Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

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16 de fevereiro de 2012

Porto 1 - 2 Manchester City

E o Porto perdeu em casa com o Manchester City.
Eu sei, é uma frase triste. Sem ironias.

O jogo começou com o City a ter mais bola, a tentar compreender o posicionamento do Porto e a melhor forma de ludibriar (que bonita palavra) o trio de meio campo formado por Fernando, Moutinho e Lucho. Mancini, que é um treinador que está bastante aquém do que este plantel do City merecia, revelou prudência ou respeito exagerados pela equipa do Porto. Caso ele não saiba, esta equipa do Porto não é a que ganhou a Liga Europa no ano passado – Guarín, Belluschi e sobretudo Falcao fazem bastante diferença. Mancini acabou por colocar um miolo com De Jong, Gareth Barry e Yaya Touré quando fazia mais sentido colocar de início ou Adam Johnson ou Kolarov num flanco, libertando David Silva para as costas do avançado, ou colocar Kun Aguero de início (isso parecia-me um dado adquirido e fundamental para o bom jogo do City que nasce sobretudo da ligação Silva-Aguero). 

     Após os minutos iniciais, em que as coisas não saíam bem ao Manchester City, o Porto foi tomando conta do jogo de mansinho. Algumas jogadas interessantes,  algumas arrancadas, Moutinho e Lucho a pensarem bem o jogo do Porto a os laterais a darem alguma profundidade (com cautelas, e bem). Aos 15 minutos surgiu o primeiro lance de grande perigo. Cruzamento de James Rodríguez e Rolando a cabecear para um corte de Lescott (dava a ideia de que Joe Hart defenderia de qualquer forma). Logo a seguir, contratempo para o Porto. Danilo tem uma entrada perigosa, Yaya Touré vendo que não chegaria à bola deixa-se cair (foi esperto, mas era falta; nem sempre uma falta tem que envolver contacto – se vierem a correr insistentemente atrás de mim com uma faca e eu me for sempre desviando, não acho que apenas devam sancionar a outra pessoa se ela me cortar todo). Danilo nesse lance lesionou-se, ainda não sei a gravidade, mas não pareceu coisa suave. 
    Nos minutos seguintes, Hélton ia mostrando que continua a ser um excelente guarda-redes, defendendo remates de Nasri e Micah Richards. Aos 26min, o estádio do Dragão pediu penalty sobre Hulk, mas segundo a forma como eu vejo futebol e como eu encaro os possíveis contactos físicos entre os jogadores, não se tratou mais do que um “Levanta-te Hulk e vê lá se percebes que tens massa muscular!”. Passado um minuto, jogada de El Comandante para Hulk e o brasileiro faz um excelente cruzamento tenso, que Varela não desperdiçou na cara de Joe Hart. 1-0 para o Porto. 

    Até ao intervalo, Hélton fez mais uma boa defesa a remate do sempre-em-fora-de-jogo Balotelli (o homem que lança foguetes a partir da casa de banho, que distribui notas aleatoriamente no Natal e que, quando fica na bancada, fica a fazer truques de magia com copos aos seus amigos). Para a 2ª parte nenhum dos treinadores mexeu nas equipas e o lateral Micah Richards é que fez questão de tentar mexer com o jogo, rematando ao poste. Passado poucos minutos, Álvaro Pereira (que já tinha feito 2 faltas merecedoras de cartão amarelo até aí, já poderia estar expulso portanto) decidiu fazer mais outra e dessa vez acabou por ver o cartão. Mas isso não lhe chegava. Álvaro Pereira queria mais. Queria mostrar a André Villas-Boas que pode realmente ser útil a uma equipa inglesa, e acabou por fazer um auto-golo, traindo Hélton, após passe longo de Yaya Touré. Um golo que na altura me deu alguma pena de Hélton, que estava a fazer um bom jogo e sofria ali o golo do empate sem culpas. Nessa altura, face ao resultado e face aos intervenientes em campo o jogo tinha tudo para ficar interessante. No entanto, o turco que estava a arbitrar o jogo fez questão de estragar a coisa um bocado, começou a dar cartões a faltas normais, a impedir por vezes a lei da vantagem e quando por vezes devia ser mais severo, não o era. Um árbitro que na Premier League não durava muito. Só pelo facto de ser turco, já era o suficiente. O jogo foi-se arrastando, dividido, com Hulk a evidenciar-se como um jogador que terá dificuldade em jogar num campeonato mais competitivo, e sem grandes oportunidades de parte a parte. 
     Aos 78 minutos, Mancini decidiu que estava na altura de ganhar o jogo. Colocou Aguero, o genro de Maradona, em campo e passados 6 minutos o avançado argentino marcou mesmo, após boa triangulação entre Yaya Touré e David Silva. Até final, o City guardou a vantagem que conseguiu de forma relativamente cínica e que teria muito maior facilidade se tivesse jogado de início com as suas melhores opções. O Porto bateu-se muito bem, sobretudo na 1ª parte e, partindo do pressuposto que em Manchester o City irá fazer o seu jogo sem se moldar ao adversário, restam poucas aspirações para o Porto nesta Liga Europa e o Sporting pode-se ir preparando para a equipa inglesa.


    A nível individual, no Porto tem que se destacar a exibição de Hélton que foi essencial na 1ª parte, a forma madura como Moutinho encarou o jogo e soube encarar o meio-campo “inglês” que naturalmente trouxe e trará de novo problemas ao Porto quando David Silva surge na zona central (é o melhor organizador de jogo do mundo, a par de Ozil, apesar de não ser um 10 puro) ou quando Yaya Touré decide acelerar. Quem também se destacou, e muito, foi Fernando. Agressivo no bom sentido, concentrado e bem posicionado, acho que ele joga sempre mais contra as equipas de Manchester. Faltou claramente James Rodríguez no jogo, ele que é o jogador deste Porto com futuro mais promissor. Hulk esteve mal, apesar da assistência e de um ou outro remate perigoso. Givanildo tem que perceber que tem corpo, que não tem que estar sempre a atirar-se para o chão e que fica ridículo aos olhos de defesas como Kompany, Lescott ou Richards. O problema de Givanildo está na cabeça dele, e isso não sei se algum treinador conseguirá curar. 
     Por falar em curar, o único mérito que atribuo a Mancini é de facto o de ter conseguido fazer de Balotelli um jogador que, apesar de não ser 100% rentável, ir conseguindo ser muito mais produtivo. Mancini obviamente tem mérito em muita coisa do City esta época, mas quando se tem Aguero, Silva, Touré, Nasri, etc, é difícil não se jogar bem à bola. No City destacaria a dupla de centrais, Aguero porque afinal de contas, ao fim de 6 minutos (dos 15 em que teve em campo) decidiu o jogo, mas sobretudo Yaya Touré. Num dia em que David Silva não apareceu tanto (por falta de inspiração ou por má orientação de Mancini para as zonas que devia pisar), foi o costa-marfinense (que acabou de perder a CAN para a Zâmbia) que apareceu como principal dinamizador. Yaya Touré é dos melhores médios do mundo, confere equilíbrio e equilibra força com técnica, com velocidade, temporizando o jogo e passando sempre bem. Afinal de contas, fez as duas assistências. É muito mais jogador hoje, jogando mais à frente, do que o era no Barça. MP

Porto 1 - 2 Manchester City

Porto: Hélton; Danilo (Mangala (Defour)), Rolando, Maicon, Álvaro Pereira; Fernando, João Moutinho, Lucho; Varela (Kléber), James Rodríguez, Hulk.
Treinador: Vítor Pereira

Manchester City: Joe Hart; Micah Richards, Kompany, Lescott, Clichy; De Jong), Barry, Yaya Touré, David Silva (Kolarov), Nasri (Zabaleta); Balotelli (Aguero).
Treinador: Roberto Mancini


Golos: 1-0 27’ Varela; 1-1 55’ Álvaro Pereira a.g.; 1-2 84’ Aguero.


Melhor em campo "Barba Por Fazer": Yaya Touré .

Legia 2 - 2 Sporting


    E assim foi a estreia de Sá Pinto como treinador do Sporting. Um resultado bem melhor do que a exibição dos verde e brancos.

    O terreno era vergonhoso e o ambiente um pouco hostil. Os jogadores do Sporting no primeiro tempo quiseram pensar o jogo enquanto que os polacos impunham o seu físico perante os pequenos leões. Assim sendo, foram poucas as jogadas com fim e o que prevalecia era uma luta a meio campo sem grandes conclusões. Porém, num ressalto e numa desatenção de Polga, o Legia podia ter inaugurado o marcador mais cedo não fosse Patrício ganhar num um para um contra Zyro.


    Como as jogadas eram escassas, as maiores ocasiões de perigo criavam-se através de bolas paradas. E foi numa que o Legia abriu o marcador. Nova desatenção da defesa leonina e Wawrzyniak aproveita rematando por baixo das pernas do americano (como Eduardo Barroso o trata) e de Rui Patrício. O golo quase ao cair do pano da primeira parte não foi a única infelicidade para Sá Pinto. Schaars viria a lesionar-se pouco antes da primeira metade.

    O "Coração de Leão" percebeu que tinha que lutar mais para surgirem golos e optou por tirar Izmailov e colocar Pereirinha e ainda Carriço pelo lesionado Schaars. O segundo tempo começou com um novo ataque do Legia e Ljuboja, isolado, falha outro golo cara-a-cara com Patrício. O guardião português voltava a negar o golo à frente de ataque do Legia Varsóvia e pela segunda vez negou o quase certo (golo). Ficou ainda por marcar uma grande penalidade a favor do Sporting porque Jedrzejczyk (estes humanos de leste só complicam nos nomes... Para quê? Para quê?!?) cortou a bola com um soco dentro da área. O primeiro remate à baliza da equipa portuguesa surgiu aos 56 minutos por parte de Matías Fernandez, de livre. Pouco tempo depois surge o golo de Daniel Carriço num cabeceamento a um livre do pequeno Mogli (Matías Fernandez). Nada previa o golo dos leoninos tal como aconteceu com o golo da equipa polaca.

    O golo de Carriço catapultou a equipa leonina para a sua melhor fase no jogo. Pressionou os abatidos polacos criando oportunidades de golo enquanto que o Legia só conseguia sair para o ataque através de contra-ataques rápidos. Porém não tardou muito. O jogo acabou por perder intensidade pelo visível cansaço das duas equipas e foi neste momento que o Legia fez o golo por Gol (haviam condições para fazer um trocadilho, mas estou com preguiça). Vendo o lance rápido julguei que Gol estava claramente fora-de-jogo. Mas parando a imagem, pareceu-me a mim e a Luís Freitas Lobo, que o polaco apenas tinha o braço à frente o que torna o golo legal.


    Contudo, o jogo estava longe de estar decidido. O Sporting partiu para o ataque e, diria eu que até não sou de intrigas, que o André Santos roubou as skills ao Quaresma como no Space Jam e usou a sua trivela para marcar um golaço. Foi de facto um golo de belo efeito do português que era... um pouco... renegado por Choramingos. Os leões acabaram o jogo por cima, mas não conseguiram dar a volta ao resultado.

    As perspectivas para a passagem da equipa portuguesa são as melhores. O Sporting tem mais do que possibilidades de passar frente a esta equipa polaca, no seu estádio e num relvado melhor. Foi a exibição possível na geladeira de Varsóvia. TM

Legia 2-2 Sporting

Legia: Kuciak; Jedrzejczyk, Zewlakow, Wawezyniak, Komorowski; Vrdoljak, Gol, Rneznicjak(Wolski); Zyro, Lluboja(Hubnik), Rybus(Kosecki).
Treinador: Maciej Skorza

Sporting: Rui Patrício; João Pereira, Polga, Onyewu, Insúa; Schaars(Carriço), Rinaudo, Matias Fernandez; Izmailov(Pereirinha), Carrillo(André Santos), Wolfswinkel.
Treinador: Sá Pinto

Golos: 1-0 37' Wawrzyniak; 1-1 60' Carriço; 2-1 79' Gol; 2-2 88' André Santos.

Melhor em campo "Barba Por Fazer": Rui Patrício.

15 de fevereiro de 2012

Zenit 3 - 2 Benfica

    Infelizmente, o Benfica perdeu pela primeira vez na Liga dos Campeões e era completamente evitável.

    O jogo começou com um Benfica a tentar adaptar-se às condições de jogo (-10º e um relvado que mais parecia um pelado) e assistia-se a um jogo dividido. Eis que a dualidade de critérios do árbitro Jonas Eriksson, da Suécia, surge. Luisão tem uma entrada fora de tempo (nada dura) sobre um jogador russo e recebe de imediato o cartão amarelo. Quatro minutos depois, Bruno Alves faz uma entrada bárbara sobre Rodrigo, por trás, não toca na bola e ainda lesiona o avançado espanhol. No início o árbitro incrivelmente não ia sancionar a entrada (algo completamente ridículo) e só depois de ver o estado da promessa benfiquista é que exibe o cartão amarelo. Uma entrada por trás, sem jogar a bola e ainda com a agravante de lesionar o jogador (que não deve contar para nada) é cartão vermelho. Mas para o sueco foi algo banal.

    Pouco tempo depois surge o golo do Benfica. Livre à entrada da área mesmo à medida de Cardozo que obriga o guardião Zhevnov a uma intervenção difícil, acabando por oferecer o golo a Maxi Pereira que apenas teve que encostar.

    O Zenit não baixou os braços e imprimiu mais velocidade ao jogo o que dificultou a vida aos encarnados. Esta pressão dos russos obteve resultados e marcaram mesmo por intermédio de Shirokov que rematou forte e colocado à entrada da área após cruzamento proveniente da esquerda. Dava a sensação que o Benfica podia ter guardado a vantagem até ao intervalo, mas o resultado não era injusto. Tínhamos um jogo bastante dividido e isso verificou-se na posse de bola (50% - 50%).

    No segundo tempo o Benfica tentava impor o seu jogo, mas pedia-se que largassem mais a bola e jogassem mais rápido... Coisa que o Benfica pouco fez muito por culpa de Gaitán que teimava em jogar bonito. O Zenit pressionava cada vez mais e o golo surgiu mesmo numa grande jogada, mas também numa desatenção da defesa benfiquista. Emerson e Garay decidem ir ao mesmo jogador que, com um passe de calcanhar, acaba por isolar Bystrov efectuando um centro sem qualquer oposição para o pressionado Semak fazer um golo de calcanhar sem grandes hipóteses para Artur.

    O segundo golo catapultou os encarnados para o ataque que começaram a jogar mais rápido e a criar maior perigo na área adversária. Porém, ainda num ataque do Zenit, Pablo Aimar viu um amarelo por ter discutido uma bola no ar completamente normalíssima levando amarelo que o afasta do jogo da segunda mão. São os critérios na cabeça do sueco de 37 anos... Aimar discute uma bola no ar, leva amarelo. Bruno Alves faz uma entrada bárbara por trás, não toca na bola e ainda lesiona Rodrigo e leva um amarelo que lhe custou a mostrar. Normal... O golo acabou por sair ao minuto 87. A bola sobra para Nico Gaitán na marca de penalty, este remata um pouco mais em jeito que em força mas Zhevnov visivelmente inseguro, acabou por assistir na perfeição Tacuara que não esteve com meias medidas.

    O jogo parecia estar seguro e era extremamente difícil o Benfica perder... Mas aconteceu mesmo. Ataque da equipa russa e Maxi acaba por ser desajeitado e oferece a bola a Shirokov que, isolado, não falha. Um final triste e completamente evitável. Faltou cabeça ao Benfica nestes últimos minutos. Poderia ter saído de São Petersburgo com um resultado mais favorável. Porém, é um resultado que está completamente em aberto. O Benfica marcou 2 golos no campo adversário, está em desvantagem por apenas 1 golo e terá 90 minutos no Estádio da Luz (diria que cheio), num clima mais favorável e, sobretudo, num relvado. TM

Zenit 3-2 Benfica

Zenit: Zhevnov; Hubocan, Lombaerts, Bruno Alves, Anyukov; Shirokov, Denisov, Fayzulin(Rosina), Zyryanov(Semak); Kanunnikov(Bystrov), Kerzhakov.
Treinador: Luciano Spaletti

Benfica: Artur; Maxi, Luisão, Garay, Emerson; Matic, Witsel, Gaitán(Miguel Vitor), Bruno César(Nolito); Rodrigo(Aimar), Cardozo.
Treinador: Jorge Jesus

Golos: 0-1 20' Maxi Pereira; 1-1 27' Shirokov; 2-1 71' Semak; 2-2 87' Cardozo; 3-2 89' Shirokov.

Melhor em campo "Barba Por Fazer": Shirokov.