Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

3 de agosto de 2020

Prémios BPF Liga NOS 2019/ 20

Após termos partilhado os nossos prémios referentes à Premier League, chegou a vez da nossa Liga NOS.
    Se há (mais de) um ano atrás o Benfica comemorava a reconquista, desta vez é o Porto que pode celebrar o regresso ao 1.º lugar. Num campeonato surpreendente, o Benfica acumulou erros atrás de erros e pagou o preço: águias e dragões apresentaram um futebol pobre, pareceram em vários momentos deixar claro que o vencedor seria não o melhor mas sim o menos mau, e no final das contas, o Futebol Clube do Porto sagrou-se justíssimo vencedor, demonstrando os pupilos de Sérgio Conceição sempre um querer e crer maiores.
    A Covid-19 ditou o campeonato mais longo de todos os campeonatos, uma agonia prolongada para os benfiquistas e uma longa espera azul e branca, com desfecho feliz na Invicta. Quem diria a meio da prova que o Benfica de Bruno Lage, com 16 vitórias e uma derrota em 17 jogos, com 7 pontos de vantagem para o rival Porto, viria a desperdiçar significativa margem para acabar 5 pontos atrás do novo campeão nacional? E se à entrada para 2019/ 20 o Benfica contava 5 títulos nas últimas 6 épocas, à entrada para 2020/ 21 tudo é diferente, e o Porto tem agora 2 dos últimos três.
    A nível individual, foi uma campanha nivelada por baixo. Corona, Pizzi (18 golos e 14 assistências), Alex Telles (um defesa com 11 golos marcados), Paulinho, Otávio, Fábio Martins, Carlos Vinícius (melhor marcador) e Taremi foram alguns dos destaques, mas muito longe do patamar qualitativo de Bruno Fernandes ou Jonas nas últimas épocas em Portugal.
    Falar de 2019/ 20 é falar de um projecto jovem e entusiasmante chamado Famalicão, de um Braga que se tornou o primeiro Sporting da classificação e de muitos jovens valores com minutos a sério - Francisco Trincão, Marcus Edwards, Edmond Tapsoba, Pedro Gonçalves, Gustavo Assunção, Filipe Soares, Nuno Mendes, Eduardo Quaresma, Nehuen Pérez, Galeno, Pêpê, Uros Racic, Nilton Varela, Romário Baró, Fábio Vieira e Vítor Ferreira são miúdos para acompanhar nos próximos anos, uns cá, outros noutras paragens.

    O futebol é feito de jogadores e por isso os prémios abaixo são, praticamente, só deles. Abaixo encontrarão o nosso 11 do Ano, Jogador e Jovem do Ano, Treinador do Ano e algumas categorias adicionais. Vamos lá a isto:



Guarda-Redes: O que cresceu Odysseas Vlachodimos... Se no Verão passado a baliza nos parecia ser um dos sectores em que o Benfica tinha obrigação de mudar algo, muitos meses depois o número 99 calou-nos bem calados. O greco-alemão foi um dos jogadores mais fiáveis das águias (o erro na final da Taça é a prova de que no melhor pano cai a nódoa), mascarou em muitos jogos problemas maiores e demonstrou uma segurança incomparável a qualquer outro dos seus colegas de posição. É natural que Jorge Jesus não dê ordens para reforçar a baliza, ficando servido com o melhor guarda-redes em solo nacional em 2019/ 20 e à partida com Hélton Leite (guardião mais ao jeito de JJ, por acaso), extraordinário keeper que só pecou por ter falhado várias jornadas por lesão.
    Agustín Marchesín revelou-se boa aposta azul e branca, embora preferíssemos ver Diogo Costa na baliza em 20/ 21, Mateus Pasinato, decisivo na classificação final do Moreirense, foi rei no número de defesas, e por fim Marco (melhor 1.ª volta do que 2.ª) foi o melhor guarda-redes português na prova, e um especialista a defender grandes penalidades.



Lateral Direito: Aos 27 anos, Jesús Corona jogou como nunca e foi influente como nunca antes, no Porto e no futebol português. Actuando umas vezes a lateral direito e outras a extremo direito, ocupando ainda pontualmente o corredor esquerdo, o polivalente mexicano foi um dos jogadores da máxima confiança de Sérgio Conceição, e a peça no xadrez azul e branco que apresentou um rendimento mais elevado num nº maior de jogos.
    Benfica (mesmo tendo André Almeida alcançado o seu máximo de golos numa época) e Sporting não acrescentam nenhum eleito às nossas escolhas, nas quais destacamos Ricardo Esgaio, sobretudo sob a orientação de Rúben Amorim, e o velocista Nanú, que encontrou na passagem do Marítimo para uma defesa a 5 a sua praia táctica. Sacko fez por justificar um salto para outro campeonato, e Wilson Manafá (2.º jogador do Porto nestes cinco, dada a dupla função que Corona desempenhou, ajudando-nos "colocar" aqui Tecatito para ter um 11 do Ano mais forte e uma categoria de extremos direitos bastante lotada), que tanto à direita como à esquerda evoluiu bastante no capítulo defensivo.



Defesa Central (Lado Dto.): O melhor defesa central do ano em Portugal. Numa defesa que "meteu água" em muitos jogos, algo que se explica não só mas também pelo brutal decréscimo de rendimento de Ferro de 18/ 19 para 19/ 20, Rúben Dias foi, jogo após jogo, o ponto de equilíbrio na defesa encarnada. Titular da selecção portuguesa, o verdadeiro capitão do Benfica, mesmo sem envergar a braçadeira, cresceu como líder do quarteto defensivo de Bruno Lage/ Nélson Veríssimo e fez o que pôde e o que não pôde para manter os encarnados na rota do título. O clube falhou, mas claramente não terá sido por culpa de Rúben.
    Mbemba, o herói da final da Taça de Portugal, foi fundamental no último terço do campeonato, Coates elevou a sua forma com Amorim e Nehuén Pérez mostrou aos 20 anos que pode ser um caso sério. No entanto, e mesmo tendo saído a meio do campeonato, é essencial vincar a marca que deixou Edmond Tapsoba. O central do Burkina Faso, hoje jogador do Bayer Leverkusen que não hesitou em pagar 18 milhões ao Guimarães, deixou-nos deliciados enquanto representou o emblema da cidade-berço. A defesa de Ivo Vieira nunca mais foi a mesma depois da saída deste completíssimo central.



Defesa Central (Lado Esq.): Pepe não foi incrível. Não foi o Pepe do Euro 2016 ou do Euro 2012, mas foi o "patrão" da defesa menos batida do campeonato, e tudo aos 37 anos. Se na época passada a chegada de Pepe acabou por afectar a harmonia defensiva dos dragões, ao desfazer a dupla de sucesso Felipe-Éder Militão, desta vez o coração da defesa portista foi sempre Pepe +1. Com Marcano (também presente nas nossas escolhas, mesmo tendo perdido o lugar para Mbemba nos últimos tempos) e Mbemba, Pepe foi um dos representantes da voz de Sérgio Conceição em campo.
    É já com saudades que nos despedimos de Jérémy Mathieu, um dos melhores centrais que vimos vestir a camisola do Sporting, Aderlan Santos foi fulcral no trajecto do Rio Ave, e Fábio Cardoso (menos goleador do que em 18/ 19 mas superior defensivamente) fez por merecer uma transferência para um clube com outros objectivos.



Lateral Esquerdo: Não há, em Portugal, quem cruze melhor que Alex Telles. O lateral esquerdo do Porto, juntamente com Corona um dos 2 jogadores mais "especiais" neste Porto versão 2019/ 20, manteve sempre um nível alto, brilhando nos dois lados do campo. Um lateral sem lacunas, Alex Telles é uma das peças-chave deste modelo de Sérgio Conceição: exímio cobrador de bolas paradas, é muito graças a ele que o Porto se torna tão forte nos livres e cantos. Momento alto da sua época? Aquele golaço de meia distância ao Portimonense nos últimos minutos do encontro no Dragão.
    A acompanhar Alex Telles, Grimaldo esteve francamente abaixo da temporada anterior, deixando em conjunto com Ferro o Benfica permeável no espaço entre ambos. Sequeira chegou a parecer recomendar uma chamada de Fernando Santos,o imparável Zaidu Sanusi terá cativado Sérgio Conceição com o seu pulmão, e Matheus Reis acrescentou fluidez e criatividade ao projectar-se no ataque do Rio Ave, desenvolvendo boa sintonia com Nuno Santos.



Médio Centro: Honestamente, não pensávamos que João Palhinha pudesse virar o jogador que é hoje. Orientado por diversos treinadores ao longo do ano, o trinco mostrou-se um dos reis dos desarmes e das disputas no ar, e ao contrário de muitos dos seus colegas de equipa, que passaram a jogar muito mais quando treinados por Rúben Amorim, Palhinha já vinha a render bastante antes com Sá Pinto. Com 1,90m e na calha para fazer as malas e rumar a um campeonato Top-5, João Palhinha foi um dos Most Improved Players deste ano.
    A entrada de Sérgio Oliveira no leque de escolhas de Conceição - somou apenas 1.307 minutos na Liga, e também por isso não vence nesta posição - coincidiu com a escalada do Porto na tabela; Gustavo Assunção demonstrou em Famalicão a melhor saída de bola de um seis em Portugal; Gabriel foi um dos melhores médios do campeonato quando o Benfica esteve bem, mas também esteve irreconhecível quando o Benfica caiu a pique; e Pêpê conseguiu afirmar-se em definitivo em Guimarães.



Médio Centro: Em boa verdade, é apenas o facto de Bruno Fernandes ter saído no mercado de Janeiro, deixando um registo de 8 golos e 7 assistências em 17 jogos, que o impede de constar como escolha nº 1 numa posição que, continuando cá, seria dele a 200%.
    Diego Lopes teve laivos e rasgos de virtuosismo técnico, mas extra-Bruno Fernandes, foram três os médios criativos ou box-to-box que nos deixaram rendidos: Taarabt, Pedro Gonçalves e Otávio. Um dos méritos de Bruno Lage em 2019/ 20 foi o de recuperar Adel Taarabt. O médio marroquino "renasceu" e num Benfica tantas vezes desligado e sem inspiração, acrescentou a capacidade de queimar linhas, transportar, inventando o que ninguém esperava e sendo, muitas vezes desacompanhado, o motor vermelho e branco.
    Pedro Gonçalves deslumbrou e aproveitou da melhor maneira a sua passagem por Famalicão como montra para outros palcos. É médio de equipa grande, homogéneo na apetência para levar jogo e galgar metros, aguentando fisicamente o choque e a exigência de jogos com mais elevada intensidade e surpreendendo ocasionalmente com sua qualidade técnica, não-evidente à primeira vista. Não obstante, a nossa escolha recaiu em Otávio, um elemento prioritário para Conceição, determinante na forma de jogar do Porto, que se adaptou à filosofia do treinador ganhando muitas coisas e perdendo outras, e que - como Ramires em 2009/ 10 ou João Mário em 2015/ 16 - brilhou sem bola e como híbrido entre a direita e o centro de jogo.



Extremo Direito: É difícil analisar Pizzi. O médio direito do Benfica jogou sempre - com Jorge Jesus, com Rui Vitória ou com Bruno Lage. Acabou a época com números que, se o futebol se limitasse a uma análise Excel, fariam dele o MVP da prova: 18 golos e 14 assistências. Mas, apesar de ninguém ter marcado e assistido mais do que ele, esteve longe de encantar, e é perfeitamente legítimo que muitos adeptos coloquem Marcus Edwards ou Francisco Trincão nos seus onzes do ano. No nosso caso, e colocando tudo na balança, parece-nos injusto não incluir Pizzi mediante o seu impacto, mesmo tendo presentes todos os seus contras.
    Numa posição claramente bem servida, Bruno Tabata espalhou qualidade técnica exigindo-se que o retirem de Portimão, e Diogo Gonçalves fez por merecer nova oportunidade na Luz. Mas a bola foi mais feliz quando esteve nos pés de Marcus Edwards e Trincão, os 2 principais jovens talentos da Liga NOS em 2019/ 20. Um vai para o Barcelona, e o outro?



Extremo Esquerdo: Rodeado de juventude, num plantel com média de idades de 23 anos, o capitão Fábio Martins realizou a sua melhor época no futebol português (e já apresentara bom nível em Chaves em 2016/ 17), emprestando a sua experiência e criatividade, menos incisivo do que outrora quando praticamente todos os lances eram diagonais da esquerda até ao seu remate, e tornando-se um jogador muito mais completo e preponderante em vários momentos do jogo. Foi, no mínimo, um dos 8 melhores jogadores da Liga.
    Há que destacar ainda a época extraordinária de Ricardo Horta, que apontou 12 golos na Liga e com 24 golos no total das competições dobrou o seu máximo individual até à data. Rafa parecia ter tudo para disputar com Pizzi o estatuto de MVP da Liga após a transferência de Bruno Fernandes, mas acabou por não corresponder às expectativas; Luis Díaz semeou o terror em alguns jogos, embora sem se afirmar como indiscutível; e Nuno Santos mostrou que podem contar com ele, prometendo disputa acesa entre os grandes pelo seu pé esquerdo.



Avançado/ Ponta de Lança: O melhor marcador da Liga marcou 18 golos em apenas 1.784 minutos. Quer isto dizer que Vinícius - 12 golos como titular, 6 golos como suplente - marcou 1 golo a cada 99 minutos, algo bem diferente dos restantes concorrentes com 18 golos (Taremi, 2.354 minutos, 1 golo a cada 131) e Pizzi (2.827 minutos, 1 golo a cada 157 minutos). É indiscutível que o melhor Benfica foi aquele que teve o homem que festeja de braços cruzados na frente, sendo difícil compreender por vezes a sua gestão com Bruno Lage, e a preferência de Veríssimo, que claramente não lhe facilitou a vida na corrida à Bota de Prata, por Seferovic. Contra Vinícius, o facto de nas últimas 12 jornadas ter marcado apenas 3 golos.
    A pujança de Moussa Marega voltou a fazer a diferença na nossa Liga, Toni Martínez trabalhou claramente mais do que aquilo que marcou, Mohammadi deixou apontamentos técnicos muito interessantes, e Kraev ora no apoio ao ponta de lança ora numa posição mais adiantada, evidenciou-se como uma das melhores apostas de Vítor Oliveira.



Avançado/ Ponta de Lança: Aqui está o melhor Avançado do Ano em Portugal. Alegadamente a caminho de Inglaterra, e inexplicavelmente ignorado por Fernando Santos até hoje, Paulinho foi o melhor jogador da Liga se excluirmos elementos de Porto e Benfica, revelando-se muito mais importante no processo ofensivo do Braga do que os goleadores Carlos Vinícius e Mehi Taremi na forma de jogar de Benfica e Rio Ave. Paulinho soube jogar a dois, soube ser ponta de lança num 4-3-3 e soube, principalmente, ser a referência num 3-4-3 ladeado por Horta e Trincão. Joga muito, e por isso vai embora.
    Mehdi Taremi mostrou que o mercado asiático pode trazer bons valores, e quase foi melhor marcador da prova; Fábio Abreu conseguiu exibir na I Liga o que já mostrara no segundo escalão do futebol português; e, embora também pudéssemos incluir Soares, optámos por premiar Sandro Lima e Douglas Tanque.




    A ironia das ironias dita que, com toda a justiça e de forma não forçada, em ano de novo coronavírus o melhor jogador do nosso campeonato tenha sido Jesús "Tecatito" Corona.
    Enzo Pérez (13/14), Nico Gaitán (14/15), Jonas (15/ 16 e 17/18), Pizzi (16/17) e Bruno Fernandes (18/19) foram connosco os antecessores do ora extremo-direito ora lateral-direito do FC Porto, para nós uma escolha indiscutível mesmo tendo estado a num nível bem distante do apresentado por exemplo por Bruno Fernandes e Jonas em épocas recentes.
    Jesús Corona foi, acima de tudo, regularidade. Não teve números do outro mundo (4 golos e 11 assistências) mas foi na esmagadora maioria dos jogos do Porto o melhor em campo, sacrificando-se em prol do colectivo, e revelando enorme capacidade de influenciar o tabuleiro de jogo - jogou por fora, jogou por dentro, desequilibrou, assistiu, jogou, fez jogar, defendeu... Foi tudo o que Sérgio Conceição lhe pediu e tudo o que a equipa precisou.
    De resto, e aceitando que Carlos Vinícius, Fábio Martins, Trincão, Taremi e Ricardo Horta também seriam escolhas totalmente admissíveis, os nossos restantes 5 finalistas são Pizzi, Alex Telles, Paulinho, Otávio e Marcus Edwards.
    Tantas vezes criticado pelos adeptos encarnados - e muitas vezes de forma compreensível - é impossível ignorar o impacto de Pizzi neste campeonato. O médio direito das águias marcou 18 golos e fez 14 assistências. Ninguém marcou mais do que ele, ninguém assistiu mais do que ele. Mas os números não são tudo e, por isso mesmo, não é o nosso Jogador do Ano.
    Alex Telles esteve ao nível a que nos tem habituado, continuando a parecer um milagre como é que um lateral-esquerdo desta qualidade continua por cá. Um lateral com 11 golos, fundamental com a sua capacidade de cruzar, sendo por isso igualmente influente no jogo corrido do Porto e nas sempre ameaçadoras bolas paradas.
    Paulinho foi para nós o melhor Avançado do Ano em Portugal, pela forma como foi muito mais do que apenas um goleador, contribuindo muitíssimo mais para o processo ofensivo do Braga do que Vinícius e Taremi fizeram nas suas equipas; Otávio (cada vez melhor jogador, mas sempre questionável a sua postura enquanto profissional) foi um dos motores do Porto, um dínamo que esteve sempre em alta rotação, sendo a personificação das principais nuances tácticas do Porto de Conceição, e tal como Corona, um exemplo de sacrifício e de querer ser campeão. Por fim, Marcus Edwards destruiu defesas, encantou Guimarães e, com 21 anos, é o mais jovem atleta neste sexteto cuja média de idades é 26 anos.



    William Carvalho, Óliver, Renato Sanches, Gelson Martins, Rúben Dias e João Félix. Nos seis anos anteriores em que distinguimos os melhores em Portugal, foram estes os vencedores na categoria de Jovem Jogador do Ano. Em comum? Todos se destacaram ao serviço de um dos 3 "grandes". 2019/ 20 marca uma substancial diferença - não só o vencedor é um jovem jogador que não pertence aos quadros de Benfica, Porto e Sporting, como de forma inédita também todos os 6 finalistas não pertencem a águias, dragões e leões, representando sim Vit. Guimarães (2), Sporting de Braga (1) e Famalicão (3).
    O jovem elenco que João Pedro Sousa rentabilizou em Vila Nova de Famalicão alimenta metade das nossas escolhas de final de época nesta categoria. Cedido pelo Atlético de Madrid, o argentino Nehuén Pérez mostrou ser aos 20 anos um dos melhores projectos de defesa central do nosso campeonato. Claro que, a nível de jovens centrais, nenhum brilhou mais do que Tapsoba, o central vimaranense do Burkina Faso que após 32 jogos (16 na Liga) e 8 golos na cidade-berço rumou ao Bayer Leverkusen por 18 milhões de euros. Um daqueles casos invulgares que ao fim de 90 minutos já se percebia tratar-se de um jogador especial, e que ao fim de 180 já deveria ter sido abordado pelos grandes, que aparentemente ficaram a dormir.
    No miolo do Famalicão, Gustavo Assunção, filho do antigo trinco do Porto, Paulo Assunção, mostrou ser um médio defensivo muito acima da média para a sua idade, um jogador com perfil para os mais altos voos, exímio a ler o jogo e a desenrascar-se de toda e qualquer situação de aperto, parecendo estar sempre 1 segundo à frente dos adversários. Uns metros à sua frente, Pedro Gonçalves revelou-se um entusiasmante box-to-box: encheu o campo nos jogos com os grandes, mostrou qualidade técnica, energia e sentido táctico, e não surpreende que esteja a ser associado ao novo campeão nacional.
    Mas sem margem para dúvidas, e também por força da transferência precoce de Tapsoba, os 2 grandes talentos desta edição foram dois extremos que encantaram no Minho: o inglês Marcus Edwards e o novo reforço do Barcelona, Francisco Trincão. Dois prodígios, dribladores natos, focados que nem flechas rumo às balizas rivais, que foram sinónimo de grandes golos e de defesas humilhados. O que nos faz optar por Edwards (incrível scouting do Vitória, que certamente encaixará muitos milhões com a sua transferência, imaginamos que para a Premier League) é o facto de nos ter entusiasmado mais, sendo neste momento mais jogador do que Trincão, embora o extremo português apresente maior potencial.



Treinador do Ano: Há um ano atrás perdemo-nos em elogios a Bruno Lage. Quem podia imaginar o quanto baixaria a sua cotação depois de, após época de estreia em que teve o mérito de acertar em cheio no Plano A correndo tudo de feição, revelar total incapacidade de reagir às constantes adversidades que foram surgindo, terminando em total desnorte e sem nunca ter conseguido encontrar e estabilizar sequer o melhor onze para esta época...
    Num conjunto de 5 treinadores onde também poderia estar João Henriques (Santa Clara), e que não esquece os trabalhos de final de época de Petit, Pepa e Ricardo Soares ao comando, respectivamente, de Belenenses SAD, Paços de Ferreira e Moreirense, tudo começa em Vítor Oliveira. O lendário treinador das subidas cumpriu com distinção novo desafio - dispôs-se a assumir o comando técnico de um Gil Vicente totalmente renovado depois de subir 2 escalões de uma vez, fechando a temporada num confortável e pacífico 10.º lugar, bem longe da zona de descida.
    Carlos Carvalhal teve a humildade de abraçar o projecto do Rio Ave, mesmo depois de há poucos anos estar a treinar na Premier League, e saiu valorizado e recompensado: a equipa de Vila do Conde foi uma das que praticou melhor futebol em Portugal, sem ter por ex. as armas do Vit. Guimarães, e Carvalhal consigo assim "saltar" para Braga, uma casa à qual regressa 14 anos depois muito mais treinador.
    Rúben Amorim arrasou os grandes em Braga, conquistou uma Taça da Liga e tornou-se, por convicção de Frederico Varandas, o 3.º treinador mais caro (10 milhões de euros) da História do futebol. Estamos curiosos para ver o seu Sporting em 20/ 21, sendo certo que Amorim já mostrou capacidade de fazer crescer jogadores e fazer 2 plantéis diferentes assimilarem a sua ideia de jogo.
    Finalmente, Sérgio Conceição merece elogiosas palavras pelo facto de ter acreditado no título quando muitos no Dragão já tinham desistido, tendo influência a partir do banco na forma como venceu sempre os duelos com o principal oponente directo, e colhendo algum crédito pelo facto deste Porto ter sido colectivamente coeso, embora sem grandes destaques individuais. Contra o vencedor da Liga e da Taça de Portugal, a sua crónica postura que é tudo menos exemplo numa altura em que se procura exorcizar a toxicidade do futebol nacional, e o facto deste ter sido muito provavelmente o pior Porto de Sérgio Conceição.
    Por tudo isto, João Pedro Sousa é a nossa escolha de 2019/ 20 para Treinador do Ano. O antigo adjunto de Marco Silva chegou a Famalicão, encontrou um grupo de jovens promessas que não se conheciam entre si, e fez deles a equipa-sensação desta edição, com futebol de encher o olho. Falhou a qualificação europeia, de modo angustiante, nos segundos finais da prova, mas não deixou de terminar com mais golos do que Sporting e Rio Ave, ou com menos derrotas do que Braga, Sporting e Rio Ave. 2020/ 21, época em que temos bastante curiosidade de acompanhar as estreias de Tiago Mendes e Mário Silva, será um ano de confirmação para o técnico de 48 anos, que certamente terá nas suas mãos um elenco bem diferente.



Melhor Marcador: 1. Carlos Vinícius (Benfica) - 18
2. Mehdi Taremi (Rio Ave) - 18
3. Pizzi (Benfica) - 18

Melhor Assistente: 1. Pizzi (Benfica) - 14
2. Jesús Corona (Porto) - 11
3. Otávio (Porto) - 9

Clube-Sensação: Famalicão
Desilusão: Benfica
Most Improved Player: 1. Odysseas Vlachodimos, 2. Adel Taarabt, 3. João Palhinha
Reforço do Ano: Marcus Edwards (Vit. Guimarães)
Flop do Ano: Raúl de Tomás (Benfica)
Melhor Golo: Pedrinho (Paços de Ferreira 1 - 0 Tondela) (Link)





1 de agosto de 2020

Prémios BPF Premier League 2019/ 20

Não acontecia desde 1989/ 90 mas, depois de se ter consagrado rei da Europa por duas ocasiões (2005 e 2019), o Liverpool conquistou finalmente Inglaterra, erguendo Jordan Henderson um troféu que os reds desconheciam desde que a competição assumiu a designação Premier League.
    No mais atípico dos anos, que viu a competição parar entre 9 de Março e 17 de Junho, num mundo injusto e à procura de cura, a retoma da Premier e consequente consagração interna do Liverpool de Jürgen Klopp foi um apontamento de justiça. O sorriso do técnico alemão fotografa na perfeição o que o futebol deve ser. E se em 2018/ 19 o clube da cidade dos Beatles falhou o título mesmo com 97 pontos amealhados, vendo o Manchester City ser campeão com 98, desta vez os reds foram mais longe e - embora sem conseguir igualar os fantásticos 100 pts do City em 17/ 18 - com 99 pontos, mais dois do que na temporada anterior, colocaram as duas mãos num troféu que escapava há tempo a mais para tão especial emblema.
    Por força do contexto, a Premier League viu Anfield Road escutar You'll Never Walk Alone com as bancadas vazias de adeptos, no capítulo final de uma edição que teve no Sheffield United a principal equipa-sensação, que viu o Leicester City falhar o Top-4 por uma unha negra, que teve a confirmação que o Wolves vai continuar a intrometer-se entre os grandes, ficando evidente que no presente Arsenal e Tottenham estão muito mais distantes do nível de Liverpool e Manchester City do que Chelsea e Manchester United, equipas que se "reencontraram" e parecem ter novamente um projecto.

    Jamie Vardy marcou mais golos que toda a concorrência, Kevin De Bruyne igualou as assistências de Thierry Henry em 2002/ 03, Bruno Fernandes chegou a terras de Sua Majestade para se afirmar como "reforço do ano" numa temporada de grande crescimento para o renascido Danny Ings e para o musculado Adama Traoré e em que Inglaterra percebeu que, com Dean Henderson e Nick Pope neste nível, Southgate terá uma boa dor de cabeça na hora de entregar as luvas da selecção dos 3 leões.

    Como todos os anos, é chegada a altura de indicarmos aqueles que foram para nós os melhores do ano: o nosso 11, o Jogador do Ano e o Jovem Jogador do Ano, o Treinador do Ano, e ainda algumas categorias complementares.



Guarda-Redes: Não confundamos as coisas. Alisson é o melhor guarda-redes a actuar no futebol inglês, e formará provavelmente com Oblak e Ter Stegen o pódio de principais guardiões da actualidade. Mas por mérito da defesa do Liverpool (não é à toa que 3 dos 4 defesas no nosso 11 do Ano são, uma vez mais, dos reds) e por ter tido menos "trabalho" e influência do que há um ano atrás, o titular do Brasil não merece entrar na disputa final pela distinção de Guarda-Redes do Ano da Premier League. Nem Alisson, nem Ederson. O antigo keeper do Benfica é muito mais do que um mero guarda-redes, participando como nenhum outro consegue em Inglaterra no processo ofensivo da sua equipa; é certo que as Luvas de Ouro (graças a 16 clean sheets ou jogos sem sofrer golos) ficaram para ele, e que esse mérito é muito seu mediante a fraca prestação da defesa do City, um quarteto cuja composição foi muitíssimo irregular, mas efectivamente não foi Ederson quem mais nos impressionou.
    Kasper Schmeichel merece constar entre os 5 destaques do ano, mas convém lembrar que ninguém defendeu tanto como Dubravka (Newcastle), que certamente não foi por Tim Krul que o Norwich desceu, e que também Rui Patrício e Ben Foster tiveram os seus momentos. Mas este ano foi principalmente de Dean Henderson e Nick Pope. O guarda-redes do Burnley falhou as golden gloves na última jornada, mostrou-se mais seguro que nunca e foi um dos grandes responsáveis por nova campanha muito acima do expectável por parte da equipa de Sean Dyche. Mas Dean Henderson vence-o tangencialmente: foi o guardião que vimos acumular um maior número de defesas espectaculares, contribuiu de forma determinante para fazer do Sheffield United a equipa-sensação da prova, e terá deixado o Manchester United com um dos grandes pontos de interrogação do defeso: depois de uma época horrenda de De Gea, é ou não arriscado entregar a baliza a Dean Henderson, "apenas" com uma extraordinária campanha num clube com outros objectivos?



Lateral Direito: Por mais que tentemos, não conseguimos perspectivar que jogador será Trent Alexander-Arnold com 27-28 anos. Como pode continuar a crescer um craque que, somente com 21 anos, é o melhor do mundo na sua posição e parece um produto refinado e acabado?! Num campeonato que conta com alguns dos melhores laterais-direitos da actualidade, Trent deixa, ainda assim, a concorrência a alguma distância. Ele, Virgil e Robertson são os 3 elementos que depois de estarem no nosso 11 de 18/ 19 voltam a marcar presença. No caso de TAA, impressionou-nos o facto de ter conseguido aumentar a sua responsabilidade nas conquistas do Liverpool, cruzando com precisão milimétrica e batendo livres como poucos.
    O nosso compatriota Ricardo Pereira estava a ser um dos 2 melhores laterais da Premier até se lesionar, Aaron Wan-Bissaka continua a mostrar que há poucos jovens jogadores a defender tão bem como ele, Doherty manteve-se a locomotiva incansável dos wolves e Azpilicueta, umas vezes à esquerda, umas vezes ao centro mas maioritariamente à direita, mostrou que é um Senhor e que todos os seus jogos são lições de posicionamento, antecipação, encurtamento de espaços e definição de linhas.



Defesa Central: O MVP da Premier League da temporada transacta. Virgil van Dijk não volta a merecer tal prémio, mas merece constar entre os 6 melhores jogadores da competição. Indiscutível melhor central do mundo, mudou o Liverpool e foi com ele que os reds se tornaram a equipa mais completa da actualidade - na 1.ª temporada completa em Anfield venceu a Champions League, e na segunda conquista a tão desejada Premier League. Temos alguma dificuldade em imaginar algum 11 do ano nossa da Premier League nos próximos 3-4 anos sem este patrão holandês...
    Tarkowski (já merecia o salto!) e Jonny Evans (outrora um jogador que não aquecia nem arrefecia nas convocatórias de Sir Alex Ferguson, hoje um jogador seguro e fiável) foram evidentes destaques, bem como Coady e Egan, que mesmo com maiores limitações técnicas, mostraram-se fundamentais para as campanhas de Wolves e Sheff. United com a sua liderança.



Defesa Central: Zero centrais do Tottenham, zero centrais do Chelsea, zero centrais do Arsenal. Num ano, como já dissemos, atípico, talvez uma das coisas mais improváveis seja Fernandinho constar entre entre os 10 centrais que seleccionámos neste final de época. O veterano de 35 anos baixou no terreno e, mesmo sem ter a compleição de Stones ou Otamendi (Laporte, o melhor central do City, passou parte considerável da época lesionado), foi o melhor citizen a actuar no centro da defesa.
    As épocas de Saïss e Dunk foram de incrível regularidade, mas o lado esquerdo do coração da defesa (lado onde Van Dijk também actuou, mas serve esta "batota" para o deixar confortável noutro lado, deixando este para ser discutido entre os 2 centrais seguintes do Top-3 da época) fica invariavelmente ligado ao negócio de Harry Maguire do Leicester para Manchester. O central britânico dotou os red devils finalmente de um líder no quarteto defensivo, mas não foi melhor do que o seu substituto no King Power Stadium. Em boa hora a direcção dos foxes bateu o pé e recusou-se a pagar as quantias avultadas que Burnley e Bournemouth pediam por Tarkowski e Aké. Compensou porque a solução para a sucessão de Maguire já morava em casa: que época realizou Çağlar Söyüncü!



Lateral Esquerdo: Podia ser maratonista, mas é jogador de futebol. Parte da dificuldade que outras equipas do mundo encontrarão ao tentar replicar o actual modelo de sucesso do Liverpool consiste na dificuldade em encontrar 1) médios sem ego que combinem músculo, dinamismo e maturidade táctica e 2) laterais com iguais doses de qualidade técnica e disponibilidade física.
    Cansa ver o que corre o escocês Robertson. Encanta ver quantas etapas superou e quantos escalões escalou, um pouco à imagem de Jamie Vardy, nas últimas temporadas. O lateral-esquerdo continua a ser o principal destaque do futebol inglês entre os seus pares, embora esta época Ben Chilwell (não surpreende que seja cobiçado por Chelsea e Manchester City) nos tenha deixado, a dado momento, com algumas dúvidas sobre quem acabaria por figurar no 11 do Ano no final da época.
    Nenhum lateral do City foi constante num nível alto, Marcos Alonso teve apenas alguns momentos e Tierney só deve entrar a sério na Premier em 2020/ 21. Posto isto, Enda Stevens foi mais um dos vários destaques da defesa a 5 no esquema de Chris Wilder, Jonny subiu o rendimento para não deixar Doherty brilhar sozinho e Lucas Digne continuou a ser um dos poucos destaques num Everton que, embora esteja agora bem entregue a Ancelotti, ainda precisa de várias afinações para se endireitar.



Médio Centro: Jordan Henderson foi eleito o Jogador do Ano pela imprensa britânica. Em boa verdade, o capitão do Liverpool não foi o MVP da competição, dividindo principalmente com 4 colegas (Mané, Alexander-Arnold, Van Dijk e Salah) o estatuto de figura dos novos campeões de Inglaterra. Exemplo perfeito do futebol operário, intenso e altruísta que Klopp preconiza para o seu Liverpool, Henderson conseguiu o que Steven Gerrard nunca foi capaz: erguer o troféu da Premier League. Custa pensar que Gerrard nunca venceu, mas é inequívoco que o seu herdeiro enquanto capitão merece tudo aquilo que está a viver.
    A fazer-lhe companhia, o companheiro de sector Fabinho, o irrepreensível João Moutinho, o coleccionador de desarmes Ndidi e Declan Rice, um "seis" que promete deixar os principais emblemas de Inglaterra dispostos a pagar bom dinheiro.



Médio Centro: Sem margem para dúvidas, o Jogador do Ano da Premier League 2019/ 20. O belga Kevin Yuukerson De Bruyne é, aos 29 anos, o melhor médio do mundo. É um dos jogadores que mais prazer nos dá ver jogar na actualidade, e vincou-se esta época como um dos 3 principais candidatos à Bola de Ouro (se não tivesse sido cancelada pela France Football) e ao The Best juntamente com Lewandowski e Messi. É certo que o Liverpool conquistou a PL, mas também é absolutamente indiscutível para quem acompanhou esta edição que De Bruyne foi superior a Henderson, Mané, Salah, Alexander-Arnold ou Van Dijk, e que nenhum jogador manteve, individualmente, um nível tão elevado ao longo de toda a campanha. Foram 20 assistências, 136 oportunidades criadas (Grealish e Alexander-Arnold foram quem mais se aproximou de KDB neste capítulo, com 91 e 87 oportunidades para golo) e 13 golos. O belga pertence cada vez mais à nata de médios centro da Premier: Scholes, Lampard, Gerrard, Keane, Vieira e Silva.
    De resto, é impossível não referir o impacto que Bruno Fernandes teve no Manchester United. Eleito por nós abaixo como "Reforço do Ano", o ex-Sporting fez aumentar os índices de todos à sua volta e promete ser um dos destaques individuais em 20/ 21. Mason Mount joga muito, James Maddison melhorou e é hoje mais um jogador de equipa, e Rúben Neves já merece um clube acima do Wolves, por muito que os lobos de NES cresçam a cada ano que passa.



Extremo Direito: Pode-se considerar que o rendimento de Mo Salah em Inglaterra tem sido decrescente - 32 golos em 17/ 18, 22 golos em 18/ 19 e 19 golos nesta temporada. Ainda assim, mesmo que egoísta em várias ocasiões e ficando com os louros de Sadio Mané noutras, o egípcio mantém-se um dos crónicos destaques da Premier League. Foi, para nós, apenas o 5.º melhor jogador dos novos campeões, mas foi superior a qualquer um dos restantes 4 extremos-direitos que escolhemos destacar.
    Riyad Mahrez cumpriu a sua melhor época desde que está no Manchester City e confirmou que desde 2015/ 16 (quando foi o Jogador do Ano) alterna épocas de brilho com épocas mais apagado. Um dos elementos que mais cresceu em 2019/ 20 foi Adama Traoré: o musculado extremo do Wolves, a quem a equipa técnica aplica óleo para bebé de forma a "escapar" melhor aos agarrões dos adversários aos seus braços, esteve imparável no 1 para 1, assistiu frequentemente Raúl Jiménez e deve constar de muitas listas de desejos de vários técnicos por essa Europa fora.
    Seja este ou não o último ano de Willian no Chelsea, o extremo brasileiro saiu de cabeça erguida, e Buendía mostrou futebol suficiente para não acompanhar o Norwich na descida ao Championship.



Extremo Esquerdo: Se não existisse De Bruyne, ou se fossemos obrigados a eleger como Jogador do Ano um elemento da equipa vencedora, a escolha seria o senegalês Sadio Mané. Um dos jogadores mais subvalorizados nos últimos anos, e que até já poderia ter constado do Top-3 da Bola de Ouro, Mané marcou menos do que há um ano, mas assistiu bastante mais. Apareceu sempre na Hora H, naqueles momentos em que o Liverpool teve "estrelinha" e nunca se coibiu de defender, pressionar, pensar no todo antes de pensar em si.
    A competição feroz é composta por Raheem Sterling (o fortíssimo final de época, com 9 golos apontados desde a retoma, mascarou uma época no seu todo inferior à de Mané), Grealish (não é exagero dizer que o Aston Villa se manteve na Premier graças a ele), Rashford (deu o salto que era preciso para se tornar umas das figuras da competição nos próximos anos) e Son Heung-Min, autor do Golo do Ano e um dos poucos destaques numa época frouxa do Tottenham.



Ponta de Lança: Eis Jamie Vardy, o melhor marcador, com 23 golos, da Premier League 2019/ 20. Não sendo esta a época em que marcou mais golos - na temporada em que o Leicester foi campeão, Vardy apontou 24 -, desta vez não houve ninguém que marcasse mais do que ele.
    O eléctrico avançado do Leicester, audaz a jogar no limite do fora-de-jogo, foi o principal obreiro da hercúlea época dos foxes, com um 5.º lugar que no final pareceu desapontar, dada a quantidade de tempo que o Leicester esteve no Top-3, mas que não deixa de ser uma classificação incrível, à qual poucos apontariam o clube orientado por Brendan Rodgers no começo da prova.
    Fixando-se numa posição mais central, Martial marcou e jogou como nunca, entendendo-se às mil maravilhas com Bruno Fernandes, Rashford e Greenwood; Harry Kane não deixou de ser o melhor ponta de lança do futebol inglês mas uma lesão que lhe roubou 8 jornadas impediu-o de terminar com uma marca superior (18 golos).
    Roberto Firmino marcou pouco mas foi, uma vez mais, o farol invisível e sacrificado para que todo o ataque do Liverpool funcione organicamente, e Gabriel Jesus atingiu a sua melhor prestação em Inglaterra, reclamando outro estatuto e ameaçando Agüero em 2020/ 21. 



Ponta de Lança: Numa temporada em que os gunners acabaram em 8.º, Aubameyang não deixou de conseguir brilhar. O avançado do Gabão, ora em terrenos centrais ora à esquerda, esteve perto de dividir com Vardy a Bota de Prata e, com a sua velocidade inigualável e capacidade de finalizar de todas as formas e feitios deixou a questão: conseguirá o Arsenal rodeá-lo de jogadores do seu nível ou deve procurar, aos 31 anos, um último desafio num clube com outras ambições?
    Raúl Jiménez fartou-se de jogar à bola, e não surpreende que Juventus (o mexicano pode ser um novo e eficaz Benzema para Ronaldo) e Manchester United o queiram; e Danny Ings surpreendeu tudo e todos - depois de 4 épocas marcadas por lesões e em que marcou um total de 10 golos, fechou esta edição com 22 golos, registo igual a Aubameyang e a apenas 1 golo do melhor marcador Jamie Vardy.
    Kun Agüero foi o habitual - golos impressionantes em que tudo lhe parece tão fácil, a sensação que podia render ainda mais e lesões inoportunas - e Tammy Abraham disse presente quando Lampard confiou a si a titularidade e o papel de 9 dos blues.




    Que prazer nos deu ver jogar Kevin De Bruyne em 2019/ 20! O médio belga vê o jogo como mais nenhum, cria o impossível, simplifica, combate, recupera, marca de livre, dispara de meia distância, assiste a 30 metros ou na grande área. De Bruyne terminou a Premier League ligado a 33 golos (13 golos e 20 assistências, igualando no capítulo de passes para golo o registo lendário de Thierry Henry) e, mesmo tendo o seu City terminado a 18 pontos do campeão, KDB recusou-se em apresentar em algum momento um nível abaixo de excelente.
    O campeonato do Liverpool ficou marcado pela liderança de Jordan Henderson, pela parede defensiva e contagiante que é Virgil van Dijk, pela fonte de energia e criatividade que é Alexander-Arnold (a média de idades dos nossos 6 finalistas é 28,3, destacando-se como "anomalia" Trent com 21 anos) e por Sadio Mané, o principal craque do campeão Liverpool em 2019/ 20 e alguém que apareceu sempre nos momentos decisivos.
    Jamie Vardy, melhor marcador da competição, completa o lote de 6 figuras desta edição, sem esquecer claro Salah, Sterling, Rashford e Aubameyang, entre outros.



    Tal como em 2018/ 19, Trent Alexander-Arnold foi o jovem jogador com maior rendimento e impacto na Premier League. O lateral-direito, um dos 3 repetentes no nosso 11 do Ano, voltou a mostrar porque é que é com 21 aninhos o melhor do mundo na sua posição, evoluindo em vários parâmetros: foi um dos 4 jogadores mais influentes no título do Liverpool, é cada vez mais uma ameaça na conversão de livres directos, e poder-se-á argumentar que é o jogador que melhor cruza na actualidade.
    Entre as nossas escolhas, nas quais temos como idade máxima 22 anos (a PFA estende a faixa etária até aos 24 anos), poderiam constar Tammy Abraham (15 golos ao serviço do Chelsea, 10 deles marcados nas primeiras 12 jornadas, perdendo o lugar no 11 e mostrando-se irregular ao longo da prova), Wan-Bissaka (nenhum defesa no mundo defende tão bem Raheem Sterling no 1 para 1), Cantwell, Declan Rice e Calvert-Lewin. No entanto, optámos por fazer acompanhar TAA com o melhor Rashford de sempre, Mason Mount que demonstrou qualidade para ser uma das figuras no Chelsea de Lampard ao longo das próximas épocas, Mason Greenwood (juntou-se a Michael Owen e Robbie Fowler como únicos jogadores que marcaram 10 golos numa época de Premier League tendo até 18 anos), Pulisic que embora oscilando acabou por deixar evidente que o antigo posto de Hazard ficará bem entregue, e por fim Phil Foden que, embora disputando apenas 888 minutos, mostrou nesse tempo que está pronto para ser um dos 14 jogadores mais utilizados por Guardiola em 2020/ 21. Foden e Greenwood (1.303 minutos) jogaram menos que outros, mas mostraram que são o futuro da Premier League.



Treinador do Ano: Na época passada escolher entre Guardiola e Klopp representava um valente 31. Desta vez, a tarefa está bastante facilitada. Mas antes de chegar a Jürgen Klopp, todos os outros.
    O técnico alemão do Liverpool merece o estatuto de melhor do mundo no somatório desta época e da anterior, mas Pep Guardiola continua a ser o treinador mais marcante dos tempos modernos. Destacamos sempre 5 treinadores e, nesse sentido, é custoso deixar Pep e Frank Lampard (óptimas indicações, mostrando ser o homem certo para este novo Chelsea) de fora; mas 5 técnicos ultrapassaram desafios maiores ou tiveram a partir do banco uma influência maior, palpável, na performance das suas equipas. Ole Gunnar Solskjaer pode agradecer muito a Bruno Fernandes, mas o 3.º lugar do Manchester United é mérito de um treinador que aos poucos está a conseguir recuperar o ADN do United de Ferguson, com juventude e irreverência, e uma equipa unida e cada vez com menos espaço para vedetas. Brendan Rodgers pegou no Leicester e deixou a equipa num respeitável 5.º lugar. Parece pouco considerando que os foxes passaram grande parte do campeonato nas 3 primeiras posições, e atrevemo-nos a dizer que sem Covid-19 a equipa teria fechado a prova num lugar de Champions, mas o feito de Rodgers não perde fulgor pela quebra na recta final.
    Nuno Espírito Santo, com um plantel curto que diz sempre presente nos jogos grandes, voltou a impressionar ao envolver o Wolves na luta com United, Chelsea, Leicester, Tottenham e Arsenal. E Chris Wilder, num futebol pouco atraente, por vezes louco por vezes conservador, fez muitíssimo com pouco, e atirou o Sheffield United do Championship para o 9.º lugar da Premier League.
    Mas Klopp é... um treinador à parte. Personificação de tudo aquilo que o futebol devia procurar ser, seja em Inglaterra, em Portugal ou em qualquer parte do globo, o alemão construiu a equipa mais forte da actualidade, completíssima e adaptável a diferentes tipos de oposição. A fasquia está muito elevada: com 99 pontos este ano e 97 pts na temporada anterior, os adversários já sabem o que precisam de igualar para ombrear com o clube que foi campeão 30 anos depois, mas que apresenta uma frescura, confiança e estabilidade que deixam antever muitos e variados sucessos nesta década.



Melhor Marcador: 1. Jamie Vardy (Leicester City) - 23
2. Danny Ings (Southampton) - 22
3. Pierre-Emerick Aubameyang (Arsenal) - 22

Melhor Assistente: 1. Kevin De Bruyne (Manchester City) - 20
2. Trent Alexander-Arnold (Liverpool) - 13
3. Andrew Robertson (Liverpool) - 12

Clube-Sensação: Sheffield United
Desilusão: Arsenal
Most Improved Player: 1. Adama Traoré, 2. Danny Ings, 3. Dean Henderson
Reforço do Ano: Bruno Fernandes (Manchester United)
Flop do Ano: Joelinton (Newcastle)
Melhor Golo: Son Heung Min (Tottenham 5 - 0 Burnley) (Link)






7 de fevereiro de 2020

Previsões Vencedores Óscares 2020

Está quase. Na madrugada (portuguesa) de domingo para segunda-feira, Hollywood veste-se de dourado e o mundo pára para assistir a um conjunto de problemas de primeiro mundo: quem vai conquistar cada uma das 24 categorias da 92.ª edição dos Óscares da Academia?
    Novamente sem um anfitrião clássico, a cerimónia fará passar pelo palco para apresentar nomeados e entregar estatuetas Diane Keaton, Gal Gadot, Keanu Reeves, Will Ferrell, Kristen Wiig, Salma Hayek, Tom Hanks, Chris Rock ou os últimos 4 vencedores das categorias de interpretação (Rami Malek, Olivia Colman, Mahershala Ali e Regina King). As 5 canções nomeadas terão também os seus intérpretes originais a dar voz (Elton John, Cynthia Erivo, Idina Menzel/ Aurora, Chrissy Metz e Randy Newman), estando ainda anunciadas actuações de Janelle Monáe e Bille Eilish, uma das quais provavelmente no momento in memoriam.
    Joker parte na frente como filme mais nomeado (11 nomeações), seguido de perto por 1917, The Irishman e Once Upon a Time in Hollywood (10). Se há um ano atrás Roma representou uma mudança de paradigma com a Netflix a conseguir finalmente ser levada a sério pela Academia, a 92.ª edição deve ser vista como uma confirmação - 2 dos 9 nomeados para melhor filme são produções Netflix.

    O épico de guerra em plano-sequência de Sam Mendes parte como favorito, mas é inequívoca a sucessiva quebra de horizontes do sul-coreano Parasite. O vencedor da Palma de Ouro em Cannes com voto unânime tem-se tornado o "primeiro de sempre" em muita coisa ao longo da época de prémios: nunca antes um filme sul-coreano tinha sido nomeado para qualquer categoria dos óscares (Parasite compete em 6), tornou-se não só o segundo filme estrangeiro a ser nomeado para melhor elenco pelo sindicato dos actores - o anterior fora o italiano La vita è bella, em 1997 - como o primeiro a arrecadar essa categoria. É o filme favorito da crítica e uma das potenciais surpresas agradáveis numa noite em que também 1917, Once Upon a Time in Hollywood e Joker devem fazer boa figura, subindo todos ao palco em mais do que uma ocasião.
    A tendência recente da Academia dividir o bem pelas aldeias - nos últimos 5 anos o máximo que assistimos foi um filme vencer 6 categorias - deve continuar, e quando analisados os "sinais" dados pelo circuito alguns consensos começam a ganhar forma. 1917 foi o grande vencedor dos Globos e dos BAFTA, vencendo ainda nos PGA (Producers Guild Awards), os Writers Guild Awards premiaram Parasite e Jojo Rabbit, Sam Mendes (distinguido pelos seus pares nos DGA) tem-se fartado de acumular prémios, e em quase todas as ocasiões têm sido os mesmos quatro actores a vencer, num constante apelo à criatividade para produzir novos discursos. No entanto, um pormenor, entre as duas actrizes e os dois actores expectáveis vencedores, o óscar só será uma repetição para um elemento do quarteto.

    Em breve publicaremos os nossos Óscares Barba Por Fazer 2020, uma cerimónia digital da qual nunca abdicamos e que normalmente se afasta um pouco dos nomeados e vencedores da Academia. Por agora, estas são as nossas previsões para a realidade:

Melhor Filme: 1917 | Parasite (Once Upon a Time in Hollywood)
Melhor Realizador: Sam Mendes
Melhor Actor: Joaquin Phoenix
Melhor Actriz: Renée Zellweger
Melhor Actor Secundário: Brad Pitt
Melhor Actriz Secundária: Laura Dern
Melhor Argumento Original: Parasite (Once Upon a Time in Hollywood)
Melhor Argumento Adaptado: Jojo Rabbit
Melhor Design de Produção: Once Upon a Time in Hollywood
Melhor Fotografia: 1917
Melhor Guarda-Roupa: Little Women
Melhor Edição/ Montagem: Parasite | Ford v Ferrari
Melhor Caracterização: Bombshell
Melhor Banda Sonora: Joker
Melhor Mixagem de Som: 1917 | Ford v Ferrari
Melhor Edição/ Montagem de Som: 1917 | Ford v Ferrari
Melhores Efeitos Visuais: 1917 (The Lion King, Avengers: Endgame)
Melhor Música: "I'm Gonna Love Me Again", Rocketman
Melhor Filme de Animação: Klaus (Toy Story 4)
Melhor Filme Estrangeiro: Parasite
Melhor Documentário: American Factory
Melhor Curta-Metragem: The Neighbor's Window (Brotherhood)
Melhor Documentário (Curta): Learning to Skateboard in a War Zone
Melhor Curta de Animação: Hair Love (Kitbull)

Conclusões finais:

    Nada na vida é certo, mas se Parasite não vencer melhor filme estrangeiro podem pegar em nós e atirar-nos em movimento da Ponte 25 de Abril abaixo. Bem, vamos lá assumir uma postura séria de acordo com a ocasião.
    Há uns meses atrás tínhamos a desconfiança que Adam Driver poderia estragar uma eventual noite de glória de Phoenix, mas nesta fase as categorias de interpretação parecem certezas - Joaquin Phoenix, Renée Zellweger, Brad Pitt e Laura Dern têm ganho tudo. É difícil imaginar algo que fuja ao guião esperado, podendo ser este o 1.º óscar para Phoenix (quarta nomeação), Brad Pitt (quarta nomeação como actor; já ganhou mas na qualidade de produtor) e Laura Dern (3.ª nomeação). A nossa principal curiosidade vai para o discurso do actor que deu corpo e alma a Joker, que deve fugir ao politicamente correcto e quiçá mencionar o seu irmão River.
    Temos (como sempre) algumas dúvidas nas curtas-metragens, embora um documentário intitulado Learning to Skateboard in a War Zone (If You're a Girl) pareça um vencedor à nascença só pelo nome.
    A vitória de Joker na banda sonora (mérito da islandesa Hildur Guðnadóttir, igualmente compositora da série Chernobyl), Roger Deakins na Fotografia (irónico que depois de 13 nomeações sem vencer, Deakins, que ganhou com Blade Runner 2049 possa conquistar 2 óscares em 3 anos), Bombshell na caracterização e Rocketman (Elton John) na canção original parecem apostas seguras, embora no último caso a "Stand Up" de Cynthia Erivo seja um tema bem mais épico. Sam Mendes terá o discurso bem ensaiado - uma vitória de Bong Joon-Ho não é impossível mas seria um dos choques da noite -, e na animação espera-se duelo entre o vencedor do Annie, Klaus, e algo familiar como Toy Story 4.
    Os Writers Guild Awards distinguiram Jojo Rabbit como argumento adaptado e Parasite como argumento original mas o "factor Tarantino" pode baralhar as contas. Por mais que Parasite mereça, parece-nos que muitos votos podem revelar incapacidade de fugir à associação Tarantino - Argumento original. Finalmente a nível técnico há pequenas questões a ter em conta: nas duas categorias de som 1917 e Ford v Ferrari apresentam fortes argumentos; nos efeitos visuais veremos se pesam mais os efeitos práticos de 1917 ou a inovação tecnológica de coisas como The Lion King, The Irishman e Avengers: Endgame; e no Design de Produção (categoria modesta que até pode servir para ajudar a desempatar quando avaliado o todo) não descartamos 1917 e Parasite mas cheira-nos que Once Upon a Time in Hollywood sorrirá. Por fim, dia 9 saberemos se a Academia privilegia a edição subtil de Parasite ou mais descarada de Ford v Ferrari (ambos transmitem diferentes noções de ritmo, uma das palavras mais importantes para quem avalia a montagem, embora há um ano atrás tenha ganho Bohemian Rhapsody, um dos filmes com pior edição desse ano).

    Ao longo da noite, todos os caminhos irão dar à categoria de Melhor Filme. 1917 é o efectivo favorito, mas não nos sai da cabeça a possibilidade de Parasite surpreender; mesmo Once Upon a Time in Hollywood e, no limite Jojo Rabbit, têm uma palavra a dizer.
    Em suma, 1917 deve ser o filme mais galardoado nesta 92.ª edição (2020), podendo acumular algo entre 3 e 7 óscares. Melhor taxa de óscares por nomeação pode ter Parasite, um filme de qualidade consensual que pode servir de bandeira de uma Hollywood que se quer mais inclusiva.


Boas apostas e boas pipocas.
Miguel Pontares e Tiago Moreira

2 de fevereiro de 2020

100 Jogadores que podem marcar 2020 (1-50)


Há alguns dias publicámos os 50 primeiros nomes da nossa lista para 2020 (100.º ao 51.º lugar) e hoje fechamos a centena com os nomes mais cotados. Recordamos que a rubrica "100 Jogadores" é tradição anual aqui no Barba Por Fazer (podem consultar no nosso arquivo as edições de 2015, 2016, 2017, 2018 e 2019) e nela tentamos reunir um conjunto de craques com diferentes ingredientes para serem destaques no novo ano civil futebolístico. Alguns poderão proporcionar transferências sonantes, outros poderão desempenhar um papel crucial nas conquistas dos seus clubes ou selecções, afirmando-se jovens promessas e sendo outros tantos os desconhecidos que dirão adeus ao quase-anonimato, passando a ter o seu nome nas bocas dos quatro cantos do mundo.
    2020 é ano de Europeu, Copa América e Jogos Olímpicos, sendo absolutamente imprevisível quem vencerá a Champions. Nos campeonatos, a Premier League está 99% entregue, sobre a Ligue 1 já quase nem é preciso falar, mas Espanha, Itália e Alemanha prometem emoções fortes até às últimas rondas.

    Desde que publicámos a 1.ª parte deste lote, dois talentos mencionados (Francisco Trincão e Dani Olmo) já foram contratados por outros clubes. Do ano passado para este, analisando os 50 primeiros classificados, vários são os nomes que continuam por cá; há um ano atrás listámos por exemplo Frenkie De Jong, De Ligt, Icardi, Fékir, Rabiot, Éder Militão, Jovic, Ndombele, Lozano, Haller e... Julian Weigl antes das suas transferências. Sem mais demoras, os 50 craques deste ano:


1. Lionel Messi (Barcelona) - O melhor jogador do mundo em 2019. Conseguirá manter o nível e arrecadar a 7.ª Bola de Ouro? Na La Liga, o que joga e faz jogar poderá chegar para revalidar o título, embora o Real Madrid de Zidane esteja muito mais sólido do que na temporada anterior. Na Champions, é-nos muito mais fácil apontar um colectivo forte a todos os níveis, com identidade e personalidade, como Liverpool e Manchester City, do que um Barça messidependente.
    Rivaliza nos golos com Ronaldo e Lewandowski, rivaliza no drible com Neymar, rivaliza na visão de jogo e qualidade de passe com De Bruyne. E muitas vezes bate todos estes em todas estas vertentes. Tem 32 anos, e está mais completo e conhecedor do jogo do que nunca antes.

2. Cristiano Ronaldo (Juventus) - Com quase 35 anos, Ronaldo não pára. Em 2018/ 19 não foi Top-3 em termos de qualidade individual apresentada. Em 2019/ 20, craques como Messi, De Bruyne e Lewandowski têm estado melhor, mas se considerarmos apenas o ano civil de 2020, CR7 arrancou em grande e está superior a toda a concorrência. Com o Inter a "chatear" a Juventus, talvez não seja possível gerir tanto Ronaldo na Serie A; mas todos sabemos que a sua competição é a Champions, e é para a orelhuda que vive. Aproveitemo-lo, porque deve ser a última vez que contamos com o capitão português num Europeu.

3. Kylian Mbappé (PSG) - Aos 21 anos, 2020 pode ser um ano muito especial para Mbappé. Acreditamos que no Verão pode tornar-se o jogador mais caro da História, e sendo a campeã mundial França uma das selecções favoritas no Euro, é legítimo que Kylian acredite que pode ser desta que se estreia nas andanças da Bola de Ouro.

4. Kevin De Bruyne (Manchester City) - Tirando os aliens Messi e Ronaldo, tirando o futuro alien Mbappé, De Bruyne é o mortal que vemos com capacidade para surgir também no pódio da Bola de Ouro. No City, tem sido o máximo assistente do futebol europeu (15 assistências) e mais 10. A Premier está perdida, embora mantendo o nível possa ser considerado o Jogador do Ano PFA, na Champions os oitavos reservam um escaldante Real Madrid-Manchester City, e atenção à Bélgica no Europeu...

Resultado de imagem para neymar5. Neymar (PSG)  - Quando quer, é o segundo jogador do planeta com maior fantasia. O tridente que forma com Mbappé e Icardi tem França a seus pés mas será fortemente testado nos oitavos da Champions diante do Dortmund. Supomos que em 2020 termine a sua novela entre Barça e PSG, regressando finalmente ou fazendo um voto de estabilidade. Curiosidade: só por duas vezes (2015 e 2017) surgiu no pódio da Bola de Ouro, ambas as ocasiões em 3.º.

6. Robert Lewandowski (Bayern Munique) - Máquina de fazer golos. O homem que mais golos marcou em 2019 (54 golos em 58 jogos, ficando acima de Messi, Mbappé, Sterling e Ronaldo) passou sempre os 40 golos nas últimas quatro temporadas. Segue com 33 golos em 28 jogos, pelo que não é exagero pensar que finalmente vai chegar aos 50 numa época.

7. Mohamed Salah (Liverpool) - Está a embalar para nova temporada extraordinária, é prejudicado por não ter CAN (num ano em que há Euro e Copa América), mas se por acaso juntar Premier+Champions, mantendo o nível do último mês e sendo o melhor jogador dos reds nas duas competições, dificilmente a máxima distinção individual do futebol lhe escaparia.

8. Jadon Sancho (Borussia Dortmund) - Tem 19 anos. Joga que se farta e com relativa facilidade deve chegar a 20 golos e 20 assistências nesta Bundesliga. Destaca-se em conjunto com Mbappé e Haaland como jogadores que podem marcar esta década, e é bem possível que muitos clubes da Premier League entrem em loucuras para o fazer regressar ao seu país de origem em 2020-21.

9. Sadio Mané (Liverpool) - Num universo justo, teria sido 3.º classificado nos finalistas da Bola de Ouro e do The Best. Mané joga muito, e não recolhe o mediatismo adequado para a sua qualidade. Com a Premier no bolso e a reconquista da Champions a ser um objectivo realista, é natural que Salah, Mané, Arnold e Van Dijk voltem a ser nomes equacionados nos prémios de final de época.

10. Antoine Griezmann (Barcelona) - A nível de clubes, não será possível o Barcelona conquistar a Champions apenas com Messi a remar para o lado certo. Ao contrário dos últimos anos, na Hora H terão que aparecer os escudeiros Griezmann e Suárez. A nível de selecções, há que reconhecer: excluindo as fases de grupos e considerando apenas o mata-mata do Euro 2016 e Mundial 2018, nenhum jogador foi tão consistente e preponderante como Griezmann. Como será no Euro 2020?

11. Raheem Sterling (Manchester City) - Em 2019/ 20 não está a apresentar o soberbo nível que exibiu em 2018/ 19, época em que foi rei na Premier League juntamente com van Dijk e Bernardo e em que na Europa só Lewandowski, Messi e Mbappé marcaram mais golos do que ele. Consoante o que fizer na Champions e no Euro pode finalmente colocar o seu nome em equação para a Bola de Ouro. É o melhor jogador inglês da actualidade.

12. Timo Werner (RB Leipzig) - Parece que já o vemos há tanto tempo em campo mas ainda tem apenas 23 anos. Não terá dificuldade em terminar a temporada com um total de 40+ golos e o Leipzig pode ter dificuldade em segurá-lo se Liverpool ou Munique chamarem por si.

13. Erling Braut Haaland (Borussia Dortmund) - Na liga austríaca marcou 16 golos em 14 jogos, saindo do Salzburgo com um registo de 28 golos (8 golos em seis jogos de Champions) em 22 jogos. Na Alemanha, já leva 7 golos em 3 jogos. Em Dortmund, marca a cada 19 minutos. Haaland é um fenómeno, pode perfeitamente terminar a Bundesliga no mínimo em 3.º lugar dos melhores marcadores, e é quase certo que fechará 2019-20 com 50 golos marcados. Isto tudo aos 19 anos de idade.

14. Leroy Sané (Manchester City) - Caso não renove (contrato com o City acaba em 2021) a gazela alemã deve viajar para novo clube no Verão. Pode estar aqui o novo craque do Bayern Munique.

15. Son Heung-Min (Tottenham) - Melhor jogador asiático da actualidade e um dos jogadores mais subvalorizados do mundo. Em forma, não há quem o pare e por vezes parece mesmo Top-10 do mundo. Com Kane lesionado, José Mourinho confia no sorridente sul-coreano para assumir papel de destaque e carregar a equipa com os seus golos.

16. Karim Benzema (Real Madrid) - Desde a saída de Ronaldo, é claramente o melhor jogador do Real Madrid. Se o Real de Zidane conquistar a La Liga uma percentagem brutal de responsabilidade terá que ser atribuída ao ponta de lança de quem CR7 tem seguramente muitas saudades.

17. Bernardo Silva (Manchester City) - A incrível forma de Mahrez, possivelmente alguma instabilidade causada pelo caso Mendy que nunca foi caso, e o magnetismo dos desempenhos de De Bruyne têm atirado Bernardo para segundo plano depois de uma fantástica temporada de 18-19 em que foi o melhor jogador português. O nosso Europeu passará muito pelo seu génio (recordamos que falhou o Euro-2016 por lesão) e em 2020, com a saída de David Silva do City, a vaga do mago espanhol significará invariavelmente mais minutos para Bernardo e Foden.

18. Frenkie De Jong (Barcelona) - É um dos jogadores com mais ADN Barça, mesmo sem ter sido formado em La Masia. Interessa-nos ver a sua influência na Holanda de Koeman, e o nível que apresenta na fase a eliminar da Champions, tendo feito muita falta aos blaugrana na última edição um jogador com a sua inteligência e compostura.

19. Virgil van Dijk (Liverpool) - Sem margem para dúvidas o melhor defesa central do planeta. É bastante improvável que volte a figurar no Top-3 da Bola de Ouro, mas está cada vez mais perto a conquista da tão desejada Premier League. Na Champions, logo se vê se há bicampeão.

Resultado de imagem para trent alexander arnold20. Trent Alexander-Arnold (Liverpool) - É assustador pensar como irá evoluir Alexander-Arnold, um jogador que aos 21 anos já parece o atleta perfeito. Fenómeno físico, terá apenas a aprimorar o capítulo defensivo e podendo acrescentar mais golos ao seu reportório, mas já assiste como poucos, passa à distância quase como Gerrard fazia, e até marca livres.
    É um dos jogadores que melhor cruza na actualidade, em bola corrida ou parada, e vai finalmente em 2020 estrear-se numa grande competição como titular de Inglaterra. Mantendo o nível exibicional, não será surpresa se surgir pela primeira vez nos finalistas a Jogador do Ano em terras de Sua Majestade.

21. Federico Chiesa (Fiorentina) - É um dos melhores activos fora dos principais clubes europeus. O filho de Enrico tem ar de Juventus, mas não excluímos que se aventure no estrangeiro.

22. Marcus Rashford (Manchester United) - A lesão chegou num péssimo momento, mas a partir de Março, Rashford pode continuar a semear o terror nas defensivas contrárias e somar golos atrás de golos. Deve chegar pela primeira vez aos 20 golos no campeonato, e o seu bromance em campo com Bruno Fernandes pode ser amor à primeira vista.

23. Lautaro Martínez (Inter) - É impossível mencionar Lautaro sem referir Lukaku, impressionando o rendimento da dupla de ataque de Antonio Conte. Lukaku pode ser aquele que termina 19/ 20 com melhor registo, mas Lautaro é um dos nomes apontados para suceder a Suárez no Barcelona. Vai fazer muitas capas de jornais.

24. Christian Eriksen (Inter Milan) - Adquirido por 20 milhões de euros (compreensível valor por estar a terminar contrato, fazendo confusão na mesma), experimenta em 2020 um novo futebol e promete ser o maestro de Conte. Deve alimentar Lukaku e Lautaro, mas interessa-nos ver como concilia o seu futebol e ocupação zonal com Barella e Sensi.

25. Bruno Fernandes (Manchester United) - Foi o melhor jogador da última edição da Liga NOS, carregou o Sporting quase sozinho nos últimos anos e já merecia o reconhecimento internacional que por fim irá ter. A adaptação a Old Trafford e ao ritmo da Premier pode demorar um pouco, mas dado o seu QI e competitividade, é só uma questão de tempo até Bruno Fernandes começar a fazer no United aquilo que fazia no Sporting, provavelmente com números inferiores mas alcançados num contexto mais exigente.

26. João Félix (Atlético Madrid) - A adaptação do golden boy de 20 anos ao futebol espanhol não está a ser o conto de fadas que Félix ambicionaria. Apenas 4 golos (2 na La Liga e 2 na Champions) depois de 126 milhões pagos para Simeone contar com os seus serviços.
    2020 é um teste de fogo para o jogador português com mais potencial da actualidade. Poderá soltar-se no Euro 2020, caso Fernando Santos consiga (é possível, engenheiro) fazer coexistir Ronaldo, Félix, Bernardo e Bruno Fernandes; mas há dois dados indiscutíveis: o péssimo futebol do Atlético não beneficia e enjaula a magia de Félix, e é notório que sente saudades de Diego Costa, com quem se parecia estar a entender às mil maravilhas no começo da época.

27. Gareth Bale (Real Madrid) - País de Gales. Golfe. Madrid. Já entrou nos 30's e poderemos ver o melhor Bale, confortável e confiante por ser a figura nº 1, no Euro 2020. Não faz qualquer sentido continuar em Madrid, e estaria aqui um reforço muito interessante para José Mourinho em 2020-21.

28. Ciro Immobile (Lázio) - Os números são avassaladores. 25 golos em 21 jogos! Apostaríamos mais rapidamente em Messi ou Lewandowski para bota de ouro, mas Immobile não deve ser retirado da equação.

29. Jamie Vardy (Leicester City) - Entre Agüero, Salah, Aubameyang e Vardy deve decidir-se o título de melhor marcador da liga inglesa. Vardy segue na frente, mesmo não marcando desde a jornada 18; mas entregamos-lhe este lugar pela importância que poderá ter na qualificação das raposas azuis para a liga milionária.

Resultado de imagem para cavani30. Edinson Cavani (PSG) - O uruguaio está perto de completar 33 anos, mas candidatos não devem faltar para assegurar os seus serviços a custo zero. Há muito que aguardamos pelo casamento entre Simeone e Cavani.

31. David Silva (Manchester City) - São estes os últimos meses do mago espanhol no Manchester City, clube que representa desde 2010. A Premier League, troféu que parece impossível erguer na sua despedida face à distância brutal fixada pelo líder Liverpool, perde um dos grandes; mas os colegas quererão por certo entregar ao seu capitão a possibilidade de dizer adeus com a conquista da primeira Champions do clube.

32. Jan Vertonghen (Tottenham) - Alderweireld renovou até 2023, mas até ver Vertonghen será um free agent dentro de poucos meses. Com 32 anos, ou se compromete para sempre com o clube de Mourinho ou faz por exemplo um "Daley Blind" e regressa a Amesterdão.

33. Paulo Dybala (Juventus) - Ronaldo é o senhor Juventus, mas a criatividade que tantas vezes falta à vecchia signora é quase sempre dada por Dybala. Eterno prodígio em busca de uma super-época, relegado para segundo plano em vários contextos, terá que dizer presente caso a Juve queira conservar o título e apresentar-se forte na Europa.

34. Dele Alli (Tottenham) - José Mourinho fê-lo renascer, e tanto a Premier League como a selecção inglesa precisam de Alli focado.

35. Houssem Aouar (Lyon) - O miúdo Cherki vai fazendo as delícias dos adeptos, mas é Aouar o jogador mais iluminado e maduro do Lyon. Depay está lesionado, a transferência de Dembélé no Verão é bastante provável, e depois das saídas de Ndombele e Fékir, Aouar pode ser novo "jackpot" para o clube francês. Além de tudo isto, 2020 pode representar a chegada à selecção principal de França do franco-argelino.

36. Serge Gnabry (Bayern Munique) - Pouco valorizado no Arsenal, cresceu muito entre Werder Bremen e Hoffenheim e está um senhor jogador na Baviera. No entanto, é pela Selecção (tem 13 golos em 13 jogos) e no Euro 2020 que temos mais curiosidade de acompanhar as suas exibições.

37. Jack Grealish (Aston Villa) - De meias curtas, o capitão do Aston Villa é um dos jogadores mais fascinantes na actual Premier League. Acreditamos que será muito em breve um dos jogadores mais disputados pelos gigantes ingleses, e o facto de poder competir na Champions poderá fazer a diferença na sua escolha.

38. James Maddison (Leicester City) - Tal como Grealish, Maddison (1 ano mais novo), junta técnica, golos, assistência, bolas paradas, remate de meia distância e visão de jogo. Mas ao contrário de Jack, James pode não mudar de ares considerando a forte chance do Leicester se qualificar para a próxima edição da Champions League.

Resultado de imagem para SANDER BERGE SHEFFIELD39. Sander Berge (Sheffield United) - Quando listámos os nomes da edição de 2020 da nossa rubrica, colocámos o norueguês Berge acreditando que podia dar o salto da Bélgica para um clube de topo inglês ou alemão. O sensacional Sheffield pagou quase 22 milhões por ele, num dos negócios que mais nos surpreendeu neste defeso, e o clube de Chris Wilder parece o passo intermédio certo.

40. Boubakary Soumaré (Lille) - Jogador completíssimo, misto de força e técnica com 20 anos e 1,88m, esteve com um pé no Newcastle. Aqui entre nós, quando sair do Lille estamos convictos de que irá na verdade para um clube bastante superior aos magpies.

41. Raúl Jiménez (Wolves) - Os 28 anos podem impedir uma última grande transferência, mas o ex-avançado do Benfica é um dos mais completos e respeitados da Premier. Ficava tão bem ao lado de João Félix, num regresso com outra cotação ao Atlético, mas se nenhum clube do Top-6 inglês cometer uma loucura, o mais certo é afirmar-se como herói dos wolves.

42. Álex Grimaldo (Benfica) - Afastado o rótulo de frágil (há quanto tempo não se lesiona?) de outrora, pode ser desta que Grimaldo dá finalmente o salto para um tubarão europeu. É difícil compreender como é que o lateral espanhol e Alex Telles continuam em Portugal, mas por cá agradecemos.

43. Willian (Chelsea) - Aos 31 anos, Willian deve viver em 2020 os últimos meses com a camisola do Chelsea. É conhecida a política dos blues de só propor contratos de 1 ano a partir dos 30 e o brasileiro deverá rumar a outras paragens. Outros rumariam nesta fase à China, mas há muito que o Barça o tem debaixo de olho para "rodar" a frente de ataque.

44. Dries Mertens (Nápoles) - Houve quem oferecesse 5 milhões, mas De Laurentiis só o aceitou negociar por valores a rondar os cinquenta. A sua transferência veranil é praticamente uma certeza, com clubes como Chelsea, Tottenham e Dortmund à cabeça como interessados.

45. Tammy Abraham (Chelsea) - Com uma geração fantástica, o ataque da Inglaterra impressiona, e no Euro-2020 em condições normais estará entregue a 3 ou 4 elementos do quarteto Sterling, Rashford, Sancho e Kane. No entanto, perante o calvário de Harry Kane, Abraham estará à espreita de uma oportunidade de liderar os comandados de Southgate.

46. Fabián Ruiz (Nápoles) - Jogador habitualmente subvalorizado, à imagem do compatriota Luis Alberto, achamos que Fabian pode perfeitamente tornar-se uma novela em Espanha, alvo de disputa entre Real Madrid e Barcelona.

47. Pizzi & Rafa (Benfica) - Após a saída de Bruno Fernandes do futebol português, Pizzi e Rafa têm tudo para disputar entre si o estatuto de MVP do nosso campeonato. Será mais uma distinção para o camisola 21 ou a primeira vez de Rafa?

48. Dayot Upamecano (RB Leipzig) - No maravilhoso mundo dos jovens centrais franceses, o Leipzig é a actual casa tanto de Upamecano (21 anos) como de Kounaté (20). Nagelsmann sabe bem os diamantes que tem nas mãos, e um eventual título (não nos atrevemos a arriscar quem ganhará entre Bayern, Dortmund e Leipzig) até os pode manter, mas serão ambos dos primeiros nomes a surgir nas listas de clubes endinheirados que queiram renovar o centro das suas defesas.

49. Adama Traoré (Wolves) - Nos principais campeonatos europeus, está no pódio dos dribladores: Neymar dribla 5,8 vezes por jogo, Traoré 5,5 e Messi 5,3. O extremo de Nuno Espírito Santo está na forma da sua vida e se acrescentar mais golo ao seu jogo pode tornar-se um caso ainda mais sério. Incrível como um jogador com o seu peso muscular consegue atingir tamanha velocidade!

50. Josip Ilicic (Atalanta) - Arrancou 2020 num nível fantástico. Aos 32 anos (idade que o colega de equipa Papu Gómez também está quase a completar), pode ser peça-chave na tentativa da Atalanta se qualificar pelo 2.º ano consecutivo para a Champions. Mais importante: os italianos estão nos oitavos-de-final e têm pela frente o Valência, portanto não é irrealista apontar os comandados de Gasperini como potenciais dark horses (Top-8 é de respeito) da competição.


51-100: 100 Jogadores que podem marcar 2020 (51-100)