Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

25 de novembro de 2014

Agüero salva City, Messi faz História outra vez, Chelsea goleia e Athletic ajuda Porto

  Champions League - O primeiro dia da penúltima jornada da fase de grupos da Champions teve grandes jogos, goleadas e decisões nos minutos finais. Depois de ter igualado Raúl González, Lionel Messi tornou-se o melhor marcador de sempre da Champions; o Manchester City esteve perto de dizer adeus à liga milionária mas deve estar grato aos deuses por ter Agüero. Chelsea e Barcelona golearam e Mikel San José deu o 1.º lugar ao Porto, na vitória do Athletic na Ucrânia

Manchester City 3 - 2 Bayern Munique (Agüero (pen.) 22' 85' 90'; Xabi Alonso 40', Lewandowski 45')

    O jogo grande desta 3.ª feira fez jus ao destaque. Em Manchester os citizens não puderam contar com Silva, Dzeko, Yaya Touré e Fernandinho mas as coisas até começaram bastante bem - Benatia foi expulso por derrubar Agüero na grande área e o argentino converteu a grande penalidade, embora Neuer tenha adivinhado o lado. A vencer por 1-0 e contra dez tudo parecia bem encaminhado para o City, só que do outro lado estava o Bayern. A equipa de Guardiola estancou as investidas da equipa da casa e até ao intervalo virou o resultado, mesmo com uma unidade: Xabi Alonso empatou num livre directo rasteiro e Lewandowski intrometeu-se entre os centrais e cabeceou com engenho para a reviravolta.
    Na segunda parte o Bayern manteve a bravura e organização, mas a estratégia caiu por terra nos minutos finais, com o Manchester City a ser salvo pelo seu diabo e génio maior: Kun Agüero. O avançado argentino empatou o jogo depois de uma cavalgada de meio-campo finalizada com serenidade, e operou a reviravolta final (que mantém a esperança do City na qualificação) após um erro de Boateng. 5 golos em 5 jogos para Agüero na Champions, e o Grupo E segue para a última jornada com o Bayern isolado e qualificado no 1.º lugar, e as 3 restantes equipas todas com 5 pontos. Na teoria, deve sair do Roma-Manchester City o segundo qualificado.
Barba Por Fazer do Jogo: Kun Agüero (Manchester City)

CSKA Moscovo 1 - 1 AS Roma (Berezustki 90'; Totti 43')

    No jogo que se jogou à hora do BATE-Porto, o CSKA, que nas últimas 2 jornadas tinha feito 4 pontos nos dois jogos frente ao City, voltou a roubar pontos. A equipa romana chegou à vantagem aos 43 minutos numa "bomba" de Francesco Totti, o eterno capitão da Roma, de livre directo. A vitória parecia certa - e colocava a Roma em excelente posição para se qualificar - mas no período de compensação surgiu um golo do central Vasili Berezutski, assistido por Eremenko. Quem fica em 2.º, quem segue para a Liga Europa e quem dirá adeus às competições europeias: tudo se decide a 10 de Dezembro.
Barba Por Fazer do Jogo: Vasili Berezustki (CSKA Moscovo)

APOEL 0 - 4 Barcelona (Suárez 27', Messi 38' 58' 87')

    Em Chipre houve uma estreia e muita História. O Barcelona goleou o APOEL por 4-0 e Luis Suárez estreou-se a marcar pelos blaugrana. Com 27 minutos jogados o uruguaio fez o seu 1.º golo pelos catalães com a sua qualidade técnica a vir ao de cima. O resto resumiu-se em 2 palavras: Lionel Messi. Poucos dias depois de se tornar o máximo goleador na História da liga espanhola, o craque argentino - que já tinha igualado Raúl como melhor marcador da Champions - isolou-se, com um hat-trick. Aos 38, 58 e 87 minutos Lionel Messi revelou o oportunismo e rapidez de pensamento que também o caracterizam, e "picou" Ronaldo que certamente amanhã quererá aproximar-se do saudável rival. Messi chegou aos 7 golos em 5 jogos, mas o seu Barcelona ainda está atrás do PSG.
Barba Por Fazer do Jogo: Lionel Messi (Barcelona)

PSG 3 - 1 Ajax (Cavani 33' 83', Ibrahimovic 79'; Klaassen 67')

    O 1.º classificado do Grupo F manteve o seu estatuto, mas sofreu até ao fim. Com algumas baixas de peso (Thiago Motta, Thiago Silva e Cabaye) o golo inaugural foi de Cavani, a receber uma oferenda do colega Lavezzi. O empate chegou na 2.ª parte com 2 prodígios holandeses, Kishna e Klaassen, a construírem o golo. Ainda assim, o PSG "carregou" e nos 11 minutos finais Ibrahimovic e Cavani marcaram e deram a vitória à equipa de Paris. Na última jornada há Barcelona-PSG para decidir quem ocupa o 1.º e 2.º lugares. Ajax e APOEL disputarão um lugar na Liga Europa.
Barba Por Fazer do Jogo: Edinson Cavani (PSG)


Schalke 04 0 - 5 Chelsea (Terry 2', Willian 29', Kirchhoff a.g. 44', Drogba 76', Ramires 78')

    O Chelsea de José Mourinho já estava qualificado e também já tem o 1.º lugar para si no grupo do Sporting. Os londrinos deslocaram-se à Alemanha, tendo pela frente Roberto Di Matteo, timoneiro do Chelsea aquando da vitória na Champions 11/ 12. O jogo teve essencialmente um sentido, os números foram expressivos, e Fährmann e Kirchhoff também não ajudaram. A goleada iniciou-se com John Terry a cabecear logo aos 2' para golo, Willian ampliou aos 29 após combinação com Hazard, e o 3-0 chegou num auto-golo caricato de Kirchhoff. As emoções ressurgiram na 2.ª parte quando Drogba entrou - o costa-marfinense marcou aos 76' graças ao altruísmo de Willian, e ele próprio cruzou picado para o 5-0 final, fruto de um cabeceamento de Ramires.
Barba Por Fazer do Jogo: Willian (Chelsea)

Shakhtar Donetsk 0 - 1 Athletic (San José 68')

    Depois de ganhar por 7-0 e 5-0 ao BATE, o Shakhtar, embora já qualificado para os oitavos, podia ter adiado as decisões relativas ao 1.º lugar mas vacilou. O Athletic, que desiludiu nesta fase de grupos, ganhou no recinto de Luiz Adriano, Douglas Costa e companhia, com um golo de Mikel San José a fazer a diferença. O Shakhtar ficou, não obstante, com razões de queixa da arbitragem de Mark Clattenburg, que não assinalou um lance de grande penalidade evidente.
Barba Por Fazer do Jogo: Beñat Etxebarria (Athletic)

BATE 0-3 Porto: Herrera quebrou o gelo

BATE Borisov  0-3  Porto (Herrera 56', Jackson Martínez 65', Tello 89')

    Não goleou por números tão expressivos como na primeira volta, só marcou os seus golos na 2.ª parte, mas o Porto - já qualificado para os oitavos-de-final antes deste jogo - conseguiu mais 3 pontos no Grupo H da Champions, alicerçados numa super-exibição do mexicano Herrera, e uma maturidade e eficácia colectiva dignas dos grandes palcos do futebol europeu. Com a vitória desta tarde o Porto garante ainda uma fase de grupos sem derrotas fora (ganhou em Bilbao e empatou na Ucrânia) e depende apenas de si próprio para segurar o 1.º lugar, que até pode ficar já certo caso o Shakhtar não ganhe ao Athletic.
    Lopetegui, que com o evoluir do tempo tem passado a estabilizar de uma forma geral o seu 11, colocou Quaresma a titular e apostou em Marcano ao lado de Martins Indi, não arriscando a condição física de Maicon. Com 6 graus negativos na Bielorrússia, o Porto assumiu o jogo mas cedo percebeu o que teria pela frente - poucos espaços concedidos por uma equipa que não queria repetir as valentes doses que Porto e Shakhtar já lhe tinham imposto, e muita pressão sobre o portador da bola azul-e-branco. O mau estado do relvado também castigou os dragões, com o virtuosismo técnico de Brahimi, Óliver ou Quaresma a ficar prejudicado. E a 1.ª parte lá se passou, apenas com um livre de Brahimi a tentar aquecer o gelo, de temperatura e de ideias.
    Na 2.ª parte chegaram os golos e o teimoso 0-0 desfez-se aos 56' com um golaço de Herrera, o homem do jogo. Casemiro recuperou uma bola em zona avançada, deu para o mexicano e Herrera rematou forte e em arco para um grande golo. Chernik podia ter feito mais, o que ainda assim não retira mérito a Herrera. A perder por 1-0 o BATE nem por isso se soltou muito mais, e o 2.º golo chegou 9 minutos depois - começou em Herrera a descobrir Brahimi, o argelino devolveu a bola ao mexicano e o camisola 16 temporizou e segurou antes de colocar a bola a jeito para Jackson Martínez colocar no fundo das redes. Com o jogo controlado Lopetegui foi refrescando a equipa - trocou Quaresma e Brahimi por Adrián e Tello - e os minutos finais tiveram Tello e Herrera como protagonistas. O extremo espanhol cruzou com perfeição uma bola à qual Herrera não conseguiu chegar, mas logo depois foi Herrera com um brilhante passe de ruptura a explorar a velocidade de Cristian Tello. O espanhol, emprestado pelo Barcelona, não vacilou e ditou o 3-0 final.

    Os dragões cumpriram e deram mais um passo rumo a um importante objectivo - o 1.º lugar do grupo. Contra a equipa mais batida desta fase de grupos os golos só chegaram na 2.ª parte mas tiveram um denominador comum - Héctor Herrera, que marcou 1 e fez 2 assistências. O mexicano foi um faz-tudo, ressuscitando o nível que apresentou no Mundial 2014, mas juntando números e um impacto directo no resultado. Caso o Shakhtar perca ou empate com o Athletic o Porto ficará com o 1.º lugar garantido; em caso de vitória dos ucranianos, a decisão fica adiada para a derradeira jornada, com o Porto a ter o factor-casa a seu favor.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Héctor Herrera (Porto)
Outros Destaques: Gordeychuk; Danilo, Casemiro, Tello, Jackson Martínez

21 de novembro de 2014

Crítica: Nightcrawler

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Dan Gilroy
Argumento: Dan Gilroy
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Riz Ahmed, Bill Paxton
Classificação IMDb: 7.9 | Metascore: 76 | RottenTomatoes: 95%
Classificação Barba Por Fazer: 83

    O valor de uma notícia em 1.ª mão, o backstage de uma estação televisiva e, acima de tudo, uma intensa e inquietante interpretação de Jake Gyllenhaal enquanto Louis 'Lou' Bloom. Este é o sumo de Nightcrawler.
    Realizado e escrito por Dan Gilroy, Nightcrawler (Repórter na Noite, nas salas de cinema portuguesas) traz ao de cima o melhor de Jake Gyllenhaal que, mesmo depois deste filme, ainda continua a ter em Donnie Darko a sua personagem mais emblemática. Nightcrawler arranca com Louis Bloom a obter o relógio de um homem, numa metáfora implícita - Bloom, obstinado, determinado e ambicioso, consegue aquilo que quer. E, durante quase 2 horas, percebemos que não olha a meios para atingir os seus fins.
    Nightcrawler dá-nos Louis Bloom, um homem peculiar e à procura de trabalho, que encontra na noite, de câmara na mão, a resposta para as suas necessidades. Bloom quer subir na vida e, de forma independente como repórter freelancer - embora a dada altura conte com um estagiário, Rick (Riz Ahmed) -, procura ser o 1.º a chegar aos locais de crimes nocturnos, captando as imagens em 1.ª mão e vendendo-as à TV. Na sua escalada para o sucesso, Bloom, o homem que diz entender as pessoas mas apenas não gostar delas, encontra em Nina (Rene Russo) o seu ponto de contacto com o mundo televisivo, numa ambição conjunta que envolverá chantagens e estranhas e perigosas ligações.

    Nightcrawler tem falhas: não é um filme 100% fácil para o espectador, pecando em certa medida na realização e na própria banda sonora e fotografia. Mas o problema até acaba por ser o Argumento - embora o conceito seja excelente, a personagem de Lou Bloom magnificamente bem pensada e estruturada, o argumento parece curto para o potencial que o filme tinha. Fica a ideia que podíamos estar perante um futuro filme de culto, um filme para se bater com Gone Girl como o policial/ thriller do ano, mas fica-se pelo quase. Quase uma obra-prima moderna.
    Não obstante, há várias coisas boas. A ideia de Dan Girloy foi boa (provavelmente o filme merecia um realizador diferente, como Nicolas Winding Refn, Rian Johnson, Denis Villeneuve ou David Fincher, para ser potenciado) e Jake Gyllenhaal aguenta o filme por si só. Gyllenhaal, pouco elogiado pelo seu Donnie Darko quando tinha 21 anos, tem em Louis Bloom o seu 2.º melhor papel. Até aqui, em filmes como Zodiac, Prisoners, End of Watch, Máquina Zero ou Brokeback Mountain, pareceu sempre faltar algo, o papel certo. Este Louis Bloom, que deixa Gyllenhaal pelo menos na tômbola de nomes a considerar para o óscar de melhor actor, é manipulador, impiedoso, muito ambicioso e focado, calculista. Criminoso, na sua própria maneira de ser. O mérito de Gyllenhaal estende-se em várias coisas: no olhar dilatado de Bloom, na sua cena ao espelho, e na forma como conduz vários diálogos em que introduz os conhecimentos que vai obtendo. Parece não ter sentimentos e ter apenas objectivos, e o desempenho de Gyllenhaal prima também na forma subtil como influencia e ameaça - a relação com Rick (o desconhecido Riz Ahmed) funciona bem no grande ecrã, mas a estranha e promiscua relação com Nina soa estranha.

     Sumariamente, críticas e elogios para Dan Gilroy. Só elogios para Jake Gyllenhaal. O primeiro teve o brutal mérito de criar 'Nightcrawler' mas a guitarra que concebeu merecia outros dedos para ser tocada. Fica, aliás, a ideia de que falta uma corda, aquela capaz de fazer o filme emitir o som perfeito e ecoar na eternidade. Já Gyllenhaal, até poderá não constar nos 5 nomeados finais para óscar de melhor actor (quer pela Academia, quer aqui no Barba Por Fazer) mas pelo menos nos 10 mais prováveis estará garantidamente.

20 de novembro de 2014

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 12

Fantasy Premier League - Bem-vindos a mais uma antevisão da próxima jornada da liga inglesa. Enquanto que por cá se jogará a taça de Portugal, o fim-de-semana em Inglaterra é de campeonato. Três dias de futebol (porque o A.Villa-Southampton será jogado na noite de segunda-feira) ao mais alto nível e com um Arsenal-Manchester United a chamar a si as maiores atenções.

    Os 2 jogadores mais pontuados na jornada anterior foram defesas do Newcastle - Janmaat assistiu por 2 vezes, Coloccini marcou um bom golo de cabeça, ambos não sofreram no campo do WBA e conseguiram 15 e 14 pontos respectivamente. A 11.ª foi também uma excelente jornada para Agüero (bisou diante do QPR, embora o City tenha vacilado colectivamente, empatando 2-2) e para Shane Long que, em 23 minutos, resolveu o jogo e deu mais uma vitória ao Southampton. Trippier, Chadli ou Baines foram também jogadores que realizaram uma jornada interessante.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Fugindo aos clichés Diego Costa, Agüero e Hazard (menos cliché), todos eles naturalmente boas opções para esta jornada e para todas as outras, aqui ficam alguns jogadores que se poderão destacar:

 Ayoze Pérez - Newcastle - 4.9

    O jogador revelação da II Divisão Espanhola já está a dar que falar na Premier League. Ayoze, alegadamente cobiçado pelo Porto no último defeso, demorou a conseguir o seu espaço no ataque do Newcastle mas ultimamente tem sabido aproveitar as oportunidades que Pardew lhe concedeu, tendo marcado 1 golo em cada um dos últimos três jogos. A evolução de Ayoze coincidiu com o "ressuscitar" do Newcastle, outrora afundado na classificação, que neste momento respira saúde no 8.º lugar. Esta jornada os magpies recebem o QPR e o encaixe táctico das 2 equipas deixa antever um bom jogo - Krul, Janmaat e companhia terão que ter atenção a Charlie Austin, que encontrará uma defesa desfalcada, mas o endiabrado Ayoze Pérez (ainda com muita margem de progressão), quer jogue sozinho na frente ou num sistema com 2 avançados, promete ser uma boa dor de cabeça e um claro candidato a marcar. E o preço (4.9), rendendo, torna-o um achado.


 Oscar - Chelsea - 8.4

    Veremos se o Chelsea-WBA se transforma cedo numa vitória confortável dos líderes da Premier League ou se a equipa de Mourinho demorará a marcar, alcançando aí uma vitória mais curta - uns seguros mas menos deslumbrantes 2-0. Fora de portas este West Bromwich já somou 1 ponto em casa do Southampton e dificultou muito a vida a Liverpool (1-2) e Tottenham (0-1). Caberá a elementos do ataque dos blues como Diego Costa e Hazard tornarem a tarefa mais fácil com a sua qualidade. Fábregas ainda está em dúvida (e está também a 1 amarelo de levar um jogo de suspensão) e desta vez sugerimos que olhem para Oscar. O craque brasileiro está em forma e, se forem fãs de estatística, o seu padrão recente de rendimento na BPL diz que esta é uma jornada em que ele renderá.


 Alexis Sánchez - Arsenal - 10.9

    Recentemente sugerimos o craque chileno do Arsenal, e voltamos a fazê-lo esta jornada. Alexis leva 4 jornadas consecutivas a marcar, nas quais amealhou 6 golos (1, 2, 2, 1), tem um total de 8 golos no campeonato e é o jogador com mais pontos do Fantasy a par de Kun Agüero. Tudo isto são números que não podem ser ignorados. Não surpreende que Diego Costa, Fábregas e Clyne sejam os jogadores mais seleccionados em cada sector, mas é de estranhar que os 3 jogadores com mais pontos neste momento - Alexis Sánchez, Agüero e Baines - estejam todos abaixo de 31% a nível de equipas onde estão presentes.

    Nesta jornada há jogo grande no Emirates Stadium (Arsenal - Manchester United) e, com várias dúvidas e lesões do lado dos red devils, parece ser uma boa oportunidade para o Arsenal afirmar que esta temporada nada o demoverá de um lugar entre as 3/4 equipas de topo, e Alexis Sánchez é o jogador que mais perigo causará à defesa da equipa de van Gaal. Terá que ser um jogo de empenho total para Wilshere, Ramsey, Arteta e Chamberlain, essenciais na resolução do jogo, e veremos Wenger nestas jornadas que se avizinham a voltar a contar com Giroud e Walcott. Welbeck (que está em dúvida, mas que seria engraçado marcar à ex-equipa) tem sido o parceiro de Alexis no ataque, mas veremos o que o regresso de Giroud causará. 

 Mame Biram Diouf - Stoke City - 6.2

    
No seu 9.º lugar, acima de Everton, Liverpool e Tottenham, o Stoke vai vivendo tranquilo. Com uma sequência horribilis (Liverpool fora, M.United fora, Arsenal casa) a iniciar-se na jornada 13, certamente que o Stoke quererá garantir 3 pontos frente ao Burnley para ter margem de manobra. Os últimos classificados da Premier League vêm de uma vitória (1-0 contra o Hull) moralizadora mas o Stoke era uma das piores equipas que poderiam encontrar fora nesta altura. A equipa de Mark Hughes privilegiará o seu jogo seguro - Ryan Shawcross (5.5) normalmente soma bons pontos neste tipo de jogos - mas na frente caberá a jogadores em forma como Jonathan Walters (5.2) e Victor Moses (5.5) "abanar" o jogo, embora seja o senegalês Mame Biram Diouf o elemento que pode decidir realmente o jogo com o seu poder de explosão e remate colocado. Ou Crouch ou Bojan completarão a zona ofensiva, sendo que esta poderia também ser uma jornada positiva para o espanhol, caso seja titular.

 Nathaniel Clyne - Southampton - 5.7

    Depois de 4 jogos seguidos sem sofrer golos, embora 3 tenham sido em casa, é impossível não recomendar um defesa do Southampton. Especialmente porque o Aston Villa não se tem dado bem com as balizas contrárias - nos últimos 7 jogos, marcou 1 golo. José Fonte (5.6), que se estreou em Manchester pela nossa Selecção, tem somado bónus nos últimos 3 jogos mas vamos arriscar que Nathaniel Clyne poderá ter neste fim-de-semana uma daquelas suas correrias desenfreadas pelo flanco direito, a acabar em assistência ou golo.


Outras Opções:
Guarda-Redes: A jornada tem apenas 1 jogo grande mas vários embates que poderão resultar em bons jogos (Everton-W.Ham, Leicester-Sunderland, Newcastle-QPR e veremos o que acontece nos jogos de Liverpool e Manchester City). As apostas mais seguras serão por isso mesmo Asmir Begovic (4.9), Thibaut Courtois (6.0) e o já "cliente da casa" Fraser Forster (5.3). Mas há ainda Tim Krul.

- Defesas: Pelo raciocínio acima apresentado, e com Clyne e Shawcross já mencionados até aqui, poderão confiar na defesa do Chelsea - Gary Cahill (6.4) e Branislav Ivanovic (7.2) especialmente, mas também John Terry. É natural que Janmaat queira dar sequência ao bom momento, e caso Leighton Baines jogue neste momento é impossível ficar indiferente ao seu nível exibicional.

- Médios: Para começar esta jornada poderá ser um bom momento para Yaya Touré (10.6) acordar e conseguir um jogo perto do nível que apresentou, vezes em conta, na época passada. Ainda assim, seria bom se Sigurdsson, Montero (e Bony, na frente) conseguissem baralhar as contas do jogo. Ross Barkley (6.7) terá que se fazer ouvir num meio-campo repleto de dúvidas (lesões) e contra um West Ham que com Song e Kouyaté vai ser forte; no Liverpool, que só deverá contar com o azarado Sturridge em 2015, Rodgers tem que começar a tirar o melhor de Lallana e Markovic, tal como Sterling e Coutinho têm que ser regulares. De resto, caso Tottenham e Manchester United queiram ter ambições nos seus jogos, Chadli e Di María terão que aparecer.

Avançados: Em poucas palavras Kun Agüero (12.7) deve marcar, Graziano Pellè (8.5) pode voltar aos golos, e de resto há 2 embates curiosos para acompanhar: Nugent/Ulloa contra Fletcher/Wickham e Lukaku/Eto'o contra Valencia/Sakho.

Bom fim-de-semana de futebol. E até para a semana!

18 de novembro de 2014

Garganta Afinada. "Top 20" ( nº 100 ) - EDIÇÃO ESPECIAL

    Wooo-hoooo-hooo! Chegámos ao Garganta Afinada centenário! Prometemos uma surpresa neste Top 20 nº100 e aqui está ela, caros cidadãos do mundo. Decidimos pegar em todos os Top's e escolher uma música de cada um deles. Optámos por escolher ou a música líder, ou uma música que colocámos num lugar mais abaixo que o devido. É uma vasta lista de músicas com extrema qualidade. Não são as melhores músicas de sempre. São cem músicas escolhidas por nós. Cem músicas que - de certa forma - simbolizam algo para nós ou que achamos simplesmente épicas.
    É um longo comboio que passa por vários anos e vários géneros musicais. Vamos desde os intemporais Pearl Jam a um Eminem. Desde os monstros Pink Floyd e Led Zeppelin aos menos cotados 12 Stones, Jimmy Eat World e Red. Como defensores da música portuguesa tínhamos que ter artistas portugueses no Top. Optámos, por exemplo, pela "Volta" de Diogo Piçarra e "Adeus Tristeza" dos Linda Martini como umas das melhores 100 dos nossos Tops. Ambas músicas muito fortes, embora recentes. 
    Há Kanye West, Oasis, Radiohead, Muse, Foo Fighters, Maclemore, Avenged Sevenfold, D'Alva, Chris Cornell, The National, Nirvana... Toda uma panóplia de músicas para os mais diversos gostos.

    Foram noventa e nove tops. Cada um com vinte músicas. Durante três anos. Perfazendo mil novecentas e oitenta músicas partilhadas por nós. A opção "Reproduzir Todas" dá-vos uma playlist, uma biblioteca sagrada para os vossos ouvidos, um guia para um final feliz.
    Decidimos assinalar a marca desta maneira. A promessa, essa, é continuar a partilhar mais música durante os próximos anos. Fazemo-lo não só porque não passamos sem música mas também pelos artistas (nacionais e estrangeiros) e por vocês, leitores e ouvintes. E porque como Nietzsche disse: sem música, a vida seria um erro.





1. Pearl Jam – Black
2. Oasis – The Masterplan
3. Pink Floyd – Wish You Were Here
4. Pearl Jam – Nothingman
5. Alter Bridge – Watch Over You
6. Jimmy Eat World – 23
7. The National – About Today (Warrior Version)
8. 12 Stones – Lie to Me (Acoustic)
9. Eminem – Lose Yourself
10. Bon Iver – Blood Bank
11. Stone Sour – Bother
12. The Smashing Pumpkins – Disarm
13. Pink Floyd – Shine On You Crazy Diamond (Live)
14. Red – Pieces
15. Led Zeppelin – Stairway to Heaven
16. Foo Fighters – My Hero (Acoustic)
17. Muse – Feeling Good
18. Radiohead – High & Dry
19. Alter Bridge – In Loving Memory
20. Chris Cornell – Billie Jean
21. Eddie Vedder – Long Nights
22. Macklemore X Ryan Lewis ft. Fences – Otherside
23. Aaron Lewis – Fill Me Up (Acoustic)
24. M83 – Wait
25. Diogo Piçarra – Volta
26. Pearl Jam – The End
27. This Will Destroy You – Threads
28. Linda Martini – Adeus Tristeza
29. Goo Goo Dolls – Iris
30. City and Colour – Hello, I’m in Delaware
31. Avenged Sevenfold – Dear God
32. Eddie Vedder – Guaranteed
33. Macklemore ft. Mary Lambert – Same Love
34. The Verve – Bitter Sweet Symphony
35. Temple of the Dog – Hunger Strike
36. Guns N’ Roses – November Rain
37. Linda Martini – Amor Combate
38. Klepht – Cura
39. Charlie Brown Jr. – Só os Loucos Sabem
40. Nirvana – Lithium
41. Lifehouse – Everything
42. Beck – Everybody’s Got to Learn Sometimes
43. Coldplay – Fix You
44. Jeff Buckley – Hallelujah
45. Aerosmith – I Don’t Want to Miss A Thing
46. The National – Afraid of Everyone
47. City and Colour ft. Gordon Downie – Sleeping Sickness
48. Di-rect – Inside My Head
49. Oasis – Stop Crying Your Heart Out
50. Muse – Resistance
51. Bon Jovi – Livin’ On A Prayer
52. Oasis – Don’t Look Back in Anger
53. Stone Sour – Hesitate
54. James Blake – A Case of You
55. Ed Sheeran ft. Gary Lightbody – Chasing Cars
56. David Cook – Permanent
57. The XX – Fiction (Live)
58. Radiohead – Fake Plastic Trees
59. James Arthur – Broken-Hearted
60. Gary Jules – Mad World
61. Oasis – Wonderwall
62. Foo Fighters – Best of You
63. John Lennon – Imagine
64. Eddie Vedder – Society
65. City and Colour – Love Don’t Live Here Anymore
66. Rise Against – Swing Life Away
67. Bon Iver – Holocene
68. Coldplay – The Scientist
69. Pearl Jam – Better Man
70. Pixies – Where is My Mind
71. Ornatos Violeta – Ouvi Dizer
72. William Fitzsimmons – Beautiful Girl
73. Eric Clapton – Tears in Heaven
74. Kanye West – Pinocchio Story (Freestyle Live From Singapore)
75. Macklemore X Ryan Lewis – Wings
76. Noiserv – Don’t Say Hi If You Don’t Have Time for a Nice Goodbye
77. Ed Sheeran – I See Fire
78. Mumford & Sons – Babel
79. Di-Rect – Don’t Kill Me Tonight
80. Muse – Plug in Baby
81. Pearl Jam – Indifference
82. Danyl Johnson – With a Little Help From My Friends
83. D’Alva – Primavera
84. The Lonely Forest – We Sing in Time
85. Avenged Sevenfold – Afterlife
86. Pearl Jam – Just Breathe
87. Kings of Leon – Use Somebody
88. Sting – Shape of My Heart
89. City and Colour – As Much As I Ever Could
90. Foo Fighters – Walk
91. James Arthur – Carry Us
92. The National – Exile Vilify
93. Tara Perdida ft. Tim – Lisboa
94. Pearl Jam – Given to Fly
95. The Tallest Man On Earth – Love is All
96. Ciclo Preparatório – Lena del Rey
97. Pearl Jam – Thumbing My Way
98. City and Colour – Take Care
99. Lifehouse – From Where You Are
100. All The Luck in the World – Never


11 de novembro de 2014

Crítica: Interstellar

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015
Realizador: Christopher Nolan
Argumento: Jonathan Nolan, Christopher Nolan
Elenco: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain, Mackenzie Foy, David Gyasi, Casey Affleck, Wes Bentley, Michael Caine, Ellen Burstyn, Matt Damon
Classificação IMDb: 8.6 | Metascore: 74 | RottenTomatoes: 71%
Classificação Barba Por Fazer: 91

    De génio. 'Interstellar' é o filme do momento, com larga margem o alvo a abater nos Óscares Barba Por Fazer (a Academia deve ir por outros caminhos), e um dos filmes mais ousados, completos, ambiciosos e marcantes do século XXI.
    Tudo começou na cabeça de Jonathan Nolan, o irmão mais novo do realizador Christopher Nolan (que até agora tinha em The Dark Knight, Inception, The Prestige e Memento os seus maiores êxitos). Jonathan idealizou tudo o que é Interstellar, baseando-se nos estudos do físico Kip Thorne (consultor do filme), e indo ele próprio assistir a aulas sobre a Relatividade numa universidade norte-americana. Jonathan, o homem que fica na sombra, escreveu o argumento para Spielberg mas a história acabou - qual atracção gravítica - por ir parar ao irmão Christopher Nolan, que adaptou ligeiramente o argumento em sintonia com o irmão 6 anos mais novo.
    'Interstellar' tem uma vez mais o Tempo como elemento essencial das acções de um filme de Nolan, ele que inovou no formato em Memento e brincou com o tempo, ao explorar os sonhos, em Inception. Mas Nolan não é obcecado pelo tempo, é apaixonado por ele. E desta vez dá-nos o seu filme mais emocional, mais ambicioso e vanguardista, com mais mensagem e com um elemento-chave: o amor, entre pai e filha.
    A história é complexa mas perfeita, e importa não revelar demais, mas digamos que: num futuro não muito distante a humanidade, para sobreviver e evitar a extinção, tem que contemplar a hipótese de encontrar um novo planeta, noutra galáxia e sistema, que reúna condições para a vida humana. Cooper (Matthew McConaughey) é um ex-piloto da NASA, "relegado" para agricultor por força das circunstâncias, com dois filhos, Murph e Tom. O plano para salvar a humanidade da Terra (A) ou partir do zero noutro planeta (B) faz com que o professor Brand (Michael Caine) envie 4 pilotos - Cooper, Amelia Brand (Anne Hathaway), Romilly (David Gyasi) e Doyle (Wes Bentley) - numa viagem que contempla buracos negros e wormholes. E é na distorção temporal destes fenómenos, capaz de criar timelines diferentes, que reside a primeira força do filme.

    Mas a força essencial do filme é a relação Cooper-Murph, a forma como Nolan nos expõe, nas palavras habitualmente sábias de Amelia Brand, o amor como a única força capaz de transcender o tempo e o espaço; 'Interstellar' é graficamente uma beleza digna de ser contemplada mas dá 40-0 a nomeadamente um 'Gravity' no momento em não se limita a ser perfeito na imagem e na edição, tendo uma alma, um coração próprio que emociona qualquer um.
    Contrariamente à maioria dos filmes, o trailer de 'Interstellar' teve a inteligência de guardar toda a 3.ª parte do filme, onde a magia acontece verdadeiramente. Ao ver a promoção do filme podíamos ficar com a ideia "O quê? O Nolan vai fazer um Armageddon?", mas conhecendo-o era fácil antecipar que algo especial estava bem guardado. O filme cresce, conquista-nos progressivamente, embora nos hipnotize e prenda desde o primeiro momento. Os diálogos e alguns momentos ganham sentido à posteriori, e somos envolvidos numa Odisseia em que as mensagens - interpretações aparte nas escassas pontas que Nolan deixa intencionalmente soltas - a reter são claras: a humanidade deve arriscar e abraçar o risco e o desconhecido, como exploradores, pioneiros e descobridores que somos, mas nunca esquecendo que o devemos fazer tendo sempre alguém ao lado. Alguém para cuidar, alguém para amar, alguém para quem voltar.

    Para além do trabalho dos irmãos Nolan, tem que ser tremendamente elogiada a banda sonora de Hans Zimmer - como sempre em tudo adequado a cada momento, perfeito na forma como acrescenta valor a cada cena e como a torna ainda mais épica (o acoplamento, por exemplo). E já agora importa também elogiar a marcante cinematografia de van Hoytema, ele que trabalhou o ano passado em 'Her', "safando-se" com distinção nesta viagem pelo espaço e tempo, no primeiro filme em que a Fotografia de Nolan não fica a cargo de Wally Pfister.
    E isto leva-nos ao elenco, aos actores, aos desempenhos que materializam a ideia base e uma realização, argumento, banda sonora e edição de excelência. Tirando o Joker de Heath Ledger em The Dark Knight, em mais caso nenhum podemos dizer que os filmes de C. Nolan são "filmes de actor" - aqueles em que determinado desempenho rouba o protagonismo à concepção criativa, ao realizador. Em 'Interstellar' mais uma vez isso não acontece, embora os actores estejam excelentes, uns mais que outros. E não roubam o protagonismo apenas e só porque quando nos afastamos e temos um olhar global sobre o filme, aquilo que vemos é magia em forma de cinema, é um passo em frente e um filme que nos deixa a pensar no momento em que saímos do cinema, e nos mantém a pensar sobre o filme ainda algum tempo depois. Voltando aos actores, Matthew McConaughey (escolhido por Nolan pelo seu desempenho em 'Mud' e abordado enquanto gravava 'True Detective', série na qual a sua personagem curiosamente teve uma interessante dissertação sobre a dimensão temporal) está soberbo! McConaughey ganhou o óscar com 'Dallas Buyers Club' mas emociona muito mais neste filme, conseguindo ter aqui a sua melhor personagem no grande ecrã, porque Rust Cohle foi em Tv. Cooper, o pai que quer voltar a ver os seus filhos, torna-se uma personagem inesquecível por ser quem melhor representa o filme. É impossível ficar indiferente às duas cenas mais emocionantes de 'Interstellar', com a câmara a focar as reacções de Cooper aos testemunhos dos seus filhos após alguns anos, e com o desespero de Cooper no hipercubo, numa das cenas mais bonitas do cinema recente. Para além de McConaughey, há Jessica Chastain e Anne Hathaway num nível muito bom, e uma jovem Mackenzie Foy a mostrar que afinal tem potencial. Depois temos o "melhor amigo" de Nolan, Michael Caine, actores subvalorizados (Casey Affleck e Wes Bentley), a veterana Ellen Burstyn, Bill Irwin a dar voz ao robot TARS, David Gyasi como uma boa surpresa na pele de Romilly, e ainda um actor reputado cuja aparição a equipa de 'Interstellar' procurou manter em segredo.

    Christopher Nolan nunca escondeu influências - nomeadamente de 2001: A Space Odissey - mas 'Interstellar' é um filme único, brilhante, e que não se pode limitar ao rótulo de ficção científica pela forma como toca no coração de cada espectador. É uma obra-prima, uma inovação a todos os níveis, escrita com inteligência e sensibilidade. Actualmente há Scorsese, Woody Allen, Fincher, Tarantino, Spielberg, Burton, Peter Jackson e alguns mais, todos tão diferentes, mas há algo que faz de Christopher Nolan muito provavelmente o melhor realizador da actualidade. É um contador de histórias nato, e que nos faz usar um pouco mais a nossa massa cinzenta.
    Num mundo normal 'Interstellar' estaria na pole position para o óscar de melhor filme e melhor realizador mas neste momento não parece ser esse o caso. Efeitos Visuais é uma garantia, algumas categorias de edição e quiçá a banda sonora de Zimmer (que também devia ser um dado adquirido) deverão ser as conquistas na grande noite do cinema, embora ainda haja tempo para muita gente perceber que não se trata apenas de um filme técnico, sendo muito mais que isso. Ainda falta ver muita coisa (Birdman, The Imitation Game, Unbroken, Whiplash, American Sniper, Foxcatcher e Theory of Everything, principalmente) mas com Interstellar, Boyhood e Gone Girl já há motivos suficientes para dizer que este ano reúne uma melhor fornada do que o ano passado.

    Um conselho: Interstellar tem que ser visto no cinema. Por tudo. Se só puderem ir ao cinema 1 vez no espaço de um ano, este é o filme que pede esse bilhete.
    Repleto de frases carregadas de significado e que já garantiram um lugar na História do cinema moderno, 'Interstellar' abre horizontes, acredita no melhor da humanidade, intriga-nos inicialmente e convence-nos com a mestria dos irmãos Nolan, tornando o quarto de uma rapariga de 10 anos um lugar para a eternidade. Porque Interstellar merece o infinito. Embora vá mais além.

Do not go gentle into that good night
Old age should burn and rave at close of day
Rage, rage against the dying of the light.

Muse e Alt-J no NOS Alive'15

O NOS Alive'15 confirmou na semana passada a primeira banda a actuar no Passeio Marítimo de Algés, e hoje a organização adiantou o nome do primeiro cabeça-de-cartaz. Falamos de Alt-J, no primeiro caso, e do trio Muse no segundo.
    Tanto a banda de Matt Bellamy como os Alt-J têm concerto marcado para dia 9 de Julho (o NOS Alive decorre a 9, 10 e 11), num dia que se perfila automaticamente interessante, embora com artistas que nos visitaram num passado recente. Relativamente aos Muse, este será o seu 11.º concerto em Portugal, tendo actuado em 2013 no Estádio do Dragão e convencido no Rock in Rio 2010 (embora o concerto de 2008 na Bela Vista, esse sim, tenha sido o melhor num grande palco). Com gravações a decorrer para o sétimo álbum da banda, Matt Bellamy e companhia deverão ter novo álbum para mostrar aos portugueses, depois de The 2nd Law ter ficado abaixo de muitos dos êxitos espalhados pelos álbuns de 2001, 2003, 2006 e 2009.
    Os britânicos Alt-J estiveram no Alive em 2013, lançaram recentemente This is All Yours (segundo álbum da banda) e, embora já tenham uma notoriedade consolidada, poderão ganhar com esta integração no dia que tem Muse como cabeça-de-cartaz.

    O NOS Alive realiza-se como dissemos entre 9 e 11 de Julho, com bilhetes diários a 55€ e o passe de três dias a 109 euros. Não havendo Rock in Rio em 2015 veremos como o Alive se consegue apetrechar - Pink Floyd e Foo Fighters seriam reforços gigantes (sobretudo o 1.º caso, com o recente The Endless River, embora seja altamente improvável). A acontecer alguma das coisas é mais plausível revermos Dave Grohl. E já seria bom.

9 de novembro de 2014

Crítica: Fury

Realizador: David Ayer
Argumento: David Ayer
Elenco: Brad Pitt, Logan Lerman, Shia LaBeouf, Jon Bernthal, Michael Peña
Classificação IMDb: 7.6 | Metascore: 64 | RottenTomatoes: 77%
Classificação Barba Por Fazer: 75

   Foi nas palavras Guerra, Honra e Glória que se baseou a promoção de 'Fury', o recente filme com Brad Pitt como protagonista e David Ayer (mais argumentista que realizador até hoje) a reunir um elenco bem interessante. A coisa prometia e não desilude, mas não transcende, não marca. Fúria estreou nas salas portuguesas a 23 de Outubro e relata-nos a jornada de 5 homens, a tripulação de um tanque dos Aliados em fins da II Guerra Mundial. 'Wardaddy' (Brad Pitt) combatera até então os alemães junto de 'Gordo' (Michael Peña, que já tinha trabalhado com Ayer no filme 'End of Watch'), 'Bible' (Shia LaBeouf) e 'Coon-Ass' (Jon Bernthal) mas vê-se obrigado a integrar na sua equipa o inexperiente e jovem Norman (Logan Lerman). Fury não é o clássico filme de guerra, comercialmente fácil de mastigar, é violento, intenso e cru, representando a guerra no seu estudo mais puro. Ayer - o homem que escreveu 'Training Day' e que escreveu e realizou 'End of Watch' - não procurou levar-nos numa longa jornada repleta de diferentes cenas, apostou sim na feroz intensidade colocada em algumas cenas específicas, conseguindo com isto 1 ou 2 momentos em que a tensão ou emoção nos convencem/ cativam.
    A cena, longa mas magnificamente escrita e interpretada, à mesa ao pequeno-almoço na casa de duas civis alemãs, acaba por ser o que mais fica a ecoar na mente do espectador. De resto, há efectivamente uma boa energia e química entre os 5 bons actores que integram a tripulação, acabando Ayer por explorar bastante e aprofundar a personalidade de 2 personagens - 'Warddady' como o líder carismático e severo mas justo e honrado, personagem que assenta bem a Brad Pitt, diferente do seu Aldo Raine em Inglourious Basterds; e Norman, colocando em foco a perspectiva inocente, a relutância em matar e a consequente adaptação ao contexto.
    
    Não se podem apontar críticas ao casting feito porque os 5 actores encaixam bem nos papéis. Pedia-se sim algo mais, algumas nuances diferentes no argumento, maior ousadia e ambição, porque na realização houve qualidade, como demonstra a sensibilidade e noção no plano final do filme. Cabia a David Ayer ter criado algo proporcional à dimensão que o seu quinteto poderia oferecer: Logan Lerman é um dos actores mais promissores com menos de 25 anos, o seu desempenho fica abaixo do que fez em 'The Perks of being a Wallflower' mas, embora nunca vá ser nomeado para actor secundário, pode pelo menos colocá-lo no fundo da lista a considerar; Shia LaBeouf e Michael Peña são dois exemplos de dois actores que com outros convites e outras escolhas poderiam neste momento ser reconhecidos e valorizados doutra maneira; Brad Pitt, talvez juntamente com DiCaprio o actor que mais se pode queixar de não lhe ter sido entregue um óscar de caras (ele com Fightclub, DiCaprio com The Wolf of Wall Street), assume o filme, é o epicentro de todas as tensões, causador e apaziguador e, embora achemos que o filme poderia aspirar a mais, é um elogio dizer que não fica nada mal na carreira de Pitt ter tido este papel e integrado este filme, ainda assim. O filme é Pitt em boa medida, ele mais do que Lerman, mas este ano a Academia terá várias melhores opções a considerar enquanto actor principal. Resta dizer que Jon Bernthal merecia que Hollywood começasse a olhar para ele como ele merece ser olhado, apostando no talento em ebulição do Shane de Walking Dead, um actor que tem feito as escolhas certas mas que precisa de dar o passo em frente e assumir-se ele próprio como protagonista de grandes projectos. Tem qualidade e capacidade para isso.

    Não podemos dizer que esteja a caminho dos óscares 2015, porque certamente não estará. Interessará acompanhar os próximos anos das carreiras deste quinteto (Pitt, Bernthal, Lerman, Peña e LaBeouf, provavelmente por esta ordem) e algo nos diz que David Ayer ainda terá o seu grande momento. Já se pôde perceber que tem uma boa cabeça e por isso a seu tempo 'Training Day' perderá o estatuto de obra-prima criativa do argumentista/ realizador norte-americano.

8 de novembro de 2014

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 11

Fantasy Premier League - Senhores, amanhã há futebol! A liga inglesa regressa para mais espectáculo, reviravoltas e grandes emoções, numa jornada que se iniciará com o jogo mais aguardado - Chelsea viaja até Anfield para um jogo especial, palco onde praticamente se decidiu no ano passado o título.. do Manchester City. Aproveitem bem estes dois dias, porque depois vem a pausa para as selecções. 
    Na 10.ª jornada, os 2 jogadores mais pontuados foram do Arsenal - Alexis Sánchez bisou pela segunda jornada consecutiva e somou 16 pontos, apenas superado pelos 18 pontos de Chambers, que conseguiu uma ameaça tripla - clean sheet, golo e assistência. O empate entre Stoke e West Ham resultou em bons pontos para os hammers Enner Valencia e Stewart Downing, Steven Fletcher foi decisivo contra o Crystal Palace e de resto também Clichy, Hazard e Wanyama realizaram uma boa jornada.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Na jornada passada as nossas previsões saíram bastante goradas. É certo que o principal jogador em que apostávamos - Alexis Sánchez - foi um dos mais pontuados, mas elementos como Jedinak e Benteke não só não fizeram nada (leia-se golos e assistências) como conseguiram ambos ser expulsos. Tiro na mouche! Para esta jornada elementos como Pellè, Hazard, Agüero, Alexis, Berahino ou Enner Valencia ficam de fora por todos terem sido sugeridos num passado recente e querermos variar as sugestões. Assim, as escolhas recaíram em:

 Diafra Sakho - West Ham - 5.8

    Nunca recomendámos antes Diafra Sakho portanto este parece o momento mais do que indicado para o fazer. Depois de uma jornada na qual não jogou por lesão, o avançado senegalês tem tudo para voltar em grande contra o Aston Villa. Os hammers estão em excelente forma (5.º lugar em igualdade pontual com o Arsenal) e a presa desta jornada é o Aston Villa, que depois de um início surpreendentemente positivo tem vindo a cair na tabela. O calendário augura coisas boas para o West Ham e, por isso mesmo, Sakho e Enner Valencia (6.9) 
são fortes candidatos a fazer golos. Na retaguarda podem-se esperar também pontos - aliás, o Aston Villa não marcou um único golo em Outubro, contrariando Weimann essa tendência no 2.º dia de Novembro - e nesse sector talvez Aaron Cresswell (5.4), melhor lateral esquerdo do Championship na época passada, seja a melhor opção por conjugar a consistência defensiva com a dinâmica que oferece ao subir pelo corredor.

 James Chester - Hull City - 4.4

    Escolhendo um defesa para esta jornada, e embora qualquer defesa do Southampton seja uma boa ideia, a defesa do Hull pode ser uma boa aposta. A equipa de Steve Bruce desloca-se ao recinto do Burnley, lanterna vermelha com apenas 4 pontos, e na teoria pode-se esperar um golo com poucos golos ou nenhuns. Caso o Hull consiga impor o seu jogo e até marcar cedo, será muito complicado ultrapassar a organização defensiva dos tigers. James Chester, forte nas bolas paradas ofensivas e um central com alguma margem de progressão, pode ser por isso mesmo uma aposta interessante.


 Ángel Di María - Manchester United - 10.1

    O frenético angelito adormeceu nas últimas jornadas, depois de uma sequência quase imparável; mas este sábado é a hora do talentoso argentino acordar. O Manchester United terá uma defesa improvisada (Jones, Rafael, Evans e Rojo não deverão jogar) e por isso mesmo terá que ser o ataque a resolver, embora De Gea esteja bastante seguro esta temporada. Na frente não haverá Falcao e por isso é garantido que van Persie, Rooney e sobretudo Ángel Di María terão que fazer a diferença. O Crystal Palace de Neil Warnock é uma equipa pouco consistente e regular, capaz do melhor e do pior em cada jogo, mas Old Trafford rezará para que o seu novo número 7 volte a decidir.

 Harry Kane - Tottenham - 4.8

    
Ponto prévio: não somos fãs de Harry Kane. E à partida nunca o seremos. O avançado do Tottenham não é o nosso tipo de avançado mas o que é certo é que esta época já se fixou como melhor marcador dos spurs em todas as competições e merece por esta altura a titularidade na frente, acompanhado por Lamela, Chadli e Eriksen, todos eles também opções interessantes para o fantasy nesta jornada. É verdade que Shawcross é o tipo de defesa que tem tudo para se dar bem na marcação a Kane mas se há momento para ser dada uma oportunidade ao ponta de lança britânico é este. Tem a palavra Harry Kane.

 Fraser Forster - Southampton - 5.3

    Forster tem calçado as luvas da melhor defesa da Premier League. O sensacional Southampton de Ronald Koeman está em 2.º, sofreu apenas 5 golos em 10 jogos, conseguindo somar 6 clean sheets. Nesta 11.ª jornada a recepção ao Leicester principia que o Southampton poderá conseguir mais um jogo com uma boa avaliação na sua defesa/ baliza e aproveitem porque Forster tem nesta jornada e mesmo na próxima (Aston Villa fora) duas boas oportunidades de pontuar, tendo depois nas 3 rondas seguintes jogos com os rivais de Manchester e com o Arsenal. Mas os saints ainda nos vão surpreender mais...


Outras Opções:
Guarda-Redes: Indo directamente ao cerne da questão, para além de Forster, possivelmente Adrián (5.0) e Hugo Lloris (5.7) sejam as melhores escolhas para esta jornada.

- Defesas: Nathaniel Clyne, Ryan Bertrand ou José Fonte já são demasiado "batidos" por isso, e porque já referimos Cresswell e Chester, Leighton Baines (7.2) e Phil Jagielka (5.6) estão num grande momento e têm que ser considerados. Veremos se o desgaste da Liga Europa pesará e se o Sunderland se apresentará galvanizado depois de vencer na última jornada, e também terá a sua importância o facto de Coleman jogar ou não. Jan Vertonghen (5.9) e Callum Chambers (4.8) são também jogadores para considerar. O Liverpool-Chelsea poderá ter a cabeça de algum defesa a interferir com o resultado.

- Médios: Mantendo o feeling no West Ham, Stewart Downing (5.8) poderá ter uma boa jornada. O médio ex-Liverpool tem sido extremamente regular e o actual sistema da equipa favorece-o. Alex Song tem acumulado excelentes jogos mas neste momento não é um jogador de fantasy por não dar retorno em termos de números. Graham Dorrans (5.0) e a dupla Fábregas/Hazard são também candidatos a pontuar.

Avançados: Falámos em Sakho, em Valencia, em Kane, e a jornada poderá ser famosa para Graziano Pellè (8.4) e Robin van Persie (12.4). Não obstante, Agüero, Austin, Berahino e Lukaku devem também entrar nas equações. Ficam ainda 2 questões por responder: será que Anfield assistirá ao melhor Diego Costa? Quem levará a melhor entre Bony e Welbeck?

5 de novembro de 2014

Sporting 4-2 Schalke 04: Lá se fazem, cá se pagam

Sporting    4 - 2    Schalke 04 (Sarr 27', Jefferson 52', Nani 73', Slimani 90'+1; Slimani (A.G.) 17', Aogo 88')

    O Sporting respondeu bem ao desaire do último fim-de-semana em Guimarães ao aplicar uma vitória com números expressivos sobre os alemães do Schalke 04. Marco Silva lançou um onze com algumas surpresas ao lançar Carlos Mané, Jefferson, Sarr e Slimani. Surpresas essas que tiveram a sua marca.
    Contudo, as apostas do técnico leonino não deram resultado positivo inicialmente. Mais concretamente Slimani. O argelino, num lance de bola parada a favorecer o adversário, acabou por introduzir a bola na própria baliza após cruzamento de Aogo. Rui Patrício não fica bem na fotografia. Ainda assim, a resposta leonino foi imediata. Poucos minutos depois, Naby Sarr iguala a partida num lance idêntico ao primeiro golo. O jogo abriu-se, com várias oportunidades de parte a parte, mas sempre com ascendente verde e branco. Ainda assim, a igualdade manteve-se até ao fim dos primeiros quarenta e cinco minutos.
    Para a segunda metade o Schalke chegou a pedir grande penalidade sobre Meyer, mas o árbitro assim não entendeu. O jogo seguiu e pouco tempo depois - numa jogada de insistência - Jefferson disferiu um remate cruzado Fährmann a ficar pregado ao solo. Os adeptos leonino ainda tiveram um aperto no peito quando Obasi surgiu isolado, mas Rui Patrício roubou o pão da boca ao adversário e negou assim um golo que parecia iminente. O Sporting estava mais decidido nos seus ataques e chegou mesmo ao terceiro. Carrillo deixou Fuchs para trás, foi até à linha de fundo e ofereceu o golo a Nani. O internacional português apenas teve que encostar. Mas como o peruano ainda não aprendeu a ser mais consistente, acabou por ser mais displicente defensivamente e deixou que Aogo penetrasse na sua grande-área para reduzir o resultado para 3-2. Havia uma réstia de esperança para os alemães, mas Slimani colocou um ponto final na partida. Num momento em que os alemães estavam em total descompensação, Adrien consegue lançar rapidamente o avançado argelino que - apenas com a pressão de um adversário - bateu Fährmann com facilidade. Tudo muito simples e a vitória merecida estava confirmada.
    Depois da prova dada na Alemanha, o Sporting vinha para este jogo com o sentimento de vingança. Sabia que conseguia ser melhor em circunstâncias normais. E assim o fez. Sempre se mostrou mais disponível para atacar e os alemães sempre muito displicentes no que toca a terrenos mais defensivos. Os leões somam agora 4 pontos - mais um que o Maribor - e estão numa posição mais favorável para passar, embora ainda se apresentem na terceira posição.


Barba Por Fazer do Jogo:
Nani (Sporting)
Outros Destaques: Jefferson, João Mário, Carrillo; Aogo, Meyer.

Bayern, PSG e Barcelona qualificam-se, Maribor empata Chelsea

  Champions League - Esta quarta-feira milionária carimbou, para além da passagem do Porto para os oitavos, o apuramento também de Bayern (Grupo E) e a dupla PSG e Barcelona (Grupo F). No grupo do Sporting, o Chelsea viajou até à Eslovénia e - depois de no jogo da primeira volta ter goleado o Maribor por 6-0 -, acabou por empatar a uma bola e teve que correr atrás do resultado.
    A maior surpresa da noite acabou por ser a derrota do Manchester City em casa por 2-1 diante de um CSKA onde Doumbia está definitivamente talhado para complicar a vida aos citizens. O Shakhtar não conseguiu repetir os 7-0 contra o BATE e desta feita "ficou-se" pelos 5-0. Luiz Adriano não marcou cinco, mas marcou três.

Manchester City 1 - 2 CSKA Moscovo (Yaya Touré 8; Doumbia 2' 34')

    
No Etihad Stadium o Manchester City recebeu os russos do CSKA Moscovo e conseguiu fazer pior do que no encontro anterior. Na Rússia o City desperdiçou uma vantagem de 2 golos acabando por empatar, e hoje acabou mesmo por perder. Os comandados de Pellegrini acusaram bastante a falta de David Silva na dinâmica ofensiva e começaram o jogo praticamente a perder - o israelita Natkho ofereceu o golo a Doumbia, especialista em marcar golos ao Manchester City. Yaya Touré empatou num livre perfeito à la Beckham mas o seu colega na Selecção da Costa do Marfim, Seydou Doumbia, acabaria por voltar a marcar, novamente assistido por Natkho. O jogo ficou ainda marcado pelas 2 expulsões do lado do City, com Fernandinho e Yaya Touré a irem tomar banho mais cedo. Agüero, um especialista contra o CSKA ficou em branco, e o Manchester City está na cauda do grupo terminada a 4.ª jornada. O Bayern já tem o primeiro lugar garantido, mas Roma (4 pontos), CSKA (4 pontos) e Manchester City (2 pontos) ambicionam ainda a qualificação. A próxima jornada com City-Bayern e CSKA-Roma promete. E muito.
Barba Por Fazer do Jogo: Seydou Doumbia (CSKA Moscovo)

Bayern 2 - 0 Roma (Ribéry 38', Götze 64')

    Na Baviera o Bayern não conseguiu repetir os avassaladores 7-1 em Roma, mas venceu com segurança e de forma consistente. A Roma assumiu uma formação mais defensiva (Totti, Gervinho e Pjanic ficaram todos no banco) em Munique e, num jogo em que o austríaco Alaba esteve sempre em alta rotação, o primeiro golo chegou numa assistência deste para Ribéry finalizar na grande área. Mario Götze também marcou, ele que tem estado em excelente forma, depois de um cruzamento de Lewandowski, numa jogada que há anos poderia ser do Dortmund. A equipa de Guardiola esteve irrepreensível, não foi espectacular mas foi competente e tem já o 1.º lugar do Grupo E garantido, com 4 vitórias em 4 jogos, 11 golos marcados e apenas 1 sofrido.
Barba Por Fazer do Jogo: David Alaba (Bayern)

Ajax 0 - 2 Barcelona (Messi 36' 76')

    
Luis Suárez estreou-se pelo Barcelona nas competições europeias na casa que lhe abriu as portas do futebol europeu mas, em Amesterdão, a estrela foi o argentino do costume. Lionel Messi bisou e igualou o recorde de golos de Raúl, ultrapassando Cristiano Ronaldo. O camisola 10 do Barcelona fez os dois golos do encontro - primeiro de cabeça após cruzamento de Bartra e com Cillessen fora da baliza, fazendo o 2-0 numa jogada que ele próprio iniciou, combinando com Pedro e aparecendo para a finalização no sítio certo. É indiscutível que tanto Messi como Ronaldo ultrapassarão Raúl, provavelmente ambos na próxima jornada da Champions, e até ao final das suas carreiras disputarão o 1.º lugar entre si. O jogo foi Messi+10, Suárez esteve apagado (no Liverpool a equipa olhava sempre para ele quando tinha a bola, agora não acontece isso, pelo menos ainda) e Veltman foi expulso, enquanto que El Ghazi deu algum trabalho à defesa catalã. O Barcelona qualificou-se, ficando apenas por saber quem ficará em 1.º entre Barça e PSG.
Barba Por Fazer do Jogo: Lionel Messi (Barcelona)

PSG 1 - 0 APOEL (Cavani 1')

    O PSG qualificou-se para os oitavos, como acima dissemos, mas diante do APOEL conseguiu vencer apenas por 1-0. O golo chegou bem cedo com Van der Wiel a arrancar pelo lado direito, cruzando para a finalização de Cavani (com ajuda do guarda-redes Pardo). O golo madrugador dava a ideia de que poderia assistir-se a uma vitória folgada da equipa parisiense mas o APOEL soube "estancar" o ímpeto do campeão francês, onde Lucas Moura foi sempre o elemento mais endiabrado. A equipa cipriota ainda pode sonhar com a Liga Europa e, num grupo bem complicado, deve-se destacar o registo defensivo do APOEL, que nunca sofreu mais do que 1 golo por jogo.
Barba Por Fazer do Jogo: Lucas Moura (PSG)

Shakhtar 5 - 0 BATE (Srna 19', Alex Teixeira 48', Luiz Adriano (pen.) 58' 83' 90')

    
Depois do 7-0 na Bielorrússia as previsões não eram animadoras para o BATE, e a verdade é que o desfecho foi novamente uma goleada imparável com sotaque brasileiro. Na Ucrânia o bom futebol e a qualidade ofensiva do Shakhtar fez a diferença, com o capitão Darijo Srna a abrir o marcador aos 19 minutos. Srna assistiu Alex Teixeira para o segundo, numa jogada em que uma simulação de Luiz Adriano foi determinante, e o resto foi o espectáculo Luiz Adriano. O ponta-de-lança brasileiro, que merecia uma chamada de Dunga, reforçou o seu estatuto de melhor marcador da Champions League fazendo um hat-trick e chegando aos 9 golos em 4 jogos. Sim, 8 deles foram em 2 jogos diante do BATE. Luiz Adriano até poderia ter feito um póker, num lance polémico em cima do intervalo, mas na 2.ª parte teve íman para a bola e fez três golos, um de grande penalidade e 2 à ponta-de-lança. Mais uma bola de jogo que Luiz Adriano pôde levar para casa. Os ucranianos podem carimbar a passagem já na próxima jornada quando receberem os bascos do Athletic Bilbao. 
Barba Por Fazer do Jogo: Luiz Adriano (Shakhtar)

Maribor 1 - 1 Chelsea (Ibrahimi 50', Matic 73')

    José Mourinho não rodou a maioria da equipa, mas se soubesse que o resultado seria um empate provavelmente até o teria feito. Na Eslovénia, onde o Sporting também empatou e onde o Schalke ainda jogará, o Maribor soube segurar as investidas de Hazard, Drogba e Schürrle, e na 2.ª parte chegou inclusive à vantagem, num bom remate em arco de Ibrahimi. Mourinho viu-se obrigado a fazer entrar Oscar, Diego Costa e Ramires, e só Matic conseguiu marcar a Handanovic, bastante seguro e atento entre os postes. Eden Hazard teve a oportunidade de resolver o jogo e a fase de grupos para o Chelsea mas, de grande penalidade (o belga nunca costuma falhar) converteu pessimamente e Handanovic adivinhou o lado.
Barba Por Fazer do Jogo: Jasmin Handanovic (Maribor)

Athletic 0-2 Porto: Dragões já estão nos oitavos

Athletic  0-2  Porto (Jackson Martínez 56', Brahimi 74')

    Num jogo excelente a todos os níveis, o Porto carimbou a passagem para os oitavos-de-final da Champions League 2014/ 15. Lopetegui colocou em campo aquele que parece ser, por esta altura, o seu 11 de eleição e praticamente tudo correu de feição aos dragões, com evidente mérito, robustez táctica, personalidade e qualidade no ataque. Valverde surpreendeu, pela negativa, ao deixar no banco Iturraspe (seria à partida um dos jogadores-chave caso o Athletic quisesse controlar o Porto), Muniain e Iraola.
    Na primeira parte o Porto arrancou melhor e os primeiros avisos couberam a Jackson Martínez e Maicon, com o defesa central a rematar forte e a proporcionar uma defesa apertada a Iraizoz. A habitual pressão e troca de bola rendilhada do Athletic Bilbao foi sempre condicionada pela boa estratégia do Porto (bem Casemiro nesse capítulo, e é bom ver um talento como Óliver a mostrar-se também um jogador voluntarioso e operário) e aos 42' poderia ter começado a vitória portista - Danilo foi derrubado dentro de área, ficando a dúvida se não terá sido o lateral a provocar o contacto, mas Jackson Martínez atirou à barra na conversão da grande penalidade.
    Ao intervalo Valverde colocou Muniain e Iraola, retirando no entanto os sempre consistentes Susaeta e Beñat, e a 2.ª parte foi a prova de uma coisa: quem tem Brahimi, arrisca-se sempre a ganhar. O primeiro golo do jogo foi de Jackson, com o colombiano a aparecer para um desvio à boca da baliza, mas todo o trabalho foi fruto do génio argelino. Yacine Brahimi tem sido um dos mais fantásticos jogadores desta edição da Champions, e foi ele próprio a "matar" o jogo aos 74' num lance infeliz dos bascos - Laporte jogou para Iraizoz, o guardião deixou a bola escapar e Brahimi só teve que encostar. O Porto soube controlar o Athletic num estádio tradicionalmente complicado para qualquer equipa e já tem presença garantida na próxima fase.

    O jogo correu mal à equipa de Ernesto Valverde, onde apenas Mikel San José foi decente a tentar lutar contra o meio-campo azul-e-branco, mas houve hoje natural mérito do Porto. A equipa de Lopetegui conseguiu o apuramento para os oitavos em apenas 4 jornadas e para isso muito contribuíram 2 jogadores, embora hoje também Maicon, Danilo e Casemiro tenham estado bem. Falamos de Brahimi e Jackson Martínez. O avançado colombiano falhou um penalty, é certo, mas foi ele que apareceu para fazer o 1-0 e foi sempre uma linha de passe válida para os colegas bem como um lutador incansável contra os centrais adversários. Por fim, definitivamente vão faltar as palavras para descrever os momentos e alegrias que Brahimi ainda virá a dar aos portistas esta temporada. O criativo contratado ao Granada tem um brilho maior quando ouve o hino da Champions mas é craque em todos os jogos - um driblador como poucos, tecnicista puro e um dos jogadores mais talentosos entre os clubes aparte do universo dos tubarões europeus. Brahimi e Jackson, os 2 melhores do Porto, e ambos com 4 golos apontados nesta liga milionária.


Barba Por Fazer do Jogo: Yacine Brahimi (Porto)
Outros Destaques: San José; Maicon, Danilo, Casemiro, Jackson