Revisão: Legion

Legion é uma amálgama difícil de descrever, uma trip psicadélica multi-género, visualmente cativante e revolucionária. Noah Hawley, o homem que não deve dormir, guia-nos num novelo que se desenrola com um bom gosto incrível e faz Brilhar Aubrey Plaza e Dan Stevens, numa série capaz de voar sobre um ninho de cucos.

Óscares Barba Por Fazer 2017

A equipa do BPF elegeu os melhores do ano. Nos nossos Óscares há justiça para 'Nocturnal Animals', 'I, Daniel Blake', Mackenzie Davis, Aaron Taylor-Johnson, Rebeca Hall ou Amy Adams, e muitos elogios para Damien Chazelle e Casey Affleck

E os Óscares 2017 foram para...

Numa noite em que La La Land ganhou 6 óscares, o último e mais importante foi para Moonlight com golpe de teatro pelo meio. Damien Chazelle, Casey Affleck, Emma Stone, Mahershala Ali e Viola Davis não esquecerão este ano

Crítica: Moonlight

Eleito Melhor Filme pela Academia, Moonlight consegue, com uma beleza rara, um trabalho de câmara e um elenco extraordinário, colocar no ecrã o tempo que demoramos a descobrir que somos, e a aceitar e abraçar isso mesmo. O filme de Barry Jenkins é uma peça universal, humana e poética, fragmentada em 3 partes (criança, adolescente e adulto).

Balanço Liga NOS 16/ 17

Um Benfica de luxo à procura do inédito tetra, um Porto que defende como ninguém mas ao qual faltam golos e um Sporting em crise. Esta é a nossa análise a meio de um campeonato com o Minho em força e Chaves a surpreender

24 de setembro de 2015

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 7

Mais um fim-de-semana, mais Premier League. No passado Sábado verificámos que o Manchester City não é imbatível, sofrendo golos pela primeira vez e perdendo em casa com o West Ham. Os hammers, por sua vez, colocaram-se em 3.º lugar (12 pontos, em igualdade pontual com o Leicester, a outra equipa sensação), tendo já derrotado fora Arsenal, Liverpool e Manchester City. Simplesmente incrível. O derby entre Chelsea e Arsenal ficou marcado por uma má arbitragem incapaz de punir mais um episódio de Diego Costa (castigado posteriormente), mas Mourinho saiu com os 3 pontos, o Liverpool voltou a desiludir em Anfield e o Manchester United conseguiu ganhar no terreno do Southampton, num jogo em que De Gea brilhou entre os postes, e Martial bisou.
    Nesta 7.ª jornada o jogo grande acontece logo às 12:45 de Sábado. O Manchester City visita White Hart Lane, para defrontar um Tottenham no qual Harry Kane ainda não marcou, e que foi eliminado esta semana da Capital One Cup, em casa, pelo grande rival Arsenal. O 4.º classificado Leicester recebe o 5.º (Arsenal), com Mahrez num momento de forma para o qual já faltavam palavras. O Liverpool volta a jogar em casa, depois de só conseguir ultrapassar o modesto Carlisle nas grandes penalidades, enquanto que Manchester United e Chelsea defrontam os dois últimos classificados.
    Olhando para as pontuações da jornada 6, Zouma foi o jogador em destaque com 15 pontos. O defesa central francês marcou ao Arsenal na sequência de um livre indirecto exemplarmente cobrado por Fàbregas, e juntou a isso o facto de não sofrer golos, e um bónus de 3. Os avançados Pellè, Ighalo e Martial bisaram todos, reforçando algumas estatísticas: Pellè é muito mais letal em casa do que fora, o ano civil de 2015 mantém-se extraordinário para Ighalo, e Martial (somando todas as competições) conta 4 golos em 4 jogos pelos red devils. Riyad Mahrez voltou a passar dos 10 pontos (em 6 jornadas conseguiu por 5 ocasiões 10 ou mais pontos, e já contabiliza mais golos e mais de metade dos seus pontos de 2014/ 15), e craques como De Bruyne e Hazard atingiram a dezena de pontos.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 114493-481221)

Olhando para a 7.ª jornada, especial atenção a:

Anthony Martial - Manchester United - 8.3
    O teenager mais caro da História do Futebol atravessa um momento impressionante. Anthony Martial, contratado ao Mónaco neste defeso, chegou a Old Trafford e não consegue parar de marcar golos. Estreou-se com 1 golo frente ao rival Liverpool, não conseguiu ter impacto europeu diante do PSV, mas compensou com um bis diante do Southampton, voltando a deixar a sua marca quando saltou do banco no encontro com o Ipswich durante a semana. Em França já era comparado a Thierry Henry antes de rumar à Premier League, e uma associação que parecia um exagero começa a ganhar sentido - Martial sentir-se-á por esta altura capaz de marcar em qualquer campo, revela uma compostura e maturidade invulgares, deixando os red devils a sonhar com o futuro do seu pequeno Henry. Tal como o melhor marcador da História do Arsenal, Martial começou a sua carreira no CO Les Ulis, e com 4 golos em 4 jogos todos os adeptos de Fantasy devem confiar no momento do avançado francês. O adversário da jornada é o Sunderland, último classificado, que vem de uma derrota caseira com o Manchester City por 4-1 a meio da semana e, apoiado por Rooney, Depay e Mata, Martial procurará manter o seu registo fantástico. Se no Mónaco parecia faltar golos - embora muitas vezes jogasse numa ala - ao rapaz que agora tem 19 anos, tendo marcado 15 golos no seu período monegasco, a Premier parece ser o ecossistema perfeito para Martial crescer.


Odion Ighalo - Watford - 5.1
    Os números não mentem: em 2015 Ighalo tem 20 golos em 24 jogos. O companheiro de Deeney no ataque do Watford é já um dos melhores marcadores desta Premier League e, depois de bisar na vitória por 2-1 do Watford, afundando ainda mais o Newcastle, joga este fim-de-semana em casa, palco no qual costuma ser mortífero. Até se pode dar o caso de Deeney, mais dado à marcação e a fixar os centrais do que o nigeriano, começar a render e roubar algum protagonismo a Ighalo. Mas neste momento, é impossível ignorar que qualquer equipa de Fantasy que queira contar com um avançado barato entre o trio da frente, tem em Wilson e Ighalo as melhores opções disponíveis. O Crystal Palace não será pêra doce para a equipa de Quique Flores, mas Ighalo já marcou a Everton e Swansea, equipas cuja defesa se tem revelado capaz e consistente.

Dimitri Payet - West Ham - 7.8
    Há dias o presidente do West Ham publicou no seu Twitter uma brincadeira do género "Perguntaram a Lionel Messi como era ser o melhor jogador do mundo. Messi disse para fazerem a pergunta a Payet". Uma natural hipérbole, com humor, do presidente do clube, traduz a noção interna que os hammers têm do seu pensador de jogo, um criativo chegado de Marselha para marcar esta edição da Premier League. Payet tem sido um dos melhores jogadores desta Premier, é o 2.º médio com mais pontos no Fantasy (só Mahrez tem mais) e impressiona jogo após jogo pela classe e magia que espalha em campo, tomando quase sempre a decisão correcta. O West Ham parece nesta altura talhado para jogos grandes, mas depois de ganhar ao Newcastle (Payet bisou) terá diante do Norwich um teste interessante. A equipa de Alex Neil está a meio da tabela e tem apresentado bom futebol (Hoolahan, principalmente), perfilando-se como um adversário "chato" para uma equipa rica e capaz de se adaptar ao que o jogo pede. Sakho e Moses estão num bom momento, no confronto com o Leicester para a Capital One Cup foi o guardião Adrián a brilhar, mas a nossa aposta recai mais uma vez no criador de oportunidades Dimitri Payet - marca golos e é fortíssimo candidato a fazer assistências, seja de bola corrida ou de bola parada.

Eden Hazard - Chelsea - 11.3
    À 6.ª jornada, e com alguma sorte à mistura, o Melhor Jogador da última Premier League lá conseguiu finalmente marcar. Hazard fez o 2-0 contra o Arsenal e ter-lhe-á saído um peso dos ombros. O belga preferido dos jogadores de Fantasy em 2014/ 15 pode dar sequência ao momento da última jornada uma vez que o Chelsea joga este Sábado com o Newcastle. Os magpies, que criaram problemas a Mourinho quando eram orientados por Pardew, são neste momento o plantel do campeonato inglês a apresentar pior futebol, muito abaixo do seu potencial, e o Chelsea - mesmo sem Diego Costa - terá o seu estatuto de favorito reforçado. Hazard e Pedro, bem como os menos seleccionados Fàbregas e Oscar, terão que assumir as despesas ofensivas, num ataque que contará com Remy ou Falcao na frente.

Philippe Coutinho - Liverpool - 8.1
    Apostar no Liverpool é actualmente um risco considerável. Os reds começaram bem, com duas vitórias e um empate a zeros contra o Arsenal (melhor jogo da época do Liverpool, até agora), mas a partir daí o percurso tem sido desastroso. Derrota caseira com o West Ham por 3-0, derrota em Old Trafford por 3-1, empate caseiro com o Norwich e um jogo da Taça da Liga contra uma equipa do 4.º escalão inglês ganho apenas nas grandes penalidades. O público de Anfield, indiscutivelmente um dos mais fiéis e indescritíveis do Futebol, está a perder a paciência com Rodgers, organizando-se inclusive iniciativas para os adeptos verem este Liverpool-Aston Villa com um boné e óculos, imagem de marca de Jürgen Klopp, ex-treinador do Dortmund. Neste Sábado, Benteke não deve defrontar a sua anterior equipa, o Aston Villa, e por isso o ataque ficará entregue à dupla Sturridge-Ings, ou apenas a um deles. Sturridge precisa de tempo para ganhar forma, ele que é um reforço de peso para o clube, Ings marcou 2 golos nos últimos 2 jogos, e a equipa tem-se ressentido ainda da ausência do capitão Henderson, e piorado desde que Rodgers retomou o sistema com 3 centrais. Seja como for, entre Liverpool e Aston Villa, a equipa da casa estará pressionada mas a tarde tornar-se-á mais fácil caso Coutinho esteja em dia sim. Uma coisa é certa: Rodgers precisa que vários jogadores (Lallana, Firmino, Ibe) sejam uma boa dor de cabeça pelos motivos certos, e quanto maior for a liberdade que der a Coutinho, mais dificuldades terá o Aston Villa.


Outras Opções:
- Guarda-Redes: O favorito entre os postes para esta jornada é sem dúvida David De Gea (5.4), capaz de conseguir uma clean sheet, sendo ainda garantia de defesas de qualidade caso a equipa assim precise. Adrián (5.0) é alternativa, com Mignolet e Butland a terem a sua vida mais complicada.

- Defesas: Chegando aos defesas, escolhendo um defesa do Manchester United as melhores opções são Matteo Darmian (5.8) e Chris Smalling (6.2), enquanto que no West Ham têm-se destacado Aaron Cresswell (5.6) e Winston Reid (5.0). Nathaniel Clyne (5.5) e Skrtel são as melhores opções do Liverpool, até porque são aqueles cuja titularidade é indiscutível. Não é impossível o Manchester City assegurar uma clean sheet no campo do Tottenham, o Stoke-Bournemouth terá um desfecho difícil de prever, e o Southampton-Swansea tanto pode "abrir" cedo como tornar-se um jogo disputado e com grandes exibições dos centrais.

- Médios: Depois de mencionados Payet, Hazard e Coutinho, parece-nos também que Victor Moses (5.3) pode destacar-se nesta ronda, Sadio Mané (7.8) parece estar novamente em crescendo, Mahrez é titular indiscutível em qualquer plantel de Fantasy mesmo recebendo o Arsenal, e no Manchester City, não estando Silva a 100%, Kevin De Bruyne (10.0) volta a ser alguém para estarem atentos.

- Avançados: Martial e Ighalo são as opções de topo, do ponto de vista teórico, e considerando também o momento de forma, mas há bastantes nomes a equacionar nesta jornada. Graziano Pellè (7.9) joga em casa, o pequeno Bojan Krkic (5.3) tentará baralhar a defesa do Bournemouth, e mesmo havendo Wayne Rooney (10.3), Sakho e Ings, tenham especial atenção a Kun Agüero (13.2). O avançado argentino ainda está à procura da sua melhor forma, mas nos últimos 4 jogos com o Tottenham marcou 8 golos (é certo que fez um póker num deles), e colocá-lo já pode ser fundamental considerando que nas jornadas seguintes jogará contra Newcastle e Bournemouth em casa, e deve valorizar progressivamente.

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11 (3-4-3): De Gea; Cresswell, Darmian, Skrtel; Mahrez, Payet, Hazard, Coutinho; Martial, Ighalo, Agüero

Atenção a (Clássico; Diferencial):
Tottenham v Manchester City - Kun Agüero; Kevin De Bruyne
Leicester v Arsenal - Riyad Mahrez; Mesut Özil
Liverpool v Aston Villa - Philippe Coutinho; Danny Ings
Manchester United v Sunderland - Anthony Martial; Juan Mata
Southampton v Swansea - Graziano Pellè; Sadio Mané
Stoke v Bournemouth - Bojan Krkic; Matt Richie
West Ham v Norwich - Dimitri Payet; Victor Moses
Newcastle v Chelsea - Eden Hazard; Kurt Zouma
Watford v Crystal Palace - Odion Ighalo; Bakary Sako
West Brom v Everton - Romelu Lukaku; James Morrison

21 de setembro de 2015

Crítica: Me and Earl and the Dying Girl

Realizador: Alfonso Gomez-Rejon
Argumento: Jesse Andrews
Elenco: Thomas Mann, Olivia Cooke, RJ Cyler, Nick Offerman, Molly Shannon, Connie Britton, Jon Bernthal
Classificação IMDb: 7.8 | Metascore: 74 | RottenTomatoes: 82%
Classificação Barba Por Fazer: 80

Imaginem um caldeirão. Aquele objecto que todos temos em casa. Ou não. Nesse caldeirão querem cozinhar um filme. Aquilo que todos cozinhamos diariamente. Ou não. Como ingredientes um pouco de 'The Fault in Our Stars' e de 'The Spectacular Now', e muita da energia própria e especial de 'Juno' e '500 Days of Summer'. O resultado é este: Me and Earl and the Dying Girl.
    O filme estreou e foi o grande vencedor do festival Sundance 2015, sucedendo a 'Whiplash', tendo sido aplaudido de pé por toda a audiência, muito disputado e comprado pela FOX por um valor recorde em Sundance.
    No centro de um filme puro, simples e original está Greg (Thomas Mann), um rapaz a enfrentar o último ano de liceu tentando passar despercebido, e que tem o hobbie de fazer remakes de clássicos do cinema com o seu amigo de infância, Earl (RJ Cyler), curtas-metragens nas quais mudam os títulos dos filmes tornando-os cómicos. Quando a mãe de Greg descobre que uma amiga de infância dele chamada Rachel (Olivia Cooke) foi diagnosticada com leucemia, obriga-o a passar tempo com ela. O que de início é uma amizade forçada e desconfortável para ambos torna-se um hábito diário, com as curtas de Greg e Earl a servirem de distracção para Rachel, acabando a dupla por fazer um filme sobre ela. Tudo o resto é criatividade e sensibilidade de Jesse Andrews, autor do livro e responsável pela adaptação para argumento, e Alfonso Gomez-Rejon a revelar-se um realizador cheio de potencial.
    'Me and Earl and the Dying Girl' é aquele tipo de filme capaz de nos derreter. Envolvente do princípio ao fim, mérito claro de Gomez-Rejon. O realizador mexicano, colaborador de Ryan Murphy na realização de episódios para as séries 'American Horror Story' e 'Glee', realizador do episódio-piloto de 'Red Band Society' e aprendiz in loco de senhores de créditos firmados como Martin Scorsese e Alejandro González-Iñárritu, sabe pegar na câmara de forma inovadora e enérgica como Iñárritu, respeitar o passado como Scorsese e, no fim, ter uma assinatura própria.
    Quando um filme é bom vale a pena desconstruí-lo nas suas várias vertentes. Como 'Juno' ou '500 Days of Summer', outros projectos que os estúdios FOX patrocinaram, há uma boa banda sonora, mas para além do trabalho de Andrews e Gomez-Rejon, há um elenco que soube transmitir a alma genuína. Thomas Mann e o estreante RJ Cyler formam uma dupla engraçada e improvável, e Olivia Cooke (que rapou o cabelo para o papel) é uma das boas actrizes da sua geração, ela que na série 'Bates Motel' também tem um problema de saúde. Aparte do trio, há ainda vários actores mais experientes com pequenas contribuições, destacando-se Nick Offerman como pai de Greg, e Jon Bernthal (uma das principais ideias do filme é dita por ele) no papel do tatuado e carismático professor de História que deixa Greg e Earl almoçarem no seu escritório.
    Para já não parece estar nas cogitações da Academia, embora alguns dos últimos sucessos de Sundance como 'Whiplash' e 'Beasts of Southern Wild' tenham sido posteriormente nomeados, mas nunca se sabe. 'Me and Earl and the Dying Girl' é, até ver, um dos bons filmes desta temporada, muito equilibrado (é cómico, dinâmico, cativante, tocante), com Gomez-Rejon a contar uma história que respeita anos de cinema e a natureza humana, usando bem as perspectivas e planos, a distância entre Greg e Rachel que no início parece infinita, mas que progressivamente se desvanece, cabendo no mesmo enquadramento.
    Este é dos que vale mesmo a pena ver. Destacando-se como um todo, mas em especial na cena em que Rachel vê o filme de Greg, e no quarto dela quando, ao som dos Explosions in the Sky, Greg percebe o que o seu professor de História lhe disse. Talvez o vejamos nos Óscares, seja nos verdadeiros, seja nas humildes e sinceras opções aqui do BPF.

Game of Thrones, Veep e Olive Kitteridge vencem Emmys 2015

Na 67.ª noite dos "Óscares da Televisão", 'Game of Thrones', foi recordista, 'Veep' bateu 'Modern Family' e a HBO festejou sem parar. Dividindo a cerimónia em 3 dimensões - séries dramáticas, séries de comédia e mini-séries - 'Game of Thrones', 'Veep' e 'Olive Kitteridge' foram quem por mais vezes subiu ao palco. Em comum? Três projectos da HBO.
    Numa cerimónia conduzida por Andy Samberg, 'Game of Thrones' fixou um novo máximo de emmys ganhos num só ano (12), juntando aos oito conquistados na noite de 12 de Setembro (os Creative Art Emmy Awards, que premeiam as categorias mais técnicas) outros quatro mais valiosos numa noite para recordar. O recorde anterior de emmys num ano pertencia a 'The West Wing', com 9.

    Na vertente dramática, 'Game of Thrones' foi superior à concorrência, com a Academia da Televisão, Artes e Ciências a premiar uma 5.ª temporada com 3 episódios finais excelentes. O contexto foi favorável à série de David Benioff e D. B. Weiss, adaptação dos livros de George R. R. Martin (presente na cerimónia), uma vez que os produtos da Netflix 'House of Cards' e 'Orange is the New Black' viveram temporadas menos pujantes, e o principal rival de Daenerys, Tyrion e Jon Snow era mesmo 'Mad Men', que vencera sempre entre 2008 e 2011 e que corria sérios "riscos" de ser novamente reconhecida num último adeus. A Academia não foi nessa conversa, mas deu a Jon Hamm o Emmy de Melhor Actor numa Série Dramática, o primeiro para o actor pelo seu Don Draper, na última chance que tinha de vencer. Hamm, aliviado, optou por trepar o palco vindo do seu lugar na primeira fila, em vez de optar pelas tradicionais escadas, deixando nomes como Kevin Spacey, Bob Odenkirk e Jeff Daniels de mãos a abanar.
    Ainda no Drama, Viola Davis tornou-se a 1.ª mulher negra a arrecadar um Emmy de Melhor Actriz numa Série Dramática pelo seu papel em 'How to Get Away with Murder', e no plano secundário foram Peter Dinklage (Game of Thrones) e Uzo Aduba (Orange is the New Black) quem recebeu reconhecimento. A realização e escrita de argumento de 'Game of Thrones' foi também premiada, contribuindo para o claro domínio HBO.

    Na Comédia, 'Veep' ganhou por larga margem. A sátira política com Julia Louis-Dreyfus ganhou o Emmy de Melhor Série de Comédia pela primeira vez, pondo fim a uma sequência de 5 vitórias consecutivas de 'Modern Family'. A actriz Julia Louis-Dreyfus ganhou pela quarta vez consecutiva, e o secundário Tony Hale pela segunda vez. Jeffrey Tambor (Transparent) e Allison Janney (Mom) ganharam nas restantes categorias, com 'Transparent' e 'Veep' a dividirem os Emmys de realização e escrita de argumento, respectivamente.
    Chegando às mini-séries, foi um autêntico passeio para 'Olive Kitteridge'. A pequena mini-série com 4 episódios ganhou o principal prémio da área, mas juntou a isso Emmys para Frances McDormand, Richard Jenkins, Bill Murray e para a realização e argumento.

    Analisando a justiça, 'Game of Thrones' mereceu ganhar pela primeira vez, saindo valorizada pelo contexto - um ano mais fraco, depois de 'Breaking Bad' limpar tudo na sua despedida em 2014, e antes de em 2016, num cenário justo, 'Mr. Robot' passar a dominar.
    O episódio final "Mother's Mercy" foi um dos vencedores da noite, e Peter Dinklage ganhou de certa forma por compensação. A quarta temporada de Tyrion (2014) foi extraordinária, mas nesse ano perdeu para Aaron Paul. Ora, neste ano merecia Ben Mendelsohn ganhar pelo seu papel em 'Bloodline', mas foi Dinklage a vencer o seu 2.º Emmy (tinha ganho em 2011). Nas senhoras, a vitória de Viola Davis aceita-se, embora Taraji P. Henson ou Robin Wright fossem também fortes hipóteses. Num mundo utópico mas justo, Tatiana Maslany não se ficaria apenas pela nomeação, mas já foi bom finalmente ter esse reconhecimento. Em jeito de curiosidade, 'American Horror Story: Freak Show' foi um dos grandes derrotados, não conseguindo sequer ganhar a categoria de Melhor Actriz Secundária numa Mini-Série (Regina King, 'American Crime' ganhou ao trio Sarah Paulson, Kathy Bates e Angela Bassett). Palavra final para 'The Daily Show with Jon Stewart' que saiu a ganhar depois de terminar ao fim de 16 anos.


Melhor Série (Drama): Game of Thrones
Melhor Série (Comédia): Veep
Melhor Mini-Série: Olive Kitteridge
Melhor Actor (Drama): Jon Hamm, 'Mad Men'
Melhor Actriz (Drama): Viola Davis, 'How to Get Away with Murder'
Melhor Actor Secundário (Drama): Peter Dinklage, 'Game of Thrones'
Melhor Actriz Secundária (Drama): Uzo Aduba, Orange is the New Black'
Melhor Actor (Comédia): Jeffrey Tambor, 'Transparent'
Melhor Actriz (Comédia): Julia Louis-Dreyfus, 'Veep'
Melhor Actor Secundário (Comédia): Tony Hale, 'Veep'
Melhor Actriz Secundária (Comédia): Allison Janney, 'Mom'
Melhor Actor (Mini-Série): Richard Jenkins, 'Olive Kitteridge'
Melhor Actriz (Mini-Série): Frances McDormand, 'Olive Kitteridge'
Melhor Actor Secundário (Mini-Série): Bill Murray, 'Olive Kitteridge'
Melhor Actriz Secundária (Mini-Série): Regina King, 'American Crime'

Melhor Realização (Drama): David Nutter, 'Game of Thrones' "Mother's Mercy"
Melhor Realização (Comédia): Jill Soloway, 'Transparent' "Best New Girl"
Melhor Realização (Mini-Série): Lisa Cholodenko, 'Olive Kitteridge'

Melhor Escrita de Argumento (Drama): David Benioff e D. B. Weiss, 'Game of Thrones' "Mother's Mercy"
Melhor Escrita de Argumento (Comédia): Simon Blackwell, Armando Iannucci e Tony Roche, 'Veep' "Election Night"
Melhor Escrita de Argumento (Mini-Série): Jane Anderson, 'Olive Kitteridge' 

A lista completa de vencedores pode ser consultada aqui.

Porto 1-0 Benfica: André the Giant


Porto    1 - 0    Benfica (André André 87')

    O Dragão ferveu neste encontro entre Porto e Benfica a contar para a 5ª jornada da Liga NOS. Julen Lopetegui apresentou o onze esperado, sendo que o único nome a ser passível de ser surpresa tenha sido o de Rúben Neves no miolo. Do outro lado, Rui Vitória mostrou uma coragem que o seu antecessor raramente mostrava no Dragão - não mudou o sistema táctico para um mais defensivo. A única coisa que fez, foi dar maior consistência defensiva ao colocar André Almeida ao lado de Samaris ao invés de Pizzi ou Talisca. Uma opção inteligente até pelo que vimos da dupla Samaris-Fejsa.
    Se todos esperavam um Benfica temeroso e frágil, pois enganaram-se. Rui Vitória apresentou uma equipa organizada defensivamente e bastante cerebral em termos tácticos. O Benfica mostrou-se sereno e isso fazia a diferença perante uma equipa do Porto com as linhas bastante afastadas e sem quaisquer ideias de ataque. Tentaram sempre lances perigosos através da individualidade de Brahimi e Corona, mas o mexicano raramente teve bola e o argelino foi diminuído pelo jovem Nélson Semedo. As únicas oportunidades de golo desta primeira metade foram todas do lado do Benfica e Júlio César foi um mero espectador. Mitroglou fez Casillas brilhar em duas ocasiões, ao negar o golo ao grego em dois cantos. Num primeiro a cruzamento de Gaitán a cabecear ao segundo poste para uma enorme defesa do ex-Real e num segundo ao desviar um cabeceamento de Luisão para nova defesa apertada de Casillas. O mal amado em Madrid ia sendo o mais amado nesta noite quente no Porto. O Benfica ainda ameaçou o golo antes do apito para o intervalo com Gonçalo Guedes e cruzar, mas Mitroglou a não chegar a tempo do golo. O jogo estava quente e prometia para a segunda parte. Destaque negativo para Maxi Pereira a provocar os seus antigos companheiros e com Maicon elevar o pé à cara de Jonas num momento em que o jogo estava parado. Completamente escusado por parte do brasileiro que passou incólume. 
    A segunda parte trouxe-nos um Porto mais agressivo e com ideias mais definidas no ataque. As linhas continuaram bastante afastadas, mas no último terço a equipa melhorou exponencialmente. Prova disso foi o cabeceamento ao poste de Aboubakar logo a abrir o segundo tempo. Grande cruzamento de André André e Aboubakar a aproveitar uma falha de Luisão para aparecer solto para acertar no poste. A arbitragem não teve erros graves, mas a dualidade de critérios existiu na marcação de faltas e na falta de coragem do árbitro para expulsar Maxi Pereira. Artur Soares Dias teve tolerância zero com André Almeida por atrasar o jogo do Porto ao colocar uma segunda bola em campo, mas não foi capaz de dar o segundo amarelo a Maxi após entrada dura sobre Jonas. O Porto ia-se impondo no jogo e o pequeno André André ia-se agigantando aos poucos. Foi dos seus pés que surgiu uma das melhores oportunidades do jogo. O médio português isolou Aboubakar que perdeu num primeiro momento para Júlio César e num segundo - já sem equilíbrio e com pouco ângulo - acabou por rematar ao lado. Nos últimos vinte minutos o Benfica já acusava algum desgaste físico, mas ainda houve tempo para Mitroglou ameaçar de novo a baliza de Casillas após cruzamento de Guedes na direita. Com a entrada de Varela o Porto conseguiu chegar mais vezes à área adversária, mas o jogo parecia estar controlado por parte dos encarnados. Até que o golo do Porto surgiu ao cair do pano. No meio de uma recuperação de bola por parte do Benfica, Pizzi não consegue recepcionar o esférico tendo mesmo lançado um contra-ataque letal por parte dos jogadores da casa. Pizzi fez com que a sua defesa tivesse sido apanhada em contra-pé com Brahimi a conduzir na esquerda, a libertar para Varela que com um toque isola André André. O médio internacional português não teve dificuldades em bater Júlio César e a coroar uma grande exibição com um golo decisivo. A apontar culpas num segundo momento, essas cabem a Luisão - o capitão ficou a ver jogar o adversário e não acompanhou devidamente André André. 

    Foi um jogo bastante equilibrado, mas ainda assim um bom jogo de futebol. O empate talvez se ajustasse mais, mas não se pode classificar a vitória do Porto como injusta. Os três pontos caíram para o lado dos dragões, assim como podiam ter caído para o lado das águias. Acima de tudo foi um bom jogo de futebol entre as duas maiores valências do campeonato português.
    Em termos individuais, o destaque vai todo para André André. Uma autêntica formiga trabalhadora que se fartou de jogar e fazer jogar os seus companheiros. Excelente tanto no último terço, como a pressionar sem bola. Casillas foi a figura da primeira parte ao deixar a sua baliza inviolável quando o golo parecia iminente e Varela foi a aposta ganha de Lopetegui tendo o português mexido bem mais com o jogo e participando no golo decisivo. Do lado do Benfica, Nélson Semedo foi o melhor dificultando a vida a Brahimi de todas as formas. O jovem português mostrou a sua excelente evolução defensiva. Jardel esteve mais uma vez ímpar na defesa e Mitroglou foi o jogador em maior clarividência no ataque.

    O Porto leva assim a melhor sobre o Benfica e aumenta a vantagem pontual para quatro pontos. Os encarnados perdem um pouco o comboio, mas o futuro parece augurar algo de positivo depois das notas que se tiraram hoje e dos jogos mais recentes. Cheira a discussão do título até ao fim.

Barba Por Fazer do Jogo:
André André (Porto)
Outros Destaques:
Casillas, Varela; Nelson Semedo, Jardel.

19 de setembro de 2015

Crítica: Straight Outta Compton

Realizador: F. Gary Gray
Argumento: Andrea Berloff, Jonathan Herman, S. Leigh Savidge, Alan Wenkus
Elenco: O'Shea Jackson Jr., Corey Hawkins, Jason Mitchell, Neil Brown Jr., Aldis Hodge, Paul Giamatti
Classificação IMDb: 7.9 | Metascore: 72 | RottenTomatoes: 87%
Classificação Barba Por Fazer: 75

    Das ruas de Compton para o Cinema, esta é a história dos N.W.A. Ao olharem para os nomes Dr. Dre, Ice Cube, Eazy-E, DJ Yella e MC Ren, muitos de vocês reconhecerão pelo menos os dois primeiros. 'Straight Outta Compton' é sobre o quinteto.
    O filme de F. Gary Gray, sucesso nos Estados Unidos da América, que contou com a colaboração de Ice Cube e Dr. Dre na produção, aborda a origem e crescimento de um dos grupos determinantes na afirmação do hip-hop e rap norte-americano. 'Straight Outta Compton', embora se foque num grupo de miúdos que só queriam fazer boa música, acaba por ser tão ou mais intenso e socialmente pertinente do que 'Selma' foi há um ano atrás.
    No conjunto, assistimos a um retrato de um grupo de revolucionários, que "ousaram" ter ambição e ter uma voz activa. No começo de um filme longo demais vemos um jovem Ice Cube a escrevinhar as letras que quer que o mundo ouça, Dr. Dre a assumir a mesa e a produção como poucos da sua idade, e Eazy-E a colocar os óculos escuros, e a definir a sua imagem de marca. Ao longo de quase 2 horas e meia, os N.W.A conquistam o seu lugar no panorama musical, atraem as pessoas erradas para gerir as suas carreiras, dividem-se e atacam-se, lutam contra a opressão e contra o abuso de poder, e reúnem-se quando os óculos escuros ficam acompanhados de velas e coroas de flores.
    Para além de ser uma história fundamental e que esteve na base das gerações futuras, com os anos 80 e 90 a funcionarem como trampolim para o género musical, o filme torna-se mais atractivo ao ter actores desconhecidos. A presença de Paul Giamatti - tal como noutro filme "musical" 'Love & Mercy' - até poderia ter sido evitada, acabando O'Shea Jackson Jr., Corey Hawkins e Jason Mitchell como 3 revelações. Isto para além do actor que interpreta MC Ren parecer um jovem Jackson Martínez, ex-avançado do Porto.
    F. Gary Gray faz um trabalho decente, apoiado na Fotografia de Matthew Libatique, conhecido pelas suas colaborações com Darren Aronofsky, mas o melhor de 'SOC' é mesmo o trio central - o destaque artístico, o destaque mediático, e o destaque interpretativo. Dr. Dre (Corey Hawkins), que no final vemos preparado para iniciar a sua Aftermath, é hoje em dia associado ao sucesso de Eminem ou 50 Cent, tendo também colaborado com Tupac ou Snoop Dogg. 2Pac e Snoop aparecem inclusive neste filme, interpretados por Marcc Rose e Keith Stanfield respectivamente. Não tendo muita gente consciência da importância de Dre para o crescimento do hip-hop e rap na cultura nacional e internacional, 'Straight Outta Compton' faz-lhe justiça. O destaque mediático é Ice Cube, por dois motivos. Primeiro porque foi Cube quem abandonou o barco dos N.W.A e quis assumir a sua carreira a solo, mas principalmente porque quem interpreta Ice Cube é nada mais nada menos do que o seu filho.. O'Shea Jackson Jr. Estão assim explicadas as parecenças físicas. Jackson Jr. é quem tem os melhores momentos do filme, sabendo "ser" o seu pai, mas alterna entre momentos intensos e outros nos quais não parece convencer enquanto actor. Assim, chegamos ao último destaque, o interpretativo. 'Straight Outta Compton' é uma homenagem a Eazy-E, força e inspiração para os seus companheiros e "irmãos" seguirem as suas carreiras, e Jason Mitchell é o actor mais consistente e a verdadeira revelação ao longo do filme. É quem mais brilha, mesmo não sendo a sua personagem tão contagiante como Dr. Dre ou Ice Cube.
    Tudo somado, 'Straight Outta Compton' é um filme sem medo de remexer no que o passado teve de bom e mau. Podia ser ainda melhor, e podia ter bastante material comprimido na 2.ª metade do filme.

17 de setembro de 2015

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 6

Bem-vindos a mais um artigo de antevisão e sugestões para mais uma jornada da Premier League. Com 5 das 38 jornadas completas, no Top-4 moram já 3 das 4 equipas das quais se espera mais (Manchester City, Arsenal e Manchester United), com um intruso chamado Riyad Mahrez.. perdão, Leicester City. West Ham e Crystal Palace têm sido, para além das raposas azuis de Ranieri, as equipas-sensação, e o campeão Chelsea (17.º classificado) a desilusão no arranque.
    A 6.ª jornada começa logo com um derby escaldante entre Chelsea e Arsenal, colocando Mourinho e Wenger frente-a-frente, embora as equipas venham de momentos inversos. O Arsenal arrancou bem, recuperando da derrota na primeira jornada contra o West Ham, e foi derrotado esta semana pelo Dínamo Zagreb na Champions; já o Chelsea perdeu com Manchester City, Crystal Palace e Everton, conseguindo golear na Champions os israelitas do Maccabi Tel-Aviv. Para termos uma noção, o Chelsea em 2014/ 15 perdeu 3 vezes durante todo o campeonato, igual número ao que contabiliza em 5 jornadas. Para além do clássico londrino, os embates entre Manchester City e West Ham, e Southampton e Manchester United, terão também muitos holofotes sobre si.
    Poucos adivinhariam o maior destaque da jornada 5. Steven Naismith saltou do banco no Everton-Chelsea e fez um hat-trick na vitória do Everton por 3-1 em Goodison Park. O escocês fez 17 pontos, mas Payet - espalha classe, qualidade técnica e poder de decisão em praticamente todos os lances - bisou, conseguindo 16 pts. Hoolahan voltou a ser determinante no arranque positivo do Norwich, Mahrez voltou a ser Mahrez, e outros elementos como Blind (teria mais pontos se fosse defesa, posição na qual tem jogado sempre), Mason, Ighalo, de Laet e Dier também estiveram bem.
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Olhando para a 6.ª jornada, muita atenção a:

Christian Benteke - Liverpool - 8.5
    Quem viu o Manchester United-Liverpool terá ficado com a ideia que as equipas estavam a anos-luz em termos competitivos uma da outra. A 1.ª parte foi  francamente fraca, mas na segunda parte os intervenientes acordaram e o United chegou ao 2-0 controlando por completo. Benteke passou ao lado do jogo, incapaz de incomodar Old Trafford como fazia pelo Aston Villa, até que ao minuto 84 marcou um dos candidatos a golo da temporada. Um pontapé de bicicleta fantástico e indefensável. O avançado belga foi poupado na Liga Europa e esta jornada defronta um Norwich que tem estado surpreendentemente consistente, mas que sofreu sempre golos em todas as jornadas. O Norwich era outrora a presa preferida do uruguaio Suárez, veremos se Benteke consegue marcar 1 golo ou mais este Domingo. E, muita atenção, porque se o Liverpool pareceu uma equipa diminuída diante do United, é importante referir 3 ausências: Coutinho, Henderson e Sturridge. Um trio de valor inquestionável e que dispara a equipa de Anfield para outro patamar. Coutinho jogará esta jornada, e Benteke crescerá com ele.  

Kevin De Bruyne - Manchester City - 10.0
    Será desta que De Bruyne é finalmente titular pelo Manchester City? Depois do belga Benteke, referimos um dos maiores craques da Bélgica. O City gastou uma fortuna para garantir o melhor jogador da Bundesliga 14/ 15 e, depois de suplente utilizado com Crystal Palace e Juventus, a recepção ao West Ham parece ser o palco perfeito para a primeira presença no 11 inicial.
    No M.City-West Ham, os citizens (5 clean sheets em 5 jogos até agora) defrontam uma equipa que ganhou em casa do Arsenal e do Liverpool mas, se Agüero jogar e estiver em boas condições físicas, têm tudo para conseguir encostar a equipa de Payet e companhia. Contar com Agüero fará muita diferença (Bony é bom, mas não é o Kun) e seria um erro de Pellegrini colocar os 2 avançados em simultâneo contra este West Ham. Verdade seja dita, quem tem David Silva e Kevin De Bruyne terá infinitas oportunidades criadas por jogo. Os hammers serão um grande teste, mas poderão ser a primeira vez que De Bruyne consegue pontos. Poderia já ter 1 assistência, mas Navas optou por conseguir um dos falhanços do ano contra o Crystal Palace.

Callum Wilson - Bournemouth - 5.9
    Marcou três ao West Ham, marcou contra o Leicester City, e tem tudo para facturar contra o Sunderland. O penúltimo classificado (curioso os grandes rivais Newcastle e Sunderland serem actualmente as duas piores equipas) sofreu até agora 11 golos, e mesmo que marque no terreno do Bournemouth - que também sofreu sempre - os cherries são favoritos à vitória. A equipa de Eddie Howe quer chegar aos 7 pontos e sabe que este é um daqueles jogos que tem mesmo que conseguir amealhar 3 pontos. Matt Ritchie poderá finalmente acordar para o Fantasy, Francis tem sido o defesa com mais oportunidades de golo criadas (a ausência de clean sheets e o facto de ainda só ter 2 assistências pouco reflecte o bom início de época do lateral-direito) e, com Gradel ausente e Tomlin a adaptar-se, Callum Wilson deverá continuar a ser o homem-golo.

Juan Mata - Manchester United - 8.6
    No duelo entre Koeman e van Gaal, a vitória pode cair para qualquer lado. No entanto, o favoritismo recai no actual 3.º classificado. O Manchester United tem apresentado uma significativa consistência defensiva (ninguém pode apontar o dedo à dupla Smalling-Blind) e o factor De Gea amplia a confiança e serenidade de todo o elenco. A lesão de Luke Shaw (o mundo é demasiado injusto) promete servir de incentivo anímico para os red devils. Seria muito útil o capitão Wayne Rooney, Martial (já teve um momento Henry na estreia em Old Trafford) poderá ter mais minutos, mas prestem especial atenção a Memphis Depay e Juan Mata. O holandês porque quererá decidir o jogo e dedicar a vitória ao grande amigo Shaw, e Mata porque, mesmo encostado à direita, é o homem do último passe, o jogador cerebral e que faz a diferença nas pequenas coisas. Do outro lado há Sadio Mané, mas cuidado com o espanhol que veste a camisola 8.

Riyad Mahrez - Leicester City - 6.3
    As palavras começam a ser poucas. Se há regra intocável neste início de época no Fantasy da Premier League, ela é: têm que ter Mahrez na vossa equipa. O argelino leva neste momento a sequência 15-10-10-1-11, totalizando assim 47 pontos. Mahrez teve 3 pontos de Bónus em quatro dos cinco jogos do Leicester, e só vacilou mesmo contra o Bournemouth, num jogo em que teve que ser substituído ao intervalo.
    O momento de confiança de Mahrez promete mantê-lo influente e decisivo nos jogos do Leicester, e o oponente desta ronda é o Stoke. A equipa de Mark Hughes tem marcado poucos golos, mas também não tem encantado defensivamente. O guardião Butland tem brilhado, mas os defesas não.
    O Stoke-Leicester não será fácil para os visitantes, mas prevêem-se golos de ambos os lados. E quanto mais o Stoke abrir o jogo, mais espaço de manobra terá Mahrez, até porque neste momento tudo aquilo em que o extremo direito argelino toca transforma-se em ouro - não só as diagonais a partir da direita como os dribles desconcertantes, passando agora a aparecer cada vez mais a organizar, pegando no jogo mais atrás. Ayew não se fez notar na última jornada, David Silva não jogou, Payet aproveitou para se aproximar do pelotão da frente mas ao fim de 5 jornadas Mahrez está a ser o melhor jogador da Barclays Premier League. Quem diria..


Outras Opções:
- Guarda-Redes: Esta 6.ª jornada é bastante complicada em termos defensivos. Joe Hart e o Manchester City ainda não sofreram qualquer golo, mas recebem um West Ham talhado para jogos com os grande; Begovic e Cech jogam um contra o outro num derby; e De Gea visita Old Trafford. Por tudo isto, e por não confiarmos na defesa que Krul terá à sua frente, Hugo Lloris (5.0) perfila-se como uma das opções menos problemáticas. O guarda-redes franceses vem de dois jogos sem sofrer golos e será certamente chamado a intervir contra o Crystal Palace. Caso queiram guarda-redes que terão que fazer defesas mas que integrem defesas boas ou decentes, De Gea, Butland e Mignolet encaixam nesse perfil.

- Defesas: Chegando aos defesas, é impossível ignorar o facto do Manchester City ter 5 clean sheets em outros tantos jogos. Nesse sentido, e com Kompany fora de combate, e mesmo tendo Sagna tido 7 pontos de Bónus nos últimos três jogos, Aleksandar Kolarov (5.9) tem tudo para ser uma boa opção. O lateral-esquerdo sérvio pode até sofrer 1 golo, mas tem sempre hipóteses de ter impacto ofensivo numa bola parada ou num cruzamento tenso.
    Para além de Kolarov, o baratinho Joe Gomez (4.8) é irresistível no Liverpool, e apostamos no francês Jordan Amavi (5.0), mesmo podendo o venezuelano Rondón complicar a vida do Aston Villa. Nota: importa ter em conta o estado anímico do Aston Villa ao ver uma vitória por 2-0 transformar-se num ápice numa derrota por 3-2. Eric Dier e Nathaniel Clyne são também boas opções.

- Médios: Deixemos de parte Alexis Sánchez ou Eden Hazard, dois destaques de 2014/ 15 que ainda procuram a melhor forma. Parte na frente a dupla do Manchester City, David Silva (10.2) e Kevin De Bruyne (10.0), os dois criativos que terão que aparecer para que o City vença. De resto, ignorar Riyad Mahrez (6.2) é negligência, e para além do já referido Mata, acreditamos que Philippe Coutinho (8.1) voltará com ganas de recuperar a jornada perdida. Ritchie, Ayew, Depay e Mané são outras caras a manter no baralho.

- Avançados: Benteke e Callum Wilson integram as nossas 5 escolhas da jornada, mas temos um feeling que Diego Costa (11.1) pode usar o golo europeu e o seu impacto no Chelsea-Arsenal da época passada para se motivar; Harry Kane (9.4) tem nesta jornada uma boa oportunidade para se estrear a marcar nesta edição, e claro está que Agüero, jogando e apresentando-se bem fisicamente, é opção óbvia e de topo. Rondón, Cissé, Ighalo, Diouf, Gomis e Heung-Min são candidatos a fazer golos.

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11 (3-5-2): Lloris; Amavi, Kolarov, Gomez; Mata, Mahrez, Silva, De Bruyne, Coutinho; Benteke, Wilson

Atenção a (Clássico; Diferencial):
Chelsea v Arsenal - Alexis Sánchez; Diego Costa
Aston Villa v WBA - Salomon Rondón; Jordan Amavi
Bournemouth v Sunderland - Callum Wilson; Matt Ritchie
Newcastle v Watford - Papiss Cissé; Odion Ighalo
Stoke v Leicester - Riyad Mahrez; Mame Biram Diouf
Swansea v Everton - André Ayew; Ross Barkley
Manchester City v West Ham - David Silva; Kevin De Bruyne
Tottenham v Crystal Palace - Harry Kane; Son Heung-Min
Liverpool v Norwich - Christian Benteke; Philippe Coutinho
Southampton v Manchester United - Juan Mata; Sadio Mané

15 de setembro de 2015

Garganta Afinada. Top 20 ( nº 109 )

    Olha os gajos!... Então hoje parece que está de chuva... Mas alegrem-se! "Eles" (entidade desconhecida por nós, mas conhecida por diversas pessoas que andam de autocarro) dão calor para o fim-de-semana! E até lá, podem desfrutar deste nosso belo Top com música na sua grande maioria ligeira - que serve para vossemecês encostarem a cabeça a algum lado e pensarem na vida - e também com alguns rasgos de Pop e Rap.
    Começando pelos rasgos que acabámos de mencionar, apresentamo-vos um dos mais recentes temas de Drake - "Hotline Bling" - que, ao que tudo indica, fará parte duma nova mixtape. Um dos nomes mais badalados no mundo do hip-hop internacional é o de J. Cole. Apesar de já estar no activo desde 2007, o rapper da Carolina do Norte apenas despoletou para os top's com o seu novo álbum "2014 Forest Hills Drive", que está qualquer coisa de génio. Lá para cima há música portuguesa. Diogo Piçarra volta a figurar entre os nossos primeiros lugares com “Breve”. O álbum Espelho do artista que actuou no MEO Sudoeste é um dos projectos mais consistentes do actual panorama musical português, no qual Piçarra é um verdadeiro exemplo. Mais uma vez, para além de uma grande música, Diogo contou com a ajuda do irmão André Piçarra na realização de (mais um) videoclip simples mas chamativo. E não nos importaríamos também de conhecer a rapariga. Há ainda uma "Butterfly Culture" simplesmente viciante de Benjamin Francis Leftwich - uma onda mais folk e indie, mas impossível de não se gostar. Um cantautor mais maduro é Tiago Bettencourt, de quem recuperamos “Maria”, depois do concorrente do Ídolos, Luís Travassos, a ter cantado no concurso da SIC. Ainda em solo português contamos com João Tamura - com um rap não tão agressivo e mais virado para a poesia - e com a dupla Harold (Tem-P) e Holly (irmão de DJ Ride, do qual herdou também bastante qualidade). Curiosamente, estes mesmos três jovens estão a trabalhar num projecto de seu nome "Os Lobos Comeram a Lua" e pensam lançar o EP no fim do corrente ano. Dada a qualidade já demonstrada dos intervenientes e até pelos estilos bem diferentes, a convergência destas três personalidades da música portuguesa certamente resultará num bom trabalho. Vindos de várias séries, como é habitual, surgem neste GA temas de Wrabel, Fink, Whitaker e uma velhinha dos The Cure nunca faz mal. Especificamente, falando de séries televisivas, damos o merecido destaque ao trabalho de Lera Lynn na série da HBO “True Detective”. Entre várias das suas colaborações, optámos por “The Only Thing Worth Fighting For”. Ainda no mundo das séries televisivas contamos com duas músicas de "Sons of Anarchy". Para além de ter sido uma das melhores séries no pequeno ecrã, é um poço de boa música. Lá bem em cima temos Sun Kil Moon com a sua "Alesund" que acompanhou Jax Teller num dos momentos introspectivos e fortes da terceira série e ainda We Were Promised Jetpacks com "An Almighty Thud".
     E agora esfumamo-nos daqui para fora que está quase a dar a Champions League. Beijinhos e abraços.




1. Diogo Piçarra - Breve
2. Sun Kil Moon - Alesund


11 de setembro de 2015

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 5

Findo o período de jogos das Selecções, este fim-de-semana regressa - 2 semanas depois - a Premier League. O campeonato no qual o Manchester City tem sido dono e senhor de maior destaque avança para a sua 5.ª jornada, a primeira desde que o mercado de transferências fechou formalmente, acabando este interregno por ser uma boa altura para muitos wildcards serem activos.
    Esta quinta ronda arranca logo com um  muito interessante Everton-Chelsea. Na época passada poderia tratar-se de um apenas mais um jogo para os blues, mas o início de época irreconhecível dos campeões e, inversamente, o razoavelmente bom começo do Everton, deixa antever um embate rico. O líder Manchester City visita o terreno do 2.º classificado, o Crystal Palace e os actuais 3.º e 4.º classificados - Leicester e Swansea - jogarão contra equipas que figuram entre os 4 emblemas menos pontuados. A jornada termina apenas 2.ª feira, mas 7 dos 10 jogos disputam-se Sábado. Destaque claro para o sempre escaldante confronto de históricos - Manchester United contra Liverpool, com Old Trafford como palco, Coutinho como ausência de peso e De Gea (renovou até 2019) em princípio de regresso.
    Na jornada passada voltaram a falhar alguns dos grandes craques, e o sérvio Tadic foi quem mais pontuou. Na vitória do Southampton por 3-0 contra o Norwich, Tadic fez 16 pontos (2 golos e bónus 3), num jogo em que Mané e Pellè também estiveram em destaque. Scott Sinclair fez bisou, Ayew e Sako deram sequência ao seu excelente momento, e em termos defensivos os destaques - falando de pontos - foram Tim Howard, Cresswell e Sagna.
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Olhando para a 5.ª jornada, muita atenção a:

Wayne Rooney - Manchester United - 10.4
    O novo melhor marcador da História da Selecção britânica. Wayne Rooney ultrapassou há dias o histórico Sir Bobby Charlton, e é possível que ao longo desta época passa também a lenda do Manchester United, tornando-se igualmente o melhor marcador da História dos red devils. Rooney tem tido altos e baixos mas, contra um Liverpool sem Coutinho, o United parte como favorito pela sua consistência defensiva e maior maturidade a meio-campo (Schneiderlin é um dos jogadores mais importantes no campeonato, e Schweinsteiger foi contratado para dizer presente nestes jogos).
    O jogo poderá marcar a estreia do prodígio Martial, e caso o francês seja titular, será curioso ver o comportamento ofensivo do quarteto Rooney, Martial, Depay e Mata. Certo é que a equipa de van Gaal tem ainda muito para melhorar, embora a defesa venha dando boas indicações (grande início de época de Shaw e Darmian, e ninguém pode implicar até agora com a dupla improvável Smalling-Blind). Um M.United-Liverpool é sempre um jogo imprevisível, e Wayne Rooney até não tem um grande registo contra os reds (especialmente em Anfield), mas a confiança trazida na mala depois dos jogos da Selecção podem embalá-lo para um bom jogo.

Diafra Sakho - West Ham - 6.5
    Será que é desta que o West Ham consegue ganhar em casa? A ocupar actualmente o 8.º lugar da Premier League, a equipa de Bilic tem sido um verdadeiro case study. Os hammers venceram por 2-0 no Emirates e 3-0 em Anfield (uma parelha de resultados que City, United e Chelsea dificilmente conseguirão) mas, em casa, perderam com Leicester e Bournemouth.
    Nesta quinta jornada, o convidado de honra é o Newcastle (19.º lugar) e, também pelo momento perdido da juventude do Newcastle, o West Ham tem tudo para aproveitar a noite de 2.ª feira para chegar aos 9 pontos. O West Ham foi a equipa que melhor se reforçou no deadline day - chegaram Song, Jelavic, Moses e Michail Antonio - e Bilic tem agora muita qualidade por onde escolher, sendo até difícil formular um onze. As únicas certezas são Payet, o criador de oportunidades, e Sakho (para já parece indiscutível na frente). Coloccini e Krul tentarão parar a avalanche, mas Sakho e companhia têm tudo para finalmente oferecer uma vitória em casa aos seus adeptos.

Alexis Sánchez - Arsenal - 11.0
    1-5-3-3, a sequência inicial de pontos do chileno Alexis Sánchez não está a ser famosa, mas apontamos a 5.ª jornada como um possível ponto de viragem. A não-contratação de um avançado (um jogador como Cavani, Benzema ou Jackson Martínez era o que faltava para colocar este Arsenal noutro patamar) reforçou a importância que elementos como Alexis e Walcott terão nos índices de concretização da equipa. Contra o Stoke, o Arsenal seria sempre super-favorito, mas a maior qualidade ofensiva deste Stoke - comparativamente com as últimas épocas - torna os gunners ainda mais favoritos. Cazorla, Özil e Ramsey terão um papel fundamental no jogo, restando saber quem Wenger coloca entre Chamberlain, Walcott ou Giroud. Mas contem com Alexis, o 17 vai aparecer.

André Ayew - Swansea - 7.2
    É mais ou menos unânime que, jogadas 4 jornadas, David Silva tem sido o melhor e mais consistente jogador neste arranque de Premier League. No entanto, num 2.º nível surgiriam imediatamente jogadores como Mahrez e.. André Ayew. O extremo/ avançado do Swansea teve impacto imediato como se esperava. Contabiliza já 3 golos e 1 assistência, e em duas jornadas já fez pelo menos 10 pontos. O calendário é promissor pois os swans têm 4 jogos em casa nos 7 a disputar até final de Outubro, e o duo Ayew e Gomis parece não querer ficar por aqui. A vítima desta jornada é o Watford, e atenção que temos visto Ayew a ter impacto através do jogo aéreo (2 dos 3 golos foram de cabeça), mas ainda não mostrou metade do seu manancial ofensivo.

Ross Barkley - Everton - 6.7
    Se há algo bom que 2015/ 16 teve até agora, para além de várias surpresas, foi o "regresso" dos ingleses Ross Barkley e Luke Shaw. Duas promessas de terras de Sua Majestade que estagnaram na temporada passada, mas que parecem determinados em explodir, garantindo bilhete para o Euro-2016 em França.
    Apostar em jogadores do Everton, numa jornada em que os toffees defrontam o Chelsea, seria impensável na temporada passada. Infelizmente para Mourinho, a consistência defensiva do campeão em título tem desiludido, e a juventude de Ross Barkley e Romelu Lukaku poderá ser um problema para uma defesa descoordenada e cujo insucesso é difícil de perceber (Ivanovic tem estado péssimo, o que poderá obrigar Mourinho a puxar Azpilicueta para a direita, colocando Baba). O Chelsea parece afoito a sofrer em transição, e a explosividade de Ross Barkley através do corredor central é um assunto de séria preocupação para o Special One.


Outras Opções:
- Guarda-Redes: A opção número 1 para esta ronda é Petr Cech (5.5), mesmo podendo o Stoke assustar a baliza do checo por intermédio de Diouf e Shaqiri. Para além do guardião do Arsenal, Kasper Schmeichel (4.5) e Hugo Lloris (5.0) perfilam-se como boas opções. Há ainda muitas expectativas para ver se De Gea recupera o estatuto de titular, agora que renovou um contrato de longa duração.

- Defesas: Na tentativa de identificar um trio com potencial de realizar uma boa jornada, emergem Aaron Cresswell (5.5), embora se venha destacando - como o clube - apenas nos jogos fora, Laurent Koscielny (6.0), fiável sempre em termos defensivos e num ou outro canto e, embora seja possível o Liverpool marcar em Old Trafford, Luke Shaw (5.6), cujo início de época tem sido excelente. Figuras como Kompany, Kolarov, Francis e Ashley Williams também poderão ser tiros certeiros.

- Médios: Já abordámos Alexis Sánchez, André Ayew e Ross Barkley, mas com o Leicester a jogar em casa com o Aston Villa é inevitável referir o argelino Riyad Mahrez (6.1). Mané e Tadic tentarão repetir o sucesso da jornada anterior, Chadli pode ser um bom diferencial numa ronda em que Harry Kane tentará marcar pela 1.ª vez neste campeonato, e também Dimitri Payet (7.6) e Memphis Depay (8.4) são casos a ter em conta. E, sim, há - como serão em praticamente todas as jornadas - a dupla De Bruyne e Sterling, com o mago Silva a falhar esta jornada.

- Avançados: Rooney e Sakho estão acima nas nossas opções de destaque, mas acrescentamos ainda Kun Agüero (13.2) - será um dos jogadores mais decisivos deste Fantasy, consoante compense ou não tê-lo (mas servido pelo trio Silva-DeBruyne-Sterling parece obrigatório ter grandes números) e o britânico Jamie Vardy (6.1). Callum Wilson volta a ser cliente da casa em termos de recomendações, bem como Gomis, e veremos se Diego Costa consegue replicar pelo menos metade do que fez na época passada contra o Everton.

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11 (3-4-3): Cech; Cresswell, Koscielny, Shaw; Alexis, Barkley, Mahrez, Ayew; Rooney, Sakho, Vardy

Atenção a:
Everton v Chelsea - Ross Barkley
Arsenal v Stoke - Alexis Sánchez
Crystal Palace v Manchester City - Kun Agüero
Norwich v Bournemouth - Callum Wilson
Watford v Swansea - André Ayew
WBA v Southampton - Sadio Mané
Manchester United v Liverpool - Wayne Rooney
Sunderland v Tottenham - Nacer Chadli
Leicester v Aston Villa - Jamie Vardy
West Ham v Newcastle - Diafra Sakho

8 de setembro de 2015

Revisão: 'Narcos'

Criado por
Chris Brancato, Paul Eckstein, Carlo Bernard, Doug Miro

Elenco
Wagner Moura, Boyd Holbrook, Pedro Pascal, Juan Pablo Raba, Maurice Compte, Jorge A. Jimenez, Raúl Méndez, Luis Guzmán

Canal: Netflix

Classificação IMDb: 8.9 | Metascore: 77 | RottenTomatoes: 78%
Classificação Barba Por Fazer: 82


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 
A História: 
    House of Cards, Orange is the New Black, Daredevil, Bloodline, Sense8 - deixando muita coisa de fora - e agora 'Narcos'. A Netflix não pára.
    A maioria das pessoas estão familiarizadas com o nome Pablo Escobar. No entanto, o traficante que pôde reclamar o estatuto de criminoso mais rico da História, merecia que a sua ascensão e impacto na vida dos colombianos fosse detalhadamente contada.
    O palco central da história é Medellín, a segunda maior cidade da Colômbia, e na qual se formou o cartel de Escobar. E 'Narcos' foi feito com duas perspectivas: por um lado acompanhamos o rato (Escobar e os seus), e por outro o gato, representado principalmente pela dupla de agentes narcóticos Steve Murphy e Javier Peña. A série acaba por ser um misto de Drama com Documentário, introduzindo vários trechos de filmagens reais, e prende-nos desde o início proporcionando mais um binge-watch à la Netflix.
    'Narcos' dá inicialmente uma pequena contextualização acerca do cartel de Escobar, acompanhando depois a quantidade de esquemas do cabecilha colombiano para aumentar o seu poder, conseguindo reunir sinergias (com outros cartéis, com grupos organizados, "comprando" diferentes figuras e garantindo influência em diversos sectores da sociedade da Colômbia), tentando ainda uma carreira política - até encontrar a oposição e coragem do Ministro da Justiça Rodrigo Lara, e posteriormente do presidente César Gaviria -, antes de ter a sua própria prisão (La Catedral) e iniciar a sua fuga às autoridades.
    Ao longo de 10 episódios, 'Narcos' dá ares dos grandes clássicos da máfia italiana, embora noutra língua latina. Escobar, o homem que os colombianos idolatravam por construir hospitais, casas e igrejas, promovendo o futebol local, enquanto ao mesmo tempo na sombra era o responsável por mortes sem fim. Escobar, o homem que era considerado o Robin Hood Paisa distribuindo dinheiro sujo pelo povo por forma de garantir a sua protecção e silêncio, e colocando todos os polícias locais com a cabeça a prémio.
    Todos os caminhos de 'Narcos' vão dar ao senhor do narcotráfico, apoiado nos negócios pelo primo Gustavo, pelos restantes cartéis (em parte unidos, em parte rivais nomeadamente o de Cali) e pela sua legião de assassinos contratados. Como pontos negativos relevantes, somente o papel excessivamente activo do narrador Murphy, estilo 'Goodfellas' mas por vezes desnecessário, e a própria personagem/ actor que interpreta o lado bom da Lei não é particularmente cativante, mas felizmente tem ao seu lado o actor Pedro Pascal (Oberyn Martell em 'Game of Thrones'). Pascal, com o seu carisma característico, é uma das boas personagens secundárias de 'Narcos', embora muitos outros actores desconhecidos cumpram impecavelmente o seu papel - casos de Juan Pablo Raba, Maurice Compte, Jorge A. Jimenez e Raúl Méndez, principalmente.
    
A Personagem: Pablo Escobar (Wagner Moura).
    O maior elogio que se pode fazer a Wagner Moura é que, embora o seu sotaque brasileiro se note, para tormento dos colombianos que muito têm implicado com isso, esse pormenor passa facilmente para segundo plano graças à forma como Moura domina o ecrã e todas as cenas, deixando a série num patamar mais alto.
    O actor de 'Tropa de Elite' preparou-se durante meses, estudando a língua e frequentando uma universidade na Colômbia, e o voto de confiança que lhe foi dado compensou. 'Narcos' representa a afirmação mundial do actor brasileiro, com o selo Netflix a servir de patrocinador perfeito, e a série - pela forma como é contada - só funcionaria com um Pablo Escobar capaz de carregar o papel.
     A verão de Escobar de Wagner Moura é mais Michael Corleone do que Don Vito. Don Pablo era um homem capaz de proteger os seus e a família, mas no limite é o caso clássico da ganância, egoísmo e maldade, capaz de cometer as maiores atrocidades em benefício próprio. A expressão plata o plomo define-o: ou aceitavam o seu dinheiro, ou acabariam mortos. Uma variante da proposta irrecusável à Corleone.

O Episódio: 06 'Explosivos'.
    É frequente ser mais difícil escolher um episódio nas séries da Netflix, por serem normalmente escritas para se ver tudo de uma assentada (q.b.), e não um episódio de cada vez. O primeiro e o último episódios são bastante bons, mas 'Explosivos' é uma boa fotografia da capacidade de Escobar de iludir e usar os seus soldados para atingir os seus objectivos. Termina como uma das tentativas de atentado mais famosas da História, mas em termos qualitativos, para além do começo e final da série, mesmo os episódios 7 e 8 não ficam a dever nada a 'Explosivos'.

O Futuro: 
    Verdade seja dita, a história de Escobar poderia cingir-se a uma temporada apenas. Mas, considerando o que falta da vida do colombiano e tendo sido já confirmada a segunda season, a lógica diz que 'Narcos' acabará em 2016. O que está para vir é a tentativa de capturar Escobar depois de fugir de La Catedral, e será sobretudo interessante ver como quem conduz e dirige 'Narcos' irá abordar a morte de Don Pablo - homicídio ou suicídio.

7 de setembro de 2015

Crítica: Love & Mercy

Realizador: Bill Pohlad
Argumento: Oren Moverman, Michael A. Lerner
Elenco: John Cusack, Paul Dano, Elizabeth Banks, Paul Giamatti
Classificação IMDb: 7.4 | Metascore: 80 | RottenTomatoes: 91%
Classificação Barba Por Fazer: 74

    O génio musical incompreendido Brian Wilson. 'Love & Mercy', drama biográfico sobre o co-fundador dos Beach Boys, exalta a criatividade de um músico à frente do seu tempo, focando-se em duas fases bem distintas da vida de Wilson: nos anos 60, inspirado e capaz de criar o 2.º melhor álbum de sempre segundo a Rolling Stone, e vinte anos mais tarde, perdido, sem rumo e mal acompanhado clinicamente.
    Muita gente diz que olhando para Brian Wilson nos anos 60 e 80, não se conseguiria ver a mesma pessoa. Um dos objectivos de 'Love & Mercy' passa por demonstrar essa diferença, comportamental e física, conjugando momentos geniais de um dos principais compositores do século XX com a sua desorientação e prisão asfixiante 20 anos mais tarde. Para mostrar estes dois lados bem diferentes, Bill Pohlad contou com dois actores com 18 anos a separá-los: Paul Dano e John Cusack.
    O filme, depois de uns shots acompanhados por trechos da discografia dos Beach Boys, até começa nos anos 80. E a abordagem alternada, recuando e regressando a essa fase, torna o filme mais interessante e menos depressivo do que se víssemos de modo linear o declínio gradual de Brian. Na versão Brian Wilson de John Cusack, vemo-lo a conhecer Melinda (Elizabeth Banks), enquanto vive totalmente controlado e vigiado 24h por dia, condicionado pelos métodos doentios do terapeuta Eugene Landy (Paul Giamatti). No passado, o Brian de Paul Dano é a força criativa dos Beach Boys. Perturbado mentalmente, mas capaz de prometer aos restantes membros que na sua reclusão seria capaz de criar o melhor álbum de sempre da banda. E esse é o lado mais fascinante de Brian Wilson em 'Love & Mercy', a inovar na produção musical encontrando a inspiração e a sonoridade certa das formas mais improváveis, e lutando crente no valor de Pet Sounds, inicialmente rejeitado pelos restantes Beach Boys, mas que veio a ser um álbum aclamado, com músicas como "Wouldn't It Be Nice" ou "God Only Knows".
    O melhor que há neste tributo a Brian Wilson, hoje com 73 anos e com um passado de genialidade, esgotamentos nervosos e vícios, é o contraste Dano/ Cusack. Partilhando uma mente atormentada, mas mostrando que uma mente especial tem que ser livre - nos anos 60 a Música saiu a ganhar, com a versão de Dano a extravasar entusiasmo, enquanto que volvidos 20 anos a versão de Cusack é praticamente um vazio, desligado do mundo e distante da realidade.
    Elizabeth Banks está bem, Giamatti - embora seja um grande actor - fica aquém do exigido, este é capaz de ser o melhor papel da carreira de Cusack (um actor do qual nem somos particularmente fãs), mas mesmo assim Paul Dano é o destaque. O jovem actor de 'There Will Be Blood', 'Little Miss Sunshine', 'Ruby Sparks' e com contribuições também em 'Prisoners' e '12 Years a Slave' já merecia que começassem a olhar para ele de outra forma, desejando-o para papéis de maior destaque e responsabilidade. Dano nunca desilude, muito pelo contrário, e embora até possa nem ser nomeado para Melhor Actor Secundário (nem é claro, entre ele e Cusack, quem reclamaria esse estatuto), certamente que estará incluído na discussão e isso parece-nos suficiente para nos próximos anos ser feita justiça em relação ao talento de Dano.
    Não deverá fazer parte dos Óscares 2016 (pode guardar uma réstia de esperança em relação a Dano ou Elizabeth Banks como secundários), mas a cultura da mente nunca faz mal a ninguém, e Brian Wilson tem uma história de vida especial. O melhor momento está aqui ilustrado, com Paul Dano (bom trabalho da equipa de edição de som a fazer a transição da voz de Dano para os originais de Wilson) sentado ao piano numa versão pura de "God Only Knows".

6 de setembro de 2015

Revisão: 'Mr. Robot'

Criado por
Sam Esmail

Elenco
Rami Malek, Carly Chaikin, Martin Wallström, Portia Doubleday, Christian Slater, Frankie Shaw, Michael Gill, Gloria Reuben, Stephanie Corneliussen, Elliot Villar, BD Wong

Canal: USA

Classificação IMDb: 8.7 | Metascore: 79 | RottenTomatoes: 98%
Classificação Barba Por Fazer: 91


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 
A História: 
    Hello friend. Foi com estas duas palavras que começou a melhor série do actual panorama televisivo mundial, o justo herdeiro de 'Breaking Bad'. Coube à namorada de um de nós, que tem um registo inigualável a descobrir boas séries, acreditar no potencial de 'Mr. Robot' ainda antes do episódio-piloto circular. Embora só tenha arrancado no USA Network no final de Junho, o piloto foi lançado online em Maio, fez companhia a vários filmes ao estrear no festival SXSW, e ainda antes de estrear o primeiro episódio na televisão, já tinha sido dado o aval para a segunda temporada. O USA, canal de 'Suits', confia total e cegamente em Sam Esmail, e há-de conseguir aproximar-se de monstros como a HBO ou a Netflix com esta aposta. Para perceberem o nível da coisa, 9.1 no IMDb é injusto, porque devia estar melhor classificado.

    Na fantástica cabeça do criador Sam Esmail começou um projecto com vista a ser um filme. No entanto, a quantidade de pormenores e potencial para alongar a história converteu 'Mr. Robot' numa série, com a 1.ª temporada a servir como primeiro acto da narrativa. Com influências de 'American Psycho' e 'Taxi Driver', da realização de Kubrick e, claramente, de 'Fight Club' (positivo e refrescante Esmail admitir estas influências, homenageando-as com respeito e criatividade ao mesmo tempo que inova com um produto final perfeito), a premissa inicial era a seguinte: Elliot Alderson (Rami Malek) trabalha numa empresa de segurança informática, a Allsafe, enquanto que à noite é um hacker que procura "salvar o mundo", combatendo a sua solidão e inaptidão social. Elliot, que tem vários problemas mentais, é então atraído por um anarquista, Mr. Robot (Christian Slater), que coordena a fsociety, uma pequena equipa de hackers revolucionários que querem destruir a E Corp (perdão, Evil Corp), um dos maiores conglomerados corporativos, cliente da Allsafe, apagando toda e qualquer dívida na sociedade.
    A ideia tinha potencial, mas de potencial rapidamente passou a certeza. São infinitos os pormenores (tantas pequenas coisas que nos são mostradas e que ganham sentido posteriormente) que tornam 'Mr. Robot' uma série de culto. Primeiro, a forma como Elliot fala connosco. Assim como Frank Underwood fala com o espectador em pensamentos privados em 'House of Cards', 'Mr. Robot' passa-se em grande medida na cabeça de Elliot. Tudo o que ele descobre, descobrimos com ele, por vezes antes até, e o modo como nós (espectadores) somos o amigo com quem ele fala, torna-o automaticamente alguém com quem temos empatia, ultrapassando a fronteira da sua incapacidade em estabelecer relações através da forma como nos confidencia as suas opiniões sobre as pessoas que o rodeiam e sobre a sociedade em geral.
    Depois, as personagens são incríveis. Desde as principais às que orbitam ocasionalmente no universo de Elliot. A isso junta-se: uma Realização e Fotografia com assinatura própria (o enquadramento e os planos usados não demorarão a tornar-se uma referência e inspiração), tornando cada episódio uma verdadeira obra-prima (aqueles inícios, meu deus); o rigor técnico na exploração do sub-mundo hacker; uma banda sonora que ajuda várias cenas a tornarem-se mais marcantes, embora o cerne e mérito esteja mesmo na história e nas personagens. Para além de Elliot há então: Mr. Robot com o qual o protagonista desenvolve uma relação.. peculiar; Angela, a melhor amiga de infância que quer singrar no mundo empresarial; Darlene, elemento da fsociety, com um look cool e mais próxima de Elliot do que inicialmente parece; Tyrell Wellick, um Patrick Bateman dos tempos modernos, executivo na Evil Corp, empresa da qual quer ser CTO. Estas 4 personagens e meia são o esqueleto de 'Mr. Robot', enriquecidas depois por Joanna, Fernando Vera, Shayla, Whiterose e Krista. 
    
A Personagem: Elliot Alderson (Rami Malek).
    Em 2016 temos esperança que 'Mr. Robot' varra tudo o que seja Emmys. E será absolutamente criminoso se não for dado a Rami Malek o devido crédito pela forma como soube dar corpo ao que Sam Esmail criou. O hoodie preto, os grandes olhos a fitarem-nos de forma hipnotizante e o maxilar bem definido acompanham-no numa das melhores cenas de introdução de uma série e de um protagonista (depois do seu monólogo inicial, o diálogo com Rohit no cibercafé).
    Elliot Alderson é a voz desta geração. Descrente em redes sociais e no materialismo, com uma rotina de morfina e suboxone em momentos de crise, juntando a tudo isso alucinações, fobia social, ansiedade e.. distúrbio de identidade dissociativa. Elliot projecta o pai, mas assume também ele próprio outro lado, quando Mr. Robot está no ecrã sem Elliot, em circunstâncias nas quais normalmente não teria coragem. É quase um herói de banda desenhada - o tom da série, o bom uso da cidade de Nova Iorque e a realização ajudam a transmitir essa sensação de que estamos a folhear as vinhetas -, capaz de nos entrar na cabeça como nós entramos na dele. Elliot Alderson é o Zeitgeist. Louco. Paranóico. Capaz de encontrar toda a gente online menos ele próprio, e senhor de um extremo bom gosto musical, considerando o seu "portefólio".
    O protagonista está num patamar acima de qualquer outra personagem, mas Tyrell Wellick é aquele tipo de antagonista do qual é impossível não gostarmos e inclusive torcermos por ele. Esmail fugiu ao protótipo para o qual Tyrell parecia estar concebido - o vilão clássico, a subir na hierarquia sem olhar a meios -, fazendo-o fracassar consecutivamente. O verdadeiro vilão de 'Mr. Robot' é inclusive guardado até ao fim, com o CEO da Evil Corp, Phillip Price, a ter maior preponderância nos dois episódios finais. Voltando a Tyrell, a relação com Joanna (ele a falar sueco, ela a falar dinamarquês) é um dos pontos fortes, bem como duas cenas-chave: no terraço ao som de FKA twigs, e na introdução do episódio 3 num momento doentio com um mendigo. Mas uma boa série faz-se de boas e diferentes personagens: Darlene, Angela, Fernando Vera, a desnaturada Shayla com os seus diferentes penteados, as duas caras de Whiterose e a psicóloga de Elliot, Krista, apimentam o leque.
    

O Episódio: 08 'wh1ter0se.m4v'.
    A qualidade desta primeira temporada, com a melhor nota que já demos aqui no Barba Por Fazer nas nossas Revisões, mantém-se homogénea do princípio ao fim. A consistência é impressionante. Poder-se-ia perfeitamente destacar o episódio 9 ou 6, e mesmo a finale, mais preocupada em preparar terreno e servir de transição, fica marcada por um discurso épico de Mr. Robot em Time Square.
    Assim, a dúvida final teria que ser entre o episódio-piloto e o oitavo ('wh1ter0se.m4v'). No piloto, 'hellofriend.mov' (sim, todos os episódios têm nome de ficheiros), a fasquia fica altíssima, mas marca o nível que a série vem a apresentar depois no seu conjunto. O contributo de Niels Arden Oplev foi importante, embora seja perceptível que tudo na série passa por Esmail, mais envolvido no seu projecto que muitos pares de profissão. Se o episódio 1 é a apresentação perfeita, e quanto a nós o melhor episódio-piloto de todas as séries que já vimos, 'wh1ter0se.m4v' é o ponto mais alto.
    Um começo intrigante com Darlene e Angela, a conversa de Elliot com Whiterose, a continuidade do percurso de Tyrell, mas principalmente aqueles 10 minutos finais. Desde a revelação com Elliot e Darlene (boa e suave ligação com o episódio 4), a uma confirmação anunciada (You knew all along, didn't you?) ao som de M83. Ao espelho, Elliot vê o seu reflexo, mas também o de Mr. Robot, de Tyrell, de Darlene, de Angela, a máscara emblemática da fsociety, clara alusão ao grupo Anonymous, e ainda o reflexo do criador Sam Esmail. Um pormenor de luxo, num mar infinito. A realidade, o que é real e o que não é, será sempre esse o coração de 'Mr. Robot'.


O Futuro: 
    Podemos pôr as mãos no fogo no que toca à capacidade criativa de Sam Esmail. O criador de 'Mr. Robot' (que já teve duas cameos na série, nos episódios 1 e 8) já disse que procurará manter o respeito pela história central, sem derivar para caminhos acessórios como muitas séries fazem, referindo a abordagem de Gilligan em 'Breaking Bad' como exemplo. Esta 1.ª temporada foi uma contextualização longa - se 'Mr. Robot' fosse um filme, agora é que começaria a acção a sério - e é bom verificar que Esmail se sentiu aliviado quando o paradigma Elliot/ Mr. Robot foi revelado em definitivo (para muitas séries aquilo seria um segredo guardado até ao final, nesta há confiança suficiente no restante para desvendar cedo). Segundo Esmail, 'Mr. Robot' deverá durar 4 ou no máximo 5 temporadas.
    O que é que aí vem agora? Apenas é sabido que Joanna Welick (Stepanhie Corneliussen, rosto publicitário de 'American Horror Story: Asylum') irá ter um papel mais importante na segunda season, e que se nesta houve a dinâmica Tyrell-Joanna, na próxima será mais Tyrell-Elliot, no que diz respeito à personagem do actor Martin Wällstrom.
    Tudo o que 2016 nos trará passará inicialmente por quem estava a bater à porta do apartamento de Elliot, pelo paradeiro de Tyrell Wellick, e pela identidade do autor responsável pelo ataque na opinião do CEO da Evil Corp (Elliot ou Tyrell). Os dados parecem lançados para Angela se transformar bastante, e oxalá que Fernando Vera, Whiterose e Krista continuem a aparecer, mesmo que pontualmente. A cena final, sem contar com a pós-créditos do episódio 10, dá a entender que o lado Mr. Robot aka Tyler Durden tomou conta de Elliot, o que poderá ter consequências interessantes. Será lógico que ao longo das próximas temporadas percebamos melhor o passado de Elliot com a mãe e o destino desta, a razão de Elliot ser obrigado a cumprir sessões com Krista e os verdadeiros interesses/ planos de Tyrell e Joanna em relação à Evil Corp.
    Só é pena termos que esperar quase 1 ano, mas 'Mr. Robot' é isto: um símbolo urbano, uma série pertinente e de acordo com a revolução digital, capaz de viciar espectadores e de os fazer pensar, conspirar e criar teorias. E com a quantidade de pormenores que tem, apanham-se sempre mais na segunda vez que se vê cada episódio. Porque cada episódio é como uma manhã de Natal.