Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

8 de junho de 2014

Mundial 2014: Previsão Grupo E

Foi dia 6 de Junho que o Grupo E ficou mais pobre. Já confirmadas as lesões de Valdés, Thiago Alcântara, Shirokov, Walcott, Strootman e Falcao (os 2 últimos as com maior peso até então) o mundo ficou a saber que Franck Ribéry, aos 31 anos iria falhar aquele que podia ser o seu último Mundial, pelo menos na plenitude das suas características. Com esta baixa significativa, e considerando que Nasri não existe para Deschamps, automaticamente o grupo ficou ainda mais renhido. As Honduras serão à partida um turista com bilhete pago para mostrar a melhor cara em cada jogo e tentar que a sua dupla de ataque (Costly e Bengtson) consigam marcar. Assim, num universo à parte será uma luta a 3 entre França, Suiça e Equador. Mesmo sabendo que o Equador atirou o Uruguai para o play-off de acesso, e mesmo não havendo Ribéry, consideramos que os 2 primeiros lugares ficarão entregues a França e Suiça, mas com o Equador a tentar intrometer-se nas contas.
    Esta França é uma equipa em transição, em formação, a ultrapassar os traumas (vividos em campo e fora dele) das últimas grandes competições, mas com muito potencial. A federação francesa e Deschamps certamente terão como objectivo para este Mundial conseguir o 1.º lugar do grupo e, por via disso, tentar chegar aos quartos da competição. Não é impossível, sem o 3.º melhor jogador do mundo em 2013 ficou certamente mais difícil, e para o sucesso gaulês será decisiva a forma como a tríade de meio-campo Pogba, Cabaye e Matuidi irá segurar e potenciar o jogo francês. A França quer ter neste Mundial 2014 uma preparação para se apresentar no Euro 2016 - jogado em solo francês - como uma das favoritas. Isso é garantido. O seu maior adversário, que dá pelo nome de Suiça, é uma das selecções que se quer afirmar como revelação da competição. Caso a Suiça consiga o primeiro lugar, não será estranho vê-la chegar aos quartos, e isso seria o suficiente para encaixar no estatuto de outsider ou underdog da competição. As Honduras, selecção mais frágil do grupo, serão o adversário da França no primeiro jogo (pode ser bom para os franceses ficarem mais seguros e confiantes com 3 pontos de início), e o adversário final da Suiça (caso os suiços precisem desse último jogo, sabem que partirão como favoritos no embate final).
    No nosso entender, o grande teste da Suiça será logo a abrir frente ao Equador. Caso os suiços vençam, aumentarão os seus índices - de uma das melhores gerações de que há memória no futebol helvético - e o duelo Suiça-França será colossal, de titãs. É à tangente que damos ligeiro favoritismo à selecção francesa, embora não ficássemos surpreendidos com a Suiça a assegurar o 1.º posto e o Equador a revelar-se mais forte do que alguns esperam. A falta de Ribéry poderá não se fazer notar tanto na fase de grupos, mas na fase a eliminar terá maior representatividade.
    Chega então a altura de conhecer cada uma destas 4 selecções, como esperamos que se apresentem tacticamente e com que jogadores mais utilizados, e ainda os craques que imaginamos que serão imprescindíveis em cada país:

1. FRANÇA 

  • Guarda-Redes: Hugo Lloris (Tottenham), Stéphane Ruffier (Saint-Étienne), Mickaël Landreau (Bastia)
  • Defesas: Mathieu Debuchy (Newcastle), Bacary Sagna (Arsenal), Laurent Koscielny (Arsenal), Raphaël Varane (Real Madrid), Mamadou Sakho (Liverpool), Eliaquim Mangala (Porto), Patrice Evra (Manchester United), Lucas Digne (PSG)
  • Médios: Yohan Cabaye (PSG), Blaise Matuidi (PSG), Paul Pogba (Juventus), Moussa Sissoko (Newcastle), Rio Mavuba (Lille), Morgan Schneiderlin (Southampton), Rémy Cabella (Montpellier), Mathieu Valbuena (Marselha), Antoine Griezmann (Real Sociedad)
  • Avançados: Karim Benzema (Real Madrid), Olivier Giroud (Arsenal), Loïc Rémy (Newcastle)
Seleccionador: Didier Deschamps
Baixa: Franck Ribéry; Ausências: Samir Nasri, Layvin Kurzawa

Equipa-Base (4-3-3): Lloris; Debuchy, Varane (Sakho), Koscielny, Evra; Matuidi, Cabaye, Pogba; Valbuena, Griezmann, Benzema
    Relativamente ao modelo de jogo, diríamos há alguns dias que só um cataclismo poderia fazer Deschamps mudar de ideias. A verdade é que esse cataclismo aconteceu e Ribéry viu-se afastado por lesão deste Mundial. A lesão do extremo significará à partida a entrada directa de Griezmann para o seu lugar. Deschamps poderia sentir-se tentado a recorrer a Giroud ou Rémy ao lado de Benzema, mas nunca iria abdicar do seu trio de meio-campo. Assim, a única alternativa viável será em vez de Griezmann começar Rémy de início mas encostado a uma faixa. Falando no 11, Lloris procurará garantir que nenhum golo entra na sua baliza, sendo que Debuchy, Varane, Koscielny e Evra poderão formar o quarteto defensivo. Dizemos "poderão" porque Sakho poderá muito bem encostar um dos centrais, sendo que Mangala parece nesta altura ser o 4.º central para Deschamps. No meio-campo reside a força nuclear desta França - Pogba, Matuidi e Cabaye vão traçar o destino desta França. Nas asas, Griezmann e Valbuena deverão ser as escolhas, com Karim Benzema como avançado centro. 

Destaques Individuais (Previsão):


    Caso a França fique em 1.º lugar como apostamos, poderão vê-la chegar até aos quartos certamente. Com Ribéry arriscaríamos mais longe que isso, mas sem o melhor jogador francês a França poderá vacilar frente a adversários de elevado calibre. Sem o extremo do Bayern, o jovem Paul Pogba terá que emergir e transcender-se. É para nós um dos mais fortes candidatos a ser considerado universalmente com o melhor jogador jovem da competição. O médio da Juventus vai ter a ajuda de Yohan Cabaye e Blaise Matuidi, e os três poderão ser uma importante teia para alguns adversários. A estes craques acrescentamos ainda Laurent Koscielny - o central do Arsenal tem que ser titular neste Mundial (poderia acontecer Deschamps apostar em Varane-Sakho) e se o for dará sequência à melhor época da sua carreira. Karim Benzema, a sentir-se mais importante do que no Real Madrid, terá muitas oportunidades para fazer o gosto ao pé, combinando bem com os flanqueadores e colegas de meio-campo. A lesão de Ribéry fez com que Antoine Griezmann ganhasse à partida um lugar entre o 11 inicial francês e, depois de uma excelente época na Real Sociedad onde mostrou que está feito um grande finalizador, a sua juventude e irreverência poderão ser fundamentais. Por fim, apostamos ainda no impacto que Loïc Rémy poderá ter saído do banco. O avançado vinculado ao QPR, mas que na temporada que findou vestiu a camisola do Newcastle, vai ter mais minutos depois da lesão de Ribéry (será o 12.º ou 13.º jogador francês, e também um candidato ao lugar que à priori será de Griezmann).

2. SUIÇA 

  • Guarda-Redes: Diego Benaglio (Wolfsburgo), Yann Sommer (Gladbach), Roman Bürki (Friburgo)
  • Defesas: Stefan Lichtsteiner (Juventus), Fabian Schär (Basel), Steve von Bergen (Young Boys), Johan Djourou (Hamburgo), Michael Lang (Grasshoper), Philippe Senderos (Valência), Ricardo Rodríguez (Wolfsburgo), Reto Ziegler (Sassuolo)
  • Médios: Gökhan Inler (Nápoles), Valon Behrami (Nápoles), Blerim Dzemaili (Nápoles), Granit Xhaka (Gladbach), Gelson Fernandes (Friburgo), Tranquillo Barnetta (Eintracht Frankfurt), Valentin Stocker (Hertha Berlim), Xherdan Shaqiri (Bayern)
  • Avançados: Haris Seferovic (Real Sociedad), Josip Drmic (Leverkusen), Admir Mehmedi (Friburgo), Mario Gavranovic (Zurich)
Seleccionador: Ottmar Hitzfeld

Equipa-Base (4-3-3): Benaglio; Lichtsteiner, von Bergen, Schär, R. Rodríguez; Inler, Behrami, Xhaka; Shaqiri, Stocker, Drmic (Seferovic)
    Poderia acontecer vermos esta selecção em 3-5-2, com Lichtsteiner e Rodríguez bem abertos, mas o 4-3-3 deverá ser a fórmula de sucesso de Hitzfeld. Com um brilhante plantel ao seu dispor, as únicas dúvidas prendem-se com o colega de von Bergen no centro da defesa: Djourou jogou mais na qualificação, mas acreditamos que Schär merecerá a confiança, uma vez que é muito melhor. No meio-campo, Inler e Behrami são intocáveis e pode acontecer que tenham Dzemaili junto a eles - seria o trio do Nápoles em campo pela Suiça - mas Xhaka, pela forma diferente como lê o jogo, deve ser o escolhido e faz sentido que o seja. Na frente, Shaqiri vai estar num flanco e Stocker no outro. Relativamente ao ponta de lança, Hitzfeld terá que escolher entre Drmic (grande época no Nürnberg, a valer-lhe o ingresso no Leverkusen) ou Seferovic, que foi mais utilizado na fase de qualificação. Mehmedi poderá também ter a sua oportunidade num ou outro momento.

Destaques Individuais (Previsão):


    É uma das selecções com as quais mais simpatizamos e, se por acaso conseguisse ficar em 1.º lugar, teria possivelmente um caminho mais fácil até aos quartos do que outros outsiders mais falados como Bélgica ou Colômbia, que à partida irão emparelhar com selecções complicadas. Claro que, caso a Suiça fique em 2.º como é mais provável, deverá apanhar a Argentina nos oitavos. Mas enquanto durar em prova acreditamos que Xherdan Shaqiri vai brilhar. Caso Guardiola queira negociar Shaqiri fará bem em esperar pelo fim do Mundial porque Shaqiri vai-se valorizar e de que maneira. Na realidade, até deveria estar aqui o sucessor de Robben ou Ribéry, mas Guardiola é que sabe. Para além daquele que esperamos vir a ser o melhor jogador suiço na competição, Ricardo Rodríguez vai certamente entrar no topo das prioridades de muitos clubes. O lateral esquerdo do Wolfsburgo - claramente um dos melhores do mundo na sua posição em 2013/ 14, e um jogador que considerámos recentemente o 9.º alvo mais apetecível entre os 100 deste Verão - vai partir a loiça toda, proporcionar golos aos seus colegas e imprimir muita dinâmica, determinado e raçudo.
    Gökhan Inler será a garantia de total equilíbrio da selecção suiça. No embate com a França será muito interessante ver o confronto a nível de meio-campo, e o experiente Inler vai ser certamente a voz de comando desta Suiça ao longo da prova. Sobretudo caso Josip Drmic seja o eleito de Hitzfeld para homem-golo, as redes vão certamente balançar. Seferovic é também um jogador interessante, e por isso a escolha do seleccionador está facilitada. Entre tanto jogador jovem e com valor, acreditamos ainda que Granit Xhaka poderá ser o toque de classe no meio-campo helvético, que Fabian Schär (oxalá seja titular) poderá fazer um grande Mundial e que o tecnicista Valentin Stocker (que se transferiu recentemente para o Hertha Berlim), até por não ser um nome tão "badalado" como outros, pode fazer estragos à sua maneira. Par além de tudo isto, ainda será determinante Benaglio entre os postes e Lichtsteiner pela extraordinária intensidade, profundidade e velocidade que acrescenta ao jogo, surgindo muitas vezes junto à área adversária como lateral moderno que é.

3. EQUADOR 

  • Guarda-Redes: Alexander Domínguez (LDU Quito), Máximo Banguera (Barcelona SC), Adrián Bone (El Nacional)
  • Defesas: Juan Carlos Paredes (Barcelona SC), Gabriel Achilier (Emelec), Jorge Guagua (Emelec), Frickson Erazo (Flamengo), Oscar Bagüí (Emelec), Walter Ayoví (Pachuca)
  • Médios: Segundo Castillo (Al Hilal), Carlos Gruezo (Estugarda), Christian Noboa (Dínamo Moscovo), Renato Ibarra (Vitesse), Fidel Martínez (Club Tijuana), Luis Saritama (Barcelona SC), Édison Mendez (Santa Fé), Antonio Valencia (Manchester United), Jefferson Montero (Morelia), Michael Arroyo (Atlante), Joao Rojas (Cruz Azul)
  • Avançados: Felipe Caicedo (Al-Jazira), Enner Valencia (Pachuca), Jaime Ayoví (Club Tijuana)
Seleccionador: Reinaldo Rueda

Equipa-Base (4-4-2): Domínguez (Banguera); Paredes, Guagua, Erazo, W. Ayoví; A. Valencia, Noboa, Gruezo (Castillo), J. Montero; E. Valencia, Caicedo
    Depois do arrepiante choque com o mexicano Luis Montes, o centro-campista Segundo Castillo está ainda em dúvida mas manteve-se entre os 23 de Rueda. O Equador dificilmente se afastará de um 4-4-2 com Caicedo e Enner Valencia na frente, este último mais solto. Domínguez ou Banguera terão a baliza por sua conta, Juan Carlos Paredes e Walter Ayoví deverão ser os laterais e a voz da defesa serão Guagua e Erazo. Noboa, do Dínamo Moscovo, é uma garantia a meio-campo, e - caso Castillo não recupere - será Gruezo o seu companheiro, deixando a construção de jogo - maioritariamente a partir dos flancos - a cargo do capitão Antonio Valencia e de Jefferson Montero. 

Destaques Individuais (Previsão):


    Perante a força da França e da Suiça, e uma vez que as Honduras parecem não ter areia suficientemente para puxar o camião para outro caminho que não o da qualificação dessas 2 selecções, só o Equador pode escrever um destino diferente para este Grupo E. Por isto mesmo, identificámos 4 jogadores que achamos que poderão ser os maiores destaques do Equador neste Mundial. Enner Valencia é um jogador que temos debaixo de olho - pode fazer a diferença individualmente em qualquer jogo e tem tudo para se mostrar ao mundo nesta competição, talvez um pouco com o efeito-Chicharito em 2010. Nessa altura, no entanto, o Manchester United já se antecipara a toda a concorrência. Jefferson Montero nem sempre é um elemento fiável/ constante, mas poderá ser um jogador-chave. Tem pés para tal. Depois, o capitão Antonio Valencia vai tentar carregar a selecção às costas, mas talvez peque pelo facto de ser um jogador limitado tacticamente - é rapidíssimo, com uma mudança de velocidade terrível para os adversários, mas limita muito o seu jogo a arrancar pelo flanco e cruzar, a não ser quando se aventura numa diagonal e remata cruzado. Pedem-se golos a Felipe Caicedo - o ex-jogador do Sporting mostrou já bastante pelo seu país desde que saiu de Alvalade e por isso mesmo merece atenção, veremos se agita as redes. Pelo menos as hondurenhas.

4. HONDURAS 

  • Guarda-Redes: Noel Valladares (Olimpia), Donis Escober (Olimpia), Luis López (Real España)
  • Defesas: Maynor Figueroa (Hull City), Emilio Izaguirre (Celtic), Víctor Bernárdez (SJ Earthquakes), Brayan Beckeles (Olimpia), Juan Carlos García (Wigan), Osman Chávez (Quingdao), Juan Pablo Montes (Motagua)
  • Médios: Wilson Palacios (Stoke), Éder Delgado (Real España), Oscar García (Houston), Roger Espinoza (Wigan), Luis Garrido (Olimpia), Jorge Claros (Motagua), Andy Najar (Anderlecht), Mario Martínez (Real España)
  • Avançados: Jerry Bengtson (NE Revolution), Carlos Costly (G. Zhicheng), Rony Martínez (Real Sociedad), Jerry Palacios (Alajuelense), Marvin Chávez (Colorado Rapids)
Seleccionador: Luis Fernando Suárez

Equipa-Base (4-4-2): Valladares; Beckeles, Bernárdez, Figueroa, Izaguirre; García (Garrido), Palacios, Najar (Claros), Espinoza; Costly, Bengtson
    É chato quando uma selecção de menor dimensão tem 2 bons avançados. As Honduras contam com Bengtson e Costly e, fruto de estarem certamente entre os 5 melhores jogadores do país, deverão ser ambos titulares expondo provavelmente mais a equipa. Valladares será o guarda-redes, Beckeles o lateral direito, e na defesa jogarão ainda Bernárdez, Maynor Figueroa e Izaguirre. Figueroa no Hull joga a lateral mas na selecção surge no centro, por ser uma das suas 2 posições e por existir Izaguirre - lateral esquerdo do Celtic. O meio-campo terá Palacios e provavelmente Espinoza perto de um corredor, com Oscar García, Andy Najar, Jorge Claros e Luis Garrido a disputarem as restantes 2 vagas. Na frente, Bengtson e o experiente Carlos Costly. Há ainda Jerry Palacios e Marvin Chávez prontos a fazer valer a oportunidade.

Destaques Individuais (Previsão):


    1 ponto seria, na nossa leitura, uma boa performance das Honduras neste Mundial. A selecção comandada por Luis Fernando Suárez chega ao Brasil sem qualquer tipo de responsabilidades e por isso não terá certamente pressão acrescida. Caso consigam marcar, deverão ser Carlos Costly e Jerry Bengtson os responsáveis por fazer balançar as redes adversárias. Poderíamos dizer que Izaguirre se destacará mas preferimos considerar que Maynor Figueroa lutará como puder para que a sua pátria não sofra defensivamente. No entanto, prevemos que será um esforço inglório, tal como será também a tarefa de Wilson Palacios a tentar segurar um meio-campo que acabará muito provavelmente por ser engolido tanto por Pogba e companhia como por Inler e seus amigos.



Posters ESPN - FIFA World Cup 2014 - Grupo E

7 de junho de 2014

Mundial 2014: Previsão Grupo D

    Chegando ao grupo da morte, a previsão começa a complicar-se. A verdade é que a maioria confiaria na passagem da Itália e do Uruguai pelo historial recente. São factores que influenciarão sobretudo os apostadores e é o que a lógica demandaria, sendo o mais fácil dizer que era a Inglaterra a ser eliminada, passando Uruguai e Itália... Porém, nós acreditamos que a Inglaterra não só passará, como será primeira no grupo. Barba Por Fazer, os ousados. Será um grupo bastante equilibrado e que muito provavelmente acabará com igualdades pontuais entre duas (7-7-3-0) ou até mesmo três selecções (6-6-6-0). A Inglaterra reúne um grupo muito forte de jogadores e poderá finalmente fazer um Mundial em condições como há muito não consegue. Achamos que o facto de poder contar com 5 elementos do Liverpool no onze inicial pode pesar na performance inglesa. A Costa Rica terá a vida complicada e o mais provável é terminar o Campeonato do Mundo sem qualquer ponto. Ainda assim, é também possível que estrague as contas a umas das outras 3 equipas com um empate. Por fim, acreditamos que a Itália não estará à altura neste Mundial e acabará por cair na fase de grupos perdendo assim o segundo lugar para o Uruguai. Numa prova onde a diferença de golos é o primeiro método de desempate e num grupo tão forte como este, é vital ter uma boa defesa, mas ainda mais um grande ataque. A verdade é que a Itália não é uma máquina de fazer golos e isso pode pesar na classificação. Por outro lado, o Uruguai tem um ataque mortífero, o que poderá ajudar na sua passagem. Não é de afastar também a hipótese de seguirem em frente Inglaterra e Itália. É imperial marcar o máximo de golos possível à Costa Rica. Contudo, há Keylor Navas na baliza para complicar esse objectivo.
    Passemos então à análise detalhada:

1. INGLATERRA 

  • Guarda-Redes: Joe Hart (Manchester City), Fraser Forster (Celtic), Ben Foster (WBA)
  • Defesas: Glen Johnson (Liverpool), Chris Smalling (Manchester United), Phil Jones (Manchester United), Phil Jagielka (Everton), Gary Cahill (Chelsea), Leighton Baines (Everton), Luke Shaw (Southampton)
  • Médios: Steven Gerrard (Liverpool), Jordan Henderson (Liverpool), Jack Wilshere (Arsenal), Frank Lampard (Chelsea), James Milner (Manchester City), Ross Barkley (Everton), Alex Oxlade-Chamberlain (Arsenal), Adam Lallana (Southampton), Raheem Sterling (Liverpool)
  • Avançados: Daniel Sturridge (Liverpool), Wayne Rooney (Manchester United), Rickie Lambert (Southampton), Danny Welbeck (Manchester United)
Seleccionador: Roy Hodgson
Baixas: Jay Rodriguez, Theo Walcott, Kyle Walker, Andros Townsend

Equipa-Base (4-2-3-1): Joe Hart; Glen Johnson, Phil Jagielka, Gary Cahill, Leighton Baines; Steven Gerrard, Henderson; Lallana, Rooney, Sterling (Wilshere, Welbeck); Sturridge
    Hodgson tem muita e boa matéria por onde escolher, mas achamos que apostará num esquema híbrido, fugindo um pouco ao crónico e histórico 4-4-2 inglês de jogo denunciado. Joe Hart será o guarda-redes de Inglaterra, e na defesa também não há qualquer dúvida - Glen Johnson na direita, Jagielka e Cahill a centrais, Leighton Baines no flanco esquerdo. Também é 100% certo que Steven Gerrard desempenhará funções idênticas às que teve no Liverpool este ano, surgindo à frente da defesa, assemelhando-se tacticamente ao impacto que Pirlo tem no jogo da Itália e da Juventus. As dúvidas surgem depois porque Hodgson pode optar por colocar Henderson próximo de Gerrard, com Lallana a vagabundear entre linhas, mas preferencialmente na direita. Neste cenário, Sterling ou Welbeck poderiam surgir na esquerda, com Rooney menos posicional do que Sturridge. Hodgson ainda procura a forma de melhor explorar a qualidade de Rooney, podendo jogar ele na frente, nas costas de Sturridge ou até mesmo descaído para a esquerda. Certo é que há ainda Jack Wilshere para baralhar um pouco as contas. O facto de não apresentar índices físicos tão elevados poderá deixá-lo no banco mas caso Hodgson queira incluí-lo, isso significaria à partida que Sterling/Welbeck perderiam a hipótese de serem titulares, surgindo um meio-campo com Gerrard, Henderson e Wilshere. E depois ainda há Barkley, Milner e Lambert, para agitar os jogos no seu decurso. Chamberlain, caso possa jogar, também poderia ser muito útil.

Destaques Individuais (Previsão):


    É uma grande geração, que tem 2 grandes vantagens: não tem qualquer tipo de pressão, fruto dos maus desempenhos recentes; a Inglaterra poderá alinhar com 5 jogadores do Liverpool no seu onze inicial. Isso aumenta seriamente as suas hipóteses, uma vez que ganha identidade, passa a ter processos mecanizados entre vários jogadores, e qualquer jogador do Liverpool terá por esta altura confiança e fome de títulos.
    No nosso entender, Daniel Sturridge Steven Gerrard têm tudo para ser as 2 principais figuras desta Inglaterra. Sturridge, não tendo por exemplo a pressão que Rooney tem para brilhar, acabará muito provavelmente por marcar golos com naturalidade e tem características que encaixam favoravelmente contra os 3 adversários do grupo. Já Gerrard será o farol desta equipa. Quando ninguém souber o que fazer, a bola irá parar ao capitão de Inglaterra que está num momento incrível, podendo esta ser a sua última grande competição por Inglaterra. Para além da segurança que irá dar ao jogo inglês, atenção à sua extraordinária qualidade de passe longo e às suas bolas paradas. Confiantes no sucesso desta descomplexada e fluída Inglaterra, Wayne RooneyAdam Lallana e Gary Cahill poderão também destacar-se. Rooney nunca marcou num Mundial e acreditamos que será desta. O facto de Rooney aparecer, mesmo que num plano inferior em termos de números comparativamente a Sturridge, poderá ser essencial para o caminho de Inglaterra neste Mundial. Lallana é, para nós, o jogador com maior técnica em 1, 2 toques entre os ingleses (nem parece um jogador inglês, aliás) e caso seja titular como merece acreditamos que fará a diferença e vai-se dar definitivamente a conhecer ao mundo do futebol. Seria audaz o Southampton aguentá-lo até ao fim do Mundial. Gary Cahill, tal como Leighton Baines, serão os 2 jogadores mais importantes na defesa inglesa. Cahill é um central subvalorizado e, caso Inglaterra siga em frente, é uma garantia que o defesa do Chelsea terá a sua quota-parte de responsabilidade; tal como Baines, não só a defender como no apoio a todo o gás ao ataque. Veremos como o melhor lateral esquerdo da Premier League se comporta entre os melhores do mundo no Brasil. Surge no friso entre Cahill e Baines, Jordan Henderson. Na nossa análise, a diferença entre a Inglaterra ultrapassar o "grupo da morte" ou não pode estar dependente da titularidade de Jordan Henderson. O médio do Liverpool trabalha na perfeição com Gerrard e a capacidade de potenciar o trabalho de Sturridge, Rooney e Lallana, aumentará com Henderson em campo. Não colocámos Raheem Sterling entre este lote porque não quisemos identificar mais do que 7 destaques e também por não ser certa a titularidade do jovem extremo. No entanto, achamos que caso seja titular terá muito impacto, tal como Barkley saído do banco. Aliás, se Henderson será fulcral para a Inglaterra fazer uma boa fase de grupos, Sterling poderá ser determinante caso jogue frente à Itália. 
    Vamos surpreendentemente all in com a Inglaterra, embora passando em 1.º lugar achemos que no máximo a Selecção dos 3 leões chegará aos quartos.


2. URUGUAI 

  • Guarda-Redes: Fernando Muslera (Galatasaray), Rodrigo Muñoz (Libertad), Martín Silva (Vasco Gama)
  • Defesas: Maxi Pereira (Benfica), Diego Lugano (sem clube), Diego Godín (Atlético Madrid), Martín Cáceres (Juventus), Sebastian Coates (Nacional), Álvaro Pereira (São Paulo), Jorge Fucile (Porto), José María Giménez (Atlético Madrid) 
  • Médios: Arévalo Rios (Morelia), Diego Pérez (Bologna), Walter Gargano (Nápoles), Álvaro González (Lázio), Nicolás Lodeiro (Botafogo), Gaston Ramírez (Southampton), Cristián Rodríguez (Atlético Madrid), Christian Stuani (Espanyol)
  • Avançados: Luis Suárez (Liverpool), Diego Forlán (Cerezo Osaka), Edinson Cavani (PSG), Abel Hernández (Palermo)
Seleccionador: Óscar Tabárez

Equipa-Base (4-3-3): Muslera; Maxi Pereira, Lugano, Godín, Cáceres; Rios, Gargano (Pérez), C. Rodríguez; Fórlan, Cavani, Suárez 
    A táctica de Tabárez depende muito da recuperação de Luis Suárez. O mais provável é utilizar um 4-3-3 com Muslera a segurar as redes, Maxi e Cáceres a dar profundidade nas laterais e Lugano e Godín encarregados do sector defensivo central. No centro do terreno Rios parece ser indiscutível com Cristián Rodríguez (usado em sectores mais recuados) e com Gargano e Diego Peréz a discutirem um lugar no onze. A frente de ataque estaria então entregue ao tridente ofensivo Forlán-Cavani-Suárez para fazer estragos.
    Contudo, face à lesão de Luis Suárez, Tabárez tem utilizado um 4-4-2 onde Cebola e Stuani (ou até mesmo Gaston Ramírez) ocupam os flancos, Gargano e Rios o meio campo e o ataque tem sido entregue a Cavani e Forlán. Apresentamos ainda a hipótese do seleccionador uruguaio voltar a apostar no habitual 5-3-2, aqui com a inclusão de Cáceres no centro da defensiva ou até mesmo de Coates.

Destaques Individuais (Previsão):


    A selecção uruguaia tem como grande destaque um dos melhores jogadores do mundo a par de Ronaldo e Messi - Luis Suárez. O jogador do Liverpool é mais um dos grandes jogadores a enfrentar uma lesão e tem mesmo o Mundial em risco. A sua lesão não requer um longo período para recuperar, mas a alta intensidade do Mundial pode prejudicar a sua condição física ou até piorar. Será fundamental para o Uruguai ter Suárez em forma porque é um jogador que decide jogos sozinho. Um dos melhores do mundo na recepção orientada, um fora-de-série e um dos jogadores que mais dá gosto ver jogar na actualidade, também pelo entusiasmo que revela em campo. Sem Suárez, a dupla Cavani-Forlán ganha mais força. O possante avançado do PSG é um dos grandes destaques deste grupo e pode decidir jogos com o seu forte jogo aéreo, instinto finalizador e dimensão física. O Ibrahimovic uruguaio, que certamente não gostaria de ler estas palavras sobre ele. Forlán - que já está em fase decrescente na carreira e a gozar a sua reforma no futebol japonês - tem que ser um dos destaques deste Uruguai. É um jogador talhado para os Mundiais, foi mesmo eleito (justamente) o melhor jogador do Mundial da África do Sul, e espalhará por todo o campo a sua classe. Os grandes golos também são o seu forte e - como já nos fez crer - sabe decidir grandes jogos. Por fim, destacamos um jogador que esteve em grande no seu clube - Diego Godín. O central do Atlético Madrid tem sido incansável no sector defensivo, entregando-se por completo ao jogo. Como se isso não bastasse, tem adquirido a habilidade de marcar golos em bolas paradas e em jogos de cariz importante. Será sem dúvida uma mais-valia para Tabárez.

3. ITÁLIA 

  • Guarda-Redes: Gianluigi Buffon (Juventus), Salvatore Sirigu (PSG), Mattia Perin (Génova)
  • Defesas: Ignazio Abate (AC Milan), Mattia De Sciglio (AC Milan), Andrea Barzagli (Juventus), Leonardo Bonucci (Juventus), Giorgio Chiellini (Juventus), Gabriel Paletta (Parma), Matteo Darmian (Torino)
  • Médios: Daniele De Rossi (Roma), Andrea Pirlo (Juventus), Thiago Motta (PSG), Antonio Candreva (Lázio), Marco Verratti (PSG), Claudio Marchisio (Juventus), Marco Parolo (Parma), Alberto Aquilani (Fiorentina)
  • Avançados: Mario Balotelli (AC Milan), Ciro Immobile (Torino), Alessio Cerci (Torino), Antonio Cassano (Parma), Lorenzo Insigne (Nápoles) 
Seleccionador: Cesare Prandelli
Baixa: Riccardo Montolivo; Ausências: Alessandro Florenzi, Francesco Totti, Giuseppe Rossi, Christian Maggio, Mattia Destro

Equipa-Base (4-4-2): Buffon; Abate, Bonucci, Chiellini, De Sciglio; Pirlo, De Rossi, Marchisio, Verratti (Aquilani); Balotelli, Immobile
    O modelo táctico e os jogadores que a Itália apresentará neste Mundial é, em certa medida, uma incógnita. Talvez a maior incógnita entre as grandes selecções. Riccardo Montolivo, se não se tivesse lesionado, seria certamente titular. Parece difícil que vejamos a Itália a recuperar o seu 5-3-2 de outrora com De Rossi entre os centrais, e por isso mesmo Prandelli deverá optar por um 4-4-2 losango ou um 4-3-2-1, considerando a falta de extremos propriamente ditos. Buffon é o capitão lendário da baliza italiana, e na defesa Bonucci e Chiellini marcarão presença definitivamente. Abate será em princípio o lateral direito, podendo De Sciglio surgir do lado esquerdo. Se isto não acontecer pode surgir também Barzagli no sector defensivo. A meio-campo há muita qualidade. Pirlo, De Rossi e Marchisio parecem certos, sendo que a posição que seria de Montolivo tem em Verratti e Aquilani os mais fortes candidatos a preenchê-la. Caso a equipa jogue com 2 avançados, Balotelli terá ao seu lado Immobile (ou Cerci ou Cassano). Pessoalmente gostaríamos de ver o novo avançado do Dortmund titular. Caso Prandelli opte por um 4-3-2-1, Balotelli surgirá sozinho no ataque e no meio-campo abrir-se-ia espaço para nomeadamente Candreva.

Destaques Individuais (Previsão):


    A Itália é conhecida pela sua consistência defensiva. E para liderar esse sector - embora no esquema de Prandelli se apresente a médio defensivo - está Daniele De Rossi. O médio da Roma é importantíssimo no meio-campo no que toca a defender e facilita muito a vida dos seus companheiros em sectores mais recuados. Uma autêntica barreira que será fulcral na Itália. E falar do conjunto italiano sem destacar Andrea Pirlo, é um crime. Bem sabemos que a cabeça do médio não anda muito bem e que a arrogância tomou conta do seu corpo, porém, as suas qualidades técnicas permanecem intactas. O médio da Juventus recupera bolas, constrói jogo, assiste e marca livres como se tratassem de grandes penalidades... Será uma das grandes figuras. No sector atacante decidimos destacar o irreverente Mario Balotelli. O jovem avançado é indisciplinado e inconstante. Porém, os técnicos continuam a apostar nele. A razão? A razão é muito simples - Mario decide jogos sozinho. E por esse simples facto, tem que automaticamente ser um dos destaques. Por fim, decidimos ainda destacar Ciro Immobile. Ainda não é certo que tenha muitos minutos no Mundial. Mas se Prandelli apostar no mais recente jogador do Dortmund, este pode muito bem vir a ser o goleador de serviço. Caso tivéssemos certezas sobre a maior utilização de Verratti e De Sciglio seriam também nossas apostas.

4. COSTA RICA 

  • Guarda-Redes: Keylor Navas (Levante), Patrick Pemberton (Alajuelense), Daniel Cambonero (Herediano)
  • Defesas: Johnny Acosta (Alajuelense), Cristian Gamboa (Rosenborg), Giancarlo González (Columbus Crew), Michael Umaña (Saprissa), Oscar Duarte (Club Brugge), Roy Miller (NY Red Bulls), Heiner Mora (Saprissa), Junior Díaz (Mainz), Waylon Francis (Columbus Crew)
  • Médios: Celso Borges (AIK), Yeltsin Tejeda (Saprissa), José Cubero (Herediano), Michael Barrantes (Aalesund), Esteban Granados (Herediano), Christian Bolaños (Copenhaga), Diego Calvo (Valerenga), Bryan Ruiz (PSV)
  • Avançados: Joel Campbell (Olympiacos), Marco Ureña (Kuban Krasnodar), Randall Brenes (Cartaginés)
Seleccionador: Jorge Luis Pinto
Baixa: Álvaro Saborío; Ausência: Esteban Alvarado

Equipa-Base (5-4-1): Navas; Gamboa, Acosta, G. González, Umaña, J. Díaz; Bryan Ruiz, Borges, Tejeda, Bolaños; Campbell
    A Costa Rica é definitivamente uma equipa azarada. Depois de uma qualificação feliz e muito festejada, a Costa Rica foi parar ao grupo da morte onde a sua obrigação de passar é 0%, podendo apenas servir para prejudicar as aspirações de um dos 3 históricos que a acompanham no grupo. Depois de calhar neste grupo, viu ainda o seu melhor marcador - Álvaro Saborío - lesionar-se.
    Com a lesão de Saborío, que seria o avançado centro, Joel Campbell deverá surgir como elemento mais adiantado, num 5-4-1. A equipa começa em Keylor Navas, candidato a melhor guarda-redes da Liga BBVA esta temporada pelo Levante. Depois, Gamboa, Acosta, Giancarlo González, Umaña e Junior Díaz devem compôr a defesa. No meio-campo, Tejeda e Celso Borges serão jogadores de maior contenção, com Bolaños e sobretudo Bryan Ruiz a apoiarem Campbell. Jorge Luis Pinto poderá optar também por um 4-5-1, sendo que nesse cenário deverá cair do 11 Umaña, ganhando lugar Michael Barrantes no meio-campo.

Destaques Individuais (Previsão):


    A Costa Rica é - à priori - a equipa mais fraca deste grupo e que tentará estragar a festa a um dos "grandes". E quem melhor para estragar a festa do que Keylor Navas? O guardião foi um dos melhores guardiões da Liga BBVA ao serviço do Levante e poderá ser fulcral no futuro de uma das outras 3 selecções. Quanto ao ataque, este está entregue a Campbell e Bryan Ruiz. Joel Campbell cresceu como jogador no Olympiacos onde fez uma boa época e poderá ser um jogador a ter em conta. Já Bryan Ruiz, que voltou a rumar à Holanda, é um jogador que consegue inventar jogadas e que gosta de colocar os guarda-redes à prova. Com ele em campo, os defesas adversários tem que estar em constante sentido.


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6 de junho de 2014

Mundial 2014: Previsão Grupo C

A análise e previsão continua, como até aqui, neste artigo olhando atentamente para o Grupo C. Para nós, embora não seja o grupo mais forte deste Mundial, o Grupo C acaba por ser talvez o mais equilibrado e certamente o mais rico a nível de  diversidade de estilos e de identidade futebolística. Quatro selecções, quatro formas de entender e interpretar o jogo.
    Há desde logo uma grande baixa neste grupo, que tinha tudo para ser uma das grandes figuras do mesmo: Radamel Falcao. O avançado da Colômbia confirmou em lágrimas que não estava apto para competir e o Mundial perdeu um dos melhores avançados que estaria em competição. Mesmo assim, a Colômbia é a favorita nº 1 para ocupar o primeiro lugar no fim das contas. Orientados por Pékerman, os colombianos têm vários jogadores muito interessantes e a ausência de Falcao originará uma luta saudável entre os vários avançados existentes. Projectamos mesmo uma Colômbia a fazer 9 pontos no seu grupo mas a ter depois um verdadeiro teste de fogo nos oitavos-de-final, uma vez que o Grupo C emparelha com o Grupo da Morte (D).
    Há então depois 3 selecções candidatas ao segundo lugar: Grécia, Costa do Marfim e Japão. Os japoneses são a equipa entre as três com mais técnica (excelente primeiro toque e recepção orientada entre todos os jogadores do meio-campo para a frente) mas vacilam sempre do ponto de vista defensivo. Se os japoneses conseguirem passar significaria que o seu futebol estilo Oliver Tsubasa teria sido o suficiente para derrotar os seus adversários, e portanto seria sinónimo de boas exibições. Mas auguramos apenas 1 ponto para os nipónicos. Ainda assim, seria mais interessante e é possível ficar a Grécia em quarto lugar com o Japão a figurar em 3.º. Por consequência, no nosso raciocínio chegámos então a um Costa do Marfim-Grécia. Os elefantes defrontam o vencedor do Euro 2004 na última jornada e até consideramos que poderão terminar o grupo em igualdade pontual, mas com a Costa do Marfim a seguir em frente com melhor goal average. Normalmente, o raciocínio que se faz nestes momentos - em grupos complicados - é que a equipa que melhor defende consegue safar-se (e nesse caso seriam os gregos a alcançar os oitavos), mas vamos apostar na Costa do Marfim como a única selecção africana a passar a fase de grupos. Didier Drogba tem neste Mundial 2014 a sua última oportunidade e conta com vários jogadores em muito boa forma (Gervinho, Aurier, Bony) e Yaya Touré num momento astronómico. Será essencial para a Costa do Marfim se qualificar, vencer o jogo inaugural frente ao Japão, para ganhar confiança, um balão de oxigénio e obrigar a Grécia a uma postura diferente na 3.ª jornada.
    Conheçam então cada selecção, o seu esqueleto e os jogadores que achamos que se destacarão:

1. COLÔMBIA 

  • Guarda-Redes: David Ospina (Nice), Faryd Mondragón (Desportivo Cali), Camilo Vargas (I. Santa Fé)
  • Defesas: Camilo Zuñiga (Nápoles), Mario Yepes (Atalanta), Cristian Zapata (AC Milan), Éder Balanta (River Plate), Carlos Valdés (San Lorenzo), Santiago Arias (PSV), Pablo Armero (West Ham)
  • Médios: Abel Aguilar (Toulouse), Carlos Sánchez (Elche), Aldo Ramírez (Morelia), Fredy Guarín (Inter), Alexander Mejía (Atlético Nacional), Juan Cuadrado (Fiorentina), Juan Quintero (Porto), James Rodríguez (Mónaco)
  • Avançados: Teófilo Gutiérrez (River Plate), Adrián Ramos (Dortmund), Carlos Bacca (Sevilha), Jackson Martínez (Porto), Victor Ibarbo (Cagliari)
Seleccionador: José Pékerman
Baixas: Radamel Falcao, Edwin Valencia; Ausência: Luis Perea

Equipa-Base (4-4-2): Ospina; Zuñiga, Yepes, Zapata (Balanta, Valdés), Armero; Cuadrado, Aguilar, Sánchez, James Rodríguez; Teófilo Gutiérrez, Bacca (Jackson Martínez)
    A Colômbia de Pékerman é uma selecção uniforme e com muita qualidade nos vários sectores. Sem Falcao, os jogadores colombianos irão certamente ter uma força extra para homenagear o avançado lesionado. Ospina poderá ser um dos destaques da fase de grupos nas balizas do Brasil, e a defesa terá 2 laterais com hábito de subir e imprimir velocidade (Zuñiga e Armero, embora não seja de descartar a utilização de Arias), sendo que no centro o capitão Yepes terá como companheiro Zapata, Valdés ou o promissor Balanta. Confessamos que esperávamos que fizesse dupla com Perea. No miolo, embora haja Guarín, Pékerman deve entregar as despesas a Aguilar e Sánchez, ficando os espectaculares James Rodríguez e Cuadrado nos flancos. No ataque, Teófilo Gutiérrez parece ter lugar garantido mas ao seu lado tanto poderá jogar Bacca, como Jackson como ainda Adrián Ramos.
    Pékerman poderá ainda optar por algumas variações deste modelo, com um meio-campo nuclear de 3 unidades (com Guarín) ou colocando Cuadrado a lateral e acrescentando à equipa Ibarbo ou Quintero. Será também determinante compreender onde Pékerman quererá ver James - se perto da faixa, se a vagabundear ou ainda se próximo de um único avançado.

Destaques Individuais (Previsão):


    Mesmo que houvesse Falcao, o nosso primeiro destaque da Colômbia para este Mundial 2014 seria o mesmo que é nestas circunstâncias: James Rodríguez. O criativo do Mónaco chega a este campeonato do Mundo num bom momento mas prevemos que esta possa ser a competição da sua explosão como jogador. Já mostrou muito - tanto no Porto como no Mónaco - mas com a camisola 10 da Colômbia tem tudo para espalhar magia, técnica e semear o terror nas defesas adversárias. Caso a Colômbia consiga chegar mais longe do que os oitavos (o que seria um feito de valor) James poderá inclusive ser candidato a melhor jogador jovem do Mundial. E mais: dêem-lhe um livre directo, e ele fará golo.
    Depois dele, há Teófilo GutiérrezJuan Cuadrado. O avançado que nos parece melhor posicionado para ser titular indiscutível vai ser sinónimo de bons momentos de futebol e, não sendo um finalizador por excelência mas um bom complemento para o verdadeiro ponta de lança, talvez sinta uma motivação extra ao querer fazer de Falcao. Já o médio/ lateral da Fiorentina chega a este Mundial como um dos jogadores mais pretendidos no futebol europeu. É um ala completo, com pulmão para dar e vender. Vai ser interessante ver esta locomotiva em acção. 
    Acreditamos ainda que David Ospina poderá ser determinante entre os postes da Colômbia; e Carlos Bacca, depois de uma excelente temporada pelo Sevilha merecia a confiança de Pékerman para ser o matador de serviço. Ele, Jackson e Adrián Ramos competem por 1 lugar, os dois primeiros parecem levar vantagem com Pékerman, e quem ganhar a corrida vai ter vários outros craques em seu redor. Os laterais serão fundamentais nesta Selecção, tal como Yepes, e temos ainda curiosidade para ver Carlos Sánchez durante a competição, mas para já não passa disso mesmo.

2. COSTA DO MARFIM 

  • Guarda-Redes: Boubacar Barry (Lokeren), Sylvain Gbohouo (Sewe Sport), Sayouba Mande (Stabaek)
  • Defesas: Sèrge Aurier (Toulouse), Souleymane Bamba (Trabzonspor), Kolo Touré (Liverpool), Didier Zokora (Trabzonspor), Arthur Boka (Estugarda), Jean-Daniel Akpa Akpro (Toulouse), Viera Diarrassouba (Caykur Rizespor), Constant Djakpa (Eintracht Frankfurt)
  • Médios: Cheick Tioté (Newcastle), Serey Die (Basel), Ismael Diomande (Saint-Étienne), Yaya Touré (Manchester City), Max-Alain Gradel (Saint-Étienne), Salomon Kalou (Lille), Gervinho (Roma)
  • Avançados: Mathis Bolly (Fortuna Dusseldorf), Giovanni Sio (Basel), Didier Ya Konan (Hannover 96), Wilfried Bony (Swansea), Didier Drogba (Galatasaray)
Seleccionador: Sabri Lamouchi
Ausência: Seydou Doumbia

Equipa-Base (4-3-3): Barry; Aurier, Zokora, Bamba (Kolo Touré), Boka; Tioté, Die, Yaya Touré; Gervinho, Kalou; Drogba (Wilfried)
    Dificilmente a Costa do Marfim voltará a ter uma geração como esta. O guardião Barry (ou "Copa" como gosta de ser chamado) não é propriamente um predestinado, mas a Costa do Marfim poderá contar com 2 centrais do Trabzonspor, a não ser que Lamouchi queira Kolo Touré a titular. Usar uma dupla rotinada tem sempre as suas vantagens. Aurier e Boka serão os laterais, sendo que o primeiro chega a este Mundial depois de uma época fantástica em França. Tioté e Die serão os operários, contando com a ajuda do box-to-box Yaya Touré. O médio do City será fundamental na ligação entre sectores e a aparecer junto à área adversária, onde costuma ter uma eficácia acima da média na meia distância. Gervinho e Kalou vão procurar espalhar o terror a partir dos flancos, enquanto que a máxima figura ofensiva deverá ser Drogba, ou Wilfried Bony. No nosso entender tanto resultará começar Drogba e lançar o avançado do Swansea no decorrer do jogo, como o inverso. Claro está que, em recurso, os elefantes podem jogar com ambos.

Destaques Individuais (Previsão):


    Apostando nós na passagem da Costa do Marfim aos oitavos, há vários elementos que prevemos que sejam destaques. Yaya Touré é o jogador no qual todos os olhos estarão postos. O médio do Manchester City só foi inferior a Suárez na Premier League e atravessa o momento mais alto da sua carreira. Os jogadores africanos não deverão acusar as temperaturas do Brasil (à imagem, sobretudo, das selecções sul-americanas e dos latinos) e Yaya está verdadeiramente no ponto das suas qualidades. Gervinho, embora atinja sempre o seu melhor somente quando tem Rudi Garcia no banco a orientá-lo, vai ser outro potencial caso sério deste Mundial. É rápido, electrizante, bom finalizador. Vai fazer estragos. Para além deles, Drogba e Wilfried Bony poderão ambos destacar-se no torneio. O melhor será não serem utilizados - pelo menos nos primeiros jogos - juntos, mas revezando-se podem ambos conseguir marcar por mais do que uma vez. A terminar a nossa previsão, Sèrge Aurier - o melhor elemento da defesa da Costa do Marfim - certamente dará seguimento ao que fez no Toulouse em 2013/ 14, tanto atrás como no apoio ao ataque. O Arsenal seria de facto um bom destino para Aurier. Claro está que, caso sigam em frente, estará implícito que Tioté e Die fizeram bem o seu trabalho "invisível".

3. GRÉCIA  

  • Guarda-Redes: Orestis Karnezis (Granada), Panagiotis Glykos (PAOK), Stefanos Kapino (Panathinaikos)
  • Defesas: Sokratis Papastathopoulos (Dortmund), Vasilis Torosidis (Roma), Kostas Manolas (Olympiacos), Vangelis Moras (Hellas Verona), Loukas Vyntra (Levante), Georgios Tzavellas (PAOK), José Holebas (Olympiacos) 
  • Médios: Giannis Maniatis (Olympiacos), Alexandros Tziolis (Kayserispor), Kostas Katsouranis (PAOK), Andreas Samaris (Olympiacos), Panagiotis Kone (Bologna), Giorgos Karagounis (Fulham), Lazaros Christodoupoulos (Bologna), Ioannis Fetfatzidis (Génova), Panagiotis Tachtsidis (Torino)
  • Avançados: Kostas Mitroglou (Fulham), Georgios Samaras (Celtic), Dimitris Salpingidis (PAOK), Fanis Gekas (Konyaspor)
Seleccionador: Fernando Santos

Equipa-Base (4-3-3): Karnezis; Torosidis, Sokratis, Manolas, Holebas; Tziolis (Karagounis), Katsouranis, Maniatis; Samaras, Salpingidis, Mitroglou
    Não há muito por onde fugir. O mais previsível será que a Grécia se apresente num 4-3-3 clássico, exactamente com os mesmos onze elementos com os quais defrontou Portugal no recente amigável. Fernando Santos apostará numa equipa sólida na retaguarda, com o trio de meio-campo (Tziolis, Katsouranis e Maniatis) a aumentar precisamente essa segurança. No sistema de jogo grego será essencial que Holebas consiga soltar-se no corredor esquerdo, e a esperança grega está entregue ao que Samaras e Salpingidis conseguirem inventar, e à capacidade de finalização de Mitroglou. Será interessante ver também o que o capitão Karagounis dará quando for utilizado (se for titular, será certamente Tziolis o sacrificado) e a entrada de Fetfatzidis em jogo poderá agitar as coisas a favor dos comandados do seleccionador português.

Destaques Individuais (Previsão):


    A melhor forma de vencer é defender. Tem sido esta a máxima adoptada pela Grécia nos últimos anos e, depois de em 2010 não terem passado da fase de grupos, os gregos certamente utilizarão todas as suas armas a seu favor. Kostas Manolas deverá ser um dos destaques desta Grécia. O central do Olympiacos ajudou a eliminar o Benfica da Champions (curiosamente agora é um suposto alvo dos encarnados) e, com o seu bom posicionamento, marcação e jogo aéreo vai ter impacto. Mantendo o primeiro nome, se os gregos quiserem marcar golos terão que contar com Kostas Mitroglou. O avançado, actualmente no Fulham, provou no Olympiacos que é craque e que consegue fazer golos de todas as formas e feitios, e quererá deixar o seu nome neste Mundial para fugir do Championship. Para que a Grécia não sofra golos o guardião Orestis Karnezis terá uma palavra a dizer, e Dimitris Salpingidis já nos mostrou por diversas vezes que, mesmo quando tudo rema contra a Grécia, ele consegue salvá-la de forma inesperada. Atenção ainda à alma que Karagounis dá à equipa e ao talento de Samaras.

4. JAPÃO 

  • Guarda-Redes: Eiji Kawashima (Standard Liège), Shusaku Nishikawa (U.R. Diamonds), Shuichi Gonda (FC Tokyo)
  • Defesas: Atsuto Uchida (Schalke 04), Maya Yoshida (Southampton), Yuto Nagatomo (Inter), Yasuyuki Konno (Gamba Osaka), Gotoku Sakai (Estugarda), Hiroki Sakai (Hannover 96), Masato Morishege (FC Tokyo), Masahiko Inoha (Jubito Iwata)
  • Médios: Makoto Hasebe (Nürnberg), Yasuhito Endo (Gamba Osaka), Hotaru Yamaguchi (Cerezo Osaka), Toshihiro Aoyama (S. Hiroshima), Hiroshi Kiyotake (Nürnberg), Shinji Kagawa (Manchester United), Keisuke Honda (AC Milan)
  • Avançados: Shinji Okazaki (Mainz), Yuya Osako (1860 Munique), Yoichiro Kakitani (Cerezo Osaka), Yoshito Okubo (K. Frontale), Manabu Saito (Y. Marinos)
Seleccionador: Alberto Zaccheroni

Equipa-Base (4-2-3-1): Kawashima; Uchida, Yoshida, Konno, Nagatomo; Hasebe, Endo (Yamaguchi); Okazaki, Honda, Kagawa; Kakitani (Kiyotake, Osako)
    O experiente Zaccheroni tudo fará para deixar este Japão uma refinada máquina de trocar a bola, com uma mudança de velocidade em bloco que poderá proporcionar algum espectáculo. Os japoneses têm uma selecção excelente em vários parâmetros técnicos. Kawashima será o guarda-redes e a sua defesa deverá ser composta por Uchida e Nagatomo nas alas, e Yoshida e Konno no centro. O meio-campo deverá ser assegurado pelos veteranos Hasebe e Endo (a não ser que Zaccheroni confie um dos lugares a Yamaguchi), soltando a tríade composta por Kagawa, Honda e Okazaki. Caso Okazaki seja utilizado a extremo, Kakitani deverá ser o avançado; no entanto, poderá ser interessante Okazaki surgir a avançado, abrindo espaço para a titularidade de Kiyotake.

Destaques Individuais (Previsão):


    Deixem o Japão sonhar. Embora tenhamos dúvidas que a selecção nipónica consiga mais do que um quarto lugar, seria bom sinal que conseguissem ficar à frente de gregos ou até conseguir lutar pela qualificação até ao fim. Uma vez que não apostamos forte no Japão, os bons momentos da equipa asiática deverão ficar a cargo de 3 jogadores com técnica, visão de jogo e capacidade de participar activamente em todos os lances de golo: Shinji Kagawa, Keisuke Honda e Shinji Okazaki. A riqueza a nível de movimentações e o desenho de boas jogadas ficará invariavelmente a cargo de Kagawa (veremos se aparece a brilhar no último passe) e Honda; esperando-se que Okazaki surja próximo das balizas adversárias.


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5 de junho de 2014

Mundial 2014: Previsão Grupo B

    Como prometido, seguimos para a análise do Grupo B onde está inserido um dos potenciais vencedores deste Mundial no Rio de Janeiro. A Espanha é um inevitável candidato a vencer a prova, quanto mais não seja pelo seu historial recente de troféus. Del Bosque tem um vasto plantel repleto de craques que em princípio não terão muitas dificuldades neste grupo e acabarão mesmo - colocando de parte uma eventual surpresa - por amealhar os 9 pontos possíveis no grupo perfazendo assim o pleno. O problema hispânico pode dar-se mais à frente, por outras selecções chegarem aos jogos decisivos a eliminar com outra motivação, embora também com menor experiência que os espanhóis. Destoando por completo desta Espanha, temos a Austrália. Um grupo com muito poucos argumentos para pontuar neste grupo, mas - como já aprendemos que tudo é possível no mundo do futebol - é possível que estrague as contas a algum adversário. Embora reafirmemos que será extremamente complicado para os australianos augurarem 1 ponto no Grupo B.
    Sobra-nos então o 2º e 3º lugar que decidem quem tem a possibilidade de continuar a sonhar com o caneco. Para os dois lugares temos a Holanda e o Chile. Duas selecções completamente distintas uma da outra e que nos suscitaram algumas dúvidas quanto à sua classificação. A Holanda está num momento de transição, apresentando um grupo de jogadores que reúne caras novas e "velhos" craques já bem conhecidos mundialmente. Apresenta neste momento como seu trunfo uma defesa bastante consistente (coisa rara na terra das tulipas e dos moinhos, mas mérito táctico de Van Gaal), permitindo que não sofram muitos golos e que na frente Robin Van Persie e companhia tratem do assunto com a eficácia. Por outro lado, temos o Chile que tem como maior arma o ataque. É uma equipa claramente ofensiva e bastante explosiva no ataque, que poderá causar problemas a alguns adversários. Contudo, a sua débil defesa pode acabar por sentenciar o seu futuro. Contra selecções mais experientes, o Chile pode mesmo acabar por ficar na 3ª posição acabando a sua história muito cedo no Campeonato do Mundo. Acreditamos que para o Chile poder sonhar com a passagem à próxima fase, terá que ter Arturo Vidal a 100%.
    Passemos então à análise mais aprofundada de cada uma destas selecções:

1. ESPANHA 

  • Guarda-Redes: Iker Casillas (Real Madrid), David De Gea (Manchester United), Pep Reina (Nápoles)
  • Defesas: César Azpilicueta (Chelsea), Juanfran (Atlético Madrid), Gerard Piqué (Barcelona), Sergio Ramos (Real Madrid), Raúl Albiol (Nápoles), Javi Martínez (Bayern), Jordi Alba (Barcelona)
  • Médios: Sergio Busquets (Barcelona), Xabi Alonso (Real Madrid), Xavi (Barcelona), Koke (Atlético Madrid), Santi Cazorla (Arsenal), Juan Mata (Manchester United), David Silva (Manchester City), Andrés Iniesta (Barcelona), Césc Fábregas (Barcelona)
  • Avançados: Diego Costa (Atlético Madrid), Fernando Torres (Chelsea), David Villa (Atlético Madrid), Pedro Rodríguez (Barcelona)
Seleccionador: Vicente Del Bosque
Baixas: Thiago Alcântara, Victor Valdés; Ausências: Dani Carvajal, Isco, Gabi, Alberto Moreno, Rodrigo

Equipa-Base (4-3-3): Casillas; Azpilicueta, Piqué, Sergio Ramos, Jordi Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Pedro (X. Alonso, Koke), Silva, Fábregas (Diego Costa, Torres)
    Tanta gente e tão poucos lugares. A Espanha versão 2014 de Del Bosque contará garantidamente com o capitão Iker Casillas na baliza. Depois de erguer o troféu do último Mundial e dos últimos 2 europeus, o capitão quer mais um, mas nós achamos que desta vez não conseguirá. Na defesa, Azpilicueta deverá ser o eleito para o lado direito, com Jordi Alba do lado esquerdo e uma dupla de centrais (Piqué e Sergio Ramos) onde o defesa do Real acabará por sobressair. As dúvidas começam depois de Busquets, médio mais próximo da defesa e 100% intocável. Del Bosque pode optar por colocar Xavi e Iniesta a meio-campo, e perante esse cenário o ataque ficaria entregue a Pedro, David Silva e provavelmente Fábregas como "falso 9". Logo à partida, tanto pode ser Fábregas uma falsa referência, como jogar mesmo um avançado como Diego Costa ou Torres. Depois, pode acontecer que Del Bosque não abdique de Xabi Alonso perto de Busquets, e aí Iniesta subiria para um dos flancos, sendo Pedro o sacrificado. No meio de todas estas contas, pode ainda caber Koke e veremos se Del Bosque aguenta Xavi no onze durante toda a competição (porque o melhor seria deixar Fábregas "ser Xavi", ficando Diego Costa na frente).

Destaques Individuais (Previsão):


    É inevitável destacarmos certos jogadores da Espanha que tanto têm contribuído para que seja um colosso mundial. Andrés Iniesta é um dos melhores jogadores do mundo, e um recorrente candidato a melhor jogador de europeus e mundiais nos últimos anos. A sua visão de jogo fantástica, a técnica e qualidade de passe certamente poderão fazer a diferença. E a verdade é que podemos caracterizar praticamente da mesma forma David Silva. Embora o jogador do City seja mais explosivo nos arranques e consegue passar pelos "pingos da chuva", Silva será certamente um elemento a ter em conta. No que toca a aspectos defensivos, Sergio Ramos quererá mostrar ainda mais do que mostrou nesta excelente época ao serviço do Real Madrid. Os espanhóis já estão a fazer um "arranjinho" para que o defesa madrileno ganhe a Bola de Ouro e Sergio - que já confessou também esse desejo - terá neste mundial a oportunidade de mostrar que merece o prémio de melhor jogador do mundo, sendo um novo Cannavaro. Já Azpilicueta será um ponto de equilíbrio na lateral direita. O jogador do Chelsea fez uma boa época - à esquerda - e não só dará profundidade ao corredor, como trará muita confiança defensiva para a Selecção Espanhola. O capitão Iker Casillas é sempre importante nesta Espanha. O guardião do Real não esteve bem na final da Liga dos Campeões, mas um jogo não são jogos e Iker já demonstrou que é crucial nas provas em que a Selecção Hispânica se insere. Na frente, tudo dependerá do que Vicente Del Bosque apresentar. Com Diego Costa, a equipa ganharia uma maior objectividade ofensiva e teria no actual jogador do Atlético um verdadeiro homem-golo com características que já há muito não se vêem na Espanha. Porém, face ao condicionamento físico do atleta e até mesmo das escolhas de Del Bosque, Fábregas poderá ocupar o lugar de falso 9. E a verdade é que é um estilo de jogo mais apreciado pelo técnico e que faz do médio - que está prestes a abandonar o Barcelona - um jogador fulcral na equipa. Uma pena não vermos, no entanto, Fábregas mais recuado, papel que esperemos que desempenhe no seu próximo clube.

2. HOLANDA 

  • Guarda-Redes: Jasper Cillessen (Ajax), Tim Krul (Newcastle), Michel Vorm (Swansea)
  • Defesas: Daryl Janmaat (Feyenoord), Paul Verhaegh (Augsburg), Stefan De Vrij (Feyenoord), Ron Vlaar (Aston Villa), Bruno Martins Indi (Feyenoord), Joël Veltman (Ajax), Daley Blind (Ajax), Terrence Kongolo (Feyenoord) 
  • Médios: Nigel de Jong (AC Milan), Jordy Clasie (Feyenoord), Jonathan de Guzmán (Swansea), Leroy Fer (Norwich), Wesley Sneijder (Galatasaray), Georginio Wijnaldum (PSV), Memphis Depay (PSV), Arjen Robben (Bayern)
  • Avançados: Robin van Persie (Manchester United), Klaas-Jan Huntelaar (Schalke 04), Jeremain Lens (Dínamo Kiev), Dirk Kuyt (Fenerbahçe)
Seleccionador: Louis van Gaal
Baixas: Kevin Strootman, Rafael Van der Vaart, Jetro Willems; Ausências: Gregory van der Wiel, Siem de Jong, Davy Klaassen

Equipa-Base (5-3-2): Cillessen; Janmaat, De Vrij (Veltman), Vlaar, Martins Indi, Blind; N. de Jong, Clasie (de Gúzman, Fer), Sneijder; Robben, van Persie
    O actual 5-3-2 (ou 3-4-3 como van Gaal gosta de lhe chamar romanticamente) decorre de: a Holanda defender mal com uma linha de 4; no entender de van Gaal, Wesley Sneijder pura e simplesmente não participar no processo defensivo; não existir Kevin Strootman. Van Gaal abdicou do seu 4-3-3 e pode tê-lo feito em boa hora, rumo a maiores aspirações neste Mundial. O seleccionador é um dos mais capazes entre os 32 - prova disso é que no final do Mundial rumará a Old Trafford - e caso a Holanda jogue realmente em 5-3-2 será interessante acompanhar o seu percurso. Cillessen deverá ser o guarda-redes, embora para nós fosse Krul. Na defesa, De Vrij (ou o promissor central do Ajax, Veltman), Vlaar e Martins Indi deverão ser os 3 centrais. Os laterais serão Janmaat na direita e Blind na esquerda, fundamentais neste sistema de jogo. No centro do terreno, haverá Nigel de Jong de certeza e ao seu lado o lugar para o qual ainda não há certezas, podendo ser ocupado pelo pequeno Clasie, por de Guzmán ou mesmo por Fer. Tudo isto faz com que Sneijder seja o último elemento do meio-campo - ou 1.º do ataque, na óptica de van Gaal -, no apoio a Robben e van Persie, livres para semear o pânico.
    A riqueza do jogo holandês sairá beneficiada com este modelo, existindo ainda no banco elementos como Depay, Wijnaldum, Lens e Huntelaar para os 3 lugares mais adiantados.

Destaques Individuais (Previsão):


    O Mundial 2014 poderá ser aquele que Robin van Persie vai guardar posteriormente no seu baú de boas recordações. O avançado da Laranja Mecânica nunca teve uma grande competição internacional mas pode ser desta que brilhe. Com o seu futuro treinador no Manchester United e a braçadeira de capitão no seu braço, van Persie está muito motivado. Tal como ele, Arjen Robben chega a este Mundial com fome de vitórias uma vez que a Champions escapou ao Bayern. O extremo holandês poderá actuar mais solto, próximo de van Persie caso o modelo adoptado seja o 5-3-2 (um 3-4-1-2 em posse) ou tipicamente no flanco caso a Holanda se disponha no mais tradicional 4-3-3. Temos bastante curiosidade de ver também o Mundial que Daryl Janmaat vai fazer. O lateral do Feyenoord tem tido uma excelente evolução e esta competição pode fazer com que ele seja um dos laterais direitos mais valorizados do mercado em Julho. No meio-campo, Wesley Sneijder será o maestro, com uma equipa a defender atrás de si e 2 "avançados" para servir. Veremos se se exibe ao nível de 2010, ano em que devia ter sido o melhor do mundo pelos feitos que alcançou (Inter e Holanda). Por fim, apostamos ainda em 3 jovens: o pequeno Jordy Clasie (caso seja ele titular e não de Guzmán, o que pode muito bem acontecer) vai colocar o seu nome no radar dos tubarões europeus; Daley Blind tem tudo para ser preponderante no flanco esquerdo (ele que também pode jogar a médio defensivo), podendo aventurar-se bastante em terrenos mais ofensivos, tal como Janmaat. E não conseguimos deixar de fora Memphis Depay porque entendemos que nos jogos em que entrar, conseguirá ser uma valente dor de cabeça para quem o apanhar pela frente.

3. CHILE 

  • Guarda-Redes: Claudio Bravo (Real Sociedad), Johnny Herrera (Universidad Chile), Christopher Toselli (Universidad Católica)
  • Defesas: Gonzalo Jara (Ipswich Town), Mauricio Isla (Juventus), José Rojas (Universidad Chile), Gary Medel (Cardiff), Eugenio Mena (Santos), Jean Beausejour (Wigan), Miiko Albornóz (Malmö)
  • Médios: Francisco Silva (Osasuna), Marcelo Díaz (Basel), Charles Aránguiz (Internacional), Carlos Carmona (Atalanta), Fabián Orellana (Celta), Felipe Gutiérrez (Twente), Arturo Vidal (Juventus), Jorge Valdivia (Palmeiras), José Pedro Fuenzalida (Colo-Colo)
  • Avançados: Alexis Sanchéz (Barcelona), Eduardo Vargas (Valência), Mauricio Pinilla (Cagliari), Esteban Paredes (Colo-Colo)
Seleccionador: Jorge Sampaoli
Baixa: Matías Fernández; Ausência: Marcos González

Equipa-Base (4-4-2): Bravo; Isla, Medel, Jara, Mena (Albornoz); Díaz, Vidal, Valdivia, Beausejour; Alexis, Vargas
    Se houvesse Marcos González e Matías Fernández, provavelmente o Chile acabaria a jogar num 3-5-2, mas neste momento o mais provável será um 4-4-2 com Alexis e Vargas como homens mais adiantados mas nem por isso posicionais. Claudio Bravo será o guardião chileno, com uma defesa que não garante segurança e confiança e que poderá ser o calcanhar de aquiles da equipa: Isla na direita, Mena na esquerda, Medel no centro com provavelmente Gonzalo Jara a seu lado. No meio-campo, Marcelo Díaz, Vidal e Beausejour deverão ser escolhidos, com Valdivia possivelmente a merecer voto de confiança para interpretar de forma semelhante as funções que seriam de Matías. Na frente, 2 craques, sobretudo Alexis Sanchéz.
    O meio-campo chileno reserva ainda algumas dúvidas, porque Aránguiz, Felipe Gutiérrez, Carmona ou Francisco Silva podem ser chamados a jogo; tal como Albornoz pode roubar a lateral esquerda a Eugenio Mena. Atenção ainda a uma possível variante táctica que Sampaoli ensaiou com sucesso frente ao Egipto com Pinilla na frente e Alexis e Vargas no apoio ao avançado. Foi com esta estrutura que o Chile conseguiu então nesse amigável a remontada, e foi também a partir do momento em que Pinilla entrou em campo que os golos contra a Irlanda do Norte chegaram. 

Destaques Individuais (Previsão):


    Falar do Chile será falar de Alexis Sanchéz. O jogador do Barcelona, quer jogue como um dos 2 avançados, quer jogue numa das alas, vai fazer o suficiente para ser o grande destaque desta Selecção. Está em grande forma, é um jogador perigoso em várias zonas do terreno, conjugando uma boa capacidade de passe com uma excelente finalização, e juntando a tudo isto a sua velocidade e força no 1 para 1. Arturo Vidal será outro dos jogadores que tem tudo para se destacar. É um dos melhores médios do mundo, mas na 2.ª metade da temporada enfrentou alguns problemas físicos. Por isso mesmo, talvez não surja com a mesma pujança neste Mundial. Já Eduardo Vargas terá a baliza adversária em vista e a dupla que forma com Alexis está bem afinada. Veremos o que conseguem, sendo que o guarda-redes Claudio Bravo, com uma fraca defesa à sua frente, terá que se exibir a bom nível caso queira um lugar entre as 16 melhores selecções da prova.

4. AUSTRÁLIA 

  • Guarda-Redes: Matthew Ryan (Club Brugge), Mitchell Langerak (Dortmund), Eugene Galekovic (Adelaide United)
  • Defesas: Ivan Franjic (Brisbane Roar), Matthew Spiranovic (W. S. Wanderers), Ryan McGowan (Shandong), Bailey Wright (Preston), Alex Wilkinson (Jeonbuk Motors), Jason Davidson (Heracles)
  • Médios: Mile Jedinak (Crystal Palace), Mark Bresciano (Al-Gharafa), James Holland (Austria Viena), Mark Milligan (Melbourne Victory), Massimo Luongo (Preston), Oliver Bozanic (Luzern), Matt McKay (Brisbane Roar), Dario Vidosic (Sion), James Troisi (Melbourne Victory), Ben Halloran (Fortuna Dusseldorf), Tommy Oar (Utrecht)
  • Avançados: Tim Cahill (NY Red Bulls), Matthew Leckie (FSV Frankfurt), Adam Taggart (Newcastle Jets)
Seleccionador: Ange Postecoglou
Ausências: Tom Rogic, Joshua Kennedy, Luke Wilkshire

Equipa-Base (4-2-3-1): Ryan; Franjic, Spiranovic, McGowan, Davidson; Jedinak, Bresciano (Holland, Milligan); Leckie, Halloran (Vidosic, Troisi), Oar; Cahill
    O polémico Postecoglou conseguiu que Schwarzer e Holman se afastassem da selecção, teve o azar de Robbie Kruse se lesionar, nunca apreciou Lucas Neill e ainda conseguiu deixar de fora elementos que poderiam dar algo mais a esta Austrália como Rogic e Joshua Kennedy. No Brasil, Matthew Ryan deverá ser o guardião australiano (ganhando a corrida a Langerak). A defesa deverá ser composta por Franjic, Spiranovic, McGowan e Davidson, enquanto que a força do meio-campo assentará sobretudo em Jedinak. Ao lado do médio do Crystal Palace jogará Bresciano se estiver em condições físicas, porque senão Holland, Milligan e o próprio McKay são candidatos à vaga. Com Kennedy de fora, Tim Cahill deverá ser o homem mais adiantado - o antigo médio do Everton é a melhor hipótese que os socceroos têm de fazer golo. A apoiá-lo não é certo quem estará, embora Oar, Leckie e Halloran partem na frente. Ainda assim, Vidosic e Troisi não são opções que se devam afastar.

Destaques Individuais (Previsão):


    Na Selecção Australiana não existe uma grande abundância de jogadores que podem fazer a diferença. Ainda assim, acreditamos que o experiente Tim Cahill será o grande destaque a nível ofensivo (Leckie e Halloran não mostraram ainda o suficiente para também falarmos deles) dos australianos e que Mile Jedinak será extremamente importante no meio campo com as suas recuperações de bola e consequente saída para o ataque. Lutará muito por certo e será o último a cair, numa Austrália que parece ter o destino traçado. Veremos se as luvas de Matthew Ryan evitam sorrisos de alguma favorita, mas em princípio não. 

Posters ESPN - FIFA World Cup 2014 - Grupo B

4 de junho de 2014

Mundial 2014: Previsão Grupo A

    Tem início hoje uma jornada de 8 dias durante os quais iremos indicar as nossas previsões para os grupos do Mundial 2014. Acompanhando a nossa análise diária poderão ficar a conhecer os 23 convocados de cada uma das 32 Selecções (bem como as baixas ou ausências, por opção, significativas). Para além disso aqui no Barba Por Fazer queremos que os nossos leitores tenham a melhor preparação possível para este Mundial e por isso deixaremos também algumas indicações, país a país, sobre qual deverá ser o onze-base das várias equipas bem como aqueles que achamos que poderão ser os maiores destaques individuais de cada selecção ao longo da competição.
    A aventura começa no Grupo A, o grupo do anfitrião Brasil, que naturalmente dará início ao Mundial a 12 de Junho frente à Croácia. O Brasil está entre o lote de 3/4 favoritos a vencer a "Copa" este Verão, e o factor casa, ter Scolari como seleccionador e ainda o facto de contar com o melhor quarteto defensivo em prova podem-se revelar indicadores determinantes. No Grupo A o Brasil é sério candidato a amealhar 9 pontos. O modelo vitorioso na Taça das Confederações vai-se manter a 100% e este Brasil é equilibrado e experiente. Na cauda do grupo, imaginamos que poderão ficar os Camarões. A selecção de Samuel Eto'o não tem os mesmos argumentos que as restantes 3 equipas mas deixou algumas boas indicações nos recentes jogos de preparação (ex: Alemanha 2-2 Camarões). Um meio-campo musculado e uma frente de ataque sem pressão e com vontade de lutar pelo sonho africano podem fazer com que a nossa previsão saia furada, mas cremos que o 4.º lugar será o destino mais provável dos Camarões.
    Assim, a disputa pelo acesso aos oitavos deverá ser - sobretudo - entre Croácia e México - duas selecções bem distintas e personalizadas. Os croatas partem na frente. Embora não possam contar com a referência Mandzukic no primeiro jogo, não é qualquer selecção que chega a esta fase da época com elementos no momento de forma de Modric e Rakitic. Os croatas têm um onze forte, uma ideia de jogo definida, mas - caso sigam em frente como prevemos - a falta de maior qualidade no banco poderá fazer a diferença. No entanto, o México terá certamente uma palavra a dizer na luta pelo 2.º lugar. Os mexicanos transfiguraram-se com a chegada do seleccionador Miguel Herrera e, passando a privilegiar um 5-3-2 são neste momento uma equipa astuta e guerreira, que ocupa bem todo o campo, com alguns elementos do campeonato local a quererem mostrar a sua qualidade e vários argumentos para deixar a Croácia de olho bem aberto. A última jornada do grupo reserva um Croácia-México que poderá ser, então, decisivo.
    Mas vamos lá conhecer melhor cada selecção e aqueles que imaginamos que venham a ser os seus protagonistas.

1. BRASIL 

  • Guarda-Redes: Júlio César (Toronto), Jefferson (Botafogo), Victor (Atlético Mineiro)
  • Defesas: Dani Alves (Barcelona), Maicon (Roma), Thiago Silva (PSG), David Luiz (PSG), Dante (Bayern), Henrique (Nápoles), Marcelo (Real Madrid), Maxwell (PSG)
  • Médios: Paulinho (Tottenham), Luiz Gustavo (Wolfsburgo), Fernandinho (Manchester City), Hernanes (Inter), Ramires (Chelsea), Willian (Chelsea), Oscar (Chelsea), Bernard (Shakhtar)
  • Avançados: Neymar Jr. (Barcelona), Hulk (Zenit), Fred (Fluminense), Jô (Atlético Mineiro)
Seleccionador: Luiz Felipe Scolari
Ausências: Miranda, Filipe Luís, Coutinho, Luisão

Equipa-Base (4-2-3-1): Júlio César; Dani Alves, Thiago Silva, David Luiz, Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho (Ramires); Hulk, Oscar, Neymar; Fred
    Entre as selecções de topo (favoritas à conquista do troféu), este Brasil é a única equipa na qual ninguém tem dúvidas relativamente ao modelo de jogo e aos seus intérpretes. O 4-2-3-1 brasileiro (podem-lhe chamar um 4-3-3 mas a verdade é que Oscar surge mais próximo de Neymar e Hulk), com a mesma base que venceu a Espanha na final da Taça das Confederações, é intocável para Scolari. "Felipão" assenta sempre o seu jogo num duplo pivô seguro (Luiz Gustavo e Paulinho, sendo que o médio do Tottenham, mais importante no transporte de jogo, poderá ver Ramires roubar-lhe o lugar caso não recupere da sua pequena lesão), crendo totalmente na integração de Fred com os 3 jogadores com mais técnica do sector ofensivo. Acreditando nós que o Brasil pode chegar mesmo à final e vencer o Mundial, certamente jogadores como Willian, Bernard, Ramires e Fernandinho poderão ser úteis saídos do banco. 

Destaques Individuais (Previsão):

   
    Na Taça das Confederações não acusou a pressão, a sua época em Barcelona foi positiva (pior que a de Gareth Bale - inevitável comparação - mas mesmo assim conseguiu sobressair bastante quando Messi estava lesionado) e neste Mundial muito do que o Brasil fizer dependerá de Neymar Jr. É a figura de uma Selecção brasileira invulgar (na qual a defesa é o sector mais forte) mas acreditamos que fará vários golos, mantendo a sua excelente média na Selecção, e vai proporcionar muitas alegrias ao seu povo com a sua habilidade, velocidade e capacidade de drible. Candidato a melhor jogador e marcador. No flanco oposto, Hulk reúne condições para ser também um dos destaques deste Brasil. Terminou a temporada em excelente plano com Villas-Boas, está em boas condições físicas, anímicas e vai surpreender muita gente, ressuscitando as grandes exibições dos tempos do Porto e a sua sempre presente capacidade de explosão. Camisola 10 e camisola 7, bem entregues.
    Depois, - e destacamos nesta selecção vários elementos por achar que o Brasil irá bastante mais longe que outras equipas - há Oscar. O médio do Chelsea começou a época numa forma incrível, mas foi descendo e acabou afastado por lesão. No entanto, Oscar vai ser peça-chave em vários jogos e é claramente um jogador talhado para grandes jogos e grandes competições. Caso não renda (o que não acreditamos), compensaria mais a Scolari a aposta em Willian com Neymar a surgir no corredor central, zona para a qual ele irá derivar muitas vezes. Na defesa, sector no qual consideramos que não há selecção superior a este quarteto brasileiro, achamos que a dupla de centrais será determinante no sucesso canarinho - Thiago Silva e David Luiz, dupla do PSG em 2014/ 15, vão-se complementar na perfeição. E veremos se não marcam também um ou outro golo nas suas subidas à grande área adversária. Por fim, prevemos ainda que Luiz Gustavo vai encher o campo em vários jogos, representando uma âncora para o jogo do Brasil e sendo a garantia total de equilíbrio. Nas Confederações o planeta futebol venerou Paulinho, desta vez será feita justiça a Luiz Gustavo. E Dani Alves acabará por ser também determinante nas suas subidas pelo flanco direito. Os laterais do Brasil terão que estar em bom plano para o modelo de Scolari funcionar na sua plenitude e a todo o gás, acelerando colectivamente.

2. CROÁCIA 

  • Guarda-Redes: Stipe Pletikosa (FC Rostov), Daniel Subasic (Mónaco), Oliver Zelenika (NK Lokomotiva)
  • Defesas: Darijo Srna (Shakhtar), Sime Vrsaljko (Génova), Dejan Lovren (Southampton), Vedran Corluka (Lokomotiv Moscovo), Gordon Schildenfeld (Panathinaikos), Daniel Pranjic (Panathinaikos), Domagoj Vida (Dínamo Kiev),
  • Médios: Ivan Mocinic (HNK Rijeka), Luka Modric (Real Madrid), Ivan Rakitic (Sevilha), Ognjen Vukojevic (Dínamo Kiev), Mateo Kovacic (Inter), Marcelo Brozovic (Dínamo Zagreb), Sammir (Getafe), Ivan Perisic (Wolfsburgo)
  • Avançados: Mario Mandzukic (Bayern), Ivica Olic (Wolfsburgo), Nikica Jelavic (Hull City), Eduardo (Shakhtar), Ante Rebic (Fiorentina)
Seleccionador: Niko Kovac
Baixas: Ivan Strinic, Niko Kranjcar; Ausências: Milan Badelj, Alen Halilovic

Equipa-Base (4-3-3): Pletikosa; Srna, Corluka, Lovren, Vida/Pranjic; Rakitic, Modric, Kovacic; Perisic, Olic, Mandzukic
    A Croácia não contará com Mandzukic no primeiro jogo (contra o Brasil) por este estar suspenso. Por isso mesmo, nesse jogo deverá existir uma variação com Eduardo ou Jelavic no seu lugar ou então com Olic na frente, Kovacic descaído numa ala e Vukojevic a entrar no onze. As aspirações da equipa de Niko Kovac estão em grande medida potenciadas pelas incríveis temporadas de Modric e Rakitic. Subasic fez melhor época que Pletikosa mas o experiente guardião é intocável; a suspensão de Simunic abriu portas justamente a Lovren e a lesão de Strinic foi um duro golpe, obrigando Domagoj Vida ou Pranjic a substituírem um jogador que seria muito útil. Mandzukic voltará para os 2 jogos mais determinantes para os croatas, e veremos se Kovac mantém a aposta no jovem Kovacic ou protege o seu elemento menos experiente, apostando na maior intensidade de Vukojevic. Kovac pode apelar à criatividade de Sammir fazendo-o entrar em algum momento, sendo que elementos como Badelj ou até o prodígio Halilovic poderiam dar algo diferente a esta equipa.

Destaques Individuais (Previsão): 


    Já o dissemos e voltamos a repetir - quase nenhuma selecção se pode gabar de ter 2 médios da qualidade de Luka Modric e Ivan Rakitic. Os médios do Real Madrid e do Sevilha (certamente fará as malas para um clube superior depois deste Mundial, Rakitic) estiveram entre os melhores do mundo na sua posição esta época e funcionam bem em uníssono. Inteligentes, com muita técnica mas sempre em alta rotação, todo o jogo vai depender deles. E achamos que eles não vão desiludir. Mario Mandzukic não jogará frente ao Brasil mas achamos que será fundamental contra Camarões e México. Consagrou-se na selecção no Euro 2012 (rumou então ao Bayern) e a equipa melhorará ao contar com a sua referência para fazer golos e decidir jogos. O Bayern de Guardiola não é feito para Mandzukic, mas esta Croácia é. Dejan Lovren ganhou um lugar no 11 inicial com a suspensão de Simunic e, embora seja o melhor central croata, ainda não convenceu os adeptos do seu país. Será desta, certamente. Para além destes elementos apostamos ainda que Ivan Perisic vai dar sequência à sua boa época no Wolfsburgo e vai realizar um bom Mundial - capacidade para marcar, assistir, acelerar o jogo e criar desequilíbrios lá isso o rapaz tem. Mateo Kovacic (temos curiosidade de ver como se apresentará o mais jovem jogador croata) e Darijo Srna poderão ter bastante importância, mas por não estarmos tão certos não os colocámos entre os principais destaques que projectamos.

3. MÉXICO 

  • Guarda-Redes: José Corona (Cruz Azul), Guillermo Ochoa (Ajaccio), Alfredo Talavera (Toluca)
  • Defesas: Maza Rodríguez (América), Rafael Márquez (León), Diego Reyes (Porto), Héctor Moreno (Espanyol), Carlos Salcido (Tigres), Paul Aguilar (América), Miguel Layún (América)
  • Médios: José Juan Vázquez (León), Andrés Guardado (Leverkusen), Miguel Ponce (Toluca), Héctor Herrera (Porto), Carlos Peña (León), Isaac Brizuela (Toluca), Marco Fabián (Cruz Azul), Javier Aquino (Villarreal), Gio dos Santos (Villarreal)
  • Avançados: Chicharito Hernández (Manchester United), Oribe Peralta (Santos Laguna), Raúl Jiménez (América), Alan Pulido (Tigres)
Seleccionador: Miguel Herrera
Baixa: Luis Montes

Equipa-Base (5-3-2): Corona (Ochoa); Aguilar, Maza (Reyes), Márquez, Moreno, Guardado; Peña, Herrera, Fábian; Chicharito (Gio dos Santos), Peralta
    Miguel Herrera transfigurou o futebol da selecção do México e a equipa parece neste momento identificada com o modelo de jogo. Caso Corona esteja a 100% será o titular e à sua frente terá uma linha de 5 jogadores, com dois alas capazes de dar muita profundidade ao longo de todo o corredor - deverão ser Guardado na esquerda e Aguilar na direita, embora Layún e Salcido estejam à espreita de oportunidade. Entre os 3 centrais, o capitão Rafael Márquez é intocável e deverá ter Moreno e Maza Rodríguez (ou Diego Reyes) junto a si. Esperava-se que o trio de meio-campo neste Mundial fosse Medina, Peña e Montes, mas 2 deles não estarão no Brasil (Montes depois de uma arrepiante lesão). Assim para esses 2 lugares talvez apareçam o portista Herrera e o criativo Marco Fabián. Na frente, o seleccionador terá que optar sobretudo entre 4 jogadores para 2 lugares: Peralta, Chicharito, Gio dos Santos e Raúl Jiménez. 

Destaques Individuais (Previsão):


    À partida não era assim, mas neste momento temos alguma curiosidade relativamente a esta selecção mexicana. Caso os mexicanos ganhem o primeiro jogo (contra os Camarões) farão certamente suar o Brasil e vão lutar com todas as suas forças na derradeira e em princípio decisiva jornada frente à Croácia. No nosso entender, Andrés Guardado será peça-chave no sistema táctico mexicano. Terá que ter grande pulmão, raça e envolver-se no plano ofensivo, ajudando a criar desequilíbrios. Depois, há 2 homens no meio-campo que prevemos que irão deixar a sua marca: Marco Fabián e Carlos Peña. Fabián - quer seja titular (o que seria lógico acontecer por via da lesão de Montes) ou não - vai ser sempre um perigo constante quando estiver em campo. Tem técnica para dar e vender, é jogador de grandes golos. Já Peña achamos que vai ser o melhor embaixador possível para a qualidade do futebol da liga mexicana. O médio do Léon tem tudo para ganhar mercado neste Mundial, e poderemos vê-lo a encher o meio-campo.
    No sector ofensivo, o mais provável será Peralta e Chicharito serem os titulares, embora Herrera possa também optar por colocar apenas 1 deles com Gio dos Santos como segundo avançado. Ainda assim, para nós será Raúl Jiménez quem, caso tenha minutos para isso, terá uma palavra a dizer e não vai deixar ninguém indiferente à sua boa capacidade de finalização.

4. CAMARÕES 

  • Guarda-Redes: Charles Itandje (Konyaspor), Sammy N'Djock (Fetohespor), Loic Feudjou (Coton Sport)
  • Defesas: Allan Nyom (Granada), Nicolas N'Koulou (Marselha), Aurélien Chedjou (Galatasaray), Dany Nounkeu (Besiktas), Cédric Djeugoue (Coton Sport), Henri Bedimo (Lyon), Benoît Assou-Ekotto (QPR)
  • Médios: Alex Song (Barceona), Joël Matip (Schalke 04), Enyong Enoh (Antalyaspor), Jean Makoun (Rennes), Stéphane Mbia (Sevilha), Landry N'Guémo (Bordéus), Edgar Sally (Lens)
  • Avançados: Maxim Choupo-Moting (Mainz), Benjamin Moukandjo (Nancy), Samuel Eto'o (sem clube), Pierre Webó (Fenerbahçe), Fabrice Olinga (Zulte-Waregem), Vincent Aboubakar (Lorient)
Seleccionador: Volker Finke

Equipa-Base (4-3-3): Itandje; Nyom, Chedjou, N'Koulou, Assou-Ekotto (Bedimo); Enoh, Mbia, Song; Choupo-Moting, Eto'o, Moukandjo (Aboubakar)
    Esta geração dos Camarões é efectivamente perigosa. Conta com experiência, irreverência e muito músculo no miolo. Itandje terá a responsabilidade de defender a baliza e na defesa Nyom, Chedjou, N'Koulou e Ekotto partem na frente. No entanto, é bem possível que Bedimo ganhe o lugar na esquerda, e Matip tudo fará para ser titular ou no centro da defesa ou no meio-campo. O meio-campo camaronês é forte na pressão e na sua dimensão física - Enoh, Mbia e Song deverão começar o Mundial, mas há ainda Makoun e o já referido Matip. Entre estes, talvez seja Alex Song o que tem maior capacidade para transportar jogo. No ataque a lesão de Webó surgiu em boa altura. Para nós a melhor vertente táctica dos Camarões surge sem Webó, mantendo Eto'o como figura mais central e tendo no seu apoio Choupo-Moting e Moukandjo (o mais justo seria a titularidade pertencer a Aboubakar pela sua grande época).

Destaques Individuais (Previsão):


    Veremos se estes Camarões nos surpreendem. O sucesso da equipa de Finke dependerá sempre do entrosamento a meio-campo e da velocidade e assertividade na frente, mas poderá ser a defesa a custar pontos. Maxim Choupo-Moting está em excelente forma, marcou vários golos nos jogos de preparação e chegará ao Brasil com grande confiança. Acreditamos que poderá ser o grande destaque da selecção africana onde Alex Song será também ele essencial. O médio do Barcelona precisará de ressuscitar o jogador que era no Arsenal na sua última época em Inglaterra e a sua preponderância no jogo camaronês poderá valer-lhe uma transferência para um clube onde passe a ser titular e verdadeiramente valorizado. Por fim, o "velhinho" Samuel Eto'o é um jogador do qual não podemos tirar os olhos. Eto'o diz que ainda jogará mais 2 mundiais portanto nesse sentido podemos considerá-lo.. um jovem. Caso Webó não surja, Eto'o beneficiará. Incluiríamos também aqui Vincent Aboubakar se tivéssemos certezas sobre a titularidade ou significativa utilização do avançado do Lorient.



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