Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

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7 de agosto de 2026

Antevisão da Liga Portugal Betclic 2026/ 27

 Liga Portugal Betclic - Menos de 3 semanas depois da final do Mundial, o nosso campeonato está de volta! As férias de alguns jogadores foram curtas, as férias (mentais) dos adeptos ainda mais, e a sensação global é a de que ainda estamos em pré-época, começando a competição a sério e "a doer" com plantéis longe de estarem fechados.
    O que mudou? Muita coisa. Entre as 4 principais equipas, José Mourinho mudou-se para o Real Madrid depois de fazer pior do que Bruno Lage na Luz, e Marco Silva (ex-Fulham) foi o escolhido para seu sucessor. Mas a relativa estabilidade no banco dos "grandes" não é extensível ao resto da Liga - além de Farioli, Borges e Vicens, somente Vasco Seabra (Arouca), Vasco Botelho da Costa (Moreirense), Sotiris Sylaidopoulos (Rio Ave) e Petit (há apenas 6 meses no Santa Clara e já é o 7º treinador com mais tempo no cargo) prosseguem, sendo 12 as alterações de treinador nos restantes emblemas.
    Entre os 3 favoritos do costume, o FC Porto mexeu pouco, identificando boas oportunidades de negócio (Hwang In-beom e André Silva) e privilegiando a estabilidade do grupo, defensivamente compacto e muito difícil de contrariar e desmanchar quando em vantagem. Mas a continuidade de Diogo Costa e Froholdt está longe de ser uma certeza, prevendo-se assim um mês de Agosto emocionante em termos de mercado.
    Para o Sporting, 2026/ 27 representa definitivamente um novo ciclo. É que se há um ano atrás o desafio era colmatar a saída de Gyökeres, neste Verão os leões viram sair Hjulmand, Trincão e Morita, aos quais se devem juntar Diomande e Pedro Gonçalves. Rui Borges terá um novo meio-campo para esculpir, mas Suárez e Maxi Araújo mantêm-se como referências, e os reforços entusiasmam: Zalazar foi um dos melhores jogadores da época passada, e Issa Doumbia tem tudo para ser um fenómeno em Portugal.
    Para o Benfica de Rui Costa, já é um progresso saber-se que à 4ª jornada os encarnados não irão mudar de treinador, e os adeptos têm razões para estarem contentes com a vinda de Marco Silva. No entanto, desnorteadas como tem sido apanágio, as águias têm ainda inúmeros dossiers para resolver em Agosto: ainda a meio da sua cruzada para se juntar ao Torreense na Liga Europa, o Benfica pode perder o craque Schjelderup (segundo o Capology, ignorando emprestados, há 21 jogadores acima do norueguês na folha salarial do clube), parece disposto a ir ao limite por João Palhinha, não foi buscar nenhum defesa central que seja titular de caras (trocou Otamendi e António Silva por um central permeável defensivamente e por um miúdo de 18 anos) e, numa fase em que o dinheiro parece não abundar, deu 17 milhões por Kaminski, um jogador inteligente e que será muito útil, mas que num Benfica ideal seria a 3ª ou 4ª opção para extremo.

    Sendo praticamente um dado adquirido que ainda irão sair e entrar muitos craques, 26/ 27 será disputado sem Hjulmand, Trincão, Otamendi, António Silva, Hornicek, Gustavo Sá, Luís Esteves e Larrazabal, destacando-se nas movimentações entre clubes portugueses as transferências de Zalazar, Ibrahima Ba, Gabriel Silva e Diogo Travassos. Gostámos do que vimos de novas apostas "fora da caixa" como Andreas Lausen, Alexandre Parsemain, Galcík, Koutsias e Daniel de la Cruz, e entre a nova fornada de talentos, 26/ 27 pode significar uma evolução dos laterais Banjaqui e José Neto, e os primeiros passos de Rafael Nel e Flávio Gonçalves, sem esquecer nomes como Diego Rodrigues, João Veloso, Diogo Prioste e o regressado Diogo Nascimento. Marítimo e Académico de Viseu (37 anos depois) ocupam as vagas dos despromovidos Tondela e AFS.

    Cabe-nos então apresentar a nossa previsão para 26/ 27, em termos de destaques coletivos e individuais, sujeita como sempre às incidências do último mês do mercado de transferências, tanto a nível de entradas como de saídas:


 FC PORTO (1)

    Duas frases feitas ou clichés do futebol ajudam-nos a apontar o Porto à renovação do título: "em equipa que ganha, não se mexe" e "ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos". O FC Porto do italiano Francesco Farioli, que somou 88 pontos e sofreu apenas 18 golos na época passada, está praticamente igual: acionou a opção por Kiwior, fez André Silva (upgrade em relação a Moffi e Gül) regressar a casa, conseguiu Hwang (entra na perfeição na cultura tática e intensidade sem bola dos médios do Porto) a preço de saldo, e apostou sem risco em dois projetos oriundos do futebol nórdico (Granaas e Niang).
    Tal como os rivais, também o FC Porto deve ainda vai perder jogadores e reforçar-se durante este mês. E, um patamar acima da boa visão de mercado do Sporting, confiamos que os azuis e brancos têm muitíssimo bem mapeado como aplicar o dinheiro no momento em que vendam 1 ou 2 dos seus jogadores com mercado (Diogo Costa, Froholdt, Rodrigo Mora e William Gomes). Um defesa esquerdo terá seguramente que ser contratado, e os dragões já deixaram passar boas oportunidades como El Karouani ou Mats Rots, e no binómio Costa/Froholdt achamos neste momento mais provável sair Diogo Costa, mas no lugar de Farioli "preferíamos" perder Froholdt. Sim, o melhor jogador do último campeonato, esse mesmo.
    Fiel ao seu 4-3-3 com trabalho de casa personalizado, nuances fáceis de identificar mas dificílimas de contrariar, o FC Porto procurará ser a mesma fortaleza, e esperar com paciência e disciplina pelo erro do adversário quando estiver a vencer por 1-0.
    Bednarek e Kiwior formam uma dupla irrepreensível, diz a lógica que o menino Pietuszewski será uma das figuras desta edição e um dos mais fortes candidatos a Jovem Jogador do Ano, aguardando nós com bastante curiosidade se AVB oferece a Farioli um ou dois jogadores diferenciados para o trio de ataque.

Treinador: Francesco Farioli
Onze-Base (4-3-3): Diogo Costa; Alberto, Bednarek, Kiwior, Zaidu; A. Varela, Froholdt, Gabri Veiga; Pepê (W. Gomes), Pietuszewski, Samu (André Silva)

Atenção a: Victor Froholdt, Oskar Pietuszewski, Jakub Kiwior, Gabri Veiga, Diogo Costa

 SPORTING (2)

    Bicampeão em 2024 e 2025 e segundo classificado em 25/26, o Sporting tem o melhor registo recente entre os três grandes, e merece elogios a proatividade leonina, resolvendo rápido e aparentemente bem vários dossiers num mercado que se antevia bastante movimentado em Alvalade.
    Inicia-se, de certa forma, um novo Sporting. Há um ano atrás, o desafio foi encontrar um ponta de lança (Luis Suárez) capaz de manter a equipa competitiva e na luta por títulos sem o duas vezes MVP Gyökeres. Desta vez, Rui Borges terá que reconstruir a identidade de uma equipa que já perdeu Hjulmand e Trincão, e que ainda pode vir a perder Pedro Gonçalves e Diomande.
    Com novo emblema, o clube verde e branco ainda vai mexer (saídas e entradas), mas o futebol apresentado na pré-época deixou boas sensações, e é muito provável que reforços como Zalazar e Issa Doumbia partam a loiça toda. Maxi Araújo continua, Luis Suárez (um eventual caso de indisciplina e tentativa de forçar saída seria a única pedra no sapato que podia prejudicar e muito o arranque oficial do Sporting) também, e os miúdos Rafael Nel e Flávio Gonçalves marcaram pontos nos jogos amigáveis, tal como o emprestado Jesse Derry.
    Embora conscientes de quão difícil poderá ser a equipa redescobrir-se sem peças determinantes e líderes de balneário do passado recente como Hjulmand e Trincão (e hipoteticamente Pote), estamos convencidos que o Sporting poderá voltar a ser o "grande" com o futebol mais vistoso, ofensivo e multifacetado na exploração simultânea de jogo exterior e interior. Nota-se a preocupação em tornar a equipa mais robusta e mais alta, e além de nunca ser coisa fácil mudar completamente o meio-campo nuclear, o tempo dirá se Rui Borges consegue melhorar em 2 aspetos: ter impacto positivo no decorrer dos jogos quando o Plano A não funcionar, e não rebentar fisicamente a equipa na segunda volta. Ao dia 1 ainda colocamos o campeão em título FC Porto acima, essencialmente por não ter perdido nem Diogo Costa nem Froholdt, e por defender como defende.
    Com os uruguaios Zalazar e Maxi a prometem causar pânico em muitas defesas, palavras finais para o italiano Issa Doumbia (seja como médio centro, seja com origem na esquerda), um daqueles jogadores que dificilmente durará em Portugal mais do que um ano. Que achado por 20 milhões!

Treinador: Rui Borges
Onze-Base (4-2-3-1): Rui Silva; Fresneda, Ba, G. Inácio, Maxi Araújo; Altimira, S. Andersen; Geny, Zalazar, Doumbia; Luis Suárez

Atenção a: Luis Suárez, Issa Doumbia, Rodrigo Zalazar, Maxi Araújo, Sergi Altimira

 BENFICA (3)

    Dos 3 grandes, o Benfica é nesta fase aquele que nos parece mais imprevisível e mais longe da sua versão futura e "fechada" a 4 de Setembro. Esse diagnóstico é consequência natural de ser o único dos candidatos que mudou de treinador, mas também é um sintoma da desorganização e incompetência que tem caraterizado o clube nos últimos anos, estando sistematicamente a reagir em vez de antecipar e controlar o seu destino, refém do mercado e dos timings definidos por terceiros. Em Verão de Mundial e com a sua época oficial iniciada a 23 de Julho, o Benfica viu-se a ter que esperar pela reeleição de Florentino Pérez no Real Madrid para seguir com a sua vida, e no fundo o grande bónus do planeamento benfiquista é saber-se que, desta vez, Rui Costa não vai despedir o seu treinador à 4ª jornada. Marco Silva é inclusive, para nós, o melhor dos 18 treinadores desta edição. E ter um grande treinador faz muita, muita diferença...
    Sem Otamendi (Aursnes é o novo capitão) e António Silva, o Benfica arranca a Liga com Lenglet, Kaminski e Jhon Durán como os seus reforços mais relevantes. O problema está pois na gigante indefinição quanto ao futuro de inúmeros jogadores: Ivanovic (não teríamos desistido dele), Bruma ou Tiago Gouveia estão com os pés mais fora do que dentro, mas nada nos garante que Schjelderup (a prioridade do mercado deveria ser a sua renovação, igualando o seu salário aos de Aursnes e Pavlidis), Trubin, Enzo, Ríos ou Lukebakio sejam jogadores do Benfica quando o mercado fechar.
    Em busca de um defesa central e num prolongado namoro com João Palhinha, está visto que o Benfica de Marco Silva continuará a viver dos golos de Pavlidis, esperando-se bom nível de Prestianni e Rafa, um significativo upgrade de Sudakov e uma aposta em miúdos como José Neto, Banjaqui, Miguel Figueiredo, Gonçalo Moreira e Anísio Cabral.
    Em suma, achamos que o Benfica parte atrás dos 2 rivais, mas tem no seu Treinador o melhor reforço do defeso. Jogar com frequência à quinta-feira implicará boa gestão do plantel, de forma a não afetar a performance no campeonato, e o que mais pesa ao apontarmos as águias ao 3º lugar é sobretudo a sensação que o 11 do Benfica é aquele que ainda tem mais peças para mudar, quando na prática deveria ser nesta fase o mais "resolvido".

Treinador: Marco Silva
Onze-Base (4-2-3-1): Trubin (Samuel Soares); Dedic, Tomás Araújo, Lenglet, Dahl (José Neto); Aursnes, Ríos (Barreiro); Prestianni, Sudakov, Schjelderup (Rafa); Pavlidis

Atenção a: Vangelis Pavlidis, Andreas Schjelderup, Fredrik Aursnes, Tomás Araújo, José Neto

 SP. BRAGA (4)

     Numa Antevisão da liga portuguesa, apontar o Sporting de Braga ao 4º lugar é talvez a aposta menos arriscada das 18. Afinal de contas, foi essa a posição dos guerreiros do Minho em 9 das últimas 12 edições.
    À beira de entrar na Liga Conferência, uma competição em que o Braga tem legítimas aspirações de conquistar o seu primeiro troféu europeu, o "quarto grande" continua com Carlos Vicens como treinador e já fez duas vendas de 30 milhões - Zalazar mudou-se para o Sporting e Hornicek tornou-se o novo dono da baliza do Newcastle. Na zona das chegadas, Gabriel Silva, Diogo Travassos, Jonas Wind (custo zero), Huseinbasic (custo zero), são reforços, sem esquecer o guardião Bernardo Fontes, sucessor natural de Hornicek, pelo qual o Braga pagou 400 mil euros ao Tondela, acionando a opção de recompra.
    Mantendo o seu futebol vistoso e "total" (no Top-4 português, o Sporting de Braga não é a equipa mais dominante mas é muitas vezes a que apresenta um maior número de nuances nos movimentos e na ocupação dos espaços, valorizando Vicens jogadores que consigam interpretar várias posições), o Braga manterá o seu 3-4-2-1 como esquema no papel, interessando-nos acompanhar em particular a evolução dos médios centro. João Moutinho (39 anos) e Gorby são neste momento o Plano A, mas Diego Rodrigues e Tiknaz terão uma palavra a dizer. De resto, Gabriel Silva quer roubar a asa esquerda a Gabri Martínez; Dorgeles pode dar muito mais; Pau Victor herdou o 10 de Zalazar; e Ricardo Horta vai continuar a aumentar os seus números e o estatuto de Lenda, ele que é o melhor jogador da História do clube.

Treinador: Carlos Vicens
Onze-Base (3-4-2-1): Bernardo Fontes; Lagerbielke, V. Carvalho (Barcia), Arrey-Mbi; V. Gómez, Gorby (Tiknaz, Huseinbasic), João Moutinho (Diego Rodrigues), Gabriel Silva; Dorgeles, Ricardo Horta; Pau Victor

Atenção a: Ricardo Horta, Pau Victor, Bernardo Fontes, Diego Rodrigues, Gabriel Silva

 FAMALICÃO (5)

    É 0% ousado apontarmos o Famalicão ao quinto lugar, repetindo a classificação da época passada, mas fazemo-lo justamente por nos parecer nesta fase claramente o 5º clube mais forte da Liga Portugal Betclic, reciclando talento ano após ano. Se noutras janelas de transferências o clube de Vila Nova de Famalicão negociou as vendas de Pedro Gonçalves, Ugarte, Iván Jaime, Luiz Júnior, Zabiri ou Otávio, neste mercado os dois grandes encaixes foram Ibrahima Ba (Sporting) e Gustavo Sá (Nottingham Forest, com escala na Grécia). À saída destes 2 craques juntou-se ainda a perda, a custo zero, do centralão de Haas, e a mudança forçada de treinador, uma vez que Hugo Oliveira partiu em Julho para orientar o Estrasburgo na liga francesa.
    Inativo em 25/26, o que lhe permitiu por exemplo comentar e analisar o Mundial 2026 na Sport TV, Carlos Carvalhal foi uma escolha quiçá inesperada mas parece um bom match, considerando a sua visão positiva e corajosa do jogo, e a (crónica) juventude do plantel.
    Embora tudo leve a crer que o Fama ainda aplique em reforços uma magra fatia das suas mais-valias, o elenco atual já dá garantias. Carevic é sinónimo de clean sheets, Rodrigo Pinheiro foi para o BPF o melhor lateral-direito da temporada passada, e caberá ao defesa canhoto Finn van Breemen ser o herdeiro do seu compatriota Justin de Haas. Avançando no campo, continuar a contar com Mathias de Amorim é um luxo, o húngaro Tamás Szücs é uma das promissoras novidades, e para extremos há Sorriso, há Gil Dias, há o suíço Beney (o toque de bola não engana) e há novamente o tecnicista Óscar Aranda (bem-vindo de volta!), que perdeu 99% da última época devido a uma grave lesão. Se não chamar mais nenhum avançado, o papel de referência ofensiva será disputado pelo reforço grego Koutsias e pelo gigante Abubakar.
    Bom futebol, excelentes conferências de Carvalhal e mais uns milhões de euros em caixa no próximo Verão, é o que esperamos deste Famalicão.

Treinador: Carlos Carvalhal
Onze-Base (4-3-3): Carevic; Rodrigo Pinheiro, Realpe, van Breemen, Meyer (Bondo); de Looi, de Amorim, Szücs; Sorriso (Gil Dias), Aranda (Beney), Koutsias (Abubakar) 

Atenção a: Mathias de Amorim, Óscar Aranda, Georgios Koutsias, Rodrigo Pinheiro, Roméo Beney

 MOREIRENSE (6)

    Sétimo classificado no último campeonato, o Moreirense tem muito provavelmente na continuidade do técnico Vasco Botelho da Costa o seu melhor reforço. Numa edição em que 12 (!) equipas mudaram de treinador, incluindo clubes como o Vitória e o Famalicão, acaba por ser surpreendente q.b. que ninguém tenha conseguido remover VBdC deste projeto em Moreira de Cónegos. Desconhecendo nós se houve abordagens ou não, as duas leituras que fazemos são: a) salvo alguma proposta do estrangeiro, o técnico de 37 anos pode ter definido só trocar o Moreirense pelo Top-4 português e b) tendo mudado várias vezes de clube nos últimos anos, escalando a pirâmide do futebol nacional, completar um Ano 2 na mesma equipa na Primeira Liga é bem capaz de ser um passo sensato e inteligente.
    Sob a alçada do fundo norte-americano Black Knight (Bournemouth, Lorient, Hibernian), o Moreirense quererá certamente lutar pela Europa, e tem treinador e jogadores (acreditamos que ainda cheguem mais 2 ou 3 reforços) para ficar entre o 5º e o 9º lugares.
    Sem Diogo Travassos e Alanzinho, este Moreirense 26/27 surge na casa de partida com um elenco idêntico, e algumas novidades que podem mudar muita coisa. Na baliza, Aranha (emprestado pelo Palmeiras) será concorrência para André Ferreira, e na defesa Dinis Pinto e Maracás são indiscutíveis, prometendo a disputa por um lugar no 11 entre Gilberto Batista e Janderson. O meio-campo continua a contar com Stjepanovic, Rodrigo Alonso e Afonso Assis (20 aninhos), podendo este ecossistema potenciar e muito o talento por explodir de João Veloso. Ligado ao Benfica desde os seus 12 anos, o rapaz de Albufeira pode crescer imenso neste empréstimo.
    No ataque, Kiko Bondoso é sempre um porto seguro para a bola, Landerson deve continuar a ter bastantes minutos, e o novo camisola 9, Alexandre Parsemain, tem deixado ótimas indicações na pré-época. Internacional pela Martinica e com vários anos de futebol francês, é um ponta de lança muito interessante na forma como se movimenta e explora a profundidade, hábil a combinar com os colegas e com o instinto certo, parece-nos, para sobressair por cá.

Treinador: Vasco Botelho da Costa
Onze-Base (4-3-3): Aranha (André Ferreira); Dinis Pinto, Maracás, Janderson (Gilberto Batista), F. Domingues; Stjepanovic, Rodrigo Alonso, João Veloso (Afonso Assis); Landerson, Kiko Bondoso, Parsemain

Atenção a: Alexandre Parsemain, João Veloso, Dinis Pinto, Gilberto Batista, Rodrigo Alonso

 ESTORIL (7)

    O 10º lugar do Estoril na época passada foi estranho. Estranho porque a equipa marcou 54 golos (5º melhor ataque) e estranho porque no nosso campeonato, regra geral, quando uma equipa tem craques como Begraoui (20 golos) ou João Carvalho (6 golos e 12 assistências) o mais certo é acabar entre as 7 melhores equipas.
    Após duas épocas com uma postura e personalidade refrescantes no futebol português, o escocês Ian Cathro deixou o Estoril para ir treinar, na Ligue 2, o Saint-Étienne. Na hora de encontrar o sucessor, o clube da Linha escolheu Vasco Matos (ex-Santa Clara) e, com Helena Costa como diretora desportiva, o mais astuto talvez seja confiar na decisão. Curiosamente, o técnico de 45 anos chega ao António Coimbra da Mota com a sua cotação abaixo do que já esteve, mas convém relembrar que, quando Rui Borges substituiu Ruben Amorim (esqueçamos João Pereira), não era descabido para alguns a escolha ter sido Vasco Matos em vez de Borges. O Estoril jogava com Cathro maioritariamente em 3-4-3, ou 3-4-2-1 se preferirem, e Vasco Matos também privilegiou um esquema de 3 centrais nos Açores.
    O mercado está aberto até 4 de Setembro, mas para já os adeptos do Estoril podem dar-se por contentes com a continuidade de Begraoui e João Carvalho, jogadores que tinham lugar no plantel de qualquer uma das melhores equipas em Portugal. Jogadores importantes como Holsgrove, Xeka, Ricard Sánchez e o "kinder surpresa" Guitane também continuam.
    Segurar Begraoui e o capitão João Carvalho seria a melhor notícia do mercado, mas ainda falta banco a este curto plantel. Na defesa, Ferro mantém-se e Tsoungui pode fazer a posição, mas o êxodo de centrais (Boma foi para o Red Bull Salzburgo e Felix Facher para o Lyon) deixou os dirigentes em alerta. Sierra e Andreou já foram recrutados, e pode ter pesado na decisão de confiar os destinos da equipa a Vasco Matos o facto do seu Santa Clara defender bem, confiando depois no talento individual de jogadores, cuja qualidade "pertence" a outro patamar ou a ligas superiores, para resolver.

Treinador: Vasco Matos
Onze-Base (3-4-3): Joel Robles; Sierra, Tsoungui (Andreou), Ferro; R. Sánchez, Xeka, Holsgrove, P. Carvalho; Guitane, João Carvalho, Begraoui 

Atenção a: Yanis Begraoui, João Carvalho, Jordan Holsgrove, Rafik Guitane, Ricard Sánchez

 VIT. GUIMARÃES (8)

    Viciado em colecionar treinadores, o grande desafio do Vitória em 2026/ 27 é acreditar em Tiago Margarido, dar-lhe tempo e não o sacrificar aos primeiros sinais de negatividade ou imperfeição. Luís Pinto, Luís Freire, Daniel Sousa ou Álvaro Pacheco (Rui Borges foi um caso diferente, saindo porque surgiu o Sporting interessado) foram alguns dos inúmeros técnicos que a cidade-berço viu chegarem e saírem num curto espaço de tempo. É, aliás, preciso recuar a 21/22 para encontrar um treinador (Pepa) que tenha tido a paz - e mérito - para fazer, só ele, a temporada completa em Guimarães, do primeiro ao último dia. Idealmente, a troca na presidência de António Miguel Cardoso para Rui Rodrigues pode significar um modelo de gestão e estabilidade diferentes, e Tiago Margarido mostrou no Nacional da Madeira capacidade para estar à altura de uma das cadeiras mais exigentes do futebol português.
    Com menos craques do que Famalicão e Estoril, e com menos saúde operacional do que Moreirense e Gil Vicente, o Vitória entra em 26/27 sem Saviolo (vendido ao Trabzonspor por 8 milhões e meio) e Diogo Sousa (vendido ao Estrasburgo por 11 milhões) mas continua a ter prata da casa para potenciar como Gonçalo Nogueira, Miguel Nogueira, Zeega ou Costinha.
    Certamente num 4-3-3 com o pulmão de Beni Mukendi e a personalidade e liderança de Samu em evidência, o Vitória de Margarido foi buscar ao Aston Villa o central colombiano Yeimar Mosquera e, além de acreditarmos que é desta que o miúdo Oumar Camara vai explodir, também torcemos para que Gustavo Silva, seja a avançado móvel seja numa faixa, consiga finalmente uma época inteira sem interrupções e com elevada regularidade exibicional.

Treinador: Tiago Margarido
Onze-Base (3-4-3): Charles; Maga (Strata), Rivas, Mosquera (Thiago Balieiro), João Mendes; Beni, Gonçalo Nogueira (Mitrovic), Samu; Miguel Nogueira, O. Camara, Gustavo Silva

Atenção a: Gustavo Silva, Oumar Camara, Beni, Yeimar Mosquera, Miguel Nogueira

 GIL VICENTE (9)

    Para o sensacional Gil Vicente, este é um mundo novo. Por força das circunstâncias, quando qualquer clube português fora do habitual Top-4 surpreende e brilha, o seu desmantelamento é quase uma certeza a curto ou médio-prazo. Barcelos foi palco de uma das melhores equipas de 25/26, com ideia de jogo de equipa grande e dinâmica bem trabalhada. O preço a pagar? Pablo Felipe e Andrew saíram com a época a decorrer, e entretanto César Peixoto foi anunciado como treinador do Wolves (Championship) e Luís Esteves rumou ao futebol mexicano.
     O novo capítulo dos galos escreve-se sob o olhar e a interpretar a visão de Luís Pinto, jovem treinador que acabou despedido do Vit. Guimarães mesmo depois de conquistar a Taça da Liga.
    Embora ainda nos mantenhamos desconfiados quanto à permanência de alguns atletas (a continuidade de Santi García teria tanto de extraordinário para o Gil como de incompreensível que nenhum clube grande aposte no super-intenso médio espanhol, o "segundo melhor Froholdt" da Liga) é sempre positivo quando um clube segura uma consolidada dupla de centrais (Buatu-Elimbi) e no meio-campo, além do empréstimo de Diogo Prioste (Benfica), o reforço que mais aguça a curiosidade é o dinamarquês Andreas Lausen, médio ex-Esbjerg que pode claramente fazer a diferença no nosso futebol.
    Na frente, continuam Murilo, Agustín Moreira ou Joelson, e a principal dúvida é mesmo qual será o avançado centro titular (Héctor é o mais experiente, Walace França e Carlos Eduardo têm as caraterísticas mais interessantes, e Kaba vem com bons números dos Sub-23).

Treinador: Luís Pinto
Onze-Base (4-3-3): Lucão; R. Esgaio, Elimbi, Buatu, Weverson (D. Moreira); Cáseres, Santi Garcia, Lausen; Murilo, A, Moreira (Joelson), Walace França (Carlos Eduardo, Héctor)

Atenção a: Santi García, Andreas Lausen, Walace França, Agustín Moreira, Lucão

 AROUCA (10)

    Numa edição em que 66% das equipas têm novo treinador, o Arouca é quem mais se desvia da norma. Vasco Seabra é o treinador há mais tempo no cargo (1 ano e 9 meses) entre os 18 da lista.
    Mesmo sem ter um jogador diferenciado - como tivera no passado Mújica, Cristo, Jason ou André Silva - o clube do distrito de Aveiro ficou em 8º lugar na época passada, transformando uma primeira volta desapontante (16º lugar e somente 14 pontos) numa segunda volta excelente: dobro dos pontos (28) e classificação de sexta melhor equipa da prova, se consideradas apenas as 17 jornadas finais.
    Convictos de que serão capazes de dar sequência ao impressionante registo de 2026, os arouquenses têm a mais-valia de apresentar um dos plantéis com menos mexidas neste Verão. De Arruabarrena pode continuar titular, e Tiago Esgaio (merecia mais crédito) também está de pedra e cal numa defesa que conta com Jose Fontán e Javi Sánchez (Diogo Monteiro pode-se intrometer nas contas do 11) e que acrescentou o ex-Cádiz Mario Climent para o lado esquerdo. Pensámos que Fukui sairia, mas o nipónico continua a fazer companhia a nomes como van Ee, Lee Hjun-ju ou Pablo Gozálbez.
    No trio de ataque, Barbero tem agora a vantagem de já estar adaptado ao futebol português, e acreditamos que tanto o uruguaio Trezza como o francês Djouahra poderão subir um degrau em relação ao rendimento da temporada anterior. Atenção ainda a Sihoo Park (18 anos), jogador que justificou nova aposta do Arouca no mercado asiático.

Treinador: Vasco Seabra
Onze-Base (4-3-3): de Arruabarrena; Tiago Esgaio, Javi Sánchez (Diogo Monteiro), Fontán, Climent; van Ee (Pablo Gozálbez), Hjun-ju; Trezza, Djouahra (Park), Barbero

Atenção a: Taichi Fukui, Alfonso Trezza, Iván Barbero, Tiago Esgaio, Mario Climent

 SANTA CLARA (11)


    Nos Açores, desta vez Petit vai poder orientar a equipa de Ponta Delgada desde a jornada 1. E o mais provável é que os açorianos consigam crescer e afastar-se mais e mais daquela versão retraída dos últimos tempos de Vasco Matos, privilegiando o que usualmente caracteriza as equipas de Petit: conjunto equilibrado, compacto e solidário, com excelente organização e comunicação na hora de defender, e processos simples na construção de soluções no último terço.
    É verdade que Gabriel Silva, Gabriel Batista, Serginho e Klismahn deixam saudades, mas quando olhamos para este plantel vemos todo o potencial para uma temporada tranquila e sem necessidade de calculadoras e doses de ansiedade na reta final.
    Lucas França (especialista na defesa de grandes penalidades) mudou-se da Madeira para os Açores, tendo o guardião brasileiro à sua frente um quarteto defensivo no qual estaremos atentos ao central canhoto Emanuel Moreira, ex-Feirense e formado no Sporting. Djé e Pedro Ferreira (jogador determinante mas silencioso) podem formar trio de meio-campo com Tiago Ribeiro, e na frente os jogadores que existem dão garantias: Vinícius Lopes é um elemento fiável, Brenner Lucas estará motivado com a camisola 10 nas costas, Gonçalo Paciência é o tipo de dianteiro altruísta que pode ser catalisador para a subida de rendimento dos extremos, parecendo-nos Fernando (número 7) o atleta mais atrevido e que pode marcar mais pontos no arranque da temporada.
    Petit já não é apenas aquele treinador que evitava que as equipas descessem. Com Petit, joga-se à bola.

Treinador: Petit
Onze-Base (4-3-3): Lucas França; Lucas Soares (Calila), Sidney Lima, Emanuel Moreira, G. Romão; Djé, Pedro Ferreira, Tiago Ribeiro; Vinícius Lopes, Fernando, G. Paciência

Atenção a: Vinícius Lopes, Fernando, Pedro Ferreira, Gonçalo Paciência, Emanuel Moreira

 ALVERCA (12)

    Uma espécie de Famalicão em potência, este Alverca está bem mais calminho do que há 1 ano atrás, altura em que os ribatejanos já iam com 28 reforços. Determinado em fazer melhor ou igual do que o respeitável 11º lugar da edição anterior, o Alverca não tem Custódio Castro como treinador, tendo a escolha do presidente da SAD (mais de 70% detida por Vinícius Júnior), José Miguel Albuquerque, recaído em Sérgio Ferreira. Aos 38 anos, o ex-treinador dos juniores do FC Porto e antigo adjunto de Carlos Carvalhal em várias paragens abraça o maior desafio da sua carreira. E o nosso feeling é que está claramente preparado.
    Do ponto de vista do plantel, Naves, Lincoln, Marezi e André Gomes não continuam, e é muito provável que o central Bastien Meupiyou ainda seja transferido por valor recorde para o clube. Pela positiva, deve-se assinalar a continuidade de jogadores como Figueiredo, Chiquinho e Touaizi.
    O mais certo é que até ao final do mês ainda muita coisa mude e vários jovens valores se juntem às opções ao dispor de Sérgio Ferreira, mas para já o guardião francês de 21 anos, Noah Raveyre, deve levar a melhor sobre o backup Jhonatan, e uma transferência de Meupiyou pode abrir as portas do onze para Bojang, central gambiano contratado ao Odense. No miolo há margem para afinações, mas na frente muita atenção a Vivaldo Semedo - o gigante avançado de 1,92m, formado no Sporting e com experiências internacionais na Udinese ou no Watford, pode causar estragos em Portugal.

Treinador: Sérgio Ferreira
Onze-Base (4-3-3): Noah (Jhonatan); Touaizi, Sergi Gómez, Meupiyou (Bojang), I. James; Abdulai, Davy Gui, Vasco Moreira; Figueiredo, Chiquinho, Vivaldo Semedo

Atenção a: Figueiredo, Vivaldo Semedo, Chiquinho, Nabil Touaizi, Yaya Bojang

 RIO AVE (13)
    Com um plantel multicultural e uma prospecção habitualmente ousada, o Rio Ave do grego Sylaidopoulos provou na segunda volta de 25/26 não ser tão desconexo como poderia levar a crer, reagindo com personalidade e bom futebol às saídas a meio da época de jogadores de importância colossal como Clayton e André Luiz.
    É certo que o clube de Vila do Conde é o parente pobre no monopólio de Evangelos Marinakis (Nottingham Forest e Olympiacos) mas, em boa verdade, 2026/ 27 também representa a primeira vez em que o multiverso do proprietário grego faz chegar à comunidade piscatória um valor interessante: Diogo Nascimento, destaque do Vizela entre 2023 e 2025, foi emprestado pelo Olympiacos e pode ser um dos motores desta equipa.
    Embora os vila-condenses estejam longe de ser atualmente um exemplo enquanto modelo de gestão ou identidade, o perfil competitivo deste plantel leva-nos a pensar que a equipa verde e branca conseguirá estar longe da luta pela manutenção. Vrousai é um dos melhores laterais direitos em Portugal, Diogo Bezerra tem qualidade, o reforço eslovaco Galcík tem golo, e na frente estamos bastante curiosos para ver o rácio de golos por jogo que Blesa consegue apresentar (reforço de Inverno de 2025, apontou 7 golos em 13 jogos) numa época completa, ele que pode beneficiar bastante de uma titularidade em simultâneo com Tamble Monteiro, o possante ponta de lança ex-Portimonense que só precisa de acrescentar números aos restantes predicados do seu jogo para ser olhado com outro respeito e cautela.

Treinador: Sotiris Sylaidopoulos
Onze-Base (3-4-3): Miszta (van der Gouw); Brabec, Petrasso, Gustavo Mancha; Vrousai, Ntoi, Diogo Nascimento, Abbey; Diogo Bezerra, Galcík (Spikic), Blesa

Atenção a: Jalen Blesa, Roland Galcík, Diogo Nascimento, Marious Vrousai, Tamble Monteiro

 ESTRELA DA AMADORA (14)

    Na Reboleira, o histórico recente (15º classificado em 25/26 e 24/25 e 14º em 23/24) deixa antever nova temporada de convívio próximo com o abismo, e acreditamos nós com repetição de escapatória.
    Para as boas sensações iniciais, muito contribui o fator Pepa. O técnico de 45 anos está de regresso ao futebol português, após experiências no Médio Oriente e no Brasil, e terá na Amadora uma nova oportunidade para demonstrar como é um treinador habitualmente subvalorizado.
    O clube que nos últimos anos potenciou Tiago Gabriel, Sidny Cabral, André Luiz e Kialonda Gaspar, teve desta vez em Otávio (Eintracht Frankfurt) a principal venda do Verão, perdendo ainda Jovane Cabral para o Grémio a custo zero.
    Com Pepa, é improvável que vejamos o Estrela a alinhar com 3 centrais, esquema adotado amiúde nas últimas épocas. Léo Linck deve ser o novo dono da baliza, e na defesa Lekovic (super-herói da manutenção com um bis em Braga na última jornada) e Bernardo Schappo formam uma dupla competente. O alemão Scholze disputará o corredor direito com Encada, sendo mais indiscutível a titularidade de Rafa Soares no lado esquerdo. Os centro-campistas Doué e Robinho transitam da edição anterior, tendo a equipa tricolor apostado no Zvonarek (ex-Bayern Munique) na hora de identificar um novo criativo.
    Abraham Marcus arranca 26/27 com estatuto de craque e figura da equipa, juntando-se a ele o imaginativo Stoica e o ex-Académica e Benfica, Beni Souza, elemento que pode contribuir como 3º médio ou a partir do flanco esquerdo. Discreto na época passada, Sydney van Hooijdonk, filho do antigo nº 9 do Benfica, tem estado goleador na pré-época e pode ter impacto desta vez, com Antonetti (já revelou bons pormenores, mas vem faltando regularidade) como seu coadjuvante. 

Treinador: Pepa
Onze-Base (4-3-3): Léo Linck; Scholze (Encada), Lekovic, Schappo, Rafa Soares; Doué, Robinho, Zvoranek (Beni Souza); Abraham Marcus, Stoica (Antonetti), van Hooijdonk

Atenção a: Abraham Marcus, Sydney van Hooijdonk, Stefan Lekovic, Eddy Doué, Leandro Antonetti

 ACADÉMICO DE VISEU (15)

    O distrito de Viseu viu cair o Tondela, mas mantém-se vivo no mapa da Primeira Liga. 37 anos depois (última presença fora em 88/89), o Académico está de volta.
    Com menos 7 pontos do que o campeão Marítimo, e em igualdade pontual com o Torreense, a subida do Académico começou tímida com Sérgio Vieira, mas ganhou embalo com outro Sérgio, Fonseca de apelido. No entanto, os Viriatos têm agora Bruno Pinheiro (ex-Gil Vicente e Estoril) no comando técnico.
    Neste regresso ao escalão máximo, a estabilidade do plantel pode ser uma arma importante, consigam estes jogadores apresentar na Liga Portugal Betclic um nível aproximado daquele que colocaram em campo na Meu Super. Na baliza há mudanças (o esloveno Domen Gril rumou ao futebol polaco, e o espanhol Marcos Lavín é o novo portero) mas o quarteto defensivo pode ser repetido - Robinho (jogador com bom contributo ofensivo) à direita, Gustavo Costa à esquerda e Anthony Correia e Michelis como centrais.
    No meio-campo, o canhoto alemão Messeguem (10 assistências na temporada passada) e o turco nascido na Alemanha, Cihan Kahraman (6 golos e 8 assistências), prometem manter enorme influência na construção, podendo os adeptos celebrar a renovação de Kahraman, cuja saída por falta de acordo chegou a ser oficializada.
    Há Zamora, há João Guilherme, mas falar de golos em Viseu é falar de André Clóvis. O ponta de lança brasileiro de 28 anos chega finalmente à I Liga - surpreende-nos que nenhum clube o tenha recrutado mais cedo - tendo apontado um total de 77 golos nas últimas 4 temporadas no clube. Torcerá a massa associativa para que a sua época mira esteja calibrada como em 25/26 e 22/23, e que ninguém o leve de Viseu até 31 de Agosto. Segurá-lo é fundamental.

Treinador: Bruno Pinheiro
Onze-Base (4-3-3): Marcos Lavín; Robinho, A. Correia, Michelis, Gustavo Costa; Messeguem, Luís Silva (C. Ferreira), Kahraman; Zamora, João Guilherme, André Clóvis

Atenção a: André Clóvis, Soufiane Messeguem, Cihan Kahraman, Anthony Correia, Marcos Lavín

 MARÍTIMO (16)

    Faz muito mais sentido a Liga portuguesa com o Marítimo entre as 18 melhores equipas do nosso futebol. Relegada em 22/23, a equipa da Madeira voltou aonde pertence, e teremos novamente dérbis insulares com o Nacional. O 12º lugar na segunda divisão em 24/25 chegou a insinuar uma trajetória descendente dos verde-rubros, mas Vítor Matos (excelente treinador, a consolidar-se no Swansea) criou bases e Miguel Moita deu boa sequência, guiando o Marítimo ao título. Agora, é a vez do neerlandês Mitchell van der Gaag viver uma segunda vida como treinador neste clube, ele que representou o Marítimo como jogador entre 2001 e 2006.
    O guarda-redes Samu (figurou no XI do ano da Segunda Liga) foi para Israel, e Pastor pode ser o novo titular da baliza, a não ser que ainda chegue Todos os defesas heróis da subida continuam, merecendo nota a curiosidade do central luso-francês Romain Correia ter ajudado o Marítimo a subir e o seu irmão gémeo, Anthony Correia (igualmente defesa central) ter subido com o Académico de Viseu. Nesse setor, a principal dúvida é a permanência do melhor defesa, o dinamarquês Noah Madsen, associado ao futebol polaco, e há a registar as chegadas do húngaro Szalai e de Rafael Fernandes.
    Ofensivamente, o motor criativo Carlos Daniel está de partida para a Arábia Saudita, aumentando as responsabilidades do pequeno e desconcertante Martín Tejón e do marroquino Bouzaidi. Não ficaremos chocados se ambos conseguirem melhores números na I Liga do que aquilo que conseguiram na II. Finalmente, saudamos o regresso ao futebol português de Maxime Domínguez, ele que viveu um excelente período ao serviço do Gil Vicente em 2023/ 24, e na frente o outrora wonderkid José Melro é a concorrência do espadaúdo Butzke, o teórico homem-golo dos insulares.

Treinador: Mitchell van der Gaag
Onze-Base (4-1-2-3): Pastor; I. Julião, Madsen (Rafael Fernandes, Szalai), Romain Correia, Paulo Henrique; Danilovic; Guzzo, M. Domínguez (R. Andrade); Bouzaidi, M. Tejón, Butzke

Atenção: Simo Bouzaidi, Martín Tejón, Adrián Butzke, Romain Correia, Maxime Domínguez

 NACIONAL (17)

    Apostado em preservar o estatuto de melhor equipa da ilha da Madeira, mediante o regresso do dérbi local com o Marítimo, o Nacional inicia esta época uma nova página, sem Tiago Margarido (ótimo trabalho nos 3 anos ao serviço do clube, tendo-se mudado para Guimarães) mas com João Gião. O treinador de 39 anos, que na temporada passada orientou a equipa B do Sporting, terá aqui o seu primeiro teste na Primeira Liga.
    Um dos destaques evidentes em 25/26, o guarda-redes Kaique - emprestado pelo Palmeiras - voltou à casa-mãe. Na sucessão, sem excluir João Gonçalves da equação, o ítalo-brasileiro Renato Marin, emprestado pelo PSG, parece ocupar a pole position.
    A defesa é um dos setores que menos dores de cabeça dará a Gião. Zé Vitor (algo surpreendente que nenhum clube acima o tenha contratado) e Léo Santos entendem-se às mil maravilhas, José Gomes cumpre muito bem o seu papel à esquerda, e do lado direito o equatoriano Daniel de la Cruz é uma das entusiasmantes novidades deste conjunto.
    Uns metros à frente, o médio defensivo Matheus Dias pode viver a sua temporada de plena afirmação no contexto global do futebol português, e o escandinavo Markus Jensen é uma das caras novas do elenco. Daniel Júnior (tecnicista virtuoso mas geralmente inconsequente) e o reforço cipriota Stavros Gavriel serão alguns dos responsáveis por criar desequilíbrios, numa equipa que tem na gestão do seu astro um dos maiores pontos de interrogação. Até ver, o venezuelano Jesús "Chuchu" Ramírez (4º melhor marcador da Liga em 25/26, com 18 golos) continua pela Madeira, mas já expressou a vontade de sair, e é improvável que Rui Alves o consiga manter. Conservar Chuchu seria quase por si só garantir excelentes odds na luta pela manutenção; sem ele, e mesmo que esta defesa transmita confiança, muito peso será colocado no avançado que for recrutado para suprir a sua (eventual) saída.

Treinador: João Gião
Onze-Base (4-3-3): João Gonçalves (R. Marin); Daniel de la Cruz, Zé Vitor, Léo Santos, José Gomes; Matheus Dias, Liziero, M. Jensen; Gavriel, Daniel Jr (Nourani), Chuchu Ramírez

Atenção a: Chuchu Ramírez, Markus Jensen, Daniel de la Cruz, Zé Vitor, Matheus Dias

 CASA PIA (18)
    O Casa Pia foi a última equipa a assegurar a sua presença nesta edição da Liga Portugal Betclic, derrotando o Torreense (0-0 e 2-0, capitalizando o cansaço acumulado da equipa de Torres Vedras, que pelo meio venceu a Taça de Portugal num emotivo prolongamento contra o Sporting) no Play-Off. Entretanto, os gansos perderam a custo zero um dos melhores jogadores (Larrazabal) e anunciaram o mister Filipe Coelho como novo homem do leme do projeto. O técnico de 41 anos - com longo percurso nas camadas de formação do Benfica, tendo ainda conquistado a Liga Revelação com os Sub-23 do Estoril e alargado horizontes em Londres e Estrasburgo - é uma aposta bastante interessante. Mas a falta de soluções neste plantel e o risco de Coelho poder não ter a confiança e o tempo recomendáveis para deixar o seu cunho ou impressão digital no jogar desta equipa deixam-nos reticentes quanto a esta temporada.
    No pós-José Fonte (o campeão europeu de 2016 terminou a carreira), o Casa Pia continua a ter Patrick Sequeira no seus quadros, mas o ingresso de André Gomes leva a crer que o guardião costa-riquenho pode estar de saída para um patamar mais alto. David Sousa é patrão na defesa, o meio-campo é musculado e cerra bem os dentes na recuperação, mas suspeitamos que falte capacidade de desequilíbrio e golo - o francês Livolant é nesta altura o jogador mais desta equipa, mas se os casapianos quiserem garantir a manutenção Nsona e Rochinha terão que exibir um nível bem superior às suas versões mais recentes, e Henrique Araújo (por fim totalmente desvinculado do Benfica) terá que se reencontrar, aliviando Cassiano (37 anos).

Treinador: Filipe Coelho
Onze-Base (3-4-3): Patrick Sequeira (André Gomes); André Geraldes, Khaly, David Sousa, Abdu Conté; Seba Pérez, Mohamed, Selvi Clua (Ofori); Livolant, Nsona (Rochinha), Cassiano (Henrique Araújo)

Atenção a: Jérémy Livolant, Iyad Mohamed, David Sousa, Cassiano, Kelian Nsona


1 de junho de 2026

Balanço Final - Liga Portugal Betclic 25/ 26

   Liga Portugal Betclic - Quando em Agosto de 2025 apontámos o FC Porto ao 1º lugar (e nós nem temos assim tanto jeito para acertar), os sinais de facto já estavam lá todos. Aproveitando um Benfica sem rumo definido e um Sporting com processos de jogo enraizados mas a ter que se reconstruir depois de perder um fenómeno sueco que em duas épocas marcou um total de 97 golos, os azuis e brancos "acertaram" no treinador, acreditaram no modelo do italiano Francesco Farioli e, daí para a frente, tudo foi coerente.
    Este Porto não deslumbrou no ataque (66 golos marcados é o pior registo ofensivo de um campeão desde 20/ 21, primeiro título de Ruben Amorim no Sporting) mas diz-se que são as defesas que ganham campeonatos e aquele triângulo Diogo Costa - Bednarek - Kiwior foi ouro. Com ótimo trabalho de casa nas bolas paradas e gosto em pressionar em equipa, deixando os adversários permanentemente desconfortáveis, o FC Porto foi melhor e, mesmo que perca craques como Froholdt e Diogo Costa, pode inclusive tornar-se ainda melhor em 26/27. Este dragão sabe construir uma equipa e o scouting já há-de ter bem identificados mais Froholdts e Pietuszewskis. E, se não for pedir muito, que se reduzam os bate-bocas entre Villas-Boas e Varandas no futuro.

    Bicampeão em 2024 e 2025, o Sporting não conseguiu o objetivo "tri". Os leões chegaram ao Top-8 da Liga dos Campeões, vendendo cara a derrota (0-1 no somatório das duas mãos) perante o campeão inglês Arsenal, e guardando no baú das memórias a vitória perante o PSG e aquela reviravolta histórica diante dos noruegueses do Bodo/Glimt. Em solo nacional, o Jamor foi amargura diante do Torreense, e na Liga de pouco serve o estatuto de equipa com processo ofensivo mais atraente e ataque mais concretizador (89 golos). Este Verão deve marcar uma mudança de ciclo em Alvalade, saindo quem marcou o passado recente leonino, e chegando novos talentos (Zalazar promete).

    Na Luz, não houve derrotas. O Benfica somou 23 vitórias e 11 empates em 34 jornadas, mas José Mourinho foi pior do que o seu antecessor Bruno Lage em quase tudo: de 2º passou para 3º, de vencedor da Allianz Cup passou para mero semi-finalista, de finalista vencido na Taça de Portugal passou para eliminado nos quartos, e dos oitavos da Champions passou para derrotado na ronda anterior, o Playoff. O Benfica regrediu, numa temporada em que os seus sócios tiveram a oportunidade de desbravar um novo caminho, mas preferiram confiar na incompetência. Em campo, foi diante do Real Madrid que as águias viveram o seu apogeu emocional (Trubin!) e o seu pesadelo reputacional (Prestianni e as acusações racismo). Seria uma pena o futebol português dizer adeus a Schjelderup, que nem meio ano teve em modo endiabrado.

    O Braga teve 2 dos melhores jogadores do campeonato, as equipas-sensação foram Gil Vicente, Moreirense e Alverca, podendo-se sublinhar uma anomalia (positiva): ao longo dos vários meses de competição, dos 12 primeiros classificados apenas o Benfica e o Vitória trocaram de treinador.

    2025/ 2026 foi a energia inesgotável de Froholdt, os golos de diversos feitios de Luis Suárez, foi o Dragão a apaixonar-se pela Polónia, foram as luvas de Diogo Costa e Hornicek, foi Zalazar a oferecer um golo a Ricardo Horta, e Horta a retribuir logo depois para o uruguaio. Foram as oportunidades criadas por Trincão e João Carvalho, e os cantos de régua e esquadro de Gabri Veiga. Foi a perfeição de Aursnes e Hjulmand. Foi a última vez de muitos craques nos nossos relvados. Mas outros virão.

    Acompanhem-nos então neste balanço final, que analisa em detalhe as 18 equipas da Liga portuguesa, procurando determinar o que correu bem, o que correu mal, quem se destacou e quem desiludiu:


 FC PORTO (1)

    Veni, vidi, vici. Quando Francesco Farioli foi anunciado como treinador do Porto, muitos ficaram de pé atrás - tirando Roger Schmidt, os treinadores bem sucedidos em Portugal nos últimos anos eram todos portugueses (o dogma de que "é preciso conhecer o futebol português" perde-se quando tantas equipas mudam quase tudo a cada ano que passa) e o italiano vinha de Amesterdão com a má fama de que tinha deixado escapar o título na reta final. Sim, esse Ajax podia ter sido campeão, mas nessa Eredivisie fora primeiro o PSV a deixar escapar uma brutal vantagem, ignorando a visão de fora e a análise desinformada o salto que o Ajax dera com Farioli (não é à toa que antes desse 2º lugar foi 5º, e esta época voltou a ser 5º) e a muito maior obrigação que o PSV tinha de se sagrar campeão.
    Com todos os decisores a pensarem futebol da mesma maneira, o Porto revolucionou o seu 11 titular, transformando uma equipa onde só Rodrigo Mora fazia alguma coisa numa equipa profissional, taticamente afinada, combativa e, ironia das ironias, na qual Mora passou a não encaixar.
    O campeão FC Porto deu uma masterclass de mercado de transferências - no Verão, promoveu um encontro polaco entre os centrais Bednarek e Kiwior, antecipou-se a toda a gente ao "descobrir" Froholdt na Dinamarca, enganou bem a Juventus numa troca entre Alberto e João Mário, tudo isto depois de já ter resgatado Gabri Veiga (estreou-se pelo Porto ainda no Mundial de Clubes com Anselmi) do futebol saudita. Audaz na composição do plantel, o Porto percebeu a importância de adicionar jogadores muito úteis como Pablo Rosario e Fofana, líderes de balneário como de Jong e Thiago Silva, e voltou a fazer das suas ao "sacar" o prodígio Pietuszewski a meio da temporada.
    A superioridade do Porto foi incontestável. Os dragões foram mestres a conceder poucas oportunidades (ao fim de 19 jornadas, tinham apenas 4 (!) golos sofridos e levavam 18 vitórias) e, embora os adeptos queiram mais golos, vertigem e risco, percebeu-se a preocupação e o conservadorismo de Farioli em privilegiar o controlo, refrescando fisicamente (brutal a diferença de gestão física entre Farioli e Rui Borges) mas mantendo a equipa coesa, sem se expor.
    A personalidade deste Porto viu-se logo à 4ª jornada em Alvalade, viu-se na primeira parte na Luz e viu-se também na reação em Braga. Quase sempre, foi o Porto a levar os jogos para onde quis, forçando os adversários a adaptar-se e a reagir.
    Com o sacrifício do talento de Rodrigo Mora a ser uma nota negativa, este Porto foi a segurança de Diogo Costa, a sintonia e complementaridade de Bednarek e Kiwior, foi os cantos de Gabri Veiga, a polivalência de Rosario, os golos de Samu, os golaços de William Gomes e o atrevimento de Oskar Pietuszewski. E, claro, foi a energia contagiante de um jovem de 20 anos de Copenhaga, preponderante no seu meio-campo e no meio-campo adversário.
    O FC Porto está bem, sabe para onde vai e o seu scouting deve continuar a dar cartas. Os rivais têm muito para pedalar para reduzir distâncias.

Destaques: Victor Froholdt, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Diogo Costa, Oskar Pietuszewski


 SPORTING (2)


    Não houve tricampeonato. O Sporting entrou nesta época com um enorme ponto de interrogação: como consegue uma equipa manter o altíssimo nível depois de perder um jogador que valia aproximadamente 50 golos por época? A novela da transferência de Viktor Gyökeres para o Arsenal foi longa, mas nem foi pela substituição direta do sueco que o Sporting falhou os seus objetivos. Lá iremos.
    Com um ótimo desdobramento ofensivo (nenhuma equipa atacou e combinou de "olhos fechados" como os leões), o Sporting não teve problemas em desmontar os pequenos. Foram várias as vezes em que marcou 6, 5 ou 4 por jogo. O problema esteve mesmo nos jogos cabeça-de-cartaz: em 18 pontos em disputa contra Porto, Benfica e Braga, os leões somaram 4 pts, não vencendo qualquer jogo.
    Com a certeza de que Rui Borges vai começar 26/ 27 com zero margem de erro, o Sporting deve guardar desta temporada a memória da melhor Liga dos Campeões do clube, e procurar esquecer a humilhante final da Taça contra o Torreense.
    Com o contributo de Amorim e Viana cada vez mais distantes, a prospecção terá que fazer melhor na próxima época - nesta, só Luis Suárez (melhor marcador da Liga com 28 golos) foi verdadeiramente um reforço - sobretudo se tivermos em conta que o Verão de 2026 pode representar fim de ciclo para jogadores super influentes como Hjulmand, Pedro Gonçalves, Trincão, Maxi Araújo ou Diomande, sem contar com as saídas confirmadas de Quenda e Morita.
    Entre lesões para todos os gostos e o desacerto do mercado de Janeiro (com 2 ou 3 jogadores que viessem para acrescentar a reta final poderia ter sido diferente), o Sporting viveu da fome de golos de Suárez, da criatividade e imaginação do sempre titular Trincão, da explosividade de Maxi e da estabilidade do capitão Hjulmand, um atleta que deixará saudades em Alvalade e causará o alívio dos oponentes.
    Tudo somado, o 2º lugar foi um mal menor, permitindo um twist na Luz e o amigo Aston Villa a entrada direta na fase de grupos da próxima Champions.

Destaques: Luis Suárez, Francisco Trincão, Morten Hjulmand, Maxi Araújo, Pedro Gonçalves

 BENFICA (3)

    #Invencíveis. Na descrição da novela malfadada que se escreveu na Luz esta temporada, talvez o mais recomendável seja começar com aquele momento Trubin: um 4-2 ao Real Madrid, com o guarda-redes ucraniano de 1,99m a garantir a passagem dos encarnados à fase seguinte da mais prestigiante competição de clubes. O Benfica foi notícia em todo o mundo, o Benfica foi - por um momento - feliz.
    Tudo o resto, esteve longe de ser feliz. A época começou com a especialidade da casa - um treinador foi mantido no cargo para lá do seu tempo de vida recomendável, ajudou a planear e decidir tudo, e ao primeiro desaire foi embora. Quando Bruno Lage saiu, Rui Costa definiu o perfil do treinador sucedâneo como "vencedor". Desejo concretizado: José Mourinho foi a cartada que fez ganhar eleições, com recorde de Guinness e duas voltas mediáticas a ditarem que 65% de sócios votantes - com medo de um novo Vale e Azevedo, inconscientes de que o novo Vale e Azevedo já está há vários anos no clube - quiseram que tudo continuasse igual. E, surpresa, tudo continuou igual.
    O Special One foi bem-sucedido na sua operação de charme na chegada à Luz: foi político, foi (como sempre foi e será) eficaz comunicador, mas muitas foram as incoerências entre as palavras de Mourinho e as suas ações (exemplos: ter um fraquinho por Gonçalo Moreira, mas tão fraquinho que lhe valeu apenas 1 minuto de jogo; ou toda a gente ter esquecido que os encarnados derrotaram o Real por 4-2 depois de Mourinho ter dito na conferência de antevisão "se gostaria de jogar como vamos jogar, diria não"). A sua passagem não ter resultado em troféus surpreende? Não, porque só venceu 1 troféu nos últimos 8 anos. O iminente divórcio surpreende? Qb, porque o plano A parecia ser a Seleção, não fosse uma porta mais apetecível se ter aberto. As queixas em todas as direções surpreenderam? Não, porque Mourinho tem sido isto, um dedo apontado para si nas cada vez mais raras vitórias, e as culpas postas nos outros (jogadores, arbitragem, etc) quando as coisas não correm como planeado.
    Apesar de não ter perdido qualquer jogo (somando, no entanto, 11 empates, na sua maioria em casa), o Benfica vive um profundo problema de identidade e cultura organizacional, onde a autoanálise e a assunção do erro não existem, onde uma (gravíssima) acusação de racismo se transformou num circo mediático descontrolado, com sérios danos reputacionais, por incompetência e insensibilidade de quem não sabe o que dizer e quando dizer, tão obcecado em "safar-se", preferindo inclusive marginalizar Sidny Cabral a pôr a hipótese de Prestianni ter sido, eventual e alegadamente, culpado. Há que acabar com o Benfica cringe que oferece prémios de homem do jogo a árbitros e publica nas redes golos que não contaram. Um Benfica com voz não é um Benfica com uma voz qualquer.
    Em campo, Aursnes foi Aursnes (e Ríos foi melhor quando teve o porto de abrigo norueguês na sua órbita), Schjelderup explodiu em 2026 (um bis ao Real Madrid abortou a sua transferência para a Bélgica) e Pavlidis perdeu gás sobretudo a partir do momento em que alguém achou boa ideia fazer regressar Rafa - um 2 em 1 que piorou Pavlidis e abafou os primeiros bons sinais que finalmente surgiam de Sudakov. Entre flops (Lukebakio ou Enzo) e jogadores que podem dar muito mais se forem bem aproveitados (Ivanovic e Sudakov), os encarnados terminaram a época sem saber muita coisa: não se sabe quando Mourinho sai, não se sabe quem é o próximo treinador, não se sabe que jogadores vão sair e que jogadores vão entrar. Haver Mundial ajuda a mascarar tudo isto, mas haver 6 jogos para entrar na Liga Europa e uma pré-época que começa durante a fase de grupos do Mundial desajuda.
    Há uma coisa que o Benfica sabe: entre 12/13 e 18/19 o Benfica ganhou 5 campeonatos em 7; nos últimos 7 anos, ganhou 1, o Porto 3 e o Sporting 3. E não se perde tanto por obra do acaso.

Destaques: Fredrik Aursnes, Andreas Schjelderup, Vangelis Pavlidis, Samuel Dahl, Leandro Barreiro

 BRAGA (4)

     É complexo avaliar o Braga 2025/ 2026. Apesar de cumprido o objetivo mínimo interno (4º lugar) este quarto lugar foi alcançado com 59 pontos, o pior registo do clube nos últimos 9 anos. Quando a ambição deveria ser encurtar distâncias para Porto, Sporting e Benfica, o Braga acentuou o fosso, terminando a apenas 3 pontos do Famalicão, e tendo já vendido um dos melhores jogadores ao Sporting. Se quisermos ver o copo meio vazio, falta acrescentar a final da Taça da Liga: na final four o Braga atropelou o Benfica na meia-final, mas acabou derrotado pelo grande rival Vitória a 10 de Janeiro.
   Vejamos então o copo meio cheio. Se internamente a coisa foi questionável, na Europa o Braga foi enorme. Semi-finalista da Liga Europa - conseguiria chegar à final se Dorgeles não tivesse sido expulso logo aos 7 minutos da segunda mão? - o Braga realizou uma campanha muito longa, ajudando o ranking de Portugal ao longo de 20 jogos (6 deles de qualificação) e derrotando Feyenoord, Celtic, Nottingham Forest, Nice ou Bétis. O espanhol Carlos Vicens acabou por ser uma aposta ganha, compreendendo-se as experiências e afinações que foi fazendo até encontrar e estabilizar num 11 e numa disposição das peças com harmonia.
    O melhor jogador da História do clube, Ricardo Horta, voltou a fazer uma época de excelência, desta vez acompanhado por um uruguaio permanentemente endiabrado. Rodrigo Zalazar marcou, criou, desequilibrou e o mais provável é que continue a fazer o mesmo, desta feita de verde e branco. Seguramente será impossível segurar Hornicek (ai do Braga que venda em saldos um guarda-redes desta categoria!) merecendo ainda um elogio a longevidade de João Moutinho, nuestros hermanos Pau Víctor e Víctor Gómez, e o espaço que Gorby foi conquistando pode também justificar Diego Rodrigues num futuro próximo.

Destaques: Rodrigo Zalazar, Ricardo Horta, Lukás Hornícek, Pau Víctor, Víctor Gómez

 FAMALICÃO (5)

    Melhor classificação de sempre na I Liga. Desde que se estabeleceu no primeiro escalão de forma ininterrupta (19/20), o Famalicão fora 6º, 9º, três vezes consecutivas 8º, 7º e agora... quinto. O recorde absoluto não nasce do acaso: Hugo Oliveira deu sequência ao trabalho iniciado na temporada anterior, e a esmagadora maioria dos jogadores já estavam no clube. E que diferença faz uma equipa em Portugal não ter que reconstruir tudo do zero a cada ano!
    Invicto da jornada 23 à 34, uma sequência onde registou 6 vitórias e onde empatou 2-2 contra o Porto, 2-2 contra o Braga e 2-2 contra o Benfica, o Famalicão merecia mesmo disputar a UEFA Conference League 2026/ 27. Mas aconteceu um pequeno milagre chamado Torreense, e os planos saíram furados a muita gente.
    Individualmente, é notável como quase não se fizeram notar a lesão grave de um predestinado como Aranda e a saída precoce do talentoso Zabiri para o Rennes. Vila Nova de Famalicão foi a casa de um guarda-redes (Carevic) que acumulou 17 jogos sem qualquer golo sofrido, de uma dupla de centrais (sorte de quem contratar Ibrahima Ba!) super competente, daquele que foi para nós o melhor lateral direito desta edição (Rodrigo Pinheiro) e, claro está, de Gustavo Sá e Mathias de Amorim, dois médios portugueses de 21 anos que tinham lugar no plantel de qualquer um dos 3 grandes.

Destaques: Lazar Carevic, Rodrigo Pinheiro, Ibrahima Ba, Mathias De Amorim, Gustavo Sá

 GIL VICENTE (6)

    Que belo futebol praticou este Gil Vicente! A regressar à excelência de 21/ 22 (época de Samuel Lino, Pedrinho, Fran Navarro e Kritciuk), os galos foram um exemplo de tudo bem feito. César Peixoto teve finalmente um voto de confiança para desenvolver a sua ideia, e a matriz inegociável de um 4-3-3 destemido, incapaz de se curvar perante qualquer adversário, com saída apoiada e processos bem trabalhados foi uma constante ao longo dos vários meses de competição.
    Sete vitórias nas primeiras 10 jornadas, com uma derrota pelo meio na Luz onde o Gil foi quem se comportou como verdadeira "equipa grande" no relvado, geraram embalo, embora uma volumosa sequência de empates tenha quebrado um pouco a moral. Janeiro retirou de Barcelos o ponta de lança Pablo (West Ham) e o guardião Andrew (Flamengo) mas a equipa demonstrou personalidade e reagiu às saídas de 2 jogadores fundamentais: Murilo e Gustavo Varela acabaram por, a espaços, preencher a fatia de golos perdida com a saída do filho de Pena para Inglaterra.
    Além de certificar Peixoto como capacitado para uma experiência com outras responsabilidades e ainda maior qualidade (jogadores) ao seu dispor, este Gil foi sinónimo de equilíbrio nos vários setores (Elimbi-Buatu formam uma boa dupla, e não é à toa que Konan é internacional A pela Costa do Marfim) com o miolo a marcar em particular esta edição. O menos estridente mas eficiente Cáseres, o organizador de jogo Luís Esteves e o trator Santi García formaram um trio de médios que deu sempre gosto ver jogar.

Destaques: Pablo, Luís Esteves, Santi García, Andrew, Ghislain Konan

 MOREIRENSE (7)

    Uma das equipas sensação da temporada, a oficializar as boas sensações que Vasco Botelho da Costa já deixara em todas as etapas anteriores do seu percurso.
    Com jogos transmitidos na TVI ou no V+, a equipa de Moreira de Cónegos - prima afastado do Bournemouth, via Black Knight - manteve-se sempre mais próxima dos lugares europeus do que da cauda da tabela, numa overperformance (não seria expectável uma equipa com 11º melhor ataque e 9ª melhor defesa terminar em sétimo) que não surpreende se considerarmos o impacto de Vasco BDC a partir do banco, tanto na preparação dos jogos como na análise ao desenrolar de cada trecho de 90 minutos.
    Órfãos dos golos de Schettine a meio da viagem e sem contar com o preponderante lateral Dinis Pinto de Março para cá, os cónegos mantiveram-se sérios, embora seja inequívoco que o balão de oxigénio gerado no início do campeonato (5 vitórias nas 7 primeiras rondas) ajudou e muito.
    Emprestado pelo Sporting e entretanto anunciado como reforço do Braga, Diogo Travassos marcou pontos a extremo e a lateral, Alanzinho deu como sempre um ar da sua graça, e o central Maracás (4 golos) apareceu em momentos decisivos.
    Será esta a casa de Vasco Botelho da Costa em 26/ 27 ou estará no horizonte imediato um novo desafio e projeto para o jovem treinador de 37 anos?

Destaques: Diogo Travassos, Dinis Pinto, Alan, Guilherme Schettine, Maracás

 AROUCA (8)
    A época do Arouca conta-se através de duas voltas muitíssimo diferentes. Nas primeiras 17 jornadas, o Arouca de Vasco Seabra somou 14 pontos (16º lugar) e, nesse contexto, muitas seriam as direções a optar por mudar de treinador e fazer reset durante o mês de Janeiro. O Arouca confiou no treinador luso de 42 anos e a segunda volta foi a dobrar - o Arouca somou 28 pontos, sendo durante esse período a 6ª melhor equipa do campeonato, a 4 pontos do Braga e a 5 do Famalicão.
    Ficar em oitavo não é estranho para um clube que em 2024 foi 7º e em 2023 foi 5º, mas acaba por surpreender um pouco pela capacidade deste elenco homogéneo ter mascarado a ausência de um jogador diferenciado, como anteriormente Mújica, Cristo, Jason ou André Silva.
    Tiago Esgaio, Trezza, Fukui, Djouahra e Barbero dividiram entre si os méritos numa campanha onde não é indiferente o efeito positivo e a confiança gerados pelo regresso de Arruabarrena a Aveiro.

Destaques: Tiago Esgaio, Taichi Fukui, Alfonso Trezza, Naïs Djouahra, Iván Barbero

 VIT. GUIMARÃES (9)

    O ponto alto da temporada do Vitória aconteceu indiscutivelmente numa competição marginal. Na Allianz Cup, o clube da cidade berço festejou o seu 3º troféu no futebol sénior. Nos quartos os vimaranenses eliminaram o FC Porto (que em Dezembro parecia absolutamente invencível) em pleno Dragão, derrotando o Sporting nas meias na final four, com o senegalês Ndoye a ser herói aos 90+2 e 90+11, e a repetir a importância ao marcar o golo da vitória na final (2-1) diante do grande rival Sporting de Braga.
    Luís Pinto deu, como Rui Vitória em 12/ 13, um troféu ao palmarés do clube, mas nem isso foi suficiente para preservar o seu lugar, sendo trocado por Gil Lameiras depois da jornada 25. À data, o Vitória esteve em nono... e foi igualmente em 9º que acabou.
    A demissão de António Miguel Cardoso poderá, quiçá, traduzir-se em maior estabilidade num clube que tem tido pouca paciência com os seus técnicos. Ao contrário de outras temporadas, foram poucos os destaques individuais: os meninos Saviolo e Camara mostraram potencial, Beni multiplicou-se em ações defensivas, Gustavo Silva voltou a ficar aquém dos golos que podia marcar num habitat mais sustentável, e o veterano Samu acabou por ser o atleta com maior rendimento médio.

Destaques: Samu, Gustavo Silva, João Mendes, Beni, Noah Saviolo

 ESTORIL (10)

    Este Estoril faz bem ao futebol português. Liderados pelo sempre agradável Ian Cathro, um escocês cada vez mais português, os canarinhos foram a única equipa além de Sporting, Benfica, Porto e Braga a passar a marca dos 50 golos marcados, acabando com 54. Apesar do Abril e Maio para esquecer, o Estoril foi uma das equipas com mais qualidade técnica da Liga, frustrando no entanto a total imprevisibilidade nos desempenhos - no começo do ano, tanto marcaram 13 golos num espaço de 3 jogos ganhos como logo depois empataram com o Tondela e perderam com o AFS.
    Foram 6 as vezes que o Estoril marcou 4 ou mais golos, e muitos deles (20) foram de Yanis Begraoui, um dianteiro marroquino que deve neste momento colecionar clubes interessados nos seus serviços. O camisola 14 foi sempre bem acompanhado pelo maestro João Carvalho (melhor época da carreira), com os pés esquerdos de Holsgrove e Guitane a acrescentarem qualidade e a defesa a ter em Bacher e Ferro os seus melhores representantes.
    Palavra final para Luís Miguel Afonso Fernandes, Pizzi, que terminou a carreira, ele que foi um dos jogadores mais consistentes no futebol português na última década.

Destaques: Yanis Begraoui, João Carvalho, Felix Bacher, Ferro, Jordan Holsgrove

 ALVERCA (11)

    Ao contratar mais de 30 jogadores, o desafio do Alverca neste regresso ao primeiro escalão era claro: formar uma equipa do zero. Com uma média de idades de 23 anos, o jovem Alverca de Custódio Castro passou o exame com distinção, acabando a meio da tabela mas não tão longe assim do 7º lugar.
    Com tiques de Famalicão no perfil de jogadores privilegiado, a equipa ribatejana foi o ecossistema certo para o crescimento dos emprestados Naves, Marezi ou André Gomes, bem como de outros jovens valores como Figueiredo, Touaizi ou Meupiyou. Acima de todos, a comprovar que o modelo a seguir é o atual este Alex Amorim - o médio brasileiro de 20 anos, um jogador muito acima da média, foi recrutado ao Fortaleza por 310 mil euros e vendido ao fim de meio ano ao Génova por 7 milhões e meio. Fica a ideia que os grandes portugueses se deixaram dormir...
    É sabido que Custódio não continuará, mas convém que alguns jogadores continuem no clube que tem Vinícius Júnior como coproprietário acionista. Será diferente para o próximo treinador trabalhar a partir de uma base, ao invés de recomeçar tudo do zero com novo camião de jogadores.

Destaques: Alex Amorim, Naves, Figueiredo, Nabil Touaizi, Marezi

 RIO AVE (12)
    Os helénicos vila-condenses provaram que, em Portugal, com o nível que nos últimos anos as 3 ou 4 piores equipas de cada edição têm por regra apresentado, basta a uma equipa instável conseguir somar 4 vitórias num espaço de 5 jogos e a coisa está safa. O Rio Ave manteve sempre a confiança em Sotiris Sylaidopoulos, mas o quadro esteve negro: jornada 24, apenas 21 pontos, dois a mais do que o penúltimo classificado. E subitamente, cinco jornadas depois, o Rio Ave estava em 11º lugar, com (bem) maior margem de erro.
    O 12º posto acabou por ser a classificação final de uma equipa que jamais teria que sofrer "tanto" se tivesse preservado Clayton e André Luiz toda a temporada. A dupla brasileira mudou-se para o Olympiacos, um dos outros clubes do temperamental proprietário Evangelos Marinakis, mas nas 19 jornadas em que cá estiveram foram dos melhores nas suas posições: Clayton saiu com 10 golos e 5 assistências, e André Luiz (chegou a ser associado ao Benfica) com 7+5.
    Além dos craques da primeira volta, há a destacar o ótimo registo de Blesa (7 golos em 13 jogos) e, como já é hábito, a contributo sempre certinho do lateral-direito Vrousai.

Destaques: Clayton, André Luiz, Marious Vrousai, Jalen Blesa

 SANTA CLARA (13)

    Nos Açores, a época pode-se dividir em duas: antes de Petit e depois de Petit. Quinto classificado no ano passado, o Santa Clara apresentou-se irreconhecível com Vasco Matos - o técnico deixou a equipa à 20ª jornada no 16º lugar, com 17 pontos e apenas 4 vitórias. Petit, normalmente subvalorizado, ressuscitou o bom comportamento defensivo que caracterizara os açorianos quando foram uma das equipas sensação da prova, e o objetivo da manutenção acabou por ser alcançado com alguma naturalidade e sem necessidade de acabar com a calculadora a mão ou, numa versão dos tempos modernos, com o FotMob ou Sofascore na mão.
    Sem grandes destaques individuais (Gabriel Silva e Serginho foram quem, mesmo assim, apresentou um rendimento mais satisfatório), os capítulos mais intensos do Santa Clara esta época viveram-se nas receções ao Sporting - para a Liga e para a Taça de Portugal - com muita polémica e razões de queixa.

Destaques: Gabriel Silva, Serginho, Vinícius Lopes, Paulo Victor

 NACIONAL (14)

    Muito sumariamente, o 14º lugar não faz jus à qualidade (superior) que o Nacional da Madeira de Tiago Margarido apresentou ao longo da época. Os insulares, que na próxima temporada voltarão a contar com o rival Marítimo na Liga Portugal, sofreram menos golos do que 6 das sete equipas dos lugares imediatamente acima; e marcaram mais do que Santa Clara, Rio Ave e Alverca.
    A 3ª época de Tiago Margarido (merece que um clube do Top-10 aposte nele) no clube ficou marcada pelos muitos golos (18) do venezuelano Chuchu Ramírez, pelas muitas defesas do guardião Kaique e pela boa dupla de centrais formada por Zé Vitor e Léo Santos.
    Num 4-3-3 sempre bem organizado, e com o ataque protegido por Matheus Dias, não é um acaso o facto do Nacional ter perdido a maioria dos jogos (4 em 6) com os três grandes por apenas um golo de diferença.
    2026/ 27 representará desde logo o desafio de João Gião (ex-Sporting B) provar ser um técnico do patamar de Margarido, e há que encontrar quem substitua a veia goleadora de Chuchu, que muito provavelmente rumará a outras paragens.

Destaques: Chuchu Ramírez, Zé Vitor, Kaique, Matheus Dias, Léo Santos

 ESTRELA DA AMADORA (15)

    Ao cair do pano. A salvação do Estrela da Amadora foi um dos momentos mais emotivos da última jornada: em Braga, o clube parecia destinado a disputar o play-off de promoção/despromoção com o Torreense, mas um golo do central Lekovic ao 6º minuto do tempo de compensação garantiu a manutenção, um cenário que se foi tornando mais e mais uma hipótese à medida que o Estrela perdeu de forma sucessiva todos os jogos entre as jornadas 28 e 32. O desempate com o Casa Pia (ambos com 30 pontos) fez-se no confronto direto - o Estrela goleara em casa (4-0) e vencera fora (3-5) num jogo com hat-trick de Sidny Lopes Cabral.
    O ala cabo-verdiano foi, por larga margem, o grande destaque individual da época do Estrela, acabando por rumar ao Benfica, onde não conquistou o seu espaço. A sua saída por 6 milhões, conjugada com a transferência de Kikas para o futebol belga, retirou muito golo à equipa, aumentando as responsabilidades de Abraham Marcus e Jovane Cabral, que nem sempre corresponderam.
    Bacci orientou a equipa nos 3 jogos finais, e este Estrela acaba por merecer a estrelinha que teve no último minuto da competição. Capaz de jogar olhos nos olhos com Braga ou Famalicão, fica a lição para um emblema que tem vendido a meio da época bons valores como Tiago Gabriel ou Sidny Cabral: segurá-los para lá de Janeiro pode garantir menos sofrimento e crises de nervos na segunda volta.

Destaques: Sidny Cabral, Abraham Marcus, Jovane Cabral, Bernardo Schappo

 CASA PIA (16)
    Entre 

Destaques: Gaizka Larrazabal, Jérémy Livolant, David Sousa, Cassiano

 TONDELA (17)

    Campeão na Liga 2 Meu Super sob o comando técnico de Luís Pinto (mudou-se para Guimarães, venceu a Allianz Cup mas acabou despedido), o Tondela só durou uma temporada na piscina dos grandes. Sempre com Estrela, Casa Pia, Nacional, Santa Clara e Rio Ave nas proximidades, a equipa de Viseu não conseguiu como outros descolar na parte final, acabando por descer.
    De má memória para águias (0-0) e leões (um 2-2 chocante em Alvalade, com o Tondela a marcar aos 90+2 e 90+6), no Tondela foi destaque superlativo o guarda-redes Bernardo Fontes, que tudo indica regressará a Braga para assumir a baliza após a saída do checo Hornicek. Difícil esquecer aquela monstruosa exibição, com 12 defesas contra o Sporting na primeira volta.
    Entre os 3 treinadores (Ivo Vieira, Cristiano Bacci e Gonçalo Feio), Feio foi aquele que marcou mais pontos. Mas não deve continuar. Individualmente, além de Bernardo, nota para o central colombiano Medina e para Maranhão, talvez o jogador de campo que conseguiu manter de forma mais consistente o rendimento que tivera na Liga 2.

Destaques: Bernardo Fontes, Brayan Medina, Pedro Maranhão

 AFS (18)

    Uma descida anunciada desde o primeiro dia. 
    O AVS ou AFS, já nem sabemos como lhes chamar, teve 3 treinadores ao longo da época (4 se contabilizarmos o joguinho que Fábio Espinho fez na transição de José Mota para João Pedro Sousa) e curiosamente só começou a jogar à bola quando a descida já era um dado praticamente certo. Volvidas 28 jornadas, a equipa de Vila das Aves tinha 11 pontinhos, mas a reta final acabou por incluir algumas alegrias - os pupilos de João Henriques estiveram invictos nos 6 jogos finais, e acabaram por ser uma das duas únicas equipas a derrotar (3-1) o campeão FC Porto.
    No geral, o AFS sofreu mais golos do que todos os outros (67), foi a par do Tondela o pior ataque (27) e, salvo o esclarecido centro-campista Pedro Lima e algumas boas exibições de Adriel na baliza, pouco há a guardar deste conjunto.

Destaques: Pedro Lima, Adriel Ramos