Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

20 de agosto de 2026

Antevisão da Premier League 2026/ 27

 Premier League - A liga onde se joga o futebol mais intenso e imprevisível entre as Top-5 está de volta! A Premier deu um tempinho de avanço ao futebol ibérico, e inicia-se assim no mesmo fim de semana da Ligue 1 e da Serie A, ficando a faltar só a Bundesliga. Esperam-nos estádios cheios, atmosferas inigualáveis, partidas disputadas até ao último instante, quilómetros percorridos em suor e ainda menor margem para tempo perdido (Inglaterra tem apenas que melhorar a consistência na utilização ou intervenção do protocolo VAR e conseguir reduzir a mise-en-scène antes de ser cobrada cada bola parada), otimizando ao limite a defesa do espetáculo, do futebol de ataque e a experiência do adepto. Ironicamente, a liga mais exemplar no respeito dos jogadores pelo jogo será muito provavelmente aquela que será mais exigente na aplicação das novas regras.
    Sabe bem voltar a ter Premier League, mas é inegável a estranheza neste arranque. 10 anos depois, não há Pep Guardiola. 9 anos depois, não há Mohamed Salah. E é preciso recuarmos à temporada de 2004/ 2005 para encontrar novamente o Arsenal na condição atual: o detentor do troféu.

    Sem Guardiola, Salah, Bernardo Silva e Rodri, sem esquecer Cucurella, Anthony Gordon e Cuti Romero, esta Premier League 26/27 apresenta-se realmente como uma mudança de ciclo global. Os clubes ingleses têm privilegiado estabilidade e o amadurecimento dos projetos, mas calhou Manchester City, Liverpool e Chelsea (talvez as 3 equipas com mais argumentos para "beliscar" o favorito Arsenal) mudarem todos de treinador em simultâneo, surgindo agora Maresca, Iraola e Xabi Alonso no comando técnico de cada equipa. Também Newcastle, Bournemouth, Nottingham Forest, Crystal Palace, Fulham e Ipswich Town têm novos treinadores.

    A Community Shield (Arsenal 3-0 Manchester City) ajudou a recordar o porquê do Arsenal ter que ser considerado favorito. Os gunners ultrapassaram o bloqueio mental do "quase", defendem como ninguém, têm meio-campo para dominar qualquer jogo (poder rodar entre Rice, Bruno Guimarães, Odegaard e Zubimendi é um luxo), um banco cada vez mais homogéneo na comparação com o 11 inicial, e até achámos positivo Vini Jr. renovar com o Real Madrid, porque Tzolis merece partir como primeira opção à esquerda.
    O City continua a ter Haaland e craques como Cherki e Doku, e pagou mais de 130 milhões para garantir Elliot Anderson, mas o pós-Guardiola seria sempre difícil, instalando-se a dúvida - todo e qualquer treinador que sucedesse a Pep seria um downgrade. O 
Liverpool parece ter em Iraola o match perfeito para a identidade de Anfield, podendo a reforma de um Deus egípcio convidar à afirmação adiada da dupla Wirtz-Isak, e Xabi Alonso está a cozinhar em Stamford Bridge a prova de que um 3-4-3 pode ser ofensivo, proativo e cativante - e a ausência de competições europeias pode ser uma enorme benesse para os blues. O Chelsea que está, como sempre, muito gastador, tal como o Tottenham. O Manchester United está mais tímido do que esperávamos e o Newcastle foi esventrado, perdendo no mesmo Verão o trio Tonali, Bruno Guimarães e Anthony Gordon, e o treinador Eddie Howe.

    Recordamos que serão 9 as equipas inglesas na Europa: Arsenal, City, United, Aston Villa e Liverpool na Champions, Bournemouth, Sunderland e Crystal Palace na Liga Europa, e Brighton na Liga Conferência. Um desgaste que pode ajudar os mais relaxados Chelsea, Brentford, Tottenham e Leeds United.
    Desceram West Ham, Wolves e Burnley, sendo substituídos por Coventry City, Ipswich Town e Hull City. E o mais provável é que pelo menos 2, senão mesmo os três, regressem novamente ao Championship.

    Olhando para as transferências, merecem destaque as movimentações internas de Morgan Rogers, Elliot Anderson, Bruno Guimarães, Tonali, Mateus Fernandes, Robertson, Vuskovic, Lacroix, Tielemans, Harry Wilson e dos guarda-redes James Trafford e Carl Rushworth, e novidades em absoluto como Tzolis, Manzambi, Mamadou Sangaré, Jacquet, Palestra, Yirenkyi, Steur, Muahremovic ou Emersonn.

    Acompanhem-nos então nesta completa Antevisão da Premier League 2026/ 27, numa tentativa de prever a classificação final (dividida entre favorito, candidatos ao Top-4, candidatos à Europa, candidatos ao meio da tabela, aflitos e relegados) e destaques individuais, um exercício sempre falível considerando as várias transferências por oficializar, lesões e outros milhões de fatores:


 ARSENAL (1)

   Os campeões em título querem e podem sagrar-se bicampeões. Há um ano atrás não colocámos o Arsenal como favorito, mas escrevemos que se nos guiássemos exclusivamente pelo nosso feeling, os gunners seriam a nossa escolha para erguer o troféu. Uma volta ao Sol depois, o Arsenal reúne desta vez a razão e o coração.
    Se o Arsenal conseguir bisar, consegue um feito inédito desde que a Premier é Premier, e que o clube só conseguiu nos bem longínquos anos 30.
    A equipa que melhor defende em Inglaterra deverá manter esse estatuto, mesmo com o importantíssimo Saliba afastado vários meses por lesão, e a fome dos londrinos não deve esmorecer, muito pelo contrário, querendo certamente defender aquilo que é atualmente seu com orgulho, procurando iniciar uma hegemonia no pós-Guardiola e ficando a sensação que a história deste Arsenal só começou agora, sendo inevitável colocar a equipa de Arteta igualmente entre o restrito lote de favoritos a conquistar a Liga dos Campeões.
    Depois de 3 vezes consecutivas em segundo lugar, e sem deixar escapar a liderança, o campeão Arsenal pode ter permitido a Mikel Arteta e a alguns jogadores um crucial "desbloqueio", aumentando os níveis de confiança e possibilitando que o espanhol arrisque mais, sem medos.
    Na hora de arrumar a casa, procurando ter um 11 inicial melhor e um banco com soluções de qualidade mais aproximada do onze, o clube pagou bem ao Newcastle por Bruno Guimarães, um dos melhores médios em Inglaterra, juntando-se assim o brasileiro a Declan Rice, Odegaard (o bom Mundial e a Community Shield deixaram água na boca para aquele que pode ser o regresso ao seu melhor nível) e Zubimendi. Konsa deve-se juntar a uma defesa com muita polivalência setorial, e o grego Christos Tzolis é um dos nossos reforços preferidos deste ano. Vimos muitos jogos do Club Brugge só para o ver, e preenche-nos ver que um clube como o Arsenal teve a coragem de apostar no extremo esquerdo grego, quando muitos emblemas ingleses podiam olhá-lo de lado pela sua passagem pouco expressiva pelo Norwich. Em teoria, Tzolis foi contratado para ser "o novo Trossard", mas neste momento boa sorte para o retirarem do melhor onze.
    Tanto Odegaard como principalmente Saka podem ter um 2026/ 27 de excelência, Gyökeres (neste momento Havertz é o seu concorrente, sem esquecer a pontual adaptação de Merino) pode surgir noutro plano com menos pressão e com uma pré-época mais convencional, mas não podemos esquecer que 1) este Arsenal estava disposto a gastar um balúrdio por Vini Jr e 2) Julián Álvarez foi inúmeras vezes dado como alvo, duas ideias que alimentam a especulação que até 1 de Setembro o favorito número um ainda poderá acrescentar uma ou duas peças de luxo ao seu ataque. Pelo menos, há dinheiro para isso.

Treinador: Mikel Arteta
Onze-Base (4-3-3): Raya; Timber, Saliba (Mosquera), Gabriel, Calafiori; Bruno Guimarães (Zubimendi), Rice, Odegaard; Saka, Gyökeres (Havertz), Tzolis

Atenção a: Declan Rice, Martin Odegaard, Bukayo Saka, Christos Tzolis, Viktor Gyokeres

 LIVERPOOL (2)

    Os campeões de 24/25 perderam Diogo Jota em Julho do ano passado, e jamais entenderemos as críticas insensíveis ao rendimento daquele balneário em 25/26, que mesmo com cada jogador a atravessar o luto à sua maneira e à sua velocidade, permitiu um meritório 5º lugar com qualificação para a Liga dos Campeões.
    Quando virmos o Liverpool jogar esta temporada, sabemos que aos primeiros jogos será estranho não ver Mo Salah. O egípcio despediu-se após 9 épocas no clube, com 255 golos e 119 assistências, e o escocês Robertson, outro jogador marcante do período Klopp, também deixou o clube.
    Não consideramos propriamente que o Liverpool vá ser capaz de proporcionar uma disputa a 2 pelo título com o Arsenal, mas os reds são a nossa aposta para, no final das contas, acabarem em 2º. Para esse raciocínio muito contribui a nossa fé em Andoni Iraola, o técnico que quase pôs o Bournemouth na Liga dos Campeões e que parece um seguidor legítimo do gegenpressing de Jürgen Klopp, impressionando sempre no Bournemouth a intensidade e disponibilidade física e mental dos cherries.
    O técnico basco recebeu Jacquet, Víctor Muñoz e Ronald Araújo, e julga-se que ainda chegará um extremo como por exemplo Barcola, mas a principal diferença pode ser feita por jogadores que já estavam em Anfield mas ainda bem longe de demonstrar toda a sua qualidade, como Florian Wirtz e Alexander Isak.
    Liderado por van Dijk, um dos melhores centrais da História da Premier, e com Szoboszlai como jogador que faz tudo bem, o Liverpool será tanto melhor quanto mais Wirtz e Isak perceberem que esta equipa agora é deles. Salah estará a ver e torcer para que emerjam os seus herdeiros.

Treinador: Andoni Iraola
Onze-Base (4-2-3-1): Alisson; Frimpong, Jacquet, van Dijk, Kerkez; Gravenberch, Szoboszlai; Ngumoha (Mac Allister, V. Muñoz), Wirtz, Gakpo; Isak

Atenção a: Florian Wirtz, Dominik Szoboszlai, Alexander Isak, Virgil van Dijk, Milos Kerkez

 CHELSEA (3)

    Na última década, o Chelsea habituou-nos a uma irregularidade quase esquizofrénica. Os blues, super regulares entre 2003 e 2011, tornaram-se capazes de proezas como ser campeão (2015), depois ficar em 10º (2016) e logo depois ser campeão novamente (2017) e mesmo nos anos mais recentes esta equipa tanto é capaz de ficar em 3º e 4º como em 10º e 12º.
    Maresca e Rosenior não corresponderam às expetativas da direção e a mira foi apontada a Xabi Alonso, o espanhol de 44 anos que parecia destinado ao seu Liverpool, mas que acabará por ser em Stamford Bridge que põe em prática o seu 3-4-2-1 de eleição, muito possivelmente mostrando aos críticos faciosos de Ruben Amorim que, sim, é possível uma equipa jogar com 3 centrais e ser dominante e com pendor ofensivo.
    Sem Cucurella e com Enzo Fernández no limbo entre ficar ou seguir para o adversário direto Manchester City e Pedro Neto a ser namorado por clubes sauditas, o Chelsea já se fartou, como tanto gosta, de gastar dinheiro em novos jogadores: os veteranos Jordan Henderson (custo zero) e Welbeck (5 milhões) representaram uma abordagem fora do padrão recente, mas Barco e Emegha foram "promovidos" do satélite Estrasburgo, importando destacar sobretudo 3 nomes - Morgan Rogers tornou-se o inglês mais caro da História do futebol, Lacroix foi chamado para integrar a defesa com Fofana e Colwill, e o italiano Marco Palestra passou de revelação do ano na Serie A ao serviço do Cagliari para dono de uma das asas do Chelsea.
    Embora este Chelsea seja imprevisível e continuemos a achar que a baliza pedia um reforço como Diogo Costa, o facto de não terem desgaste de competições europeias, ao contrário de todas as restantes equipas que apontamos ao Top-6, pode ser um dado determinante. Torcendo para que Reece James consiga uma época descansado sem leões, mal podemos esperar para ver como se entendem Cole Palmer, Morgan Rogers e João Pedro. Estes três devem causar estragos.

Treinador: Xabi Alonso
Onze-Base (3-4-2-1): Sánchez; Fofana, Lacroix, Colwill; Reece James (Pedro Neto, Gusto), Caicedo, Enzo, Palestra; Cole Palmer, Morgan Rogers; João Pedro

Atenção a: João Pedro, Cole Palmer, Morgan Rogers, Moisés Caicedo, Marco Palestra

 MANCHESTER CITY (4)

    A Era Pep Guardiola conheceu o seu fim. E a saída daquele que será possivelmente o melhor treinador de todos os tempos, e que conquistou 6 vezes a Premier League em 10 anos, terá sempre que ter impacto neste Manchester City. A inevitável metamorfose dos citizens já tinha dado os seus primeiros passos nos últimos anos (há um ano atrás estávamos a escrever sobre as saudades que KDB iria deixar), mas a saída simultânea de Guardiola, Rodri, Bernardo Silva e John Stones é a garantia que este será outro Man City.
    A missão de substituir Pep seria, para qualquer treinador que fosse escolhido, uma montanha desafiante. O nosso feeling com Maresca, apesar dos seus trabalhos no Chelsea e no Leicester terem sido decentes, não é o melhor. O italiano tem "escola de City" e uma ideia de jogo que casa com os jogadores à sua disposição, mas até a ironia de fisicamente ser uma espécie de sósia do antecessor cai mal, correndo o risco de ser um substituto postiço.
    O City começou a época a perder a Community Shield para o Arsenal (0-3) e o resto da época mostrará se há, como pareceu, assinalável distância entre os dois conjuntos. Com Elliot Anderson (135 milhões) como único e extraordinário reforço, o City continua a contar com Gigi, com excelentes defesas como Rúben Dias, Gvardiol, Guéhi ou O'Reilly (continuará como lateral ou passará para médio?) e quem tem a magia de Cherki, os desequilíbrios de Doku e Semenyo e uma máquina de marcar golos chamada Erling Braut Haaland terá sempre argumentos para lutar pelo título.
    Ainda assim, achamos que Liverpool e Chelsea podem ultrapassar este City na tabela por confiarmos no contágio positivo que Iraola e Xabi Alonso conseguirão, enquanto Maresca pode ter dificuldade em "descobrir" soluções como Guardiola conseguia quase sempre ao longo da temporada, e as saídas de Rodri e Bernardo Silva deixam a equipa profundamente carente de capacidade de controlar ritmos (Enzo Fernández e Bouaddi têm sido associados).
    Com deslocações a Old Trafford, Anfield e ao Villa Park nas primeiras 8 jornadas, o City será testado desde o primeiro dia, e é expectável e natural que os adversários se sintam menos intimidados e mais atrevidos ao não verem Guardiola no banco de suplentes do vice-campeão inglês.
    Só o tempo dirá como é que vai responder uma equipa que deve primeiro regredir e apresentar algum desnorte, e só depois encontrar-se e apresentar inevitáveis dores de crescimento. E veremos se é desta que se conhece o veredicto das 115 acusações de alegadas violações financeiras do clube.

Treinador: Enzo Maresca
Onze-Base (4-2-3-1): Donnarumma; Matheus Nunes (Khusanov), Rúben Dias, Guéhi, Gvardiol; E. Anderson, O'Reilly; Semenyo (Foden), Cherki, Doku; Haaland

Atenção a: Erling Braut Haaland, Rayan Cherki, Jérémy Doku, Elliot Anderson, Josko Gvardiol

 MANCHESTER UNITED (5)

    Muita coisa mudou em Old Trafford no espaço de um ano. Depois do 15º lugar em 24/25, Ruben Amorim ainda resistiu 20 jornadas em 25/26, mas a semântica de quem queria ser manager mas só tinha aval para ser formalmente considerado coach acabou por ditar o fim de uma parceria complexa. O técnico português deixou o United em sexto - uma 6ª posição a 4 pontos do 14º, convém contextualizar - e, após passagem de testemunho de Fletcher, Michael Carrick recuperou o 4-2-3-1 e conseguiu guiar os red devils ao pódio (terceiro lugar). Da vigência de Amorim, além das milhentas entrevistas, do carisma, das vitórias contra os grandes e das derrotas contra quase todos os outros, fica sobretudo um ponto: quem o United contratou (Lammens, Mbeumo e Matheus Cunha especialmente) acrescentou realmente qualidade.
    O clube capitaneado por Bruno Fernandes, Jogador do Ano da última Premier League, batendo o recorde de assistências que até então pertencia a Thierry Henry e Kevin De Bruyne, voltará esta época à Champions e quererá repetir no mínimo o pódio. Achamos no entanto mais provável um 4º ou 5º lugar.
    Com um mercado discreto até ao momento, os vermelhos de Manchester têm priorizado o reforço do meio-campo. Seguindo a lógica de Mbeumo e Matheus Cunha, jogadores já ambientados ao futebol inglês, o United foi buscar Tielemans (boa contratação) ao Aston Villa e Andrey Santos ao Chelsea, e é praticamente garantido que o negócio do camaronês Baleba (Brighton) vai finalmente chegar a bom porto.
    Sob a batuta do maestro Bruno Fernandes, e com alguma incerteza em torno da posição 9 (Sesko tem tido poucos minutos, mas parece mais provável uma utilização de Mbeumo ou Matheus Cunha na frente do que uma ida ao mercado), o United quer provar que está definitivamente de volta aos primeiros lugares da Premier League.

Treinador: Michael Carrick
Onze-Base (4-2-3-1): Lammens; Yoro (Mazraoui), Maguire, L. Martínez (Heaven), Shaw; Tielemans, Andrey Santos; Mbeumo (Amad Diallo), Bruno Fernandes, Dorgu (Rashford); Matheus Cunha

Atenção a: Bruno Fernandes, Bryan Mbeumo, Youri Tielemans, Senne Lammens, Patrick Dorgu

 ASTON VILLA (6)

    O último dos principais candidatos a fazer Top-4 é o atual vencedor da Liga Europa. A 5ª época do basco Unai Emery (indiscutivelmente um dos melhores treinadores do mundo, embora raramente mencionado nessas conversas) em Birmingham teve como ponto de partida oficial uma supertaça europeia, perdida para o PSG, onde pode ter nascido uma estrela. Mas já lá iremos.
    Presente na Liga dos Campeões e já com mais de 230 milhões feitos em vendas, faz-nos sentido que o Aston Villa ainda apresente mais 2 ou 3 reforços até 1 de Setembro, principalmente se se confirmarem as saídas de Ollie Watkins e Konsa. O que sabemos é que Morgan Rogers (137 milhões) mudou-se para o Chelsea, Tielemans para o Manchester United e Digne para o PSG, podendo ter sido um ligeiro erro "desistir" cedo de Dobbin, negociado com o Southampton.
    O suíço Manzambi, uma das jovens estrelas do Mundial 2026, e João Gomes (Wolves) serão os herdeiros naturais dos papéis de Rogers e Tielemans, podendo Wan-Bissaka (emprestado) fazer melhor do que Cash, e devendo Ruggeri ganhar a lateral esquerda a Maatsen. O japonês Zion Suzuki preferiu juntar-se ao Villa do que ao PSG, o que permite interpretar que deve ser desta que Emi Martínez termina o seu trajeto neste clube. Nota ainda para Garnacho, mais uma tentativa de Emery de "curar" um jogador difícil, tal como já acontecera com Sancho, Zaniolo e Rashford.
    A equipa continua a ter McGinn, Kamara ou Buendía, mas a iminente saída de Konsa para o Arsenal obrigará a contratar para o centro da defesa, e se Watkins rumar mesmo à Arábia Saudita, haverá também necessidade de encontrar um novo ponta de lança. Em todo o caso, sabemos desde 12 de Agosto que Brian Madjo, um gigante adolescente de 17 anos, pode muito bem ser a nova coqueluche e a solução no pós-Watkins. Além de Madjo, Emery parece ainda confiar noutros dois meninos da formação, Hemmings e Burrowes.
    Com um grandíssimo treinador, forte na preparação do jogo e ainda mais forte na leitura progressiva do mesmo, e com "estofo" comprovado a gerir o equilíbrio entre fazer uma boa Premier e uma boa campanha europeia, este Aston Villa há-de estar uma vez mais nos lugares cimeiros. Mas veremos primeiro com que jogadores estará este plantel daqui a uma semana e meia.

Treinador: Unai Emery
Onze-Base (4-4-1-1): Suzuki; Cash, Lindelöf, Pau Torres, Ruggeri (Maatsen); McGinn, B. Kamara, João Gomes, Buendía (Garnacho); Manzambi; Watkins (Madjo)

Atenção a: Ollie Watkins, Johan Manzambi, Emi Buendía, Zion Suzuki, Brian Madjo

 BRENTFORD (7)

    Na Antevisão da Premier League 25/26, acertámos nos despromovidos Wolves e Burnley e até colocámos o West Ham no lote seguinte de equipas que corria risco de descer, mas nesse mesmo lote também colocámos o Brentford... que acabou em 9º. À data, preocupava-nos as saídas simultâneas de Thomas Frank, Mbeumo e Wissa, e Keith Andrews era uma incógnita.
    Ora, um ano depois surge o nosso mea culpa, apontando desta vez os bees àquela que seria uma classificação histórica na Premier League.
    Uma das equipas taticamente mais influentes em Inglaterra, com os lançamentos de Kayode como marca registada e uma fascinante capacidade de atrair a pressão e explorar as costas de forma vertiginosa e sem precisar de muitos elementos para semear pânico, o Brentford apresenta-se essencialmente igual, tendo até agora contratado um jogador bastante especial, e dois elementos úteis para o banco. Por princípio, conservar todo o aparelho positivo é regra geral uma boa novidade, e Kelleher, Kayode, Ajer e Collins continuam todos no Gtech, juntando-se ainda van den Berg e o reforço Schuster (20 anos) e gerando apenas dúvidas o lado esquerdo, que pode ser ocupado por Lewis-Potter ou Rico Henry, ou por um upgrade se ainda for possível.
    O meio-campo tinha Janelt e Damsgaard, um par bastante subvalorizado, mas ganha agora um jogador que deve encher o campo todos os jogos, e que duvidamos que faça mais do que uma época neste Brentford: o maliano e esquerdino Mamadou Sangaré foi um dos melhores jogadores da Ligue 1, pelo Lens, e é muito provável que em 2027 estaremos a observar a ascensão meteórica deste centro-campista, de Viena em 2024 até a um tubarão europeu em breve.
    Gostamos das opções de banco que Jaidon Anthony e Callum Wilson dão, e gostamos sobretudo de um trio de ataque que está perfeitamente oleado. Igor Thiago há-de querer marcar mais do que 22 golos nesta edição, ou pelo menos marcar mais do que 14 de bola corrida, uma vez que poderá ter menos grandes penalidades (8) para converter, e tanto Schade como Dango Ouattara são jogadores perigosíssimos.
    Sem competições europeias, com Sangaré e com um tridente ofensivo de fazer inveja a muitas equipas, este Brentford promete.

Treinador: Keith Andrews
Onze-Base (4-3-3): Kelleher; Kayode, Ajer, Collins, Lewis-Potter (R. Henry); M. Sangaré, Janelt, Damsgaard; Dango Ouattara, Schade, Igor Thiago

Atenção a: Igor Thiago, Mamadou Sangaré, Kevin Schade, Dango Ouattara, Mikkel Damsgaard

 TOTTENHAM (8)

    17ª posição em 25/26 e 17ª posição em 24/25. Nos últimos dois anos, o Tottenham habituou-se à mediocridade, temendo a sério a tenebrosa descida na última época, e tendo garantido a permanência apenas na derradeira jornada. Os spurs falharam com Thomas Frank (pensámos que correria bem) e Igor Tudo (nunca duvidámos que correria mal) mas o italiano Roberto De Zerbi pegou na equipa do Norte de Londres na jornada 32, e as 3 vitórias e 2 empates nesse espaço de 7 jornadas foram suficientes para fazer melhor do que o West Ham, o histórico que acabou condenado.
    Apostar que o Tottenham conseguirá escalar 9 posições na tabela não é crer que o clube vá ser uma das equipas sensação, é simplesmente achar que, com De Zerbi, os spurs conseguirão "zerar" comportamentos e devolver q.b. o clube a uma zona da tabela mais de acordo com a sua História. E, sejamos francos, um 8º lugar - que seria visto como um upgrade - até seria fraco para um clube que deveria ser consecutivamente Top-6 e almejar o Top-4.
    Claro que quando se quer recuperar um histórico moribundo, ajuda bastante poder gastar quase 300 milhões. Este Tottenham não terá Vicario, Romero nem Djed Spence, e vendeu também de forma criminosa Vuskovic ao Brighton, cortando a ligação do promissor avançado Lankshear, com boas perspectivas de se afirmar no Middlesbrough. Em sentido inverso, e com a baliza aparentemente entregue a Kinsky, "sacou" Senesi e Andy Robertson a custo zero, van Hecke custou 60M, concentrando quase todo o seu investimento em dois médios que devem mudar completamente o futebol da equipa - por Sandro Tonali (Newcastle) pagaram 108 milhões e pelo português Mateus Fernandes (West Ham) 99 milhões.
    Com 3 jogadores desequilibradores (Kulusevski, Xavi Simons e Kudus) lesionados, e James Maddison de regresso há pouco, o Tottenham está bem servido na defesa (Porro, van Hecke, van de Ven e Robertson podem formar uma ótima linha de 4, com Senesi a possibilitar rotação ou pontual defesa a 3) e no miolo, mas enfrenta de certa forma um dilema no ataque, tendo que avaliar se tenta "aguentar o barco" com jogadores como Tel, Richarlison, Solanke e Mikey Moore, esperando pelos seus criativos no estaleiro, ou se ataca ainda uns 2 super-reforços (fala-se em Savinho e Marmoush) nesta reta final do mercado, acabando depois com excesso de opções e um balneário votado ao descontentamento pela impossível distribuição de minutos.
    Seja como for, esperamos que este Tottenham jogue bastante mais, e seria um choque voltar a encontrar os spurs em 17º quando fizermos o balanço da competição no final da época.

Treinador: Roberto De Zerbi
Onze-Base (4-3-3): Kinsky; Pedro Porro, Van Hecke, van de Ven, Robertson; Tonali, Mateus Fernandes, C. Gallagher (J. Maddison); Kudus (M. Moore), Tel, Richarlison

Atenção a: Sandro Tonali, Mateus Fernandes, Mathys Tel, Pedro Porro, James Maddison

 LEEDS UNITED (9)

    Com a informação que temos atualmente, é possível que as classificações que arriscamos para Brentford e Leeds United sejam os dois exageros desta Antevisão. Principalmente no caso dos whites, essa convicção está alicerçada no "clique" imediato que acreditamos que 3 reforços terão, subindo bastante o coletivo.
    O Leeds venceu o Championship em 2025 e, na subida à Premier League, aguentou-se à tona, respirando no 14º lugar, distante do drama e preocupação da luta pela manutenção. Daniel Farke vai para a quarta temporada no clube, a pré-época deixou bons sinais e o nosso feeling é que veremos uma equipa mais forte, simultaneamente capaz de marcar mais golos e sofrer menos, e com argumentos para lutar pela primeira metade da tabela.
    Todos os jogadores mais utilizados em 25/26 permanecem no plantel, exceto Struijk (Brighton) e Darlow (Manchester United), tendo o recrutamento do Leeds garantido que as posições de central e guarda-redes não serão um problema uma vez que os novos jogadores são claramente superiores. O guardião James Trafford custou quase 50 milhões mas vale o preço, podendo em Elland Road reencontrar o nível apresentado no Burnley, e o bósnio Muharemovic é um "monstro" defensivo, tendo o Leeds batido a elevada concorrência pelo central de 1,92m ex-Sassuolo. A juntar a estas novas peças do 3-4-3 de Farke temos outro central (Elvedi) e Harry Wilson, um dos melhores extremos direitos da última Premier League, ao serviço do Fulham de Marco Silva, e que assinou a custo zero por ser um jogador livre.
    Apesar de considerarmos que existe margem para acrescentar qualidade (1 reforço para o trio de ataque e pelo menos um lateral/ala melhor do que Bogle, Justin e Gudmundsson), antecipamos que Calvert-Lewin vá realizar uma época ainda melhor do que a anterior, que Harry Wilson será amor à primeira vista para os adeptos, e confiamos que uma estrutura defensiva com Trafford, Rodon, Bijol e Muharemovic será garantia de tardes complicadas e incómodas para os atacantes adversários.

Treinador: Daniel Farke
Onze-Base (3-4-3): Trafford; Rodon, Bijol, Muharemovic; Bogle, Stach, Ampadu, J. Justin; Harry Wilson, Nmecha (Okafor), Calvert-Lewin

Atenção a: James Trafford, Dominic Calvert-Lewin, Harry Wilson, Tarik Muharemovic, Anton Stach

 BRIGHTON (10)

    Esta vai ser a 3ª temporada do treinador alemão Fabian Hürzeler no Brighton. Este dado torna-se mais interessante quando nos recordamos que Fabian Hürlezer tem apenas 33 anos.
    Estabilizados no oitavo lugar nas últimas duas épocas, os seagulls são certamente candidatos a fazer Top-7, mas a imprevisibilidade e competitividade da Premier League leva-nos a achar que tanto podem repetir a sua classificação recente como fechar o Top-10 ou abrir a segunda metade da tabela. Enquanto Bournemouth, Sunderland e Crystal Palace estarão presentes na Liga Europa, com vários adversários do seu nível, o Brighton fará a sua caminhada europeia na Liga Conferência (assumindo que elimina os noruegueses do Tromso), competição cujo grau de exigência pode permitir uma maior rotação. Embora esta seja somente a 2ª participação do clube nas provas UEFA, estará latente um grau de favoritismo, estando o clube de East Sussex consciente que três das últimas quatro Conference foram ganhas pelo representante inglês: Crystal Palace (25/26), Chelsea (24/25) e West Ham (22/23).
    Falar do Brighton é quase sempre falar de detecção precoce de talento e vendas milionárias após valorização. Neste Verão, o central neerlandês Jan Paul van Hecke (transferido para o Tottenham por 60 milhões) juntou-se a uma longa lista de nomes como João Pedro, Caicedo, Cucurella, Mac Allister ou Trossard, e a eternamente prometida mudança de Baleba para o Manchester United deve estar por dias.
    Pela primeira vez em muitos anos sem Welbeck (no clube desde 2020) no ataque, tendo o veterano avançado de 35 anos rumado ao Chelsea, o Brighton continua a ter nas suas fileiras muitos jogadores que ainda não explodiram. São os casos de Rutter, De Cuyper ou Kostoulas. E mesmo elementos como Kadioglu, Ayari e Mitoma, já tendo atingido um bom nível, podem mesmo assim dar muito mais.
    Na hora de ir ao mercado, a prioridade foi reforçar o centro da defesa. O austríaco Svoboda vem com bons indicadores da Serie B, Struijk tem experiência de Premier League e o croata Luka Vuskovic (19 anos) foi uma aquisição estratosférica, sendo porventura o defesa central mais letal nas bolas paradas ofensivas desde Sergio Ramos, e tendo mostrado no empréstimo ao Hamburgo indiscutível potencial para ser um dos melhores do mundo na posição. O Tottenham, clube anterior do rapaz, vai certamente arrepender-se.
    2026/ 27 parece ser assim um novo capítulo de desenvolvimento de jovens promessas, mantendo no horizonte a ambição europeia.

Treinador: Fabian Hürzeler
Onze-Base (4-3-3): Verbruggen; Wieffer, Vuskovic, Dunk (Svoboda), Kadioglu; Gross, Ayari, Hinshelwood; D. Gómez, Mitoma (De Cuyper), Rutter

Atenção a: Luka Vuskovic, Pascal Gross, Yasin Ayari, Ferdi Kadioglu, Georginio Rutter

 NEWCASTLE (11)

    Quando dizemos que esta Premier League soa a início de novo ciclo, se excluirmos o exemplo óbvio do Manchester City devido ao fim de uma década com Guardiola como treinador, este Newcastle será o caso em que mais mudanças estão a acontecer ao mesmo tempo.
    Em 25/26 o clube viu-se "forçado" a vender Alexander Isak, num mercado onde chegou a dar pena a quantidade de alvos (Ekitiké, Mbeumo, Sesko, João Pedro, Trafford, etc.) que os magpies não conseguiram convencer. Um ano mais tarde, e sem competições europeias como aperitivo para ninguém, o clube viu sair Anthony Gordon para o Barcelona, Tonali para o Tottenham e Bruno Guimarães para o Arsenal. Farto da incapacidade da direção em segurar os melhores jogadores e recrutar os craques identificados, Eddie Howe pôs fim a uma ligação de 5 épocas, surgindo assim o alemão de 38 anos, Matthias Jaissle (Al-Ahli), como seu sucessor.
    Convenhamos: o Newcastle continua a ter excelentes laterais (Lewis Hall e Livramento) e bons centrais, um avançado como Wissa pode perfeitamente passar de Flop a um dos melhores marcadores desta edição, e a camisola 10 entregue a Osula reforça a esperança que existe no dinamarquês, mas é sempre complicado antecipar como se vai comportar uma equipa que perde no mesmo mercado de uma assentada Bruno Guimarães e Sandro Tonali, ou seja, o seu meio-campo. Com quase 300 milhões de euros em caixa, é natural e previsível que ainda vejamos 2 ou 3 reforços de nome juntarem-se ao Newcastle até ao mítico deadline day, mas face ao histórico recente também é ajustado imaginar que os Planos A e B para algumas posições vão dizer Não.
    O rapidíssimo Bazoumana Traoré (ex-Hoffenheim) é o reforço mais caro até ao momento (50M), juntando-se a ele dois médios (Steur, o nosso reforço favorito do leque atual, e Aladji Bamba) e dois guarda-redes (Hornicek e Jaouen), representando assim a baliza um investimento superior a 50 milhões. De Portugal, além de levar Hornicek, o Newcastle levou também Dedic, e diz-se que a coisa até pode não ficar por aqui.
    Basicamente, o 11º lugar acaba por ser o meio termo entre 1) a capacidade de lutar pela Europa, porque é indiscutível que Jaissle é bom treinador e o St. James' Park é um dos estádios com mais personalidade e desconfortáveis para os adversários na Premier League, e 2) o perigo de cair novamente naquela região entre o 12º e o 15º lugares, consequência da necessidade de mudar muita coisa num curto espaço de tempo.

Treinador: Matthias Jaissle
Onze-Base (4-3-3): Hornicek; Livramento (Dedic), Thiaw, Botman (Burn), Lewis Hall; Bamba, Joelinton, Steur (Miley); Elanga, H. Barnes (B. Touré), Wissa (Woltemade)

Atenção a: Yoane Wissa, Lewis Hall, Tino Livramento, Bazoumana Touré, Sean Steur

 NOTTINGHAM FOREST (12)


    Jamais apostaríamos que, depois do seu extraordinário trabalho no Crystal Palace, Oliver Glasner escolhesse o Nottingham Forest de Evangelos Marinakis como o seu passo seguinte. O austríaco queria um desafio, e no Forest tê-lo-á certamente.
    O Forest ficou em 16º na última Premier League, mas foi semi-finalista da Liga Europa, isto numa temporada em que teve 4 treinadores (Nuno Espírito Santo, Ange Postecoglou, Sean Dyche e Vítor Pereira). No ano anterior, com NES, tinha ficado 7º a poucos pontos dos lugares de Liga dos Campeões. Quer isto dizer que Glasner escolheu um clube com capacidade para competir ao mais alto nível, mas onde a estabilidade só existe fugazmente no ponto mais alto da montanha russa de emoções.
    Mesmo sem Elliot Anderson, vendido por 135 milhões de euros ao Manchester City, este Forest continua a ter jogadores para pensar no Top-10 e faz sentido especular que Glasner tentará repetir, pelo menos em disposição das peças e definição de perfis de jogadores, uma grande percentagem da sua fórmula no Crystal Palace.
    Assim, num renovado 3-4-2-1, o ex-sportinguista Diomande deve formar o trio de centrais com Milenkovic e Murillo, e nos corredores Aina e Neco Williams terão uma importância reforçada, podendo-se imaginar que o lateral galês terá uma liberdade idêntica à que Muñoz tinha no Palace. Schlager, Sangaré, Nicolás Domínguez e Yates são opções para o centro do terreno, mas parece haver margem (financeira e estilística) para pagar bem pelo herdeiro de Anderson. Isto porque acreditamos que Morgan Gibbs-White, um daqueles jogadores que teria lugar em qualquer equipa da Premier League, será utilizado numa zona mais adiantada, secção onde Igor Jesus (muitas expectativas para o que pode crescer com Glasner) e Chris Wood podem ou não coexistir, isto sem esquecer a verticalidade que Ndoye, Hudson-Odoi ou Bakwa oferecem.
    Com matéria-prima para o escultor Glasner apresentar nova obra, neste Forest a interrogação é sobretudo extra-campo: terá o austríaco a paciência necessária para lidar com o temperamental dono do clube?

Treinador: Oliver Glasner
Onze-Base (3-4-3): Sels; Diomande, Milenkovic, Murillo; Aina, Sangaré, Schlager (Dominguez), Neco Williams; Gibbs-White, Igor Jesus, Chris Wood

Atenção a: Morgan Gibbs-White, Igor Jesus, Chris Wood, Neco Williams, Murillo

 BOURNEMOUTH (13)
    Possivelmente a mais questionável das nossas decisões nesta Antevisão é apontar à segunda metade da tabela um clube em trajetória ascendente - 15º em 22/23, 12º em 23/24, 9º em 24/25 e 6º em 25/26. Os cherries têm um projeto com pés e cabeça, sabem o que fazem, e venderam nos últimos anos Semenyo, Zabarnyi, Huijsen, Kerkez, Solanke, conseguindo mesmo assim melhorar progressivamente o rendimento da equipa. O que é que nos faz então antecipar uma abrupta queda de rendimento? A saída de Andoni Iraola para o Liverpool, a gestão que implicará a estreia nas competições europeias (Liga Europa) e a lesão da estrela Junior Kroupi, afastado dos relvados 3 a 4 meses depois de uma cirurgia ao pé.
    Marco Rose tem um bom currículo (Salzburgo, Gladbach, Dortmund e Leipzig) e até acreditamos que seja o homem certo para o lugar, mas arriscamos que precisará de tempo e voto de confiança em determinados momentos, provando-se a escolha certa na 2ª volta e em definitivo na próxima temporada. Sem Senesi (saiu a custo zero para o Tottenham), o português António Silva será o novo companheiro de James Hill, um central que merecia melhor imprensa, e no meio-campo segurar Alex Scott foi uma manobra fundamental, impondo-se que seja ele a constante num setor que conta com Tóth, Ryan Christie e Tyler Adams. 
    A lesão do miúdo Eli Junior Kroupi pode ter adiado a sua eventual transferência para o próximo Verão, sendo para já urgente que Rayan se assuma como o porta-estandarte da equipa em desequilíbrios e golos, e Kluivert quererá regressar ao seu nível de 24/25. O uruguaio Álvaro Rodríguez chegou do Elche para "puxar" por Evanilson, e também de Espanha chegou Juanlu Sánchez, uma possível "pechincha" por 11 milhões para ocupar a lateral-direita.


Treinador: Marco Rose
Onze-Base (4-2-3-1): Petrovic; Juanlu (L. Cook), James Hill, António Silva, Truffert; Christie (Tóth), Alex Scott; Rayan, Kluivert, Tavernier (Kroupi); Evanilson (Rodríguez)

Atenção a: Rayan, Junior Kroupi, Alex Scott, Justin Kluivert, James Hill

 SUNDERLAND (14)

    Na última edição, o Sunderland foi uma das equipas sensação da prova, passando de 4º do Championship (subiu via Play-Off) para 7º da Premier League. Os black cats, além do gostinho especial de ficarem cinco posições acima do grande rival Newcastle, mostraram que com os reforços certos (claro que ajuda ter mais de 200 milhões para gastar) uma equipa promovida pode realmente lutar de igual para igual com os maiores clubes da atualidade inglesa. E também ficámos a saber quando o excelente Régis Le Bris foi apontado à saída, caso não conseguisse colocar o Sunderland na Europa, que a direção tem tiques de impaciência e este matrimónio futebolístico com o treinador francês pode desfazer-se caso haja oportunidade ou justificação.
    Felizmente para o Sunderland, os principais destaques individuais da época passada, com o guardião Roefs como exceção, foram jogadores com 20 e muitos ou 30 e poucos anos, o que permitiu ao 7º classificado da Premier League manter o balneário intocado, precisando apenas de resistir ao assédio do Chelsea de Xabi Alonso ao suíço e capitão Granit Xhaka.
    O Sunderland, que terá esta temporada José Fonte no corpo técnico como treinador adjunto, não teve saídas e praticamente não registou ainda entradas, importando mencionar apenas o ingresso do lateral belga Thomas Meunier a custo zero. A inércia no mercado de transferências pode ser consequência do significativo investimento de 25/26 e da análise interna de que jogadores como Brobbey, Diarra, Angulo ou Hume podem dar muito mais.
    O mesmo raciocínio que nos leva a suspeitar de quebra de performance interna no Crystal Palace e no Bournemouth aplica-se aqui, com o foco dividido entre Premier League e Liga Europa a representar uma fatura.

Treinador: Régis Le Bris
Onze-Base (4-3-3): Roefs; Mukiele, Ballard, Alderete, Hume; Sadiki, Xhaka, H. Diarra; Le Fée, Angulo (Talbi), Brobbey

Atenção a: Enzo Le Fée, Granit Xhaka, Brian Brobbey, Robin Roefs, Nilson Angulo

 EVERTON (15)

   De 21/22 para cá, o Everton ficou em 16º, 17º, 15º e finalmente em 13º nas últimas duas temporadas. É justamente a essa zona da tabela (12º a 15º) que apontamos os toffees de David Moyes.
    Ainda a ambientar-se ao Hill Dickinson, começando aos poucos a construir boas memórias na nova casa (3-0 contra o Chelsea, empate 3-3 com o Manchester City), este Everton é a típica equipa de Premier League - porventura a mais old school nos arquétipos dos seus jogadores - em que o todo vale claramente mais do que a soma das partes. Quem tem Pickford, Tarkowski ou James Garner (que campanha realizou em 25/26!), dificilmente vai ao fundo. Mas continuam a faltar jogadores capazes de fazer a equipa mais antiga de Liverpool regressar aos seus tempos áureos (2005-2019) onde acabava quase sempre na primeira metade da tabela, e muitas vezes no Top-6.
    Sem perdas de revelo (o empréstimo de Jack Grealish não correspondeu ao que os primeiros sinais pareciam indicar), Moyes recebeu Brennan Johnson, Tyrique George (também conhecido como evil Saka) e Norgaard, mas o melhor reforço foi mesmo Hayden Hackney, um médio do Middlesbrough que já estava há vários anos "na calha" para dar o salto para a Premier League.
    Ndiaye terá rejeitado uma lucrativa proposta da Arábia Saudita, e essa corajosa (?) decisão de continuar a privilegiar o futebol de alto nível pode originar um acréscimo no rendimento individual do craque senegalês, que pode dar muito mais, tal como Barry ou Dibling.
    Sem competições europeias, e com Thierno Barry e Beto a continuarem como principais responsáveis por fazer golos, o Everton pode beneficiar comparativamente com Bournemouth, Sunderland e Crystal Palace dos dias de descanso e preparação criteriosa de cada fim de semana de jogo.

Treinador: David Moyes
Onze-Base (4-2-3-1): Pickford; O'Brien, Tarkowski, Branthwaite, Mykolenko; J. Garner, Hackney; B. Johnson (Dibling, Röhl), Dewsbury-Hall, Ndiaye; T. Barry

Atenção a: James Garner, Iliman Ndiaye, Kiernan Dewsburry-Hall, Thierno Barry, Hayden Hackney

 FULHAM (16)
    

    Ao contrário das cinco edições anteriores, desta vez não há Marco Silva. E é justamente a desconfiança que temos na transição do novo treinador do Benfica para Álvaro Arbeloa (sucessor de Xabi Alonso e antecessor de José Mourinho no Real Madrid) que nos faz crer que o Fulham pode cair na tabela, afastando-se das posições a que se habituou com MS (10º a 13º) em direção à zona de aflitos e, no limite, à despromoção.
    Em Londres, já não há não só Marco como também Harry Wilson (Jogador do Ano dos cottagers em 25/26) e Raúl Jiménez (sempre fiável o veterano mexicano, em especial a partir da marca dos 11 metros), mas é um plus a continuidade de todos os elementos defensivos, pensando não só no quarteto defensivo como também em Leno e Sander Berge.
    Num campeonato onde gastar 100 milhões numa janela de transferências de Verão é prática transversal a quase todos os clubes, o Fulham tem sido invulgarmente comedido. Marco Silva teve o mérito ao longo de 5 anos de contribuir para épocas confortáveis com menos reforços do que desejaria, mas com Arbeloa a direção deve passar dos 100M, uma vez que a semanas do mercado fechar já foram despendidos quase 90. Essencialmente, são dois os reforços com entrada de caras no 11: Gonzalo García não tinha espaço em Madrid e viajou na mala do seu anterior treinador, e Shea Charles (médio ex-Southampton e com "escola" de Manchester City) é uma excelente novidade desta equipa, podendo encher o campo e ligar setores, aliviando Iwobi.
    Além da concorrência saudável entre Gonzalo e Rodrigo Muniz, isto se o ponta de lança brasileiro não sair, o principal ponto de interrogação em Craven Cottage, se deixarmos de parte o fator Arbeloa e a duvidosa paciência perante um mau arranque (não seria chocante se o Fulham fizesse 1 ou 3 pontos nas primeiras cinco jornadas, mas logo depois defronta consecutivamente as 3 equipas promovidas), é a consistência que elementos talentosos mas muito oscilantes como Oscar Bobb, Kevin e Smith Rowe conseguirão ou não apresentar.
    Se calhar o tempo mostrará que fizemos mal em subvalorizar este Fulham, mas há efetivamente sinais para, no mínimo, desconfiar.

Treinador: Álvaro Arbeloa
Onze-Base (4-2-3-1): Leno; Tete, J. Andersen, C. Bassey, A. Robinson; Berge, S. Charles; O. Bobb, Iwobi, Kevin (Sessegnon); Gonzalo García (R. Muniz)

Atenção a: Gonzalo García, Alex Iwobi, Antonee Robinson, Shea Charles, Oscar Bobb

 CRYSTAL PALACE (17)

    Quando em finais de Fevereiro de 2024, o austríaco Oliver Glasner substituiu o septuagenário Roy Hodgson no comando técnico do Crystal Palace, vencendo 6 das últimas 7 jornadas dessa Premier League, o Selhurst Park sentia estar perante alguém especial, capaz de conduzir os eagles a tempos de glória. O Palace venceu a FA Cup em 24/25 e em 25/26 conquistou a Community Shield e a Liga Conferência, feitos impressionantes para um clube que só ganhara divisões secundárias e a extinta Members Cup.
    Seguramente com nostalgia dos tempos de Olise, Eze e Guéhi no clube, os adeptos terão agora que encontrar paz com a partida de Glasner, tendo o treinador afirmado que precisava de um novo desafio para a sua carreira (Nottingham Forest).
    Na hora de substituir Glasner, o clube virou-se para Pierre Sage, o Treinador do Ano na Ligue 1 com o sensacional Lens. Aos 47 anos, mas apenas com 3 temporadas como técnico principal no futebol sénior, o francês representa uma aposta com algum grau de risco, casando bem no entanto a ideia de jogo do seu Lens, igualmente em 3-4-2-1, com a matriz recente do Crystal Palace.
    Já habituado a perder os seus melhores jogadores, o Palace vendeu Lacroix para o Chelsea (60 milhões) e o inesgotável Daniel Muñoz tem sido associado ao Everton, clube que enviou Dwight McNeil para receber Brennan Johnson.
    Ismaïla Sarr e Adam Wharton continuam, bem como Mateta, e é certo que há jogadores como Pino, Strand Larsen, Doucouré (pode ser o "novo Sangaré" de Pierre Sage) e Matheus França que podem dar muito mais, mas a defesa precisa de reforços e o mercado tem sido esquisito - sobretudo se Muñoz continuar, não faz muito sentido ir buscar em simultâneo Khalaili e Mingueza, jogadores que se destacaram maioritariamente como laterais/alas direitos.
    Globalmente, achamos que o Crystal Palace pode sofrer e suar bastante para garantir a manutenção. A presença na Liga Europa pode custar pontos e prejudicar a primeira volta e isso, numa equipa com saudades do que viveu com Glasner e a precisar de 2 ou 3 reforços para Sage, pode ser suficiente para estar sempre a correr atrás do prejuízo.

Treinador: Pierre Sage
Onze-Base (3-4-2-1): D. Henderson; Canvot, Richards, Riad; D. Muñoz (Khalaili), Wharton, Doucouré (Kamada), Mitchell; I. Sarr, Pino (McNeil); Mateta (Strand Larsen)

Atenção a: Ismaila Sarr, Adam Wharton, Anan Khalaili, Yéremi Pino, Jorgen Strand Larsen

 COVENTRY CITY (18)

    Das três equipas promovidas, o Coventry City é aquela que não estava nestas andanças há mais tempo. Foram 25 anos de espera, sendo preciso por isso recuar a 2000/ 2001 para encontrar a última presença dos sky blues na Premier League. Nessa época, o galês Craig Bellamy foi o melhor marcador da equipa. Nessa época, Craig Bellamy tinha 21 anos.
    O tempo passou, o Coventry andou por três escalões diferentes (Championship, League One e League Two), esteve envolvido no Play-Off de acesso por duas vezes, perdendo inclusive nas grandes penalidades em Wembley em 22/23, na altura com Gyökeres e diante do Luton Town, e acabou a sorrir como campeão do Championship 25/26, com 95 pontos e sob a liderança de Frank Lampard.
    Com um ataque com golos distribuídos (Haji Wright, Simms, Thomas-Asante, Torp e Mason-Clark fizeram todos 10 ou mais golos), foi no entanto na baliza que esteve o melhor jogador da última edição da segunda liga inglesa. Carl Rushworth foi absolutamente determinante, reforçando como Inglaterra está bem servida de guarda-redes (James Trafford foi ainda mais extraordinário, na temporada anterior do Championship, ao serviço do Burnley). E como seria expectável clube não hesitou em pagar 25 milhões ao Brighton para ficar com o guardião de 25 anos em definitivo.
    Aos 48 anos, Frank Lampard regressa à Premier League com um projeto "seu", garantindo desta feita que ninguém questionará desta vez a sua adequação para o cargo. Este não é um tacho, e Lampard quererá provar que é atualmente bem mais treinador, ele que forma com Carrick e O'Neil o trio de treinadores ingleses nesta liga inglesa.
    Dos jogadores que transitam da época passada, Matt Grimes (há muitos anos que merecia estar na Premier League!) é o cérebro, Rudoni o elemento mais especial, o lateral van Ewijk é forte a criar, o central Bobby Thomas é uma ameaça nas bolas paradas ofensivas, Victor Torp só sabe marcar grandes golos e, entre os atacantes, talvez o ganês Thomas-Asante seja o jogador que menos acuse o "salto" de divisão. Entre os reforços, há Amenda, Tchaouna, Awoniyi, Cherif e Gustavo Hamer (regressa depois de ter representado os sky blues entre 2020 e 2023), mas o maior destaque tem que ser Caleb Yirenkyi. O médio centro de 20 anos chegou a ser associado ao FC Porto mas optou pela Premier League, prometendo impressionar com o seu raio de ação, força física e resistência ao choque durante o transporte.
    Os campeões do Championship quererão imitar o sucesso de Leeds United e Sunderland, e não os desaires recentes de equipas promovidas como o Burnley, o Leicester ou o Southampton.

Treinador: Frank Lampard
Onze-Base (4-3-3): Rushworth; van Ewijk, B. Thomas, Amenda, Dasilva; M. Grimes, Onyeka, Yirenkyi; Rudoni (Tchaouna), Thomas-Asante (G. Hamer), H. Wright (Awoniyi, Simms)

Atenção a: Carl Rushworth, Caleb Yirenkyi, Matt Grimes, Brandon Thomas-Asante, Bobby Thomas

 IPSWICH TOWN (19)

    Ao contrário do Coventry (25 anos de ausência) e do Hull (10 anos de intervalo), o Ipswich Town ainda está bem fresco na memória de todos os fãs da Premier League. Os tractor boys estiveram neste patamar em 24/25 (19º lugar) e a descida aos infernos do sempre competitivo Championship só durou uma temporada, conseguindo na última jornada garantir o 2º lugar e a subida direta, a 11 pontos do campeão Coventry City. Na altura sob o comando de Kieran McKenna, o Ipswich acabou por corresponder às expectativas: a estratégia de mercado na anterior subida à Premier fora recrutar os melhores jogadores de clubes que não tinham garantido a promoção no Championship, o que ajudou a posicionar o Ipswich como clube iôiô - demasiado forte para o Championship, mas vulnerável e aquém quando comparado com a esmagadora maioria dos adversários na Premier.
    Gary O'Neil (ex-Estrasburgo e Wolves) terá a missão de amadurecer e dotar de consistência um conjunto de jogadores que evoluíram muito com McKenna, sobrevivendo dos longínquos tempos da League One apenas Leif Davis e George Hirst. Estruturalmente, identificamos algumas semelhanças (defesa competente com maior capacidade de criar a partir do corredor esquerdo, meio-campo forte na recuperação e ataque com muita juventude e irreverência, embora sem goleador declarado) entre o Ipswich e o Fulham, o que nos leva a colocá-los seguidos na tabela, embora ambos nos pareçam poder oscilar entre 16º e 19º.
    O gigante neerlandês Scherpen (2,06m), ex-Union St. Gilloise, tentará resolver um dos problemas do Ipswich na última vez que esteve na Premier League, e no coração da defesa Issa Diop pode formar uma interessante parceria com Jacob Greaves. Florentino e Lukic oferecem concorrência a Matusiwa e ao "traidor" Marcelino Núñez (persona non grata em Norwich depois de ter trocado os canários pelo grande rival) e na frente, embora Philogene ainda possa sair, já havia Jack Clarke e o miúdo maravilha norueguês Sindre Walle Egeli, aos quais se acrescentam agora dois jogadores com passagem pelo futebol português, Fatawu (fortíssimo nas diagonais a partir da direita) e Maeda (ganhou estatuto de herói em Glasgow), e ainda um craque em potência como Julio Enciso. O paraguaio tem tudo para ser a figura da equipa, tendo já representado o Ipswich na segunda metade de 24/25 e trabalhado com O'Neil na última época na Ligue 1. Quanto a golos, o clube apostou forte em Emersonn, brasileiro ex-Toulouse pelo qual pagou 28 milhões de euros. O dianteiro de 1,93m só marcou 7 golos na liga francesa, mas tem um perfil ajustado para singrar em Inglaterra e combinar bem nos apoios aos extremos que terá perto de si.
    Mais apetrechado do que em 24/25, o Ipswich é forte candidato a descer, mas torceremos para que sobreviva. Achamos que praticará um futebol chamativo, mas a valia de O'Neil e o "estofo" mental que pode faltar para reagir perante séries de resultados negativos deixam-nos com reservas, apontando a este quiçá mais prudente 19º lugar.

Treinador: Gary O'Neil
Onze-Base (4-2-3-1): Scherpen; O'Shea, I. Diop, J. Greaves, Leif Davis; Florentino, M. Núñez (Lukic); Fatawu (Egeli), Enciso, Jack Clarke (Philogene); Emersonn

Atenção a: Julio Enciso, Emersonn, Jack Clarke, Abdul Fatawu, Leif Davis

 HULL CITY (20)

    O Hull City foi a última equipa a assegurar a sua presença nesta Premier League, batendo em Wembley o Middlesbrough por 1-0, isto depois de ter chegado ao Play-Off como 6º classificado do Championship. Não surpreenderá, por isso, que apontemos os tigers à descida. Cada vez mais, para um clube recém-promovido sobreviver, é recomendável manter um core coeso e reforçar-se de modo a queimar a distância qualitativa para os 17 residentes da Premier League. Quase sempre, quando um plantel de equipa promovida continua a parecer um plantel de Championship, o destino mais provável é mesmo a o regresso ao Championship.
    Em Kingston upon Hill, os adeptos locais são devotos ao bósnio Sergej Jakirovic, o treinador que operou o milagre de transformar o 21º classificado de 24/25 numa das três equipas promovidas na temporada seguinte. Oli McBurnie foi o jogador do ano no emblema que ainda há uns anos tinha nas suas fileiras Robertson, Maguire ou Bowen, e coube precisamente ao ponta de lança escocês decidir aos 90+5 um embate em Wembley diante de 84.500 espectadores. O Middlesbrough era favorito, tal como fora também o Millwall, tendo o Southampton perdido a sua chance devido a um caso de espionagem.
    No regresso à Premier League (não estavam aqui desde 16/17 e chegaram a estar na League One em 20/21), o Hull tem paulatinamente melhorado o seu plantel mas, ainda assim, garantir a manutenção com este elenco seria um dos maiores feitos dos últimos anos. O grego Tzolakis, titular do Olympiacos, foi o 4º guarda-redes mais caro deste mercado (atrás de Rushworth, Hornicek e Trafford, todos contratados por clubes ingleses) e tanto ele como Nobel Mendy (central canhoto ex-Rayo Vallecano) prometem melhorar o comportamento defensivo dos tigers. A nova equipa do ex-leão Morita deverá continuar a ter em Regan Slater um dos seus imprescindíveis, mas depender dos desequilíbrios de Gelhardt, Belloumi (ex-Farense), Millar e de Elliot Stroud, um dos heróis do Mjällby, parece insuficiente. O médio norueguês Jens Hjerto-Dahl - Benfica e Sporting ficaram completamente a dormir ao não ir a jogo por um jogador assim - é o reforço que mais nos entusiasma, e o mais certo é McBurnie continuar a ser o homem-golo, tudo isto numa caminhada longa, ponto a ponto, e em que os tigers procurarão uma vez mais contrariar as probabilidades.

Treinador: Sergej Jakirovic
Onze-Base (4-3-3): Tzolakis; Coyle, Egan, N. Mendy, Targett (R. Giles); Slater, Hjerto-Dahl, Morita (Crooks); Belloumi (Gelhardt), Stroud, McBurnie

Atenção a: Oli McBurnie, Jens Hjerto-Dahl, Konstantinos Tzolakis, Nobel Mendy, Joe Gelhardt


7 de agosto de 2026

Antevisão da Liga Portugal Betclic 2026/ 27

 Liga Portugal Betclic - Menos de 3 semanas depois da final do Mundial, o nosso campeonato está de volta! As férias de alguns jogadores foram curtas, as férias (mentais) dos adeptos ainda mais, e a sensação global é a de que ainda estamos em pré-época, começando a competição a sério e "a doer" com plantéis longe de estarem fechados.
    O que mudou? Muita coisa. Entre as 4 principais equipas, José Mourinho mudou-se para o Real Madrid depois de fazer pior do que Bruno Lage na Luz, e Marco Silva (ex-Fulham) foi o escolhido para seu sucessor. Mas a relativa estabilidade no banco dos "grandes" não é extensível ao resto da Liga - além de Farioli, Borges e Vicens, somente Vasco Seabra (Arouca), Vasco Botelho da Costa (Moreirense), Sotiris Sylaidopoulos (Rio Ave) e Petit (há apenas 6 meses no Santa Clara e já é o 7º treinador com mais tempo no cargo) prosseguem, sendo 12 as alterações de treinador nos restantes emblemas.
    Entre os 3 favoritos do costume, o FC Porto mexeu pouco, identificando boas oportunidades de negócio (Hwang In-beom e André Silva) e privilegiando a estabilidade do grupo, defensivamente compacto e muito difícil de contrariar e desmanchar quando em vantagem. Mas a continuidade de Diogo Costa e Froholdt está longe de ser uma certeza, prevendo-se assim um mês de Agosto emocionante em termos de mercado.
    Para o Sporting, 2026/ 27 representa definitivamente um novo ciclo. É que se há um ano atrás o desafio era colmatar a saída de Gyökeres, neste Verão os leões viram sair Hjulmand, Trincão e Morita, aos quais se devem juntar Diomande e Pedro Gonçalves. Rui Borges terá um novo meio-campo para esculpir, mas Suárez e Maxi Araújo mantêm-se como referências, e os reforços entusiasmam: Zalazar foi um dos melhores jogadores da época passada, e Issa Doumbia tem tudo para ser um fenómeno em Portugal.
    Para o Benfica de Rui Costa, já é um progresso saber-se que à 4ª jornada os encarnados não irão mudar de treinador, e os adeptos têm razões para estarem contentes com a vinda de Marco Silva. No entanto, desnorteadas como tem sido apanágio, as águias têm ainda inúmeros dossiers para resolver em Agosto: ainda a meio da sua cruzada para se juntar ao Torreense na Liga Europa, o Benfica pode perder o craque Schjelderup (segundo o Capology, ignorando emprestados, há 21 jogadores acima do norueguês na folha salarial do clube), parece disposto a ir ao limite por João Palhinha, não foi buscar nenhum defesa central que seja titular de caras (trocou Otamendi e António Silva por um central permeável defensivamente e por um miúdo de 18 anos) e, numa fase em que o dinheiro parece não abundar, deu 17 milhões por Kaminski, um jogador inteligente e que será muito útil, mas que num Benfica ideal seria a 3ª ou 4ª opção para extremo.

    Sendo praticamente um dado adquirido que ainda irão sair e entrar muitos craques, 26/ 27 será disputado sem Hjulmand, Trincão, Otamendi, António Silva, Hornicek, Gustavo Sá, Luís Esteves e Larrazabal, destacando-se nas movimentações entre clubes portugueses as transferências de Zalazar, Ibrahima Ba, Gabriel Silva e Diogo Travassos. Gostámos do que vimos de novas apostas "fora da caixa" como Andreas Lausen, Alexandre Parsemain, Galcík, Koutsias e Daniel de la Cruz, e entre a nova fornada de talentos, 26/ 27 pode significar uma evolução dos laterais Banjaqui e José Neto, e os primeiros passos de Rafael Nel e Flávio Gonçalves, sem esquecer nomes como Diego Rodrigues, João Veloso, Diogo Prioste e o regressado Diogo Nascimento. Marítimo e Académico de Viseu (37 anos depois) ocupam as vagas dos despromovidos Tondela e AFS.

    Cabe-nos então apresentar a nossa previsão para 26/ 27, em termos de destaques coletivos e individuais, sujeita como sempre às incidências do último mês do mercado de transferências, tanto a nível de entradas como de saídas:


 FC PORTO (1)

    Duas frases feitas ou clichés do futebol ajudam-nos a apontar o Porto à renovação do título: "em equipa que ganha, não se mexe" e "ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos". O FC Porto do italiano Francesco Farioli, que somou 88 pontos e sofreu apenas 18 golos na época passada, está praticamente igual: acionou a opção por Kiwior, fez André Silva (upgrade em relação a Moffi e Gül) regressar a casa, conseguiu Hwang (entra na perfeição na cultura tática e intensidade sem bola dos médios do Porto) a preço de saldo, e apostou sem risco em dois projetos oriundos do futebol nórdico (Granaas e Niang).
    Tal como os rivais, também o FC Porto deve ainda vai perder jogadores e reforçar-se durante este mês. E, um patamar acima da boa visão de mercado do Sporting, confiamos que os azuis e brancos têm muitíssimo bem mapeado como aplicar o dinheiro no momento em que vendam 1 ou 2 dos seus jogadores com mercado (Diogo Costa, Froholdt, Rodrigo Mora e William Gomes). Um defesa esquerdo terá seguramente que ser contratado, e os dragões já deixaram passar boas oportunidades como El Karouani ou Mats Rots, e no binómio Costa/Froholdt achamos neste momento mais provável sair Diogo Costa, mas no lugar de Farioli "preferíamos" perder Froholdt. Sim, o melhor jogador do último campeonato, esse mesmo.
    Fiel ao seu 4-3-3 com trabalho de casa personalizado, nuances fáceis de identificar mas dificílimas de contrariar, o FC Porto procurará ser a mesma fortaleza, e esperar com paciência e disciplina pelo erro do adversário quando estiver a vencer por 1-0.
    Bednarek e Kiwior formam uma dupla irrepreensível, diz a lógica que o menino Pietuszewski será uma das figuras desta edição e um dos mais fortes candidatos a Jovem Jogador do Ano, aguardando nós com bastante curiosidade se AVB oferece a Farioli um ou dois jogadores diferenciados para o trio de ataque.

Treinador: Francesco Farioli
Onze-Base (4-3-3): Diogo Costa; Alberto, Bednarek, Kiwior, Zaidu; A. Varela, Froholdt, Gabri Veiga; Pepê (W. Gomes), Pietuszewski, Samu (André Silva)

Atenção a: Victor Froholdt, Oskar Pietuszewski, Jakub Kiwior, Gabri Veiga, Diogo Costa

 SPORTING (2)

    Bicampeão em 2024 e 2025 e segundo classificado em 25/26, o Sporting tem o melhor registo recente entre os três grandes, e merece elogios a proatividade leonina, resolvendo rápido e aparentemente bem vários dossiers num mercado que se antevia bastante movimentado em Alvalade.
    Inicia-se, de certa forma, um novo Sporting. Há um ano atrás, o desafio foi encontrar um ponta de lança (Luis Suárez) capaz de manter a equipa competitiva e na luta por títulos sem o duas vezes MVP Gyökeres. Desta vez, Rui Borges terá que reconstruir a identidade de uma equipa que já perdeu Hjulmand e Trincão, e que ainda pode vir a perder Pedro Gonçalves e Diomande.
    Com novo emblema, o clube verde e branco ainda vai mexer (saídas e entradas), mas o futebol apresentado na pré-época deixou boas sensações, e é muito provável que reforços como Zalazar e Issa Doumbia partam a loiça toda. Maxi Araújo continua, Luis Suárez (um eventual caso de indisciplina e tentativa de forçar saída seria a única pedra no sapato que podia prejudicar e muito o arranque oficial do Sporting) também, e os miúdos Rafael Nel e Flávio Gonçalves marcaram pontos nos jogos amigáveis, tal como o emprestado Jesse Derry.
    Embora conscientes de quão difícil poderá ser a equipa redescobrir-se sem peças determinantes e líderes de balneário do passado recente como Hjulmand e Trincão (e hipoteticamente Pote), estamos convencidos que o Sporting poderá voltar a ser o "grande" com o futebol mais vistoso, ofensivo e multifacetado na exploração simultânea de jogo exterior e interior. Nota-se a preocupação em tornar a equipa mais robusta e mais alta, e além de nunca ser coisa fácil mudar completamente o meio-campo nuclear, o tempo dirá se Rui Borges consegue melhorar em 2 aspetos: ter impacto positivo no decorrer dos jogos quando o Plano A não funcionar, e não rebentar fisicamente a equipa na segunda volta. Ao dia 1 ainda colocamos o campeão em título FC Porto acima, essencialmente por não ter perdido nem Diogo Costa nem Froholdt, e por defender como defende.
    Com os uruguaios Zalazar e Maxi a prometem causar pânico em muitas defesas, palavras finais para o italiano Issa Doumbia (seja como médio centro, seja com origem na esquerda), um daqueles jogadores que dificilmente durará em Portugal mais do que um ano. Que achado por 20 milhões!

Treinador: Rui Borges
Onze-Base (4-2-3-1): Rui Silva; Fresneda, Ba, G. Inácio, Maxi Araújo; Altimira, S. Andersen; Geny, Zalazar, Doumbia; Luis Suárez

Atenção a: Luis Suárez, Issa Doumbia, Rodrigo Zalazar, Maxi Araújo, Sergi Altimira

 BENFICA (3)

    Dos 3 grandes, o Benfica é nesta fase aquele que nos parece mais imprevisível e mais longe da sua versão futura e "fechada" a 4 de Setembro. Esse diagnóstico é consequência natural de ser o único dos candidatos que mudou de treinador, mas também é um sintoma da desorganização e incompetência que tem caraterizado o clube nos últimos anos, estando sistematicamente a reagir em vez de antecipar e controlar o seu destino, refém do mercado e dos timings definidos por terceiros. Em Verão de Mundial e com a sua época oficial iniciada a 23 de Julho, o Benfica viu-se a ter que esperar pela reeleição de Florentino Pérez no Real Madrid para seguir com a sua vida, e no fundo o grande bónus do planeamento benfiquista é saber-se que, desta vez, Rui Costa não vai despedir o seu treinador à 4ª jornada. Marco Silva é inclusive, para nós, o melhor dos 18 treinadores desta edição. E ter um grande treinador faz muita, muita diferença...
    Sem Otamendi (Aursnes é o novo capitão) e António Silva, o Benfica arranca a Liga com Lenglet, Kaminski e Jhon Durán como os seus reforços mais relevantes. O problema está pois na gigante indefinição quanto ao futuro de inúmeros jogadores: Ivanovic (não teríamos desistido dele), Bruma ou Tiago Gouveia estão com os pés mais fora do que dentro, mas nada nos garante que Schjelderup (a prioridade do mercado deveria ser a sua renovação, igualando o seu salário aos de Aursnes e Pavlidis), Trubin, Enzo, Ríos ou Lukebakio sejam jogadores do Benfica quando o mercado fechar.
    Em busca de um defesa central e num prolongado namoro com João Palhinha, está visto que o Benfica de Marco Silva continuará a viver dos golos de Pavlidis, esperando-se bom nível de Prestianni e Rafa, um significativo upgrade de Sudakov e uma aposta em miúdos como José Neto, Banjaqui, Miguel Figueiredo, Gonçalo Moreira e Anísio Cabral.
    Em suma, achamos que o Benfica parte atrás dos 2 rivais, mas tem no seu Treinador o melhor reforço do defeso. Jogar com frequência à quinta-feira implicará boa gestão do plantel, de forma a não afetar a performance no campeonato, e o que mais pesa ao apontarmos as águias ao 3º lugar é sobretudo a sensação que o 11 do Benfica é aquele que ainda tem mais peças para mudar, quando na prática deveria ser nesta fase o mais "resolvido".

Treinador: Marco Silva
Onze-Base (4-2-3-1): Trubin (Samuel Soares); Dedic, Tomás Araújo, Lenglet, Dahl (José Neto); Aursnes, Ríos (Barreiro); Prestianni, Sudakov, Schjelderup (Rafa); Pavlidis

Atenção a: Vangelis Pavlidis, Andreas Schjelderup, Fredrik Aursnes, Tomás Araújo, José Neto

 SP. BRAGA (4)

     Numa Antevisão da liga portuguesa, apontar o Sporting de Braga ao 4º lugar é talvez a aposta menos arriscada das 18. Afinal de contas, foi essa a posição dos guerreiros do Minho em 9 das últimas 12 edições.
    À beira de entrar na Liga Conferência, uma competição em que o Braga tem legítimas aspirações de conquistar o seu primeiro troféu europeu, o "quarto grande" continua com Carlos Vicens como treinador e já fez duas vendas de 30 milhões - Zalazar mudou-se para o Sporting e Hornicek tornou-se o novo dono da baliza do Newcastle. Na zona das chegadas, Gabriel Silva, Diogo Travassos, Jonas Wind (custo zero), Huseinbasic (custo zero), são reforços, sem esquecer o guardião Bernardo Fontes, sucessor natural de Hornicek, pelo qual o Braga pagou 400 mil euros ao Tondela, acionando a opção de recompra.
    Mantendo o seu futebol vistoso e "total" (no Top-4 português, o Sporting de Braga não é a equipa mais dominante mas é muitas vezes a que apresenta um maior número de nuances nos movimentos e na ocupação dos espaços, valorizando Vicens jogadores que consigam interpretar várias posições), o Braga manterá o seu 3-4-2-1 como esquema no papel, interessando-nos acompanhar em particular a evolução dos médios centro. João Moutinho (39 anos) e Gorby são neste momento o Plano A, mas Diego Rodrigues e Tiknaz terão uma palavra a dizer. De resto, Gabriel Silva quer roubar a asa esquerda a Gabri Martínez; Dorgeles pode dar muito mais; Pau Victor herdou o 10 de Zalazar; e Ricardo Horta vai continuar a aumentar os seus números e o estatuto de Lenda, ele que é o melhor jogador da História do clube.

Treinador: Carlos Vicens
Onze-Base (3-4-2-1): Bernardo Fontes; Lagerbielke, V. Carvalho (Barcia), Arrey-Mbi; V. Gómez, Gorby (Tiknaz, Huseinbasic), João Moutinho (Diego Rodrigues), Gabriel Silva; Dorgeles, Ricardo Horta; Pau Victor

Atenção a: Ricardo Horta, Pau Victor, Bernardo Fontes, Diego Rodrigues, Gabriel Silva

 FAMALICÃO (5)

    É 0% ousado apontarmos o Famalicão ao quinto lugar, repetindo a classificação da época passada, mas fazemo-lo justamente por nos parecer nesta fase claramente o 5º clube mais forte da Liga Portugal Betclic, reciclando talento ano após ano. Se noutras janelas de transferências o clube de Vila Nova de Famalicão negociou as vendas de Pedro Gonçalves, Ugarte, Iván Jaime, Luiz Júnior, Zabiri ou Otávio, neste mercado os dois grandes encaixes foram Ibrahima Ba (Sporting) e Gustavo Sá (Nottingham Forest, com escala na Grécia). À saída destes 2 craques juntou-se ainda a perda, a custo zero, do centralão de Haas, e a mudança forçada de treinador, uma vez que Hugo Oliveira partiu em Julho para orientar o Estrasburgo na liga francesa.
    Inativo em 25/26, o que lhe permitiu por exemplo comentar e analisar o Mundial 2026 na Sport TV, Carlos Carvalhal foi uma escolha quiçá inesperada mas parece um bom match, considerando a sua visão positiva e corajosa do jogo, e a (crónica) juventude do plantel.
    Embora tudo leve a crer que o Fama ainda aplique em reforços uma magra fatia das suas mais-valias, o elenco atual já dá garantias. Carevic é sinónimo de clean sheets, Rodrigo Pinheiro foi para o BPF o melhor lateral-direito da temporada passada, e caberá ao defesa canhoto Finn van Breemen ser o herdeiro do seu compatriota Justin de Haas. Avançando no campo, continuar a contar com Mathias de Amorim é um luxo, o húngaro Tamás Szücs é uma das promissoras novidades, e para extremos há Sorriso, há Gil Dias, há o suíço Beney (o toque de bola não engana) e há novamente o tecnicista Óscar Aranda (bem-vindo de volta!), que perdeu 99% da última época devido a uma grave lesão. Se não chamar mais nenhum avançado, o papel de referência ofensiva será disputado pelo reforço grego Koutsias e pelo gigante Abubakar.
    Bom futebol, excelentes conferências de Carvalhal e mais uns milhões de euros em caixa no próximo Verão, é o que esperamos deste Famalicão.

Treinador: Carlos Carvalhal
Onze-Base (4-3-3): Carevic; Rodrigo Pinheiro, Realpe, van Breemen, Meyer (Bondo); de Looi, de Amorim, Szücs; Sorriso (Gil Dias), Aranda (Beney), Koutsias (Abubakar) 

Atenção a: Mathias de Amorim, Óscar Aranda, Georgios Koutsias, Rodrigo Pinheiro, Roméo Beney

 MOREIRENSE (6)

    Sétimo classificado no último campeonato, o Moreirense tem muito provavelmente na continuidade do técnico Vasco Botelho da Costa o seu melhor reforço. Numa edição em que 12 (!) equipas mudaram de treinador, incluindo clubes como o Vitória e o Famalicão, acaba por ser surpreendente q.b. que ninguém tenha conseguido remover VBdC deste projeto em Moreira de Cónegos. Desconhecendo nós se houve abordagens ou não, as duas leituras que fazemos são: a) salvo alguma proposta do estrangeiro, o técnico de 37 anos pode ter definido só trocar o Moreirense pelo Top-4 português e b) tendo mudado várias vezes de clube nos últimos anos, escalando a pirâmide do futebol nacional, completar um Ano 2 na mesma equipa na Primeira Liga é bem capaz de ser um passo sensato e inteligente.
    Sob a alçada do fundo norte-americano Black Knight (Bournemouth, Lorient, Hibernian), o Moreirense quererá certamente lutar pela Europa, e tem treinador e jogadores (acreditamos que ainda cheguem mais 2 ou 3 reforços) para ficar entre o 5º e o 9º lugares.
    Sem Diogo Travassos e Alanzinho, este Moreirense 26/27 surge na casa de partida com um elenco idêntico, e algumas novidades que podem mudar muita coisa. Na baliza, Aranha (emprestado pelo Palmeiras) será concorrência para André Ferreira, e na defesa Dinis Pinto e Maracás são indiscutíveis, prometendo a disputa por um lugar no 11 entre Gilberto Batista e Janderson. O meio-campo continua a contar com Stjepanovic, Rodrigo Alonso e Afonso Assis (20 aninhos), podendo este ecossistema potenciar e muito o talento por explodir de João Veloso. Ligado ao Benfica desde os seus 12 anos, o rapaz de Albufeira pode crescer imenso neste empréstimo.
    No ataque, Kiko Bondoso é sempre um porto seguro para a bola, Landerson deve continuar a ter bastantes minutos, e o novo camisola 9, Alexandre Parsemain, tem deixado ótimas indicações na pré-época. Internacional pela Martinica e com vários anos de futebol francês, é um ponta de lança muito interessante na forma como se movimenta e explora a profundidade, hábil a combinar com os colegas e com o instinto certo, parece-nos, para sobressair por cá.

Treinador: Vasco Botelho da Costa
Onze-Base (4-3-3): Aranha (André Ferreira); Dinis Pinto, Maracás, Janderson (Gilberto Batista), F. Domingues; Stjepanovic, Rodrigo Alonso, João Veloso (Afonso Assis); Landerson, Kiko Bondoso, Parsemain

Atenção a: Alexandre Parsemain, João Veloso, Dinis Pinto, Gilberto Batista, Rodrigo Alonso

 ESTORIL (7)

    O 10º lugar do Estoril na época passada foi estranho. Estranho porque a equipa marcou 54 golos (5º melhor ataque) e estranho porque no nosso campeonato, regra geral, quando uma equipa tem craques como Begraoui (20 golos) ou João Carvalho (6 golos e 12 assistências) o mais certo é acabar entre as 7 melhores equipas.
    Após duas épocas com uma postura e personalidade refrescantes no futebol português, o escocês Ian Cathro deixou o Estoril para ir treinar, na Ligue 2, o Saint-Étienne. Na hora de encontrar o sucessor, o clube da Linha escolheu Vasco Matos (ex-Santa Clara) e, com Helena Costa como diretora desportiva, o mais astuto talvez seja confiar na decisão. Curiosamente, o técnico de 45 anos chega ao António Coimbra da Mota com a sua cotação abaixo do que já esteve, mas convém relembrar que, quando Rui Borges substituiu Ruben Amorim (esqueçamos João Pereira), não era descabido para alguns a escolha ter sido Vasco Matos em vez de Borges. O Estoril jogava com Cathro maioritariamente em 3-4-3, ou 3-4-2-1 se preferirem, e Vasco Matos também privilegiou um esquema de 3 centrais nos Açores.
    O mercado está aberto até 4 de Setembro, mas para já os adeptos do Estoril podem dar-se por contentes com a continuidade de Begraoui e João Carvalho, jogadores que tinham lugar no plantel de qualquer uma das melhores equipas em Portugal. Jogadores importantes como Holsgrove, Xeka, Ricard Sánchez e o "kinder surpresa" Guitane também continuam.
    Segurar Begraoui e o capitão João Carvalho seria a melhor notícia do mercado, mas ainda falta banco a este curto plantel. Na defesa, Ferro mantém-se e Tsoungui pode fazer a posição, mas o êxodo de centrais (Boma foi para o Red Bull Salzburgo e Felix Facher para o Lyon) deixou os dirigentes em alerta. Sierra e Andreou já foram recrutados, e pode ter pesado na decisão de confiar os destinos da equipa a Vasco Matos o facto do seu Santa Clara defender bem, confiando depois no talento individual de jogadores, cuja qualidade "pertence" a outro patamar ou a ligas superiores, para resolver.

Treinador: Vasco Matos
Onze-Base (3-4-3): Joel Robles; Sierra, Tsoungui (Andreou), Ferro; R. Sánchez, Xeka, Holsgrove, P. Carvalho; Guitane, João Carvalho, Begraoui 

Atenção a: Yanis Begraoui, João Carvalho, Jordan Holsgrove, Rafik Guitane, Ricard Sánchez

 VIT. GUIMARÃES (8)

    Viciado em colecionar treinadores, o grande desafio do Vitória em 2026/ 27 é acreditar em Tiago Margarido, dar-lhe tempo e não o sacrificar aos primeiros sinais de negatividade ou imperfeição. Luís Pinto, Luís Freire, Daniel Sousa ou Álvaro Pacheco (Rui Borges foi um caso diferente, saindo porque surgiu o Sporting interessado) foram alguns dos inúmeros técnicos que a cidade-berço viu chegarem e saírem num curto espaço de tempo. É, aliás, preciso recuar a 21/22 para encontrar um treinador (Pepa) que tenha tido a paz - e mérito - para fazer, só ele, a temporada completa em Guimarães, do primeiro ao último dia. Idealmente, a troca na presidência de António Miguel Cardoso para Rui Rodrigues pode significar um modelo de gestão e estabilidade diferentes, e Tiago Margarido mostrou no Nacional da Madeira capacidade para estar à altura de uma das cadeiras mais exigentes do futebol português.
    Com menos craques do que Famalicão e Estoril, e com menos saúde operacional do que Moreirense e Gil Vicente, o Vitória entra em 26/27 sem Saviolo (vendido ao Trabzonspor por 8 milhões e meio) e Diogo Sousa (vendido ao Estrasburgo por 11 milhões) mas continua a ter prata da casa para potenciar como Gonçalo Nogueira, Miguel Nogueira, Zeega ou Costinha.
    Certamente num 4-3-3 com o pulmão de Beni Mukendi e a personalidade e liderança de Samu em evidência, o Vitória de Margarido foi buscar ao Aston Villa o central colombiano Yeimar Mosquera e, além de acreditarmos que é desta que o miúdo Oumar Camara vai explodir, também torcemos para que Gustavo Silva, seja a avançado móvel seja numa faixa, consiga finalmente uma época inteira sem interrupções e com elevada regularidade exibicional.

Treinador: Tiago Margarido
Onze-Base (3-4-3): Charles; Maga (Strata), Rivas, Mosquera (Thiago Balieiro), João Mendes; Beni, Gonçalo Nogueira (Mitrovic), Samu; Miguel Nogueira, O. Camara, Gustavo Silva

Atenção a: Gustavo Silva, Oumar Camara, Beni, Yeimar Mosquera, Miguel Nogueira

 GIL VICENTE (9)

    Para o sensacional Gil Vicente, este é um mundo novo. Por força das circunstâncias, quando qualquer clube português fora do habitual Top-4 surpreende e brilha, o seu desmantelamento é quase uma certeza a curto ou médio-prazo. Barcelos foi palco de uma das melhores equipas de 25/26, com ideia de jogo de equipa grande e dinâmica bem trabalhada. O preço a pagar? Pablo Felipe e Andrew saíram com a época a decorrer, e entretanto César Peixoto foi anunciado como treinador do Wolves (Championship) e Luís Esteves rumou ao futebol mexicano.
     O novo capítulo dos galos escreve-se sob o olhar e a interpretar a visão de Luís Pinto, jovem treinador que acabou despedido do Vit. Guimarães mesmo depois de conquistar a Taça da Liga.
    Embora ainda nos mantenhamos desconfiados quanto à permanência de alguns atletas (a continuidade de Santi García teria tanto de extraordinário para o Gil como de incompreensível que nenhum clube grande aposte no super-intenso médio espanhol, o "segundo melhor Froholdt" da Liga) é sempre positivo quando um clube segura uma consolidada dupla de centrais (Buatu-Elimbi) e no meio-campo, além do empréstimo de Diogo Prioste (Benfica), o reforço que mais aguça a curiosidade é o dinamarquês Andreas Lausen, médio ex-Esbjerg que pode claramente fazer a diferença no nosso futebol.
    Na frente, continuam Murilo, Agustín Moreira ou Joelson, e a principal dúvida é mesmo qual será o avançado centro titular (Héctor é o mais experiente, Walace França e Carlos Eduardo têm as caraterísticas mais interessantes, e Kaba vem com bons números dos Sub-23).

Treinador: Luís Pinto
Onze-Base (4-3-3): Lucão; R. Esgaio, Elimbi, Buatu, Weverson (D. Moreira); Cáseres, Santi Garcia, Lausen; Murilo, A, Moreira (Joelson), Walace França (Carlos Eduardo, Héctor)

Atenção a: Santi García, Andreas Lausen, Walace França, Agustín Moreira, Lucão

 AROUCA (10)

    Numa edição em que 66% das equipas têm novo treinador, o Arouca é quem mais se desvia da norma. Vasco Seabra é o treinador há mais tempo no cargo (1 ano e 9 meses) entre os 18 da lista.
    Mesmo sem ter um jogador diferenciado - como tivera no passado Mújica, Cristo, Jason ou André Silva - o clube do distrito de Aveiro ficou em 8º lugar na época passada, transformando uma primeira volta desapontante (16º lugar e somente 14 pontos) numa segunda volta excelente: dobro dos pontos (28) e classificação de sexta melhor equipa da prova, se consideradas apenas as 17 jornadas finais.
    Convictos de que serão capazes de dar sequência ao impressionante registo de 2026, os arouquenses têm a mais-valia de apresentar um dos plantéis com menos mexidas neste Verão. De Arruabarrena pode continuar titular, e Tiago Esgaio (merecia mais crédito) também está de pedra e cal numa defesa que conta com Jose Fontán e Javi Sánchez (Diogo Monteiro pode-se intrometer nas contas do 11) e que acrescentou o ex-Cádiz Mario Climent para o lado esquerdo. Pensámos que Fukui sairia, mas o nipónico continua a fazer companhia a nomes como van Ee, Lee Hjun-ju ou Pablo Gozálbez.
    No trio de ataque, Barbero tem agora a vantagem de já estar adaptado ao futebol português, e acreditamos que tanto o uruguaio Trezza como o francês Djouahra poderão subir um degrau em relação ao rendimento da temporada anterior. Atenção ainda a Sihoo Park (18 anos), jogador que justificou nova aposta do Arouca no mercado asiático.

Treinador: Vasco Seabra
Onze-Base (4-3-3): de Arruabarrena; Tiago Esgaio, Javi Sánchez (Diogo Monteiro), Fontán, Climent; van Ee (Pablo Gozálbez), Hjun-ju; Trezza, Djouahra (Park), Barbero

Atenção a: Taichi Fukui, Alfonso Trezza, Iván Barbero, Tiago Esgaio, Mario Climent

 SANTA CLARA (11)


    Nos Açores, desta vez Petit vai poder orientar a equipa de Ponta Delgada desde a jornada 1. E o mais provável é que os açorianos consigam crescer e afastar-se mais e mais daquela versão retraída dos últimos tempos de Vasco Matos, privilegiando o que usualmente caracteriza as equipas de Petit: conjunto equilibrado, compacto e solidário, com excelente organização e comunicação na hora de defender, e processos simples na construção de soluções no último terço.
    É verdade que Gabriel Silva, Gabriel Batista, Serginho e Klismahn deixam saudades, mas quando olhamos para este plantel vemos todo o potencial para uma temporada tranquila e sem necessidade de calculadoras e doses de ansiedade na reta final.
    Lucas França (especialista na defesa de grandes penalidades) mudou-se da Madeira para os Açores, tendo o guardião brasileiro à sua frente um quarteto defensivo no qual estaremos atentos ao central canhoto Emanuel Moreira, ex-Feirense e formado no Sporting. Djé e Pedro Ferreira (jogador determinante mas silencioso) podem formar trio de meio-campo com Tiago Ribeiro, e na frente os jogadores que existem dão garantias: Vinícius Lopes é um elemento fiável, Brenner Lucas estará motivado com a camisola 10 nas costas, Gonçalo Paciência é o tipo de dianteiro altruísta que pode ser catalisador para a subida de rendimento dos extremos, parecendo-nos Fernando (número 7) o atleta mais atrevido e que pode marcar mais pontos no arranque da temporada.
    Petit já não é apenas aquele treinador que evitava que as equipas descessem. Com Petit, joga-se à bola.

Treinador: Petit
Onze-Base (4-3-3): Lucas França; Lucas Soares (Calila), Sidney Lima, Emanuel Moreira, G. Romão; Djé, Pedro Ferreira, Tiago Ribeiro; Vinícius Lopes, Fernando, G. Paciência

Atenção a: Vinícius Lopes, Fernando, Pedro Ferreira, Gonçalo Paciência, Emanuel Moreira

 ALVERCA (12)

    Uma espécie de Famalicão em potência, este Alverca está bem mais calminho do que há 1 ano atrás, altura em que os ribatejanos já iam com 28 reforços. Determinado em fazer melhor ou igual do que o respeitável 11º lugar da edição anterior, o Alverca não tem Custódio Castro como treinador, tendo a escolha do presidente da SAD (mais de 70% detida por Vinícius Júnior), José Miguel Albuquerque, recaído em Sérgio Ferreira. Aos 38 anos, o ex-treinador dos juniores do FC Porto e antigo adjunto de Carlos Carvalhal em várias paragens abraça o maior desafio da sua carreira. E o nosso feeling é que está claramente preparado.
    Do ponto de vista do plantel, Naves, Lincoln, Marezi e André Gomes não continuam, e é muito provável que o central Bastien Meupiyou ainda seja transferido por valor recorde para o clube. Pela positiva, deve-se assinalar a continuidade de jogadores como Figueiredo, Chiquinho e Touaizi.
    O mais certo é que até ao final do mês ainda muita coisa mude e vários jovens valores se juntem às opções ao dispor de Sérgio Ferreira, mas para já o guardião francês de 21 anos, Noah Raveyre, deve levar a melhor sobre o backup Jhonatan, e uma transferência de Meupiyou pode abrir as portas do onze para Bojang, central gambiano contratado ao Odense. No miolo há margem para afinações, mas na frente muita atenção a Vivaldo Semedo - o gigante avançado de 1,92m, formado no Sporting e com experiências internacionais na Udinese ou no Watford, pode causar estragos em Portugal.

Treinador: Sérgio Ferreira
Onze-Base (4-3-3): Noah (Jhonatan); Touaizi, Sergi Gómez, Meupiyou (Bojang), I. James; Abdulai, Davy Gui, Vasco Moreira; Figueiredo, Chiquinho, Vivaldo Semedo

Atenção a: Figueiredo, Vivaldo Semedo, Chiquinho, Nabil Touaizi, Yaya Bojang

 RIO AVE (13)
    Com um plantel multicultural e uma prospecção habitualmente ousada, o Rio Ave do grego Sylaidopoulos provou na segunda volta de 25/26 não ser tão desconexo como poderia levar a crer, reagindo com personalidade e bom futebol às saídas a meio da época de jogadores de importância colossal como Clayton e André Luiz.
    É certo que o clube de Vila do Conde é o parente pobre no monopólio de Evangelos Marinakis (Nottingham Forest e Olympiacos) mas, em boa verdade, 2026/ 27 também representa a primeira vez em que o multiverso do proprietário grego faz chegar à comunidade piscatória um valor interessante: Diogo Nascimento, destaque do Vizela entre 2023 e 2025, foi emprestado pelo Olympiacos e pode ser um dos motores desta equipa.
    Embora os vila-condenses estejam longe de ser atualmente um exemplo enquanto modelo de gestão ou identidade, o perfil competitivo deste plantel leva-nos a pensar que a equipa verde e branca conseguirá estar longe da luta pela manutenção. Vrousai é um dos melhores laterais direitos em Portugal, Diogo Bezerra tem qualidade, o reforço eslovaco Galcík tem golo, e na frente estamos bastante curiosos para ver o rácio de golos por jogo que Blesa consegue apresentar (reforço de Inverno de 2025, apontou 7 golos em 13 jogos) numa época completa, ele que pode beneficiar bastante de uma titularidade em simultâneo com Tamble Monteiro, o possante ponta de lança ex-Portimonense que só precisa de acrescentar números aos restantes predicados do seu jogo para ser olhado com outro respeito e cautela.

Treinador: Sotiris Sylaidopoulos
Onze-Base (3-4-3): Miszta (van der Gouw); Brabec, Petrasso, Gustavo Mancha; Vrousai, Ntoi, Diogo Nascimento, Abbey; Diogo Bezerra, Galcík (Spikic), Blesa

Atenção a: Jalen Blesa, Roland Galcík, Diogo Nascimento, Marious Vrousai, Tamble Monteiro

 ESTRELA DA AMADORA (14)

    Na Reboleira, o histórico recente (15º classificado em 25/26 e 24/25 e 14º em 23/24) deixa antever nova temporada de convívio próximo com o abismo, e acreditamos nós com repetição de escapatória.
    Para as boas sensações iniciais, muito contribui o fator Pepa. O técnico de 45 anos está de regresso ao futebol português, após experiências no Médio Oriente e no Brasil, e terá na Amadora uma nova oportunidade para demonstrar como é um treinador habitualmente subvalorizado.
    O clube que nos últimos anos potenciou Tiago Gabriel, Sidny Cabral, André Luiz e Kialonda Gaspar, teve desta vez em Otávio (Eintracht Frankfurt) a principal venda do Verão, perdendo ainda Jovane Cabral para o Grémio a custo zero.
    Com Pepa, é improvável que vejamos o Estrela a alinhar com 3 centrais, esquema adotado amiúde nas últimas épocas. Léo Linck deve ser o novo dono da baliza, e na defesa Lekovic (super-herói da manutenção com um bis em Braga na última jornada) e Bernardo Schappo formam uma dupla competente. O alemão Scholze disputará o corredor direito com Encada, sendo mais indiscutível a titularidade de Rafa Soares no lado esquerdo. Os centro-campistas Doué e Robinho transitam da edição anterior, tendo a equipa tricolor apostado no Zvonarek (ex-Bayern Munique) na hora de identificar um novo criativo.
    Abraham Marcus arranca 26/27 com estatuto de craque e figura da equipa, juntando-se a ele o imaginativo Stoica e o ex-Académica e Benfica, Beni Souza, elemento que pode contribuir como 3º médio ou a partir do flanco esquerdo. Discreto na época passada, Sydney van Hooijdonk, filho do antigo nº 9 do Benfica, tem estado goleador na pré-época e pode ter impacto desta vez, com Antonetti (já revelou bons pormenores, mas vem faltando regularidade) como seu coadjuvante. 

Treinador: Pepa
Onze-Base (4-3-3): Léo Linck; Scholze (Encada), Lekovic, Schappo, Rafa Soares; Doué, Robinho, Zvoranek (Beni Souza); Abraham Marcus, Stoica (Antonetti), van Hooijdonk

Atenção a: Abraham Marcus, Sydney van Hooijdonk, Stefan Lekovic, Eddy Doué, Leandro Antonetti

 ACADÉMICO DE VISEU (15)

    O distrito de Viseu viu cair o Tondela, mas mantém-se vivo no mapa da Primeira Liga. 37 anos depois (última presença fora em 88/89), o Académico está de volta.
    Com menos 7 pontos do que o campeão Marítimo, e em igualdade pontual com o Torreense, a subida do Académico começou tímida com Sérgio Vieira, mas ganhou embalo com outro Sérgio, Fonseca de apelido. No entanto, os Viriatos têm agora Bruno Pinheiro (ex-Gil Vicente e Estoril) no comando técnico.
    Neste regresso ao escalão máximo, a estabilidade do plantel pode ser uma arma importante, consigam estes jogadores apresentar na Liga Portugal Betclic um nível aproximado daquele que colocaram em campo na Meu Super. Na baliza há mudanças (o esloveno Domen Gril rumou ao futebol polaco, e o espanhol Marcos Lavín é o novo portero) mas o quarteto defensivo pode ser repetido - Robinho (jogador com bom contributo ofensivo) à direita, Gustavo Costa à esquerda e Anthony Correia e Michelis como centrais.
    No meio-campo, o canhoto alemão Messeguem (10 assistências na temporada passada) e o turco nascido na Alemanha, Cihan Kahraman (6 golos e 8 assistências), prometem manter enorme influência na construção, podendo os adeptos celebrar a renovação de Kahraman, cuja saída por falta de acordo chegou a ser oficializada.
    Há Zamora, há João Guilherme, mas falar de golos em Viseu é falar de André Clóvis. O ponta de lança brasileiro de 28 anos chega finalmente à I Liga - surpreende-nos que nenhum clube o tenha recrutado mais cedo - tendo apontado um total de 77 golos nas últimas 4 temporadas no clube. Torcerá a massa associativa para que a sua época mira esteja calibrada como em 25/26 e 22/23, e que ninguém o leve de Viseu até 31 de Agosto. Segurá-lo é fundamental.

Treinador: Bruno Pinheiro
Onze-Base (4-3-3): Marcos Lavín; Robinho, A. Correia, Michelis, Gustavo Costa; Messeguem, Luís Silva (C. Ferreira), Kahraman; Zamora, João Guilherme, André Clóvis

Atenção a: André Clóvis, Soufiane Messeguem, Cihan Kahraman, Anthony Correia, Marcos Lavín

 MARÍTIMO (16)

    Faz muito mais sentido a Liga portuguesa com o Marítimo entre as 18 melhores equipas do nosso futebol. Relegada em 22/23, a equipa da Madeira voltou aonde pertence, e teremos novamente dérbis insulares com o Nacional. O 12º lugar na segunda divisão em 24/25 chegou a insinuar uma trajetória descendente dos verde-rubros, mas Vítor Matos (excelente treinador, a consolidar-se no Swansea) criou bases e Miguel Moita deu boa sequência, guiando o Marítimo ao título. Agora, é a vez do neerlandês Mitchell van der Gaag viver uma segunda vida como treinador neste clube, ele que representou o Marítimo como jogador entre 2001 e 2006.
    O guarda-redes Samu (figurou no XI do ano da Segunda Liga) foi para Israel, e Pastor pode ser o novo titular da baliza, a não ser que ainda chegue Todos os defesas heróis da subida continuam, merecendo nota a curiosidade do central luso-francês Romain Correia ter ajudado o Marítimo a subir e o seu irmão gémeo, Anthony Correia (igualmente defesa central) ter subido com o Académico de Viseu. Nesse setor, a principal dúvida é a permanência do melhor defesa, o dinamarquês Noah Madsen, associado ao futebol polaco, e há a registar as chegadas do húngaro Szalai e de Rafael Fernandes.
    Ofensivamente, o motor criativo Carlos Daniel está de partida para a Arábia Saudita, aumentando as responsabilidades do pequeno e desconcertante Martín Tejón e do marroquino Bouzaidi. Não ficaremos chocados se ambos conseguirem melhores números na I Liga do que aquilo que conseguiram na II. Finalmente, saudamos o regresso ao futebol português de Maxime Domínguez, ele que viveu um excelente período ao serviço do Gil Vicente em 2023/ 24, e na frente o outrora wonderkid José Melro é a concorrência do espadaúdo Butzke, o teórico homem-golo dos insulares.

Treinador: Mitchell van der Gaag
Onze-Base (4-1-2-3): Pastor; I. Julião, Madsen (Rafael Fernandes, Szalai), Romain Correia, Paulo Henrique; Danilovic; Guzzo, M. Domínguez (R. Andrade); Bouzaidi, M. Tejón, Butzke

Atenção: Simo Bouzaidi, Martín Tejón, Adrián Butzke, Romain Correia, Maxime Domínguez

 NACIONAL (17)

    Apostado em preservar o estatuto de melhor equipa da ilha da Madeira, mediante o regresso do dérbi local com o Marítimo, o Nacional inicia esta época uma nova página, sem Tiago Margarido (ótimo trabalho nos 3 anos ao serviço do clube, tendo-se mudado para Guimarães) mas com João Gião. O treinador de 39 anos, que na temporada passada orientou a equipa B do Sporting, terá aqui o seu primeiro teste na Primeira Liga.
    Um dos destaques evidentes em 25/26, o guarda-redes Kaique - emprestado pelo Palmeiras - voltou à casa-mãe. Na sucessão, sem excluir João Gonçalves da equação, o ítalo-brasileiro Renato Marin, emprestado pelo PSG, parece ocupar a pole position.
    A defesa é um dos setores que menos dores de cabeça dará a Gião. Zé Vitor (algo surpreendente que nenhum clube acima o tenha contratado) e Léo Santos entendem-se às mil maravilhas, José Gomes cumpre muito bem o seu papel à esquerda, e do lado direito o equatoriano Daniel de la Cruz é uma das entusiasmantes novidades deste conjunto.
    Uns metros à frente, o médio defensivo Matheus Dias pode viver a sua temporada de plena afirmação no contexto global do futebol português, e o escandinavo Markus Jensen é uma das caras novas do elenco. Daniel Júnior (tecnicista virtuoso mas geralmente inconsequente) e o reforço cipriota Stavros Gavriel serão alguns dos responsáveis por criar desequilíbrios, numa equipa que tem na gestão do seu astro um dos maiores pontos de interrogação. Até ver, o venezuelano Jesús "Chuchu" Ramírez (4º melhor marcador da Liga em 25/26, com 18 golos) continua pela Madeira, mas já expressou a vontade de sair, e é improvável que Rui Alves o consiga manter. Conservar Chuchu seria quase por si só garantir excelentes odds na luta pela manutenção; sem ele, e mesmo que esta defesa transmita confiança, muito peso será colocado no avançado que for recrutado para suprir a sua (eventual) saída.

Treinador: João Gião
Onze-Base (4-3-3): João Gonçalves (R. Marin); Daniel de la Cruz, Zé Vitor, Léo Santos, José Gomes; Matheus Dias, Liziero, M. Jensen; Gavriel, Daniel Jr (Nourani), Chuchu Ramírez

Atenção a: Chuchu Ramírez, Markus Jensen, Daniel de la Cruz, Zé Vitor, Matheus Dias

 CASA PIA (18)
    O Casa Pia foi a última equipa a assegurar a sua presença nesta edição da Liga Portugal Betclic, derrotando o Torreense (0-0 e 2-0, capitalizando o cansaço acumulado da equipa de Torres Vedras, que pelo meio venceu a Taça de Portugal num emotivo prolongamento contra o Sporting) no Play-Off. Entretanto, os gansos perderam a custo zero um dos melhores jogadores (Larrazabal) e anunciaram o mister Filipe Coelho como novo homem do leme do projeto. O técnico de 41 anos - com longo percurso nas camadas de formação do Benfica, tendo ainda conquistado a Liga Revelação com os Sub-23 do Estoril e alargado horizontes em Londres e Estrasburgo - é uma aposta bastante interessante. Mas a falta de soluções neste plantel e o risco de Coelho poder não ter a confiança e o tempo recomendáveis para deixar o seu cunho ou impressão digital no jogar desta equipa deixam-nos reticentes quanto a esta temporada.
    No pós-José Fonte (o campeão europeu de 2016 terminou a carreira), o Casa Pia continua a ter Patrick Sequeira no seus quadros, mas o ingresso de André Gomes leva a crer que o guardião costa-riquenho pode estar de saída para um patamar mais alto. David Sousa é patrão na defesa, o meio-campo é musculado e cerra bem os dentes na recuperação, mas suspeitamos que falte capacidade de desequilíbrio e golo - o francês Livolant é nesta altura o jogador mais desta equipa, mas se os casapianos quiserem garantir a manutenção Nsona e Rochinha terão que exibir um nível bem superior às suas versões mais recentes, e Henrique Araújo (por fim totalmente desvinculado do Benfica) terá que se reencontrar, aliviando Cassiano (37 anos).

Treinador: Filipe Coelho
Onze-Base (3-4-3): Patrick Sequeira (André Gomes); André Geraldes, Khaly, David Sousa, Abdu Conté; Seba Pérez, Mohamed, Selvi Clua (Ofori); Livolant, Nsona (Rochinha), Cassiano (Henrique Araújo)

Atenção a: Jérémy Livolant, Iyad Mohamed, David Sousa, Cassiano, Kelian Nsona