Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

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5 de junho de 2012

Rock in Rio 2012: Dia 3


Rock in Rio 2012: Dia 3

    Olha... o Rock in Rio Lisboa acabou. Daqui a 2 anos diz que há mais. 81 mil pessoas assistiram no Parque da Bela Vista naquele que foi sem dúvida o melhor dia do festival... E nós não estávamos lá. Estávamos em nossas casas a chorar baba e ranho. A isto se chama fechar com "chave de ouro". Boa música, bons concertos, grandes shows.

    Neste último dia a média de idades subiu. Contudo, haviam humanos de todas as idades. Um pouco à imagem do que foi o concerto dos Bon Jovi no verão passado. Prossigamos então para os concertos do dia que tanta euforia causaram no público português (e não só).

    O dia começou com os Kaiser Chiefs. Nós bem avisámos que ia ser um grande concerto... Não nos surpreendeu minimamente esta energia e grande ligação com o público que Ricky Wilson demonstrava no Parque da Bela Vista. Wilson é sem dúvida um entertainer nato. Cantou até não poder mais, correu por todo o palco e arredores, saltou... e fugiu. É verdade... Estava a banda a tocar normalmente e Ricky a cantar quando lhe deu na tola para saltar a cerca em direcção ao slide. Fez-nos lembrar o Rocky d'A Fuga das Galinhas. Wilson saltou muito espontaneamente fazendo com que uns 5 seguranças se afligissem. A reacção deles deve ter sido "Oh laaaa... que este gajo é maluco! Anda cá pááá!" - e lá tiveram que o seguir até ao slide. Antes do cantor, ainda passou um ser humano para enganar as pessoas. Porém, logo depois, seguiu-se Wilson que cantava enquanto andava na geringonça deslizante. Lá correu de novo para o palco mundo com a ajuda dos homens vestidos de negro e acabou em grande o resto do concerto. Os Kaiser Chiefs colocaram logo a fasquia muito alta no que toca à questão da "loucura". Apesar do recinto ainda não estar repleto e de os presentes não saberem muito bem as músicas da banda britânica, de certeza que se divertiram. Arriscamo-nos a dizer que, na próxima vez que os Kaiser Chiefs actuarem no Rock in Rio, o Ricky cantará "Ruby" na roda gigante. Sempre a fixar a sua bandeirinha mais alto... O Ricky...

    Seguiram-se os James, onde o vocalista Tim Booth apresentou o seu visual à Edward Norton em American History X. Os James também deram o seu show. Tim parecia estar feliz como ninguém, mas com uma pose sempre relaxada. Era estranho. O que também era estranho eram as suas danças epilépticas... Quando Tim dançava parecia um cão cheio de pulgas a abanar-se por todos os lados. Bem sabemos que os James gostam muito de Portugal e que já estão fartos de cá vir... Mas neste concerto, o elemento da banda que tem uma mulher portuguesa "lindíssima" decidiu intervir com um "'tás a ouvir?!" e fazer umas perguntas ao nosso Primeiro-ministro "Coelhinho"... Depois do discurso, Tim sentou-se e com ele pelo menos a primeira fila também se sentou toda para todos juntos cantarem o hit "Sit Down". Um dos momentos altos numa noite em que Tim Booth entrou pelo público a dentro e lá cantou até ficar realizado e deixar-se cair para trás. Não desiludiram de maneira alguma. Muito bom concerto.

    Depois dos britânicos, finalmente Xutos e Pontapés à noite. Finalmente lhes deram algo que têm vindo a merecer há muito tempo. Depois das duas bandas anteriores, os Xutos tinham tudo para dar um grande concerto. O público estava eufórico com o aquecimento que os James e Kaiser tinham dado. Apesar da melhor banda portuguesa não saber dar maus concertos, o público sentiu que eles podiam ter interagido mais sem ser através das músicas. Os êxitos obviamente que foram cantados por 81 mil pessoas. Para nós o grande momento foi a "Circo de Feras", mas somos suspeitos. "Para Sempre", "Contentores", "Homem do Leme", "Casinha" e "Maria" foram os outros temas que fez todo o Parque da Bela Vista cantar. Um Tim sempre muito tímido no que toca a explorar o palco, um Zé Pedro visivelmente cansado, um Cabeleira sempre hipnotizado por sua guitarra e um Kalú que só saiu do seu posto para cantar a "Tonto" com Zé Pedro. Os portugueses terminaram o concerto com a "Para Sempre" deixando que o público terminasse o tema em coro. Passaram assim o testemunho a Bruce Springsteen com um bom momento.

    O concerto mais esperado demorou cerca de uma hora a começar para a impaciência do público português. E aqui pouco ou nada podemos falar. Porquê? Porque apenas foram transmitidos 30 minutos da actuação do "Boss". Mas do pouco que pudemos ver, o público "estava maluuuco! estava braaavo!" com Bruce. Apesar de não ter a mesma genica de antes, o "Boss" estava cheio de pica para os seus 62 anos. Ouvimos dizer que foram lá ter duas senhoras do público ao palco e que uma delas não queria largar o pobre senhor. Ouvimos que ele entrou a falar português... E ouvimos que ele não se queria ir embora... Já os foguetes de encerramento estavam a ser lançados quando Bruce decidiu ir tocar mais umas todo feliz da vida. De acordo com o que nos chegou aos ouvidos, foi um concerto memorável quer para os presentes, quer para o cantor norte-americano. Conta-se que muita gente ganhou novas vidas após este dia. Nós não, apenas ganhámos alguma inveja e queríamos ter estado no Parque da Bela Vista. Pode ser que em 2014 nos paguem para tal...

    E assim acaba a nossa análise detalhada sobre o Rock in Rio Lisboa 2012 que, tendo em conta a lotação, foi bastante positivo. Relativamente aos concertos, podemos dizer que a grande maioria valeu a pena. Apenas faltou uma banda portuguesa em cada dia do Rock in Rio. Achamos que alguns nomes podiam muito bem ser substituídos por nomes nacionais de grande valor. Fazemos portanto um balanço positivo do RIR deste ano e em 2014 haverá mais. Podem esperar novas análises detalhadas aos próximos grandes festivais e no mês de Julho há logo dois: SuperBock SuperRock e Optimus Alive.

MP. TM.

Felizmente, conseguimos captar o momento em que Ricky Wilson teve a ideia que teve...

Rock in Rio 2012: Dia 2

Rock in Rio 2012: Dia 2

    Dia 2 era impreterivelmente o dia de um grande Senhor da música: Stevie Wonder. Mas como toda a bela tem senão, quem o quisesse ouvir tinha (não obrigatoriamente) que aturar primeiro os The Gift.
    Agora a sério, não odiamos os The Gift, até gostamos dum tema deles que se chama "Primavera" mas apenas não é "Fácil de Entender" se a vocalista é uma mulher ou um homem. Han, e esta? Uma piada em que inserimos o nome de uma música dos The Gift.. Fogo.. 
    Os The Gift, vestidos cada um de sua cor parecendo teletubbies, abriram o Palco Mundo incomparavelmente pior do que tinham feito os Expensive Soul na véspera e a vocalista Sónia Tavares pareceu interessar-se mais, por vezes, em conseguir que as pessoas ligassem para apoiar a Fundação Gil do que cantassem as músicas da banda. Não estiveram mal mas, no nosso entender, não deslumbraram.

    Seguiu-se Joss Stone. E quanto à Joss nós somos suspeitos. Pensando que Joss Stone era um complemento deste dia e não o destaque principal, tal como por exemplo os Evanescence foram no 1º dia do festival, a Joss foi um excelente complemento, e a Amy Lee na altura foi muito fraquinha. Somos suspeitos porquê? É difícil não gostar dum concerto da rapariga. Ela chega, bem disposta e meia hippie, com a voz que tem (uma das melhores vozes femininas da actualidade para nós) e naquela voz que é soul e R&B puros, convence qualquer pessoa que goste de boa música. O sorriso também ajuda. 
    Joss Stone foi a melhor companhia dos espectadores do final de tarde para a noite, actuando durante cerca de 1 hora. Mostrou algumas músicas do seu novo álbum, cantou a sua versão de "You Got the Love" dos Florence + the Machine e deixou os seus êxitos mais consagrados pelos fãs para o fim: "You Had Me" e, a fechar um concerto muito positivo, "Right to be Wrong".

    Estava quase a chegar a vez do Stevie. Mas antes era o Bryan. Não sei se repararam, mas para quem vê Family Guy este dia juntava 2 artistas com nomes parecidos com 2 personagens: Bryan-Brian e Stevie-Stewie. Um pormenor, para perceberem como é que se fazem cartazes. 
    O Bryan, repleto de canções do amor para mostrar, optou por surgir com um penteado idêntico àquele que o C.Ronaldo apresentou frente à Turquia. As opções de Bryan.. E optou também por encher o seu alinhamento (que expressão estranha) dos seus maiores êxitos. Em "(Everything I Do) I Do it For You" todo os humanos presentes no Parque da Bela Vista terão desatado a beijar a pessoa ao lado, mas Bryan Adams ainda brindou o público com os aclamados "Summer of 69" e "Heaven". 
    
    Houve ainda um momento peculiar. Para cantar "When You're Gone", música dele com a spice girl Melanie C, o Bryan decidiu chamar alguém do público para o acompanhar. E entre milhares e milhares de pessoas, o Bryan acertou logo na Vanessa Silva. A Vanessa que participa em musicais do La Féria e que integra vários coros de programas da manhã ou da noite, ou quiçá da tarde também. Enfim, ou uma enorme coincidência (se quisermos todos ser muito inocentes) ou va, foi uma escolha completamente "aleatória e espontânea".

    Até que para o final da noite estava guardado o momento mais esperado: a actuação de Stevie Wonder. Primeiro, as piadas. Porque temos que as fazer, porque lá em cima está referido que este blog contém humor. Ora bem, se eu estivesse com o Stevie, convidava-o para um blind date. Senhor(a) leitor(a), bastante desumano se se riu disto. Depois há quem diga que o Stevie costuma demorar a entrar em palco porque gosta de deixar o público às cegas. É uma cena dele... Aquilo que o Bryan fez de escolher entre "the girl with the black shirt" ou "the girl with the white shirt" para o Stevie não resultava muito bem. E por fim, como um de nós viu uma rapariga referir, que raio de pessoa é que leva um cartaz para o concerto do Stevie?! E não, não acredito que esteja em braile.
    Passadas estas piadas perfeitamente escusadas mas que fizeram o leitor esboçar um sorriso pecaminoso, vamos analisar aquilo que o Stevie representa: talento musical. Nos 30 minutos transmitidos pela Sic Radical, infelizmente para o comum dos mortais, não estavam as músicas que toda a gente quereria ouvir. Stevie começou a engonhar o pessoal naquela de "ah, estes 30 minutos vão passar na tv? Então espera aí, vou engonhar que assim na próxima vem toda a gente ver. E quem veio ver, é que fica com os hits". O Stevie adoptou um alinhamento incrivelmente idêntico àquele que compôs o seu concerto no Rock in Rio 2011, no Brasil, e isso levou ao quê? Levou a que o Stevie cantasse "Garota do Ipanema" e "Você Abusou"... em Portugal. De facto seria estranho ele tocar Amália, mas pronto. É só para deixar aquela referência: geograficamente somos Espanha, linguisticamente somos Brasil.

    Mas o Stevie é o Stevie. E acabou por, para além de brindar o público com êxitos de Marvin Gaye ou Michael Jackson, interpretar alguns temas que não deixam ninguém indiferente: "Superstition", "I Just Called to Say I Love You" ou "Isn't She Lovely" (acompanhado pela filha). Talvez não tenha enchido totalmente as medidas de todos, mas foi um bom concerto, genuíno e a transbordar do talento e musicalidade. Uma Ode à Música, por parte de Stevie Wonder.

MP. TM.

4 de junho de 2012

Rock in Rio 2012: Dia 1

Rock in Rio 2012: Dia 1
Consta que dia 1 de Junho é Dia da Criança. Porém, considerando o cartaz do Rock in Rio de dia 1... parecia ser Dia da Mulher. Basicamente só havia 1 de 4 razões para um homem estar presente no Parque da Bela Vista: a) ser-se brasileiro; b) ser-se um namorado forçado pela namorada que queria ver o Adam Levine sem camisola ou o Lenny, simplesmente; c) ser-se um homem muito sensível; d) ser-se um homem criança, menor de 15 anos. De destacar que uma criança pode ser brasileira ou já ir forçada pela jovem namorada, ou ainda ser uma criança muito sensível.
    Prosseguimos para os concertos, que são afinal de contas o cerne da questão. Não fomos à Bela Vista porque lá está, como talvez já tenham reparado pelo nosso léxico não somos brasileiros, ninguém nos forçou e não somos muito sensíveis. No entanto, admitimos que o dia teve concertos e momentos positivos. Apenas não valiam, mesmo assim, 61€. Isto inocentemente acreditando que não há formas de arranjar bilhetes a preços mais tolerantes e bonitos.
    O Palco Mundo abriu com os Expensive Soul. E abriu "Muita bem"! Fazia sentido aliás que fosse uma banda portuguesa a abrir cada dia do evento/ festival. Os Expensive Soul aproveitaram da melhor maneira a oportunidade que a organização lhes deu ao convidá-los e se surpreenderam alguém terá sido de certeza pela positiva. New Max e Demo puseram o Parque da Bela Vista todo a saltar, entraram forte com "O Amor é Mágico" e escolheram um bom alinhamento, que culminou num final com "Falas Disso", "Eu Não Sei" (provavelmente o momento alto) terminando com "Hoje é o Dia Mais Feliz da Minha Vida" que encaixava na perfeição com o que os Expensive Soul faziam transparecer em palco. Isto tudo numa fase em que havia já muita gente em tronco nu. Uma actuação portuguesa, com o talento que sempre toda a gente lhes reconheceu, mas num momento apoteótico para a carreira dos Expensive Soul. New Max é uma das boas vozes nacionais, e os Expensive são uma boa amostra do funk nacional, tendo eles tanto apelado a esse patriotismo em palco.
    Depois dos Expensive, surgiu a Diva do Rock in Rio. Ivete, e o seu traseiro brasileiro, surgiram vestidos de branco e deram o concerto habitual. A Ivete chega, sua pouco para aquilo que se mexe em palco, cativa toda a gente, é adorada pelo público e é daquelas artistas que, em Portugal e especificamente no Rock in Rio, pode vir cá de 2 em 2 anos e utilizar um alinhamento 100% igual em todas as vezes e o concerto resultará sempre. Não somos fãs do género nem da artista em si, mas percebemos que muita gente goste de ter um bocadinho de carnaval do Brasil em Junho no nosso país.

     O 3º nome do cartaz do Palco Mundo foi, quanto a nós, quem deu o melhor concerto do dia. Os Maroon 5 não são uma das nossas bandas preferidas, mas admitimos que não nos importávamos de assistir a um concerto deles. Do ponto de vista feminino conta-se que as fãs ficaram desiludidas porque o vocalista Adam Levine (o tal que já levou para seu berço Jessica Biel, Jessica Simpson, Lindsay Lohan e Cameron Diaz, entre outras) não ficou em tronco nu. Porém, para nós ainda bem que isso não aconteceu. Primeiro porque o mercado nacional é nosso e não queremos que o Adam meta as patinhas nas portuguesas, e segundo porque, como estávamos a assistir pela Sic Radical, um momento sem camisola levaria possivelmente ao histerismo das fêmeas e consequentemente a dores nos nossos ouvidos. Os Maroon 5 deram portanto o melhor concerto da noite, indo desde as músicas do 1º álbum ("Songs about Jane" - a Jane foi mais uma que foi para o berço do Adam) como "This Love", "Sunday Morning" ou a menos conhecida mas interessante "The Sun", até hits mais comerciais como "Moves Like Jagger". O momento alto do concerto e do dia acabou por ser "She Will Be Loved" e o arranjo que Adam Levine proporcionou com a colaboração de todos os espectadores. Importa ainda ressalvar uma coisa: Adam Levine, bom vocalista e figura completamente centralizada da banda, uiva muito. Farta-se de uivar. São manias..

Lenny e seu guitarrista "David Luiz"
num momento estranho..
    Depois chegou o suposto cabeça-de-cartaz do dia e, para as ladies, mais um sex symbol. O Lenny chegou e tinha que dar um bom concerto face ao que os Maroon tinham feito. No dia 26 o alinhamento do cartaz tinha possibilitado que alguns fãs não gostassem tanto do concerto dos Smashing Pumpkins após os LP, mas a verdade é que foi um bom concerto, embora diferente. Ontem não, ontem o Lenny foi um barrete. Pelo menos para nós. Longe de empolgar tanto como Metallica, Maroon 5 e Linkin Park, entre outros (dos mais main stream) já o fizeram, o Lenny foi para lá fazer a cena dele, acompanhado pelo guitarrista David Luiz, pelo Common na bateria e por uma baixista que parecia a agente que no Prisonbreak fica com o Alexander Mahone. A verdade é uma: desde que vimos o Lenny nos Hunger Games não o conseguimos levar tão a sério. Passou por vários êxitos como "American Woman", "Believe" ou "Fly Away" mas a verdade é que não conseguiu agarrar o púbico 100% do tempo e o Parque da Bela Vista até foi esvaziando devagarinho enquanto o Lenny fazia o seu espectáculo. Reforçamos, quanto a nós desiludiu-nos e pelo feedback que tivemos de algumas pessoas que estiveram presentes neste dia do festival, a sensação era a mesma.

MP. TM.

30 de maio de 2012

Rock in Rio 2012: Dia 26

Rock in Rio 2012: Dia 26
Relativamente ao 2º dia do festival (26 de Maio) podemos falar mais e pormenorizar mais uma vez que estivemos in loco. Este artigo passa portanto não só pela análise musical do dia mas também pelo relato de histórias de tristeza, azar mas também cómicas e por alguns conselhos para quem ainda irá nos 3 dias que faltam do evento ao Parque da Bela Vista escutar outras vozes afinadas.
    O primeiro desafio é estacionar o veículo de transporte, mas com vontade e dedicação a coisa consegue-se. Para quem ainda não tiver bilhete, é garantido que não terá que se deslocar exactamente até à bilheteira porque, escassos metros antes, surgem “outras oportunidades de negócio”. É certo que ao comprarem o bilhete mais barato a alguém é provável que sintam que estão a comprar droga. Pelo menos nós sentimos isso. Passa-se então para uma fase de algum engarrafamento humano supervisionado pelos habitantes da Bela Vista que, do alto dos seus prédios, orgulhosos pela moldura humana que vislumbram, ou são apenas estranhos e ficam a olhar longos minutos ou então estão a tentar contar o número de pessoas. O que faz deles ainda mais estranhos. Entrando no Rock in Rio, nós pelo menos temos sempre a necessidade de fazer um reconhecimento e então iniciámos, ainda que de forma meia desligada e nada desesperada – a caça ao brinde.

    Deslocámo-nos ao Millenium e coleccionámos uns óculos gigantescos. Pensámos, todos fanfarrões, “hm, isto hoje vai ser canja conseguir os brindes todos”. Mal sabíamos nós. Observando em nosso redor, e desvalorizando as perucas cor-de-rosa em forma de crista que toda a gente parecia querer, definimos como brinde-alvo os chapéus de palha da Fnac. 
    Há um brinde que está acima de todos os outros – os sofás da Vodafone – mas relativamente a esse aquilo que se pode dizer é que, quando a fila do Rock in Rio se começa a formar, as pessoas que ocupam os primeiros lugares têm 1 de 2 objectivos: conseguirem fixar-se junto do palco ou conseguirem garantir um sofá da Vodafone. Um amigo nosso conseguiu 2 sofás da Vodafone, mas isso é porque ele é um chico-esperto. Nós não. Somos relativamente inocentes e bem educados e um pouco amadores na caça ao brinde, confessamos. Não temos a ginga necessária para penetrar na fila à "papo-seco".
    Fomos então perto da banca da Fnac e dissemos “Vamos apostar então, já que ainda falta algum tempo para os Limp Bizkit, em conseguir cada um 1 chapéu!”. Nós somos assim, estranhos. E lá ficamos na fila. 10 Minutos. 20 Minutos. 30 Minutos. 40 Minutos. 50 Minutos. 1 Hora. A dada altura, quando estávamos a 1 metro de entrar na cabana da Fnac, comunicaram que os chapéus tinham acabado. Foi um pouco chato, mas não reagimos com violência, acalmámo-nos, pensando no ditado popular “Chapéus há muitos” e deslocámo-nos para a banca ao lado na qual se tinha que comprar algo da Fnac para conseguir um chapéu. Aonde o desespero e a frustração de não conseguirmos o Rei dos Brindes nos levou… Estávamos a ver quanto custavam umas pilhas só para comprar algo e ter um chapéu (constatámos que as pilhas eram mais caras que um CD dos Coldplay... "normal..."), chegámos à caixa e a mulher diz “Acabaram os chapéus”. Achámos que o nosso azar não poderia ir mais longe, mas foi. 
    Esfomeados e a querer procurar algum consolo na comida, vimos várias pessoas com grandes caixas da Telepizza todas cheias de satisfação a deitar a caixa no lixo... Como a nível gastronómico deixamo-nos corromper facilmente pela inveja, também tínhamos que conseguir uma pizza. Nós no fundo somos uns guaxinins glutões, atraídos por comidas sistematicamente. Chegámos à Telepizza e dissemos “Queremos uma Carbonara grande”. Porém, não havia. Só há dois tipos de pizzas na Telepizza do Rock in Rio “Chouriço e Queijo” ou “Fiambre e Queijo” e, meus caros amigos, por 22€ conseguem nada mais nada menos do que a pior pizza de sempre. E 3 bebidas, já agora. Uma pizza má demais para se conseguir comer toda que nos deixou a olhar em lágrimas para a Portugália, o KFC ou os sítios onde se vendem hambúrgueres e cachorros – podíamos ter comido em todos pagando menos do que pagámos. Depois disto percebemos o porquê da felicidade dos seres que deitavam a caixa para o lixo... Não era por estarem satisfeitos com o que comeram, mas sim por se terem livrado dum enorme fardo. O azar ficou completo quando, após o concerto dos Linkin Park, um de nós foi pedir cerveja a um dos distribuidores da Heineken e eis que, no preciso momento em que chegou a nossa vez, a cerveja acabou. Há dias assim…

Conteúdos musicais (e pormenores):

    Se havia algo que nos fez escolher o dia 26 de Maio foi o facto do cartaz ser homogéneo, nenhuma das 4 bandas nos desagradava à priori e não queríamos perder a oportunidade de ver os Smashing Pumpkins pela 1ª vez.

    O cartaz abriu com Fred Durst e os Limp Bizkit. Uma daquelas bandas que já não pensávamos poder ver em Portugal e que, com a energia contagiante de Fred Durst acabou por ser, a par com os Linkin Park, a banda que melhor soube interagir com o público. Vimos a actuação dos Limp Bizkit ao longe porque tínhamos medo do guitarrista deles e, não menos importante, porque estávamos desanimados e enjoados com a pizza de chouriço e queijo, pior que as pizzas pré-congeladas do mini-preço. Só para verem bem, demos por nós a comer só a parte exterior da pizza e o chouriço porque eram as partes toleráveis e porque continuávamos com imensa fome. E tristeza. Afinal de contas, os brindes que sistematicamente quase conseguimos, ainda estavam a ser recalcados. Voltando aos Limp Bizkit, abriram com um “My Generation”, tocaram a “Nookie” e “Rollin’” mas o momento alto deles, e um dos momentos altos do dia foi claramente “Behind Blue Eyes”. Valeu bem a pena. Foi bom ver Fred Durst “babado” com o público português. “You have a beautiful voice” disse ele, nada que não soubéssemos. Mas fica-lhe sempre bem. Também pudemos reparar que o público português é muito patriota e, por cada intervalo sem sonoridade, começa a gritar "Portugal allez, Portugal allez". Somos assim nós, como o Fred nos chamou, uns "strange motherfuckers". Na verdade, chamou-nos "motherfuckers" bastantes vezes que nem um Stifler. Mas era um "motherfuckers" nada ofensivo. No fundo, era com o mesmo intuito que os pais chamam, por vezes, aos filhos pequeninos "este sacana, pá...". O Fred, e o seu carinho.


    Depois, os The Offspring. Liderados por Dexter Holland (com um ar mais jovem e com o ar cuidado a que nos acostumou e não com o ar de Denis o Pimentinha muuito velho que apresentou em 2008 na Bela Vista) não desiludiram, estiveram ao seu nível, não descurando os seus mais conhecidos temas (vários deles propícios para os “moches”) como “Why Don’t You Get a Job?”, “The Kids Aren’t Alright” e “Self Esteem”, todos estes deixados para a fase final da actuação, dando-nos a conhecer ainda uma música mais calma que desconhecíamos – “Kristy, Are You Doing Okay”. Um concerto sólido, os The Offspring nunca primam propriamente pela interacção com o público mas sim pelo que conseguem provocar no público (nuns concertos com um funcionamento parecido com os dos Xutos e Pontapés) cativando e contagiando tudo e todos com os temas de sempre. Nós estávamos situados perto de um moche e sentíamos algum receio. Não nos julguem mariquinhas pede salsa. Não era o moche que nos assustava. Era o facto de estarmos ao lado de um gordalhão extremamente suado e com sua boca algo suja. Não conseguimos decifrar do que se tratava a sujidade, mas coisa boa não era. E o facto de estarmos ao pé deste indivíduo que parecia ser um esquilo obeso e estarmos situados ao pé do moche, alertou-nos. Tentámo-nos desviar pouco a pouco e lá conseguimos sair da área de perigo.

    A 3ª banda a actuar era a mais esperada pela maioria das pessoas presentes no Parque da Bela Vista. Muitos consideraram que deviam ter sido cabeças de cartaz. O que nós achamos é o seguinte: a carreira dos Smashing Pumpkins, a influência que já foram para muita gente e o Historial que já têm fazem deles os justos cabeças de cartaz musicalmente. No entanto, considerando a receptividade do público, mais habituados a uma banda mais massificada como LP, poderia ter feito com que as coisas fossem conjugadas doutra forma. Os Linkin Park acabaram por dar, no nosso entender, o concerto da noite. Foram quem tocou mais, conciliando músicas mais recentes como “Waiting for the End” ou “The Catalyst” com as indissociáveis e sempre grandes “In the End”, “Numb”, “Crawling”, tendo ainda um momento mais acústico num medley de “Leave Out All the Rest”, “Shadow of the Day” e “Iridescent”. Faltou apenas uma “Pushing Me Away” acústica. Chester Bennington é sem dúvida uma grande voz, Mike Shinoda está ao nível, não tendo a mesma voz claro. Boa interacção com o público, alinhamento muito bem escolhido e um momento curioso envolvendo um cachecol do Futebol Clube do Porto. Shinoda perguntou o que Chester tinha ao pescoço porque sabia que não era coisa boa, Chester mostrou o cachecol, o público vaiou, e Chester atirou para o chão. Foi um momento cómico.

    Por fim foram os Smashing Pumpkins. Os episódios que tivéramos com os brindes (ou a ausência deles) e com a pizza deixaram-nos mentalmente num “All In” – se os Smashing tocassem a “Disarm” e a “Tonight, Tonight” compensava. Se não o fizessem, lamuriávamo-nos para a eternidade. O Billy (Corgan) chegou, sem avisar ninguém e começou a tocar. Notava-se que o público não conhecia assim tão bem uma banda que, estando longe do seu auge, terá sempre um lugar especial na música. Acompanhado, entre outros elementos, pela “interessante” baixista Nicole Fiorentino, o Billy lá foi fazendo a cena dele. Nas primeiras músicas parecia um menino autista, sem contactar com o público, mas mostrando que o tempo o fez dominar a guitarra como poucos. O "tio careca" Billy foi-se libertando e mostrando temas como “Today”, “Tonight, Tonight”, “1979”, convencendo-nos com uma “Starla” que desconhecíamos e deixando-nos interessados em ouvir o álbum que sai no próximo mês depois de ouvir “Oceania”. Em todo o caso, o auge foi, ao iniciar o Encore, a “Disarm”. Foi aquele momento em que não termos conseguido nenhum brinde deixou de importar. 
    No meio de todo este último concerto houve um momento curioso – estava próximo de nós um ser que tinha a fisionomia dum porco-da-índia com uma cara muito parecida com o André (da banda pimba Miguel e André). Este ser, para além de ser muito esquisito foi o ser que nos fez chorar no Rock in Rio. Porquê? Porque, a meio do concerto dos Smashing Pumpkins optou a dada altura por parar no tempo e ficar a olhar fixamente para algures ou para o vazio. Mas não foi uma paragem de 5 ou 10 segundos. Foi cerca de 1 minuto, com pausas. Sem exageros. Tempo esse que deu para olharmos para ele, repararmos que ele estava parado no tempo. Comentarmos. Rir. Olhar para ele, vermos que continuava parado. Rir. Olhar para ele. Constatarmos que continuava tudo igual. Começar a chorar a rir. Ao fim de cerca de 35 segundos ele “veio ao mundo”, mas isso durou cerca de 2 segundos, olhou para o Billy e voltou a parar no tempo. E a fazer-nos desmanchar a rir. As coisas com que nós nos rimos… Porcos da India com cara dum do Miguel e André que ficam parados no tempo durante um minuto. Assim somos nós…

    E este foi o nosso resumo detalhado do dia 26 de Maio do Rock in Rio. Nenhum será tão detalhado porque só a este é que pudemos assistir na 1ª pessoa. Os restantes serão sempre na 3ª pessoa. Já sabem, não se fiem no “chapéus há muitos” porque não são assim tantos e não vão à telepizza. E agora num momento extremamente gay dizemos: para nós o verdadeiro brinde foi a música.

MP. TM.

Rock in Rio 2012: Dia 25

Rock in Rio 2012: Dia 25
    Conta a lenda que estiveram 42 mil pessoas para ouvir uns arrotos, alguns falsetes e os senhores do metal. Não vamos afirmar que toda a gente estava pelos Metallica. Contudo, é impossível negar que a grande maioria estava para ver esta banda que conseguiu tornar o metal em algo mais mainstream.

    As bandas que actuaram neste dia estão muito longe do nosso agrado. Contudo, nutrimos algum respeito pelos Metallica. Quanto aos outros... apesar de sermos bastante eclécticos, não gostamos da cena.

    Os Sepultura abriram as hostes. E quando lá em cima falámos em arrotos, era a eles que nos referíamos. Não nos levem a mal... Mas nós tínhamos um amigo que arrotava à bruta de uma forma bastante parecida à do canto do vocalista da banda brasileira. Os brasileiros actuaram em conjunto com os Tambours du Bronx. E estes franceses são peritos em tocar... tambor, lá está. Provavelmente tambores comprados ou originários... do Bronx, lá está. Cheira-nos que podem vir daí. Perguntamos a nós próprios se faz sentido e respondemos que sim. Portanto, foi um concerto que envolveu guitarras, baixos, arrotos e tambores. Ficámos mais impressionados com os franceses do que com os brasileiros, confessamos. Da próxima vez vêm só os franceses e os brazucas ficam em terras cariocas. Normalmente, brasileiro que é brasileiro (tirando a Ivete Sangalo) actua no palco Sunset do Rock in Rio. Mas os Sepultura não, porque são "metálicos" o que, a nosso ver, não combina com o facto de serem brasileiros. Automaticamente imaginamos os elementos da banda, vestidos de negro, arrotando à medida que dançam o seu samba. Não conjuga.

Um Viking muito espantado
    Seguiram-se os norte-americanos Mastodon. E olhando para eles, só podemos interpretar que são vikings que se adaptaram ao mundo actual. São mesmo... Não há outra interpretação possível. O que vimos foi uma banda que sabia usar o enorme espaço do Palco Mundo. Embora não tenhamos propriamente gostado do que produziam musicalmente, admitimos que tocaram muito bem. Tecnicamente foram muito bons. E, apesar de não terem interagido quase nada com o público, estes estarão gratos pela sua actuação. Pelo menos abanavam suas cabeças e longos cabelos para trás e para a frente como que dizendo "Eia, muita bem! Muita bem! Estou a curtir bué!". E também se os Mastodon perguntassem se o público queria ouvir mais, a movimentação das cabeças metaleiras do público seria em jeito de afirmação certamente. A forma como os metaleiros sentem a música intriga-nos. Primeiro dá sempre a ideia de que eles, nos seus desejos mais recônditos, queriam ser uma gaja que sai duma mota, tira o capacete e faz o seu cabelo esvoaçar. Depois, achamos que o mais provável é que eles sejam muita bons a jogar à cabra cega. Considerando a forma como aguentam tanta movimentação na cabeça, se os rodarmos umas 10 voltas, para eles não é nada.

O Metal é coisa doutro planeta
    O sol pôs-se e Amy Lee saiu de sua toca. A primeira coisa que reparámos foi que a cantora já esteve mais magra. Aquele "Bring me to life" podia muito bem ser agora um "Bring me more food". Em alguns momentos parecia a irmã de Cristiano Ronaldo mas com feições femininas. A banda de Amy Lee não esteve a altura do público e só conseguiu cativar com alguns temas antigos. Foi uma actuação mediana. Não foi má porque Amy não sabe cantar mal e ela é que praticamente carrega os Evanescense às costas. Cantou, cantou, cantou até que se despediu e disse que também estava ansiosa para ver o concerto dos Metallica. Afinal, não era só o público que os esperava. Não nos podemos esquecer que, para um metaleiro, a Amy Lee e a vocalista dos Whitin Temptation são o expoente da sensualidade que uma mulher pode atingir.

    E pronto, a loucura começava com a entrada dos Metallica. Todos saltavam e cantavam com todos os pulmões que nem grandes malucos. A verdade é que a plateia só chegou às 42 mil pessoas... A banda norte-americana tem vindo cá, comparativamente com a maioria das bandas internacionais, regularmente. E a verdade é que os fãs sentiam que os espectáculos podiam ser melhores, daí alguma relutância em ir a este. Para pagarem no máximo 61 euros por um espectáculo que já viram e que quase sempre não lhes encheu as medidas, mais vale verem em casa. Concordamos com esta posição. Mas o que é certo é que os Metallica assumiram uma posição para com os fãs que não compareceram de "Espera aí que já te lixas!" e decidiram tocar praticamente tudo o que o povo queria e muito bem! Calculamos que muitos estiveram atentos à Sic Radical a derramar lágrimas e quiçá um pouco de muco. Alguns pulsos cortados e muitas cabeçadas na parede, conta-se ainda que vários metaleiros caseiros acabaram mesmo por simular moches em suas camas com seus peluches. Sim, todo o metaleiro tem um peluche. É senso comum, achamos. Normalmente um urso de peluche. Ou, como se dizia nos jogos Sims, um urso de pelúcia.
    Nós cá não sabemos quais são as músicas mais "cena" dos fãs de Metallica. Pessoalmente, gostamos bastante da "One", "Nothing Else Matters", "Fade to Black" e "The Unforgiven". Tirando a "Fade to Black" que não tocaram, o que é certo é que tocaram as outras 3.
    A banda acabou o espectáculo inevitavelmente sob um grande sentimento de euforia e numa chuva de aplausos. James Hetfield estava visivelmente emocionado e soltou mesmo um «Metallica loves you, Lisboa» - o que leva sempre o público à loucura. Também, considerando o dinheiro que Portugal dá aos Metallica, não admira que nos amem.
   Emocionado estava também um fã dos Metallica que pediu a bebida do baterista Lars. E o que é que o Lars fez? Dar a bebida não é nada metal. O que é que é ser metal, conta lá Lars. Ser metal é pedir ao rapaz que abrisse a boca para que ele do palco cuspisse bebida para a boca do fã. E não é que o garoto abriu mesmo? Lars foi cuspindo sua bebida para a cara do eufórico fã até que lhe deu a bebida. Ou Lars entende que os copos são caros ou então entende que, para que um fã mereça o seu drink, tem que fazer por isso. Como? Coleccionado líquido proveniente da boca do Lars. Pepsi que é Pepsi só é boa depois de degustada pelo Lars, toda a gente sabe isso. A produção fez um plano do moço "sortudo" que estava com cara de: «Eia man, o baterista dos Metallica cuspiu-me na cara... É o melhor momento da minha vida... Deus existe! Deus existe, porra!!» - pelo menos foi o que nós decifrámos de sua expressão facial comovida. (Todo este momento estará representado na banda desenhada no final da crónica)
    Mas Lars continuou seu caminho para distribuir as suas baquetas. Entregou gentilmente? Entregou. Mas primeiro brincou com os humanos como se fossem cães fazendo com que eles saltassem para apanhar a baqueta. Porém, quando os humanos chegavam perto da baqueta com suas pequenas mãos, Lars levantava sua baqueta. Nós costumamos fazer isso com paus e cães. É mais a nossa cena. Ainda houve também o elemento dos Metallica que é um indígena, mas sobre ele não falaremos porque não queremos problemas com os apaches e o tempo está bom como está, solinho, sem precisarmos que alguém ande para aí a fazer danças da chuva com penas na cabeça.

    E assim acabou o dia metaleiro... em grande. Cheio de explosões e cenas... Certamente que foi um dia bastante agradável para as 42 mil pessoas presentes e um dia de recriminação para os que ficaram em casa e gostam da banda de James e companhia. Um dia em que Heavy foi a Amy Lee e em que o Metal ganhou um novo ícone - Lars, o super cuspos.


   MP. TM.

25 de maio de 2012

Festivais à Lupa: Rock in Rio 2012

Olá Rock in Rio, estás bom?
Espera, não te incomodes, nós respondemos por ti. Já estiveste melhor de saúde. 

    O cartaz não deslumbra, a publicidade até já nem precisa de ser a mesma porque o Rock in Rio tornou-se quase uma tradição. Porém, considerando os tempos difíceis a nível económico, ficava bem à Roberta Medina e ao pai dela organizar melhor a coisa. As infra-estruturas e todas as condições que o festival reúne são sem dúvida as melhores de qualquer um dos festivais em Portugal, o Parque da Bela Vista é o melhor local possível e imaginário, só que o senhor Medina andou a esbanjar tudo no festival no Brasil e nós cá ficamos com artistas/ bandas que não sendo maus, não cativam por aí além. O que mais nos chateia é até o facto de, considerando o que alguns artistas ou bandas presentes irão cobrar, bem que se podia fazer um evento mais em conta, com maior lucro e maior qualidade musical. Para o Brasil, o Roberto Medina leva, ora vejam só: Elton John, Rihanna e Katy Perry, tudo num dia (não é que gostemos por aí além delas, mas era um bom dia para estar no backstage. Quando dizemos elas não estamos a incluir o Elton John, que é um grande cantor), um dia dispendioso e com nomes muito pesados na indústria musical; no dia seguinte, Red Hot Chili Peppers, Snow Patrol e Stone Sour (um dia interessante, bem que os Stone Sour podiam ter vindo cá); no 3º dia os Slipknot (não bastava o Roberto ter o Corey Taylor uma vez no Brasil, quis tê-lo duas vezes no mesmo festival. Em Portugal, zeros). Nos restantes dias, nomes como Coldplay, Guns N' Roses, Jay-Z, System of a Down ou Shakira achamos que mostram bem quanto Roberto investiu para fazer os seus amigos zucas felizes.


Agora sim, a análise a este Rock in Rio 2012:

25 Junho
Não somos pessoas muito dadas ao metal, mas muito sinceramente, já chega de Metallica. Eles são bons, mas é assim... Lasanha é muito bom, mas se comermos lasanha todos os dias fica toda a gente a perder. A lasanha não sabe tão bem, e às tantas temos que deixar de comer lasanha. Sim, agora o leitor quer comer lasanha. É normal, um de nós também. Isto para dizer que os Metallica não deviam cá vir tanto. Evanescence é um nome diferente e que o Roberto manteve da versão brasileira de 2011, não é nada do outro mundo mas a Amy Lee tem uma voz engraçada e encaixaria bem num dia, por exemplo com Slipknot e Avenged Sevenfold. Relativamente aos Mastodon e aos Sepultura, confessamos que mais rapidamente nos apanham na sepultura do que a ouvir as músicas deles...

26 Junho
Sem estarmos com meias palavras, é o melhor dia. No nosso entender. Para um de nós, Linkin Park (oxalá se lembrem da "Pushing Me Away" em acústico) e The Offspring serão reencontros, Limp Bizkit é uma banda que talvez algumas pessoas já não pensassem que ainda ouviriam em Portugal e o destaque maior são mesmo os Smashing Pumpkins. Quanto mais músicas antigas Billy Corgan, sua brilhante careca e os seus compadres tocarem, melhor decorrerá o concerto - músicas como "Disarm", "Tonight, Tonight" (sobretudo estas duas), "Today" ou "1979" é o que se espera. Bem sabemos que eles não gostam muito de tocar músicas que os relacione ao passado... Mas é isto que o povo quer, co'a porra! Basicamente, é um dia consistente, rock. Podia ser melhor? Podia. Mas não está mau.

1 Junho
Chega-se ao dia da Criança e quem é que se vê? O Justin Bieber? Os One Direction? A Miley Cyrus?... não a Miley Cyrus agora já faz o sexo, e se ela o diz é claramente porque não quer cantar para pessoas imberbes. O dia da Criança é afinal de contas o dia Comercial. Para este dia o Roberto decidiu juntar: o Lenny Kravitz, que foi fazer uma perninha aos "Hunger Games" e que agora volta ao seu modo cantor; os Maroon 5 que são mais um daqueles nomes que não nos convence a 100% mas parcialmente sim. Normalmente gozaríamos com a voz do Adam Levine, só que olhando para as raparigas que o rapaz consegue, ficamos de pé atrás. Os Expensive Soul vão lá aquecer o pessoal e gritar "É Má-gi-co!" e depois chega a rainha do Rock in Rio - a Ivete Sangalo. E como nós estamos fartos da Ivete Sangalo. Não sabemos como é convosco, mas a Ivete para nós levanta poeira a mais e simboliza aquilo que não gostamos - "Nova edição, mesmos artistas". A Ivete é um João Baião cantante que vem ao Parque da Bela Vista cantar praticamente sempre a mesma coisa e, sempre que pode, junta-se a Alejandro Sanz para juntos cantarem o coração partido.

2 Junho
Não vamos ver este dia. Mas o Stevie Wonder também não.

Eia, os Barba Por Fazer são tão porcos. Sim, gozámos com um cego. E o leitor riu-se. Vamos dividir as culpas, e seguir em frente. O Stevie é um senhor da música e um dos nomes que valem claramente a pena nesta edição do Rock in Rio. Com o maior respeito, temos pena de não poder assistir ao seu concerto, mas o dinheiro não estica. No dia dele, actuará ainda o Bryan Adams, que trará tantas músicas do amor, a Joss Stone, que é um nome que também vale a pena como complemento dum dia, distribuirá suas rosas pelo público espectacularmente feliz e os The Gift. Um saltinho do festival da EDP no Rio Douro para o Palco Mundo no Rock in Rio han? Quem os viu e quem os vê... Contudo, julgamos que é consensual, esperemos que eles não cantem a "Gaivota".

3 Junho
Pela lógica, neste dia a média de idades dos espectadores vão subir. Vamos lá usar o acordo ortográfico, dizer espetadores como mandam agora as regras e ter uma piada fácil feita. Bruce Springsteen, acompanhado pela The E Street Band, acaba por ser invariavelmente um dos destaques do cartaz e faz-se acompanhar pelos sempre titulares Xutos e Pontapés (claramente a banda portuguesa com maior reputação e que, tocando sempre as mesmas coisas, consegue sempre ter sucesso e pôr o público português contente e saltitante), pelos James (que são também um nome diferente e que vale a pena) e os Kaiser Chiefs, que se calhar fazia sentido gritarem "Ruby, Ruby, Ruby, Ruby!" num dia mais... jovem. Contudo, gente mais velha, não se acanhem e contagiem-se com a energia do vocalista Ricky Wilson. Os Kaiser são sem dúvida uma das bandas que melhor interage com o público. Disfrutem!

    Um dia nós faremos um exercício que será criar e partilhar aqui como post cartazes hipotéticos mas realistas consoante o tipo de música e artistas que cada festival português acaba por escolher. Até lá, vão ao parque da Bela Vista, coleccionem todos os brindes (o tuga adora o grátis), andem nas diversões e no fundo pensem que se a vida começasse agora e o mundo fosse nosso outra vez, e a gente não parasse mais de cantar, de sonhar... Ok, já chega, estamos apenas a incluir o jingle do Rock in Rio num texto. Provavelmente estariam a pensar uma de duas coisas: "Que coisa tão rabiças" ou "Mas, mas, mas eu conheço isto...".

E já sabem, dia 26, os Barba Por Fazer passearão seus corpos pelo parque da Bela Vista. Sim, também vamos encher os bolsos do Roberto Medina. Porquê? Porque é tradição fazê-lo. E porque gostamos de brindes.

Atenciosamente,
MP. TM.

Garganta Afinada. Top 20 ( nº 78 )

Não é o nosso festival de eleição, mas é sem dúvida o festival em Portugal que mexe com mais pessoas e cuja organização é melhor. Como mais logo faremos um texto de antevisão a todo este Rock in Rio, procedimento que inicíamos na antevisão do Vodafone Mexefest em Lisboa, não nos vamos alongar muito agora. Basicamente este ano o senhor Medina, que se fartou de gastar cachet para o RIR no seu país, aplicou uma ligeira austeridade ao RIR Lisboa e o cartaz não deslumbra. Nomes mediáticos, alguns cromos repetidos, mas a verdade é que o tipo de música no geral não é aquela com que mais nos identifiquemos. Em todo o caso, Rock in Rio que é Rock in Rio merece a comparência de qualquer português. Não digo que paguem o bilhete de 61€, mas oxalá todos abasteçam na BP. Basicamente, com os cachet's que pagam a alguns artistas ou bandas que por lá passarão, podiam muito bem empregar o dinheiro em algo com maior qualidade. Confessamos que fazer o Top20 do Optimus Alive'12 ou do SW2012 motivar-nos-á mais. E pronto, sem mais demoras, deixamos aqui aquele que é no nosso entender o top 20 de músicas que irão passar pelo grande Parque da Bela Vista, nos próximos dias.
PS: Se virem dois indivíduos extremamente bem parecidos no dia em que a banda em 1º lugar do Top actua, sim, seremos nós.

                                              TEMA : ROCK IN RIO 2012                                            




1. Smashing Pumpkins - Disarm
2. Stevie Wonder - Lately
3. Linkin Park - Pushing Me Away ►
4. Smashing Pumpkins - Tonight, Tonight ►
5. Bruce Springsteen - Streets of Philadelphia ►
6. Limp Bizkit - Behind Blue Eyes ►
7. Metallica - Nothing Else Matters ►
8. Xutos e Pontapés - Homem do Leme ►
9. James - Sometimes ►
10. Linkin Park - Numb ►
11. Evanescence - My Immortal ►
12. Linkin Park - In the End ►
13. Xutos e Pontapés - Para Sempre ►
14. Kaiser Chiefs - Ruby ►
15. Joss Stone - Right to Be Wrong ►
16. Maroon 5 - She Will Be Loved ►
17. Lenny Kravitz - Again ►
18. Bryan Adams - Summer of 69 ►
19. The Offspring - The Kids Aren't Allright ►
20. The Gift - Primavera ►