Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

16 de maio de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 37



Filme: Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain
Actriz: Audrey Tautou

por Miguel Pontares

    É bastante difícil encontrar uma personagem tão doce e genuína nas suas boas intenções, comparável a Amélie Poulain. Tudo em Amélie é mágico, invulgar mas especial.
    Amélie Poulain cresceu sem ter contacto com outras crianças, isolada pelo facto dos seus pais acharem que sofria de uma anomalia no coração. A solidão faz com que Amélie desenvolva uma imaginação acima da média, uma criatividade capaz de orquestrar os mais bonitos gestos de formas improváveis mas funcionais.
    Desde que se multiplica em esforços para entregar com sucesso uma caixa perdida a Dominique Bretodeau, que o faz reconciliar com a sua filha e conhecer o seu neto, Amélie passa a querer corrigir o mundo através de pequenas coisas. Arranja um esquema para o seu pai cumprir o sonho de viajar mundo fora, leva o senhor Collignon a duvidar da sua própria sanidade através de uma série de cómicas partidas, protegendo o empregado de Collignon, Lucien; e ainda acaba por juntar uma das suas colegas de trabalho no Café des 2 Moulins com um cliente que não "desampara a loja".
    Os pequenos feitos da boa samaritana Amélie, autêntica heroína sem capa nem poderes, são observados pelo velho pintor Dufayel que, qual Amélie Poulain, incentiva-a numa aventura que a leva até Nino, um rapaz que colecciona as fotos tipo-passe que ninguém recolhe. A relação de Amélie e Nino é uma das mais bonitas e suaves histórias de amor, assente naquele humor rápido e no universo muito próprio do Fabuloso Destino da personagem de Audrey Tautou, com Amélie a tornar-se numa das figuras femininas mais fáceis de gostar desde a primeira impressão à última. Com ela, é amor à primeira vista.
    'Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain' é apenas mais um dos bons filmes que o Cinema francês já deu. Talvez o mais mágico, acompanhado de pares como o galardoado 'The Artist', o estiloso 'Léon: The Professional', o polémico 'La vie d'Adèle' e 'Intouchables', muito provavelmente o mais completo e profundo deste conjunto. Que haja mais assim.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

15 de maio de 2015

Crítica: Rudderless

Realizador: William H. Macy
Argumento: William H. Macy, Jeff Robison, Casey Twenter
Elenco: Billy Crudup, Anton Yelchin, Felicity Huffman, Laurence Fishburne
Classificação IMDb: 7.5 | Metascore: 52 | RottenTomatoes: 64%
Classificação Barba Por Fazer: 74

    Desde 'Almost Famous' no ano 2000 o Cinema tem contado pontualmente histórias em que a Música é mais do que um simples acompanhamento. Os exemplos são muitos, desde os levezinhos 'Once', 'August Rush' e 'Begin Again' a musicais como 'Moulin Rouge' e 'Les Misérables', passando ainda por outros filmes que estiveram na órbita dos Óscares como 'Inside Llewyn Davis', 'I'm Not There' e 'Crazy Heart'. A música e o cinema podem e devem dar as mãos em muitas ocasiões, sendo o caso mais recente 'Whiplash' - uma obra na qual a história se escreve nas pautas, com cada nota a enriquecer a verdadeira mensagem e core do filme.
    Este 'Rudderless', que fez parte da selecção do festival Sundance, tem uma coisa em comum com o 'Almost Famous' acima mencionado e escolhido para ponto de partida desta análise: o actor Billy Crudup. Tanto Crudup como o seu coadjuvante Anton Yelchin são actores subvalorizados, mas o mais velho parece condenado a destacar-se apenas em filmes que envolvam música. Melhor que nada. Depois de há 15 anos atrás ter sido o guitarrista dos Stillwater, desta vez corporaliza Sam, um pai que perde o seu filho e que a partir daí entra numa espiral recessiva, a tentar ignorar e esquecer/ não aceitar o que realmente aconteceu. As letras e gravações, que desconhecia, de músicas do filho levam-no a encontrar uma ligação, fechando-se em segredos ao mesmo tempo que forma uma banda com um jovem, Quentin (Anton Yelchin), no qual projecta e sente aquilo que não pode ter com o seu filho.
    'Rudderless' marca a estreia na realização de William H. Macy (actor de 'Fargo' e da versão americana de 'Shameless') e, embora tenha um ritmo que pode levar o espectador a desinteressar-se, acaba por prender ao ter mais camadas do que inicialmente parece. Um dos pontos essenciais fica por desvendar - embora não seja difícil suspeitar dele mais cedo - até mais de meio do filme, mudando a óptica com que olhamos para toda a acção até e a partir daí.
    Fica mais fácil gostar do filme se se gostar do género musical que a banda Rudderless acaba por tocar. É raro ver no Cinema várias músicas deste nível, e ainda para mais sendo as melhores aquelas que são realmente cantadas pelos actores Billy Crudup e Anton Yelchin. É sempre bom testemunhar a capacidade de alguns actores de também cantarem bem, ampliando a noção de "artista". Yelchin, de 26 anos, o Chekov de 'Star Trek' cujos melhores trabalhos até agora terão sido porventura 'Like Crazy' e 'Charlie Bartlett', continuará em busca do papel que o faça dar o salto; já Billy Crudup, mais conhecido por 'Almost Famous' e 'Big Fish' até aqui, integra ainda este ano o aguardado 'The Stanford Prison Experiment'. Nesta sua estreia na cadeira de realizador, William H. Macy joga bem com a alternância de estados emocionais, utilizando a música como alma do filme e como elo de ligação entre cá e lá, sabendo gerir e guardar as tais camadas que o filme tem, e por isso valerá a pena acompanhar futuros trabalhos (não tanto as comédias que tem agendadas).
    É acima de tudo um filme sobre o luto e a aceitação, embora nos iludam tal como o próprio protagonista se ilude que o foco não é esse. Culmina de forma perfeita com Billy Crudup a cantar uma "Sing Along" que nos faz encaixar o filme de uma maneira especial. Não só por ser um pai a completar a letra inacabada do filho, como por toda a contextualização que temos nessa altura do filme, e por ser quase um "Tears in Heaven" dos tempos modernos e cinematográfico.

Crítica: Avengers - Age of Ultron

Realizador: Joss Whedon
Argumento: Joss Whedon, Stan Lee, Jack Kirby
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, James Spader, Elizabeth Olsen, Aaron Taylor-Johnson
Classificação IMDb: 7.4 | Metascore: 66 | RottenTomatoes: 75%
Classificação Barba Por Fazer: 72

    A última aventura com selo Marvel estreou nas salas de cinema portuguesas no final do passado mês de Abril. Os Vingadores voltaram a juntar-se, embora sem o mesmo impacto e desmedido hype da primeira vez.
    A premissa desta vez é a seguinte: uma experiência de Tony Stark e Bruce Banner em busca de Inteligência Artificial dá para o torto e um suposto programa de defesa global chamado Ultron transforma-se no maior inimigo da Humanidade e do sexteto (Iron Man, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra e Hawkeye). "Age of Ultron" introduz ainda os irmãos gémeos Maximoff - o velocista Pietro, interpretado por Aaron Taylor-Johnson e mais conhecido como Quicksilver, e a telepata Wanda ou Scarlet Witch, a permitir à actriz Elizabeth Olsen marcar pontos.
    Nota-se um cuidado em 'Avengers: Age of Ultron' em virar os holofotes em alguns momentos para as personagens que ainda não tiveram, pelo menos na sua versão mais recente (senão Hulk não entraria neste critério) um filme seu. Hawkeye e a dupla Hulk/ Viúva Negra têm assim um lugar ao Sol, num filme que também introduz o super-herói Vision.
    Embora não se esperasse muito dele, o filme acaba por ser de certa forma uma desilusão, mesmo que qualquer filme Marvel gere sempre aquele entusiasmo por ser sempre uma nova página de BD e um conjunto de vinhetas por descobrir. A voz de James Spader (actor da série 'The Blacklist') como Ultron é uma aposta ganha, sem discussão, mas os 141 minutos de filme andam muito à volta do mesmo. Entretém, sim, mas não acrescenta valor nem se torna memorável. É inquestionável o Box Office do filme - qualquer filme Marvel ou DC actualmente gera expectativas e será rentável pela hábil comunicação e planeamento que ambas têm feito - mas comparando por exemplo com 'Guardians of the Galaxy' (agradável surpresa, beneficiado também pelo facto de não se esperar tanto) é inferior.
    A fórmula 'Avengers' mantém-se com o trabalho em equipa a ser a única solução depois de algum conflito e relutância, repleto de momentos para quebrar o gelo entre as personagens (o levantamento do martelo de Thor é um exemplo), mas não passa de apenas mais um filme do género. Não basta o conceito de os super-heróis estarem todos juntos no mesmo plano. Numa perspectiva pessoal - discutível, certamente - Aaron Taylor-Johnson (o jovem marido da senhora que realizou 'Fifty Shades of Grey') é um Quicksilver pior do que Evan Peters demonstrou ser em 'X-Men: Days of Future Past' e de uma forma geral Elizabeth Olsen acaba por ser quem mais beneficiou mediaticamente com esta experiência. E tem tudo para conseguir uma carreira bastante mais brilhante e relevante do que as suas irmãs Mary-Kate e Ashley. Com 26 anos, pode dizer-se que a sua carreira só começou a sério há quatro, quem a viu em 'Martha Marcy May Marlene' não duvida que esteja ali um bom futuro, com várias portas a abrirem-se em breve depois desta Scarlet Witch pela qual não é difícil desenvolver uma paixoneta.
    No final, abre-se o apetite para 'Captain America: Civil War', embora num futuro próximo os principais motivos de interesse sejam ver Benedict Cumberbatch como Dr. Strange e desvendar a identidade dos actores que se assumirão como novo Spider-Man (Asa Butterfield?) e Capitã Marvel. Isto falando em produções dos estúdios Marvel em parelha com a Disney, porque sob a alçada da FOX teremos a médio-prazo 'Fantastic Four', 'Deadpool' e 'X-Men: Apocalypse' (o elenco contará com novidades como Sophie Turner, Oscar Isaac, Kodi Smith-McPhee, Tye Sheridan e Olivia Munn).

13 de maio de 2015

Real Madrid 1-1 Juventus: Na Final 12 anos depois

Real Madrid  1 - 1  Juventus (Cristiano Ronaldo (pen.) 23'; Morata 57')

    O detentor do troféu caiu nas meias-finais, o outsider da competição galgou o seu trajecto até à final de Berlim. A Vecchia Signora conseguiu marcar presença numa final da Champions League 12 anos depois (é preciso recuar a 2002/ 03, num AC Milan-Juventus ganho pelos milaneses numas grandes penalidades em que Dida e Buffon brilharam) numa exibição competente e "italiana" q.b., contra um Real Madrid que rematou muito mas mal, e conseguiu ligar pouco o seu jogo - a este nível nota-se a falta de Modric, e com Benzema a conseguir aguentar o jogo todo talvez a história tivesse sido outra. 
    Depois do 2-1 favorável à Juventus, o Real Madrid sabia que um 1-0 bastaria para seguir em frente. O Santiago Bernabéu encheu para ver dois históricos do futebol europeu a disputarem um lugar numa final onde o Barcelona já estava garantido. Benzema e Pogba, que não tinham jogado na 1.ª mão de Turim, foram hoje titulares e os primeiros minutos deram mais Real. No entanto, foi Casillas o primeiro guarda-redes a ter que se esforçar, para evitar um remate de meia distância do chileno Vidal. O Real Madrid respondeu numa bomba de Gareth Bale, defendida por Buffon, e o 1-0 chegou poucos minutos depois. James Rodríguez foi derrubado por Chiellini (erro infantil do central italiano) na grande área e Cristiano Ronaldo não perdoou, rematando ao centro da baliza. A Juventus tentou esticar o seu jogo, sempre com Morata e Tévez como referências e o seu miolo (Pirlo, Pogba, Marchisio e Vidal) inteligente a ocupar o espaço e a temporizar, mas ainda na 1.ª parte o Real voltou a coleccionar oportunidades: Cristiano Ronaldo tentou servir Isco num lance em que se aceitava (e recomendava) que tivesse sido egoísta, e Benzema também ficou a rogar pragas a Buffon num remate de ângulo apertado. Ao intervalo estava 1-0, numa metade com bastante mais Real Madrid.
    Certo é que na 2.ª parte a Juventus não demorou a empatar o jogo, adiantando-se novamente na eliminatória. Aos 57', Pogba ganhou a bola nas alturas e Morata antecipou-se aos antigos colegas de equipa disferindo depois um remate forte que bateu Iker Casillas. Era o 2.º golo do avançado espanhol na eliminatória, a alcançar estatuto de "jogador da eliminatória", especialmente por se tratar de um jogador que o Bernabéu não soube estimar. A eliminatória passava a estar em 3-2 e os merengues sabiam que 1 golo não chegaria para garantir a final mas apenas para prolongar o jogo 30 minutos. A partir do 1-1 notou-se uma Juventus mais preocupada em defender - principalmente a partir da troca de Pirlo por Barzagli - e sucederam-se as jogadas do Real Madrid sem uma finalização assertiva. Gareth Bale cabeceou por diversas vezes, Cristiano Ronaldo não se viu, e tanto o extremo galês como James Rodríguez tentaram resolver de longe. Sem efeito. Com o jogo balanceado para a baliza de Buffon, acabou inclusive por ser Casillas a ter as intervenções mais difíceis da 2.ª parte, ao negar um golo a Marchisio (excelente assistência de Vidal) e um remate frontal de Pogba.

    Ainda não é desta que há El Clásico na final da Champions. Embora seja unânime que Barcelona, Bayern e Real Madrid são as 3 equipas mais poderosas na actualidade do futebol europeu, a verdade é que nesta temporada irá repetir-se o formato das últimas duas finais: um gigante e um outsider inesperado. Em 2012/ 13 Bayern contra Dortmund, em 2013/ 14 Real Madrid contra Atlético e agora Barcelona versus Juventus.
    O campeão em título Real Madrid pode-se queixar apenas de si próprio porque teve um caminho relativamente acessível até à final (o Barcelona, por exemplo, ultrapassou Manchester City, PSG e Bayern até Berlim) e hoje faltaram soluções. Modric é uma baixa de peso, Benzema mostrou nos 67 minutos que esteve em campo a sua brutal importância na construção de jogo ofensivo, e Ancelotti usou apenas 1 substituição (Benzema por Chicharito) acreditando que os melhores estavam em campo. A Juventus, que na temporada passada falhou a final da Liga Europa graças ao mérito do Benfica, é a grande surpresa desta edição da Champions, numa época que marca o salto qualitativo de uma equipa que tem dominado a seu bel prazer as competições internas, mas à qual faltava este prestígio europeu. É bom ver Buffon e Pirlo numa final europeia, na qual o Barcelona parte como favorito, e nesta noite Álvaro Morata voltou a mostrar o seu enorme potencial e o erro que foi o Real Madrid deixá-lo sair. Certamente teria dado mais jeito, até pelo sistema de jogo da equipa de Madrid, ter Morata e não Chicharito para substituir Benzema hoje, e bastava ter visto Morata no longínquo Euro Sub-19 de 2011 para perceber que estava ali um potencial avançado titular de Espanha.
    Em Berlim, joga-se a 6 de Junho a final da Champions. Barcelona contra Juventus, curiosamente duas equipas que contam com 2 treinadores a cumprir a época de estreia nos clubes.


Barba Por Fazer do Jogo:
 Álvaro Morata (Juventus)
Outros Destaques: Marcelo, Carvajal, Isco, Benzema; Buffon, Vidal, Pogba

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 37

Fantasy Premier League - O penúltimo fim-de-semana da época. É com um misto de alegria e nostalgia que vemos a temporada chegar ao fim na liga mais espectacular do planeta (embora nesta edição o campeão se tenha decidido mais cedo do que em Portugal e Espanha). A surpreendente derrota do Arsenal na recepção ao Swansea deixou o Manchester City a depender apenas de si próprio para segurar o 2.º lugar, e conferiu maior interesse ao Manchester United-Arsenal desta jornada. Wenger e van Gaal querem assegurar o acesso à Champions de forma directa, e o que é certo é que mesmo que os red devils vençam, o Arsenal ainda terá 1 jogo a menos para recuperar a 3.ª posição na tabela. Poucos antecipariam que Southampton e Swansea chegariam a esta fase separados apenas por 1 ponto, ganhando assim especial interesse o Southampton-Aston Villa e o Swansea-Manchester City. A equipa de Koeman ainda quer ir à Europa, e entra neste raciocínio o Tottenham. Os spurs não têm um calendário final fácil e nesta jornada defrontarão o Hull City, actual 18.º classificado e única equipa abaixo da linha de água ainda com esperança de sobreviver.
    O duelo de Old Trafford é o jogo mais mediático da jornada mas, atendendo à tabela, vários jogos como o Tottenham-Hull, Southampton-A.Villa, QPR-Newcastle, Sunderland-Leicester e Swansea-Manchester City prometem bastante. E não se esqueçam, em termos de Fantasy o Arsenal entra em campo 2 vezes nesta 37.ª jornada.
    Viajando rapidamente até à última jornada, foi a ronda de Agüero. O avançado argentino, que recomendámos como capitão na ronda, fez um hat-trick (ultrapassou a sua anterior melhor marca - 23 - totalizando 25 golos esta época) e 2 assistências, confirmando a descida do QPR para o Championship. Nessa vitória por 6-0, também David Silva encheu o campo juntando à sua magia habitual 1 golo e 2 assistências. De resto, o argelino Mahrez teve o seu melhor jogo na Premier League, Fabianski travou o Arsenal, e também Kolarov, N'Zonzi, Young, Gerrard e John Terry estiveram em evidência.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

A ronda passada teve 23 golos. Seria bom esta chegar aos 30. Poderão destacar-se:

 Alexis Sánchez - Arsenal - 11.5

    Nesta recta final, é essencial rechearem as vossas equipas com elementos do Arsenal. No conjunto das 2 derradeiras jornadas, os gunners jogam 3 vezes, deslocando-se a Old Trafford antes de receber Sunderland e WBA. Com um 3.º lugar para segurar (o 2.º já só se o Manchester City escorregasse), A equipa de Wenger tem tudo para conseguir uns 7 pontos nestes três jogos finais.

   Embora De Gea esteja na baliza do Manchester United, é provável que o Arsenal queira quebrar a malapata - foram muitas as ocasiões, especialmente contra Sir Alex Ferguson, que o Arsenal vacilou perante um dos seus maiores rivais - e estará em jogo o recuperar do orgulho depois da vitória do United como visitante na primeira volta.
    O chileno Alexis Sánchez tem 200 pontos no Fantasy, apenas suplantado por Agüero (205) e Hazard (224), e embora esta época tenha estado tímido nos grandes jogos (a excepção terá sido na vitória por 4-1 contra o Liverpool) é bem possível que consiga atingir a dezena de pontos nesta jornada, ao ter dois jogos. Alexis, Ramsey, Cazorla, Giroud e Özil representam uma frente de ataque móvel e imprevisível, um quinteto que se estiver em dia sim será complicado tanto para United como para os Black Cats.

 Charlie Austin - QPR - 6.2

    Esta pode ser a última boa jornada de Austin na Premier League 14/ 15. O avançado do QPR, ainda 4.º melhor marcador do campeonato com 17 golos, fez uma época excelente e não terá sido por ele que o "lanterna vermelha" QPR irá descer. Os rangers defrontam esta jornada um Newcastle que atravessa um momento péssimo, mas que precisa de pontuar para permanecer no principal escalão (a não ser que o Hull, que tem 2 jogos difíceis, falhe). Este QPR-Newcastle ditará a despedida de Loftus Road à Premier League, e deverá também ser o último jogo de Charlie Austin no estádio do seu actual clube. Atendendo à época que realizou, é fácil deduzir que equipas como Southampton, Aston Villa e Newcastle quererão contratar Austin. O avançado inglês leva 17 golos dos 39 golos da sua equipa, e certamente tentará melhorar o seu registo.

 Steven Gerrard - Liverpool - 8.5

    Será, sem margem para dúvidas, o momento mais emocionante do fim-de-semana. O Liverpool recebe o Crystal Palace naquele que será o último jogo de Steven Gerrard em Anfield. O capitão dos reds, símbolo de lealdade, compromisso, devoção, perfeita representação do que é ser uma lenda viva e um grande capitão de equipa, já sentiu o apreço da Premier League em relação a si na ovação que Stamford Bridge lhe prestou de pé. Mas todos os caminhos especiais vão dar a Anfield.

    É quase uma obrigatoriedade e uma questão de princípio integrarem Gerrard nas vossas equipas. Não pensem nos pontos, pensem na homenagem. Todas as equipas de Fantasy deviam dizer adeus a Gerrard, contando com ele nas últimas 2 jornadas do campeonato e especialmente neste seu último jogo no único estádio que teve como casa na sua carreira. E conhecendo o capitão do Liverpool, não se admirem se Gerrard marcar e levar o estádio e os seus colegas de equipa à explosão.

 Marko Arnautovic - Stoke City - 6.2

    Uma aposta bem mais arriscada do que as restantes é o austríaco Marko Arnautovic. O Burnley, já despromovido, recebe um Stoke motivadíssimo (venceu o Tottenham por 3-0) e Arnautovic é um dos jogadores a ter em conta.
    A época do Stoke, com Mark Hughes no comando, foi positiva e tranquila, ocupando um prestigiante 9.º lugar. Arnautovic tem melhorado a sua regularidade exibicional e conseguido ter mais "números", dois pontos essenciais num jogador cujo talento e qualidade técnica são inegáveis. Um bom final de campeonato do extremo pode precipitar um início confiante em 15/ 16, numa época em que é credível que o Stoke junte a Arnautovic, Bojan, Diouf e Moses um ou dois jogadores de qualidade.

 Harry Kane - Tottenham - 6.3

    Até agora já vão 3 jogos sem marcar. Será que Harry Kane volta aos golos nesta jornada? É bem possível que sim. O Hull City conta com bons centrais, impecáveis na marcação, mas com a equipa a precisar de ganhar o jogo, haverá mais espaço para Eriksen, Chadli e Lamela "alimentarem" o avançado britânico. Agüero condenou o QPR. Será que Kane fará o mesmo aos tigres da Premier League?

Outras Opções:
- Guarda-Redes: David Ospina (4.9), por ter 2 jogos, é um dos guardiões a considerar. O guarda-redes colombiano pode até sofrer golos em Old Trafford mas, dependendo também da importância do jogo de 4.ª feira para o Sunderland, poderá conseguir aí uma clean sheet. Nos restantes jogos é complicado adivinhar quem não sofrerá golos, Mourinho pode optar por entregar a baliza a Cech se este estiver em condições, e assim talvez Simon Mignolet (5.4) seja uma das opções decentes. Mas o Sunderland-Leicester e o Tottenham-Hull passarão muito pelas exibições dos GR.

- Defesas: No Arsenal, há o vertical Hector Bellerín (4.8), no Liverpool há Martin Skrtel (6.0). Ryan Bertrand (5.9) e Aleksandar Kolarov (5.7), caso seja titular, poderão também destacar-se.

- Médios: Para além dos gunners Cazorla, Özil e Ramsey, todos com 2 jornadas, há ainda o mago David Silva (9.6), o inspirado Riyad Mahrez (4.9), Sadio Mané (6.2), Christian Eriksen (8.0) e Philippe Coutinho (7.9).

- Avançados: Quem será o avançado do Manchester United e será que Diego Costa estará apto para jogar num jogo em que Mourinho deve dar continuidade à utilização dos miúdos são algumas das questões da jornada. De resto, prometem os duelos entre Pellè e Benteke, e entre os homens do Sunderland (Defoe, Wickham) e do Leicester (Vardy, Ulloa).

12 de maio de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 38



Filme: The Wolf of Wall Street
Actor: Jonah Hill

por Tiago Moreira

    Bem... Temos que ser frontais. Temos um burlão numa posição algo alta na nossa hierarquia. Mas não é um burlão qualquer. Estamos a falar de Donnie Azoff - personagem do filme "The Wolf of Wall Street" e inspirada em Danny Porush - o Azoff da vida real.
    Não poderia haver melhor actor do que Jonah Hill para interpretar Donnie. As qualidades humorísticas de Jonah já são bem conhecidas mundialmente e mais uma vez aliou-se a um filme nomeado para 5 Óscares. Tanto o próprio Jonah Hill (melhor actor secundário), como Leonardo DiCaprio (melhor actor principal) foram nomeados. Scorsese foi nomeado para melhor realizador e a própria película foi nomeada para melhor filme e melhor argumento adaptado (Terence Winter foi o escritor, baseando-se na obra do protagonista desta história - Jordan Belfort).
    Sempre carismático e espontâneo, Azoff torna-se no fiel parceiro de Belfort. Juntos, decidem criar a sua própria empresa - Stratton Oakmont - começando assim o seu grande império... Do nada. Começaram com um grupo de amigos e acabaram como uma das maiores empresas mundiais. Tudo em tempo record. Tudo o que eles faziam era legal? "Absolutely fuckin' not!" Durante todo o filme se verifica a grande cumplicidade que cercava Azoff e Belfort e no que a riqueza os transformou - viciados em droga, sexo e álcool.
    A personalidade de Donnie torna-o automaticamente num vendedor de topo. Sempre sorridente, carismático e persuasivo, Donnie dava uso ao seu discurso cativante e sempre bem disposto para influenciar as escolhas do cliente. No fundo, todos nós estamos cercados de Donnie's, mas nem sequer nos apercebemos. Nenhum negócio é mais favorável para o cliente do que para o vendedor. Se o vendedor apresenta uma proposta que é aliciante, certamente que o próprio vendedor tem algo a ganhar... ou a empresa em questão. 


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

Bayern 3-2 Barcelona: Messi, Neymar e Suárez vão a Berlim

Bayern Munique  3 - 2 
 Barcelona (Benatia 7', Lewandowski 59', Müller 74'; Neymar 15' 29')

    O Barcelona vai a Berlim, o Bayern fica-se pelas meias-finais. Depois do recital mágico de Lionel Messi na 1.ª mão, o jogo desta noite caracterizou-se pelo equilíbrio, embora com ligeiro ascendente da equipa alemã. Os bávaros começaram a ganhar bem cedo, viram o Barcelona virar o jogo graças ao talento do seu trio da frente, e conseguiram uma justa vitória. Falando da eliminatória, o desfecho não poderia ser outro - Barcelona na final.
    Guardiola e Luis Enrique repetiram os onzes de há 1 semana atrás e, depois de um primeiro aviso do croata Rakitic, foi o Bayern a inaugurar o marcador. Xabi Alonso encarregou-se da marcação de um canto e o central Benatia, solto de marcação, cabeceou para o 1-0. Para os poucos adeptos que ainda acreditaram naquele momento que se assistiria a uma "remontada" semelhante ao Bayern-Porto, o Barcelona prontamente respondeu e sentenciou uma eliminatória cujo destino ficou escrito em Nou Camp - o trio da frente (Messi, Neymar e Suárez) e o guardião Ter Stegen fariam toda a diferença no que restou da 1.ª parte. O 1-1 chegou aos 15 minutos. Lionel Messi inventou a jogada ao isolar o uruguaio Suárez, e o ex-Liverpool não foi egoísta e deu para o lado para um desvio de Neymar. Na tentativa de recuperar a vantagem, o Bayern encontrou sempre Ter Stegen no seu caminho, brilhando o jovem guarda-redes alemão pela primeira vez ao tirar do ângulo um cabeceamento de Müller. Até ao fim da 1.ª parte houve ainda dois grandes momentos, um em cada área. O Barcelona operou a reviravolta com a mesma fórmula - Messi assistiu de cabeça Suárez, explorando o espaço nas costas da defesa, e o uruguaio serviu Neymar para o segundo do brasileiro - e a fechar Ter Stegen teve uma das melhores defesas desta edição da Champions League. Perante um remate de Lewandowski, Ter Stegen mostrou reflexos com uma parada interessante,  mas brilhou num voo destemido capaz de evitar que a bola fosse caprichosamente para a baliza. O esférico chegou a ultrapassar a linha, mas não na totalidade, graças ao guarda-redes que o Barcelona contratou ao Borussia Mönchengladbach (o seu sucessor, Sommer, também é incrível).
    O 1-2 ao intervalo ditava um agregado de 1-5 e, por isso mesmo, Luis Enrique pôde dar-se ao luxo de poupar Suárez, fazendo entrar Pedro Rodríguez. A 2.ª parte foi morna, principalmente porque o Barcelona deixou de querer explorar as transições de forma vertiginosa como fez nos primeiros 45, optando por gerir a bola e tentando fechar os espaços para os esforços bávaros. O empate chegou, ainda assim, numa excelente iniciativa de Lewandowski, com o polaco a trocar as voltas a Mascherano e a rematar sem hipóteses depois de um excelente jogo de pés. A prioridade para o Bayern passou a ser chegar à vitória, saindo da competição com outra imagem e mantendo o orgulho de vencer diante dos seus adeptos, e o 3-2 acabou por ser alcançado num remate de Thomas Müller depois de Schweinsteiger preparar o remate do colega de equipa e Selecção.

    É incontestável a justiça com que o Barcelona chega à final da Champions, uma qualificação alicerçada principalmente pela monumental exibição de Messi na 1.ª mão. O jogo de hoje foi diferente, como tinha aliás que ser, ficando agora o "Barça" à espera do grande rival Real Madrid ou da outsider Juventus para disputar a final. Certo é que os blaugrana são neste momento a equipa que se apresenta em melhor forma no panorama europeu, com o trio Messi-Suárez-Neymar em harmonia e pronto a espalhar o terror em qualquer defesa. Luis Enrique ainda não ganhou, mas habilita-se a conseguir três competições (Champions, La Liga e Taça do Rei) na sua primeira época ao serviço da equipa principal do clube no qual jogou.
    Esta noite Neymar acabou por fazer a diferença, embora os seus 2 golos tenham sido consequência do altruísmo de Suárez, com contributo também do 10 Messi; na equipa da casa Müller, para além do golo, foi inexcedível enquanto esteve em campo, marcando tal como Lewandowski e Benatia, num Bayern cujos motores foram Thiago e Schweinsteiger. Guardiola ganhou a Bundesliga, foi eliminado nas meias-finais da Taça pelo Dortmund, e cai agora perante a sua anterior equipa. A qualidade deste Bayern é astronómica, tal como é também o nível de exigência e as suas ambições (mesmo lembrando que faltaram Robben, Ribéry e Alaba), e veremos que consequência esta época terá na carreira de Pep Guardiola: será o fim de um ciclo? O rumor Manchester City seria interessante na medida em que colocaria Guardiola a trabalhar com Agüero e Silva, transformando os citizens num projecto altamente atractivo para muitos jogadores e passando a Premier League a ser disputada em uníssono por Mourinho, Guardiola, van Gaal e Wenger. Prometia.


Barba Por Fazer do Jogo:
 Neymar Jr. (Barcelona)
Outros Destaques: Benatia, Thiago, Müller, Lewandowski; Suárez, Messi

9 de maio de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 39



Filme: 12 Angry Men
Actor: Henry Fonda

por Miguel Pontares

    Ao longo da vossa vida certamente já terão integrado um momento sociológico clássico - quando é pedida uma opinião ou feita uma votação, é muito fácil seguirmos a corrente e tomarmos como nossos os juízos da maioria. Os braços e mãos no ar sucedem-se, e a nossa tendência para a afiliação faz com que alguns deixem de usar a sua cabecinha.
    Posto isto, e tendo esta ideia presente, chegamos ao velhinho '12 Angry Men' de 1957. Um dos mais brilhantes Argumentos do Cinema, obra de Reginald Rose realizada por Sidney Lumet, limita-se quase em exclusivo (97% da duração do filme, provavelmente) a uma sala com 12 homens a discutir o destino de um rapaz de 18 anos.
    Depois de um julgamento com um jovem réu acusado de esfaquear o seu pai até à morte, o júri - composto por 12 homens - retira-se para uma sala, com o intuito de decidir se o jovem merece ser condenado à morte, ou absolvido.
    Desde a votação inicial até ao final do filme, o 8.º elemento do júri, interpretado pelo falecido Henry Fonda, emerge como o homem mais justo e racional, o único capaz de "chatear" o restante painel ao votar contra, inicialmente apenas por entender que a toda e qualquer vida é demasiado valiosa, merecendo, como tal, alguma discussão. O mais ponderado e consciente jurado não se deixa contagiar por preconceitos ou por razões anexas (um dos jurados quer "despachar" a votação por ter bilhetes para um jogo de basebol) e acaba por funcionar, ao longo do filme, como verdadeiro advogado de defesa do jovem arguido.
    Arquitecto de profissão, pouco sabemos em termos de background deste oitavo membro, mas pouco importa uma vez que um dos objectivos de '12 Angry Men' é precisamente o de demonstrar como 12 individualidades completamente diferentes podem, em determinadas circunstâncias, ter uma vida nas suas mãos e ditar o destino dessa vida durante 1 hora e meia, retomando depois os seus diversos caminhos. A personagem de Henry Fonda conta principalmente com a ajuda do 9.º jurado (no fim do filme conhecemo-lo como McCardle, ficando a saber que Davis é o nome da personagem de hoje) na construção de vários cenários e hipóteses, desconstruindo o caso ao mais ínfimo pormenor e demonstrando a existência de dúvida razoável no caso.
    '12 Angry Men' é a prova que um bom filme pode ter por base um argumento simples mas excelente, mantendo-se num curto espaço cénico mas explorando questões morais profundas. Este 8.º jurado vota "Inocente" por não poder afirmar com certezas que o rapaz é culpado, contribuindo para uma unanimidade forçada, e são vários os momentos em que o seu intelecto domina a sala: contagia os outros 11 homens, inflamando-os mas tirando o melhor do grupo para uma discussão saudável e conclusiva.
    Tanto o filme como este arquitecto, consciente e contra a corrente, são sinónimos de justiça, inteligência e ponderação. Numa época em que muitos dos filmes de hoje se valem de efeitos especiais e outros que tais, nada como um filme de 1957 para mostrar que bom cinema se pode fazer numa sala, com 12 homens à volta de uma mesa, em busca da verdade e reflectindo sobre o peso da vida.


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

7 de maio de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 40



Filme: Rain Man
Actor: Dustin Hoffman

por Tiago Moreira

    Caros leitores, hoje estamos perante uma das mentes mais brilhantes entre os nossos 100 personagens. E o mais fantástico é que a nossa personagem também é real. Raymond Babbitt foi inspirado em Kim Peek, um norte-americano com síndrome de Savant. O actor que deu corpo ao nosso Raymond ganhou o Óscar de melhor actor em 1989 - Dustin Hoffman. Já a película em si acabou também por ser premiada com o Óscar de melhor filme, melhor realizador (Barry Levinson) e melhor argumento original.  
    Para contextualizar um pouco, Raymond Babbitt viu a fortuna do seu falecido pai ir para o seu nome, apesar de não viver com o mesmo. E como o dinheiro movimenta sempre os interesseiros, acaba por receber a visita do seu irmão Charlie (Tom Cruise), que desconhecia a sua existência. Charlie tenta ficar com a custódia do irmão para simplesmente controlar todo o dinheiro que dispunha. Só que isso não se verificou. Ainda assim, Charlie decide passar mais tempo com o irmão e descobre que o mesmo era o seu suposto amigo imaginário a quem chamava de Rain Man. Fascinado com a mente e história do próprio irmão, Charlie tenta mesmo convencer Raymond a ir viver com ele, sem sucesso. Contudo, Charlie deixou de ter como objectivo recuperar a fortuna e prometeu ao seu irmão visitá-lo sempre que puder.
    Este nosso personagem, apesar das suas evidentes limitações sociais e emocionais, acaba por ter uma memória quase que comparada à de um computador. Um ser-humano comum apenas consegue reter 45% da informação que lê e ouve, mas uma pessoa com síndrome de Savant consegue reter até 98%... São casos muito raros em toda a humanidade e normalmente passam ao lado da maior parte das pessoas. Contudo, merecem ser reconhecidos pelo brilhante cérebro que têm e é aí que filmes como Rain Man entram. Não se trata apenas de bom cinema, como também é um enriquecer da nossa cultura.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

Crítica: Kingsman - The Secret Service

Realizador: Matthew Vaughn
Argumento: Matthew Vaughn, Jane Goldman, Mark Millar, Dave Gibbons
Elenco: Colin Firth, Taron Egerton, Samuel L. Jackson, Michael Caine, Mark Strong, Sofia Boutella, Sophie Cookson
Classificação IMDb: 7.7 | Metascore: 58 | RottenTomatoes: 74%
Classificação Barba Por Fazer: 73

    Cá está uma das boas surpresas cinematográficas recentes. Matthew Vaughn, o homem que realizou 'Kick-Ass' e 'X-Men: First Class', pegou na Banda Desenhada de 2012 "The Secret Service", de Mark Millar e Dave Gibbons, e conseguiu algo inédito, improvável e estranho. Imaginem um casamento entre 007, Kick-Ass e The Hunger Games.. Difícil de imaginar o resultado, certo? Kingsman apresenta-se como um possível resultado dessa experiência a três.
    Os filmes de espionagem são um género praticamente monopolizado por James Bond e por isso mesmo muitas outras tentativas morrem na praia. No entanto, a capacidade de atrair Colin Firth, Samuel L. Jackson, Michael Caine e Mark Strong deixava antever o sucesso do projecto.
    Pois bem, Vaughn contou com a colaboração da sua já frequente colega argumentista Jane Goldman, edificaram-se algumas alterações relativamente à banda desenhada, e os Kingsman ganharam vida. Harry "Galahad" Hart (Colin Firth) e o jovem Gary "Eggsy" Unwin (Taron Egerton) são os protagonistas, ligados pelo facto do pai de Eggsy ter sido camarada de Galahad, morrendo a sacrificar-se para salvar a sua equipa. Iniciando-se em 1997, o filme salta dezassete anos depois de um breve começo, e no presente há dois pontos essenciais: o plano levado a cabo pelo vilão, bilionário e filantropo Richmond Valentine (Samuel L. Jackson) e o recrutamento, depois da morte do agente Lancelot, de um novo membro jovem para os Kingsman. Praticamente reduzidos a três elementos - "Merlin" (Mark Strong), "Galahad" e Arthur (Michael Caine), sendo o último o líder da organização - os Kingsman testam novos candidatos para uma vaga de agente, com a lista a encurtar-se progressivamente ao longo de uma série de testes. Eggsy torna-se a aposta forte de Galahad, embora se distinga, para o bem e para o mal, da concorrência.
    Acima de tudo, é um filme com estilo. Um ponto de encontro entre a classe de Galahad, um gentleman (ou devo dizer um kingsman?) de fato e gravata e guarda-chuva em punho, e o look descontraído e arruaceiro num bom sentido de Eggsy. A agradável surpresa que é o resultado final preza-se principalmente com o facto de o próprio filme não sair das vinhetas em diversos momentos, trabalhando bem o conceito Kingsman e funcionando por via das suas personagens: Gazelle (Sofia Boutella) é uma espécie de cruzamento entre Michonne e Pistorius, e Samuel L. Jackson encaixa perfeitamente na pele de vilão fiel à sua ideologia demente. O bom trabalho de Matthew Vaughn e da sua equipa deixa em aberto a construção de um franchise, justificando-se pelo menos uma sequela dado o excelente Box Office; e para além dos actores reputados, ficam na retina os novatos Taron Egerton (um dos principais newcomers desde os últimos Óscares) e Sophie Cookson, cujas carreiras - sobretudo do primeiro - têm tudo para disparar a partir daqui.
    Vejam 'Kingsman: The Secret Service', um filme capaz de fazer o mais teimoso dos homens passar a querer usar guarda-chuva, com product placement da Adidas e McDonald's, e com uma cena que ascende directamente ao estatuto de uma das melhores da temporada da 7.ª Arte. Aqueles minutos de Colin Firth na igreja, imparável ao som da "Free Bird" dos Lynyrd Skynyrd, são qualquer coisa..

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 36

Fantasy Premier League - O Chelsea já é campeão, o Top-4 parece estar arrumado (só falta definir a ordem, e seria necessário o Manchester United escorregar 2 vezes em 3 jornadas para que o Liverpool ainda pudesse sonhar com a Champions 15/ 16) e assim os principais motivos de interesse são a luta pela manutenção e a batalha entre Tottenham e Southampton por um lugar europeu.
    Na cauda da Premier League, Burnley e QPR parecem condenados a descer, e nesta jornada o Hull-Burnley terá superior importância nas contas finais. A vitória do Sunderland sobre o Southampton deu uma réstia de esperança à equipa de Dick Advocaat, numa altura em que Aston Villa e Leicester respiram saúde e confiança, enquanto o Newcastle se mantém em queda livre (8 derrotas consecutivas). O jogo desta jornada é o Chelsea-Liverpool, sendo que José Mourinho poderá nestas 3 derradeiras jornadas dar descanso a alguns jogadores (Hazard poderá ter uma folga, Cech poderá roubar a baliza a um Courtois que nos últimos 4 jogos não sofreu qualquer golo), podendo-se esperar bom futebol no Arsenal-Swansea, um jogo imprevisível entre Crystal Palace e Manchester United e os primeiros 6 jogos de Sábado serão essenciais para as contas no fim da tabela.
    Na última jornada previmos acertadamente a excelente jornada de Alexis Sánchez, bem como de Cresswell, Noble e Agüero mas disparámos também ao lado ao prever a boa ronda de Nelson Oliveira (o português, azarado, lesionou-se) e Juan Mata. O guardião do WBA, Boaz Myhill, foi o jogador com mais pontos da jornada (17) ao defender uma grande penalidade de van Persie, somando a isso 0 golos sofridos, 9 defesas e um lógico bónus de 3 pontos. Na defesa o seu colega de equipa Jonas Olsson destacou-se, bem como a dupla do Leicester Morgan e Wasilewski, enquanto que no meio-campo brilharam Alexis Sánchez, Ramsey, Coutinho, Jordi Gómez  e Shelvey. Benteke, o elemento em melhor forma neste momento no Fantasy, e Ulloa marcaram ambos 2 golos.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Esperamos golos e bons espectáculos nesta jornada, e especialmente boas exibições por parte de:

 Kun Agüero - Manchester City - 12.7

    O avançado argentino do Manchester City lidera a lista de melhores marcadores com 22 golos, mais dois do que Harry Kane, e tem nesta jornada a possibilidade de atingir um novo recorde pessoal de golos na Premier League. O QPR, equipa contra a qual Agüero já marcou um dos golos mais especiais da carreira, é o adversário e caso Kun consiga marcar 2 golos chegará aos 24 golos neste campeonato, batendo o seu melhor registo - 23 golos, em 2011/ 12.

    Com o campeonato já entregue ao Chelsea, o Manchester City luta agora com o Arsenal pelo 2.º lugar, e a equipa está consciente que pode ajudar Agüero a sagrar-se o melhor marcador, sucedendo a Luis Suárez. O camisola 16 do Manchester City marcou 5 golos nas últimas 4 jornadas, e pode facilmente chegar a uma marca como 25 golos nesta temporada. Evidente candidato a capitão nas vossas equipas.

 Christian Benteke - Aston Villa - 7.8

    Quem mais poderíamos referir? O avançado belga Christian Benteke é neste momento o jogador em melhor forma, considerando as estatísticas do Fantasy, na Premier League e é suficientemente esclarecedor olhar para os seus números: sempre com melhor desempenho nas segundas voltas do campeonato, Benteke marcou 10 golos nos últimos 8 jogos e promete não ficar por aqui. Esta jornada o Aston Villa recebe o West Ham e a confiança é muita na equipa chefiada por Tim Sherwood. A equipa que há uns meses não conseguia marcar 1 golo, pratica agora um futebol positivo alicerçado no instinto matador de Benteke, na irreverência e técnica do jovem Jack Grealish e, claro, na qualidade dos "multi-funções" Delph e Cleverley. O West Ham defende bem, mas quem marca ao Manchester United, Tottenham e Everton, deve conseguir voltar a fazê-lo.
    Christian Benteke, um nome que para o ano deve continuar na Premier League, mas num emblema com outras aspirações.

 Leighton Baines - Everton - 7.1

    Embora tenha sido a desilusão da época, ainda é legítimo que o Everton coloque o 9.º lugar como objectivo de época. Os toffees melhoraram defensivamente nas últimas semanas, não sofreram golos em Goodison Park nos últimos 4 jogos e esta jornada recebem um aflito Sunderland. Esta jornada 36 ganha gigante importância para o Sunderland porque, caso perca e o Hull ganhe, poderá passar a distar 4 pontos do 17.º classificado. É certo que o Sunderland tem 1 jogo a menos mas nos seus últimos jogos receberá o Leicester e terá que viajar até ao reduto dos londrinos Arsenal e Chelsea.

    Não será fácil ao Sunderland marcar golos frente a uma equipa finalmente estável do ponto de vista defensivo - embora tenha sido destruída pelo vendaval Benteke - e que recuperou a sua "aura" no seu estádio. Jagielka e Stones têm estado em forma mas serão os laterais Leighton Baines e Seamus Coleman os principais candidatos a dinamizar o jogo ofensivo por via das suas subidas pelo flanco esquerdo e direito respectivamente. Em 2013/ 14 foram os 2 melhores laterais do campeonato, estatuto que perderam esta época, mas este Everton-Sunderland é uma boa oportunidade de nos recordarem qual era o nível deles na época passada.

 Dame N'Doye - Hull City - 5.5

    Se o Hull City de Steve Bruce tivesse contado com N'Doye desde o começo do campeonato, talvez não estivesse a fazer contas até ao final da Premier League para garantir a manutenção. O Hull colocou a cabeça fora de água ao vencer o Crystal Palace fora e o Liverpool em casa, e nesta jornada o Hull-Burnley deve ser encarado pelos tigers como o jogo da época. Jelavic teve uma época muito irregular, fisica e tecnicamente, Abel Hernández foi um flop e N'Doye tornou-se em pouco tempo a principal figura de ataque do Hull City. O Burnley está a acusar a pressão no final do campeonato, perdeu os últimos quatro jogos todos por 1-0, não marca há 6 jogos e sabe que em caso de derrota fica sem hipóteses de permanecer na Premier League. Será N'Doye o carrasco do último classificado?

 Mesut Özil - Arsenal - 8.9

    É quase obrigatório começarem a "apetrechar" as vossas equipas com jogadores do Arsenal nesta jornada. Os gunners recebem o Swansea, na jornada 37 jogam duas vezes (deslocam-se a Old Trafford e recebem o Sunderland) e terminam em casa contra o WBA. São assim 3 jogos em casa nos últimos 4 embates de uma equipa que está bem - não perde há 10 jogos - e que quer lutar pelo 2.º lugar.
    Alexis Sánchez, Aaron Ramsey, Santi Cazorla e Olivier Giroud são vários dos craques que podem conseguir bons números nesta jornada e nas próximas, mas vamos aproveitar para arriscar no alemão Mesut Özil.

Outras Opções:
- Guarda-Redes: Nas jornadas finais é, por vezes, mais difícil acertar em quem conseguirá permanecer sem sofrer golos mas, desta vez, apostamos em David Ospina (4.9) e Joe Hart (6.1). Tim Krul e Steve Harper são também dois guarda-redes cujas exibições devem merecer alguma atenção.

- Defesas: Na defesa, a profundidade dada por Pablo Zabaleta (6.4), a qualidade defensiva e nos cantos de Laurent Koscielny (6.0) e a liderança de Michael Dawson (4.6) são alguns dos potenciais highlights da jornada 36.

- Médios: Para além do quarteto de Wenger (Alexis, Ramsey, Cazorla e Özil), alguns nomes a conisderar são David Silva (9.5), Kevin Mirallas (7.2), Charlie Adam (5.4), Yannick Bolasie (5.6) e de certa forma Marc Albrighton e Jack Grealish.

- Avançados: As prioridades estão definidas - Agüero, Benteke e N'Doye. Depois do melhor trio, há também elevada probabilidade de Oliver Giroud (8.7) fazer o gosto ao pé, Romelu Lukaku (8.7) pode chegar aos 10 golos e Harry Kane (6.4) certamente quer voltar aos golos e provar que ainda tem uma palavra a dizer na luta pela Bota de Prata.

4 de maio de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 41


Filme: Cidade de Deus
Actor: Leandro Firmino

por Miguel Pontares

Ora bem, senhoras e senhores, cá está a única personagem entre as 100 que fala português.
    Fernando Meirelles contou ao mundo a história da 'Cidade de Deus' em 2002, num projecto social brutal, sincero (muitos dos actores eram moradores de favelas) e sempre pertinente.
    A história que tem como personagem central Buscapé conseguiu explorar o coração do Brasil, tocando no coração de todos nós ao longo de 3 décadas de crime organizado.
    Aos 18 anos, Zé Pequeno já era o criminoso mais respeitado na Cidade de Deus, e um dos mais procurados no Rio de Janeiro. E antes, tinha sido o pequeno mas diabólico Dadinho (Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno). Um dos momentos que nos acordam para a personagem é sem dúvida quando se confirma que fora ele, em tenra idade e com dentes de leite na boca, o responsável pelo violento massacre no bordel assaltado por Cabeleira, Marreco e Alicate.
    Nesta 'Cidade de Deus', aterradora pela forma como expôs a infância com uma arma na mão mas também vítima dela, há várias personagens enigmáticas. Mané Galinha (o incontornável Seu Jorge), Bené e Zé Pequeno serão possivelmente as três melhores. Todos com um fim marcante, mas com trajectos diferentes. Nenhum teve a capacidade de Buscapé em manter a cabeça baixa (a sua escolha final enquanto fotógrafo reforça essa noção e conhecimento do que o manteria seguro) e o cadastro limpo, mas Mané Galinha foi um homem com integridade durante o fogo cruzado, e Bené - o braço direito de Zé Pequeno - sempre teve aquela postura cool, capaz de abrandar os instintos sádicos do amigo de longa data.
    'Cidade de Deus' é muitas vezes descrito como o filme em que dois miúdos crescem tomando caminhos bem diferentes: um (Buscapé) vira fotógrafo, e o outro traficante de droga. E embora Mané Galinha seja a personagem mais fácil de gostar no filme, Zé Pequeno é a fotografia perfeita da Cidade. A cena no bordel enquanto devia estar apenas de vigia, o despique com Mané Galinha e a amizade com Bené (o único indicador da sua humanidade) são alguns dos vários pontos-chave de uma personagem que em pequeno almejava ter o seu próprio império, vivendo e conhecendo desde bem cedo uma realidade em que o crime e a corrupção eram a moeda de troca, e a droga o garante de ascensão no elevador social.
    A interpretação de Leandro Firmino da Hora, que pretendia seguir a vida militar até um amigo insistir para ele prestar provas no casting de Fernando Meirelles, é um dos pontos de interesse num filme com um Argumento que nos faz crescer com o crime. O fim da personagem não podia ser mais adequado - protegido pela polícia corrupta mas seguidamente cercado e vítima de um tiroteio imparável por parte de um conjunto de crianças nada diferentes do que ele fora outrora. E claro que não faltavam motivos de vingança aos miúdos do Caixa Baixa depois de Zé Pequeno lhes ter "enviado uma mensagem" numa das cenas mais perturbadoras do Cinema nas últimas décadas.       


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

2 de maio de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 42



Filme: Django Unchained
Actor: Christoph Waltz

por Tiago Moreira

Aqui está mais um repetido. Não é a primeira personagem de Django Unchained destacada no 100 Melhores Personagens de Filmes, já que anteriormente tinha passado por cá o malévolo racista Calvin Candie. Hoje apresenta-se um homem que é totalmente o oposto - Dr. King Schultz. Schultz foi interpretado de forma genial pelo austríaco Christoph Waltz, que lhe valeu o Óscar de melhor actor secundário suplantando toda a concorrência onde merecia constar Leonardo DiCaprio, como já aqui tínhamos referido.
    O nosso personagem tem o título de doutor porque na verdade era dentista de profissão. Mas não foi essa sua ocupação que fez com que tenha ganho tanta notoriedade. Schultz é um caçador de recompensas, ou seja, capturava foragidos para poder ficar com a recompensa afixada. E essa sua tarefa difícil fez com que se tenha tornado um ás com a pistola. Habilidade essa que o ajudou a libertar Django dos seus donos. Numa época em que praticamente toda a humanidade tinha desprezo pelos negros, Schultz tinha desprezo por todos esses seres com uma mente pequena. Depois de ter libertado Django, ajudou-o a vingar-se a tentar libertar a sua amada Broomhilda - que havia sido vendida a Calvin Candie. Inteligente e educado, Dr. King Schultz trava com Candie um diálogo que acaba por marcar todo o filme. O nosso personagem consegue controlar-se perante o discurso doentio de Calvin Candie quase até ao fim...
    Apesar de - inacreditavelmente - ainda haver racismo nos dias que correm, alguns anos atrás o caso estava muito mal parado. E foram pessoas como Dr. King Schultz que ajudaram a humanidade a progredir e a ganhar valores fundamentais para a sociedade. Respeito e educação são essenciais na humanidade. Mas a verdade é que nem todos possuem tais virtudes...


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.