9 de junho de 2026

Mundial 2026: Previsão Grupo G

A análise aos 12 grupos que formam o maior campeonato do mundo de sempre continua. 48 equipas e 1.248 jogadores lutarão nos EUA (78 jogos), no México (13) e no Canadá (13) para erguer no dia 19 de Julho o troféu mais cotado da modalidade. À boa maneira americana, com uma atração incontrolável pelas grandezas, o Mundial 2026 terá 104 jogos, o que representa um aumento de 40 partidas em relação às 64 de formatos anteriores.
    Com jogos desde as 17 ou 18 horas (hora portuguesa) até, em alguns casos, às nossas cinco da manhã, preparem-se os bravos dispostos a ver toda a competição, porque além da sujeição ao fuso horário, podemos esperar jogos interrompidos ou adiados umas horas (o Mundial de Clubes de 2025 serviu de tubo de ensaio), o que poderá impedir o adepto que estiver a ver um Áustria-Jordânia iniciado às 5h, de se deitar às 7h da manhã como pretendido. Em campo, as temperaturas podem fazer suar (para lá do expectável) os corpos menos acostumados, e a alta carga de jogos acumulados por muitos jogadores pode traduzir-se, em muitos casos, num ritmo mais baixo e numa tentativa de através do controlo "abafar" correrias e jogos partidos. Basicamente, se és jogador, boa notícia se o jogo é em Los Angeles ou Vancouver, má notícia se vais jogar em Miami, Dallas ou Monterrey.
    Nestes 12 artigos, propomos um olhar global sobre cada grupo. Vamos puxar a cassete atrás e recordar o caminho da qualificação de cada uma das equipas, identificar forças e fraquezas de cada seleção, projetar os onzes iniciais - e que variantes ou nuances podem surgir ao longo do próximo mês, sendo quase certo que as equipas que vão chegar mais longe serão as que vão "aprender" mais sobre si próprias, sobre as outras, e ajustar na medida certa. Iremos tentar lançar até que fase pode chegar cada uma das seleções (um exercício ultra falível quando há o fator adicional de encontrar os 8 melhores terceiros) e que jogadores vão brilhar. Este é um Mundial para o qual não se qualificaram estrelas como Kvaratskhelia, Lewandowski, Szoboszlai e os italianos Donnarumma, Dimarco e Tonali; falham a prova por lesão nomes como Fermín López, Karl, Rodrygo, Estêvão, Xavi Simons, Panichelli, Kudus ou Ekitiké e por opção dos respetivos selecionadores Camavinga, João Pedro, muitos ingleses (Trent, Foden, Gibbs-White ou Cole Palmer), Mateus Fernandes e Mika Godts.

    Sejamos francos, este Grupo G é o pior do Mundial. Os diabos vermelhos belgas fazem-se acompanhar pelas seleções 21 (Irão), 29 (Egito) e 85 (Nova Zelândia) do ranking FIFA. Pós-geração de ouro, esta Bélgica já não tem Hazard ou os grandes defesas do seu passado recente, mas continua a ter o melhor guarda-redes do mundo, De Bruyne na sua última dança pela seleção, Doku absolutamente endiabrado e Lukaku, bem, Lukaku jogou 94 minutos no Nápoles durante o ano inteiro.
    De saída da Premier League e do seu Liverpool, Mo Salah tem também neste Mundial a última etapa antes de anunciar o próximo passo da sua carreira, e o Irão aparece nos EUA num momento extremamente sensível a nível político. A Nova Zelândia de Chris Wood é quem parte em desvantagem, porque isto não é rugby, mas os neozelandeses costumam dar boa conta de si e talvez consigam pontuar.

    Antecipamos assim o Grupo G:

1. BÉLGICA 
(Previsão: Eliminada nos 16-avos pelo Senegal)

  • Guarda-Redes: Thibaut Courtois (Real Madrid), Senne Lammens (Manchester United), Mike Penders (Estrasburgo)
  • Defesas: Thomas Meunier (Lille), Alexis Saelemaekers (AC Milan), Koni De Winter (AC Milan), Brandon Mechele (Club Brugge), Arthur Theate (Eintracht Frankfurt), Zeno Debast (Sporting), Axel Witsel (Girona), Nathan Ngoy (Lille), Joaquin Seys (Club Brugge), Maxim De Cuyper (Brighton), Timothy Castagne (Fulham)
  • Médios: Amadou Onana (Aston Villa), Youri Tielemans (Aston Villa), Nicolas Raskin (Rangers), Kevin De Bruyne (Nápoles), Hans Vanaken (Club Brugge), Charles De Ketelaere (Atalanta)
  • Extremos/ Avançados: Leandro Trossard (Arsenal), Jérémy Doku (Manchester City), Dodi Lukebakio (Benfica), Diego Moreira (Estrasburgo), Matias Fernández-Pardo (Lille), Romelu Lukaku (Nápoles)
Selecionador: Rudi Garcia;
Ausência: Mika Godts

Forças: Poucos extremos do futebol mundial estão no momento de forma de Jérémy Doku; Criatividade de KDB pode ser protegida pelos escudeiros Onana e Tielemans; Se há guarda-redes no futebol mundial que decide jogos, esse guarda-redes é Courtois.
Fraquezas: Rudi Garcia tem tendência no seu passado para ceder aos estatutos e não ao mérito; Condição física de Romelu Lukaku é uma incógnita.

Equipa-Base (4-3-3): Courtois; Castagne, Ngoy, Mechele, De Cuyper; Tielemans, Onana, De Bruyne; Trossard, Lukaku (De Ketelaere), Doku

É tranquilo considerar esta Bélgica pior do que as últimas "Bélgicas", e nem somos particulares admiradores de Rudi Garcia, mas a sorte com o grupo e alguma sorte com o emparelhamento da fase a eliminar pode perfeitamente fazer esta Bélgica chegar, mesmo assim, aos oitavos ou quartos-de-final.
    Com Courtois, tantas vezes decisivo pelo Real Madrid na Liga dos Campeões, como nº 1, a defesa é o setor mais fraco, faltando perceber se o selecionador prefere ter o impacto ofensivo de De Cuyper ou o conservadorismo e experiência de Meunier + Castagne.
    Onana, Tielemans e Kevin De Bruyne (um dos nossos jogadores favoritos) é o trio de médios 100% certo, tal como certa é a titularidade à esquerda de Doku, o belga que chega em melhor forma aos EUA. Se Lukaku não estiver bem, há De Ketelaere e Fernández-Pardo, e só o conforto a atuar à direita pode originar que Lukebakio ou Diego Moreira retirem Trossard do 11.
    Uma nota para Mika Godts. O extremo de 20 anos do Ajax, que esta época somou 17 golos e 13 assistências em Amesterdão, é para nós a ausência mais injusta deste Mundial. E, embora sejam todos eles jogadores acostumados a jogar à esquerda, como gostaríamos de ver um ataque com Doku, Trossard e Godts...

Destaques Individuais (Previsão):


    Esta é a Bélgica de Jérémy Doku. O extremo esquerdo do Manchester City fechou a Premier League num patamar qualitativo fenomenal, e a expetativa é que possa dar sequência ao bom momento no Mundial, castigando adversários com os seus dribles desconcertantes e fartando-se de criar para os colegas.
    Thibaut Courtois é um gigante, e o seu regresso (incompatibilizou-se com o selecionador anterior, Tedesco) é um boost tremendo, embora o suplente (Lammens) seja bom. Kevin De Bruyne não foi muito feliz em Itália, mas deve conseguir com facilidade ser o 2º melhor jogador desta Bélgica.
    Podendo-se esperar golos, é mero feeling que Romelu Lukaku (90 golos em 126 jogos pela Bélgica) surgirá contra a corrente, podendo reconquistar o seu espaço e uma condição física decente ao longo da fase de grupos. Mais seguro é apostar que Leandro Trossard vai ter bons minutos e bom rendimento, orgulhoso com o facto de poder vestir a camisola 10.


2. EGITO 
(Previsão: Eliminado nos 16-avos pela Turquia)

  • Guarda-Redes: Mohamed El-Shenawy (Al Ahly), Mohamed Alaa (El Gouna), Mostafa Shobeir (Al Ahly), Al Mahdy Soliman (Zamalek)
  • Defesas: Mohamed Hany (Al Ahly), Nabil Emad (Al Najma), Yasser Ibrahim (Al Ahly), Hossam Abdelmaguid (Zamalek), Mohamed Abdelmonem (Nice), Rami Rabia (Al Ain), Karim Hafez (Pyramids), Ahmed Fatouh (Zamalek)
  • Médios: Mohanad Lasheen (Pyramids), Tarek Alaa (Zed FC), Marwan Attia (Al Ahly), Hamdi Fathi (Al Wakrah), Emam Ashour (Al Ahly)
  • Extremos/ Avançados: Mohamed Salah (Liverpool), Ibrahim Adel (Nordsjaelland), Haissem Hassan (Real Oviedo), Mostafa Ziko (Pyramids), Zizo (Al Ahly), Trezeguet (Al Ahly), Mahmoud Saber (Zed FC), Omar Marmoush (Manchester City), Hamza Abdelkarim (Barcelona)
Selecionador: Hossam Hassan

Forças: Mo Salah e Marmoush são 2 dos melhores jogadores entre os 104 atletas deste grupo; Não é fácil desmontar a defesa egípcia.
Fraquezas: O Deus egípcio, com o 10 nas costas, não viveu uma temporada feliz e vai ser ultra vigiado, mas também pode encontrar nos EUA o escape do stress acumulado toda a época; Attia e Lasheen não apresentam a mesma capacidade de Ashour a resistir à pressão.

Equipa-Base (4-3-3): Shobeir; Hany, Fathy, Ibrahim, Fatouh; Attia, Lasheen, Ashour; Salah, Marmoush, Trezeguet

    Sob o comando de Hossam Hassan, 176 vezes internacional pelo Egito e autor de 76 golos, a equipa do Norte de África pode surgir nesta fase de grupos num 4-3-3 ou também num 3-4-1-2, com Ashour no apoio a Marmoush e a Salah, que nessa variável surgiria menos remetido ao seu habitat natural (corredor direito).
    A vantagem do 4-3-3, que faria entrar no onze inicial alguém como Trezeguet ou Zizo, será a hipótese de Salah tomar como ponto de partida dos seus lances a sua casa tática usual. Caberá a Hassan pesar o que lhe interessa mais: ter Salah a partir de onde gosta ou ter Salah numa região do campo onde talvez seja mais difícil os adversários anularem-no...

Destaques Individuais (Previsão):


    Entre os muitos craques que se despedem de mundiais nesta edição, Mohamed Salah é um dos nomes mais especiais. Papa-recordes na Premier League, o melhor jogador egípcio de sempre e um autêntico ídolo para qualquer faraó, dificilmente disputará muitos jogos, mas acreditamos que faça o suficiente para ainda pisar o relvado nos dezasseis-avos-de-final.
    O Mundial 2026 serve também de absoluta passagem de testemunho de Salah para Omar Marmoush. Sete anos mais novo do que o astro-mor, o craque do Manchester City está na idade perfeita (27) para brilhar numa prova deste género e até julgamos que marcará mais golos do que Salah.
    Nas figuras de segunda linha, Emam Ashour perdeu a oportunidade de se dar a conhecer ao planeta futebol no Mundial de Clubes, lesionando-se nos minutos iniciais do 1º jogo, e por isso torcemos para que se mantenha fresquinho. E há alguma expetativa para ver como se comporta o ponta de lança Hamza Abdelkarim, jogador de 18 anos que pertence ao Barcelona, quando for chamado a ir a jogo.


3. IRÃO 

  • Guarda-Redes: Alireza Beiranvand (Tractor Club), Hossein Hosseini (Sepahan), Payam Niazmand (Persepolis FC)
  • Defesas: Saleh Hardani (Esteghlal Tehran), Ramin Rezaeian (Foolad FC), Hossein Kanaani (Persepolis FC), Shojae Khalilzadeh (Tractor Club), Ali Nemati (Foolad FC), Danial Iri (Malavan FC), Roozbeh Cheshmi (Esteghlal Tehran), Milad Mohammadi (Persepolis FC), Ehsan Hajsafi (Sepahan)
  • Médios: Saeid Ezatolahi (Al Ahli), Mohammad Ghorbani (Al Wahda), Amir Razzaghinia (Esteghlal Tehran)
  • Extremos/ Avançados: Aria Yousefi (Sepahan), Alireza Jahanbakhsh (Dender), Mohammad Mohebi (Rostov), Amirhossein Hosseinzadeh (Tractor Club), Mehdi Ghaedi (Al Nasr), Saman Ghoddos (Al Ittihad Kalba), Mehdi Torabi (Tractor Club), Dennis Dargahi (Standard Liège), Shahriar Moghanlou (Al Ittihad Kalba), Ali Alipour (Persepolis FC), Mehdi Taremi (Olympiacos)
Selecionador: Amir Ghalenoei
Ausência: Sardar Azmoun

Forças: Oportunidade sócio-política de enviar em campo uma mensagem de paz; Três jogos do Irão são todos nos EUA, nenhum no Canadá ou México, e depois da presença da presença iraniana na competição estar em dúvida e sujeita a medidas surreais (terão supostamente que entrar e sair dos EUA em dia de jogo) é expectável que o Irão queira deixar boa imagem.
Fraquezas: Média de idades superior a 30 anos pode originar fatura do ponto de vista físico; Potencialmente decisivo Egito-Irão, na última jornada, terá o mundo árabe a torcer mais por Salah.

Equipa-Base (4-2-3-1): Beiranvand; Rezaeian, Khalilzadeh, Kanaani, Hajsafi; Ezatolahi, Razzaghinia; Mohebi, Ghoddos, Ghaedi; Taremi

    Se o Irão conseguir repetir os 3 pontos de 2022 ou sobretudo os 4 pontos de 2018 (3º classificado nas duas ocasiões), será difícil que não seja um dos melhores terceiros. Estivemos quase a incluir o Irão no nosso lote de 8 melhores terceiros, mas acabámos por deitar a seleção asiática à beirinha do feito.
    No 4-2-3-1 de Ghalenoei, Beiranvand é um guarda-redes já com algum estatuto nestas provas, mas se os habituais titulares jogarem, a defesa terá um central com 37 anos e dois laterais com 36.
    Bem conhecido dos portugueses, e de boa memória para os portistas, Taremi é a grande figura deste Irão. Falta perceber quão bem suportado será o avançado do Oympiacos, um papel que caberá principalmente a Mohebi e Ghaedi. 

Destaques Individuais (Previsão):


    Ponta de lança de qualidade certificada, Mehdi Taremi é o homem que pode colocar este Irão na fase seguinte. Como internacional, leva 60 golos em 105 jogos.
    No lado oposto do campo, senhor do seu 1,94m, Alireza Beiranvand costuma brindar os adeptos com boas prestações em mundiais, e as suas performances podem fazer a diferença, em particular nos jogos diante da Nova Zelândia e do Egito.
    E mantendo a equidistância, é no centro do terreno de jogo que se apresentará o novo potencial destaque dos iranianos. Numa equipa tão envelhecida, será refrescante ver Amir Razzaghinia, um médio de 20 anos e passada larga.


4. NOVA ZELÂNDIA 

  • Guarda-Redes: Max Crocombe (Millwall), Alex Paulsen (Lechia Gdansk), Michael Woud (Auckland FC)
  • Defesas: Tim Payne (Wellington Phoenix), Callan Elliot (Auckland FC), Tommy Smith (Braintree Town), Michael Boxall (Minnesota United), Finn Surman (Portland Timbers), Nando Pijnaker (Auckland FC), Tyler Bindon (Sheffield United), Liberato Cacace (Wrexham), Francis De Vries (Auckland FC)
  • Médios: Joe Bell (Viking), Alex Rufer (Wellington Phoenix), Ryan Thomas (Zwolle), Marko Stamenic (Swansea), Lachlan Bayliss (Newcastle Jets), Sarpreet Singh (Wellington Phoenix)
  • Extremos/ Avançados: Matthew Garbett (Peterborough), Callum McCowatt (Silkeborg), Ben Old (Saint-Étienne), Elijah Just (Motherwell), Jesse Randall (Dundee United), Kosta Barbarouses (WS Wanderers), Chris Wood (Nottingham Forest), Ben Waine (Port Vale)
Selecionador: Darren Bazeley

Forças: Os All Whites têm menos responsabilidades (posição 85 no ranking FIFA) mas são competitivos por natureza e vão entrar em cada 90 minutos com a consciência de quem não sabe quando/se voltará a estar num Mundial.
Fraquezas: Demasiados jogadores a jogar em ligas menos cotadas; Risco de depender quase exclusivamente dos golos de Chris Wood.

Equipa-Base (4-3-3): Crocombe (Paulsen); Payne, Surman, Boxall, Cacace; Bell, Stamenic, Singh; Just, Chris Wood, Garbett (Old)

    Na última vez que esteve num Mundial (2010), a Nova Zelândia empatou os 3 jogos. Chris Wood tinha 18 anos.
    Dezasseis anos volvidos, o fenómeno neozelandês chama-se Tim Payne. Não conhecem? Compreensível. O lateral direito atua no Wellington Phoenix, da A-League australiana, mas tornou-se uma das histórias mais divertidas do pré-Mundial, virando fenómeno das redes sociais e indo dos 4 ou 5 mil seguidores para 5 milhões!
    Mas falemos de futebol. Bazeley deve apostar num 4-3-3 - ou 4-2-3-1 no momento ofensivo e com Singh na "zona 14" - e quem conta com Joe Bell e Marko Stamenic terá, no mínimo, pernas e músculo para dividir os jogos.

Destaques Individuais (Previsão):


    Apostados em ser um osso duro de roer, e ambiciosos no objetivo definido (passar a fase de grupos), os All Whites sabem que Chris Wood é sinónimo de golos. O ponta de lança do Nottingham Forest, fortíssimo no jogo aéreo, viveu um ano complicado do ponto de vista físico, mas se estiver bem, basta recordar que na época de 2024/ 25 marcou 20 golos na Premier League.
    Na hora de retirar algum "peso" dos largos ombros de Wood, Elijah Just é o nome que importa reter. E no meio-campo nuclear, Marko Stamenic, treinado por Vítor Matos no Swansea, é, em bom português, "pau para toda a obra".

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