Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

13 de julho de 2014

Brasil 0-3 Holanda: Brasil com a praia, Holanda com o bronze

Brasil  0 - 3  Holanda (Van Persie 3', Blind 17', Wijnaldum 90'+1)

    No jogo de atribuição do 3.º e 4.º lugar a Holanda conseguiu despedir-se do Mundial 2014 como merecia e o Brasil não recuperou do trauma, hipotecando as suas aspirações cedo e novamente com erros da defesa e uma total descoordenação táctica. Hoje Scolari voltou a contar com Thiago Silva, colocou Maxwell no 11 titular bem como Ramires, Willian e Jô. Já Van Gaal manteve o seu esquema que marcou a cruzada laranja na competição, destacando-se apenas a titularidade de Jordy Clasie e De Guzmán (o 1.º já era esperado no lugar de De Jong, enquanto que o segundo foi chamado ao onze depois de Sneijder se lesionar no aquecimento). Os jogadores brasileiros queriam dar ao seu povo o último lugar do pódio em jeito de pedido de desculpas, mas a pressão/ trauma provenientes do Mineiraço combinados com a forma de jogar desta Holanda (de difícil encaixe para qualquer equipa, e o Brasil já tinha passado dificuldades com México e Chile, ideias de jogo diferentes mas próximas no papel) colocavam o favoritismo do lado holandês.
    Se contra a Alemanha o Brasil sucumbiu em velocidade-cruzeiro entre os 11' e os 29', desta vez começou tudo bem mais cedo. Praticamente com o jogo a começar Van Persie desmarcou Arjen Robben e o velocista disparou em direcção à baliza, sendo apenas parado por Thiago Silva. A falta do central e capitão brasileiro iniciou-se fora da grande área e terminou mesmo no limite - aceitar-se-ia o livre directo em lugar da grande penalidade que o árbitro argelino assinalou, mas ficou um vermelho por mostrar a T. Silva. Robin van Persie, chamado a converter, rematou certeiro e com 4 golos isolou-se como melhor marcador desta Holanda. O Brasil tentou reagir, com Maxwell interventivo, mas acabou por ser a Holanda a ampliar o resultado. Robben voltou a deixar a sua marca na jogada, De Guzmán cruzou para a pequena área e David Luiz fez um corte para o pior sítio possível, onde estava Daley Blind. O lateral/ ala esquerdo recebeu, amorteceu e rematou para o 2-0. Foi a estreia a marcar do jogador do Ajax - eleito melhor jogador da Eredivisie 2013/ 14 -, indubitavelmente um dos 3 melhores laterais esquerdos deste Mundial, e porventura o melhor. Com o 2-0 aos 17 minutos era inevitável qualquer adepto pensar "outra vez?", mas as coisas acalmaram. De resto, nunca foi fácil para o Brasil (que hoje melhorou relativamente ao jogo com a Alemanha, o que era quase impossível que não acontecesse..) desmontar o meio-campo e a defesa holandesa e a melhor oportunidade da equipa anfitriã na 1.ª parte surgiu num livre de Oscar ao qual ninguém conseguiu chegar para desviar para a baliza.
    Na segunda metade Scolari foi refrescando os seus médios - tirou Luiz Gustavo e Paulinho, colocou Fernandinho e Hernanes - e o primeiro sinal de perigo pertenceu a Ramires. O queniano fez a bola passar a centímetros do poste, mas hoje a baliza não queria nada com os brasileiros. O jogo foi prosseguindo de caso em caso, com bastante trabalho para o senhor argelino, e possíveis grandes penalidades (Blind sobre Oscar, Fernandinho sobre Robben) que não convenceram o árbitro; a descrença brasileira foi sendo cada vez mais acentuada com a passagem dos minutos e o 3-0 surgiu no início do tempo de compensação. Robben deu para Janmaat, que surgia nas suas costas, e o lateral do Feyenoord cruzou para uma finalização de primeira de Wijnaldum - um golo merecido para um jogador que cresceu muito neste Mundial. Van Gaal ainda pôde colocar Vorm (era o único jogador holandês que ainda não tinha jogado no Brasil) e garantiu um 3.º lugar para uma selecção que analisando globalmente merecia estar na final, mas verdade seja dita não conseguiu fazer o suficiente para cantar vitória contra a Argentina.

    A vitória foi incontestável e era à priori bem mais justo a Holanda garantir lugar no pódio do que o Brasil. A Holanda termina o Mundial sem derrotas e Van Gaal (que agora rumará a Old Trafford) foi o melhor seleccionador desta edição da maior prova do futebol mundial. Arjen Robben foi sem margem para dúvidas um dos melhores jogadores deste Mundial (talvez a par de James o jogador com maior impacto individual no jogo da equipa), e outros colegas seus merecem algumas considerações. De Vrij sai bastante valorizado do Brasil, tendo sido inclusive mais regular do que Vlaar (naturalmente ninguém esquecerá a super-exibição contra a Argentina); Wijnaldum que outrora era o típico criativo holandês apenas com impacto no último terço, é agora um jogador todo-o-terreno, muito mais consciente e polivalente; Clasie jogou apenas contra Argentina e Brasil mas chegou para mostrar todo o talento que tem; será difícil para o Ajax segurar Blind depois de tudo o que fez esta temporada, culminando hoje, ele que até seria um alvo interessante para Van Gaal se o United não tivesse garantido já Luke Shaw. Mesmo assim, Blind pode também jogar a médio defensivo e central, mas o holandês que encaixaria melhor em Old Trafford era Kevin Strootman, a grande baixa da Holanda neste Mundial.
    Relativamente ao Brasil, Scolari colocou o lugar à disposição mas os problemas estruturais continuarão. Seria importante o futebol brasileiro procurar estabelecer reformas e projectar o seu futuro, e um seleccionador estrangeiro poderia ser benéfico (embora se fale em Tite, talvez o treinador brasileiro mais "europeu"). É nítido para todos que o Brasil desiludiu - até poderia ter perdido nas meias mas é vergonhoso nos 2 últimos jogos ter 10 golos sofridos. Houve muita coisa errada mas fazemos uma pequena ressalva relativa a David Luiz. O central que rumou ao PSG estava a ser até ao jogo com a Alemanha, um dos 2 melhores centrais deste Mundial - já tinha marcado, assistido, interessando sobretudo a forma como estava a ser jogo após jogo o elemento mais fiável e em melhor plano do eixo defensivo da "canarinha". Para muitos Thiago Silva tornou-se imediatamente um dos melhores centrais do Mundial apenas e só por não ter estado presente no descalabro com a Alemanha, mas hoje foi o primeiro a errar e analisando de forma crua Thiago Silva acaba por fazer neste Mundial 1 jogo decente (Chile) e 1 bom jogo (Colômbia), sendo David Luiz - e podemos afirmar isto porque vimos todos os jogos ao contrário de muita gente que lança alguns palpites sem ter um Mundial inteiro na cabeça - sempre superior ao companheiro. Claro que as 2 últimas exibições de D. Luiz o impedem de figurar num 11 do Mundial, mas não destruam o rapaz (chegou-se ao ponto de o considerar o pior central deste Mundial..). 

    O Mundial termina amanhã e o planeta-futebol aguarda impacientemente o embate entre Alemanha e Argentina. Lionel Messi ou Philipp Lahm, um deles vai erguer o troféu!


Barba Por Fazer do Jogo: 
Arjen Robben (Holanda)
Outros Destaques: Blind, De Vrij, Clasie, Wijnaldum, Van Persie

12 de julho de 2014

Mundial 2014: 11 da Meia-Final

    Em dia de jogo ingrato entre duas equipas completamente desmoralizadas, aproveitámos para vos dar a conhecer o nosso 11 ideal das meias. Um onze repleto de alemães, alguns argentinos e uns quantos (poucos) holandeses. Apenas ficaram de fora os brasileiros que após o resultado desastroso, nenhum mereceu ter nota positiva. Ora fiquem a saber as nossas escolhas:
    Na baliza, Neuer voltou a ficar no banco. O alemão proporcionou algumas boas defesas negando a tentativa dos brasileiros em contrariar o resultado, mas foi Sergio Romero o guarda-redes destaque desta ronda. Romero decidiu uma eliminatória nas grandes penalidade tendo defendido dois remates sendo que o segundo - de Sneijder - foi uma defesa de grande nível. Preferimos optar por um guardião decisivo num encontro tão importante como uma semi-final ao invés dum guarda-redes com maior número de intervenções, mesmo que algumas de grande nível.
    Na defesa optámos por um quarteto defensivo formado por um alemão, dois holandeses e um argentino. Do lado direito temos Phillip Lahm. Um bom jogo para traduzir o que foi a sua carreira e o que ele é como jogador: enorme rigor tanto a defender como a apoiar o ataque, inteligência e acerto no passe astronómicos e juntando a tudo isto duas assistências para Kroos e Schürrle. É o melhor lateral do mundo e a vida da Alemanha mudou para muito melhor quando regressou à sua posição de origem. Do lado esquerdo temos um jogador que é avançado de origem mas tem sido fulcral no sector defensivo para Van Gaal - Dirk Kuyt. Fez praticamente tudo bem em campo. É o tipo de jogador que qualquer treinador gosta de ter e voltou a deixar patente a sua versatilidade táctica. Começou a ala direito, mas após a troca de Martins Indi por Janmaat, passou a jogar na esquerda e a verdade é que a Argentina passou a fazer muito menos pelo flanco que estava a explorar quase em exclusivo. É dos que não falha e foi um dos 3 melhores holandeses no jogo. No sector central da defesa temos outro holandês que foi o melhor da jornada - Ron Vlaar. Não merecia não conseguir marcar a grande penalidade. Foi um monstro em campo, secou Messi por inúmeras ocasiões, foi uma parede constante para os jogadores argentinos, posicionando-se com perfeição e assumindo-se como patrão da sua jovem defesa. Por fim, Ezequiel Garay volta a constar no nosso onze. Não esteve tão exuberante como frente à Bélgica mas manteve o brilhantismo, a superioridade constante no jogo aéreo e a capacidade de se antecipar e ler o jogo.
    Chegando ao miolo, Javier Mascherano foi um dos grandes destaques. A alma, o verdadeiro capitão da Argentina. Contra a Holanda foi um monstro (tal como Vlaar), de pulmão e força inesgotáveis. Já tinha sido um dos jogadores mais regulares pela positiva da Argentina ao longo dos últimos jogos, mas neste transcendeu-se. Nesta fase já se pode considerá-lo o melhor médio defensivo deste Brasil 2014 e caso a Argentina vença no Maracanã, será Messi a erguer o troféu, mas certamente será a Mascherano que o camisola 10 dará de seguida a taça. São dele as palavras finais na palestra antes dos penaltis, são dele as palavras finais de motivação para Romero. Depois de Javier temos Kroos que talvez tenha sido o jogador desta ronda. Representa na plenitude o que foi o jogo da Alemanha: manteve-se frio, concentrado e paciente, soube sempre o que fazer à bola, quando explorar o espaço e quando aplicar o golpe para deixar o Brasil KO. Um jogo para a História da Mannschaft e uma exibição para a carreira de Kroos, que reforçou que é de facto um dos médios mais completos do mundo e ainda com muito para crescer e conquistar. Dois golos, uma assistência e toda a construção ofensiva passou por ele - não há um 10 puro nesta Alemanha, mas é sobretudo Kroos que assume a equipa no processo ofensivo e não jogadores com mais imprensa como Özil ou Götze. Se for para o Real Madrid por 25 Milhões é um dos negócios do defeso. Segue-se André Schürrle que pouco há a dizer... Os colegas dele destruíram o Brasil, mas ele tratou de conferir à goleada números ainda mais históricos. Marcou um golo normal a passe de Lahm, finalizando uma jogada simples e que deixou bem evidente o desnorte e displicência brasileira a defender e depois colocou a cereja no topo do bolo com um remate ao ângulo da baliza de Júlio César. Não tem muitos minutos, mas já tem 3 golos. Outro jogador impossível de não colocar no 11 é Sami Khedira. O trio de meio-campo está afinado, rotinado e fizeram o que quiseram frente a um Brasil que simplesmente não teve meio-campo (foi aliás esse um dos problemas ao longo do Mundial, a falta de ligação). Assistiu, marcou, participando naquela fase em que parecia que a Alemanha já discutia entre si quem marcava, embora optando sempre pela melhor opção. Importante ainda no transporte do jogo e com a boa agressividade que uma meia-final de um Mundial exigia. Sabella teima em não lhe dar o devido crédito, mas esta Argentina é outra com Enzo Pérez. Enquanto esteve em campo foi um dos 2 melhores jogadores argentinos e não deveria ter saído. Excepcional a sair a jogar, a transportar jogo para a frente e a mostrar ao mundo a qualidade e o porquê de ter sido o melhor jogador do campeonato português em 2013/14. Por tudo o que fez merece ser titular na final e mesmo que Di María recupere, Sabella deveria ou apostar em Enzo para jogar com Mascherano no lugar habitual de Biglia ou - considerando a Alemanha e a sua forma de jogar - manter Biglia e abdicar de Lavezzi ou Higuaín no onze, privilegiando a segurança. Tudo incógnitas pelo desconhecimento da situação de Di María, mas o que certamente não é incógnito para ninguém é o valor do camisola 35 do Benfica e 8 da Argentina. 
    Por fim, isolado na frente está o futuro Sr. História - Thomas Müller. Indiscutivelmente um dos grandes jogadores deste Mundial e um dos jogadores tacticamente mais interessantes no Mundo (a tendência é essa referência surgir ligada a jogadores de meio-campo, mas claro que é redutor). Aparece sempre nos grandes momentos, trabalha sem parar pela equipa e já conta com 10 golos em Mundiais… aos 24 anos. Traduz bem o que é a máquina alemã porque, embora craque (à sua maneira), vê-se que se sente apenas mais um no meio de um conjunto em que a estrela é a equipa.


10 de julho de 2014

Holanda 0-0 (2-4 g.p.) Argentina: Sorte sorri à equipa das Pampas

Holanda    0 - 0 (2 - 4 g.p.)    Argentina

    
Tudo terminou nas grandes penalidades. Um jogo muito fechado, sem grandes riscos por parte de ambos os lados, as estrelas das duas equipas sem brilhar, tudo somado resultou num jogo sem golos. Ligeiro ascendente para a Argentina que foi a selecção que mais fez por marcar, mas - tacticamente - Van Gaal voltou a ser melhor. Especialmente no sector defensivo onde Vlaar foi tremendo.
    Um primeiro tempo muito pobre em situações de golo. A selecção alviceleste apresentou um futebol mais ofensivo, mas sem arriscar muito o que permitiu aos holandeses segurar as investidas. Uma teia francamente bem montada por Van Gaal que fez desaparecer Messi. Mas foi mesmo o astro argentino o primeiro a visar a baliza num livre directo onde Cillessen encaixou sem problemas. Do outro lado, o melhor que os tigers conseguiram fazer foram dois cruzamentos venenosos de Sneijder que Romero afastou com os punhos. Dum lado estava uma equipa com um grande treinador, do outro uma equipa com piloto automático. Van Gaal montou uma estratégia com base na consistência defensiva e tentando atacar com passes verticais, pelo que do outro lado estavam uns argentinos que tentavam perfurar a muralha holandesa sem sucesso. Ainda assim, apresentava-se uma Argentina melhor que nos últimos jogos, melhorando com a entrada de Enzo Perez. Só Sabella sabe a razão de não ter colocado o benfiquista desde o início do Mundial.
    A segunda metade deu continuidade às estratégias defensivas das duas equipas. A Holanda avançou um pouco mais, mas era novamente a Argentina a procurar mais o golo. Vlaar começou e evidenciar-se ainda mais na partida onde limpava tudo o que ousava pisar solo holandês. Messi, Enzo e Lavezzi bem tentavam, mas Vlaar - irrepreensível - cortava todos os lances de ataque adversário. Do outro lado era Mascherano o patrão defensivo. Esteve em todo o lado e negou o golo a Robben ao cair do pano, quando este perfurou toda a defensiva e - isolado - rematou cruzado. Mascherano em esforço ainda cortou para canto. Ainda antes deste lance, Enzo Perez numa das suas muitas boas incursões ofensivas cruzou de forma exímia para Higuaín, mas este acabou por atirar às malhas laterais iludindo os telespectadores e alguns adeptos no estádio. Sabella acabou por retirar Enzo da partida - onde era o melhor da sua equipa em termos ofensivos - e lançou Palacio no jogo.
    O jogo acabou por rumar ao prolongamento que desde bem cedo parecia estar destinado. A laranja mecânica tentou pela primeira vez a meia distância por intermédio de Robben, mas Romero defendeu sem grandes complicações. Uma primeira parte sem grande história que contrastou com a segunda. A Argentina teve as duas melhores oportunidades de todo o jogo, mas não conseguiu transformá-las em golo. Maxi Rodríguez picou a bola, Palacio entrou nas costas dos defesas e - completamente isolado - tentou picar a bola com a cabeça por cima de Cillessen, mas sem sucesso. Por fim, Messi a inventar uma jogada perante dois jogadores holandeses na direita, cruza para o segundo poste e Maxi Rodríguez acabou por não acertar bem na bola e a disferir um remate fraco para as mãos de Cillessen. 
    Tudo culminou na lotaria das grandes penalidades e aí, Van Gaal não podia retirar o guardião do Ajax para colocar Krul porque já tinha esgotado as suas substituições com a inclusão de Huntelaar no jogo. Krul tentou dar umas dicas ao jovem guarda-redes do Ajax, mas este pareceu não querer ouvir. Ego ferido ao ter sido preterido no jogo contra a Costa Rica e parecia estar convicto em mostrar a todos que também sabe defender penaltis. Só que isso não aconteceu... Cillessen deixou entrar todos os 4 remates argentinos enquanto que Romero defendeu a grande penalidade de Vlaar e de Sneijder - tendo esta última sido uma muito boa defesa. Cillessen podia ter dado ouvidos a quem sabe e não agir como se não precisasse de dicas para defender as grandes penalidades. Um acto de imaturidade que certamente desaparecerá com o tempo. 
    Sabella - meio que sem saber - está na final do Mundial 2014 onde defrontará a Alemanha num jogo que promete ser escaldante. Quanto ao jogo ingrato de 3º e 4º lugar será completamente imprevisível. Contudo, há uma ligeira vantagem da Holanda derivado ao mau estado psicológico dos jogadores brasileiros. 


Barba Por Fazer do Jogo: 
Javier Mascherano (Argentina)
Outros Destaques: Vlaar, Kuyt, Janmaat; Enzo, Rojo, Romero.

9 de julho de 2014

Brasil 1-7 Alemanha: Simplesmente Histórico

Brasil  1 - 7  Alemanha (Oscar 90'; Müller 11', Klose 23', Kroos 25' 26', Khedira 29', Schürrle 69' 79')

    Numa goleada histórica e chocante que a História dos Mundiais nunca irá esquecer, a Alemanha humilhou o anfitrião Brasil na meia-final por 7-1. A Mannschaft não deu qualquer hipótese, castigou insistentemente um Brasil que não apresentou qualquer organização nem capacidade mental. Entre os 11 e os 29 minutos a Alemanha marcou 5 e o Brasil só no último minuto marcou o tento de honra. Foi feita História a todos os níveis, destacando-se por exemplo o facto de Miroslav Klose se ter tornado o melhor marcador de sempre em Mundiais (curiosamente, contra a pátria de Ronaldo "Fenómeno", a comentar o jogo em directo para a TV brasileira).
    Hoje havia à partida claro favoritismo da Alemanha. Para além de ser colectivamente um conjunto muito mais maduro e com uma ideia de jogo 100% bem definida, as ausências de Neymar Jr. e Thiago Silva esperavam-se muito significativas. Frente a uma Alemanha que se sabia como iria jogar (a dúvida seria só entre Klose e Schürrle), hoje era necessário um treinador no banco do Brasil. E, infelizmente, Scolari é um incrível motivador e por isso um bom seleccionador, mas não um bom treinador. Não havendo Neymar, a imprensa brasileira especulou que Willian e Bernard poderiam ser titulares, mas Scolari manifestou apenas não ter a noção... de tudo. À priori tínhamos pensado que jogar com Fernandinho, Luiz Gustavo e Paulinho poderia ajudar; Oscar teria que estar solto exclusivamente para tarefas ofensivas; Scolari poderia abdicar de Fred porque esta Alemanha agradece se os centrais tiverem uma referência; Ramires poderia ter sido uma opção útil. Mas nada foi assim. A humilhação ou "Desastre do Mineirão" arrancou com uma entrada brasileira com intensidade, com algumas semelhanças ao jogo com a Colômbia. O que é certo é que aos 11' começou a goleada. O 1.º de 7 golos começou nos pés de Toni Kroos, num canto. O médio do Bayern, alegadamente a caminho do Real Madrid, cobrou o canto e Müller apareceu completamente sozinho rematando para o 1-0. A reacção do Brasil não foi boa e a Alemanha voltou a fazer das suas aos 23' num golo histórico - Kroos e Müller trabalharam o lance e deixaram Miroslav Klose na cara de Júlio César. O guardião da "canarinha" defendeu um primeiro remate sem o encaixar, mas nada pôde fazer perante a recarga. 
    E foi, sobretudo, a partir deste 2-0 que o Brasil ruiu. Podia-se pensar que a Alemanha iria gerir a vantagem mas os germânicos puseram o pé no acelerador e revelaram-se imperdoáveis e extremamente eficazes. Aos 25 e 26' ocorreram 2 minutos inesquecíveis na carreira de Kroos. O médio (indiscutivelmente um dos mais completos do mundo, e ainda com um potencial enorme) iniciou a jogada do terceiro e surgiu na área para finalizar um cruzamento de Lahm. Ainda se festejava o 3-0 e já estava o 4.º logo ao virar da esquina. Kroos, faminto, roubou a bola a Fernandinho, jogou para Khedira e este, com grande altruísmo e tomando a melhor decisão, permitiu a Kroos bisar. A máquina continuou afinada, Hummels decidiu ir dar uma perninha ao ataque transportando a bola e originou mais um golo - Khedira e Özil trocaram a "batata quente" antes do primeiro finalizar. Chegava o intervalo e ninguém conseguia acreditar: Brasil 0-5 Alemanha!
    Scolari trocou ao intervalo Hulk e Fred por Ramires e Paulinho, e a entrada foi positiva, testando Manuel Neuer por várias vezes. Löw poderia ter substituído Klose por Schürrle ao intervalo, mas fê-lo aos 58', melhorando a sua equipa e voltando a retirar o oxigénio ao Brasil. Novamente com mais espaço e frente a um Brasil desorganizado e com erros sucessivos, a Alemanha ameaçou voltar a marcar com Júlio César a fazer uma grande defesa a um remate de Müller mas o resultado avolumou-se mesmo. Coube a Schürrle finalizar mais uma iniciativa de Lahm pelo flanco direito, escrevendo o 6-0. Só faltava um para o 7-0 (aquela goleada mágica) e o lance que resultou nesse golo traduziu na perfeição todo o jogo. A partir de um lançamento lateral o Brasil voltou a manifestar enorme displicência, Müller assistiu Schürrle e o extremo do Chelsea disparou forte para um golaço, a raspar no ângulo antes de entrar. Noite alemã perfeita, pesadelo brasileiro difícil de recalcar. Os minutos passaram até ao final, tendo Oscar ainda conseguido o golo que ninguém terá festejado, lançado por Marcelo e depois de ultrapassar bem Boateng.

    Incompetência contra competência. A Alemanha manteve-se igual a si mesma, mantendo a sua forma de jogar, e hoje tudo lhe saiu bem. O Brasil preparou mal o jogo, achando que bastaria praticar o seu "futebol", acusou a falta de Neymar (o farol da equipa) e pôs a nu a equipa que não é, hoje sobretudo. O jogo de hoje não apaga a superioridade que o Brasil manifestou contra a Colômbia, nem o bom Mundial de David Luiz até aqui. Este Brasil quis viver à base do toque de Neymar, à base do talento individual, não conseguiu repetir nem a dinâmica nem a coesão defensiva da Taça das Confederações e frente a uma estrutura forte, tombou com estrondo. Scolari e os seus jogadores têm muito para analisar e ainda o jogo do 3.º e 4.º para disputar. Defensivamente este Brasil acaba por desiludir bastante, esteve sempre no limbo do ponto de vista emocional (as emoções vividas com o Chile catalisaram a performance com a Colômbia; mas hoje ao sofrer a equipa desmoronou por completo).
    Relativamente à Alemanha, Löw conseguiu finalmente uma final para esta fantástica geração, a atravessar um momento de extrema confiança, organização e que sabe estar em campo. O ADN da Mannschaft é de uma força indiscutível: 2002 finalista, 2006 3.º lugar, 2010 3.º lugar, 2014 para já finalista. É certo que esta Alemanha beneficiou muito a partir do momento em que Lahm regressou a lateral direito e passou a jogar com Khedira, Kroos e Schweinsteiger no meio. Hoje os germânicos merecem todos os elogios porque fizeram um jogo perfeito. Toni Kroos foi a estrela maior (2 golos e 1 assistência), num jogo em que Müller, Lahm e Khedira estiveram excelentes, Neuer fez a sua parte, Klose fez História e Schürrle saltou do banco para bisar.
    Amanhã joga-se um bastante mais imprevisível Holanda-Argentina. Têm a palavra Messi e Van Gaal.



Barba Por Fazer do Jogo: 
Toni Kroos (Alemanha)
Outros Destaques: Neuer, Lahm, Khedira, Müller, Schürrle, Klose

8 de julho de 2014

Mundial 2014: 11 dos Quartos-de-Final

    Em dia de jogo grande, aproveitamos para lançar o onze ideal para o Barba Por Fazer dos quartos-de-final. Não apreciamos a táctica alemã e belga por alinharem com 4 centrais na defesa, mas a verdade é que - desta vez - temos de dar o braço a torcer. Isto porque foi uma jornada em cheio para os centrais das várias selecções ainda presentes na prova. Uma ronda que voltou a pecar nos finalizadores, mas que voltou a somar pontos com o sector do meio campo. Ora sigam as nossas escolhas:
    Após o França-Alemanha a baliza estava praticamente entregue a Manuel Neuer. Contudo, Keylor Navas voltou a colocar o alemão de fora do 11 ideal. O costa-riquenho defendeu tudo - mais uma vez - e levou também uma vez mais uma selecção ao prolongamento. Apesar de Krul ter levado a melhor nas grandes penalidades, despede-se do Mundial com um jogo à imagem do que foi a sua prestação no Mundial - com larga vantagem, o melhor guarda-redes do Mundial 2014. Quantidade absurda de intervenções de elevado grau de dificuldade (mais do que qualquer outro guardião), sempre sem vacilar em momentos-chave e o guarda-redes que esteve a um nível mais alto em mais jogos resultando assim numa regularidade de alto nível.
    Como referimos anteriormente, decidimos formar o quarteto defensivo do nosso 11 com 4 centrais de raiz. David Luiz foi um dos destaques da jornada dentro e fora de campo. Exemplar mais uma vez na defesa, a contagiar os colegas com a sua intensidade e determinação. E depois... Bem... Depois houve talvez o melhor golo da carreira da sua carreira. Com o Mundial a caminhar para o fim e com outros excelentes centrais eliminados, tem boas condições para figurar no nosso 11 do Mundial 2014. Para já, nesta ronda, foi o melhor central na "ronda dos centrais". Por tudo o que fez em campo e por merecer o respeito do mundo inteiro com o seu gesto perante James Rodríguez. Mats Hummels é outro forte candidato a também estar no derradeiro onze. Bate-se bem com o David na perfeição das exibições ao longo da prova. Esteve em todo o lado, tapou todos os caminhos, secou quem lhe apareceu pela frente e marcou um grande golo de cabeça. Defensivamente, foi o melhor central dos quartos. Thiago Silva inaugurou o marcador frente à Colômbia e fez um bom jogo defensivamente. O melhor jogo do brasileiro neste Mundial, embora já tivesse subido os índices frente ao Chile. De qualquer forma, para além de ter sido parvo ao “ganhar” um amarelo, ficou ligeiramente na sombra do David. Já Ezequiel Garay basicamente deixou o mundo do futebol perceber que foi o melhor negócio deste defeso. Uma exibição finalmente ao nível das que teve pelo Benfica esta temporada, valendo praticamente ele sozinho para limpar todas as investidas da Bélgica. Ganhou bolas de cabeça, antecipou-se e não perdeu nenhum 1 para 1. Irrepreensível. Não marcou, como o Thiago Silva, mas foi superior no cômputo geral. 
    Chegando ao centro do terreno, temos que referir que o Mundial perdeu o melhor jogador em prova até aos quartos, inclusive. O Mundo ganhou o respeito por James Rodríguez, que ainda pode ser o melhor marcador. Não esteve tão exuberante como contra o Uruguai, mas por mérito da pressão e intensidade do meio-campo brasileiro. De qualquer forma, não só sai do Brasil como o jogador mais promissor do Mundo como voltou a mostrar que na Hora H não tem medo. Pede a bola, assume a equipa e tem a coragem de arriscar e querer mais. Toni Kroos foi o melhor elemento do meio-campo alemão contra a França. A mostrar enorme inteligência e a fazer tudo bem. Praticamente não errou um passe, soube quando tinha de temporizar e juntou a tudo isto as bolas paradas. Hummels agradeceu. Wesley Sneijder está a aparecer quando a Holanda mais precisa. Contra a Costa Rica foi o jogador que esteve mais perto de marcar a Keylor Navas. Rematou um livre directo ao poste e quase fez um golaço no fim do prolongamento tendo acertado na barra. É jogador talhado para Mundiais. Ninguém tem dúvidas. Fernandinho e Mascherano - tendo uma importância completamente diferente - do ponto de vista de recuperação, pressão e equilíbrio foram também grandes destaques esta ronda. Fernandinho merecia ter visto cartão, mas esteve omnipresente a asfixiar a Colômbia. O colega Paulinho apareceu finalmente num nível decente, mas foi Fernandinho que se transcendeu mais. Javier Mascherano tem sido um dos 5 melhores jogadores argentinos. Funcionou melhor com Biglia do que tem sido com Gago e - embora não seja normalmente muito valorizado - está a jogar ao nível dos tempos do Liverpool.
    Na frente está Gonzalo Higuaín como única referência de ataque. Foi o melhor avançado da ronda. Marcou o golo decisivo contra a Bélgica - onde teve instinto matador ao estar na hora certa, no momento certo - e para além disso, ainda criou mais 2 oportunidades de perigo. Uma das quais podia emoldurar se entrasse, não pelo remate em si, mas pelo túnel que fez a Kompany.


6 de julho de 2014

Holanda 0-0 (4-3 g.p.) Costa Rica: Havia motivos para Krul entrar

Holanda  0 - 0 (4-3 g.p.)  Costa Rica

    A Laranja Mecânica garantiu lugar nas meias-finais do Mundial 2014 depois de mais uma demonstração de carácter por parte da Costa Rica e de mais uma extraordinária exibição de Keylor Navas. Na ronda em que James Rodríguez é eliminado detendo nesta altura o estatuto de melhor jogador da competição, o mesmo acontece a Keylor, o melhor guardião na Copa até aqui. A Holanda foi superior durante todo o jogo, mas só conseguiu o apuramento na decisão por grandes penalidades. Aí, Tim Krul - colocado (correctíssima leitura, embora para nós Krul fosse sempre o titular como já defendemos por várias ocasiões) no fim do prolongamento por Van Gaal - fez das suas luvas decisivas. Ninguém pode tirar uma coisa à Costa Rica: os ticos saem deste Mundial sem perder.
    Para hoje Jorge Luís Pinto manteve o seu afinado 5-4-1, enquanto que Van Gaal - sem poder contar com Nigel De Jong - apostou em Blind e Kuyt como alas, uma estrutura de 3 centrais, Wijnaldum e Sneijder no miolo e na frente Robben, Depay e Van Persie. Hoje Van Gaal pôde de facto afirmar estar num 3-4-3. A Holanda começou melhor, mas circulando a bola de forma lenta, e criou o 1.º lance com Memphis Depay a assistir o capitão RVP, com este a ver Navas a negar-lhe o golo. Ainda na recarga do mesmo lance, Sneijder insistiu mas Keylor segurou com serenidade à 2.ª, e estava apenas a aquecer ainda. A tendência manteve-se e poucos minutos foi Depay a tentar a sua sorte mas K. Navas chamou-lhe um figo. O 1.º tempo teve ainda lances de bola parada bem executados: após um livre indirecto de Celso Borges valeu Van Persie a despachar a bola no seu auxílio à defesa, e do outro lado brilhou Keylor Navas novamente com um voo a impedir um livre directo de Sneijder. Remate fantástico, defesa superior.
    No regresso dos balneários, a Holanda não entrou como devia. Esperava-se uma laranja mecânica a acelerar o jogo, mas acabou por continuar a gerir e circular com pouca rapidez, tentando descobrir um buraco na muito bem organizada defesa de Jorge Luís Pinto. Arjen Robben, sempre o jogador mais perigoso e focado da Holanda, começou a espalhar o pânico, arrancando faltas e cartões porque, de facto, quer-se queira quer não, é quase impossível pará-lo quando acelera. Passo a passo a Costa Rica foi procurando criar as suas oportunidades, ora em lances de bola parada ora em saídas com os seus 3/ 4 homens mais adiantados (garantindo, como sempre foi neste Mundial, o equilíbrio imediato), mas o perigo voltou a rondar a baliza do guarda-redes da Costa Rica e do Levante nos dez minutos finais. Wesley Sneijder quis-se vingar da brilhante defesa do guarda-redes que defende bolas de ténis com naturalidade, mas acertou em cheio no poste. Van Persie também quis tentar e, depois de enganar 2 defesas com uma finta na grande área, não conseguiu enganar Navas. A asfixiada Costa Rica foi subsistindo, Junior Díaz foi escapando à expulsão uma e outra vez, e o tempo regulamentar terminaria com um lance atabalhoado após bom cruzamento de Blind, em que no fim valeu Tejeda a impedir o golo de Van Persie. O médio do Saprissa cortou o remate em cima da linha, fazendo ainda a bola embater na trave.
    O prolongamento começou praticamente com Vlaar, de cabeça pois claro, a não conseguir fazer o golo, mais uma vez por obra e graça de santo Keylor. No entanto, a Holanda esteve mal até aos 105 e só aí Van Gaal fez a sua 2.ª alteração, trocando Martins Indi por Huntelaar. Os 15 minutos finais foram bem mais emocionantes que os primeiros e com ocasiões de parte a parte: Ureña e Bolaños colocaram em sobressalto toda a defesa laranja e aos 117' Cillessen fez a sua 1.ª intervenção relevante, a impedir um golo de Ureña que provocaria muitos ataques cardíacos na Costa Rica. De um lado Ureña, e do outro lado Sneijder - o pequeno playmaker quase colocou a cereja no topo do bolo em cima do apito final mas um extraordinário remate seu de longe acabou por ter a trave como destino. Aos 120'+1, Van Gaal trocou Cillessen por Tim Krul para os penalties - na altura a nossa leitura imediata foi que o seleccionador holandês (porventura o treinador que percebe mais de futebol neste Mundial) estava a agir bem. Para nós, Krul seria sempre o titular desta Holanda mas, tendo um especialista, porque não apostar nele? Van Gaal nunca sairia vilão porque Cillessen não é um guarda-redes de valor indiscutível e Krul só poderia sair daqueles penalties ou como herói ou apenas como mais um holandês. O que é certo é que a Holanda, que tinha muito maior pressão sobre os seus ombros, converteu todas as grandes penalidades (Van Persie, Robben, Sneijder, Kuyt) e Krul foi herói ao defender os remates de Bryan Ruiz e Umaña.

    A Holanda mereceu passar, mas nunca ninguém esquecerá esta Costa Rica. Venceu o Uruguai, venceu a Itália, empatou com a Inglaterra, ultrapassou a Grécia no desempate por penalties e hoje caiu pelo mesmo método. Keylor Navas sai do Mundial com a sua cotação elevadíssima, Jorge Luís Pinto teve um mérito incrível na forma como montou a estratégia e como trabalhou a sua equipa, e os ticos dizem adeus depois de fazerem História jogo após jogo. Deu a ideia que a Holanda poderia ter resolvido a questão mais cedo (Navas, os postes e alguma lentidão quando Robben queria qualificar-se mas os seus colegas pareciam confiar que chegavam lá com o tempo) mas conta muito ter Van Gaal no banco. O seleccionador holandês tem sido um dos destaques deste Mundial na forma como sabe desdobrar a sua equipa, ler o jogo como mais nenhum consegue, e hoje arriscou ao colocar Krul e teve sucesso.
    Holanda-Argentina, às 21:00 de 9 de Julho.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Keylor Navas (Costa Rica)
Outros Destaques: Krul, De Vrij, Sneijder, Robben; G. González, Bolaños

5 de julho de 2014

Argentina 1-0 Bélgica: Higuaín decide jogo q.b.

Argentina  1 - 0  Bélgica (Higuaín 8')

    Sem grandes dificuldades e com um golo madrugador a ajudar, a Argentina ultrapassou a Bélgica e garantiu presença nas meias-finais de um Mundial 24 anos depois. A selecção de Lionel Messi junta-se assim a Brasil e Alemanha, ficando agora à espera de saber se o seu adversário será a Holanda ou a Costa Rica. Num Mundial surpreendente em vários capítulos, a verdade é que no final das contas em 4 semi-finalistas estarão 3 (Brasil, Alemanha e Argentina) que a esmagadora maioria previa.
    Para hoje, Sabella não pôde contar com Rojo (castigado), e optou por Balanta para lateral esquerdo, apostando ainda em Demichelis e Biglia nos lugares habitualmente ocupados por Federico Fernández e Gago. Na Bélgica, Wilmots foi pouco astuto e bastante naive em vários sentidos - hoje pedia-se um miolo diferente e Wilmots manteve a fórmula, dando ainda a titularidade a Mirallas no flanco e Origi na frente. Depois de Lukaku transformar o jogo com os EUA só se compreende o facto de ter começado hoje no banco se continuar incapaz de aguentar muitos minutos. A Bélgica até iniciou o jogo com atrevimento e confiança, sempre com Kevin De Bruyne a mostrar-se ao jogo, mas acabou por ser a Argentina a marcar muito cedo. Lionel Messi bailou e colocou a cabeça de vários belgas a andar à roda, passou para Di María e o craque do Real Madrid assistiu por engano (porque tentava colocar a bola noutro colega, mas esta foi desviada) Higuaín. O avançado do Nápoles surpreendeu Courtois com um remate colocado e de belo efeito. A Bélgica não baixou os braços com o golo e foi tendo em Kompany e De Bruyne as suas maiores figuras. O central do Manchester City disse presente por várias vezes, evidenciando o seu poderio físico, enquanto que De Bruyne continuou a tentar levar a equipa para a frente, com Fellaini mais próximo de si, enquanto Hazard se manteve longe de aparecer neste Mundial 2014. Na Argentina, o brilhantismo defensivo de Ezequiel Garay e a maturidade táctica de Mascherano chegavam para as encomendas e, no contra-ataque, quase surgiu o 2-0 - Lionel Messi fez um passe simplesmente fantástico (um dos melhores deste Mundial) a encontrar Di María mas valeu um defesa a opor-se à investida do nº 7. O lance acabou por ser de triste sina para Ángel porque acabou por se lesionar, proporcionando a estreia de Enzo Pérez na competição. Os minutos finais da 1.ª parte contiveram um livre de Messi que levou relativo perigo e um cabeceamento de Mirallas que terá certamente assustado a afición argentina.
    Infelizmente, a 2.ª parte não foi famosa. Bem longe da intensidade colocada em campo ontem por Brasil e Colômbia (jogar mais tarde ajuda, mas não é explicação suficiente), a Argentina conseguiu gerar a sua vantagem, controlando as acções de uma selecção belga à qual faltou chama, coragem e vontade de fazer a diferença, individual e colectivamente. No arranque houve inclusive mais Argentina. Higuaín deixou um primeiro aviso mas aos 55' esteve perto de bisar, e com grande qualidade. Pepita arrancou rumo à baliza, fez uma maldade a Vincent Kompany, mas acabou por acertar no ferro da baliza de Courtois. Com 3 médios inteligentes a ocupar os espaços (Mascherano, Biglia e Enzo) e com um super-Garay que resolveu todos os eminentes sarilhos na área sul-americana, o jogo foi decorrendo e Wilmots foi-se vendo obrigado a mexer - colocou Lukaku e Mertens, e mais tarde abdicou de Hazard aos 75' - numa total representação do fraco Mundial do jogador do Chelsea. Os "Diabos Vermelhos" acabaram com Van Buyten na área contrária, procurando explorar a superioridade física e no jogo aéreo não só do central como também de Fellaini, Witsel e Lukaku, mas o 1-0 não viria a transformar-se noutro resultado. O último lance do jogo acabou por ser uma arrancada de Messi em direcção à baliza, mas com Courtois a negar o golo, embora Messi tivesse obrigação de fazer melhor.

    Esperávamos que a Argentina passasse mas não uma Bélgica tão pouco crente e capaz. No fundo, a selecção belga acaba por sair deste Mundial (sempre defendemos que este era um 1.º passo para esta geração começar a sentir estes palcos e aparecer com outras obrigações em 2016 e 2018) com um registo q.b. A equipa de Wilmots ganhou os 3 jogos da fase de grupos, não deslumbrou em nenhum deles, e conseguiu o seu melhor jogo neste Brasil'2014 contra os EUA nos oitavos, na tal exibição monumental de Tim Howard. De Bruyne foi sempre o jogador que não teve medo de assumir o jogo da equipa, e Eden Hazard foi uma das desilusões da competição, embora vá certamente voltar mais forte noutra prova.
    Quanto à Argentina, não precisou de estar ao nível que apresentou frente à Suiça e volta a repetir o 1-0 desse confronto, desta vez sem recorrer ao prolongamento. Lionel Messi voltou a brindar os adeptos com alguns momentos de magia (hoje, curiosamente, esteve muito mais "solto" e confiante do que anteriormente), Gonzalo Higuaín decidiu o jogo e poderia muito bem ter bisado mas o destaque principal foi mesmo Ezequiel Garay. Numa ronda em que os centrais têm estado incríveis (David Luiz, Hummels, Thiago Silva), Garay esteve perfeito na defesa e por isso é impossível compreender como um central assim pode ser transaccionado por 6 milhões de euros.
    Dia 9 de Julho já se sabe que teremos a Argentina de Messi em campo, resta agora ficar a conhecer o seu adversário: a Laranja Mecânica, ou a verdadeira surpresa do Mundial...


Barba Por Fazer do Jogo: 
Ezequiel Garay (Argentina)
Outros Destaques: Mascherano, Messi, Higuaín; Kompany, De Bruyne

Brasil 2-1 Colômbia: Duelo de emoções fortes!


Brasil    2 - 1    Colômbia (Thiago Silva 7', David Luiz 69'; James Rodríguez (g.p.) 78')

    O Brasil prossegue a sua caminhada rumo à final batendo hoje uma das selecções que jogava melhor futebol e que tinha o melhor jogador da prova - James Rodríguez. Ao contrário do primeiro jogo de hoje, este Brasil-Colômbia foi tudo menos táctico. Ambas as equipas muito lançadas para o ataque e sem pensar muito. Futebol ofensivo na sua verdadeira ascensão à palavra e a verdade é que também faltam jogos destes para os amantes de futebol apreciarem. Um jogo puro de futebol sul-americano.
    Tudo começou com o Brasil a todo o gás. Muita intensidade nos primeiros minutos que culminaram num golo madrugador de Thiago Silva. Neymar bateu o canto e a má organização defensiva da Colômbia deixou o central do PSG solto ao segundo poste para empurrar para o fundo das redes. A Colômbia ripostou por intermédio de Cuadrado, mas o colombiano acabou por rematar às malhas laterais da baliza de Júlio César. Os colombianos precipitavam-se muito no ataque e acabavam por decidir muito mal nas transições. O Brasil aproveitava e partia também ele a alta velocidade para a baliza adversária. Hulk e Neymar eram os mais perigosos e do outro lado era James a pegar na bola. O colombiano assumia o jogo da equipa, mas não tinha Cuadrado a um nível tão bom como em jogos anteriores. O jogo acabou por ser muito atractivo e os ataques surgiam de parte a parte, mas o resultado mantinha-se.
    O segundo tempo começou bem diferente. Os brasileiros acalmaram e não tinham tanto poderio ofensivo. A Colômbia sentia que poderia mudar o rumo do jogo, mas também sentia algumas dificuldades em construir um ataque com perigo. Thiago Silva acabaria por ver um amarelo por impedir Ospina de lançar rápido para o ataque e falha assim o jogo da meia-final. Logo a seguir surge um golo para a Colômbia que o árbitro assistente assinala fora-de-jogo. Na altura em que James bate o livre estão dois jogadores em posição irregular, mas ambos acabam por não interferir no lance. Acaba por ser Yepes - numa grande carambola - a empurrar a bola para o fundo das redes, mas o árbitro já tinha levantado a bandeirola mal James bateu o livre. Num momento em que os colombianos estavam a dar tudo em campo pelo empate, surge o golo canarinho. Hulk aproveita-se dum carrinho do ex-colega James Rodríguez - que até se encolheu - e não evitou o contacto. Falta bem assinalada - embora algo "cavada" pela inteligência de Hulk. O jogador brasileiro partiu em velocidade, James tentou o carrinho (mas logo se encolheu mal percebeu que não chegava a tempo), mas Hulk foi inteligente e acabou por não evitar o contacto até porque já estava a perder posição. Ainda assim, falta bem assinalada, mas amarelo exagerado. Na cobrança, David Luiz marca um verdadeiro golaço. Um livre que já lhe é característico e que - segundo Rui Costa - começou a treiná-lo nos treinos do Benfica, mas não tinha confiança necessária para batê-los nos jogos. Livre batido em jeito e em força complicando a vida a Ospina. O que também atrapalhou Ospina foi certamente a sua barreira com inúmeros jogadores. Acabou por lhe tapar a visão tendo o colombiano dado um passo para o lado contrário da trajectória da bola para tentar visualisá-la melhor. Passo esse que foi fulcral já que o guardião não chegou por um triz. Pekerman lançou Bacca para tentar virar o encontro e logo a seguir, o próprio Bacca sofre uma grande penalidade. James isola o avançado, Bacca pica a bola por cima de Júlio César e o guardião brasileiro acaba por varrer o adversário. Grande penalidade para James e Hulk tentou dar conselhos a Júlio sobre as grandes penalidades do ex-companheiro. Conselhos que de nada valeram com James a atirar para o lado contrário do guarda-redes e a recuperar o sonho colombiano. Até ao fim da partida, a Colômbia tentou de tudo, mas o esforço saiu em vão. Ainda ficou um vermelho por mostrar a Zuñiga que acabou por dar uma joelhada nas costas de Neymar sem qualquer intenção de jogar a bola. O objectivo foi simplesmente atingir o brasileiro e conseguiu-o. Acabou com o percurso do avançado neste Mundial lesionando-o por 4 a 6 semanas.
    Enorme jogo de futebol. Emoções fortes do princípio ao fim. Futebol ofensivo característico dos sul-americanos que fez as delícias dos adeptos. David Luiz foi o homem do jogo, dentro e fora do campo. O central ex-benfiquista depois de agradecer a Deus foi ao chão levantar James Rodríguez que estava desfeito em lágrimas. O seu sonho tinha acabado ali e David não descansou enquanto o jogador ex-Porto saísse de cabeça erguida. Enorme atitude do brasileiro perante outro grande jogador. Hoje caiu a Colômbia. Hoje saiu o melhor jogador do Campeonato do Mundo. James e os seus companheiros orgulharam de certeza o seu país. Caíram, mas caíram de pé.


Barba Por Fazer do Jogo: David Luiz (Brasil)
Outros Destaques: Thiago Silva, Neymar, Hulk; James Rodríguez, Guarín, Zapata.

4 de julho de 2014

França 0-1 Alemanha: Assim até parece fácil...

França    0 - 1    Alemanha (Hummels 12')

    A Alemanha é a primeira selecção a qualificar-se para a meia-final. Os germânicos ultrapassaram os gauleses com alguma normalidade, mas apenas com um tento de Hummels. O defesa foi tremendo nos terrenos defensivos e foi ao ataque decidir o encontro com um golpe certeiro servido na perfeição por Kroos. Enorme jogo dos alemães que controlaram a partida com inteligência e não deixando a França sequer pensar. Löw viu-se impedido de lançar Mertesacker e acabou por equilibrar melhor a sua equipa. Lahm voltou à lateral direita, o miolo ficou formado por Khedira, Schweinsteiger e Kroos e o ponta de lança acabou por ser Klose relegando Müller para a direita. Já Didier Deschamps optou por fazer regressar - mal - Sakho ao centro da defesa.
    Inicialmente o jogo entre ambos os conjuntos apresentou-se muito táctico. Com os dois lados a querer arriscar pouco, mas a intensidade acabava por ser boa. A França ainda foi a primeira a criar perigo por intermédio de Benzema, mas foram os alemães a fazer o golo muito cedo. Aos 12 minutos, Toni Kroos ganha uma falta a Paul Pogba e acaba por ser o mesmo a cobrá-la de forma exímia. O médio - que ao que tudo indica está de partida do Bayern - cruzou para o coração da área onde Hummels se impôs a Varane e bateu Hugo Lloris. Grande golo dos germânicos. Apesar do cruzamento acabar por ser meio-golo, Hummels cabeceou para o o ângulo superior direito tendo o esférico ainda batido na barra. A França ainda conseguiu responder, mas Manuel Neuer voltou a fazer das suas... Passe largo de Cabaye para Griezmann com o jovem extremo francês a virar por completo o jogo para Valbuena que disfere um remate com selo de golo. Neuer parecia estar batido, mas acabou por defender milagrosamente! Com apenas uma mão e com um voo inacreditável acabou por salvar a sua equipa do empate. Os franceses acabaram por cima do jogo na primeira metade e a segunda parte prometia ser intensa.
    Contudo, essa intensidade que se previa ou que se esperava por parte da França no jogo foi controlada na perfeição pela Alemanha. Sempre muito organizada e madura na abordagem aos lances, os alemães apenas partiam para o ataque quando os adversários abriam espaços. Varane ainda tentou o golo num canto aquando duma boa cabeçada ao ângulo que levava - carimbo de golo -, mas à qual Manuel Neuer defendeu como se de um passe se tratasse. A Alemanha teve a oportunidade de fazer o golo por intermédio de Thomas Müller - após passe sem nexo de Mamadou Sakho -, mas acabou por atirar ao lado. O tempo ia passando e os gauleses desesperavam no ataque. Benzema trabalhou muito bem dentro da área, mas quando ia rematar, Mats Hummels fez um corte soberbo de carrinho salvando a sua equipa. Matuidi também tentou a sua sorte mesmo quase sem ângulo, mas Neuer - mais uma vez - defendeu sem problemas. Lloris também não quis ficar atrás e após contra-ataque em superioridade numérica dos alemães, Hugo Lloris defende com os pés um remate de Schürrle. Já se gritava golo nas bancadas, mas o guardião do Tottenham deu um balão de oxigénio à equipa. No último lance da partida, Benzema combinou na perfeição com Giroud e - com o pé esquerdo - atirou decidido a marcar, mas - quem mais poderia ser? - Manuel Neuer encheu a baliza e afastou com a mão de forma imperial. 
    
    A França bem deu tudo, mas tardou em apostar tudo no ataque. Muito por culpa da teia montada por Joachim Löw. Os alemães não deixavam os franceses pensar com uma pressão alta, defendendo de forma organizada e atacando de forma inteligente. A Alemanha tornou o grande embate destes quartos-de-final muito fácil e mereceu passar às meias-finais. Hummels e Manuel Neuer foram imperiais na vitória alemã limpando tudo o que havia para limpar. A vontade de vencer da França transformou-se sempre em frustração quando tudo esbarrava nestes dois jogadores. Segue-se o Brasil com a Colômbia que também ninguém quererá perder!


Barba Por Fazer do Jogo: Mats Hummels (Alemanha)
Outros Destaques: Valbuena, Benzema; Neuer, Müller, Lahm, Kroos.

3 de julho de 2014

Mundial 2014: 11 dos Oitavos-de-Final

    Mais uma pausa no Campeonato do Mundo. Desta vez de dois dias aumentando assim a parada. Pausas que cheiram a despedida quando já só restam 8 jogos em disputa. 8 jogos e 10 dias para terminar a maior prova do mundo do futebol. Mas enquanto podemos desfrutar deste bom futebol que se pratica - num dos melhores mundiais num passado recente - aproveitamos para partilhar mais um 11 ideal correspondente aos oitavos-de-final. Jogos intensos e sôfregos até ao último minuto e onde os guarda-redes foram as estrelas. Poderíamos ter um banco repleto de guardiões, mas tivemos que optar por 2. Sigam-nos abaixo para saberem quem são.
    A titularidade acabámos por entregar a Tim Howard. A verdade é que foi uma escolha difícil entre ele e Keylor Navas. Navas fez defesas milagrosas evitando a derrota da Grécia em momentos-chave. Não teve muitas ocasiões para salvar a sua equipa, mas salvou-a de forma milagrosa e acabou por defender uma grande penalidade que ofereceu a Umaña a decisão de colocar a Costa Rica nos quartos. Mesmo perante todo este cenário, a escolha recaiu no guardião dos Estados Unidos. Não fez tantas defesas impossíveis, mas foi chamado muitas mais vezes a intervir. Foi de longe a razão dos norte-americanos poderem ainda sonhar durante todo o prolongamento. Aguentou todas as ofensivas belgas e apenas caiu perante os talentos de Lukaku e Kevin De Bruyne. Gigante entre os postes, Howard parece melhorar as suas capacidades como guarda-redes ao longo dos anos.
    Quanto à defesa estreamos pela primeira vez neste sector quatro elementos. No lado direito temos Philipp Lahm. Poderíamos colocá-lo a lateral ou no centro do terreno. Lahm jogou e fez jogar e foi o melhor jogador em campo frente à Argélia. É dos jogadores tacticamente mais inteligentes do Mundo - poucos decidem como ele -, mas quando se é o melhor lateral do mundo, tem que se ser lateral. No centro do terreno David Luiz marca presença depois de ter sido um dos 5 melhores centrais na fase de grupos. Marcou o golo brasileiro (a meias com o Jara), esteve seguro na defesa e assumiu com confiança a primeira grande penalidade. Gary Medel - que também continuou em grande - foi um monstro contra o Brasil como já tinha sido com a Espanha. Lutou imenso e saiu de campo com a perna toda ligada quando não dava mesmo mais. Saiu em lágrimas, mas como um dos melhores centrais da prova. Um herói chileno que merece certamente um clube melhor. Candidato a locomotiva da jornada temos do lado esquerdo Pablo Armero. Ao estilo de Robben nos momentos em que acelerou e deixou os jogadores uruguaios para trás, deu muita profundidade e esteve envolvido na boa jogada que deu o 2-0 à selecção colombiana. 
    No centro do terreno temos um jogador que regressou às exibições do passado. Wesley Sneijder mostrou a toda a gente que o velho Sneijder não desapareceu. Devia ter sido o melhor do mundo em 2010, quando ganhou tudo pelo Inter e levou a Holanda à final e frente ao México o golo dele - com um México infelizmente pouco corajoso e uma Holanda que pressionou e colheu frutos - acabou por mudar o jogo com uma bomba indefensável para Ochoa. Um lance consentido pela defesa, mas muitos falhariam aquele remate tão decisivo e não tão fácil de executar brilhantemente. Kevin De Bruyne decidiu o jogo frente aos E.U.A. Coube ao belga conseguir finalmente marcar a Tim Howard, depois do jogo mudar com a entrada de Lukaku. No prolongamento, marcou e assistiu e acabou por ser um dos 3 jogadores em destaque nesse jogo. Na França, o pequeno Valbuena foi o grande cérebro nos momentos ofensivos franceses - como tem sido quase sempre neste Mundial - e já nos jogos de preparação. O Astérix de cabelo negro esteve presente em praticamente todas as jogadas de perigo e acabou por estar ligado aos 2 golos da França. Finalmente chegou Ángel Di María. Contra a Nigéria já tinha deixado um cheirinho da época no Real Madrid, mas só contra a Suiça é que finalmente acordou. Decidiu o jogo aos 118 minutos com a ajuda de Messi e foi impressionante ver a intensidade e a capacidade de acelerar que continuou a apresentar mesmo no prolongamento, quando toda a gente já estava de língua de fora a vê-lo jogar... Por último temos - mais uma vez - James Rodríguez. Já não há muito a dizer. Melhor golo da jornada e a melhor exibição individual da jornada. Neste momento segue isolado em primeiro lugar na corrida a Melhor Jogador do Mundial e vai ter agora um grande teste com o Brasil que pode alimentar ainda mais o sonho colombiano. 
    Pela primeira vez optámos por apenas um único avançado. E o escolhido foi Romelu Lukaku. Apesar de se bater bem com Huntelaar. Ambos tiveram exibições semelhantes ao saltar do banco e a decidirem o jogo a seu favor. Contudo, o holandês acabou com uma grande penalidade decisiva e o belga acabou mesmo por decidir em jogo corrido com uma assistência - após enorme trabalho individual - e com um golo.


2 de julho de 2014

Bélgica 2-1 (a.p.) EUA: Howard adiou mas a juventude belga ganhou

Bélgica  2 - 1 (a.p.)  EUA (De Bruyne 97', Lukaku 105'; Green 107')

    Os jogos dos oitavos-de-final terminaram com mais um jogo resolvido no prolongamento (em 8 jogos, só 3 deles ficaram resolvidos em 90 minutos), com vários ingredientes frequentes nesta ronda: muita emoção e grandes exibições de GR. Neste caso, Tim Howard. O guardião do Everton acabou o jogo com 15 defesas mas a entrada de Romelu Lukaku (colega de Howard este ano) mudou o jogo, com Kevin De Bruyne em destaque evidente.
    A Bélgica era favorita no jogo de hoje e Wilmots apostou em Mertens e Origi, deixando Mirallas e Lukaku no banco. Opções que se entendiam considerando as boas exibições do baixinho extremo e do jovem prodígio do Lille, importantes a resolver alguns jogos. Os "diabos vermelhos" tinham revelado alguns problemas de finalização e na fase de grupos tinham demorado sempre muito tempo a marcar, tendo inclusive Vertonghen como o único marcador que não tinha saído do banco para contribuir. O desafio começou muito intenso e logo com poucos segundos Origi teve o golo nos pés - valeu a rapidez do jovem avançado mas valeu também a defesa de Tim Howard, a primeira de muitas. A Bélgica manteve muita intensidade e muita vontade de marcar, querendo contrariar o timing de jogos anteriores, e foram várias as oportunidades desperdiçadas: Vertonghen esteve muito activo e serviu De Bruyne num lance em que o jogador do Wolfsburgo demorou muito e finalizou mal, e depois foi o próprio Vertonghen, lançado por um grande passe de Hazard, a perder um lance ao tentar dar a bola a Fellaini em vez de rematar à baliza. Destaque nos primeiros 45 para a lesão de Fabian Johnson, embora DeAndre Yedlin o tenha substituído com qualidade, tanto a dar profundidade como a defender Hazard. No fim da 1.ª parte havia claramente uma Bélgica superior, e Tim Howard estava apenas a aquecer na baliza norte-americana.
    No arranque dos segundos 45, a Bélgica regressou pronta a sufocar os EUA. Mertens testou a atenção de Howard com um cabeceamento de costas para a baliza, Origi (bastante perdulário hoje) falhou um remate à boca da baliza e pouco depois o jogador mais adiantado da Bélgica cabeceou à barra. A partir dos 50/60 minutos foi quando Tim Howard começou a "engatar". A Bélgica tentava de todas as maneiras e feitios chegar ao golo - nem sempre a decidir bem no último terço - e Howard foi dizendo presente sem parar. Defendeu um remate de Vertonghen, depois outro de Origi e brilhou ao esticar o seu pé evitando um golo que parecia certo de Mirallas, após grande passe de Origi. Nos 10 minutos a toada manteve-se e os belgas começavam a desesperar com a noite inspirada de Howard. Hazard, Kompany e Origi viram o guardião norte-americano defender, mantendo-se extremamente frio em todas as suas intervenções. E quando nada o fazia prever, e já se adivinhava o prolongamento, os EUA tiveram a oportunidade de resolver o jogo - Wondolowski rematou por cima num desperdício inacreditável. Klinsmann não queria acreditar.
    Se os 90 minutos ficaram marcados pela super-exibição de Tim Howard, o prolongamento ficou marcado pela entrada de Lukaku. O avançado que esta temporada representou o Everton entrou para o lugar de Origi e mudou o jogo com a sua dimensão física impressionante. Aos 93 minutos foi empurrado por um defesa norte-americano junto à linha, mas foi o defesa que tombou e Lukaku que arrancou rumo à baliza. No desenvolvimento do lance, Lukaku tentou servir De Bruyne e depois de um corte o jovem belga rematou rasteiro, fazendo o esférico ultrapassar finalmente Howard. Lukaku continuou a tentar o golo, fazendo uso do seu corpo e da frescura física, e aos 105 pensou-se que teria sentenciado o jogo. De Bruyne fez um bom passe para as costas da defesa e Lukaku não teve contemplações e encheu o pé esquerdo, dedicando depois o golo ao seu pai. No intervalo do prolongamento Klinsmann lançou o jovem Julian Green (promessa do Bayern) e bastaram 2 minutos para que este relançasse o jogo. Bradley fez um passe dos seus e Green rematou de primeira, com pouca força mas bastante arte. Courtois tocou na bola mas não fez o suficiente para evitar o 2-1. Os minutos finais foram de grande nervosismo na grande área belga, e os EUA procuraram o golo, galvanizados pelo tento de Green. Entre vários momentos, o mais perto que estiveram do empate acabou por ser um livre estudado e bem executado, com Courtois a negar o golo a Dempsey. A Bélgica suspirou de alívio no apito final e vai jogar com a Argentina nos quartos-de-final.


    Mais um jogo dos quartos, e mais uma extraordinária exibição de um guarda-redes. Keylor Navas, Ochoa, Ospina, Claudio Bravo e Júlio César à sua maneira, M'Bolhi e Neuer, Benaglio e esta noite, Tim Howard. O guardião da selecção norte-americana fez tudo o que pôde e o que não pôde, mas no prolongamento os EUA caíram perante o talento de De Bruyne a força de Lukaku. A Bélgica voltou a evidenciar todo o potencial que tem e dá a entender que quanto maior for o peso do momento e a reputação do adversário, melhor jogará. Estes jovens terão maiores responsabilidades em 2016 e 2018 mas para já têm pela sua frente uma Argentina que é favorita, mas contra a qual - mesmo que seja eliminada - é possível que a Bélgica realize a melhor exibição deste Mundial. Eden Hazard continua muito longe do nível que apresentou esta temporada na Premier League, e veremos se Lukaku será aposta inicial nesse jogo. Para já, o pesadelo Tim Howard, um autêntico cabo das tormentas, está ultrapassado.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Tim Howard (Bélgica)
Outros Destaques: Kompany, Vertonghen, De Bruyne, Lukaku; Bradley, Green

1 de julho de 2014

Argentina 1-0 (a.p.) Suiça: Di María resolve grande jogo

Argentina  1 - 0 (a.p.)  Suiça (Di María 118')

    Foi um jogo extraordinário, emotivo e muito rico. Não um jogo de highlights mas um dos melhores jogos deste Mundial para acompanhar em directo. Na abertura do 4.º dia de oitavos-de-final, voltou a vencer a selecção favorita (até agora venceram sempre as equipas que ficaram em 1.º nos grupos), num jogo que só ficou resolvido no prolongamento. Tem, de resto, havido 1 jogo por dia que vai a prolongamento, sendo que 2 em 4 chegaram mesmo à decisão pelas grandes penalidades. A Argentina mereceu a vitória, com Ángel Di María a resolver. Ninguém merecia mais o golo do que o camisola 7 argentino.
    Hitzfeld e Sabella apostaram nas equipas 100% esperadas, com Lavezzi a surgir no lugar do lesionado Agüero. A 1.ª parte dos 90 minutos caracterizou-se por uma Suiça muito bem organizada, a tapar bem os caminhos para a criatividade de Messi e Di María, mas não se limitando apenas a isso. A Suiça, com menos bola, criou claramente as 2 melhores oportunidades do primeiro tempo. Shaqiri foi aproveitando o espaço excessivo que os argentinos lhe deram - surpreendentemente - e construiu o aviso inicial, assistindo Xhaka para uma boa defesa de Romero. Frente a uma Argentina muito lenta no processo ofensivo e na qual voltou a transparecer a importância que Enzo poderia ter neste onze (Gago pouco acrescenta, e Enzo acrescentaria valor em todo o campo), os helvéticos criaram novamente problemas num lance em que houve um buraco gigantesco na defesa argentina, Romero não saiu da baliza mas Drmic decidiu mal ao tentar um chapéu que esteve longe de sair bem. Ao intervalo a leitura correcta que se poderia fazer era de que o empate se ajustava, embora tivesse sido a Suiça - muito solidária a defender e posicionada com perfeição - a criar perigo.
    O que é certo é que a 2.ª parte foi bem diferente. Inexplicavelmente, a Suiça caiu fisica e tacticamente muito cedo, com Shaqiri a "rebentar" e a não conseguir dar sequência à sua boa 1.ª parte e o próprio meio-campo e defesa a não conseguirem a mesma pressão dos 45' iniciais. A Argentina instalou-se no campo suiço e foi encostando a equipa de Hitzfeld, com Marcos Rojo muito activo nas subidas pelo flanco esquerdo. O lateral/ central do Sporting esteve em evidência num cruzamento-remate que Benaglio sacudiu, e voltaria minutos depois a cruzar para um cabeceamento de Higuaín que Benaglio defendeu novamente. A Argentina foi ganhando confiança, passou a ganhar todas as bolas de saída da Suiça - que a dada altura parecia apenas aliviar para respirar - e Lionel Messi foi aparecendo. O astro argentino procurou desbravar caminho para a baliza em várias ocasiões, mas Benaglio ou as situações de 3 para 1 constantemente bem criadas para defender Messi, acabaram por evitar maiores estragos. Sabella agiu a certa altura ao trocar Lavezzi por Palacio, embora pudesse ter sido mais interessante retirar Higuaín e deixar a frente com Lavezzi, Messi e Palacio. O apito final de Jonas Eriksson (boa arbitragem do sueco) chegava com a Suiça a respirar por ter aguentado as investidas argentinas, dando sempre a ideia que se a Argentina continuasse a bater à porta iria conseguir marcar, frente a uma Suiça com a língua de fora, mas a dar tudo o que tinha.
    No prolongamento, desapareceu Messi mas apareceu Di María. O jogador do Real Madrid já vinha sendo um dos mais constantes ao longo do jogo mas, numa altura em que já ninguém tinha pilhas, mostrou que a sua capacidade de aceleração, a sua intensidade e claro a sua capacidade técnica, são infinitas. Di María deixou um aviso aos 109' com Benaglio a fazer mais uma intervenção excelente, mas aos 118' o jogo foi decidido. Lionel Messi, que no prolongamento parecia em gestão de esforço, fez a diferença, juntamente com Di María. Palacio recuperou uma bola após erro de Lichtsteiner, soltou para Messi, o 10 acelerou, fugiu a Schär, colocou a bola redondinha para Di María encher o pé esquerdo e o extremo decidiu o jogo com um bom remate, seguido da sua habitual celebração em forma de coração. Os adeptos argentinos festejaram efusivamente um golo que a Argentina merecia pela sua superioridade, mas nos últimos minutos houve uma réstia de esperança suiça. Dzemaili cabeceou ao poste numa bola parada, numa altura em que Benaglio já andava pela área de Romero; Di María quase bisou num remate de muito longe visando uma baliza deserta e este emocionante jogo terminou com o esgotado Shaqiri a ganhar uma falta à entrada da área mas a rematar contra a barreira.

    A Argentina garantiu um lugar nos quartos, onde à partida deverá encontrar a Bélgica (a não ser que os EUA surpreendam), frente a uma Suiça que ficou desgastada muito cedo. É certo que o futebol da Argentina obrigou os suiços a correrem muito, mas a partir dos 60/ 65 minutos a Suiça deixou de existir ofensivamente - só voltou a criar perigo depois do golo de Di María - faltando maior critério a sair e outras opções no banco. Mais uma vez ficou claro que com outro seleccionador esta Argentina podia ser a candidata nº 1 a vencer este Mundial, mas mesmo com ele o talento individual de génios como Ángel Di María e Lionel Messi vai chegando. Veremos o que acontece nas próximas fases, contra selecções cada vez mais fortes. Hoje na Suiça, Diego Benaglio - que tinha estado bastante longe do seu nível na fase de grupos - esteve brilhante e adiou o golo por inúmeras vezes, Ricardo Rodríguez não deu profundidade mas nunca deu um lance por perdido atrás, Behrami e Inler foram fundamentais a segurar a equipa e Shaqiri foi destaque durante a 1.ª parte. No segundo tempo, esteve sempre desapoiado, faltou-lhe fulgor e nem ajudou no processo defensivo como o excelente Mehmedi. A Argentina contou com boas exibições de Mascherano (Messi é o líder com bola no pé, mas Mascherano é o líder espiritual) e Rojo (jogou até não poder mais e vai fazer falta nos quartos, afastado pelo cartão amarelo) e claro, Di María e Messi fizeram a diferença.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Ángel Di María (Argentina)
Outros Destaques: Rojo, Mascherano, Messi; Benaglio, R. Rodríguez, Behrami, Inler, Shaqiri

Alemanha 2-1 (a.p.) Argélia: No fim... ganha a Alemanha

Alemanha    2 - 1 (a.p.)    Argélia (Schürrle 92', Özil 119'; Djabou 120'+1)

    A Argélia voltou a surpreender com uma entrega ao jogo e concentração defensiva incrível. O futebol nem sempre é justo, mas a verdade é que não se pode tirar mérito à Alemanha. Acabou por fazer a diferença no prolongamento, mas o conjunto africano cai de pé. Controlou o ataque alemão e quase surpreendeu o mundo!
    Primeira parte muito equilibrada com uma Alemanha com mais bola, mas com uma Argélia a merecer mais o golo. Apresentou-se sempre organizada atrás e era objectiva no ataque colocando a bola na frente com 2/3 toques. E cedo se percebeu que Hummels teria emprestado as suas qualidades de defesa central ao guarda-redes Manuel Neuer. O guardião muitas vezes fez o trabalho de libero e saiu por variadas vezes da sua grande área. A primeira vez foi a um passe longo que visava Slimani, mas Neuer acabou por ser mais rápido e interceptou o esférico. A Argélia impressionava e após Feghouli ter ameaçado por cima, Slimani marcou mesmo... Só que o avançado leonino estava em posição irregular. Teria sido um bom golo, mas Slimani estava mesmo ligeiramente adiantado. Halliche começava a predominar na defesa e a Alemanha tinha dificuldade em apresentar o seu jogo. Os alemães tentavam servir Müller, mas a defensiva argelina fazia-se prevalecer. Após nova saída de Neuer a evitar um possível lance de perigo, Mostefa atirou uma autêntica bomba do meio da rua com o guardião do Bayern a defender com bastante dificuldade. A Alemanha respondia logo a seguir com perigo, mas M'Bolhi disse "presente". Primeiramente a um remate de Kroos e depois a fazer nova enorme defesa à recarga de Götze. O empate predominaria até ao fim dos 45 minutos com sinal + para a Argélia em que se notava um grande estudo em relação ao adversário. Os jogadores germânicos tornaram-se muito previsíveis perante os africanos.
    Joachim Löw não poupou tempo e lançou Schürrle no jogo em detrimento de Götze que não tinha entrado bem na partida. O jogo mexeu e a Alemanha finalmente criava perigo. Só que do outro lado havia Raïs M'Bolhi. O guardião argelino negou o golo a Lahm de forma formidável e catapultou a sua equipa de novo para o ataque. Os argelinos voltavam a bloquear a ofensiva da Alemanha que parecia ter regressado à primeira parte. Neuer voltaria a sair entre os postes para salvar a sua equipa e Slimani e Feghouli tentavam o golo sem sucesso. Era a Argélia que estava por cima para surpresa de todos. Os últimos 10 minutos foram emocionantes com ataques de parte a parte. M'Bolhi permanecia um gigante entre os postes negando o golo a Müller e Neuer - do outro lado - voltaria a sair da baliza para cortar um contra-ataque. Jogo intenso com duas grandes exibições dos guarda-redes. O prolongamento ajustava-se por completo ao jogo onde a Argélia foi a grande surpresa ao controlar por completo o jogo não deixando a Alemanha atacar.
    Já dizia o velho ditado "11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha"... Os germânicos entraram a matar e fizeram o golo por intermédio de Schürrle logo nos primeiros minutos do prolongamento. Cruzamento rasteiro de Müller e Schürrle desvia de maneira pouco ortodoxa para o golo. Sorte? Qualidade técnica? Fica ao critério de cada um. O que é certo é que foi um grande golo do alemão. Os argelinos não queriam acreditar... Mas não baixavam a cabeça. Numa bola pingada na área, Mostefa teve nos pés o golo, mas errou o alvo. Halliche ia evitando males maiores com bons cortes. O jogo seguia para a segunda parte e os argelinos ainda acreditavam. Contudo, o desgaste dos jogadores de ambas as equipas era notório. Estavam completamente "mortos", mas continuavam a dar tudo o que tinham. Slimani viu Boateng a tirar-lhe o pão da boca e na resposta surge o 2-0. Após combinação com Özil, Schürrle remata contra Belkalem e na recarga Özil fuzila. Um golo que só aconteceu porque a Argélia não baixou os braços e tentava o tudo por tudo no ataque. O conjunto africano ainda conseguiu o golo de honra por intermédio de Djabou tendo os jogadores reagido como se ainda fosse possível o empate. Estávamos em cima do último minuto de descontos, mas a atitude dos argelinos acabou por caracterizar o que esta selecção foi durante a prova. Guerreira e lutadora até ao último segundo em campo. 
    A Argélia acabou por ficar pelo caminho, mas merece o respeito de todos os amantes de futebol. Deu uma lição de futebol controlando a Alemanha durante 90 minutos e apenas cedeu no prolongamento com os jogadores alemães a fazerem a diferença. A passagem dos germânicos acabou por ser justa. Apresentou melhorias no segundo tempo com Schürrle em campo e foi mais forte no prolongamento. Enorme exibição de ambos os guardiões, exibição esforçada de Slimani e Halliche e com Belkalem também em grande nível.  Feghouli era o mais irrequieto no ataque. Müller voltou a ser um trabalhador incansável, mas foi Lahm quem se destacou mais. Deu uso à sua experiência devido aos seus 30 anos, mas jogou como se tivesse 25. No centro do terreno, a lateral... Até na frente Lahm mostrou o seu bom futebol. 
    A Alemanha encontra assim a França nos quartos-de-final o que - à priori - resultará num dos embates mais excitantes deste Mundial. Ninguém quererá perder este jogo, certamente!


Barba Por Fazer do Jogo: Philipp Lahm (Alemanha)
Outros Destaques: Müller, Schürrle, Neuer; M'Bolhi, Belkalem, Feghouli, Slimani.