
Premier League - Que saudades tuas, melhor Liga do mundo. Embora para os apaixonados por futebol a Premier League já fosse há alguns anos um campeonato sem igual dada a imprevisibilidade, o respeito, a cultura, o equilíbrio, a competitividade e o espectáculo, a edição de 2018/ 19 ajudou a colocar uma pedra sobre o assunto com uma frenética e inesquecível luta pelo título (Manchester City 98 pontos, Liverpool 97 pontos) e com os clubes ingleses a dominarem as competições europeias: a final da Champions opôs Liverpool e Tottenham, enquanto que a da Liga Europa teve Chelsea e Arsenal a medir forças.Curioso momento em que o Liverpool é rei da Europa, mas o Manchester City é dono e senhor do futebol inglês. Sob o comando de Pep Guardiola, os citizens conseguiram um bicampeonato que há muito não acontecia em terras de Sua Majestade, numa temporada de sonho em que Bernardo Silva, Sterling e companhia conquistaram todos os troféus possíveis em Inglaterra. Próximo desafio: conseguir algo que, desde que a Premier League foi fundada em 1992, apenas o Manchester United conseguiu - vencer 3 campeonatos consecutivos. Tudo aponta para que o título volte a ser disputado por Guardiola e Klopp (1-0 para o City em 2019/ 20 com a vitória na Community Shield), estando Manchester City e Liverpool acima da concorrência nesta fase, destacando-se depois o reforçado Tottenham, e surgindo maiores interrogações em relação a Arsenal, Chelsea e Manchester United.
MANCHESTER CITY (1)Entre os últimos 9 troféus em disputa em Inglaterra, o Manchester City conquistou 7. Os dois últimos campeonatos, as duas últimas taças da liga, as duas últimas Community Shield e a última FA Cup. No total das últimas edições da Premier League estiveram em jogo 228 pontos, o City somou 198 (100+98). Hoje, Manchester é azul celeste e, com aquele que é indubitavelmente o melhor treinador da actualidade, os citizens tornaram-se um colosso a nível interno, merecendo nas duas últimas temporadas o estatuto de equipa que praticou o melhor futebol da Europa. Na Champions, aí sim, falta estofo. Até deixar de faltar.
Antevemos que esta Premier League volte a ser um ombro-a-ombro entre City e Liverpool, mas atribuímos ligeiro favoritismo aos campeões em título pelo domínio que têm apresentado, pela sistemática capacidade de Pep em fazer crescer os seus jogadores, desafiando-os, por terem características que os tornam mais fortes numa maratona (numa competição a eliminar, virávamos o favoritismo para os reds), pela maior inteligência e qualidade na definição/ decisão dos seus intérpretes e porque, ao contrário da generalidade da época passada, desta vez há Kevin De Bruyne, um "reforço" que é porventura o melhor jogador da Liga.
Em 2019/ 20 deixa de haver o capitão Kompany no balneário, e desfrutem de cada minuto de David Silva porque está confirmada que esta será a sua última temporada no clube. Com um plantel muito jovem, KDB, Bernardo Silva (para a FIFA não foi Top-10 no "The Best" mas para nós e para quaisquer apaixonados por futebol, que decidem ver efectivamente futebol, seria incontestável Top-5 ou até mesmo Top-3) e Sterling (Guardiola parece estar a trabalhá-lo para alternar entre o flanco e a posição 9, aproveitando a sua evolução como finalizador) deverão ser os 3 principais destaques, tendo agora o treinador de 48 anos em Rodri um substituto e herdeiro perfeito para Fernandinho. Depois de ter um pé em Munique, a grave lesão de Leroy Sané pode ter hipotecado a sua transferência e grande parte desta época para o alemão, continuando o ataque do City dependente dos golos de Agüero (se marcar 24 golos torna-se o 3.º melhor marcador de sempre da Premier, apenas atrás de Rooney e Shearer), estando Gabriel Jesus à espreita, motivado após boa Copa América.
É na defesa - sector em que consideramos que o pool é superior - que surgem várias questões, tendo esta que ser uma época de consolidação para a dupla Stones-Laporte. Pep contará com muita polivalência: Walker actuará a lateral-direito e eventualmente a central, à esquerda há Zinchenko, Angeliño e o instagrammer Mendy, sendo a aquisição de João Cancelo particularmente útil ao poder funcionar como lateral nos dois lados e extremo, e entusiasmante uma vez que o esquema do City parece ideal para que o ex-Juventus, neste reencontro com Bernardo Silva, se farte de desequilibrar.
Se os campeões europeus, que não vencem o ceptro máximo do futebol inglês desde 1990, conquistarem o título no final da temporada não será propriamente uma surpresa. Afinal, se não for o Manchester City, terá que ser o Liverpool de Jürgen Klopp.
Os reds, nesta fase a equipa mais temível do mundo numa competição a eliminar, embora uma unha abaixo do City numa longa maratona, têm basicamente tudo. Em Anfield, adeptos e jogadores mantêm a maior fome deste mundo por conquistar a Premier League (factor que pode fazer a diferença diante de um City que tem "limpo" tudo internamente), Klopp é capaz de convencer o grupo de qualquer coisa, e após extraordinária campanha de 2018/ 19 o reforço quase nulo da equipa serve de mensagem e voto de confiança para este grupo. O Liverpool passou a ter Adrián em vez de Mignolet como suplente de super-Alisson, adquiriu os bebés Sepp van den Berg (em vez de irem buscar De Ligt, foram buscar o próximo De Ligt) e Harvey Elliott (jogador mais jovem de sempre da Premier) e contará ainda com Oxlade-Chamberlain e Lallana, este último em princípio agora como médio mais nuclear e cerebral, dois jogadores que quase não contribuíram em 18/ 19.
Em toda a linha, já sabemos o que a casa gasta. Alisson foi o melhor guarda-redes do mundo na última temporada, a defesa é bem capaz de ser a melhor da actualidade dada a monstruosidade de Van Dijk e os sempre impressionantes laterais Robertson e Alexander-Arnold (sim, ainda tem 20 anos), continuando a existir um lugar para ser disputado por Gomez e Matip, o que coloca o Liverpool a jogar com 3 centrais uma vez que Van Dijk vale por dois. Milner (um exemplo), Fabinho, Wijnaldum, Henderson, Keita e os já mencionados Chamberlain e Lallana são opções mais do que suficientes para Klopp rodar o miolo e ter sempre intensidade, músculo, pressão e dinâmica garantidas, e no ataque Firmino trabalha na sombra, enquanto Salah e Mané agradecem ao relvado e aos céus cada dádiva que dão aos adeptos. Do banco, além de Shaqiri e Origi, saltará neste certame o produto da formação Brewster.
Damos 51-49 a favor do Manchester City na luta pelo título, mas de facto, já está na hora de se ouvir You'll Never Walk Alone como pano de fundo da conquista da Premier League.
Treinador: Jürgen Klopp
O Tottenham é acusado de se ter tornado o clube do quase. No entanto, é indiscutível que os spurs vivem um dos períodos mais interessantes da sua História, consolidando-se e crescendo passo a passo e de modo sustentado. Finalista vencido na Champions League, o Tottenham tem neste momento um dos 5 melhores treinadores do mundo e conseguiu terminar sempre no Top-4 nos últimos quatro anos. Para contextualizar o feito, nos 26 anos anteriores isso tinha acontecido somente por 3 vezes.
Com um projecto com rumo certo, entregue ao homem do leme certo, apontar o clube do Norte de Londres ao 3.º lugar parece sensato. É difícil antecipar quem levará a melhor entre City e Liverpool, e perceber por que ordem ficarão classificados Chelsea, Arsenal e Manchester United, mas no meio de toda a incerteza, os spurs surgem ainda um degrau abaixo dos 2 favoritos, e globalmente acima dos restantes candidatos.
Sobre o mercado, podemos definitivamente dizer que cada tiro foi na muche. A começar por Tanguy Ndombélé, um médio que colmata uma lacuna deixada há meses pela saída de Moussa Dembélé, e que irá por certo encher o campo equilibrando a capacidade de antecipação e recuperação com o seu fulgor a transportar e quebrar linhas. Falou-se em Bruno Fernandes, mas o escolhido para médio total acabou por ser Lo Celso - o argentino é um mimo, acrescentando visão de jogo, assistências, golos e condução em transição. Finalmente, Ryan Sessegnon, que sempre pareceu destinado aos spurs, e pode agora evoluir durante os próximos anos, seja a lateral ou extremo-esquerdo.
Na frente, e desde que não contraia lesões, Harry Kane é o principal oponente de Mo Salah na corrida ao título de melhor marcador. No apoio ao ponta de lança inglês de 26 anos, que persegue paulatinamente o recorde de Alan Shearer, continua o cada vez mais respeitado e sempre sorridente Son Heung-Min, os renascidos Lucas Moura e Sissoko, o sobrevivente Christian Eriksen (fica ou sai para o Real Madrid até ao final do mês?) e Dele Alli, que tem muito mais futebol nas botas do que aquilo que demonstrou no último ano. Ficou só a faltar Dybala...
Que bom é estar vivo numa época em que o sempre poupado ou inexplicavelmente pobre Arsenal decidiu investir como gente grande. Ah e tal, só temos 40 milhões, ouviu-se a dada altura. Depois de uma 1.ª época satisfatória q.b. com Unai Emery (gritante ausência de destaques individuais, exceptuando Aubameyang, mas a verdade é que os gunners chegaram à final da Liga Europa, a competição-fetiche do treinador basco, e terminaram a Premier no 5.º lugar a apenas 1 ponto do Tottenham (4.º) e a 2 pts do Chelsea (3.º)), este tem que ser o momento de agarrar um lugar no Top-4, algo que o Arsenal não foi capaz de fazer nas últimas 3 edições, e que tinha conseguido sempre nas 20 anteriores, entre 1997 e 2016.
É lamentável que o clube não tenha sido capaz de segurar Aaron Ramsey, que se tornou assim a milésima contratação de luxo da Juventus a custo zero, mas é com muito entusiasmo que olhamos para um trio de ataque formado por Pépé, Aubameyang e Lacazette. Se serão capazes de funcionar juntos num 4-3-3 / 4-2-3-1 (mais correcta esta segunda hipótese dada a "preguiça" de Özil) ficaremos a saber em breve, mas é garantido que os gunners terão pelo menos Pépé e Aubameyang sempre em campo, e por isso as defesas adversárias vão por certo passar mal em muitas ocasiões. Emery parece decidido em não voltar a apostar em três centrais, fixando em definitivo uma defesa a 4, e não excluimos um desenho de 4-4-2 que concilie Torreira, Xhaka/ Guendouzi, Ceballos e Özil, com Auba-Pépé como dupla com maior mobilidade na frente.
Olhando para o plantel como um todo, Leno terá como desafio tentar aproximar-se do nível galáctico que na Premier pertence ao trio Alisson, Ederson e De Gea, ganhando a defesa dois importantes reforços: o até aqui rival David Luiz e o escocês Tierney, que pode ser o Robertson dos gunners. Com várias opções para o meio-campo e ataque, Emery passa agora a ter por ex. Xhaka, Torreira, Guendouzi e Ceballos para 2 posições, e por mais especial que seja Mesut Özil (um dos poucos jogadores que nos irrita, por ser um desperdício de talento), com Ceballos e Mhkitaryan como alternativas, o mago alemão terá invariavelmente que fazer pela vida se permanecer no clube até ao final da janela. Isto porque à partida, embora dependendo sempre das dinâmicas criadas, pode ser complicado fazer coexistir Auba, Pépé e Lacazette com um meio-campo onde esteja Özil, dada a falta de intensidade do 10.
Posto isto, há que ter ainda em consideração a juventude em busca de uma oportunidade. Guendouzi (tanto futebol e só 20 anos) procura continuar no onze e Maitland-Niles sabe que tem que "aproveitar" o período de recuperação de Bellerín.
Como é natural nesta fase da época, ainda existem muitos pontos de interrogação. No entanto, os adeptos do Arsenal têm motivos para estarem entusiasmados. Há matéria-prima para uma boa época.
Se a lógica imperasse, o Chelsea terminaria esta temporada abaixo dos 5 maiores rivais. Argumentação: os blues foram do Top-6 a equipa mais dependente de um só jogador (Hazard) na última época, perdendo esse mesmo craque, e enquanto Man City e Liverpool se mantiveram quase perfeitos, Arsenal, Manchester United e Tottenham acrescentaram todos eles qualidade às suas fileiras. Neste Chelsea pós-Hazard - 7 épocas esteve o belga em Stamford Bridge, carregando a equipa em variadíssimas épocas e momentos - são muitos os pontos de interrogação. Mas nos momentos de adversidade (o Chelsea esteve impedido de contratar, vendo apenas chegar o promissor Pulisic, contratado em Janeiro passado; e Sarri rumou à Juventus) nascem sempre oportunidades.
Frank Lampard foi o escolhido para sucessor de Sarri. O médio com mais golos na História da Premier League realizou um bom trabalho no Derby County e, embora seja o treinador mais jovem e mais inexperiente dos 20, parece-nos ser a pessoa certa no lugar certo, dado o momento. Obrigado a olhar para dentro, o Chelsea pode de certa forma encarar esta época com menos pressão, e muita será a motivação de vários jogadores que têm aqui uma chance única - era impossível melhor timing para Tammy Abraham poder singrar como blue, e uma boa época do Chelsea terá invariavelmente que significar que daqui a uns meses olharemos para Ross Barkley (veremos se como 3.º médio ou mesmo a partir da esquerda, como Hazard) ou Loftus-Cheek de outra maneira, acreditando nós bastante num tremendo salto qualitativo de ambos.
A chegada de Lampard deve representar novas funções para Kanté e Jorginho (duplo pivô?), desfeita a saída de bola preconizada por Sarri, e a defesa (Azpilicueta-Rüdiger-Christensen-Alonso) continua a ser das mais assertivas da Liga. Willian herdou o 10 de Hazard, e a capacidade de assumir e aparecer na Hora H que o belga tinha sempre terá que ser repartida entre o brasileiro, Pulisic, Pedro e, quando regressar de lesão, Hudson-Odoi.
É difícil para os adeptos dos red devils, que se habituaram e aceitaram como natural a sua condição de força dominante, entenderem a brutal distância a que ficaram num espaço de poucos anos do rival histórico Liverpool e do rival citadino City. Incapaz de se reerguer após a saída de Sir Alex Ferguson, o homem que era tudo em Old Trafford, o clube perdeu identidade, perdeu sagacidade a contratar, perdeu alma. Perdeu-se.
Entre 1992 e 2013, o Manchester United venceu 13 campeonatos em 21 possíveis. Desde que o mítico escocês trocou o banco pela bancada, a média tem sido o 6.º lugar e em campo os jogadores não têm sabido agradecer a oportunidade que têm em cada jogo, respeitando a camisola e suando pelos colegas. Outrora um dos balneários mais fortes do futebol europeu, hoje um misto de imaturidade, falta de profissionalismo e desejo de crescer rápido demais. Saiu Mourinho (nunca foi o treinador certo, e tal como alguns jogadores é alguém que se julga melhor do que hoje é, mas também esteve bem longe de ser o único problema) e é com Ole Gunnar Solskjaer que o clube procura regressar a outros tempos, recuperando tradições e o espírito certo.
De Gea, melhor guarda-redes da Premier League em quase todas as recentes edições excepto na última em que esteve francamente mal, terá agora à sua frente um quarteto que inspira confiança: Wan-Bissaka, Lindelof, Maguire e Shaw. O sueco ex-Benfica e o lateral esquerdo foram dos poucos destaques na época anterior, e Wan-Bissaka (fantástica evolução!) e Maguire (Guardiola queria contratá-lo, o que quer dizer "alguma" coisa) são efectivamente reforços.
Paul Pogba é o jóker da equipa, podendo ser o seu maior problema (vedeta) ou o craque superlativo. Acreditamos que totalize números (golos e assistências) convincentes, mas tememos que possa vir a ser intermitente, ficando desligado em alguns jogos. Paul Pogba: o estranho caso de um médio cujas características físicas e técnicas o tornam o 2.º médio e elemento de ligação e transporte perfeito, mas com uma cabeça que o faz querer somente ser o 3.º médio, com menos responsabilidades defensivas divertindo-se mais. Achamos que o United será tanto mais forte quanto menos depender de Pogba, e confiamos que McTominay possa ser uma agradável surpresa, esperando-se que esta seja a época em que Marcus Rashford dispara em direcção ao futuro a que parece estar destinado. Oxalá possa acontecer o mesmo com Martial. Finalmente, com muitos jovens da formação a deixarem boas indicações na pré-época, Solskjaer pode sentir-se tentado a dar uma boa dose de minutos a Angel Gomes, Andreas Pereira ou Chong, mas principalmente a Mason Greenwood (17 anos). Tudo isto sem esquecer Daniel James, o reforço galês que pode deixar Old Trafford de olhos arregalados com a sua velocidade estonteante. Romelu Lukaku saiu, e achámos a sua venda um erro.
EVERTON (7)
LEICESTER CITY (8)
WOLVES (9)
WEST HAM (10)
BOURNEMOUTH (11)Embora continue a parecer difícil o Bournemouth intrometer-se no leque pós-candidatos que parece reservado a Everton, Leicester, Wolves e West Ham, os cherries avançam para o Ano 5 na Premier League e sabem o que têm a fazer - com 42, 46, 44 e 45 pontos nas últimas épocas, os comandados de Howe terminaram em 16.º, 9.º, 12.º e 14.º de 2016 para cá. Com o núcleo preservado e alguns reforços interessantes, acreditamos que a tendência seja o Bournemouth manter-se longe da luta pela manutenção, fechando 2019/ 20 a rondar o meio da tabela.
Que Eddie Howe é especial já não restam grandes dúvidas, e especial será certamente também para os adeptos locais (e aquele Dean Court que acolhe pouco mais de 11.000?) continuarem a regozijar-se com as triangulações de Ryan Fraser, David Brooks e Callum Wilson, os 3 principais craques da época passada, que continuam todos por estas bandas.
O projecto existe, está saudável, o clube tem crescido e assim deve continuar pelo menos enquanto Howe não der o salto para o Top-6, e a prospecção e voto de confiança em jogadores das divisões secundárias continua a ser o modus operandi - há um ano atrás David Brooks foi comprado ao Sheffield United e valeu cada cêntimo gasto, e em moldes idênticos chegou este Verão o promissor lateral-esquerdo Lloyd Kelly (Bristol City), sem esquecer o dinamarquês Philip Billing, que descera com o Huddersfield. O mercado trouxe ainda o extremo holandês Danjuma, um back-up para Fraser cujas características assentam na perfeição naquilo que Howe quer dos seus jogadores dos corredores - habitualmente um a rasgar jogo, com vertigem atacando a profundidade, forçando situações de 1 para 1, e o do lado oposto construindo por dentro. É nesse lado que, após lesão de David Brooks (3 meses inapto) o emprestado Harry Wilson terá que arrancar a todo o gás para aproveitar esta chance.
A época tem tudo para ser positiva, o ataque deve dar gosto com Wilson e Fraser super-confiantes, Kelly pode ser uma revelação, Travers é aposta na baliza, Lewis Cook soará a "reforço" e David Brooks e Harry Wilson podem explodir por completo.
BRIGHTON (12)Graham Potter é um desconhecido para o grande público, mas o jovem técnico de 44 anos tem no seu CV argumentos que colocam qualquer adepto do seu lado, tendo subido a pulso desde 2010. Até chegar à Premier League, Potter começou - qual jogador louco de Football Manager - a carreira no modesto Östersund. Ao serviço do clube sueco, Potter orquestrou 3 subidas de divisão do 4.º escalão até à Allsvenskan (Primeira Liga), vencendo ainda a Taça e chegando mesmo a brilhar na Liga Europa, vencendo inclusive o Arsenal na 1.ª mão de uma eliminatória. Apaixonado pela filosofia de jogo de Guardiola e um estudante dos métodos de Roberto Martínez, Potter deixaria a Suécia ao fim de 8 anos, começando o seu trajecto britânico com o Swansea. E bastou uma época no Championship para que o futebol flexível, multi-sistema e moderno de Potter convencesse um clube da Premier League a recrutá-lo.
Nos seagulls, Graham Potter tem jogadores para jogar em 4-4-2, 4-2-3-1 ou 4-3-3 e o mais provável é assistirmos a vários sistemas no mesmo jogo. A defesa é sólida (o trio Matt Ryan, Duffy e Dunk tem bastante qualidade, e o novo central Webster permite uma melhor saída de bola) mas é sobretudo do meio-campo para a frente que se espera muito maior rendimento por parte de jogadores "adormecidos". O bom futebol que esperamos ver tornar-se prato do dia no Falmer Stadium pode fazer Solly March subir uns quantos degraus, transformando Jahanbakhsh e Locadia de flops para peças relevantes e decisivas num último terço onde continuará a estar, embora com menos minutos, o veterano Glenn Murray. Numa equipa que deve apresentar uma elevada % média de posse de bola (no Championship, o Swansea de Potter teve 56%, ficando apenas abaixo do Leeds de Bielsa), Groß, Pröpper ou Mooy terão o jogo sempre a passar pelos seus pés. Mas aqui entre nós, os principais reforços e candidatos a fan favourites ou MVP's deste plantel são mesmo o belga Leandro Trossard (Genk) e o francês Neal Maupay (Brentford).
WATFORD (13)
ASTON VILLA (14)
SOUTHAMPTON (15)Ok, já não há Van Dijk, Mané, Lallana, Shaw, Alderweireld, Wanyama, Lovren, Lambert ou Schneiderlin, mas o clube confia em Ralph Hasenhüttl (o homem que colocou o Leipzig no 2.º lugar em ano de estreia na Bundesliga) que, sem ombrear ainda com técnicos de sucesso no passado recente do clube como Pochettino ou Koeman, é superior a Pellegrino e Mark Hughes, e parece fazer um match bastante maior com o ADN dos saints do que Puel. E depois de algumas contratações falhadas (ainda há esperança para o flop Elyounoussi?) o recrutamento - uma das forças incontestáveis do clube numa fase em que se viu obrigado a substituir consecutivamente os craques que rumaram ao Liverpool - parece estar a entrar novamente nos eixos.
Num 4-4-2 que na realidade até é mais um 4-2-2-2, o Southampton deve serenar em definitivo a discussão entre Angus Gunn, McCarthy e Forster pela baliza entregando-a ao primeiro, sendo determinante dar estabilidade e tempo à melhor dupla de centrais saída do quinteto Bednarek, Yoshida, Hoedt, Stephens e Vestergaard. Isto se os saints não jogarem com 3 centrais. À esquerda, Bertrand é sinónimo de consistência, podendo o lateral-direito francês de 20 anos, Yan Valery, viver uma época de plena afirmação.
Determinantes serão as bolas paradas de Ward-Prowse, a dimensão física e táctica de Höjbjerg, Lemina ou Romeu e a velocidade nos corredores de Redmond (continuará 2019/ 20 como fechou a última campanha?) e do reforço atrevido e desconcertante Djenepo. Na frente, há Danny Ings, Shane Long e Che Adams para dois lugares, sem esquecer o miúdo Obafemi. O desafio do austríaco Hasenhüttl passa aliás por encontrar rapidamente o melhor 11 e as duplas (centrais, centro-campistas e avançados) com melhor química e casamento de características, contextualizadas na proposta de jogo colectiva, de pressão alta e postura proactiva, ficando para já a ideia que Che Adams (23 anos, marcou 22 golos pelo Birmingham e é daqueles avançados que, por marcar de todas as formas e feitios, pode revelar facilidade e impacto no salto para a Premier) e Ings podem fazer bastantes estragos juntos.
BURNLEY (16)Não nos esquecemos que há duas épocas o Burnley terminou o campeonato num chocante 7.º lugar, mas a época passada (15.º como classificação final) representou o regresso à Terra, e tudo indica que os clarets continuarão envolvidos na luta pela manutenção, prevendo-se que possam escapar novamente à descida de forma tangencial. Afinal, estamos a falar de uma equipa que é autêntica anomalia ou erro no sistema da Premier League e que, depois de algumas pequenas experiências na última época, deve abraçar em definitivo a sua natureza de Stoke City 2.0.
Dyche treina o clube desde 2012 (destes 20 técnicos, só Eddie Howe está no clube há mais tempo e apenas por uma questão de dias) e a estabilidade tem sido palavra de ordem no Turf Moor. É certo que o capitão Tom Heaton foi vendido ao Aston Villa e o balneário pode sentir a sua falta, mas a aposta em definitivo em Nick Pope já vinha sendo preparada, e Tarkowski (tinha lugar numa equipa do Top-10), Mee, Westwood (eleito Jogador do Ano do clube na época anterior), Lowton ou Cork costumam dar conta do recado, podendo Drinkwater ser um reforço de peso. Espera-se que Wood e Barnes voltem a passar a barreira dos 10 golos, sendo o regresso de Jay Rodriguez uma das boas notícias para os adeptos do Burnley. O ex-WBA é um jogador da casa, que volta assim a representar o clube que o lançou em 2007 e onde jogou até 2012. Do novo camisola 19 está ainda bem viva na nossa memória aquela incrível temporada de 13/ 14 ao serviço do Southampton, no final da qual uma grave lesão lhe roubou a hipótese de ir ao Mundial; e os 22 golos apontados no último Championship deixam no ar um cenário de renascimento.
Parece razoavelmente seguro apostar que o comportamento organizado e a força do colectivo podem garantir ao clube da cidade de Sir Ian McKellen a continuidade no primeiro escalão, tal como é expectável que o Turf Moor seja palco de frustrações e perda de pontos para alguns dos candidatos ao Top-4. Para esta edição aguardamos com curiosidade o papel de Jay Rodriguez neste regresso a casa dos pais, desejamos que Robbie Brady (apenas cerca de 700 minutos em 18/ 19) possa acrescentar em campo toda a sua qualidade, e apostamos forte na explosão do esquerdino Dwight McNeil, um talento de 19 anos que revolucionou o processo ofensivo da equipa na segunda metade da época transacta.
CRYSTAL PALACE (17)
NEWCASTLE (18)Numa altura em que a Premier League é presente e futuro, sendo por isso recrutados técnicos com muito para dar como Graham Potter ou o regressado Brendan Rodgers, o Newcastle escolheu ficar no passado com Steve Bruce. Os adeptos querem adiar ao máximo uma eventual queda em ruína como a que o rival Sunderland viveu, mas achamos que o mais provável será o Newcastle ter mais do que 1 treinador esta época, tornando-se o desfecho da época mais imprevisível dependendo da valia do eventual futuro homem do leme e de algumas afinações que possam ser feitas em consequência.
No entanto, há sempre a hipótese de tudo correr bem. Os magpies - as transferências levam a crer que Bruce irá desfazer o conservador 5-3-2 de Rafa Benítez - poderão continuar tímidos na hora de marcar golos mas quem tem Schär, Lascelles ou Lejeune tem a garantia de bons desempenhos defensivos. Hayden e Shelvey são jogadores "duros" que dificultam a vida a qualquer adversário, interessando principalmente assistir à evolução de Longstaff (21 anos), ele que em 18/ 19 só precisou de 8 jogos para se tornar um dos médios da moda em Inglaterra até contrair uma lesão grave. Na frente, os papéis outrora de Ayoze e Rondón terão que ser interpretados agora por Almirón e Joelinton (as suas características deixam antever impacto nesta Liga, e só tem 22 anos, mas pagar 44 milhões pareceu-nos um exagero), antecipando-se que o reforço Saint-Maximin (um dos jogadores mais fortes da actualidade no capítulo do drible) possa ser o "abre-latas" de serviço e Andy Carroll um suplente útil ou herói improvável, se ressuscitar no clube onde viveu a máxima felicidade e mostrou o melhor futebol da sua carreira.
SHEFFIELD UNITED (19)
NORWICH CITY (20)







TOTTENHAM (3)
ARSENAL (4)


MANCHESTER UNITED (6)

























