Unbroken, Whiplash

Melhores Efeitos Visuais
Captain America: The Winter Soldier, Dawn of the Planet of the Apes, Guardians of the Galaxy, Interstellar, X-Men: Days of Future Past

Melhor Design de Produção
The Grand Budapest Hotel, The Imitation Game, Interstellar, Into the Woods, Mr. Turner

Melhor Maquilhagem
Foxcatcher, The Grand Budapest Hotel, Guardians of the Galaxy

Melhor Guarda-Roupa
The Grand Budapest Hotel, Inherent Vice, Into the Woods, Maleficient, Mr. Turner

Melhor Curta-Metragem
Aya, Boogaloo and Graham, Butter Lamp (La Lampe au Beurre de Yak), Parvaneh, The Phone Call

Melhor Curta-Metragem de Animação
The Bigger Picture, The Dam Keeper, Feast, Me and My Moulton, A Single Life

Melhor Documentário
CitizenFour, Finding Vivian Maier, Last Days in Vietnam, The Salt of the Earth, Virunga

Melhor Documentário (Curta)
Crisis Hotline: Veterans Press 1, Joanna, Our Curse, The Reaper (La Parka), White Earth

11 de janeiro de 2015

Crítica: The Imitation Game

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Morten Tyldum
Argumento: Graham Moore, Andrew Hodges
Elenco: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode, Rory Kinnear, Mark Strong, Charles Dance
Classificação IMDb: 8.1 | Metascore: 73 | RottenTomatoes: 90%
Classificação Barba Por Fazer: 80

Às vezes são as pessoas que ninguém faz ideia que fazem as coisas que ninguém poderia imaginar. É desta premissa que parte 'The Imitation Game', o filme sobre o matemático Alan Turing - interpretado por Benedict Cumberbatch -, que estreia nas salas de cinema portuguesas na próxima quinta-feira, dia 15.
    O Jogo da Imitação acumula ingredientes que fazem dele o tipo de filme que Hollywood gosta - é como uma folha da História da II Guerra Mundial que foi rasgada, escondida, e que finalmente vê justiça a ser feita, com uma personalidade controversa e enigmática no centro, interpretada com qualidade por um actor em ascensão.
    Benedict Cumberbatch, que já foi Sherlock Holmes, Smaug, Khan, Julian Assange e que em 2016 entrará no universo Marvel como Dr. Strange, prova mais uma vez o seu valor na pele de Alan Turing, um génio matemático pioneiro na computação e cujo brilhantismo esteve guardado em segredo durante largos anos. Em 'The Imitation Game' a conjugação da realização de Morten Tyldum com o argumento (a adaptar a obra de Andrew Hodges) de Graham Moore e a banda sonora de Alexandre Desplat envolve 3 fases diferentes da vida de Turing - a sua adolescência, o período durante o qual ajudou os serviços secretos britânicos a resolver um enigma nazi que parecia impossível, e uma fase posterior a essa. Durante o período intermédio, o mais importante na acção, testemunhamos a personalidade característica de Turing, incapaz de uma conduta social própria (não é certo, mas é possível que tivesse síndrome de Asperger), lógico e crente nas suas invenções.
    A acompanhar Cumberbatch, o elenco inclui Matthew Goode, Rory Kinnear (Penny Dreadful), Mark Strong e Charles Dance (Game of Thrones) mas é Keira Knightley quem ganha maior preponderância como Joan Clarke, a confidente do homem que teve que viver um duplo segredo: permanecer um herói sem crédito, escondendo também a sua homossexualidade sob pena de ser castigado por aquilo que se consideravam à data tendências indecentes e impróprias.
    Em termos de óscares, 'The Imitation Game' é praticamente uma presença garantida nos nomeados para Melhor Filme, e deve juntar a isso outras indicações como Melhor Argumento Adaptado e Melhor Banda Sonora. Keira Knightley também tem fortes hipóteses de constar entre as actrizes secundárias, embora o seu desempenho seja inferior a Emma Stone ou Patricia Arquette, e Benedict Cumberbatch deverá conseguir a sua 1.ª nomeação para uma estatueta dourada. É notável a ascensão que Cumberbatch, sempre uma presença carismática e mediática do género Jennifer Lawrence, tem tido nos últimos anos. Um magnífico actor que dá corpo e alma a todas as suas personagens.

    Benedict Cumberbatch entra directamente para o espólio das mentes brilhantes do cinema como Alan Turing, o homem que segundo os historiadores fez com que a guerra durasse menos 2 anos e que salvou aproximadamente 14 milhões de vidas. A Rainha Isabel II perdoou-o em 2013, mas a justiça chega a uma maior escala com este 'The Imitation Game'. Afinal de contas, foi uma das personalidades mais marcantes do século XX.