Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

1 de junho de 2026

Balanço Final - Premier League 25/ 26

 Premier League - Acreditar e confiar no processo, compensa. 22 longos anos depois, os gunners reconquistaram o topo da pirâmide do futebol inglês, numa temporada em que não houve deslizes (ou, se houve, foram em maior número os do Manchester City) e cujo timing pode representar extrema importância no desenrolar dos próximos anos de Premier League...
    Iniciada com homenagens a Diogo Jota e com uma imagem especialmente marcante em Anfield de Mo Salah em lágrimas no final do inaugural Liverpool-Bournemouth, esta edição da Liga inglesa fica invariavelmente na História como um virar de página - Pep Guardiola (20 troféus como treinador do City, incluindo 6 Premier League) despediu-se do campeonato mais imprevisível do futebol europeu, e é difícil não ver o adeus do catalão como um catalisador de (ainda maior) imprevisibilidade. A par de Pep, a Premier perdeu dois dos pés esquerdos mais marcantes dos últimos anos por aqueles lados, Salah e Bernardo Silva, e subitamente instala-se um vazio estranho, numa competição há pouco tempo disputada freneticamente por Guardiola e Klopp, e que em 26/ 27 terá Arteta na pole position, com oposição de Maresca, Carrick, Emery, Xabi Alonso e o substituto de Arne Slot no Liverpool, eventualmente Iraola.

    Em 2025/ 2026, sem se chegar ao ponto de recuperar o kick and rush, algumas tendências e comportamentos ficaram vincados, e podem ter vindo para ficar: a importância (premiada) que o Arsenal deu às bolas paradas, cantos sobretudo, é um convite ao trabalho de laboratório e a bélicos confrontos nas marcações na grande área. E os próprios lançamentos longos parecem ter voltado a ser moda. No nosso entender, o VAR em Inglaterra deve preocupar-se em aperfeiçoar ou ser mais consistente nos agarrões que permite ou não permite nesses lances, e na proteção dos guarda-redes na sua pequena área - vimos nuns casos faltas por marcar, e noutros guarda-redes a "safarem-se" com o aproveitamento da situação (nada a dizer no lance de Raya diante do West Ham, uma falta indiscutível).

    O campeão Arsenal teve a melhor defesa (27 golos sofridos), teve a particularidade de não cometer qualquer grande penalidade nem ver qualquer cartão vermelho, e acabou com 7 pontos a mais do que o rival Manchester City. Os campeões somaram mais 11 pontos do que no ano anterior - e mais 1 ponto do que o Liverpool de Slot conseguira em 24/ 25 - ficando esta campanha dos gunners apenas atrás de 23/ 24, altura em que já com Arteta somaram 89 pontos e marcaram 91 golos, mas perderam para um City que fez 91 pontos e 96 golos. A fasquia era essa, mas depois de 3 segundos lugares consecutivos, chegou finalmente o momento de ser o Arsenal a definir a fasquia.

    Com o Liverpool a sarar uma perda traumática e o Aston Villa a conquistar a Liga Europa, viu-se um Manchester United a escalar a tabela do 15º lugar da edição anterior ao pódio nesta. Michael Carrick devolveu a alegria e tranquilidade a Old Trafford, depois dos red devils despedirem o head coach e não manager Ruben Amorim, e Bruno Fernandes bateu o recorde de assistências da competição - as 20 de De Bruyne e Henry ficam agora atrás das 21 do médio ofensivo português.
    As épocas sensacionais de Bournemouth, Sunderland, Brighton e Brentford contrastaram com o pesadelo vivido por West Ham e Tottenham (dois históricos que lutaram entre si até à última jornada, acabando os hammers despromovidos), com a queda abrupta do Forest e com o sub-rendimento de Chelsea e Newcastle. Wolves, Burnley e West Ham darão lugar daqui a uns meses a Coventry City, Ipswich Town e Hull City.

    Acompanhem-nos então numa análise à época 25/ 26, aquela que começou e acabou com Salah lavado em lágrimas, as mesmas lágrimas que correram durante o adeus de Guardiola e Bernardo Silva. Entre os adeptos do Arsenal, as lágrimas foram de felicidade e alívio. Recordemos então o percurso das 20 equipas da Premier League, sistematizando ideias-chave, o que correu bem, o que correu mal, quem brilhou e quem desiludiu:


 ARSENAL (1)

   Campeões! Vinte e dois anos depois, o Arsenal é a equipa nº 1 em Inglaterra. A celebração há tanto tempo adiada chegou após 3 anos consecutivos em 2º lugar, com o tempo a premiar um projeto que tem amadurecido a cada ano que passa, com os jogadores mais entrosados e mentalmente mais preparados para lidar com a pressão. A reta final desta Premier League foi, como tantas outras vezes, um jogo de ténis entre as candidaturas de Arsenal e Manchester City, prevalecendo o It's not done de Declan Rice sobre o good feeling sentido por Erling Haaland no final do jogo entre ambos.
    Recordistas em golos de canto (arma mortífera e preparada ao detalhe em laboratório) e com alguma tendência para o anti-jogo ou para usar o tempo a seu favor em muitos momentos, o Arsenal de Arteta foi, acima de tudo, a equipa mais consistente e a equipa mais competente dos favoritos, conseguindo (parece-nos) levar a esmagadora maioria dos jogos para aquilo que tinha planeado e para onde estava confortável.
    Com a melhor defesa (27 golos sofridos) e o segundo melhor ataque (71), os londrinos - que na final da Liga dos Campeões só perderam para o poderoso PSG nas grandes penalidades - perderam apenas em Anfield (golaço de livre de Szoboszlai), em casa do Aston Villa e no Etihad (o verdadeiro "jogo de nervos" desta Premier League), conhecendo o sabor da derrota em casa somente contra United e Bournemouth. Duas vitórias por 4-1 contra o rival Tottenham ajudaram a colorir uma caminhada em que a equipa nem se adaptou propriamente às caraterísticas de Gyökeres, e em que nenhum elemento do ataque realizou uma temporada estratosférica. Declan Rice e David Raya foram os dois jogadores mais importantes do campeão Arsenal, importando elogiar o mercado dos gunners, que passaram a ter melhor 11 e mais soluções válidas no banco, conseguindo assim resistir à brutalidade de minutos disputados e às inevitáveis lesões no decorrer da época.
    Após respirar de alívio, com um peso gigante a sair dos ombros de Arteta, Rice, Saka ou Gabriel, os próximos anos permitirão ao Arsenal crescer e a Mikel Arteta tornar-se (ainda) melhor treinador.

Destaques: Declan Rice, David Raya, Gabriel, Bukayo Saka, William Saliba

 MANCHESTER CITY (2)

    Obrigado por tudo, Pep Guardiola. 10 temporadas depois, o melhor treinador dos nossos tempos disse Adeus à Premier League, competição que venceu em 2018, 2019, 2021, 2022, 2023 e 2024.
    Depois do 3º lugar da época anterior, os cityzens melhoraram: marcaram mais golos, sofreram menos e pontuaram mais. Mas, em várias Horas H, vacilaram, mais do que aquilo que o Arsenal vacilou. Bem-sucedido nas duas taças (2-0 na Carabao, com bis de O'Reilly, contra o Arsenal, e 1-0 diante do Chelsea na FA Cup com bonito golo de Semenyo), Pep teve que experimentar e experimentar até encontrar um 11 capaz de colmatar a perda de criatividade (De Bruyne terminara a sua história no clube) e o contributo de um guarda-redes tão singular como Ederson (rumou ao Fenerbahçe) na primeira fase de construção. Além do bónus de Janeiro - Semenyo e Guéhi foram de facto reforços - o Manchester City continuou a ter no robô Haaland uma máquina de marcar golos, o capitão Bernardo Silva jogou mais centralizado com maiores responsabilidades na distribuição e maior influência no ritmo de jogo, Cherki foi magia e futebol de rua, Matheus Nunes (adaptado a lateral direito) foi evolução, Doku foi drible com objetividade, Nico O'Reilly foi uma revelação e Foden voltou a ficar muito aquém das suas capacidades.
    Sinceramente, quando a 19 de Abril o Manchester City venceu o Arsenal por 2-1, pensámos que não voltaria a perder a pole position. Mas foram inúmeros os momentos ao longo da época em que este City não pareceu "o City".
    Além de Pep, também Bernardo Silva e John Stones viram o seu trajeto no clube azul celeste de Manchester chegar ao fim. Adeptos e rivais, todos parecem ter consciência: nunca voltará a haver um City como nestes 10 anos de Pep.

Destaques: Erling Haaland, Antoine Semenyo, Nico O'Reilly, Rayan Cherki, Bernardo Silva

 MANCHESTER UNITED (3)

    Sem margem para dúvidas, não houve equipa a subir tanto na tabela de 2025 para 2026 como o Manchester United. Os red devils tinham terminado a última época num chocante 15º lugar, mas uma série de acontecimentos gerou um lugar no pódio, com um futebol mais condizente com o ADN do clube e um português um dos míticos recordes individuais da Premier League.
    Ruben Amorim começou 2025/ 26 com a convicção de que acabaria por mudar a narrativa e implementar as suas ideias. Cativante, humilde e invulgarmente transparente, o técnico de 41 anos manteve-se fiel ao seu 3-4-3 ou 3-4-2-1 e, verdade seja dita, todos os reforços do "seu" mercado foram bons: Lammens deve ter representado o maior upgrade individual desta Premier League, Mbeumo e Matheus Cunha acrescentaram qualidade e personalidade, e ninguém terá dúvidas quanto ao potencial de Sesko. Com os adeptos e os antigos jogadores do clube cansados da inegociável abordagem com 3 centrais (incapazes de compreender que são as dinâmicas e não as posições no plantel que fazem as equipas, e que muitas das mais elogiadas equipas do mundo saem e constroem a 3) e o sacrifício de Mainoo a causar celeuma, ironicamente não foram os resultados mas sim uma questão de semântica e "poder" que ditou o adeus de Ruben Amorim. A dicotomia manager e head coach.
    À 20ª jornada, altura em que Amorim foi despedido, o United era sexto. Darren Fletcher orientou a equipa num jogo de transição, mas acabou por ser outro ex-médio do clube, Michael Carrick, o escolhido, com um trabalho que lhe garantiu voto de confiança para o futuro.
    Com Carrick, a equipa passou a dispor-se em 4-2-3-1, Bruno Fernandes (que mesmo com Amorim já estava num nível muito alto, apenas talvez com mais responsabilidades e a ter que estar em mais zonas do campo ao mesmo tempo, por falta de cultura tática ou de compromisso dos colegas) continuou a criar imenso, Mainoo encontrou o seu espaço ao lado de Casemiro (muito bom poder ter-se visto o Casemiro de Madrid em Old Trafford) e, nos momentos de aperto, Lammens fez o que Onana nunca conseguia, mantendo a equipa viva e serena.
    Bruno Fernandes, o Jogador do Ano da Premier League, chegou às 21 assistências, batendo o recorde (20) partilhado por De Bruyne e Thierry Henry. E, apesar de não se poder ignorar o bónus que foi estes jogadores poderem descansar e preparar cada jornada sem distrações e desgaste europeu a meio da semana, ficarão na memória aquelas duas vitórias consecutivas contra Manchester City (2-0 em Old Trafford) e Arsenal (3-2 fora).

Destaques: Bruno Fernandes, Senne Lammens, Casemiro, Patrick Dorgu, Bryan Mbeumo

 ASTON VILLA (4)

    Unai Emery conquistou a Liga Europa pela quinta vez (3 clubes diferentes) e o Aston Villa pôs fim a um hiato de 30 anos sem grandes troféus, e 44 anos sem conquistas nas competições europeias. Foi em Istambul que o clube de Birmingham fez História, derrotando o Friburgo por 3-0.
    A glória europeia chegaria para garantir presença na fase de grupos da próxima Liga dos Campeões, mas os villans não fizeram a coisa por menos e também se qualificaram para a Champions via campeonato, ajudando indiretamente o Sporting e prejudicando o Bournemouth, que poderia ser o 6º clube inglês na prova milionária.
    Com Ollie Watkins a terminar a época em grande forma, e Morgan Rogers a reforçar o potencial fenómeno que é, o Aston Villa teve a particularidade de, contra Arsenal, Manchester United, Liverpool e Chelsea, ter vencido numa volta e perdido noutra. Orgulhoso, Emery poderá dizer que derrotou por 2 vezes Pep Guardiola na última época do genial treinador espanhol em Inglaterra.
    Aquele golo de Buendía aos 90+5 só foi suplantado pelo trio de golos em solo turco. O Aston Villa está bem e recomenda-se, tendo o treinador certo e precisando de uns 3 ou 4 reforços para tentar sonhar com algo mais...

Destaques: Morgan Rogers, Ollie Watkins, John McGinn, Ezri Konsa, Youri Tielemans

 LIVERPOOL (5)

    É incontornável e seria insensível desconsiderar o fator Diogo Jota no trajeto do Liverpool ao longo desta temporada. O trágico falecimento do internacional português, eterno camisola 20 dos reds, ditou um luto prolongado, não existindo um tempo definido para curar ou ultrapassar, tanto quanto é possível, a perda de um amigo e colega.
    O Liverpool tinha dominado 2024/ 25, mas 2025/ 26 foi um turbilhão de emoções: Mo Salah desabou em lágrimas quando ouviu Anfield cantar por Jota no final do inaugural Liverpool-Bournemouth, as chegadas de craques como Wirtz e Isak não correram de acordo com o esperado, Salah perdeu super poderes e promoveu um braço-de-ferro com Arne Slot, e na jornada final Anfield voltou a fazer Salah chorar, na despedida da competição do egípcio, o melhor extremo direito da História da Premier League.
    Entre tantas variáveis, Szoboszlai foi a constante, com excelente rendimento em todas as posições onde foi colocado, brilhando com livres diretos, indefensáveis para Raya e Donnarumma. Ekitiké entrou bem na equipa, Rio Ngumoha deu os seus primeiros passos como sénior, o perfil Frimpong nunca fez sentido enquanto contratação para lateral direito titular, e se para Wirtz havia a desculpa da adaptação a um novo campeonato, o mesmo argumento não pode ser usado para defender Isak ou Kerkez.
    Sem Slot, sem Salah, sem Robertson, sem Konaté. O próximo Liverpool será um Liverpool diferente.

Destaques: Dominik Szoboszlai, Virgil van Dijk, Hugo Ekitiké, Ryan Gravenberch

 BOURNEMOUTH (6)
    Se o Aston Villa tivesse terminado em 5º em vez de 4º, este Bournemouth estaria na Liga dos Campeões 2026/ 2027...
    A espantosa temporada do Bournemouth de Iraola (que grande treinador!) ganha um relevo extra quando devidamente contextualizada: nonos na temporada anterior, os cherries venderam Huijsen ao Real Madrid, Zabarnyi ao PSG, Kerkez ao Liverpool, Dango Ouattara ao Brentford, e ainda perderam Semenyo em Janeiro para o Manchester City. Quando a esmagadora maioria dos clubes perderia o Norte, o Bournemouth continuou a praticar o seu futebol enérgico e contagiante, e acabou 3 lugares acima, contribuindo de forma decisiva para o título ao empatar com o Manchester City na noite que permitiu ao Arsenal comemorar a conquista do campeonato.
    Além de certificar Andoni Iraola como um dos melhores técnicos da atualidade, esta temporada evidenciou a "pérola" que é Junior Kroupi (é muito raro um jogador de 19 anos conseguir apontar 13 golos na Premier com tamanha naturalidade), teve Senesi, James Hill e Truffert em excelente plano na defesa, e serviu para o brasileiro Rayan deixar um aperitivo para o que podem ser os seus próximos anos em Inglaterra.
    Sem qualquer derrota entre as jornadas 21 e 38, o Bournemouth foi a 4ª melhor equipa da segunda volta, vencendo pelo meio o campeão Arsenal em Londres. Mas instala-se a dúvida: conseguirá o Bournemouth manter os índices sem Iraola no comando técnico?

Destaques: Marcos Senesi, Junior Kroupi, James Hill, Adrien Truffert, Alex Scott

 SUNDERLAND (7)

   Neste regresso à Premier League, o Sunderland provou que o xG é, por vezes, extremamente enganador. Se nos guiássemos em exclusivo pelo formulaico xG, os black cats seriam despromovidos em 18º... mas ficaram 11 lugares cima.
    Sempre bem orientados pelo francês Régis Le Bris (que chegou a receber um surpreendente ultimato da direção a indicar que, caso falhasse as competições europeias, seria demitido), os jogadores do Sunderland obtiveram sucesso com uma abordagem que ditou o falhanço de muitas outras equipas pós-Championship: os black cats construíram uma equipa nova, com o 11 base a ser quase 100% composto por reforços, mas a coisa correu bem.
    Além do gáudio de ficar 5 lugares acima do grande rival Newcastle - e nos jogos entre ambos o Sunderland sorriu por duas vezes - o Sunderland pode sentir-se grato pelo impacto do líder Granit Xhaka, pelas defesas do "achado" Roefs, e pelo facto de elementos como Mukiele ou Sadiki terem contribuído de forma decisiva sem terem sido muito caros.
    No Stadium of Light, não passou Arsenal (2-2) nem Manchester City (0-0) e, com Liga Europa em perspectiva, caberá ao Sunderland desta vez, em vez de operar uma Revolução, fazer sim ligeiras afinações, preservando a boa base, e aumentando o nível quer do 11 inicial quer do banco de suplentes.

Destaques: Granit Xhaka, Robin Roefs, Nordi Mukiele, Enzo Le Fée, Dan Ballard

 BRIGHTON (8)

    Brighton e Brentford realizaram temporadas idênticas (14 vitórias, 11 empates e 13 derrotas), mas a diferença de golos (+6 vs +3) colocou as gaivotas na próxima Liga Conferência, onde tentarão dar sequência ao ótimo histórico inglês: Crystal Palace, Chelsea e West Ham venceram 3 das últimas 4 finais.
    O treinador bebé (33 anos) Fabian Hürzeler ficou novamente em 8º, desta vez com a terceira melhor defesa da competição, mas o scouting sagaz dos seagulls não gerou grandes destaques de primeiro ano. O veterano Danny Welbeck, o subvalorizado van Hecke e o renovado Kadioglu foram algumas das peças mais importantes numa caminhada marcada por um excelente 2026 (conseguir 7 vitórias num espaço de 10 jogos só costuma estar ao alcance dos candidatos ao título na Premier) e conseguindo, em diferentes fases, derrotar Manchester City, Liverpool e Chelsea.
    Para a próxima edição, duas questões: qual será o desfecho do dossier Baleba, tendo o camaronês baixado a sua cotação? E como irá o plantel do Brighton conciliar e gerir fisicamente o impacto de ter um jogo adicional às quintas-feiras?

Destaques: Danny Welbeck, Jan Paul van Hecke, Ferdi Kadioglu, Yankuba Minteh

 BRENTFORD (9)

    Uma das surpresas da temporada! Quando na nossa Antevisão apostámos que o Brentford acabaria quase nos lugares de descida, falhámos... redondamente. As saídas simultâneas de Thomas Frank e dos craques Mbeumo e Wissa, combinadas com o desconhecimento em relação a Keith Andrews, originaram essa (errada) intuição.
    Na verdade, Andrews igualou à primeira tentativa a melhor classificação dos bees com Frank, e face às incertezas de como a equipa seria capaz de responder à perda dos seus artilheiros, uma dupla sempre bem sintonizada, eis que Igor Thiago surgiu a todo o gás, chegando aos 22 golos, e acabando por ser o único avançado do campeonato que ainda "incomodou" de alguma maneira a liderança de Erling Haaland.
    Uma qualificação europeia ficou muito, muito perto, e embora no seu todo a temporada deva ser vista como incrível e muito acima do expectável, torna-se difícil ignorar que o Brentford só venceu 1 dos últimos 10 jogos, empatando por sete vezes nesse período.
    Influente na identidade tática dos concorrentes e a dar o mote com Michael Kayode para um regresso vintage aos lançamentos longos, quase todos os momentos icónicos desta temporada tiveram Igor Thiago a picar o ponto - bisou no 3-1 ao Manchester United, converteu o seu penálti no 3-2 ao Liverpool, bisou diante do Newcastle e fez um hat-trick em casa do Everton. Bem apoiado por Ouattara, Schade e Damsgaard, o brasileiro marcou 8 golos de grande penalidade. Quem o quiser retirar do Gtech Community Stadium terá que pagar bom dinheiro...

Destaques: Igor Thiago, Michael Kayode, Mikkel Damsgaard, Caoimhín Kelleher, Dango Ouattara

 CHELSEA (10)

    O Chelsea, sob a gestão BlueCo, gastou 339 milhões esta época, 281 na anterior, 448 em 2024 e 630 milhões em 2023. Rios de dinheiro depois, o Chelsea não tem um guarda-redes de jeito, não tem um único defesa central realmente de topo, e reúne um elenco de promessas, disforme e abaixo do expectável.
    Derrotados pelo Manchester City na final da Taça, e atropelados pelo PSG nos oitavos da Liga dos Campeões, os blues somaram na Premier tantas vitórias como derrotas (14) e, com a derrota na última jornada no reduto do Sunderland, acabaram por não ir nem à Liga Europa nem sequer à Liga Conferência.
    O 10º lugar não é inédito para os londrinos. Ao longo da última década, habituámo-nos a ver o Chelsea a registar ocasionalmente um 10º ou 12º lugar, normalmente seguidos de um salto tremendo na tabela. 2025/ 26 foi um adeus para Enzo Maresca, o sucessor de Pep Guardiola no Manchester City, e uma má experiência para Liam Rosenior, treinador capacitado mas que talvez tenha dado o salto demasiado cedo. Segue-se Xabi Alonso.
    Em campo, a primeira volta (5º lugar) foi muito melhor, João Pedro foi o único reforço que realmente fez jus à palavra, Reece James impressionou ora a lateral ora a médio centro, e jogadores como Enzo, Caicedo ou Cucurella não sabem jogar mal. Entre várias lesões e muita instabilidade no onze, fica sobretudo o desgosto de uma temporada desinspirada de Cole Palmer, que acabou por originar a sua exclusão dos 26 convocados para a seleção inglesa.

Destaques: João Pedro, Reece James, Enzo Fernández, Moisés Caicedo, Marc Cucurella

 FULHAM (11)
    

    Quatro anos de Marco Silva na Premier League, 4 anos em que o Fulham termina entre 10º e 13º, com as duas épocas finais a terem o 11º posto como destino dos londrinos. Alegadamente dividido entre continuar no clube ou aceitar uma proposta do Benfica, o técnico português é hoje um dos melhores treinadores portugueses, e este seu Fulham é um crónico exemplo de uma equipa que se comporta e exibe acima do expectável, com jogadores bem "espremidos" e sem ombrear com outros clubes nas contratações loucas e avultadas.
    Contidos no Verão (Kevin foi o único reforço dispendioso) e comedidos nos acertos em Janeiro (Oscar Bobb juntou-se à equipa), os cottagers conseguiram a proeza de terminar em 11º mesmo tendo o 6º pior ataque ou, se preferirem, o 15º melhor. Numa campanha com pouca história, poucos pontos altos (quase houve surpresa naquele 4-5 na receção ao City) e muito comportamento certinho e dentro da média, sobressaiu Harry Wilson (um dos jogadores mais apetecíveis entre os que ficaram sem contrato este Verão) e ativos de enorme fiabilidade como Iwobi, Jiménez, Anderson ou Antonee Robinson. Quanto a Harrison Reed, o Golo do Ano desta Premier League foi dele. Um monumento.

Destaques: Harry Wilson, Alex Iwobi, Raúl Jiménez, Joachim Andersen, Antonee Robinson

 NEWCASTLE (12)

    Não tendo a "responsabilidade" histórica de Tottenham, Chelsea e Liverpool, e sem ter caído tantos lugares na tabela como o Forest, a queda do Newcastle constituiu também, com uma expressão ligeiramente menor, uma das desilusões desta Premier League.
    Capaz de se qualificar para a Champions por duas vezes no espaço dos últimos anos, o Newcastle resistiu até aos oitavos na prova milionária deste ano (aquela derrota por 7-2 em Barcelona foi pesada) e é provável, principalmente por Eddie Howe continuar no clube, que em 2026/ 27 a ausência de competições europeias contribua para desempenhos mais consistentes e para a disponibilidade física necessária para voltar a escalar algumas posições na tabela.
     Os magpies provaram por diversas vezes que conseguem jogar olhos nos olhos com qualquer adversário nesta Premier League, e não podemos ignorar que a equipa sentiu muito a falta de Alexander Isak (vendido ao Liverpool por 145 milhões), sem que Woltemade ou Wissa tenham conseguido preencher a vaga deixada pelo ponta de lança sueco, e os números que vinha atingindo de forma consistente. De resto, o defeso revelou-se, no geral, um falhanço neste Ano 1: Elanga foi uma sombra do que fizera pelo Forest, e só Thiaw acrescentou realmente qualidade.
    Com 2 dos melhores laterais em Inglaterra (Hall e Livramento) cobiçados, o Newcastle parte para este Verão com a transferência de Anthony Gordon para o Barcelona acertada, imaginando-se que surjam também propostas por Bruno Guimarães e Tonali. St. James' Park poderá ter uma pequena revolução.

Destaques: Bruno Guimarães, Anthony Gordon, Lewis Hall, Sandro Tonali, Malick Thiaw

 EVERTON (13)

   A equipa mais antiga da cidade de Liverpool viveu um ano tranquilo. Liderados pelo experiente e pitoresco David Moyes, lenda viva do clube, os toffees conquistaram na primeira volta (foram a 8ª melhor equipa nas primeiras 19 jornadas) uma margem suficiente para poder tirar o pé do acelerador (16ª equipa na segunda volta) sem grande prejuízo.
    Com mais vitórias fora do que em casa - está a demorar a habituação ao Hill Dickinson - o Everton acabou por ter um papel relevante na luta pelo título, ao marcar 3 golos em 13 minutos num 3-3 que retirou o Manchester City da pole position, reconquistada duas jornadas antes.
    O efeito Grealish só durou nas primeiras jornadas, tendo o craque das meias curtas deixado de dar o seu contributo a partir de Janeiro (lesão) e, entre os reforços, Dewsbury-Hall e Barry vieram para acrescentar, mas o talentoso Dibling foi, para já, um flop. Fiáveis e irrepreensíveis como sempre estiveram Pickford e Tarkowski, dois dos melhores na Premier nas respetivas posições, e foi espetacular acompanhar o crescimento do centro-campista faz-tudo James Garner, um dos Most Improved Players desta edição.

Destaques: James Garner, Jordan Pickford, James Tarkowski, Kiernan Dewsbury-Hall, Iliman Ndiaye

 LEEDS UNITED (14)

   Na nossa Antevisão e lançamento da Premier League em Agosto, dávamos quase por garantida a descida de Burnley e Leeds United. Essa previsão vinha da baixíssima taxa de sobrevivência recente das equipas promovidas - o fosso qualitativo entre a Premier e o Championship é significativo - e do facto de identificarmos o Sunderland, muito bem reforçado, como a única das 3 equipas que estava a reunir argumentos para escapar. Não nos enganámos quanto ao Sunderland, mas falhámos na avaliação do teto performativo deste Leeds United.
    Mantendo sempre a confiança em Daniel Farke, o Leeds chegou aos 47 pontos, terminando acima de nomes pesados como Crystal Palace, Nottingham Forest, Tottenham e West Ham, e a apenas 6 pontos dos lugares europeus.
    Vivo na FA Cup até ao trio de jogos finais em Wembley (perdeu com o Chelsea, por 1-0, na meia-final), o Leeds ganhou em Old Trafford, empatou por duas vezes com o Liverpool (3-3 e 0-0), fez o City suar no Etihad, tudo isto com o 3º plantel menos valioso da Premier League, de acordo com o Transfermarkt.
    Individualmente, Anton Stach (jogador underrated e belo cobrador de livres diretos) foi uma belíssima contratação, e Dominic Calvert-Lewin voltou ao patamar dos seus melhores anos em Goodison Park (2020 e 2021).

Destaques: Anton Stach, Dominic Calvert-Lewin, Ethan Ampadu, Jaka Bijol, James Justin

 CRYSTAL PALACE (15)

    Pelo segundo ano consecutivo, o Crystal Palace - que nunca ganhara nada até 2025 - aumentou o seu palmarés e o leque de troféus no museu. Vencida a FA Cup, os comandados de Oliver Glasner (o austríaco sai pela porta grande, tendo este casamento de 3 anos resultado na perfeição) somaram uma Community Shield em Agosto (vitória nas grandes penalidades contra o Liverpool) e uma Liga Conferência, derrotando o Rayo Vallecano na final de Leipzig.
    O foco dividido entre a Premier League e as competições europeias prejudicou o rendimento e a estabilidade a nível interno, mas a hipótese da descida nunca se colocou propriamente, e convém não esquecer que o capitão Marc Guéhi rumou ao Manchester City em Janeiro.
    Com a Conference a garantir bilhete para a fase de grupos da próxima Liga Europa, a época foi um sucesso, e os adeptos podem e devem olhar com enorme orgulho para os últimos anos, tendo juntado troféus e disfrutado do talento de jogadores ímpares como Olise e Eze.
    O plantel tem qualidade (Wharton, Lacroix e Mateta são jogadores com mercado, mas Muñoz, Sarr e Henderson devem continuar) e o maior teste será mesmo identificar o treinador que consiga estar ao nível de Glasner.

Destaques: Adam Wharton, Daniel Muñoz, Maxence Lacroix, Jean-Philippe Mateta, Ismaila Sarr

 NOTTINGHAM FOREST (16)


    A cidade do Robin Hood foi a prova viva de como a Premier League é imprevisível e de como, quem é equipa sensação numa edição, na campanha seguinte pode num ápice ver-se a conviver com um cenário de quase descida.
    O Forest vinha de um 7º lugar em 2024/ 25, a 1 ponto dos lugares de Champions, e a queda na tabela foi de 9 posições. Com 4 treinadores diferentes, 2 deles portugueses, os reds começaram com Nuno Espírito Santo (a sua relação com Marinakis e Edu Gaspar ter-se-á deteriorado), tentaram Postecoglou (zero vitórias em 5 jornadas), experimentaram uma abordagem muitíssimo diferente com Sean Dyche (resistiu até à 26ª jornada, deixando a equipa em 17º a 3 pontos dos lugares de descida) e, finalmente, a coisa correu bem com Vítor Pereira.
    Semi-finalista na Liga Europa, o Nottingham Forest teve poucos jogadores num nível alto, mas teve 2 craques num nível altíssimo toda a época - Elliot Anderson (previsível titular da seleção inglesa no Mundial, podendo proporcionar uma super transferência neste Verão) e Morgan Gibbs-White (chocante omissão de Tuchel) tinham lugar em qualquer equipa em Inglaterra e, se não fosse a qualidade individual de ambos, o Forest teria muito provavelmente descido.

Destaques: Elliot Anderson, Morgan Gibbs-White, Neco Williams

 TOTTENHAM (17)

    Salvação na jornada 38 de 38. Há um ano atrás, o Tottenham dividiu com o Manchester United os deméritos de Desilusão da prova. A sorte, à data, foram as épocas terríveis de Southampton, Ipswich e Leicester. Em 2025/ 2026, foram apenas duas as equipas francamente más na Premier League, o que originou que os spurs estivessem até aos 90 minutos finais da competição em perigo de descer.
    Para o Tottenham, são duas épocas consecutivas em 17º, o que obriga o clube a uma reflexão profunda, dada a normalidade com que se instalou a fácil convivência com a derrota num emblema que entre 2010 e 2024 foi, em média, 4º ou 5º da Premier.
    Depois de optar por despedir Postecoglou (o australiano com que o Tottenham conquistou a Liga Europa), a escolha de Thomas Frank parecia uma movimentação sensata e com pouca margem de erro. Érramos. Pelo contrário, a opção Igor Tudor via-se desde o 1º dia que não seria solução. Após desgaste em Marselha, o louco italiano Roberto De Zerbi - polémico, exigente, ambicioso e visionário - aceitou a missão de segurar o clube do Norte de Londres na primeira divisão, e acabou por ser bem-sucedido.
    Num ano em que, paradoxalmente, ficaram em 4º lugar na fase de liga da Liga dos Campeões, os spurs sobreviveram graças à resposta na reta final, com 3 vitórias nos últimos 5 jogos. Mas não esqueçamos aquele período negro com zero (!) vitórias entre 1 de Janeiro e 24 de Abril.
    Com muita instabilidade e subrendimento em todos os setores, e sem poder contar com Kulusevski (lesionado toda a temporada) ou James Maddison (só retomou a competição em Maio), o Tottenham acabou a festejar os golos importantes de Richarlison e João Palhinha, e teve no velocista Micky van de Ven o seu jogador mais.
    Para qualquer adepto dos spurs, será custoso ver o rival Arsenal campeão - a capital pintada de vermelho e branco, 22 anos depois - enquanto a casa está tão desarrumada. Mas mais doloroso e traumático teria sido o brutal contraste se o Tottenham tivesse descido, o que esteve quase, quase a acontecer.

Destaques: Micky van de Ven, João Palhinha, Pedro Porro

 WEST HAM (18)

    Quinze anos depois, o West Ham diz adeus (ou até já) à Premier League. Os hammers tinham registado algumas classificações "perigosas" e sintomáticas nos últimos anos (14º lugar tanto em 22/23 como em 24/25) mas sinceramente, apesar de na nossa Antevisão termos apontado o West Ham ao lote de equipas imediatamente acima dos 3 despromovidos, ao longo da prova demorámos a assimilar que a descida seria uma realidade.
    As épocas francamente más de Wolves e Burnley deixaram em aberto apenas um lugar no purgatório da Premier League - e talvez a maior notoriedade do Tottenham, cuja descida seria ainda mais chocante, tenha desviado atenções. O hoje selecionador sueco, o britânico Graham Potter, deu o seu lugar a Nuno Espírito Santo ao fim de cinco jornadas. NES, cuja continuidade como treinador no Championship foi já confirmada, melhorou os londrinos, embora não o suficiente.
    Sistematicamente com Jarrod Bowen (seguramente não foi por ele que a equipa desceu, tendo feito tudo, carregado e inspirado os seus colegas) e Mateus Fernandes (o miúdo português, única ausência grave nos convocados de Roberto Martínez para o Mundial, enche o campo) em destaque, os hammers enfrentarão vários dilemas neste Verão na formulação do plantel: deve ser uma impossibilidade segurar Bowen e principalmente Mateus Fernandes, sem esquecer jogadores que serão apetecíveis para outros clubes como Malick Diouf, Summerville ou Wan-Bissaka, mas há que edificar uma base suficientemente forte para que a passagem nos "calabouços" super competitivos do Championship seja o mais curta possível.  

Destaques: Jarrod Bowen, Mateus Fernandes, Malick Diouf

 BURNLEY (19)

    A descida do Burnley adivinha-se desde o dia 1. Mesmo tendo somado 100 pontos no Championship (igualade pontual com a centena de pontos do campeão Leeds United), o regresso do Burnley à Premier League antevia-se complicado mediante uma razão simples e contundente: o plantel do Burnley era mais forte na época anterior, e não só não melhorar como ainda regredir é o garante de uma sentença na Premier League.
    Os clarets subiram com um certificado de rigor defensivo, com apenas 16 golos sofridos em 46 partidas. Mas o guarda-redes James Trafford, o maior responsável pelo feito, rumou ao City, e um dos centrais (CJ Egan-Riley) partiu para Marselha, deixando o francês Estève órfão dos colegas que o ajudaram a brilhar. Paralelamente, o talismã Josh Brownhill terminou contrato e decidiu aventurar-se na Arábia Saudita.
    Neste Burnley, Scott Parker fez a época quase toda, com Michael Jackson (sim, é mesmo esse o nome) a orientar a equipa nos 4 jogos finais. Anthony e Flemming foram sobressaíram em alguns jogos, e o experiente Dúbravka, sempre super exposto, viu-se obrigado a acumular defesas e defesas nesta sua pré-reforma. A pior defesa (75 golos sofridos) desta edição procurará reter pouco desta campanha, exceção feita ao "encaixe" positivo contra Manchester United e Liverpool.

Destaques: Jaidon Anthony, Zian Flemming, Martin Dúbravka

 WOLVES (20)

    Com 20 pontinhos, este Wolverhampton tornou-se a 9ª pior equipa da História da Premier League. Que orgulho. Bem longe daqueles sétimos lugares consecutivos em 2019 e 2020, os wolves puseram termo a uma sequência de 8 temporadas no máximo escalão inglês. No começo da época suspeitámos que os lobos de laranja e negro pudessem acabar despromovidos, integrando o lote de equipas que lutariam até ao fim para escapar ao 18º posto. Mas não, o Wolves conseguiu mesmo ser último classificado!
    Ao longo de 38 jornadas, West Ham, Aston Villa e Liverpool foram as únicas três equipas a perder um jogo para o Wolves, e poucos foram os destaques positivos numa campanha iniciada com Vítor Pereira (saiu ao fim de 10 jornadas) e terminada com Rob Edwards, que abandonou o Middlesbrough para tentar evitar a descida do clube pelo qual jogou 100 partidas entre 2004 e 2008.
    No Molineux, há razões para preocupação: estes wolves não parecem capacitados para lutar pelos lugares de topo no próximo Championship. O completo João Gomes e o pupilo Mateus Mané (18 anos, nascido no Barreiro) ainda conseguiram oferecer alguns bons momentos e memórias numa época, globalmente, para esquecer.

Destaques: João Gomes, Mateus Mané


Balanço Final - Liga Portugal Betclic 25/ 26

   Liga Portugal Betclic - Quando em Agosto de 2025 apontámos o FC Porto ao 1º lugar (e nós nem temos assim tanto jeito para acertar), os sinais de facto já estavam lá todos. Aproveitando um Benfica sem rumo definido e um Sporting com processos de jogo enraizados mas a ter que se reconstruir depois de perder um fenómeno sueco que em duas épocas marcou um total de 97 golos, os azuis e brancos "acertaram" no treinador, acreditaram no modelo do italiano Francesco Farioli e, daí para a frente, tudo foi coerente.
    Este Porto não deslumbrou no ataque (66 golos marcados é o pior registo ofensivo de um campeão desde 20/ 21, primeiro título de Ruben Amorim no Sporting) mas diz-se que são as defesas que ganham campeonatos e aquele triângulo Diogo Costa - Bednarek - Kiwior foi ouro. Com ótimo trabalho de casa nas bolas paradas e gosto em pressionar em equipa, deixando os adversários permanentemente desconfortáveis, o FC Porto foi melhor e, mesmo que perca craques como Froholdt e Diogo Costa, pode inclusive tornar-se ainda melhor em 26/27. Este dragão sabe construir uma equipa e o scouting já há-de ter bem identificados mais Froholdts e Pietuszewskis. E, se não for pedir muito, que se reduzam os bate-bocas entre Villas-Boas e Varandas no futuro.

    Bicampeão em 2024 e 2025, o Sporting não conseguiu o objetivo "tri". Os leões chegaram ao Top-8 da Liga dos Campeões, vendendo cara a derrota (0-1 no somatório das duas mãos) perante o campeão inglês Arsenal, e guardando no baú das memórias a vitória perante o PSG e aquela reviravolta histórica diante dos noruegueses do Bodo/Glimt. Em solo nacional, o Jamor foi amargura diante do Torreense, e na Liga de pouco serve o estatuto de equipa com processo ofensivo mais atraente e ataque mais concretizador (89 golos). Este Verão deve marcar uma mudança de ciclo em Alvalade, saindo quem marcou o passado recente leonino, e chegando novos talentos (Zalazar promete).

    Na Luz, não houve derrotas. O Benfica somou 23 vitórias e 11 empates em 34 jornadas, mas José Mourinho foi pior do que o seu antecessor Bruno Lage em quase tudo: de 2º passou para 3º, de vencedor da Allianz Cup passou para mero semi-finalista, de finalista vencido na Taça de Portugal passou para eliminado nos quartos, e dos oitavos da Champions passou para derrotado na ronda anterior, o Playoff. O Benfica regrediu, numa temporada em que os seus sócios tiveram a oportunidade de desbravar um novo caminho, mas preferiram confiar na incompetência. Em campo, foi diante do Real Madrid que as águias viveram o seu apogeu emocional (Trubin!) e o seu pesadelo reputacional (Prestianni e as acusações racismo). Seria uma pena o futebol português dizer adeus a Schjelderup, que nem meio ano teve em modo endiabrado.

    O Braga teve 2 dos melhores jogadores do campeonato, as equipas-sensação foram Gil Vicente, Moreirense e Alverca, podendo-se sublinhar uma anomalia (positiva): ao longo dos vários meses de competição, dos 12 primeiros classificados apenas o Benfica e o Vitória trocaram de treinador.

    2025/ 2026 foi a energia inesgotável de Froholdt, os golos de diversos feitios de Luis Suárez, foi o Dragão a apaixonar-se pela Polónia, foram as luvas de Diogo Costa e Hornicek, foi Zalazar a oferecer um golo a Ricardo Horta, e Horta a retribuir logo depois para o uruguaio. Foram as oportunidades criadas por Trincão e João Carvalho, e os cantos de régua e esquadro de Gabri Veiga. Foi a perfeição de Aursnes e Hjulmand. Foi a última vez de muitos craques nos nossos relvados. Mas outros virão.

    Acompanhem-nos então neste balanço final, que analisa em detalhe as 18 equipas da Liga portuguesa, procurando determinar o que correu bem, o que correu mal, quem se destacou e quem desiludiu:


 FC PORTO (1)

    Veni, vidi, vici. Quando Francesco Farioli foi anunciado como treinador do Porto, muitos ficaram de pé atrás - tirando Roger Schmidt, os treinadores bem sucedidos em Portugal nos últimos anos eram todos portugueses (o dogma de que "é preciso conhecer o futebol português" perde-se quando tantas equipas mudam quase tudo a cada ano que passa) e o italiano vinha de Amesterdão com a má fama de que tinha deixado escapar o título na reta final. Sim, esse Ajax podia ter sido campeão, mas nessa Eredivisie fora primeiro o PSV a deixar escapar uma brutal vantagem, ignorando a visão de fora e a análise desinformada o salto que o Ajax dera com Farioli (não é à toa que antes desse 2º lugar foi 5º, e esta época voltou a ser 5º) e a muito maior obrigação que o PSV tinha de se sagrar campeão.
    Com todos os decisores a pensarem futebol da mesma maneira, o Porto revolucionou o seu 11 titular, transformando uma equipa onde só Rodrigo Mora fazia alguma coisa numa equipa profissional, taticamente afinada, combativa e, ironia das ironias, na qual Mora passou a não encaixar.
    O campeão FC Porto deu uma masterclass de mercado de transferências - no Verão, promoveu um encontro polaco entre os centrais Bednarek e Kiwior, antecipou-se a toda a gente ao "descobrir" Froholdt na Dinamarca, enganou bem a Juventus numa troca entre Alberto e João Mário, tudo isto depois de já ter resgatado Gabri Veiga (estreou-se pelo Porto ainda no Mundial de Clubes com Anselmi) do futebol saudita. Audaz na composição do plantel, o Porto percebeu a importância de adicionar jogadores muito úteis como Pablo Rosario e Fofana, líderes de balneário como de Jong e Thiago Silva, e voltou a fazer das suas ao "sacar" o prodígio Pietuszewski a meio da temporada.
    A superioridade do Porto foi incontestável. Os dragões foram mestres a conceder poucas oportunidades (ao fim de 19 jornadas, tinham apenas 4 (!) golos sofridos e levavam 18 vitórias) e, embora os adeptos queiram mais golos, vertigem e risco, percebeu-se a preocupação e o conservadorismo de Farioli em privilegiar o controlo, refrescando fisicamente (brutal a diferença de gestão física entre Farioli e Rui Borges) mas mantendo a equipa coesa, sem se expor.
    A personalidade deste Porto viu-se logo à 4ª jornada em Alvalade, viu-se na primeira parte na Luz e viu-se também na reação em Braga. Quase sempre, foi o Porto a levar os jogos para onde quis, forçando os adversários a adaptar-se e a reagir.
    Com o sacrifício do talento de Rodrigo Mora a ser uma nota negativa, este Porto foi a segurança de Diogo Costa, a sintonia e complementaridade de Bednarek e Kiwior, foi os cantos de Gabri Veiga, a polivalência de Rosario, os golos de Samu, os golaços de William Gomes e o atrevimento de Oskar Pietuszewski. E, claro, foi a energia contagiante de um jovem de 20 anos de Copenhaga, preponderante no seu meio-campo e no meio-campo adversário.
    O FC Porto está bem, sabe para onde vai e o seu scouting deve continuar a dar cartas. Os rivais têm muito para pedalar para reduzir distâncias.

Destaques: Victor Froholdt, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Diogo Costa, Oskar Pietuszewski


 SPORTING (2)


    Não houve tricampeonato. O Sporting entrou nesta época com um enorme ponto de interrogação: como consegue uma equipa manter o altíssimo nível depois de perder um jogador que valia aproximadamente 50 golos por época? A novela da transferência de Viktor Gyökeres para o Arsenal foi longa, mas nem foi pela substituição direta do sueco que o Sporting falhou os seus objetivos. Lá iremos.
    Com um ótimo desdobramento ofensivo (nenhuma equipa atacou e combinou de "olhos fechados" como os leões), o Sporting não teve problemas em desmontar os pequenos. Foram várias as vezes em que marcou 6, 5 ou 4 por jogo. O problema esteve mesmo nos jogos cabeça-de-cartaz: em 18 pontos em disputa contra Porto, Benfica e Braga, os leões somaram 4 pts, não vencendo qualquer jogo.
    Com a certeza de que Rui Borges vai começar 26/ 27 com zero margem de erro, o Sporting deve guardar desta temporada a memória da melhor Liga dos Campeões do clube, e procurar esquecer a humilhante final da Taça contra o Torreense.
    Com o contributo de Amorim e Viana cada vez mais distantes, a prospecção terá que fazer melhor na próxima época - nesta, só Luis Suárez (melhor marcador da Liga com 28 golos) foi verdadeiramente um reforço - sobretudo se tivermos em conta que o Verão de 2026 pode representar fim de ciclo para jogadores super influentes como Hjulmand, Pedro Gonçalves, Trincão, Maxi Araújo ou Diomande, sem contar com as saídas confirmadas de Quenda e Morita.
    Entre lesões para todos os gostos e o desacerto do mercado de Janeiro (com 2 ou 3 jogadores que viessem para acrescentar a reta final poderia ter sido diferente), o Sporting viveu da fome de golos de Suárez, da criatividade e imaginação do sempre titular Trincão, da explosividade de Maxi e da estabilidade do capitão Hjulmand, um atleta que deixará saudades em Alvalade e causará o alívio dos oponentes.
    Tudo somado, o 2º lugar foi um mal menor, permitindo um twist na Luz e o amigo Aston Villa a entrada direta na fase de grupos da próxima Champions.

Destaques: Luis Suárez, Francisco Trincão, Morten Hjulmand, Maxi Araújo, Pedro Gonçalves

 BENFICA (3)

    #Invencíveis. Na descrição da novela malfadada que se escreveu na Luz esta temporada, talvez o mais recomendável seja começar com aquele momento Trubin: um 4-2 ao Real Madrid, com o guarda-redes ucraniano de 1,99m a garantir a passagem dos encarnados à fase seguinte da mais prestigiante competição de clubes. O Benfica foi notícia em todo o mundo, o Benfica foi - por um momento - feliz.
    Tudo o resto, esteve longe de ser feliz. A época começou com a especialidade da casa - um treinador foi mantido no cargo para lá do seu tempo de vida recomendável, ajudou a planear e decidir tudo, e ao primeiro desaire foi embora. Quando Bruno Lage saiu, Rui Costa definiu o perfil do treinador sucedâneo como "vencedor". Desejo concretizado: José Mourinho foi a cartada que fez ganhar eleições, com recorde de Guinness e duas voltas mediáticas a ditarem que 65% de sócios votantes - com medo de um novo Vale e Azevedo, inconscientes de que o novo Vale e Azevedo já está há vários anos no clube - quiseram que tudo continuasse igual. E, surpresa, tudo continuou igual.
    O Special One foi bem-sucedido na sua operação de charme na chegada à Luz: foi político, foi (como sempre foi e será) eficaz comunicador, mas muitas foram as incoerências entre as palavras de Mourinho e as suas ações (exemplos: ter um fraquinho por Gonçalo Moreira, mas tão fraquinho que lhe valeu apenas 1 minuto de jogo; ou toda a gente ter esquecido que os encarnados derrotaram o Real por 4-2 depois de Mourinho ter dito na conferência de antevisão "se gostaria de jogar como vamos jogar, diria não"). A sua passagem não ter resultado em troféus surpreende? Não, porque só venceu 1 troféu nos últimos 8 anos. O iminente divórcio surpreende? Qb, porque o plano A parecia ser a Seleção, não fosse uma porta mais apetecível se ter aberto. As queixas em todas as direções surpreenderam? Não, porque Mourinho tem sido isto, um dedo apontado para si nas cada vez mais raras vitórias, e as culpas postas nos outros (jogadores, arbitragem, etc) quando as coisas não correm como planeado.
    Apesar de não ter perdido qualquer jogo (somando, no entanto, 11 empates, na sua maioria em casa), o Benfica vive um profundo problema de identidade e cultura organizacional, onde a autoanálise e a assunção do erro não existem, onde uma (gravíssima) acusação de racismo se transformou num circo mediático descontrolado, com sérios danos reputacionais, por incompetência e insensibilidade de quem não sabe o que dizer e quando dizer, tão obcecado em "safar-se", preferindo inclusive marginalizar Sidny Cabral a pôr a hipótese de Prestianni ter sido, eventual e alegadamente, culpado. Há que acabar com o Benfica cringe que oferece prémios de homem do jogo a árbitros e publica nas redes golos que não contaram. Um Benfica com voz não é um Benfica com uma voz qualquer.
    Em campo, Aursnes foi Aursnes (e Ríos foi melhor quando teve o porto de abrigo norueguês na sua órbita), Schjelderup explodiu em 2026 (um bis ao Real Madrid abortou a sua transferência para a Bélgica) e Pavlidis perdeu gás sobretudo a partir do momento em que alguém achou boa ideia fazer regressar Rafa - um 2 em 1 que piorou Pavlidis e abafou os primeiros bons sinais que finalmente surgiam de Sudakov. Entre flops (Lukebakio ou Enzo) e jogadores que podem dar muito mais se forem bem aproveitados (Ivanovic e Sudakov), os encarnados terminaram a época sem saber muita coisa: não se sabe quando Mourinho sai, não se sabe quem é o próximo treinador, não se sabe que jogadores vão sair e que jogadores vão entrar. Haver Mundial ajuda a mascarar tudo isto, mas haver 6 jogos para entrar na Liga Europa e uma pré-época que começa durante a fase de grupos do Mundial desajuda.
    Há uma coisa que o Benfica sabe: entre 12/13 e 18/19 o Benfica ganhou 5 campeonatos em 7; nos últimos 7 anos, ganhou 1, o Porto 3 e o Sporting 3. E não se perde tanto por obra do acaso.

Destaques: Fredrik Aursnes, Andreas Schjelderup, Vangelis Pavlidis, Samuel Dahl, Leandro Barreiro

 BRAGA (4)

     É complexo avaliar o Braga 2025/ 2026. Apesar de cumprido o objetivo mínimo interno (4º lugar) este quarto lugar foi alcançado com 59 pontos, o pior registo do clube nos últimos 9 anos. Quando a ambição deveria ser encurtar distâncias para Porto, Sporting e Benfica, o Braga acentuou o fosso, terminando a apenas 3 pontos do Famalicão, e tendo já vendido um dos melhores jogadores ao Sporting. Se quisermos ver o copo meio vazio, falta acrescentar a final da Taça da Liga: na final four o Braga atropelou o Benfica na meia-final, mas acabou derrotado pelo grande rival Vitória a 10 de Janeiro.
   Vejamos então o copo meio cheio. Se internamente a coisa foi questionável, na Europa o Braga foi enorme. Semi-finalista da Liga Europa - conseguiria chegar à final se Dorgeles não tivesse sido expulso logo aos 7 minutos da segunda mão? - o Braga realizou uma campanha muito longa, ajudando o ranking de Portugal ao longo de 20 jogos (6 deles de qualificação) e derrotando Feyenoord, Celtic, Nottingham Forest, Nice ou Bétis. O espanhol Carlos Vicens acabou por ser uma aposta ganha, compreendendo-se as experiências e afinações que foi fazendo até encontrar e estabilizar num 11 e numa disposição das peças com harmonia.
    O melhor jogador da História do clube, Ricardo Horta, voltou a fazer uma época de excelência, desta vez acompanhado por um uruguaio permanentemente endiabrado. Rodrigo Zalazar marcou, criou, desequilibrou e o mais provável é que continue a fazer o mesmo, desta feita de verde e branco. Seguramente será impossível segurar Hornicek (ai do Braga que venda em saldos um guarda-redes desta categoria!) merecendo ainda um elogio a longevidade de João Moutinho, nuestros hermanos Pau Víctor e Víctor Gómez, e o espaço que Gorby foi conquistando pode também justificar Diego Rodrigues num futuro próximo.

Destaques: Rodrigo Zalazar, Ricardo Horta, Lukás Hornícek, Pau Víctor, Víctor Gómez

 FAMALICÃO (5)

    Melhor classificação de sempre na I Liga. Desde que se estabeleceu no primeiro escalão de forma ininterrupta (19/20), o Famalicão fora 6º, 9º, três vezes consecutivas 8º, 7º e agora... quinto. O recorde absoluto não nasce do acaso: Hugo Oliveira deu sequência ao trabalho iniciado na temporada anterior, e a esmagadora maioria dos jogadores já estavam no clube. E que diferença faz uma equipa em Portugal não ter que reconstruir tudo do zero a cada ano!
    Invicto da jornada 23 à 34, uma sequência onde registou 6 vitórias e onde empatou 2-2 contra o Porto, 2-2 contra o Braga e 2-2 contra o Benfica, o Famalicão merecia mesmo disputar a UEFA Conference League 2026/ 27. Mas aconteceu um pequeno milagre chamado Torreense, e os planos saíram furados a muita gente.
    Individualmente, é notável como quase não se fizeram notar a lesão grave de um predestinado como Aranda e a saída precoce do talentoso Zabiri para o Rennes. Vila Nova de Famalicão foi a casa de um guarda-redes (Carevic) que acumulou 17 jogos sem qualquer golo sofrido, de uma dupla de centrais (sorte de quem contratar Ibrahima Ba!) super competente, daquele que foi para nós o melhor lateral direito desta edição (Rodrigo Pinheiro) e, claro está, de Gustavo Sá e Mathias de Amorim, dois médios portugueses de 21 anos que tinham lugar no plantel de qualquer um dos 3 grandes.

Destaques: Lazar Carevic, Rodrigo Pinheiro, Ibrahima Ba, Mathias De Amorim, Gustavo Sá

 GIL VICENTE (6)

    Que belo futebol praticou este Gil Vicente! A regressar à excelência de 21/ 22 (época de Samuel Lino, Pedrinho, Fran Navarro e Kritciuk), os galos foram um exemplo de tudo bem feito. César Peixoto teve finalmente um voto de confiança para desenvolver a sua ideia, e a matriz inegociável de um 4-3-3 destemido, incapaz de se curvar perante qualquer adversário, com saída apoiada e processos bem trabalhados foi uma constante ao longo dos vários meses de competição.
    Sete vitórias nas primeiras 10 jornadas, com uma derrota pelo meio na Luz onde o Gil foi quem se comportou como verdadeira "equipa grande" no relvado, geraram embalo, embora uma volumosa sequência de empates tenha quebrado um pouco a moral. Janeiro retirou de Barcelos o ponta de lança Pablo (West Ham) e o guardião Andrew (Flamengo) mas a equipa demonstrou personalidade e reagiu às saídas de 2 jogadores fundamentais: Murilo e Gustavo Varela acabaram por, a espaços, preencher a fatia de golos perdida com a saída do filho de Pena para Inglaterra.
    Além de certificar Peixoto como capacitado para uma experiência com outras responsabilidades e ainda maior qualidade (jogadores) ao seu dispor, este Gil foi sinónimo de equilíbrio nos vários setores (Elimbi-Buatu formam uma boa dupla, e não é à toa que Konan é internacional A pela Costa do Marfim) com o miolo a marcar em particular esta edição. O menos estridente mas eficiente Cáseres, o organizador de jogo Luís Esteves e o trator Santi García formaram um trio de médios que deu sempre gosto ver jogar.

Destaques: Pablo, Luís Esteves, Santi García, Andrew, Ghislain Konan

 MOREIRENSE (7)

    Uma das equipas sensação da temporada, a oficializar as boas sensações que Vasco Botelho da Costa já deixara em todas as etapas anteriores do seu percurso.
    Com jogos transmitidos na TVI ou no V+, a equipa de Moreira de Cónegos - prima afastado do Bournemouth, via Black Knight - manteve-se sempre mais próxima dos lugares europeus do que da cauda da tabela, numa overperformance (não seria expectável uma equipa com 11º melhor ataque e 9ª melhor defesa terminar em sétimo) que não surpreende se considerarmos o impacto de Vasco BDC a partir do banco, tanto na preparação dos jogos como na análise ao desenrolar de cada trecho de 90 minutos.
    Órfãos dos golos de Schettine a meio da viagem e sem contar com o preponderante lateral Dinis Pinto de Março para cá, os cónegos mantiveram-se sérios, embora seja inequívoco que o balão de oxigénio gerado no início do campeonato (5 vitórias nas 7 primeiras rondas) ajudou e muito.
    Emprestado pelo Sporting e entretanto anunciado como reforço do Braga, Diogo Travassos marcou pontos a extremo e a lateral, Alanzinho deu como sempre um ar da sua graça, e o central Maracás (4 golos) apareceu em momentos decisivos.
    Será esta a casa de Vasco Botelho da Costa em 26/ 27 ou estará no horizonte imediato um novo desafio e projeto para o jovem treinador de 37 anos?

Destaques: Diogo Travassos, Dinis Pinto, Alan, Guilherme Schettine, Maracás

 AROUCA (8)
    A época do Arouca conta-se através de duas voltas muitíssimo diferentes. Nas primeiras 17 jornadas, o Arouca de Vasco Seabra somou 14 pontos (16º lugar) e, nesse contexto, muitas seriam as direções a optar por mudar de treinador e fazer reset durante o mês de Janeiro. O Arouca confiou no treinador luso de 42 anos e a segunda volta foi a dobrar - o Arouca somou 28 pontos, sendo durante esse período a 6ª melhor equipa do campeonato, a 4 pontos do Braga e a 5 do Famalicão.
    Ficar em oitavo não é estranho para um clube que em 2024 foi 7º e em 2023 foi 5º, mas acaba por surpreender um pouco pela capacidade deste elenco homogéneo ter mascarado a ausência de um jogador diferenciado, como anteriormente Mújica, Cristo, Jason ou André Silva.
    Tiago Esgaio, Trezza, Fukui, Djouahra e Barbero dividiram entre si os méritos numa campanha onde não é indiferente o efeito positivo e a confiança gerados pelo regresso de Arruabarrena a Aveiro.

Destaques: Tiago Esgaio, Taichi Fukui, Alfonso Trezza, Naïs Djouahra, Iván Barbero

 VIT. GUIMARÃES (9)

    O ponto alto da temporada do Vitória aconteceu indiscutivelmente numa competição marginal. Na Allianz Cup, o clube da cidade berço festejou o seu 3º troféu no futebol sénior. Nos quartos os vimaranenses eliminaram o FC Porto (que em Dezembro parecia absolutamente invencível) em pleno Dragão, derrotando o Sporting nas meias na final four, com o senegalês Ndoye a ser herói aos 90+2 e 90+11, e a repetir a importância ao marcar o golo da vitória na final (2-1) diante do grande rival Sporting de Braga.
    Luís Pinto deu, como Rui Vitória em 12/ 13, um troféu ao palmarés do clube, mas nem isso foi suficiente para preservar o seu lugar, sendo trocado por Gil Lameiras depois da jornada 25. À data, o Vitória esteve em nono... e foi igualmente em 9º que acabou.
    A demissão de António Miguel Cardoso poderá, quiçá, traduzir-se em maior estabilidade num clube que tem tido pouca paciência com os seus técnicos. Ao contrário de outras temporadas, foram poucos os destaques individuais: os meninos Saviolo e Camara mostraram potencial, Beni multiplicou-se em ações defensivas, Gustavo Silva voltou a ficar aquém dos golos que podia marcar num habitat mais sustentável, e o veterano Samu acabou por ser o atleta com maior rendimento médio.

Destaques: Samu, Gustavo Silva, João Mendes, Beni, Noah Saviolo

 ESTORIL (10)

    Este Estoril faz bem ao futebol português. Liderados pelo sempre agradável Ian Cathro, um escocês cada vez mais português, os canarinhos foram a única equipa além de Sporting, Benfica, Porto e Braga a passar a marca dos 50 golos marcados, acabando com 54. Apesar do Abril e Maio para esquecer, o Estoril foi uma das equipas com mais qualidade técnica da Liga, frustrando no entanto a total imprevisibilidade nos desempenhos - no começo do ano, tanto marcaram 13 golos num espaço de 3 jogos ganhos como logo depois empataram com o Tondela e perderam com o AFS.
    Foram 6 as vezes que o Estoril marcou 4 ou mais golos, e muitos deles (20) foram de Yanis Begraoui, um dianteiro marroquino que deve neste momento colecionar clubes interessados nos seus serviços. O camisola 14 foi sempre bem acompanhado pelo maestro João Carvalho (melhor época da carreira), com os pés esquerdos de Holsgrove e Guitane a acrescentarem qualidade e a defesa a ter em Bacher e Ferro os seus melhores representantes.
    Palavra final para Luís Miguel Afonso Fernandes, Pizzi, que terminou a carreira, ele que foi um dos jogadores mais consistentes no futebol português na última década.

Destaques: Yanis Begraoui, João Carvalho, Felix Bacher, Ferro, Jordan Holsgrove

 ALVERCA (11)

    Ao contratar mais de 30 jogadores, o desafio do Alverca neste regresso ao primeiro escalão era claro: formar uma equipa do zero. Com uma média de idades de 23 anos, o jovem Alverca de Custódio Castro passou o exame com distinção, acabando a meio da tabela mas não tão longe assim do 7º lugar.
    Com tiques de Famalicão no perfil de jogadores privilegiado, a equipa ribatejana foi o ecossistema certo para o crescimento dos emprestados Naves, Marezi ou André Gomes, bem como de outros jovens valores como Figueiredo, Touaizi ou Meupiyou. Acima de todos, a comprovar que o modelo a seguir é o atual este Alex Amorim - o médio brasileiro de 20 anos, um jogador muito acima da média, foi recrutado ao Fortaleza por 310 mil euros e vendido ao fim de meio ano ao Génova por 7 milhões e meio. Fica a ideia que os grandes portugueses se deixaram dormir...
    É sabido que Custódio não continuará, mas convém que alguns jogadores continuem no clube que tem Vinícius Júnior como coproprietário acionista. Será diferente para o próximo treinador trabalhar a partir de uma base, ao invés de recomeçar tudo do zero com novo camião de jogadores.

Destaques: Alex Amorim, Naves, Figueiredo, Nabil Touaizi, Marezi

 RIO AVE (12)
    Os helénicos vila-condenses provaram que, em Portugal, com o nível que nos últimos anos as 3 ou 4 piores equipas de cada edição têm por regra apresentado, basta a uma equipa instável conseguir somar 4 vitórias num espaço de 5 jogos e a coisa está safa. O Rio Ave manteve sempre a confiança em Sotiris Sylaidopoulos, mas o quadro esteve negro: jornada 24, apenas 21 pontos, dois a mais do que o penúltimo classificado. E subitamente, cinco jornadas depois, o Rio Ave estava em 11º lugar, com (bem) maior margem de erro.
    O 12º posto acabou por ser a classificação final de uma equipa que jamais teria que sofrer "tanto" se tivesse preservado Clayton e André Luiz toda a temporada. A dupla brasileira mudou-se para o Olympiacos, um dos outros clubes do temperamental proprietário Evangelos Marinakis, mas nas 19 jornadas em que cá estiveram foram dos melhores nas suas posições: Clayton saiu com 10 golos e 5 assistências, e André Luiz (chegou a ser associado ao Benfica) com 7+5.
    Além dos craques da primeira volta, há a destacar o ótimo registo de Blesa (7 golos em 13 jogos) e, como já é hábito, a contributo sempre certinho do lateral-direito Vrousai.

Destaques: Clayton, André Luiz, Marious Vrousai, Jalen Blesa

 SANTA CLARA (13)

    Nos Açores, a época pode-se dividir em duas: antes de Petit e depois de Petit. Quinto classificado no ano passado, o Santa Clara apresentou-se irreconhecível com Vasco Matos - o técnico deixou a equipa à 20ª jornada no 16º lugar, com 17 pontos e apenas 4 vitórias. Petit, normalmente subvalorizado, ressuscitou o bom comportamento defensivo que caracterizara os açorianos quando foram uma das equipas sensação da prova, e o objetivo da manutenção acabou por ser alcançado com alguma naturalidade e sem necessidade de acabar com a calculadora a mão ou, numa versão dos tempos modernos, com o FotMob ou Sofascore na mão.
    Sem grandes destaques individuais (Gabriel Silva e Serginho foram quem, mesmo assim, apresentou um rendimento mais satisfatório), os capítulos mais intensos do Santa Clara esta época viveram-se nas receções ao Sporting - para a Liga e para a Taça de Portugal - com muita polémica e razões de queixa.

Destaques: Gabriel Silva, Serginho, Vinícius Lopes, Paulo Victor

 NACIONAL (14)

    Muito sumariamente, o 14º lugar não faz jus à qualidade (superior) que o Nacional da Madeira de Tiago Margarido apresentou ao longo da época. Os insulares, que na próxima temporada voltarão a contar com o rival Marítimo na Liga Portugal, sofreram menos golos do que 6 das sete equipas dos lugares imediatamente acima; e marcaram mais do que Santa Clara, Rio Ave e Alverca.
    A 3ª época de Tiago Margarido (merece que um clube do Top-10 aposte nele) no clube ficou marcada pelos muitos golos (18) do venezuelano Chuchu Ramírez, pelas muitas defesas do guardião Kaique e pela boa dupla de centrais formada por Zé Vitor e Léo Santos.
    Num 4-3-3 sempre bem organizado, e com o ataque protegido por Matheus Dias, não é um acaso o facto do Nacional ter perdido a maioria dos jogos (4 em 6) com os três grandes por apenas um golo de diferença.
    2026/ 27 representará desde logo o desafio de João Gião (ex-Sporting B) provar ser um técnico do patamar de Margarido, e há que encontrar quem substitua a veia goleadora de Chuchu, que muito provavelmente rumará a outras paragens.

Destaques: Chuchu Ramírez, Zé Vitor, Kaique, Matheus Dias, Léo Santos

 ESTRELA DA AMADORA (15)

    Ao cair do pano. A salvação do Estrela da Amadora foi um dos momentos mais emotivos da última jornada: em Braga, o clube parecia destinado a disputar o play-off de promoção/despromoção com o Torreense, mas um golo do central Lekovic ao 6º minuto do tempo de compensação garantiu a manutenção, um cenário que se foi tornando mais e mais uma hipótese à medida que o Estrela perdeu de forma sucessiva todos os jogos entre as jornadas 28 e 32. O desempate com o Casa Pia (ambos com 30 pontos) fez-se no confronto direto - o Estrela goleara em casa (4-0) e vencera fora (3-5) num jogo com hat-trick de Sidny Lopes Cabral.
    O ala cabo-verdiano foi, por larga margem, o grande destaque individual da época do Estrela, acabando por rumar ao Benfica, onde não conquistou o seu espaço. A sua saída por 6 milhões, conjugada com a transferência de Kikas para o futebol belga, retirou muito golo à equipa, aumentando as responsabilidades de Abraham Marcus e Jovane Cabral, que nem sempre corresponderam.
    Bacci orientou a equipa nos 3 jogos finais, e este Estrela acaba por merecer a estrelinha que teve no último minuto da competição. Capaz de jogar olhos nos olhos com Braga ou Famalicão, fica a lição para um emblema que tem vendido a meio da época bons valores como Tiago Gabriel ou Sidny Cabral: segurá-los para lá de Janeiro pode garantir menos sofrimento e crises de nervos na segunda volta.

Destaques: Sidny Cabral, Abraham Marcus, Jovane Cabral, Bernardo Schappo

 CASA PIA (16)
    Entre 

Destaques: Gaizka Larrazabal, Jérémy Livolant, David Sousa, Cassiano

 TONDELA (17)

    Campeão na Liga 2 Meu Super sob o comando técnico de Luís Pinto (mudou-se para Guimarães, venceu a Allianz Cup mas acabou despedido), o Tondela só durou uma temporada na piscina dos grandes. Sempre com Estrela, Casa Pia, Nacional, Santa Clara e Rio Ave nas proximidades, a equipa de Viseu não conseguiu como outros descolar na parte final, acabando por descer.
    De má memória para águias (0-0) e leões (um 2-2 chocante em Alvalade, com o Tondela a marcar aos 90+2 e 90+6), no Tondela foi destaque superlativo o guarda-redes Bernardo Fontes, que tudo indica regressará a Braga para assumir a baliza após a saída do checo Hornicek. Difícil esquecer aquela monstruosa exibição, com 12 defesas contra o Sporting na primeira volta.
    Entre os 3 treinadores (Ivo Vieira, Cristiano Bacci e Gonçalo Feio), Feio foi aquele que marcou mais pontos. Mas não deve continuar. Individualmente, além de Bernardo, nota para o central colombiano Medina e para Maranhão, talvez o jogador de campo que conseguiu manter de forma mais consistente o rendimento que tivera na Liga 2.

Destaques: Bernardo Fontes, Brayan Medina, Pedro Maranhão

 AFS (18)

    Uma descida anunciada desde o primeiro dia. 
    O AVS ou AFS, já nem sabemos como lhes chamar, teve 3 treinadores ao longo da época (4 se contabilizarmos o joguinho que Fábio Espinho fez na transição de José Mota para João Pedro Sousa) e curiosamente só começou a jogar à bola quando a descida já era um dado praticamente certo. Volvidas 28 jornadas, a equipa de Vila das Aves tinha 11 pontinhos, mas a reta final acabou por incluir algumas alegrias - os pupilos de João Henriques estiveram invictos nos 6 jogos finais, e acabaram por ser uma das duas únicas equipas a derrotar (3-1) o campeão FC Porto.
    No geral, o AFS sofreu mais golos do que todos os outros (67), foi a par do Tondela o pior ataque (27) e, salvo o esclarecido centro-campista Pedro Lima e algumas boas exibições de Adriel na baliza, pouco há a guardar deste conjunto.

Destaques: Pedro Lima, Adriel Ramos