Balanço Final - Liga NOS 18/ 19

A análise detalhada ao campeonato em que houve um antes e um depois de Bruno Lage. Em 2018/ 2019 houve Reconquista.

Prémios BPF Liga NOS 2018/ 19

Portugal viu um médio carregar sozinho o Sporting, assistiu ao nascer de um prodígio, ao renascer de um suiço, sagrando-se campeão quem teve um maestro e um velocista.

Balanço Final - Premier League 18/ 19

Na melhor Liga do mundo, foram 98 contra 97 pontos. Entre citizens e reds, entre Bernardo Silva e van Dijk, ninguém merecia perder.

Os Filmes mais Aguardados de 2019

Em 2019, Scorsese reúne a velha guarda toda, Brad Pitt será duplo de Leonardo DiCaprio, Greta Gerwig comanda um elenco feminino de luxo, Waititi será Hitler, e Joaquin Phoenix enlouquecerá debaixo da maquilhagem já usada por Nicholson ou Ledger.

21 Novas Séries a Não Perder em 2019

Renasce The Twilight Zone, Ryan Murphy muda-se para a Netflix, o Disney+ arranca com uma série Star Wars e há ainda projectos de topo na HBO e no FX.

25 de abril de 2014

Garay e Lima deixam Benfica em vantagem para chegar a Turim

Benfica  2 - 1  Juventus (Garay 3', Lima 84'; Tévez 73')

    O Benfica sobreviveu ao maior desafio táctico que enfrentou desde que Jorge Jesus é treinador dos encarnados e conseguiu vencer a Juventus por 2-1 num jogo sofrido. A equipa da casa dominou as acções durante os primeiros 25 minutos mas a partir daí houve sempre mais Juventus, com a cultura táctica do 3-5-2 italiano a baralhar as movimentações e as sucessivas dobras dos encarnados. O 2-1 é um resultado perigoso sim, mas é evidentemente melhor que o 1-1 que se verificava até Lima fazer balançar as redes de Buffon pela 2.ª vez.
    Foi um desfile de estrelas que hoje passou pelo relvado da Luz. Os adeptos benfiquistas puderam ver os históricos Pirlo e Buffon, e o promissor Pogba (já não é uma promessa, é uma certeza), mas melhor que isso puderam festejar uma saborosa vitória. Jesus, não podendo contar com Salvio - como acontecerá até ao fim da época -, Gaitán e Fejsa (que tanto jeito dariam para este jogo) optou por colocar Sulejmani no flanco esquerdo, com André Gomes e Enzo a terem que se desdobrar em acções, e Rodrigo perto de Cardozo. A grande ausência da Vecchia Signora foi Arturo Vidal. O jogo teve o melhor arranque possível para os encarnados. Galvanizados pela recente apoteose no Marquês, bastaram 3 minutos para o Estádio da Luz explodir novamente. Sulejmani cruzou a partir de um canto e Garay elevou-se cabeceando sem hipóteses de defesa para o 1-0. Corrijo: perante um guarda-redes "normal" aquela bola seria indefensável, mas Buffon ainda ficou muito perto de defender, tocando inclusive no esférico. O Benfica mostrou à Juventus quem mandava na Luz, André Gomes (novamente com intensidade, como sempre nos grandes palcos, jogos e momentos de grande peso) conseguiu ombrear nos primeiros instantes ganhando alguns duelos a Pogba e, com uma pressão alta colectiva e um atrevimento que talvez a Juventus não esperasse, o 2-0 ficou muito perto de acontecer. Luisão fez um corte gigantesco junto à sua área, Markovic disparou e correu muitos metros até soltar para Sulejmani. O compatriota de Lazar acabou por não dar a melhor sequência à brilhante jogada e desperdiçou um excelente lance. O progressivo desnorte de André Gomes pareceu contagiar a equipa e a Juventus começou a assumir o controlo do jogo. O esquema da Juve obrigava Enzo Pérez a uma constante difícil leitura do jogo, mas o craque argentino esteve sempre perfeito, embora Sulejmani (mal a decidir no ataque, muito lento, e a pecar na ajuda à defesa) e André Gomes (por vezes demasiado colado a Pogba, embora talvez por indicações de J. Jesus) não estivessem ao nível dos restantes colegas. A defesa do Benfica ia-se apresentando exímia - Luisão e Garay acumularam intervenções decisivas, Siqueira conseguiu sair a jogar pelo seu flanco por várias ocasiões - e na frente Cardozo ia-se revelando importante ao segurar pelo menos 2 dos 3 homens mais recuados. Ao ritmo de Pirlo e com Tévez sistematicamente a procurar aparecer em zonas de finalização, a Juventus foi crescendo mas a 1.ª parte terminou com muito sofrimento das águias, que a partir dos 25 minutos nunca conseguiram encaixar-se e perceber as várias nuances tácticas da perspicaz Juventus. Tévez ia sendo o principal destaque ofensivo, a dar muito trabalho, tendo ficado "no bolso" de Enzo Pérez num lance cuja garra do camisola 35 merecia uma vénia. Em nota de rodapé, o árbitro turco ia-se revelando tendencioso a favor da equipa italiana, com bastante incoerência nas suas decisões.
    Na 2.ª parte a Juventus manteve o controlo das operações e Pogba cabeceou com perigo para uma defesa apertada de Artur. O guarda-redes brasileiro assustou os adeptos ao ir atrás de Tévez, mas conseguiu impedir o golo de Pogba depois de um cruzamento do argentino. Aos 57' ficou por marcar uma grande penalidade favorável ao Benfica. Enzo Pérez fez um túnel ao uruguaio Caceres e acabou derrubado pelo mesmo (houve deslocação de Caceres para impedir a progressão de Enzo, e com o critério que o árbitro estava a adoptar, tinha que ser penalty). A Juve continuava a ficar sucessivamente perto do golo, Maxi ainda salvou um golo eminente, mas aos 73 o empate aconteceu mesmo. Marchisio abriu bem em Asamoah, o ganês atrasou para Tévez e o argentino tirou 3 jogadores do seu caminho com um simples toque, finalizando depois para êxtase dos tristes adeptos italianos (lamentável como só puxaram pela sua equipa quando Tévez marcou, e nos minutos seguintes). Jesus foi mexendo bem na equipa, interpretando as necessidades e, imaginamos, respeitando mais ou menos a estratégia que tinha pré-definida e sucessivamente entraram André Almeida, Lima e Ivan Cavaleiro para os lugares de Sulejmani, Cardozo e André Gomes. O golo da vitória chegou então 10 minutos depois do golo de Tévez: Enzo Pérez foi determinante com a sua combinação com Maxi, tal como Ivan Cavaleiro que com uma simulação permitiu uma bomba de Lima. Golaço do homem do título, cujos índices de confiança estarão neste momento nos píncaros. Um tiro fortíssimo de pé direito, sem hipóteses para Buffon. Puxou o pé atrás e disse 'cá vai disto'. Nos minutos finais, com o Estádio da Luz empolgado, o Benfica procurou o 3-1, Markovic ficou perto de o conseguir, mas o apetite encarnado expôs a equipa atrás valendo então Artur a negar por mais do que uma vez o golo a Marchisio. A acabar a partida, Cavaleiro podia ter-se tornado capa de jornal de amanhã mas faltou-lhe pé esquerdo após uma boa jogada.

    Evidentemente 2-1 é um resultado perigoso, mas foi justo atendendo ao que aconteceu. O Benfica não dominou (afinal de contas, estava do outro lado a Juventus) mas foi eficaz. Considerando os esquemas tácticos de ambas as equipas e os intervenientes, reforçamos que esta eliminatória representa o maior desafio que o Benfica de Jesus já teve. Já defrontou equipas superiores, mas nunca uma equipa tão... diferente. O melhor para o Benfica será descansar plantel no jogo de Domingo com o Porto (colocar uma 2.ª ou 3.ª linha, uma mistura de suplentes com elementos da equipa B) porque a 2.ª mão será épica, muito difícil mas o Benfica é capaz de chegar à final, que se jogará precisamente no estádio da próxima quinta-feira.
    Na Juventus, Pirlo (não fez o que quis do jogo, os passes nas costas da defesa não criaram perigo, mas distribuiu como ninguém) e Tévez foram os principais destaques. Lima está a atravessar um momento incrível, Siqueira continua a justificar a contratação e Enzo Pérez fez mais um jogo que não terá deixado indiferentes os vários olheiros presentes na Luz. Os melhores foram Luisão e Garay mas, uma vez que o central argentino marcou, pende a balança para o seu lado.
    Uma grande noite europeia. Quinta-feira é dia de procurar um lugar na História.

Barba Por Fazer do Jogo: Ezequiel Garay (Benfica)
Outros Destaques: Luisão, Siqueira, Enzo Pérez, Lima; Pirlo, Tévez

    Na outra meia-final, o Sevilha derrotou o Valência por 2-0. Beto, Daniel Carriço e Diogo Figueiras foram titulares. Rakitic e companhia partem como favoritos para chegar à final, mas uma vez que o Valência ganhou 5-0 ao Basel em sua casa depois de perder 3-0 fora, veremos o que acontece. Os golos foram marcados aos 33' e 36', o 1.º por Mbia de calcanhar (embora em fora-de-jogo) e o 2.º por Bacca numa boa jogada com Vitolo.

23 de abril de 2014

Golo de Benzema e Super-Modric deixam Real em vantagem contra Bayern

Real Madrid  1 - 0  Bayern Munique (Benzema 19')

    Guardiola não conseguiu ser feliz em Madrid, como tantas vezes foi quando treinava o Barcelona, e o Real Madrid de Carlo Ancelotti levou a melhor na 1.ª mão da "super" meia-final da Champions. Ontem, também em Madrid, Atlético e Chelsea empataram a zeros, o que faz do golo de Karim Benzema o único golo marcado nos 2 jogos tão aguardados. Cristiano Ronaldo regressou da sua lesão, embora se tenha visto que ainda não está a 100%, Gareth Bale ficou "guardado" no banco e o Bayern teve uma esmagadora posse de bola pertencendo, no entanto, as melhores ocasiões de golo ao clube merengue, que busca a 10.ª Champions League.
    Howard Webb apitou para o começo do jogo e desde cedo se percebeu o que teríamos: esmagadora posse de bola do Bayern e o Real sem bola num 4-4-2 (Ronaldo e Benzema mais soltos) com as linha defensiva e a de meio-campo muito próximas e em pressão constante para que mal se desse a recuperação de bola, o contra-ataque saísse em velocidade-cruzeiro. O Bayern teve as primeiras ocasiões, com Robben bastante interventivo, mas aos 19' o Real marcou. A equipa merengue recuperou uma bola no seu meio-campo, Ronaldo lançou a corrida de Fábio Coentrão com um passe milimétrico e o lateral português cruzou para Benzema, que só teve que encostar. Um contra-ataque perfeito. A especialidade da casa no Santiago Bernabéu. Os minutos seguintes continuaram a mostrar um Bayern com muita bola, mas sem conseguir fazer nada com ela, e foi inclusive o Real Madrid a ficar perto do golo. Primeiro foi Cristiano Ronaldo a desperdiçar um excelente passe de Benzema, rematando muito por cima; depois Di María imitou o português rematando para cima em plena grande área e com Benzema em melhor posição.
    Na 2.ª parte, mais do mesmo. O Real conseguiu continuar a criar problemas nos espaços em que tinha a bola e Cristiano Ronaldo proporcionou a Neuer uma das defesas da noite num remate cruzado. O português, sem estar a 100%, ainda fez Neuer ceder canto depois de um remate fortíssimo e, do outro lado, a defesa do Real Madrid limpava qualquer tentativa de colocar a bola em Mandzukic. Coentrão e Carvajal mantinham-se a conseguir anular os alas Robben (caiu de produção na 2.ª parte) e Ribéry e o meio-campo merengue ia fechando todos os caminhos para a baliza de Casillas. Emergia, como de resto durante os 90 minutos, Luka Modric de longe como o melhor em campo. O médio croata recuperou bolas, temporizou, pressionou, colocou a bola à distância, desmarcou colegas, foi um gigante jogando por ele e por mais 2. Pepe (monstro no jogo aéreo) saiu lesionado, numa altura em que os treinadores mexeram nas suas equipas, entrando em campo Götze, Müller e Gareth Bale. O galês substituiu Ronaldo e conseguiu aterrorizar a defesa alemã com a sua velocidade impressionante. Götze, que entrara para o lugar de Ribéry, teve nos pés a melhor ocasião do Bayern - aos 84 minutos - mas Iker Casillas disse presente e negou o golo com uma boa intervenção. Nos minutos finais o Real conseguiu ter mais bola em alguns momentos, Bale continuou a tentar o 2-0, Di María (mais um grande jogo de um dos jogadores que mais evoluiu em 2013/ 14) acabou com a língua de fora e Xabi Alonso (hoje acima do seu nível habitual nos grandes jogos, nos últimos 2 anos) evitou o golo de Müller nos instantes finais com um grande corte. Nota para a boa arbitragem de Howard Webb, a deixar jogar, não se registando casos. Os jogadores também ajudaram.

    O 1-0 de hoje é uma vantagem muito importante para o Real Madrid. Os merengues, com uma exibição perfeitamente demonstrativa da influência de Ancelotti nesta época, viajarão à Alemanha e com Ronaldo (daqui a 1 semana deverá estar melhor), Bale, Benzema, Di María e Modric, têm todas as condições para conseguir marcar fora. O Bayern teve muita bola mas, à excepção de Kroos e sobretudo Philipp Lahm, a equipa não esteve bem. Lahm, um jogador ao qual a História não fará justiça. No Real os laterais estiveram incríveis: Carvajal tem que ir ao Mundial e Coentrão jogou ao nível a que é expectável que se apresente no Brasil por Portugal. Pepe anulou Mandzukic por completo, Di María manteve o nível desta época embora vacilando na frente, Isco correu como nunca mas com bola não esteve bem e Benzema apareceu no sítio certo para marcar o único golo do jogo.
    Luka Modric foi, ainda assim, o melhor em campo. Se não fosse ele, seria Fábio Coentrão. O croata esteve em todo o lado, fez tudo bem e conseguiu uma das melhores exibições da carreira, tendo em conta a dimensão do jogo. Xabi Alonso foi, como acima referido, uma agradável surpresa considerando que normalmente a sua menor capacidade física fica patente nestes grandes jogos. Não foi o caso.
    Na próxima semana há mais Champions, e até poderemos ter no Estádio da Luz Mourinho a defrontar o Real Madrid. Aguardemos por 3.ª e 4.ª feira.

Barba Por Fazer do Jogo: Luka Modric (Real Madrid)
Outros Destaques: Casillas, Carvajal, Pepe, Fábio Coentrão, X. Alonso, Benzema; Neuer, Lahm, Kroos

22 de abril de 2014

Atlético e Chelsea ficam-se a zeros

Atlético Madrid  0 - 0   Chelsea

    Há alguns 0-0 que marcam quem assiste, que preenchem o "coração futebolístico" do vulgar adepto. Às vezes por monumentais exibições dos guarda-redes, porque os postes fizeram o seu trabalho ou porque, embora as equipas tenham criado inúmeras oportunidades e jogado bom futebol, não era o dia deles. Hoje, o 0-0 não foi um desses bons casos. José Mourinho "trancou" a sua equipa atrás e conseguiu um bom resultado dadas as ausências de Hazard e Eto'o (por lesão), Ivanovic (suspenso) e considerando ainda que perdeu durante o jogo Petr Cech. Este Atlético-Chelsea era um jogo bastante aguardado, após um sorteio que tinha ditado o confronto entre as duas equipas mais fortes ofensivamente (Real e Bayern) e aquelas que melhor defendem e são fisicamente mais fortes, as de hoje.
    Nas escolhas das suas equipas, Simeone deixou o português Tiago no banco, optando por Mario Suárez e colocou Diego no apoio ao avançado Diego Costa. Mourinho foi para o jogo para, primeiro que tudo, não sofrer e lançou Ashley Cole na esquerda, uma vez que coube a Azpilicueta regressar à sua posição de origem na ausência de Ivanovic; Ramires jogou do lado direito (opção típica de Mourinho nos grandes jogos), David Luiz e Lampard estiveram à frente da defesa e Fernando Torres (a regressar à casa onde nasceu para o futebol) foi o avançado escolhido. O jogo começou com as duas equipas a não quererem cometer erros, e o primeiro destaque foi mesmo a lesão de Petr Cech aos 14 minutos. Num canto, David Luiz lesionou indirectamente o seu guarda-redes num lance dominó. O central brasileiro empurrou Raúl García e o espanhol provocou a lesão do guardião checo. Toda a 1.ª parte foi fraca, com Courtois e o substituto Schwarzer a não terem praticamente trabalho. Juanfran fez um péssimo primeiro tempo, e Koke esteve a anos-luz do seu melhor futebol. Por essa altura, antes do apito de Jonas Eriksson para o intervalo, Cahill e Terry (e também David Luiz, uns metros mais à frente) iam-se projectando como os principais intervenientes, ao impedirem Diego Costa e os aguerridos médios do Atlético de criar qualquer real perigo.
       O Atlético regressou dos balneários com maior intensidade e declarando em campo querer assumir o jogo, mas o Chelsea agradeceu sempre o estilo de jogo directo que os colchoneros acabaram por se ver obrigados a produzir. Mérito da defesa do Chelsea e do seu meio-campo (obviamente hoje Mourinho não seria capaz de reconhecer que, tal como há uns meses apontou ao West Ham, praticou "futebol de século XIX") e demérito para Simeone que, aos 60 minutos, retirou de campo aquele que estava a ser o único jogador capaz de baralhar as marcações aos blues - Diego. O brasileiro estava a aparecer entre linhas e a arriscar no remate de meia distância, mas Simeone quis lançar Arda Turan. Uma alteração que deveria estar já à priori escalada na estratégia de jogo. O Atlético manteve a aposta no jogo directo, com Gary Cahill e John Terry a controlarem qualquer tráfego aéreo existente e Schwarzer a apresentar grande tranquilidade. No outro lado, a "ilha" Fernando Torres bem tentava criar alguns problemas com as suas movimentações, servido por Ramires e Willian, mas quando conseguiu rematar, Courtois nem precisou de se mexer. Aos 75' o Chelsea bem pôde agradecer a Eriksson quando este perdoou o 2.º amarelo a Lampard, e acabou a mostrar cartões a Mikel e Gabi. Isto momentos depois de Mourinho ter-se visto obrigado a retirar Terry de campo, lesionado, recuando D. Luiz para central, Ramires para o duplo pivô e lançando Schürrle para a ala. Os minutos finais deram-nos mais um de tantos cabeceamentos, neste caso de Arda Turan, a ficar perto do golo.

    Esperava-se um jogo fechado, mediante o facto de estarem em campo as duas equipas da Champions que melhor defendem mas o nulo, totalmente ajustado face ao que (não) aconteceu, teve origem no facto do Chelsea nunca ter querido controlar o jogo. O Atlético teria hoje mais probabilidade de ganhar caso tivesse defrontado Bayern ou Real Madrid, por serem equipas que assumem o jogo e querem ter a bola, uma vez que é precisamente contra estas equipas (veja-se a eliminatória com o Barcelona) que os colchoneros de Simeone brilham mais. Em todo o caso, a eliminatória está totalmente em aberto. Esperemos, para bem do futebol, que na 2.ª mão já haja Eden Hazard e que o jogo seja mais aberto.
    A nível individual não se pode dizer que tenha havido qualquer destaque ofensivo. Diego estava a ser o único num nível decente, mas saiu cedo. Godín e Filipe Luís estiveram bem, Miranda (um dos melhores centrais em 2013/ 14) também mas já o vimos melhor e Juanfran, sobretudo na 1.ª parte, fez praticamente tudo mal. No Chelsea, Azpilicueta deu sequência à sua excelente época, David Luiz voltou a apresentar bons índices físicos e tácticos no meio-campo, o capitão John Terry "limpou" tudo o que apareceu na sua área mas muito graças ao seu companheiro - Gary Cahill. Mais uma grande exibição daquele que é um dos melhores centrais actualmente a nível de jogo aéreo. Excelente posicionamento e antecipação nas alturas, ao nível do que fizera no início de época na supertaça entre Chelsea e Bayern.
    Quarta-feira há mais e esperemos que com mais golos e emoções ao nível das dos quartos-de-final.


Barba Por Fazer do Jogo: Gary Cahill (Chelsea)
Outros Destaques: Terry, Azpilicueta, David Luiz; Filipe Luís, Godín, Mario Suárez

Manchester United despede David Moyes (Giggs fica treinador interino)

 Manchester United - Confirmaram-se hoje os rumores que ontem avançavam com a eminente rescisão de David Moyes com o clube de Old Trafford. A direcção do Manchester United colocou um ponto final no trabalho do treinador escocês, terminando um contrato que tinha sido assinado com vista a perdurar durante, pelo menos, 6 épocas (até 2019). Ryan Giggs, lenda viva do ainda campeão em título, que tinha sido este ano promovido a treinador adjunto - tarefa acumulada com a sua função de jogador - assumiu para já o comando dos red devils, ficando como treinador interino até nova decisão.

    BPF - Não podemos dizer que David Moyes foi o Paulo Fonseca de terras de Sua Majestade porque isso seria um tremendo elogio para Fonseca, mas foram 2 casos com algumas semelhanças. Moyes, depois de longo período a servir o Everton, deu o salto mas não conseguiu corresponder às expectativas. O 1.º problema era evidente: suceder a Sir Alex Ferguson. David Moyes foi, no entanto, escolhido a conselho do seu mítico antecessor. Um treinador escocês, tal como Ferguson, e que se aproximava do perfil do inigualável "timoneiro", mostrando regularidade e capacidade no Everton entre 2002 e 2013.
    Se, por exemplo, no caso de André Villas-Boas, o despedimento foi um movimento pouco reflectido e do qual hoje Daniel Levy talvez se arrependa; no caso de David Moyes (e aí sim, há semelhanças com a forma como a Direcção portista actuou com Paulo Fonseca) a ligação durou tempo demais, prolongou-se algo que parecia inevitavelmente destinado ao fracasso. O timing podia ter sido outro, embora a época já não se salvasse certamente. Em defesa de David Moyes, apenas há uma "pequena" grande coisa. O actual plantel do Manchester United é um plantel fraco e desequilibrado e o próximo treinador terá obrigatoriamente que contar com vários reforços, operando uma revolução. O mal do colosso inglês foi ter um treinador que ganhava campeonatos por ser quem era, uma lenda capaz de levantar troféus com jogadores como Carrick, Fletcher ou antes disso O'Shea e Wes Brown.

    Relativamente ao futuro técnico, há uma imediata questão a ter presente. O Manchester United viverá em 2014/ 2015 uma época decisiva, na qual precisará de mudar muita cosia mas tendo um grande tendão de aquiles: terá que atrair jogadores de grande qualidade sem ter uma competição europeia para disputar. O projecto terá que ser capaz de aliciar os melhores, retirando-os de palcos europeus. É evidente que a defesa do United - de longe o sector mais fraco - terá que ser reforçada. De Gea tem evoluído muito entre os postes mas nunca conta com um quarteto sólido à sua frente (Ferguson colocava qualquer conjunto de 4 jogadores e ganhava o jogo, com Moyes nunca foi assim). Num cenário ideal chegariam 4 novos defesas. No entanto, pode acontecer que o próximo técnico aposte em Phil Jones colocando ao seu lado um novo patrão da defesa, a lateral-direita urge reforço (Seamus "Goalman" Coleman?) e a lateral-esquerda ídem aspas caso Evra rume a outras paragens. Leighton Baines, Luke Shaw (também cobiçado pelo Liverpool) e Fábio Coentrão serão os 3 jogadores mais associados, embora acreditemos que a reputação de Ricardo Rodríguez (Wolfsburgo) dispare depois do Mundial 2014 ao serviço da selecção helvética. Tal como a defesa, também o meio-campo precisa de caras novas: há criatividade mas não há jogadores que dão títulos. Uma consistência e inteligência táctica que elementos como Kroos, Strootman ou Enzo Pérez conferem. William Carvalho assentaria que nem uma luva. No ataque existindo Rooney, Mata, Van Persie e Januzaj a coisa compõe-se mas ainda assim é provável que - visto que deverá haver "vassourada" no plantel - surjam rumores relativos a jogadores com o perfil de Adam Lallana ou Marco Reus.
    Para já ficará Ryan Giggs a comandar os red devils mas veremos o que ditará o futuro. Poderá até acontecer que Giggs continue na próxima época, embora neste momento em Inglaterra o treinador mais falado seja o holandês Louis Van Gaal. O antigo mentor de José Mourinho falou recentemente que teria interesse em treinar na Premier League depois do Mundial no comando da Holanda. Na altura o Tottenham parecia o clube mais "ao jeito" de Van Gaal, mas o M. United seria claramente mais atractivo para um treinador que já mostrou ser competente em todo o lado. Outros nomes que circulam na imprensa são os de Jürgen Klopp e Diego Simeone (dois enormes treinadores, embora não pareçam ter vontade de largar os seus projectos actuais), Laurent Blanc (antigo central do United e actual treinador do PSG, que o clube francês deverá conseguir segurar), falando-se ainda de Carlo Ancelotti e, claro, do regresso do "D. Sebastião" Sir Alex Ferguson. No livro que lançou, Sir Alex revelou que Carlos Queiroz, dos seus adjuntos, era o único que ele entendia ser capaz para liderar o Manchester United, mas vamos fingir que ele não disse isso. Caso fique um fergie boy como está, para já, Ryan Giggs, Gary Neville poderia ser também uma opção interessante. Conhece o clube como ninguém e, nos últimos tempos enquanto comentador desportivo, tem mostrado ao mundo e aos adeptos ingleses que sabe interpretar um jogo de futebol como poucos. Uma muito agradável surpresa. A todos estes nomes podem-se acrescentar ainda os de Josep Guardiola (que já afastou a hipótese) e Antonio Conte, aos quais juntaríamos ainda 2 treinadores em destaque em Inglaterra - Roberto Martínez e Mauricio Pochettino - e porque não Jorge Jesus.. Martínez seria uma nova colheita do United em Goodison Park e Jorge Jesus só não ficará no Benfica caso possa abraçar um grande projecto internacional. E em Inglaterra o técnico encarnado tem boa fama (não a nível de classe, mas graças aos seus resultados e ao futebol do Benfica) podendo-se colocar na rota de Manchester United e Tottenham. Frank De Boer e Guus Hiddink seriam hipóteses mais remotas.
    Uma coisa é certa: a Direcção do Manchester United não deverá arriscar na sua próxima escolha. Precisa de um treinador "resultadista" (alguém que consiga a regularidade de Ancelotti ou Capello), tendo provas dadas mas acrescentando a isto a capacidade de integrar uma reforma no clube e embarcando num projecto a médio-longo prazo.

Quem será o sucessor de David Moyes?

Juntos foram Campeões!


SL Benfica    2 - 0    Olhanense (Lima 57', 60')

    Ontem ficou desvendado o novo Campeão Nacional - o Sport Lisboa e Benfica. Os encarnados conquistaram o seu 33º título e alargam assim a distância para 6 títulos em relação ao FC Porto e 15 em relação ao Sporting CP. Benfica-Olhanense - o jogo do título. Estádio da Luz a rebentar pelas costuras com um autêntico mar vermelho em verdadeira festa. Jorge Jesus colocou a melhor equipa disponível e "deixou" o adjunto Raul José gerir o encontro por estar impedido de pisar o relvado face à expulsão do jogo da Taça. Quanto ao Olhanense, colocou a equipa possível tentando combater com as suas armas a melhor equipa do campeonato.
    As águias entraram algo ansiosas e as sucessivas ocasiões de golo falhadas aumentavam cada vez mais a ansiedade. Logo a abrir o jogo, perante uma imensa fumarada causada pelas tochas lançadas antes do apito inicial, Rodrigo trabalhou bem na direita e ofereceu o golo atrasando para Gaitán, mas o artista decidiu rematar de primeira - fraco - para a defesa controlada de Belec. Seguidamente, Lima ameaçou a baliza com um cabeceamento por cima e no lance posterior atirou para as nuvens após Rodrigo o servir de bandeja, isolando o avançado brasileiro por completo. O Olhanense ainda conseguiu criar alguns calafrios aos benfiquistas após uma distração de André Almeida ao atrasar com demasiada força permitindo que Lucas ganhasse a bola em território proibido e atirasse a rasar o poste. A ansiedade aumentava com o passar do tempo e os jogadores começaram a tentar resolver o jogo por eles mesmos. Tanto Maxi, como Lima tentaram o remate de longe saindo ambos ao lado. O jogo ia para intervalo e com uma má notícia: o azar voltou a bater à porta do craque "Toto" Salvio que saiu com uma  fractura do cubito do antebraço esquerdo. Um novo azar que deve retirar o sonho do mundial ao jogador argentino. Sonho esse que era bem real, já que a Argentina não tem assim tantos extremos da qualidade de Salvio.
    Os jogadores voltaram mais decididos do intervalo e voltaram a cair em cima do Olhanense que ia parando o Benfica dando o corpo ao manifesto aos vários remates encarnados. Lima voltou a ser um dos mais irrequietos e logo num dos primeiros lances atirou a rasar a barra de Belec. Logo a seguir Luis Filipe veio lançado e tentou dar carga de ombro a Lima. Resultado: acabou ele mesmo por cair perante o poderio físico do brasileiro que ficou com a bola e comandou o contra-ataque encarnado. O avançado brasileiro temporizou à entrada da área, soltou para Rodrigo na esquerda, o espanhol voltou a temporizar e atrasou para o remate de primeira de Gaitán. Belec tentou defender a dois tempos, mas Lima - no sítio certo - atirou para a primeira explosão no Estádio da Luz! A explosão pareceu intimidar o Olhanense que logo no lance seguinte sofre novo golo consumando praticamente o título do Benfica. Maxi Pereira recupera a bola, André Gomes assumiu o esférico e lançou logo pela direita Lima. O brasileiro começou a correr desenfreadamente desde a linha do meio campo até chegar à grande área. Entrando em território do guardião Belec, Lima atirou um pontapé fortíssimo que antes de parar para além da linha de golo, passou por baixo das pernas do guarda-redes do Olhanense.  Um verdadeiro frango que não tira o mérito ao avançado benfiquista. Nova explosão nas bancadas, mas desta vez com um sentimento de que o título já não fugia. As águias acalmaram na pressão, mas continuaram em cima do adversário e com bastantes oportunidades. A melhor oportunidade foi de Lima. Após uma jogada fabulosa entre Gaitán e Enzo, o último argentino serviu Lima que cara a cara com Belec permitiu que o guardião lhe negasse o hatrick.

    O apito final fez soltar as primeiras emoções, as primeiras lágrimas e o último suspiro de todos os que durante muito tempo recalcaram o final de época transacto. Os momentos sucederam-se, com Jardel eufórico a fazer pouco de Minervino Pietra, roubando-lhe a sua toalha de estimação, e Paulo Lopes (se a Espanha tem Reina, o Benfica tem o Paulo) a festejar mais do que qualquer outro - o bem que deve fazer ter um jogador como Paulo Lopes no balneário... Registaram-se vários momentos de grande significado: ao contrário de todos os jogadores, que iniciaram a festa em círculo, o 1.º cuidado de Cardozo foi entregar a sua camisola a um adepto; todo o plantel e estádio aplaudiu e fez vénia perante a entrada de Sílvio (tem tudo para assinar pelo clube) em muletas; Artur pediu para a medalha de campeão ser colocada à volta do pescoço do seu filho e não dele, também num bonito gesto; e Salvio, o craque perseguido pelo azar, entrou (quando chamado como todos os jogadores foram, um a um) em lágrimas, num misto de emoções. Sentir na pele o momento, os adeptos, a festa, a descompressão e a alegria, conjugando todas estas sensações positivas com a tristeza de não poder jogar mais esta temporada. A Luz aplaudiu em êxtase Enzo Pérez, Sílvio, Gaitán, Cardozo e Luisão, e quando parecia que o capitão ia erguer a taça, o camisola 4 (num momento claramente combinado, mas ainda assim carregado de simbolismo) foi buscar Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira. Se Jesus ressuscitou ontem (em dia de Páscoa, curiosamente) e depois de muitos erros conseguiu aprender, promovendo maior gestão do plantel por exemplo, LFV terá sido certamente um dos que ontem se sentiu mais campeão. Correu um risco, assumiu um partido e foi com a sua aposta até ao fim, contra tudo e contra todos, num cenário que - caso corresse mal - poderia ser fatídico também para ele próprio, e acabou por sair por cima. Se Markovic terá mais anos para gritar, depois das primeiras cervejas da sua vida, "Benfica Seeempre!" o tempo o dirá. Tanto com Lazar, como com Rodrigo, André Gomes, Enzo, Garay ou Rodrigo. Certo é que ontem foram campeões, eles que desde há várias jornadas foram sempre 11 Eusébios em campo, a lutar e a ultrapassar cada barreira. Ontem o título foi dos benfiquistas, de Eusébio e de Mário Coluna. Ontem, juntos foram campeões.

Barba Por Fazer do Jogo: Lima (SL Benfica)
Outros Destaques: Enzo, Gaitán, Rodrigo, Salvio, Maxi.

19 de abril de 2014

Sporting não vacila e está na Champions; Amanhã pode haver campeão

Belenenses  0 - 1  Sporting (Adrien (pen.) 52')

    O Sporting não claudicou e ditou 2 coisas: em 2014/ 15 está confirmado que os rivais de Lisboa - Benfica e Sporting - terão entrada directa na Champions League, e a decisão do título poderá mesmo ser amanhã, Domingo de Páscoa, com o Benfica a receber o Olhanense na Luz. Caso o Sporting faça mais 2 pontos pode bater o seu recorde de pontos no campeonato (no seu formato com 16 equipas).
    Leonardo Jardim não pôde contar com Cédric e optou pelo paraguaio Iván Piris para o lugar de lateral direito; Capel foi escolhido sentando Carrillo no banco, Montero voltou a ficar a ver Slimani jogar.

    A equipa de Lito Vidigal (seria interessante que continuasse no comando técnico do Belenenses, até porque acreditamos que a equipa do Restelo vai continuar no principal escalão) começou bem, Fredy ficou perto de marcar, e a seu tempo André Martins foi-se evidenciando como elemento em destaque no 1.º tempo. O camisola 8 assistiu Slimani para um lance de perigo do argelino e depois foi derrubado por Miguel Rosa num lance que motivou muitos protestos. Pareceu ter ficado uma falta por marcar, no entanto com o contacto a ocorrer fora da grande área. Mas já se sabe como é Cosme Machado... um grande árbitro, mas a apitar um jogo entre amendoins. André Martins continuou em foco e, aos 32 minutos, quase fez um grande golo - remate de longe com a bola a bater na trave (Matt Jones nada podia fazer).
    O Sporting regressou para o 2.º tempo com os alas trocados, o que manteve Capel como um jogador banal mas potenciou e de que maneira o rendimento de Carlos Mané. Tal como na 1.ª parte foi o Belenenses o primeiro a ficar perto do golo, com Fernando Ferreira a testar Rui Patrício, mas aos 52' o marcador mexeu finalmente. João Meira travou em falta Mané e Adrien voltou a não perdoar. Um golo que valeu 8 milhões de euros, podemos caracterizá-lo assim. O Sporting passou então a controlar o jogo até ao momento em que Rojo viu vermelho directo depois de uma entrada sobre Rojas. Cosme Machado optou pelo vermelho, mas ajustava-se o cartão amarelo.
    Verdade seja dita, até final do jogo não houve grandes oportunidades - algo que, de resto, foi uma constante ao longo do encontro. O Sporting soube segurar a sua vantagem, ainda ficou perto de ampliar numa boa arrancada de Carrillo, mas ficaram garantidos 3 pontos, num final de jogo que teve Matt Jones na grande área contrária.
    
    Um resultado justo e o futebol é sempre mais bonito quando uma equipa se pode sagrar campeã junto do seu público, em casa, a jogar, a marcar golos para poder levantar um troféu. Agora que os leões garantiram a presença por via directa na Champions League podemos de facto fazer um sucinto balanço. Leonardo Jardim fez a equipa evoluir de forma incrível, teve o mérito de logo na pré-época estruturar um modelo de jogo que potenciava vários elementos e pode-se dizer que o Sporting é um justíssimo 2.º classificado. Dizemos isto porque, embora matematicamente ainda possa chegar ao topo, a segunda posição já ninguém tira ao clube verde e branco. Hoje, Rui Patrício disse presente quando foi preciso, Adrien (Paulo Bento, a sério?) não falhou na hora H e Mané cresceu na 2.ª parte. Continuamos a dizer que Mané é tecnicamente inferior a muitos extremos que apareceram no futebol português nos últimos anos mas tem 2 coisas a seu favor: um treinador que lhe está a dar minutos e regularidade, e o facto de partir sem medo para cima dos defesas, arriscando no um para um. Fredy teve os seus momentos e os 2 maiores destaques de um jogo importante para o Sporting mas nem por isso muito interessante de acompanhar foram André Martins e Fernando Ferreira. O médio do Sporting foi o melhor elemento da sua equipa, jogou, fez jogar e ficou perto de um grande golo. Já o camisola 14 do Belenenses entregou-se como ninguém ao jogo, lutou e só Patrício evitou que escrevesse hoje uma página mais bonita para o clube do Restelo.

Barba Por Fazer do Jogo: André Martins (Sporting)
Outros Destaques: Fernando Ferreira, Fredy; Rui Patrício, Adrien, Carlos Mané

Chelsea perde com Sunderland na 1.ª derrota de sempre de Mourinho em Stamford Bridge

  Premier League - Imprevisível. Já todos sabemos que este é um dos adjectivos que caracteriza a liga inglesa de futebol, mas por mais que tenhamos noção disto a Premier dá-nos sucessivamente razões para esquecer a probabilidade e a lógica. 19 de Abril de 2014 será a data em que caiu a invencibilidade caseira de José Mourinho em Stamford Bridge. O Chelsea recebeu o Sunderland, último classificado, e perdeu por 2-1, deixando o Liverpool com ainda melhores hipóteses de se aproximar do tão desejado e justo título.

    Foi o último jogo de hoje e, sem dúvida, o resultado mais surpreendente. O Sunderland tinha conseguido 1 ponto há poucos dias em casa do Manchester City e hoje não se ficou por meias medidas e conseguiu mesmo 3 pontos em casa do Chelsea. Talvez alguns jogadores do Chelsea tivessem já a cabeça na meia-final frente ao Atlético Madrid, mas numa Premier em que cada ponto é uma guerra, faltou atitude, futebol e, claro está, Eden Hazard. O belga voltou a estar ausente e fez muita falta no processo ofensivo londrino - na 1.ª volta o Chelsea venceu 4-3 no terreno do Sunderland com 2 golos e 1 assistência do jogador belga, uma das suas melhores exibições. Mourinho demorou 12 minutos até ter motivos para sorrir. Samuel Eto'o, oportunista, fez o golo após um canto de Willian mal defendido pela equipa visitante. Tudo corria de feição mas passados 6 minutos, Schwarzer não segurou um remate de Marcos Alonso e o avançado em forma Connor Wickham aproveitou para empatar. O Chelsea recompôs-se e teve diversas ocasiões para se recolocar na frente, quer pelos seus defesas em aventuras ofensivas, quer pelos elementos de ataque. No 2.º tempo a toada manteve-se mas a velha máxima de "quem não marca, sofre" verificou-se. Azpilicueta escorregou, e pode-se dizer que foi total representação da escorregadela de hoje do Chelsea na luta pelo título. O lateral espanhol deixou Altidore escapar com a bola e depois, dentro de área, derrubou o norte-americano. Fabio Borini, antigo jogador do Chelsea e actualmente emprestado pelo Liverpool ao Sunderland, converteu a grande penalidade.
    Com a vitória de hoje o Sunderland renasceu de vez e, depois de ter conseguido uns improváveis 4 pontos (que podiam ser 6) nas deslocações a Etihad e Stamford Bridge, a equipa de Poyet ainda terá 3 jogos em casa nos últimos quatro jogos. Wickham, Borini e Adam Johnson tudo farão para não descer. Quanto a Mourinho, hoje viu-se algum desnorte quando as coisas não corriam bem (o comportamento de Rui Faria foi prova disso), o colectivo não soube produzir bom futebol e faltaram 2 coisas: o brilhantismo individual de Hazard, e o avançado que faltou toda a época. Mourinho teimou em dizer que o Chelsea este ano não era candidato mas naturalmente que era e teve a Premier na mão. Falhou (hoje houve erros e a defesa não esteve bem, uma raridade em casa, e Mourinho preferiu culpar o árbitro) e oxalá - todos os adeptos apaixonados por futebol quererão isto - que o Liverpool vença amanhã, reforçando a sua vantagem no título. Suárez contra a sua presa preferida? Promete.

    A jornada abriu este Sábado com o Tottenham a vencer o Fulham por 3-1. O jogo foi emotivo e Eriksen (em grande forma neste final de temporada) foi o principal destaque. O dinamarquês fez tudo bem em campo, mas destacou-se de bola parada. Com um livre exemplarmente cobrado ofereceu um golo feito a Paulinho, que teve apenas que encostar a 1m da baliza; no entanto Sidwell empatou na resposta imediata. Na 2.ª parte Harry Kane (3 golos em 3 jornadas) cabeceou para o 2-1 e Eriksen voltou a cobrar um livre de forma perfeita, oferecendo o golo da tranquilidade a Kaboul. As emoções podiam ter sido maiores mas Lloris defendeu um penalty de Sidwell e segurou 3 pontos importantes para os spurs na corrida pela Liga Europa.

    Já não restam muitas palavras ou adjectivos para descrever o trabalho do Crystal Palace de Tony Pulis. Nas primeiras 12 jornadas, o recém-promovido Palace amealhou uns míseros 7 pontos e parecia estar muito longe de ter argumentos para se aguentar na Premier League. Pulis assumiu o clube (a conselho de Sir Alex Ferguson) e o Crystal Palace chegou hoje ao 11.º lugar com uns incríveis 43 pontos. À jornada 35 o Palace tem apenas menos 6 pontos que o Southampton... Quem diria. Hoje, a vítima foi o West Ham e o carrasco não foi o do costume (Puncheon), mas sim o capitão e figura incontornável da época da surpreendente equipa. Mile Jedinak marcou de grande penalidade em casa do West Ham, em mais um bom jogo de Speroni, Ward e Puncheon.

    No Newcastle-Swansea o herói foi costa-marfinense. O Swansea, muito abaixo das expectativas, bem precisava de pontos mas a coisa não começou bem. O Newcastle, longe do fulgor quando havia Cabaye, marcou primeiro graças ao poderio físico do experiente Shola Ameobi mas os swans marcaram por 2 vezes no limite. Wilfried Bony fez o empate no tempo de compensação da 1.ª parte com um grande cabeceamento após canto de Ben Davies e, no tempo de compensação da 2.ª parte, virou o jogo de grande penalidade. Bony chega assim aos 14 golos na sua época de estreia e, dada a classificação do Swansea, poderão surgir algumas propostas tentadoras no defeso veranil para o matador africano.

    Southampton e Aston Villa empataram a zeros num jogo em que Moyes esteve presente a observar Luke Shaw e Adam Lallana; em Cardiff, os galeses ficaram-se pelo 1-1 frente ao Stoke. Um jogo decidido nas grandes penalidades: Arnautovic colocou a equipa visitante na frente, Wittingham empatou tudo na 2.ª parte.

    Amanhã há um Norwich-Liverpool que Suárez, Gerrard, Sterling e Coutinho prometem incendiar com bom futebol. O Norwich precisa de pontuar para não descer (e já vimos como se agigantam as equipas na fuga à descida), Suárez marcou 11 golos nos últimos 4 jogos aos "canários" e o cenário não é famoso para a equipa de Wolfswinkel visto que os últimos 4 jogos reservam: Liverpool (c), Manchester United (f), Chelsea (f) e Arsenal (c).
    Jogam-se ainda amanhã o Hull City-Arsenal (um "cheirinho" do que será a final da FA Cup) e o muito esperado Everton-Manchester United, que ditará o regresso de David Moyes a Goodison Park, importante na disputa pelo 5.º lugar do campeonato.

18 de abril de 2014

Premier League anuncia nomeados a Jogador do Ano e Jovem do Ano

 Premier League - A Associação de Futebolistas de Inglaterra anunciou hoje as 2 shortlists de 6 jogadores, candidatos respectivamente às distinções de Jogador do Ano e Jovem Jogador do Ano. Na temporada passada foi o galês Gareth Bale a arrecadar os 2 troféus individuais, algo que Cristiano Ronaldo já conseguira outrora, mas nesta época tudo indica que teremos 2 vencedores diferentes. Aqui no Barba Por Fazer iremos "entregar" no fim da época as nossas distinções quando elegermos o 11 do ano (tanto na Premier League como na Liga ZON Sagres) e outros prémios similares, mas deve-se referir desde já a grande justiça de todos os nomes que figuram na lista desta temporada.

    Comecemos então pelos nomeados para Player of the Year.
    Os 6 jogadores que podem almejar vencer, e aos quais já ninguém tira a nomeação, são: Luis Suárez (Liverpool), Yaya Touré (Manchester City), Steven Gerrard (Liverpool), Eden Hazard (Chelsea), Adam Lallana (Southampton) e Daniel Sturridge (Liverpool). Desde logo, destaque para a presença do trio de Liverpool, totalmente justificado dada a incrível época da equipa de Anfield e das grandes prestações destes elementos. Luis Suárez é, claramente, o grande candidato a vencer o prémio máximo. O avançado uruguaio falhou as primeiras 6 jornadas do campeonato por estar suspenso mas regressou com a atitude certa. Marcou até agora 29 golos, esteve envolvido directamente em 53 e foi um diabo à solta, conseguindo por exemplo 2 hat-tricks (Cardiff e WBA) e um póker tremendo (Norwich). Tornou-se um verdadeiro profissional de futebol, um exemplo pela positiva e conseguiu uma regularidade monstruosa. Steven Gerrard é uma lenda. O capitão do Liverpool merece esta Premier League mais do que qualquer outro e tem sido determinante. Se Suárez e Sturridge desequilibram na frente, Gerrard equilibra e motiva emocionalmente a equipa. Um líder, um farol, um verdadeiro capitão. Já Sturridge está a fazer a melhor temporada da sua ainda relativamente precoce carreira, foi mais do que uma vez Jogador do Mês, é inglês e tem sido o 2.º grande avançado da Premier, logo a seguir ao colega Suárez.
    Depois, Yaya, Hazard e Lallana. Yaya Touré está a realizar, sem margem para dúvidas, a melhor época da sua vida. Incrível na finalização (meia distância, livres, penalties) elevou os seus números para um patamar antes impensável - 18 golos esta época -, e calçou as botas de Agüero (no início da temporada parecia que a disputa seria Suárez/ Agüero) quando foi preciso, sendo de facto o único jogador que conseguiu esta temporada cheirar os calcanhares do uruguaio. Mas apenas isso. Eden Hazard tem sido o jogador do ano do Chelsea de José Mourinho. O belga evoluiu (passou a assistir menos mas a marcar mais), sendo um perigo constante na asa esquerda londrina. Ainda assim, o futuro reserva a Hazard épocas ainda mais memoráveis que estas. Por fim, a surpresa que não é surpresa para os mais atentos - Adam Lallana. O extremo e capitão do Southampton merece estar entre os 6 jogadores do ano, estando a realizar uma época inesquecível. É um dos jogadores com mais técnica na Premier League, "pensa e joga como um espanhol" (palavras do seu treinador, Pochettino) e representa o puro e bom futebol do Southampton. Vai certamente ao Mundial - veremos se ganha a titularidade - e vai garantidamente ser um apetecível alvo de Verão. Pode-se dizer que elementos como Seamus Coleman, Wayne Rooney, Jay Rodriguez e David Silva, entre outros, ficaram "à porta" das nomeações.



    Depois, os 6 candidatos a Young Player of the Year são: Eden Hazard (Chelsea), Daniel Sturridge (Liverpool), Luke Shaw (Southampton), Raheem Sterling (Liverpool), Aaron Ramsey (Arsenal) e Ross Barkley (Everton).
    Não se tivesse Aaron Ramsey lesionado e seria forte candidato a arrecadar este prémio. O galês começou a temporada num momento de forma imparável, mas uma lesão acabou por condicionar e de que maneira o resto da sua temporada. Os maiores elogios que se podem fazer é que, houve uma altura, em que Ramsey estava a lutar ombro com ombro com Suárez e Agüero pelo estatuto de melhor da competição, e parecia em certo momento que a saída do melhor jogador galês (Bale) daria lugar imediatamente a outro (Ramsey). Eden Hazard e Daniel Sturridge são claramente os 2 grandes candidatos a serem distinguidos como jovem jogador do ano. As razões são as supra-mencionadas, afinal de contas são os 2 únicos também candidatos a Jogador do Ano. Sturridge ou Hazard? Veremos o que a malta inglesa decide, e terão que esperar umas semanas para ver qual seria a nossa decisão.
    Para além disto, há Raheem Sterling, Ross Barkley e Luke Shaw. O extremo inglês do Liverpool foi um dos jogadores que mais cresceu este ano. Passou a aparecer nos grandes jogos, tornou-se regular e competitivo, e a sua evolução foi determinante (à imagem do "salto" que Henderson ou Flanagan deram). Claramente um jogador com ambições em ser chamado por Roy Hodgson ao Brasil. Tal como Sterling, também Barkley e Shaw são jogadores com aspirações a ser convocados para o Brasil. O médio do Everton tem tudo para ser um dos melhores médios da Premier League a curto ou médio prazo e cresceu imenso sob o comando de Roberto Martínez. Luke Shaw ainda vai melhorar consideravelmente (tem tudo para ser um jogador com maior impacto ofensivo) e o mais justo seria Hodgson levá-lo a ele e a Baines, preterindo Ashley Cole.

17 de abril de 2014

A noite perfeita - espelho da época - e o jogo da vida de André Gomes. Benfica no Jamor

Benfica  3 - 1  Porto (Salvio 17', Enzo Pérez (pen.) 59', André Gomes 80'; Varela 53')

    Vamos puxar a cassete atrás e ressuscitar fantasmas e memórias recalcadas, expressões e palavras proibidas. Minuto 92, Kelvin, golos de Soudani e Ricardo no Jamor, Branislav Ivanovic. Agora, após respirar fundo, vamos voltar ao presente e abordar o jogo, porque a ponte será feita lá em baixo.
    Nesta 2.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal, o Porto partia como favorito. Os dragões tinham ganho 1-0 no Dragão e a presença no Jamor, face à péssima época, passara a ser o principal objectivo. Luís Castro pôde abordar o jogo com o seu melhor 11 (é mau sinal quando um melhor onze tem Herrera e Defour a fazer companhia ao sempre impressionante Fernando), Jesus não contou com Luisão, Fejsa, Ruben Amorim e Oblak (que provavelmente, mesmo que estivesse em condições, não deveria ser titular), deixando ainda Lima e Markovic no banco, colocando Cardozo e Salvio. Uma surpresa terá sido a presença no 11 de André Gomes e que recompensa deu o jovem ao voto de confiança do treinador!
    Os primeiros 15 minutos de jogo jogaram-se no meio-campo portista. O Benfica assumiu o jogo mas durante 15 minutos não se criaram praticamente oportunidades. A bola era encarnada, o Benfica amealhou infinitos cantos, e deixou o aviso inaugural num desequilíbrio de Rodrigo ao qual Salvio não correspondeu da melhor forma. No entanto, ao minuto 17 a eliminatória ficou empatada. Rodrigo trabalhou bem e soltou para o flanco esquerdo, Gaitán tirou um cruzamento perfeito (é impossível um cruzamento sair melhor que aquilo) e Salvio elevou-se e cabeceou de forma determinada para o 1-0, que Fabiano não conseguiu evitar. Ricardo Quaresma foi o 1.º a ser admoestado pelo "querido" Pedro Proença - e bem que Quaresma lhe pôde mais tarde agradecer não ter abandonado o jogo mais cedo -, mas Siqueira foi também o 1.º encarnado a ver a cartolina amarela, num lance em que a própria falta era discutível. Aos 28 minutos, 3 minutos depois do primeiro cartão, Siqueira foi expulso. Proença não marcou falta no lance que originou o cartão, mas acabou por ditar a injusta expulsão do lateral brasileiro. No primeiro cartão a falta era discutível, no segundo a falta era clara mas o cartão nem tanto. Com 10 jogadores, o Benfica entregou o jogo ao Porto, Gaitán fez o corredor todo durante uns minutos (até Cardozo dar lugar a André Almeida) e o Porto, com uma total incapacidade de jogar futebol, só criou perigo num lance em que Artur assustou os seus adeptos.
    
    Na 2.ª parte o golo portista não demorou a surgir, e aí todas as condições pareciam estar reunidas para a festa portista. Silvestre Varela desenhou sozinho um lance entre André Almeida, Enzo e Rodrigo, fez uma mudança de velocidade "à Varela" e finalizou com um remate rasteiro. Era uma bola difícil, mas há os guarda-redes normais e aqueles que fazem a diferença. Artur, sobretudo nestes jogos, não pertence à 2.ª categoria. Minuto 53, 1-1. O Benfica, com menos 1 jogador, precisava de marcar 2 golos para seguir em frente. As águias não baixaram os braços, ou asas neste caso, e Rodrigo ficou muito perto de dar vantagem. Gaitán em zona de remate, deu um golo cantado ao avançado, mas Rodrigo preferiu abordar o lance como se se tratasse de um defesa azul e branco. Perante um Porto inexistente, continuou a ser o Benfica a correr atrás do prejuízo e Salvio (confiante, intenso, rapidíssimo, a voltar à sua melhor forma) foi derrubado por Diego Reyes na grande área. Rodrigo queria marcar o penalty mas Jesus ordenou que fosse Enzo a assumir a responsabilidade. O médio argentino, total personificação da época benfiquista, revelou-se frio e fez o 2-1. Catalisados pelos seus adeptos, os encarnados continuaram a tentar aproveitar qualquer erro portista e, depois de uma abordagem nervosa de Reyes, Rodrigo teve auto-estrada aberta rumo à baliza de Fabiano mas, quando estava em posição de rematar com o seu pé (o esquerdo) optou por adornar sem nexo. Perdeu-se um lance e perdia-se também nessa altura o controlo do jogo - se é que alguma vez o teve - por parte de Proença. O alegado "melhor árbitro do mundo" decidiu distribuir amarelos, mas foi poupando Quaresma, que quase marcou um golaço num lance em que Artur Moraes estaria completamente batido. Ao minuto 80' o Porto já tinha colocado Ghilas e Josué (sem dúvida o jogador em campo com pior conduta desportiva), não arriscando num talento como Quintero, perfeito para surgir entre linhas e explorar um Benfica que precisava ainda de marcar. 
    E foi precisamente ao minuto 80 que ficámos todos a perceber porque é que o futebol é magico. Depois de uma boa combinação entre Gaitán e Lima no flanco esquerdo, a bola foi colocada em André Gomes e o resto, o resto merece uma pausa antes de se prosseguir a descrição. O jovem que fez a sua formação no Porto, Boavista e Benfica (sendo capitão nos 3 emblemas) recebeu a bola com o peito, tirou Fernando do seu caminho com um cabrito, deixou a bola bater no relvado e fuzilou Fabiano. Sumariamente: um golo de sonho. O êxtase tomou conta da Luz, com vários adeptos a entrarem no recinto e a equipa em total delírio e comunhão. Não era para menos. A partir do golo, foram expulsos os 2 treinadores e Ricardo Quaresma expulsou-se a ele mesmo. O extremo, eternamente perdoado por Proença, foi perdoado mais uma vez, e depois do árbitro lhe dizer para se afastar do local, Quaresma "pediu" para ser excluído do jogo ao insistir nas palavras.
    A Luz viveu uma das noites mais bonitas no novo estádio, cuja história nenhum benfiquista seria capaz de escrever à priori e com André Gomes a reservar um lugar eterno na História dos grandes jogos do clube.

    Agora sim, puxemos a cassete à frente. Depois de perder tudo, da época do quase, o Benfica reergueu-se. Não desistiu, lutou. Enzo enxugou as lágrimas, jurou para nunca mais e assumiu a equipa. Gaitán percebeu o que representa o símbolo e cresceu como homem e profissional de futebol. O Benfica teve dificuldade em recalcar todos os desaires mas mostrou garra, personalidade e o jogo de hoje torna-se a melhor imagem que se pode conseguir ter do virar de página da época transacta para esta. A equipa encarnada tinha uma desvantagem de 1-0, igualou a eliminatória, ficou reduzida a 10 elementos, sofreu um golo e viu-se obrigada a marcar dois a um Porto que, embora murcho e incapaz, ainda é o tricampeão nacional. Mas marcou 2 golos e garantiu um lugar no Jamor.

    Pouco há a elogiar no Porto. A época 2013/ 14 é uma época para esquecer e hoje, como sempre, Fernando foi o único a remar contra a maré, uma maré que era inclusive favorável aos dragões quando o mar começou a ondular. O destaque negativo é hoje, para além de uma total inércia colectiva, Ricardo Quaresma. Sou admirador das qualidades de Quaresma, tem uma técnica como poucos, uns pés de predestinado. No entanto, se fosse seleccionador, hoje reflectiria seriamente sobre a inclusão do extremo na lista para o Mundial. Uma Selecção não pode contar com um jogador com tão pouca cabeça numa fase que deveria ser de total maturidade na carreira. Quaresma sempre achou estar acima de qualquer equipa, e infelizmente isso não mudou. Alguém consegue compreender um jogador que, aos 88' é expulso (e justamente teria sido expulso mais cedo) e, com a sua equipa a precisar apenas de marcar 1 golo, demora a sair do relvado deixando inclusive as suas caneleiras no mesmo? O desporto precisa de exemplos melhores. E Quaresma tinha tudo para ser um dos melhores.
    Maxi Pereira (sempre inteligente a interpretar o jogo e a intensidade do mesmo), Jardel (não se notou a ausência de Luisão graças à actuação do "mascarado") e Gaitán estiveram em bom plano. Salvio e Enzo Pérez estiveram um degrau acima. No 1.º caso um jogador que está a melhorar de jogo para jogo e que voltamos a referir que será determinante no final da temporada, e no 2.º caso - o jogador da época. Por fim, as palavras finais são para o melhor jogador em campo. André Filipe Tavares Gomes mudou hoje a sua carreira. Até ao minuto 80 foi perfeito a defender - conseguiu superiorizar-se a Fernando em vários duelos, soube pressionar, "morder calcanhares" e teve hoje aquilo que lhe faltava para se poder ver nele um futuro médio de topo - intensidade, em todos os lances. Ao minuto 80 desenhou um dos momentos que marcarão para sempre os benfiquistas e, uma vez que o seu passe pertence a Jorge Mendes e que hoje estavam tantos observadores na Luz, provavelmente "vendeu-se" hoje.

Barba Por Fazer do Jogo: André Gomes (Benfica)
Outros Destaques: Maxi, Jardel, Enzo Pérez, Salvio, Gaitán; Fernando

    A final será entre Benfica e Rio Ave, uma vez que os vilacondenses (que também marcarão presença na final da Taça da Liga) venceram o Braga por 2-0, com golos de Ukra e Ruben Ribeiro. Na 1.ª mão tinha-se registado um nulo. Caso para dizer que Tarantini e Marcelo vão continuar sem cortar a barba por mais algum tempo.

13 de abril de 2014

Benfica bate Arouca e está a uma vitória de ser campeão

Arouca  0 - 2  Benfica (Rodrigo 45', Gaitán 55')

    Os encarnados não vacilaram e venceram esta tarde o Arouca por 2-0, ficando em vias de celebrar o 33.º campeonato no Estádio da Luz na próxima jornada, no Domingo de Páscoa (20 de Abril), frente ao "lanterna vermelha" Olhanense.
    Registou-se mais uma exibição personalizada e madura do Benfica, consciente da importância de amealhar 3 pontos de cada vez rumo ao objectivo final. A equipa de Jorge Jesus não pôde contar com Luisão, Fejsa/ Amorim, mas Jardel e André Almeida cumpriram o seu papel de forma exemplar, evidenciando mais uma vez a qualidade do plantel benfiquista.
    Em Aveiro, o Benfica pareceu jogar em casa e o Arouca conseguia amealhar mais trocos que o normal. O jogo começou com algum ascendente do 1.º classificado, mas Cássio defendeu as iniciativas de Rodrigo e Maxi Pereira (o elemento em destaque das águias na primeira parte). Maxi, hoje capitão, manteve-se a todo o gás pelo flanco direito, mas foi também importante na retaguarda. Ao minuto 38' e após uma saída de Oblak, o lateral uruguaio salvou uma bola em cima da linha num dos momentos decisivos do jogo. Quando tudo fazia crer que as equipas recolheriam aos balneários com 0-0 no marcador, Lima cruzou uma bola de forma muito tensa a partir do flanco direito e Rodrigo apareceu em plena área, fazendo o golo. Se há boas alturas para marcar, aquela foi claramente uma delas. O jogador espanhol e toda a equipa festejaram o golo, dedicando-o ao lesionado Sílvio, erguendo a camisola 28.
    Na 2.ª parte o Benfica arrancou bem, controlando as operações e não foi preciso esperar muito para se assistir ao momento do jogo, que conferiu tranquilidade à equipa da Luz. Lazar Markovic pegou na bola em zona central, iniciou mais uma das suas características correrias desenfreadas até à grande área adversária e soltou a bola no momento certo para os pés de Nico Gaitán. O argentino não só aguentou a pressão do defesa como deliciou os adeptos com um bonito chapéu perante a saída de Cássio. Mais um golo com nota artística do artista que devia herdado o número 10 de Aimar nas suas costas. Galvanizado pelo golo, o Benfica manteve o rolo-compressor e a mesma dupla (Markovic-Gaitán) quase voltou a repetir a dose, mas Cássio evitou. As acções desenrolaram-se até final, com destaque negativo para a saída de Oblak por lesão após um choque aparatoso. Em todo o caso, pareceu apenas uma saída por precaução.

    Mais uma vitória, mais um jogo sem sofrer golos, mais uma vez Rodrigo e Gaitán a serem determinantes. O Benfica poderá sagrar-se campeão daqui a uma semana, frente ao Olhanense, depois de mais exibição sólida, com a equipa sistematicamente equilibrada e hoje com uma pressão melhor que o habitual - não no sentido de asfixia (que, por exemplo, com o Rio Ave, a intensidade foi superior) mas no sentido de recuperar rapidamente a bola mal os jogadores encarnados a perdiam em zonas ofensivas. Os encarnados têm sabido gerir o seu plantel - ao contrário das últimas épocas - e chegam à fase crucial da temporada num grande momento. Maxi Pereira está a voltar ao seu nível de outrora, a dupla de meio-campo (Enzo e André Almeida) esteve exemplar e, frente a um Arouca onde Cássio foi a principal figura, a capacidade individual de Rodrigo, Markovic e Gaitán voltou a fazer a diferença. O hispano-brasileiro tem sido, quanto a nós, o melhor avançado do campeonato em 13/ 14 (consistente, com uma potência incrível, marca golos, assiste, desequilibra..) - o que reforçaremos daqui a umas semanas quando fizermos o Balanço do campeonato -, Markovic voltou a apresentar a capacidade de mudar o jogo sozinho, sendo que a sua velocidade com bola pede mais um ano na Luz, crescendo antes de rumar a outras paragens. Por fim, Nico Gaitán é candidato a melhor jogador desta liga (estatuto que poderia dividir com elementos como Enzo, William, Adrien, Luisão e Rodrigo) e hoje voltou a mostrar porquê. Gaitán cresceu imenso como profissional de futebol esta época, é hoje em dia um jogador muito mais inteligente a ler o jogo, a decidir e consegue sempre deixar a sua magia como impressão digital nos jogos do Benfica. Que Sabella tenha juízo e leve Nico e Enzo como companhia para Garay nos 23 do Mundial.

Barba Por Fazer do Jogo: Nico Gaitán (Benfica)
Outros Destaques: Maxi Pereira, Markovic, Rodrigo; Cássio

Liverpool bate City e dá passo importante rumo ao título

Liverpool    3 - 2    Manchester City (Sterling 6', Skrtel 27', Silva 57', Glen Johnson (A.G.) 63', Coutinho 78')

    Jogo de loucos em Anfield Road com os Reds a adiantarem-se na luta para o título batendo o Manchester City por três bolas a duas. Um jogo fantástico digno da melhor liga do mundo que acabou com Steven Gerrard em lágrimas de felicidade!
    O jogo iniciou-se com um minuto de silêncio absoluto em memória das vítimas de Hillsborough. Assim se nota o respeito que muitas vezes não existe em território luso. 
    Grande intensidade de jogo da equipa da casa a sufocar por completo os citizens e a chegar ao golo logo aos 6 minutos de jogo por intermédio de Sterling. Boa troca de bola na transição ofensiva do Liverpool com Luis Suarez a trabalhar bem no centro de terreno protegendo o esférico contra os seus adversários e a servir de forma exímia Raheem Sterling. O jovem inglês temporizou, mudou rapidamente de trajectória e atirou para o fundo da baliza deixando Hart e Kompany sem rins suficientes para interceptar a bola. Explosão de alegria em Anfield entre adeptos e jogadores! E este golo apenas deu mais alento para a equipa se lançar mais no ataque e continuar com a boa intensidade de jogo. Num canto convertido por Coutinho aos 25 minutos, Steven Gerrard - livre de marcação - atira de cabeça para uma enorme defesa de Joe Hart! No seguimento do lance - e em novo canto - Gerrard bate brilhantemente para Skrtel marcar mais um grande golo de bola parada! O eslovaco subiu mais alto que todos e fuzilou Joe Hart com um cabeceamento bem colocado. Delírio total no estádio! O City praticamente não conseguia criar perigo, mas acabou por ver uma grande penalidade não assinalada a seu favor após Sakho ter falhado na bola e ter rasteirado Edin Dzeko. Os líderes iam mais líderes para o intervalo e com toda a justiça do mundo para alegria dos adeptos.
    Para o segundo tempo o Liverpool não entrou tão agressivo o que foi permitindo que o Machester City começasse a crescer no jogo. Volvidos 10 minutos da segunda parte, os Citizens chegam ao primeiro golo. Bom entendimento entre Fernandinho e Milner com o britânico a servir David Silva da direita culminando no golo do espanhol. O Liverpool tremeu com o golo do adversário e o City galvanizou. Passados 5 minutos de sufoco dos visitantes, surge o empate. Troca de bola perto da área do Liverpool, Nasri combina com Silva, o espanhol cruzou tenso e rasteiro e Glen Johnson tratou de inserir a bola dentro da baliza de Mignolet. O público da casa não queria acreditar, mas continuou a puxar pela equipa tornando-se um factor decisivo para o que restava do jogo. Os jogadores voltaram a ganhar força através do apoio das bancadas e voltaram a jogar bom futebol. Contudo, isso não se traduziu num domínio encarnado. A subida de rendimento do Manchester City no jogo tornou o mesmo num jogo partido, com lances de ataque lado a lado. Os Citizens podiam ter chegado à vantagem no jogo quando o recém-entrado Kun Aguero serviu David Silva para um golo cantado. O espanhol tinha a baliza escancarada, mas não chegou à bola em condições e acabou por atirar ao lado. O Liverpool carregou e chegou ao golo que resultou na terceira explosão de alegria! Lançamento de Glen Johnson, desvio de cabeça da defensiva do City e Kompany a não acertar na bola culminando numa valente "rosca" bem aproveitada por Coutinho! O jogador brasileiro agradeceu o mau alívio do belga para atirar para o fundo das redes de Joe Hart. Até ao fim, houve um enorme "saber sofrer" por parte do Liverpool que acabou por segurar o resultado mesmo reduzido a 10 após a expulsão de Henderson. O inglês fez uma entrada muito feia e acabou por ver o vermelho directo justamente. Ficaram ainda mais 3 grandes penalidades por marcar. Duas para o Liverpool com Sturridge a ser rasteirado por Zabaleta e Suarez a ser empurrado por Kompany e ainda uma última para o lado do City com Skrtel a cortar a bola dentro da grande área com o braço.
    Enorme jogo em Anfield Road com uma vitória importantíssima do Liverpool rumo ao título. Apesar de ser uma vitória importante, não é de todo decisiva. Ainda faltam algumas jornadas para jogar e quer o Chelsea, quer o City têm uma palavra a dizer. Como desde início previmos, espera-se uma Premier League quente até ao fim!

Barba Por Fazer do Jogo: Sterling (Liverpool)
Outros Destaques: Gerrard, Coutinho, Suarez, Skrtel; Silva, Milner.

11 de abril de 2014

Meias-finais: Sorteio Liga dos Campeões e Liga Europa

O sorteio desta manhã ditou novamente grandes embates e - sobretudo - muito interessantes. Se na Liga dos Campeões iremos ver o Real Madrid de Ronaldo frente ao colosso alemão Bayern Munique e ainda o outsider Atl. Madrid frente ao Chelsea de José Mourinho, na Liga Europa o Benfica encontrará a Juventus resultando também numa meia-final espanhola entre Sevilha e Valência. 



Semi-Final

Real Madrid - Bayern München 
Atl. Madrid - Chelsea FC 



O Real Madrid terá que medir forças perante o gigante Bayern de Munique e não se afigurará nada fácil. Os merengues terão que estar em dia "sim" para poder ombrear com os alemães. Esta época os espanhóis têm oscilado entre grandes e outras exibições um pouco paupérrimas e frente ao Bayern não pode correr o risco de fazer um jogo idêntico ao que fez em Signal Iduna Park. Caso contrário, pode ser fatal. Os alemães mesmo quando fazem um jogo de gestão, são muito fortes e são mortíferos nos momentos chave. Este é - teoricamente - o jogo grande da meia-final e que seria digno de uma finalíssima.

No outro jogo, José Mourinho irá encontrar a equipa sensação desta época - o Atlético de Madrid. Depois de vencerem com dois enormes jogos o Barcelona, os Colchoneros têm pela frente os Blues liderados pelo técnico português. Será um medir de forças deveras interessante e se na teórica poderíamos atribuir favoritismo aos ingleses, na prática já verificámos que tudo é possível com os Rojiblancos. Os espanhóis estão em grande forma esta época e ameaçam qualquer tubarão que lhe apareça à frente. O Chelsea tal como o Real tem tido as suas más exibições o que não pode acontecer frente ao Atlético.

Serão certamente duas meias-finais brilhantes para os amantes de futebol porque os próprios quartos-de-final foram todos grandes espectáculos de futebol.






Semi-Final 

Sevilla FC - Valencia CF
SL Benfica - Juventus




Na Liga Europa, o primeiro jogo ditou um duelo hispânico o que fez desde logo chegar a mão à cabeça dos benfiquistas. Um embate entre 5º e 8º classificado espanhóis que este ano já se defrontaram duas vezes na Liga BBVA. O Valência acabou por triunfar em sua casa por três bolas a uma enquanto que no reduto do Sevilha o nulo prevaleceu. Dois jogos que servem um pouco de referência, mas que em nada serão iguais. O facto de ser uma eliminatória faz com que os próprios jogadores se transcendam e consigam feitos fora do normal. E estes dois clubes foram a prova clara disso mesmo na eliminatória transacta. O Valência acabou por golear o Basileia por 5-0 recuperando uma desvantagem de 3 golos em Basel e o Sevilha eliminou o campeão nacional FC Porto por 4-1, quando ninguém esperava e estando os portugueses em vantagem na primeira-mão. Será por certo um grande embate espanhol tal como se sucedeu com a eliminatória entre Sevilha e Bétis.

Quanto ao Benfica tem a tarefa mais complicada ao receber o grande favorito da prova. Os encarnados vão tentar afastar o colosso Juventus da final em sua casa e fazer assim duas visitas a Turim num curto espaço de tempo. Os italianos foram passando tranquilamente, mas sem fazer grandes exibições. Já o Benfica, por sua vez, tem vindo a atravessar uma excelente fase e que lhe permite sonhar com a final mesmo tendo a Juventus pela frente. Não será fácil - muito pelo contrário -, mas na nossa óptica, as águias têm mais possibilidade de derrotar a Juventus em dois jogos do que numa eventual final em Turim em que os dados estariam do lado dos italianos por completo. Não bastaria o ambiente de Final Europeia a correr nas veias dos jogadores da La Vecchia Signora como também o factor casa iria beneficiar. O trio do meio campo constituído por Pogba, Pirlo e Vidal é o mais temido na formação italiana, mas os valores encarnados também terão uma palavra a dizer na eliminatória.

Dois excelentes jogos - é o que se pode esperar desta Liga Europa. Se o primeiro até encaixa na competição, o segundo é claramente um jogo de Liga dos Campeões. O certo é que, tal como na Champions, serão jogos que irão cativar a atenção de todos os amantes do desporto rei.


10 de abril de 2014

Porto goleado diz adeus à Europa; Salvio e Rodrigo confirmam Benfica nas meias

Sevilha  4 - 1  Porto (Rakitic (pen.) 5', Vitolo 26', Bacca 29', Gameiro 79'; Quaresma 90')

    Depois da vitória portista de 1-0 na primeira mão, era garantido que a 2.ª mão seria emocionante. O Porto não contou com Fernando e Jackson Martínez e essas ausências fizeram-se notar. A equipa de Luís Castro precisava de maturidade e atitude, mas começou o jogo da pior maneira possível. O Sevilha teve um penalty logo aos 5 minutos e o croata Ivan Rakitic, capitão e craque da equipa espanhola, marcou com toda a calma do mundo e empatou a eliminatória. A equipa da casa manteve então a pressão, o Porto só conseguia responder por Quaresma, e no espaço de 3 minutos a eliminatória tornou-se muitíssimo complicada para os dragões. Aos 26' e 29' o Sevilha ampliou a sua vantagem para 2 e 3-0, com Danilo sempre mal figura e Vitolo e Carlos Bacca a conseguirem marcar. Os dragões viram-se atropelados e com uma montanha para escalar e só Defour e Quaresma pareciam ter capacidade para responderem de acordo com as exigências. 
    O intervalo chegou e Luís Castro foi expulso pouco depois de fazer entrar no jogo Quintero e Ricardo. Chegaram então os minutos de Beto no jogo com o guardião português a brilhar e a negar o golo a Quaresma e a Herrera. A expulsão de Coke aos 56' terá dado alguma motivação ao Porto mas acabou por ser Unai Emery o premiado - mesmo jogando em inferioridade trocou Bacca pelo luso-francês Kevin Gameiro e foi o avançado com sangue português a correr nas veias que colocou um ponto final na discussão. O irrequieto Vitolo tentou cruzar para Rakitic, Fabiano interceptou a tentativa com uma saída, mas Gameiro estava logo ali para empurrar a bola para golo. O golo deixou o Porto K.O. mas ainda houve tempo para Ricardo Quaresma fazer com que a despedida do Porto tivesse algo bom de se recordar - remate do meio da rua, colocado e indefensável para Beto.
    É sempre triste ver uma equipa portuguesa a abandonar uma competição europeia, mas o jogo de hoje foi uma fotografia da época portista. Muita desorganização e falta de atitude/ maturidade. O maior exemplo será mesmo o facto, relatado por Bacca, de Jackson Martínez não ter sido avisado pelos responsáveis do Porto que na 1.ª mão um amarelo o impediria de jogar este jogo. Fez, naturalmente, muita falta. Ricardo Quaresma, que continua a sua cruzada rumo ao Mundial, foi o melhor portista e do lado espanhol brilhou o português Beto, Vitolo e, acima de qualquer outro, Rakitic. O croata está no auge da carreira e certamente não estará em Sevilha na próxima temporada. Com a actual intensidade que apresenta, combinada com a técnica e classe que tem, a Premier League merece-o e ele merece-a.
    Um eminente 3.º lugar no campeonato português e agora o afastamento das competições europeias. A época do Porto está a ser atípica e restam apenas as taças nacionais, em dois duelos contra o Benfica.

Barba Por Fazer do Jogo: Ivan Rakitic (Sevilha)
Outros Destaques: Beto, Vitolo, Bacca; Ricardo Quaresma


Benfica  2 - 0  AZ Alkmaar (Rodrigo 39' 71')

    Na Luz não se esperavam muitas emoções mas sim uma exibição suficiente dos encarnados, procurando garantir um lugar nas meias sem pôr em cheque a condição física para o objectivo primordial - o campeonato. Jorge Jesus optou, como tem sido apanágio na Liga Europa, por um onze maioritariamente composto por segundas escolhas (sim, Cardozo e Salvio têm neste momento esse estatuto) embora com Luisão, Garay, Siqueira e Rodrigo entre os titulares.
    Logo no arranque do jogo, uma terrível notícia. Sílvio contraiu uma lesão grave depois de um lance dividido a meias com Luisão e teve que sair de maca, em lágrimas. O lateral português do Benfica estava claramente num momento de forma e, a confirmar-se a gravidade da lesão, poderá ser uma baixa significativa não só para o Benfica como para a Selecção. A polivalência de Sílvio poderá/ poderia ser decisiva nas opções de Paulo Bento, mas as suspeitas de fractura da tíbia não são animadoras. A 1.ª parte teve genericamente pouco interesse. O Benfica controlou as operações, nunca se deixou incomodar pelo AZ (impressionante a falta de bola que o talentoso Aron Jóhannsson teve) e valeu Alvarado por 2 vezes a impedir que Óscar Cardozo marcasse pelos encarnados. O avançado paraguaio pôs à prova Alvarado, na 2.ª ocasião após bom trabalho de Rodrigo. Parecia que teríamos 0-0 até ao intervalo, mas Salvio decidiu inventar um lance... à Salvio. O extremo argentino, no flanco direito, driblou quem surgiu no seu caminho, disparou rumo à linha de fundo e cruzou de forma exímia para uma excelente finalização de Rodrigo.
    No retomar do jogo as equipas entraram com poucas ganas. O Benfica por pensar no Arouca e por sentir a eliminatória controlada, e o AZ talvez por sentir que não teria capacidade para lutar e virar o tabuleiro a seu favor. No entanto, Aron Jóhannsson ainda procurou o golo - excelente diagonal e um bom remate, magnificamente defendido por Artur. Um movimento do qual o AZ abusou na 1.ª parte da primeira mão, embora por intermédio de Beerens e Berghuis. A eliminatória estava confortável mas mais cómoda ficou aos 71 minutos. Eduardo Salvio deliciou qualquer adepto com uma recepção para ver e rever, cruzou tenso e Rodrigo (a trajectória da bola obrigava Alvarado a algo mais) finalizou novamente com um remate de primeira. Nos minutos finais o Benfica procurou jogar para Cardozo e tanto o paraguaio como Salvio ficaram perto de marcar.
    Um agregado de 3-0 e mais uma prova da diferença qualitativa entre Benfica e AZ. Os encarnados controlaram a eliminatória, souberam resistir na 1.ª parte da primeira mão (mérito para Artur) quando os holandeses estiveram melhor, e escreveram mais um bonito capítulo da aventura europeia hoje na Luz. Rodrigo destacou-se ao marcar os 2 golos e será um alvo apetecível para diversos "tubarões" no próximo defeso, mas Eduardo Salvio foi o melhor em campo ao inventar com toda a sua técnica, força e velocidade os 2 lances que decidiram o jogo. O extremo benfiquista está a evoluir de jogo para jogo e será extremamente importante no final de época. Não nos podemos esquecer que, no contexto actual do nosso campeonato e em forma, Salvio é se calhar o jogador com maior capacidade de desequilíbrio em 1 para 1 na Liga ZON Sagres. Um jogo em que a nota negativa foi a lesão de Sílvio e veremos amanhã quem será o adversário nas meias-finais, onde o Benfica chega pelo 2.º ano consecutivo, com a final de Turim em vista. Juventus, Sevilha ou Valência? De preferência não a Juventus.

Barba Por Fazer do Jogo: Eduardo Salvio (Benfica)
Outros Destaques: Siqueira, Rodrigo; Alvarado



    Chegam então às meias-finais da Liga Europa: Benfica, Juventus, Sevilha e Valência. A vecchia signora voltou a fazer uma exibição apagada mas conseguiu seguir em frente. Andrea Pirlo inaugurou o marcador de livre directo, Briand empatou e o 2-1 chegou num remate de Marchisio desviado por um defesa. Em Valência viveu-se uma das mais emocionantes reviravoltas do futebol recente. Nunca nas competições europeias uma equipa que perdera 3-0 tinha conseguido virar a eliminatória a seu favor, mas os recordes existem para ser batidos. O Valência igualou a eliminatória em 90 minutos, conseguindo o seu 3-0 e, num prolongamento em que o Basel, desnorteado, ficou reduzido a 9 unidades, chegou então ao 5-0. Paco Alcacer foi a grande figura com um hat-trick que ficará na História do clube.

    Amanhã depois de se saber qual o sorteio da Champions (Atlético, Bayern, Real e Chelsea vão andar à roda), ficaremos também a saber quem será o adversário do Benfica. Sevilha e Valência têm equipas interessantes, vimos hoje 2 grandes jogos por parte das equipas espanholas mas, ainda assim, a Juventus é a equipa a evitar pelas águias.