Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

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25 de fevereiro de 2013

Óscares 2013: Vencedores e muito mais

    E pumba, os óscares lá aconteceram na madrugada passada. Sem grandes surpresas no geral, a maior acabou por ser a vitória de Ang Lee como realizador (embora fosse entre ele e Spielberg). Infelizmente é relativamente fácil hoje em dia analisar o padrão de vitórias noutras entregas de prémios e, contextualizando com o passado, extrair quem vencerá, o que retira alguma emoção à coisa. Daí que tenhamos soltado um "aleluia" quando Ang Lee ganhou - não que sejamos os fãs nº 1 do realizador de Brokeback Mountain, mas apenas e só porque foi um momento que saiu 30% do "guião". Seth MacFarlane estreou-se e bastante bem. Sem dúvida que o criador do sucesso televisivo Family Guy fez um grande trabalho como anfitrião. Muitos criticaram a maneira como apresentou... Pois bem, pessoas que criticaram - tenho a dizer-vos que são pessoas chatas. O que Seth fez foi conduzir na perfeição uma cerimónia e com o extra que lhe é inerente - o humorismo. Meteu Charlize Theron e Channing Tatum a dançar e dançou com Joseph Gordon-Levitt e Daniel Radcliffe. Foi largando as suas piadas por vezes não muito politicamente correctas, contracenou com o capitão Kirk para mais um bom momento de humor e fez uma paródia ao filme Flight com... meias. Um sketch de grande qualidade diga-se de passagem. Ao longo da cerimónia manteve o excelente nível como era esperado para quem acompanha o seu trabalho (os senhores da TVI estavam às cegas), superiorizando-se aos apresentadores dos últimos anos e merecendo voltar a ser chamado para o ano. Tem humor, tem cabeça, é irónico, adequa-se à versão musical - se explorada - e pode surgir sob a forma de urso de peluche, o que é sempre uma vantagem.
    Deixemos lá aqui então a lista de vencedores deste ano, e a seguir já fazemos a devida análise:

Melhor Filme: Argo
Melhor Realizador: Ang Lee (Life of Pi)
Melhor Actor: Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Melhor Actriz: Jennifer Lawrence (Silver Linings Playbook)
Melhor Actor Secundário: Christoph Waltz (Django Unchained)
Melhor Actriz Secundária: Anne Hathaway (Les Misérables)
Melhor Argumento Original: Django Unchained
Melhor Argumento Adaptado: Argo
Melhor Direcção Artística: Lincoln
Melhor Fotografia: Life of Pi
Melhor Figurino: Anna Karenina
Melhor Montagem/ Edição: Argo
Melhor Caracterização: Les Misérables
Melhor Banda Sonora: Life of Pi
Melhor Mistura de Som: Les Misérables
Melhor Edição de Som: Zero Dark Thirty | Skyfall
Melhores Efeitos Visuais: Life of Pi
Melhor Música: "Skyfall"
Melhor Filme de Animação: Brave
Melhor Filme Estrangeiro: Amour
Melhor Documentário: Searching For Sugar Man
Melhor Curta-Metragem: Curfew
Melhor Documentário (Curta): Inocente
Melhor Curta de Animação: Paperman

    Como ontem referimos nas nossas conclusões das previsões acabou mesmo por não haver um grande vencedor nem grandes derrotados. Argo ganhou o óscar mais importante, e juntou-lhe os de melhor argumento adaptado e melhor edição e Life of Pi conseguiu ser o mais premiado juntando ao óscar de Melhor Realizador - 2.º óscar para Ang Lee, o anterior tinha sido com os cowboys das cowboyadas - a 3 "técnicos" (Fotografia, Banda Sonora e Efeitos Visuais). Um facto curioso é que foi desde 2006 que o óscar de melhor filme e melhor realizador não foram para o mesmo filme. Ano esse em que... Ang Lee também "roubou" o óscar ao galardoado para melhor filme - Crash. Bem sabemos que Ben Affleck não estava nomeado, mas não deixa de ser um facto curioso.
    
Olha quem cortou o cabelo entretanto...
    As principais categorias ficaram dispersas como era expectável - os 4 óscares de interpretação entregues a actores de 4 diferentes filmes: Lincoln (Day-Lewis), Silver Linings Playbook (Jennifer Lawrence), Django Unchained (Christoph Waltz) e Les Misérables (Anne Hathaway). Lincoln que tinha 12 nomeações pode ser entendido como o grande derrotado da noite, principalmente por Spielberg não ter conseguido o seu óscar, o que equilibraria as coisas com Argo, mas entrou para a História ao fazer Daniel Day-Lewis ser o primeiro actor a conseguir 3 óscares de melhor actor principal (os anteriores tinham sido em There Will Be Blood e My Left Foot). Jennifer Lawrence derrotou a avó, que ficou bastante tristonha no seu aniversário e então lançou um feitiço fazendo Lawrence cair nas escadas. Contudo, Jennifer não tornou o seu tropeção no vestido um embaraço... Ela ficou no chão uns segundos e houve logo quem fosse tentar ajudar cheio de aflição! Só que não era preciso. Segundo o que disse na sua conferência pós-cerimónia, ficou aqueles segundos no chão libertando um valente F...! 22 anos e já lá mora um óscar. Tal como aconteceu com Jennifer Lawrence e Day-Lewis, também Waltz e Hathaway venceram os óscares coadjuvantes, mantendo uma linearidade entre os Globos de Ouro e os Óscares este ano. Brave derrotou justamente os concorrentes na Animação (era um duelo Disney contra Disney contra Disney) e Paperman foi a curta de animação do ano (ah, não posso crer, Disney outra vez).
    E agora, o mea culpa. Falhámos ontem ao não prever que Lincoln venceria o óscar de melhor direcção artística e dizendo que Mondays at Racine seria o Documentário (curta) do ano, quando acabou por ser "Inocente". Considerámos que deveria ganhar Spielberg mas fizémos a ressalva de que Ang Lee poderia muito bem ganhar se não fosse o homem do ET (de resto nos "nossos" nomeados até incluímos Ang Lee e não Spielberg). Falhámos ainda quando dissemos que Zero Dark Thirty ou Life of Pi ganhariam a Melhor Edição de Som. Mas, vejam bem, até acertaríamos se tivéssemos dito um "e" em vez do "ou" porque houve um empate. No entanto foi um empate entre Zero Dark Thirty e Skyfall. No entanto, caros leitores, esperamos merecer a vossa confiança para o ano.
    
    O momento mais cómico da cerimónia terá sido quando as tubas e tambores se fizeram ouvir e bem para "convidar" as pessoas de Life of Pi a saírem do palco num dos óscares técnicos e também foi bom ver o nosso vizinho Claudio Miranda em palco. O homem responsável pela Fotografia de Life of Pi e que, como nos disseram, parece a Rapunzel com 200 anos. Nós não percebemos de vestidos e dessas coisas, nem os avaliaremos porque aí este blog chamar-se-ia "Barba feita com régua e esquadro", mas atentámos que a Anne Hathaway vestia algo que fazia parecer que ela tinha duas lanças na zona dos mamilos, que a Adele é uma grande cantora e uma cantora grande, que a dada altura entraram duas cabeleireiras em palco para receber um óscar pela caracterização dos Miseráveis e que Meryl Streep decidiu vir a Portugal roubar a armadura de D. Afonso Henriques para usar como vestido. Bom momento também do produtor de Argo, Grant Heslov, quando recebeu o óscar de melhor filme juntamente com Clooney e Affleck e disse "I know, three sexiest producers alive". Depois há aquele momento mórbido em que começam a mostrar toda a gente que morreu durante o ano, relacionados com o Cinema, e o instinto de uma pessoa é ficar a tentar ver se conhece algum: "olha, este conheço!" - que faz parecer que estamos a tentar fazer uma colecção de cromos de falecidos.

    Django e Silver Linings Playbook mereciam outra relevância, houve quem tivesse merecido outra atenção à priori nas nomeações (ver aqui), mas a noite mais badalada da sétima Arte acabou por correr quase 100% como previsto, reforçando que, para os "entendidos" - Tom Hanks e os seus amigos amantes de qualquer coisa em que o George Clooney (que agora tem uma criação, um filho, chamado Ben Affleck) toque ou que seja relacionado com indianos - neste ano não houve um grande filme, dispersando as estatuetas douradas por Life of Pi (4), Argo (3), Les Misérables (3), Django Unchained (2), Skyfall (2), Lincoln (2) e Silver Linings Playbook (1). Foi 1 mas foi importante e já agora vejam aqui como a esposa de um de nós, a tal melhor actriz que caiu na escada, se safou nas perguntas pós-vitória.
Muito resumidamente: volta para o ano McFarlane, Django Unchained e Silver Linings Playbook foram os nossos filmes do ano, enquanto que para a Academia foram Argo e Life of Pi. Mas, sejamos realistas, o que é que vale a Academia?! ...

E, para quem teve dúvidas, o Ted não estava lá. O Mark Walhberg estava a falar com um banco sem ninguém ao lado dele. A versão 3D do Ted já tinha sido editada a meio de Janeiro e apenas foi acrescentada na versão para casa.

MP. TM.

24 de fevereiro de 2013

Previsões e Opiniões Óscares 2013


    Humanóides, preparem as pipocas, as mantas, os edredons, os palitos para manter os olhos abertos e contratem ou combinem com alguém para vos fazer companhia, porque os intervalos serão muitos. Esta noite teremos... a cerimónia dos óscares 2013. A 85.ª edição dos Óscares da Academia será conduzida por Seth MacFarlane, criador de "Family Guy", "American Dad" e recentemente, do filme "Ted". Uma incógnita que achamos que resultará bem. Lá cabeça o homem tem para fazer rir, desta vez apenas terá que gozar com as pessoas sem usar um ventríloquo (Stewie, Peter Griffin, Ted, etc.). MacFarlane disse, sobre a nomeação de Amour "Da última vez que a Áustria e a Alemanha co-produziram algo saiu-nos o Hitler, portanto isto é bem melhor". Sim, é exactamente deste humor que estamos à espera amanhã.
    Claro está que não será só o Seth. Ao longo da noite lá passarão a Charlize Theron, Joseph Gordon-Levitt, Channing Tatum, o Harry Potter, membros dos "Avengers" como o carismático Robert Downey Jr., o francês Dujardin, a Meryl Streep e ainda Mark Wahlberg e... Ted. Ainda cantarão Adele, Norah Jones e Barbra Streisand.
    Abaixo estará então a nossa antevisão. Primeiro os verdadeiros nomeados e aqueles que seriam os nomeados se nós fossemos o Tom Hanks e os seus capangas (entre esses a azul figurará quem achamos que deveria vencer). No final deixaremos a nossa lista de previsões de quem achamos que sairá vencedor desta noite em que o cinema pára. Sim, quem não quiser ler isto tudo e quiser só saber quem vai ganhar, é só primir o scroll  até lá abaixo. Mas isso seria ruim, humanóide.

  
Melhor Filme: Argo, Lincoln, Silver Linings Playbook, Life of Pi, Les Misérables, Zero Dark Thirty, Django Unchained, Amour, Beasts of the Southern Wild.

Barba Por Fazer: Django Unchained, Silver Linings Playbook, The Perks of Being a Wallflower, Life of Pi, Zero Dark Thirty, Rust and Bone, Looper, The Dark Knight Rises, The Impossible.

    Para nós, Django Unchained e Silver Linings Playbook foram os dois filmes do ano. O universo imaginativo de Tarantino brindou-nos com mais um filme na senda de Pulp Fiction, Reservoir Dogs ou Inglourious Basterds. Filme com "dedo" do realizador (como qualquer um de Tarantino), tem grandes actores, um grande argumento e é, tendo nós que escolher um, o filme do ano. Em Silver Linings Playbook, David O. Russell tira tudo dos actores que teve - melhor Ensemble do Ano, que culmina nas 4 nomeações nas categorias de interpretação. Mais humano, mais terrestre que Django. Nas nossas opções juntamos ainda alguns outsiders - o francês "Rust and Bone", o melhor filme de ficção científica do ano "Looper", "The Perks of Being a Wallflower" e achamos que "The Dark Knight Rises" merecia uma nomeação como distinção do trabalho de C. Nolan na trilogia. Menções honrosas para Amour, Lincoln e Les Misérables.
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Melhor Realizador: Steven Spielberg (Lincoln), Ang Lee (Life of Pi), Michael Haneke (Amour), David O. Russell (Silver Linings Playbook), Benh Zeitlin (Beasts of the Southern Wild)

Barba Por Fazer: Quentin Tarantino (Django Unchained), David O. Russell (Silver Linings Playbook), Stephen Chbosky (The Perks of Being a Wallflower), Ang Lee (Life of Pi), Kathryn Bigelow (Zero Dark Thirty)

    Pelos mesmos motivos da escolha de filme, considerámos que Tarantino foi "rei" na 7.ª Arte este ano. Enorme trabalho também de David O. Russell e depois numa segunda linha, grandes trabalhos de Chbosky, Ang Lee e Bigelow. Também não nomearíamos Ben Affleck porque o realizador/ actor tem muito mais talento para realizar do que demonstrou em Argo. Michael Haneke e Rian Johnson seriam escolhas se houvesse mais cadeiras para todos se sentarem.
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Melhor Actor Principal: Daniel Day-Lewis (Lincoln), Bradley Cooper (Silver Linings Playbook), Hugh Jackman (Les Misérables), Denzel Washington (Flight), Joaquin Phoenix (The Master)

Barba Por Fazer: Daniel Day-Lewis (Lincoln), Bradley Cooper (Silver Linings Playbook), Matthias Schoenaerts (Rust and Bone), John Hawkes (The Sessions), Jean-Louis Trintignant (Amour)

    Embora Bradley Cooper tenha um desempenho mais "do nosso género", Daniel Day-Lewis fez um papel para entrar para a História. E isso chega para o destacar como justo vencedor na categoria de melhor actor, tanto na realidade como para nós. De resto, não nomearíamos os restantes 3, privilegiando sim o outsider Matthias Schoenaerts, John Hawkes e o senhor Jean-Louis Trintignant. O jovem Logan Lerman sofreu o síndrome das Testemunhas de Jeová... ficou à porta. E atrás dele, em fila indiana, o Wolverine, Jamie Foxx, Denzel Washington e Joaquin Phoenix.
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Melhor Actriz Principal: Jennifer Lawrence (Silver Linings Playbook), Emmanuelle Riva (Amour), Jessica Chastain (Zero Dark Thirty), Naomi Watts (The Impossible), Quvenzhané Wallis (Beasts of the Southern Wild)

Barba Por Fazer: Jennifer Lawrence (Silver Linings Playbook), Emmanuelle Riva (Amour), Jessica Chastain (Zero Dark Thirty), Marion Cotillard (Rust and Bone), Quvenzhané Wallis (Beasts of the Southern Wild)

    Nas senhoras, entregamos a vitória a Jennifer Lawrence com a grande interpretação em Silver Linings Playbook. Contudo, o papel de Emmanuelle Riva em Amour também merece grande destaque. Assim sendo, se a vencedora recair na velhinha será inteiramente justo na mesma. Depois destes dois grandes papéis, estão outros dois não tão relevantes mas dignos de estarem entre os nomeados - Jessica Chastain em Zero Dark Thirty e Marion Cotillard em Rust and Bone que, por sua vez, não está nomeada. É uma pena... Tal como foi uma pena vê-la sem pernas...Por fim, destacamos nomeada mais nova de sempre - Quvenzhané Wallis. Porquê? Porque tem um nome muito mais legível e pronunciável do que todas as outras e porque a haver mais uma nomeada seria a Naomi Watts e ela não fez um grande papel e praticamente só levou com terra e cenas.
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Melhor Actor Secundário: Christoph Waltz (Django Unchained), Robert DeNiro (Silver Linings Playbook), Tommy Lee Jones (Lincoln), Alan Arkin (Argo), Philip Seymour Hoffman (The Master)

Barba Por Fazer: Christoph Waltz (Django Unchained), Garrett Hedlund (On the Road), Robert DeNiro (Silver Linings Playbook), Sam Rockwell (Seven Psychopaths), Leonardo DiCaprio (Django Unchained)

    Foi um ano bastante rico a nível de actores secundários. Christoph Waltz, mais que ninguém, merece a distinção. Muito do que Django é deve-se a ele. Os restantes 4 lugares das nossas escolhas entregámo-los ao imprevisível e vivo papel de Garret Hedlund em "On The Road", ao pai Roberto, ao engraçado papel de Sam Rockwell em 7 psicopatas e a outro actor coadjuvante de Django - Leonardo DiCaprio. À porta poder-se-ia dizer que ficaram Seymour Hoffman, Ezra Miller e Javier Bardem. Para nomear o Arkin, nomeávamo-nos a nós, sinceramente.
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Melhor Actriz Secundária: Anne Hathaway (Les Misérables), Sally Field (Lincoln), Helen Hunt (The Sessions), Jacki Weaver (Silver Linings Playbook), Amy Adams (The Master)

Barba Por Fazer: Anne Hathaway (Les Misérables), Emma Watson (The Perks of Being a Wallflower), Helen Hunt (The Sessions), Amy Adams (The Master), Jacki Weaver (Silver Linings Playbook)

    Ao contrário da categoria anterior, aqui não houve tão grande qualidade este ano. A actriz secundária do ano para nós é Anne Hathaway. Cortou o cabelinho, cantou com garra e também limpa o nosso óscar (salvo seja...). Vai para a Broadway Ana, vai para a Broadway! Relativamente à Academia apenas extraditámos a mulher de Lincoln e trouxemos a Emma Watson. Não Helen Hunt, teres-te despido toda não foi suficiente. E consideraríamos a Jacki Weaver melhor actriz se não estivesse com cara de quem está aflita para ir fazer chichi o filme todo.
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Melhor Argumento Original: Django Unchained, Amour, Zero Dark Thirty, Moonrise Kingdom, Flight

Barba Por Fazer: Django Unchained, Zero Dark Thirty, Amour, Looper, Seven Psychopaths
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Melhor Argumento Adaptado: Argo, Lincoln, Silver Linings Playbook, Life of Pi, Beasts of the Southern Wild

Barba Por Fazer: Silver Linings Playbook, Life of Pi, The Perks of Being a Wallflower, Lincoln, Rust and Bone
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Melhor Filme de Animação: Frankenweenie, Brave, Wreck-it Ralph, The Pirates!, ParaNorman

Barba Por Fazer: Brave, Wreck-it Ralph, Frankenweenie, ParaNorman, The Pirates!
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Melhor Música: "Skyfall" (Skyfall), "Pi's Lullaby" (Life of Pi), "Suddenly" (Les Misérables), "Before My Time" (Chasing Ice), "Everybody Needs a Best Friend" (Ted)

Barba Por Fazer: "Skyfall" (Skyfall), "What Did That to You" (Django Unchained), "Buffalo" (Silver Linings Playbook), "Heroes" (The Perks of Being a Wallflower), "Wiseman" (Django Unchained)
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Melhor Banda Sonora: Life of Pi, Lincoln, Argo, Skyfall, Anna Karenina

Barba Por Fazer: Django Unchained, Silver Linings Playbook, Life of Pi, The Perks of Being a Wallflower, Skyfall

    A classe de 007 com Adele e companhia, o exotismo e fantasia de Life of Pi, o rock alternativo dos anos 90 em The Perks of Being a Wallflower merecem nomeações, mas inferiores aos dois principais colossos (também nesta categoria). Silver Linings Playbook tem um maior conjunto de músicas de compositor criteriosamente colocadas ao longo do filme, mas a reunião que a edição sonora de Django conseguiu, com grandes artistas e incrivelmente adequadas à acção e ao factor-paleta do filme.
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Previsíveis vencedores:
(entre parênteses ficam aqueles que, embora menos prováveis, têm ainda aspirações)

Melhor Filme: Argo
Melhor Realizador: Steven Spielberg (Ang Lee)
Melhor Actor: Daniel Day-Lewis
Melhor Actriz: Jennifer Lawrence | Emmanuelle Riva
Melhor Actor Secundário: Christoph Waltz | Robert DeNiro
(Tommy Lee Jones)
Melhor Actriz Secundária: Anne Hathaway

Melhor Argumento Original: Django Unchained
Melhor Argumento Adaptado: Lincoln | Argo | Silver Linings Playbook

Melhor Direcção Artística: Life of Pi (Les Misérables, Anna Karenina)
Melhor Fotografia: Life of Pi
Melhor Figurino: Anna Karenina | Les Misérables
Melhor Montagem/ Edição: Argo
(Zero Dark Thirty)
Melhor Caracterização: Les Misérables (The Hobbit)
Melhor Banda Sonora: Life of Pi (Lincoln, Argo)
Melhor Mistura de Som: Skyfall  | Les Misérables
Melhor Edição de Som: Zero Dark Thirty | Life of Pi
Melhores Efeitos Visuais: Life of Pi | The Hobbit
Melhor Música: "Skyfall" - Skyfall
Melhor Filme de Animação: Frankenweenie | Brave | Wreck-it Ralph
Melhor Filme Estrangeiro: Amour
Melhor Documentário: Searching For Sugar Man

Melhor Curta-Metragem: Curfew
Melhor Documentário (Curta): Mondays at Racine
Melhor Curta de Animação: Paperman (Adam and Dog)

Conclusões:
Não haverá um grande vencedor nem grandes derrotados. Para haver um grande vencedor era preciso Lincoln vencer o óscar de melhor filme (o que não é impossivel, visto que é o 2.º com mais hipóteses, mas Argo perfila-se como o maior candidato) ou a Academia dar a Silver Linings Playbook mais crédito do que toda a gente está à espera. O que não é propriamente esperado. Amour intrometeu-se na corrida e nunca se sabe o que pode conseguir, com Riva, Haneke e o filme na corrida a 3 categorias principais. Emmanuelle Riva parece ser a única com legítimas aspirações a algo.
Maiores dúvidas: Lawrence ou Riva (actriz); actor secundário – Waltz, DeNiro ou Lee Jones; argumento adaptado Lincoln, Argo ou Silver Linings Playbook.

    Lincoln e Life of Pi somam 12 e 11 nomeações respectivamente. Lincoln embora ganhe uma fatia pequena acabará por à partida arrecadar 2 estatuetas muito importantes (Melhor Realizador e Melhor Actor, Spielberg e Dia-Luís) se não conseguir inclusive o de argumento adaptado - que discute com Argo e Silver Linings Playbook -, Life of Pi dever-se-á limitar às categorias técnicas, onde até pode conseguir uns quatro óscares.
    A verdade é que supostamente não haverá um enorme vencedor da noite, porque nas 8 principais categorias (filme, realizador, 4 actores e 2 argumentos) pode muito bem ficará quase tudo disperso. Lincoln deve conseguir uns 2/3 óscares nestas 8, Argo a principal, Django 1 ou 2, e Silver Linings Playbook a mesma coisa. Todos estes números dependentes uns dos outros claro. Anne Hathaway intromete-se com a sua praticamente garantida vitória enquanto actriz secundária em Les Misérables e Emmanuelle Riva pode muito bem dizer a Jennifer Lawrence que velhos são os trapos. Caso ela o diga, um de nós aqui está para consolar a Jennifer Laurência.

Curiosidades (Fonte: RTP): Emmanuelle Riva é a actriz mais velha de sempre nomeada para o óscar de melhor actriz. E, com a breca!, Quvenzhané Wallis é a actriz mais nova de sempre a ser nomeada para a mesma categoria. Silver Linings Playbook tornou-se o 14.º filme a conseguir reunir 4 nomeações nas 4 categorias de interpretação - desde Reds (1981) que isso não acontecia. Day-Lewis deve-se tornar esta noite no único actor a conseguir 3 óscares de melhor actor na estante de sua casa. Spielberg pode-se aproximar na corrida ao recorde de John Ford e Alan Arkin é um dinossauro. Porquê? Porque passaram 46 anos desde a sua primeira nomeação para uma estatueta dourada, o que por si só é um recorde de distância temporal entre a 1.ª e última nomeação. Que fique claro que não estamos com isto a dizer que ele vai bater a bota ou nunca mais fazer um papel de jeito. Não estamos amigo Alan, não estamos.

E aqui fica a curta-metragem de animação "Paperman". Adam and Dog também é uma boa curta (menos genuína e mais profunda) mas aqui fica a Disney com o que melhor sabe fazer:




Fiquem acordados mochos e corujas cinéfilos.
Vestidos a preceito para a cerimónia, TM. MP.

10 de fevereiro de 2013

A Caminho dos Óscares: The Master | The Sessions

E olha, parece que hoje terminamos de nos alongar sobre os filmes nomeados para as principais categorias dos óscares. Um filme com 3 nomeações (actor, actor secundário e actriz secundária) sobre um alcoólico que volta da II Guerra e que encontra um Mestre, e não é dos sete anões. E depois um filme no qual John Hawkes (não nomeado para óscar) interpreta um homem com poliomielite que, aos 38 anos, quer perder a virgindade e chama então uma terapeuta sexual para o ajudar - ela sim, Helen Hunt, está nomeada.

The Master

Realizador: Paul Thomas Anderson
Argumento: Paul Thomas Anderson
Elenco: Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams
Classificação IMDb: 7.6

Pois bem, o realizador de ‘There Will Be Blood’ e ‘Magnolia’ voltou. Tal como em Magnolia, a história vem toda da sua cabeça. Tal como em Magnolia, entra Seymour Hoffman (agora com papel mais relevante). Foi o último filme indicado em alguma das principais categorias nos Óscares a surgir para o grande público e a história agradará apenas a alguns, e dividirá mais opiniões do que normalmente. The Master é um filme esquisito, embora pareça por vezes que é esquisito só porque sim e que as pessoas que gostarão dele serão aquelas que gostam só de alguns filmes esquisitos e diferentes por serem… esquisitos e diferentes.
    O filme de Paul Thomas Anderson aborda o regresso de Freddie Quell (Joaquin Phoenix) após a 2ª Guerra Mundial, voltando revoltado e com alguns distúrbios (descontrolo nas suas compulsões sexuais, grande agressividade e um alcoolismo incorrigível), não concebendo limites para si e estando perdido. É neste contexto que aleatoriamente conhece Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), um carismático líder duma espécie de ceita – A Causa – cujos ideais são futuristas para a época e se baseiam em estudos relacionados com as vidas passadas e em muitas das crenças-base da Cientologia (já houve suspeitas levantadas que a personagem de Seymour Hoffman representava o “pai” da cientologia – L. Ron Hubbard – mas foram negadas). Freddie dedica-se então à Causa e vive bebendo os conhecimentos e as fortes convicções de Lancaster e de todos os que este arrasta consigo. Com A Causa, Freddie ganha um foco, o qual defende por vezes com a sua própria errática agressividade, mas não corrige o seu comportamento e o seu alcoolismo, acabando por se afastar. Lancaster admira Freddie e podem-se considerar personagens totalmente adversos, mas ambos marcantes. Importa ainda falar de Peggy Dodd (Amy Adams), mulher da personagem de Seymour Hoffman, e que acaba por ser parte importante d’A Causa e das decisões do “mestre” Lancaster. A tal coisa dos homens serem a cabeça, mas as mulheres serem o pescoço.
    Retira-se pouco sumo no final do filme, e merecia um desfecho diferente, acabando por ser um filme abaixo de muitos este ano, embora conte com dois bons papéis – interpretados por Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman. Tão longe de Johnny Cash ou da sua personagem no Gladiador, Phoenix está completamente transformado, transtornado, enquanto que Seymour Hoffman engrandece a sua personagem, que já de si tinha algum potencial. Não sendo filme de óscar, e daí pelo menos não estar (e bem) nomeado para melhor filme, The Master oferece-nos no entanto uma das cenas do ano no Cinema – num questionário em jeito de “processamento” (técnica de Lancaster Dodd) em que o Mestre Seymour Hoffman faz uma série de perguntas criteriosamente formuladas, às quais Phoenix tem que responder sem piscar os olhos. Phoenix não tem grandes possibilidades na sua categoria (nem sei mesmo se nós o nomearíamos), mas Seymour Hoffman pode criar algumas expectativas – o óscar de melhor actor secundário é neste momento uma incógnita e poderá ir para qualquer um dos nomeados.


The Sessions

Realizador: Ben Lewin
Argumento: Ben Lewin
Elenco: John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy, Moon Bloodgood
Classificação IMDb: 7.4

Até há uns dias, eu não gostava do John Hawkes. Primeiro, porque tinha medo dele. Tive medo dele quando vi os Despojos de Inverno (o primeiro filme a sério de Jennifer Lawrence) e voltei a ter medo dele em Martha Marcy May Marlene. Pronto, eu não tenho medo de nada. Excepto do Fernando Luís (o Inspector Max e Médico de Família), o meu arqui-inimigo!
    Hoje já gosto do John Hawkes e, finalmente, reconheço o talento como actor que o universo cinematográfico já anda a tentar vender há alguns anos. Baseado numa história verídica e inteiramente dedicado e realizado em memória de Mark O’Brien, The Sessions (“Seis Sessões” em português) conta a história dum homem (jornalista e poeta) que na sua infância ficou paralisado fruto de poliomielite, precisando de um ventilador médico (iron lung) para o ajudar a respirar e sobreviver.
    John Hawkes interpreta portanto Mark O’Brien, sendo que o filme explora o momento aos 38 anos em que O’Brien decide que quer perder a sua virgindade. As dúvidas, confissões e apoios são procurados junto do padre Brendan (William H. Macy), acabando O’Brien por recorrer a uma terapeuta sexual, Cheryl Cohen-Greene (Helen Hunt). O filme “vive” da relação entre os dois últimos.
    O filme baseia-se sobretudo na relação de O’Brien com Cheryl, tendo em conta que se baseia precisamente num artigo publicado por O’Brien no jornal The Sun, “On Seeing a Sex Surrogate”. O’Brien era um exemplo, um homem como os outros que encarava bem a sua situação, inseguro e amedrontado aos 38 anos relativamente à componente sexual, mas acreditando em Deus por entender, humoristicamente, que tinha que haver alguém para ele culpar. É um filme com um tema diferente, enriquecido pelo potencial da pessoa Mark O’Brien mas igualmente pelos desempenhos de John Hawkes e Helen Hunt. Pessoas com mais de 40 anos que fantasiaram muito tempo com Helen Hunt, poderão vê-la neste filme nua. Mais do que uma vez. Hunt foi justamente nomeada, mas Hawkes deveria ter sido também nomeado para melhor actor, pese embora este ano seja um ano com boas interpretações masculinas (ao contrário de 2012 – Clooney, Bichir e Oldman estavam todos abaixo deste ano - e tal como 2011 – em que houve bons desempenhos de Eisenberg, James Franco, Firth, Bardem e Jeff Bridges). Embora tenha reunido algumas críticas por abordar o tema de forma demasiado leve, o que até acho que é um dos bónus do filme, a título de curiosidade posso dizer que o actor John Hawkes usou uma bola de futebol por baixo das suas costas para simular a curvatura das costas de O’Brien e treinou veementemente a marcação de números de telefone usando apenas um marcador seguro pela boca.
    Filme diferente, 2 bons actores, descomplexado e humano. Não sendo de todo filme de óscar, a verdade é que é superior a Beasts of the Southern Wild e filmes com o mesmo astral (The Kids Are All Right, por exemplo) já foram nomeados.
    E por fim, deixemos o poeta Mark O’Brien, ter a última palavra, num poema escrito para a sua terapeuta:

“Let me touch you with my words, for my hands are limp as empty gloves.
Let my words stroke your hair, slide down your back, and tickle your belly.
For my hands, white and free flying as bricks, ignore my wishes and stubbornly refuse to carry out my quietest desires.
Let my words enter your mind, bearing torches.
Admit them willingly into your being so that they may caress you gently within.”


E pronto, lá para pertinho de 24 de Fevereiro, indicaremos quem esperamos que ganhe as estatuetas douradas de 2013 e comunicaremos também quais serão os nossos nomeados e vencedores, umas estatuetas douradas muito muito parecidas, mas com... a barba por fazer. MP


22 de janeiro de 2013

A Caminho dos Óscares: Life of Pi | Amour


Muito resumidamente, hoje lá continuamos a esmiuçar cada filme cogitado para as principais categorias dos Óscares da Academia, sendo que hoje é dia de um indiano sobreviver num barco com um tigre e de falarmos do filme de Rita Blanco. Sim, isso mesmo, podíamos chamar-lhe o filme de Michael Haneke, o filme de Emmanuelle Riva. Mas isso é cliché. E nós somos portugueses. Portanto vamos chamar-lhe o filme de Rita Blanco, que faz em Amour uma perninha como empregada. Antes disso, um filme de Ang Lee que não envolve cowboys homossexuais, mas sim um indiano que vai num barco armado em Noé, cheio de dúvidas sobre Deus. Na realidade, é um pouco mais que isso. Mas para isso, há que ler as linhas abaixo.

Life of Pi

Realizador: Ang Lee
Argumento: David Magee, Yann Martel
Elenco: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Rafe Spall
Classificação IMDb: 8.3

    A última vez que vi um filme do Ang Lee, o Joker acabava a copular com o Prince of Persia. Tinha por isso a sensação que qualquer coisa que me pusessem à frente, seria melhor. Não gosto muito de descrever os filmes em género sinopse, mas supõe-se que isto tenha um carácter informativo portanto: Pi (nome proveniente de Piscine, interpretado pelo jovem Suraj Sharma em novo e Irrfan Khan em adulto – momento em que conta a história) é um jovem indiano cuja família tem um jardim zoológico, e que vive carregado de dúvidas sobre as várias religiões e Deus. A sua família vende o Zoo e embarcam então num navio japonês rumo ao Canadá, transportando os residentes do zoo (animais, portanto). Um desastre náutico resulta no naufrágio e na sobrevivência de Pi, que fica apenas num barco com uma hiena, um orangotango, uma zebra e um tigre de Bengala. A aventura de Pi, na tentativa de sobreviver, de enfrentar os seus medos e encontrar uma resposta Superior inicia-se então, sempre com o tigre Richard Parker (no filme explicam o nome) ao seu lado, mas nem por isso seu amigo.
    Toda a história é narrada pelo adulto Pi Patel, numa conversa com um escritor (Rafe Spall) e com um intuito muito específico: explicar a religião e a crença em Deus.
    É nitidamente um filme que se destaca pela Fotografia, mas que absorve sobretudo a narrativa de Yann Martel, resultando em cinema e sustentando a sua qualidade na reflexão final, no confronto das 2 histórias: a que o filme explora (com os animais) e a que Pi conta depois aos japoneses que o encontram (com humanos). Comparando com outro filme “indiano” – Slumdog Billionaire – embora sejam muito diferentes, este é um filme melhor, com um final que suscita dupla interpretação e sobretudo a dúvida, porque, no final de contas, é também a dúvida que sustenta a fé. Justamente nomeado para a maioria das categorias em que reúne nomeações (11 nomeações, grande maioria técnicas) – só após reflectirmos é que poderíamos dizer se estaria para nós no leque de 9 melhores filmes do ano, mas é justa em todo o caso e à priori a nomeação para Melhor Argumento Adaptado. Quanto ao Ang Lee, trocou dois cowboys por um indiano e um tigre e eles não acabaram num inter-espécies. Só por isso, os meus parabéns velho chinês.
    Não cansa como “Naufrágo” e não é extremamente surreal e metafórico como “Tree of Life”, sendo acima de tudo uma história bem contada. E bem conduzida. Mais do que pelo filme, uma salva de palmas para o Yann Martel. Palmas para ti homem canadiano.

Amour

Realizador: Michael Haneke
Argumento: Michael Haneke
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva
Classificação IMDb: 8.1

    Ora bem, entrem os tambores, mantenham-se os tambores a tocar: Eis um filme, nomeado para Melhor Filme, no qual entra… a Rita Blanco! Pois é Rita… Médico de Família, A Minha Sogra é uma Bruxa, Conta-me Como Foi e de repente, pumba, um Amour nomeado para vários óscares.
    Antes de mais, levanto uma questão. Qual é a percentagem facial da cara do realizador Michael Haneke que é habitada por barba? A) 30%; B) 60%; C) +∞. Sim, é a resposta C. Este ancião germânico realizou, em 2009, O Laço Branco (perdeu para o argentino “El secreto de sus ojos” o óscar de melhor filme estrangeiro) e agora em 2012 volta em força, conseguindo 5 nomeações para Amour (Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Actriz, Melhor Argumento Original e Melhor Realizador). Parece portanto óbvio, quase matematicamente, que vencerá o óscar de melhor filme estrangeiro.
    Amour é, primeiro que tudo, cinema europeu. E portanto para quem vai ao cinema (mesmo num cinema ou na sua sala) e está à espera de ser invadido e conquistado por efeitos especiais e grandes bandas sonoras, não sendo a pessoa a ir atrás do filme, provavelmente Amour não acrescentará nada à sua vida. Amour mostra um casal de antigos professores de música de idade avançada, Anne (Emmanuelle Riva) e Georges (Jean-Louis Trintignant), e mostra apenas isso. Mostra o fim da vida, o amor de uma vida, no fim do tempo, na perda de capacidades e funcionalidades, nos últimos batimentos. O definhar de Anne, paralisada e confinada a uma cadeira de rodas é explorado, num filme em que os silêncios também falam. Haneke realiza de forma fria mas rica e explora o desespero, a realidade, conseguindo no fundo o Amour. Não sendo um filme que me encha as medidas, nem achando que chega para ser nomeado para melhor filme, tiro o chapéu sim ao desempenho de Emmanuelle Riva, e também de Jean-Louis Trintignant. Reúne pelo menos duas nomeações justas, acabará por vencer o óscar de melhor filme estrangeiro e Emmanuelle Riva até acredito que seja a principal concorrente de Jennifer Lawrence e Jessica Chastain, entrando na mente da Academia. Não é um filme que toda a gente gostará, nem é um filme em que toda a gente absorverá cada imagem, cada silêncio e cada cena, mas assim é o Amour. O fim assusta-nos a todos, e acho que todos quereremos ter alguém que nos suporte e que esteja lá quando respirarmos pela última vez.
    PS: O Michael Haneke parece o Saruman, do Senhor dos Anéis. MP

18 de janeiro de 2013

A Caminho dos Óscares: Zero Dark Thirty | Les Misérables


Um artigo. Dois textos. Dois filmes. Dois realizadores galardoados com os óscares de melhor filme e melhor realizador em 2010 e 2011. A senhora Bigelow traz-nos um filme como ela tanto gosta: de guerra. Não uma guerra às claras, mas o backstage da infinita operação para encontrar e matar Osama Bin Laden. Supostamente terá sido assim. Bom papel de Jessica Chastain (já elogiada neste humilde blog há um longo tempo). Depois, vem o Tom Hooper e os seus actores cantantes. Wolverine mostra a voz que o mundo já sabia que ele tinha, tal como Anne Hathaway. Lá que eles têm alma a cantar/ interpretar, têm. Só é esquisito o Gladiador cantar. Só um bocadinho. Pronto, não é um bocadinho. É muito.

Zero Dark Thirty

Realizador: Kathryn Bigelow
Argumento: Mark Boal
Elenco: Jessica Chastain, Jason Clarke, Mark Strong, James Gandolfini, Joel Edgerton, Kyle Chandler
Classificação IMDb: 7.7

Olá Kathryn Bigelow. Não foste nomeada para melhor realizadora. Que pena. Assinado: James Cameron.
    Zero Dark Thirty (00:30 Hora Negra) é um filme com um tema que estava mesmo a pedi-las: Osama Bin Laden. Bigelow, num argumento de Mark Boal, dupla que já tinha funcionado em “The Hurt Locker” esmiuça a década de perseguição ao líder da Al-Qaeda, numa viagem episódica aos bastidores da CIA, acompanhando uma investigação que parecia infindável. Não querendo pôr em causa a veracididade dos factos, a Bigelow diz que todo o filme é baseado em factos verídicos.
    No ano passado, quando dissemos quem nomearíamos para óscar e a quem entregaríamos a estatueta dourada, na categoria de melhor actriz secundária, votámos em Jessica Chastain duas vezes – em The Help e Take Shelter, defendendo o óscar para a actriz pelo seu papel no 2º filme referido. Pois bem, no ano passado a Academia não lhe deu a atenção que nós demos, mas este ano está nomeada para Melhor Actriz Principal. Chastain (no papel de Maya). Mas já voltamos à Jessica. Zero Dark Thirty (30 minutos depois da meia-noite, hora a que supostamente Bin Laden foi morto) tiveram que ser mudado porque estava já a ser desenvolvido quando Bin Laden foi morto. O que ia ser apenas um filme sobre as estratégias e missões na busca de OBL, acabou reformulado. Inicialmente ia-se chamar “Kill Bin Laden”, mas se calhar alguém achou que isso era ligeiramente forte, não sei, digo eu.  Curioso também o facto de o filme ter sido quase entregue a James Cameron, ex-marido de Bigelow, mas este ter desistido por querer trabalhar na sequela de Avatar.
    O filme é interessante. Pessoalmente, acaba por ser mais interessante que Argo, embora seja mais fácil gostar de Argo, porque é mais cinematografado. Muita investigação resultou naquele que foi definido como “a história da maior caça humana da História para o homem mais perigoso do mundo”.
    Tal como Argo, Zero Dark Thirty não me enche os meus olhos cinéfilos, mas são dois filmes cultural, histórica e politicamente interessantes de ver. Encontro em Chastain aquilo que Bigelow é – uma mulher na guerra. Para além de figurar num “mundo” (a realização) onde as mulheres são uma minoria, tem-se orientado ultimamente para a Guerra – The Hurt Locker e agora este.
    Jessica Chastain contextualiza a sua realizadora mas personifica a américa na perfeição. O desespero e a incapacidade de dormir e descansar enquanto não tivesse a sua missão terminada vêem-se cena a cena, no evoluir da sua frieza, tendo sempre foco e acreditando nas suas decisões mais que ninguém. Maya (Chastain) dedica a vida ao país, numa procura por um assassinato no qual ao ver determinados olhos fechados, aceita a paz e percebe, aí, que após uma década de esforços, não sabe e não tem para onde ir. Nomeação justa da actriz, do filme, logo veremos.


Les Misérables

Realizador: Tom Hooper
Argumento: Claude-Michel Schönberg, Alain Boublil, Victor Hugo, Herbert Kretzmer, Jean-Marc Natel, William Nicholson
Elenco: Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Eddie Redmayne, Sacha Baron Cohen, Helena Bonham Carter, Aaron Tveit, Samantha Barks
Classificação IMDb: 8.1

    Ora bem, o que é que têm em comum o Wolverine, o Gladiador, a filha da Mamma Mia, o Borat e a Princesa que tinha um diário? Pois é, são miseráveis. Les Misérables é, por assim dizer, um episódio do Glee mas com muito pedigree. Na realidade não, mas era uma piada que se podia fazer. E assim já foi feita.
Tom Hooper gosta muito da voz. No Discurso do Rei explora a dificuldade de oralidade num líder, e desta feita pegou no musical de Victor Hugo e fez mais um remake. Mais uma vez, a história incide sobre Jean Valjean (Hugh Jackman), o homem que roubou um pão e tornou-se o prisioneiro nº 24601. Sim, ele roubou um pão. Valjean quebra a sua liberdade condicional, assumindo uma nova identidade para que a sociedade o aceite e para fugir ao polícia Javert (Russell Crowe), obcecado em prendê-lo. A nova identidade de Valjean - Senhor Madeleine – leva-o a abraçar a vida de uma nova forma, acabando por se encontrar ao cuidar da filha, chamada Cosette, de uma costureira pobre - Fantine (Anne Hathaway) – que trabalha para sustentar a sua filha que está a viver com outra família. Para a sustentar ela vende o cabelo, dá dois dentes e faz outras coisas. Sim, reforço, a personagem principal roubou um pão e esta personagem vende o cabelo e dois dentes. E mais coisas. Não faz sentido contar mais porque aí isto seria um spoiler.
    O grande factor X do filme de Tom Hooper é o facto de as músicas terem sido gravadas ao vivo e não editadas em estúdio na pós-filmagem, como em todos os outros musicais em cinema. Os actores cantam com sentimento e dão tudo de si e há momentos emocionantes. Não sendo o meu tipo de filme, é intenso em vários momentos, compreendendo-se as nomeações de Hugh Jackman e Anne Hathaway para os óscares. Eles que venceram recentemente cada um 1 globo de ouro.
    Para Les Misérables, Hugh Jackman perdeu 15 quilos e Hathaway perdeu 11. Sim, o critério de nomeação para os óscares agora é semelhante aos critérios semanais nos Biggest Loser’s. Mas o Jackman fez mais, e passou 36 horas sem água, para supostamente perder peso à volta dos olhos e bochechas e parecer um prisioneiro. E, a título de curiosidade, a farta barba do Wolverine enquanto escravo e pobre, é mesmo dele. A produção teve que esperar que ele fizesse a barba e recuperasse o peso normal para filmarem as cenas dele após adoptar nova identidade. Não sei o que lhe terá demorado mais. O filme foi concebido para ter 4 horas, mas acabaram por perceber que tinham que cortar algumas partes e ficou só com 2 horas e 30 e tal minutos. É interessante porque parece que hoje em dia é condição sine qua non para um filme de óscar ter uma longa duração: Les Misérables, Django Unchained, Silver Linings Playbook, Zero Dark Thirty, Lincoln, Amour, Life of Pi e Argo têm todos, pelo menos 2 horas. Só Beasts of the Southern Wild tem menos, mas curiosamente também tem menos lógica estar nomeado para melhor filme.
    Sim, há grandes canções como "I dreamed a dream" mas há uma canção peculiar que me fez recordar "Mauzão, Mauzão, nos ossos ninguém põe a mão".
    É difícil, admito, aceitar Russell Crowe, o Gladiador, o Cinderella Man, a cantar. Mas depois lá se aceita. Ou então não, mas quase. O destaque do filme vai para a espontaneidade e emoção colocada nas interpretações deste musical do grande ecrã. Hugh Jackman e Anne Hathaway (que nem entra assim numa % tão elevada do filme) dão tudo nas suas performances, sendo que num degrau mais baixo os restantes destaques seriam até Eddie Redmayne e Samantha Barks. Se é filme de óscar? Para mim se calhar não, porque eu preferia ver um lote de 5 bons filmes nomeados. Em 9 filmes, talvez mereça o seu lugar. Mas é um bom musical, anos-luz superior a um suposto sucesso como Mamma Mia por exemplo. O Tom Hooper vai-se safando (The Damned United, King’s Speech, Les Misérables) e vamos ver como a Academia encara o filme. Garantido parece estar, à partida, o óscar de melhor actriz secundária para Anne Hathaway. MP

14 de janeiro de 2013

A Caminho dos Óscares: Django Unchained | The Impossible


Olá humanos. Noto que estão mais belos do que da última vez que vos vi. Hoje fazemos check a mais dois filmes. Um melhor que o outro. O western de Tarantino que reúne Jamie Foxx, Christoph Waltz e Leonardo DiCaprio, com sangue jorrado num mar de tulipas brancas e os gatilhos mais rápidos do faroeste. E depois, um maremoto de emoções. Epá, esta saiu mesmo bem, han? Como o filme é sobre o tsunami, um marem… Sim senhor, boa piada pá!

Django Unchained

Realizador: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Elenco: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson
Classificação IMDb: 8.7

Quando pensamos nas palavras Western e Tarantino, a ligação não é imediata e nem parece muito lógica. Mas a verdade é que era algo que, depois de uns minutos de Django, se percebe que tinha que acontecer mais tarde ou mais cedo no Cinema. O filme que esteve para se chamar The Angel, The Bad and the Wise.
Django Unchained conta-nos a história dum escravo, Django (Jamie Foxx) que é liberto por um caçador de recompensas (Christoph Waltz) para o ajudar a matar uns pilantras/ patifes/ bandidos. Em contrapartida, Dr. Schultz (Waltz) ajuda Django a tentar recuperar a sua mulher, que “pertence” a Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).
O mérito de Tarantino está, primeiro que tudo, em conseguir conciliar 3 actores com egos grandes e que normalmente assumem eles próprios a totalidade do ecrã. DiCaprio, mesmo assim, tem desenvolvido um factor X que o faz “roubar a cena” sistematicamente, mas Waltz e Foxx fazem o filme funcionar da melhor forma. Tarantino deixa a sua impressão digital em diversos momentos, obviamente com muito sangue jorrado e com toda a violência explícita como não podia deixar de ser num filme seu. Como qualquer outro filme de Tarantino, Django Unchained não é para mornos, ou se gosta muito ou não. Django não é um Pulp Fiction, mas um Pulp Fiction só se torna um Pulp Fiction com os anos e portanto Django estreou-se em alta, mas ainda poderá crescer enquanto filme de culto no futuro. Ah, sim, nunca tinha dito tantas vezes Pulp Fiction numa só frase.
    Nomeado para 5 categorias: Melhor Filme, Melhor Argumento Original, Melhor Actor Secundário (Christoph Waltz) e 2 categorias técnicas, ficou a faltar a nomeação para Melhor Realizador, e consoante a moldura total (que ainda se está a formar, dos filmes todos) DiCaprio tinha aspirações legítimas a uma nomeação, e Foxx também, a uma escala menor. Por falar em DiCaprio, anotem e preparem-se para o filme deste ano – de Scorsese – “The Wolf of the Wall Street” com DiCaprio, Jonah Hill, Matthew McConaughey, Jon Bernthal (“Shane” em Walking Dead) e Jean Dujardin.
    Quem gosta de Tarantino, é 100% certo que gostará de Django, 7º filme do realizador. Quem não gostava, pode começar a gostar agora. Na senda de Inglourious Bastards, Pulp Fiction e Kill Bill, Tarantino mantém a sua marca muito própria e Christoph Waltz encaixa que nem uma luva, mais uma vez, neste género “tarantiniano”. O filme conta ainda com Samuel L. Jackson, que volta a trabalhar com o realizador, Franco Nero (que foi “Django” num western de 1966) e claro, Tarantino faz uma perninha no seu próprio filme.
    Bem nomeado para Melhor Filme, não desilude quem tinha expectativas da combinação Western + Tarantino + DiCaprio + Waltz + Foxx. Liberdade, Vingança e Vida, mas sempre com estilo. Deixo a última frase para Christoph Waltz, maior destaque do filme e que, apesar da sua carreira já falar por si, podia muito bem ser galardoado este ano pela Academia.


The Impossible

Realizador: Juan Antonio Bayona
Argumento: Sergio G. Sánchez, María Belón
Elenco: Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland
Classificação IMDb: 7.7

Sim, é o filme do tsunami. A Naomi Watts, sem o King Kong, e o Ewan McGregor, sem sabres de luz e sem cantar a “My Song”, são um casal com três filhos – o Lucas e mais dois. Assumir tom sério e polido. The Impossible é baseado na história verídica de uma família durante o tsunami do sudeste asiático de 26 de Dezembro de 2004. E agora, a sinopse insensível em 1 frase: o McGregor vai passar férias de Natal com a família, vai à piscina, vem uma onda e leva todos. Foi o King Kong que deu um pum no mar. Que piada tão fraca, porra! Tão fraca! Porquê? Porque é que esta piada saiu tão fraca? E porque é que eu, leitor, estou a ler isto tudo tão estranho e agora me estou a aperceber?!
    The Impossible, realizado pelo senhor Bayona, é um filme emotivo. Tem pontos altos, momentos familiares intensos, mas também tem muita coisa que faz alguma impressão. Eu não me impressiono porque sou um campeão, naturalmente, mas se me impressionasse (eu impressiono-me, confesso) algumas feridas e momentos de sofrimento da Naomi Watts mexeriam comigo. A história relata bem o sofrimento durante a tragédia, o estado deplorável consequente do tsunami e é um filme muito humano. Escrever isto dá a entender que poderia ter sido um alien roxo a realizar o filme, mas eu opto por reforçar que foi um humano. É estúpido. Bom papel de Naomi Watts e bom papel do pequeno Lucas. Interessante também ver Ewan McGregor a desmanchar-se a chorar, acho que nunca antes tinha visto na sua carreira. O filme está nomeado para uma categoria – Melhor Actriz Principal (Naomi Watts) – sendo que é a segunda nomeação da actriz, depois de 21 gramas. Pessoalmente, não sei se o seu papel é suficiente para ser papel de óscar e, sendo, é inferior aos de Jennifer Lawrence e Jessica Chastain. Ao nível da pequena Quvénzhane, talvez. Só que a Quvénzhane tem a vantagem de ter 9 anos, e de se chamar Quvénzhane. É um filme interessante pelo tema que aborda, não me encheu as medidas mas é emotivo e exalta o espírito humano, a família, sendo um excelente mergulho no tsunami. Não interpretem esta frase final como uma piada, porque aí eu vou para o inferno. E eu não queria isso. MP