Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

13 de janeiro de 2020

As Melhores Novas Séries de 2019

Vimos as melhores personagens introduzidas em séries ao longo de 2019, e continuaremos no campo das novidades com as Melhores Novas Séries do último ano.

    Num ano particularmente forte, com algumas das melhores mini-séries (tendência que acreditamos está para ficar) do passado recente, não pudemos, como ninguém pode, ver tudo.
Não encontrámos o mood certo para ver Too Old to Die Young, e suspeitamos que teríamos gostado de PEN15 e David Makes Man. À porta desta lista de 20 novas séries ficaram coisas como Russian Doll, On Becoming a God in Central Florida, Back to Life, Wayne ou Tuca & Bertie.

    Há um ano atrás destacámos My Brilliant Friend, Sara, Maniac, Barry, Succession, Killing Eve ou The Haunting of Hill House. Desta vez entregamos a novas séries HBO 3 dos 4 primeiros lugares, numa colecção que promove as estreias dos novatos Disney+ e AppleTV+.
    Sem mais demoras seguimos para a justificação das nossas 20 novas séries escolhidas:


1. Watchmen (HBO)
Criado por: Damon Lindelof
Elenco: Regina King, Jeremy Irons, Tim Blake Nelson, Jean Smart, Yahya Abdul-Mateen II
IMDb: 8.0 | Rotten Tomatoes: 96% | Metascore: 85

    A melhor nova série de 2019 para o Barba Por Fazer. É extraordinário como a série da HBO conseguiu captar muito melhor as sensações, a essência e a alma da banda dsenhada de Alan Moore do que o filme de 2009, mesmo sendo o filme de Zack Snyder uma reprodução quase religiosa das inigualáveis vinhetas e pranchas. Mas o fenómeno não é assim tão estranho tratando-se de uma adaptação de Damon Lindelof e de uma espécie de irmão espiritual da sua série anterior, The Leftovers.
    Entre tantas coisas, impressionou-nos em Watchmen o difícil casamento entre o respeito pelo material original e a coragem/ loucura de fazer algo (muito) diferente, construindo uma identidade própria. O risco de apresentar praticamente duas séries lado a lado (o plot principal e o subplot de Jeremy Irons a fazer coisas) é recompensando e de que maneira com episódios como "A God Walks into Abar" e "This Extraordinary Being".
    Incrível reflexão sobre raça e a nossa sociedade, Watchmen é jazz composto com todas as cores disponíveis na pauta e é o tempo a ser todo o tempo ao mesmo tempo. E sim, a banda sonora de Trent Reznor e Atticus Ross ajudou.

2. Chernobyl (HBO, Sky Atlantic)
Criado por: Craig Mazin
Elenco: Jared Harris, Stellan Skarsgard, Emma Watson, Paul Ritter, Jessie Buckley
IMDb: 9.5 | Rotten Tomatoes: 96% | Metascore: 82

    O histórico monumento televisivo que a HBO nos deu este ano está longe de ser a melhor série de sempre, mas é uma mini-série perfeita. Escrita pelo improvável Craig Mazin e realizada pelo sueco Johan Renck, Chernobyl tem tudo para amadurecer com a classe e distinção de Band of Brothers.
    A receita imaculada cozinhou-se em 5 episódios, equiparando-se a excelência do elenco aos restantes vectores. Chernobyl foi terror sonoro e a melhor aula de Química das nossas vidas, foi a tensão de 90 segundos para retirar grafite de um terraço, a ansiedade medida em contadores Geiger e, acima de tudo, uma lição de como lidar com exposição e que perspectiva escolher para estabelecer a máxima empatia com o espectador, sem nunca perder a escala da tragédia.

3. When They See Us (Netflix)
Criado por: Ava DuVernay
Elenco: Jharrel Jerome, Asante Blackk, Caleel Harris, Jovan Adepo, Freddy Miyares, Chris Chalk, Niecy Nash, Michael K. Williams, Vera Farmiga, Felicity Huffman
IMDb: 9.0 | Rotten Tomatoes: 96% | Metascore: 86

    Há grandes filmes e séries que só queremos ver uma vez. When They See Us, a série certa no momento certo sobre um conjunto de rapazes, hoje homens, no local errado à hora errada, é um desses casos. Num ano bastante forte nas mini-séries, a obra de Ava DuVernay revelou-se um bingewatch intenso e custoso, deixando o espectador esgotado emocionalmente, impotente e angustiado. Qual murro no estômago e conto urbano que todos desejaríamos ser ficção quando foi realidade, a mini-série de 4 episódios pode ser vista como uma reflexão sobre justiça, medo e abuso de poder, como terapia de choque e formação cívica.
    Estamos gratos por "Part Four", 1 hora e meia do melhor que se fez este ano em televisão, e jamais nos sairá da memória o portentoso e emocionante retrato de sofrimento e esperança, bondade e dor de Jharrel Jerome como Korey Wise.

4. Euphoria (HBO)
Criado por: Sam Levinson
Elenco: Zendaya, Hunter Schafer, Jacob Elordi, Alexa Demie, Barbie Ferreira, Sydney Sweeney, Angus Cloud, Maude Apatow
IMDb: 8.4 | Rotten Tomatoes: 82% | Metascore: 68

    Polémica e ousada, a série da HBO sobre adolescentes embora não necessariamente para eles aqueceu o Verão. Com Zendaya (deixou-nos sem palavras) a surpreender, Euphoria revelou-se uma droga e uma espiral estonteante e tecnicamente ambiciosa (só Mr. Robot superou a série de Sam Levinson nos movimentos de câmara) sobre a Geração Z, com personagens egoístas e hedonistas, num trajecto de autodescoberta e constante ansiedade.
    Mais uma prova de como a HBO não sente medo da diferença, vivendo sim apaixonada por ela, é uma fotografia de uma geração que consegue ser simultaneamente sinónimo de liberdade e claustrofobia. Cada plano com Hunter Schafer é um quadro, e se pensarmos em Jules, Rue, Fezco, Nate, Cassie, Maddy, Kat e Lexi percebemos que Euphoria é fonte de algumas das melhores novas personagens do ano.

5. What We Do in the Shadows (FX)
Criado por: Jemaine Clement
Elenco: Kayvan Novak, Matt Berry, Natasia Demetriou, Harvey Guillén, Mark Proksch
IMDb: 8.4 | Rotten Tomatoes: 94% | Metascore: 80

    What We Do in the Shadows é a nova comédia do ano. Aliás, avaliando em exclusivo a capacidade de fazer rir, a adaptação do filme de Jemaine Clement e Taika Waititi até se revelou mais eficaz que comédias mais completas como Fleabag, Barry e Catastrophe.
    Um concílio de vampiros famosos e uma noitada de um vampiro ancestral tornaram-se os pontos altos de uma aposta do FX que promete deixar-nos a rir alto e a sorrir com cara de parvos durante as próximas temporadas.

6. Sul (RTP 1)
Criado por: Edgar Medina, Guilherme Mendonça e Rui Cardoso Martins
Elenco: Adriano Luz, Jani Zhao, Afonso Pimentel, Margarida Vila-Nova, Ivo Canelas
IMDb: 8.1

    Há um ano atrás tivemos uma série portuguesa (Sara) em 2.º lugar; na edição de 2019 Sul é a produção nacional em melhor posição. Produzida pela Arquipélago Filmes, a criação de Edgar Medina, Guilherme Mendonça e Rui Cardoso Martins é um policial de respeito e uma sensível homenagem à cidade de Lisboa, que se sente como personagem através da banda sonora dos Dead Combo.
    Desde o genérico à progressiva interligação das personagens, tudo em Sul é coeso, pensado e executado com a inteligência e dedicação de quem (Ivo M. Ferreira e todos os envolvidos) sabe que nenhuma cena deve ser desperdiçada e que todas devem ter algo para dizer. 

7. Undone (Amazon)
Criado por: Kate Purdy e Raphael Bob-Waksberg
Elenco: Rosa Salazar, Bob Odenkirk, Daveed Diggs, Angelique Cabral, Constance Marie
IMDb: 8.3 | Rotten Tomatoes: 100% | Metascore: 86

    Raphael Bob-Waksberg, o criador da melhor série de animação desta década, BoJack Horseman, mudou-se para a Amazon com uma das suas colaboradoras habituais (Kate Purdy) e juntos desenharam um rotoscópio fantástico a quebrar regras, estonteante a vasculhar o ontem e a desdobrar todos os seus pontos de interrogação. Depois de Alita e Undone, Rosa Salazar já é mais corpo animado que corpo de carne e osso.

8. State of the Union (SundanceTV)
Criado por: Nick Hornby
Elenco: Rosamund Pike, Chris O'Dowd
IMDb: 7.9 | Rotten Tomatoes: 96% | Metascore: 81

    Durante 10 episódios, a série acompanha os cerca de 10 minutos de Louise (Rosamund Pike) e Tom (Chris O'Dowd) no bar onde fazem tempo antes de entrarem em mais uma sessão de terapia de casais. Alguns dos pedaços de melhor diálogo do ano estão aqui.

9. The Virtues (Channel 4)
Criado por: Shane Meadows
Elenco: Stephen Graham, Helen Behan, Niamh Algar, Mark O'Halloran
IMDb: 8.3 | Rotten Tomatoes: 100% | Metascore: --

    A mini-série britânica - das séries estrangeiras presentes nesta lista, provavelmente a que foi vista por menor audiência - marcou o reencontro de Shane Meadows e Stephen Graham. É um sôfrego e emocionante mergulho num passado recalcado e não é exagero colocar Graham no pódio de performances masculinas este ano na TV junto de Rami Malek e Jharrel Jerome. 

10. Love, Death & Robots (Netflix)
Criado por: Tim Miller
Elenco: Henry Douthwaite, Madeleine Knight, Samira Wiley, Kevin Michael Richardson
IMDb: 8.6 | Rotten Tomatoes: 79% | Metascore: 65

    O compêndio cool de animação NSFW é uma aposta ganha da Netflix e promete ser uma das antologias de sucesso dos próximos anos, e recorrente série candidata a conter alguns dos episódios do ano. Love, Death & Robots é um orgasmo visual e criativo, que experimentou vários estilos e géneros, flutuando no tom e sendo ora madura ora infantil, ora trágica ora cómica, ora profunda ora superficial. Mesmo tendo privilegiado quantidade e estética sobre qualidade e substância, e com um gore, violência e sexualidade por vezes gratuitos, a colectânea de contos futuristas e digitais tem um potencial tremendo. "Zima Blue" é uma obra-prima.

11. Ramy (Hulu)
Criado por: Ramy Youssef
Elenco: Ramy Youssef, Hiam Abbass, Amr Waked, May Calamawy
IMDb: 8.0 | Rotten Tomatoes: 97% | Metascore: 87

    Aquilo que Ramy é, também Master of None ou Louie já foram. Mas se o conceito não é novo, a voz do protagonista é - Ramy Youssef oferece-nos a perspectiva de um muçulmano americano. A série do Hulu é sobretudo uma reflexão sobre fé e identidade, e tem em "Strawberries", um flashback para a infância de Ramy durante o 11 de Setembro, um dos episódios do ano. Contem connosco para as próximas temporadas.

12. Unbelievable (Netflix)
Criado por: Susannah Grant, Michael Gabon e Ayelet Waldman
Elenco: Kaitlyn Dever, Toni Collette, Merritt Wever, Eric Lange, Danielle Macdonald
IMDb: 8.5 | Rotten Tomatoes: 97% | Metascore: 83

    Uma das mini-séries do ano, Unbelievable são duas séries numa só. A asfixiante vida de Marie (excelente ano de Kaitlyn Dever, juntando a isto Booksmart) depois de ser acusada de mentir sobre ter sido violada, e a paralela colaboração de duas detectives - Toni Collette e Merritt Wever - para investigar o que ganha forma como um potencial caso de violações em série. Distinguiu-se pela calma a introduzir as personagens principais e por não ser uma obra com descobertas Sherlock. Unbelievable é investigação à séria, com deduções alcançadas através do tempo perdido e trabalho incessante.

13. Frágil (RTP Play)
Criado por: Filipa Amaro
Elenco: Catarina Secca Cruz, Rita Rocha Silva, Matilde Jalles
IMDb: 7.7

    Um dos tesourinhos por descobrir desta lista para muitos, Frágil é uma pequena produção portuguesa que tinha qualidade de sobra para ter a sua transmissão semanal na RTP1, mas acabou apenas disponível na plataforma RTP Play. Na mesma casa, uma actriz sem trabalho, uma pintora (Rita Rocha Silva promete!) num bloqueio criativo e uma prima afastada acolhida para as rendas ficarem em dia e o senhorio não chatear. Filipa Amaro capta com tremenda naturalidade a intimidade entre amigas e as dúvidas existenciais de uma geração. Elas não sabem bem para onde vão, mas sabem que vão juntas. Patrocinaríamos uma segunda temporada.

14. Sex Education (Netflix)
Criado por: Laurie Nunn
Elenco: Asa Butterfield, Gillian Anderson, Ncuti Gatwa, Emma Mackey, Connor Swindells
IMDb: 8.3 | Rotten Tomatoes: 91% | Metascore: 79

    No começo de 2019, Sex Education tornou-se a série da Netflix que toda a gente andava a ver. Facílima de devorar, a comédia equilibrada e juvenil de Laurie Nunn ofereceu-nos tudo o que é preciso: boas personagens, momentos memoráveis e Gillian Anderson. Nunca antes "This is my vagina" tinha sido dito tantas vezes seguidas.

15. Fosse/Verdon (FX)
Criado por: Thomas Kail e Steven Levenson
Elenco: Michelle Williams, Sam Rockwell, Margaret Qualley, Norbert Leo Butz, Aya Cash
IMDb: 7.9 | Rotten Tomatoes: 81% | Metascore: 68

    Não nos viciou como muitas das séries aqui presentes, mas Fosse/Verdon é um daqueles casos de absoluta elite televisiva. A fotografia da relação de Gwen Verdon (Michelle Williams) e Bob Fosse (Sam Rockwell) representou provavelmente o melhor papel da carreira da actriz.

16. Years and Years (BBC One)
Criado por: Russell T Davies
Elenco: Rory Kinnear, Jessica Hynes, Anne Reid, Russell Tovey, Ruth Madeley, Emma Thompson
IMDb: 8.4 | Rotten Tomatoes: 89% | Metascore: 78

    Num Reino Unido e mundo ainda pré-Brexit, nada como assistir a um Reino Unido pós-Brexit. Years and Years (não confundir com a banda de Olly Alexander) é um aviso e - oxalá que não - uma perturbadora previsão ou antecipação. O galês Russell T Davies deixou-nos acompanhar a família Lyons ao longo de 6 episódios, mesclando os vectores político, económico e tecnológico sem nunca se esquecer da simplicidade dos laços familiares como prioridade narrativa.

17. O Resto da Tua Vida (Youtube)
Criado por: Carlos Coutinho Vilhena e João André
Elenco: João André, Carlos Coutinho Vilhena
IMDb: 8.8

    Fenómeno de sucesso no Youtube nacional, O Resto da Tua Vida foi uma "brincadeira" a que começámos a assistir com curiosidade, acabando rendidos após aquele solo de bateria final. Carlos Coutinho Vilhena fez o que quis da imprensa nacional numa obra pertinente, audaz na desconstrução do seu objecto de estudo (a metacomunicação bebe muito do que Bruno Nogueira tem criado como autor) e capaz de reinventar João André. O Kiko dos Morangos é passado.

18. The Morning Show (Apple TV+)
Criado por: Jay Carson e Kerry Ehrin
Elenco: Jennifer Aniston, Reese Whiterspoon, Steve Carell, Billy Crudup, Mark Duplass, Gugu Mbatha-Raw, Bel Powley
IMDb: 8.4 | Rotten Tomatoes: 63% | Metascore: 61

    Das 20 novas séries que escolhemos, The Morning Show foi a última a estrear. As séries Apple ficaram prontamente rotuladas como flops, mas esta bandeira do movimento #MeToo é mais oportuna do que oportunista. Todo o super-elenco brilha, a tensão na season finale é impressionante, e nos seus melhores momentos, The Morning Show conseguiu recriar o que The Newsroom, de Aaron Sorkin, tão bem conseguiu há uns anos atrás: apresentar o conflito entre valor-notícia (o que interessa) e valor-audiência (o que vende) e as dinâmicas, egos e problemáticas dos bastidores de um local de trabalho.

19. The Mandalorian (Disney+)
Criado por: Jon Favreau
Elenco: Pedro Pascal, Carl Weathers, Werner Herzog, Gina Carano, Nick Nolte, Giancarlo Esposito
IMDb: 8.8 | Rotten Tomatoes: 94% | Metascore: 69

    Escolhido como porta-estandarte do novo player no mercado (Disney+), The Mandalorian está bastante longe de ser a nova série do ano, mas é sem dúvida um produto Star Wars superior às prequelas (I, II e III) e à nova trilogia (VII, VIII e IX).
    Jon Favreau sabe deixar a sua marca, e neste caso não fez a coisa por menos ao oferecer aos fãs o Baby Yoda. Mais importante que isso, a jornada de Mando/ Din Djarin convenceu-nos pelo ritmo que decidiu assumir (uma espécie de western numa galáxia muito, muito distante) e pelos efeitos práticos. Ninguém esperava quando The Mandalorian foi anunciado que esta se tornasse a história de um babysitter.

20. The Act (Hulu)
Criado por: Nick Antosca e Michelle Dean
Elenco: Joey King, Patricia Arquette, Chloë Sevigny, AnnaSophia Robb, Calum Worthy
IMDb: 8.0 | Rotten Tomatoes: 89% | Metascore: 73

    Surgiu em 2017 Mommy Dead and Dearest, um documentário sobre Gipsy Rose e a sua mãe, Dee Dee. Dois anos mais tarde, o Hulu recontou a história da tóxica e invulgar relação mãe-filha com duas performances extraordinárias das protagonistas. Patricia Arquette começa a tornar-se um habitué nas metamorfoses em mini-séries, mas os maiores elogios têm mesmo que ir para Joey King (20 anos) num daqueles papéis que tem que ter aberto muitas portas e atraído muitas atenções.

9 de janeiro de 2020

As Melhores Novas Personagens de Séries em 2019

2019 chegou ao fim e o novo ano traz o já tradicional olhar sobre o que de melhor houve na televisão. Analisando 4 diferentes facetas começaremos por recordar as melhores novas personagens, viajando depois por novas séries e episódios que marcaram o último ano. A paragem final será, como sempre, a distinção das melhores séries do ano.
    Quando puxamos a cassete para trás, verificamos que já tivemos neste espaço no Barba Por Fazer menções a personagens, à época novas, como Elliot Alderson, Ed Kemper, Frank Castle, Eleven, Earn Marks, Serena Waterford ou Wilson Fisk. Na edição de 2018 destacámos por exemplo Teddy Perkins (Atlanta), Villanelle (Killing Eve), Lalo Salamanca (Better Call Saul) ou as amigas Lenù e Lila (My Brilliant Friend).

    Entre as personagens mais marcantes de 2019, apresentadas abaixo, podem encontrar um padre que deixou todo o Reino Unido (e arredores) a seus pés ou um certo bebé Yoda que virou fenómeno da Internet. Na maioria dos casos são séries novas (EuphoriaWhen They See UsWatchmenSul ou What We Do in the Shadows) que alimentam este Top, mas FleabagStranger Things ou Big Little Lies mostraram que alguns reforços de peso surgem in media res.
    Acompanhem-nos então uma vez mais na defesa de 20 personagens, sem as quais 2019 não teria sido o mesmo, e que atestam a nata televisiva e o mérito conjunto, iniciado no argumento e finalizado através de desempenhos únicos:


1. Hot Priest (Andrew Scott, Fleabag)

    Phoebe Waller-Bridge não tencionava escrever uma segunda temporada de Fleabag. Até certo dia ter nascido na sua maravilhosa mente um padre especial, e com ele o potencial de refazer a quebra da quarta parede entre a protagonista e os espectadores, seus confidentes.
    Que Andrew Scott é brilhante já o sabemos desde que foi Moriarty em Sherlock, mas nunca o tínhamos visto como sex symbol. Descrito apenas "The Priest" não demorou a ser baptizado "Hot Priest" pelos fãs. Nem o #BabyYoda partiu tantos corações em 2019.

2. Korey Wise (Jharrel Jerome, When They See Us)

    Embora tentemos evitar personagens baseadas em figuras reais, não o conseguimos evitar em 2 casos deste Top. É sempre difícil distinguir o arrebatador desempenho de Jharrel Jerome do potencial per si de Korey Wise como personagem, mas é impossível não o colocar nos lugares cimeiros.
    Se a mini-série de Ava DuVernay nos emocionou e angustiou tanto muito o deve a uma "Part Four" que deixou para a hora e meia final o percurso prisional do último dos Central Park Five. 

3. Jules Vaughn (Hunter Schafer, Euphoria)

    É livre, capaz de amar o mundo inteiro, um ícone LGBT nascido sob a forma de uma estreia impressionante de Hunter Schafer como actriz. É o coração de Euphoria, é o vértice principal num triângulo formado com Rue e Nate. É a moda e a irreverência em pessoa, é um tutorial de maquilhagem. É inocência. É intensidade. É HBO.

4. Robin Buckley (Maya Hawke, Stranger Things)

    O universo Stranger Things não seria o mesmo sem a filha de Uma Thurman e Ethan Hawke. A parceira de investigação de Steve e Dustin, empregada na gelataria Scoops Ahoy, sempre com o seu uniforme de marinheira, construiu uma incrível química com Steve para nos oferecer no final um twist bem executado. Numa fase em que a série da Netflix começa a cair numa certa fórmula, Robin foi sem dúvida um ingrediente refrescante em Hawkins.

5. Baby Yoda (The Mandalorian)

    Parece-nos indiscutível considerar o desvendar da identidade do primeiro alvo do caçador de prémios Din Djarin/ Mando como um dos momentos mais marcantes da televisão em 2019. Idolatrado nas redes sociais, o Baby Yoda não é O Yoda mas sim um Yoda. É irresistível, é fofo, é um fenómeno de vendas de brinquedos à espera de acontecer.

6. Fezco (Angus Cloud, Euphoria)

    Talvez o facto dele ser igual ao falecido rapper Mac Miller nos tenha influenciado, mas Fezco é a personagem de Euphoria de quem todos gostam. Um traficante de droga que abandonou os estudos mas que se recusa a patrocinar a queda em ruína da amiga Rue. Ponto alto da nova série da HBO: Fezco e Rue separados por uma porta, com Zendaya a brindar-nos com um desempenho surpreendente. 

7. Looking Glass (Tim Blake Nelson, Watchmen)

    A melhor nova personagem de Watchmen bebe muito do Rorschach original, mesmo que a série corrompa intencionalmente e de forma inteligente a memória do personagem favorito dos fãs da banda desenhada através da Sétima Cavalaria.
    A sua backstory em "Little Fear of Lightning" foi apenas a confirmação da presença obrigatória de Wade Tillman neste Top. Genial a postura e o pânico quase sempre contido de Tim Blake Nelson.

8. Mary Louise Wright (Meryl Streep, Big Little Lies)

    O ingresso de Meryl Streep no pequeno ecrã não podia ser coisa pouca. A segunda temporada de Big Little Lies fez pouco sentido, mas se não tivesse existido jamais teríamos Mary Louise Wright, a mãe passivo-agressiva de Perry.

9. Matilha (Afonso Pimentel, Sul)

    Há um ano atrás tivemos Albano Jerónimo no nosso Top-20 graças à sua personagem em Sara, desta vez temos Afonso Pimentel. Segundo os autores, Pimentel convenceu no casting ao chegar logo vestido como a personagem. Matilha é um rapaz do bairro, desenrascado, chico-esperto mas com bom fundo - faz todo o sentido que a RTP1 prepare um spin-off de Sul em torno dele.

10. Homelander (Antony Starr, The Boys)

    Numa série (é boa, mas aquele 8.8 no IMDb é um exagero) que satiriza o papel social dos super-heróis, Homelander é o veículo perfeito de tudo o que resulta na adaptação da BD de Garth Ennis e Darick Robertson. Líder dos Sete, esconde atrás da capa de herói nobre todo o seu sadismo, arrogância e insensibilidade. Uma espécie de Super-Homem sem sentimentos.

11. Colin Robinson (Mark Proksch, What We Do in the Shadows)

    Só Jemaine Clement e Taika Waititi para criarem alguém assim. No mockumentary vampiresco, agora em versão televisiva, Colin Robinson é um... vampiro de energia. Um vampiro à prova da luz solar e que se alimenta ao absorver a energia de todos em seu redor ao aborrecê-los ou enfurecê-los. Todos temos um vampiro de energia no nosso local de trabalho.

12. Laurie Blake (Jean Smart, Watchmen)

    Amiga de um senhor dildo azul, Laurie Blake é introduzida no episódio 3 de Watchmen e, coincidência ou não, é a partir desse momento que a série descola e nunca mais pára. Esqueçam Malin Akerman; Jean Smart será de hoje em diante a verdadeira Laurie.

13. Prince Charles (Josh O'Connor, The Crown)

    Muito inteligente da parte de Peter Morgan a subversão construída em torno do príncipe Carlos. Habitual persona non grata (quem neste mundo é que não é Team Diana, a princesa do povo?), era expectável que a percepção do seu trajecto fosse inesperadamente empática se: 1) o conhecêssemos primeiro a ela do que Diana, 2) conhecêssemos primeiro Camilla Parker Bowles do que Diana. Tinha tudo para resultar num interessante conflito interno. E resultou.

14. Klaus Hargreeves (Robert Sheehan, The Umbrella Academy)

    Parte do que nos atraiu em Klaus foram as saudades de Nathan, a personagem de Robert Sheehan em Misfits. Mas mesmo para quem nunca viu a série britânica, o nº 4 da Academia é qualquer coisa. Um drogado em reabilitação com a capacidade de comunicar com os mortos.

15. Oswald Mosley (Sam Claflin, Peaky Blinders)

    Tommy Shelby já teve pela frente o inspector Chester Campbell (Sam Neill), o judeu Alfie Solomons (Tom Hardy), o padre John Hughes (Paddy Considine) ou o mafioso Luca Changretta (Adrien Brody). A 5.ª temporada introduziu um novo adversário, o fascista Mosley, refinado nos seus gostos, carismático nos seus discursos e perverso nas suas ideologias.

16. Geralt of Rivia (Henry Cavill, The Witcher)

    The Witcher não é nada do outro mundo, mas Henry Cavill é Geralt of Rivia. Casting perfeito e é impossível ficar indiferente àquela voz grave...

17. Baron Afanas (Doug Jones, What We Do in the Shadows)

    Um vampiro conservador que acredita que os vampiros devem dominar o mundo. Um vampiro que antes de cochilar um pouco no caixão deixa a missão "quando acordar quero esse mundo conquistado". Uma das criaturas que mais nos fez rir em 2019, mas mesmo com vontade e em bom som, na sua noitada, alcoolizado e excitado.

18. Cory Ellison (Billy Crudup, The Morning Show)

    Uma das últimas personagens a garantir o seu lugar nesta lista - The Morning Show, primeira grande série da Apple, terminou a 20 de Dezembro -, Cory Ellison é um sorriso em forma de homem. O director de informação do canal UBA revelou-se ao longo da primeira temporada um enigma e uma das novidades mais imprevisíveis de 2019. A série de Jennifer Aniston e Reese Whiterspoon é uma série de mulheres, mas confessamos que Billy Crudup acabou por ser o maior íman de energia ao longo dos oito episódios de arranque.

19. Jean Milburn (Gillian Anderson, Sex Education)

    Gillian Anderson aka Scully como terapeuta sexual é provavelmente um sonho concretizado para muitos. Talvez mesmo para toda a gente, excepto o seu filho Otis (Asa Butterfield).

20. The Chamberlain (Simon Pegg, The Dark Crystal: Age of Resistance)

    A Netflix acreditou que valia a pena promover um regresso a Thra, o maravilhoso mundo criado por Jim Henson em 1982. E valeu, sem abdicar dos efeitos práticos e das marionetas e reunindo um painel de vozes invejável. Nesta prequela, foi um dos asquerosos skeksis quem mais se destacou - ora manipulador, ora submisso, The Chamberlain é mais uma demonstração do hábil voice acting de Simon Pegg.

9 de agosto de 2019

Antevisão da Liga NOS 2019/ 20

 Liga NOS - Vai começar tudo uma vez mais. Sabemos que não temos a melhor Liga, não temos os melhores jogadores e infelizmente não proporcionamos por regra os maiores espectáculos, mas esta é a nossa Liga. São os nossos estádios, as nossas tradições, a nossa família. Podemos encantar-nos com a Premier League, a La Liga ou a Champions, mas é esta a competição em que entre amigos festejamos um golo num abraço conjunto como se estivéssemos nós em campo, ou em que um pai apresenta ao filho o que é torcer, sentir e viver um clube.
    Por isso sabe tão bem esta sensação, vivida pelo país fora em diferentes cores e em defesa de diferentes emblemas, de que a partir de hoje estamos de regresso a casa.
    2019/ 20 promete, acima de tudo, ser um passo evolutivo em direcção a uma cultura de maior respeito. Seguindo o exemplo Bruno Lage (será que esta Liga o merece?), fazemos votos para que a palavra seja dada a jogadores e treinadores, os verdadeiros intervenientes, num discurso aberto, descontraído e positivo, e que a cada dia seja menor o ruído extra-futebol e a gasolina que inflama rivalidades. Porque uns sem os outros, não somos nada.
    Mesmo depois de vender Jonas e aquele que em teoria seria o seu legítimo herdeiro (João Félix, transaccionado por históricos e astronómicos 126 milhões), o Benfica parte na frente. Os encarnados seguraram quase todo o plantel, têm um modelo solidificado e estável (5 títulos em 6 anos) e são grandes as expectativas para uma temporada com Bruno Lage desde o primeiro jogo. Tendo a temporada começado com um invulgar 5-0 na Supertaça.
    O FC Porto deixou de contar com Casillas (?), Militão, Felipe, Herrera, Óliver e Brahimi, mas Sérgio Conceição recebeu muitos reforços (até ver, a quantia gasta foi de 60 milhões) e quer travar a onda benfiquista. Pessoalmente, após deslize na Liga e duas finais perdidas para o Sporting nas taças, pensámos que Pinto da Costa iria mudar de treinador. Mas SC teve voto de confiança e derradeira oportunidade.
    Antecipar o percurso do Sporting implica claramente ter certezas sobre o destino de Bruno Fernandes. Entre os grandes, os leões são por larga margem a equipa mais dependente de um único jogador (Jogador do Ano na Liga NOS 2018/ 19) e uma saída do camisola 8, que parece não vir a acontecer, podia atirar a equipa para um arranque apático e deprimido. À espreita está o Sporting de Braga. Os minhotos escolheram Sá Pinto como novo treinador, decisão que tem como contra o facto de se tratar de alguém que pode ser detido em várias circunstâncias do dia-a-dia, mas o plantel deixa antecipar um bom trajecto.
    Paços de Ferreira, Famalicão (com o apoio de Jorge Mendes e do Atlético Madrid) e Gil Vicente, este último o novo desafio de Vítor Oliveira, são as 3 novidades, numa Liga em que 9 equipas (metade) têm novo treinador. Aguardamos com expectativa e curiosidade os trabalhos de Ivo Vieira no Vit. Guimarães e Carlos Carvalhal no Rio Ave, e numa segunda linha esperamos bom futebol por parte do Portimonense, Santa Clara e Moreirense, e muito pragmatismo e coesão no Boavista e Belenenses SAD.
    No geral, e embora ainda possam chegar novos craques, damos as boas-vindas a De Tomás, Uribe, Vietto, Rosier e Marchesín, e saudamos os regressos de Nakajima, Carlos Vinícius, Marcano, Zé Luís, André Horta ou Diogo Gonçalves. E nova época significa mais minutos para muitos jovens talentos: Florentino, Jota, Tomás Esteves, Doumbia, Trincão, Xadas, Wendel, Nuno Tavares, Fábio Silva, Romário Baró, Plata, Nehuen Pérez, Ibrahima Camará, Filipe Soares, Tapsoba e Galeno, entre outros.

    Cabe-nos então apresentar a nossa previsão em termos de destaques colectivos e individuais, sujeita como sempre às vicissitudes do mercado de transferências até final do mês, convictos que teremos uma bela época pela frente. Que em Maio festeje o mais justo campeão:



A imagem pode conter: 3 pessoas, ar livre BENFICA (1)

   Depois do 37, há muita confiança no 38. Com Bruno Lage, os encarnados partem para a nova época como principais favoritos, pretendendo o 6.º título em 7 anos. Os adeptos querem e esperam muitos golos, bom futebol e uma performance europeia que dignifique a Luz.
    Após emocionante temporada e brutal crescimento a partir do momento em que Lage substituiu Vitória, as goleadas tornaram-se frequentes e as conferências do treinador cuja postura é um exemplo viraram consumo obrigatório. As águias perderam Jonas (melhor jogador do Benfica no Séc. XXI) e João Félix (o menino de ouro saiu por 126 milhões e vai encantar na La Liga), mas 10 elementos do 11 habitual em 2018/ 19 continuam.
    Até ao final do defeso ainda poderá chegar novo guarda-redes (Ody é bom, mas é possível um upgrade sobretudo a pensar na Champions) e um segundo avançado mais ao estilo de Dani Olmo e Waldschmidt, mas para já Vlachodimos é o nº 1 e o quarteto defensivo (no próximo Verão devem ser muitos os gigantes interessados em Ferro) mantém-se incólume, com os novatos Nuno e Tomás Tavares como alternativas nas laterais. No meio-campo, Gabriel distribui e lança com classe, Florentino antecipa-se e desarma tudo e todos, Samaris é um benfiquista em campo e Taarabt uma fénix. Pizzi e Rafa são actualmente os 2 cabeças-de-cartaz deste Benfica, esperando-se novo fartote de assistências do 21 e imaginando-se que Rafa seja forte candidato a MVP desta época.
    À frente, Seferovic (melhor marcador da Liga na última época) continuará a explorar a profundidade, a lutar e pressionar como poucos, tendo Carlos Vinícius como principal concorrente, e De Tomás é talvez o mais forte candidato a melhor marcador desta edição, sempre com aquele visual de quem, se a preto e branco, podia perfeitamente ser um colega de equipa de Di Stéfano e Puskás nos anos 50. A dupla Sef-RDT vai crescer, mas Lage saberá por certo quando entregar a função de segundo avançado, caso não chegue um super-craque, a Chiquinho (também é alternativa a Pizzi) ou Jota, esperando nós que o miúdo cresça muito nesta edição.

Treinador: Bruno Lage
Onze-Base (4-4-2): Vlachodimos; A. Almeida, R. Dias, Ferro, Grimaldo; Pizzi, Florentino (Samaris), Gabriel, Rafa; De Tomás, Seferovic (Chiquinho, Jota)

Atenção a: Rafa, De Tomás, Pizzi, Florentino, Jota

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    É muito difícil, impensável quase, que o FC Porto termine abaixe do 2.º lugar e a luta pelo título deve fazer-se uma vez mais a dois. Afinal de contas, nos últimos 17 anos o vencedor foi sempre Porto ou Benfica.

    Mas é evidente que os dragões partem atrás. Os azuis e brancos perdem para os campeões em título 1-5 em campeonatos conquistados nos últimos seis anos, e apostar que a margem do Benfica para o Porto será maior do que na edição anterior não é exagerado. Cabe a Sérgio Conceição e aos seus jogadores provarem em campo que esta ideia pré-estabelecida está errada.
    Graças a diversos erros de gestão, alguns azares e significativos encaixes, o Porto já não tem nas suas fileiras Militão, Felipe, Herrera, Óliver e Brahimi, tendo Casillas sido inscrito mas estando longe de certo um eventual regresso. Depois de 60 milhões gastos, o clube da cidade Invicta está recomposto, embora precise de tempo - que não tem - para que os jogadores se entendam e tudo seja mais fluido. Verdade seja dita, o ADN do futebol de Sérgio Conceição não deve mudar, e esse é um dos principais contras - o técnico português tem "castrado" muito talento e tememos que o mesmo possa acontecer com novas caras.
    Num mundo normal, dado o seu brutal talento, Shoya Nakajima pode ser o astro máximo no Dragão, seja na esquerda seja como segundo avançado. O nipónico é um jogador saído dos desenhos animados e, por consequência, pode animar o futebol normalmente mecanizado e musculado dos dragões. Oxalá que, neste e noutros casos, seja o Porto a adaptar-se a Nakajima, e não o contrário. Mas não nos surpreenderá propriamente que Sérgio privilegie a potência de Luis Díaz à arte do novo camisola 10. E é difícil não pensar na triste sina de Óliver e em quão desperdiçada foi a sua qualidade...
    Marchesín já tem a baliza para si (até ver, má gestão de Diogo Costa, que ou ficava para ser aposta ou então precisa de evoluir fora e ter mais de 3.000 minutos na Liga, à imagem dos centrais Diogos), antecipar que Pepe e Marcano formarão uma excelente dupla é constatar o óbvio, continuando Alex Telles como peça-chave, e aguardando nós pela aposta em Tomás Esteves no lado direito. Se o deixarem entrar no onze, não deve largar mais o lugar. No meio-campo, Danilo é o capitão e Uribe vem para pisar os mesmos terrenos que Herrera, embora os interprete de modo diferente. Ter Sérgio Oliveira, Otávio e Corona (é o teu momento, rapaz) permite a SC as mais ricas nuances tácticas do seu Porto - a flutuação entre um 4-3-3 e um 4-4-2 dada através do posicionamento e movimentações de um 3.º médio ou extremo que fecha por dentro (Otávio), ou de um segundo avançado que bascula entre essa zona e o corredor (Marega).
    Moussa Marega continua por cá e faz muita diferença com todo o seu arcaboiço; Zé Luís foi um pedido do treinador e é um avançado completo. Soares é o melhor dos pontas de lança para jogar sozinho, Aboubakar um activo que tem que ser abanado e Fábio Silva um diamante para lapidar. Não interessa que, tal como Tomás Esteves, tenha apenas 17 anos.
    É a época do tudo ou nada para Sérgio Conceição. É a época em que o Porto precisa de mudar se quiser retirar o rival Benfica do topo. Mas, por favor, que não se percam nos próximos anos talentos como Fábio Vieira, Tomás Esteves ou Vítor Ferreira. No meio de vários tiros ao lado, Romário Baró caiu felizmente no goto (como não?) e o seu perfil físico, tal como acontece com Fábio Silva, devem ajudá-los a contar, não se perdendo pelo caminho. 

Treinador: Sérgio Conceição
Onze-Base (4-4-2): Marchesín; Saravia (T. Esteves), Pepe, Marcano, Alex Telles; Corona, Danilo, Uribe, Nakajima; Marega (Soares), Zé Luís

Atenção a: Shoya Nakajima, Danilo Pereira, Alex Telles, Zé Luís, Tomás Esteves

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    O futebol é e será sempre um jogo de equipa, em que nenhum jogador está acima do coletivo. Mas há jogadores que fazem a diferença, e não há memória neste século de um clube grande ser tão dependente de um só jogador (nem o Benfica dos tempos de Simão Sabrosa) como o actual Sporting com Bruno Fernandes, Jogador do Ano da Liga NOS 2018/ 19.
    Num simultâneo elogio ao grande capitão do Sporting e semi-crítica à estrutura e a Keizer, simplificamos o nosso raciocínio assim: para nós, com Bruno Fernandes o Sporting ficará acima do Braga e Vit. Guimarães, sem ele abaixo. É esta, infeliz e realmente, a dependência dos leões do seu camisola 8.
    A alguma distância dos rivais Benfica e Porto, o Sporting vem de uma época positiva. Ganhou duas taças, combateu com sucesso um cancro e não se foi abaixo, sarando as feridas, depois do pior capítulo da sua História. 2019/ 20 representa o teste definitivo para o valor de Keizer. Os leões têm que esquecer rapidamente a pesada derrota na Supertaça, e numa altura em que BF já não deve sair (Premier League sempre nos pareceu o destino mais provável, e embora gostássemos de o ver na Juventus, não acreditamos que saia para Itália, Espanha, França ou Alemanha), é fundamental que Varandas premeie o seu astro e exija que os jogadores à sua volta rendam muito mais, acompanhando a sua valia.
    É certo que Bruno Fernandes sai valorizado quando todos à sua volta se apagam e delegam o peso da responsabilidade nas suas costas e nos seus mágicos pés, mas o Sporting precisa de mais. Renan não é extraordinário, mas é competente, e na defesa mantém-se a dupla Coates-Mathieu, tendo sido contratado Rosier para fazer verdadeiramente a diferença e injectar adrenalina a partir do corredor direito, faixa onde Thierry Correia até merece começar a época a titular. No meio-campo, Battaglia recupera de lesão e confiamos na afirmação de Doumbia e Wendel. Luiz Phellype deve relegar Dost para o banco de suplentes, mas se os leões querem ser mais do que Bruno Fernandes, precisam que elementos como Raphinha e Vietto digam presente. Temos dúvidas que o façam, e estamos mais convictos em relação ao brutal talento de Gonzalo Plata - apostem nele e o 11 ganhará outra vida!

Treinador: Marcel Keizer
Onze-Base (4-3-3): Renan; Rosier, Coates, Mathieu, Acuña; Doumbia (Eduardo), Wendel, Bruno Fernandes; Raphinha, Vietto, Luiz Phellype (Dost)

Atenção a: Bruno Fernandes, Doumbia, Wendel, Rosier, Gonzalo Plata

Resultado de imagem para PRÉ-ÉPOCA BRAGA BRAGA (4)

    Ao longo do último ano, correram a net os gifs e vídeos de intervenções agitadas de Abel Ferreira. O treinador dos bracarenses disse em definitivo "Vou embora!" e foi para o PAOK. E o Sporting de Braga, numa decisão que nos surpreendeu, optou por Ricardo Sá Pinto, um mega-Abel.
    Na antecâmara de mais uma época é difícil não aguardar com curiosidade o duelo fervoroso entre Sérgio Conceição e Sá Pinto, e caso os árbitros sejam rigorosos, é bem possível que o Braga tenha efectivamente encontrado alguém superior a Abel na arte de ser expulso. De um jogo ou de um avião.
    Falando de futebol, o plantel do Braga dá gosto e obriga Sá Pinto a tentar o 3.º lugar. Sem Bruno Fernandes no Sporting, até nos teríamos atrevido mesmo a colocar os gverreiros no pódio. O ingresso na fase de grupos da Liga Europa não é uma certeza (passando o Brondby, o Braga defronta depois ou o Spartak Moscovo ou o Thun) mas a profundidade do plantel permite de facto uma boa gestão e competir em várias frentes.
    Apesar da boa época de Tiago Sá, Matheus parece ser o preferido do novo treinador, fechando o trio de guarda-redes o experiente Eduardo. Quanto maior for o nº de jogos com Bruno Viana (muito subvalorizado) e Raúl Silva no centro da defesa, melhor, e para laterais as soluções multiplicam-se - Sequeira e Caju à esquerda, Vítor Tormena, Esgaio e Diogo Viana à direita, embora os dois últimos possam fazer mais posições. Palhinha, Claudemir, Fransérgio, João Novais e Wilson Eduardo mantêm-se no Minho, exigindo-se que Sá Pinto aposte a sério em Xadas e Trincão, coisa que Abel Ferreira nunca fez. Seguro parece-nos pois afirmar que André Horta vem para partir tudo e tornar-se a figura primordial da equipa.
    Dyego Sousa (melhor jogador do Braga em 2018/ 19) fez as malas para a China, o que deixa Paulinho como ponta de lança titular. Há Hassan, é certo, mas não surpreende que se fale em Guilherme Schettine. Além do já referido Francisco Trincão, o bom futebol e a alegria são indissociáveis de Galeno (óptima aquisição!) e Ricardo Horta. A época promete e com Sá Pinto só pode ser de uma maneira: escaldante, cheia de paixão e com "potência! potência! potência!".

Treinador: Ricardo Sá Pinto
Onze-Base (4-3-3): Matheus; Esgaio, Bruno Viana, Raúl Silva, Sequeira; João Palhinha, André Horta, Fransérgio (Xadas); Wilson Eduardo (Trincão), Ricardo Horta (Galeno), Paulinho

Atenção a: André Horta, Ricardo Horta, Paulinho, Galeno, Trincão

 VIT. GUIMARÃES (5)

    Na época transacta, o Vit. Guimarães de Luís Castro fez o que lhe competia e terminou no quinto lugar. Porém, desiludiu. Os jogadores não renderam aquilo que seria esperado, a marca pontual foi inferior ao expectável e Luís Castro - indiscutivelmente treinador de qualidade, mas curiosamente premiado depois de uma época em que o trabalho por ele desenvolvido impressionou bem menos do que em Vila do Conde e Chaves - não conseguiu incomodar o Top-4, garantindo o 5.º lugar somente na última jornada em confronto directo com o sensacional Moreirense.
    Quis o destino que o último jogo de Ivo Vieira ao serviço do Moreirense na época passada fosse diante do seu futuro clube, o Vitória.
    Na cidade-berço, estão reunidos todos os ingredientes para uma excelente campanha. O plantel tem um vasto leque de opções, essencial caso o clube alcance como esperamos e desejamos a fase de grupos da Liga Europa, e há muito potencial por explorar, até aqui desperdiçado.
    Temos muitas dúvidas sobre quem será o nº 1 entre Miguel Silva, Douglas e Jhonatan, mas na defesa o promissor arranque de temporada do centralão Tapsoba ajuda a desfazer quaisquer questões sobre o coração da rectaguarda. Evidência da boa rotação que Ivo Vieira pode promover são as laterais - Sacko e Rafa Soares devem ser os titulares, mas Victor García e Florent dão garantias.
    Fiel ao seu 4-3-3, com muito critério na circulação e transições trabalhadas e executadas com movimentações simples e poucos toques, Ivo Vieira tem para o meio-campo Joseph, Al Musrati, Pêpê, André André (quando regressar de lesão), Wakaso, Mikel Agu ou o jovem André Almeida, podendo João Carlos Teixeira funcionar como 3.º médio ou a partir de uma das alas. Davidson é titularíssimo no tridente ofensivo, onde Rochinha pode brilhar e Alexandre Guedes valorizar-se com uma catadupa de golos. À espreita de uma oportunidade e de uma nova vida, André Pereira e Welthon.

Treinador: Ivo Vieira
Onze-Base (4-3-3): Miguel Silva; Sacko, Pedrão, Tapsoba, Rafa Soares; Joseph, Al Musrati, Pêpê (André André); Rochinha (João Carlos Teixeira), Davidson, Alexandre Guedes (André Pereira)

Atenção a: Davidson, Rochinha, Alexandre Guedes, Tapsoba, João Carlos Teixeira

 RIO AVE (6)

    Foi a casa de Nuno Espírito Santo e Luís Castro e é agora o lar de Carlos Carvalhal, talvez a novidade a nível de treinadores no futebol português que mais nos agrada.
    Carvalhal evoluiu muito como treinador e ganhou crédito em Inglaterra, entre o Championship e a Premier League, correndo o mundo graças aos seus momentos com pastéis de nata e metáforas. Ó sim, muitas metáforas e analogias. Envolvendo carros de Fórmula 1 no trânsito, hospitais e sardinhas...
    O regresso do técnico de 53 anos a Portugal, aceitando orientar um clube que imaginamos que defina como objectivo o 5.º lugar, demonstra simultaneamente humildade e ambição. E recorda-nos Paulo Fonseca quando deu um passo atrás, subindo e subindo a partir daí.
    Podemos estar errados, como provavelmente viremos a estar em muitos dos palpites aqui ditos, mas julgamos que a forma como olhamos neste momento zero da temporada para o plantel do clube de Vila do Conde será muito diferente da avaliação feita daqui a uns meses, saindo vários jogadores muito valorizados.
    Após a saída de Léo Jardim para a Ligue 1, Kieszek parece reunir condições para ser o novo titular. No entanto, não conseguimos deixar de olhar para este Rio Ave como o palco perfeito para o crescimento de Svilar ou Diogo Costa... A defesa mantém os protagonistas da edição anterior, tal como o meio-campo, onde Jambor e Diego Lopes podem e devem render muito mais.
    Numa equipa em que o mestre e quase doutorado Tarantini continua como capitão e líder, é no ataque que Carvalhal tem que espremer melhor as suas opções - Gabrielzinho é um quebra-cabeças, o iraniano Taremi promete fazer Bruno Moreira suar para manter a titularidade e Nuno Santos... bem, Nuno Santos ainda vai bem a tempo de agarrar o futuro que muitos achavam que um dia teria.

Treinador: Carlos Carvalhal
Onze-Base (4-3-3): Kieszek; Júnio Rocha (Costinha), Messias, Borevkovic, Matheus Reis; Jambor, Filipe Augusto, Diego Lopes (Tarantini); Gabrielzinho (Mané), Nuno Santos, Taremi (Bruno Moreira)

Atenção a: Nuno Santos, Jambor, Diego Lopes, Gabrielzinho, Borevkovic

 BOAVISTA (7)

    A estratificação da nossa tabela, antecipando e procurando adivinhar o desfecho da Liga NOS 2019/ 20 parte da assunção que o Top-4 continuará a ser o Top-4, que Vit. Guimarães e Rio Ave são os projectos com melhores condições para lutar pela Europa e que a qualidade (jogadores e treinadores) deve falar em campo por Portimonense, Belenenses SAD, Santa Clara e Moreirense. No meio deste raciocínio surge uma ave rara, uma ave que na realidade até é um mamífero, uma pantera.
    Não esperamos gostar de ver este Boavista jogar. Mas esperamos resultados, muita competência, um colectivo forte e o pragmatismo habitual das equipas de Lito Vidigal.
    Porquê? Ora vejamos. Hélton Leite está quase apto para competir e é um dos melhores guarda-redes da Liga, e uma dupla de centrais composta por Lucas e Ricardo Costa (ou Neris) impõe respeito. Os médios são operários e tacticamente evoluídos, e na frente Yusupha (é desta que explode e nunca mais ninguém o apanha?) e o reforço Heriberto Tavares prometem ser juntos uma valente dor de cabeça para os adversários. E, já agora, todos conseguimos reconhecer que o ambiente no Bessa é especial.

Treinador: Lito Vidigal
Onze-Base (4-3-3): Hélton Leite; Carraça, Ricardo Costa, Lucas, Walter Clar; Obiora, Fábio Espinho, Bueno (Rafael Costa); Sauer, Heriberto; Yusupha

Atenção: Heriberto, Yusupha, Hélton Leite, Lucas, Walter Clar

 PORTIMONENSE (8)

    Podemos continuar a optar por fazer vista grossa aos negócios muito estranhos que têm pautado as relações de Portimonense e Porto desde que os algarvios ascenderam à Liga NOS, transacções essas normalmente em prejuízo até do clube de Portimão, mas é inequívoco que as boas relações têm feito o clube crescer, atraindo atletas que nunca na vida pensámos ver no clube uma vez mais orientado por Folha.
    No seu ano e meio em Portimão, Shoya Nakajima deixou qualquer adepto neutro babado, deixando também saudades. No entanto, o mister Folha terá a noção que tem um plantel desequilibrado, mas terá também consciência que com tamanha pujança e criatividade no ataque, pode dar-se ao luxo de ter um guarda-redes apenas decente como Ricardo Ferreira.
    A atribuição do 8.º posto ao Portimonense baseia-se essencialmente na química e nas combinações que podem desenhar quatro nomes: Paulinho, Bruno Tabata, Marlos Moreno e Jackson Martínez. O médio, incapaz de agarrar a oportunidade (que quase não teve) no Porto, é um mágico absoluto que conduz o esférico por terrenos apertados e inventa soluções que não se vêem da bancada; Bruno Tabata podia até ser um suplente útil no Porto, e a sua cotação internacional fica comprovada por ter recentemente integrado a selecção olímpica do Brasil; Jackson é Jackson, mesmo com 32 anos e diminuído em relação ao passado faz mossa, podendo Zé Gomes aprender com ele; e a este trio junta-se agora Marlos Moreno, colombiano de 22 anos que chega emprestado pelo Manchester City e foi um dos reforços mais inesperados deste Verão em Portugal. Ah, e não se preocupem, para quem ainda sente a falta do agora portista Nakajima, o Portimonense tratou de contratar para lateral-direito o nipónico Anzai.

Treinador: António Folha
Onze-Base (4-3-3): Ricardo Ferreira; Anzai, Jadson, Lucas, Henrique; Pedro Sá, Paulinho, Dener; Bruno Tabata, Marlos Moreno, Jackson Martínez (Zé Gomes)

Atenção a: Bruno Tabata, Paulinho, Marlos Moreno, Jackson Martínez, Anzai

 SANTA CLARA (9)

    Quando tudo é bem feito e bem pensado, o futebol é muito simples. E o elogio da simplicidade é a melhor avaliação que se pode fazer do trabalho desenvolvido por João Henriques desde que assumiu o único representante dos Açores na Primeira Liga. O Santa Clara chegou, manteve-se sempre longe dos lugares de descida (terminou em 10.º lugar) sem nunca se queixar das adversidades e procurando sim novas e diferentes soluções: em 18/ 19 Thiago Santana lesionou-se com gravidade após arranque pessoal bem-sucedido, o seu substituto como goleador da equipa, Fernando Andrade, rumou a meio da época ao Dragão, e o craque Rashid falhou algumas jornadas devido à Taça Asiática. Nesta sequência, os açoreanos perderam neste Verão um dos melhores médios defensivos do último terço do campeonato, Kaio, mas quando olhamos para o 11 que João Henriques pode formar continuamos a identificar muitas forças.
      Basicamente, é sempre bom sinal quando se conjugam dois factores (continuidade de um treinador bem-sucedido e que sabe o que quer + permanência da defesa titular), podendo apenas Steven Pereira ou João Afonso desfazer a parceria formada por César e pelo central goleador Fábio Cardoso. No meio-campo, Francisco Ramos é candidato a fazer esquecer Kaio, e é um verdadeiro luxo uma equipa como o Santa Clara (com todo o respeito) conservar dois interiores como Rashid e Bruno Lamas. Caso não parta para Braga até ao final de Agosto, Guilherme Schettine será o abono de família, mas no máximo acreditamos que dure nos Açores até Janeiro, tal é o seu talento e instinto matador. Em todo o caso, Thiago Santana voltará eventualmente da sua lesão, os imprevisíveis Stephens e Pineda continuam no clube, bem como Zé Manuel e Ukra, sendo Lincoln (20 anos, muito a tempo de corresponder ao futuro auspicioso que lhe auguravam), Carlos e Malick potenciais trunfos.

Treinador: João Henriques
Onze-Base (4-3-3): Marco; Patrick, César (Steven), Fábio Cardoso, João Lucas; Francisco Ramos, Bruno Lamas, Rashid; Zé Manuel, Carlos (Thiago Santana), Guilherme Schettine

Atenção a: Guilherme Schettine, Osama Rashid, Bruno Lamas, Thiago Santana, Steven

 BELENENSES SAD (10)

    Como é que o Sporting de Braga preferiu Ricardo Sá Pinto a ter Silas como sucessor de Abel Ferreira? Não conseguimos perceber. Num campeonato que se tem fartado de lançar e exportar treinadores nos últimos anos (Leonardo Jardim, Paulo Fonseca, Marco Silva, Nuno Espírito Santo e Luís Castro, por exemplo), Silas parece-nos juntamente com Ivo Vieira, embora talvez até mais do que este, e retirando Bruno Lage da equação apresentada, um dos treinadores desta Liga com maior probabilidade de vir a fazer uma carreira de sucesso.
    Astuto e equilibrado não só a preparar cada jogo estudando o adversário mas também a analisar e interpretar correctamente o jogo no seu decurso, Silas tem feito o impossível num período particularmente delicado da História do Belenenses... SAD. História essa que na verdade tem pouco mais de 1 ano.
    Ora em 4-3-3 ora em 3-5-2, os azuis devem ser capazes de realizar nova época tranquila, faltando apenas mais soluções ofensivas que desequilibrem para que pudéssemos antecipar maior competitividade com as equipas que julgamos que acabarão acima. Podem contar com o Belenenses SAD para ser novamente uma das equipas mais organizadas e conscientes do que fazer com e sem bola, dependendo a produção ofensiva sobretudo de 3 jogadores que dão uma cor e alegria diferente à bola: Kikas (20 anos) pode tornar-se um dos principais jovens de 2019/ 20 após boas indicações deixadas na época passada; Licá renasceu e, agora trintão, será um dos homens da máxima confiança de Silas; e por fim, o regressado André Sousa deve servir de digno herdeiro de Eduardo Henrique, embora com mais golo e impacto no último terço.

Treinador: Silas
Onze-Base (4-3-3): André Moreira (Koffi); Calila, Gonçalo Silva, Nuno Coelho, Chima; Jonatan Lucca, André Santos, André Sousa; Licá, Kikas, Dieguinho

Atenção a: Kikas, André Sousa, Licá, Dieguinho, Gonçalo Silva

 MOREIRENSE (11)

    O Moreirense versão 2018/ 19 é o exemplo e a prova de como, no estado actual das coisas, é praticamente impossível uma equipa fora do habitual Top-4 estabilizar e crescer, mantendo os seus destaques principais após virar sensação.
    Moreira de Cónegos viveu autêntica época de sonho - 6.º lugar, igualdade pontual (52) com o quinto classificado Vit. Guimarães, exibições personalizadas diante dos grandes, futebol vistoso. Chiquinho foi "só" um dos 6 melhores jogadores da Liga, voltando ao Benfica com outro estatuto, Ivo Vieira substituiu Luís Castro (por sua vez substituto de Paulo Fonseca no Shakhtar Donetsk), Heriberto foi rodar para o Bessa, e tanto Ivanildo Fernandes como Jhonatan não continuaram no clube. De lembrar que também Loum saíra a meio da temporada passada para o FC Porto, um salto que costuma acontecer em prejuízo dos "pequenos" - veja-se os casos de Carlos Vinícius no Rio Ave ou Fredy no Belenenses SAD a meio de 2018/ 19.
    É irrealista pensar-se que o Moreirense vai repetir a façanha do último campeonato. Mas sonhar não paga imposto e é sensato que a direcção defina como objectivo terminar entre o 8.º e o 12.º lugares. Para escrever nova página de sucesso, chegou Vítor Campelos, técnico que muitos jovens lançou no Vit. Guimarães B, preconizando sempre um futebol com identidade vincada e cabeça levantada.
    Mateus Pasinato (novidade) disputará a baliza com Pedro Trigueira, e na defesa semi-renovada falta perceber que dupla de centrais emergirá do quarteto Halliche, Steven Vitória, Iago e Rosic. Dúvidas que não existem em relação ao dono da lateral esquerda, Djavan. Num rápido raio-X o meio-campo pode tornar-se ao longo de 2019/ 20 o sector mais vistoso - Fábio Pacheco mantém-se como pêndulo da equipa e é um recuperador de bolas nato, Ibrahima Camará pode explodir e ser o epicentro de toda a equipa e Filipe Soares, agora companheiro de equipa do seu irmão mais velho Alex, é o jogador que mais facilmente pode interpretar um papel idêntico ao que Chiquinho cumpria com Ivo Vieira.
    Alternar Nenê (36 anos) com David Texeira será conveniente, e nos flancos depositamos maior fé em Luís Machado (quando marca, costumam ser sempre grandes golos) e Pedro Nuno, mas toda e qualquer época é uma boa oportunidade para Bilel fazer por fim justiça ao seu talento.

Treinador: Vítor Campelos
Onze-Base (4-3-3): Mateus Pasinato; João Aurélio, Steven Vitória (Halliche), Iago, Djavan; Fábio Pacheco, Ibrahima Camará, Filipe Soares; Luís Machado (Fábio Abreu), Pedro Nuno, Nenê

Atenção a: Filipe Soares, Ibrahima Camará, Pedro Nuno, Luís Machado, Fábio Pacheco

 MARÍTIMO (12)

    Quando discutimos a classificação ordenada na preparação desta Antevisão, o Marítimo sobressaiu como uma espécie de ilha (curioso) entre o conjunto de emblemas que nos parece que irão dominar esta edição ou apresentar um futebol muito competente/ atractivo e uma outra vaga de equipas que, à partida, lutarão para não descer. Os insulares acabaram a época transacta num 11.º lugar algo mentiroso (apenas 4 pontos de distância para a primeira equipa acima da linha da água), com Petit a salvar um plantel que tinha obrigação de outra performance.
    O namoro que agora se inicia entre o Marítimo e Nuno Manta Santos tem tudo para dar casamento. O jovem técnico brilhou em Santa Maria da Feira, mas viu a sua imagem esgotar-se ao ser incapaz de espremer um plantel repleto de carências. Nos verde rubros, NMS encontra jogadores de valia superior, cuja memória muscular os costuma fazer transcender nos encontros caseiros.
    Depois de ser absolutamente decisivo na manutenção do Marítimo, o elástico Charles permanece como garantia de pontos, secundado por Nanú, Zainadine, Grolli e Rúben Ferreira. Bambock e Vukovic são médios acima da média, Pelágio uma promessa para acompanhar, Fabrício um poço de força (por vezes desmedida) e Correa um virtuoso de fino recorte. Getterson pode-se assumir em 2019/ 20 como referência ofensiva da equipa, cabendo a Nuno Manta Santos utilizar da melhor maneira o capitão Edgar Costa, o irregular mas por vezes mágico Rodrigo Pinho e os reforços Jhon Cley, Maeda e Erivaldo. 

Treinador: Nuno Manta Santos
Onze-Base (4-3-3): Charles; Nanú (Bebeto), Zainadine, Grolli (Kerkez), Rúben Ferreira; Bambock, Vukovic, Correa; Jhon Cley; Edgar Costa, Getterson (Rodrigo Pinho)

Atenção a: Charles, Correa, Getterson, Jhon Cley, Vukovic

 PAÇOS FERREIRA (13)

    Os castores foram ao fundo em 2017/ 18 mas não perderam tempo. Conseguiram garantir Vítor Oliveira (tê-lo na II Liga é uma espécie de batota) e sob o seu comando sagraram-se campeões, cumprindo o objectivo de regressar ao primeiro escalão o mais rápido possível. Na hora de escolher novo treinador - condição partilhada pelas 3 equipas recém-promovidas -, face à mudança de VO para Barcelos, o Paços entendeu ser Filó (trabalho positivo no Sporting da Covilhã) a melhor opção.
    Ao contrário de Famalicão e Gil Vicente, o Paços de Ferreira tem como vantagem a continuidade de muitos dos heróis da subida. Aliás, quando olhamos para Pedrinho, Marco Baixinho ou Bruno Santos vemos inclusive elementos que faziam parte da equipa no ano da descida.
    Da Mata Real esperamos coesão e equilíbrio, adivinhando-se que seja uma deslocação complicada para qualquer um dos primeiros classificados. Depois de duas épocas como Guarda-Redes do Ano da II Liga, Ricardo Ribeiro transporta finalmente a sua confiança e o seu reportório de defesas impossíveis para a I Liga; a defesa é madura e revela elevado conhecimento mútuo, e na zona nevrálgica Luiz Carlos (eleito MVP da Ledman LigaPro), Pedrinho (joga muito) e o impressionante Diaby formam um tridente completo - Filó tem matéria-prima para actuar em 4-3-3 ou 4-4-2 - podendo Bernardo Martins acrescentar muito critério e criatividade. É, aliás, inevitável encontrar semelhanças entre o refinado médio ex-Benfica B e Leixões e a transferência de Chiquinho da Luz para Moreira de Cónegos há um ano atrás.
    Douglas Tanque, além de ter um dos melhores nomes desta Liga, deve continuar como principal goleador deste Paços, ficando por desvendar se Hélder Ferreira pega de estaca na sua 1.ª experiência fora da cidade-berço, e se Murilo e Nathan Júnior regressam ambos ao nível que apresentaram no Tondela em anos diferentes. Por fora corre o azeri Dadashov, um talento fora de série com 20 anos mas um pouco... instável.

Treinador: Filó
Onze-Base (4-3-3): Ricardo Ribeiro; Bruno Santos, Baixinho, Maracás, Oleg (Bruno Teles); Diaby, Luiz Carlos, Pedrinho; Bernardo Martins, Murilo (Hélder Ferreira), Douglas Tanque

Atenção a: Pedrinho, Bernardo Martins, Ricardo Ribeiro, Douglas Tanque, Luiz Carlos

 FAMALICÃO (14)

    Vinte e cinco anos depois, a cidade de Famalicão volta a poder vibrar com futebol de I Liga. Carlos Pinto ajudou a colocar a equipa no primeiro escalão com um 2.º lugar na Ledman LigaPro e tendo o melhor ataque da prova (57 golos marcados) mas na Liga NOS será João Pedro Sousa a comandar este elenco, com muita juventude determinada em provar o seu valor. Todos os passos dados pelo Famalicão a nível estrutural indicam que o crescimento está a ser consequência de um projecto amplo, e o tempo poderá dizer - sem esquecer o "dedo" ou patrocínio de Jorge Mendes e a ligação estabelecida com o Atlético Madrid - se este Famalicão é ou não um novo Rio Ave.
    Com 48 anos, João Pedro Sousa deixou o amigo Marco Silva, de quem foi adjunto no Estoril, Sporting, Olympiacos, Hull, Watford e Everton. Ao seu dispor terá um plantel muitíssimo jovem mas com muito potencial. É certo que Defendi ou Lionn acrescentam experiência mas está tudo dito quando Fábio Martins (26 anos) é um dos veteranos da equipa.
    Olhando para o potencial onze que o Famalicão poderá apresentar, destaque para o central argentino Nehuen Pérez (emprestado pelo Atlético Madrid, titular no mundial sub-20 deste ano), faltando perceber quem conquistará a pole position à esquerda entre Tymon e Alex Centelles (vamos optar por não fazer piadas com este nome). Também emprestado pelo Atlético foi Gustavo Assunção, filho de Paulo Assunção e médio como o pai, num meio-campo em que Guga pode finalmente recuperar o tempo perdido caso mantenha as lesões bem longe.
    O ataque perdeu o experiente e virtuoso Fabrício Simões mas conservou Anderson Oliveira, que embora tenha sido somente o 3.º melhor marcador da equipa na temporada passada pode dar o salto ao contar com o apoio de Diogo Gonçalves (espera-se que carregue a equipa em muitos jogos, abraçando o estatuto de craque maior) e Fábio Martins.
    Sem deixar de referir Toni Martínez (ex-West Ham), Pedro Gonçalves (ex-Wolves), o incansável Ofori, o emigrante Rúben Lameiras e sobretudo o talentoso uruguaio Schiappacasse, olhamos para este Famalicão com entusiasmo, podendo na melhor das hipóteses estar aqui uma das equipas-sensação da prova, e no pior dos cenários uma harmonia falhada entre promessas, apenas utilizada como cobaia ou interposto de jogadores de empresários "amigos".

Treinador: João Pedro Sousa
Onze-Base (4-3-3): Rafael Defendi; Lionn, Riccieli, Nehuen Pérez, Tymon (Centelles); Guga, Gustavo Assunção (Ofori), Pedro Gonçalves; Diogo Gonçalves, Fábio Martins, Anderson Oliveira

Atenção a: Diogo Gonçalves, Anderson Oliveira, Fábio Martins, Guga, Nehuén Pérez

 DESP. AVES (15)

    Augusto Inácio é melhor treinador do que comentador desportivo. Na Antevisão de 2018/ 19 acreditámos que o Aves acabaria por despedir José Mota (técnico vencedor da Taça de Portugal) durante a prova. Assim aconteceu, com Inácio a revelar-se uma boa surpresa.
    Vila das Aves assistiu a um grande crescimento durante a segunda metade de 18/ 19 mas é um facto que vários jogadores essenciais à fórmula-base de Inácio rumaram a outras paragens. Mama Baldé jogará na Ligue 1, Rodrigo Soares reforçou o PAOK, Luquinhas partiu para a Polónia e Vítor Gomes viajou para o campeonato cipriota, que tantos portugueses atrai.
    Assim, o francês Beurnardeau mantém-se de luvas calçadas pronto para salvar a equipa em diversas ocasiões, mas terá desta feita um quarteto defensivo renovado no qual destacamos o lateral-esquerdo Afonso Figueiredo, que vem à procura de recuperar a cotação que tinha em 2016 no Boavista. Do meio-campo para a frente há não apenas 1 mas 2 Zidanes (Enzo, filho de Zinedine, e o luso-guineense Zidane Banjaqui) e pode revelar-se útil adicionar a Cláudio Falcão e Rúben Oliveira o reforço Estrela, médio todo-o-terreno titular na final da Youth League que o Benfica perdeu em 2014 diante do Barcelona, actuando ao lado de Gonçalo Guedes, Rochinha, Nuno Santos ou Rebocho.
    No ataque são muitos os pontos de interrogação, que nos fazem ter algumas reticências na avaliação do Desportivo, juntando-se aos jovens Ricardo Rodrigues e Miguel Tavares os reforços canarinhos Welinton e Peu, e o irrequieto produto da formação portista Rúben Macedo, sendo provável que a dupla muçulmana Kahraba (internacional egípcio oriundo do Zamalek) e Mohammadi (iraniano) venham para acrescentar.

Treinador: Augusto Inácio
Onze-Base (4-3-3): Beurnardeau; Mato Milos, Dzwigala, Mehremic, Afonso Figueiredo; Rúben Oliveira, Estrela, Cláudio Falcão; Kahraba (Bruno Xavier), Rúben Macedo, Welinton (Peu)

Atenção a: Kahraba, Cláudio Falcão, Welinton, Afonso Figueiredo, Estrela

 VIT. SETÚBAL (16)

    Nas últimas 5 épocas o Vitória terminou sempre a Liga NOS próximo dos últimos lugares, respirando fundo no final mas nunca conseguindo distanciar-se mais do que 6 pontos da zona de descida. Tudo leva a crer que a tendência seja manter este mau hábito, consequência natural da situação económica deste histórico do futebol português.
    Embora tenha ganho apenas 3 jogos nos 16 em que orientou os sadinos na época passada, Sandro Mendes continua com a braçadeira de treinador principal, acompanhado na sua equipa técnica saudosista por Meyong, Marco Tábuas e Jorge Andrade.
    Podemos optar por ver o lado positivo do actual cenário e relembrar que, ao contrário de outras equipas, o Vit. Setúbal mantém vários jogadores da época passada - basta ver que pode nomeadamente repetir um meio-campo com Semedo, Nuno Valente e Éber Bessa -, mas não podemos negar que são vários os jogadores limitados. Nutrimos alguma simpatia pelo clube, e é impossível não torcer por Nuno Pinto depois da sua jornada de verdadeiro herói, mas não é mentira nenhuma que no Bonfim morará uma das defesas menos hábeis das 18 deste campeonato, o que pelo menos deve contribuir para menos invenções e menos "casas dadas" pelo sector mais recuado.
    Nuno Valente e Éber Bessa são extremamente fiáveis, Hildeberto faz a diferença quando está com a cabeça no lugar, e há que destacar as aquisições do avançado Guedes (regressa ao futebol português após experiência falhada nos Emirados Árabes Unidos) e do criativo Carlinhos, que teoricamente será a grande figura da equipa. Mas muita atenção ao marroquino Khalid Hachadi e ao argentino Mansilla, que podem ambos comprovar que próximo do fundo da tabela a boa prospecção faz a diferença.

Treinador: Sandro Mendes
Onze-Base (4-3-3): Makaridze; Mano, João Meira (Artur Jorge), Vasco Fernandes, Nuno Pinto; Semedo, Nuno Valente, Éber Bessa; Mansilla (Zequinha), Carlinhos, Hachadi (Guedes)

Atenção a: Carlinhos, Hachadi, Mansilla, Nuno Valente, Nuno Pinto

 GIL VICENTE (17)

    O homem simplesmente não consegue resistir a um desafio! Venerado como Deus na II Liga, o sexagenário Vítor Oliveira subiu de forma consecutiva Arouca, Moreirense, União da Madeira, Chaves, Portimonense, aguentou-se uma época mais em Portimão na NOS, e voltou a descer à sua praia para subir o campeão Paços de Ferreira. Novo desafio: garantir a manutenção ao comando de um Gil Vicente que, resolvido o "Caso Mateus", saltou 2 escalões vindo directamente do Campeonato de Portugal.
    Cada vez mais respeitado, Vítor Oliveira procura novo milagre, e se há alguém capaz de o tornar possível é ele. O regresso da equipa de Barcelos marca a possibilidade de novas tiradas de António Fiúza, personagem inconfundível que aquando do anúncio da subida prometeu "matar 10 porcos, 10 vitelos, vinho à descrição e também algum champanhe", e representa difícil missão para Vítor Oliveira por ter essencialmente que construir uma equipa desde o zero. No entanto, VO sabe como poucos identificar o que precisa para atingir os seus objectivos, aconselha-se muitíssimo bem no recrutamento e está mais do que habituado a analisar o contexto e esculpir os seus à medida das necessidades.
    O plantel é composto quase na totalidade por novidades. Bruno Diniz deve roubar a baliza a Wellington, um dos poucos resistentes da revolução operada, e a defesa deverá apresentar-se habitualmente com Rúben Fernandes (ex-Portimonense) e Rodrigão ao centro, e Alex Pinto (lateral-direito emprestado pelo Benfica) e Arthur Henrique junto às linhas. A experiência de Soares, atleta de Vítor Oliveira há 5 anos atrás na Madeira, no centro do jogo será determinante, e na hora de desequilibrar pedir-se-á que apareçam Kraev, Erick e Lourency. Depois de se destacar ao serviço do Estoril, esperam-se golos do possante Sandro Lima, embora as nossas maiores expectativas estejam depositadas no argelino Zakaria Naidji.

Treinador: Vítor Oliveira
Onze-Base (4-3-3): Bruno Diniz; Alex Pinto, Rúben Fernandes, Rodrigão, Arthur Henrique; João Afonso, Soares, Kraev (Juan Villa); Erick, Lourency (Naidji), Sandro Lima

Atenção a: Zakaria Naidji, Sandro Lima, Kraev, Soares, Alex Pinto

 TONDELA (18)

    Saudosa temporada de 2017/ 18 em que o Tondela chocou o futebol português e realizou uma época muitíssimo acima das expectativas... Exceptuando esse bonito e improvável episódio, o Tondela tem ficado insistentemente à beira da descida - tanto em 2018/ 19 como em 2016/ 17 e 2015/ 16 os beirões fecharam o campeonato sempre 1 lugar acima da zona de despromoção. Um dos principais motivos para essa teimosa sobrevivência: no nosso entender, Pepa.
    Após 3 temporadas no clube, o jovem técnico de 38 anos deixou o projecto e juntamente com ele disseram adeus peças importantes como Ricardo Costa, David Bruno, Jorge Fernandes, Tomané, Peña e Delgado. Perante a necessidade de substituir Pepa, o clube optou de forma exótica por Natxo González, timoneiro espanhol de 53 anos com passagens recentes por Deportivo e Zaragoza. Também de Espanha chegaram Manu e Pepelu, e no ataque o clube juntou Toro e Rubilio Castillo aos resistentes Murillo e António Xavier, subindo o miúdo goleador Rúben Fonseca.
    O guardião Cláudio Ramos mantém-se como a principal figura da equipa, desta feita com Yohan Tavares e Philipe Sampaio a formarem a dupla de centrais em sua protecção. Uns metros à frente, Bruno Monteiro, João Pedro (obrigatório virar farol desta equipa), Jaquité e Pité (fundamental que a sua arte seja menos intermitente) são as melhores opções num meio-campo que se vê menos transfigurado do que o ataque e, principalmente, a defesa. 
    Tudo somado, é quase certo que o Tondela esteja condenado a lutar pela manutenção, algo que esperamos por parte de qualquer um dos últimos 4-6 clubes apresentados. O nosso mau feeling prende-se com a chegada de um treinador até há poucos meses alheio ao futebol português, a facilidade com que a direcção poderá reciclar o trabalho desenvolvido in media res trocando de treinador e o histórico recente (muitas épocas a sobreviver no limite).

Treinador: Natxo González
Onze-Base (4-3-3): Cláudio Ramos; Manu (Moufi), Yohan Tavares, Philipe Sampaio, Vigário; Bruno Monteiro, João Pedro, Pité (Jaquité); Toro (Xavier), Murillo, Castillo

Atenção a: Cláudio Ramos, Murillo, João Pedro, Toro, Castillo



por Miguel Pontares e Tiago Moreira