Este Porto não deslumbrou no ataque (66 golos marcados é o pior registo ofensivo de um campeão desde 20/ 21, primeiro título de Ruben Amorim no Sporting) mas diz-se que são as defesas que ganham campeonatos e aquele triângulo Diogo Costa - Bednarek - Kiwior foi ouro. Com ótimo trabalho de casa nas bolas paradas e gosto em pressionar em equipa, deixando os adversários permanentemente desconfortáveis, o FC Porto foi melhor e, mesmo que perca craques como Froholdt e Diogo Costa, pode inclusive tornar-se ainda melhor em 26/27. Este dragão sabe construir uma equipa e o scouting já há-de ter bem identificados mais Froholdts e Pietuszewskis. E, se não for pedir muito, que se reduzam os bate-bocas entre Villas-Boas e Varandas no futuro.
Bicampeão em 2024 e 2025, o Sporting não conseguiu o objetivo "tri". Os leões chegaram ao Top-8 da Liga dos Campeões, vendendo cara a derrota (0-1 no somatório das duas mãos) perante o campeão inglês Arsenal, e guardando no baú das memórias a vitória perante o PSG e aquela reviravolta histórica diante dos noruegueses do Bodo/Glimt. Em solo nacional, o Jamor foi amargura diante do Torreense, e na Liga de pouco serve o estatuto de equipa com processo ofensivo mais atraente e ataque mais concretizador (89 golos). Este Verão deve marcar uma mudança de ciclo em Alvalade, saindo quem marcou o passado recente leonino, e chegando novos talentos (Zalazar promete).
Na Luz, não houve derrotas. O Benfica somou 23 vitórias e 11 empates em 34 jornadas, mas José Mourinho foi pior do que o seu antecessor Bruno Lage em quase tudo: de 2º passou para 3º, de vencedor da Allianz Cup passou para mero semi-finalista, de finalista vencido na Taça de Portugal passou para eliminado nos quartos, e dos oitavos da Champions passou para derrotado na ronda anterior, o Playoff. O Benfica regrediu, numa temporada em que os seus sócios tiveram a oportunidade de desbravar um novo caminho, mas preferiram confiar na incompetência. Em campo, foi diante do Real Madrid que as águias viveram o seu apogeu emocional (Trubin!) e o seu pesadelo reputacional (Prestianni e as acusações racismo). Seria uma pena o futebol português dizer adeus a Schjelderup, que nem meio ano teve em modo endiabrado.
O Braga teve 2 dos melhores jogadores do campeonato, as equipas-sensação foram Gil Vicente, Moreirense e Alverca, podendo-se sublinhar uma anomalia (positiva): ao longo dos vários meses de competição, dos 12 primeiros classificados apenas o Benfica e o Vitória trocaram de treinador.
2025/ 2026 foi a energia inesgotável de Froholdt, os golos de diversos feitios de Luis Suárez, foi o Dragão a apaixonar-se pela Polónia, foram as luvas de Diogo Costa e Hornicek, foi Zalazar a oferecer um golo a Ricardo Horta, e Horta a retribuir logo depois para o uruguaio. Foram as oportunidades criadas por Trincão e João Carvalho, e os cantos de régua e esquadro de Gabri Veiga. Foi a perfeição de Aursnes e Hjulmand. Foi a última vez de muitos craques nos nossos relvados. Mas outros virão.
Acompanhem-nos então neste balanço final, que analisa em detalhe as 18 equipas da Liga portuguesa, procurando determinar o que correu bem, o que correu mal, quem se destacou e quem desiludiu:
Veni, vidi, vici. Quando Francesco Farioli foi anunciado como treinador do Porto, muitos ficaram de pé atrás - tirando Roger Schmidt, os treinadores bem sucedidos em Portugal nos últimos anos eram todos portugueses (o dogma de que "é preciso conhecer o futebol português" perde-se quando tantas equipas mudam quase tudo a cada ano que passa) e o italiano vinha de Amesterdão com a má fama de que tinha deixado escapar o título na reta final. Sim, esse Ajax podia ter sido campeão, mas nessa Eredivisie fora primeiro o PSV a deixar escapar uma brutal vantagem, ignorando a visão de fora e a análise desinformada o salto que o Ajax dera com Farioli (não é à toa que antes desse 2º lugar foi 5º, e esta época voltou a ser 5º) e a muito maior obrigação que o PSV tinha de se sagrar campeão.
Com todos os decisores a pensarem futebol da mesma maneira, o Porto revolucionou o seu 11 titular, transformando uma equipa onde só Rodrigo Mora fazia alguma coisa numa equipa profissional, taticamente afinada, combativa e, ironia das ironias, na qual Mora passou a não encaixar.
O campeão FC Porto deu uma masterclass de mercado de transferências - no Verão, promoveu um encontro polaco entre os centrais Bednarek e Kiwior, antecipou-se a toda a gente ao "descobrir" Froholdt na Dinamarca, enganou bem a Juventus numa troca entre Alberto e João Mário, tudo isto depois de já ter resgatado Gabri Veiga (estreou-se pelo Porto ainda no Mundial de Clubes com Anselmi) do futebol saudita. Audaz na composição do plantel, o Porto percebeu a importância de adicionar jogadores muito úteis como Pablo Rosario e Fofana, líderes de balneário como de Jong e Thiago Silva, e voltou a fazer das suas ao "sacar" o prodígio Pietuszewski a meio da temporada.
A superioridade do Porto foi incontestável. Os dragões foram mestres a conceder poucas oportunidades (ao fim de 19 jornadas, tinham apenas 4 (!) golos sofridos e levavam 18 vitórias) e, embora os adeptos queiram mais golos, vertigem e risco, percebeu-se a preocupação e o conservadorismo de Farioli em privilegiar o controlo, refrescando fisicamente (brutal a diferença de gestão física entre Farioli e Rui Borges) mas mantendo a equipa coesa, sem se expor.
A personalidade deste Porto viu-se logo à 4ª jornada em Alvalade, viu-se na primeira parte na Luz e viu-se também na reação em Braga. Quase sempre, foi o Porto a levar os jogos para onde quis, forçando os adversários a adaptar-se e a reagir.
Com o sacrifício do talento de Rodrigo Mora a ser uma nota negativa, este Porto foi a segurança de Diogo Costa, a sintonia e complementaridade de Bednarek e Kiwior, foi os cantos de Gabri Veiga, a polivalência de Rosario, os golos de Samu, os golaços de William Gomes e o atrevimento de Oskar Pietuszewski. E, claro, foi a energia contagiante de um jovem de 20 anos de Copenhaga, preponderante no seu meio-campo e no meio-campo adversário.
O FC Porto está bem, sabe para onde vai e o seu scouting deve continuar a dar cartas. Os rivais têm muito para pedalar para reduzir distâncias.
Destaques: Victor Froholdt, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Diogo Costa, Oskar Pietuszewski
SPORTING (2) Não houve tricampeonato. O Sporting entrou nesta época com um enorme ponto de interrogação: como consegue uma equipa manter o altíssimo nível depois de perder um jogador que valia aproximadamente 50 golos por época? A novela da transferência de Viktor Gyökeres para o Arsenal foi longa, mas nem foi pela substituição direta do sueco que o Sporting falhou os seus objetivos. Lá iremos.
Com um ótimo desdobramento ofensivo (nenhuma equipa atacou e combinou de "olhos fechados" como os leões), o Sporting não teve problemas em desmontar os pequenos. Foram várias as vezes em que marcou 6, 5 ou 4 por jogo. O problema esteve mesmo nos jogos cabeça-de-cartaz: em 18 pontos em disputa contra Porto, Benfica e Braga, os leões somaram 4 pts, não vencendo qualquer jogo.
Com a certeza de que Rui Borges vai começar 26/ 27 com zero margem de erro, o Sporting deve guardar desta temporada a memória da melhor Liga dos Campeões do clube, e procurar esquecer a humilhante final da Taça contra o Torreense.
Com o contributo de Amorim e Viana cada vez mais distantes, a prospecção terá que fazer melhor na próxima época - nesta, só Luis Suárez (melhor marcador da Liga com 28 golos) foi verdadeiramente um reforço - sobretudo se tivermos em conta que o Verão de 2026 pode representar fim de ciclo para jogadores super influentes como Hjulmand, Pedro Gonçalves, Trincão, Maxi Araújo ou Diomande, sem contar com as saídas confirmadas de Quenda e Morita.
Entre lesões para todos os gostos e o desacerto do mercado de Janeiro (com 2 ou 3 jogadores que viessem para acrescentar a reta final poderia ter sido diferente), o Sporting viveu da fome de golos de Suárez, da criatividade e imaginação do sempre titular Trincão, da explosividade de Maxi e da estabilidade do capitão Hjulmand, um atleta que deixará saudades em Alvalade e causará o alívio dos oponentes.
Tudo somado, o 2º lugar foi um mal menor, permitindo um twist na Luz e o amigo Aston Villa a entrada direta na fase de grupos da próxima Champions.
Destaques: Luis Suárez, Francisco Trincão, Morten Hjulmand, Maxi Araújo, Pedro Gonçalves
#Invencíveis. Na descrição da novela malfadada que se escreveu na Luz esta temporada, talvez o mais recomendável seja começar com aquele momento Trubin: um 4-2 ao Real Madrid, com o guarda-redes ucraniano de 1,99m a garantir a passagem dos encarnados à fase seguinte da mais prestigiante competição de clubes. O Benfica foi notícia em todo o mundo, o Benfica foi - por um momento - feliz.
Tudo o resto, esteve longe de ser feliz. A época começou com a especialidade da casa - um treinador foi mantido no cargo para lá do seu tempo de vida recomendável, ajudou a planear e decidir tudo, e ao primeiro desaire foi embora. Quando Bruno Lage saiu, Rui Costa definiu o perfil do treinador sucedâneo como "vencedor". Desejo concretizado: José Mourinho foi a cartada que fez ganhar eleições, com recorde de Guinness e duas voltas mediáticas a ditarem que 65% de sócios votantes - com medo de um novo Vale e Azevedo, inconscientes de que o novo Vale e Azevedo já está há vários anos no clube - quiseram que tudo continuasse igual. E, surpresa, tudo continuou igual.
O Special One foi bem-sucedido na sua operação de charme na chegada à Luz: foi político, foi (como sempre foi e será) eficaz comunicador, mas muitas foram as incoerências entre as palavras de Mourinho e as suas ações (exemplos: ter um fraquinho por Gonçalo Moreira, mas tão fraquinho que lhe valeu apenas 1 minuto de jogo; ou toda a gente ter esquecido que os encarnados derrotaram o Real por 4-2 depois de Mourinho ter dito na conferência de antevisão "se gostaria de jogar como vamos jogar, diria não"). A sua passagem não ter resultado em troféus surpreende? Não, porque só venceu 1 troféu nos últimos 8 anos. O iminente divórcio surpreende? Qb, porque o plano A parecia ser a Seleção, não fosse uma porta mais apetecível se ter aberto. As queixas em todas as direções surpreenderam? Não, porque Mourinho tem sido isto, um dedo apontado para si nas cada vez mais raras vitórias, e as culpas postas nos outros (jogadores, arbitragem, etc) quando as coisas não correm como planeado.
Apesar de não ter perdido qualquer jogo (somando, no entanto, 11 empates, na sua maioria em casa), o Benfica vive um profundo problema de identidade e cultura organizacional, onde a autoanálise e a assunção do erro não existem, onde uma (gravíssima) acusação de racismo se transformou num circo mediático descontrolado, com sérios danos reputacionais, por incompetência e insensibilidade de quem não sabe o que dizer e quando dizer, tão obcecado em "safar-se", preferindo inclusive marginalizar Sidny Cabral a pôr a hipótese de Prestianni ter sido, eventual e alegadamente, culpado. Há que acabar com o Benfica cringe que oferece prémios de homem do jogo a árbitros e publica nas redes golos que não contaram. Um Benfica com voz não é um Benfica com uma voz qualquer.
Em campo, Aursnes foi Aursnes (e Ríos foi melhor quando teve o porto de abrigo norueguês na sua órbita), Schjelderup explodiu em 2026 (um bis ao Real Madrid abortou a sua transferência para a Bélgica) e Pavlidis perdeu gás sobretudo a partir do momento em que alguém achou boa ideia fazer regressar Rafa - um 2 em 1 que piorou Pavlidis e abafou os primeiros bons sinais que finalmente surgiam de Sudakov. Entre flops (Lukebakio ou Enzo) e jogadores que podem dar muito mais se forem bem aproveitados (Ivanovic e Sudakov), os encarnados terminaram a época sem saber muita coisa: não se sabe quando Mourinho sai, não se sabe quem é o próximo treinador, não se sabe que jogadores vão sair e que jogadores vão entrar. Haver Mundial ajuda a mascarar tudo isto, mas haver 6 jogos para entrar na Liga Europa e uma pré-época que começa durante a fase de grupos do Mundial desajuda.
Há uma coisa que o Benfica sabe: entre 12/13 e 18/19 o Benfica ganhou 5 campeonatos em 7; nos últimos 7 anos, ganhou 1, o Porto 3 e o Sporting 3. E não se perde tanto por obra do acaso.
Destaques: Fredrik Aursnes, Andreas Schjelderup, Vangelis Pavlidis, Samuel Dahl, Leandro Barreiro
BRAGA (4)É complexo avaliar o Braga 2025/ 2026. Apesar de cumprido o objetivo mínimo interno (4º lugar) este quarto lugar foi alcançado com 59 pontos, o pior registo do clube nos últimos 9 anos. Quando a ambição deveria ser encurtar distâncias para Porto, Sporting e Benfica, o Braga acentuou o fosso, terminando a apenas 3 pontos do Famalicão, e tendo já vendido um dos melhores jogadores ao Sporting. Se quisermos ver o copo meio vazio, falta acrescentar a final da Taça da Liga: na final four o Braga atropelou o Benfica na meia-final, mas acabou derrotado pelo grande rival Vitória a 10 de Janeiro.
Vejamos então o copo meio cheio. Se internamente a coisa foi questionável, na Europa o Braga foi enorme. Semi-finalista da Liga Europa - conseguiria chegar à final se Dorgeles não tivesse sido expulso logo aos 7 minutos da segunda mão? - o Braga realizou uma campanha muito longa, ajudando o ranking de Portugal ao longo de 20 jogos (6 deles de qualificação) e derrotando Feyenoord, Celtic, Nottingham Forest, Nice ou Bétis. O espanhol Carlos Vicens acabou por ser uma aposta ganha, compreendendo-se as experiências e afinações que foi fazendo até encontrar e estabilizar num 11 e numa disposição das peças com harmonia.
O melhor jogador da História do clube, Ricardo Horta, voltou a fazer uma época de excelência, desta vez acompanhado por um uruguaio permanentemente endiabrado. Rodrigo Zalazar marcou, criou, desequilibrou e o mais provável é que continue a fazer o mesmo, desta feita de verde e branco. Seguramente será impossível segurar Hornicek (ai do Braga que venda em saldos um guarda-redes desta categoria!) merecendo ainda um elogio a longevidade de João Moutinho, nuestros hermanos Pau Víctor e Víctor Gómez, e o espaço que Gorby foi conquistando pode também justificar Diego Rodrigues num futuro próximo.
Destaques: Rodrigo Zalazar, Ricardo Horta, Lukás Hornícek, Pau Víctor, Víctor Gómez
FAMALICÃO (5) Melhor classificação de sempre na I Liga. Desde que se estabeleceu no primeiro escalão de forma ininterrupta (19/20), o Famalicão fora 6º, 9º, três vezes consecutivas 8º, 7º e agora... quinto. O recorde absoluto não nasce do acaso: Hugo Oliveira deu sequência ao trabalho iniciado na temporada anterior, e a esmagadora maioria dos jogadores já estavam no clube. E que diferença faz uma equipa em Portugal não ter que reconstruir tudo do zero a cada ano!
Invicto da jornada 23 à 34, uma sequência onde registou 6 vitórias e onde empatou 2-2 contra o Porto, 2-2 contra o Braga e 2-2 contra o Benfica, o Famalicão merecia mesmo disputar a UEFA Conference League 2026/ 27. Mas aconteceu um pequeno milagre chamado Torreense, e os planos saíram furados a muita gente.
Individualmente, é notável como quase não se fizeram notar a lesão grave de um predestinado como Aranda e a saída precoce do talentoso Zabiri para o Rennes. Vila Nova de Famalicão foi a casa de um guarda-redes (Carevic) que acumulou 17 jogos sem qualquer golo sofrido, de uma dupla de centrais (sorte de quem contratar Ibrahima Ba!) super competente, daquele que foi para nós o melhor lateral direito desta edição (Rodrigo Pinheiro) e, claro está, de Gustavo Sá e Mathias de Amorim, dois médios portugueses de 21 anos que tinham lugar no plantel de qualquer um dos 3 grandes.
Destaques: Lazar Carevic, Rodrigo Pinheiro, Ibrahima Ba, Mathias De Amorim, Gustavo Sá
GIL VICENTE (6) Que belo futebol praticou este Gil Vicente! A regressar à excelência de 21/ 22 (época de Samuel Lino, Pedrinho, Fran Navarro e Kritciuk), os galos foram um exemplo de tudo bem feito. César Peixoto teve finalmente um voto de confiança para desenvolver a sua ideia, e a matriz inegociável de um 4-3-3 destemido, incapaz de se curvar perante qualquer adversário, com saída apoiada e processos bem trabalhados foi uma constante ao longo dos vários meses de competição.
Sete vitórias nas primeiras 10 jornadas, com uma derrota pelo meio na Luz onde o Gil foi quem se comportou como verdadeira "equipa grande" no relvado, geraram embalo, embora uma volumosa sequência de empates tenha quebrado um pouco a moral. Janeiro retirou de Barcelos o ponta de lança Pablo (West Ham) e o guardião Andrew (Flamengo) mas a equipa demonstrou personalidade e reagiu às saídas de 2 jogadores fundamentais: Murilo e Gustavo Varela acabaram por, a espaços, preencher a fatia de golos perdida com a saída do filho de Pena para Inglaterra.
Além de certificar Peixoto como capacitado para uma experiência com outras responsabilidades e ainda maior qualidade (jogadores) ao seu dispor, este Gil foi sinónimo de equilíbrio nos vários setores (Elimbi-Buatu formam uma boa dupla, e não é à toa que Konan é internacional A pela Costa do Marfim) com o miolo a marcar em particular esta edição. O menos estridente mas eficiente Cáseres, o organizador de jogo Luís Esteves e o trator Santi García formaram um trio de médios que deu sempre gosto ver jogar.
Destaques: Pablo, Luís Esteves, Santi García, Andrew, Ghislain Konan
Uma das equipas sensação da temporada, a oficializar as boas sensações que Vasco Botelho da Costa já deixara em todas as etapas anteriores do seu percurso.
Com jogos transmitidos na TVI ou no V+, a equipa de Moreira de Cónegos - prima afastado do Bournemouth, via Black Knight - manteve-se sempre mais próxima dos lugares europeus do que da cauda da tabela, numa overperformance (não seria expectável uma equipa com 11º melhor ataque e 9ª melhor defesa terminar em sétimo) que não surpreende se considerarmos o impacto de Vasco BDC a partir do banco, tanto na preparação dos jogos como na análise ao desenrolar de cada trecho de 90 minutos.
Órfãos dos golos de Schettine a meio da viagem e sem contar com o preponderante lateral Dinis Pinto de Março para cá, os cónegos mantiveram-se sérios, embora seja inequívoco que o balão de oxigénio gerado no início do campeonato (5 vitórias nas 7 primeiras rondas) ajudou e muito.
Emprestado pelo Sporting e entretanto anunciado como reforço do Braga, Diogo Travassos marcou pontos a extremo e a lateral, Alanzinho deu como sempre um ar da sua graça, e o central Maracás (4 golos) apareceu em momentos decisivos.
Será esta a casa de Vasco Botelho da Costa em 26/ 27 ou estará no horizonte imediato um novo desafio e projeto para o jovem treinador de 37 anos?
Destaques: Diogo Travassos, Dinis Pinto, Alan, Guilherme Schettine, Maracás
AROUCA (8) A época do Arouca conta-se através de duas voltas muitíssimo diferentes. Nas primeiras 17 jornadas, o Arouca de Vasco Seabra somou 14 pontos (16º lugar) e, nesse contexto, muitas seriam as direções a optar por mudar de treinador e fazer reset durante o mês de Janeiro. O Arouca confiou no treinador luso de 42 anos e a segunda volta foi a dobrar - o Arouca somou 28 pontos, sendo durante esse período a 6ª melhor equipa do campeonato, a 4 pontos do Braga e a 5 do Famalicão.
Ficar em oitavo não é estranho para um clube que em 2024 foi 7º e em 2023 foi 5º, mas acaba por surpreender um pouco pela capacidade deste elenco homogéneo ter mascarado a ausência de um jogador diferenciado, como anteriormente Mújica, Cristo, Jason ou André Silva.
Tiago Esgaio, Trezza, Fukui, Djouahra e Barbero dividiram entre si os méritos numa campanha onde não é indiferente o efeito positivo e a confiança gerados pelo regresso de Arruabarrena a Aveiro.
Destaques: Tiago Esgaio, Taichi Fukui, Alfonso Trezza, Naïs Djouahra, Iván Barbero
VIT. GUIMARÃES (9) O ponto alto da temporada do Vitória aconteceu indiscutivelmente numa competição marginal. Na Allianz Cup, o clube da cidade berço festejou o seu 3º troféu no futebol sénior. Nos quartos os vimaranenses eliminaram o FC Porto (que em Dezembro parecia absolutamente invencível) em pleno Dragão, derrotando o Sporting nas meias na final four, com o senegalês Ndoye a ser herói aos 90+2 e 90+11, e a repetir a importância ao marcar o golo da vitória na final (2-1) diante do grande rival Sporting de Braga.
Luís Pinto deu, como Rui Vitória em 12/ 13, um troféu ao palmarés do clube, mas nem isso foi suficiente para preservar o seu lugar, sendo trocado por Gil Lameiras depois da jornada 25. À data, o Vitória esteve em nono... e foi igualmente em 9º que acabou.
A demissão de António Miguel Cardoso poderá, quiçá, traduzir-se em maior estabilidade num clube que tem tido pouca paciência com os seus técnicos. Ao contrário de outras temporadas, foram poucos os destaques individuais: os meninos Saviolo e Camara mostraram potencial, Beni multiplicou-se em ações defensivas, Gustavo Silva voltou a ficar aquém dos golos que podia marcar num habitat mais sustentável, e o veterano Samu acabou por ser o atleta com maior rendimento médio.
Destaques: Samu, Gustavo Silva, João Mendes, Beni, Noah Saviolo
ESTORIL (10) Este Estoril faz bem ao futebol português. Liderados pelo sempre agradável Ian Cathro, um escocês cada vez mais português, os canarinhos foram a única equipa além de Sporting, Benfica, Porto e Braga a passar a marca dos 50 golos marcados, acabando com 54. Apesar do Abril e Maio para esquecer, o Estoril foi uma das equipas com mais qualidade técnica da Liga, frustrando no entanto a total imprevisibilidade nos desempenhos - no começo do ano, tanto marcaram 13 golos num espaço de 3 jogos ganhos como logo depois empataram com o Tondela e perderam com o AFS.
Foram 6 as vezes que o Estoril marcou 4 ou mais golos, e muitos deles (20) foram de Yanis Begraoui, um dianteiro marroquino que deve neste momento colecionar clubes interessados nos seus serviços. O camisola 14 foi sempre bem acompanhado pelo maestro João Carvalho (melhor época da carreira), com os pés esquerdos de Holsgrove e Guitane a acrescentarem qualidade e a defesa a ter em Bacher e Ferro os seus melhores representantes.
Palavra final para Luís Miguel Afonso Fernandes, Pizzi, que terminou a carreira, ele que foi um dos jogadores mais consistentes no futebol português na última década.
Destaques: Yanis Begraoui, João Carvalho, Felix Bacher, Ferro, Jordan Holsgrove
Ao contratar mais de 30 jogadores, o desafio do Alverca neste regresso ao primeiro escalão era claro: formar uma equipa do zero. Com uma média de idades de 23 anos, o jovem Alverca de Custódio Castro passou o exame com distinção, acabando a meio da tabela mas não tão longe assim do 7º lugar.
Com tiques de Famalicão no perfil de jogadores privilegiado, a equipa ribatejana foi o ecossistema certo para o crescimento dos emprestados Naves, Marezi ou André Gomes, bem como de outros jovens valores como Figueiredo, Touaizi ou Meupiyou. Acima de todos, a comprovar que o modelo a seguir é o atual este Alex Amorim - o médio brasileiro de 20 anos, um jogador muito acima da média, foi recrutado ao Fortaleza por 310 mil euros e vendido ao fim de meio ano ao Génova por 7 milhões e meio. Fica a ideia que os grandes portugueses se deixaram dormir...
É sabido que Custódio não continuará, mas convém que alguns jogadores continuem no clube que tem Vinícius Júnior como coproprietário acionista. Será diferente para o próximo treinador trabalhar a partir de uma base, ao invés de recomeçar tudo do zero com novo camião de jogadores.
Destaques: Alex Amorim, Naves, Figueiredo, Nabil Touaizi, Marezi
Os helénicos vila-condenses provaram que, em Portugal, com o nível que nos últimos anos as 3 ou 4 piores equipas de cada edição têm por regra apresentado, basta a uma equipa instável conseguir somar 4 vitórias num espaço de 5 jogos e a coisa está safa. O Rio Ave manteve sempre a confiança em Sotiris Sylaidopoulos, mas o quadro esteve negro: jornada 24, apenas 21 pontos, dois a mais do que o penúltimo classificado. E subitamente, cinco jornadas depois, o Rio Ave estava em 11º lugar, com (bem) maior margem de erro.
O 12º posto acabou por ser a classificação final de uma equipa que jamais teria que sofrer "tanto" se tivesse preservado Clayton e André Luiz toda a temporada. A dupla brasileira mudou-se para o Olympiacos, um dos outros clubes do temperamental proprietário Evangelos Marinakis, mas nas 19 jornadas em que cá estiveram foram dos melhores nas suas posições: Clayton saiu com 10 golos e 5 assistências, e André Luiz (chegou a ser associado ao Benfica) com 7+5.
Além dos craques da primeira volta, há a destacar o ótimo registo de Blesa (7 golos em 13 jogos) e, como já é hábito, a contributo sempre certinho do lateral-direito Vrousai.
Destaques: Clayton, André Luiz, Marious Vrousai, Jalen Blesa
Nos Açores, a época pode-se dividir em duas: antes de Petit e depois de Petit. Quinto classificado no ano passado, o Santa Clara apresentou-se irreconhecível com Vasco Matos - o técnico deixou a equipa à 20ª jornada no 16º lugar, com 17 pontos e apenas 4 vitórias. Petit, normalmente subvalorizado, ressuscitou o bom comportamento defensivo que caracterizara os açorianos quando foram uma das equipas sensação da prova, e o objetivo da manutenção acabou por ser alcançado com alguma naturalidade e sem necessidade de acabar com a calculadora a mão ou, numa versão dos tempos modernos, com o FotMob ou Sofascore na mão.
Sem grandes destaques individuais (Gabriel Silva e Serginho foram quem, mesmo assim, apresentou um rendimento mais satisfatório), os capítulos mais intensos do Santa Clara esta época viveram-se nas receções ao Sporting - para a Liga e para a Taça de Portugal - com muita polémica e razões de queixa.
Destaques: Gabriel Silva, Serginho, Vinícius Lopes, Paulo Victor
Muito sumariamente, o 14º lugar não faz jus à qualidade (superior) que o Nacional da Madeira de Tiago Margarido apresentou ao longo da época. Os insulares, que na próxima temporada voltarão a contar com o rival Marítimo na Liga Portugal, sofreram menos golos do que 6 das sete equipas dos lugares imediatamente acima; e marcaram mais do que Santa Clara, Rio Ave e Alverca.
A 3ª época de Tiago Margarido (merece que um clube do Top-10 aposte nele) no clube ficou marcada pelos muitos golos (18) do venezuelano Chuchu Ramírez, pelas muitas defesas do guardião Kaique e pela boa dupla de centrais formada por Zé Vitor e Léo Santos.
Num 4-3-3 sempre bem organizado, e com o ataque protegido por Matheus Dias, não é um acaso o facto do Nacional ter perdido a maioria dos jogos (4 em 6) com os três grandes por apenas um golo de diferença.
2026/ 27 representará desde logo o desafio de João Gião (ex-Sporting B) provar ser um técnico do patamar de Margarido, e há que encontrar quem substitua a veia goleadora de Chuchu, que muito provavelmente rumará a outras paragens.
Destaques: Chuchu Ramírez, Zé Vitor, Kaique, Matheus Dias, Léo Santos
Ao cair do pano. A salvação do Estrela da Amadora foi um dos momentos mais emotivos da última jornada: em Braga, o clube parecia destinado a disputar o play-off de promoção/despromoção com o Torreense, mas um golo do central Lekovic ao 6º minuto do tempo de compensação garantiu a manutenção, um cenário que se foi tornando mais e mais uma hipótese à medida que o Estrela perdeu de forma sucessiva todos os jogos entre as jornadas 28 e 32. O desempate com o Casa Pia (ambos com 30 pontos) fez-se no confronto direto - o Estrela goleara em casa (4-0) e vencera fora (3-5) num jogo com hat-trick de Sidny Lopes Cabral.
O ala cabo-verdiano foi, por larga margem, o grande destaque individual da época do Estrela, acabando por rumar ao Benfica, onde não conquistou o seu espaço. A sua saída por 6 milhões, conjugada com a transferência de Kikas para o futebol belga, retirou muito golo à equipa, aumentando as responsabilidades de Abraham Marcus e Jovane Cabral, que nem sempre corresponderam.
Bacci orientou a equipa nos 3 jogos finais, e este Estrela acaba por merecer a estrelinha que teve no último minuto da competição. Capaz de jogar olhos nos olhos com Braga ou Famalicão, fica a lição para um emblema que tem vendido a meio da época bons valores como Tiago Gabriel ou Sidny Cabral: segurá-los para lá de Janeiro pode garantir menos sofrimento e crises de nervos na segunda volta.
Destaques: Sidny Cabral, Abraham Marcus, Jovane Cabral, Bernardo Schappo
Entre
Destaques: Gaizka Larrazabal, Jérémy Livolant, David Sousa, Cassiano
Campeão na Liga 2 Meu Super sob o comando técnico de Luís Pinto (mudou-se para Guimarães, venceu a Allianz Cup mas acabou despedido), o Tondela só durou uma temporada na piscina dos grandes. Sempre com Estrela, Casa Pia, Nacional, Santa Clara e Rio Ave nas proximidades, a equipa de Viseu não conseguiu como outros descolar na parte final, acabando por descer.
De má memória para águias (0-0) e leões (um 2-2 chocante em Alvalade, com o Tondela a marcar aos 90+2 e 90+6), no Tondela foi destaque superlativo o guarda-redes Bernardo Fontes, que tudo indica regressará a Braga para assumir a baliza após a saída do checo Hornicek. Difícil esquecer aquela monstruosa exibição, com 12 defesas contra o Sporting na primeira volta.
Entre os 3 treinadores (Ivo Vieira, Cristiano Bacci e Gonçalo Feio), Feio foi aquele que marcou mais pontos. Mas não deve continuar. Individualmente, além de Bernardo, nota para o central colombiano Medina e para Maranhão, talvez o jogador de campo que conseguiu manter de forma mais consistente o rendimento que tivera na Liga 2.
Destaques: Bernardo Fontes, Brayan Medina, Pedro Maranhão
Uma descida anunciada desde o primeiro dia.
O AVS ou AFS, já nem sabemos como lhes chamar, teve 3 treinadores ao longo da época (4 se contabilizarmos o joguinho que Fábio Espinho fez na transição de José Mota para João Pedro Sousa) e curiosamente só começou a jogar à bola quando a descida já era um dado praticamente certo. Volvidas 28 jornadas, a equipa de Vila das Aves tinha 11 pontinhos, mas a reta final acabou por incluir algumas alegrias - os pupilos de João Henriques estiveram invictos nos 6 jogos finais, e acabaram por ser uma das duas únicas equipas a derrotar (3-1) o campeão FC Porto.
No geral, o AFS sofreu mais golos do que todos os outros (67), foi a par do Tondela o pior ataque (27) e, salvo o esclarecido centro-campista Pedro Lima e algumas boas exibições de Adriel na baliza, pouco há a guardar deste conjunto.
Destaques: Pedro Lima, Adriel Ramos




