Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

16 de outubro de 2014

Primeiras previsões para os Óscares 2015

Vindos directamente do futuro, trazemos informações fresquinhas sobre os próximos Óscares. Confiem nas nossas primeiras previsões barbudas, mas não as tomem com um facto irrefutável, isto porque de génio e de louco todos temos um pouco.

    À imagem do que fizemos no ano passado, achámos que já era altura de vos ir alertando para os principais filmes, actores e actrizes que em princípio, consoante os rumores dos bastidores de Hollywood, poderão ser nomeados para a grande noite do Cinema de 2015. A 87.ª edição tem data marcada para 22 de Fevereiro de 2015, e os nomeados serão divulgados a 15 de Janeiro. A apresentação ficará a cargo de Neil Patrick Harris. Assim, exactamente três meses antes de se saber quem estará na corrida para cada estatueta, vamos lá averiguar então quem é que se encontra, por agora e ainda com imensos filmes por estrear, melhor colocado. Nos últimos anos o leque de produtores e grandes distribuidores tem sido amplificado (não é tão maciço o reinado dos irmãos Weinstein), e 2015 até poderá ser um ano.. diferente.. introduzindo nomes menos comuns e com menos rotinas nestas andanças. De qualquer forma, continuamos a dizer, há que olhar sempre para o que andam a fazer os meninos queridos da Academia: Meryl Streep, Amy Adams, por aí.

    Sem nos querermos aventurar ainda nas categorias técnicas, nos Argumentos ou mesmo no Filme de Animação (talvez The Lego Movie ocupe actualmente a pole position) o raciocínio abaixo apresentado focaliza-se sim nas 6 grandes categorias: Melhor Filme, Melhor Actor, Melhor Actriz, Melhor Actor Secundário, Melhor Actriz Secundária e Melhor Realizador.

Melhor Filme

    É ainda uma total incógnita qual será o sucessor de '12 Years a Slave' e é também complicado apontar um lote porque o número final de películas nomeadas pode ser variável (embora nos últimos três anos tenham sido 9) mas podem-se ir lançando uns nomes para a tômbola. Boyhood, de Richard Linklater, tem tudo para integrar o conjunto de nomeados deste ano - um filme realizado durante 12 anos e que poderá valer a Linklater o reconhecimento que este merece, sempre a criar/ abraçar projectos com formatos invulgares, trabalhando as relações humanas com mestria. Outro dos candidatos do ano é Birdman - Alejandro González Iñárritu dá-nos a história de um actor que em tempos interpretou um super-herói (Michael Keaton, que curiosamente na realidade foi Batman), juntando um elenco que promete. Para além de Keaton há Edward Norton, Emma Stone, Zach Galifianakis e Naomi Watts. De resto, o negro e envolvente Gone Girl poderá ter também o seu espaço, bem como The Imitation Game, com Benedict Cumberbatch a ambicionar uma primeira nomeação para uma estatueta dourada, num papel que talvez tenha traços do John Nash de Russell Crowe. Claro está que, com Christopher Nolan a lançar Interstellar, a probabilidade de a coisa correr muito bem é bastante elevada e aguarda-se com expectativa os trabalhos de Angelina Jolie e Clint Eastwood, Unbroken e American Sniper, respectivamente.
    Ainda assim, e numa fase tão prematura, importa considerar Theory of Everything (o filme que contempla a relação de Stephen Hawking e da sua mulher), Foxcatcher (filme que foi estrategicamente adiado do ano passado para este, e que conta com a transformação de Steve Carell e Channing Tatum), Mr. Turner, Big Eyes, Selma, Whiplash, The Grand Budapest Hotel, Wild e ainda outros nomes como Inherent Vice, The Gambler, Still Alice, Into the Woods, A Most Violent Year, Trash ou Fury.

Melhor Actor Principal

    Em 2014 deveria ter sido Leonardo DiCaprio mas foi Matthew McConaughey. 2015 poderá lançar dois jovens actores para a ribalta, consagrar dois actores mais experimentados ou premiar a transformação de um quinto elemento. Isto analisando apenas 5 elementos de uma lista de vários potenciais nomeados. Falar de jovens é falar de Benedict Cumberbatch (The Imitation Game) e Eddie Redmayne (Theory of Everything). A ascensão de "Sherlock" Cumberbatch tem sido entusiasmante e Redmayne tem em Stephen Hawking uma personagem icónica; depois há Michael Keaton, já bastante elogiado pelo seu papel em Birdman, e Timothy Spall tem potenciado Mr. Turner para outro patamar. Fechando o primeiro lote de 5 há Steve Carell, a dizer adeus ao seu habitual registo de comediante.
    Mas eles não estão sozinhos, e esta categoria promete este ano. Seja ou não nomeado, Jack O'Connell, o Cook da série britânica 'Skins', vai finalmente mostrar aquilo que vale em Unbroken, filme de Angelina Jolie. Fiquem também atentos aos desempenhos de Bradley Cooper (American Sniper), Jake Gyllenhaal (Nightcrawler), Joaquin Phoenix (Inherent Vice), David Oyelowo (Selma), Christoph Waltz (Big Eyes), Brad Pitt (Fury), Bill Murray (St. Vincent) e Oscar Isaac (A Most Violent Year). E sim, Ralph Fiennes fez rir em The Grand Budapest Hotel e Ellar Coltrane deu 12 anos da sua vida a Boyhood.

Melhor Actriz Principal

    Julianne Moore, Reese Witherspoon e Rosamund Pike lideram para já as odds para a principal estatueta dourada feminina. A ruiva Julianne Moore, acompanhada por Alec Baldwin e Kristen Stewart em Still Alice é um dos nomes a ter em atenção, enquanto que Rosamund Pike foi uma agradável surpresa em Gone Girl. Depois há Reese Witherspoon, que produziu o filme em que Rosamund Pike brilhou, mas que brilha por si em 'Wild', filme do realizador de Dallas Buyers Club e que transpira 'Into the Wild', mas com estrogénio em vez de testosterona.
    Conhecendo a forma como a Academia delira em tudo o que Amy Adams toca é bem possível que esta acabe nomeada pelo seu papel em Big Eyes, e neste momento ainda não é certo se Felicity Jones contará como actriz principal ou actriz secundária, ao apoiar Redmayne enquanto Stephen Hawking ao longo da sua doença. Shailene Woodley continuou a mostrar a sua maturação enquanto actriz em The Fault in Our Stars, e Jessica Chastain e Marion Cotillard têm cada qual 2 filmes que as podem dar algumas alegrias.

Melhor Actor Secundário

    No ano passado Jared Leto venceu, embora pessoalmente até preferíssemos Michael Fassbender ou Jonah Hill, mas numa categoria onde a Academia costuma surpreender de vez em quando (o ano passado a surpresa teve o nome de Barkhad Abdi) 2015 espera-se um ano definitivamente invulgar. Para já, J.K. Simmons e Edward Norton parecem partir na frente. O actor de Whiplash, que tentará levar o seu aluno Miles Teller ao limite, tem acumulado boas críticas e é de saudar o ressuscitar de Edward Norton (Birdman), um dos actores-sensação nos anos 90. Depois poderá haver Mark Ruffalo (se Foxcatcher resultar será graças ao trio Carell-Tatum-Ruffalo), Ethan Hawke esteve bem em Boyhood e ainda há um vasto conjunto de actores cujos desempenhos são incógnitas: John Goodman (The Gambler), Albert Brooks (A Most Violent Year), Robert Duvall (The Judge), Tom Wilkinson (Selma), Logan Lerman (Fury), Josh Brolin (Inherent Vice) ou Domhall Gleeson (Unbroken). Caso a Academia queira um "Barkhad Abdi" versão 2015 a escolha poderá eventualmente recair em Takamasa Ishihara (de nome artístico Miyavi), um cantor japonês que se estreou no grande ecrã pela mão de Angelina Jolie em Unbroken e cuja estreia tem sido elogiada.

Melhor Actriz Secundária

    2014 foi a vez de Lupita Nyong'o cantar vitória no seu filme de estreia, mas 2015 dificilmente terá uma estreante a ganhar. Patricia Arquette parece bem colocada para representar Boyhood nas categorias de intrepretação (para Ethan Hawke é mais difícil, e para Ellar Coltrane muito mais), e o seu papel tem ADN de Academia. Keira Knightley (The Imitation Game) e Emma Stone (Birdman) poderão ganhar calo nestas andanças (para Stone seria inclusive uma estreia); mas a Academia poderá optar por actrizes mais experimentadas como a crónica Meryl Streep (Into the Woods), Laura Dern (Wild), Jessica Lange (The Gambler) ou Vanessa Redgrave (Foxcatcher). Se houver surpresa deverá ser Carmen Ejogo, pelo seu papel em Selma, e Jessica Chastain é também uma fortíssima candidata, participando este ano em A Most Violent Year, Interstellar e The Disappearence of Eleanor Rigby, podendo por esta tríade ter acesso ou às nomeações para melhor actriz ou melhor actriz secundária.

Melhor Realizador

    Um pouco pela lógica mencionada nas categorias acima, poderemos ter Richard Linklater a ser premiado por um retrato perfeito do que é crescer em 'Boyhood', poderemos ter Alejandro González Iñárritu, o cérebro por trás de Birdman, ou David Fincher (Gone Girl), um dos reis dos thrillers do século XXI. Somos suspeitos nesta avaliação mas Christopher Nolan (Interstellar) terá sempre que ser considerado, e vamos ver se é desta que Angelina Jolie (Unbroken) revela dotes a realizar. Não são ainda de excluir Clint Eastwood (American Sniper), Bennett Miller (Foxcatcher), Paul Thomas Anderson (Inherent Vice), David Ayer (Fury), Wes Anderson (The Grand Budapest Hotel), Morten Tyldum (The Imitation Game) ou Ava DuVernay (Selma).


    Vão preparando os baldes de pipocas e vão entrando em estágio porque os bons filmes começam já em Novembro. Com o evoluir do tempo iremos procurar actualizar-vos, cortando vários nomes e afunilando para um lote mais restrito de candidatos por categoria.
    Pelo menos um filme por semana só faz bem à saúde, por isso vejam se vão passando os olhos por esta lista.

MELHOR FILME
Boyhood, Birdman, The Imitation Game, Gone Girl, Interstellar, Unbroken, American Sniper, Foxcatcher, Theory of Everything, Selma, Big Eyes, Mr. Turner, Whiplash, The Grand Budapest Hotel, Wild, A Most Violent Year, Into the Woods, Inherent Vice, Fury, Still Alice, The Hobbit: The Battle of Five Armies

MELHOR ACTOR
Michael Keaton (Birdman), Benedict Cumberbatch (The Imitation Game), Steve Carell (Foxcatcher), Eddie Redmayne (Theory of Everything), Timothy Spall (Mr. Turner), Bradley Cooper (American Sniper), Jack O'Connell (Unbroken), Jake Gyllenhaal (Nightcrawler), Joaquin Phoenix (Inherent Vice), Ralph Fiennes (The Grand Budapest Hotel), Miles Teller (Whiplash), Ben Affleck (Gone Girl), Oscar Isaac (A Most Violent Year), Christoph Waltz (Big Eyes), Ellar Coltrane (Boyhood), Brad Pitt (Fury), David Oyelowo (Selma), Matthew McConaughey (Interstellar), Bill Murray (St. Vincent)

MELHOR ACTRIZ
Julianne Moore (Still Alice), Reese Witherspoon (Wild), Rosamund Pike (Gone Girl), Felicity Jones (Theory of Everything), Amy Adams (Big Eyes), Shailene Woodley (The Fault in Our Stars), Jessica Chastain (A Most Violent Year), Hilary Swank (The Homesman), Marion Cotillard (Two Days, One Night), Emily Blunt (Into the Woods)

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
J.K. Simmons (Whiplash), Edward Norton (Birdman), Mark Ruffalo (Foxcatcher), Ethan Hawke (Boyhood), John Goodman (The Gambler), Takamasa Ishihara (Unbroken), Robert Duvall (The Judge), Logan Lerman (Fury), Tom Wilkinson (Selma), Albert Brooks (A Most Violent Year), Josh Brolin (Inherent Vice), Domhall Gleeson (Unbroken)

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Patricia Arquette (Boyhood), Keira Knightley (The Imitation Game), Emma Stone (Birdman), Laura Dern (Wild), Carmen Ejogo (Selma), Meryl Streep (Into the Woods), Jessica Lange (The Gambler), Vanessa Redgrave (Foxcatcher), Sienna Miller (American Sniper), Kristen Stewart (Still Alice), Jessica Chastain (Interstellar), Rene Russo (Nightcrawler)

MELHOR REALIZADOR
Richard Linklater (Boyhood), Alejandro González Iñárritu (Birdman), David Fincher (Gone Girl), Christopher Nolan (Interstellar), Angelina Jolie (Unbroken), Clint Eastwood (American Sniper), Bennet Miller (Foxcatcher), Paul Thomas Anderson (Inherent Vice), Morten Tyldum (The Imitation Game), Ava DuVernay (Selma), Wes Anderson (The Grand Budapest Hotel), Mike Leigh (Mr. Turner), James Marsh (Theory of Everything), Jean-Marc Vallée (Wild), David Ayer (Fury), Tim Burton (Big Eyes), J.C. Chandor (A Most Violent Year), Stephen Daldry (Trash), Damien Chazelle (Whiplash)

15 de outubro de 2014

Crítica: Gone Girl

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: David Fincher
Argumento: Gillian Flynn
Elenco: Ben Affleck, Rosamund Pike, Carrie Coon, Tyler Perry, Neil Patrick Harris, Kim Dickens
Classificação IMDb: 8.1 | Metascore: 79 | RottenTomatoes: 88%
Classificação Barba Por Fazer: 84

    Desta vez podemos dizê-lo sem rodeios e de forma unânime: cá está um filme que vale realmente a pena ir ver ao cinema. David Fincher, o homem que já fez videoclips para Madonna, George Michael, Billy Idol, Michael Jackson e The Rolling Stones (entre outros), é actualmente um dos reis contemporâneos na Arte de realizar um Thriller. Não podemos dizer que 'Gone Girl' seja a obra-prima de Fincher porque em 1999 realizou Fightclub, mas dentro do género policial/ drama/ mistério, este Em Parte Incerta (nome do filme nas salas de cinema portuguesas) é uma consequência natural de alguém que foi desenvolvendo a sua própria impressão digital com filmes como 'Se7en', 'Zodiac' ou 'The Girl with the Dragon Tattoo'. Este filme, magnificamente bem apoiado pela banda sonora de Atticus Ross e Trent Reznor e pela sua Fotografia e Edição, sabe ainda um pouco a 'Prisoners', filme de Denis Villeneuve no ano passado, e permite num exagero calculado chamar a David Fincher o Hitchcock dos tempos modernos.
     Mas tudo começa, neste caso, no Argumento. Gone Girl resulta da adaptação do livro com o mesmo nome, um best-seller nos EUA, produto da escritora Gillian Flynn. A magnífica imaginação de Flynn, capaz de explorar não só a essência do casamento através de jogos misteriosos e tenebrosos, mas cruzando também essa realidade com uma abordagem crítica ao modo como tudo é alvo dos media (tendo a imprensa a capacidade de ostracizar alguém ou elevá-lo a herói num abrir e fechar de olhos) é o ponto de partida para um bom filme. E certamente que o facto de ter sido a própria Gillian Flynn a adaptar para o grande ecrã o seu livro também ajudou. 
    'Gone Girl' começa no dia do 5.º aniversário de casamento de Nick Dunne (Ben Affleck) e Amy Dunne (Rosamund Pike). Nick dá conta do desaparecimento de Amy e reporta-o à polícia, acabando o caso por ganhar uma notoriedade mais ampla e acabando Nick como suspeito da morte da mulher. Mas será que foi ele - o homem que não se sabe comportar "adequadamente" enquanto a mulher está desparecida - quem a fez desaparecer? Ao longo do filme o espectador é levado a criar progressivamente os seus próprios juízos, com a narrativa a evoluir em 2 realidades temporais - acompanhamos a investigação do caso no presente, enquanto somos confrontados com vários flashbacks contados por Amy, escritos no seu diário, e referentes à evolução da sua relação com Nick.
    Por entre os meandros de um casamento aparentemente saudável, Fincher e Flynn levam-nos numa viagem com curvas e contra-curvas, com pontos de interrogação e de exclamação, numa construção progressiva e metódica das personagens-chave e no verdadeiro puzzle que é, não só o crime central, mas também o casamento de Amy e Nick Dunne. Uma relação alimentada por enigmas criados por um casal de escritores (é reveladora, neste sentido, a cena em que os dois se conhecem), prejudicada pelo contexto (ambos ficam desempregados por via da crise economico-financeira) e por uma série de condicionantes e vicissitudes características da vida a dois.

    O enredo, que embora ligeiramente previsível acaba por ser envolvente e cativante, poderia ter apenas um final diferente mas isso não anula os 149 minutos bem passados. Ao longo da história são ainda chamados a cena a irmã de Nick, Margo (Carrie Coon), um ex-namorado de Amy chamado Desi (Neil Patrick Harris) e há ainda o actor Tyler Perry como advogado de Nick Dunne. Um filme negro (típico no trabalho de Fincher, o homem que excede os impossíveis a gravar takes por cena), inteligente e em que - para além do bom trabalho de Fincher e da boa cabeça de Flynn - há uma actriz que chama a si as atenções. Rosamund Pike, no papel de Amy Dunne, a mulher desaparecida, surpreende e entra perfeitamente numa personagem que, por si só, já continha bastante potencial. É muito provável que a vejamos no quinteto de nomeadas para Melhor Actriz em breve. Todo o casting parece adequado (inclusive Ben Affleck, que é melhor realizador e argumentista do que actor, encaixa bem num papel que de facto não pedia um enorme actor) e o próprio Marketing contribuiu para o galopante interesse que 'Gone Girl' reuniu à sua volta - podíamos falar do trailer com a música 'She', dos vários posters com "provas" ou ainda de uma excelente imagem de Pike e Ben Affleck numa mórbida reedição de uma célebre fotografia de John Lennon e Yoko Ono.

    Foi bem escrito, foi bem realizado, é bem interpretado e está bem pensado praticamente de uma ponta à outra. 'Gone Girl' é entretenimento garantido, fazendo-nos pensar, ajuizar e incriminar quem achamos ser o arguido final e, embora ainda falte bastante, podemos esperá-lo em várias categorias dos Óscares 2015: Rosamund Pike deverá constar entre as candidatas a Melhor Actriz, Gillian Flynn deverá ver o seu Argumento Adaptado reconhecido, David Fincher e o próprio Filme poderão também receber nomeações, e ainda sobram hipóteses técnicas (banda sonora e outras categorias sonoras, edição ou fotografia). Resume-se tudo, por fim, num olhar de Amy, captado pela perspectiva de Nick, e que representa na totalidade a personagem feminina, a estrela de um filme como devia haver mais.
    O crime e a história perfeita, porque muitas vezes a nossa própria realidade é uma ficção.

14 de outubro de 2014

Crítica: The Maze Runner

Realizador: Wes Ball
Argumento: James Dashner, Noah Oppenheim, Grant Pierce Myers, T. S. Nowlin
Elenco: Dylan O'Brien, Kaya Scodelario, Thomas Brodie-Sangster, Will Poulter, Aml Ameen
Classificação IMDb: 6.8 | Metascore: 57 | RottenTomatoes: 65%
Classificação Barba Por Fazer: 68

    Meus caros, hoje em dia a receita para escrever um best-seller é muito simples: um cenário pós-apocalíptico como contexto e um bando de miúdos a tentar sobreviver. Varia o conceito. Embora a receita não seja complexa, só os melhores cozinheiros (leia-se, escritores) conseguem efectivamente criar um mundo que resulte, que faça sentido de algum modo e que seja atractivo, seduzindo pela aventura, pelo futuro não muito distante e por isso mensurável.
Suzanne Collins lançou os seus Jogos da Fome (depois de uma epifania a fazer zapping e apanhando uma passagem de um reality show para imagens de guerra) em 2008, James Dashner lançou este The Maze Runner em 2009 e, já agora, Veronica Roth escreveu Divergent (que saiu no cinema antes do filme que criticamos hoje) lançado em 2011. Tudo farinha do mesmo saco, embora Suzanne Collins com a obra mais emblemática do género, mas 3 casos de livros escritos com criatividade, em que varia o conceito, e que pediam todos eles uma adaptação para o cinema.
    Em 'The Maze Runner' a história é simples, mas intrigante e cativante. Tudo começa com Thomas (Dylan O'Brien), um rapaz cuja memória foi apagada, a chegar num elevador a um local onde já estão vários outros rapazes, sem que algum deles saiba porque lá estão. Mais curioso que os restantes, Thomas procura compreender quem os colocou naquele local e porquê, sendo que os rapazes apenas têm 2 coisas como certas: todos os dias de manhã abre-se uma entrada para um Labirinto gigante que os rapazes tentam estudar e decorar com vista a uma possível fuga, e em cada mês é colocado no local um novo rapaz. O grupo de jovens estabelece internamente a sua própria hierarquia e funções para o bom funcionamento em comunidade, mas se o aparecimento de Thomas muda muita coisa, nada volta a ser o mesmo depois de ser colocada uma rapariga, Teresa (Kaya Scodelario), trazendo consigo a mensagem de que é a última a ser colocada no local.

    O primeiro filme da trilogia escrita por James Dashner é interessante. Puro entretenimento, capaz de nos deixar com a cabeça ocupada durante aproximadamente 2 horas, e uma boa introdução a um novo mundo, a um novo conjunto de personagens. Não sendo um "filme de actores" apenas faz sentido dizer que com este franchise Dylan O'Brien ganhará notoriedade nos próximos anos, bem como Kaya Scodelario, que se notabilizou na série britânica 'Skins' com a personagem Effy. O filme conta ainda com Thomas Brodie-Sangster, actor de 'Game of Thrones' e Will Poulter, um dos jovens actores que "surgiu" no ano passado.
    Em 2015 haverá nova aventura para Thomas e Teresa.

Garganta Afinada. Top 20 ( nº 99 )

    Reza a lenda que na Casa dos Segredos há pessoas que têm medo de palhaços, e há outras com fetiches que envolvem a Teresa Guilherme. Mal por mal, mais vale um sôfrego e asfixiante Sr. Batatinha. No nosso caso, não temos medo de ir ao circo, mas temos medo de vos deixar sem música e por isso mesmo cá vai disto!
    O Garganta Afinada (GA) está quase centenário, e nesta 99.ª edição há novamente muita música portuguesa de qualidade. No topo temos Noiserv com uma cantiga com um enorme nome - "Don't Say Hi if You Don't Have Time for a Nice Goodbye". Uma música fantástica como o próprio já tão bem nos habituou. Temos receio de ser repetitivos, mas a verdade é que não nos cansamos de dizer - Portugal tem muito talento. Não são só os artistas internacionais. Espalhados pelo Top temos ainda vários projectos "made in Portugal". Matheus Paraizo, que segundo consta há uns anos passeava a sua voz de criança por um daqueles concursos infantis (não são o nosso género de programas, confessamos), cresceu e conseguiu uma das melhores audições do Factor X português. Muita musicalidade e groove numa versão alternativa de 'Flawless', de Beyoncé, deste jovem com raízes brasileiras. Temos ainda uma música acústica gravada no exterior pelo rapper Smile - um dos pesos pesados da Liga Knockout - com Nelson Pereira. Uma faixa que merecia uma gravação em estúdio, apesar da letra usada por Smile nesta música já ter sido usada em "Passado, Presente e Futuro". Este Top é também marcado pelo regresso em grande de Carolina Deslandes. A ex-concorrente do Ídolos continua a deixar a sua marca em Portugal e juntou-se a Agir para o tema "Mountains" - um dos hits do momento. Damo-vos ainda a conhecer - a quem ainda não conhece obviamente - Francis Dale e Hello Atlantic. Francis Dale é um projecto musical de Diogo Riveiro que consiste num Soul Alternativo, com alguns toques de Jeff Buckley. Quanto a Hello Atlantic também consiste num projecto a solo, de João Esteves, - que teve origem na Finlândia - e tem Folk, Acústico e algum Country à mistura. Muito semelhante a The Tallest Man On Earth. O nosso "protegido" Filipe Pinto está também presente nesta miscelânea musical com um "Amanhã Talvez" que já em tempos partilhámos convosco, embora na altura apenas numa versão ao vivo e de menor qualidade sonora.
    Passando à estrangeirada, porque eles também têm direito, os brilharetes acústicos de The Lonely Forest voltam a ganhar destaque aqui no BPF com este "Woe is Me, I Am Ruined" e damo-vos a conhecer um novo duo - You+Me. A dupla é constituída por um dos cantores preferidos dos autores do Barba Por Fazer - Dallas Green - e pela cantora Pink. Pink já tinha participado em alguns espetáculos de Dallas, mas agora decidiram fazer música juntos e nós deixamo-vos aqui um aperitivo. Facto: Toda a música em que Dallas Green toca, tende a ser brilhante.
    De resto, não chegamos à centena sem partilharmos "Went Away" dos The Maccabees, uma das melhores músicas do álbum Given to the Wild e entre as várias boas vozes do X Factor britânico fica aqui um cheirinho da voz rouca de Ben Haenow, num ano em que o Reino Unido tem ouvido ainda grandes vozes como Paul Akister ou Andrea Faustini. Para não fugir à regra, voltámos a pescar músicas numa série televisiva. Desta vez foi na série Forever (série interessante) onde os 3 primeiros episódios terminaram com boas músicas de Lykke Li, The Boxer Rebellion e Sleeping At Last.
    Por agora já é hora de prepararem o vosso chá e calçarem as pantufas de robe vestido, ouvindo com headphones a nossa playlist carregando em 'Reproduzir Todas'.
    No Garganta Afinada 100 haverá surpresa, mas até lá tenham muito cuidado com todos os palhaços mortíferos ao virar de cada esquina. (para quem veja American Horror Story: Freakshow esta frase até pode fazer sentido..). Adeus almas amantes de música!




1. Noiserv - Don't Say Hi If You Don't Have Time for a Nice Goodbye
2. The Lonely Forest - Woe is Me, I Am Ruined


3 de outubro de 2014

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 7

Fantasy Premier League - Boa noite apaixonados pelo futebol inglês, depois de uma jornada em que os 2 jogos grandes terminaram empatados a uma bola, a 7.ª jornada tem três jogos merecedores da nossa atenção. Todos eles jogados Domingo: Chelsea-Arsenal, Man Utd-Everton e Tottenham-Southampton.
    Na jornada passada, Dorrans (West Brom) foi o jogador que mais pontos fez por via do seu golo e 2 assistências, que lhe valeram bónus 3, na goleada do WBA ao Burnley. Saido Berahino - que sugerimos aqui no Barba - também se destacou nesse jogo, bisando. Willian foi a principal figura no Chelsea-Aston Villa, Dzeko marcou dois na vitória do City por 4-2 em casa do Hull, e jogadores como Craig Dawson, Mile Jedinak, Scott Dann ou Phil Jagielka (que golo!) também estiveram em bom plano.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Poderiam constar ainda abaixo Leonardo Ulloa, Ángel Di María e Diego Costa, mas por termos sugerido o avançado argentino na última jornada e uma vez que os outros 2 são jogadores já muitíssimo badalados no universo Fantasy, faz mais sentido referir outros nomes. Nesta 7.ª jornada olhos postos em:

 Nathan Dyer - Swansea - 5.8

    Depois do brilhante arranque, os swans acalmaram (2 derrotas e 1 empate nos últimos três jogos) mas é preciso ter em conta que nos últimos dois jogos acabaram o jogo com 10 elementos, algo que fez a diferença sobretudo no Swansea-Southampton. A recepção ao Newcastle é a oportunidade perfeita para a chama e os bons resultados voltarem e Nathan Dyer, cujos golos parecem interligados com as boas exibições de Gylfi Sigurdsson (6.7)
, pode muito bem voltar a fazer das suas. Shelvey estará motivado pela chamada à Selecção inglesa, Sigurdsson é Sigurdsson, e depois elementos como Routledge/ Montero e Bony/ Gomis parecem indicados para atormentar um Newcastle em penúltimo lugar.

 Sergio Agüero - Manchester City - 12.2

    Dzeko é bem mais barato e por isso muito mais fácil de encaixar em qualquer equipa mas, para quem perdeu Rooney (que decidiu pontapear Downing na última jornada) e tenha alguma coragem, não o trocando por Falcao ou por um AV mais barato, Kun Agüero será uma opção a considerar. O avançado argentino está a aquecer o motor, leva 4 golos e as características defensivas do Aston Villa podem acordar o lado mais letal de Agüero. Reafirmamos que, com a saída de Suárez do futebol inglês, Agüero tem todas as condições para - se quiser e se conseguir manter as lesões longe do seu corpo - ser o jogador com maior capacidade individual para resolver jogos.


 Enner Valencia - West Ham - 6.9

    Sugerimos pela segunda vez o avançado do Equador porque temos fé que Valencia mal lhe tome o gosto não vai parar. Tem impressionado a rápida adaptação do equatoriano à Premier League e o futebol do West Ham, posicionado acima dos rivais de Liverpool, tem vindo a melhorar. Diafra Sakho (5.5) tem-se destacado - fez 2 golos e 1 assistência nos últimos 3 jogos - sendo uma agradável surpresa mas contra o QPR, num jogo que será tanto mais interessante quanto mais cedo se marcar o 1.º golo, confiamos no talento de Enner Valencia. Rápido, inteligente, espontâneo, matador. 

 Alberto Moreno - Liverpool - 5.6

    Vamos lá ser sinceros: pensar num defesa do Liverpool neste momento é possivelmente a pior coisa que alguém pode fazer. Os reds têm revelado dificuldades em defender jogo após jogo, acumulado erros individuais e vacilado nas bolas paradas defensivas, e ainda para mais o adversário deste fim-de-semana (West Brom) vem de uma goleada moralizadora por 4-0. Sturridge continua a fazer muita falta ao Liverpool, e o facto de Rodgers voltar a ter Skrtel-Lovren no centro é uma mais-valia. Alberto Moreno descansou na Champions, na derrota do Liverpool em Basileia, e estará com a corda toda em Anfield. Comandados por Steven Gerrard (8.9) 
e dependendo do talento de Raheem Sterling (8.9) e Adam Lallana (8.4) este jogo é o primeiro de uma sequência de 4 que o Liverpool tem que ganhar caso queira manter o nível do ano passado. E uma boa equipa começa numa boa defesa.

 Kasper Schmeichel - Leicester City - 4.5

    Já deu para perceber uma coisa nesta Premier League: há um Leicester em King Power Stadium, e outro fora. E nenhuma equipa quererá ter que ir jogar ao terreno do campeão em título do Championship. Desta vez a fava calhou ao Burnley, e nos últimos anos os confrontos entre estas duas equipas têm sido francamente favoráveis ao Leicester. O factor-casa (numa das equipas da Premier em que isso parece mais pesar), o momento de forma de Leonardo Ulloa (5.9) e o facto de David Nugent saber muito bem o que é marcar ao Burnley, poderão ser vários factores a ter em conta. O Leicester não prima propriamente pela sua consistência defensiva - a única clean sheet que teve foi inclusive com o barbudo Hamer na baliza - mas o jovem Schmeichel é uma das melhores opções entre os postes para esta jornada. E ainda por cima o seu calendário conjuga-se bem a médio-prazo por exemplo com Fraser Forster.


Outras Opções:
- Guarda-Redes: Sem inventar muito e sendo bastante directos, Lukasz Fabianski (5.0) e o já referido Schmeichel são porventura as melhores opções para esta jornada como GR. O Sunderland-Stoke é um jogo que se arrisca a não ter golos e estaremos atentos às prestações de Adrián, Courtois, Forster e Steve Harper.

- Defesas: Na defesa, Paul Konchesky (4.5) é intocável e tem sido importante na dinâmica de transição do Leicester; veremos se Dejan Lovren (5.4) e Skrtel fazem valer o seu jogo aéreo na área adversária, e também os defesas do Chelsea poderão ser determinantes nas bolas paradas do Chelsea-Arsenal. Coleman e Baines poderão fazer das suas em Old Trafford, mas irão sofrer golos praticamente de certeza (este Everton defensivamente está a anos-luz da temporada passada) e por isso, e para não cair em referir outra vez o patrão Ashley Williams, mencionamos sim Aaron Cresswell (5.4), que está a demorar a conseguir números. Espera-se que ele apoie devidamente o ataque, mas vamos ver se Charlie Austin não o impede de conseguir uma clean sheet.

- Médios: Já falámos de Di María, Dyer, Sigurdsson, Gerrard e Sterling, mas podemos juntar à conversa David Silva (9.1), Stewart Downing (5.6) e será muito interessante acompanhar as exibições dos médios do Chelsea no derby londrino. Mourinho nunca gostou de Wenger e quererá a sua equipa em alta rotação - jogo importante para Eden Hazard (9.9), com Fábregas em destaque por razões evidentes, embora a decisão possa passar pelos 2 que jogarem entre Schürrle, Willian e Oscar. No Tottenham-Southampton, jogo que marca a visita dos antigos pupilos de Pochettino a White Hart Lane, há um conjunto de médios (Eriksen, Tadic, Lamela, Chadli, Mané..) que poderão chamar a atenção mas o jogo é tão imprevisível que não há nada garantido.

- Avançados: Uma vez que já abordámos diferentes pontas-de-lança capazes de fazer golos nesta jornada, talvez faça sentido apenas acrescentar à equação Radamel Falcao (10.9), Abel Hernández (6.9), e Lloris vai ter uma valente dor de cabeça para evitar que Pellé marque.

    Até daqui a duas semanas e bons jogos!

Crítica: Guardians of the Galaxy

Realizador: James Gunn
Argumento: James Gunn, Nicole Perlman, Dan Abnett, Andy Lanning
Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Vin Diesel, Bradley Cooper, Dave Bautista, Lee Pace
Classificação IMDb: 8.1 | Metascore: 76 | RottenTomatoes: 91%
Classificação Barba Por Fazer: 76

    Indiscutivelmente, a Marvel tem feito bem o seu trabalho nos últimos anos. Tem-nos mantido entretidos, tem sabido interligar as histórias dos vários super-heróis e criado blockbusters uns atrás dos outros. E na próxima década tudo se manterá assim. Depois do hype de Avengers em 2012, 'Guardians of the Galaxy' também tem o seu ligeiro hype, fundamentalmente devido (de forma justificada) a uma personagem. Estes guardiões eram personagens menos populares no universo Marvel, mas foi uma boa decisão - dos estúdios Marvel e Disney - contar a história deles. Na sua primeira aparição, conhecemos um quinteto fora do vulgar formado por Peter Quill aka Star-lord (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket Raccoon (Bradley Cooper) e Groot (Vin Diesel). O quinteto emerge e reúne-se por circunstâncias que o filme relata, acabando por trabalhar em uníssono para evitar a destruição da galáxia e combater o poderoso Ronan (Lee Pace). 
    Na teoria ou no papel, é apenas mais um filme da Marvel com super-heróis, tiros e afins; mas na prática é mais do que isso. James Gunn tem a sua quota-parte de responsabilidade ao acrescentar determinados pormenores (as luzes de Groot no momento alto da personagem ou a Awesome mixtape de Peter Quill, que nos relembra, no meio de tanta ficção científica, que ele é humano, e que confere uma energia interessante ao filme). Na história em si, Lee Pace foi uma boa escolha para vilão, dada a sua voz icónica, e vários dos actores acumulam curiosidades: Karen Gillan rapou o cabelo para interpretar Nebula, Dave Bautista (sim, o Batista do Wrestling) chorou quando soube que tinha conseguido o papel e embora não seja transcendente como actor até o podemos considerar uma surpresa positiva. De resto, Bradley Cooper achou por bem conferir um sotaque mafioso ao guaxinim mais carismático do século XXI e Vin Diesel gravou o seu "I am Groot" em todas as línguas nas quais o filme foi dobrado. Infelizmente, Cooper e Diesel apenas deram as vozes a Rocket e Groot, curiosa dupla, com a animação a ser feita graças ao físico de Sean Gunn, o irmão do realizador, e Krystian Godlewski.
    Longe vão os tempos em que Chris Pratt era um actor gordinho que se confundia com Seth Rogen, e talvez também com Jonah Hill, e pode-se dizer que vivemos agora na era de Groot. A personagem a que Vin Diesel deu voz é de uma simplicidade brutal, mas consegue de forma simples e sensível chamar a si todos os elogios que o filme merece depois, graças a um momento seu, a uma variação de sintaxe genial.

    Eles hão-de voltar em 2017. Até lá: We Are Groot.

Crítica: The Fault in Our Stars

Realizador: Josh Boone
Argumento: John, Green, Scott Neustadter, Michael H. Weber
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Laura Dern, Sam Trammell, Nat Wolff
Classificação IMDb: 7.8 | Metascore: 69 | RottenTomatoes: 81%
Classificação Barba Por Fazer: 72

    'A Culpa é das Estrelas' já não está nas salas de cinema portuguesas, mas não podíamos deixar de criticar um dos mais aclamados romances juvenis da sua geração. Embora com um nome que remonta ao universo Nicholas Sparks, a adaptação do livro de John Green foi um sucesso no grande ecrã, por diferentes motivos.
    O foco desta história, que sabe um pouco a A Walk to Remember, são os 2 protagonistas: Hazel Grace (Shailene Woodley) e Augustus "Gus" Waters (Ansel Elgort), com especial enfoque na personagem feminina. Hazel Grace é uma adolescente com cancro na tiróide e cujos pulmões foram já afectados, precisando de um "amigo de oxigénio" sempre por perto para a ajudar a respirar. Especial e descomplexada na forma de encarar a sua doença, embora alegadamente deprimida, Hazel é encaminhada para um grupo de apoio onde conhece Augustus Waters. Gus, carismático e optimista, com um osteossarcoma (que originou a amputação de uma perna) em remissão, causa impacto imediato em Hazel e muda a vida dela. O filme acompanha a evolução da relação dos 2 jovens, com Gus a ajudar Hazel a obter respostas relativamente ao final do seu livro preferido.
    O filme de Josh Boone comove os mais susceptíveis, mas marca pela diferença - nas personagens e em todo o enredo. Mérito, naturalmente, de John Green. Shailene Woodley brilha no grande ecrã com aquela que será a sua melhor interpretação na sua precoce carreira (esteve bem em 'The Descendants' e este ano, ao acumular este filme com 'Divergente' torna-se uma das personalidades mais mediáticas em termos cinematográficos) e Ansel Elgort é forte candidato a Rookie do Ano no Cinema. A personagem de Augustus Waters (o rapaz das metáforas que coloca um cigarro na boca sem o fumar apenas para ter aquilo que pode matar entre os dentes, sem nunca lhe conceder esse poder) tem logo à partida traços com potencial mas o desempenho de Ansel é excelente de qualquer forma. Não só Ansel Elgort como também o secundário Nat Wolff merecem atenção em filmes futuros, isto porque Woodley já é uma certeza.
    Quanto ao autor do livro, John Green, teremos em breve mais 2 das suas obras adaptadas - primeiro 'Paper Towns' (em que Nat Wolff desempenhará o protagonista), mas mais aguardada será a adaptação de 'Looking for Alaska' no qual Sarah Polley já está a trabalhar.

     'The Fault in Our Stars' é a história da rapariga que se considera uma granada e do rapaz que quer deixar a sua marca no mundo e evitar o esquecimento. Não chega a Óscares, mas é claramente mais do que um filme de Sábado à tarde. Porquê? Porque alguns infinitos são maiores do que outros, e este filme mostra-nos isso.

Fernando Santos convoca Tiago, Danny, José Fonte e Ricardo Carvalho

  Selecção - Uma pequena revolução, com novidades e justiça a ser feita na primeira convocatória de Fernando Santos. O novo seleccionador nacional rompeu com o passado, abriu as portas a jogadores que poderiam e deveriam ter sido chamados nos últimos anos (Paulo Bento foi criando sinergias negativas contra diversos elementos) e, discutindo-se uma ou outra opção, estamos indiscutivelmente perante uma convocatória que finalmente se baseia na qualidade dos jogadores e no momento de forma nos clubes.

    Fernando Santos chamou:

- Guarda-Redes: Rui Patrício (Sporting), Beto (Sevilha), Anthony Lopes (Lyon)
- Defesas: Cédric (Sporting), Ivo Pinto (Dínamo Zagreb), Eliseu (Benfica), Antunes (Málaga), Fábio Coentrão (Real Madrid), Pepe (Real Madrid), José Fonte (Southampton), Ricardo Carvalho (Mónaco), Bruno Alves (Fenerbahçe)
- Médios: Tiago (Atlético Madrid), Adrien (Sporting), William Carvalho (Sporting), João Mário (Sporting), André Gomes (Valência), João Moutinho (Mónaco)
- Avançados: Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Danny (Zenit), Éder (Braga), Vieirinha (Wolfsburgo), Nani (Sporting), Quaresma (Porto)

    BPF - Começar com o pé direito na Selecção é não complicar, é chamar quem tem que ser chamado. Tiago, Danny e José Fonte deveriam todos ter estado no Mundial 2014, e muito jeito teriam dado, mas pelo menos poderemos contar com eles na caminhada para o Euro 2016 (cujo mecânica de qualificação só deixa de for quem for verdadeiramente medíocre, facilitando a vida a todos). Patrício, Beto e Anthony Lopes são neste momento os 3 melhores GR portugueses; e na defesa podemos suspirar de alívio pois é bem diferente olhar para uma convocatória e ver Pepe-B.Alves-Neto-R.Costa e Pepe-J.Fonte-R.Carvalho-B.Alves. A Selecção de Fernando Santos conta assim com 4 bons centrais, sendo que Pepe e José Fonte deveriam ser os titulares, mas sendo bom contar com a experiência de Ricardo Carvalho (outrora um dos melhores centrais do mundo) e com uma figura importante no balneário como Bruno Alves. Também na defesa, destaque para Cédric e Ivo Pinto serem as opções para lateral direito, sendo que o lateral que integra a armada lusa no Dínamo Zagreb vê aqui premiados os seus bons jogos - 2 laterais que fazem sentido até considerando que Sílvio está lesionado e André Almeida pouco tem jogado no Benfica. Do lado esquerdo, se Paulo Bento levou 1,5 laterais esquerdos para o Mundial, Fernando leva 3 - Antunes, Eliseu e Fábio Coentrão. Fica aqui a nota que poderia ser interessante ver Portugal a contar com Eliseu a lateral e Coentrão a extremo esquerdo, equilibrando a forma de jogar, corrigindo algumas lacunas tácticas e fixando Ronaldo definitivamente a avançado.
    No meio-campo Veloso e Meireles não estão presentes, e os 6 jogadores (três deles do Sporting) são neste momento titulares. Tiago, campeão espanhol e vice-campeão europeu, tinha que constar e é um enorme upgrade e é bom pensar que Portugal pode optar por ter William, Tiago e Moutinho, ou Adrien, Tiago e Moutinho, ou William, Tiago e Adrien/A.Gomes.. várias combinações e todas elas agradáveis. Na análise do último Sporting-Porto tínhamos dito que Fernando Santos certamente acabaria por chamar João Mário e cá está. No ataque, Ronaldo e Nani são indiscutíveis, Éder e Vieirinha mantiveram os seus lugares, Danny (que poderá jogar a médio ofensivo caso Portugal passe do seu 4-3-3 a um 4-2-3-1, o que à partida não irá acontecer) regressa finalmente num momento de grande maturidade técnica, e por fim Ricardo Quaresma foi também convocado podendo ser a única escolha verdadeiramente controversa. Quaresma deve encarar esta convocatória como uma oportunidade crucial, para se aplicar e integrar o grupo da melhor forma, porque jogando pouco e mal no Porto de Lopetegui não será difícil que Fernando Santos use a sua vaga para mais tarde chamar alguém como Bruma, Ricardo Horta, Mané, Rony Lopes, Bernardo ou Rafa.

27 de setembro de 2014

Estoril 2-3 Benfica: Sofrer para ter vantagem

Estoril  2-3  Benfica (Diogo Amado 38', Kléber 54'; Talisca 3' 8', Lima 70')

    Depois do grande Clássico de ontem à noite, a Liga Portuguesa voltou hoje a contar com um belo jogo de futebol. O Benfica tinha na Amoreira um teste importantíssimo, ainda para mais na sequência do 1-1 entre Sporting e Porto, e depois de ter que transpirar um pouco mais do que o início do jogo fez crer, ampliou em 2 pontos a vantagem para dragões (4 pontos) e leões (6 pontos).
    Anderson Talisca, cuja titularidade estava longe de certa especulando-se que Derley jogaria de início, começou o jogo.. e de que maneira! Mas já lá vamos. Jorge Jesus lançou aquele que entenderá ser neste momento o melhor onze benfiquista, tendo pela frente um Estoril com Cabrera, Kuca e Sebá no apoio a Kléber. O jogo começou e com 3 minutos já Talisca celebrava o seu melhor golo em Portugal - o médio brasileiro ex-Bahia recebeu a bola longe da baliza, arrancou imparável até à baliza de Kieszek, numa locomotiva que só terminou em golo. Golaço de Talisca, que voltaria a festejar minutos depois. Enorme mérito de Nico Gaitán tanto na pressão/ recuperação como na forma altruísta como viu Talisca em melhor posição, assistindo o bis do número 30. O ritmo avassalador do Benfica manteve-se, com Gaitán e Salvio a destruírem o Estoril, e Kieszek brilhou por 2 ocasiões ao negar o golo a Lima. A vantagem fez o Benfica "dormir à sombra da bananeira" e o Estoril, pé ante pé, começou a crescer, reduzindo mesmo aos 38' num lance em que Sebá assistiu Kléber, o avançado emprestado pelo Porto rematou ao poste mas na recarga Diogo Amado fez golo, contando com uma traição de Maxi a Artur. Até ao intervalo o jogo esteve vivo, primeiro com Jardel a cabecear ao poste e depois, do outro lado, com Kléber a rematar de livre para Artur defender.
    A vantagem de um golo era perigosa e o Benfica sabia certamente disso, mas na 2.ª parte foi o Estoril a conseguir chegar ao empate. Num lance em que o árbitro (mérito para o facto de ter sido consistente no critério, e de ter tentado deixar jogar) não viu uma irregularidade de Kuca, o irrequieto e talentoso cabo-verdiano desmarcou Sebá, com este a assistir Kléber para um golo que o avançado brasileiro já tinha ameaçado por mais do que uma vez. O 2-2 pareceu acordar definitivamente o Benfica, Gaitán quase fez um grande golo de muito longe após erro de Kieszek, mas a acutilância ofensiva aumentou depois de 2 condicionantes - a entrada de Derley em campo, e a expulsão de Cabrera por 2.º amarelo. Contra 10, Jesus abdicou de Samaris arriscando num ataque com Gaitán, Salvio, Ola John, Derley e Lima, e os frutos chegaram rápido - Kieszek não resolveu um lance, e Derley assistiu Lima para o decisivo 3-2. A intensidade do jogo quebrou, também com o Benfica a gerir bem a bola no final, e 3 determinantes pontos foram amealhados pelas águias.

    Mais um bom jogo de futebol, com espectáculo e um ritmo elevado. O Benfica garantiu uma vantagem de 2 golos muito cedo, deixou-se apanhar pelo Estoril mas soube reagir. Na equipa de José Couceiro Kuca, Kléber e Sebá foram o foco de perigo - esperávamos que Kuca fosse esta temporada o principal destaque do Estoril, e Kléber ainda vai bem a tempo de fazer jus ao seu talento e qualidade evidentes. No Benfica, Derley voltou a entrar bem, Salvio foi uma dor de cabeça e humilhou várias vezes a defesa contrária e Nico Gaitán foi um dos 2 melhores em campo acumulando (mais uma vez) pormenores de génio, passes magistrais. Anderson Talisca merece o destaque maior depois de bisar tendo à 6.ª jornada tantos golos (5) como Jackson Martínez. Talisca já mostrou que está preparado para render no imediato a médio ofensivo/ segundo avançado, e que só daqui a algum tempo poderá funcionar como um 8 (veremos se este "faro de golo" não mudará aquele que parecia ser o seu destino consoante as suas características), mas não deixa de surpreender - tudo parece jogar muitas vezes a favor dele, mas há mérito para o jovem brasileiro de 20 anos.
    O Benfica joga agora quarta-feira uma cartada importante na Champions, em Leverkusen, recebendo depois dia 5 o Arouca.


Barba Por Fazer do Jogo:
Anderson Talisca (Benfica)

Outros Destaques: Kuca, Kléber, Sebá; Gaitán, Salvio, Derley

26 de setembro de 2014

Sporting 1-1 Porto: Clássico de qualidade

Sporting  1-1  Porto (Jonathan Silva 2'; Sarr a.g. 56')

    O jogo desta noite foi um jogo de qualidade, com tudo o que um Clássico deve ter. Ao longo de 90 minutos, o Sporting entrou com tudo, mas Lopetegui soube corrigir a sua equipa, que melhorou muito no segundo tempo. O campeão em título Benfica pode sair a ganhar desta jornada, mas para isso terá que vencer amanhã no reduto do Estoril.
    O empate 1-1 era o resultado mais fácil de se apostar para esta noite, mas em termos de onzes, Lopetegui surpreendeu. Pela negativa. Marco Silva teve mérito ao lançar Jonathan Silva (merecia ser titular) em detrimento de Jefferson, era previsível que João Mário mantivesse o seu lugar, Carrillo e Cédric levaram a melhor sobre Mané e Esgaio. No Porto, Lopetegui só na 2.ª parte colocou aquele que seria o melhor onze para hoje, no papel. Não é compreensível colocar Quaresma de início por esta altura, e a única dúvida deveria ser entre Rúben Neves ou Casemiro (com vantagem, hoje, para o brasileiro) porque era fundamental contar com Óliver e Brahimi em simultâneo, e parecia também o jogo certo para Tello/Adrián.
    Falando do jogo, o Sporting entrou com tudo e com pouco mais de 1 minuto já se gritava golo em Alvalade. Impressionou a pressão alta (e bem feita, pelo colectivo) ao longo de toda a 1.ª parte, e o golo madrugador começou num excelente trabalho de Nani, com Carrillo a cruzar para Jonathan Silva marcar de cabeça. O golo atordoou o Porto, e o Sporting manteve - inteligentemente - a pressão logo na saída de bola dos centrais portistas (Maicon fez falta), e o Clássico aqueceu um pouco com Slimani e mais tarde Quaresma como epicentro. Em bom plano na 1.ª parte esteve o peruano André Carrillo, senhor dos jogos grandes, que com duas arrancadas, uma em cada flanco, serviu João Mário e Nani, embora nenhum tenha conseguido marcar. Ao intervalo, a vantagem leonina era incontestável, e com outra capacidade de finalização poderia ser mais dilatada. Era preciso Lopetegui ter coragem, e o espanhol teve-a.
    A 2.ª parte começou com 2 novidades - sem Quaresma e Rúben Neves, e com Tello e Óliver -, e se o Sporting entrou bem na primeira parte, o Porto imitou-o no regresso dos balneários. Logo aos 48' um passe de génio isolou Jackson na cara de Rui Patrício mas o lance não deu nada por mérito do guardião português e demérito do colombiano. A forte reacção azul e branca manteve-se e, com sorte à mistura, chegou o 1-1 - Danilo subiu pelo flanco direito e cruzou para um desvio infeliz de Sarr. Ao longo da 2.ª parte Óliver foi evidenciando, minuto após minuto, o brutal talento que tem, que lhe valerá um inequívoco futuro brilhante. O miúdo espanhol esteve em todo o lado, sempre a decidir bem, sempre a executar bem e rápido, com uma maturidade e capacidade para estar num grande palco como um Clássico. Marco Silva e Lopetegui continuaram a mexer no jogo (hoje foi um bom exemplo de como os treinadores podem mudar progressivamente o rumo dos acontecimentos a partir do banco) e até final registaram-se 3 oportunidades de golo: Diego Capel desferiu uma bomba que explodiu na barra da baliza do Porto; Herrera, depois de uma transição de Óliver, rematou em arco para a defesa da noite de Patrício; a fechar o jogo Tello foi egoísta e, após um passe brilhante de Herrera, teve Brahimi e Jackson na cara do golo mas optou pelo lance individual e perdeu a chance de fazer o 2-1. Pelo meio houve ainda o lance que motivou fortes protestos de Lopetegui, com um remate de calcanhar de Jackson (após bonita jogada, ao primeiro toque com Óliver) a ir ao encontro do braço de Maurício, embora encostado ao tronco.

    O Clássico, que abriu a 6.ª jornada da Liga Portuguesa, foi em suma um excelente jogo de futebol, enérgico e bem jogado. Duas partes completamente distintas, e um resultado justo. Rui Patrício fez a diferença em dois ou três lances, Jonathan Silva justificou a aposta e merece continuar na pole position do lado esquerdo, e o meio-campo dos leões esteve em grande na 1.ª parte, menos bem na segunda. Nani e Carrillo exploraram bem as debilidades do Porto, e João Mário estrear-se-á com Fernando Santos na Selecção, mais tarde ou mais cedo. No Porto, Brahimi não foi exuberante como noutros jogos mas não sabe jogar mal, Herrera cresceu com o jogo e Óliver Torres é a melhor metáfora para tudo o que mudou no jogo.


Barba Por Fazer do Jogo:
Óliver Torres (Porto)
Outros Destaques: Rui Patrício, Nani, Carrillo; Herrera, Brahimi

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 6

Fantasy Premier League - Em Portugal estivemos quietinhos mas em terras de Sua Majestade jogou-se durante a semana a Carling Cup. Em ritmo imparável este fim-de-semana há mais acção em 10 estádios ingleses, com 2 (+1) grandes jogos.
    A 5.ª jornada foi, invariavelmente, a jornada do Leicester. As raposas do King Power Stadium sofreram 3 golos do Manchester United, é verdade, mas marcaram 5 - virando um resultado de 1-3 para 5-3. Em termos de fantasy, Jamie Vardy chamou a si toda a atenção com 21 pontos na primeira vez que foi titular esta época, e tendo Ulloa continuado o seu excelente registo, igualando os seus golos ao número de jornadas. Na vitória do Arsenal, autêntica rajada de vento, Özil e Welbeck foram os grandes destaques, e noutros campos Baines, Sterling e o gigante Peter Crouch estiveram em bom plano. Ángel Di María realizou mais uma exibição estratosférica, e no City-Chelsea acabou por ser o melhor marcador da História do Chelsea a retirar 2 pontos ao seu ex-clube.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Quisemos deixar Diego Costa e Ángel Di María de fora das 5 principais opções, para referir nomes menos sonantes e porque neste momento tanto o avançado do Chelsea como o argentino do United são jogadores fundamentais para qualquer jogador. Nesta 6.ª jornada atenção a:

 Graziano Pellè - Southampton - 7.7

    A tabela ainda há-de dar voltas e reviravoltas mas o Southampton de Koeman já mostrou ter argumentos para fazer igual ou melhor do que a espectacular temporada passada. Os saints estão em grande, eliminaram o Arsenal da taça da liga, e estão motivadíssimos para a recepção ao QPR (José Fonte, como capitão, comunicou inclusive a Koeman que os jogadores queriam abdicar da folga pós-Arsenal). O calendário nas próximas jornadas é favorável (só na jornada 13 chega um período complicado) e por isso mesmo há um italiano forte candidato a marcar golos. Pellè tem 3 golos mas veremos quantos terá daqui a umas 4 jornadas. Para além dele, Dusan Tadic (7.5) e Sadio Mané (6.9), este último se for titular, serão os principais jogadores a ter debaixo de olho em termos ofensivos. Schneiderlin tem surpreendido também, mas de resto é na defesa que é fulcral contar com 1 ou mais elementos deste Southampton: Nathaniel Clyne (5.3) é o elemento em melhor forma, mas tanto Bertrand, como Fonte ou Alderweireld oferecem garantias, até para haver diferenciação. Fraser Forster (5.0) é, por esta altura, uma das melhores opções para ter entre os postes.


 Leonardo Ulloa - Leicester City - 5.8

    Depois do que o Leicester "fez" ao Manchester United, todos estaremos atentos aos próximos jogos. Estamos perante uma equipa com personalidade e que já fez a vida negra não só a van Gaal como também a Everton e Arsenal. A ida ao terreno do Crystal Palace não é um jogo dado mas o Leicester, até pelo momento, é favorito. Seria bom Jamie Vardy (4.9) continuar a somar pontos, porque na jornada seguinte já poderá merecer a confiança, mas para já Ulloa é uma certeza. O avançado ex-Brighton está em grande e muito provavelmente vai continuar..


 Saido Berahino - West Bromwich - 5.5

    Nesta slot poderíamos perfeitamente encaixar Diego Costa, Di María ou outros jogadores reputados mas esta será uma das poucas jornadas em que faz sentido apostar ofensivamente no WBA. O West Brom é uma incógnita, e frente ao Burnley a teoria diria que pode ser jogo de 0-0. Mas tal como na semana passada acreditámos que o QPR-Stoke contrariaria a teoria, desta vez também o cremos. O Burnley vem de três 0-0's seguidos, e o jovem Berahino é o candidato mais forte a mexer com o jogo, com a sua velocidade e objectividade. A ver vamos.

 Danny Welbeck - Arsenal - 7.2

    Alguns torceram o nariz à contratação de Welbeck, mas o que é certo é que as primeiras indicações do avançado ex-Manchester United têm sido positivas. Este Sábado, o último jogo do dia é o frenético derby do Norte de Londres e o Arsenal parte como favorito para o jogo diante do Tottenham. É bem possível que Wenger mantenha o 4-2-3-1 com que defrontou o Aston Villa, com Ramsey mais "longe de pontos" do que outrora, e Özil na sua praia. Com este esquema, Alexis Sánchez (10.4) e Welbeck tornam-se os elementos mais apetecíveis, embora Wenger possa colocar Wilshere e Arteta mais recuados, avançar Ramsey e atirar Özil para uma faixa (onde rende menos). E sim, ainda sobram Cazorla e Chamberlain.

 Victor Moses - Stoke City - 5.5

    O nigeriano Moses é um daqueles jogadores que chateia qualquer adepto apaixonado por futebol. O seu talento é evidente, a facilidade com que faz determinadas coisas é espantosa mas falta-lhe regularidade. Poderíamos dizer que estamos perante o "síndrome Ola John", mas à imagem do que o holandês fez no nosso campeonato quando entrou diante do Moreirense, também Moses tem estado em destaque desde que rumou ao Stoke. O jogo de 2.ª feira à noite coloca frente a frente Stoke e Newcastle e os nervos vão estar à flor da pele - de um lado vejam Rivière, do outro vejam Moses e Diouf.


Outras Opções:
- Guarda-Redes: Na última ronda Arsenal, Southampton, WBA, Burnley e Sunderland foram as equipas que não sofreram qualquer golo. Esta 6.ª jornada tem algum potencial, infelizmente (em termos de espectáculo), para clean sheets. Mas meus amigos, estamos na Premier League.. Southampton e Chelsea são as opções provavelmente mais válidas - e como tal Forster e Thibaut Courtois (6.0) -, embora os jogos WBA-Burnley, Sunderland-Swansea e quiçá Stoke-Newcastle possam ter pelo menos 1 dos lados sem golos sofridos. Não seria surpreendente ver Lukasz Fabianski (5.0) sair do Stadium of Light sem sofrer.

- Defesas: À imagem do raciocínio nas balizas, a jornada pede um defesa do Southampton (lá em cima já mencionámos Clyne, Bertrand e companhia), Ivanovic poderá voltar ao patamar das primeiras jornadas. Ainda assim vamos ver o que fazem Andre Wisdom (4.1), Federico Fernández (5.0), Ryan Shawcross (5.6) e Gary Cahill (6.5). E vamos ver se Mangala volta a fazer um bom jogo.

- Médios: Uma vez que Di María é neste momento um jogador aparte, falemos dos mortais e não do anjo. Fábregas, Hazard e Sterling são todos eles boas opções, mesmo sendo cliché, por isso vamos ver se o capitão Steven Gerrard (8.9) e Adam Lallana (8.4) aparecem no derby de Merseyside (jogo inaugural da jornada, Sábado às 12:45). Gerrard costuma aparecer em grande nestes jogos, e relativamente a Lallana, que se tem vindo a ambientar progressivamente, a única dúvida é mesmo se será titular. Tanto a adaptação e evolução dele como a de Markovic serão ambas fundamentais para o Liverpool. De resto, cuidado Sunderland, porque Sigurdsson e Dyer estão a caminho e, não em termos de fantasy, será interessante acompanhar o jogo de Daley Blind e Ander Herrera contra o West Ham, porque passará muito por eles o rumo do jogo.

- Avançados: No Manchester United-West Ham poderá haver Rooney, Falcao e van Persie (colocaríamos Mata a titular em vez do holandês ou, neste jogo específico, ter Fletcher perto de Blind e Herrera, soltando Di María para fazer a ligação com Rooney-Falcao poderia ser a solução) mas, dado o momento defensivo do United, muita atenção a Enner Valencia (6.9). Wilfried Bony tem esta jornada uma chance de se redimir da sua expulsão precoce que custou o jogo frente ao Southampton, e de resto já apontámos Pellè, Welbeck, Ulloa, Vardy, Diouf.. Já agora, Balotelli (com novo penteado) vs Lukaku, quem levará a melhor?