Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

25 de junho de 2014

Nigéria 2-3 Argentina: Messi e Musa bisam, e seguem ambos para os oitavos

Nigéria  2 - 3  Argentina (Musa 4' 47'; Messi 3' 45', Rojo 50')

    Na última jornada do Grupo F, Nigéria e Argentina confirmaram a presença nos oitavos-de-final, defrontando-se. A Argentina já estava qualificada mas faltava perceber se o conseguia em primeiro ou segundo, enquanto que a Nigéria perdeu mas contou com a ajuda da Bósnia (que venceu o Irão), assegurando assim passagem para a fase seguinte.
    Sabella voltou a utilizar o seu esquema preferido (só no jogo frente à Bósnia é que houve um erro de casting ao adaptar a sua equipa num 3-5-2 pensando que a Bósnia jogaria com Dzeko e Ibisevic na frente) quando podia perfeitamente ter testado hoje por exemplo Enzo Pérez e Lavezzi a titulares. Já Keshi confiou novamente em Odemwingie, Musa, Babatunde e claro, o potente Emenike, entregando o ataque a estes 4 elementos. E pode-se dizer que o jogo começou praticamente com um empate. Não o 0-0 habitual mas um 1-1 que já se registava aos 4 minutos de jogo. Marcou primeiro a Argentina - Di María rematou forte mas não conseguiu marcar e, na recarga, Lionel Messi fuzilou e juntou mais um golo à sua conta pessoal neste Mundial 2014. A resposta da Nigéria foi imediata e através de um excelente golo. Babatunde assistiu Ahmed Musa e o extremo do CSKA colocou a bola na baliza de Romero com um bonito remate em arco. O jogo abrandou, embora Di María tenha continuado incessantemente à procura do seu primeiro momento de destaque na competição. Aos 38 minutos Agüero teve que ser substituído por Lavezzi, embora tenha parecido uma troca por precaução. Em todo o caso, Agüero ainda não conseguiu fazer nada neste Mundial e o seu crescimento tal como o de Di María (que hoje teve o seu primeiro jogo minimamente próximo do nível desta temporada) serão essenciais caso a Argentina queira chegar longe na fase a eliminar. O final da 1.ª parte definiu-se de bola parada. Enyeama defendeu um livre directo de Lionel Messi, mas 2 minutos depois em nova bola parada Messi não deu hipóteses e colocou a bola em força e em jeito fazendo balançar as redes de Enyeama. O guarda-redes nigeriano defendeu com os olhos e embora a bola levasse a intensidade certa, ficou a ideia de que o guardião do Lille poderia pelo menos ter-se atirado mas falhou o timing. Bom golo de Messi, a igualar Neymar Jr. no topo da lista de melhores marcadores (4 golos).
    A 2.ª parte foi inferior à primeira, embora tenha começado - tal como o início do jogo - a todo o gás. Ahmed Musa, enérgico e irreverente como sempre, iniciou uma jogada de ataque, combinou com o portentoso Emenike e este isolou Musa entre os centrais. Na cara de Romero, Musa não vacilou e bisou na partida, empatando o jogo num golo muito festejado pelos jogadores nigerianos. Mas a resposta, desta vez de forma inversa, demorou muito pouco a surgir. Di María conquistou um canto e Lavezzi tratou de assumir a marcação do mesmo: o extremo do PSG colocou a bola na área, Garay (1.º jogo depois de se saber que infelizmente jogará mesmo no Zenit na próxima temporada) não conseguiu cabecear para a baliza mas surgiu o desvio de Marcos Rojo, central do Sporting que joga na esquerda nesta Selecção, a desfazer o empate e a carimbar a vitória argentina. A partir daí, e curiosamente depois de Messi ser substituído por Ricky Álvarez, o jogo perdeu bastante interesse e - até porque com certeza a Nigéria sabia que a Bósnia estava a dar uma valente ajuda no outro jogo - as duas equipas limitaram a deixar passar os minutos, procurando ainda assim criar algum perigo em investidas de Di María e Emenike, cada qual a puxar pela sua pátria.

    A Argentina, embora com uma fase de grupos muito abaixo do que pode dar, conseguiu 9 pontos, feito que Colômbia e Holanda já tinham também conseguido. Mérito sobretudo para Lionel Messi que marcou 4 dos 6 golos argentinos nestes três jogos (os outros foram um auto-golo bósnio e hoje o golo de Rojo), estando a ser decisivo e integrando muito provavelmente o top-4 de jogadores deste Mundial até agora: Arjen Robben, James Rodríguez, Karim Benzema e Lionel Messi. É inevitável pensarmos que esta Argentina poderia ser muito mais forte com Enzo Pérez (peça perfeita para as funções de Gago), sendo que a introdução do número 8 argentino ajudaria Di María a aparecer muito mais. Na Nigéria, Enyeama sofreu finalmente golos e na próxima fase a selecção africana terá que confiar em Emenike e Musa para criar problemas ao seu adversário.
    Um jogo portanto entre 2 selecções que seguem para os oitavos, sendo provável que a Nigéria vá defrontar a avalanche ofensiva da França, enquanto que deverá ser a Suiça (confessamos ter alguma pena caso se confirme que o Equador fique pelo caminho) a surgir no caminho da Argentina de Lionel Messi. O craque do Barcelona sabe que este Mundial é a única hipótese que tem de aspirar a ganhar a Bola de Ouro e muito provavelmente o Mundial em que surgirá em melhores condições a nível individual, podendo juntar-se a uma constelação onde surgem os históricos Maradona e Pelé. Veremos os próximos capítulos.
    

Barba Por Fazer do Jogo: 
Lionel Messi (Argentina)
Outros Destaques: Enyeama, Musa, Emenike; Rojo, Di María, Mascherano

Mundial 2014: 11 da Segunda Jornada

    Mais uma ronda, mais um onze elaborado pela equipa Barba Por Fazer. Nesta jornada voltámos a ter grandes jogos e voltámos a optar pelo 3-4-3 da primeira jornada derivado à elevada qualidade praticada por alguns jogadores do meio campo para a frente. As equipas do continente americano destacaram-se por completo na segunda partida dos grupos e dominaram os nossos destaques, sendo que nove marcaram lugar no nosso onze base. Mas vamos por partes...
    Na baliza haviam poucas escolhas, mas houve um que se destacou de todos - Guillermo Ochoa. O guardião mexicano defendeu tudo o que havia para defender frente ao Brasil, sendo que a defesa ao remate de Neymar foi uma das melhores desta Copa. Ochoa que tem sido um guarda-redes inconstante quanto às suas exibições, presenteou os amantes de Football Manager com uma exibição de mão cheia que sempre o viram como uma jovem promessa. Gigante exibição do mexicano que o ajudará - certamente - a sair do desemprego (acabou contrato com o Ajaccio).
    No primeiro onze optámos por escolher um lateral esquerdo, um lateral direito e um central. Todavia - tendo em conta as exibições dos laterais esquerdos no geral - optámos nesta jornada por escolher um lateral para o nosso onze, preenchendo as restantes vagas com duas grandes exibições de centrais. Poderíamos pegar na muito boa exibição do iraniano Montazeri e "colá-lo" ao lado esquerdo, mas decidimos deixá-lo referenciado apenas no banco. O nosso primeiro escolhido já no primeiro jogo tinha dado nas vistas, mas destacou-se ainda mais neste embate contra as Honduras. Juan Carlos Paredes é um poço de energia e raça. Nunca dá um lance como perdido e até assistiu Enner Valencia para o golo. Duas boas exibições do equatoriano a mostrar uma regularidade de alta qualidade. Depois temos Diego Godín que teve um jogo extremamente complicado frente à Inglaterra de onde saiu vitorioso e com uma exibição fantástica. Apenas pecou por ter feito algumas faltas no início do jogo, mas em termos posicionais foi fenomenal. Melhor que o uruguaio só o "médio" - que é usado a central - Gary Medel. O chileno também teve um jogo complicado frente à Espanha, mas a verdade é que secou a ofensiva hispânica toda sendo quase perfeito em termos tácticos. O jogador que foi relegado para a segunda divisão inglesa, deverá ter algumas ofertas para jogar em campeonatos mais competitivos, certamente.
    No centro do terreno Charles Aránguiz foi um dos melhores. O jogador chileno correu o campo todo durante os sessenta e quatro minutos em que esteve em jogo, pressionando os adversários, assistindo para o primeiro golo de Vargas e ainda marcando o segundo golo do jogo. Completamente crucial na vitória do Chile frente à Espanha. Ao seu lado colocámos - infelizmente - Jermaine Jones. O norte-americano usou e abusou do "buraco" criado por Paulo Bento entre o meio campo e a defesa e dominou por completo toda essa zona juntamente com Michael Bradley. O médio americano tinha espaço até para testar o seu bom remate a meia distância e acabou mesmo por marcar um belo golo deixando Beto pregado ao chão. Passando para terrenos mais avançados, James Rodríguez é o nosso primeiro repetente, embora passando do nosso banco para a titularidade. O criativo ex-Porto continua a ser a estrela da Colômbia na ausência de Falcao e não há jogada atacante que não passe pelos seus pés. Joga e faz jogar a sua equipa e neste segundo jogo somou mais um golo na prova... Por fim, do outro lado do campo optámos por dar o lugar a Yacine Brahimi. O fantástico jogador argelino deu nas vistas no primeiro jogo que fez neste Mundial e é dono e senhor de uma capacidade técnica fora do vulgar. Explosivo, nada egoísta e com alguma frieza inerente, Brahimi foi o melhor em campo no jogo contra a Coreia do Sul onde até assinou o quarto golo dos argelinos sentenciando assim a partida.
    No que toca aos avançados, fizemos saltar um jogador do banco - em relação ao onze passado. Enner Valencia já tinha merecido a nossa referência na primeira ronda, mas no segundo jogo não fomos capazes de negar a titularidade ao equatoriano. O avançado é um dos grandes destaques deste Mundial e somou mais dois golos neste segundo jogo, dando a vitória à sua equipa. O Pachuca - clube que detém o passe do jogador - já fez saber aos interessados que não pretende abdicar dos serviços de Enner por um valor abaixo dos dezoito milhões... A par de James, Karim Benzema foi o nosso escolhido para também ele ser repetente nestas andanças, embora o francês tenha a vantagem de ser pela 2.ª vez consecutiva titular na nossa equipa da jornada. Continua imparável. Depois de dois golos e ter estado na origem do auto-golo de Valladares, desta vez marcou um e assistiu por outras duas ocasiões. Um dos melhores jogadores do Mundial até agora que teve frente à Suiça um teste mais sério, sendo que - neste jogo - o ataque francês fluiu de tal forma bem que até pareceu fácil. Para finalizar, escolhemos um dos melhores jogadores do mundo actualmente e que finalmente pôde estrear-se no Mundial - Luis Suárez. E que estreia! Depois de um enorme trabalho que teve juntamente com o seu fisioterapeuta, Suárez viu, chegou e venceu a Inglaterra com dois tiros certeiros. Na nossa humilde opinião, é o jogador da jornada.


24 de junho de 2014

Grécia 2-1 Costa do Marfim: Emocionante e inédito apuramento grego no último minuto

Grécia  2 - 1  Costa do Marfim (Samaris 42', Samaras (pen.) 90'+3; Wilfried Bony 74')

    Num Mundial em que as selecções europeias têm caído mais vezes do que o normal (veja-se Espanha, Croácia, Inglaterra, Itália, Bósnia e seria muito bom não acrescentar aqui Portugal), mesmo considerando o facto dos Mundiais em solo americano serem historicamente favoráveis às selecções da América do Sul, a Grécia conseguiu sobreviver e apurar-se pela 1.ª vez na sua História para os oitavos-de-final. A equipa de Fernando Santos foi corajosa, mereceu a vitória, teve vários contratempos mas conseguiu garantir a passagem com uma grande penalidade convertida por Samaras no último minuto do jogo.
    Lamouchi, seleccionador da Costa do Marfim, apostou hoje pela 1.ª vez na titularidade de Drogba. À terceira foi de vez. Já o nosso Fernando Santos, um dos 3 seleccionadores portugueses em prova, mudou algumas coisas na sua equipa mas viu-se obrigado a mudar ainda mais no decorrer da 1.ª parte. Qual malfadada selecção portuguesa, os gregos já tinham 2 substituições feitas aos 24 minutos do jogo de hoje: Kone saiu com lesão muscular e entrou Samaris, e o guardião Karnezis também deu lugar a Glykos. Embora até tenha começado melhor a Costa do Marfim, também com a Grécia a ressentir-se um pouco dos vários contratempos físicos que teve, foi a Grécia quem ficou perto de marcar à passagem do minuto 33. Numa transição conduzida por Samaras (durante todo o jogo o destaque ofensivo dos gregos), Holebas - também conhecido agora por Cholevas - encheu o pé e rematou à barra da baliza de Barry. O lance motivou claramente a selecção helénica e o golo apareceu aos 42'. Tioté perdeu a bola em zona proibida para Samaris, este combinou com Samaras, e finalizou na cara de "Copa". A sociedade Samaris-Samaras a funcionar na perfeição, e foi com 1-0 que o jogo foi para o descanso.
    Para quem acharia que os gregos se iriam fechar a sete chaves junto à sua baliza, a previsão saiu furada. A Grécia não deixou de procurar matar o jogo com um 2-0 que serenasse adeptos e jogadores, mas a Costa do Marfim melhorou também no segundo tempo. Yaya Touré e Gervinho passaram a ser os motores da equipa, mas Glykos manteve-se atento e seguro. Com a sua defesa a cumprir, coube aos gregos aventurarem-se no ataque e Christodoulopoulos, Salpingidis e Karagounis estiveram perto de marcar, no caso do ex-jogador do Benfica com a bola a bater na trave da baliza de Barry pela segunda vez no desafio. Wilfried Bony tinha entrado aos 61' para jogar ao lado de Drogba e aos 74' fez estragos. O mérito foi de Salomon Kalou a abrir o caminho da jogada, com Gervinho a assistir e Bony a rematar forte para o empate. Com tudo o que já tinham passado os jogadores gregos continuaram a manter a cabeça levantada e a lutar e Salpingidis deu o 1.º sinal que a Grécia queria fazer História - fugiu pelo flanco direito mas o remate saiu em forma de cruzamento. Chegando aos minutos finais Yaya Touré (hoje foi o seu melhor jogo na fase de grupos) quase pôs um ponto final no jogo, mas a decisão viria a acontecer do outro lado do campo. Num momento que os seus compatriotas não esquecerão, Sio cometeu grande penalidade no tempo de compensação quando Samaras se preparava para rematar e deixou a decisão do 2.º lugar do Grupo C nos pés de Georgios Samaras. O jogador do Celtic, que hoje tinha estado na origem da maioria das jogadas de perigo no ataque, teve sangue frio e rematou colocado, com alguma força, colocando a Grécia nos oitavos-de-final.

    História foi feita pela Selecção que ganhou o Euro 2004 (ok, vamos continuar a recalcar isso) mas que nunca tinha ultrapassado a fase de grupos num Mundial. A Grécia foi mais equipa que a Costa do Marfim - onde Yaya Touré e Gervinho quiseram mais -, lutou contra as adversidades, acreditou até ao fim e Samaras teve sangue frio e soube lidar com a enorme pressão no último minuto do jogo. Um bom exemplo para Portugal a forma como a Grécia manteve sempre a cabeça levantada e se manteve focada no seu objectivo.
    Resta acrescentar que nos oitavos-de-final acontecerá portanto um Costa Rica-Grécia, algo que talvez ninguém previsse (por causa da Costa Rica) mas que ditará claramente um outsider nos quartos. São duas selecções que defendem bem, embora a Costa Rica parta com ligeiro favoritismo depois de ficar líder num grupo com Uruguai, Itália e Inglaterra.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Georgios Samaras (Grécia)
Outros Destaques: Holebas, Maniatis, Samaris; Gervinho, Yaya Touré, Wilfried Bony 

Japão 1-4 Colômbia: Quem tem James, tem tudo

Japão  1 - 4  Colômbia (Okazaki 45'+2; Cuadrado (pen.) 17', Jackson Martínez 55' 82', James Rodríguez 90')

    Na Arena Pantanal, num jogo arbitrado pelo português Pedro Proença, pudemos testemunhar mais uma vez o potencial que esta Colômbia tem. Pékerman geriu a equipa, colocou apenas 3 titulares (Ospina, Armero e Cuadrado) em campo mas conseguiu que a selecção colombiana atingisse o pleno a nível de pontos, igualando o feito que a Holanda tinha também ontem conseguido. Podemos dizer que houve hoje um jogo antes de James Rodríguez e outro depois dele entrar. O ex-jogador do Porto, actual craque do Mónaco (provavelmente terá muitas propostas depois deste Mundial) está a ser um dos melhores jogadores no Brasil 2014.
    Japoneses e colombianos chegavam ao jogo de hoje com posturas bem diferentes. À Colômbia bastava um empate para garantir o 1.º lugar, enquanto que o Japão precisava da vitória para se qualificar. O jogo iniciou-se bastante dividido mas aos 17' Proença assinalou penalty por falta imprudente de Konno sobre Adrián Ramos. Juan Cuadrado já tinha 3 assistências neste Mundial mas ainda não tinha marcado, e encarregou-se de disparar uma bomba para o fundo das redes de Kawashima. Durante praticamente toda a 1.ª parte vimos uma Colômbia satisfeita com o resultado e a aguentar as posições, frente a um Japão sempre igual a si mesmo - energia infinita, grande qualidade na recepção e no passe, mas pouca "boa agressividade", faltando também um matador que não se ponha com rodeios na grande área. No Mundial de futebol humano, os japoneses chegariam longe. Não obstante, o Japão conseguiu o empate antes de Proença apitar para intervalo - Honda cruzou do lado direito e Okazaki cabeceou para o golo.
    Pékerman fez apenas 2 alterações ao intervalo, retirando Cuadrado e Quintero, lançando James Rodríguez e Carbonero. E pode-se dizer que James mudou o jogo. O número 10 da Colômbia disse logo bem cedo ao que vinha - fez uma "cueca" a um japonês, acelerou numa diagonal e fez a bola passar bem perto do poste. A Colômbia entregou a iniciativa de jogo ao Japão, passando a explorar as transições claramente consentidas pelo buraco gigante entre a defesa e o meio-campo ofensivo (nota negativa para o funcionamento de Hasebe e quer Aoyama, quer Yamaguchi). Os golos colombianos, fruto da velocidade e técnica dos seus jogadores, acabaram por aparecer uns a seguir aos outros. Aos 55' a Colômbia recuperou a vantagem com James a fazer um último passe de morte e Jackson Martínez a finalizar com qualidade. A dupla que ajudou e muito Vítor Pereira no Porto de 2012/ 13 funcionou na perfeição, mas voltaria a funcionar ainda melhor alguns minutos depois. Pelo meio, Honda rematou uma bomba para Ospina defender e perderam-se alguns contra-ataques com Adrián Ramos a decidir mal. Mas o 3-1 chegou com naturalidade. James Rodríguez fez um passe de ruptura que vale a pena ver e rever, isolando Jackson Martínez que não pediu licença a ninguém e bisou na partida. A equipa técnica colombiana sentiu que estavam reunidas as condições para fazer do guardião Faryd Mondragón o jogador mais velho a actuar em Mundiais (43 anos), e o melhor momento do jogo seria já com o substituto de Ospina a assistir a partir da baliza. James Rodríguez, depois de ter dado 2 golos a Jackson, procurou também o seu golo e para isso driblou 2 japoneses e picou a bola à saída de Kawashima. Golaço de James! São 3 golos e 2 assistências em três jogos de Mundial 2014, sem margem para dúvidas um dos destaques até este momento.

    Foi um jogo com um a.J. e d.J. (antes de James e depois de James) como tínhamos mencionado. Tem dado gosto acompanhar o Mundial do camisola 10 da Colômbia e hoje bastaram-lhe 45 minutos para destruir o adversário. É um dos jogadores da actualidade mais forte em transição, uma vez que conjuga a sua excelente capacidade de decisão com enorme técnica, fazendo tudo bem nos tempos certos. Já no tempo em que jogava em Portugal o Porto usava esta característica de James, que entrava muitas vezes no decorrer do jogo com Vítor Pereira como treinador. Hoje foi uma vitória "à Porto" da Colômbia uma vez que Jackson Martínez bisou e terá deixado um aviso para Teófilo Gutiérrez, que não tem produzido tanto. Importa no entanto perceber que se tratam de jogadores bem diferentes e Teófilo é na realidade um segundo avançado, muito mais envolvido com a equipa. Relativamente ao Japão, deixou a imagem de sempre - a equipa tem futebol nos pés mas falta-lhe atitude competitiva, maturidade, matreirice, acabando por cair sempre com alguma inocência.
    Marquem na agenda: Colômbia-Uruguai, 28 de Junho às 21 horas. Um dos melhores jogos dos oitavos-de-final!


Barba Por Fazer do Jogo: 
James Rodríguez (Colômbia)
Outros Destaques: Nagatomo, Okazaki; Cuadrado, Arias, Jackson Martínez

Costa Rica 0-0 Inglaterra: Topo e Fundo

Costa Rica  0 - 0  Inglaterra

    Nas nossas previsões para o Mundial lançadas no início de Junho prevíamos, inocentes, que a Inglaterra sairia vencedora do grupo (embora achássemos que a caso a lógica imperasse seria Uruguai e Itália a passar) e a Costa Rica ficaria na cauda do mesmo. Quis o destino que acontecesse precisamente o inverso.
    No jogo de hoje a Costa Rica assegurou o 1.º lugar contra uma Inglaterra onde Hodgson promoveu grande rotação nas suas escolhas, um pouco à imagem do que a Espanha fez ontem. Luke Shaw, Ross Barkley, Lallana, Milner e Lampard foram alguns dos jogadores que hoje mereceram voto de confiança do seleccionador inglês. Já Jorge Luís Pinto, um dos seleccionadores que estará a sair mais valorizado deste Mundial tal a organização defensiva que esta Costa Rica apresenta jogo após jogo, manteve o seu 5-4-1.
    O jogo teve pouca história. Daniel Sturridge foi sempre o jogador mais activo dos ingleses, sempre na procura do golo, mas encontrando sempre um corajoso e rápido a ler o jogo e a antecipar-se, Keylor Navas. A Inglaterra criou mais na 1.ª parte mas a melhor ocasião até foi da Costa Rica - Celso Borges rematou forte num livre directo, mas Ben Foster defendeu desviando a bola para a barra e para um posterior canto. Qualquer adepto terá ficado com alguns momentos de Bryan Ruiz na retina, hoje a abrir o livro em alguns momentos e a mostrar a técnica que todos sabemos que tem mas que nem sempre aparece.
    Nos segundos 45, Barkley e Lallana procuraram que a Inglaterra conseguisse finalmente marcar, criando algumas oportunidades, mas foi o inevitável Sturridge que teve a melhor oportunidade de todo o jogo - dentro da grande área rematou colocado mas a bola passou a muito poucos centímetros da baliza de Keylor Navas que, uma vez sem exemplo, estava batido. Sem muito a acrescentar e com pouco a motivar a Inglaterra, a Costa Rica controlou o 0-0, manteve o seu 1.º lugar alcançando 7 pontos num grupo em que as melhores previsões esperavam que alcançasse 1 e veremos qual o seu restante caminho na competição. Este primeiro lugar terá sido importante uma vez que permite à Costa Rica, em princípio, fugir à Colômbia e acabará por enfrentar Costa do Marfim ou Grécia. Precisamente por isto, desse jogo poderá sair o grande outsider deste Mundial 2014 uma vez que chegar às 8 melhores selecções do mundo é muito significativo e esta Costa Rica, jogando como tem conseguido, pode fazê-lo.

    Numa reflexão geral sobre estas duas selecções:
    A Costa Rica consegue 7 pontos fruto de um sistema afinado na perfeição. Ter Keylor Navas na baliza é uma dádiva (não sofreu contra Itália e Inglaterra e o Uruguai só lhe marcou de grande penalidade) e a defesa, onde Giancarlo González tem sido o melhor elemento mas Gamboa e Díaz têm estado bem na profundidade que conferem, tem sido uma das melhores deste Mundial. Não é muito difícil perceber esta Costa Rica mas é muito difícil anulá-la - Tejeda (tem 22 anos e joga na sua terra natal.. ainda) e Celso Borges são a força da equipa na forma como pressionam e se posicionam, e soltam depois o talento de Campbell, Bryan Ruiz e Bolaños.
    Relativamente à Inglaterra, defendemos que Hodgson deveria ser despedido e a Federação Inglesa deveria procurar outro seleccionador. Esta Inglaterra tinha talento bruto para dar e vender, mas foi mal trabalhada (para além de ter tido também algum azar e alguns traumas que não conseguiu ultrapassar).


Barba Por Fazer do Jogo: 
Keylor Navas (Costa Rica)
Outros Destaques: Gamboa, G. González, Tejeda, B. Ruiz; Cahill, Lampard, Sturridge

Itália 0-1 Uruguai: Godín qualifica Uruguai em jogo polémico

Itália  0 - 1  Uruguai (Godín 81')

    O Grupo da Morte terminou num jogo com alguma polémica à mistura, com a Itália a juntar-se à Inglaterra na qualidade de selecção eliminada e Diego Godín a marcar mais um golo absolutamente decisivo esta época. O central uruguaio marcou o golo que deu a Liga BBVA ao Atlético Madrid, colocou os colchoneros na frente na final lisboeta da Champions (que depois viria a perder no prolongamento), acrescentando agora um golo que vale a presença nos oitavos-de-final do Mundial.
    Hoje bastava à Itália o empate e Prandelli escolheu porventura o melhor onze que apresentou neste Mundial. Um 5-3-2 com De Sciglio e Darmian a juntarem-se à tríade de centrais da Juventus, com Verratti, Pirlo e Marchisio no apoio a Immobile e Balotelli. Já o Uruguai voltou a apostar no onze guerreiro que vencera a Inglaterra. A 1.ª parte foi bastante fraca em termos de ocasiões de golo. Sabendo que o empate bastava, a Itália pareceu querer deixar o tempo passar e foi tendo mais bola. Já o Uruguai demorou a conseguir "encaixar" no modelo táctico italiano mas até criou a melhor oportunidade dos primeiros 45 - Buffon fez 2 defesas seguidas, demonstrando que os seus reflexos continuam bem vivos no 2.º remate.
    Para a 2.ª parte os seleccionadores trouxeram alterações. Tabárez trocou Lodeiro por Maxi Pereira, passando em definitivo a um 3-5-2, enquanto que Prandelli quis amarrar ainda mais o jogo e retirou Balotelli colocando Parolo. Foi um pouco "parolo" o Prandelli, podemos dizê-lo... A verdade é que as alterações pareciam estar a tornar a Itália ligeiramente mais senhora do jogo quando Marchisio viu vermelho directo. O médio da Juventus acabou expulso após um lance com Ríos no qual ficam algumas dúvidas. É certo que foi um contacto perigoso e que Marchisio foi totalmente imprudente e não "escondeu" os pitons da sua chuteira, mas era em todo o caso uma decisão complicada. Passando a jogar contra 10 o Uruguai arriscou, colocou Stuani e aos 66' Suárez teve o golo nos pés. Depois de decidir a 100% o jogo frente à Inglaterra, o avançado do Liverpool esteve hoje muito abaixo do nível recente e viu Buffon negar-lhe o golo numa defesa junto ao solo, de grande qualidade.
    A Itália perdeu qualidade quando Verratti se viu obrigado a sair, por lesão, e depois a polémica - já instalada pela expulsão de Marchisio ter deixado algumas dúvidas (embora se pudesse aceitar) - avolumou-se num lance em que Suárez terá voltado a ser vampiresco. Tudo aconteceu numa quezília entre Suárez e Chiellini com o avançado uruguaio a encostar a sua cabeça ao central italiano e este a tentar responder com uma cotovelada. No entanto, Chiellini viria a exibir o seu ombro procurando mostrar as marcas dos dentes de Suárez. Dadas as imagens ficaram algumas dúvidas mas a confirmarem-se, depois de Bakkal e Ivanovic, uma nova vítima para um dos melhores jogadores do mundo, sistematicamente com este estranhíssimo comportamento. Passada a polémica foi então momento de chegar o único golo do jogo. Gaston Ramírez colocou a bola na área, de canto, e Diego Godín decidiu o jogo com um excelente golo de cabeça. Nos minutos finais destacou-se Suárez pela negativa ao decidir pessimamente 2 situações de contra-ataque em que abusou do individualismo e perdeu a hipótese de "matar" o jogo. De qualquer forma, a Itália não viria a conseguir empatar e despediu-se do Mundial 2014 com Pirlo a marcar um livre e Buffon na grande área à espera da bola junto aos seus colegas de equipa. Pirlo e Buffon, duas lendas que deverão ter feito o seu último jogo em Mundiais, eles que há 2 anos foram vice-campeões europeus nesta Itália.

    Deixando as polémicas de parte, o Uruguai mereceu vencer. Foi a equipa que mais procurou ganhar e Tabárez acabou por sair vencedor do duelo com Prandelli. O seleccionador italiano abordou o jogo do modo certo mas acabou por ler mal o jogo no seu decurso.
    Buffon adiou o golo uruguaio, Verratti fez falta depois de sair, Giménez voltou a demonstrar uma maturidade extraordinária considerando a sua idade, mas o melhor em campo foi mesmo Diego Godín. O central do Atlético Madrid - intransferível para Simeone - já tinha brilhado frente à Inglaterra mas hoje foi ainda melhor, marcando um golo que o seu país não esquecerá. Considerando que o Grupo D cruzará com o C, ficando o Uruguai em 2.º lugar deverá defrontar a Colômbia na próxima fase num jogo que reúne todos os ingredientes para valer a pena.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Diego Godín (Uruguai)
Outros Destaques: Buffon, Verratti; Giménez, Cáceres, Ríos, C. Rodríguez

Mundial 2014: 11 da Primeira Jornada

    Tal como prometido, reunimos os 11 melhores jogadores para cada posição correspondentes às exibições da primeira jornada. Fizémo-lo no Euro 2012 e voltamos a fazer neste Mundial. Ao fim de cada ronda e posteriormente de cada fase iremos divulgar os nossos 11 eleitos. Aos titulares adicionaremos ainda um banco com jogadores que também merecem uma referência positiva. Na fase de grupos - derivado ao elevado número de jogos - existe um grande número de jogadores com boas exibições e era injusto não indicar outros jogadores.
    Para a baliza o eleito foi Keylor Navas. Embora se tenha batido bem com Sirigu nas nossas contas, o guardião costa-riquenho levou a melhor. O italiano teve um maior número de defesas no jogo, mas Navas foi essencial na partida frente ao Uruguai. Não teve tanto trabalho - é certo -, mas fez duas defesas impossíveis que muitas vezes são sinónimas de pontos... E a verdade é que o golo sofrido foi apenas de grande penalidade.
    Derivado ao número elevado de pontas-de-lança e médios com boas exibições, fomos "obrigados" a optar por um 3-4-3 deixando um central - como David Luiz - de fora. O central escolhido para figurar no nosso plantel foi Rafael Márquez. Operou uma exibição a roçar a perfeição frente aos Camarões onde não cometeu um erro e assumia a construção de jogo de trás. Poderia pensar-se que Márquez estaria em fase decrescente na carreira, mas o central mexicano a provar o contrário. No lado esquerdo optámos por aquele que foi - porventura - o melhor defesa da primeira jornada: Daley Blind. A sua exibição foi muito simples - sem erros defensivos e eficaz no ataque. O defesa esquerdo do Ajax ainda ajudou na goleada surpresa da Holanda à Espanha com duas grandes assistências difíceis de repetir. Para completar o eixo defensivo decidimo-nos por Sèrge Aurier. Um autêntico poço de energia e uma barreira autêntica a defender. Contudo, não foi apenas defensivamente que esteve bem. Tal como Blind, Aurier foi crucial no ataque fazendo duas assistências de grande nível num curto espaço de tempo ajudando a sua equipa a virar o resultado frente ao Japão. 
    Chegando ao centro do terreno escolhemos dois jogadores que ficaram na sombra daqueles que supostamente foram os homens do jogo para os media. Oscar foi o melhor em campo contra a Croácia, mas os louros, esses foram para Neymar Jr. por ter marcado dois golos. Oscar foi sempre o maior desequilibrador da equipa, assistiu e ainda marcou o tento merecido para coroar a sua exibição. O outro não teve números. Mas a verdade é que ele não precisa deles para se fazer notar. Andrea Pirlo foi o cérebro dos italianos e comandou o meio campo à sua maneira. Tacticamente perfeito. Do centro passamos para os corredores onde Joel Campbell foi a grande surpresa. O jogador jogou e fez jogar surpreendendo todos os amantes de futebol com a sua Costa Rica. Numa partida complicada frente ao Uruguai marcou, assistiu e veio buscar jogo atrás fazendo a equipa jogar. Do outro lado temos o jogador da jornada - Arjen Robben. O extremo do Bayern que nesta afinada laranja-mecânica joga a avançado foi o melhor jogador do jogo que deixou o mundo de boca aberta. Robben foi crucial na vitória onde - para além de marcar - conseguiu fazer dribles sobre os craques espanhóis fazendo-os passar por amadores. Que o diga Iker Casillas que gatinhou perante Arjen, sem sucesso...
    Na frente temos os goleadores de serviço. Thomas Müller - infelizmente para nós, portugueses - foi dos melhores avançados da jornada. Um autêntico jogaço frente a Portugal, com grandes movimentações e a fazer um hatrick banalizando por completo a selecção portuguesa. Van Persie foi o super-herói de serviço. Operou a reviravolta com um dos melhores golos da jornada voando após cruzamento de Blind e deixando Casillas pregado ao relvado. O avançado ainda aproveitou um erro de Casillas e mostrou-se letal na hora H. Por fim, não poderíamos concluir os nossos destaques sem passar pela França. Karim Benzema mostrou que está numa forma assombrosa e foi o matador de serviço. Marcou dois e ainda esteve na origem do remate do auto-golo de Valladares validado pela tecnologia da linha de golo. A este andar será certamente um dos candidatos a melhor marcador da prova.


23 de junho de 2014

Croácia 1-3 México: Guerra com justo vencedor

Croácia  1 - 3  México (Perisic 87'; Márquez 72', Guardado 75', Chicharito 82')

    Era com grandes expectativas que o mundo do futebol esperava este duelo entre croatas e mexicanos. As equipas de Kovac e Miguel Herrera proporcionaram espectáculo, num jogo que esteve preso até ao minuto 72 mas que contou a partir daí com 4 golos. Acabou no fim por levar a melhor a Selecção que mostrou mais futebol, uma ideia de jogo mais definida e bem trabalhada. O México jogará nos oitavos com a Holanda, um jogo que ninguém pode perder.
    Herrera limitou-se a colocar em campo o seu onze-base, um 5-3-2 magnificamente rotinado. Kovac adaptou um pouco a equipa ao futebol do México, acabando por colocar Srna em terrenos mais avançados (embora face ao posicionamento dos mexicanos não tenha tido a liberdade que o esquema pediria). A 1.ª grande oportunidade do primeiro tempo saiu dos pés de um jogador com o nome do seleccionador, Herrera. O médio do Porto, Héctor Herrera, continua a valorizar-se jogo após jogo e hoje deixou o primeiro aviso num remate fortíssimo à barra da baliza de Pletikosa. A primeira parte foi, de resto, muito pouco fértil em oportunidades de golo. O México, mais paciente por saber que o empate o qualificava, esteve sempre mais na expectativa embora dando sempre a ideia de que tinha o jogo controlado, mesmo quando não tinha a bola em sua posse.
    A acção junto das balizas iria aumentar e bem na 2.ª parte sobretudo depois da entrada de Chicharito para o lugar de Gio dos Santos. O golo mexicano chegou aos 72' com o capitão Rafael Márquez (possivelmente o melhor defesa central deste Mundial até aqui) a elevar-se e a cabecear para o 1-0 dando o melhor seguimento a um canto bem apontado por Herrera. Com este golo o inferno instalou-se no jogo e os lances sucederam-se. Em ritmo frenético, motivados com o golo marcado, os mexicanos partiram para cima da Croácia e chegaram 3 minutos a seguir ao 2-0 com Chicharito a conduzir um ataque, a libertar no momento certo para Peralta e este a cruzar para um remate convicto de Andrés Guardado. As emoções continuaram e quase na resposta imediata surgiu um dos momentos do jogo: aos 78' o jovem Rebic esteve mesmo muito perto de bater Ochoa mas Héctor Moreno salvou o México com um corte que parecia impossível em cima da linha. Se a bola de Rebic tivesse entrado, é certo que os croatas teriam ainda que marcar 2 golos para seguir em frente, mas nunca se sabe como teria sido o rumo dos acontecimentos uma vez que o que acabou por acontecer foi o 3-0 - novamente a partir de um canto. Desta vez foi Guardado a cruzar, Rafa Márquez desviou a bola e Chicharito levou à loucura dos mexicanos, quer na bancada quer em campo. Uma loucura que já tinha sido bem extravasada nos golos anteriores. A Croácia conseguiu sair do Mundial com um golo de honra, numa jogada em que Rakitic combinou com Ivan Perisic e o nº 4 dos croatas acelerou pela esquerda até marcar a Ochoa. Foi o 1.º golo que Ochoa sofreu neste Mundial, e Perisic acaba por ser provavelmente o melhor jogador croata nestes 3 jogos de competição.
    Poucas equipas têm mais paixão em campo do que este México. Tal como o Uruguai ou o Chile, esta equipa luta, acredita e tem bom futebol. Não era fácil chegar aos oitavos, mas os mexicanos conseguiram, e ainda lhes devem 2 golos mal anulados a Gio dos Santos na vitória frente aos Camarões. Aqui no Barba Por Fazer acreditávamos que este embate seria a disputa final entre Croácia e México, embora achássemos antes do Mundial que seriam os croatas a levar a melhor. Acompanhando a competição, hoje era mais provável o México festejar e é uma excelente notícia para qualquer adepto o Holanda-México que se aproxima.

    Destaque final para vários jogadores mexicanos. Vázquez (jogador que não conhecíamos) tem sido importante mas hoje houve outros destaques. Herrera continua a fazer um Mundial impressionante, Guardado hoje teve o seu melhor jogo, vários elementos da defesa corresponderam (Aguilar, Maza e Moreno), a entrada de Chicharito foi determinante e o capitão Rafa Márquez foi mesmo o homem do jogo.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Rafael Márquez (México)
Outros Destaques: Perisic, Rakitic; Aguilar, Moreno, Guardado, Herrera, Chicharito

Camarões 1-4 Brasil: Neymar e companhia a confirmarem o 1.º lugar

Camarões  1 - 4  Brasil (Matip 26'; Neymar 17' 34', Fred 49', Fernandinho 84')

    O Brasil de Luiz Felipe Scolari garantiu hoje o primeiro lugar do Grupo A com aquela que foi até agora a melhor exibição do escrete. Com um colectivo mais afinado - e também contra o adversário mais fraco que a "canarinha" já enfrentou até agora - o talento de Neymar sobressaiu num jogo que até esteve empatado 1-1. No caminho deste Brasil estará nos oitavos-de-final um muito perigoso Chile, primeiro teste de fogo para Neymar e companhia.
    Hoje Scolari optou pelo seu onze clássico. Comparativamente com o jogo frente à Croácia a diferença residiu no posicionamento do trio ofensivo, com Hulk a jogar no flanco direito onde mais rende e Neymar geralmente descaído para a esquerda em vez de aparecer no corredor central. Os Camarões não contaram com Alex Song (castigado com 3 jogos) e o seleccionador fez também muito bem ao não contar com Ekotto, que no último jogo tinha agredido Moukandjo, embora não tenha sido sancionado. O começo do jogo caracterizou-se pela forma desinibida como os Camarões encararam a partida, causando alguns problemas à defesa do Brasil. Foi ainda assim o Brasil a marcar primeiro - Luiz Gustavo recuperou uma bola a meio-campo, conduziu o ataque pelo flanco direito e cruzou para uma finalização certeira e sem pressão de Neymar. O golo podia ter tranquilizado a selecção da casa mas acabou por motivar os Camarões que conseguiram num primeiro momento um cabeceamento à barra (a meias entre Matip e Thiago Silva) e logo depois o golo do empate. O lateral Nyom trabalhou bem sobre Dani Alves e cruzou para o coração da pequena área onde Matip, nas costas de David Luiz, se limitou a encostar. Foi no entanto muito positiva a resposta do Brasil, finalmente a funcionar através do colectivo mas com o craque, o camisola 10, em destaque. O 2-1 chegou após um passe de Marcelo para Neymar. O jogador do Barcelona, com 22 anos mas já muitos golos pelo Brasil, arrancou da esquerda para a área e rematou para o lado que ninguém esperava. Um lance muito consentido pela defesa e por Itandje. Manteve-se a toada com o Brasil a viver da magia de Neymar e Hulk esteve perto de marcar por 2 ocasiões, uma à base da lei da bomba.
    Mérito para Scolari ao intervalo, ao trocar Paulinho por Fernandinho e o futebol do Brasil arrancou em grande na 2.ª parte. A intensidade da equipa subiu bastante com a introdução de Fernandinho, conferindo maior capacidade para pressionar mais alto e Fred ameaçou o golo antes de o conseguir mesmo. Aos 49' Fred estreou-se a marcar neste Mundial depois de Fernandinho trabalhar bem à entrada da área antes de David Luiz cruzar para o desvio do ponta-de-lança. Um golo no qual houve ligeiro fora-de-jogo. A partir daí houve claras intenções de Scolari de colocar o Brasil a controlar a bola e o ritmo do jogo, abdicando também de Hulk e Neymar com o passar do tempo. O 4-1 final chegou já nos minutos derradeiros com Fernandinho, Oscar e Fred a construírem um bom golo. Um golo de Fernandinho a coroar 45 minutos de grande qualidade do médio que esta época foi peça-chave no sucesso do Manchester City, e a justificar a aposta no 11 inicial nos oitavos.

    Foi a exibição mais conseguida do Brasil até aqui, embora contra um adversário fraco (foi ainda assim a melhor cara que os Camarões mostraram neste Mundial). Colectivamente foi o jogo mais coerente do Brasil, que continua com várias lacunas - Dani Alves mantém-se muito abaixo do esperado, a diferença entre o Paulinho das Confederações e o actual justifica que Fernandinho fosse titular; Hulk está a precisar de um golo para se soltar, e Willian merecia mais minutos. Neymar chegou hoje aos 4 golos (melhor marcador do Mundial neste momento), mas será contra o Chile que terá o seu verdadeiro teste. Na antevisão do Mundial 2014 Scolari disse que, do Grupo B, não queria o Chile mas calhou-lhe a fava.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Neymar (Brasil)
Outros Destaques: Matip, Bedimo; David Luiz, Marcelo, Fernandinho

Austrália 0-3 Espanha: Despedida decente

Austrália  0 - 3  Espanha (Villa 36', Torres 69', Mata 82')

    Depois da humilhação frente à Holanda (5-1) e da derrota decisiva com o Chile (2-0), Del Bosque rodou e muito a sua equipa e conseguiu finalmente os 3 pontinhos da honra face a uma Austrália que esteve bem longe do nível que apresentou contra Chile e sobretudo Holanda. Faltou Tim Cahill, o que certamente também pesou nisso. Hoje vimos em campo Reina, Juanfran, Albiol, Koke, Cazorla, Villa e Torres no onze inicial e o futebol da Espanha melhorou, embora também tenha contado com falhas defensivas do adversário. Os primeiros minutos tiveram David Villa como protagonista tendo, entre outros lances, uma enorme oportunidade atirada para a bancada após um daqueles passes que só Iniesta sabe como inventar. A Roja continuou a criar problemas sempre com Villa em primeiro plano: assistiu Jordi Alba de calcanhar para um remate do lateral que Ryan defendeu e, pouco depois, abriu o activo. O melhor marcador de sempre da selecção hispânica marcou então de calcanhar após uma jogada em que a defesa da Austrália ficou a dormir - Davidson não subiu e acompanhou Juanfran, e depois os centrais não tiveram a capacidade de reagir e dificultar a vida a Villa. O lateral do Atlético limitou-se então a cruzar, e David Villa, naquele que deverá ter sido o seu último jogo pelo seu país, facturou. Sempre num ritmo baixo mas com capacidade de aceleração no último terço, a Espanha ainda ficou perto de marcar com Koke e Cazorla (este após bom lance de Villa, novamente) a tentarem bater Ryan.
    Del Bosque foi então introduzindo, já na 2.ª parte, Juan Mata e Fábregas e a frente de ataque espanhola melhorou progressivamente, mesmo já sem aquele que tinha sido até aí o melhor em campo - David Villa. Contra uma Austrália bastante apática, onde hoje nem Leckie conseguiu dar o ar da sua graça, chegaram então sem grande esforço mas com algum engenho o 2-0 e o 3-0. Fernando Torres escreveu o seu nome na lista de marcadores deste Mundial após assistência primorosa de Iniesta, e o 3-0 chegou 13 minutos depois com Mata a rematar entre as pernas de Ryan após um passe também ele perfeito de Fábregas.

    Naquele que terá sido o último jogo de algumas figuras (David Villa, por exemplo; Xavi também, embora não se tenha podido despedir em campo) a Espanha disse adeus ao Mundial com uma exibição decente. O escândalo ganhou forma nas últimas 2 jornadas e hoje apenas ficou a ideia de que teria sido bom para esta Espanha - embora hoje a pressão fosse zero - refrescar as suas opções iniciais. Koke hoje demonstrou que poderia ter sido peça-chave nesta Espanha, os poucos minutos que Fábregas teve no meio-campo serviram para mostrar o que poderia ter dado (quando se acaba a jogar com Fábregas, Iniesta, Koke, Mata e Silva é natural que haja golos) e curiosamente pela 1.ª vez não jogou Diego Costa e pela 1.ª vez a Espanha ganhou.
    Vem aí uma progressiva revolução, mas há claramente em Espanha matéria e qualidade para ser trabalhada rumo ao Euro 2016. Relativamente à Austrália, a imagem que hoje deixou foi bem diferente da qualidade que apresentou nos dois últimos jogos e porventura face ao que mostrou merecia ter saído deste Mundial com 1 ponto.


Barba Por Fazer do Jogo: 
David Villa (Espanha)
Outros Destaques: Sergio Ramos, Juanfran, Iniesta, Torres, Mata, Fábregas

Holanda 2-0 Chile: Holanda em primeiro, chilenos em segundo

Holanda  2 - 0  Chile (Fer 77', Depay 90'+2)

    Com Holanda e Chile ambos já qualificados com 6 pontos, tendo as duas equipas vencido Espanha e Austrália, o jogo de hoje serviu para decidir a arrumação final do grupo, importante para se saber mais logo quem será o adversário dos oitavos-de-final de holandeses e chilenos. A selecção de Van Gaal conseguiu hoje o pleno, numa fase de grupos a roçar a perfeição e, à partida, terá México ou Croácia pelo seu caminho; caso o Brasil cumpra a sua obrigação frente aos Camarões e vença de forma folgada, o tormento que Scolari queria evitar acontecerá: um Brasil-Chile.
    No jogo de hoje notaram-se certas preocupações em termos físicos. Os jogadores pouparam-se em determinados períodos do encontro, proporcionando uma primeira parte pouco espectacular. Van Gaal, deixando Bruno Martins Indi de fora (por precaução depois da comoção que teve no jogo com a Austrália) optou por um 4-3-3 com uma frente de ataque composta por Robben, Lens e Kuyt. Isto porque Van Persie estava hoje suspenso e poderá voltar a todo o gás nos oitavos. Já o Chile manteve o seu 3-5-2 com o qual vergou a Espanha, embora com uma intensidade bem longe desse épico jogo. Sumariamente a 1.ª parte caracterizou-se por uma Holanda com mais posse de bola, tendo o árbitro permitido uma paragem para os jogadores beberem água e tendo-se registado mesmo muito poucos lances de perigo. O melhor momento do 1.º tempo terá sido uma arrancada de Robben que, depois de levar tudo à frente, rematou ligeiramente ao lado da baliza de Claudio Bravo.
    Os segundos 45 iniciaram-se com um duelo Alexis vs Robben. O extremo do Barcelona (uma vez que o admiramos como jogador, esperamos que se mude para um clube que o valorize como merece) procurou pegar no jogo chileno, e de resto ele tem sido o jogador que baralha mais o esquema táctico dos adversários quando baixa no terreno ou quando surge entre linhas, driblando, assistindo ou procurando rematar à baliza. Robben, hoje capitão da Holanda, ia também procurando marcar a Bravo mas a Holanda só melhorou quando Van Gaal fez entrar Leroy Fer e Memphis Depay. Depay, cuja entrada já tinha revolucionado o Austrália-Holanda, teve o primeiro aviso num remate de longe e os golos chegariam logo depois. O 1.º foi marcado por Fer, médio do Norwich, 2 minutos depois de entrar - um canto cobrado de forma curta, Janmaat a cruzar de forma perfeita e Fer a subir ao terceiro andar para um cabeceamento indefensável para Bravo. Nos minutos seguintes os chilenos procuraram o empate, tiveram vários cantos e reclamaram muitas faltas, mas acabaria por ser a Holanda a dar a machadada final no resultado. Numa transição rapidíssima, naturalmente conduzida pela velocidade de Arjen Robben, o extremo acabou a assistir Depay para o seu segundo golo neste Mundial. Depressa e bem, há pouco quem, mas esta Holanda sabe-o como ninguém.

    A Holanda termina a fase de grupos com 9 pontos em 9 possíveis e tem que ser naturalmente encarada como um caso sério neste Mundial 2014. Van Gaal é um trunfo bem valioso, a Holanda está bem orientada e é uma equipa camaleónica (o seu 3-5-2 pode tramar equipas como Brasil ou Argentina, mas tem jogadores para a qualquer altura mudar para um 4-3-3 e Depay continua a revelar-se uma excelente carta para guardar no bolso e lançar no momento certo). À partida nos oitavos vem aí um Holanda vs México ou Croácia, que seria mais rico tacticamente se opusesse holandeses e mexicanos.
    Relativamente ao Chile, a exibição de hoje não tira qualquer mérito à fase de grupos neste Grupo B. Projectávamos inicialmente que pudesse ser um grupo de 9-6-3-0 e de facto aconteceu isso embora com uma significativa mudança: julgávamos que seria Espanha, Holanda e Chile e acabou por ser Holanda, Chile e Espanha. Claro está que o jogo deste Chile foi o 2-0 da última jornada à Espanha, e Scolari tem razões para não desejar enfrentar esta selecção com uma alma infinita.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Arjen Robben (Holanda)
Outros Destaques: Janmaat, Blind, Fer, Depay; Medel, Alexis

EUA 2-2 Portugal: Assim não dá...

EUA  2 - 2  Portugal (Jones 64', Dempsey 81'; Nani 5', Varela 90'+5)

    Nova decepção para os portugueses num jogo atípico na Amazónia. Um autêntico inferno que obrigou à primeira paragem técnica para os jogadores se refrescarem em Mundiais e que presenciou o adeus quase definitivo de Portugal ao Mundial 2014. Equipa sem ideias de jogo e com uma descoordenação incrível nas saídas para o ataque. Os Estados Unidos permaneceram organizados, dominaram o meio campo todo e aproveitaram as oportunidades.
    O jogo começou a todo o gás com Nani a inaugurar logo o marcador aos 4 minutos. Numa insistência vinda da esquerda, André Almeida deu para trás para Veloso cruzar tendo a bola ultrapassado toda a defensiva norte-americana - com uma tentativa de corte a sair furada a Cameron - e a acabar nos pés de Nani. O extremo português dominou e - já com Howard no chão - fuzilou por completo a baliza norte-americana. O jogo acabou por ficar mais lento. Portugal a trocar a bola com muita calma e com os Estados Unidos a aproveitar os contra-ataques para criar perigo. Os norte-americanos tentavam a meia distância, mas sem grande êxito. Fabian Johnson teimava em fazer incursões da direita para o centro para rematar, mas foi Bradley o primeiro a criar dificuldades a Beto de meia distância. O meio campo era dominado pelos E.U.A. onde predominava um buraco gigante entre o meio campo português e a sua defesa. Os americanos iam arriscando e Ricardo Costa negou mesmo o golo a Clint Dempsey num grande corte. Nani era dos mais inconformados e tentou a sua sorte perto do fim da primeira parte com Tim Howard a fazer boa defesa. Em cima dos 45, novamente Nani a rematar forte para enorme defesa de Howard batendo ainda - com estrondo - no poste e na recarga Éder tentou o remate em jeito, mas Howard novamente a negar o golo. Chegava o intervalo com os E.U.A. a dominarem o centro do terreno, a terem mais remates, mas as melhores oportunidades a serem da equipa lusa. 
    Para o segundo tempo mais uma baixa. Depois de Postiga ter dado lugar a Éder nos momentos iniciais do jogo, foi a vez de André Almeida - que jogou a primeira parte em esforço - a dar lugar a William Carvalho, relegando Miguel Veloso para defesa esquerdo. Jogo tranquilo de Almeida, sem cometer qualquer erro durante o jogo e obrigado Johnson a procurar terrenos centrais para poder ter espaço. Jogo novamente muito parado e com a selecção portuguesa a não mostrar muitas melhorias desde o jogo contra a Alemanha. Os norte-americanos iam carregando e o lado esquerdo da defesa portuguesa começava a ser uma autêntica auto-estrada. Num lance de insistência pelo lado direito e após má saída de Beto, Bradley teve a baliza toda aberta para fazer o golo, mas Ricardo Costa surgiu para fazer um enorme corte em cima da linha. Já salvara a equipa das Quinas por duas vezes neste jogo. Portugal respondeu com um contra ataque com Éder a soltar para a desmarcação de Ronaldo pela direita, mas o capitão a atirar muito torto aquando da sua entrada na área. Tantas vezes o cântaro vai à fonte que os Estados Unidos marcaram mesmo. Após canto da direita, a bola sobra para a entrada da área onde Jones disferiu um remate forte e colocado que deixou Beto pregado ao chão. Um bom golo do médio - que estava a ser o melhor em campo -, mas que merecia pelo menos a tentativa de defesa... Beto preferiu ficar onde estava. Os lusos saiam sempre muito descoordenados para o ataque e - numa insistência - Meireles atirou para nova boa defesa de Howard. Nani voltava a ser o melhor destaque português tentando de tudo, mas o golo acabou por surgir para o outro lado. Golo nascido do lado direito onde Yedlin apareceu solto de marcação, o número 2 cruzou para a área, Bruno Alves cortou, Bradley rematou, o esférico ressalta para Zusi e o mesmo cruzou para Dempsey colocar o sonho americano em marcha. A eliminação de Portugal era eminente, mas Varela acabou por empatar nos descontos após centro de Ronaldo da direita. 
    Nova má partida da selecção portuguesa. Houve melhorias no jogo, mas apenas deveu-se à qualidade inferior do adversário. Uma selecção sem chama, com muitas lesões, muitos jogadores sem vontade e outros sem a boa forma habitual. Uma selecção a precisar de sangue novo. Com jogadores que queiram dar tudo pelo seu país e não que estejam acostumados a apenas representar o seu país. As malas estão feitas, mas a esperança ainda está presente. Pelo menos matematicamente. Portugal necessita de ganhar ao Gana pelo maior número de golos possível e esperar que a Alemanha ajude com uma vitória perante os E.U.A. O objectivo agora são os 3 pontos e reduzir a desvantagem de 5 golos perante os americanos.



Barba Por Fazer do Jogo: Jermaine Jones (E.U.A.)
Outros Destaques: T. Howard, F. Johnson, Beckerman, Bradley; Nani, R. Costa.

22 de junho de 2014

Coreia do Sul 2-4 Argélia: Argélia segura vitória em jogo de loucos

Coreia do Sul   2 - 4   Argélia (S. Heung-Min 50'. Koo Ja-Cheol 72'; Slimani 25', Halliche 27', Djabou 37', Brahimi 62')

    Jogo frenético entre Coreia do Sul e Argélia nesta que foi uma das melhores partidas deste mundial. Primeira parte demolidora dos africanos, mas uma grande resposta dos adversários na segunda metade que não baixaram os braços mesmo quando os argelinos voltaram a dilatar o resultado. Grande atitude de ambas equipas num espectáculo digno de Campeonato do Mundo!
    Arranque fulminante da Argélia neste último jogo do Grupo H, disputado no Beira-Rio. Desde bem cedo se apresentaram muito intensos no ataque com Brahimi e Feghouli a serem os velocípedes de serviço e a darem imensas dores de cabeça aos coreanos. Slimani ia ameaçando a baliza adversária por algumas vezes e - perante a agressividade dos argelinos - os sul-coreanos tentaram entrar no ritmo, mas sem sucesso. Bem tentaram algumas saídas rápidas para o ataque, mas a conclusão dos lances não era a melhor. O golo surgiu mesmo aos 25 minutos por intermédio do avançado do Sporting. Fantástico passe longo de Medjani do meio campo onde Slimani aparece entre os centrais para mostrar a sua imponência. Islam domina a bola, passa por entre os dois centrais, aguenta a carga e - no momento certo - desvia a bola do guarda-redes fazendo o primeiro da partida. Estava feito o primeiro do jogo e a justiça consumada pelo que se via em campo. O segundo tento chegou logo a seguir num pontapé de canto. Djabou cruzou para o coração da área e Halliche surgiu para fuzilar o guardião sul-coreano. Dois golos "portugueses" para a Argélia com este último a lembrar a cabeçada fulminante de Ezequiel Garay frente ao Porto, na Luz. A Coreia nada fez para responder e perto do fim do primeiro tempo, os africanos ampliaram mesmo o marcador para três golos. Novo grande passe longo para o ataque, dois defesas asiáticos atrapalham-se, a bola fica à mercê de Slimani que - com toda a calma do mundo - ofereceu o golo a Djabou que apenas teve que encostar a bola para o fundo das redes. Primeira parte frenética dos argelinos e com os sul-coreanos a mostrarem-se algo surpreendidos com a tamanha agressividade e objectividade dos adversários e a não corresponder à boa imagem que deixou perante os russos.
    Os asiáticos mostraram-se com vontade de mudar o resultado bem desfavorável e a verdade é que deram uma boa resposta. Mais bola, maior objectividade e acabou mesmo por chegar ao golo bem cedo. Passe longo para o coração da área e Son Heung-Min a ter alguma sorte por a bola lhe ter batido nas costas e ter ficado à sua mercê, mas depois a trabalhar bem sobre Bougherra e a rematar por baixo das pernas de Raïs M'Bolhi. A Coreia do Sul continuou ao ataque e foi empurrando os argelinos para trás com Heung-Min a ser o grande destaque asiático. Ki quase reduziu para 3-2 com um autêntico míssil do meio da rua que resultou numa enorme defesa de M'bolhi! Os argelinos não respiravam, mas a verdade é que na sua primeira saída para o ataque da segunda parte fizeram o golo. Grande entendimento entre Feghouli e Brahimi em alta velocidade com o jogador do Granada a concluir com frieza para o fundo das redes. Golpe duro nas aspirações coreanas, mas a verdade é que os asiáticos não se deixaram abater. Continuaram a cair em cima dos argelinos e a tentar o tudo por tudo. Jogo intenso e com maior actividade dos coreanos até que o 4-2 é consumado. Bombardeamento para a frente, a bola sobra para Lee Keun-Ho - após tentativa de Heung-Min - e o recém entrado a assistir Koo Ja-Cheol para o golo. M'Bolhi safou a Argélia do 4-3 após cruzamento/remate vindo da direita e lançou de novo a sua equipa para o ataque. O jogo começou a ter ataques de parte a parte, mas com ascendente para os Reds - que precisavam muito mais do golo. O jogo continuou com um ritmo elevado, mas o resultado manteve-se até ao fim dos 90 minutos. 

Grande jogo da Argélia a somar assim 3 pontos e a atirar as grandes decisões para a última ronda. Argelinos somam 3 pontos e russos e coreanos somam apenas 1 ponto resultante do empate precisamente entre ambos. Grande equilíbrio no Grupo H que é liderado pela Bélgica que vai imitando a Argentina - não deslumbra, mas vence.



Barba Por Fazer do Jogo: Yacine Brahimi (Argélia)
Outros Destaques: S. Heung-Min, Koo Ja-Cheol, Ki Sung-Yong; Slimani, Feghouli, Medjani.

Bélgica 1-0 Rússia: Origi coloca belgas nos oitavos

Bélgica  1 - 0  Rússia (Origi 88')

    Jogo abaixo das expectativas no Grupo H, embora tacticamente rico, e com um jovem de 19 anos a colocar os diabos vermelhos nos oitavos-de-final aos 88 minutos. Wilmots fez algumas alterações relativamente à equipa que suou e muito para vencer a Argélia, colocando Vermaelen, Mertens e Fellaini em vez de Vertonghen, Chadli e Dembélé. Capello voltou a apostar em nova fórmula, deixando novamente Denisov (bem como Kerzhakov e Dzagoev) no banco.
    E pode-se dizer que foi em total equilíbrio que se viveu o primeiro tempo. Bélgica e Rússia encaixaram uma na outra, cometendo poucos erros e ficando a ideia que seria preciso um jogador belga como Hazard ou De Bruyne inventar algo para o jogo mudar. Durante a 1.ª parte a Bélgica só conseguiu criar perigo através do seu flanco direito, com Mertens sempre muito interventivo, a rematar e a surgir sempre forte em situações de 1 para 1. A Rússia encontrou Courtois no seu caminho quando procurou o golo pelo experiente Fayzulin e por Kanunnikov mas foi aos 44' que teve a melhor oportunidade dos primeiros 45. O trinco Glushakov, jogador mais posicional do meio-campo no esquema de Fabio Capello, aventurou-se em terrenos mais avançados e cruzou para um cabeceamento de Kokorin que, sozinho, não acertou na baliza.
    O jogo de xadrez manteve-se na 2.ª parte, apaixonando pouco os adeptos, e ia ficando cada vez mais a ideia de que seria preciso um rasgo individual ou um erro defensivo para que houvesse finalmente um golo. Progressivamente a Bélgica foi perdendo clarividência nas suas acções e a paciente Rússia - certamente mais preparada à priori para ter menos bola - foi dando sinais de que poderia tomar o jogo. Wilmots trocou Lukaku (mais uma vez muitíssimo apagado, afundado e esquecido entre os centrais) pelo jovem Origi e foi nos 10 minutos finais que o jogo finalmente animou. Eden Hazard, camisola 10 belga (número que passará também a envergar no Chelsea na temporada que se avizinha), fartou-se do nulo e acordou. A técnica do extremo passou então a carregar a Bélgica às costas, mas até foi Kevin Mirallas quem realmente acordou a alma dos diabos vermelhos ao ficar perto de marcar num excelente remate ao poste, de livre directo. As oportunidades continuaram então a suceder-se com Hazard também a visar a baliza de Akinfeev. O golo chegou então aos 88' num lance com origem em Origi (passamos a redundância). O jovem avançado combinou com Hazard e depois valeu toda a técnica do extremo a fugir aos defesas antes de cruzar atrasado. Origi rematou, fazendo a bola passar no meio dos adversários. A fechar o jogo Hazard inventou tudo sozinho outra vez, assistiu Mirallas mas o jogador do Everton não conseguiu melhor do que um fraco remate.

    Foi um jogo amarrado durante muito tempo e no qual a Bélgica viveu da inspiração de Mertens na 1.ª parte e de Hazard nos 10 minutos finais do jogo. Ainda assim, foi precisamente nesse pressing final que vimos finalmente aquilo que todos esperamos desta Bélgica - a acelerar para cima dos adversários, sem medo e acreditando no talento que muitos dos seus jogadores têm. A Rússia - com algumas opções de Capello que continuam a não parecer as melhores - terá que lutar pela passagem na última jornada, mas hoje aguentou-se até ao momento em que Hazard acordou. A Bélgica tem assim presença assegurada nos oitavos-de-final, e atenção porque já há muito que se sabe que imperando a lógica poderá ser a equipa de Hazard, Courtois e companhia o adversário de Portugal nos oitavos. Mas para isso, temos que conseguir passar, claro. Veremos no resto da competição se esta foi uma aparição fugaz de Hazard no Mundial ou se foi apenas o acordar de um dos maiores talentos do futebol actual. 


Barba Por Fazer do Jogo: 
Eden Hazard (Bélgica)
Outros Destaques: Courtois, De Bruyne, Mertens, Origi; Ignashevich, Glushakov