Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

13 de maio de 2016

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 38

Tudo o que é bom tem um fim. A última jornada da Premier League e, por isso mesmo, do Fantasy da competição, está aí à porta.
    Vem aí a última seta (vermelha ou verde) da época. Decidem-se ligas privadas, decidem-se os rankings dos países, usam-se as últimas cartadas (quem as tem). E depois, só em Agosto.
    Ao contrário de outras épocas, não há muito a decidir na última vez que as equipas entrarem em campo, às 15 horas de Domingo. Já se conhece o campeão, já se sabe que Newcastle e Norwich farão companhia ao Aston Villa no Championship, e no meio da tabela jogar-se-á pelo simples orgulho e pela melhor classificação (Everton e Watford, por exemplo, em caso de vitória conjugada com a derrota do Swansea diante do Manchester City, sobem ligeiramente). Com tudo isto, interessam ainda os jogos das 7 equipas abaixo do Leicester (Tottenham, Arsenal, City, United, West Ham, Southampton e Liverpool), sendo que os sete partem como favoritos nos seus jogos, e a única alteração relevante que pode ainda acontecer será uma troca entre os rivais de Manchester na última vaga de acesso à Champions League (play-off). A frustração do Newcastle pode ser favorável ao Tottenham, que ainda pretende garantir que fica acima do grande rival Arsenal, e os spurs traçarão ainda como objectivo fazer de Harry Kane o melhor marcador. A luta a três entre Kane, Agüero e Vardy é um dos principais motivos de interesse na última ronda - o avançado do Tottenham parte na frente, e o mais provável é que a Bota fique entregue a ele ou a Kun.
    Como tínhamos dito que era provável, por ser um certo padrão nas últimas temporadas, o Sunderland garantiu a permanência na jornada passada, com duas vitórias hercúleas diante de Chelsea e Everton. Com estes 6 pontos conquistados, os black cats atiraram o rival Newcastle para a divisão abaixo, acompanhado pelo Norwich. Nesta jornada 38, o Everton faz o seu primeiro jogo pós-despedimento de Roberto Martínez, o Chelsea-Leicester ficará marcado pela guarda de honra do campeão de 2014/ 15 ao novo detentor do troféu, e em termos de Fantasy tenham em consideração que o Liverpool deve enfrentar o WBA com uma equipa alternativa, poupando os craques para a final com o Sevilha.
    Na jornada 37, dupla para oito equipas, quem mais pontuou foram dois defesas do Sunderland - Lamine Koné (21 pts) e Patrick van Aanholt (17). Tal como o lateral holandês, também Nathan Redmond conseguiu 17 pontos, ficando ligeiramente acima das brilhantes prestações de Mata, Davis, Mbokani, Gayle, André Ayew ou Andy King.
    Da nossa parte, obrigado a quem nos acompanhou durante 38 artigos. E até Agosto!

Nesta 38.ª e última jornada, sugerimos:

Alexis Sánchez - Arsenal - 11.1
    Depois de 207 pontos na primeira época em Inglaterra, o chileno do Arsenal tem, a uma jornada do fim, 164 pts. Nada mal considerando o tempo que passou lesionado. Caso faça um hat-trick contra o Aston Villa - improvável, mas possível - Sánchez pode inclusive fechar a temporada com o mesmo número de golos de 2014/ 15 (16).
    O Arsenal-Aston Villa é jogo para cumprir calendário para os visitantes, mas é relevante para os gunners que, depois de um empate determinante no Etihad, tentam ainda chegar ao 2.º lugar, caso o rival do Norte de Londres, Tottenham, escorregue.
    Embora haja o risco de vários jogadores estarem já com a cabeça no Euro-2016 ou na Copa América, o que condicionaria a entrega e o "meter o pé", parece-nos que esse não será o caso com Alexis Sánchez. O extremo do Arsenal não é o tipo de jogador que consiga estar em campo sem dar tudo, e caso o colectivo de Wenger apresente um futebol fluido e rápido, o Aston Villa pode ver os problemas a surgirem de todos os lados. Por isso mesmo, Sánchez é uma das melhores opções para capitão na última jornada (ele, os 3 avançados à procura de serem o melhor marcador, e os elementos ofensivos do Southampton devem ser equacionados), e tanto pode ser ele a alcançar uma boa pontuação, como os seus colegas de ataque - a lesão de Welbeck deve significar a entrada de Giroud no 11, veremos se Walcott não tem também minutos, e mesmo os defesas Bellerín e Koscielny são jogadores promissores neste adeus a 2015/ 16.   
   

Dusan Tadic - Southampton - 6.7
    Não há ninguém em melhor forma ultimamente na Premier League. O sérvio do Southampton, com traços do actor Oscar Isaac no rosto, segue imparável - os saints estão, aliás, a realizar uma 2.ª volta extraordinária - numa sequência de 6-15-11-9.
    Uma assistência em casa do Everton, 2 golos no campo do Aston Villa, 3 assistências contra o Manchester City e 2 assistências em White Hart Lane. As 6 assistências de Tadic nas últimas 4 jornadas dizem bastante do envolvimento e impacto do sérvio no processo ofensivo do Southampton, e deixam-no actualmente com uma marca bastante interessante - 13 assistências, juntando a isso 8 golos marcados. Números melhores do que há um ano atrás (terminou com 4/9).
    Nesta jornada 38 é difícil não apostar no Southampton. A equipa de Koeman (não engana, é um grande treinador) atravessa um excelente momento, tem marcado golos atrás de golos, e defronta um Crystal Palace que poderá eventualmente gerir a equipa a pensar na final da FA Cup. Tadic tem ainda a vantagem de não ter um Europeu no horizonte, portanto faz todo o sentido que o tenham no vosso 11 inicial.


Romelu Lukaku - Everton - 8.7
    É preciso deixar bem claro - os 3 melhores avançados para ter nesta jornada são Agüero, Kane e Vardy. Afinal de contas, têm um objectivo diferente. Para além deste trio, há ainda elementos como Giroud, Long (será ele ou Pellè), Martial ou mesmo os avançados do Watford.
    O Everton-Norwich é um jogo difícil de prever. Principalmente porque ambas as equipas poderão entrar em campo com pouca chama. O Norwich sabe que está condenado a descer, e o Everton vive um momento difícil (a 2.ª volta foi francamente má) e o rendimento dos jogadores dependerá bastante do quanto queiram provar que o problema era Martínez.
    Parece-nos, não obstante, que a dupla Barkley-Lukaku pode surgir em bom plano no último jogo da temporada. Ambos farão parte das opções de Inglatera e Bélgica (Lukaku já foi aliás confirmado nos provisórios 24 de Wilmots), mas não se pode dizer que partam na pole position. Por isso mesmo, e embora os treinos e os amigáveis de preparação das respectivas selecções tenham um papel mais significativo, Barkley deverá querer mostrar a Hodgson que o lugar de Dele Alli pode ser dele, enquanto que Lukaku quer reforçar a sua marca de golos, sendo que Wilmots deve privilegiar a presença de Origi no 11 se este estiver em condições, pela mobilidade e maior pressão que oferece.
       

Kun Agüero - Manchester City - 13.3
    Nas últimas 7 jornadas, Agüero só não marcou por uma vez. É o avançado em melhor forma no Fantasy nas últimas semanas (o segundo, curiosamente, é o companheiro de equipa Iheanacho) e um dos 3 candidatos à distinção de melhor marcador da competição.
    Tendo ganho na época passada, o avançado do Manchester City chega a esta fase com 24 golos - os mesmos de Vardy, e menos 1 que Kane -, mas importa não esquecer que Kane e Vardy têm mais de 3000 minutos, enquanto que Agüero soma aproximadamente 2200.
    Na deslocação ao terreno do Swansea, que depois de perder por 4-0 com o Swansea decidiu surpreender ganhando ao Liverpool e ao West Ham, o objectivo principal do City é segurar o acesso à Champions, mas o secundário será fazer de Agüero o melhor marcador.
    E, convenhamos, embora Kane e Vardy sejam letais, Agüero é o único que se estiver inspirado e contar com o apoio de De Bruyne nomeadamente, pode muito bem fazer 3 golos num ápice. Basicamente, Kane e Vardy terão que marcar, porque Agüero vai fazer a parte dele quase de certeza.


David De Gea - Manchester United - 5.9
    A referência a De Gea parte do mesmo raciocínio invocado acima em relação a Agüero. O guarda-redes espanhol (que TEM que ser titular no Euro-2016) está na corrida às Luvas de Ouro, empatado nesta altura com 15 clean sheets, tantas como Cech, Schmeichel e Hart.
    No entanto, e tal como referimos no caso de Agüero, importa acrescentar um dado: De Gea não jogou os 4 primeiros jogos, devido à indefinição da sua transferência (entretanto cancelada) para o Real Madrid. Imaginando que as clean sheets que Romero teve, também De Gea teria, o número 1 espanhol levaria nesta fase uns sensacionais 18 jogos sem sofrer. Há melhor? Sim, Oblak na Liga BBVA, por exemplo.
    Depois de uma evolução gigante em 2014/ 15, o hispânico manteve o nível como melhor guardião a actuar em Inglaterra e é, olhando para os tubarões da actualidade em termos de História e rendimento, o guarda-redes que maior peso tem nos resultados do seu clube. O Bournemouth de Eddie Howe é matreiro, mas De Gea é De Gea. Oxalá continue em Old Trafford, até porque Keylor Navas não merecia perder a baliza do Real.
   


Outras Opções:
- Guarda-Redes: Para além de De Gea, parece-nos que Petr Cech (5.9) tem igual, ou até superior, probabilidade de não sofrer golos. O jogo deverá andar bem longe da sua baliza, e pedir-se-á ao checo que intervenha com qualidade nas poucas vezes que for chamado (contra Crystal Palace e Manchester City talvez pudesse ter feito mais).
    Aguardamos com expectativas o embate entre Gomes e Mannone, porque vão ser bastante testados (dois ataques fortes e com golo nos últimos jogos, e um ambiente descontraído devem levar a isso) e acreditamos que Fraser Forster (4.9) acabe o seu jogo sem ter que ir buscar a bola ao fundo das redes.

- Defesas: Na nossa última recomendação da época, e uma vez que o nosso 11 preferencial tem como esqueleto um 3-4-3, os nossos 3 defesas primordiais são o espanhol Héctor Bellerín (6.5), o holandês Virgil van Dijk (5.6) e ainda, para equilibrar o onze em termos de orçamento, Gabriel Paulista (4.3). Uma clean sheet do Arsenal é um cenário que só não acontecerá caso os gunners se apresentem preguiçosos e se deixem surpreender pelo Aston Villa, e sobre van Dijk há pouco a dizer - analisando centrais que actuem do lado direito, só mesmo Alderweireld foi melhor do que ele esta época.
    Baines, Koscielny, Smalling, Valencia e Bertrand são outras sugestões com um potencial retorno do investimento interessante.

- Médios: Entre médios, e tendo já falado de Alexis Sánchez e Tadic, há que equacionar inúmeras variáveis. Mesut Özil (9.2), recuperado, é uma das melhores opções, mas só deverá ir a jogo se tanto o jogador como Wenger sentirem que não há qualquer risco de hipotecar a sua presença na competição internacional que se avizinha. Sadio Mané (7.4), caso vá a jogo, tanto pode sugar os pontos todos para ele, como ficar em branco. Mas compensa arriscar. Seria elegante despedirem-se da época com o Jogador do Ano, Riyad Mahrez (7.2) entre as vossas escolhas, sem esquecer que do outro lado nesse jogo estará o melhor jogador de 14/ 15, Eden Hazard (10.9), a colocar-se cada vez mais a jeito de explodir no Euro-2016.
    Ramsey, Barkley, Mata, Payet, De Bruyne ou Ojo... qualquer um deles é uma boa aposta. E alguns deles, bons diferenciais para quem precise.

- Avançados: Como dissemos acima, se Harry Kane (10.2), Agüero e Jamie Vardy (7.4) podem ainda ser qualquer um o melhor marcador da Premier League 15/ 16, então o melhor é terem-nos aos três.
    Olivier Giroud (8.7), Ighalo, Deeney, Martial, Rooney ou Benteke surgem numa segunda linha. E estamos com isto a deixar nomes como Carroll, Defoe e Long/ Pellè à parte.


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11 (3-4-3): De Gea; Bellerín, van Dijk, Gabriel; Tadic, Sánchez, Mané, Mahrez; Agüero, Vardy, Kane

Atenção a (Clássico; Diferencial):
Arsenal v Aston Villa - Alexis Sánchez; Aaron Ramsey
Chelsea v Leicester City - Riyad Mahrez; Eden Hazard
Everton v Norwich - Romelu Lukaku; Leighton Baines
Manchester United v Bournemouth - David De Gea; Wayne Rooney
Newcastle v Tottenham - Harry Kane; Danny Rose
Southampton v Crystal Palace - Dusan Tadic; Virgil van Dijk
Stoke v West Ham - Dimitri Payet; Michail Antonio
Swansea v Manchester City - Kun Agüero; Kevin De Bruyne
Watford v Sunderland - Odion Ighalo; Jermain Defoe
West Brom v Liverpool - Christian Benteke; Sheyi Ojo

11 de maio de 2016

Crónica: Renato, da Musgueira até Munique

4 de Dezembro de 2015, Benfica-Académica, minuto 84. Jardel confia-lhe a bola, está posicionado na linha de meio-campo, acelera e transporta até soltar para Gaitán, que lhe devolve o esférico. Recebe orientado, ganha balanço e dispara uma bomba. Golaço, no 1.º jogo a titular na Luz. Horas antes tinha dito a um dos meus companheiros de Sagres 3 "Hoje não posso ir, e vou perder o golo do Renato". Assim foi.

    Podemos tirar alguém da rua, mas não podemos tirar a Rua dessa pessoa. Chamam-lhe selvagem, atrevido, indomável, uns perdem-se no desrespeito cego de questionar a idade dele, outros dizem que é agressivo. Pelo meio há quem perceba o essencial: ele está certo, e a esmagadora maioria está errada. É um desses casos. Usa o corpo, ombro-a-ombro e diz ao adversário "Eu estou aqui, e esta bola é minha", com o respeito de quem só faz tudo aquilo que permitia que lhe fizessem a ele. Porque, ao contrário de muitos colegas de profissão, para ele vergonha é estar no chão. É assim na rua, era assim no bairro, é assim em campo. Olha-se para ele e não tem medo. Tem fome, de escrever o seu caminho e tornar-se quem pode ser. Fá-lo não só por ele, mas por toda a Musgueira. Leva o bairro para cada jogo do Benfica, e levará o Benfica para cada jogo do seu futuro. No Bayern, na Selecção, e em todas as páginas que ainda estão por escrever. 
    Na nossa Ocidental praia lusitana, foram poucas as vezes em que senti "este é especial", um entusiasmo inexplicável. Neste século aconteceu, em campo, naquele instante em que um rapaz chamado Cristiano Ronaldo ziguezagueou contra o Moreirense (os meus amigos sportinguistas idolatravam Ricardo Quaresma, e eu dizia-lhes que achava que Ronaldo tinha mais potencial) e com Bernardo Silva, por exemplo quando recebeu com "pantufas" uma bola junto à linha lateral diante da Oliveirense. Fora dele, ao acompanhar os primeiros passos de José Mourinho e Marco Silva. Relativamente a Renato Sanches o caso muda de figura, porque a sensação que tenho é que se me fosse dada a hipótese de criar em laboratório um jogador com tudo aquilo que prezo no futebol, o resultado seria ele: um box-to-box com pulmão para dar e vender, o 8 que nunca se esconde e aparece nos jogos grandes, com qualidade técnica, fonte inesgotável de força (e a famosa "massa" implica sobretudo o jogador querer a bola, porque mais do que força física, exige raça e saber meter o corpo) e fisionomia de jogador da formação do Ajax. Parecia destinado ao futebol inglês - e nada nos diz que não acabará lá mais tarde - mas segue para Munique, bem entregue a um clube que praticamente não erra e que com o rigor, profissionalismo e fiabilidade alemães fará com que o Bulo cresça de ano para ano, conquistando a titularidade aos poucos num clube com ADN vencedor.
    Chegou com 9 anos, sai quase com dezanove. Cedo demais. Como seria sempre. Renato Júnior Luz Sanches, o "patrão" que se estreou com idade de júnior na Luz. O destino tem destas coisas.
    
    Mas o que é que faz os adeptos encarnados idolatrarem Renato, e os adversários perderem-se num ódio e animosidade sem justificação? É mais ou menos simples. Para os lados da Luz, o rapaz que não esquece o Águias da Musgueira, e que continua a visitar as suas raízes e a pedir a mesma bifana de sempre, foi a alma deste Benfica 2015/ 16. Na época em que o Benfica pode assegurar o tri sem Renato em campo na última jornada, o camisola 85 vincou uma mudança, um antes e um depois - das 9 derrotas do Benfica esta temporada, 6 ocorreram antes de Renato ser aposta (e as três que ele testemunhou foram com Atlético Madrid, Porto e Bayern); com Renato em campo o registo na Liga é ilucidativo, em 24 jogos, 22 vitórias, 1 empate e uma derrota. Alguns adeptos rivais (não os verdadeiros adeptos, porque esses preocupam-se em apoiar a equipa, e não em lançar farpas obcecados e sempre de olho no vizinho) questionam a idade do miúdo, quando toda a gente o viu crescer nos últimos "10 anos de manto sagrado"; queixam-se que tudo lhe é permitido, sem compreenderem que a atitude e a garra dele não deviam ser alvo de críticas mas servir de exemplo para os que partilham o campo com ele; e, no limite do ridículo, visitam a página do Bayern para dizer que a sua contratação foi um erro, que tudo nele é hype, que é só produto da imprensa portuguesa e que o Bayern deixou passar a oportunidade de contratar verdadeiros craques como João Mário ou William. Figuras tristes... de quem não sabe o que é viver o desporto, viver o futebol. Porque poucos sabem em Portugal. Ver João Mário jogar dá-me prazer, quando via James Rodríguez no Porto acontecia o mesmo. E o motivo é só um: é impossível gostarem mais do meu clube do que eu gosto, mas a minha paixão pelo futebol está acima da minha paixão clubística. E a melhor rivalidade, saudável e competitiva, implica naturalmente querermos ser melhores que os nossos rivais, mas a vitória é tanto mais valiosa quanto maior força tiverem esses rivais. Os preciosismos de quem só o quis mal até aqui, levaram à construção do mito "falha muitos passes", quando na realidade tem uma média de acerto próxima dos 90% (no jogo de Munique, por exemplo, teve uma média de 91%) e os que falha são normalmente passes em zonas adiantadas, arriscando em vez de jogar para o lado ou para trás; nada de comparável com os vários turnovers que Pizzi tinha em 2014/ 15 na posição 8 (que não é a dele) na primeira fase de construção. Esta reflexão não se propõe ser de cariz táctico, mas a evidente rebeldia e o menor rigor posicional de Renato foram factores positivos para este Benfica, e possíveis graças a um senhor chamado Fejsa.

    Na época dos agentes, dos múltiplos interesses que conspurcam um futebol corrupto e movido pelo dinheiro e não pela paixão e pelo amor, 2015/ 16 mostrou que podemos ter esperança. Porque se o underdog Leicester City consegue ser campeão, se o Atleti de Simeone está novamente na final da Champions, e um rapaz de 18 anos consegue carregar e contagiar o futebol do seu clube do coração, candidato ao título em Portugal, chegando ao colosso de Munique como nenhum outro jogador português chegou em 116 anos de História, então há motivos para continuar a alimentar este vício irracional, e razões para sonhar.
    Renato Sanches serve de exemplo, para muitos rapazes do Seixal, de Alcochete, do Olival, Restelo, Mata-Real ou Vila do Conde, espalhados por esse país fora, e serve exemplo para o Benfica, que não retirou qualquer rendimento desportivo de Bernardo Silva, mas aprendeu a lição, que pode ser replicada com talentos como João Carvalho, José Gomes, João Filipe, Nuno Santos, Diogo Gonçalves, Pedro Rodrigues, Florentino, Gedson Fernandes ou Úmaro Embaló, entre outros.

    Faltava ao Benfica arriscar, desequilibrar, queimar linhas, mas Renato trouxe mais - trouxe a palavra que quando era pequeno disse, a sorrir, que significava para ele estar no Benfica, "Alegria". Faltava ao Benfica ter capacidade para segurar os jogadores criados em casa, e fazer do Estádio da Luz para eles um bairro eterno. Podiam até ser 80 Milhões pagos a pronto, diria sempre não, porque não há dinheiro que me faça abdicar de alguém que sei que, quando lá em cima o capitão Coluna o viu a jogar, terá fechado finalmente os olhos tranquilo. O monstro tinha herdeiro.

                  Miguel Pontares


Revisão: 'Better Call Saul' (2.ª Temporada)

Criado por
Vince Gilligan, Peter Gould

Elenco
Bob Odenkirk, Rhea Seehorn, Jonathan Banks, Michael McKean, Patrick Fabian, Michael Mando, Mark Margolis

Canal: AMC

Classificação IMDb: 8.7 | Metascore: 85 | RottenTomatoes: 97%
Classificação Barba Por Fazer: 89


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 

A História: 

    Reza a lenda que Vince Gilligan (o homem pelo qual devíamos acender todas as noites uma velinha, gratos por 'Breaking Bad') tinha pensado coordenar apenas a primeira temporada de 'Better Call Saul', dando depois um passo atrás, ficando Peter Gould a liderar. Entusiasmado, recuou na decisão. Pela parte que nos toca, obrigado.
    Depois de uma 1.ª temporada boa (provavelmente mais madura do que a primeira de 'Breaking Bad', mas incapaz de nos ligar logo como a antecessora conseguira com Walter e Jesse), esta segunda revelou-se capaz de apresentar um nível superior, e é difícil encontrar melhor mix de escrita, realização e interpretação do que 'Better Call Saul' é capaz de entregar aos espectadores.
    Os 10 primeiros episódios da transformação de Jimmy McGuill em Saul Goodman progrediram de forma lenta, com poucos cliffhangers dignos de nos deixar "meu deus, tenho que ver o próximo e já, só que ainda falta uma semana", e no total cerca de 4 episódios realmente bons ("Pimento" e "Five-O" os melhores, acompanhados pelos iniciais).
    A segunda temporada soube manter um nível alto, com 3 personagens a crescerem de episódio para episódio (Jimmy, Kim e Chuck), diversos pequenos pormenores sublimes que nos fazem conhecer cada vez melhor cada personagem, ao mesmo tempo que continuamos com várias perguntas por responder. Essencialmente, por termos um ponto de chegada chamado 'Breaking Bad'.
    Se no episódio 1.10 parecia que estava tudo pronto para Jimmy começar a sua metamorfose para Saul, em homenagem ao amigo Marco (o anel continua lá), a verdade é que não foi bem assim. Por Kim, Jimmy decide tentar endireitar-se e aceita a proposta de trabalho na Davis & Main, mas dá-se mal por não respeitar os protocolos, regras e as hierarquias estabelecidas. A química entre Jimmy e Kim é um dos pilares da temporada, com Jimmy a tentar ser quem não é por ela, e ela a experimentar a postura dele (os "esquemas" a dois são francamente bons). Não se pode dizer que Mike evolua como personagem - nem fazia sentido que um homem com quase 60 anos mudasse muito - pelo que tudo o que lhe acontece (a parceria com Nacho, o choque com os Salamancas e, quase de certeza, o contacto com Gus Fring na próxima temporada) é fundamental para ligar o protagonista Jimmy a esse mundo, decisivo na sua edificação como Saul. Mas Mike é Mike, aquele homem que honra sempre a palavra, que nunca se engana a ler as pessoas que o rodeiam e que não tem medo, tenha quem tiver à sua frente. Um dos momentos-chave desta season 2 acaba por ser o facto de Jimmy e Kim começarem a trabalhar por conta própria, duas firmas debaixo do mesmo tecto. E, claro está, o clímax da temporada colocou frente-a-frente os irmãos McGuill, trabalhados como inversos - Jimmy, o fora-da-lei com boas intenções e um bom coração, e Chuck, abominável e invejoso mas sempre dentro da lei.
    A genialidade de Vince Gilligan (elogiando através dele toda a equipa) está em tanta coisa: como exemplos a forma como num flashback com a mãe percebemos tudo sobre o que aqueles irmãos sentem um pelo outro; ou o modo como um suporte para copos metaforiza o desconforto de Jimmy em relação à vida "certinha" que leva. E 'Better Call Saul' é a prova que a simplicidade é muitas vezes a melhor forma de nos mostrar o conflito evidente: depois de Chuck fazer tudo para prejudicar Kim, por saber que é a melhor forma que tem de atingir Jimmy, a resposta (ilegal) de Jimmy é fazer a coisa certa mas de forma errada. E é assim que Vince Gilligan nos tem na mão.
    
    
A Personagem: Kim Wexler (Rhea Seehorn).
    Parece impossível, olhando para o arco (ou quase ausência dele) de Kim na primeira temporada, o que Kim Wexler evoluiu entretanto, mérito evidente de Rhea Seehorn que se tem revelado uma excelente actriz.
    De "pãozinho sem sal" para personagem da temporada. O raciocínio é mais ou menos este: o execrável Chuck (brutal o trabalho de Michael McKean!) é a personagem mais interessante de 'Better Call Saul' no conjunto das duas temporadas, mas o MVP individual fica entregue a Jimmy na primeira, e Kim na segunda.
    O processo pelo qual Kim passou é o seguinte: 1) conseguir que os espectadores a vejam como Jimmy vê; 2) humanizá-la, fazendo-a arriscar e experimentar a adrenalina dos "esquemas" de Jimmy; 3) manter-se, não obstante, fiel àquilo que é e em que acredita; 4) matar-se a trabalhar para ver reconhecido o seu esforço e potencial, para depois ser destruída como dano colateral de uma guerra quase sempre silenciosa entre dois irmãos com muito por dizer; 5) na mesma cena, sair por cima ao dizer tudo o que queríamos dizer a Chuck, colocando Jimmy no lugar em simultâneo.
    Para as próximas temporadas, uma das questões mais interessantes que 'Better Call Saul' tem para responder: o que é que fez Kim sair da vida de Jimmy McGill?


O Episódio: 09 'Nailed'.
    Que levante o braço aquele que viu o episódio 9 no dia seguinte ou pelo menos antes do lançamento do seguinte e não pensou "f***-se, dêem-me já a season finale".
    Claro candidato a melhor episódio da série até agora, é o verdadeiro clímax da temporada (já na primeira temporada o clímax tinha acontecido em "Pimento" (1.09) e com a relação Jimmy versus Chuck a fervilhar). Tem Chuck a ser humilhado profissionalmente - uma falha com o dedo do irmão, moralmente correcto e legalmente incorrecto -, tem Rhea Seehorn a roubar uma cena a Odenkirk e McKean, num sermão perfeito, tem um momento à Saul Goodman como poucos outros (a gravação do anúncio, com aquele plano genial e patriótico com a bandeira ao sabor do vento) e por último 8 minutos finais representativos do que é fazer boa televisão. A loja de fotocópias, o desespero de Chuck, Jimmy na sombra, e aquele impacto da cabeça a embater na bancada.
    Para além de vários momentos singulares (as interacções de Mike com o clã Salamanca, nomeadamente), a finale "Klick" é também um excelente episódio, embora ligeiramente anti-climático tendo em conta o anterior e a não-aparição de um velho conhecido dos fãs. Mas, caramba, tem aquele flashback inicial, a experiência de Chuck no hospital realizada daquela maneira, a altíssima tensão da cena de Mike à espera de ter Hector em ponto de mira, num longo silêncio interrompido finalmente por uma buzinadela, e o "golpe" de Chuck ao irmão. Fácil de antecipar ao longo do episódio, mas incrível na mesma.


O Futuro: 
    Para quem não sabe, os fãs mais atentos descobriram que juntando as iniciais do título de todos os episódios desta temporada, ficávamos com 'SCAGRBIFNK'. Até aqui tudo bem, não fosse o facto deste anagrama, organizado de forma diferente, perfazer 'FRINGSBACK'. E é assim que aquele recado sob a forma de bilhete "Don't" pode ser atribuído a um dos melhores vilões de sempre da televisão. Ou ele, ou Nacho. Mas à partida, Gus Fring (Giancarlo Esposito) vem aí. É "só" esperar um ano.
    Para as próximas temporadas há muita coisa para descobrir: como é que Hector ficou naquela cadeira de rodas? O que é que fez Kim e Chuck saírem da vida do irmão? Com ou sem vida? E a partir de que momento é que Jimmy muda a 100% de identidade para Saul Goodman.
    Para já, e para além do autor do "Don't", a primeira grande questão será perceber as repercussões da gravação: frente-a-frente, mano-a-mano, em tribunal na 3.ª temporada. De resto, é bastante provável que o rancor e a inveja que Chuck guarda de Jimmy o levem, numa fase avançada da série, a cometer uma ilegalidade, pisando tudo aquilo em que acredita e pelo qual se rege.
    Resta-nos esperar. E depois continuar a ver a estrada que conduz Jimmy até Saul. Mas sempre com um paninho, para limpar a baba de tão bom que está a ficar 'Better Call Saul'.

9 de maio de 2016

100 Melhores Personagens de Séries - Nº 26



Série: Peaky Blinders
Actor: Cillian Murphy


por Miguel Pontares

    Nick Cave abre as hostilidades com 'Red Right Hand'. Estamos em Birmingham, no pós-Primeira Guerra Mundial, e lá vem ele, de cigarro na boca, olhos azuis que hipnotizam guarnecidos pelo seu carisma e por uma voz inconfundível, cabelo rapado de lado e a boina com uma lâmina guardada para qualquer eventualidade.
     'Peaky Blinders', que funde ficção com a História, é uma daquelas séries que merecia aclamação mundial, embora figuras como Brad Pitt, José Mourinho e Steven Spielberg venerem todos a série. Pode-se falar de reconhecimento no caso de 'Sherlock', 'Dowton Abbey' ou 'Doctor Who', ao contrário (injustamente) de 'Luther', 'Black Mirror' ou 'Peaky Blinders', invisíveis para grande parte dos consumidores da boa televisão que se faz hoje. Criada por Steven Knight para a BBC, tem por base o gangue peaky blinders, do qual Tommy Shelby é o líder.
    Thomas Michael Shelby, interpretado por Cillian Murphy - que veste a personagem como nenhuma outra até aqui na carreira, merecendo já há muito tempo um protagonista tão forte numa série/ filme deste nível -, é o líder do clã Shelby, um estratega que prepara passo a passo a ascensão da família no panorama social britânico, e um veterano de guerra a sofrer de stress pós-traumático.
    Transmite um estado de total serenidade, em contraste com a guerra que não o abandona, e protege a família a qualquer custo, não hesitando em sacrificar-se por todos eles - a tia Polly (a mais racional e objectiva dos Shelby) e os irmãos Arthur, Ada, John e Finn. Deste lote, destaca-se indiscutivelmente Arthur Shelby (Paul Anderson), o perturbado, alcoólico e a caminho da loucura irmão mais velho de Tommy, um autêntico cão de caça em permanente ebulição, um Fredo para o Michael Corleone que é Thomas Shelby.
    Etapa a etapa, o inteligente e confiante Tommy tem resposta e ambição para tudo: entre o pub, as corridas de cavalos, o jogo do gato e do rato com o inspector Campbell, judeus (Tom Hardy é Alfie Solomons, dono de uma destilaria mascarada de padaria) e italianos, o IRA e Winston Churchill, não há nada que trave este gangster. Excepto Grace, o calcanhar de Aquiles de Tom Shelby, uma agente infiltrada que conseguiu dar à volta à cabeça e cegar o homem que tudo vê e que normalmente está sempre vários passos à frente de todos os outros.

    Num misto de 'Boardwalk Empire' e 'The Godfather', 'Peaky Blinders' é uma das melhores séries no ar neste momento. A 3.ª temporada estreou no passado dia 5 de Maio, e vão sempre a tempo de apnhar o comboio, até porque cada temporada tem apenas seis episódios. Tem Cillian Murphy e Tom Hardy (a partir da segunda), julgo que não deveria ser preciso dizer mais nada. O criador, Steven Knight, escreveu entretanto 'Taboo', cuja ideia partiu de Tom Hardy e do seu pai; e em relação à dupla Murphy/ Hardy, poderemos vê-los juntos noutro projecto, 'Dunkirk' de Christopher Nolan, em 2017.     

    Tom Shelby, a personagem que já obrigou Cillian Murphy a fumar cerca de 3 mil cigarros, não se preocupa com o passado. Nem com o futuro. Porque transporta para o presente o que a guerra lhe ensinou - a vida é como uma batalha, somos soldados e temos um minuto de cada vez.                               

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Lorena Wildering, Nuno Cunha, Cê e SWP.
Foram tidos em consideração séries com pelo menos 1 temporada, concluída a 1 de Outubro de 2015. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou às séries que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

7 de maio de 2016

100 Melhores Personagens de Séries - Nº 27



Série: The Office
Actor: Steve Carell


por Nuno Cunha

    Depois de apresentarmos o pragmático mas pouco dado às relações sociais Dwight Kurt Schrute III, chega agora a altura de conhecermos a alma da série norte-americana ‘The Office’, o incontornável Michael Scott. Steve Carell interpreta brilhantemente o papel de protagonista desta série, que acabou por marcar o momento mais alto da sua carreira, deixando-o para sempre ligado ao mundo da comédia nos EUA. De tal forma que apanhou meio mundo de supressa com a sua interessante interpretação dramática no filme Foxcatcher, em 2014.

    O melhor chefe do mundo. É assim que Michael Scott espera ser descrito por todos os que trabalham consigo na Dunder Mifflin. Com uma necessidade especial de atenção, Michael é aquela pessoa que passa o dia a contar piadas no escritório, metendo-se constantemente com os seus colegas. O facto de ver um amigo em cada um deles leva-o muitas vezes a ultrapassar os limites do comportamento apropriado no local de trabalho (que o diga Pam), com as suas brincadeiras e comentários racistas e sexistas. Mas a verdade é que foi este mesmo estilo pouco ortodoxo de se relacionar com as pessoas que fizeram de Michael o melhor vendedor da divisão de Scranton, conquistando cliente atrás de cliente até chegar a Gerente Regional da Dunder Mifflin.
    Facilmente descrito como uma pessoa insegura, carente, infantil e arrogante, Michael Scott não é mais do que uma caricatura de alguém narcisista, preconceituoso e que foge a sete pés dos conflitos. A sua famosa piada "That's what she said!", replicada vezes sem conta ao longo da série e utilizada para responder a comentários que possam parecer de cariz sexual quando retirados do seu contexto, é representativa da forma inteligente e perspicaz como os criadores de ‘The Office’ retratam o ambiente de trabalho do típico escritório americano neste documentário simulado.
    Há algumas linhas atrás disse que Michael via em cada um dos seus colegas um amigo. Bem… isto não é completamente verdade. Acontece que há um tipo na Dunder Mifflin que tira o Gerente Regional do sério. Toby Flenderson é o gerente de recursos humanos (tinha de ser) e único colega que Michael não considera parte da família, desprezando-o abertamente pelas suas persistentes tentativas de impor as regras corporativas no local de trabalho. Mas os fãs da série bem podem agradecer a Toby, que no seu regresso ao escritório após ausência prolongada deu origem a um dos melhores momentos de sempre de ‘The Office’ (ora vejam).
    Michael acaba por se revelar uma pessoa que não procura mais do que a aprovação das pessoas que o rodeiam, preocupando-se mais com isto do que em ser o líder da equipa. Mas se há coisa que não lhe podem apontar é de ter falta de lealdade à Dunder Mifflin, sendo sempre o primeiro a vestir a camisola da empresa.
    O reconhecimento dos seus pares chega quando este diz adeus à série na 7ª temporada, pela voz de Jim Halpert (aquele engraçadinho que se está sempre a meter com o Dwight, lembram-se?), no momento mais emotivo desta série de comédia.                            

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Lorena Wildering, Nuno Cunha, Cê e SWP.
Foram tidos em consideração séries com pelo menos 1 temporada, concluída a 1 de Outubro de 2015. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou às séries que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

6 de maio de 2016

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 37

E o milagre consumou-se. No começo do ano desportivo as odds de Bono, vocalista dos U2 virar papa eram mais favoráveis do que as do Leicester ser campeão; mas as rapozas azuis conseguiram um dos maiores feitos da História do futebol, confirmando o título, ainda por cima, na antepenúltima jornada do campeonato. Uma história para contar aos netos, carimbada na segunda-feira à noite quando Leicester saiu à rua depois de Hazard (melhor jogador da Premier em 2014/ 15, fantasma nesta temporada até marcar o golo da passagem do testemunho de campeão) marcar um golaço e Kane berrar a meio-campo.
    É com o Leicester City campeão que entramos nas últimas duas jornadas da Premier League e, como tal, do Fantasy. Esta jornada 37 prevê-se entusiasmante, com duplo jogo para 8 equipas. A luta pela manutenção terá um capítulo decisivo (Newcastle desloca-se ao "lanterna vermelha" Aston Villa, Sunderland recebe Everton e Chelsea, Norwich recebe United e Watford), Manchester City e Arsenal enfrentam-se num jogo decisivo nas contas do acesso directo à fase de grupos da Champions League, e se por acaso os citizens perderem, o rival Manchester United e o West Ham ainda terão uma palavra a dizer na luta pelo 4.º lugar.
    O West Ham é a equipa mais apetecível desta jornada - recebe um Swansea desfalcado, e faz diante do Manchester United o último jogo da sua História no Boleyn Ground, antes de fazer as malas para o estádio Olímpico de Londres. É fácil imaginar o ambiente contagiante que se viverá nestes 2 últimos jogos em casa, com Payet, Carroll, Cresswell, Noble, Antonio e Lanzini a serem boas opções para as vossas equipas. Os dois jogos do Liverpool têm presente o perigo de Klopp poder refrescar a equipa no 1.º jogo, no rescaldo do Liverpool 3-0 Villarreal, mas o facto de não ter havido prolongamento e do Liverpool respirar agora alegria e confiança por estar numa final europeia deve amenizar a rotação. Afinal, com jogadores confiantes e motivados, a cabeça e as pernas recuperam mais rápido. Entre os "duplos", apostar no Norwich parece-nos um tremendo risco, e no Sunderland há poucas figuras que justifiquem ser consideradas - Defoe, Borini e van Aanholt os únicos, possivelmente -, enquanto que o Chelsea e o Watford também têm uma palavra a dizer na constituição dos vossos plantéis.
    Teoricamente serão activados diversos Bench Boost e Triple Captain nesta ronda.
    Recuando uma semana, Sadio Mané (uma boa opção para a última jornada) fartou-se de pontuar, com um hat-trick diante do Manchester City a valer-lhe 20 pontos. Mark Noble (sem penalties) brilhou no meio-campo tal como o seu colega Kouyaté; Karl Darlow segurou o Newcastle na luta, Ayew foi avassalador contra o Liverpool, Deeney virou um jogo a partir dos 90 minutos, Iheanacho continuou a mostrar quanto potencial tem para Guardiola trabalhar, numa jornada pouco exuberante em termos de defesas.


Nesta 37.ª jornada, sugerimos:

Dimitri Payet - West Ham - 8.6
    Soltem as bolhas de sabão, o Boleyn Ground viverá Sábado e terça-feira os seus dois últimos jogos. Tudo está a favor de Dimitri Payet.
    Prevemos uma atmosfera impressionante, com os adeptos e a equipa em comunhão perfeita, e o Swansea (sem Ashley Williams, Montero e Sigurdsson) parece ser uma presa demasiado apetecível nestas circunstâncias para ser ignorada. Como se não bastasse isso, há ainda um 2.º jogo - mais equilibrado, à partida - embora o West Ham 2015/ 16 seja quase sempre letal contra os grandes. Depois de ser eliminado pelo Manchester United, em casa, na repetição dos quartos-de-final da FA Cup, os hammers quererão vingança e o jogo de terça-feira poderá servir inclusive para que haja uma troca directa de posições na classificação.
    Payet, o talismã do West Ham, é o elemento mais constante da equipa, e tem o perfil indicado para dar corpo à energia irradiada pelos adeptos, e por isso é também um forte candidato à braçadeira nesta jornada do Fantasy. Sem Ashley Williams a defesa do Swansea será certamente outra coisa para Andy Carroll (Cresswell e Payet terão ordem para cruzar à vontade), e De Gea já sabe esta temporada o que é sofrer um golaço de livre directo do craque francês.
    Entre Payet, Carroll, Cresswell, Noble, Antonio e Lanzini, é recomendável que tenham três. E tudo começa por Payet.
   

Jermain Defoe - Sunderland - 5.3
    Se o Sunderland se salvar, tudo indica que será graças a este homem. O veterano de 33 anos, com 14 golos apontados nesta edição, é juntamente com Fabio Borini e com o desequilibrador e defesa goleador Patrick van Aanholt um dos poucos elementos dos black cats nos quais vale a pena depositar esperanças.
    O Sunderland recebe Chelsea e Everton, equipas mais fortes é certo, mas a equipa de Allardyce tem demonstrado garra e nos últimos anos o Sunderland tem-se safado sempre nestas condições - nas jornadas finais, ganhando jogos improváveis. É indiscutível que os jogadores do Sunderland têm mais razões para lutar em campo do que blues e toffees, e parece-nos que tudo começará por uma defesa assertiva e muito organizada (nos últimos 5 jogos, 3 clean sheets). No entanto, e atendendo a que o Newcastle deve conquistar 3 pontos em casa do Aston Villa, elementos ofensivos como Jermain Defoe e Borini sabem que terão que aparecer para que o Sunderland vá para a última jornada vivo (curiosidade: na primeira volta o Sunderland perdeu 6-2 com o Everton, e 3-1 com o Chelsea).
   

Daniel Sturridge - Liverpool - 10.2
    Impressionante. Quando vemos Daniel Sturridge em campo continua a parecer-nos um jogador longe da plenitude dos seus recursos. Parece receoso de sprintar, não apresenta a mesma agilidade nem a mesma acutilância (normal, considerando a brutalidade de lesões que o traumatizaram nas últimas épocas). Só que a qualidade de Sturridge é tanta que, mesmo a meio gás, marca golos atrás de golos.
    Na Premier League ficou em branco contra o Swansea, mas antes disso marcara 5 golos em 6 jogos. Esta quinta-feira foi peça-chave na qualificação para a final da Liga Europa. E se por um lado a sua titularidade diante do Villarreal pode significar descanso diante do Watford (jogando Benteke, por exemplo) e regressando Sturridge contra o Chelsea, não podemos ignorar que Sturridge parece querer ser titular todos os jogos até ao final para demonstrar a Hodgson que pode confiar nele levando-o para França.
    Poucos são tão eficazes quanto ele. Poucos fazem tantos estragos com tão pouco espaço e sem abusar da mobilidade ou da velocidade. Sturridge pode até só ser titular num dos jogos desta "jornada dupla", mas vêm aí golos, e pelo menos 110 minutos de competição no total.
     

Eden Hazard - Chelsea - 10.9
    O futebol é mágico, imprevisível, mas é também irónico. Nas últimas 3 temporadas os pontos de Hazard no Fantasy foram sempre muito elevados e crescentes (190, 202, 233) com um registo de 14 golos e 10 assistências tanto em 2013/ 14 como em 2014/ 15. Depois de ser coroado Jogador do Ano na temporada passada, esperava-se que o belga mantivesse o nível, aproximando-se dos melhores do mundo na corrida à Bola de Ouro. Mas não foi isso que aconteceu.
    Quase um ano mais tarde, Hazard conta 4 golos e 4 assistências, mas conseguiu ficar ligado ao título do Leicester. Os bons desempenhos contra Bournemouth e Tottenham (parece outro, Eden Hazard) justificam a aposta por parte dos mais ousados, até porque Hazard tem 2 jogos para mostrar que o momento de forma é para manter.
    Já aqui o dissemos, e o belga pode estar a aquecer para um fabuloso Euro-2016. Todos sabemos do que ele é capaz, e foi esse Hazard que apareceu, finalmente, nos últimos jogos. 
       

Troy Deeney - Watford - 5.3
    É impossível não gostar de Troy Deeney. O capitão do Watford, uma força da natureza (só perde para Gestede em termos estatísticos nos duelos aéreos ganhos por jogo, sendo superior a van Dijk, Carroll ou Pellè) e um líder como poucos, voltou a mostrar que os jogos são para serem disputados até ao apito final, e virou quase sozinho um Watford 1-2 Aston Villa para 3-2, com um bis depois do minuto 90.
    Apostar na defesa do Watford não nos parece sensato nesta ronda, mas as duas visitas (Liverpool e Norwich) podem ser boas para Deeney e Ighalo. Os hornets desejariam certamente encontrar um Liverpool mais devastado ou exausto, mas de qualquer forma parece-nos que o Watford poderá marcar nos seus 2 jogos desta ronda. E golos do Watford são normalmente Deeney ou Ighalo (em 36 golos, 26 foram deles).
    
    


Outras Opções:
- Guarda-Redes: Tem dois jogos, é o melhor guarda-redes da Premier League, e embora só acreditemos numa clean sheet por parte do Manchester United, colocamos David De Gea (5.9) acima da concorrência nesta jornada. Adrián, que até medirá forças com o compatriota no segundo jogo de ambos, seria teoricamente uma boa escolha, mas deve só jogar o 2.º segundo, aquele em que é menos provável os hammers não sofrerem golos.
    Nos outros jogos, Mannone parece-nos bastante arriscado e Mignolet pode sempre ver Ward ocupar a baliza num dos jogos. Entre os GR com apenas um jogo, Darlow e Schmeichel têm vantagem.

- Defesas: Três laterais-esquerdos são as nossas opções prioritárias para esta ronda. Primeiro, Aaron Cresswell (5.8), um dos elementos que melhor cruza para Carroll, com fortes hipóteses de ter uma clean sheet e de conseguir pelo menos uma assistência e, como tal, bónus. Não é difícil que o lateral inglês passe a dezena de pontos nesta jornada. Do West Ham, também Winston Reid pode realizar uma boa jornada. Maior risco representam depois, por diferentes razões, Patrick van Aanholt (4.8) e Alberto Moreno (4.8). O lateral do Sunderland é o defesa com mais golos a par de Scott Dann e um dos poucos desequilibradores do clube. É mais realista projectarem um bom desempenho ofensivo do lateral holandês do que propriamente a sua prestação defensiva. Já em relação a Moreno, há sempre o fantasma da "rotação", mas acreditamos que Klopp possa até manter três jogadores (os laterais Moreno e Clyne, e o central Lovren) de um jogo para o outro.
    Antonio Valencia (5.0) atravessa um bom momento, Charlie Daniels e Steve Cook são os defesas do Bournemouth com maior potencial de se destacarem contra o WBA, e há sempre Fuchs e Morgan do Leicester (veremos como será o desempenho da defesa sem o rochedo Huth).

- Médios: Entre médios, e tendo já falado de Payet, existem ainda os seus colegas de equipa Manuel Lanzini (4.9), Mark Noble (5.6), Antonio e Kouyaté. Riyad Mahrez (7.2) continua, mesmo com um jogo apenas, a entrar nas nossas contas, ele que em conjunto com Vardy pode semear o terror num jogo festivo para o campeão Leicester. Andros Townsend (5.8), também com 1 jogo apenas, parece-nos disposto a carregar o Newcastle nestes últimos metros, e depois há elementos cujos minutos são questionáveis como Coutinho, Firmino e Milner. Caso o Manchester City queira roubar o 3.º lugar ao Arsenal, terá que controlar Alexis Sánchez, e precisará de De Bruyne.

- Avançados: Já mencionámos Sturridge, Defoe e Deeney, mas importa de facto não esquecer Andy Carroll (6.6). O gigante inglês só perde para Mané em termos de forma recente no Fantasy e quererá continuar a mostrar ao seleccionador quão útil pode ser no Europeu. Temos algumas reticências em relação a Harry Kane porque a resposta dos spurs, ainda para mais contra um Southampton em que tudo tem fluido bem, pode não ser a melhor, enquanto que Kun Agüero (13.3) terá invariavelmente que dizer presente no Manchester City-Arsenal, ele que está a 2 golos de Kane.
    Ah, e sim há Jamie Vardy (7.4), cuja electricidade depois de 2 jogos de fora deve chegar e sobrar para destruir a defesa do Everton, equipa que vive um mau momento.


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11 (3-4-3): De Gea; van Aanholt, Moreno, Cresswell; Payet, Hazard, Mahrez, Townsend; Defoe, Sturridge, Carroll

Atenção a (Clássico; Diferencial):
Norwich v Manchester United - Nathan Redmond; Antonio Valencia
Aston Villa v Newcastle - Andros Townsend; Karl Darlow
Bournemouth v West Brom - Charlie Daniels; Callum Wilson
Crystal Palace v Stoke - Jason Puncheon; Connor Wickham
Sunderland v Chelsea - Jermain Defoe; Eden Hazard
West Ham v Swansea - Dimitri Payet; Andy Carroll
Leicester City v Everton - Jamie Vardy; Wes Morgan
Tottenham v Southampton - Harry Kane; Sadio Mané
Liverpool v Watford - Daniel Sturridge; Troy Deeney
Manchester City v Arsenal - Kun Agüero; Kevin De Bruyne
West Ham v Manchester United - Dimitri Payet; Manuel Lanzini
Norwich v Watford - Odion Ighalo; Robbie Brady
Sunderland v Everton - Patrick van Aanholt; Fabio Borini
Liverpool v Chelsea - Philippe Coutinho; Adam Lallana

2 de maio de 2016

100 Melhores Personagens de Séries - Nº 28



Série: Seinfeld
Actor: Jason Alexander


por Miguel Pontares

    Sabem aqueles dias em que tudo vos corre mal? Nos quais o mundo parece ter conspirado de propósito a maior sucessão de azares só para vos tramar... um dedo mindinho que bate numa quina de um móvel, uma mensagem que enviam sem querer para a pessoa errada, um dejecto que estava destinado à sola do vosso sapato ou um pingo de molho que queria mesmo adornar aquela roupa que não podiam sujar.
    Para George Costanza todos os dias são assim. 
    Há 8 personagens atrás falámos de Cosmo Kramer, o desvairado vizinho de Jerry Seinfeld. Oito andares acima, eis o melhor amigo Costanza. George parece saído de um filme de Woody Allen, mas teve como inspiração o co-criador de 'Seinfeld', Larry David. É um neurótico, uma autêntica panela de pressão à qual a tampa está sempre pronta para saltar sob a forma de berros vociferados; é um desastre completo com o sexo feminino (queixa-se, generalizando a partir de 1 caso, que de tão mau que é as mulheres preferem tornar-se lésbicas depois de estar com ele) e não consegue manter um emprego (a dada altura chega mesmo a regressar para casa dos pais). Ao longo das 9 temporadas da série, o emprego no qual permanece mais tempo acaba por ser como assistente nos New York Yankees, mas se há coisa que caracteriza o homem baixo, de óculos e careca que se intitulava lord of the idiots, é a sua inquestionável habilidade para mentir.
    Tal como Kramer, Costanza perde-se em esquemas e mentiras - desespera e tudo faz para que uma namorada sua não ouça uma mensagem que lhe deixou no atendedor de chamadas, deixa o carro estacionado junto do Yankee Stadium ad aeternum para que o chefe pense que ele está a trabalhar sem parar, e chega mesmo a fingir-se deficiente motor para ter direito a uma casa-de-banho exclusiva no trabalho.
    No universo das séries de comédia, 'Seinfeld' continua a ser o Olimpo, e o homem que a piscina encolheu e que em miúdo via o seu apelido ser transformado em Can't Stand Ya vai ser sempre uma das referências na comédia televisiva. E sim, os seus pais Estelle e Frank (sendo o pai interpretado pelo pai de Ben Stiller) também ajudaram a imortalizar uma personagem que merecia outra valorização "oficial": como George Costanza, Jason Alexander foi 7 vezes nomeado ao Emmy de melhor actor secundário numa série de comédia, mas nunca ganhou. Até aí Costanza falhou. Mas não na arte de conquistar os fãs. E para isso não precisou de quaisquer mentiras.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Lorena Wildering, Nuno Cunha, Cê e SWP.
Foram tidos em consideração séries com pelo menos 1 temporada, concluída a 1 de Outubro de 2015. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou às séries que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

1 de maio de 2016

100 Melhores Personagens de Séries - Nº 29



Série: Breaking Bad, Better Call Saul
Actor: Bob Odenkirk


por Tiago Moreira

    Podíamos introduzir o nosso personagem de hoje com um nome diferente, mas faz mais sentido ser apresentado como Saul Goodman. Porquê? Porque a primeira vez que o vemos, em Breaking Bad, foi num anúncio de televisão - com o nome de Saul Goodman - e que convenceu completamente Jesse Pinkman quando ele e Walter White estavam em problemas. E segundo Saul, se estás com problemas legais... "Better call Saul..."
    Saul acaba por safar Jesse e Walter de uma série de problemas e ainda por - indirectamente - colocá-los num problema ainda maior de seu nome Gus Fring.

    Saul Goodman é um advogado que usa todas as suas armas no mundo da justiça. Seja de forma legal, ou ilegal... Saul tenta vencer os seus casos com os seus planos quase sempre eficazes e com a sua fabulosa rectórica. Uma habilidade que obriga a Bob Odenkirk a um trabalho brilhante com a sua personagem. 
    Em Breaking Bad, Saul já tinha alguma notoriedade ainda que fosse apenas uma personagem de segundo plano. E depois de BB ter acabado, a hipótese de haver uma série centrada na sua personagem ganhou força e acabou mesmo por acontecer nos últimos dois anos. O facto das suas ligações com Mike Ehrmantraut e Gus Frings não terem sido claras em Breaking Bad ajudou à história do spin-off Better Call Saul. E é nesta segunda série que conhecemos verdadeiramente Saul Goodman, que na verdade se chama Jimmy McGill.
    Jimmy é um homem com um coração enorme, que admira o seu irmão, enamorado por Kim Wexler e com uma paixão pelo mundo da advocacia, de onde o seu irmão Chuck é um dos melhores da cidade. Em Better Call Saul acompanhamos a história que levou Jimmy a tornar-se Saul e as suas primeiras ligações com Mike Ehrmantraut. Gus Fring, ao que tudo indica, ficará para uma terceira temporada.
    É incrível vermos a preocupação e o amor dado por Jimmy ao seu irmão Chuck (que padece duma doença psicológica que o afecta fisicamente), mesmo quando Chuck apenas se preocupa em tramar Jimmy por mera inveja. Inveja que vem de anos atrás, onde Chuck achava que era o filho e homem ideal e ainda assim era o trapalhão e divertido Jimmy que ficava com todas as atenções dos seus entes queridos.

    A segunda temporada foi melhor que a primeira e acabou de forma abrupta deixando-nos com água na boca. Um fim como se tratasse dum episódio de metade da temporada. Os criadores podiam ter optado pelo cliché de fazerem um final bombástico que aumentasse o hype da série, mas acabaram desta forma que, na minha opinião, ainda cativa mais. Aguardamos com ansiedade o desenrolar da história entre Jimmy e Chuck, do destino de Kim e ainda do aparecimento de Gus. Resta-nos esperar mais um anito...

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Lorena Wildering, Nuno Cunha, Cê e SWP.
Foram tidos em consideração séries com pelo menos 1 temporada, concluída a 1 de Outubro de 2015. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou às séries que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.