
Premier League - A liga onde se joga o futebol mais intenso e imprevisível entre as Top-5 está de volta! A Premier deu um tempinho de avanço ao futebol ibérico, e inicia-se assim no mesmo fim de semana da Ligue 1 e da Serie A, ficando a faltar só a Bundesliga. Esperam-nos estádios cheios, atmosferas inigualáveis, partidas disputadas até ao último instante, quilómetros percorridos em suor e ainda menor margem para tempo perdido (Inglaterra tem apenas que melhorar a consistência na utilização ou intervenção do protocolo VAR e conseguir reduzir a mise-en-scène antes de ser cobrada cada bola parada), otimizando ao limite a defesa do espetáculo, do futebol de ataque e a experiência do adepto. Ironicamente, a liga mais exemplar no respeito dos jogadores pelo jogo será muito provavelmente aquela que será mais exigente na aplicação das novas regras.
Sabe bem voltar a ter Premier League, mas é inegável a estranheza neste arranque. 10 anos depois, não há Pep Guardiola. 9 anos depois, não há Mohamed Salah. E é preciso recuarmos à temporada de 2004/ 2005 para encontrar novamente o Arsenal na condição atual: o detentor do troféu.
Sem Guardiola, Salah, Bernardo Silva e Rodri, sem esquecer Cucurella, Anthony Gordon e Cuti Romero, esta Premier League 26/27 apresenta-se realmente como uma mudança de ciclo global. Os clubes ingleses têm privilegiado estabilidade e o amadurecimento dos projetos, mas calhou Manchester City, Liverpool e Chelsea (talvez as 3 equipas com mais argumentos para "beliscar" o favorito Arsenal) mudarem todos de treinador em simultâneo, surgindo agora Maresca, Iraola e Xabi Alonso no comando técnico de cada equipa. Também Newcastle, Bournemouth, Nottingham Forest, Crystal Palace, Fulham e Ipswich Town têm novos treinadores.
A Community Shield (Arsenal 3-0 Manchester City) ajudou a recordar o porquê do Arsenal ter que ser considerado favorito. Os gunners ultrapassaram o bloqueio mental do "quase", defendem como ninguém, têm meio-campo para dominar qualquer jogo (poder rodar entre Rice, Bruno Guimarães, Odegaard e Zubimendi é um luxo), um banco cada vez mais homogéneo na comparação com o 11 inicial, e até achámos positivo Vini Jr. renovar com o Real Madrid, porque Tzolis merece partir como primeira opção à esquerda.
O City continua a ter Haaland e craques como Cherki e Doku, e pagou mais de 130 milhões para garantir Elliot Anderson, mas o pós-Guardiola seria sempre difícil, instalando-se a dúvida - todo e qualquer treinador que sucedesse a Pep seria um downgrade. O Liverpool parece ter em Iraola o match perfeito para a identidade de Anfield, podendo a reforma de um Deus egípcio convidar à afirmação adiada da dupla Wirtz-Isak, e Xabi Alonso está a cozinhar em Stamford Bridge a prova de que um 3-4-3 pode ser ofensivo, proativo e cativante - e a ausência de competições europeias pode ser uma enorme benesse para os blues. O Chelsea que está, como sempre, muito gastador, tal como o Tottenham. O Manchester United está mais tímido do que esperávamos e o Newcastle foi esventrado, perdendo no mesmo Verão o trio Tonali, Bruno Guimarães e Anthony Gordon, e o treinador Eddie Howe.
Recordamos que serão 9 as equipas inglesas na Europa: Arsenal, City, United, Aston Villa e Liverpool na Champions, Bournemouth, Sunderland e Crystal Palace na Liga Europa, e Brighton na Liga Conferência. Um desgaste que pode ajudar os mais relaxados Chelsea, Brentford, Tottenham e Leeds United.
Desceram West Ham, Wolves e Burnley, sendo substituídos por Coventry City, Ipswich Town e Hull City. E o mais provável é que pelo menos 2, senão mesmo os três, regressem novamente ao Championship.
Olhando para as transferências, merecem destaque as movimentações internas de Morgan Rogers, Elliot Anderson, Bruno Guimarães, Tonali, Mateus Fernandes, Robertson, Vuskovic, Lacroix, Tielemans, Harry Wilson e dos guarda-redes James Trafford e Carl Rushworth, e novidades em absoluto como Tzolis, Manzambi, Mamadou Sangaré, Jacquet, Palestra, Yirenkyi, Steur, Muahremovic ou Emersonn.
Acompanhem-nos então nesta completa Antevisão da Premier League 2026/ 27, numa tentativa de prever a classificação final (dividida entre favorito, candidatos ao Top-4, candidatos à Europa, candidatos ao meio da tabela, aflitos e relegados) e destaques individuais, um exercício sempre falível considerando as várias transferências por oficializar, lesões e outros milhões de fatores:
ARSENAL (1)
Os campeões em título querem e podem sagrar-se bicampeões. Há um ano atrás não colocámos o Arsenal como favorito, mas escrevemos que se nos guiássemos exclusivamente pelo nosso feeling, os gunners seriam a nossa escolha para erguer o troféu. Uma volta ao Sol depois, o Arsenal reúne desta vez a razão e o coração.
Se o Arsenal conseguir bisar, consegue um feito inédito desde que a Premier é Premier, e que o clube só conseguiu nos bem longínquos anos 30.
A equipa que melhor defende em Inglaterra deverá manter esse estatuto, mesmo com o importantíssimo Saliba afastado vários meses por lesão, e a fome dos londrinos não deve esmorecer, muito pelo contrário, querendo certamente defender aquilo que é atualmente seu com orgulho, procurando iniciar uma hegemonia no pós-Guardiola e ficando a sensação que a história deste Arsenal só começou agora, sendo inevitável colocar a equipa de Arteta igualmente entre o restrito lote de favoritos a conquistar a Liga dos Campeões.
Depois de 3 vezes consecutivas em segundo lugar, e sem deixar escapar a liderança, o campeão Arsenal pode ter permitido a Mikel Arteta e a alguns jogadores um crucial "desbloqueio", aumentando os níveis de confiança e possibilitando que o espanhol arrisque mais, sem medos.
Na hora de arrumar a casa, procurando ter um 11 inicial melhor e um banco com soluções de qualidade mais aproximada do onze, o clube pagou bem ao Newcastle por Bruno Guimarães, um dos melhores médios em Inglaterra, juntando-se assim o brasileiro a Declan Rice, Odegaard (o bom Mundial e a Community Shield deixaram água na boca para aquele que pode ser o regresso ao seu melhor nível) e Zubimendi. Konsa deve-se juntar a uma defesa com muita polivalência setorial, e o grego Christos Tzolis é um dos nossos reforços preferidos deste ano. Vimos muitos jogos do Club Brugge só para o ver, e preenche-nos ver que um clube como o Arsenal teve a coragem de apostar no extremo esquerdo grego, quando muitos emblemas ingleses podiam olhá-lo de lado pela sua passagem pouco expressiva pelo Norwich. Em teoria, Tzolis foi contratado para ser "o novo Trossard", mas neste momento boa sorte para o retirarem do melhor onze.
Tanto Odegaard como principalmente Saka podem ter um 2026/ 27 de excelência, Gyökeres (neste momento Havertz é o seu concorrente, sem esquecer a pontual adaptação de Merino) pode surgir noutro plano com menos pressão e com uma pré-época mais convencional, mas não podemos esquecer que 1) este Arsenal estava disposto a gastar um balúrdio por Vini Jr e 2) Julián Álvarez foi inúmeras vezes dado como alvo, duas ideias que alimentam a especulação que até 1 de Setembro o favorito número um ainda poderá acrescentar uma ou duas peças de luxo ao seu ataque. Pelo menos, há dinheiro para isso.
Treinador: Mikel Arteta
Onze-Base (4-3-3): Raya; Timber, Saliba (Mosquera), Gabriel, Calafiori; Bruno Guimarães (Zubimendi), Rice, Odegaard; Saka,
Gyökeres (Havertz), Tzolis
Atenção a: Declan Rice, Martin Odegaard, Bukayo Saka, Christos Tzolis, Viktor Gyokeres
LIVERPOOL (2)
Os campeões de 24/25 perderam Diogo Jota em Julho do ano passado, e jamais entenderemos as críticas insensíveis ao rendimento daquele balneário em 25/26, que mesmo com cada jogador a atravessar o luto à sua maneira e à sua velocidade, permitiu um meritório 5º lugar com qualificação para a Liga dos Campeões.
Quando virmos o Liverpool jogar esta temporada, sabemos que aos primeiros jogos será estranho não ver Mo Salah. O egípcio despediu-se após 9 épocas no clube, com 255 golos e 119 assistências, e o escocês Robertson, outro jogador marcante do período Klopp, também deixou o clube.
Não consideramos propriamente que o Liverpool vá ser capaz de proporcionar uma disputa a 2 pelo título com o Arsenal, mas os reds são a nossa aposta para, no final das contas, acabarem em 2º. Para esse raciocínio muito contribui a nossa fé em Andoni Iraola, o técnico que quase pôs o Bournemouth na Liga dos Campeões e que parece um seguidor legítimo do gegenpressing de Jürgen Klopp, impressionando sempre no Bournemouth a intensidade e disponibilidade física e mental dos cherries.
O técnico basco recebeu Jacquet, Víctor Muñoz e Ronald Araújo, e julga-se que ainda chegará um extremo como por exemplo Barcola, mas a principal diferença pode ser feita por jogadores que já estavam em Anfield mas ainda bem longe de demonstrar toda a sua qualidade, como Florian Wirtz e Alexander Isak.
Liderado por van Dijk, um dos melhores centrais da História da Premier, e com Szoboszlai como jogador que faz tudo bem, o Liverpool será tanto melhor quanto mais Wirtz e Isak perceberem que esta equipa agora é deles. Salah estará a ver e torcer para que emerjam os seus herdeiros.
Treinador: Andoni IraolaOnze-Base (4-2-3-1): Alisson; Frimpong, Jacquet, van Dijk, Kerkez; Gravenberch, Szoboszlai; Ngumoha (Mac Allister, V. Muñoz), Wirtz, Gakpo; Isak
Atenção a: Florian Wirtz, Dominik Szoboszlai, Alexander Isak, Virgil van Dijk, Milos Kerkez
CHELSEA (3)
Na última década, o Chelsea habituou-nos a uma irregularidade quase esquizofrénica. Os blues, super regulares entre 2003 e 2011, tornaram-se capazes de proezas como ser campeão (2015), depois ficar em 10º (2016) e logo depois ser campeão novamente (2017) e mesmo nos anos mais recentes esta equipa tanto é capaz de ficar em 3º e 4º como em 10º e 12º.
Maresca e Rosenior não corresponderam às expetativas da direção e a mira foi apontada a Xabi Alonso, o espanhol de 44 anos que parecia destinado ao seu Liverpool, mas que acabará por ser em Stamford Bridge que põe em prática o seu 3-4-2-1 de eleição, muito possivelmente mostrando aos críticos faciosos de Ruben Amorim que, sim, é possível uma equipa jogar com 3 centrais e ser dominante e com pendor ofensivo.
Sem Cucurella e com Enzo Fernández no limbo entre ficar ou seguir para o adversário direto Manchester City e Pedro Neto a ser namorado por clubes sauditas, o Chelsea já se fartou, como tanto gosta, de gastar dinheiro em novos jogadores: os veteranos Jordan Henderson (custo zero) e Welbeck (5 milhões) representaram uma abordagem fora do padrão recente, mas Barco e Emegha foram "promovidos" do satélite Estrasburgo, importando destacar sobretudo 3 nomes - Morgan Rogers tornou-se o inglês mais caro da História do futebol, Lacroix foi chamado para integrar a defesa com Fofana e Colwill, e o italiano Marco Palestra passou de revelação do ano na Serie A ao serviço do Cagliari para dono de uma das asas do Chelsea.
Embora este Chelsea seja imprevisível e continuemos a achar que a baliza pedia um reforço como Diogo Costa, o facto de não terem desgaste de competições europeias, ao contrário de todas as restantes equipas que apontamos ao Top-6, pode ser um dado determinante. Torcendo para que Reece James consiga uma época descansado sem leões, mal podemos esperar para ver como se entendem Cole Palmer, Morgan Rogers e João Pedro. Estes três devem causar estragos.
Treinador: Xabi Alonso
Onze-Base (3-4-2-1): Sánchez; Fofana, Lacroix, Colwill; Reece James (Pedro Neto, Gusto), Caicedo, Enzo, Palestra; Cole Palmer, Morgan Rogers; João Pedro
Atenção a: João Pedro, Cole Palmer, Morgan Rogers, Moisés Caicedo, Marco Palestra

MANCHESTER CITY (4)
A Era Pep Guardiola conheceu o seu fim. E a saída daquele que será possivelmente o melhor treinador de todos os tempos, e que conquistou 6 vezes a Premier League em 10 anos, terá sempre que ter impacto neste Manchester City. A inevitável metamorfose dos citizens já tinha dado os seus primeiros passos nos últimos anos (há um ano atrás estávamos a escrever sobre as saudades que KDB iria deixar), mas a saída simultânea de Guardiola, Rodri, Bernardo Silva e John Stones é a garantia que este será outro Man City.
A missão de substituir Pep seria, para qualquer treinador que fosse escolhido, uma montanha desafiante. O nosso feeling com Maresca, apesar dos seus trabalhos no Chelsea e no Leicester terem sido decentes, não é o melhor. O italiano tem "escola de City" e uma ideia de jogo que casa com os jogadores à sua disposição, mas até a ironia de fisicamente ser uma espécie de sósia do antecessor cai mal, correndo o risco de ser um substituto postiço. O City começou a época a perder a Community Shield para o Arsenal (0-3) e o resto da época mostrará se há, como pareceu, assinalável distância entre os dois conjuntos. Com Elliot Anderson (135 milhões) como único e extraordinário reforço, o City continua a contar com Gigi, com excelentes defesas como Rúben Dias, Gvardiol, Guéhi ou O'Reilly (continuará como lateral ou passará para médio?) e quem tem a magia de Cherki, os desequilíbrios de Doku e Semenyo e uma máquina de marcar golos chamada Erling Braut Haaland terá sempre argumentos para lutar pelo título.
Ainda assim, achamos que Liverpool e Chelsea podem ultrapassar este City na tabela por confiarmos no contágio positivo que Iraola e Xabi Alonso conseguirão, enquanto Maresca pode ter dificuldade em "descobrir" soluções como Guardiola conseguia quase sempre ao longo da temporada, e as saídas de Rodri e Bernardo Silva deixam a equipa profundamente carente de capacidade de controlar ritmos (Enzo Fernández e Bouaddi têm sido associados).
Com deslocações a Old Trafford, Anfield e ao Villa Park nas primeiras 8 jornadas, o City será testado desde o primeiro dia, e é expectável e natural que os adversários se sintam menos intimidados e mais atrevidos ao não verem Guardiola no banco de suplentes do vice-campeão inglês.
Só o tempo dirá como é que vai responder uma equipa que deve primeiro regredir e apresentar algum desnorte, e só depois encontrar-se e apresentar inevitáveis dores de crescimento. E veremos se é desta que se conhece o veredicto das 115 acusações de alegadas violações financeiras do clube.
Treinador: Enzo Maresca
Onze-Base (4-2-3-1): Donnarumma; Matheus Nunes (Khusanov), Rúben Dias, Guéhi, Gvardiol; E. Anderson, O'Reilly; Semenyo (Foden), Cherki, Doku; Haaland
Atenção a: Erling Braut Haaland, Rayan Cherki, Jérémy Doku, Elliot Anderson, Josko Gvardiol
MANCHESTER UNITED (5)
Muita coisa mudou em Old Trafford no espaço de um ano. Depois do 15º lugar em 24/25, Ruben Amorim ainda resistiu 20 jornadas em 25/26, mas a semântica de quem queria ser manager mas só tinha aval para ser formalmente considerado coach acabou por ditar o fim de uma parceria complexa. O técnico português deixou o United em sexto - uma 6ª posição a 4 pontos do 14º, convém contextualizar - e, após passagem de testemunho de Fletcher, Michael Carrick recuperou o 4-2-3-1 e conseguiu guiar os red devils ao pódio (terceiro lugar). Da vigência de Amorim, além das milhentas entrevistas, do carisma, das vitórias contra os grandes e das derrotas contra quase todos os outros, fica sobretudo um ponto: quem o United contratou (Lammens, Mbeumo e Matheus Cunha especialmente) acrescentou realmente qualidade.
O clube capitaneado por Bruno Fernandes, Jogador do Ano da última Premier League, batendo o recorde de assistências que até então pertencia a Thierry Henry e Kevin De Bruyne, voltará esta época à Champions e quererá repetir no mínimo o pódio. Achamos no entanto mais provável um 4º ou 5º lugar.
Com um mercado discreto até ao momento, os vermelhos de Manchester têm priorizado o reforço do meio-campo. Seguindo a lógica de Mbeumo e Matheus Cunha, jogadores já ambientados ao futebol inglês, o United foi buscar Tielemans (boa contratação) ao Aston Villa e Andrey Santos ao Chelsea, e é praticamente garantido que o negócio do camaronês Baleba (Brighton) vai finalmente chegar a bom porto.
Sob a batuta do maestro Bruno Fernandes, e com alguma incerteza em torno da posição 9 (Sesko tem tido poucos minutos, mas parece mais provável uma utilização de Mbeumo ou Matheus Cunha na frente do que uma ida ao mercado), o United quer provar que está definitivamente de volta aos primeiros lugares da Premier League.
Treinador: Michael Carrick
Onze-Base (4-2-3-1): Lammens; Yoro (Mazraoui), Maguire, L. Martínez (Heaven), Shaw; Tielemans, Andrey Santos; Mbeumo (Amad Diallo), Bruno Fernandes, Dorgu (Rashford); Matheus Cunha
Atenção a: Bruno Fernandes, Bryan Mbeumo, Youri Tielemans, Senne Lammens, Patrick Dorgu
ASTON VILLA (6)
O último dos principais candidatos a fazer Top-4 é o atual vencedor da Liga Europa. A 5ª época do basco Unai Emery (indiscutivelmente um dos melhores treinadores do mundo, embora raramente mencionado nessas conversas) em Birmingham teve como ponto de partida oficial uma supertaça europeia, perdida para o PSG, onde pode ter nascido uma estrela. Mas já lá iremos.
Presente na Liga dos Campeões e já com mais de 230 milhões feitos em vendas, faz-nos sentido que o Aston Villa ainda apresente mais 2 ou 3 reforços até 1 de Setembro, principalmente se se confirmarem as saídas de Ollie Watkins e Konsa. O que sabemos é que Morgan Rogers (137 milhões) mudou-se para o Chelsea, Tielemans para o Manchester United e Digne para o PSG, podendo ter sido um ligeiro erro "desistir" cedo de Dobbin, negociado com o Southampton.
O suíço Manzambi, uma das jovens estrelas do Mundial 2026, e João Gomes (Wolves) serão os herdeiros naturais dos papéis de Rogers e Tielemans, podendo Wan-Bissaka (emprestado) fazer melhor do que Cash, e devendo Ruggeri ganhar a lateral esquerda a Maatsen. O japonês Zion Suzuki preferiu juntar-se ao Villa do que ao PSG, o que permite interpretar que deve ser desta que Emi Martínez termina o seu trajeto neste clube. Nota ainda para Garnacho, mais uma tentativa de Emery de "curar" um jogador difícil, tal como já acontecera com Sancho, Zaniolo e Rashford.
A equipa continua a ter McGinn, Kamara ou Buendía, mas a iminente saída de Konsa para o Arsenal obrigará a contratar para o centro da defesa, e se Watkins rumar mesmo à Arábia Saudita, haverá também necessidade de encontrar um novo ponta de lança. Em todo o caso, sabemos desde 12 de Agosto que Brian Madjo, um gigante adolescente de 17 anos, pode muito bem ser a nova coqueluche e a solução no pós-Watkins. Além de Madjo, Emery parece ainda confiar noutros dois meninos da formação, Hemmings e Burrowes.
Com um grandíssimo treinador, forte na preparação do jogo e ainda mais forte na leitura progressiva do mesmo, e com "estofo" comprovado a gerir o equilíbrio entre fazer uma boa Premier e uma boa campanha europeia, este Aston Villa há-de estar uma vez mais nos lugares cimeiros. Mas veremos primeiro com que jogadores estará este plantel daqui a uma semana e meia.
Treinador: Unai Emery
Onze-Base (4-4-1-1): Suzuki; Cash, Lindelöf, Pau Torres, Ruggeri (Maatsen); McGinn, B. Kamara, João Gomes, Buendía (Garnacho); Manzambi; Watkins (Madjo)
Atenção a: Ollie Watkins, Johan Manzambi, Emi Buendía, Zion Suzuki, Brian Madjo
BRENTFORD (7)
Na Antevisão da Premier League 25/26, acertámos nos despromovidos Wolves e Burnley e até colocámos o West Ham no lote seguinte de equipas que corria risco de descer, mas nesse mesmo lote também colocámos o Brentford... que acabou em 9º. À data, preocupava-nos as saídas simultâneas de Thomas Frank, Mbeumo e Wissa, e Keith Andrews era uma incógnita.
Ora, um ano depois surge o nosso mea culpa, apontando desta vez os bees àquela que seria uma classificação histórica na Premier League.
Uma das equipas taticamente mais influentes em Inglaterra, com os lançamentos de Kayode como marca registada e uma fascinante capacidade de atrair a pressão e explorar as costas de forma vertiginosa e sem precisar de muitos elementos para semear pânico, o Brentford apresenta-se essencialmente igual, tendo até agora contratado um jogador bastante especial, e dois elementos úteis para o banco. Por princípio, conservar todo o aparelho positivo é regra geral uma boa novidade, e Kelleher, Kayode, Ajer e Collins continuam todos no Gtech, juntando-se ainda van den Berg e o reforço Schuster (20 anos) e gerando apenas dúvidas o lado esquerdo, que pode ser ocupado por Lewis-Potter ou Rico Henry, ou por um upgrade se ainda for possível.
O meio-campo tinha Janelt e Damsgaard, um par bastante subvalorizado, mas ganha agora um jogador que deve encher o campo todos os jogos, e que duvidamos que faça mais do que uma época neste Brentford: o maliano e esquerdino Mamadou Sangaré foi um dos melhores jogadores da Ligue 1, pelo Lens, e é muito provável que em 2027 estaremos a observar a ascensão meteórica deste centro-campista, de Viena em 2024 até a um tubarão europeu em breve.
Gostamos das opções de banco que Jaidon Anthony e Callum Wilson dão, e gostamos sobretudo de um trio de ataque que está perfeitamente oleado. Igor Thiago há-de querer marcar mais do que 22 golos nesta edição, ou pelo menos marcar mais do que 14 de bola corrida, uma vez que poderá ter menos grandes penalidades (8) para converter, e tanto Schade como Dango Ouattara são jogadores perigosíssimos.
Sem competições europeias, com Sangaré e com um tridente ofensivo de fazer inveja a muitas equipas, este Brentford promete.
Treinador: Keith Andrews
Onze-Base (4-3-3): Kelleher; Kayode, Ajer, Collins, Lewis-Potter (R. Henry); M. Sangaré, Janelt, Damsgaard; Dango Ouattara, Schade, Igor Thiago
Atenção a: Igor Thiago, Mamadou Sangaré, Kevin Schade, Dango Ouattara, Mikkel Damsgaard
TOTTENHAM (8)
17ª posição em 25/26 e 17ª posição em 24/25. Nos últimos dois anos, o Tottenham habituou-se à mediocridade, temendo a sério a tenebrosa descida na última época, e tendo garantido a permanência apenas na derradeira jornada. Os spurs falharam com Thomas Frank (pensámos que correria bem) e Igor Tudo (nunca duvidámos que correria mal) mas o italiano Roberto De Zerbi pegou na equipa do Norte de Londres na jornada 32, e as 3 vitórias e 2 empates nesse espaço de 7 jornadas foram suficientes para fazer melhor do que o West Ham, o histórico que acabou condenado.
Apostar que o Tottenham conseguirá escalar 9 posições na tabela não é crer que o clube vá ser uma das equipas sensação, é simplesmente achar que, com De Zerbi, os spurs conseguirão "zerar" comportamentos e devolver q.b. o clube a uma zona da tabela mais de acordo com a sua História. E, sejamos francos, um 8º lugar - que seria visto como um upgrade - até seria fraco para um clube que deveria ser consecutivamente Top-6 e almejar o Top-4.
Claro que quando se quer recuperar um histórico moribundo, ajuda bastante poder gastar quase 300 milhões. Este Tottenham não terá Vicario, Romero nem Djed Spence, e vendeu também de forma criminosa Vuskovic ao Brighton, cortando a ligação do promissor avançado Lankshear, com boas perspectivas de se afirmar no Middlesbrough. Em sentido inverso, e com a baliza aparentemente entregue a Kinsky, "sacou" Senesi e Andy Robertson a custo zero, van Hecke custou 60M, concentrando quase todo o seu investimento em dois médios que devem mudar completamente o futebol da equipa - por Sandro Tonali (Newcastle) pagaram 108 milhões e pelo português Mateus Fernandes (West Ham) 99 milhões.
Com 3 jogadores desequilibradores (Kulusevski, Xavi Simons e Kudus) lesionados, e James Maddison de regresso há pouco, o Tottenham está bem servido na defesa (Porro, van Hecke, van de Ven e Robertson podem formar uma ótima linha de 4, com Senesi a possibilitar rotação ou pontual defesa a 3) e no miolo, mas enfrenta de certa forma um dilema no ataque, tendo que avaliar se tenta "aguentar o barco" com jogadores como Tel, Richarlison, Solanke e Mikey Moore, esperando pelos seus criativos no estaleiro, ou se ataca ainda uns 2 super-reforços (fala-se em Savinho e Marmoush) nesta reta final do mercado, acabando depois com excesso de opções e um balneário votado ao descontentamento pela impossível distribuição de minutos.
Seja como for, esperamos que este Tottenham jogue bastante mais, e seria um choque voltar a encontrar os spurs em 17º quando fizermos o balanço da competição no final da época.
Treinador: Roberto De Zerbi
Onze-Base (4-3-3): Kinsky; Pedro Porro, Van Hecke, van de Ven, Robertson; Tonali, Mateus Fernandes, C. Gallagher (J. Maddison); Kudus (M. Moore), Tel, Richarlison
Atenção a: Sandro Tonali, Mateus Fernandes, Mathys Tel, Pedro Porro, James Maddison
LEEDS UNITED (9)
Com a informação que temos atualmente, é possível que as classificações que arriscamos para Brentford e Leeds United sejam os dois exageros desta Antevisão. Principalmente no caso dos whites, essa convicção está alicerçada no "clique" imediato que acreditamos que 3 reforços terão, subindo bastante o coletivo.
O Leeds venceu o Championship em 2025 e, na subida à Premier League, aguentou-se à tona, respirando no 14º lugar, distante do drama e preocupação da luta pela manutenção. Daniel Farke vai para a quarta temporada no clube, a pré-época deixou bons sinais e o nosso feeling é que veremos uma equipa mais forte, simultaneamente capaz de marcar mais golos e sofrer menos, e com argumentos para lutar pela primeira metade da tabela.
Todos os jogadores mais utilizados em 25/26 permanecem no plantel, exceto Struijk (Brighton) e Darlow (Manchester United), tendo o recrutamento do Leeds garantido que as posições de central e guarda-redes não serão um problema uma vez que os novos jogadores são claramente superiores. O guardião James Trafford custou quase 50 milhões mas vale o preço, podendo em Elland Road reencontrar o nível apresentado no Burnley, e o bósnio Muharemovic é um "monstro" defensivo, tendo o Leeds batido a elevada concorrência pelo central de 1,92m ex-Sassuolo. A juntar a estas novas peças do 3-4-3 de Farke temos outro central (Elvedi) e Harry Wilson, um dos melhores extremos direitos da última Premier League, ao serviço do Fulham de Marco Silva, e que assinou a custo zero por ser um jogador livre.
Apesar de considerarmos que existe margem para acrescentar qualidade (1 reforço para o trio de ataque e pelo menos um lateral/ala melhor do que Bogle, Justin e Gudmundsson), antecipamos que Calvert-Lewin vá realizar uma época ainda melhor do que a anterior, que Harry Wilson será amor à primeira vista para os adeptos, e confiamos que uma estrutura defensiva com Trafford, Rodon, Bijol e Muharemovic será garantia de tardes complicadas e incómodas para os atacantes adversários.
Treinador: Daniel Farke
Onze-Base (3-4-3): Trafford; Rodon, Bijol, Muharemovic; Bogle, Stach, Ampadu, J. Justin; Harry Wilson, Nmecha (Okafor), Calvert-Lewin
Atenção a: James Trafford, Dominic Calvert-Lewin, Harry Wilson, Tarik Muharemovic, Anton Stach
BRIGHTON (10)
Esta vai ser a 3ª temporada do treinador alemão Fabian Hürzeler no Brighton. Este dado torna-se mais interessante quando nos recordamos que Fabian Hürlezer tem apenas 33 anos.
Estabilizados no oitavo lugar nas últimas duas épocas, os seagulls são certamente candidatos a fazer Top-7, mas a imprevisibilidade e competitividade da Premier League leva-nos a achar que tanto podem repetir a sua classificação recente como fechar o Top-10 ou abrir a segunda metade da tabela. Enquanto Bournemouth, Sunderland e Crystal Palace estarão presentes na Liga Europa, com vários adversários do seu nível, o Brighton fará a sua caminhada europeia na Liga Conferência (assumindo que elimina os noruegueses do Tromso), competição cujo grau de exigência pode permitir uma maior rotação. Embora esta seja somente a 2ª participação do clube nas provas UEFA, estará latente um grau de favoritismo, estando o clube de East Sussex consciente que três das últimas quatro Conference foram ganhas pelo representante inglês: Crystal Palace (25/26), Chelsea (24/25) e West Ham (22/23).
Falar do Brighton é quase sempre falar de detecção precoce de talento e vendas milionárias após valorização. Neste Verão, o central neerlandês Jan Paul van Hecke (transferido para o Tottenham por 60 milhões) juntou-se a uma longa lista de nomes como João Pedro, Caicedo, Cucurella, Mac Allister ou Trossard, e a eternamente prometida mudança de Baleba para o Manchester United deve estar por dias.
Pela primeira vez em muitos anos sem Welbeck (no clube desde 2020) no ataque, tendo o veterano avançado de 35 anos rumado ao Chelsea, o Brighton continua a ter nas suas fileiras muitos jogadores que ainda não explodiram. São os casos de Rutter, De Cuyper ou Kostoulas. E mesmo elementos como Kadioglu, Ayari e Mitoma, já tendo atingido um bom nível, podem mesmo assim dar muito mais.
Na hora de ir ao mercado, a prioridade foi reforçar o centro da defesa. O austríaco Svoboda vem com bons indicadores da Serie B, Struijk tem experiência de Premier League e o croata Luka Vuskovic (19 anos) foi uma aquisição estratosférica, sendo porventura o defesa central mais letal nas bolas paradas ofensivas desde Sergio Ramos, e tendo mostrado no empréstimo ao Hamburgo indiscutível potencial para ser um dos melhores do mundo na posição. O Tottenham, clube anterior do rapaz, vai certamente arrepender-se.
2026/ 27 parece ser assim um novo capítulo de desenvolvimento de jovens promessas, mantendo no horizonte a ambição europeia.
Treinador: Fabian Hürzeler
Onze-Base (4-3-3): Verbruggen; Wieffer, Vuskovic, Dunk (Svoboda), Kadioglu; Gross, Ayari, Hinshelwood; D. Gómez, Mitoma (De Cuyper), Rutter
Atenção a: Luka Vuskovic, Pascal Gross, Yasin Ayari, Ferdi Kadioglu, Georginio Rutter
NEWCASTLE (11)
Quando dizemos que esta Premier League soa a início de novo ciclo, se excluirmos o exemplo óbvio do Manchester City devido ao fim de uma década com Guardiola como treinador, este Newcastle será o caso em que mais mudanças estão a acontecer ao mesmo tempo.
Em 25/26 o clube viu-se "forçado" a vender Alexander Isak, num mercado onde chegou a dar pena a quantidade de alvos (Ekitiké, Mbeumo, Sesko, João Pedro, Trafford, etc.) que os magpies não conseguiram convencer. Um ano mais tarde, e sem competições europeias como aperitivo para ninguém, o clube viu sair Anthony Gordon para o Barcelona, Tonali para o Tottenham e Bruno Guimarães para o Arsenal. Farto da incapacidade da direção em segurar os melhores jogadores e recrutar os craques identificados, Eddie Howe pôs fim a uma ligação de 5 épocas, surgindo assim o alemão de 38 anos, Matthias Jaissle (Al-Ahli), como seu sucessor.
Convenhamos: o Newcastle continua a ter excelentes laterais (Lewis Hall e Livramento) e bons centrais, um avançado como Wissa pode perfeitamente passar de Flop a um dos melhores marcadores desta edição, e a camisola 10 entregue a Osula reforça a esperança que existe no dinamarquês, mas é sempre complicado antecipar como se vai comportar uma equipa que perde no mesmo mercado de uma assentada Bruno Guimarães e Sandro Tonali, ou seja, o seu meio-campo. Com quase 300 milhões de euros em caixa, é natural e previsível que ainda vejamos 2 ou 3 reforços de nome juntarem-se ao Newcastle até ao mítico deadline day, mas face ao histórico recente também é ajustado imaginar que os Planos A e B para algumas posições vão dizer Não.
O rapidíssimo Bazoumana Traoré (ex-Hoffenheim) é o reforço mais caro até ao momento (50M), juntando-se a ele dois médios (Steur, o nosso reforço favorito do leque atual, e Aladji Bamba) e dois guarda-redes (Hornicek e Jaouen), representando assim a baliza um investimento superior a 50 milhões. De Portugal, além de levar Hornicek, o Newcastle levou também Dedic, e diz-se que a coisa até pode não ficar por aqui.
Basicamente, o 11º lugar acaba por ser o meio termo entre 1) a capacidade de lutar pela Europa, porque é indiscutível que Jaissle é bom treinador e o St. James' Park é um dos estádios com mais personalidade e desconfortáveis para os adversários na Premier League, e 2) o perigo de cair novamente naquela região entre o 12º e o 15º lugares, consequência da necessidade de mudar muita coisa num curto espaço de tempo.
Treinador: Matthias Jaissle
Onze-Base (4-3-3): Hornicek; Livramento (Dedic), Thiaw, Botman (Burn), Lewis Hall; Bamba, Joelinton, Steur (Miley); Elanga, H. Barnes (B. Touré), Wissa (Woltemade)
Atenção a: Yoane Wissa, Lewis Hall, Tino Livramento, Bazoumana Touré, Sean Steur
NOTTINGHAM FOREST (12)
Jamais apostaríamos que, depois do seu extraordinário trabalho no Crystal Palace, Oliver Glasner escolhesse o Nottingham Forest de Evangelos Marinakis como o seu passo seguinte. O austríaco queria um desafio, e no Forest tê-lo-á certamente.
O Forest ficou em 16º na última Premier League, mas foi semi-finalista da Liga Europa, isto numa temporada em que teve 4 treinadores (Nuno Espírito Santo, Ange Postecoglou, Sean Dyche e Vítor Pereira). No ano anterior, com NES, tinha ficado 7º a poucos pontos dos lugares de Liga dos Campeões. Quer isto dizer que Glasner escolheu um clube com capacidade para competir ao mais alto nível, mas onde a estabilidade só existe fugazmente no ponto mais alto da montanha russa de emoções.
Mesmo sem Elliot Anderson, vendido por 135 milhões de euros ao Manchester City, este Forest continua a ter jogadores para pensar no Top-10 e faz sentido especular que Glasner tentará repetir, pelo menos em disposição das peças e definição de perfis de jogadores, uma grande percentagem da sua fórmula no Crystal Palace.
Assim, num renovado 3-4-2-1, o ex-sportinguista Diomande deve formar o trio de centrais com Milenkovic e Murillo, e nos corredores Aina e Neco Williams terão uma importância reforçada, podendo-se imaginar que o lateral galês terá uma liberdade idêntica à que Muñoz tinha no Palace. Schlager, Sangaré, Nicolás Domínguez e Yates são opções para o centro do terreno, mas parece haver margem (financeira e estilística) para pagar bem pelo herdeiro de Anderson. Isto porque acreditamos que Morgan Gibbs-White, um daqueles jogadores que teria lugar em qualquer equipa da Premier League, será utilizado numa zona mais adiantada, secção onde Igor Jesus (muitas expectativas para o que pode crescer com Glasner) e Chris Wood podem ou não coexistir, isto sem esquecer a verticalidade que Ndoye, Hudson-Odoi ou Bakwa oferecem.
Com matéria-prima para o escultor Glasner apresentar nova obra, neste Forest a interrogação é sobretudo extra-campo: terá o austríaco a paciência necessária para lidar com o temperamental dono do clube?
Treinador: Oliver Glasner
Onze-Base (3-4-3): Sels; Diomande, Milenkovic, Murillo; Aina, Sangaré, Schlager (Dominguez), Neco Williams; Gibbs-White, Igor Jesus, Chris Wood
Atenção a: Morgan Gibbs-White, Igor Jesus, Chris Wood, Neco Williams, Murillo
BOURNEMOUTH (13) Possivelmente a mais questionável das nossas decisões nesta Antevisão é apontar à segunda metade da tabela um clube em trajetória ascendente - 15º em 22/23, 12º em 23/24, 9º em 24/25 e 6º em 25/26. Os cherries têm um projeto com pés e cabeça, sabem o que fazem, e venderam nos últimos anos Semenyo, Zabarnyi, Huijsen, Kerkez, Solanke, conseguindo mesmo assim melhorar progressivamente o rendimento da equipa. O que é que nos faz então antecipar uma abrupta queda de rendimento? A saída de Andoni Iraola para o Liverpool, a gestão que implicará a estreia nas competições europeias (Liga Europa) e a lesão da estrela Junior Kroupi, afastado dos relvados 3 a 4 meses depois de uma cirurgia ao pé.
Marco Rose tem um bom currículo (Salzburgo, Gladbach, Dortmund e Leipzig) e até acreditamos que seja o homem certo para o lugar, mas arriscamos que precisará de tempo e voto de confiança em determinados momentos, provando-se a escolha certa na 2ª volta e em definitivo na próxima temporada. Sem Senesi (saiu a custo zero para o Tottenham), o português António Silva será o novo companheiro de James Hill, um central que merecia melhor imprensa, e no meio-campo segurar Alex Scott foi uma manobra fundamental, impondo-se que seja ele a constante num setor que conta com Tóth, Ryan Christie e Tyler Adams.
A lesão do miúdo Eli Junior Kroupi pode ter adiado a sua eventual transferência para o próximo Verão, sendo para já urgente que Rayan se assuma como o porta-estandarte da equipa em desequilíbrios e golos, e Kluivert quererá regressar ao seu nível de 24/25. O uruguaio Álvaro Rodríguez chegou do Elche para "puxar" por Evanilson, e também de Espanha chegou Juanlu Sánchez, uma possível "pechincha" por 11 milhões para ocupar a lateral-direita.
Treinador: Marco Rose
Onze-Base (4-2-3-1): Petrovic; Juanlu (L. Cook), James Hill, António Silva, Truffert; Christie (Tóth), Alex Scott; Rayan, Kluivert, Tavernier (Kroupi); Evanilson (Rodríguez)
Atenção a: Rayan, Junior Kroupi, Alex Scott, Justin Kluivert, James Hill
SUNDERLAND (14)
Na última edição, o Sunderland foi uma das equipas sensação da prova, passando de 4º do Championship (subiu via Play-Off) para 7º da Premier League. Os black cats, além do gostinho especial de ficarem cinco posições acima do grande rival Newcastle, mostraram que com os reforços certos (claro que ajuda ter mais de 200 milhões para gastar) uma equipa promovida pode realmente lutar de igual para igual com os maiores clubes da atualidade inglesa. E também ficámos a saber quando o excelente Régis Le Bris foi apontado à saída, caso não conseguisse colocar o Sunderland na Europa, que a direção tem tiques de impaciência e este matrimónio futebolístico com o treinador francês pode desfazer-se caso haja oportunidade ou justificação.
Felizmente para o Sunderland, os principais destaques individuais da época passada, com o guardião Roefs como exceção, foram jogadores com 20 e muitos ou 30 e poucos anos, o que permitiu ao 7º classificado da Premier League manter o balneário intocado, precisando apenas de resistir ao assédio do Chelsea de Xabi Alonso ao suíço e capitão Granit Xhaka.
O Sunderland, que terá esta temporada José Fonte no corpo técnico como treinador adjunto, não teve saídas e praticamente não registou ainda entradas, importando mencionar apenas o ingresso do lateral belga Thomas Meunier a custo zero. A inércia no mercado de transferências pode ser consequência do significativo investimento de 25/26 e da análise interna de que jogadores como Brobbey, Diarra, Angulo ou Hume podem dar muito mais.
O mesmo raciocínio que nos leva a suspeitar de quebra de performance interna no Crystal Palace e no Bournemouth aplica-se aqui, com o foco dividido entre Premier League e Liga Europa a representar uma fatura.
Treinador: Régis Le Bris
Onze-Base (4-3-3): Roefs; Mukiele, Ballard, Alderete, Hume; Sadiki, Xhaka, H. Diarra; Le Fée, Angulo (Talbi), Brobbey
Atenção a: Enzo Le Fée, Granit Xhaka, Brian Brobbey, Robin Roefs, Nilson Angulo
EVERTON (15)
De 21/22 para cá, o Everton ficou em 16º, 17º, 15º e finalmente em 13º nas últimas duas temporadas. É justamente a essa zona da tabela (12º a 15º) que apontamos os toffees de David Moyes.
Ainda a ambientar-se ao Hill Dickinson, começando aos poucos a construir boas memórias na nova casa (3-0 contra o Chelsea, empate 3-3 com o Manchester City), este Everton é a típica equipa de Premier League - porventura a mais old school nos arquétipos dos seus jogadores - em que o todo vale claramente mais do que a soma das partes. Quem tem Pickford, Tarkowski ou James Garner (que campanha realizou em 25/26!), dificilmente vai ao fundo. Mas continuam a faltar jogadores capazes de fazer a equipa mais antiga de Liverpool regressar aos seus tempos áureos (2005-2019) onde acabava quase sempre na primeira metade da tabela, e muitas vezes no Top-6.
Sem perdas de revelo (o empréstimo de Jack Grealish não correspondeu ao que os primeiros sinais pareciam indicar), Moyes recebeu Brennan Johnson, Tyrique George (também conhecido como evil Saka) e Norgaard, mas o melhor reforço foi mesmo Hayden Hackney, um médio do Middlesbrough que já estava há vários anos "na calha" para dar o salto para a Premier League.
Ndiaye terá rejeitado uma lucrativa proposta da Arábia Saudita, e essa corajosa (?) decisão de continuar a privilegiar o futebol de alto nível pode originar um acréscimo no rendimento individual do craque senegalês, que pode dar muito mais, tal como Barry ou Dibling.
Sem competições europeias, e com Thierno Barry e Beto a continuarem como principais responsáveis por fazer golos, o Everton pode beneficiar comparativamente com Bournemouth, Sunderland e Crystal Palace dos dias de descanso e preparação criteriosa de cada fim de semana de jogo.
Treinador: David Moyes
Onze-Base (4-2-3-1): Pickford; O'Brien, Tarkowski, Branthwaite, Mykolenko; J. Garner, Hackney; B. Johnson (Dibling, Röhl), Dewsbury-Hall, Ndiaye; T. Barry
Atenção a: James Garner, Iliman Ndiaye, Kiernan Dewsburry-Hall, Thierno Barry, Hayden Hackney
FULHAM (16)
Ao contrário das cinco edições anteriores, desta vez não há Marco Silva. E é justamente a desconfiança que temos na transição do novo treinador do Benfica para Álvaro Arbeloa (sucessor de Xabi Alonso e antecessor de José Mourinho no Real Madrid) que nos faz crer que o Fulham pode cair na tabela, afastando-se das posições a que se habituou com MS (10º a 13º) em direção à zona de aflitos e, no limite, à despromoção.
Em Londres, já não há não só Marco como também Harry Wilson (Jogador do Ano dos cottagers em 25/26) e Raúl Jiménez (sempre fiável o veterano mexicano, em especial a partir da marca dos 11 metros), mas é um plus a continuidade de todos os elementos defensivos, pensando não só no quarteto defensivo como também em Leno e Sander Berge.
Num campeonato onde gastar 100 milhões numa janela de transferências de Verão é prática transversal a quase todos os clubes, o Fulham tem sido invulgarmente comedido. Marco Silva teve o mérito ao longo de 5 anos de contribuir para épocas confortáveis com menos reforços do que desejaria, mas com Arbeloa a direção deve passar dos 100M, uma vez que a semanas do mercado fechar já foram despendidos quase 90. Essencialmente, são dois os reforços com entrada de caras no 11: Gonzalo García não tinha espaço em Madrid e viajou na mala do seu anterior treinador, e Shea Charles (médio ex-Southampton e com "escola" de Manchester City) é uma excelente novidade desta equipa, podendo encher o campo e ligar setores, aliviando Iwobi.
Além da concorrência saudável entre Gonzalo e Rodrigo Muniz, isto se o ponta de lança brasileiro não sair, o principal ponto de interrogação em Craven Cottage, se deixarmos de parte o fator Arbeloa e a duvidosa paciência perante um mau arranque (não seria chocante se o Fulham fizesse 1 ou 3 pontos nas primeiras cinco jornadas, mas logo depois defronta consecutivamente as 3 equipas promovidas), é a consistência que elementos talentosos mas muito oscilantes como Oscar Bobb, Kevin e Smith Rowe conseguirão ou não apresentar.
Se calhar o tempo mostrará que fizemos mal em subvalorizar este Fulham, mas há efetivamente sinais para, no mínimo, desconfiar.
Treinador: Álvaro Arbeloa
Onze-Base (4-2-3-1): Leno; Tete, J. Andersen, C. Bassey, A. Robinson; Berge, S. Charles; O. Bobb, Iwobi, Kevin (Sessegnon); Gonzalo García (R. Muniz)
Atenção a: Gonzalo García, Alex Iwobi, Antonee Robinson, Shea Charles, Oscar Bobb
CRYSTAL PALACE (17)
Quando em finais de Fevereiro de 2024, o austríaco Oliver Glasner substituiu o septuagenário Roy Hodgson no comando técnico do Crystal Palace, vencendo 6 das últimas 7 jornadas dessa Premier League, o Selhurst Park sentia estar perante alguém especial, capaz de conduzir os eagles a tempos de glória. O Palace venceu a FA Cup em 24/25 e em 25/26 conquistou a Community Shield e a Liga Conferência, feitos impressionantes para um clube que só ganhara divisões secundárias e a extinta Members Cup.
Seguramente com nostalgia dos tempos de Olise, Eze e Guéhi no clube, os adeptos terão agora que encontrar paz com a partida de Glasner, tendo o treinador afirmado que precisava de um novo desafio para a sua carreira (Nottingham Forest).
Na hora de substituir Glasner, o clube virou-se para Pierre Sage, o Treinador do Ano na Ligue 1 com o sensacional Lens. Aos 47 anos, mas apenas com 3 temporadas como técnico principal no futebol sénior, o francês representa uma aposta com algum grau de risco, casando bem no entanto a ideia de jogo do seu Lens, igualmente em 3-4-2-1, com a matriz recente do Crystal Palace.
Já habituado a perder os seus melhores jogadores, o Palace vendeu Lacroix para o Chelsea (60 milhões) e o inesgotável Daniel Muñoz tem sido associado ao Everton, clube que enviou Dwight McNeil para receber Brennan Johnson.
Ismaïla Sarr e Adam Wharton continuam, bem como Mateta, e é certo que há jogadores como Pino, Strand Larsen, Doucouré (pode ser o "novo Sangaré" de Pierre Sage) e Matheus França que podem dar muito mais, mas a defesa precisa de reforços e o mercado tem sido esquisito - sobretudo se Muñoz continuar, não faz muito sentido ir buscar em simultâneo Khalaili e Mingueza, jogadores que se destacaram maioritariamente como laterais/alas direitos.
Globalmente, achamos que o Crystal Palace pode sofrer e suar bastante para garantir a manutenção. A presença na Liga Europa pode custar pontos e prejudicar a primeira volta e isso, numa equipa com saudades do que viveu com Glasner e a precisar de 2 ou 3 reforços para Sage, pode ser suficiente para estar sempre a correr atrás do prejuízo.
Treinador: Pierre Sage
Onze-Base (3-4-2-1): D. Henderson; Canvot, Richards, Riad; D. Muñoz (Khalaili), Wharton, Doucouré (Kamada), Mitchell; I. Sarr, Pino (McNeil); Mateta (Strand Larsen)
Atenção a: Ismaila Sarr, Adam Wharton, Anan Khalaili, Yéremi Pino, Jorgen Strand Larsen
COVENTRY CITY (18)
Das três equipas promovidas, o Coventry City é aquela que não estava nestas andanças há mais tempo. Foram 25 anos de espera, sendo preciso por isso recuar a 2000/ 2001 para encontrar a última presença dos sky blues na Premier League. Nessa época, o galês Craig Bellamy foi o melhor marcador da equipa. Nessa época, Craig Bellamy tinha 21 anos.
O tempo passou, o Coventry andou por três escalões diferentes (Championship, League One e League Two), esteve envolvido no Play-Off de acesso por duas vezes, perdendo inclusive nas grandes penalidades em Wembley em 22/23, na altura com Gyökeres e diante do Luton Town, e acabou a sorrir como campeão do Championship 25/26, com 95 pontos e sob a liderança de Frank Lampard.
Com um ataque com golos distribuídos (Haji Wright, Simms, Thomas-Asante, Torp e Mason-Clark fizeram todos 10 ou mais golos), foi no entanto na baliza que esteve o melhor jogador da última edição da segunda liga inglesa. Carl Rushworth foi absolutamente determinante, reforçando como Inglaterra está bem servida de guarda-redes (James Trafford foi ainda mais extraordinário, na temporada anterior do Championship, ao serviço do Burnley). E como seria expectável clube não hesitou em pagar 25 milhões ao Brighton para ficar com o guardião de 25 anos em definitivo.
Aos 48 anos, Frank Lampard regressa à Premier League com um projeto "seu", garantindo desta feita que ninguém questionará desta vez a sua adequação para o cargo. Este não é um tacho, e Lampard quererá provar que é atualmente bem mais treinador, ele que forma com Carrick e O'Neil o trio de treinadores ingleses nesta liga inglesa.
Dos jogadores que transitam da época passada, Matt Grimes (há muitos anos que merecia estar na Premier League!) é o cérebro, Rudoni o elemento mais especial, o lateral van Ewijk é forte a criar, o central Bobby Thomas é uma ameaça nas bolas paradas ofensivas, Victor Torp só sabe marcar grandes golos e, entre os atacantes, talvez o ganês Thomas-Asante seja o jogador que menos acuse o "salto" de divisão. Entre os reforços, há Amenda, Tchaouna, Awoniyi, Cherif e Gustavo Hamer (regressa depois de ter representado os sky blues entre 2020 e 2023), mas o maior destaque tem que ser Caleb Yirenkyi. O médio centro de 20 anos chegou a ser associado ao FC Porto mas optou pela Premier League, prometendo impressionar com o seu raio de ação, força física e resistência ao choque durante o transporte.
Os campeões do Championship quererão imitar o sucesso de Leeds United e Sunderland, e não os desaires recentes de equipas promovidas como o Burnley, o Leicester ou o Southampton.
Treinador: Frank Lampard
Onze-Base (4-3-3): Rushworth; van Ewijk, B. Thomas, Amenda, Dasilva; M. Grimes, Onyeka, Yirenkyi; Rudoni (Tchaouna), Thomas-Asante (G. Hamer), H. Wright (Awoniyi, Simms)
Atenção a: Carl Rushworth, Caleb Yirenkyi, Matt Grimes, Brandon Thomas-Asante, Bobby Thomas
IPSWICH TOWN (19)
Ao contrário do Coventry (25 anos de ausência) e do Hull (10 anos de intervalo), o Ipswich Town ainda está bem fresco na memória de todos os fãs da Premier League. Os tractor boys estiveram neste patamar em 24/25 (19º lugar) e a descida aos infernos do sempre competitivo Championship só durou uma temporada, conseguindo na última jornada garantir o 2º lugar e a subida direta, a 11 pontos do campeão Coventry City. Na altura sob o comando de Kieran McKenna, o Ipswich acabou por corresponder às expectativas: a estratégia de mercado na anterior subida à Premier fora recrutar os melhores jogadores de clubes que não tinham garantido a promoção no Championship, o que ajudou a posicionar o Ipswich como clube iôiô - demasiado forte para o Championship, mas vulnerável e aquém quando comparado com a esmagadora maioria dos adversários na Premier.
Gary O'Neil (ex-Estrasburgo e Wolves) terá a missão de amadurecer e dotar de consistência um conjunto de jogadores que evoluíram muito com McKenna, sobrevivendo dos longínquos tempos da League One apenas Leif Davis e George Hirst. Estruturalmente, identificamos algumas semelhanças (defesa competente com maior capacidade de criar a partir do corredor esquerdo, meio-campo forte na recuperação e ataque com muita juventude e irreverência, embora sem goleador declarado) entre o Ipswich e o Fulham, o que nos leva a colocá-los seguidos na tabela, embora ambos nos pareçam poder oscilar entre 16º e 19º.
O gigante neerlandês Scherpen (2,06m), ex-Union St. Gilloise, tentará resolver um dos problemas do Ipswich na última vez que esteve na Premier League, e no coração da defesa Issa Diop pode formar uma interessante parceria com Jacob Greaves. Florentino e Lukic oferecem concorrência a Matusiwa e ao "traidor" Marcelino Núñez (persona non grata em Norwich depois de ter trocado os canários pelo grande rival) e na frente, embora Philogene ainda possa sair, já havia Jack Clarke e o miúdo maravilha norueguês Sindre Walle Egeli, aos quais se acrescentam agora dois jogadores com passagem pelo futebol português, Fatawu (fortíssimo nas diagonais a partir da direita) e Maeda (ganhou estatuto de herói em Glasgow), e ainda um craque em potência como Julio Enciso. O paraguaio tem tudo para ser a figura da equipa, tendo já representado o Ipswich na segunda metade de 24/25 e trabalhado com O'Neil na última época na Ligue 1. Quanto a golos, o clube apostou forte em Emersonn, brasileiro ex-Toulouse pelo qual pagou 28 milhões de euros. O dianteiro de 1,93m só marcou 7 golos na liga francesa, mas tem um perfil ajustado para singrar em Inglaterra e combinar bem nos apoios aos extremos que terá perto de si.
Mais apetrechado do que em 24/25, o Ipswich é forte candidato a descer, mas torceremos para que sobreviva. Achamos que praticará um futebol chamativo, mas a valia de O'Neil e o "estofo" mental que pode faltar para reagir perante séries de resultados negativos deixam-nos com reservas, apontando a este quiçá mais prudente 19º lugar.
Treinador: Gary O'Neil
Onze-Base (4-2-3-1): Scherpen; O'Shea, I. Diop, J. Greaves, Leif Davis; Florentino, M. Núñez (Lukic); Fatawu (Egeli), Enciso, Jack Clarke (Philogene); Emersonn
Atenção a: Julio Enciso, Emersonn, Jack Clarke, Abdul Fatawu, Leif Davis
HULL CITY (20)
O Hull City foi a última equipa a assegurar a sua presença nesta Premier League, batendo em Wembley o Middlesbrough por 1-0, isto depois de ter chegado ao Play-Off como 6º classificado do Championship. Não surpreenderá, por isso, que apontemos os tigers à descida. Cada vez mais, para um clube recém-promovido sobreviver, é recomendável manter um core coeso e reforçar-se de modo a queimar a distância qualitativa para os 17 residentes da Premier League. Quase sempre, quando um plantel de equipa promovida continua a parecer um plantel de Championship, o destino mais provável é mesmo a o regresso ao Championship.
Em Kingston upon Hill, os adeptos locais são devotos ao bósnio Sergej Jakirovic, o treinador que operou o milagre de transformar o 21º classificado de 24/25 numa das três equipas promovidas na temporada seguinte. Oli McBurnie foi o jogador do ano no emblema que ainda há uns anos tinha nas suas fileiras Robertson, Maguire ou Bowen, e coube precisamente ao ponta de lança escocês decidir aos 90+5 um embate em Wembley diante de 84.500 espectadores. O Middlesbrough era favorito, tal como fora também o Millwall, tendo o Southampton perdido a sua chance devido a um caso de espionagem.
No regresso à Premier League (não estavam aqui desde 16/17 e chegaram a estar na League One em 20/21), o Hull tem paulatinamente melhorado o seu plantel mas, ainda assim, garantir a manutenção com este elenco seria um dos maiores feitos dos últimos anos. O grego Tzolakis, titular do Olympiacos, foi o 4º guarda-redes mais caro deste mercado (atrás de Rushworth, Hornicek e Trafford, todos contratados por clubes ingleses) e tanto ele como Nobel Mendy (central canhoto ex-Rayo Vallecano) prometem melhorar o comportamento defensivo dos tigers. A nova equipa do ex-leão Morita deverá continuar a ter em Regan Slater um dos seus imprescindíveis, mas depender dos desequilíbrios de Gelhardt, Belloumi (ex-Farense), Millar e de Elliot Stroud, um dos heróis do Mjällby, parece insuficiente. O médio norueguês Jens Hjerto-Dahl - Benfica e Sporting ficaram completamente a dormir ao não ir a jogo por um jogador assim - é o reforço que mais nos entusiasma, e o mais certo é McBurnie continuar a ser o homem-golo, tudo isto numa caminhada longa, ponto a ponto, e em que os tigers procurarão uma vez mais contrariar as probabilidades.
Treinador: Sergej Jakirovic
Onze-Base (4-3-3): Tzolakis; Coyle, Egan, N. Mendy, Targett (R. Giles); Slater, Hjerto-Dahl, Morita (Crooks); Belloumi (Gelhardt), Stroud, McBurnie
Atenção a: Oli McBurnie, Jens Hjerto-Dahl, Konstantinos Tzolakis, Nobel Mendy, Joe Gelhardt