Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

18 de maio de 2014

Benfica vence Taça de Portugal; Fim de época inesquecível com triplete e final europeia

  Benfica 1 - 0 Rio Ave  (Gaitán 20')

    Época de sonho. Terminou hoje uma época encarnada para não mais esquecer. O Benfica venceu a Taça de Portugal (pelo caminho até à final eliminou Cinfães, Sporting, Gil Vicente, Penafiel e Porto) e pode agora festejar um "triplete" na melhor época da sua História recente. A Liga ZON Sagres há muito estava garantida, a Taça da Liga foi também conquistada e, depois do infeliz desaire europeu frente ao Sevilha, o Benfica reergueu-se e juntou mais um título. Extraordinária a reacção que os encarnados tiveram depois do final de época passado e, à imagem do gesto de Jorge Jesus no terreno do Tottenham, neste momento qualquer adepto benfiquista pode mostrar os 3 dedos aos seus pares.
    Na final de hoje, Jesus conseguiu homenagear o seu avô e o Benfica escreveu um bonito final de história para esta época. Depois dos 120 minutos em Turim, JJ colocou o seu melhor onze: face à lesão de Siqueira, André Almeida jogou do lado esquerdo; Amorim e Enzo partilharam o meio-campo; Salvio foi o escolhido para o lado direito, ficando Markovic no banco. No Rio Ave a única surpresa foi o facto de Hassan ter ficado no banco, surgindo Braga como jogador mais adiantado.
    O jogo teve duas partes bem distintas. A 1.ª parte foi do Benfica, a 2.ª teve boa resposta do Rio Ave. O Benfica entrou bem no jogo - demonstração de personalidade depois do jogo europeu - e assumiu a iniciativa, com atitude e pressão alta. O jogo estava a favor do Benfica, Tarantini teve um lance perigoso quando surgiu nas costas da defesa, mas aos 20' surgiu um daqueles momentos à Nico. O mágico argentino combinou com Enzo Pérez à entrada da área e, obrigado a utilizar o seu pé direito, rematou forte e em arco ao ângulo da baliza de Ederson. Golaço de Gaitán, mais um para o palmarés do argentino. O campeão português manteve-se forte e por cima e alguns minutos depois o 2-0 esteve muito perto - Gaitán cobrou um livre indirecto de modo irrepreensível e Garay cabeceou de forma fulminante para uma defesa por instinto de Ederson. Genericamente, foi uma 1.ª parte na qual o Benfica jogou praticamente sozinho, com o espírito certo e muita intensidade. O argumento viria a mudar no 2.º tempo.

    Logo de início na segunda parte ficou evidente a diferença no jogo vila-condense. O Rio Ave de Nuno Espírito Santo entrou forte, com os laterais muito mais soltos, a equipa muito mais enérgica e a decidir bem, e com os flancos (sobretudo Pedro Santos a castigar André Almeida, apoiado por Lionn) activos. Houve claramente um jogador em evidência na segunda parte: Jan Oblak. O jovem guarda-redes do Benfica, um predestinado cuja qualidade e futuro brilhante está à vista de todos, revelou a segurança habitual e nunca vacilou quando chamado a intervir. O 1.º momento de grande perigo foi aos 62' quando Pedro Santos surgiu isolado nas costas de André Almeida e aí valeu o poste (quando uma bola vai ao poste não é sorte ou azar, é um lance falhado). O Rio Ave continuava a manter a boa imagem e seis minutos depois Oblak mostrou os seus reflexos ao defender para canto um bom remate de Braga. Precisamente no canto seguinte, o "barbudo" Marcelo desviou a bola mas esta passou ligeiramente ao lado da baliza encarnada. No Benfica as dificuldades físicas (tremenda exigência física na temporada!) começaram a surgir e aí, embora Enzo Pérez tenha estado longe do seu nível, foi incrível a forma como - visivelmente diminuído fisicamente - lutou como o guerreiro que foi toda a época. Como já o elegemos, Enzo foi para nós o melhor jogador do nosso campeonato em 13/ 14. A personalidade do Rio Ave abrandou quando o Benfica conseguiu finalmente visitar o meio-campo adversário e aí Markovic teve perto de marcar, depois de um bom lance de Lima e uma simulação inteligente de Gaitán.
    Até ao apito final de Carlos Xistra, ficou visível a personalidade e resiliência do Rio Ave (uma boa imagem deixada, a traduzir a melhor época da História do clube), mas os encarnados, com Oblak (até auto-golos evita) e os centrais, sobretudo Garay, em destaque conseguiram segurar o 1-0. Uma vitória pela margem mínima alcançada num golo de Gaitán que vai directamente para o museu.

    Qualquer benfiquista tem que estar hoje orgulhoso da sua equipa. Os encarnados perderam tudo na fantasmagórica recta final da época passada e a resposta, um ano depois, está à vista. Em 4 troféus, as águias vencem assim 3 troféus e ficam a dever a si mesmas (e a Felix Brych, Beto e Rakitic também) a final da Liga Europa.
    Haveria muita coisa a dizer mas, encerrada a época no futebol português, é tempo do Benfica desfrutar das suas conquistas e será com certeza difícil segurar muitos elementos deste plantel histórico. Era importante o Benfica segurar Oblak, Markovic, Gaitán e Enzo Pérez (embora os últimos 2 devam ter muitos pretendentes), sendo provável que Rodrigo, André Gomes e Garay rumem a outras paragens. Este é o momento certo para o Benfica "nacionalizar" o seu plantel aos poucos, uma vez que é mais fácil mudar gradualmente e introduzir juventude num núcleo vencedor e motivado, e hoje todos os adeptos quererão a permanência de Jesus. O técnico encarnado, e Nuno Espírito Santo, terão certamente clubes interessados - embora com dimensões bem diferentes. Cremos (e queremos) que Jorge Jesus fique, Nuno sairá do Rio Ave de certeza (e veremos se não leva elementos como Filipe Augusto para onde for).

Barba Por Fazer do Jogo: Nico Gaitán (Benfica)
Outros Destaques: Oblak, Maxi Pereira, Garay, Enzo Pérez; Lionn, Edimar, Filipe Augusto, Pedro Santos

Barba no Mundial: Os Nossos 23 (Bélgica)

    Após anunciarmos os nossos 23 da laranja mecânica é altura de lançarmos os nossos escolhidos do vizinho do lado - a Bélgica. Os belgas são uma das selecções sensação deste Mundial. Na qualificação arrasaram a concorrência e somaram 26 pontos em 10 jogos correspondentes a 8 vitórias e 2 empates, ficando assim atrás apenas da Holanda e da Alemanha.
    A Bélgica partilha o grupo H com os russos, sul-coreanos e argelinos. Um conjunto de selecções completamente acessível no qual se espera que passem com distinção, disputando o primeiro lugar com a Rússia.
    Apesar de não haver uma vasta lista de jogadores com qualidade belgas, conseguimos apresentar uma lista um pouco diferente do seleccionador Marc Wilmots. O técnico deixou alguns bons valores de fora que poderiam ajudar melhor esta Bélgica. Aqui ficam os nossos 23:


A Convocatória


    Na baliza não tivemos quaisquer dúvidas ao contrário de Wilmots. Courtois é dono e senhor das redes. Aquele que - na nossa modesta opinião - é o melhor guarda-redes da actualidade, fez uma época formidável no Atlético de Madrid ajudando a equipa com defesas estrondosas e será fundamental neste Mundial ao transmitir segurança aos restantes jogadores. Mignolet é a nossa segunda escolha. O guarda-redes do Liverpool vacilou entre momentos altos e momentos baixos na temporada, mas - colocando tudo na balança - acabou por fazer uma temporada positiva merecendo a nossa confiança caso Courtois tenha algum azar. Por fim temos o guardião do Anderlecht Proto. O belga fez uma época decente na equipa campeã e a sua experiência fez-nos optar por ele e não por Gillet do Torino, que deixámos na lista de contenção.


    É na defesa que surgem algumas debilidades neste grupo. A falta de laterais com características mais ofensivas é gritante o que faz com que tenhamos de contar com Alderweireld para a ala direita e Vertonghen para a ala esquerda. Dois centrais adaptados e para os quais as referidas posições não lhes são completamente estranhas. Ainda assim, o defesa do Atlético de Madrid não tem sido grande aposta de Diego Simeone. Para completar as vagas de laterais apostámos no defesa do Hannover Pocognoli e em Gillet do Anderlecht. Gillet dificilmente teria oportunidades, já Pocognoli poderia ser utilizado em determinados jogos.
    Já no centro da defesa a coisa também se complica, mas derivada à elevada qualidade. Kompany - que se não tivesse tantos altos e baixos nesta temporada seria um dos melhores centrais da actualidade - é o titular indiscutível. Um central completo que terá ao lado - no nosso onze - Lombaerts do Zenit. O defesa central tem estado em destaque na equipa russa e ficará com o lugar que antes pertencia a Vermaelen. O defesa do Arsenal não tem sido aposta de Wenger, mas a sua qualidade é indiscutível, daí constar nos nossos escolhidos. Em último caso temos também Vertonghen que poderá ser colocado ao lado de Kompany, caso Pocognoli seja utilizado.


    Chegando ao centro do terreno, chegam os craques e estrelas da equipa. Para o miolo do terreno temos 4 jogadores que dão mais que garantias sendo que alguns dos restantes 6 convocados, também podem ocupar a posição mais dianteira do meio campo. As duas grandes referências são os afros Fellaini e Witsel. Fellaini - apesar de ser um jogador excepcional - não esteve em grande destaque no Manchester United muito por culpa do mau trabalho de David Moyes. Ainda assim é uma das grande referências desta selecção. Depois temos o ex-jogador do Benfica Axel Witsel que fez uma boa época no Zenit, mantendo sempre uma qualidade de jogo acima da média. Com características mais ofensivas temos Moussa Dembélé que fez uma temporada não tão vistosa como a anterior, mas ainda assim a exibir-se a bom nível pelo Tottenham. Por fim, o reforço de inverno da Roma - Nainggolan. O médio é uma autêntica muralha, mas uma muralha com rasgos de classe nos seus passes. Uma autêntica "formiga trabalhadora" que recupera a bola e lança de imediato os ataques. É claramente uma peça vital nesta nossa selecção belga, já que Wilmots preferiu levar Defour ao Mundial.
    Para extremos escolhemos 6 jogadores num vasto leque existente. Destes 6, alguns podem assumir a posição de médio ofensivo ou - no caso de Chadli - a posição de avançado. O extremo do Tottenham está nas nossas escolhas por isso mesmo. Com o seu físico mais possante, e com algumas características de ponta-de-lança que possui, tanto pode assumir uma posição na asa, como também no sector mais ofensivo em casos extremos. Não fez uma temporada nada por aí além - é certo -, mas poderá ser um elemento importante no ataque. Os indiscutíveis nestas posições são Kevin De Bruyne e Eden Hazard. Os dois jogadores estiveram em destaque nas suas equipas e dispensam apresentações. Hazard é mesmo um dos melhores jogadores da actualidade e poderá ser um dos melhores do Mundial. Mertens é outra das nossas escolhas onde - mesmo com a rotatividade de Rafa Benítez - conseguiu manter um nível exibicional alto somando ainda 11 golos nos seus 45 jogos. Com mais golos exibiu-se o irmão mais novo de Eden Hazard - Thorgan Hazard. O jovem de 21 anos emprestado pelo Chelsea ao Zulte Waregem foi a estrela da equipa onde somou 17 golos em 52 jogos pela equipa belga. Wilmots preferiu deixar o jovem na sua lista de contenção, mas nós não tivemos dúvidas em colocar o Hazard mais novo nas nossas contas. Para terminar, temos um atleta que foi disputado por 4 selecções - Adnan Januzaj. O jogador do Manchester United tinha a Albânia, Sérvia e Turquia à perna, mas preferiu escolher o país onde nasceu - a Bélgica. Assim sendo, a nova estrela de Manchester - que em alguns jogos acabou por salvar o seu clube - tem lugar garantido nos nossos 23, deixando Bruno e Tielemans de fora.


    Com a ausência por lesão de Benteke, não nos restaram muitos avançados de origem. O internacional belga era titular nesta selecção e - com a sua grave lesão - acabará por ver o seu lugar ocupado por Lukaku. O avançado que esteve em grande destaque no Everton é a nossa primeira escolha e só irá ver o seu lugar ameaçado se acontecer algo de anormal. A segunda escolha é Batshuayi que já foi associado ao Benfica ao longo do ano. O belga soma 23 golos em 48 jogos e é uma opção clara para o ataque que tinha que constar também nos 23 de Wilmots, na qual não consta. Em jogos em que Lukaku esteja com algum cansaço a mais ou que precisem de um segundo avançado, Batshuayi é uma opção bastante válida. Por último, escolhemos um jogador que pode ocupar esta posição, mas que certamente seria mais utilizado a extremo - Kevin Mirallas. Outro jogador do Everton que esteve em grande destaque este ano, mostrando também um pouco a sua veia goleadora. Somando 9 golos e 7 assistências nos 37 jogos em que participou. De fora, mas perto de constarem na nossa lista ficaram o jovem do PSV Bakkali e Vossen do Genk.

O Onze

    Passando ao onze base, este não irá fugir muito ao de Wilmots. Coutois é o homem indiscutível entre os postes e pode muito bem fazer a diferença.
    O quarteto defensivo é formado por 4 centrais de origem. Adaptámos Alderweireld e Vertonghen às laterais em posições que já conhecem bem. Apesar de não darem uma grande profundidade, dão segurança na defesa belga que já conta - como referimos anteriormente - com Kompany e Lombaerts no centro da defesa. Os dois jogadores são titulares indiscutíveis - no nosso entender -, mas para Wilmots, Vermaelen (ou Van Buyten) deverá ter lugar ao invés do central do Zenit.
    No meio campo, Witsel e Fallaini serão os trabalhadores de serviço e estarão entregues à construção do jogo, bem como para algumas recuperações de bola. Mas para isso temos Nainggolan com quem o técnico belga não quis contar. O jogador da Roma é uma peça fulcral - na nossa opinião - e dada as suas fantásticas características defensivas daria maior liberdade a Witsel e Fellaini no jogo ofensivo.
    O nosso trio atacante não deverá diferir muito do de Wilmots, no qual contamos com De Bruyne na direita, Hazard na esquerda e Lukaku a servir de referência no ataque.


Voltamos na terça feira com uma das selecções favoritas à conquista do Mundial 2014 e que está recheada de craques!

16 de maio de 2014

Barba no Mundial: Os Nossos 23 (Holanda)

E depois do Brasil e da França, a Laranja Mecânica. A Holanda é uma daquelas Selecções que tem algo que não se explica. Nos últimos anos conseguiu "apenas" presença na final do Mundial 2010 mas o seu passado faz da equipa do país das tulipas e dos moinhos uma Selecção única. Historicamente sempre teve um futebol ofensivo, bonito - embora talvez um pouco inocente demais (como de resto assim também é o futebol praticado na liga holandesa) - e há gerações da Holanda que terão sempre um lugar imortalizado na História do futebol. Houve Cruyff, houve os tempos de Gullit, Rijkaard e Van Basten; quando nós éramos miúdos a Laranja Mecânica que espalhava bom futebol tinha Bergkamp, Seedorf, Davids, os irmãos De Boer, Overmars, Kluivert... um regalo para os olhos.
    Neste Mundial a Holanda está inserida num grupo com a Selecção que a derrotou na final do Mundial 2010 - a Espanha - tendo ainda um perigoso Chile à espreita de uma surpresa. Com Van Gaal no comando a Holanda conseguiu uma qualificação sem derrotas (9 vitórias e 1 empate), tendo marcado 34 golos e sofrido apenas 5. Teve o melhor marcador da qualificação europeia (Robin van Persie, com 11 golos) e terá neste Mundial uma baixa gigantesca, uma das maiores ausências da competição: Kevin Strootman.
    Como anteriormente, lá vamos nós esmiuçar o porquê da escolha destes 23 e, seguidamente, explicitar o nosso onze inicial.

A Convocatória


   Quando havia Van der Sar era mais fácil. Hoje em dia há, ainda assim, bons guarda-redes holandeses. Embora Stekelenburg tenha sido nas últimas competições o titular da Holanda o facto de ter passado a ser suplente de Stockdale no Fulham, é suficiente para que o deixemos apenas na contenção. Van Gaal variou muito de guarda-redes (Vorm, Stekelenburg, Vermeer, Cillessen e Krul jogaram todos), mas para nós o titular desta Holanda só poderia ser um: Tim Krul. O guarda-redes do Newcastle merecia dar o salto para um grande clube europeu neste Verão e para quem já o viu fazer exibições monumentais na Premier League, confiar-lhe a baliza era uma obrigação. Cillessen, do Ajax, esteve melhor a nível interno do que nas competições europeias onde vacilou bastante; Michel Vorm fecha as nossas contas e, embora gostemos bastante dele tal como Krul, preterimos o guardião do Swansea por ter realizado uma época aquém do seu real valor.


    A defesa da Holanda nunca foi propriamente o maior destaque das gerações recentes. Depois de um Euro 2012 para esquecer houve muita coisa que Van Gaal mudou, passou a confiar em vários jogadores do campeonato holandês e nós seguiremos de certa forma essa onda. Uma excepção é, nomeadamente, Van der Wiel. O lateral do PSG foi um dos exemplos da falta de profissionalismo da Holanda em 2012 mas esta temporada ganhou maturidade e fez uma Champions impecável pelo clube de Paris. Merece por isso mesmo o nosso voto de confiança (não figura nos pré-convocados de Van Gaal). Os 2 restantes jogadores "estrangeiros" são Vlaar e Bacuna, ambos do Aston Villa. O capitão do Aston Villa será um dos nossos centrais, embora não seja um talento fora do vulgar, e Bacuna é um jogador polivalente e com muita margem para evoluir.
    Da liga holandesa convocamos então Martins Indi (capaz de jogar a central e do lado esquerdo) e Janmaat (capaz de jogar na direita e no centro) do Feyenoord, Veltman (uma das revelações esta época, um central "à Ajax"), Blind para assumir o nosso flanco esquerdo da defesa e, por fim, Gouwelleuw - jogador muito consistente, seguro e que simplifica, resolvendo praticamente todos os lances. Na contenção, o companheiro deste último elemento no AZ Alkmaar - Viergever (mais goleador, mas menos consistente atrás) e Van Aanholt, lateral emprestado pelo Chelsea ao seu satélite Vitesse. Precisamos que De Vrij (Feyenoord) mostre mais para o considerarmos como opção válida para uma fase final de um Mundial. Ficam mesmo assim várias boas opções de fora como Pieters, Rekik, Denswil e Van Rhijn. Willems talvez estivesse entre as nossas possíveis escolhas, mas está lesionado.


    Dá sempre gosto escolher jogadores do meio-campo holandês. Não estamos perante uma fornada excepcional, mas a Holanda tem material para, com trabalho, produzir uma boa equipa a médio prazo. Desde logo importa falar em Strootman. Kevin Strootman, médio da Roma, tinha tudo para ser o melhor jogador da Holanda neste Mundial (mesmo existindo Robben, Van Persie e Sneijder). Senão o melhor, pelo menos o mais influente. Será uma das maiores baixas da competição. Jogando nós num 4-3-3, interessou-nos conseguir vários elementos capazes de dar diferentes soluções ao nosso miolo. Nigel De Jong é, sem rodeios, o nosso cão de caça. O nosso jogador para morder calcanhares, recuperar bolas, destruir jogo. Jordy Clasie (que potencial!) tinha que constar da lista e ganhou automaticamente com a lesão de Strootman. Depois, a experiência de Sneijder, Van der Vaart e Robben era fundamental.
    E assim e perante a falta de jogadores-chave como noutras gerações, pudemos optar por alguns jogadores cujo futuro será certamente risonho. Siem De Jong é para nós um jogador injustiçado (impressionante estar Fer nos 30 pré-convocados e não Siem) - tem uma técnica brilhante, pensa o jogo, corre pela equipa, finaliza bem. É um jogador completo, e que merecia que alguém olhasse para ele como nós. Depois, 3 miúdos: Depay, Klaassen e Boëtius. Depay é o mais reputado neste momento, tendo feito uma excelente época no PSV; Klaassen (não irá, na realidade, ao Mundial) mostrou-se na Champions, é um dos jogadores com maior margem de progressão na Eredivisie; Boëtius é o típico extremo holandês - poderá não dar nada, mas também poderá dar muito. Na nossa contenção, ficaram assim Maher (tem muito talento, mas podia ter dado mais, para além de ter ficado na sombra de Depay) e De Gúzman, do Swansea. Leroy Fer desapontou-nos esta temporada, enquanto que Wijnaldum e Vilhena ainda não estão no ponto.



    Robin Van Persie tem, francamente, um grande problema. Nunca aparece nas grandes competições. Brilhou no Arsenal e Manchester United na Premier League, sobretudo em 2011/ 12 e 2012/ 13, mas tanto na Champions (com excepção da 2.ª mão com o Galatasaray) como nas fases finais de mundiais e europeus, fica apagado. No entanto, considerando o facto de ter sido o melhor marcador da qualificação - embora a Holanda cilindre sempre tudo e todos nos apuramentos - e à falta de grande concorrência, tinha que ser invariavelmente a nossa principal referência ofensiva. Klaas-Jan Huntelaar é a alternativa imediata que escolhemos (um jogador que poderia ter tido uma carreira doutro nível com outra sorte e outras escolhas) e Lens, capaz de jogar no flanco e na frente, fecha o lote de 23. Deixámos de fora Kuyt e quisemos premiar a evolução de Castaignos no Twente, talvez uma possível opção para o Euro 2016. Um jogador que nos desiludiu foi Luuk De Jong (não conseguiu ter impacto quer no Gladbach quer no Newcastle) e pode-se dizer que Narsingh ficou perto de estar na contenção.

O Onze

Temos plena consciência que esta Selecção precisa de amadurecer mas, sendo a Espanha a favorita do grupo, esta seria uma boa oportunidade para introduzir alguns craques do futuro do futebol holandês, arriscando, e disputando o acesso à fase a eliminar sobretudo no Holanda-Chile da última jornada.
    O nosso guarda-redes titular é Tim Krul. Quando engata, é tramado marcar-lhe e engata muitas vezes. O quarteto defensivo é, felizmente para ele, superior ao do Newcastle actualmente. Na defesa confiámos o coração a Vlaar e Martins Indi, colocando nas laterais Van der Wiel e Blind. Blind deverá ser uma opção de Van Gaal na realidade, Van der Wiel de certeza que não.
    No meio-campo, alguns jogos poderiam pedir a acutilância defensiva de Nigel De Jong. Ainda assim, o nosso meio-campo (haveria o perigo de ser "macio" demais) é composto por Clasie, Siem De Jong e Sneijder. Com bola e em transição seria uma equipa forte, com um miolo a decidir rápido e bem. O problema poderia ser a defender, mas Siem De Jong já demonstrou ser capaz de recuar quando é preciso. A ala direita só poderia ter um dono - Arjen Robben - o jogador em que os holandeses poderão confiar mais para desequilibrar os jogos; enquanto que do lado esquerdo haveria 2 opções - Depay ou Lens. Lens tem mais experiência e fez uma boa qualificação, mas alguns jogos - Chile e Austrália, talvez - seriam casos para lançar Depay. No ataque, a fé estaria depositada em Van Persie - finalizador nato, capaz de fazer golos de todas as maneiras e feitios e um avançado verdadeiramente holandês (na senda de Bergkamp, Van Nistelrooy, Van Basten..). Ouve este elogio Van Persie, e marca golos.

    Dia 18 poderão ver a nossa 4.ª Selecção. Querem pistas? Tem muitos craques, muita juventude, centrais para dar e vender e um guarda-redes que, embora novo, já é dos melhores do planeta.

15 de maio de 2014

Béla Guttmann continua-se a rir; Sevilha conquista a Liga Europa nos penalties

 Sevilha 0 - 0 (4-2 g.p.)  Benfica

    Ontem, numa noite carregada de desilusão (ficou uma sensação semelhante à do pós Portugal-Grécia de 2004 entre os benfiquistas), o Benfica foi derrotado pelo Sevilha na final da Liga Europa. Os espanhóis alcançaram a vitória nas grandes penalidades depois do nulo durante os 120 minutos, erguendo o troféu que lhes escapava desde 2006/ 2007 ainda no formato Taça UEFA quando derrotaram o Espanyol, também nas grandes penalidades.
    Ponto assente: o Benfica era favorito. É certo que as águias não contaram com o jogador mais influente da equipa - Enzo Pérez -, Salvio e Markovic, mas ainda assim o 11 inicial e todo o seu percurso nesta temporada colocava o Benfica com a obrigação de conquistar o troféu europeu. Jesus lançou o onze esperado (Amorim e André Gomes no miolo, Sulejmani no flanco) e Emery contou com a sua equipa base. O começo do jogo teve 2 notas de destaque: o Benfica entrou nervoso, com o seu meio-campo desorientado, e o Sevilha começou o jogo com uma agressividade maior do que seria aconselhável. O desnorte inicial originou ainda uma sequência de sustos, salvos por Siqueira, e cedo se percebeu que o croata Ivan Rakitic (o jogador de quem mais se esperava no Sevilha) estava em dia sim. Sem Markovic e Salvio (que jeito teria dado contar pelo menos com 1!), eram poucos os extremos que restavam ao Benfica e pior ficou o cenário quando Sulejmani foi mal tratado - o sérvio "sacou" 2 cartões amarelos, a Fazio e Alberto Moreno, tendo magoado o seu ombro no lance com o lateral esquerdo. O Benfica deu um ar da sua graça na conversão de um livre, com Beto e Pareja a evitarem o golo, e Garay a ficar perto de marcar. Aos 24 minutos Sulejmani teve mesmo que sair, não suportando as dores e Jesus colocou André Almeida, jogando o jovem a lateral e subindo Maxi para extremo (embora se posicionasse mais a interior direito). Pessoalmente teríamos arriscado naquele momento em Ivan Cavaleiro, confiando no talento do miúdo, capaz de castigar o amarelado lado esquerdo da defesa, mas Jesus escolheu a opção mais segura. Os minutos passaram, o jogo foi ficando inexplicavelmente partido, e se de um lado Rakitic ia espalhando classe, velocidade e fazendo passes do outro mundo, o Benfica começou a crescer pelo colectivo. A 1.ª parte terminou com um Benfica perigoso e perto do golo, com Maxi Pereira quase a marcar num lance em que ele próprio não acreditou e depois Rodrigo a tentar marcar, tendo Beto defendido das 2 vezes. No derradeiro lance da 1.ª parte Fazio carregou Gaitán na grande área, possível penalty e expulsão mas Felix Brych nada assinalou. Em suma, uma primeira parte pouco conseguida do Benfica, com um nervosismo inicial disparatado e com André Gomes a oscilar entre momentos muito bons e perdas de bola inexplicáveis. A subida de rendimento do Benfica - já muitas vezes elogiámos o equilíbrio táctico deste Benfica e a forma como o jogo se partiu nos primeiros 45 foi absurda - acabou por acontecer à medida que Ruben Amorim começou a mapear melhor o meio-campo.

    A 2.ª parte começou como a 1.ª terminou. O Benfica em cima do Sevilha, com Lima a ter que marcar mas a desperdiçar, com Beto e muitos defesas a darem o corpo ao manifesto. Contra a corrente do jogo, e sempre com Rakitic a fazer tudo bem e a lançar em profundidade de forma extraordinária, o Sevilha ameaçou o golo, mas o ex-benfiquista Reyes falhou o alvo. Aos 57' Felix Brych voltou a colocar os holofotes sobre si: Lima antecipou-se a Alberto Moreno e foi derrubado por trás pelo espanhol, que certamente não tocou na bola. A grande penalidade mais clara do jogo, e seria o 2.º amarelo para o promissor lateral. Os minutos que se seguiram ditaram um jogo partido, até que o Benfica começou a encostar o Sevilha. Beto garantiu que o Sevilha chegasse ao prolongamento, bem como a defesa organizada à sua frente, a tapar os caminhos para os remates encarnados, por vezes perdulários, por vezes a fazerem cerimónia para "matar" o jogo. Nem o coelho que Lima tirou da cartola, muito longe da baliza, conseguiu bater o intransponível Beto - guarda-redes português que apresentou um nível superior em 13/ 14.
    Dos 90 aos 120 minutos, a bola foi do Benfica, Cardozo e Cavaleiro (entrou tão tarde..) nada acrescentaram, embora menos tenha acrescentado Marin, mas o coração foi do Sevilha. Faltou maior clarividência, melhor capacidade no último passe e no capítulo da construção (onde o Benfica falhou todo o jogo, ao não ter Enzo; Gaitán não estar inspirado; e faltar a criatividade e velocidade de Markovic e/ ou Salvio). Bacca ainda provocou um calafrio depois de um passe incrível de Rakitic, mas rematou ao lado da baliza de Oblak. Com 0-0 durante 120 minutos o jogo chegou aos penalties e aí uma coisa era certa: conhecendo Beto, já se sabia que o guardião lusitano defenderia pelo menos um, portanto cabia aos jogadores do Benfica converter bem e esperar que Oblak conseguisse ser melhor que Beto. Os sevilhanos marcaram exemplarmente: notáveis tanto Bacca como Mbia como Coke como Gameiro; no Benfica Lima converteu, mas Cardozo (péssimo penalty depois de um balanço de 40 quilómetros) e Rodrigo (o penalty mais denunciado de todos) falharam, com Beto a ser herói ao defender essas 2 grandes penalidades. Luisão ainda marcou, mas de nada serviu mediante o facto do luso-francês Kevin Gameiro ter marcado no momento decisivo.

    Foi um Benfica inferior ao que se tem visto esta época. Faltou agarrar meio-campo, faltou ter alguém com maior qualidade de último passe (e Rodrigo pouco veio buscar jogo), faltou maior calma e faltou também que Felix Brych marcasse as grandes penalidades que foram cometidas. Para além das 2 acima mencionadas, houve ainda uma mão de Daniel Carriço. Pelo menos 2 das 3, seguindo as regras, seriam penalty. Evidentemente não chega ao Benfica lamuriar-se por não terem sido marcados os seus penalties, por Béla Guttmann ter amaldiçoado o clube ou por não ter conta com Enzo, Markovic e Salvio, para além de Fejsa. O plantel encarnado é rico e os que se apresentaram tinham mais que qualidade para bater o Sevilha. O Benfica foi superior durante o jogo, mas podia e devia ter feito muito mais. Esteve nervoso, deixou o jogo partir-se, e falhou inúmeras oportunidades de golo. Rakitic (Real Madrid ou Premier League?) foi o homem do jogo, seguindo-se do herói Beto, dos centrais Garay e Pareja, um de cada lado, tendo ainda Oblak estado sereno e Ruben Amorim progredido durante o jogo, com um André Gomes incrivelmente instável ao seu lado, capaz do melhor e do pior.

    Ainda assim, a nação benfiquista não pode desanimar com este resultado. O foco tem que estar na Taça de Portugal porque, convenhamos, vencer o campeonato à 28.ª jornada, conquistar 2 taças internas e perder uma final europeia (outra vez) nas grandes penalidades tem que ser uma época que orgulhe. Os jogadores falharam quando não podiam falhar, acusaram talvez a pressão de serem favoritos, mas o trabalho desenvolvido no clube tem sido incrível e o caminho tem que ser mantido. Relativamente aos falsos adeptos que ontem já pediam a demissão de Jesus e que crucificavam alguns jogadores tão importantes noutros momentos da época, a esses apenas dizemos: por vezes no futebol não há um bode expiatório - embora o tuga típico tenha sempre que tentar identificar um. Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira deram esta época uma "chapada de luva branca" a praticamente todos os adeptos encarnados (e contra nós falamos, fazendo um mea culpa).
    PS.: Relativamente aos adeptos de outros clubes que tinham prometido torcer na final pela equipa com mais portugueses, imaginamos que o plano lhes tenha saído furado e que se tenham visto na obrigação de, caso fossem pessoas de palavra, torcer pelo Benfica. Houve mais lusos benfiquistas que sevilhanos. Ofender e gozar com qualquer equipa portuguesa que perde uma final europeia nos penalties depois de ter aniquilado a concorrência a nível interno... é só desperdiçar uma boa oportunidade de estar calado.
    E quanto ao Beto, que respondeu a JJ dizendo que o treinador também sai muitas vezes da sua área de jurisdição, deixamos aqui a resposta com a qual Jorge Jesus podia ter ripostado: Sempre disse que o Beto era um guarda-redes pequeno, é natural que precise de avançar ilegalmente saindo da linha de baliza para conseguir crescer e defender os penalties.

Barba Por Fazer do Jogo: Ivan Rakitic (Sevilha)
Outros Destaques: Beto, Pareja; Oblak, Garay, Ruben Amorim

14 de maio de 2014

Barba no Mundial: Os Nossos 23 (França)

    E depois dos nossos irmãos brasileiros, chega uma Selecção que tem sido uma das maiores rivais da Selecção Portuguesa - a França. Um conjunto renovado, com muito valor, mas a precisar de maior coesão. Muito ao estilo de Portugal, a França costuma sentar-se "à sombra da bananeira" confiando que o sucesso advém com naturalidade. Os franceses tiveram que passar pelo Play-Off de qualificação, não tanto por relaxamento, mas sim porque tinham no seu grupo a poderosa Espanha. No Play-Off disputaram a eliminatória com a Ucrânia e tiveram que se aplicar em solo francês após terem saído derrotados por duas bolas a zero de Kiev. O conjunto gaulês reuniu as forças e aplicou chapa 3 aos ucranianos mostrando que merecem disputar este Mundial no Brasil. Os 23 eleitos de Didier Deschamps não fugiram muito à nossa convocatória, porém, nós apresentamos alguns valores que merecem ir à terra do Samba e que não foram escolhidos pelo seleccionador pelo simples facto dos técnicos não quererem arriscar em fazer mudanças antes de uma grande prova.
    Feito o sorteio, depois de ter tido o azar de ter calhado no grupo da Espanha na qualificação, teve a sorte de calhar num dos grupos mais acessíveis da prova. Os franceses partem como grandes favoritos onde terão que ombrear com a Suiça, Honduras e Equador. Para este grupo e para a restante prova apostamos nos seguintes 23 jogadores que, para o Barba Por Fazer, faz sentido estarem no Mundial 2014:

A Convocatória


    A nível de guarda-redes, a França não tem muito por onde escolher. As nossas escolhas recaíram em Lloris, Mandanda e Landreau. O guardião do Tottenham é o titular indiscutível da selecção gaulesa. Esteve em grande destaque no clube londrino numa época catastrófica para os Spurs. Ainda assim, Lloris foi por muitas vezes o salvador da pátria ao salvaguardar a equipa de situações mais embaraçosas no que toca a resultados mais desnivelados. Mandanda é o segundo escolhido por já ter uns bons anos de Selecção e se apresentar sempre em bom plano no Marselha. Tem os seus momentos de desnorte, mas ainda assim merece a nossa confiança. Para fechar as contas, confiamos o lugar de 3º guarda-redes ao experiente Landreau. Aos 34 anos tem sido aposta nas convocatórias de Didier Deschamps e, face à pouca qualidade nas redes, escolhemos o guardião do Bastia.


Chegando à defesa, começam algumas dúvidas ainda que poucas. Não tivemos dúvidas em escolher o melhor central francês da actualidade - Koscielny. O jogador do Arsenal foi extremamente importante para o clube londrino ao longo da época e merece sem qualquer dúvida a nossa confiança. Mangala, do Porto, é a nossa segunda escolha face à importância que tem no clube evitando males maiores aquando das subidas de Alex Sandro ou até mesmo desconcentrações dos seus companheiros. Varane, apesar de não ser aposta regular de Carlo Ancelotti, é um dos melhores centrais franceses da actualidade e não podia ficar de fora de maneira alguma. A última escolha para o centro da defesa recaiu em Mamadou Sakho. O jogador do Liverpool que foi crucial na passagem da França frente à Ucrânia não tem sido dos melhores elementos dos Reds. Antes pelo contrário... O central baixou de forma na recta final do campeonato, mas o facto de já ter passado uma boa fase no clube e de ter sido importante para a presença do seu país no Mundial, preferimo-lo ao jovem Zouma que certamente terá mais tempo para se mostrar e para ser lapidado por José Mourinho no Chelsea.
    Nas laterais apenas temos uma surpresa. Demos um voto de confiança a Jallet que sempre que é chamado por Laurent Blanc exibe-se a bom nível preterindo assim Sagna. Apesar de ter mais minutos que o jogador do PSG, exibiu-se esta época uns quantos furos a baixo daquilo que pode fazer. Ainda assim, consta na nossa lista de 7 de contenção. Debuchy é o nº1 na direita tendo sido bastante constante mostrando a sua qualidade no Newcastle. No lado esquerdo Evra é dono e senhor do lugar. Grande época do jogador que completa amanhã 33 anos, mesmo face à catástrofe que foi o seu clube este ano. Para seu suplente não tivemos dúvidas em escolher o lateral esquerdo do Mónaco - Layvin Kurzawa. O jogador francês com origens polacas foi um dos melhores da liga francesa tendo ainda apontado 5 golos que enaltecem ainda mais as suas qualidades. Porém - ao que tudo indica -, parece ser um desconhecido para Deschamps.


    No local onde tudo se constrói chegam os grandes craques. Deschamps apostou - ao longo da qualificação - em jogadores como Mavuba, Capoue, Diaby, Payet e até Guilavogui. Na nossa convocatória estes 5 jogadores não entram nas contas mesmo sabendo que Mavuba está nos 23 eleitos do seleccionador. Para o miolo convocámos 5 jogadores dos quais 3 são fulcrais - Pogba, Cabaye e Matuidi. Os três são dos melhores centro-campistas do mundo na actualidade. Matuidi e Cabaye fizeram parte de uma grande época do PSG e ajudaram o clube a entrosar-se melhor nas zonas de construção. Já Pogba é uma peça fulcral na campeã Juventus. Destrói jogo e faz jogar e - por vezes - dá o ar da sua graça com alguns bons golos. É um médio completo e um dos pontos fortes desta França. Optámos ainda por dois jogadores que jogam na Premier League. Sissoko é um todo-o-terreno. Tem velocidade, técnica e uma capacidade de explosão incrível... Foi o motor do Newcastle este ano - apesar da equipa ter estado um pouco aquém de anos anteriores - e pode ser uma peça fulcral em alguns jogos ao saltar do banco de suplentes. Por último temos Schneiderlin. O médio do Southampton fez uma época formidável ajudando a equipa a manter-se ao mais alto nível. Bom recuperador de bolas e excelente passador, Schneirderlin é uma mais-valia para a França e certamente que teria mais impacto que Mavuba ou Grenier - que estão convocados - no jogo da equipa. Ainda assim, o nº4 do Southampton parecia ser um desconhecido para Deschamps, mas o técnico - mesmo sem o convocar uma única vez para os jogos de qualificação - convocou-o para a lista de contenção. Lista essa em que tal como na nossa, Gonalons também tem lugar.
    Nas asas temos 3 craques em que só dois constam na lista de Didier... E já fez correr alguma polémica... Parafraseando a namorada do excluído: «Fuck france and fuck deschamps! What a shit manager!» - Denota-se alguma angústia nas suas palavras. Mas de quem falamos? Samir Nasri. O jogador do Manchester City ficou de fora quer dos 23, quer da lista de 7 jogadores em contenção. Na nossa tem lugar porque é um jogador que - apesar de ser algo inconstante - consegue sempre sacar um coelho da cartola e transcende-se um pouco nos grandes jogos. O segundo escolhido é Griezmann. O extremo da Real Sociedad fez 20 golos em todos os 49 jogos oficiais que realizou sendo que 7 dos quais foi suplente utilizado. Foi o craque do clube espanhol e ajudou o mesmo a ficar de novo nos lugares cimeiros da Liga BBVA. Por fim, temos a estrela da companhia - Ribery. O extremo do Bayern dispensa apresentações. Pode tornar-se num dos melhores jogadores deste mundial e vai lutar com unhas e dentes para provar que merece ser o melhor do mundo. Em contenção listamos ainda Valbuena, Cabella e Thauvin.
    

    Na frente optámos por ter 4 referências e não apenas 3 como Didier. Benzema será o jogador alvo desta equipa. Vai continuar a boa época que está a fazer no Real Madrid e certamente que figurará entre os melhores marcadores do Mundial. Giroud ficará na sombra de Benzema. Só terá minutos se o jogador do Real acusar cansaço ou em jogos de jogo mais directo onde se peça jogo aéreo. Rémy é outra das nossas escolhas para o ataque, mas é um avançado móvel podendo muitas vezes fazer a vez de um dos extremos. Por último escolhemos um jogador que soma 15 golos na Liga Francesa que o classifica como 5º melhor marcador - Lacazette. O jovem jogador do Lyon somou ainda mais 7 golos que estão distribuídos pelas taças de França e pela Liga Europa. Foi o goleador de serviço do Lyon que também não passa por um bom momento. De fora das nossas opções ficou Gouffran que também fez uma época interessante no Newcastle.

O Onze

    Posta a análise detalhada, passamos então a montar o nosso onze ideal para a selecção gaulesa.
    Lloris - como já referimos anteriormente - é o nº1 na baliza por larga margem. Nem Mandanda, nem Landreau estão ao nível do guardião do Tottenham.
    No quarteto defensivo apresentamos uma diferença naquele que deverá ser o base de Deschamps. A diferença resume-me ao central do lado direito a que nós damos preferência a Mangala e Deschamps - muito provavelmente - acabará por dar a Varane ou a Sakho. De resto, Koscielny é indiscutível e para as alas não existem melhores opções.
    O nosso miolo acabará por ser idêntico ao do técnico francês - a não ser que não tenha os pirolitos a funcionar - onde Pogba, Matuidi e Cabaye formam um trio com técnica, classe, força e muita criatividade para dor de cabeça dos adversários.
    No ataque, Benzema e Ribery são os nossos eleitos - e os de Deschamps - para desequilibrar os jogos e na direita optámos por dar o lugar a Griezmann ou Nasri dependendo dos jogos em questão. Estando Nasri de fora, Griezmann deverá ser dono e senhor do lugar.

Voltamos dia 16 com a rubrica "Os Nossos 23" onde encontraremos uma selecção que é sempre uma das favoritas sem o ser e que apresenta algumas caras novas. Fiquem atentos!

13 de maio de 2014

Paulo Bento pré-convoca 30 (Adrien e Danny não, André Gomes e João Mário sim)

  Selecção - Esta tarde, por volta das 18 horas, o seleccionador Paulo Bento divulgou os seus 30 pré-convocados, reduzindo a extensa lista que vinha sendo construída pela comunicação social divulgando os pré-convocados de vários clubes. Ao contrário de muitas Selecções, nas quais os 23 eleitos já são sabidos nesta altura, tendo optado por exemplo Scolari, Hodgson ou Deschamps pelo método 23+7, no nosso caso teremos que esperar até dia 23 de Maio (às 20:15) para sabermos quem serão os 7 a morrer na praia.

    Integram o lote de 30 convocados para o Mundial 2014 do Brasil, os seguintes elementos:

Guarda-Redes: Rui Patrício (Sporting), Beto (Sevilha), Anthony Lopes (Olymp. Lyon), Eduardo (Braga)

Defesas: João Pereira (Valência), André Almeida (Benfica), Fábio Coentrão (Real Madrid), Antunes (Málaga), Pepe (Real Madrid), Bruno Alves (Fenerbahçe), Neto (Zenit), Rolando (Inter), Ricardo Costa (Valência)

Médios: William Carvalho (Sporting), João Moutinho (Mónaco), Ruben Amorim (Benfica), André Gomes (Benfica), Raul Meireles (Fenerbahçe), Miguel Veloso (Dínamo Kiev), João Mário (Vit. Setúbal), Rafa (Braga)

Avançados: Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Ricardo Quaresma (Porto), Nani (Manchester United), Silvestre Varela (Porto), Vieirinha (Wolfsburgo), Ivan Cavaleiro (Benfica), Hélder Postiga (Lázio), Hugo Almeida (Besiktas), Éder (Braga)


    BPF - Na realidade, conhecendo Paulo Bento, a única surpresa nesta lista é a presença de João Mário. Vamos por partes. As duas maiores injustiças e ausências de peso face à qualidade apresentada durante a época são Adrien e Danny. Ambos seriam jogadores com aspirações a figurar no 11 inicial e esta foi a prova derradeira da já patente animosidade de Paulo Bento para com eles.
    Na baliza, era o que se esperava. Se houvesse justiça a escolha do 3.º guarda-redes seria entre Ricardo e Anthony Lopes, mas Paulo Bento prefere premiar a pior época de que há memória de Eduardo, depois de Ricardo se apresentar muito acima deste. Na defesa, Cédric caberia na lista de 30 (não tão evidente a sua inclusão após cortar 7) e já não vale a pena falar de José Fonte. Outra ovelha negra. A polivalência de André Almeida (lateral direito, lateral esquerdo, médio) pode jogar a seu favor.
    Honestamente e como dissemos, a única surpresa é mesmo a inclusão de João Mário - injusta, ainda assim, - porque era expectável que figurasse Josué nesta lista. No entanto, ainda bem que não consta porque seria outra tremenda injustiça. Não há Adrien, não há Danny, Paulo Bento não procurou convencer Tiago a reconsiderar e, face a estas sucessivas guilhotinas aplicadas por Paulo Bento, André Gomes ganha relevo para os 23 finais. William, Moutinho, Meireles, Amorim e Veloso já têm o bilhete na mão, relativamente a André Gomes e a Rafa dependerá bastante do conjunto de extremos pelo qual PB optar, tal como pelo número de laterais.
    Por fim, na frente, a presença de Quaresma já era esperada depois da recente entrevista do seleccionador (o extremo do Porto deve aliás manter-se no lote final) e veremos, globalmente, quem são os 7 a ficar de fora. Verdade seja dita, sem Edinho e não tendo Paulo Bento apostado, por exemplo, em Bebé (capaz de jogar na faixa e solto na frente) Cavaleiro ainda pode aspirar a algo. Contra si, os poucos minutos no Benfica - embora tenha jogado muito no Benfica B -, mas competirá com Varela (época fraca) e dois jogadores com pouco ritmo competitivo, recuperados de lesões prolongadas (Nani e Vieirinha). Relativamente aos avançados centro, abordaremos esse tópico em breve e no momento certo. No entanto já se sabe que Paulo Bento prefere levar jogadores que conhece - e aí faria sentido levar Postiga e Almeida, na cabeça dele - mas com os 3 avançados chamados, deveria ser Éder+1 (não faria muito sentido irem os 3, mas se calhar até vão).

12 de maio de 2014

Barba no Mundial: Os Nossos 23 (Brasil)

Olá portugueses! Alô Brasil! Damos hoje início à nossa cobertura do Mundial 2014. Durante os próximos tempos temos garantidas diversas surpresas e iniciativas únicas que vão marcar a diferença na abordagem à maior competição internacional de futebol.
    Nas próximas semanas iremos partilhar convosco aqueles que seriam para nós os 23 convocados de 10 selecções que escolhemos por serem as que entendemos como mais interessantes e cujo papel de seleccionador era mais desafiante. A título exemplificativo, o Uruguai embora esteja provavelmente num lote alargado de candidatos com algumas aspirações neste Mundial não será por nós abordado porque embora tenha diversos craques, os eleitos não poderiam fugir muito a determinado conjunto, não ficando ninguém de fora de forma escandalosa.
    Como não poderia deixar de ser, iniciamos esta aventura com os anfitriões da Copa. O Brasil não realizou qualificação como os outros, por receber o Mundial, mas tendo Luiz Filipe Scolari a rédea será curta e o modelo de jogo é um e só um. Como os portugueses e os brasileiros sabem, "Felipão" sabe como ninguém montar um grupo forte e coeso numa Selecção. No entanto, o que interessa aqui são as nossas opções, o que seria o Brasil connosco ao leme. Primeiro justificaremos os nossos 23 eleitos, que em muitos casos diferem da convocatória já divulgada (iremos publicar os nossos 23 de algumas Selecções mesmo sem se saber ainda a convocatória final das mesmas) e, por fim, indicaremos qual seria o nosso 11 titular e porquê. Vamos lá então, galera.


A Convocatória

    Em termos de guarda-redes, connosco Júlio César não calça. Foi um grande guardião no ano em que o Inter de José Mourinho venceu tudo, mas actualmente joga no Toronto e isso é francamente pouco face à concorrência que existe. Os nossos 3 eleitos são Diego Alves, Neto e Jefferson. O guarda-redes do Valência, que voltou recentemente de uma lesão que deixou Guaita a defender as redes da equipa espanhola é para nós o melhor redes brasileiro da actualidade. Ágil, com bons reflexos, corajoso a sair e muitas vezes a fazer alguns milagres entre os postes. A titularidade seria sempre entre ele e Neto, importante na Fiorentina e ainda com grande margem de progressão. Jefferson, único dos 3 escolhidos a actuar no Brasil, encerra as nossas opções. Para qualquer eventualidade, Victor estaria inserido no leque de 7 jogadores de contenção.


    A defesa do Brasil dá pano para mangas, sobretudo porque houve vários jogadores com grandes desempenhos esta época, tanto nos seus campeonatos como nas competições europeias. Thiago Silva e David Luiz são a justa dupla de centrais titular do Brasil. Complementam-se bem, fazem parte do conjunto de melhores centrais da actualidade e formarão - na realidade - uma boa dupla na Copa caso Scolari opte por eles (relativamente à titularidade do capitão Thiago Silva há 0% dúvidas). Relativamente aos outros 2 centrais, escolhemos 2 jogadores que apresentaram um nível incrível esta temporada: Miranda e Luisão. O central do Atlético Madrid brilhou em Espanha e na Champions, em grandes palcos, com grande intensidade de jogo e frente aos melhores do mundo. Luisão fez a melhor época da sua carreira no Benfica, liderou as águias na Liga ZON Sagres e na Liga Europa, e ambos foram sem dúvida superiores a Dante, Henrique, Réver e a Dedé. 
    Do lado esquerdo, Marcelo e Filipe Luís seriam as nossas opções para a canarinha. O lateral do Real foi recentemente "encostado" por Coentrão mas tem todo o talento para fazer um excelente Mundial. Filipe Luís, num mundo justo, tinha obrigatoriamente que integrar os 23 do Brasil na actualidade. Por fim, Dani Alves seria o nosso lateral direito e, face à injustiça que seria deixar o jovem Marquinhos de fora, acabámos por adaptá-lo ao lado direito da defesa. Dedé, a quem ainda falta ritmo europeu, faz parte da nossa contenção.


    No meio-campo a qualidade é muita. Muita mesmo. Há primeiro que ter em conta que o nosso modelo seria o mesmo que Scolari irá utilizar (um 4-2-3-1, com dinâmica mas bastante rigor táctico). Os nossos 4 escolhidos para competir por um lugar no duplo pivô são Ramires, Luiz Gustavo, Fernandinho e Fernando. É muito provável que na realidade Felipão mantenha Luiz Gustavo e Paulinho (dupla na Taça das Confederações) e até tenha bons resultados com isso, mas nós íamos por outro caminho. Qualquer um destes 4 jogadores é fortíssimo do ponto de vista táctico e físico. Ramires tem 5 pulmões e é um dos jogadores mais cultos tacticamente hoje em dia, Fernandinho fez a diferença na forma como soltou Yaya no campeão City, Luiz Gustavo é um jogador tremendamente fiável e regular e, por fim, optámos por Fernando porque o sonho dele sempre foi jogar pela canarinha (como ele próprio afirmou, e por isso mesmo nunca o consideraríamos para a Selecção portuguesa) e é o melhor trinco puro brasileiro, sendo útil ao Brasil contar com ele para determinados jogos e, sobretudo, momentos do jogo. 
    Oscar faz naturalmente parte das nossas escolhas, ainda para mais pelo facto de ser um jogador que aparece sempre nos grandes palcos e grandes jogos, sendo Coutinho uma boa alternativa ao médio do Chelsea - também com elevada criatividade e talvez até maior qualidade de último passe. Willian é, na nossa Selecção brasileira, solução para qualquer 1 dos 3 lugares mais adiantados do meio-campo e Douglas Costa uma excelente opção para os flancos. Os 2 jogadores que mais nos custaram deixar fora foram Hernanes e Lucas Moura. No 1.º caso preferimos os 4 elementos que referimos, também pelo que apresentaram esta temporada (o próprio Paulinho nem surge na nossa contenção) e relativamente a Lucas, quando confrontados com o duelo Douglas Costa vs Lucas, embora Lucas tenha grandes arrancadas dignas de Youtube, Douglas Costa é um jogador mais maduro, que decide melhor e no qual confiamos mais.
    Assim, para além de Lucas e Hernanes, estariam ainda de contenção Bernard e Éverton Ribeiro. Que Éverton é craque ninguém duvida, mas falta-lhe mostrar mais. Destaque ainda para Roberto Firmino, craque do Hoffenheim de 22 anos que fez uma grande Bundesliga e está preparado para voos mais altos, tendo ficando mesmo "à porta" da nossa contenção. Alguém disse recentemente que um Brasil sem Kaká e Ronaldinho era um "Brasil sem alma". São e foram jogadores únicos, mas na construção de um grupo para um Mundial, também não os incluímos.


    Ponto prévio: percebemos que Scolari opte por Fred no sentido de trabalhar bem com a equipa, segurar bem a posição e os centrais etc, mas... Fred e Jô? Connosco não. Primeiro que tudo, Hulk e Neymar Jr. eram jogadores com lugar cativo. Neymar é a figura do Brasil, e mostrou na Taça das Confederações que consegue lidar bem com esse estatuto e Hulk "acordou" desde que AVB chegou ao Zenit. É certo que ambos seriam opções para a faixa, tal como Willian ou Douglas Costa (e mesmo Coutinho e Oscar podem jogar descaídos) mas o mind-set de Hulk e Neymar inclui certamente menos corrida para trás. 
    As nossas opções para servirem de referência ofensiva seriam portanto Luiz Adriano, do Shakhtar, e Lima, do Benfica, ficando Alan (grande época no Salzburg) de contenção. Oxalá Alexandre Pato - um desperdício - estivesse em forma e em boa condição física e poderíamos ter pensado também nele. Luiz Adriano e Lima são jogadores superiores tecnicamente a Fred e Jô, têm também rotinas a coexistir e integrar-se bem com a construção de jogo por parte do meio-campo ofensivo, e assentam na perfeição para o que pretenderíamos fazer com este lote de 23.

O Onze

    Justificados os nossos 23 escolhidos para a "canarinha", podemos agora fazer o exercício de explicar qual seria o nosso 11 inicial, como faremos também para as restantes 9 selecções que iremos abordar nas próximas semanas.
    Diego Alves seria o nosso guarda-redes (ou goleiro, já que estamos a falar da Selecção do Brasil). A dúvida seria entre ele e Neto, mas a nossa confiança recaiu no jogador do Valência pelas razões mencionadas acima.
    O nosso quarteto é o quarteto pelo qual Scolari deverá optar. Dani Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo formam uma defesa de excepção, das melhores do Mundial. Dois centrais fortíssimos e dois laterais que conjugam o saber defender com o saber atacar. A inspiração dos laterais seria fulcral na dinâmica deste Brasil.
    Os nossos escolhidos para o duplo pivô são Ramires e Fernandinho. Ramires é um jogador que qualquer treinador adora e Fernandinho um bom e muitas vezes silencioso complemento. Claro que alguns jogos poderiam pedir Luiz Gustavo, outros Fernando. A nível do tridente ofensivo, simplificámos consoante o talento. Oscar, Hulk e Neymar são os 3 maiores craques (ofensivos) deste Brasil e será do talento deles que dependerá um bom Mundial 2014, tal como seria no nosso esquema. Ter Willian, Douglas Costa e Coutinho prontos a sair do banco permitiria uma abordagem diferente no desenrolar do jogo, sendo alternativas seguras perante a necessidade de descansar alguém.
    Na frente, o lugar mais avançado seria entregue ou a Lima ou a Luiz Adriano. Ambos se encaixariam bem neste modelo, sendo que Lima talvez fosse mais útil ao processo ofensivo da equipa, enquanto que Luiz Adriano talvez conseguisse mais golos na sua conta pessoal.

    A rubrica "Os Nossos 23" volta na próxima quarta-feira, com outra Selecção. Até lá!

Barkley, Lallana, Shaw, Lambert e Sterling vão ao Mundial

  Inglaterra - Roy Hodgson anunciou às 14:00 os seus 23 eleitos para formarem a selecção britânica no Mundial do Brasil. Uma lista sem grandes surpresas e com excelentes opções por parte do seleccionador inglês. Os 23 convocados são:

Guarda-Redes: Joe Hart (Manchester City). Fraser Forster (Celtic). Ben Foster (WBA)

Defesas: Leighton Baines (Everton). Luke Shaw (Southampton). Gary Cahill (Chelsea). Phil Jagielka (Everton). Chris Smalling (Manchester United). Phil Jones (Manchester United). Glen Johnson (Liverpool)

Médios: Steven Gerrard (Liverpool). Ross Barkley (Everton). Jack Wilshere (Arsenal). Frank Lampard (Chelsea). James Milner (Manchester City). Alex Oxlade-Chamberlain (Arsenal). Raheem Sterling (Liverpool). Jordan Henderson (Liverpool). Adam Lallana (Southampton)

Avançados: Wayne Rooney (Manchester United). Daniel Sturridge (Liverpool). Rickie Lambert (Southampton). Danny Welbeck (Manchester United)

Stand-by: John Ruddy (Norwich). John Stones (Everton). Jon Flanagan (Liverpool). Tom Cleverley (Manchester United). Michael Carrick (Manchester United). Jermain Defoe (Toronto). Andy Carroll (West Ham)

BPF - Não nos vamos alongar porque a seu tempo faremos as nossas considerações sobre quais seriam os 23 britânicos que chamaríamos para o Brasil. De certa forma surpreende um pouco que Ruddy, guarda-redes do Norwich, fique de fora, embora o titular indiscutível seja Hart, e tanto Fraser Forster como Ben Foster merecem a confiança. Até ontem ainda havia dúvidas sobre se Hodgson levaria Ashley Cole ou Shaw mas depois de Ashley Cole se retirar da Selecção após conversa com o seleccionador, ficou garantido que Luke Shaw seria justamente levado ao Mundial (ainda assim, Baines será titular).
    Destaque para o facto de Hodgson confiar na juventude e em jogadores que estiveram em grande plano na Premier League esta temporada: tanto Shaw (18 anos) como Ross Barkley e Sterling. O duo do Arsenal, Oxlade-Chamberlain e Wilshere, tem estado lesionado mas a sua qualidade vale o risco. É importante ainda referir que, como era de esperar, o Southampton vê premiada a sua excelente campanha com 3 jogadores convocados - Shaw, Lallana e Lambert -, sendo Adam Lallana aquele que pode ter maiores aspirações a ser titular, e sendo tudo isto um presságio ou reforço de que Shaw e Lallana abandonarão o seu clube neste defeso.
    Por fim, referência ainda à chamada de Lampard (bastante discutível dada a sua época, para além do facto de uma Selecção não resultar com Gerrard e Lampard no onze) e para o facto do Manchester United conseguir, mesmo apesar da má época, 4 jogadores nos 23 de Inglaterra. Rooney é a figura de Inglaterra e tinha que estar, Phil Jones é aceitável, mas Welbeck e sobretudo Smalling são claramente mais discutíveis, embora já fosse expectável que figurassem. Nota ainda para o facto do bom final de época de Stones e Flanagan ser premiado com um lugar na lista de stand-by.

PS: Kyle Walker é uma das grandes ausências da lista. A seu tempo perceberemos se se trata de uma ausência por opção ou porque a lesão é extensa o suficiente para o impedir de competir no Brasil. A ser por opção, achamos que meio Walker é superior a Glen Johnson.

Prémios BPF Premier League 2013/ 14

    The one that got away. Será assim que os adeptos do Liverpool, Steven Gerrard e Luis Suárez recordarão muito provavelmente esta Premier League. Bem nivelada por cima, a melhor liga do mundo foi mais uma vez fantástica e com o campeão a decidir-se apenas na última jornada. Um Super-Liverpool, um Manchester City que acabou por cumprir a sua obrigação, um grande Arsenal até à derrocada, um refinado Everton muito forte e talhado para os jogos cabeça-de-cartaz, um Chelsea choramingão com um Mourinho que teve mais medo de perder do que fome de ganhar, um entusiasmante Southampton, uns "milagrosos" Crystal Palace e Sunderland, e um Manchester United perdido, apagado e órfão da maior figura do clube nas últimas décadas: Sir Alex Ferguson. A emoção foi o elemento constante da primeira à última jornada, com jogos cheios de golos e várias goleadas. Ficarão na memória de muitos, por exemplo, o Everton 3-3 Liverpool, o Crystal Palace 3-3 Liverpool, o Liverpool 3-2 Manchester City ou as goleadas impostas pelos citizens e reds em várias jornadas. Só na Premier League é que podíamos assistir a jogos como o Manchester City 6-3 Arsenal ou Cardiff 3-6 Liverpool. E o mais impressionante é que se nos perguntarmos se é possível para o ano ser ainda melhor, acreditamos que possa ser.

    Estreamos esta temporada os nossos prémios para a Premier League, nos quais avaliaremos posição a posição os melhores do ano, distinguindo ainda os melhores Jogador, Jovem Jogador e Treinador, acrescentando alguns prémios anexos.

Guarda-Redes: Nesta temporada não houve um guardião que se destacasse de forma avassaladora da concorrência. Tim Howard e Begovic (talvez o melhor GR de 2012/ 13) estiveram em grande plano, Szczesny estava a ser o melhor GR da competição quando o Arsenal respirava saúde e confiança, e o argentino Speroni foi fundamental no incrível registo defensivo do Crystal Palace com Tony Pulis. A nossa escolha recaiu sobre Petr Cech, elemento-chave em estabelecer o Chelsea de Mourinho como a melhor defesa da Premier League. Menções honrosas para Krul (conseguiu a melhor exibição de um GR esta época, frente ao Tottenham), não foi por Ruddy e Marshall que Norwich e Cardiff desceram, Mannone foi importante na manutenção do Sunderland e se não fosse De Gea, o cenário actual do United poderia ser pior.

Lateral Direito: Sem margem para dúvidas, Seamus Coleman foi o lateral direito desta Premier League. Com enorme impacto nos 2 lados do campo, um pulmão para dar e vender e intensidade do primeiro ao último minuto de cada jogo, foi determinante na boa época do Everton. Evoluiu a olhos vistos e amealhou ainda 6 golos (alguns decisivos). A fazerem-lhe companhia estão Ivanovic, Joel Ward (o polivalente jogador do Crystal Palace jogou esta temporada a lateral direito, esquerdo e médio centro), Zabaleta e o holandês Leandro Bacuna, que alternou entre a defesa e o meio-campo, sempre na faixa direita. 

Defesa Central (Lado Dto.): Embora para nós Kompany seja o melhor defesa da Premier League, este ano não surge entre as nossas opções. Foi menos preponderante que noutras épocas e praticamente não jogou até à 14.ª jornada. Em todo o caso, Martin Skrtel foi claramente o destaque da posição. Com um por vezes desastrado Sakho ao seu lado, Skrtel valeu diversas vezes por 2 centrais e juntou a um impecável posicionamento e domínio do jogo aéreo a sua importância no plano ofensivo. Marcou 7 golos sendo o defesa da Premier com mais golos, e ficando no seu clube apenas atrás de Suárez, Sturridge, Gerrard e Sterling. Gary Cahill foi um porto seguro do Chelsea, Mertesacker teve um grande ano, o capitão Caulker deu tudo o que tinha para segurar o Cardiff no primeiro escalão e o nosso José Fonte fecha as opções.

Defesa Central (Lado Esq.): A qualidade foi menor a nível de defesas centrais do lado esquerdo, mas o francês Koscielny foi claramente o melhor jogador nesta posição. Determinante ao longo de toda a época, esteve "no ponto" a ler o jogo a partir de trás, antecipando-se como poucos e dobrando os seus colegas, multiplicando-se tanto nas suas acções como nos elogios que merece. Lovren, Terry, Distin e Vlaar foram os restantes 4 jogadores que escolhemos.

Lateral Esquerdo: Uma posição com pelo menos 3 jogadores em grande plano. Azpilicueta cresceu imenso como jogador (e do lado esquerdo!) sob o comando de Mourinho, justificando plenamente o lugar de Ashley Cole no banco e a dúvida recairia sempre entre Baines e Shaw, os 2 laterais esquerdos que Hodgson deveria justamente levar ao Mundial. Luke Shaw (apenas 18 anos) tornou-se muito consistente, forte defensivamente mas aquilo que vimos dele - embora tenha sido já incrível - é apenas um átomo perante todo o potencial que ainda está por explorar, e vai certamente explodir nas 2 próximas épocas. Assim, acabámos por optar por Leighton Baines, sempre fundamental na manobra ofensiva do Everton - forte a cruzar, a defender, a desmontar defesas, a bater livres. No entanto, acreditamos que para o ano Baines perderá para Shaw. Evra e o galês Ben Davies ocupam os últimos 2 lugares.

Extremo Direito: Embora seja um vagabundo no meio-campo ofensivo de Pochettino, considerámos Adam Lallana médio/extremo direito para o encaixar no onze da temporada. Um dos jogadores com mais técnica e melhor jogo de pés na presente Premier League, o capitão dos saints fez uma época memorável. Golos, assistências e muita magia saída dos seus pés. Dificimente o Southampton o segurará. Mirallas esteve bem (ainda pode dar mais), Puncheon fez um final de época impressionante, Ramires foi muitas vezes colocado no lado direito do meio-campo nos jogos mais difíceis e Adam Johnson teve também o seu período.

Médio Centro: No conjunto de médios centro de características mais defensivas, o eleito só poderia ser Steven Gerrard. O capitão do Liverpool foi um dos jogadores do ano, a serenar a equipa - a nível anímico e futebolístico. Uma lenda em campo, um capitão como há muito poucos. James McCarthy foi um jogador silencioso mas incrível no Everton de Roberto Martínez, onde Gareth Barry também brilhou no 4-2-3-1 dos toffees; Fernandinho justificou a sua contratação e Jedinak foi um dos médios que mais deu gosto ver esta época, a nível de recuperação de bolas e posicionamento.

Médio Centro: Abram alas para o melhor jogador da Premier League, a seguir a Suárez. Yaya Touré! O médio da Costa do Marfim foi o jogador mais importante dos campeões ingleses, conseguindo uns históricos 20 golos (pensar que o Barcelona o usava ocasionalmente a central..). Foi a melhor época da sua carreira, um "Monstro" autêntico. No conjunto de médios centro que pisaram terrenos mais adiantados, Jordan Henderson foi notável (a recuperar, a transportar, a contribuir a nível de último passe e com alguns golos); Ross Barkley deu os primeiros sinais do extraordinário jogador que vai ser; se Aaron Ramsey não se tivesse lesionado seria garantidamente um dos maiores destaques da época; e, por fim, entre Sidwell e Delph optámos por dar o último lugar ao médio do Fulham. 

Extremo Esquerdo: Mais uma posição em que não há dúvidas. Eden Hazard fez a sua melhor temporada em Inglaterra, Mourinho tornou-o um jogador diferente (diminuiu as suas assistências, melhorou a finalização) mas é apenas uma questão de tempo para produzir ainda mais por época e integrar o lote mais restrito de melhores do mundo. David Silva deu gosto ver, como sempre, Eriksen foi o único jogador que se aproveitou na época do Tottenham. Para além destes elementos, escalámos Raheem Sterling e Coutinho. Os 2 jogadores do Liverpool surgem na mesma posição pela necessidade de os colocar em alguma slot e também demonstrando a total dinâmica do ataque do Liverpool. Que época de Sterling, que classe e técnica de Coutinho!

Avançado: Faltam palavras para descrever a temporada 2013/ 14 de Luis Suárez. O uruguaio falhou os primeiros 5 jogos mas nem isso o impediu de ser o melhor marcador e jogador do campeonato. Incrível na finalização, único na técnica e na recepção orientada, forte nas bolas paradas e nos grandes golos. Suárez evoluiu como profissional de futebol e pessoa, interessando-se apenas pelo jogo. Que ninguém o tire do Liverpool, porque temos uma lenda de Anfield a consumar-se. A fazer companhia ao craque uruguaio, Jay Rodríguez (tremendamente injusta a sua lesão porque merecia ir ao Mundial), Rooney (salvou-se ele, De Gea e a aparição de Januzaj na péssima temporada do United), Agüero (é tacticamente o jogador mais importante do City e se não fossem as lesões, talvez fosse ele a ficar perto de Suárez no troféu de Jogador do Ano) e, por fim, Rémy.

Avançado: No conjunto de avançados mais posicionais, Daniel Sturridge facilitou-nos e bem a tarefa. Era inevitável optarmos pela dupla de avançados do Liverpool. Foi a melhor época da carreira de Sturridge e será interessante ver se consegue manter este nível ou melhorá-lo em 2014/ 15. Lambert (melhor quando com Jay Rodriguez perto de si), Lukaku (que destino no próximo ano?), Bony (melhor swan do ano) e Dzeko (preponderante na recta final da época) completam esta shortlist.

    Na distinção individual mais significativa da época, os nossos 6 eleitos foram curiosamente os mesmos da Associação de Futebolistas Profissionais, em Inglaterra. Sturridge tinha que estar, Lallana também, Hazard idem aspas. O capitão do Liverpool merecia esta Premier League, Yaya Touré conseguiu ser o único jogador minimamente perto do nível apresentado por Suárez e, por isso mesmo, o uruguaio era a escolha evidente. Suárez foi um diabo à solta em terras de Sua Majestade, e foi inclusive um dos melhores jogadores do mundo nesta temporada.

    Na distinção de Jovem Jogador do Ano, o critério utilizado aqui no BPF entende como "jovens" os jogadores até (inclusive) 22 anos de idade. Por isso mesmo, comparativamente com os candidatos da FPA, não surgem na nossa lista Hazard, Sturridge e Ramsey. Precisamente por isto, Luke Shaw foi para nós o jovem jogador de 2013/ 14. É importante recordarmos que Shaw tem apenas 18 anos, por incrível que pareça quando o vemos jogar. Não se vêem jogadores a defender tão bem e a apresentar tanta consistência em tão tenra idade. O futuro reserva-lhe um lugar na História, e vai explodir a curto-prazo. Os companheiros de Shaw são Sterling, Barkley acrescentando ainda Ben Davies, Berahino (merecia mais minutos no WBA) e Januzaj (incrível como tão jovem carregou o United a dada altura).

Treinador do Ano: Foi difícil escolher porque houve vários técnicos (4 sobretudo) merecedores de destaque nesta Premier League mas Brendan Rodgers foi o nosso eleito. Está a ser incrível o seu trabalho no crescimento do Liverpool, e foi notável principalmente o futebol que conseguiu pôr os reds a praticar (de acordo com o ADN do clube), combinando isso com regularidade a nível de resultados, fazendo vários jogadores crescer, e conseguindo disputar o campeonato contra City e Chelsea, com plantéis com mais opções e mais dinheiro. Tony Pulis fez um milagre autêntico ao conseguir um salto brutal do Palace a partir do momento em que assumiu o comando técnico; Martínez é um dos treinadores mais inteligentes da Premier e o seu bom e marcante trabalho ainda agora começou em Goodison Park; Pochettino colocou o Southampton a jogar um futebol de excepção e seria bom - mas é difícil - que o clube o conseguisse manter. Por fim, o último lugar entregámo-lo ao campeão Pellegrini. É certo que tinha mais do que obrigação de vencer, mas acreditamos que se fosse Mancini o treinador do City, este campeonato teria ido parar às mãos de Gerrard e do Liverpool. Mourinho desapontou-nos, sempre muito choramingão, embora tenha conseguido fazer 12 pontos em 12 possíveis frente a Liverpool e City; Gus Poyet conseguiu dar boa resposta à faixa "Miracles happen, Gus", o Sunderland salvou-se à la Premier mas com o plantel ao seu dispor a manutenção deveria ser um objectivo alcançado há mais tempo.

Clube-Sensação: Southampton
Most Improved Player: 1. Seamus Coleman, 2. Jordan Henderson, 3. Aaron Ramsey
Golo do Ano: Jack Wilshere (Arsenal 4-1 Norwich) (Link)



To follow is to love. A Premier League voltará para o ano, e a equipa do Barba Por Fazer voltará a acompanhar bem de perto o campeonato mais apaixonante do planeta.