Antevisão da Barclays Premier League 2017/ 18

Não há nada como a Premier League. Quem vai conquistar a liga mais competitiva do planeta? Que jogadores se vão destacar? As previsões do Barba Por Fazer estão todas aqui.

Antevisão da Liga NOS 2017/ 18

Quem vai ganhar entre Benfica, Porto e Sporting? O Barba Por Fazer dá-te a mais completa análise à nova época do futebol português.

Crítica: Dunkirk

Não é o melhor filme de Christopher Nolan, mas é o melhor desde os últimos óscares. Se só puderem ir ao cinema uma vez até ao fim de 2017, escolham a experiência que é ver Dunkirk.

Revisão: Better Call Saul (3ª Temporada)

Uma obra-prima paciente. E a melhor série da primeira metade de 2017.

Emmys Barba Por Fazer 2017: Nomeados

Entre os nomeados dos primeiros Emmys BPF, destaque para as várias nomeações de Better Call Saul, The Leftovers, The Night Of, Master of None e Atlanta.

27 de fevereiro de 2017

E os Óscares 2017 foram para...

A Academia pronunciou-se e elegeu, num final que causou um gigante amargo de boca a La La Land, Moonlight como Filme do Ano. Houve "golpe de teatro" com Warren Beatty e Faye Dunaway a terem um problema com os cartões e, depois de anunciarem La La Land como vencedor da categoria máxima, ouvindo-se inclusive os discursos dos produtores do filme de Damien Chazelle, tudo voltou atrás para Moonlight ser, feita a correcção, o escolhido.
    Num ano com poucas surpresas nas principais categorias, La La Land ganhou 6 estatuetas (Realizador e Actriz as mais valiosas), mas Moonlight conquistou três fortes (Melhor Filme, Actor Secundário e Argumento Adaptado). Como ontem tínhamos escrito, era real a hipótese de La La Land coleccionar vários óscares, vendo depois a derradeira escapar para o filme de Barry Jenkins. 

    Relativamente à cerimónia: depois de Justin Timberlake abrir o Rock in Rio... perdão, os Óscares, o monólogo de Jimmy Kimmel (o humor dele é sempre natural e tudo sai genuíno) apontou baterias ao seu nemesis Matt Damon (pela primeira vez na História dos Óscares, a música castradora foi tocada para alguém a apresentar uma categoria), a Mel Gibson, e ao senhor presidente, terminando com uma chamada de atenção para a "sobrevalorizada" (sim, as aspas indicam ironia) Meryl Streep que colocou o Dolby Theatre de pé, deixando a nu a bizarra forma de Nicole Kidman bater palmas. 
    Ao longo da noite, Kimmel pegou no pequeno Sunny Pawar como se fosse Simba, soltou docinhos, bolachas e donuts vindos dos céus, pediu emprestados os habituais Mean Tweets - em versão óscares - ao seu talk-show, e marcou a 89.ª edição com uma "jogada" da organização ao introduzir na cerimónia convidados-surpresa vindos de um tour (difícil imaginar melhor resultado do que o que aconteceu). Bonita iniciativa da produção igualmente ao criar duplas com actores que se deixaram influenciar/ inspirar por outros - Charlize Theron e Shirley MacLaine, Seth Rogen e Michael J. Fox ou Javier Bardem e Meryl Streep.
    Quanto às estatuetas propriamente ditas, prioridade ao que é notícia: Suicide Squad, muito provavelmente um dos piores filmes do ano, conseguiu a proeza de ir para casa com um óscar na mão. Agora mais a sério, La La Land foi o filme que levou mais óscares no saco, embora abaixo das previsões - tínhamos apontado para algo entre 8 e 11, mas fechou a noite com 6.

    Damien Chazelle tornou-se o mais jovem de sempre a ganhar um óscar de Melhor Realizador; Casey Affleck ganhou o duelo de titãs com Denzel Washington; Emma Stone, Mahershala Ali e Viola Davis ganharam como era esperado.

    Tudo de acordo com o expectável nas duas categorias de escrita - Manchester by the Sea e Moonlight saíram vencedores -, surgindo depois algumas surpresas nas componentes técnicas. Nas categorias de Som, Arrival ganhou na Mixagem, vencendo Hacksaw Ridge (finalmente, Kevin O'Connell, à 21.ª foi de vez!) na Edição/ Montagem. Surpreendente a vitória de Hacksaw, o filme de Mel Gibson, na Edição/ Montagem global, quando La La Land ou até Arrival pareciam ter mais hipóteses na teoria.
    Nas curtas-metragens, Sing foi a principal surpresa, com o trio de favoritos Zootopia, O.J.: Made in America (recordamos, tem 7 horas e 47 minutos, é muita fruta) e o iraniano The Salesman a vencerem Animação, Documentário e Filme Estrangeiro.
    

Melhor Filme: Moonlight
Melhor Realizador: Damien Chazelle (La La Land)
Melhor Actor: Casey Affleck (Manchester by the Sea)
Melhor Actriz: Emma Stone (La La Land)
Melhor Actor Secundário: Mahershala Ali (Moonlight)
Melhor Actriz Secundária: Viola Davis (Fences)
Melhor Argumento Original: Manchester by the Sea
Melhor Argumento Adaptado: Moonlight
Melhor Design de Produção: La La Land
Melhor Fotografia: La La Land
Melhor Guarda-Roupa: Fantastic Beasts and Where to Find Them
Melhor Edição/ Montagem: Hacksaw Ridge
Melhor Caracterização: Suicide Squad
Melhor Banda Sonora: La La Land
Melhor Mixagem de Som: Hacksaw Ridge
Melhor Edição/ Montagem de Som: Arrival
Melhores Efeitos Visuais: The Jungle Book
Melhor Música: "City of Stars", La La Land
Melhor Filme de Animação: Zootopia
Melhor Filme Estrangeiro: The Salesman
Melhor Documentário: O.J.: Made in America
Melhor Curta-Metragem: Sing
Melhor Documentário (Curta): The White Helmets
Melhor Curta de Animação: Piper

26 de fevereiro de 2017

Óscares Barba Por Fazer 2017

As luzes baixam na audição e Mia fala da tia que costumava viver em Paris, minutos antes de um epílogo que diz "tenho saudades do passado que não tivemos". Lee Chandler, preso ao sofrimento e culpa, faz das linhas de diálogo There's nothing there e I can't beat it das mais profundas e simples do Cinema recente. Os heptapodes dotam uma especialista em linguística e, acima de tudo, uma mãe, da capacidade de ver todo o tempo de modo linear; a mesma Amy Adams, um animal nocturno, perde-se nas páginas e lê sobre uma perseguição de carro enervante. Daniel Blake faz um graffiti, o pacifista Desmond T. Doss procura salvar "só mais um" de cada vez, e a personagem hippie de Viggo Mortensen cede às lágrimas num close-up ao som de Sigur Rós. Dois irmãos assaltam bancos para preservar o património da família, e o traficante de droga Juan ensina o pequeno Chiron a nadar. E assim se passou mais um ano na Sétima Arte.

    Senhoras e senhores, bem-vindos a uma cerimónia digital que certamente não será considerada "sobrevalorizada" por @realDonaldTrump. Aqui não há ninguém a engonhar, não há infinitos intervalos publicitários nem orquestras que convidam os vencedores a encurtar discursos e rumar ao backstage; é a sexta vez que fazemos os nossos Óscares BPF, e abaixo encontrarão os nossos devaneios, opiniões, com vencedores e mesmo nomeados que diferem em muitos casos das escolhas da Academia. Mantemos as nossas 12 categorias, com duas "extra".

    Porém, antes de avançarmos para o que realmente interessa, tivemos que passar pela red carpet, onde nos apresentamos com as indumentárias lindas que vocês podem constatar acima. Tiago traz-nos uma vestimenta muito sui generis. Uma camisa verde vintage emprestada pelo idoso Alcino dos Santos, uma meia da Pé de Meia daquelas mais compridas, umas botas khaki já de algum tempo e uma cueca branca (estilo saco de pão) puxada até ao umbigo. Está confortável. Reparem ainda, não na arma que possui na mão, mas sim no pormenor de meter só metade da camisa para dentro da branca cueca. Nota positiva, pois jogou pelo seguro ao não colocar tudo para dentro. Todos sabem que só Luisão do Benfica o pode fazer sem perder o estilo.
    Já Miguel vem num estilo mais The Wire. Atentem na ousadia de apostar num provocador amarelo mas querendo ao mesmo tempo parecer discreto. Traz uns ténis gastos claramente da DC, umas calças furtadas ao Canina do 7º D da Escola Secundária Padre António Vieira e uma t-shirt preta XXL para acompanhar as calças também elas a atirar para o largo. Tudo respira naquele corpo. O rejubilante casaco amarelo descaído é um claro apoio ao projecto de CeeLo Green que nos Grammys se vestiu de Ferrero Rocher para promover o seu novo trabalho. Quanto às poses, Miguel escolheu estar um pouco de perfil para dar ênfase à sua postura badass até ao fim, enquanto que Tiago preferiu preparar-se para bater um livre à Ronaldo.
    Ok... Não está a resultar. Pedimos desculpa. Tentámos fortemente classificar os nossas trajes (há quem diga que têm influências da melhor série de todos os tempos) para não parecer mal, mas a verdade é que acabámos de chegar do Carnaval de Torres Vedras de maneiras que é isto... Ponto positivo: não trouxemos nenhuma matrafona atrelada, nem nenhuma mulher semi-nua daquelas que aparecem nos telejornais da TVI propícias ao derramamento do bolo alimentar.

    Agora vamos lá a isto. Vamos lá aos Óscares Barba Por Fazer 2017.


MELHOR FILME
Vencedor: La La Land
Outros Nomeados: Moonlight, Manchester by the Sea, Arrival, Nocturnal Animals, Hell or High Water, I, Daniel Blake, Hacksaw Ridge, Captain Fantastic

    Pior do que 2014, melhor do que 2015. A fornada de 2016, avaliada agora já neste ano, teve muitos filmes num nível Bom- (Swiss Army Man, 20th Century Women, Green Room, The Nice Guys, Morris from America, Jackie, Toni ErdmannAmerican Honey, Little Men ou The Witch) mas dessa gama, na sua maioria indie, escolhemos Captain Fantastic para constar no nosso Top-9. Fora da caixa, leve mas profundo, levanta questões ao assumir-se em certa medida como uma caricatura, carregado pelo magnífico Aragorn. Hacksaw Ridge faz-nos dizer "Bem-vindo de volta, Mel Gibson", I, Daniel Blake olha para a sociedade britânica sem medos e Hell or High Water é simples e universal, não sendo provavelmente o Filme do Ano para muitos, mas revelando-se impossível deixá-lo da lista de finalistas. Já Nocturnal Animals (a Academia nomeou Fences, Hidden Figures e Lion, vagas que entregamos a Captain Fantastic, I, Daniel Blake e ao filme de Tom Ford) tem o mérito de carregar bastante subtexto e algumas linhas de interpretação, destacando-se na sua execução pelo carácter enervante e envolvente, e pela inteligência com que navega entre a realidade e a ficção.
    No entanto, há um quarteto acima dos restantes: Arrival, Manchester by the Sea, Moonlight e La La Land. Falam alto os argumentos dos dois primeiros, com Arrival a revelar-se um daqueles filmes que à segunda e com todo o conhecimento é lido doutro modo, e Manchester um drama com pinceladas de humor que é basicamente uma aula de acting de Casey Affleck.
    Entre La La Land e Moonlight, escolhemos à justa o filme de Damien Chazelle, essencialmente porque Moonlight, depois de dois terços sublimes, vacila na resolução. E é precisamente a resolução que faz de La La Land um clássico instantâneo. E nós nem gostamos de musicais...

MELHOR REALIZADOR
Vencedor: Damien Chazelle (La La Land)
Outros Nomeados: Barry Jenkins (Moonlight), Denis Villeneuve (Arrival), Mel Gibson (Hacksaw Ridge), Tom Ford (Nocturnal Animals)

    Não lhe demos o Óscar em 2015 (mas nomeámo-lo por Whiplash, ao contrário da Academia) mas damos desta vez! Damien Chazelle é um visionário, um dos poucos casos em que a palavra prodígio pode ser aplicada. Se La La Land é consistente nos seus vários elementos, o mérito é indiscutivelmente do condutor da orquestra, ambicioso, respeitador da História do Cinema, mas determinado em criar algo novo, algo seu. O enérgico trabalho de câmara em La La Land, conjugado com longos planos nos números musicais, é apenas um de vários pontos fortes, demarcando-se de muitos outros pela forma surpreendente e genial como volta (em Whiplash ainda foi melhor) a rematar um filme. Impossível ficar indiferente àquele epílogo. Chazelle começa a criar "fama" de saber escrever e realizar um bom e marcante Fim, colocando a fasquia bem alta para os seus próximos trabalhos.
    Barry Jenkins surge logo a seguir, com influências orientais na Realização de Moonlight, que não consideramos pretensioso como alguma Crítica e espectadores. Depois de vários trabalhos fortíssimos como Incendies, Prisoners e Sicario, Denis Villeneuve surge finalmente nas nossas escolhas com um Arrival que é tudo o que podíamos pedir e mais ainda, provando que é o realizador certo para Blade Runner 2049. Depois, um regresso em grande para Mel Gibson, com tudo aquilo que o caracteriza, e num último lugar que poderia ser de Pablo Larraín (depois de Jackie, estaremos atentos a futuros trabalhos do chileno) ou Kenneth Lonergan, escolhemos Tom Ford.

MELHOR ACTOR
Vencedor: Casey Affleck (Manchester by the Sea)
Outros Nomeados: Denzel Washington (Fences), Viggo Mortensen (Captain Fantastic), Andrew Garfield (Hacksaw Ridge), James McAvoy (Split)

    Ok, Ryan Gosling teve um ano soberbo e poucos trabalharam tanto como ele nos preparativos de La La Land, mas analisando apenas o filme, deixámo-lo pelas menções honrosas, juntamente com Jesse Plemons (o ataque de pânico de Lucas Hedges em Manchester by the Sea com peitos de frango congelados foi marcante, mas o melhor ataque de pânico deste ano foi de Plemons num supermercado em Other People) e Jake Gyllenhaal, não em Nocturnal Animals mas sim em Demolition.
    Até porque relativamente à Academia só temos uma diferença, a ausência de Gosling abre espaço para James McAvoy, que em Split se dividiu em várias personalidades saltando entre elas de forma fantástica. Andrew Garfield soube canalizar as emoções de Hacksaw Ridge no clímax do filme de Mel Gibson, Viggo Mortensen vestiu uma das melhores personagens deste ano e desarmou-nos quando cedeu às lágrimas num longo take próximo do seu rosto, e Denzel Washington gritou muito mas demonstrou que como actor ainda preserva a fome de outros tempos.
    Independentemente de tudo isto, e apesar de ser possível a Academia preferir Denzel a Affleck, para nós Casey Affleck deixou a concorrência a anos-luz. A parte boa do trabalho de Affleck em Manchester by the Sea é o facto de fugir às tendências tradicionais daquilo que é um "papel de óscar" - não é uma transformação física, nem uma personagem icónica, mas é brilhante. O irmão mais novo de Ben Affleck afundou-se na apatia e no sofrimento, e será difícil esquecer as suas cenas na esquadra, alguns momentos com o sobrinho e a conversa com a ex-mulher no fim. Porque nem sempre é preciso dizer ou vociferar, às vezes o abstracto e o silêncio comunicam mais. Desde que seja bem interpretado.

MELHOR ACTRIZ
Vencedora: Emma Stone (La La Land)
Outras Nomeadas: Natalie Portman (Jackie), Rebecca Hall (Christine), Amy Adams (Arrival), Krisha Fairchild (Krisha)

    A categoria de interpretação mais forte do ano. Para ficarem com uma ideia, não só as nossas 3 menções honrosas (Isabelle Huppert, Ruth Negga e Sandra Hüller) surgiriam num Top-5 num ano normal, como ainda houve outras actrizes a brilhar: Annette Bening, Hailee Steinfeld e Sasha Lane.
    Mas Stone, Portman, Hall, Adams e Krisha foram as cinco que não conseguimos por nada retirar da equação. Na estreia do promissor realizador Trey Edward Shults, Krisha Fairchild deu corpo ao clima perturbador e instável do filme; Amy Adams, estrela de Arrival e Nocturnal Animals, cabe nas nossas nomeadas graças ao filme de Villeneuve, mediante a sua inigualável expressividade (sem uma actriz como ela, as emoções que o filme procura não seriam activadas). Impressionante como a Academia a deixou de fora...
    Rebeca Hall foi uma das ausências mais graves da lista da Academia, embora isso se explique pelo pouco buzz e difusão que Christine teve. Extraordinária transformação da actriz, a mergulhar numa personagem rumo à depressão e ao desespero.
    E assim, a nossa dúvida final foi Emma Stone vs. Natalie Portman. Como Jackie Kennedy, Portman conseguiu uma reconstrução perfeita (genial aproximação na dicção e modulação da voz), funcionando em sintonia perfeita com o realizador Pablo Larraín, que soube "puxar" o melhor da actriz de Black Swan, Léon ou Closer. Mas, com Emma Stone a "carregar" La La Land, este é o ano dela. A actriz que convenceu os pais a deixarem-na seguir o seu sonho com uma apresentação de PowerPoint, recuperou o charme e confiança das grandes estrelas do Cinema antigo, mantendo uma vulnerabilidade pronta a ser activada nos momentos certos. Os seus vários castings (as luzes baixam e naquela Audição é o momento em que Stone agarra o óscar, qual Anne Hathaway) foram a montra perfeita para o talento da ruiva que é ruiva por sugestão de Judd Apatow.

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Vencedor: Mahershala Ali (Moonlight)
Outros Nomeados: Aaron Taylor-Johnson (Nocturnal Animals), Ben Foster (Hell or High Water), John Goodman (10 Cloverfield Lane), Ralph Fiennes (A Bigger Splash)

    E nos secundários temos apenas 1 actor em comum com a Academia: Mahershala Ali. Deixámos de fora Michael Shannon, Jeff Bridges, Lucas Hedges e Dev Patel, entendendo que seria mais justo colocar qualquer um dos homens acima apresentados.
    Se a Academia preferiu Shannon e Bridges, nós damos mais valor aos underdogs Aaron Taylor-Johnson (bem capaz de ser o actor cujo papel mais nos surpreendeu este ano) e Ben Foster. Ambos como personificação da imprevisibilidade nos seus filmes.
    10 Cloverfield Lane estreou há muito, mas não nos esquecemos do brilhante desempenho de John Goodman, com uma personagem que faz o espectador oscilar entre desconfiar, empatizar, confiar e temê-lo; Ralph Fiennes irradia carisma em A Bigger Splash, roubando todas as cenas em que entrou e marcando este ano com uma dança sua; nas menções honrosas deixámos o novato Lucas Hedges e o excelente e exigente trabalho de Daniel Radcliffe como cadáver-bebedouro com alta flatulência e erecções. Que bela descrição de personagem.
    Mas todos os caminhos vão dar a Mahershala Ali. O actor de House of Cards e Luke Cage foi, em termos de papéis, a melhor parte de Moonlight e a prova viva que se pode marcar um filme e a vida de alguém com uma presença relativamente fugaz. O carisma de Ali como Juan é inquestionável, mas o principal destaque deste exemplo que não é exemplo foi mesmo a capacidade de representar vergonha quando uma criança lhe faz a pergunta que queria evitar a todo o custo ouvir.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Vencedora: Mackenzie Davis (Always Shine)
Outras Nomeadas: Naomie Harris (Moonlight), Viola Davis (Fences), Greta Gerwig (20th Century Women), Hayley Squires (I, Daniel Blake)

    Sim, a nossa Melhor Actriz Secundária não foi sequer nomeada pela Academia. É certo que temos uma certa "pancada" por Mackenzie Davis (essencialmente graças a Halt and Catch Fire e Black Mirror), mas não é por acaso que a actriz canadiana entrará em 2017 em Blade Runner 2049 e numa comédia de Jason Reitman ao lado de Charlize Theron. Poucas terão sido as pessoas que viram Always Shine, o filme de baixo orçamento de Sophia Takal, mas embora o thriller fique por um nível decente globalmente, Davis rouba as atenções da protagonista (interpretada por Caitlin FitzGerald) com uma audição-que-afinal-não-é-audição e uma intensa leitura/ treino de um guião. Talvez o mais correcto fosse considerar FitzGerald e Davis ambas protagonistas e nenhuma secundária, e se assim for esta é a nossa batota do ano, mas não deixa de ser curioso que entreguemos os óscares femininos (Emma Stone e Mackenzie Davis) a duas actrizes cujas personagens são também elas actrizes.
    Posto isto, Naomie Harris (tão brutal aquele quebrar da quarta parede, Barry Jenkins) é o denominador comum das 3 partes de Moonlight; Viola Davis, entre babas e ranhos, é o apoio cúmplice de Denzel Washington em Fences; e enquanto que a Academia optou por nomes como Octavia Spencer, Michelle Williams (soou-nos a overacting) e Nicole Kidman, as nossas escolhas recaíram na sempre vulnerável e magnética Greta Gerwig (outra actriz pela qual desenvolvemos uma certa predilecção) e numa boa surpresa chamada Hayley Squires.
    Houvesse mais lugares e teria havido espaço para as nossas menções honrosas - Julianne Moore cheia de sotaque em Maggie's Plan e duas jovens actrizes que não páram de orbitar os filmes e projectos certos, Riley Keough e Elle Fanning.


MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Vencedor: Kenneth Lonergan (Manchester by the Sea)
Outros Nomeados: Damien Chazelle (La La Land), Taylor Sheridan (Hell or High Water), Paul Laverty (I, Daniel Blake), Jim Jarmusch (Paterson)

    Manchester by the Sea ou La La Land? Foi a nossa dúvida, e será também a dúvida da Academia. Mas já lá chegamos. Os Óscares não quiseram nada com eles, mas I, Daniel Blake e Paterson surgem entre o nosso quinteto de nomeados. O argumento de Paul Laverty é uma escalada emocional numa visita brilhante à burocracia governamental, enquanto que Paterson revelou ser capaz de colocar poesia no grande ecrã.
    Depois, Hell or High Water. A simplicidade de Taylor Sheridan, o guionista de Sicario que abomina exposição nos seus trabalhos, é magistral: tudo numa base show, don't tell, com as personagens a terem objectivos e obstáculos bem projectados, e a relacionarem-se de modo lógico e consequente. Em La La Land Damien Chazelle voltou a insistir num ponto abordado em Whiplash, a ideia de sacrificar tudo em prol do foco em ser brilhante em algo; e a verdade é que, se para muitos é estranho ver-se um Musical nomeado para Melhor Argumento, o que é certo é que La La Land não é definitivamente um musical convencional. No entanto, Manchester by the Sea leva a taça. Pautado pela capacidade de flutuar entre o humor e o drama (exagerado e desnecessário apenas no momento em que a maca de Michelle Williams está a ser colocada na ambulância), o filme consegue transparecer a noção de Família, e tendo Casey Affleck como veículo de comunicação perfeito, Lonergan dá-nos duas linhas de diálogo simples e parcialmente abstractas mas que são também por isso as duas melhores deste ano: There's nothing there e I can't beat it.
    20th Century Women merecia maior publicidade, e Swiss Army Man, tendo as suas imperfeições, não deixa de ser um exercício ousado e original.

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Vencedor: Eric Heisserer (Arrival)
Outros Nomeados: Barry Jenkins (Moonlight), Tom Ford (Nocturnal Animals), August Wilson (Fences), Luke Davies (Lion)

    A sensibilidade e inteligência com que Eric Heisserer adaptou o conto de Ted Chiang, Story of Your Life, conseguindo o foco certo (a comunicação, a língua) chega-nos para bater a concorrência. Heisserer preservou a mensagem e a alma - a relação mãe-filha - da história original, foi pioneiro na edificação da escrita alienígena e desenhou a planta e ponto de partida adequados para Denis Villeneuve, Bradford Young e Amy Adams trabalharem.
    Moonlight é porventura o filme do Ano que melhor construiu, trabalhou e desenvolveu personagens, sentindo nós apenas falta de algo mais na 3.ª e última parte; Tom Ford dotou Nocturnal Animals da capacidade de caminhar entre as duas linhas narrativas. E não poderíamos deixar de incluir um Senhor chamado August Wilson, e o argumento de Lion, uma daquelas histórias de vida que nos prendem a todos.


MELHOR EDIÇÃO/ MONTAGEM
Vencedor: Tom Cross (La La Land)
Outros Nomeados: Joe Walker (Arrival), Jennifer Lame (Manchester by the Sea), Joan Sobel (Nocturnal Animals), John Gilbert (Hacksaw Ridge)


MELHOR FOTOGRAFIA
Vencedor: Linus Sandgren (La La Land)
Outros Nomeados: James Laxton (Moonlight), Bradford Young (Arrival), Rodrigo Prieto (Silence), Natasha Braier (The Neon Demon)


MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
Vencedor: Justin Herwitz (La La Land)
Outros Nomeados: Nicholas Brittel (Moonlight), Jóhann Jóhannsson (Arrival), Andy Hull e Robert McDowell (Swiss Army Man), Nick Cave e Warren Ellis (Hell or High Water)


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Vencedor: "City of Stars" (La La Land)
Outros Nomeados: "Audition (The Fools Who Dream)" (La La Land), "Montage" (Swiss Army Man), "Drive It Like You Stole It" (Sing Street), "The Empty Chair" (Jim: The James Foley Story)

    Entre as Categorias Técnicas, 4 em 4 para La La Land. O filme de Damien Chazelle apresenta-se forte e coeso em praticamente todas as suas componentes. A Edição de Tom Cross foi o remate perfeito, revelando-se capaz de contar a história em sintonia com a visão de Chazelle e com a ousadia dos movimentos de câmara, deixando o filme respirar quando em plano-sequência, e limando arestas quando esses planos foram em mais do que um take. Numa categoria em que também poderia constar Moonlight, destaque para a Edição emocional de Arrival, as transições temporais de Manchester, a capacidade de gerar e trabalhar um clima de tensão em Nocturnal Animals e o misto de violência e paz em Hacksaw Ridge com excelente trabalho de montagem quando a guerra chega ao filme.
    Se na Banda Sonora, o trabalho de Justin Herwitz marca em definitivo o ano (boa utilização de música clássica de Nicholas Brittel num filme que se fica pela rua; pena que em Arrival a música que mais brilhe seja uma repescagem de Jóhann Jóhannsson, "On the Nature of Daylight"), no departamento de Fotografia tivemos mais dúvidas. Silence e The Neon Demon, sem serem portentos no seu todo destacam-se nesse capítulo, Arrival tem o clima e atmosfera certos, mas a genial paleta de cores de Moonlight, num gradiente que escurece à medida que Chiron começa a compreender e experimentar o mundo à sua volta, só perde para a capacidade de Linus Sandgren em fazer La La Land passar a sua magia.
    Nas canções, contrariamente à Academia não deixámos de fora Sing Street e Swiss Army Man, mas o desempate teria que ser entre "City of Stars" e "Audition". A segunda traduz o momento em que o coração do filme bate com mais força, mas a primeira é mais transversal à história. Em todo o caso, a melhor composição de Herwitz é aquele "Epilogue" de 7 minutos. Tivesse uns versos cantados e ganhava aqui. 


Total de Nomeações Barba Por Fazer:

9 - La La Land;
7 - Moonlight, Arrival;
5 - Nocturnal Animals;
4 - Manchester by the Sea, Hacksaw Ridge, Hell or High Water;
3 - Fences, I, Daniel Blake;
2 - Captain Fantastic, Swiss Army Man;
1 - Silence, The Neon Demon, 10 Cloverfield Lane, Always Shine, Lion, Paterson, 20th Century Women, Krisha, A Bigger Splash, Christine, Jackie, Split, Sing Street, Jim: The James Foley Story.


Tal como nos últimos anos, fechamos então a nossa cerimónia digital com mais duas categorias, uma em reconhecimento da consistência ao longo do ano ou de impacto significativo no sector, e a outra de olhos postos no futuro.


Personalidade do Ano: Ryan Gosling
Rookie do Ano: Anya Taylor-Joy. Outros nomeados: Lucas Hedges, Karl Glusman, Michael Barbieri, Ashton Sanders.

    Se há um ano atrás houve empate técnico entre Alicia Vikander e Tom Hardy, desta vez Ryan Gosling merece sozinho o estatuto de Personalidade do Ano. É certo que Amy Adams, sem ser a actriz do ano, protagonizou 2 dos nossos nomeados a Melhor Filme (Arrival e Nocturnal Animals) e que tanto Mahershala Ali como Andrew Garfield multiplicaram-se em bons trabalhos, mas 2017 é um ano de viragem para Gosling, o completar de uma metamorfose. Sempre gostámos da gestão de carreira de Gosling (desde indies como Lars and the Real Girl e Half Nelson a futuros filmes de culto como Drive), mas neste momento é claro que Hollywood olha para ele com outros olhos. Para além de muito ter aprendido (piano, dança) para brilhar ao lado de Emma Stone, basta uma pequena contextualização para se perceber o porquê de ser a nossa Personalidade do Ano - este ano entrou também em The Nice Guys, filme bastante subvalorizado de Shane Black, vinha de ter participado em The Big Short e prepara-se para surgir no novo filme de Terrence Malick, protagonizando ainda o muito esperado Blade Runner 2049. A tudo isto pode-se acrescentar o facto de já ter sido confirmado como Neil Armstrong no próximo filme de Damien Chazelle. A vida corre bem a Ryan Gosling. Mérito dele.
    Nos Rookies, e embora tenha havido muitos outros talentos emergentes como Angourie Rice (The Nice Guys), Sasha Lane (American Honey), Lucy Boynton (Sing Street), Lucas Jade Zumann (20th Century Women) e mesmo os pequenos Judah Lewis, Royalty Hightower e Lewis MacDougall, a nossa principal aposta para o futuro é Anya Taylor-Joy. Numa categoria em que no passado incluímos nomes como Jack O'Connell, Adèle Exarchopoulos, Keith Stanfield, Lupita Nyong'o ou Jacob Tremblay, a actriz nascida nos EUA mas com raízes argentinas e britânicas mostrou em The Witch e Split que veio para ficar, merecendo suceder a Bel Powley.
    Embora seja sempre arriscado elogiar o potencial de talentos muito precoces, Michael Barbieri (Little Men) tem qualquer coisa de especial, sem Ashton Sanders na sua parte ii. Moonlight não seria igual, Lucas Hedges (presente já em vários filmes, inclusive dois de Wes Anderson) evoluiu muito ao lado de Casey Affleck e, por fim, Karl Glusman embora nascido em 1988 - mais velho do que os restantes, portanto - conseguiu com pequenos contributos em Nocturnal Animals e The Neon Demon o suficiente para garantir papéis de relevo no futuro e lançar-se em definitivo depois de se ter colocado no mapa com Love de Gaspar Noé.



Estas são as nossas opiniões. Estejam naturalmente à vontade para dar as vossas.
Agora vão às vossas vidas, que ler isto deu trabalho. E tentem dormir a sesta, para logo aguentarem os Óscares da Academia até ao fim. Não é fácil, não é fácil...


Miguel Pontares e Tiago Moreira

25 de fevereiro de 2017

Previsões Vencedores Óscares 2017

A grande festa do Cinema está aí à porta! Amanhã à noite parte do mundo vai parar, de olhos postos em Hollywood, com o Dolby Theatre em Los Angeles a encher-se para a 89.ª Edição dos Óscares da Academia.
    Jimmy Kimmel, o anfitrião de um dos melhores talk-shows norte-americanos, conduzirá a cerimónia, estando por isso garantidos Donald Trump e Matt Damon (o arqui-inimigo de Kimmel, por brincadeira) como alvos no seu monólogo inicial. Pelo palco veremos passar, como apresentadores, figuras ilustres como Leonardo DiCaprio, Brie Larson, Mark Rylance, Alicia Vikander, Samuel L. Jackson, Warren Beatty, Faye Dunaway, Amy Adams, Javier Bardem, Shirley MacLaine, Steven Spielberg, James Cameron e Alejandro G. Iñárritu; a nível musical, Justin Timberlake, Sting e a dupla Lin-Manuel Miranda/ Auli'i Cravalho interpretarão as suas canções nomeadas, ficando a cargo de John Legend o medley "City of Stars" e "Audition", músicas que ganharam vida com Ryan Gosling e Emma Stone no grande ecrã.
    Contrariamente aos últimos anos, em que a Academia tem dividido bastante os méritos, desta vez tudo parece apontar numa direcção: 'La La Land'. O filme de Damien Chazelle soma 14 nomeações (igualou o recorde, pertencente a Titanic e All About Eve) e tem variadíssimos factores a seu favor: pode ser um papa-técnicos como nos últimos anos foram Mad Max: Fury Road, Gravity e The Grand Budapest Hotel, mas deve juntar a isso estatuetas com outro peso. Hollywood adora olhar para o seu próprio umbigo, e 'La La Land' é um filme que navega no equilíbrio perfeito entre ser auto-reflexivo para o sector (Birdman foi o último Melhor Filme que preenchia essa característica), mas com uma mensagem universal e nostálgica para o mundo ao mesmo tempo. Para além da possibilidade de termos Los Angeles a aclamar um filme com o ADN e impressão digital de LA, não podemos também ignorar o facto da Academia valorizar o regresso/ homenagem das origens. Aconteceu com The Artist, e pode acontecer este ano num filme que referencia o passado dos grandes musicais
    Ao longo da noite suceder-se-ão os discursos com indirectas para o presidente que iniciou funções a 20 de Janeiro - é uma questão de esperar depois pelas respostas, via @realDonaldTrump - com a política anti-imigração de Trump a poder beneficiar 'Moonlight' na corrida para melhor filme e 'The Salesman' como filme estrangeiro, ajudando ainda Denzel (ganhando apenas Mahershala Ali e Viola Davis teremos 2 actores afroamericanos premiados, como aconteceu já em 2001 (Denzel e Halle Berry), 2004 (Jamie Foxx e Morgan Freeman) e 2006 (Forest Whitaker e Jennifer Hudson), mas a verdade é que se Denzel Washington derrotar Casey Affleck a resposta de inclusão da Academia será ainda mais clara numa época em que se fala em muros).
    Abaixo fazemos contas, mas uma grande noite para Chazelle, Stone e companhia significará sempre uma noite fraca para 'Moonlight' e 'Arrival', os 2 filmes que surgem como mais nomeados (8 categorias) depois das 14 indicações de 'La La Land'. É importante recordar que o Recorde de mais óscares arrecadados pertence ao trio Ben-Hur, Titanic e The Lord of the Rings: The Return of the King, com 11 óscares cada um, destacando-se o facto do filme de Peter Jackson ter conseguido o pleno (11 em 11) em 2003. Já se sabe que 'La La Land' não tem hipóteses de conquistar os 14 óscares para que está nomeado, porque duas nomeações são na mesma categoria, podendo portanto no máximo somar 13 óscares, se vencesse todas as categorias para as quais estava nomeado. A Academia não ultrapassa a dezena de estatuetas entregues a um filme precisamente desde o derradeiro The Lord of the Rings, mas o mais certo é que 'La La Land' feche a noite com algo entre 8 e 11 óscares. No máximo, temos recorde igualado. Embora apostemos que ficará abaixo disso.

    Olhando para os "sinais" que o sector nos foi dando durante a season de prémios, os Producers Guild Awards distinguiram 'La La Land' como Melhor Filme (8 dos últimos 9 vencedores nos PGA venceram depois a estatueta máxima nos Óscares), e os Directors Guild Awards aclamaram o trabalho do jovem Damien Chazelle (32 anos). A unanimidade em torno de 'La La Land' passou também pelos Golden Globes e pelos BAFTA, com os SAG Awards a escolherem Denzel Washington, Emma Stone, Mahershala Ali e Viola Davis no quarteto de categorias de interpretação. A dúvida "Casey Affleck vs. Denzel Washington" é, graças aos SAG (porque Casey Affleck ganhou tudo o resto, mas os Screen Actor Guild Awards são o melhor indicador de previsão), um dos maiores pontos de interesse da noite.

    Amanhã poderão ver os nossos Óscares Barba Por Fazer 2017, uma cerimónia digital já com alguns anos aqui no blog e que muitas vezes se afasta da Academia em termos de nomeados/ vencedores. Para já, estas são as nossas previsões para a realidade:


Melhor Filme: La La Land
Melhor Realizador: Damien Chazelle
Melhor Actor: Casey Affleck | Denzel Washington
Melhor Actriz: Emma Stone
Melhor Actor Secundário: Mahershala Ali (Dev Patel)
Melhor Actriz Secundária: Viola Davis
Melhor Argumento Original: Manchester by the Sea (La La Land)
Melhor Argumento Adaptado: Moonlight (Arrival)
Melhor Design de Produção: La La Land
Melhor Fotografia: La La Land
Melhor Guarda-Roupa: Jackie (La La Land)
Melhor Edição/ Montagem: La La Land
Melhor Caracterização: Star Trek Beyond
Melhor Banda Sonora: La La Land
Melhor Mixagem de Som: La La Land (Arrival, Hacksaw Ridge)
Melhor Edição/ Montagem de Som: Hacksaw Ridge (Arrival)
Melhores Efeitos Visuais: The Jungle Book
Melhor Música: "City of Stars", La La Land
Melhor Filme de Animação: Zootopia
Melhor Filme Estrangeiro: The Salesman (Toni Erdmann)
Melhor Documentário: O.J.: Made in America
Melhor Curta-Metragem: Ennemis Interieurs | Timecode
Melhor Documentário (Curta): Extremis | Joe's Violin | Watani: My Homeland
Melhor Curta de Animação: Piper (Blind Vaysha)


Conclusões finais:

    Honestamente, parece-nos que só 'Moonlight' pode estragar a noite a 'La La Land'. A probabilidade do filme de Emma Stone e Ryan Gosling ser o mais galardoado da noite é elevadíssima, mas como na Arte por vezes o todo não é igual à soma das partes, pode acontecer até 'La La Land' coleccionar estatuetas a noite toda, perdendo depois a mais importante. Não nos parece o cenário mais provável, mas não o afastamos por completo.
    Mediante o vendaval de óscares que 'La La Land' pode somar, o mais inteligente e lógico é talvez abordar o que pode e não pode ganhar o filme de Damien Chazelle, e depois analisar o que sobra. Melhor Filme e Melhor Realizador estão muito bem encaminhados, e Emma Stone - a actriz que fez uma apresentação de PowerPoint para convencer os pais a deixarem-na seguir o seu sonho - é a grande favorita (o facto de ser ela a "carregar" o favorito a Melhor Filme é o principal factor, embora Natalie Portman tenha um desempenho digno de óscar e Isabelle Huppert seja o wildcard numa categoria bastante forte este ano). Fotografia, Edição, Design de Produção, Banda Sonora e Canção Original parecem-nos também dados quase adquiridos: e com isto já vamos em 8 Óscares.
    Embora não seja impossível vencer nas categorias de Argumento Original e Guarda-Roupa, apostamos que o guião de Kenneth Lonergan para 'Manchester by the Sea' e o figurino de 'Jackie' (normalmente os filmes de época têm vantagem) podem bater 'La La Land', havendo também bastante equilíbrio em termos de Som. Pessoalmente, apostamos que 'La La Land' ganhará Mixagem de Som (21.ª vez sem ganhar para Kevin O'Connell, o sound mixer de 'Hacksaw Ridge'?) e 'Hacksaw Ridge' ganhará Edição de Som. Mas há ainda 'Arrival' metido ao barulho a aumentar a incerteza.
    Vincámos a confiança que temos na vitória de Emma Stone, mas o mesmo podemos fazer relativamente a Mahershala Ali e Viola Davis. Dev Patel e Naomie Harris são, respectivamente, a concorrência que cada um enfrenta, mas parecem-nos estar a anos-luz em termos de chances. Já o duelo Denzel vs. Affleck parece-nos um verdadeiro 50/ 50 nesta fase. A lógica parece dizer Denzel, mas vamos seguir o nosso feeling e dar vantagem a Casey Affleck num 51-49.
    Barry Jenkins deve subir ao palco pelo Argumento de 'Moonlight', embora 'Arrival' seja um adversário de peso, e mesmo a dupla 'Hidden Figures' e 'Fences' tenha hipóteses; 'Zootopia' e 'The Salesman' são os favoritos como Filme de Animação e Filme Estrangeiro, surgindo como outsiders bem próximos 'Kubo and the Two Strings' e 'Toni Erdmann'. A nível de Documentário, 'O.J.: Made in America', peça com 7 horas e 57 minutos, é o grande favorito, apenas beliscado por '13th' de Ava DuVernay. 'The Jungle Book' parte na pole position nos Efeitos Visuais, e a nível de Maquilhagem/ Caracterização o nosso palpite recai em 'Star Trek Beyond', embora nos pareça que qualquer um dos três nomeados possa sair vencedor.
    Como sempre as 3 categorias de curtas-metragens surgem como o verdadeiro 31 para quem quer acertar tudo. Tendo apenas visto 'Piper' e 'Borrowed Time' (duas de animação) acreditamos que 'Piper' possa voar alto, embora a premissa de 'Blind Vaysha' seja interessante, num ano - pelo que vimos dos trailers - bastante heterogéneo e forte a nível de execução. 'Ennemis Interieurs' e 'Timecode' dividem o favoritismo na Curta-Metragem, sendo mais difícil ainda prever qual será o Documentário (versão curta) mais votado pela Academia - 'The White Helmets' pode ser visto como propaganda, '4.1 Miles' e 'Watani: My Homeland' são incrivelmente pertinentes dado o contexto político mundial, podendo no entanto a escolha recair em algo mais intemporal como 'Extremis' ou 'Joe's Violin'.

    Resumidamente, 'La La Land' deve viver um epílogo feliz, tornando-se o filme mais unânime para a Academia desde 2003, altura em que hobbits, elfos e orcs "limparam" tudo. Reforçamos que nosso entender, no máximo 'La La Land' chega às 11 estatuetas (recorde fixado em 1959, 1997 e 2003), sendo mais provável que se fique por 8, 9 ou 10.
    Logo veremos se haverá surpresas. Seja como for, estaremos cá depois para comentar.

Fiquem ligados!
Miguel Pontares e Tiago Moreira

23 de fevereiro de 2017

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 26

Duas semanas depois, o espectáculo da Premier League está de regresso. Bem, não para todos. Na primeira de várias jornadas que irão obrigar os jogadores de Fantasy a uma cuidada e atenta gestão dos seus plantéis, a Jornada 26 deixa fora de cena Manchester United, Arsenal, Manchester City e Southampton. A equipa de Mourinho defronta os saints neste Domingo, forçando o adiamento destes 2 jogos (mais tarde, jogadores como Ibrahimovic, Alexis Sánchez e Agüero terão jornadas "duplas").
    Embora haja muitos ajustes no calendário para serem feitos da jornada 30 para a frente, e que terão uma importância crucial na tabela final (guardem os Triple Captain e Bench Boost para os momentos certos), certo é que na jornada 27 a normalidade regressa, mas na jornada 28 teremos uma mini-jornada - os jogos Everton-West Brom, Hull-Swansea, Bournemouth-West Ham e Liverpool-Burnley estão garantidos mas, desde que o City elimine o Huddersfield na repetição do jogo da FA Cup, a coisa deve ficar por aí. Sim, apenas 4 jogos (oito equipas).
    Todos estes jogos em branco, que mais tarde resultarão em jogos a dobrar para vários craques, têm indiscutivelmente que pesar nas contratações que vamos fazer durante os próximos tempos. Este fim-de-semana não há propriamente um jogo grande, ficando porventura o Leicester City-Liverpool como merecedor desse estatuto.
    Com 3 das equipas do Top-6 sem jogar, o Chelsea pode aproveitar para aumentar a distância provisoriamente para os rivais, enquanto que o próprio Tottenham pode colocar-se na segunda posição, pressionando City, Arsenal e United. Atenção ainda ao momento do Everton (equipa com melhores resultados na Premier League em 2017), uma das equipas que não tem jornadas em branco, e ao Hull City de Marco Silva, que inicia nesta jornada uma sequência de jogos absolutamente decisivos.
    O destaque da jornada 25 foi Sadio Mané, a grande estrela do Liverpool 2-0 Tottenham ao marcar os dois golos da partida (16 pontos para o senegalês); Alexis Sánchez, Mawson, Bertrand, Lanzini, Gabbiadini, Feghouli, Olsson e Martial roubaram também os holofotes nos jogos das suas equipas.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2518758-588128)


As nossas apostas para a 26.ª jornada são:

Eden Hazard - Chelsea - 10.3
    Só Alexis Sánchez (bem isolado, com 183 pontos!) soma, disputadas 25 jornadas de 38, mais pontos do que o belga Eden Hazard.
    Depois do assertivo 3-1 contra o rival Arsenal, destruindo uma vez mais a época dos gunners que entretanto se mantiveram fiéis à sua tradição de serem atropelados pelo Bayern na Champions, o Chelsea vacilou na deslocação ao Burnley (até ao empate com os blues, a equipa de Sean Dyche contava 9 vitórias, 1 empate e 3 derrotas em casa, terreno que representa 96,6% dos pontos do Burnley esta temporada). Hazard não apareceu nesse 1-1, mas a tendência será voltar a surgir em bom plano contra o Swansea.
    Motivados e bem comandados pelo novo técnico, Paul Clement, os swans estão em rota de recuperação, surgindo em 15.º quando há poucas jornadas estavam em zona de descida, mas a agressividade ofensiva de Diego Costa e o talento de Hazard, hoje com liberdade para ser quase um vagabundo no campo, devem chegar para que a equipa de Conte fique um passo mais perto do título. Contra Hazard, o facto de não jogar na jornada 28. A seu favor, tudo o resto: o calendário do Chelsea é bom a curto-prazo, a recta final é excelente, surgindo os maiores desafios antes disso nas jornadas 31 e 33, e não esqueçamos que o facto de não actuar na jornada 28 significa que a recepção ao Watford há-de ser calendarizada para uma promissora jornada dupla.


Leighton Baines - Everton - 5.7
    Desde que entrámos no novo ano, o Everton venceu o Southampton por 3-0, goleou o Manchester City por 4-0, venceu o Crystal Palace fora com esforço (0-1), encheu a barriga num 6-3 diante do Bournemouth, empatando com Middlesbrough e Stoke.
    Ter jogadores do Everton é um dos pontos-chave para "sobreviver" nestas semanas de Fantasy. Os toffees são uma das equipas que vivem melhor momento, apresentam equilíbrio (na frente, Lukaku já é o melhor marcador, enquanto que os defesas somam clean sheets) e são uma das poucas equipas garantidas na magra jornada 28.
    Romelu Lukaku é a opção prioritária da equipa de Koeman. No entanto, contar com jogadores como Coleman, Baines, Barkley ou Davies faz todo o sentido. O irlandês Seamus Coleman (sequência de 6-12-15-5-4-7 nas últimas 6 jornadas, nas quais conseguiu sempre clean sheet ou golo ou assistência) é o defesa que têm que ter nos vossos quadros, mas Baines surge como um bom diferencial, ou mesmo como opção para quem queira apostar a dobrar na defesa do Everton.
    Com 3 jogos em casa nos próximos 4 confrontos, esperando-se por isso muito volume ofensivo em Goodison Park, pode dar-se a sorte de Baines ter uma grande penalidade para o seu pé esquerdo.


Lazar Markovic - Hull City - 5.4
    Há vida depois do Sporting. A carreira de Markovic (saiu cedo demais da Luz) depois do Benfica tem sido uma constante desilusão. Por diversos factores, o sérvio não resultou em Liverpool (verdade seja dita, chegou a jogar a ala num sistema com 3 centrais), pouco brilhou na Turquia ao serviço do Fenerbahçe, e pelo Sporting, no reencontro com Jorge Jesus, somou apenas 6 jogos.
    No entanto, o Hull City de Marco Silva parece ser a oportunidade certa para um jogador que aos 22 anos ainda vai mais do que a tempo de dar o rumo certo à carreira. Embora nunca tenha sido um jogador de números (golos, assistências) regulares e fiáveis, as exibições de Lazar contra Manchester United e Arsenal deixaram água na boca. Viu-se um jogador 100% comprometido com a equipa e disposto a assumir despesas criativas. Ora, aproximando-se jogos com Burnley, Leicester e Swansea, está na hora de Markovic abrir o livro e mostrar-se capaz de ser um "abre-latas" para Marco Silva. O Burnley tem apenas 1 ponto fora em 11 jogos... mais 3 pontos para o técnico português?


Dele Alli - Tottenham - 8.8
    Honestamente, se quiséssemos apontar as melhores soluções dos spurs para esta jornada (jogo em casa com o Stoke) os nomes teriam que ser Harry Kane e Christian Eriksen.
    Analisar a verão 1.0, os jogos da primeira volta dos vários embates de cada ronda, nem sempre faz muito sentido. As equipas vivem momentos, os jogadores mudam, até os treinadores e as suas ideias mudam. Em Setembro passado, Lukaku marcou 3 ao Sunderland, Zaha e Benteke causaram problemas ao Middlesbrough, o Liverpool castigou o Leicester, e o Tottenham goleou fora o Stoke por 4-0.
    Kane é sinónimo de golos, Eriksen é o criativo da equipa de Pochettino e "cresce" frequentemente nos jogos caseiros, e por isso Dele Alli enfrentará uma espécie de ultimato de vários managers de Fantasy. Depois de uma sequência de sonho para qualquer médio entre as jornadas 17 e 22 (8 golos em 6 jogos), Alli já leva três jogos sem marcar ou assistir, tendo os spurs marcado apenas 1 golo nesses 270 minutos.
    Os próximos 3 jogos do Tottenham são em White Hart Lane, mas não há jogo para a turma de Pochettino na ronda 28. Por isso mesmo, o ataque está obrigado a render. Será difícil retirar Kane, mas mais uma jornada em branco de Dele Alli pode torná-lo num dos jogadores mais transferidos nas próximas semanas.


Sadio Mané - Liverpool - 9.3
    A espectacular vitória de 2-0 diante do Tottenham (uma das melhores primeiras partes que alguma equipa fez esta temporada na Premier League) foi um oásis no 2017 do Liverpool de Klopp.
    Afastados das taças e focados apenas no campeonato (os reds estão actualmente em 5.º lugar, embora com apenas mais 1 ponto do que o Manchester United, que apresenta muito maior fluidez e confiança nesta fase), os jogadores de Jürgen Klopp viram o seu potencial de Fantasy ressuscitar quando o Burnley foi eliminado da FA Cup pelo modesto Lincoln, mantendo intacto o Liverpool-Burnley da jornada 28.
    Com Leicester (fora), Arsenal (casa) e Burnley (casa), recomendamos que coloquem o senegalês Sadio Mané nas vossas equipas mal possam. Com 11 golos e 7 assistências, o jogador mais eléctrico de Anfield promete superar-se em terras de Sua Majestade (pelo Southampton nunca passou dos 11 golos, totalizando um máximo de 160 pontos/ época, quando esta temporada já tem 132).
    Sadio Mané é um daqueles jogadores que os adversários não sabem como retirar do jogo. E são esses os jogadores que queremos ter nas nossas equipas no Fantasy.



Outras Opções:
- Guarda-Redes: O suiço Eldin Jakupovic (4.1), claro destaque nas últimas jornadas sobretudo contra Manchester United e Liverpool, recebe o Burnley (equipa que conquistou apenas 1 ponto fora) e tudo parece estar do seu lado. Jakupovic tem ainda o Bónus de ser igualmente boa opção para a jornada 28, quando apenas 5 equipas jogos estiverem em disputa.
    Thibaut Courtois (5.9) é substancialmente mais caro, e o Chelsea terá que ter atenção às bolas paradas do Swansea, mas tanto ele como Joel Robles (4.7) e Ben Foster (4.7) podem ser boas opções nesta jornada.

- Defesas: Na defesa, Seamus Coleman (5.9) é fulcral na edificação do nosso melhor 11 para esta jornada, mesmo tendo acima referido Leighton Baines, ligeiramente mais barato mas visto nesta fase como uma alternativa, um diferencial.
    Chris Brunt (5.1) costuma brilhar quando os jogos são em casa - 9, 13 e 8 pontos nas últimas três vezes que actuou diante dos seus adeptos -, e mesmo estando o Swansea a viver um bom período, e não tendo nada a perder em Stamford Bridge, já se sabe o que retorno que normalmente Marcos Alonso (6.7), Gary Cahill e César Azpilicueta dão. O espanhol ex-Fiorentina é quase sempre a nossa prioridade, e esta jornada não foge à moda.
    No Tottenham, Kyle Walker (6.3) baixou ultimamente o nível mas não deixa de ser por larga margem o melhor lateral-direito nesta edição, enquanto que Andrew Robertson (4.3) é incrivelmente barato e tem estado num nível alto com Marco Silva.

- Médios: Hazard, Mané, Christian Eriksen (8.7) (o registo em casa é bom demais para ignorar) e Wilfried Zaha (5.6) são os nossos quatro escolhidos numa ronda em que não há Alexis Sánchez.
    Pedro Rodríguez costuma exibir-se melhor em Stamford Bridge, palco do Chelsea-Swansea no qual Sigurdsson tentará carregar o Swansea como habitualmente. Já vincámos a nossa confiança em Markovic, embora Kamil Grosicki (5.5) e Alfred N'Diaye (4.5) tenham também perfil para serem heróis nesta jornada pelo Hull. Matt Phillips (5.8) tem no espaço das próximas 2 jornadas as suas derradeiras oportunidades para demonstrar que merece continuar nos nossos plantéis, Ross Barkley (7.1) cresce sempre quando Lukaku está em grande, e no Watford-West Ham teremos na nossa watchlist Lanzini e Feghouli.
    Mahrez, Coutinho e Firmino terão uma palavra a dizer no Leicester-Liverpool. Para nós, só Mané merece total confiança para já.

- Avançados: Querem golos? Romelu Lukaku (9.9), Diego Costa (10.6)  e Harry Kane (11.2) devem dar-vos isso mesmo. Com 16, 15 e 14 golos respectivamente, jogam todos em casa e todos marcaram na primeira volta às equipas que irão defrontar este fim-de-semana.
    Christian Benteke (7.2) só marcou 1 golo nos últimos 10 jogos mas pode ser um diferencial interessante nesta jornada; Defoe e Llorente remarão contra a maré nos seus jogos, podendo o inglês fazer mais estragos; Oumar Niasse (5.6) deve ser a escolha de Marco Silva, e embora estejamos expectantes para ver o que fazem Rondón e Niang, é em Jamie Vardy (9.6) que confiamos excepcionalmente nesta jornada.



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11 (3-4-3): Jakupovic; Coleman, Brunt, Alonso; Eriksen, Mané, Zaha, Hazard; Costa, Lukaku, Kane

Atenção a (Clássico; Diferencial):
Chelsea v Swansea  - Eden Hazard; Pedro Rodríguez
Crystal Palace v Middlesbrough - Wilfried Zaha; Christian Benteke
Everton v Sunderland - Romelu Lukaku; Leighton Baines
Hull City v Burnley - Alfred N'Diaye; Lazar Markovic
West Brom v Bournemouth - Chris Brunt; James Morrison 
Watford v West Ham - Michail Antonio; M'Baye Niang
Tottenham v Stoke - Harry Kane; Son Heung-Min
Leicester City v Liverpool - Sadio Mané; Jamie Vardy

10 de fevereiro de 2017

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 25

Está feito para o Chelsea? A vitória categórica dos blues no derby londrino (3-1) deixou os líderes comandados por Antonio Conte com uma vantagem pontual de 9 pontos. Se há palco propício a surpresas, esse palco chama-se Premier League, mas olhando para o "estofo" deste Chelsea, para a pujança do seu corredor central e para a cultura táctica adjacente à equipa, será muito difícil que qualquer um dos pretendentes ao título (Tottenham e Manchester City os melhores colocados para fecharem o Top-3) consiga roubar o ceptro ao clube de Abramovich.
    Enquanto que Hazard, Costa e companhia podem respirar fundo até à jornada 31 - os blues têm alguns embates "chatos" como a deslocação desta jornada ao campo do Burnley, mas só nas rondas 31 e 33 é que defrontam adversários de peso, os rivais de Manchester -, há duas outras lutas que estão ao rubro: todos querem ir à Champions mas, partindo do pressuposto que uma vaga já está entregue ao Chelsea, entre Tottenham, Manchester City, Arsenal, Liverpool e Manchester United só 3 poderão ir à liga milionária. As equipas de Pochettino, Guardiola e Mourinho parecem ser nesta fase aquelas que mais chances têm de o conseguir. Na cauda da tabela, a competição está mais escaldante do que nunca - Sunderland e Crystal Palace têm 19 pontos, o Hull City de Marco Silva tem 20, enquanto que Swansea, Middlesbrough e Leicester City contabilizam 21 pts. Ao rubro!
    Nesta jornada 25 o jogo grande coloca frente-a-frente Liverpool e Tottenham, embora vá ser interessante acompanhar o que faz o Hull em casa do Arsenal, e o desfecho do embate entre Swansea e Leicester, ambos com 21 pontos.
    Recuando uma semana, o fim-de-semana passado foi a ronda de Lukaku. O ponta-de-lança belga desfez o Bournemouth com um póker, totalizou 21 pontos e saltou para a liderança dos melhores marcadores com 16 golos marcados. Para além de Romelu, brilharam também Mkhitaryan, Obiang, Joshua King, Defoe, Barkley, Koné e Ranocchia. E Gabriel Jesus voltou a encantar... desta vez diante dos adeptos do clube.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2518758-588128)


As nossas apostas para a 25.ª jornada são:

Gylfi Sigurdsson - Swansea - 7.4
    Ele é o Swansea. Depois de 3 jornadas consecutivas a marcar (Liverpool, Southampton e Manchester City), o islandês que qualquer jogador de Fantasy adora é um dos jogadores em melhor forma em Inglaterra. Com um total de 8 golos e 7 assistências até à data, tudo aponta para que Sigurdsson bata recordes individuais nestes dois capítulos esta temporada, e o facto de menos de 10% de utilizadores o terem é o ponto-chave deste raciocínio.
    Uma vitória em Anfield, uma vitória caseira contra o Southampton com Gylfi a marcar e a assistir, e a capacidade de quase roubar 2 pontos ao City no fim-de-semana passado confirmam que o Swansea está a crescer com Paul Clement, e todo o futebol ofensivo dos swans orbita em torno do seu camisola 23.
    Com um calendário promissor - Leicester (casa), Chelsea (fora), Burnley (casa), Hull (fora), Bournemouth (fora), Middlesbrough (casa) - no qual destoa a deslocação a Stamford Bridge, os swans têm a médio-prazo vários confrontos com rivais directos, e é precisamente isso que nos leva a crer que Sigurdsson vá aparecer. Afinal, é daqueles jogadores que nunca se esconde e assume sempre. Se as próximas jornadas correrem bem ao Swansea, Sigurdsson deverá ter a sua dose de responsabilidade.


Henrikh Mkhitaryan - Manchester United - 8.8
    Três golos e apenas uma assistência são números bastante distantes daquilo que antecipávamos que fosse a temporada do arménio ex-Dortmund. Mourinho demorou a entregar a titularidade a Mkhitaryan, mas o ponto favorável disso é que nesta fase o número 22 do United parece um reforço de Inverno para a equipa.
    O preço de 8.8 parece bastante elevado para um jogador que ainda precisa de provar que merece a nossa confiança, mas a qualidade técnica de Mkhitaryan é inequívoca - adaptado e de lugar cativo no onze como bem se justifica, pode ser o playmaker deste Manchester United, com uma brutal capacidade de acelerar o jogo, uma visão de jogo ímpar e uma definição no último terço que o diferencia dos restantes.
    O calendário do United só se complica na recta final, e por isso mesmo durante o próximo mês espera-se um assalto dos pupilos de Mourinho aos lugares de Champions. Vêm aí golos de Ibrahimovic, mas vêm também muitos lances de Mkhitaryan que vão valer a pena ver e rever.


Andy Carroll - West Ham - 6.3
    Ainda em dúvida para o jogo com o West Brom (75% probabilidade de ir a jogo), o gigante inglês pode ser um diferencial interessante para atacar as jornadas que se aproximam.
    A inesperada e polémica saída de Payet serviu para unir o balneário dos hammers e deu-se a escalada na classificação, com a equipa de Bilic a ocupar actualmente o 9.º lugar.
    Saiu Payet, mas apareceu Andy Carroll. O avançado de 1,93m marcou 4 golos nas últimas 4 jornadas e pode ser uma valente dor de cabeça para a defesa do WBA.
    Com Feghouli a começar a aparecer, Snodgrass a ambientar-se no novo clube, Lanzini a fazer as suas diabruras e Michail Antonio a ser agora mais assistente do que finalizador, Andy Carroll parece ter o apoio apropriado para continuar a marcar golos. Marcá-lo é quase impossível, e embora os centrais do West Brom sejam fortes no jogo aéreo, há pouca gente capaz de anular Carroll.


Romelu Lukaku - Everton - 9.8
    Vinte e quatro jornadas disputadas, e Romelu Lukaku é o melhor marcador da Premier League (16 golos). Com um registo de 17, 15, 10 e 18 nas últimas 4 temporadas, parece evidente que Lukaku está pronto para estabelecer novas marcas em 2016/ 17 e o conjunto das próximas 5 jornadas servirá para perceber se Lukaku pode disparar na pole position como potencial Melhor Marcador, ou se o póker diante do Bournemouth foi apenas um oásis.
    O problema de Lukaku no Fantasy foi sempre o mesmo: é difícil acertar nos jogos em que ele destrói os adversários, e tradicionalmente é-lhe difícil manter a veia goleadora várias jornadas seguidas.
    Middlesbrough (fora), Sunderland (casa), Tottenham (fora), West Brom (casa) e Hull (casa). Difícil, parece-nos, será Lukaku não brilhar neste período, considerando por exemplo que na primeira volta fez um hat-trick no terreno do Sunderland.
    E depois de repente lembramo-nos que Lukaku tem apenas 23 anos. Difícil imaginá-lo aos 26, 27.


Andrew Robertson - Hull City - 4.3
    O trabalho de Marco Silva nos tigers até à data só pode ser descrito com uma palavra: extraordinário. O técnico português chegou, moldou a equipa à sua imagem, e tem operado milagre atrás de milagre, em busca da manutenção (acreditamos que conseguirá, quando tudo parecia estar contra si).
    Com duas clean sheets consecutivas, uma em Old Trafford e a outra em casa diante do Liverpool (2-0), o Hull afinou a sua defesa e por isso mesmo começa a fazer sentido apostar nos jogadores bastante económicos ao dispor de Marco Silva.
    Jakupovic, avaliado em 4.0, pode ser bastante útil nas próximas jornadas, mas é o lateral-esquerdo Andrew Robertson que nos tem saltado à vista. Aos 22 anos, o miúdo escocês parece finalmente estar a mostrar aquilo que levou o Hull a resgatá-lo ao Dundee United em 2014, e concilia vários pontos positivos: custa apenas 4.3, com a saída de Snodgrass é bem capaz de ser o jogador dos tigers que melhor cruza, e o momento defensivo dá confiança a quem queira acreditar nesta equipa. A verdade é que o Arsenal, super-dependente da inspiração de Alexis Sánchez, pode ter bastantes dificuldades contra o Hull, e depois da deslocação ao Emirates o Hull terá 4 jogos em casa nos 6 seguintes.



Outras Opções:
- Guarda-Redes: Honestamente, entre Cech e Jakupovic temos tendência a escolher o suiço. O momento que o Hull vive pesará no jogo e na organização defensiva da equipa de Marco Silva, enquanto que Cech (mesmo mantendo-se o Arsenal como favorito pelo plantel que tem e pelo factor casa) tem desiludido esta temporada, não conseguindo fazer a diferença.
    O Watford vem de duas vitórias consecutivas mas confiamos em David De Gea (5.4), só batido por Courtois em termos de clean sheets esta época. A ineficácia ofensiva do Middlesbrough (19 golos marcados) pesa na escolha de Joel Robles (4.7), embora o Everton tenha melhores opções noutros sectores.
    Interessante o duelo entre Mignolet e Lloris no jogo grande de Sábado, e muita curiosidade para ver se Tom Heaton (5.1) consegue impedir o Chelsea de chegar à vitória. Outra potencial boa opção é Lee Grant, embora defronte um Crystal Palace desesperado por pontos.

- Defesas: Na defesa, continuamos a afirmar que Seamus Coleman (5.8) e Leighton Baines (5.7) têm que fazer parte do vosso plantel. Um deles, ou mesmo ambos - o Everton atravessa um excelente momento com 4 vitórias e um empate nos últimos 5 jogos, e nas próximas jornadas tem 3 jogos acessíveis em casa. A escolher apenas um dos laterais, Coleman.
    Uma viagem até ao estádio do Burnley - 3.ª melhor equipa em casa, apenas inferior a Tottenham e Chelsea - leva-nos a optar mais uma vez pelo fantástico Marcos Alonso (6.7), e o excelente jogo de Chris Smalling (5.8) diante do Leicester leva-nos a apostar naquele que foi um dos melhores centrais da temporada passada.
    Valencia, Koné e Mawson completam o nosso leque de recomendações.

- Médios: Sigurdsson e Mkhitaryan já foram referidos acima, mas por muito que confiemos no trabalho e na revolução operada por Marco Silva, Alexis Sánchez (11.8) a receber o Hull City é sempre algo a que não se pode fugir. Não esquecer que Sánchez bisou no reduto do Hull, numa altura em que o momento dos tigers era, naturalmente, bem diferente.
    Barkley tentará dar sequência ao bom jogo que cumpriu diante do Bournemouth no apoio a Lukaku, Marko Arnautovic (7.1) deve dividir atenções entre o seu próprio umbigo e o jogo aéreo do companheiro Crouch, e no West Ham tanto Michail Antonio (7.0) como Sofiane Feghouli (5.0) parecem ser opções bastante válidas, podendo Snodgrass juntar-se às contas caso já seja titular. No Liverpool-Tottenham temos tendência a acreditar mais nos médios dos spurs - Alli e Eriksen - e dos reds apenas num jogo electrizante de Mané, enquanto que jogadores como os belgas Eden Hazard (10.2) e Kevin De Bruyne (10.6) não podem nunca ser ignorados, bem como nesta jornada específica Yaya Touré (7.3).

- Avançados: Romelu Lukaku e Zlatan Ibrahimovic (11.6) parecem-nos ser os dois avançados de topo para esta jornada, justificando inclusive a nossa táctica preferencial de 3-5-2 no nosso onze de destaques abaixo apresentado.
    Independentemente disso, Diego Costa (10.5) é um perigo do primeiro ao último minuto em que estiver em campo, Peter Crouch (4.9) não marcou no último jogo mas tinha marcado em 4 das 5 jornadas anteriores; sobre Andy Carroll já escrevemos um pouco, fechando por isso o nosso raciocínio global com 4 nomes - Harry Kane (11.3) pode aproveitar o mau momento do Liverpool se Klopp não conseguir acordar a equipa, Jermain Defoe (7.8) deve continuar a carregar o Sunderland às costas, Gabriel Jesus (9.2) tentará dar sequência à sua adaptação de sonho, e Christian Benteke (7.3) terá forçosamente de aparecer se o Palace quiser lutar para permanecer na Premier.


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11 (3-5-2): Heaton; Coleman, Smalling, Alonso; Antonio, Mkhitaryan, Sigurdsson, Hazard, Sánchez; Lukaku, Ibrahimovic

Atenção a (Clássico; Diferencial):
Arsenal v Hull City - Alexis Sánchez; Harry Maguire
Manchester United v Watford - Zlatan Ibrahimovic; Henrikh Mkhitaryan
Middlesbrough v Everton - Romelu Lukaku; Seamus Coleman
Stoke v Crystal Palace - Marko Arnautovic; Peter Crouch
Sunderland v Southampton - Jermain Defoe; Lamine Koné 
West Ham v West Brom - Andy Carroll; Sofiane Feghouli
Liverpool v Tottenham - Harry Kane; Sadio Mané
Burnley v Chelsea - Eden Hazard; Tom Heaton
Swansea v Leicester City - Gylfi Sigurdsson; Fernando Llorente
Bournemouth v Manchester City - Gabriel Jesus; Yaya Touré