Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

7 de agosto de 2026

Antevisão da Liga Portugal Betclic 2026/ 27

 Liga Portugal Betclic - Menos de 3 semanas depois da final do Mundial, o nosso campeonato está de volta! As férias de alguns jogadores foram curtas, as férias (mentais) dos adeptos ainda mais, e a sensação global é a de que ainda estamos em pré-época, começando a competição a sério e "a doer" com plantéis longe de estarem fechados.
    O que mudou? Muita coisa. Entre as 4 principais equipas, José Mourinho mudou-se para o Real Madrid depois de fazer pior do que Bruno Lage na Luz, e Marco Silva (ex-Fulham) foi o escolhido para seu sucessor. Mas a relativa estabilidade no banco dos "grandes" não é extensível ao resto da Liga - além de Farioli, Borges e Vicens, somente Vasco Seabra (Arouca), Vasco Botelho da Costa (Moreirense), Sotiris Sylaidopoulos (Rio Ave) e Petit (há apenas 6 meses no Santa Clara e já é o 7º treinador com mais tempo no cargo) prosseguem, sendo 12 as alterações de treinador nos restantes emblemas.
    Entre os 3 favoritos do costume, o FC Porto mexeu pouco, identificando boas oportunidades de negócio (Hwang In-beom e André Silva) e privilegiando a estabilidade do grupo, defensivamente compacto e muito difícil de contrariar e desmanchar quando em vantagem. Mas a continuidade de Diogo Costa e Froholdt está longe de ser uma certeza, prevendo-se assim um mês de Agosto emocionante em termos de mercado.
    Para o Sporting, 2026/ 27 representa definitivamente um novo ciclo. É que se há um ano atrás o desafio era colmatar a saída de Gyökeres, neste Verão os leões viram sair Hjulmand, Trincão e Morita, aos quais se devem juntar Diomande e Pedro Gonçalves. Rui Borges terá um novo meio-campo para esculpir, mas Suárez e Maxi Araújo mantêm-se como referências, e os reforços entusiasmam: Zalazar foi um dos melhores jogadores da época passada, e Issa Doumbia tem tudo para ser um fenómeno em Portugal.
    Para o Benfica de Rui Costa, já é um progresso saber-se que à 4ª jornada os encarnados não irão mudar de treinador, e os adeptos têm razões para estarem contentes com a vinda de Marco Silva. No entanto, desnorteadas como tem sido apanágio, as águias têm ainda inúmeros dossiers para resolver em Agosto: ainda a meio da sua cruzada para se juntar ao Torreense na Liga Europa, o Benfica pode perder o craque Schjelderup (segundo o Capology, ignorando emprestados, há 21 jogadores acima do norueguês na folha salarial do clube), parece disposto a ir ao limite por João Palhinha, não foi buscar nenhum defesa central que seja titular de caras (trocou Otamendi e António Silva por um central permeável defensivamente e por um miúdo de 18 anos) e, numa fase em que o dinheiro parece não abundar, deu 17 milhões por Kaminski, um jogador inteligente e que será muito útil, mas que num Benfica ideal seria a 3ª ou 4ª opção para extremo.

    Sendo praticamente um dado adquirido que ainda irão sair e entrar muitos craques, 26/ 27 será disputado sem Hjulmand, Trincão, Otamendi, António Silva, Hornicek, Gustavo Sá, Luís Esteves e Larrazabal, destacando-se nas movimentações entre clubes portugueses as transferências de Zalazar, Ibrahima Ba, Gabriel Silva e Diogo Travassos. Gostámos do que vimos de novas apostas "fora da caixa" como Andreas Lausen, Alexandre Parsemain, Galcík, Koutsias e Daniel de la Cruz, e entre a nova fornada de talentos, 26/ 27 pode significar uma evolução dos laterais Banjaqui e José Neto, e os primeiros passos de Rafael Nel e Flávio Gonçalves, sem esquecer nomes como Diego Rodrigues, João Veloso, Diogo Prioste e o regressado Diogo Nascimento. Marítimo e Académico de Viseu (37 anos depois) ocupam as vagas dos despromovidos Tondela e AFS.

    Cabe-nos então apresentar a nossa previsão para 26/ 27, em termos de destaques coletivos e individuais, sujeita como sempre às incidências do último mês do mercado de transferências, tanto a nível de entradas como de saídas:


 FC PORTO (1)

    Duas frases feitas ou clichés do futebol ajudam-nos a apontar o Porto à renovação do título: "em equipa que ganha, não se mexe" e "ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos". O FC Porto do italiano Francesco Farioli, que somou 88 pontos e sofreu apenas 18 golos na época passada, está praticamente igual: acionou a opção por Kiwior, fez André Silva (upgrade em relação a Moffi e Gül) regressar a casa, conseguiu Hwang (entra na perfeição na cultura tática e intensidade sem bola dos médios do Porto) a preço de saldo, e apostou sem risco em dois projetos oriundos do futebol nórdico (Granaas e Niang).
    Tal como os rivais, também o FC Porto deve ainda vai perder jogadores e reforçar-se durante este mês. E, um patamar acima da boa visão de mercado do Sporting, confiamos que os azuis e brancos têm muitíssimo bem mapeado como aplicar o dinheiro no momento em que vendam 1 ou 2 dos seus jogadores com mercado (Diogo Costa, Froholdt, Rodrigo Mora e William Gomes). Um defesa esquerdo terá seguramente que ser contratado, e os dragões já deixaram passar boas oportunidades como El Karouani ou Mats Rots, e no binómio Costa/Froholdt achamos neste momento mais provável sair Diogo Costa, mas no lugar de Farioli "preferíamos" perder Froholdt. Sim, o melhor jogador do último campeonato, esse mesmo.
    Fiel ao seu 4-3-3 com trabalho de casa personalizado, nuances fáceis de identificar mas dificílimas de contrariar, o FC Porto procurará ser a mesma fortaleza, e esperar com paciência e disciplina pelo erro do adversário quando estiver a vencer por 1-0.
    Bednarek e Kiwior formam uma dupla irrepreensível, diz a lógica que o menino Pietuszewski será uma das figuras desta edição e um dos mais fortes candidatos a Jovem Jogador do Ano, aguardando nós com bastante curiosidade se AVB oferece a Farioli um ou dois jogadores diferenciados para o trio de ataque.

Treinador: Francesco Farioli
Onze-Base (4-3-3): Diogo Costa; Alberto, Bednarek, Kiwior, Zaidu; A. Varela, Froholdt, Gabri Veiga; Pepê (W. Gomes), Pietuszewski, Samu (André Silva)

Atenção a: Victor Froholdt, Oskar Pietuszewski, Jakub Kiwior, Gabri Veiga, Diogo Costa

 SPORTING (2)

    Bicampeão em 2024 e 2025 e segundo classificado em 25/26, o Sporting tem o melhor registo recente entre os três grandes, e merece elogios a proatividade leonina, resolvendo rápido e aparentemente bem vários dossiers num mercado que se antevia bastante movimentado em Alvalade.
    Inicia-se, de certa forma, um novo Sporting. Há um ano atrás, o desafio foi encontrar um ponta de lança (Luis Suárez) capaz de manter a equipa competitiva e na luta por títulos sem o duas vezes MVP Gyökeres. Desta vez, Rui Borges terá que reconstruir a identidade de uma equipa que já perdeu Hjulmand e Trincão, e que ainda pode vir a perder Pedro Gonçalves e Diomande.
    Com novo emblema, o clube verde e branco ainda vai mexer (saídas e entradas), mas o futebol apresentado na pré-época deixou boas sensações, e é muito provável que reforços como Zalazar e Issa Doumbia partam a loiça toda. Maxi Araújo continua, Luis Suárez (um eventual caso de indisciplina e tentativa de forçar saída seria a única pedra no sapato que podia prejudicar e muito o arranque oficial do Sporting) também, e os miúdos Rafael Nel e Flávio Gonçalves marcaram pontos nos jogos amigáveis, tal como o emprestado Jesse Derry.
    Embora conscientes de quão difícil poderá ser a equipa redescobrir-se sem peças determinantes e líderes de balneário do passado recente como Hjulmand e Trincão (e hipoteticamente Pote), estamos convencidos que o Sporting poderá voltar a ser o "grande" com o futebol mais vistoso, ofensivo e multifacetado na exploração simultânea de jogo exterior e interior. Nota-se a preocupação em tornar a equipa mais robusta e mais alta, e além de nunca ser coisa fácil mudar completamente o meio-campo nuclear, o tempo dirá se Rui Borges consegue melhorar em 2 aspetos: ter impacto positivo no decorrer dos jogos quando o Plano A não funcionar, e não rebentar fisicamente a equipa na segunda volta. Ao dia 1 ainda colocamos o campeão em título FC Porto acima, essencialmente por não ter perdido nem Diogo Costa nem Froholdt, e por defender como defende.
    Com os uruguaios Zalazar e Maxi a prometem causar pânico em muitas defesas, palavras finais para o italiano Issa Doumbia (seja como médio centro, seja com origem na esquerda), um daqueles jogadores que dificilmente durará em Portugal mais do que um ano. Que achado por 20 milhões!

Treinador: Rui Borges
Onze-Base (4-2-3-1): Rui Silva; Fresneda, Ba, G. Inácio, Maxi Araújo; Altimira, S. Andersen; Geny, Zalazar, Doumbia; Luis Suárez

Atenção a: Luis Suárez, Issa Doumbia, Rodrigo Zalazar, Maxi Araújo, Sergi Altimira

 BENFICA (3)

    Dos 3 grandes, o Benfica é nesta fase aquele que nos parece mais imprevisível e mais longe da sua versão futura e "fechada" a 4 de Setembro. Esse diagnóstico é consequência natural de ser o único dos candidatos que mudou de treinador, mas também é um sintoma da desorganização e incompetência que tem caraterizado o clube nos últimos anos, estando sistematicamente a reagir em vez de antecipar e controlar o seu destino, refém do mercado e dos timings definidos por terceiros. Em Verão de Mundial e com a sua época oficial iniciada a 23 de Julho, o Benfica viu-se a ter que esperar pela reeleição de Florentino Pérez no Real Madrid para seguir com a sua vida, e no fundo o grande bónus do planeamento benfiquista é saber-se que, desta vez, Rui Costa não vai despedir o seu treinador à 4ª jornada. Marco Silva é inclusive, para nós, o melhor dos 18 treinadores desta edição. E ter um grande treinador faz muita, muita diferença...
    Sem Otamendi (Aursnes é o novo capitão) e António Silva, o Benfica arranca a Liga com Lenglet, Kaminski e Jhon Durán como os seus reforços mais relevantes. O problema está pois na gigante indefinição quanto ao futuro de inúmeros jogadores: Ivanovic (não teríamos desistido dele), Bruma ou Tiago Gouveia estão com os pés mais fora do que dentro, mas nada nos garante que Schjelderup (a prioridade do mercado deveria ser a sua renovação, igualando o seu salário aos de Aursnes e Pavlidis), Trubin, Enzo, Ríos ou Lukebakio sejam jogadores do Benfica quando o mercado fechar.
    Em busca de um defesa central e num prolongado namoro com João Palhinha, está visto que o Benfica de Marco Silva continuará a viver dos golos de Pavlidis, esperando-se bom nível de Prestianni e Rafa, um significativo upgrade de Sudakov e uma aposta em miúdos como José Neto, Banjaqui, Miguel Figueiredo, Gonçalo Moreira e Anísio Cabral.
    Em suma, achamos que o Benfica parte atrás dos 2 rivais, mas tem no seu Treinador o melhor reforço do defeso. Jogar com frequência à quinta-feira implicará boa gestão do plantel, de forma a não afetar a performance no campeonato, e o que mais pesa ao apontarmos as águias ao 3º lugar é sobretudo a sensação que o 11 do Benfica é aquele que ainda tem mais peças para mudar, quando na prática deveria ser nesta fase o mais "resolvido".

Treinador: Marco Silva
Onze-Base (4-2-3-1): Trubin (Samuel Soares); Dedic, Tomás Araújo, Lenglet, Dahl (José Neto); Aursnes, Ríos (Barreiro); Prestianni, Sudakov, Schjelderup (Rafa); Pavlidis

Atenção a: Vangelis Pavlidis, Andreas Schjelderup, Fredrik Aursnes, Tomás Araújo, José Neto

 SP. BRAGA (4)

     Numa Antevisão da liga portuguesa, apontar o Sporting de Braga ao 4º lugar é talvez a aposta menos arriscada das 18. Afinal de contas, foi essa a posição dos guerreiros do Minho em 9 das últimas 12 edições.
    À beira de entrar na Liga Conferência, uma competição em que o Braga tem legítimas aspirações de conquistar o seu primeiro troféu europeu, o "quarto grande" continua com Carlos Vicens como treinador e já fez duas vendas de 30 milhões - Zalazar mudou-se para o Sporting e Hornicek tornou-se o novo dono da baliza do Newcastle. Na zona das chegadas, Gabriel Silva, Diogo Travassos, Jonas Wind (custo zero), Huseinbasic (custo zero), são reforços, sem esquecer o guardião Bernardo Fontes, sucessor natural de Hornicek, pelo qual o Braga pagou 400 mil euros ao Tondela, acionando a opção de recompra.
    Mantendo o seu futebol vistoso e "total" (no Top-4 português, o Sporting de Braga não é a equipa mais dominante mas é muitas vezes a que apresenta um maior número de nuances nos movimentos e na ocupação dos espaços, valorizando Vicens jogadores que consigam interpretar várias posições), o Braga manterá o seu 3-4-2-1 como esquema no papel, interessando-nos acompanhar em particular a evolução dos médios centro. João Moutinho (39 anos) e Gorby são neste momento o Plano A, mas Diego Rodrigues e Tiknaz terão uma palavra a dizer. De resto, Gabriel Silva quer roubar a asa esquerda a Gabri Martínez; Dorgeles pode dar muito mais; Pau Victor herdou o 10 de Zalazar; e Ricardo Horta vai continuar a aumentar os seus números e o estatuto de Lenda, ele que é o melhor jogador da História do clube.

Treinador: Carlos Vicens
Onze-Base (3-4-2-1): Bernardo Fontes; Lagerbielke, V. Carvalho (Barcia), Arrey-Mbi; V. Gómez, Gorby (Tiknaz, Huseinbasic), João Moutinho (Diego Rodrigues), Gabriel Silva; Dorgeles, Ricardo Horta; Pau Victor

Atenção a: Ricardo Horta, Pau Victor, Bernardo Fontes, Diego Rodrigues, Gabriel Silva

 FAMALICÃO (5)

    É 0% ousado apontarmos o Famalicão ao quinto lugar, repetindo a classificação da época passada, mas fazemo-lo justamente por nos parecer nesta fase claramente o 5º clube mais forte da Liga Portugal Betclic, reciclando talento ano após ano. Se noutras janelas de transferências o clube de Vila Nova de Famalicão negociou as vendas de Pedro Gonçalves, Ugarte, Iván Jaime, Luiz Júnior, Zabiri ou Otávio, neste mercado os dois grandes encaixes foram Ibrahima Ba (Sporting) e Gustavo Sá (Nottingham Forest, com escala na Grécia). À saída destes 2 craques juntou-se ainda a perda, a custo zero, do centralão de Haas, e a mudança forçada de treinador, uma vez que Hugo Oliveira partiu em Julho para orientar o Estrasburgo na liga francesa.
    Inativo em 25/26, o que lhe permitiu por exemplo comentar e analisar o Mundial 2026 na Sport TV, Carlos Carvalhal foi uma escolha quiçá inesperada mas parece um bom match, considerando a sua visão positiva e corajosa do jogo, e a (crónica) juventude do plantel.
    Embora tudo leve a crer que o Fama ainda aplique em reforços uma magra fatia das suas mais-valias, o elenco atual já dá garantias. Carevic é sinónimo de clean sheets, Rodrigo Pinheiro foi para o BPF o melhor lateral-direito da temporada passada, e caberá ao defesa canhoto Finn van Breemen ser o herdeiro do seu compatriota Justin de Haas. Avançando no campo, continuar a contar com Mathias de Amorim é um luxo, o húngaro Tamás Szücs é uma das promissoras novidades, e para extremos há Sorriso, há Gil Dias, há o suíço Beney (o toque de bola não engana) e há novamente o tecnicista Óscar Aranda (bem-vindo de volta!), que perdeu 99% da última época devido a uma grave lesão. Se não chamar mais nenhum avançado, o papel de referência ofensiva será disputado pelo reforço grego Koutsias e pelo gigante Abubakar.
    Bom futebol, excelentes conferências de Carvalhal e mais uns milhões de euros em caixa no próximo Verão, é o que esperamos deste Famalicão.

Treinador: Carlos Carvalhal
Onze-Base (4-3-3): Carevic; Rodrigo Pinheiro, Realpe, van Breemen, Meyer (Bondo); de Looi, de Amorim, Szücs; Sorriso (Gil Dias), Aranda (Beney), Koutsias (Abubakar) 

Atenção a: Mathias de Amorim, Óscar Aranda, Georgios Koutsias, Rodrigo Pinheiro, Roméo Beney

 MOREIRENSE (6)

    Sétimo classificado no último campeonato, o Moreirense tem muito provavelmente na continuidade do técnico Vasco Botelho da Costa o seu melhor reforço. Numa edição em que 12 (!) equipas mudaram de treinador, incluindo clubes como o Vitória e o Famalicão, acaba por ser surpreendente q.b. que ninguém tenha conseguido remover VBdC deste projeto em Moreira de Cónegos. Desconhecendo nós se houve abordagens ou não, as duas leituras que fazemos são: a) salvo alguma proposta do estrangeiro, o técnico de 37 anos pode ter definido só trocar o Moreirense pelo Top-4 português e b) tendo mudado várias vezes de clube nos últimos anos, escalando a pirâmide do futebol nacional, completar um Ano 2 na mesma equipa na Primeira Liga é bem capaz de ser um passo sensato e inteligente.
    Sob a alçada do fundo norte-americano Black Knight (Bournemouth, Lorient, Hibernian), o Moreirense quererá certamente lutar pela Europa, e tem treinador e jogadores (acreditamos que ainda cheguem mais 2 ou 3 reforços) para ficar entre o 5º e o 9º lugares.
    Sem Diogo Travassos e Alanzinho, este Moreirense 26/27 surge na casa de partida com um elenco idêntico, e algumas novidades que podem mudar muita coisa. Na baliza, Aranha (emprestado pelo Palmeiras) será concorrência para André Ferreira, e na defesa Dinis Pinto e Maracás são indiscutíveis, prometendo a disputa por um lugar no 11 entre Gilberto Batista e Janderson. O meio-campo continua a contar com Stjepanovic, Rodrigo Alonso e Afonso Assis (20 aninhos), podendo este ecossistema potenciar e muito o talento por explodir de João Veloso. Ligado ao Benfica desde os seus 12 anos, o rapaz de Albufeira pode crescer imenso neste empréstimo.
    No ataque, Kiko Bondoso é sempre um porto seguro para a bola, Landerson deve continuar a ter bastantes minutos, e o novo camisola 9, Alexandre Parsemain, tem deixado ótimas indicações na pré-época. Internacional pela Martinica e com vários anos de futebol francês, é um ponta de lança muito interessante na forma como se movimenta e explora a profundidade, hábil a combinar com os colegas e com o instinto certo, parece-nos, para sobressair por cá.

Treinador: Vasco Botelho da Costa
Onze-Base (4-3-3): Aranha (André Ferreira); Dinis Pinto, Maracás, Janderson (Gilberto Batista), F. Domingues; Stjepanovic, Rodrigo Alonso, João Veloso (Afonso Assis); Landerson, Kiko Bondoso, Parsemain

Atenção a: Alexandre Parsemain, João Veloso, Dinis Pinto, Gilberto Batista, Rodrigo Alonso

 ESTORIL (7)

    O 10º lugar do Estoril na época passada foi estranho. Estranho porque a equipa marcou 54 golos (5º melhor ataque) e estranho porque no nosso campeonato, regra geral, quando uma equipa tem craques como Begraoui (20 golos) ou João Carvalho (6 golos e 12 assistências) o mais certo é acabar entre as 7 melhores equipas.
    Após duas épocas com uma postura e personalidade refrescantes no futebol português, o escocês Ian Cathro deixou o Estoril para ir treinar, na Ligue 2, o Saint-Étienne. Na hora de encontrar o sucessor, o clube da Linha escolheu Vasco Matos (ex-Santa Clara) e, com Helena Costa como diretora desportiva, o mais astuto talvez seja confiar na decisão. Curiosamente, o técnico de 45 anos chega ao António Coimbra da Mota com a sua cotação abaixo do que já esteve, mas convém relembrar que, quando Rui Borges substituiu Ruben Amorim (esqueçamos João Pereira), não era descabido para alguns a escolha ter sido Vasco Matos em vez de Borges. O Estoril jogava com Cathro maioritariamente em 3-4-3, ou 3-4-2-1 se preferirem, e Vasco Matos também privilegiou um esquema de 3 centrais nos Açores.
    O mercado está aberto até 4 de Setembro, mas para já os adeptos do Estoril podem dar-se por contentes com a continuidade de Begraoui e João Carvalho, jogadores que tinham lugar no plantel de qualquer uma das melhores equipas em Portugal. Jogadores importantes como Holsgrove, Xeka, Ricard Sánchez e o "kinder surpresa" Guitane também continuam.
    Segurar Begraoui e o capitão João Carvalho seria a melhor notícia do mercado, mas ainda falta banco a este curto plantel. Na defesa, Ferro mantém-se e Tsoungui pode fazer a posição, mas o êxodo de centrais (Boma foi para o Red Bull Salzburgo e Felix Facher para o Lyon) deixou os dirigentes em alerta. Sierra e Andreou já foram recrutados, e pode ter pesado na decisão de confiar os destinos da equipa a Vasco Matos o facto do seu Santa Clara defender bem, confiando depois no talento individual de jogadores, cuja qualidade "pertence" a outro patamar ou a ligas superiores, para resolver.

Treinador: Vasco Matos
Onze-Base (3-4-3): Joel Robles; Sierra, Tsoungui (Andreou), Ferro; R. Sánchez, Xeka, Holsgrove, P. Carvalho; Guitane, João Carvalho, Begraoui 

Atenção a: Yanis Begraoui, João Carvalho, Jordan Holsgrove, Rafik Guitane, Ricard Sánchez

 VIT. GUIMARÃES (8)

    Viciado em colecionar treinadores, o grande desafio do Vitória em 2026/ 27 é acreditar em Tiago Margarido, dar-lhe tempo e não o sacrificar aos primeiros sinais de negatividade ou imperfeição. Luís Pinto, Luís Freire, Daniel Sousa ou Álvaro Pacheco (Rui Borges foi um caso diferente, saindo porque surgiu o Sporting interessado) foram alguns dos inúmeros técnicos que a cidade-berço viu chegarem e saírem num curto espaço de tempo. É, aliás, preciso recuar a 21/22 para encontrar um treinador (Pepa) que tenha tido a paz - e mérito - para fazer, só ele, a temporada completa em Guimarães, do primeiro ao último dia. Idealmente, a troca na presidência de António Miguel Cardoso para Rui Rodrigues pode significar um modelo de gestão e estabilidade diferentes, e Tiago Margarido mostrou no Nacional da Madeira capacidade para estar à altura de uma das cadeiras mais exigentes do futebol português.
    Com menos craques do que Famalicão e Estoril, e com menos saúde operacional do que Moreirense e Gil Vicente, o Vitória entra em 26/27 sem Saviolo (vendido ao Trabzonspor por 8 milhões e meio) e Diogo Sousa (vendido ao Estrasburgo por 11 milhões) mas continua a ter prata da casa para potenciar como Gonçalo Nogueira, Miguel Nogueira, Zeega ou Costinha.
    Certamente num 4-3-3 com o pulmão de Beni Mukendi e a personalidade e liderança de Samu em evidência, o Vitória de Margarido foi buscar ao Aston Villa o central colombiano Yeimar Mosquera e, além de acreditarmos que é desta que o miúdo Oumar Camara vai explodir, também torcemos para que Gustavo Silva, seja a avançado móvel seja numa faixa, consiga finalmente uma época inteira sem interrupções e com elevada regularidade exibicional.

Treinador: Tiago Margarido
Onze-Base (3-4-3): Charles; Maga (Strata), Rivas, Mosquera (Thiago Balieiro), João Mendes; Beni, Gonçalo Nogueira (Mitrovic), Samu; Miguel Nogueira, O. Camara, Gustavo Silva

Atenção a: Gustavo Silva, Oumar Camara, Beni, Yeimar Mosquera, Miguel Nogueira

 GIL VICENTE (9)

    Para o sensacional Gil Vicente, este é um mundo novo. Por força das circunstâncias, quando qualquer clube português fora do habitual Top-4 surpreende e brilha, o seu desmantelamento é quase uma certeza a curto ou médio-prazo. Barcelos foi palco de uma das melhores equipas de 25/26, com ideia de jogo de equipa grande e dinâmica bem trabalhada. O preço a pagar? Pablo Felipe e Andrew saíram com a época a decorrer, e entretanto César Peixoto foi anunciado como treinador do Wolves (Championship) e Luís Esteves rumou ao futebol mexicano.
     O novo capítulo dos galos escreve-se sob o olhar e a interpretar a visão de Luís Pinto, jovem treinador que acabou despedido do Vit. Guimarães mesmo depois de conquistar a Taça da Liga.
    Embora ainda nos mantenhamos desconfiados quanto à permanência de alguns atletas (a continuidade de Santi García teria tanto de extraordinário para o Gil como de incompreensível que nenhum clube grande aposte no super-intenso médio espanhol, o "segundo melhor Froholdt" da Liga) é sempre positivo quando um clube segura uma consolidada dupla de centrais (Buatu-Elimbi) e no meio-campo, além do empréstimo de Diogo Prioste (Benfica), o reforço que mais aguça a curiosidade é o dinamarquês Andreas Lausen, médio ex-Esbjerg que pode claramente fazer a diferença no nosso futebol.
    Na frente, continuam Murilo, Agustín Moreira ou Joelson, e a principal dúvida é mesmo qual será o avançado centro titular (Héctor é o mais experiente, Walace França e Carlos Eduardo têm as caraterísticas mais interessantes, e Kaba vem com bons números dos Sub-23).

Treinador: Luís Pinto
Onze-Base (4-3-3): Lucão; R. Esgaio, Elimbi, Buatu, Weverson (D. Moreira); Cáseres, Santi Garcia, Lausen; Murilo, A, Moreira (Joelson), Walace França (Carlos Eduardo, Héctor)

Atenção a: Santi García, Andreas Lausen, Walace França, Agustín Moreira, Lucão

 AROUCA (10)

    Numa edição em que 66% das equipas têm novo treinador, o Arouca é quem mais se desvia da norma. Vasco Seabra é o treinador há mais tempo no cargo (1 ano e 9 meses) entre os 18 da lista.
    Mesmo sem ter um jogador diferenciado - como tivera no passado Mújica, Cristo, Jason ou André Silva - o clube do distrito de Aveiro ficou em 8º lugar na época passada, transformando uma primeira volta desapontante (16º lugar e somente 14 pontos) numa segunda volta excelente: dobro dos pontos (28) e classificação de sexta melhor equipa da prova, se consideradas apenas as 17 jornadas finais.
    Convictos de que serão capazes de dar sequência ao impressionante registo de 2026, os arouquenses têm a mais-valia de apresentar um dos plantéis com menos mexidas neste Verão. De Arruabarrena pode continuar titular, e Tiago Esgaio (merecia mais crédito) também está de pedra e cal numa defesa que conta com Jose Fontán e Javi Sánchez (Diogo Monteiro pode-se intrometer nas contas do 11) e que acrescentou o ex-Cádiz Mario Climent para o lado esquerdo. Pensámos que Fukui sairia, mas o nipónico continua a fazer companhia a nomes como van Ee, Lee Hjun-ju ou Pablo Gozálbez.
    No trio de ataque, Barbero tem agora a vantagem de já estar adaptado ao futebol português, e acreditamos que tanto o uruguaio Trezza como o francês Djouahra poderão subir um degrau em relação ao rendimento da temporada anterior. Atenção ainda a Sihoo Park (18 anos), jogador que justificou nova aposta do Arouca no mercado asiático.

Treinador: Vasco Seabra
Onze-Base (4-3-3): de Arruabarrena; Tiago Esgaio, Javi Sánchez (Diogo Monteiro), Fontán, Climent; van Ee (Pablo Gozálbez), Hjun-ju; Trezza, Djouahra (Park), Barbero

Atenção a: Taichi Fukui, Alfonso Trezza, Iván Barbero, Tiago Esgaio, Mario Climent

 SANTA CLARA (11)


    Nos Açores, desta vez Petit vai poder orientar a equipa de Ponta Delgada desde a jornada 1. E o mais provável é que os açorianos consigam crescer e afastar-se mais e mais daquela versão retraída dos últimos tempos de Vasco Matos, privilegiando o que usualmente caracteriza as equipas de Petit: conjunto equilibrado, compacto e solidário, com excelente organização e comunicação na hora de defender, e processos simples na construção de soluções no último terço.
    É verdade que Gabriel Silva, Gabriel Batista, Serginho e Klismahn deixam saudades, mas quando olhamos para este plantel vemos todo o potencial para uma temporada tranquila e sem necessidade de calculadoras e doses de ansiedade na reta final.
    Lucas França (especialista na defesa de grandes penalidades) mudou-se da Madeira para os Açores, tendo o guardião brasileiro à sua frente um quarteto defensivo no qual estaremos atentos ao central canhoto Emanuel Moreira, ex-Feirense e formado no Sporting. Djé e Pedro Ferreira (jogador determinante mas silencioso) podem formar trio de meio-campo com Tiago Ribeiro, e na frente os jogadores que existem dão garantias: Vinícius Lopes é um elemento fiável, Brenner Lucas estará motivado com a camisola 10 nas costas, Gonçalo Paciência é o tipo de dianteiro altruísta que pode ser catalisador para a subida de rendimento dos extremos, parecendo-nos Fernando (número 7) o atleta mais atrevido e que pode marcar mais pontos no arranque da temporada.
    Petit já não é apenas aquele treinador que evitava que as equipas descessem. Com Petit, joga-se à bola.

Treinador: Petit
Onze-Base (4-3-3): Lucas França; Lucas Soares (Calila), Sidney Lima, Emanuel Moreira, G. Romão; Djé, Pedro Ferreira, Tiago Ribeiro; Vinícius Lopes, Fernando, G. Paciência

Atenção a: Vinícius Lopes, Fernando, Pedro Ferreira, Gonçalo Paciência, Emanuel Moreira

 ALVERCA (12)

    Uma espécie de Famalicão em potência, este Alverca está bem mais calminho do que há 1 ano atrás, altura em que os ribatejanos já iam com 28 reforços. Determinado em fazer melhor ou igual do que o respeitável 11º lugar da edição anterior, o Alverca não tem Custódio Castro como treinador, tendo a escolha do presidente da SAD (mais de 70% detida por Vinícius Júnior), José Miguel Albuquerque, recaído em Sérgio Ferreira. Aos 38 anos, o ex-treinador dos juniores do FC Porto e antigo adjunto de Carlos Carvalhal em várias paragens abraça o maior desafio da sua carreira. E o nosso feeling é que está claramente preparado.
    Do ponto de vista do plantel, Naves, Lincoln, Marezi e André Gomes não continuam, e é muito provável que o central Bastien Meupiyou ainda seja transferido por valor recorde para o clube. Pela positiva, deve-se assinalar a continuidade de jogadores como Figueiredo, Chiquinho e Touaizi.
    O mais certo é que até ao final do mês ainda muita coisa mude e vários jovens valores se juntem às opções ao dispor de Sérgio Ferreira, mas para já o guardião francês de 21 anos, Noah Raveyre, deve levar a melhor sobre o backup Jhonatan, e uma transferência de Meupiyou pode abrir as portas do onze para Bojang, central gambiano contratado ao Odense. No miolo há margem para afinações, mas na frente muita atenção a Vivaldo Semedo - o gigante avançado de 1,92m, formado no Sporting e com experiências internacionais na Udinese ou no Watford, pode causar estragos em Portugal.

Treinador: Sérgio Ferreira
Onze-Base (4-3-3): Noah (Jhonatan); Touaizi, Sergi Gómez, Meupiyou (Bojang), I. James; Abdulai, Davy Gui, Vasco Moreira; Figueiredo, Chiquinho, Vivaldo Semedo

Atenção a: Figueiredo, Vivaldo Semedo, Chiquinho, Nabil Touaizi, Yaya Bojang

 RIO AVE (13)
    Com um plantel multicultural e uma prospecção habitualmente ousada, o Rio Ave do grego Sylaidopoulos provou na segunda volta de 25/26 não ser tão desconexo como poderia levar a crer, reagindo com personalidade e bom futebol às saídas a meio da época de jogadores de importância colossal como Clayton e André Luiz.
    É certo que o clube de Vila do Conde é o parente pobre no monopólio de Evangelos Marinakis (Nottingham Forest e Olympiacos) mas, em boa verdade, 2026/ 27 também representa a primeira vez em que o multiverso do proprietário grego faz chegar à comunidade piscatória um valor interessante: Diogo Nascimento, destaque do Vizela entre 2023 e 2025, foi emprestado pelo Olympiacos e pode ser um dos motores desta equipa.
    Embora os vila-condenses estejam longe de ser atualmente um exemplo enquanto modelo de gestão ou identidade, o perfil competitivo deste plantel leva-nos a pensar que a equipa verde e branca conseguirá estar longe da luta pela manutenção. Vrousai é um dos melhores laterais direitos em Portugal, Diogo Bezerra tem qualidade, o reforço eslovaco Galcík tem golo, e na frente estamos bastante curiosos para ver o rácio de golos por jogo que Blesa consegue apresentar (reforço de Inverno de 2025, apontou 7 golos em 13 jogos) numa época completa, ele que pode beneficiar bastante de uma titularidade em simultâneo com Tamble Monteiro, o possante ponta de lança ex-Portimonense que só precisa de acrescentar números aos restantes predicados do seu jogo para ser olhado com outro respeito e cautela.

Treinador: Sotiris Sylaidopoulos
Onze-Base (3-4-3): Miszta (van der Gouw); Brabec, Petrasso, Gustavo Mancha; Vrousai, Ntoi, Diogo Nascimento, Abbey; Diogo Bezerra, Galcík (Spikic), Blesa

Atenção a: Jalen Blesa, Roland Galcík, Diogo Nascimento, Marious Vrousai, Tamble Monteiro

 ESTRELA DA AMADORA (14)

    Na Reboleira, o histórico recente (15º classificado em 25/26 e 24/25 e 14º em 23/24) deixa antever nova temporada de convívio próximo com o abismo, e acreditamos nós com repetição de escapatória.
    Para as boas sensações iniciais, muito contribui o fator Pepa. O técnico de 45 anos está de regresso ao futebol português, após experiências no Médio Oriente e no Brasil, e terá na Amadora uma nova oportunidade para demonstrar como é um treinador habitualmente subvalorizado.
    O clube que nos últimos anos potenciou Tiago Gabriel, Sidny Cabral, André Luiz e Kialonda Gaspar, teve desta vez em Otávio (Eintracht Frankfurt) a principal venda do Verão, perdendo ainda Jovane Cabral para o Grémio a custo zero.
    Com Pepa, é improvável que vejamos o Estrela a alinhar com 3 centrais, esquema adotado amiúde nas últimas épocas. Léo Linck deve ser o novo dono da baliza, e na defesa Lekovic (super-herói da manutenção com um bis em Braga na última jornada) e Bernardo Schappo formam uma dupla competente. O alemão Scholze disputará o corredor direito com Encada, sendo mais indiscutível a titularidade de Rafa Soares no lado esquerdo. Os centro-campistas Doué e Robinho transitam da edição anterior, tendo a equipa tricolor apostado no Zvonarek (ex-Bayern Munique) na hora de identificar um novo criativo.
    Abraham Marcus arranca 26/27 com estatuto de craque e figura da equipa, juntando-se a ele o imaginativo Stoica e o ex-Académica e Benfica, Beni Souza, elemento que pode contribuir como 3º médio ou a partir do flanco esquerdo. Discreto na época passada, Sydney van Hooijdonk, filho do antigo nº 9 do Benfica, tem estado goleador na pré-época e pode ter impacto desta vez, com Antonetti (já revelou bons pormenores, mas vem faltando regularidade) como seu coadjuvante. 

Treinador: Pepa
Onze-Base (4-3-3): Léo Linck; Scholze (Encada), Lekovic, Schappo, Rafa Soares; Doué, Robinho, Zvoranek (Beni Souza); Abraham Marcus, Stoica (Antonetti), van Hooijdonk

Atenção a: Abraham Marcus, Sydney van Hooijdonk, Stefan Lekovic, Eddy Doué, Leandro Antonetti

 ACADÉMICO DE VISEU (15)

    O distrito de Viseu viu cair o Tondela, mas mantém-se vivo no mapa da Primeira Liga. 37 anos depois (última presença fora em 88/89), o Académico está de volta.
    Com menos 7 pontos do que o campeão Marítimo, e em igualdade pontual com o Torreense, a subida do Académico começou tímida com Sérgio Vieira, mas ganhou embalo com outro Sérgio, Fonseca de apelido. No entanto, os Viriatos têm agora Bruno Pinheiro (ex-Gil Vicente e Estoril) no comando técnico.
    Neste regresso ao escalão máximo, a estabilidade do plantel pode ser uma arma importante, consigam estes jogadores apresentar na Liga Portugal Betclic um nível aproximado daquele que colocaram em campo na Meu Super. Na baliza há mudanças (o esloveno Domen Gril rumou ao futebol polaco, e o espanhol Marcos Lavín é o novo portero) mas o quarteto defensivo pode ser repetido - Robinho (jogador com bom contributo ofensivo) à direita, Gustavo Costa à esquerda e Anthony Correia e Michelis como centrais.
    No meio-campo, o canhoto alemão Messeguem (10 assistências na temporada passada) e o turco nascido na Alemanha, Cihan Kahraman (6 golos e 8 assistências), prometem manter enorme influência na construção, podendo os adeptos celebrar a renovação de Kahraman, cuja saída por falta de acordo chegou a ser oficializada.
    Há Zamora, há João Guilherme, mas falar de golos em Viseu é falar de André Clóvis. O ponta de lança brasileiro de 28 anos chega finalmente à I Liga - surpreende-nos que nenhum clube o tenha recrutado mais cedo - tendo apontado um total de 77 golos nas últimas 4 temporadas no clube. Torcerá a massa associativa para que a sua época mira esteja calibrada como em 25/26 e 22/23, e que ninguém o leve de Viseu até 31 de Agosto. Segurá-lo é fundamental.

Treinador: Bruno Pinheiro
Onze-Base (4-3-3): Marcos Lavín; Robinho, A. Correia, Michelis, Gustavo Costa; Messeguem, Luís Silva (C. Ferreira), Kahraman; Zamora, João Guilherme, André Clóvis

Atenção a: André Clóvis, Soufiane Messeguem, Cihan Kahraman, Anthony Correia, Marcos Lavín

 MARÍTIMO (16)

    Faz muito mais sentido a Liga portuguesa com o Marítimo entre as 18 melhores equipas do nosso futebol. Relegada em 22/23, a equipa da Madeira voltou aonde pertence, e teremos novamente dérbis insulares com o Nacional. O 12º lugar na segunda divisão em 24/25 chegou a insinuar uma trajetória descendente dos verde-rubros, mas Vítor Matos (excelente treinador, a consolidar-se no Swansea) criou bases e Miguel Moita deu boa sequência, guiando o Marítimo ao título. Agora, é a vez do neerlandês Mitchell van der Gaag viver uma segunda vida como treinador neste clube, ele que representou o Marítimo como jogador entre 2001 e 2006.
    O guarda-redes Samu (figurou no XI do ano da Segunda Liga) foi para Israel, e Pastor pode ser o novo titular da baliza, a não ser que ainda chegue Todos os defesas heróis da subida continuam, merecendo nota a curiosidade do central luso-francês Romain Correia ter ajudado o Marítimo a subir e o seu irmão gémeo, Anthony Correia (igualmente defesa central) ter subido com o Académico de Viseu. Nesse setor, a principal dúvida é a permanência do melhor defesa, o dinamarquês Noah Madsen, associado ao futebol polaco, e há a registar as chegadas do húngaro Szalai e de Rafael Fernandes.
    Ofensivamente, o motor criativo Carlos Daniel está de partida para a Arábia Saudita, aumentando as responsabilidades do pequeno e desconcertante Martín Tejón e do marroquino Bouzaidi. Não ficaremos chocados se ambos conseguirem melhores números na I Liga do que aquilo que conseguiram na II. Finalmente, saudamos o regresso ao futebol português de Maxime Domínguez, ele que viveu um excelente período ao serviço do Gil Vicente em 2023/ 24, e na frente o outrora wonderkid José Melro é a concorrência do espadaúdo Butzke, o teórico homem-golo dos insulares.

Treinador: Mitchell van der Gaag
Onze-Base (4-1-2-3): Pastor; I. Julião, Madsen (Rafael Fernandes, Szalai), Romain Correia, Paulo Henrique; Danilovic; Guzzo, M. Domínguez (R. Andrade); Bouzaidi, M. Tejón, Butzke

Atenção: Simo Bouzaidi, Martín Tejón, Adrián Butzke, Romain Correia, Maxime Domínguez

 NACIONAL (17)

    Apostado em preservar o estatuto de melhor equipa da ilha da Madeira, mediante o regresso do dérbi local com o Marítimo, o Nacional inicia esta época uma nova página, sem Tiago Margarido (ótimo trabalho nos 3 anos ao serviço do clube, tendo-se mudado para Guimarães) mas com João Gião. O treinador de 39 anos, que na temporada passada orientou a equipa B do Sporting, terá aqui o seu primeiro teste na Primeira Liga.
    Um dos destaques evidentes em 25/26, o guarda-redes Kaique - emprestado pelo Palmeiras - voltou à casa-mãe. Na sucessão, sem excluir João Gonçalves da equação, o ítalo-brasileiro Renato Marin, emprestado pelo PSG, parece ocupar a pole position.
    A defesa é um dos setores que menos dores de cabeça dará a Gião. Zé Vitor (algo surpreendente que nenhum clube acima o tenha contratado) e Léo Santos entendem-se às mil maravilhas, José Gomes cumpre muito bem o seu papel à esquerda, e do lado direito o equatoriano Daniel de la Cruz é uma das entusiasmantes novidades deste conjunto.
    Uns metros à frente, o médio defensivo Matheus Dias pode viver a sua temporada de plena afirmação no contexto global do futebol português, e o escandinavo Markus Jensen é uma das caras novas do elenco. Daniel Júnior (tecnicista virtuoso mas geralmente inconsequente) e o reforço cipriota Stavros Gavriel serão alguns dos responsáveis por criar desequilíbrios, numa equipa que tem na gestão do seu astro um dos maiores pontos de interrogação. Até ver, o venezuelano Jesús "Chuchu" Ramírez (4º melhor marcador da Liga em 25/26, com 18 golos) continua pela Madeira, mas já expressou a vontade de sair, e é improvável que Rui Alves o consiga manter. Conservar Chuchu seria quase por si só garantir excelentes odds na luta pela manutenção; sem ele, e mesmo que esta defesa transmita confiança, muito peso será colocado no avançado que for recrutado para suprir a sua (eventual) saída.

Treinador: João Gião
Onze-Base (4-3-3): João Gonçalves (R. Marin); Daniel de la Cruz, Zé Vitor, Léo Santos, José Gomes; Matheus Dias, Liziero, M. Jensen; Gavriel, Daniel Jr (Nourani), Chuchu Ramírez

Atenção a: Chuchu Ramírez, Markus Jensen, Daniel de la Cruz, Zé Vitor, Matheus Dias

 CASA PIA (18)
    O Casa Pia foi a última equipa a assegurar a sua presença nesta edição da Liga Portugal Betclic, derrotando o Torreense (0-0 e 2-0, capitalizando o cansaço acumulado da equipa de Torres Vedras, que pelo meio venceu a Taça de Portugal num emotivo prolongamento contra o Sporting) no Play-Off. Entretanto, os gansos perderam a custo zero um dos melhores jogadores (Larrazabal) e anunciaram o mister Filipe Coelho como novo homem do leme do projeto. O técnico de 41 anos - com longo percurso nas camadas de formação do Benfica, tendo ainda conquistado a Liga Revelação com os Sub-23 do Estoril e alargado horizontes em Londres e Estrasburgo - é uma aposta bastante interessante. Mas a falta de soluções neste plantel e o risco de Coelho poder não ter a confiança e o tempo recomendáveis para deixar o seu cunho ou impressão digital no jogar desta equipa deixam-nos reticentes quanto a esta temporada.
    No pós-José Fonte (o campeão europeu de 2016 terminou a carreira), o Casa Pia continua a ter Patrick Sequeira no seus quadros, mas o ingresso de André Gomes leva a crer que o guardião costa-riquenho pode estar de saída para um patamar mais alto. David Sousa é patrão na defesa, o meio-campo é musculado e cerra bem os dentes na recuperação, mas suspeitamos que falte capacidade de desequilíbrio e golo - o francês Livolant é nesta altura o jogador mais desta equipa, mas se os casapianos quiserem garantir a manutenção Nsona e Rochinha terão que exibir um nível bem superior às suas versões mais recentes, e Henrique Araújo (por fim totalmente desvinculado do Benfica) terá que se reencontrar, aliviando Cassiano (37 anos).

Treinador: Filipe Coelho
Onze-Base (3-4-3): Patrick Sequeira (André Gomes); André Geraldes, Khaly, David Sousa, Abdu Conté; Seba Pérez, Mohamed, Selvi Clua (Ofori); Livolant, Nsona (Rochinha), Cassiano (Henrique Araújo)

Atenção a: Jérémy Livolant, Iyad Mohamed, David Sousa, Cassiano, Kelian Nsona


10 de junho de 2026

Mundial 2026: Previsão Grupo L

E assim chega ao fim a nossa antecipação dos 12 grupos do maior campeonato do mundo de sempre. 48 equipas e 1.248 jogadores lutarão nos EUA (78 jogos), no México (13) e no Canadá (13) para erguer no dia 19 de Julho o troféu mais cotado da modalidade. À boa maneira americana, com uma atração incontrolável pelas grandezas, o Mundial 2026 terá 104 jogos, o que representa um aumento de 40 partidas em relação às 64 de formatos anteriores.
    Com jogos desde as 17 ou 18 horas (hora portuguesa) até, em alguns casos, às nossas cinco da manhã, preparem-se os bravos dispostos a ver toda a competição, porque além da sujeição ao fuso horário, podemos esperar jogos interrompidos ou adiados umas horas (o Mundial de Clubes de 2025 serviu de tubo de ensaio), o que poderá impedir o adepto que estiver a ver um Áustria-Jordânia iniciado às 5h, de se deitar às 7h da manhã como pretendido. Em campo, as temperaturas podem fazer suar (para lá do expectável) os corpos menos acostumados, e a alta carga de jogos acumulados por muitos jogadores pode traduzir-se, em muitos casos, num ritmo mais baixo e numa tentativa de através do controlo "abafar" correrias e jogos partidos. Basicamente, se és jogador, boa notícia se o jogo é em Los Angeles ou Vancouver, má notícia se vais jogar em Miami, Dallas ou Monterrey.
    Nestes 12 artigos, propomos um olhar global sobre cada grupo. Vamos puxar a cassete atrás e recordar o caminho da qualificação de cada uma das equipas, identificar forças e fraquezas de cada seleção, projetar os onzes iniciais - e que variantes ou nuances podem surgir ao longo do próximo mês, sendo quase certo que as equipas que vão chegar mais longe serão as que vão "aprender" mais sobre si próprias, sobre as outras, e ajustar na medida certa. Iremos tentar lançar até que fase pode chegar cada uma das seleções (um exercício ultra falível quando há o fator adicional de encontrar os 8 melhores terceiros) e que jogadores vão brilhar. Este é um Mundial para o qual não se qualificaram estrelas como Kvaratskhelia, Lewandowski, Szoboszlai e os italianos Donnarumma, Dimarco e Tonali; falham a prova por lesão nomes como Fermín López, Karl, Rodrygo, Estêvão, Xavi Simons, Panichelli, Kudus ou Ekitiké e por opção dos respetivos selecionadores Camavinga, João Pedro, muitos ingleses (Trent, Foden, Gibbs-White ou Cole Palmer), Mateus Fernandes e Mika Godts.

    Há muita qualidade neste Grupo L. A Inglaterra, com um futebol curto mas resultadista na Era Southgate, chega aos EUA com um histórico decente: finalista nos Europeus de 2024 e 2020, e 4ª classificada no Mundial 2018. O alemão Thomas Tuchel aceitou o desafio da Federação e, feita a convocatória mais controversa das 48 equipas, não haverá meio termo na avaliação: Tuchel sai deste Mundial ou como génio e "pai" do sucesso ou como um dos grandes responsáveis pelo insucesso.
    Na Croácia, é público que Luka Modric (40 anos) terminará a carreira assim que terminar o seu derradeiro jogo neste Mundial, e os croatas de Zlatko Dalic (selecionador desde 2017) têm jogadores para dar e vender, estando a fazer razoavelmente bem a passagem de uma geração para outra. O Gana é treinado por Carlos Queiroz, e o Panamá deve ter dificuldades em pontuar.

    Votos para todos de um grande Mundial 2026, e que ganhe Portugal! Assim projetamos o Grupo L:

1. INGLATERRA 
(Previsão: Finalista)

  • Guarda-Redes: Jordan Pickford (Everton), Dean Henderson (Crystal Palace), James Trafford (Manchester City)
  • Defesas: Reece James (Chelsea), Tino Livramento (Newcastle), Jarell Quansah (Bayer Leverkusen), John Stones (Manchester City), Ezri Konsa (Aston Villa), Marc Guéhi (Manchester City), Dan Burn (Newcastle), Nico O'Reilly (Manchester City), Djed Spence (Tottenham)
  • Médios: Elliot Anderson (Nottingham Forest), Declan Rice (Arsenal), Jordan Henderson (Brentford), Kobbie Mainoo (Manchester United), Jude Bellingham (Real Madrid), Eberechi Eze (Arsenal), Morgan Rogers (Aston Villa)
  • Extremos/ Avançados: Bukayo Saka (Arsenal), Noni Madueke (Arsenal), Anthony Gordon (Newcastle), Marcus Rashford (Barcelona), Ivan Toney (Al Ahli), Harry Kane (Bayern Munique), Ollie Watkins (Aston Villa)
Selecionador: Thomas Tuchel
Ausências: Trent Alexander-Arnold, Lewis Hall, Morgan Gibbs-White, Cole Palmer, Phil Foden

Forças: Harry Kane marcou mais de 60 golos esta época; Dupla de médios formada por Elliot Anderson e Declan Rice é sinónimo de entrega, incontáveis recuperações e muita personalidade; Cantos apontados por Saka e Rice; Tuchel pode ser o grande selecionador deste Mundial.
Fraquezas: Cansaço acumulado dos jogadores da Premier League; Seleção menos madura e com menor capacidade de exercer controlo do que Espanha e Portugal, com menos golo do que a França e menos crença (os ingleses têm uma grande tendência para duvidarem de si próprios) do que a Argentina; À mínima falha, a imprensa vai começar a falar das ausências de Palmer, Foden ou Trent.

Equipa-Base (4-2-3-1): Pickford; R. James, Konsa, Guéhi, O'Reilly; E. Anderson, D. Rice; Saka, Bellingham, A. Gordon (Rashford); Kane

    Sinceramente, pensamos entender a visão de Tuchel para esta sua Inglaterra e, por isso, não nos chocam tanto as não-chamadas de Trent, Foden e Palmer, mas mais as de Gibbs-White e Lewis Hall.
    Determinado em construir uma equipa, equilibrada e apetrechada para lidar com as imprevisibilidades deste mês de competição, Tuchel tem um 4-3-3 (ou 4-2-3-1, se quisermos ser rigorosos, uma vez que Bellingham na prática terá a concorrência de Morgan Rogers e Eze) assente na casa das máquinas Rice-Anderson, e com uma defesa que, sem ter grandes nomes, tem tudo para funcionar. Reece James junta-se bem aos médios, Konsa e Guéhi raramente cometem um erro, e o miúdo O'Reilly sai a jogar com tremenda qualidade, tem golo e tem altura para ser um dos 4 alvos dos "cantos do Arsenal".
    Em certa medida, Tuchel parece preocupar-se em desenhar a melhor Inglaterra possível para Kane. Saka será a seta do lado direito, e do lado esquerdo estão taco-a-taco o atual jogador do Barcelona, Marcus Rashford, e o próximo jogador do Barcelona, Anthony Gordon.

Destaques Individuais (Previsão):


    Se a Inglaterra chegar longe e Harry Kane for um dos melhores marcadores deste Mundial, é bom que o avançado do Bayern surja no pódio da próxima Bola de Ouro. O máximo goleador do futebol europeu está com 32 anos (em 2030 ainda deve jogar) e é a estrela numa equipa que pode eventualmente "acusar" a temperatura e humidade, mas onde o que talvez mais impressione seja a atitude de todos os elementos do teórico 11 titular.
    Prever um bom trajeto de Inglaterra é confiar que Elliot Anderson e Declan Rice vão encher o campo e dominar jogos. Rice está a realizar uma temporada extraordinária, mas não se admirem se neste Mundial acabar por ser o médio do Nottingham Forest, pretendido pelos rivais de Manchester, o mais elogiado médio inglês.
    Bukayo Saka é um misto de objetividade, criatividade, velocidade e inteligência, e Jude Bellingham (há dúvidas sobre quão boa é a sua relação com Tuchel) perdeu cotação na equipa mas era conveniente que fizesse a ponte entre os médios e Kane.
    Depois de uma época de afirmação ao serviço do Manchester City, Nico O'Reilly está nas nuvens e carregadinho de confiança. Depois de Nuno Mendes, talvez o lateral esquerdo de quem esperamos mais no Mundial.


2. CROÁCIA 
(Previsão: Eliminada nos 16-avos por Portugal)

  • Guarda-Redes: Dominik Livakovic (Dínamo Zagreb), Ivor Pandur (Hull City), Dominik Kotarski (Copenhaga)
  • Defesas: Josip Stanisic (Bayern Munique), Josip Sutalo (Ajax), Luka Vuskovic (Hamburgo), Marin Pongracic (Fiorentina), Martin Erlic (Midtjylland), Duje Caleta-Car (Real Sociedad), Josko Gvardiol (Manchester City)
  • Médios: Kristijan Jakic (Augsburgo), Nikola Moro (Bologna), Petar Sucic (Inter), Luka Modric (AC Milan), Mateo Kovacic (Manchester City), Luka Sucic (Real Sociedad), Nikola Vlasic (Torino), Martin Baturina (Como), Toni Fruk (Rijeka), Mario Pasalic (Atalanta)
  • Extremos/ Avançados: Ivan Perisic (PSV), Marco Pasalic (Orlando City), Andrej Kramaric (Hoffenheim), Petar Musa (FC Dallas), Ante Budimir (Osasuna), Igor Matanovic (Friburgo)
Selecionador: Zlatko Dalic

Forças: Ótimo registo recente em Mundiais (finalista em 2018 e 3º lugar em 2022) e mentalidade forte; Despedida de Luka Modric, que completará 200 internacionalizações durante a fase de grupos, do futebol profissional; Convocatória permite recorrer ao banco e experimentar coisas diferentes.
Fraquezas: Segundo lugar do grupo "encaixa" numa área complicada do quadro da fase a eliminar; Modric (40) e Perisic (37) precisam que novas figuras demonstrem capacidade para também para a diferença; Dúvidas se Dalic apostará na melhor versão possível com os defesas que tem ao seu dispor.

Equipa-Base (3-5-2): Livakovic; Sutalo, Vuskovic, Gvardiol; Stanisic, Modric, P. Sucic, Kovacic, Perisic; P. Sucic; Kramaric, Budimir

    Em 2018 e 2022, a Croácia apresentou-se sempre com linha de 4, e na verdade mesmo na preparação para o Mundial viu-se os Vatreni a defrontar assim a Eslovénia, inclusive com Gvardiol a defesa esquerdo. Mas achamos que a Croácia de 2026 será (estruturalmente) mais aquela que Dalic experimentou contra a Bélgica, jogo em que até perdeu 2-0.
    A "aparição" de um fenómeno dos defesas centrais chamado Luka Vuskovic (19 anos), conjugada com o desperdício que seria encostar Gvardiol à esquerda e com a chance de gerir melhor o "velhinho" Perisic, faz-nos crer que este 3-5-2 será o esquema mais utilizado neste Mundial.
    Stanisic e Perisic serão os jogadores abertos e Modric, Kovacic e Petar Sucic os cérebros. Perante a ausência de grandes extremos (Baturina, Vlasic e Fruk são criativos mas atuam como médios ofensivos), o ataque pode ficar entregue ao vagabundo Kramaric e ao gigante Budimir, elemento muito regular na La Liga no ataque do Osasuna.

Destaques Individuais (Previsão):


    A Luka Modric, obrigado. Este Mundial deve ser o último de imensos craques (Messi, Ronaldo, De Bruyne, Neymar, Salah, Neuer, van Dijk, Son) mas para o 10 croata é mesmo o último palco, deixando a modalidade mais pobre no preciso momento em que a Croácia for eliminada. Por isso, desfrutem da última orquestra do maestro de Zadar.
    De caraterísticas bem diferentes, Andrej Kramaric e Ante Budimir podem ser os homens mais importantes do ataque croata. Ambos com 34 anos, chegam a este Mundial sem nunca terem sido indiscutíveis.
    Não sabemos sequer se será titular, mas Luka Vuskovic é demasiado especial para ficar escondido no banco de suplentes da Croácia. Um dos centrais mais promissores do mundo, e certamente o mais forte nas bolas paradas ofensivas (tem aquela convicção raríssima estilo Sergio Ramos), é um nome para terem no bloco de notas. Finalmente, no meio-campo Modric e Kovacic estão consagrados mas o pós-Brozovic abriu espaço para um novo amigo dos ic's. Petar Sucic, médio de enorme compostura do Inter, pode iniciar neste Mundial o percurso dele como "o próximo grande médio croata".


3. GANA 
(Previsão: Eliminado nos 16-avos pela Colômbia)


  • Guarda-Redes: Lawrence Ati-Zigi (St. Gallen), Joseph Anang (St Patrick's Athletic), Benjamin Asare (Hearts of Oak)
  • Defesas: Marvin Senaya (Auxerre), Alidu Seidu (Rennes), Jerome Opoku (Basaksehir), Abdul Mumin (Rayo Vallecano), Derrick Luckassen (Pafos), Jonas Adjetey (Wolfsburgo), Kojo Peprah Oppong (Nice), Gideon Mensah (Auxerre), Abdul Baba Rahman (PAOK)
  • Médios: Thomas Partey (Villarreal), Elisha Owusu (Auxerre), Kwasi Sibo (Real Oviedo), Caleb Yirenkyi (Nordsjaelland)
  • Extremos/ Avançados: Ernest Nuamah (Lyon), Christopher Baah (Al Qadisiyah), Augustine Boakye (Saint-Étienne), Iñaki Williams (Athletic Bilbao), Kamaldeen Sulemana (Atalanta), Abdul Fatawu (Leicester City), Antoine Semenyo (Manchester City), Prince Adu (Viktoria Plzen), Brandon Thomas-Asante (Coventry City), Jordan Ayew (Leicester City)
Selecionador: Carlos Queiroz
Baixa: Mohammed Kudus

Forças: Calendário ditou jogo com o Panamá na jornada 1, o que pode deixar o Gana como líder do grupo no arranque; Juventude irreverente (Yirenkyi, Fatawu, Adu) e um Semenyo que acabou de ser um dos melhores jogadores da Premier League 25/26.
Fraquezas: Linha defensiva sem um nome forte, apesar de Adjetey poder sair da competição com estatuto renovado; Carlos Queiroz só começou a orientar a equipa em Abril, embora não saibamos se isso é bom ou mau.

Equipa-Base (4-4-2): Ati-Zigi; Seidu, Opoku, Adjetey, G. Mensah; Fatawu (Sulemana), Yirenkyi, Partey, Semenyo; I. Williams (Adu), J. Ayew

    Super favorito contra o Panamá, o Gana tem ótimas chances de marcar presença na fase a eliminar, entrando (se vencer a 1ª jornada) nos jogos contra Inglaterra e Croácia mais leve e a poder ajustar melhor comportamentos na base do que os jogos forem dando.
    Carlos Queiroz tem pouco tempo como timoneiro, mas a defesa deve ter Seidu (mais experiente do que Senaya), Opoku, Adjetey e Gideon Mensah, isto se excluirmos uma inusitada opção por 3 centrais, que forçasse a adaptação de Caleb Yirenkyi ao flanco direito. É que o promissor médio de 20 anos do Nordsjaelland, alegadamente cobiçado pelo FC Porto, tem mesmo que jogar a médio, ao lado de Thomas Partey, jogador sobre o qual preferimos não falar.
    Kudus falhará este Mundial, emergindo assim Semenyo como o maior craque da equipa. Fatawu é um especialista em remates cruzados a partir da direita, Ayew persiste como representante da família Ayew, e por falar em família, Iñaki Williams torcerá para encontrar mais tarde o seu irmão, Nico Williams, extremo da Espanha.

Destaques Individuais (Previsão):


    Começou a época em grande no Bournemouth, continuou a todo o gás no Manchester City, e termina agora a representar o seu país. Antoine Semenyo está a viver um ano memorável, e vêm aí mais golos.
    Se na defesa como dissemos só temos mesmo Adjetey debaixo de olho, nos médios Caleb Yirenkyi é um dos jovens talentos para despontar neste torneio. Jogador possante, que poderá ficar muito mais caro pós-Mundial, jogará com o número 3, a camisola mais prestigiante nesta seleção.
    Adu, Sulemana e Iñaki são atacantes interessantes, mas Abdul Fatawu é outra loiça. Extremo com passado ligado ao Sporting, tem o plus de jogar para atrair mais e mais clubes interessados. O seu Leicester desceu à League One, competição demasiado modesta para a qualidade e potencial do extremo ganês.


4. PANAMÁ 

  • Guarda-Redes: Luis Mejía (Nacional), Orlando Mosquera (Al Fayha), César Samudio (CD Marathón)
  • Defesas: Cesar Blackman (Slovan Bratislava), Michael Murillo (Besiktas), Fidel Escobar (Saprissa), Edgar Fariña (Nizhny Novgorod), Roderick Miller (Turan), Jiovany Ramos (Ac. Puerto Cabello), Andrés Andrade (LASK Linz), José Cordoba (Norwich City), Éric Davis (Plaza Amador), Jorge Gutiérrez (Dep. La Guaira)
  • Médios: Carlos Harvey (Minnesota United), Aníbal Godoy (San Diego FC), Cristian Martínez (Kiryat Shmona), Adalberto Carrasquilla (Pumas), Alberto Quintero (Plaza Amador)
  • Extremos/ Avançados: Ismael Díaz (Club Léon), Yoel Bárcenas (Mazatlán), César Yanis (Cobresal), Puma Rodríguez (Juárez), Azarias Londoño (Univ. Catolica), Cecílio Waterman (Univ. Concepción), José Fajardo (Univ. Catolica), Tomás Rodríguez (Saprissa)
Selecionador: Thomas Christiansen

Forças: Jogadores conhecem-se e, não sendo portentos técnicos, têm velocidade nas pernas; Incentivo de dar melhor réplica diante de Inglaterra nesta reedição de 2018 (Inglaterra goleou por 6-1); 
Fraquezas: Equipa não tem nenhum craque (às vezes basta as seleções pequenas terem um jogador especial, que carregue animicamente e injete o grupo com confiança) e, por norma, este Panamá vacila perante equipas de patamares acima.

Equipa-Base (3-4-2-1): Mosquera; Escobar, Andrade, Cordoba; Murillo, Godoy, Carrasquilla, Davis; I. Díaz, Bárcenas (Puma); Fajardo

    Defender com muitos, e projetar o ataque rápido, chegando à área contrária em poucos toques. O Panamá fez 0 pontos em 2018 num grupo com Inglaterra, Bélgica e Tunísia, com uma diferença de golos de -9.
    Mosquera será muitíssimo testado neste grupo, e na defesa - que é a três, ou a cinco, embora na prática devamos ver 10 jogadores atrás da linha da bola com frequência - Michael Murillo é o nome mais cotado, ele que passou várias das últimas temporadas no Marselha.
    José Fajardo é o avançado centro e, sem descartar o impacto da explosividade de Puma Rodríguez (ex-Famalicão), os criativos Ismael Díaz e Bárcenas terão que decidir rápido e bem o que fazer com a bola.

Destaques Individuais (Previsão):


    Numa seleção da qual esperamos pouco, Ismael Díaz pode ser o jogador mais esclarecido com bola. Outrora jogador do Porto B, o extremo de 29 anos vem de épocas de bom rendimento no futebol mexicano e equatoriano.
    Quiçá estrela da equipa, Michael Murillo é um nome conhecido para mais consumidores de futebol. Entre Besiktas, Marselha e Anderlecht tem feito a sua carreira, e será importante a tentar levar a equipa para a frente a partir do lado direito. Entre os postes, suspeitamos que Orlando Mosquera vá ser um dos guarda-redes mais testados desta fase de grupos. O elevado xG enfrentado é quase garantido, falta perceber com que percentagem de defesas vai terminar.