Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

9 de junho de 2026

Mundial 2026: Previsão Grupo I

Depois deste, só há mais três. A análise aos 12 grupos que formam o maior campeonato do mundo de sempre continua: 48 equipas e 1.248 jogadores lutarão nos EUA (78 jogos), no México (13) e no Canadá (13) para erguer no dia 19 de Julho o troféu mais cotado da modalidade. À boa maneira americana, com uma atração incontrolável pelas grandezas, o Mundial 2026 terá 104 jogos, o que representa um aumento de 40 partidas em relação às 64 de formatos anteriores.
    Com jogos desde as 17 ou 18 horas (hora portuguesa) até, em alguns casos, às nossas cinco da manhã, preparem-se os bravos dispostos a ver toda a competição, porque além da sujeição ao fuso horário, podemos esperar jogos interrompidos ou adiados umas horas (o Mundial de Clubes de 2025 serviu de tubo de ensaio), o que poderá impedir o adepto que estiver a ver um Áustria-Jordânia iniciado às 5h, de se deitar às 7h da manhã como pretendido. Em campo, as temperaturas podem fazer suar (para lá do expectável) os corpos menos acostumados, e a alta carga de jogos acumulados por muitos jogadores pode traduzir-se, em muitos casos, num ritmo mais baixo e numa tentativa de através do controlo "abafar" correrias e jogos partidos. Basicamente, se és jogador, boa notícia se o jogo é em Los Angeles ou Vancouver, má notícia se vais jogar em Miami, Dallas ou Monterrey.
    Nestes 12 artigos, propomos um olhar global sobre cada grupo. Vamos puxar a cassete atrás e recordar o caminho da qualificação de cada uma das equipas, identificar forças e fraquezas de cada seleção, projetar os onzes iniciais - e que variantes ou nuances podem surgir ao longo do próximo mês, sendo quase certo que as equipas que vão chegar mais longe serão as que vão "aprender" mais sobre si próprias, sobre as outras, e ajustar na medida certa. Iremos tentar lançar até que fase pode chegar cada uma das seleções (um exercício ultra falível quando há o fator adicional de encontrar os 8 melhores terceiros) e que jogadores vão brilhar. Este é um Mundial para o qual não se qualificaram estrelas como Kvaratskhelia, Lewandowski, Szoboszlai e os italianos Donnarumma, Dimarco e Tonali; falham a prova por lesão nomes como Fermín López, Karl, Rodrygo, Estêvão, Xavi Simons, Panichelli, Kudus ou Ekitiké e por opção dos respetivos selecionadores Camavinga, João Pedro, muitos ingleses (Trent, Foden, Gibbs-White ou Cole Palmer), Mateus Fernandes e Mika Godts.

    Há quem considere o Grupo I o "grupo da morte". E talvez seja, embora o E e o F também tenham a sua graça. Mbappé contra Haaland será um duelo de titãs, eles que sejam dois dos jogadores melhor posicionados para competirem pelo troféu de melhor marcador deste Mundial 2026.
    Ora, para surpresa de ninguém, a França é uma das favoritas a vencer o Mundial. No último trabalho de Deschamps, que será substituído por Zidane, a França quer fazer o que fez em 2018 e não aquilo que fez em 2022 (perder no fim, diante de Messi, numa final que o futebol jamais esquecerá). O 1º lugar do grupo não é garantido porque existe uma Noruega, que já não andava nisto dos mundiais há 28 anos. Haaland, Odegaard, Aursnes, Schjelderup e companhia entram em prova como um potencial outsider. Deixaram para trás a Itália na fase de qualificação, uma etapa onde Erling Braut Haaland marcou 16 golos em 8 jogos. Sim, os números estão certos.
    Ligeiramente atrás parte o Senegal, no mínimo um dos mais prováveis melhores terceiros, e uma seleção que quer fazer boa figura depois de todo o filme da final da CAN, que acabou com os senegaleses a perderem o ouro na secretaria. Para o Iraque, 1 pontinho seria um feito.

    Vemos assim este Grupo I:

1. FRANÇA 
(Previsão: Campeã)

  • Guarda-Redes: Mike Maignan (AC Milan), Brice Samba (Rennes), Robin Risser (Lens)
  • Defesas: Jules Koundé (Barcelona), Malo Gusto (Chelsea), William Saliba (Arsenal), Maxence Lacroix (Crystal Palace), Dayot Upamecano (Bayern Munique), Ibrahima Konaté (Liverpool), Lucas Hernández (PSG), Theo Hernández (Al Hilal), Lucas Digne (Aston Villa)
  • Médios: Aurélien Tchouaméni (Real Madrid), N'Golo Kanté (Fenerbahçe), Adrien Rabiot (AC Milan), Warren Zaïre-Emery (PSG), Manu Koné (Roma), Rayan Cherki (Manchester City)
  • Extremos/ Avançados: Michael Olise (Bayern Munique), Maghnes Akliouche (Mónaco), Desire Doué (PSG), Bradley Barcola (PSG), Ousmane Dembélé (PSG), Kylian Mbappé (Real Madrid), Marcus Thuram (Inter), Jean-Philippe Mateta (Crystal Palace)
Selecionador: Didier Deschamps;
Baixa: Hugo Ekitiké; Ausências: Eduardo Camavinga, Florian Thauvin

Forças: Nenhuma outra seleção reúne o potencial ofensivo desta França, que pode combinar 4 craques no ataque como Mbappé, Olise, Dembélé e Doué, sem esquecer Cherki; Há qualidade suficiente na baliza e na defesa, e o meio-campo apesar de ser inferior ao de Portugal, Espanha e Inglaterra, pode "cumprir" e tornar-se funcional ao soltar o caos na frente; Mbappé, Dembélé e Olise terão metas pessoais bem definidas e sabem que só juntos as podem atingir.
Fraquezas: Didier Deschamps conduziu a França a duas finais de Mundiais consecutivas, mas fica sempre a sensação que é ele quem "trava" ou condiciona o potencial brutal desta França ser talvez mais vulnerável mas muito mais demolidora ao mesmo tempo; Definir a melhor dupla de médios centro é primordial; Saliba (melhor central) estará apto para competir, mas a sua condição física inspira cuidados, e enfrentar Konaté não impõe o mesmo respeito que enfrentar Saliba.

Equipa-Base (4-2-3-1): Maignan; Koundé, Upamecano, Saliba, Theo; Tchouaméni, Rabiot (Zaïre-Emery); Olise, O. Dembélé, Doué (Cherki, Thuram); Mbappé

Antes de passar o testemunho a Zinedine Zidane, Deschamps quer ser campeão do mundo pela 2ª vez. Mas terá coragem para o ser da forma que teria o respeito do mundo do futebol, ou preferirá manter a sua abordagem cautelosa e castradora de talento?
    Maignan é o guarda-redes. Koundé e Upamecano são ao dia de hoje os nomes certos na defesa gaulesa. Se Saliba tiver uma recaída da sua lesão (costas), Konaté entrará no 11, reencontrando-se com Upa, com quem fez dupla na Alemanha, e embora achemos que o "árabe" Theo Hernández continua a ser o melhor lateral esquerdo, não se deve excluir uma eventual titularidade de Lucas Digne.
    Com nomes sonantes na frente, pede-se aos 2 médios desta França enorme disponibilidade física e leitura de jogo, antecipando muita coisa. Tchouaméni e Rabiot parecem ser o Plano A, mas há também Zaïre-Emery e N'Golo Kanté.
    Na frente, a melhor França terá sempre Olise à direita, possibilitando depois boa dinâmica e fluidez posicional entre Doué (mais à esquerda), Dembélé (com renovado estatuto, "ganhou" o direito de pedir à estrela da companhia que contribua sem bola) e Mbappé. Thuram oferece uma alternativa mais fixa.

Destaques Individuais (Previsão):


    Assistiremos a uma colossal castração de talento ou vamos ver mesmo toda a carne no assador? Talvez não seja o mais provável, mas achamos que Deschamps, desta vez, vai ser corajoso.
    Quando a 18 de Dezembro de 2022 Kylian Mbappé fez um hat-trick na final contra a Argentina, o mundo estava rendido. O craque francês chegava, aos 24 anos, aos 12 golos em mundiais. Quatro anos mais tarde, a narrativa sobre Mbappé não é a que se esperaria: o astro francês deixou Paris e o PSG tornou-se a melhor equipa do mundo, e realizou o sonho de representar o Real Madrid, sem que a sua conversão em galáctico se traduzisse em conquistas. Neste Mundial, há alta probabilidade de Mbappé ser um dos melhores marcadores e de se tornar o melhor marcador de sempre em fases finais (com 5 golos ultrapassa Klose, embora Messi possa alcançar esse registo primeiro).
    Posto isto, Mbappé até pode vir a ser o melhor marcador desta França, mas é Michael Olise a nossa aposta para MVP do Mundial. O extremo direito do Bayern Munique brilhou na Bundesliga (15 golos e 19 assistências), brilhou na Liga dos Campeões (5 golos e 6 assistências) e está bem posicionado para brilhar neste Mundial. Seja à direita, onde gostamos mais de o ver, seja ao centro.
    Depois, é preciso ter em conta que Ousmane Dembélé ainda é o atual Bola de Ouro (como a vida dele mudou desde que foi substituído antes do intervalo na final do Qatar), Desire Doué ainda só tem 21 anos mas já ganhou aquele estatuto de big game player, e geralmente esse perfil de jogadores realizam bons torneios de seleções. E na defesa, apesar de talvez não estar a 100%, William Saliba é o grande central desta França.
    O destaque final que prevemos é a pensar nas segundas partes. Embora Olise seja um criador de oportunidades por natureza, uma equipa com Mbappé e Dembélé grita por um mágico que faça aquele passe que ninguém está a ver ou à espera: e Rayan Cherki, com o seu futebol de rua, é esse jogador.


2. NORUEGA 
(Previsão: Eliminada nos oitavos por Marrocos)

  • Guarda-Redes: Orjan Nyland (Sevilha), Egil Selvik (Watford), Sander Tangvik (Hamburgo)
  • Defesas: Julian Ryerson (Borussia Dortmund), Marcus Pedersen (Torino), Torbjorn Heggem (Bologna), Kristoffer Ajer (Brentford), Henrik Falchener (Viking), Leo Ostigard (Génova), Sondre Langas (Derby County), David Moller Wolfe (Wolves), Fredrik Bjorkan (Bodo/Glimt)
  • Médios: Sander Berge (Fulham), Morten Thorsby (Cremonese), Patrick Berg (Bodo/Glimt), Fredrik Aursnes (Benfica), Kristian Thorstvedt (Sassuolo), Thelo Aasgaard (Rangers), Martin Odegaard (Arsenal)
  • Extremos/ Avançados: Andreas Schjelderup (Benfica), Oscar Bobb (Fulham), Jens Petter Hauge (Bodo/Glimt), Antonio Nusa (RB Leipzig), Alexander Sorloth (Atlético Madrid), Jörgen Strand Larsen (Crystal Palace), Erling Braut Haaland (Manchester City)
Selecionador: Stale Solbakken

Forças: Erling Haaland tem 55 golos marcados em 50 jogos pela seleção, assumindo uma forma ainda mais implacável do que no Manchester City; Equipa muito homogénea, que vai ser a 2ª seleção de muita gente e sentir esse apoio; Entre os outsiders, talvez seja uma das duas equipas com melhor leque de soluções no banco, podendo assim lidar com uma estadia prolongada na competição e mudar o rumo de alguns jogos com substituições.
Fraquezas: Quer passe em 2º quer passe em 1º, a Noruega nunca deverá ter um caminho fácil, sucedendo-se os jogos grandes logo a partir dos 16-avos; Odegaard não está num bom momento; Guarda-redes e centrais titulares destoam ligeiramente da qualidade do resto da equipa.

Equipa-Base (4-3-3): Nyland; Ryerson, Ajer, Heggem, Moller Wolfe; Berge, Odegaard, Aursnes; Sorloth (Bobb), Haaland, Nusa (Schjelderup)

    Os vikings estão de regresso aos mundiais! A Noruega chega aos EUA com a moral em alta, esfomeada por aproveitar cada minuto e, embora falte experiência a estes jogadores nestas grandes competições de seleções, a mentalidade deste grupo leva-nos a crer que estão mais do que preparados.
    O 4-3-3 de Solbakken, muitas vezes capaz de se tornar um 4-4-2 com Sorloth próximo de Haaland, terá Ryerson (fortíssimo nas assistências) e Moller Wolfe muito ativos, e no meio-campo o benfiquista Aursnes voltou à seleção para formar um tridente muito equilibrado com Berge e Odegaard.
    Erling Haaland dispensa apresentações, dando a sensação que é a posição de extremo esquerdo que está mais em aberto: Nusa pode começar como titular, mas Schjelderup é menino para lhe roubar o lugar, sem esquecer Hauge e Oscar Bobb (este último melhor à direita).

Destaques Individuais (Previsão):


    Ele é uma máquina de marcar golos pelo Manchester City, mas a versão 2.0 do robô Erling Braut Haaland quando joga pelo seu país é ainda mais temível. Com colegas que alimentam na perfeição o seu estilo de jogo, sem ter que se adaptar à forma de jogar de Guardiola, o rendimento de Haaland está à vista: tem mais golos do que jogos pela Noruega, e na qualificação teve uma média de 2 golos marcados por jogo. É um dos mais 3 mais fortes candidatos a melhor marcador do torneio, e o massacre pode começar logo com o Iraque.
    Numa Noruega com legítima candidatura a equipa sensação, Andreas Schjelderup procurará transferir para a seleção o seu incrível momento de forma deste ano civil, e promete ser renhida a sua disputa com Nusa pela titularidade. Se Haaland vai ter muitos golos, Julian Ryerson poderá ter muitas assistências. O lateral do Dortmund é um dos motores da equipa, sempre bem aberto e solicitado no corredor direito, embora Moller Wolfe também possa sair bem valorizado deste Mundial.
    É bastante provável que o mundo do futebol fique a perceber quão especial é Fredrik Aursnes. O médio do Benfica é um daqueles jogadores que passa despercebido a quem só vê futebol através de compilações de Youtube e resumos de jogos, mas quando se dedica a tempo a ver um jogo de Aursnes, vê-se tudo. Num meio-campo que terá não só Aursnes como o pêndulo Sander Berge, Martin Odegaard será "obrigado" a recuar até ao seu nível exibicional de 22/23 e 23/24.


3. SENEGAL 
(Previsão: Eliminado nos oitavos pelos EUA)

  • Guarda-Redes: Édouard Mendy (Al Ahli), Yehvann Diouf (Nice), Mory Diaw (Le Havre)
  • Defesas: Krépin Diatta (Mónaco), Antoine Mendy (Nice), Kalidou Koulibaly (Al Hilal), Abdoulaye Seck (Maccabi Haifa), Mamadou Sarr (Chelsea), Moussa Niakhaté (Lyon), Ismail Jakobs (Galatasaray), Malick Diouf (West Ham)
  • Médios: Pape Gueye (Villarreal), Idrissa Gana Gueye (Everton), Pathé Ciss (Rayo Vallecano), Bara Ndiaye (Bayern Munique), Habib Diarra (Sunderland), Pape Matar Sarr (Tottenham), Lamine Camara (Mónaco)
  • Extremos/ Avançados: Assane Diao (Como), Ibrahim Mbaye (PSG), Iliman Ndiaye (Everton), Ismaila Sarr (Crystal Palace), Sadio Mané (Al Nassr), Bamba Dieng (Lorient), Cherif Ndiaye (Samsunspor), Nicolas Jackson (Bayern Munique)
Selecionador: Pape Thiaw

Forças: Orgulho ferido após ter perdido a CAN pós-jogo; Vontade de repetir 2002 e surpreender a favorita França na jornada inaugural; Muita velocidade no ataque, dando-se ao luxo de poder ter Iliman Ndiaye no banco.
Fraquezas: Defrontar o Iraque somente na jornada final pode fazer a seleção africana chegar à última jornada com 0 pontos, embora este Grupo I seja um dos mais prováveis de conter um dos 8 melhores terceiros; Koulibaly, o patrão da defesa, só voltou a treinar recentemente. 

Equipa-Base (4-3-3): Mendy; Diatta, Koulibaly, Niakhaté, Diouf (Jakobs); Camara, Pape Gueye, Pape Sarr; I. Sarr, N. Jackson, Mané

    Equipa fortíssima em transição, este Senegal vai querer dividir o jogo contra França e contra Noruega, e a boia de salvação chamada Iraque pode permitir menor ansiedade e uma postura mais estratégica de Pape Thiaw.
    Com Mendy na baliza, os laterais têm um mindset bastante ofensivo, e os centrais são imponentes, gerando certamente um ótimo duelo com Haaland na jornada 2.
    Um trio de médios formado por Lamine Camara, Pape Gueye (um dos melhores jogadores da última CAN) e Pape Sarr tem a energia para pressionar a sério a França (que só deve jogar com 2 médios) e para "chocar" bem com a Noruega.
    No ataque, Mané é a vedeta, Nicolas Jackson um jogador tanto capaz do melhor como do pior, e Ismaïla Sarr talvez seja o atacante que chega num momento mais confiável e confiante.

Destaques Individuais (Previsão):


    Melhor marcador na Liga Conferência, Ismaïla Sarr realizou a melhor época da carreira e, com 28 anos, é o jogador que pode fazer mais a diferença neste Senegal.
    Num meio-campo onde também poderão estar Pape Matar Sarr ou Idrissa Gana Gueye, é justamente o homónimo de ambos, Pape Gueye, que tem o perfil certo para se agigantar numa fase final. É um daqueles médios que ninguém gosta de defrontar: dificílimo tirar-lhe a bola quando segue em condução, e igualmente difícil passar por ele. Thiaw tem várias soluções para a zona nevrálgica do jogo, e não devemos esquecer Habib Diarra, mas Lamine Camara talvez se perfile como um médio com maior abrangência. Enche o campo com pulmão inesgotável, e ocasionalmente faz o seu golinho também.
    Do banco, Thiaw pode "sacar" Mbaye ou Diao, mas a possibilidade de poder introduzir o mágico Iliman Ndiaye contra jogadores com as pernas e o cérebro cansado pode ser uma cartada de mestre.


4. IRAQUE 

  • Guarda-Redes: Fahad Talib (Al Talaba), Ahmed Basil (Al Shorta), Jalal Hassan (Al Zawara'a)
  • Defesas: Mustafa Saadoon (Al Shorta), Hussein Ali (Pogon Szczecin), Manaf Younis (Al Shorta), Rebin Sulaka (Port FC), Zaid Tahseen (Al Quwa), Akam Hashim (Al Zawra'a), Frans Putros (Persib Bandung), Ahmed Hassan Maknzi (Al Karma), Merchas Doski (Viktoria Plzen)
  • Médios: Aimar Sher (Sarpsborg), Zaid Ismail (Al Talaba), Amir Al-Ammari (KS Cracóvia), Zidane Iqbal (Utrecht), Kevin Yakob (Aarhus), Marko Farji (Venezia)
  • Extremos/ Avançados: Ahmed Qasem (Nashville), Ibrahim Bayesh (Al Dhafra), Youssef Amyn (AEK Larnaca), Ali Jasim (Al Najma), Mohanad Ali (Al Fujairah), Ayman Hussein (Al Karma), Ali Al-Hamadi (Luton Town), Ali Yousif (Al Talaba)
Selecionador: Graham Arnold
Baixa: Ahmed Yahya

Forças: A equipa 57 do ranking FIFA não tem nada a perder contra as equipas 1, 14 e 31; Depois de uma longa caminhada de 21 jogos (3 rondas da qualificação asiática, mais o Play-Off intercontinental contra a Bolívia), o Iraque tem todo o direito de desfrutar da rara sensação de estar num Mundial.
Fraquezas: O embate com a Noruega na 1ª jornada pode ser um duro choque de realidade; Azar com o sorteio nesta espécie de "grupo da morte" deixa antever 0 pontos.

Equipa-Base (4-4-2): Hassan; Ali, Tahseen, Hashim, Doski; Sher, Al-Ammari, Amyn, Farji (Jasim); Al-Hamadi, Hussein

    Com um australiano ao leme, o Iraque foi resistindo sempre no limite, fase após fase, até carimbar o passaporte em definitivo numa vitória por 2-1 contra a Bolívia, com os avançados Al-Hamadi e Ayman Hussein a virarem autênticos heróis nacionais, devolvendo o seu país aos mundiais 40 anos mais tarde.
    Se bem nos recordamos do trabalho de Arnold enquanto selecionador australiano, a sua Austrália era um bloco bastante disciplinado, com setores muito juntos e pouca margem para, entre linhas, surgirem os desequilíbrios adversários. No seu 4-4-2, o Iraque tentará resistir contra 3 equipas potentes, mas não será fácil Farji ou Al-Ammari fazerem a bola chegar aos avançados.

Destaques Individuais (Previsão):


    A História já está feita, e tudo o que vier por acréscimo entrará no campo da mitologia. Entre os 26 jogadores do Iraque, Ali Al-Hamadi é um dos mais cotados, atuando há vários anos nos escalões secundários ingleses. Se o Iraque marcar, há alta probabilidade de ser através dele.
    Sem esquecer Iqbal, formado no United e atualmente jogador do Twente, estaremos atentos às prestações do médio Amir Al-Ammari, que será forçado a tremenda disciplina tática e a desdobrar-se em esforços; e Marko Farji, hoje a jogar em Veneza, é um jogador que nos chamou a atenção quando o conhecemos na Eliteserien, a liga norueguesa.

Mundial 2026: Previsão Grupo H

Aproximamo-nos do fim da nossa análise aos 12 grupos que formam o maior campeonato do mundo de sempre continua. 48 equipas e 1.248 jogadores lutarão nos EUA (78 jogos), no México (13) e no Canadá (13) para erguer no dia 19 de Julho o troféu mais cotado da modalidade. À boa maneira americana, com uma atração incontrolável pelas grandezas, o Mundial 2026 terá 104 jogos, o que representa um aumento de 40 partidas em relação às 64 de formatos anteriores.
    Com jogos desde as 17 ou 18 horas (hora portuguesa) até, em alguns casos, às nossas cinco da manhã, preparem-se os bravos dispostos a ver toda a competição, porque além da sujeição ao fuso horário, podemos esperar jogos interrompidos ou adiados umas horas (o Mundial de Clubes de 2025 serviu de tubo de ensaio), o que poderá impedir o adepto que estiver a ver um Áustria-Jordânia iniciado às 5h, de se deitar às 7h da manhã como pretendido. Em campo, as temperaturas podem fazer suar (para lá do expectável) os corpos menos acostumados, e a alta carga de jogos acumulados por muitos jogadores pode traduzir-se, em muitos casos, num ritmo mais baixo e numa tentativa de através do controlo "abafar" correrias e jogos partidos. Basicamente, se és jogador, boa notícia se o jogo é em Los Angeles ou Vancouver, má notícia se vais jogar em Miami, Dallas ou Monterrey.
    Nestes 12 artigos, propomos um olhar global sobre cada grupo. Vamos puxar a cassete atrás e recordar o caminho da qualificação de cada uma das equipas, identificar forças e fraquezas de cada seleção, projetar os onzes iniciais - e que variantes ou nuances podem surgir ao longo do próximo mês, sendo quase certo que as equipas que vão chegar mais longe serão as que vão "aprender" mais sobre si próprias, sobre as outras, e ajustar na medida certa. Iremos tentar lançar até que fase pode chegar cada uma das seleções (um exercício ultra falível quando há o fator adicional de encontrar os 8 melhores terceiros) e que jogadores vão brilhar. Este é um Mundial para o qual não se qualificaram estrelas como Kvaratskhelia, Lewandowski, Szoboszlai e os italianos Donnarumma, Dimarco e Tonali; falham a prova por lesão nomes como Fermín López, Karl, Rodrygo, Estêvão, Xavi Simons, Panichelli, Kudus ou Ekitiké e por opção dos respetivos selecionadores Camavinga, João Pedro, muitos ingleses (Trent, Foden, Gibbs-White ou Cole Palmer), Mateus Fernandes e Mika Godts.

    Grupo H é o grupo da favorita Espanha. A campeã europeia de 2024 chega aos EUA talvez como a seleção com mais estatuto e melhor reunião de ingredientes para se sagrar campeã: tem uma identidade profundamente assimilada, um craque estratosférico (Lamine Yamal) e o facto de controlar tão bem a bola e o ritmo das partidas pode revelar-se componente de enorme importância no tipo de competição que esperamos que seja este Mundial. Mas também há imperfeições ou indefinições que, se (des)alinhados todos em simultâneo, podem precipitar uma saída bem mais cedo do que a final de 19 de Julho.
    Se nos pedissem para dizer uma equipa dos 12 grupos que ficará garantidamente em 1º no seu grupo, diríamos a Espanha, tal é a diferença para Uruguai, Arábia Saudita e Cabo Verde. Os sul-americanos já tiveram melhores gerações mas têm o apelativo fator Marcelo Bielsa, e a decisão do 3º lugar deve fazer-se entre sauditas e os tubarões azuis, sendo este o primeiro Mundial da seleção africana.

    Curiosidade chocante número 1: desde 1930, nunca um selecionador estrangeiro venceu um Mundial. Uma boa notícia para esta Espanha, para a França e para a Argentina, e uma má notícia para Portugal, Inglaterra ou Brasil. Curiosidade chocante número 2: a Espanha não vence um jogo da fase a eliminar de um Mundial desde 2010, há 16 anos.

    A dinheiro apostaríamos Espanha ou França como campeã do mundo, mas sem nada em cima da mesa e como temos dúvidas quanto à condição física em que se apresentarão 3 jogadores decisivos, divertimo-nos a imaginar assim o caminho das seleções do Grupo H:

1. ESPANHA 
(Previsão: Eliminada nos oitavos por Portugal)

  • Guarda-Redes: Unai Simón (Athletic Bilbao), David Raya (Arsenal), Joan García (Barcelona)
  • Defesas: Marcos Llorente (Atlético Madrid), Pedro Porro (Tottenham), Marc Pubill (Atlético Madrid), Pau Cubarsí (Barcelona), Eric García (Barcelona), Aymeric Laporte (Athletic Bilbao), Marc Cucurella (Chelsea), Álex Grimaldo (Bayer Leverkusen)
  • Médios: Rodri (Manchester City), Martin Zubimendi (Arsenal), Pedri (Barcelona), Fabián Ruiz (PSG), Gavi (Barcelona), Mikel Merino (Arsenal), Álex Baena (Atlético Madrid)
  • Extremos/ Avançados: Lamine Yamal (Barcelona), Dani Olmo (Barcelona), Nico Williams (Athletic Bilbao), Víctor Muñoz (Osasuna), Yéremy Pino (Crystal Palace), Mikel Oyarzabal (Real Sociedad), Ferran Torres (Barcelona), Borja Iglesias (Celta Vigo)
Selecionador: Luis de la Fuente
Baixa: Fermín López

Forças: Uma verdadeira equipa, que sabe sempre o que fazer com a bola; Nenhuma outra seleção replica tamanha química entre os seus jogadores, que jogam de olhos fechados e de acordo com uma matriz de jogo assimilada, que todos os jogadores seguem religiosamente e sem egos; Lamine Yamal tem 18 anos mas é candidato à próxima Bola de Ouro, e pode garanti-la nesta competição; Ver jogar Pedri é sempre uma delícia.
Fraquezas: de la Fuente não deve retirar Unai Simón da baliza, e tanto Raya como Joan García são superiores; Três jogadores-chave (Rodri, Yamal e Nico) chegam ao Mundial num estado físico dúbio, devendo inclusive Yamal ser poupado/gerido nos primeiros jogos; A melhor coisa da Espanha de 2024 foi a forma como acrescentou ao domínio do tempo e do espaço o atrevimento e rasgo de Yamal e Nico nos flancos, e a insistência nesses movimentos e acelerações, em relvados que podiam ser melhores e em jogos que podem ter mais pausas do que recomendável, pode fazer reincidir lesões, se não forem totalmente curadas.

Equipa-Base (4-3-3): Unai Simón; Llorente (Porro), Cubarsí, Laporte, Cucurella; Rodri, Pedri, Fabián Ruiz; Lamine Yamal, Nico Williams, Oyarzabal (Ferran)

Não há segredos. Toda a gente sabe como a Espanha vai jogar, e ninguém pode dizer com convicção que tenha um antídoto bem pensado. A eliminação, surpreendente e precoce, que apontamos para a Espanha estaria dependente de Portugal vacilar no seu grupo e terminar em 2º, sendo Nuno Mendes um dos mais eficazes medicamentos anti-Yamal.
    Sem jogadores do Real Madrid e com 8 jogadores do Barcelona na convocatória, La Roja apresentar-se-á sempre no seu 4-3-3, que deve continuar a ter Rodri, Pedri e Fabián Ruiz no miolo. No ataque, Oyarzabal e Ferran Torres disputarão a posição 9 e a presente lesão de Yamal deve permitir a alguém como Dani Olmo arrancar a fase de grupos como titular.
    Do meio-campo para trás, há mais dúvidas. Unai Simón tem a ameaça de dois super guarda-redes, Raya e Joan García, e no quarteto defensivo Cucurella e Laporte continuam, mas Carvajal e Le Normand não foram chamados, podendo Marcos Llorente e Cubarsí preencher essas vagas.

Destaques Individuais (Previsão):


    Não nos ocorre um jogador que tenha chegado com 18 anos, ao seu primeiro Mundial, com o estatuto que Lamine Yamal tem. O extremo direito do Barça é um dos grandes jogadores da atualidade, e a sua introdução in media res na competição será um dos eventos mais aguardados. Com uma eventual Bola de Ouro como última estação deste percurso, muito do que a Espanha faça neste Mundial dependerá de Yamal conseguir surgir ou não a 100%.
    Numa Espanha onde Rodri e Fabián Ruiz viveram épocas a meio gás, Pedri é a garantia absoluta de tudo o que a Espanha tem de bom. O legítimo herdeiro de Iniesta e Xavi será sempre um dos candidatos ao 11 do torneio e, até, a jogador da competição.
    Perante a falta de um número 9 indiscutível, sobem ao palco Mikel Oyarzabal e Ferran Torres. Jogadores de perfis diferentes, mas tendo em comum o facto de não serem de todo avançados típicos, têm um bom registo recente quando representam as cores do seu país. Como temos dúvidas na defesa e torcemos para que haja mudança de titular na baliza, preferimos falar também de Fabián Ruiz: em 2024 poucos o adivinhavam como titular e acabou por ser um dos principais destaques na Alemanha. Tem um estatuto para defender.


2. URUGUAI 
(Previsão: Eliminado nos 16-avos pela Argentina)

  • Guarda-Redes: Fernando Muslera (Estudiantes), Sergio Rochet (Internacional), Santiago Mele (Monterrey)
  • Defesas: Guillermo Varela (Flamengo), Ronald Araújo (Barcelona), José María Giménez (Atlético Madrid), Santiago Bueno (Wolves), Sebastián Cáceres (Club América), Matías Viña (River Plate), Mathías Olivera (Nápoles), Joaquín Piquerez (Palmeiras), Maxi Araújo (Sporting)
  • Médios: Manuel Ugarte (Manchester United), Emiliano Martínez (Palmeiras), Fede Valverde (Real Madrid), Rodrigo Bentancur (Tottenham), Nicolás de la Cruz (Flamengo), Juan Sanabria (Real Salt Lake), Giorgian De Arrascaeta (Flamengo)
  • Extremos/ Avançados: Rodrigo Zalazar (Braga), Facundo Pellistri (Panathinaikos), Agustín Canobbio (Fluminense), Brian Rodriguez (Club América), Rodrigo Aguirre (Tigres), Federico Viñas (Real Oviedo), Darwin Núñez (Al Hilal)
Selecionador: Marcelo Bielsa

Forças: Bielsa é Loco mas é uma inspiração em forma de treinador; Se os níveis de intensidade e agressividade forem mantidos nos limites certos, pode ser uma das seleções menos aborrecidas para os espectadores e mais irritantes para os oponentes. 
Fraquezas: Perspectiva do 2º do Grupo H cruzar logo na fase seguinte com o 1º do Grupo J (salvo surpresa, Argentina) pode ditar um percurso curto; Este Uruguai não é a máquina de fazer golos dos tempos de Suárez, Forlán ou Cavani, e precisará do melhor Darwin possível.

Equipa-Base (4-3-3): Rochet (Muslera); Varela, R. Araújo, Cáceres (Giménez), Olivera; Ugarte, Valverde, Bentancur; Zalazar (Canobbio), Darwin, Maxi Araújo

    Guardiola, Simeone, Pochettino, Sampaoli. A lista de treinadores que "beberam" dos ensinamentos de Marcelo Bielsa é extensa e, só por isso, é quase uma questão de respeito pelo Futebol ver os jogos deste Uruguai.
    Com um ponto de partida bem menos complicado do que o seu Leeds United, por exemplo, este Uruguai tem alguns traços que já estão bem definidos, mas precisa ainda de aprimorar dinâmicas e perceber melhor qual a melhor opção em uma ou duas zonas do campo.
    A defesa é dura e o trio de médios (Ugarte, Valverde e Bentancur) oferece garantias, podendo Valverde arriscar ainda mais na meia distância e aventurar-se em zonas que nem sempre pode pisar no Real. Darwin Núñez está algo desligado dos golos, mas pode-se interpretar que é o facto de estar exilado na Arábia Saudita que terá apagado a sua chama. Este Mundial é a oportunidade de se voltar a apaixonar pelo futebol e, quem sabe, garantir uma viagem de regresso para a Europa.

Destaques Individuais (Previsão):


    Federico Valverde é um dos melhores médios do mundo. E este é o seu Uruguai. Talismã e com impressão digital em tudo o que de melhor La Celeste tem, estamos entusiasmados para o ver a tentar golaços do meio da rua, e ninguém faz um hat-trick ao Manchester City sem ter uma boa relação com as balizas contrárias.
    Numa seleção em que pode faltar golo, Darwin Núñez terá que corresponder. Apesar de ser tecnica e fisicamente o ponta de lança mais capacitado (Viñas e Aguirre são a sua concorrência), o dianteiro do Al-Hilal tem mesmo que fazer pela vida para não perder o lugar.
    No flanco esquerdo, Maxi Araújo deve ser extremo e não lateral como no Sporting, e este Mundial pode servir de prova dos 9 para os vários emblemas que ficaram com ele debaixo de olho na Champions. De Arrascaeta ainda regressa de lesão, o que pode permitir a Zalazar ou Canobbio serem titulares, e Ronald Araújo (temos a sensação que sempre que o vemos jogar, ou é expulso, ou se lesiona ou faz uma asneira) tem aqui um conjunto de jogos para estar focado e contribuir pacificamente para uma defesa assertiva.


3. CABO VERDE 

  • Guarda-Redes: Vozinha (Chaves), Márcio Rosa (Montana), CJ dos Santos (San Diego)
  • Defesas: Wagner Pina (Trabzonspor), Steven Moreira (Columbus Crew), Diney Borges (Al Bataeh), Kelvin Pires (SJK), Logan Costa (Villarreal), Stopira (Torreense), Roberto Lopes (Shamrock Rovers), Sidny Lopes Cabral (Benfica)
  • Médios: João Paulo (FCSB), Kevin Pina (Krasnodar), Laros Duarte (Puskás Akadémia), Deroy Duarte (Ludogorets), Yannick Semedo (Farense), Jamiro Monteiro (Zwolle)
  • Extremos/ Avançados: Jovane Cabral (Estrela da Amadora), Hélio Varela (Maccabi Tel Aviv), Willy Semedo (Omonia), Telmo Arcanjo (Vit. Guimarães), Garry Rodrigues (Apollon Limassol), Ryan Mendes (Igdir FK), Nuno da Costa (Basaksehir), Dailon Livramento (Casa Pia), Gilson Benchimol (Akron Togliatti)
Selecionador: Pedro Brito

Forças: Grupo unido, com boa vibe e sem grande pressão, pode resultar em exibições acima daquilo que (não) estão "obrigados" nesta estreia em mundiais; Bolas paradas de Sidny Cabral podem fazer a diferença.
Fraquezas: Cabo Verde não tem um super jogador, e alguns dos seus atletas mais cotados chegam aos EUA com 35 ou 36 anos.

Equipa-Base (4-3-3): Vozinha; Wagner Pina (Steven Moreira), Logan Costa, R. Lopes, Sidny Cabral; Kevin Pina, Deroy Duarte, J. Monteiro; Jovane Cabral, Ryan Mendes, Livramento

    Poucos nomes neste Mundial são melhores do que Vozinha, o guardião de 40 anos de Cabo Verde.
    No quarteto defensivo dos tubarões azuis, o principal contra é o facto de Logan Costa, o melhor central, só ter voltado a competir recentemente após longa paragem. O lado direito será disputado por Steven Moreira e Wagner Pina, mas do lado esquerdo Sidny Cabral quererá deixar o seu país orgulhoso e mostrar que o Benfica fez mal em vendê-lo à primeira proposta (Trabzonspor) que apareceu.
    O meio-campo terá 2 soldados e um criativo (Jamiro Monteiro), e na frente Ryan Mendes será titular garantido. Mesmo com 36 anos, é um jogador que se confunde com Cabo Verde, tendo estado sempre presente em todas as páginas da última década.

Destaques Individuais (Previsão):


    Com 98 internacionalizações e 22 golos marcados, Ryan Mendes bem que merece chegar à centena de jogos pelo seu país num Mundial. Aos 36 anos, o capitão de Cabo Verde vai fazer História à sua maneira, e depositamos fé nele para deixar o seu nome na lista de marcadores.
    Vendido pelo Benfica ao Trabzonspor, Sidny Lopes Cabral é exatamente o tipo de jogador que qualquer clube inteligente não venderia antes de um Mundial. Aparentemente desacreditado na Luz, ou "condenado" por um gesto de embaixador inocente, o lateral/ala só pode valorizar nos EUA, e numa altura em que tantos clubes ingleses, alemães e italianos estão mais e mais obcecados com cantos e livres, a excelente batida de Sidny na bola é coisa para atrair o interesse de muita gente.
    Não incluímos Logan Costa por ainda estar a voltar a competir, e é Jamiro Monteiro quem pode fazer a diferença no frente-a-frente com a Arábia Saudita. Através do corredor central, será com o seu radar que os seus colegas serão descobertos e isolados.


4. ARÁBIA SAUDITA 

  • Guarda-Redes: Nawaf Al-Aqidi (Al Nassr), Moha Al-Owais (Al Ula FC), Ahmed Al-Kassar (Al Qadisiyah)
  • Defesas: Saud Abdulhamid (Lens), Abu Al-Shamat (Al Qadisiyah), Nawaf Boushal (Al Nassr), Ali Majrashi (Al Ahli Jeddah), Abdulelah Al-Amri (Al Nassr), Ali Lajami (Al Hilal), Jehad Thakri (Al Qadisiyah), Hassan Tambakti (Al Hilal), Ayman Yahya (Al Nassr), Hasan Kadesh (Al Ahli Jeddah), Moteb Al-Harbi (Al Hilal)
  • Médios: Ziyad Al-Johani (Al Ahli Jeddah), Abdul Al-Khaibari (Al Nassr), Alaa Hejji (Neom SC), Nasser Al-Dawsari (Al Hilal), Musab Al-Juwayr (Al Qadisiyah), Mohamed Kanno (Al Hilal)
  • Extremos/ Avançados: Sultan Mandash (Al Hilal), Salem Al-Dawsari (Al Hilal), Khalid Al-Ghannam (Al Ettifaq), Abdullah Al-Hamdan (Al Nassr), Saleh Al-Shehri (Al Ittihad), Feras Al-Buraikan (Al Ahli Jeddah)
Selecionador: Giorgos Donis

Forças: Os melhores jogadores da Arábia Saudita são melhores do que os melhores jogadores de Cabo Verde, mas isso não quer dizer nada; Determinação em demonstrar que aquela vitória contra a Argentina em 2022 não foi obra do acaso.
Fraquezas: Hervé Renard estava a desenvolver um bom trabalho e o grego Giorgos Donis só começou a trabalhar com estes jogadores há 2 meses; O Sportswashing saudita está a desacelerar, e esse "esvaziar" de aposta na modalidade pode contagiar a seleção.

Equipa-Base (4-3-3): Al-Aqidi; Abdulhamid, Tambakti, Al-Amri, Al-Harbi (Boushal); Kanno, Al-Khaibari, N. Al-Dawsari (Al-Juwayr); Mandash, Al-Buraikan, S. Al-Dawsari

    Há pouca documentação para saber em concreto o que vai privilegiar o grego Donis, mas o calendário (Cabo Verde e Arábia Saudita encontram-se na última jornada) pode ser suficiente para que a postura nos 2 primeiros jogos seja bastante defensiva, procurando não deixar crescer muito a diferença de golos negativa, e depois ir all in contra Cabo Verde.
    Olhando para o 11 saudita, são vários os jogadores de 2022 que repetem presença. Abdulhamid, Tambakti, Kanno, Al Buraikan e Al-Dawsari estavam todos no onze que derrotou a Argentina por 2-1.

Destaques Individuais (Previsão):


    Com uma época bastante abaixo das suas anteriores, até Salem Al-Dawsari, o craque da Arábia Saudita, chega a este Mundial com pouco vigor. Extremo esquerdo de diagonais incisivas, o 10 continua a ser o jogador em que os colegas põem a bola ao minuto 90, à espera que algo aconteça. Mas a idade começa a pesar.
    Um rookie em 2022, Saud Abdulhamid impressionou na altura com uma disponibilidade invulgar para fazer todo o corredor direito, num vaivém constante. Desde então, não surpreende que o lateral direito tenha jogado na Roma e no Lens. De todos os jogadores sauditas, é o que consegue apresentar uma "rotação" superior.
    No meio-campo, Kanno sobressai com as suas longas pernas, e Al-Khaibari foi um jogador do agrado de Jorge Jesus no Al Nassr, mas talvez seja mais recomendável confiar em Nasser Al-Dawsari, "o outro Al-Dawsari", centrocampista de pé esquerdo e futebol personalizado.

Mundial 2026: Previsão Grupo G

A análise aos 12 grupos que formam o maior campeonato do mundo de sempre continua. 48 equipas e 1.248 jogadores lutarão nos EUA (78 jogos), no México (13) e no Canadá (13) para erguer no dia 19 de Julho o troféu mais cotado da modalidade. À boa maneira americana, com uma atração incontrolável pelas grandezas, o Mundial 2026 terá 104 jogos, o que representa um aumento de 40 partidas em relação às 64 de formatos anteriores.
    Com jogos desde as 17 ou 18 horas (hora portuguesa) até, em alguns casos, às nossas cinco da manhã, preparem-se os bravos dispostos a ver toda a competição, porque além da sujeição ao fuso horário, podemos esperar jogos interrompidos ou adiados umas horas (o Mundial de Clubes de 2025 serviu de tubo de ensaio), o que poderá impedir o adepto que estiver a ver um Áustria-Jordânia iniciado às 5h, de se deitar às 7h da manhã como pretendido. Em campo, as temperaturas podem fazer suar (para lá do expectável) os corpos menos acostumados, e a alta carga de jogos acumulados por muitos jogadores pode traduzir-se, em muitos casos, num ritmo mais baixo e numa tentativa de através do controlo "abafar" correrias e jogos partidos. Basicamente, se és jogador, boa notícia se o jogo é em Los Angeles ou Vancouver, má notícia se vais jogar em Miami, Dallas ou Monterrey.
    Nestes 12 artigos, propomos um olhar global sobre cada grupo. Vamos puxar a cassete atrás e recordar o caminho da qualificação de cada uma das equipas, identificar forças e fraquezas de cada seleção, projetar os onzes iniciais - e que variantes ou nuances podem surgir ao longo do próximo mês, sendo quase certo que as equipas que vão chegar mais longe serão as que vão "aprender" mais sobre si próprias, sobre as outras, e ajustar na medida certa. Iremos tentar lançar até que fase pode chegar cada uma das seleções (um exercício ultra falível quando há o fator adicional de encontrar os 8 melhores terceiros) e que jogadores vão brilhar. Este é um Mundial para o qual não se qualificaram estrelas como Kvaratskhelia, Lewandowski, Szoboszlai e os italianos Donnarumma, Dimarco e Tonali; falham a prova por lesão nomes como Fermín López, Karl, Rodrygo, Estêvão, Xavi Simons, Panichelli, Kudus ou Ekitiké e por opção dos respetivos selecionadores Camavinga, João Pedro, muitos ingleses (Trent, Foden, Gibbs-White ou Cole Palmer), Mateus Fernandes e Mika Godts.

    Sejamos francos, este Grupo G é o pior do Mundial. Os diabos vermelhos belgas fazem-se acompanhar pelas seleções 21 (Irão), 29 (Egito) e 85 (Nova Zelândia) do ranking FIFA. Pós-geração de ouro, esta Bélgica já não tem Hazard ou os grandes defesas do seu passado recente, mas continua a ter o melhor guarda-redes do mundo, De Bruyne na sua última dança pela seleção, Doku absolutamente endiabrado e Lukaku, bem, Lukaku jogou 94 minutos no Nápoles durante o ano inteiro.
    De saída da Premier League e do seu Liverpool, Mo Salah tem também neste Mundial a última etapa antes de anunciar o próximo passo da sua carreira, e o Irão aparece nos EUA num momento extremamente sensível a nível político. A Nova Zelândia de Chris Wood é quem parte em desvantagem, porque isto não é rugby, mas os neozelandeses costumam dar boa conta de si e talvez consigam pontuar.

    Antecipamos assim o Grupo G:

1. BÉLGICA 
(Previsão: Eliminada nos 16-avos pelo Senegal)

  • Guarda-Redes: Thibaut Courtois (Real Madrid), Senne Lammens (Manchester United), Mike Penders (Estrasburgo)
  • Defesas: Thomas Meunier (Lille), Alexis Saelemaekers (AC Milan), Koni De Winter (AC Milan), Brandon Mechele (Club Brugge), Arthur Theate (Eintracht Frankfurt), Zeno Debast (Sporting), Axel Witsel (Girona), Nathan Ngoy (Lille), Joaquin Seys (Club Brugge), Maxim De Cuyper (Brighton), Timothy Castagne (Fulham)
  • Médios: Amadou Onana (Aston Villa), Youri Tielemans (Aston Villa), Nicolas Raskin (Rangers), Kevin De Bruyne (Nápoles), Hans Vanaken (Club Brugge), Charles De Ketelaere (Atalanta)
  • Extremos/ Avançados: Leandro Trossard (Arsenal), Jérémy Doku (Manchester City), Dodi Lukebakio (Benfica), Diego Moreira (Estrasburgo), Matias Fernández-Pardo (Lille), Romelu Lukaku (Nápoles)
Selecionador: Rudi Garcia;
Ausência: Mika Godts

Forças: Poucos extremos do futebol mundial estão no momento de forma de Jérémy Doku; Criatividade de KDB pode ser protegida pelos escudeiros Onana e Tielemans; Se há guarda-redes no futebol mundial que decide jogos, esse guarda-redes é Courtois.
Fraquezas: Rudi Garcia tem tendência no seu passado para ceder aos estatutos e não ao mérito; Condição física de Romelu Lukaku é uma incógnita.

Equipa-Base (4-3-3): Courtois; Castagne, Ngoy, Mechele, De Cuyper; Tielemans, Onana, De Bruyne; Trossard, Lukaku (De Ketelaere), Doku

É tranquilo considerar esta Bélgica pior do que as últimas "Bélgicas", e nem somos particulares admiradores de Rudi Garcia, mas a sorte com o grupo e alguma sorte com o emparelhamento da fase a eliminar pode perfeitamente fazer esta Bélgica chegar, mesmo assim, aos oitavos ou quartos-de-final.
    Com Courtois, tantas vezes decisivo pelo Real Madrid na Liga dos Campeões, como nº 1, a defesa é o setor mais fraco, faltando perceber se o selecionador prefere ter o impacto ofensivo de De Cuyper ou o conservadorismo e experiência de Meunier + Castagne.
    Onana, Tielemans e Kevin De Bruyne (um dos nossos jogadores favoritos) é o trio de médios 100% certo, tal como certa é a titularidade à esquerda de Doku, o belga que chega em melhor forma aos EUA. Se Lukaku não estiver bem, há De Ketelaere e Fernández-Pardo, e só o conforto a atuar à direita pode originar que Lukebakio ou Diego Moreira retirem Trossard do 11.
    Uma nota para Mika Godts. O extremo de 20 anos do Ajax, que esta época somou 17 golos e 13 assistências em Amesterdão, é para nós a ausência mais injusta deste Mundial. E, embora sejam todos eles jogadores acostumados a jogar à esquerda, como gostaríamos de ver um ataque com Doku, Trossard e Godts...

Destaques Individuais (Previsão):


    Esta é a Bélgica de Jérémy Doku. O extremo esquerdo do Manchester City fechou a Premier League num patamar qualitativo fenomenal, e a expetativa é que possa dar sequência ao bom momento no Mundial, castigando adversários com os seus dribles desconcertantes e fartando-se de criar para os colegas.
    Thibaut Courtois é um gigante, e o seu regresso (incompatibilizou-se com o selecionador anterior, Tedesco) é um boost tremendo, embora o suplente (Lammens) seja bom. Kevin De Bruyne não foi muito feliz em Itália, mas deve conseguir com facilidade ser o 2º melhor jogador desta Bélgica.
    Podendo-se esperar golos, é mero feeling que Romelu Lukaku (90 golos em 126 jogos pela Bélgica) surgirá contra a corrente, podendo reconquistar o seu espaço e uma condição física decente ao longo da fase de grupos. Mais seguro é apostar que Leandro Trossard vai ter bons minutos e bom rendimento, orgulhoso com o facto de poder vestir a camisola 10.


2. EGITO 
(Previsão: Eliminado nos 16-avos pela Turquia)

  • Guarda-Redes: Mohamed El-Shenawy (Al Ahly), Mohamed Alaa (El Gouna), Mostafa Shobeir (Al Ahly), Al Mahdy Soliman (Zamalek)
  • Defesas: Mohamed Hany (Al Ahly), Nabil Emad (Al Najma), Yasser Ibrahim (Al Ahly), Hossam Abdelmaguid (Zamalek), Mohamed Abdelmonem (Nice), Rami Rabia (Al Ain), Karim Hafez (Pyramids), Ahmed Fatouh (Zamalek)
  • Médios: Mohanad Lasheen (Pyramids), Tarek Alaa (Zed FC), Marwan Attia (Al Ahly), Hamdi Fathi (Al Wakrah), Emam Ashour (Al Ahly)
  • Extremos/ Avançados: Mohamed Salah (Liverpool), Ibrahim Adel (Nordsjaelland), Haissem Hassan (Real Oviedo), Mostafa Ziko (Pyramids), Zizo (Al Ahly), Trezeguet (Al Ahly), Mahmoud Saber (Zed FC), Omar Marmoush (Manchester City), Hamza Abdelkarim (Barcelona)
Selecionador: Hossam Hassan

Forças: Mo Salah e Marmoush são 2 dos melhores jogadores entre os 104 atletas deste grupo; Não é fácil desmontar a defesa egípcia.
Fraquezas: O Deus egípcio, com o 10 nas costas, não viveu uma temporada feliz e vai ser ultra vigiado, mas também pode encontrar nos EUA o escape do stress acumulado toda a época; Attia e Lasheen não apresentam a mesma capacidade de Ashour a resistir à pressão.

Equipa-Base (4-3-3): Shobeir; Hany, Fathy, Ibrahim, Fatouh; Attia, Lasheen, Ashour; Salah, Marmoush, Trezeguet

    Sob o comando de Hossam Hassan, 176 vezes internacional pelo Egito e autor de 76 golos, a equipa do Norte de África pode surgir nesta fase de grupos num 4-3-3 ou também num 3-4-1-2, com Ashour no apoio a Marmoush e a Salah, que nessa variável surgiria menos remetido ao seu habitat natural (corredor direito).
    A vantagem do 4-3-3, que faria entrar no onze inicial alguém como Trezeguet ou Zizo, será a hipótese de Salah tomar como ponto de partida dos seus lances a sua casa tática usual. Caberá a Hassan pesar o que lhe interessa mais: ter Salah a partir de onde gosta ou ter Salah numa região do campo onde talvez seja mais difícil os adversários anularem-no...

Destaques Individuais (Previsão):


    Entre os muitos craques que se despedem de mundiais nesta edição, Mohamed Salah é um dos nomes mais especiais. Papa-recordes na Premier League, o melhor jogador egípcio de sempre e um autêntico ídolo para qualquer faraó, dificilmente disputará muitos jogos, mas acreditamos que faça o suficiente para ainda pisar o relvado nos dezasseis-avos-de-final.
    O Mundial 2026 serve também de absoluta passagem de testemunho de Salah para Omar Marmoush. Sete anos mais novo do que o astro-mor, o craque do Manchester City está na idade perfeita (27) para brilhar numa prova deste género e até julgamos que marcará mais golos do que Salah.
    Nas figuras de segunda linha, Emam Ashour perdeu a oportunidade de se dar a conhecer ao planeta futebol no Mundial de Clubes, lesionando-se nos minutos iniciais do 1º jogo, e por isso torcemos para que se mantenha fresquinho. E há alguma expetativa para ver como se comporta o ponta de lança Hamza Abdelkarim, jogador de 18 anos que pertence ao Barcelona, quando for chamado a ir a jogo.


3. IRÃO 

  • Guarda-Redes: Alireza Beiranvand (Tractor Club), Hossein Hosseini (Sepahan), Payam Niazmand (Persepolis FC)
  • Defesas: Saleh Hardani (Esteghlal Tehran), Ramin Rezaeian (Foolad FC), Hossein Kanaani (Persepolis FC), Shojae Khalilzadeh (Tractor Club), Ali Nemati (Foolad FC), Danial Iri (Malavan FC), Roozbeh Cheshmi (Esteghlal Tehran), Milad Mohammadi (Persepolis FC), Ehsan Hajsafi (Sepahan)
  • Médios: Saeid Ezatolahi (Al Ahli), Mohammad Ghorbani (Al Wahda), Amir Razzaghinia (Esteghlal Tehran)
  • Extremos/ Avançados: Aria Yousefi (Sepahan), Alireza Jahanbakhsh (Dender), Mohammad Mohebi (Rostov), Amirhossein Hosseinzadeh (Tractor Club), Mehdi Ghaedi (Al Nasr), Saman Ghoddos (Al Ittihad Kalba), Mehdi Torabi (Tractor Club), Dennis Dargahi (Standard Liège), Shahriar Moghanlou (Al Ittihad Kalba), Ali Alipour (Persepolis FC), Mehdi Taremi (Olympiacos)
Selecionador: Amir Ghalenoei
Ausência: Sardar Azmoun

Forças: Oportunidade sócio-política de enviar em campo uma mensagem de paz; Três jogos do Irão são todos nos EUA, nenhum no Canadá ou México, e depois da presença da presença iraniana na competição estar em dúvida e sujeita a medidas surreais (terão supostamente que entrar e sair dos EUA em dia de jogo) é expectável que o Irão queira deixar boa imagem.
Fraquezas: Média de idades superior a 30 anos pode originar fatura do ponto de vista físico; Potencialmente decisivo Egito-Irão, na última jornada, terá o mundo árabe a torcer mais por Salah.

Equipa-Base (4-2-3-1): Beiranvand; Rezaeian, Khalilzadeh, Kanaani, Hajsafi; Ezatolahi, Razzaghinia; Mohebi, Ghoddos, Ghaedi; Taremi

    Se o Irão conseguir repetir os 3 pontos de 2022 ou sobretudo os 4 pontos de 2018 (3º classificado nas duas ocasiões), será difícil que não seja um dos melhores terceiros. Estivemos quase a incluir o Irão no nosso lote de 8 melhores terceiros, mas acabámos por deitar a seleção asiática à beirinha do feito.
    No 4-2-3-1 de Ghalenoei, Beiranvand é um guarda-redes já com algum estatuto nestas provas, mas se os habituais titulares jogarem, a defesa terá um central com 37 anos e dois laterais com 36.
    Bem conhecido dos portugueses, e de boa memória para os portistas, Taremi é a grande figura deste Irão. Falta perceber quão bem suportado será o avançado do Oympiacos, um papel que caberá principalmente a Mohebi e Ghaedi. 

Destaques Individuais (Previsão):


    Ponta de lança de qualidade certificada, Mehdi Taremi é o homem que pode colocar este Irão na fase seguinte. Como internacional, leva 60 golos em 105 jogos.
    No lado oposto do campo, senhor do seu 1,94m, Alireza Beiranvand costuma brindar os adeptos com boas prestações em mundiais, e as suas performances podem fazer a diferença, em particular nos jogos diante da Nova Zelândia e do Egito.
    E mantendo a equidistância, é no centro do terreno de jogo que se apresentará o novo potencial destaque dos iranianos. Numa equipa tão envelhecida, será refrescante ver Amir Razzaghinia, um médio de 20 anos e passada larga.


4. NOVA ZELÂNDIA 

  • Guarda-Redes: Max Crocombe (Millwall), Alex Paulsen (Lechia Gdansk), Michael Woud (Auckland FC)
  • Defesas: Tim Payne (Wellington Phoenix), Callan Elliot (Auckland FC), Tommy Smith (Braintree Town), Michael Boxall (Minnesota United), Finn Surman (Portland Timbers), Nando Pijnaker (Auckland FC), Tyler Bindon (Sheffield United), Liberato Cacace (Wrexham), Francis De Vries (Auckland FC)
  • Médios: Joe Bell (Viking), Alex Rufer (Wellington Phoenix), Ryan Thomas (Zwolle), Marko Stamenic (Swansea), Lachlan Bayliss (Newcastle Jets), Sarpreet Singh (Wellington Phoenix)
  • Extremos/ Avançados: Matthew Garbett (Peterborough), Callum McCowatt (Silkeborg), Ben Old (Saint-Étienne), Elijah Just (Motherwell), Jesse Randall (Dundee United), Kosta Barbarouses (WS Wanderers), Chris Wood (Nottingham Forest), Ben Waine (Port Vale)
Selecionador: Darren Bazeley

Forças: Os All Whites têm menos responsabilidades (posição 85 no ranking FIFA) mas são competitivos por natureza e vão entrar em cada 90 minutos com a consciência de quem não sabe quando/se voltará a estar num Mundial.
Fraquezas: Demasiados jogadores a jogar em ligas menos cotadas; Risco de depender quase exclusivamente dos golos de Chris Wood.

Equipa-Base (4-3-3): Crocombe (Paulsen); Payne, Surman, Boxall, Cacace; Bell, Stamenic, Singh; Just, Chris Wood, Garbett (Old)

    Na última vez que esteve num Mundial (2010), a Nova Zelândia empatou os 3 jogos. Chris Wood tinha 18 anos.
    Dezasseis anos volvidos, o fenómeno neozelandês chama-se Tim Payne. Não conhecem? Compreensível. O lateral direito atua no Wellington Phoenix, da A-League australiana, mas tornou-se uma das histórias mais divertidas do pré-Mundial, virando fenómeno das redes sociais e indo dos 4 ou 5 mil seguidores para 5 milhões!
    Mas falemos de futebol. Bazeley deve apostar num 4-3-3 - ou 4-2-3-1 no momento ofensivo e com Singh na "zona 14" - e quem conta com Joe Bell e Marko Stamenic terá, no mínimo, pernas e músculo para dividir os jogos.

Destaques Individuais (Previsão):


    Apostados em ser um osso duro de roer, e ambiciosos no objetivo definido (passar a fase de grupos), os All Whites sabem que Chris Wood é sinónimo de golos. O ponta de lança do Nottingham Forest, fortíssimo no jogo aéreo, viveu um ano complicado do ponto de vista físico, mas se estiver bem, basta recordar que na época de 2024/ 25 marcou 20 golos na Premier League.
    Na hora de retirar algum "peso" dos largos ombros de Wood, Elijah Just é o nome que importa reter. E no meio-campo nuclear, Marko Stamenic, treinado por Vítor Matos no Swansea, é, em bom português, "pau para toda a obra".