Óscares Barba Por Fazer 2017

A equipa do BPF elegeu os melhores do ano. Nos nossos Óscares há justiça para 'Nocturnal Animals', 'I, Daniel Blake', Mackenzie Davis, Aaron Taylor-Johnson, Rebeca Hall ou Amy Adams, e muitos elogios para Damien Chazelle e Casey Affleck

E os Óscares 2017 foram para...

Numa noite em que La La Land ganhou 6 óscares, o último e mais importante foi para Moonlight com golpe de teatro pelo meio. Damien Chazelle, Casey Affleck, Emma Stone, Mahershala Ali e Viola Davis não esquecerão este ano

Crítica: Moonlight

Eleito Melhor Filme pela Academia, Moonlight consegue, com uma beleza rara, um trabalho de câmara e um elenco extraordinário, colocar no ecrã o tempo que demoramos a descobrir que somos, e a aceitar e abraçar isso mesmo. O filme de Barry Jenkins é uma peça universal, humana e poética, fragmentada em 3 partes (criança, adolescente e adulto).

Balanço Liga NOS 16/ 17

Um Benfica de luxo à procura do inédito tetra, um Porto que defende como ninguém mas ao qual faltam golos e um Sporting em crise. Esta é a nossa análise a meio de um campeonato com o Minho em força e Chaves a surpreender

25 Novas Séries a Não Perder em 2017

Vem aí guerra entre Netflix, FX e HBO. O novo ano traz a série de Tom Hardy e do seu pai, uma baseada em livros de J.K. Rowling, outra produzida por David Fincher e outra com Idris Elba. Punisher ganha independência, e o criador de Fargo trata da chegada de Legion. E o melhor é que há muito mais.

30 de abril de 2015

Garganta Afinada. Top 20 ( nº 105 )

    Voltámos, suas criaturas belas! É uma prova que não somos mentirosos. Prometemos voltar quando o sol decidisse voltar, e tal como ele... Cá estamos nós. E há coisa melhor que boa música para acompanhar um dia de sol? Há. Mas isto é tudo o que temos.
    Entre a primeira dezena de músicas temos, por exemplo, Nick Jonas, Ciara e Taio Cruz. Não, ainda não é desta. Preferimos manter o nosso ADN musical e voltar a divulgar o trabalho do britânico de chapéu e cabelo comprido, James Bay, bem como dos Tame Impala. Deixem-se hipnotizar pela duradoura “Let it Happen” da banda que marcará presença a 20 de Agosto no Paredes de Coura. Temos ainda uma elevada dose de rap norte-americano liderada por um talento que certamente dará que falar nos próximos anos. Falamo-vos de Logic. Já equiparado em termos qualitativos a Eminem, o jovem de 25 anos lançou o seu primeiro álbum em Outubro e acabou por prometer parar de fumar no dia em que lançasse o seu primeiro disco. Sim... Está a soar um bocado a TV7Dias, mas tem um propósito... Oiçam a sua "Nikki" com atenção e verão que Logic não é mais um rapper da moda que escreve sobre mulheres, drogas e dinheiro. Os videoclips dos Kodaline e de Hozier deste GA têm em comum o quê? Game of Thrones. Ser Davos (Liam Cunningham) é protagonista em mais um vídeo interessante de acompanhar dos Kodaline – tal como as duas partes de ‘All I Want’ – e Hozier contou com Margaery Tyrell (Natalie Dormer) na sua “Someone New”. A liderar o nosso top está um senhor de barbas que vem dum país em que basicamente há sempre algo que nos quer matar. Chet Faker é um dos artistas da actualidade e este momento no Enmore, com a "Talk is Cheap", demonstra bem a razão de o ser. O australiano vem ao Coliseu de Lisboa dia 3 e 4 de Julho, sendo que para a primeira data já não há bilhetes (razão que fez com que o cantor desse mais um espectáculo). Têm ainda a música de Seinabo Sey que acompanha a ode à amizade da Super Bock, os Tara Perdida no pós-João Ribas e os D’Alva como sempre a transportarem-nos para outra época musical mas conseguindo ao mesmo tempo dar tudo o que a música portuguesa precisa agora. E de terras nacionais temos ainda Napoleão Mira com o seu filho Sam The Kid em que ambos acabam por proporcionar um momento musical de pura genialidade. Enquanto que Sam tratou do instrumental (supomos nós), Napoleão declamou os versos do poema "Tabacaria" de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa. Uma fusão perfeita que merece ser ouvida por muito mais gente... E continuando na onda de boa música vermelha e verde, temos ainda o novo single de NBC - depois de "Gratia", o cantor presenteia-nos agora com "Dois" mantendo o dom da palavra. E quem também sabe jogar bem com as palavras é W-Magic - a rapper portuguesa tenta impor-se num mundo dominado por homens e tem tudo para dar certo. A jovem lançou o seu álbum "Bicho do Mato" e contou com a participação de Valete para o single com o mesmo nome. Uma ajuda que pode obviamente fazer com que ganhe maior notoriedade, mas uma notoriedade bem merecida. Tal como JêPê, não é por se ser apoiado por artistas de maior renome que implica não serem tão bons. Ambos são excelentes songwriters como poderão confirmar. JêPê, de resto, volta a estar no nosso Top com "Em Tua Honra", uma música que não pertence à sua mais recente mixtape "E Agora?", mas que comprova o que foi dito anteriormente. E sim, há Foo Fighters. Porque já tínhamos saudades do rock efervescente de Dave Grohl e companhia.
    Voltamos quando nos der na real gana... Desfrutem destes pedaços de arte.





1. Chet Faker - Talk is Cheap [Live at The Enmore]
2. Foo Fighters - The Feast and The Famine


Dicas Fantasy Premier League - Jornada 35

Fantasy Premier League - Este pode ser o fim-de-semana do título. Por esta altura nem o rival mais sonhador acreditará que o campeonato ainda pode fugir ao Chelsea, mas Domingo a equipa de José Mourinho pode alcançar matematicamente um troféu que escapa há cinco anos. Os blues recebem o Crystal Palace, num dia em que o Tottenham e o Manchester City também se defrontarão, num jogo que poderá ajudar a decidir quem será o melhor marcador da Premier League.
    A ordem do 2.º, 3.º e 4.º; quem falha a Liga Europa entre Liverpool, Tottenham e Southampton; e a luta pela manutenção são neste momento os pontos de interesse. Será difícil Burnley, QPR e Sunderland fugirem aos últimos lugares - e seriam porventura as 3 equipas que menos mereciam ficar - uma vez que emblemas como o Aston Villa, Leicester City e Hull City têm nas últimas 4 jornadas 3 jogos em casa, o que pode pesar.
    O jogador da jornada 34 foi.. preparem-se: Michael Dawson. O central do Hull City somou 21 (6+15) pontos, contribuindo para os 2 jogos sem sofrer golos contra Crystal Palace e Liverpool, e dando a vitória contra a equipa de Brendan Rodgers. Os seus colegas Chester e N'Doye também estiveram em destaque, tal como os centrais John Terry e John Stones. Sigurdsson voltou a fazer uma jornada ao seu nível, bem acompanhado pelo português Nélson Oliveira e Pellè bisou contra o Tottenham. Na baliza passou-se algo interessante: Adrián totalizou uns brutais 16 pontos contra o QPR - defendeu uma grande penalidade de Austin, fez 7 defesas e teve bónus 3 - mas mesmo assim foi superado por Steve Harper que fez 19 (7+12) pontos.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Não referimos Hazard ou Agüero, boas opções para capitão nesta jornada, entre os principais destaques para variar um pouco e fugir ao caminho mais fácil. Esta pode ser uma boa jornada para:

 Alexis Sánchez - Arsenal - 11.2

    Hazard foi eleito o Jogador do Ano, mas Alexis Sánchez pode-se considerar o runner-up. O chileno, na sua primeira época em Inglaterra, tem deslumbrado, já contabiliza 14 golos e 8 assistências (números interessantes considerando que não é um avançado centro) e depois de ter sido o herói da meia-final da FA Cup, é um forte candidato a transportar essa "aura" para a principal competição. O adversário é o Hull que depois de 2 vitórias fantásticas poderá aparecer em campo motivado mas também folgado por ter conquistado 6 pontos para respirar. O futebol dos gunners é do melhor que há em dia sim, Alexis brilhou na 1.ª volta contra o Hull (ficou 2-2 no Emirates Stadium), mas o Arsenal tudo fará para ganhar, principalmente porque tem um 2.º lugar para segurar.

    Ramsey, Giroud, Cazorla e Özil farão companhia ao chileno de vermelho e branco no jogo que fecha a jornada 35.

 Jack Grealish - Aston Villa - 4.3

    Na antevisão desta Premier League 14/ 15 dissemos que a falta de qualidade e de soluções no plantel do Aston Villa poderia trazer uma boa notícia: o início da carreira do promissor Jack Grealish. Voltámos a destacar o jovem inglês nos "100 Jogadores que podem marcar 2015" e somente com a passagem de testemunho de Paul Lambert para Tim Sherwood o irreverente e talentoso Grealish mereceu um voto de confiança.
    Vendo-o jogar é impossível não dar por ele. Quer pela forma como trata a bola, pela sua técnica, habilidade e qualidade de passe. O rapaz que joga com calções mais curtos e com as meias para baixo (usando caneleiras de criança para cumprir as regras) como forma de tributo a George Best, poderá ser uma das Revelações na próxima época mas, até 2015/ 16 começar, o Aston Villa tem ainda 3 jogos em casa nos últimos 4 e Grealish persegue o 1.º golo e a 1.ª assistência no principal escalão. Atendendo à forma como brilhou na meia-final contra o Liverpool, voltando a fazer das suas em casa do Manchester City, que se cuide o Everton. Com um bom calendário nesta recta final, também Christian Benteke (7.6) deverá aproveitar para melhorar o seu registo de golos.

 Nélson Oliveira - Swansea - 5.5

    Ele precisava (muito) daquele golo. O avançado de 23 anos que o Benfica emprestou ao Swansea, mas que ainda ambiciona vingar no seu clube do coração, conseguiu finalmente aproveitar a saída de Bony e a recente lesão de Gomis para ganhar confiança e justificar a aposta do clube galês. Contra o Newcastle, Nélson Oliveira foi considerado pela imprensa inglesa o melhor em campo ao agitar o jogo com 1 golo e 1 assistência. Segue-se um jogo em casa com o Stoke e o avançado que brilhou no Mundial Sub-20 de 2011 tudo fará para manter o nível. O Swansea precisa dele neste momento e, caso o Benfica o descarte, será fundamental para Nélson destacar-se nestes últimos jogos (depois do Stoke os swans jogam com Arsenal e Manchester City) para que Monk o queira em definitivo. Escusado será dizer que neste Swansea o elemento mais fiável continua a ser um islandês de nome Gylfi Sigurdsson (6.5).


 Juan Mata - Manchester United - 8.5

    O choque de Rooney com Blind poderá ter terminado a época do capitão do Manchester United, Falcao e van Persie tentam merecem a confiança de van Gaal, Di María tem saído apenas do banco de suplentes. Perante tudo isto, e dado que o Manchester United precisa de ganhar 2 dos últimos 4 jogos para assegurar um lugar no Top-4, o fio de jogo contra o WBA passará muito pelo pequeno maestro espanhol. Mata e Ander Herrera emparelham bem, Ashley Young e Fellaini têm-se transcendido e, depois das derrotas contra Chelsea e Everton os red devils querem-se recompor. O WBA defende bem, mas é provável que seja uma boa jornada para Mata e Falcao.

 Aaron Cresswell - West Ham - 5.6

    A imprensa desportiva em Inglaterra apontou-o ao Chelsea (uma estupidez visto que Mourinho já conta com Azpilicueta e Filipe Luís) mas esse rumor é apenas mais uma prova da excelente época de estreia que o melhor lateral esquerdo do Championship 2013/ 14 está a ter ao serviço do West Ham. Um dos três melhores na sua posição esta época, apenas suplantado por Bertrand e possivelmente ao nível de Azpilicueta, Cresswell tem 2 golos, 4 assistências, destacando-se graças a uma regularidade que os números são incapazes de transmitir. Os hammers baixaram bastante a sua qualidade exibicional com o decorrer da época, mas Cresswell tem sido o elemento mais constante. Fundamental tanto na sua defesa como no apoio ao ataque, veremos como explora um corredor em que o lateral contrário - Trippier - também costuma aventurar-se.

Outras Opções:
Guarda-Redes: Thibaut Courtois (5.9) deve voltar a ser titular depois de Cech ter ocupado a baliza contra o Leicester City, Simon Mignolet (5.4) está em forma, e também são boas opções Adrián (5.1) (embora não devam esperar outros 16 pontos) e o melhor guarda-redes desta época, David De Gea (6.0).

- Defesas: Martin Skrtel (6.0) é sempre candidato a bónus, Branislav Ivanovic (7.7) e John Terry (6.9) são os defesas com melhor pontuação esta temporada e costumam aparecer nos momentos importantes. A defesa do Southampton não é tão segura por defrontar uma equipa a querer fugir desesperadamente à despromoção.

- Médios: Kevin Mirallas (7.2) está a atravessar um bom período, o trio do costume do Liverpool (Coutinho, Sterling e Henderson) terá nos seus pés o destino do jogo com o QPR, e para além da panóplia de médios do Arsenal, também Ander Herrera (7.2)Esteban Cambiasso (4.8) e Mark Noble (5.3) poderão realizar uma jornada interessante. Para quem despertou agora de um sono profundo, Hazard é obrigatório naquele que pode ser o jogo do título.

Avançados: Voltará Diego Costa para o jogo do título do Chelsea? Essa é uma das questões numa jornada onde Enner Valencia (6.3) e Graziano Pellè (7.4) poderão marcar. No Leicester City Jamie Vardy (4.7) tem sido um dos heróis do clube, embora Ulloa também possa aumentar a sua conta, e resta o teste de Kane contra Agüero. Os dois melhores marcadores da Premier League defrontam-se no Domingo às 16 horas, e se Harry Kane (6.5) já mostrou que não tem limites ao fazer 2 golos e 2 assistências em casa contra o Chelsea, Kun Agüero (12.6) tem um dado curioso a seu favor - na primeira volta fez um póker na vitória de 4-1 do City sobre os spurs.

29 de abril de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 43



Filme: La vita è Bella
Actor: Roberto Benigni

por Tiago Moreira

    «Un'altra te, Dove la trovo io? Un'altra che, Sorprenda me»... Peço desculpa. Foi um devaneio. O espírito italiano invadiu-me esta semana. Sabem porquê? Porque a nossa personagem de hoje é um sempre bem disposto italiano, para contrastar com o Eros Ramazzotti. Há muitos filmes sobre o Holocausto, mas tenho para mim que este é um dos melhores. Obviamente que há Schindler's List - um dos filmes com melhor pontuação no IMDb -, mas este tem toda uma carga emocional diferente. E é aí que entra Roberto Benigni.
    Benigni não só foi um dos escritores do enredo, como também foi o próprio realizador do filme e actor principal, dando vida ao nosso Guido. Schindler's List já tinha trazido em 1993 todo o horror que foi o Holocausto ao grande ecrã. Porém, Benigni decidiu criar outro drama sobre o tema, mas com um toque genial de comédia. Podia correr mal? Podia... Bastante mal, até. Mas não correu.
    Guido era judeu e tinha uma família completamente feliz. Só que a certa altura foi enviado para um campo de concentração juntamente com o seu pequeno filho Giosuè. Guido sabia de todo o mal que aí vinha, mas nunca deixou que o seu filho se apercebesse. E é aí que está a essência do filme. Do início ao fim, Guido protege o seu filho de todos os horrores que os rodeava. Conseguiu fazer crer Giosuè que tudo aquilo não passava de um jogo e usou a sua imaginação e bom humor para levar essa pequena grande mentira até ao fim. Quem não viu o filme... Que veja. O fim é provavelmente um dos momentos mais emocionais do cinema mundial. Os mais sensíveis que se munam de lencinhos porque bem vão precisar.
    Uma história muito forte que mostra de forma simples e natural um amor entre pai e filho num ambiente catastrófico como o que se viveu na Segunda Guerra Mundial. Roberto Benigni viu o seu trabalho reconhecido mundialmente na 71ª edição dos Óscares, em 1999. Para além de ter vencido o Óscar de melhor actor - suplantando Tom Hanks em "O Resgate do Soldado Ryan" e Edward Norton em "América Proibida" -, venceu ainda os Óscares de melhor filme de língua estrangeira e de melhor banda sonora original. Para além dos prémios, Roberto Benigni esteve nomeado para melhor realizador e viu ainda o seu trabalho receber as nomeações para melhor filme, melhor argumento original e melhor edição.


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

27 de abril de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 44



Filme: Almost Famous
Actriz: Kate Hudson

por Miguel Pontares

    Confiem em mim, não há ninguém neste mundo capaz de explorar e transformar em narrativa o backstage da indústria musical como Cameron Crowe. O homem que cresceu a entrevistar Bob Dylan, Neil Young, David Bowie e que andou às cavalitas dos Led Zeppelin é o número 1 no género, e a prova disso são o documentário de 2011 'Pearl Jam Twenty' e, claro, 'Almost Famous' (qual de nós não gostaria de estar naquele autocarro a cantar a "Tiny Dancer" de Elton John?).
    O que nos traz à sonhadora Penny Lane. Em 'Almost Famous' assistimos em primeiro plano à história de um rapaz de 15 anos - baseado no passado do realizador Cameron Crowe - que consegue trabalhar para a popular revista Rolling Stone, acompanhando a tour da banda ficcional Stillwater (existiu uma banda com esse nome, mas as histórias retratadas são resultado do passado da tríade Led Zeppelin, Lynyrd Skynyrd e The Allman Brothers Band). Mas o que é que era uma tour nos anos 70 sem um conjunto de groupies?
    Penny Lane é uma rapariga de excessos, de sonhos destruídos e adiados, mas é aquele sorriso permanente e o olhar fascinado por "estar tudo a acontecer" que a fazem ser a alma do filme. Penny está longe de ser uma figura modelo para a juventude feminina - ela prefere famosos por serem "pessoas mais interessantes", vive uma relação conturbada com o guitarrista Russell Hammond (Billy Crudup) que tanto a valoriza e aclama como sua musa como no minuto seguinte a descarta, e como expoente da sua vida excessiva acaba por ter uma overdose.
    Para além disto, o que torna Penny Lane uma das mais interessantes personagens femininas do Cinema - perfeita representação da complexidade e riqueza emocional e psicológica das mulheres - é a forma como em 'Almost Famous' encanta dois homens completamente diferentes: um guitarrista carismático e imprevisível, e um miúdo de queixo caído relativamente ao panorama musical e incapaz de fazer mal a uma mosca.
     É o triângulo improvável William-Penny-Russell que faz 'Almost Famous' ser o que é. Uma das melhores representações do que é amar a música e amar uma banda, para lá do imaginável. E aquele toque final, a forma de promover o reencontro de William e Russell, é a assinatura de uma personagem que esconde a sua vulnerabilidade e cria uma capa aceitando que a sua missão é inspirar.
    

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

Benfica 0-0 Porto: Luta até ao fim

Benfica  0 - 0    Porto

    Dia de clássico. Tudo parou para ver o jogo do ano. Até a chuva fez uma pausa para não estragar o duelo entre Benfica e Porto. Os dragões necessitavam da vitória para poderem chegar a uma igualdade pontual com os actuais campeões e de vencer por duas ou mais bolas para passar a ser o líder do campeonato, enquanto que o Benfica arrumava praticamente o título com a vitória. Contudo, a vitória não pendeu para nenhum dos lados e o nulo manteve-se até ao fim dos 90 minutos.
    Jorge Jesus, na ausência de uma das suas asas (Salvio), voltou a apostar em Talisca. Não correu bem da última vez e tinha tudo para não correr novamente. É uma posição onde Talisca não consegue de todo impor o seu futebol. Não querendo optar por Ola John (sempre muito displicente defensivamente), nem por Sulejmani (por não ter ritmo), talvez o melhor fosse arriscar em Rúben Amorim - recuperando uma estratégia que remonta à época de 2009/10. Gonçalo Guedes era outra das opções que talvez fizesse sentido. Um jogador da casa - que sente o clube - e que mostra uma maturidade fora do normal. Lopetegui acabou por montar um onze surpreendente. Se Helton já era de se esperar depois da catástrofe de Munique, a aposta em Evandro em detrimento de Quaresma e de Rúben Neves em vez de Herrera já eram surpresas do espanhol. Oliver acabou por jogar a extremo, enquanto que Rúben, Casemiro e Evandro tinham o dever de parar todas as ofensivas encarnadas.
    O jogo iniciou-se com as duas equipas a apresentarem-se extremamente bem organizadas defensivamente, mas quer Benfica, quer Porto não conseguiam criar jogadas de ataque. Muitas faltas de parte a parte com a melhor oportunidade do primeiro tempo a pertencer a Jackson Martinez. Numa falha defensiva do Benfica - três(!) jogadores do Benfica a cobrirem Brahimi -, Danilo teve todo o tempo do mundo para cruzar para dentro da área. Jackson acabaria por aproveitar um mau alívio de Maxi Pereira e - completamente solto e em posição frontal - rematar muito por cima da baliza de Júlio César. O colombiano estava perto da marca de grande penalidade e acabaria por desperdiçar tamanha oportunidade. Do lado dos encarnados, o melhor que houve foi um lançamento longo de Maxi Pereira que Gaitán deixou escapar mesmo em frente a Helton.
    A segunda parte foi mais do mesmo. Muita luta e pouco jogo corrido. O Benfica tentava aproveitar os erros atacantes do Porto em contra-ataques, mas os mesmos nunca resultavam. Perdiam-se sempre na construção. A melhor oportunidade da segunda parte pertenceu a Fejsa. O sérvio que fazia dupla com Samaris no centro do terreno, teve uma oportunidade de golo muito idêntica à de Jackson Martinez. Depois de um mau alívio portista a um livre de Nico Gaitán, Fejsa atirou muito por cima na ressaca. Não estava em posição frontal, mas pedia-se mais ao sérvio.
    O jogo acabaria mesmo sem golos e é claro que o resultado sorriu mais para os encarnados. Lopetegui acabou por provocar Jorge Jesus no final do jogo no meio da sua frustração enquanto que os jogadores davam o exemplo cumprimentando-se entre si. Os dragões necessitam que o Benfica escorregue duas vezes sendo que o calendário é de dificuldade bastante parecida. Os encarnados deslocam-se agora a Barcelos, recebem o Penafiel, vão a Guimarães e recebem o Marítimo. Já o Porto desloca-se de novo ao sul para defrontar o Vitória de Setúbal, recebe o Gil Vicente, volta a Lisboa para defrontar o Belenenses e acaba em casa com o Penafiel. Os três últimos vão querer certamente jogar na Primeira Liga na próxima época e de tudo farão para ganhar os jogos que faltam. Pelo que tanto Benfica, como Porto terão pela frente jogos que não serão favas contadas.
    A Liga vai decidir-se até à última e ainda pode pender para qualquer um dos lados.


Barba Por Fazer do Jogo:
 Jardel (Benfica)
Outros Destaques: Samaris, Luisão, Fejsa; Jackson, Casemiro, Oliver.

25 de abril de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 45



Filme: Law Abiding Citizen
Actor: Gerard Butler

por Tiago Moreira

A nossa personagem de hoje entra num filme que não é extremamente bem cotado no IMDb - com os seus 7.4 -, mas de facto merecia um pouco mais. Afirmo isto porque é um filme que nos faz pensar bastante sobre a definição de justiça e do que seríamos capazes de fazer em casos extremos. A história escrita por Kurt Wimmer leva a pensar até o mais puro Homem sobre a sua sanidade mental se lhe retirassem tudo o que mais ama na vida e ainda por cima não se fizesse justiça.
    O nosso actor é Gerard Butler e a personagem que aqui hoje vos falo é Clyde Shelton. Clyde tinha-se aposentado da sua profissão para passar mais tempo com o que mais amava - a sua família. Contudo, um assalto a sua casa encabeçado pelo criminoso Clarence Darby e pelo seu cúmplice Rupert Ames, acaba por destruir toda a sua vida. Darby acaba por matar a sangue frio a mulher e a filha de Shelton - mesmo à sua frente -, sem que o mesmo pudesse fazer nada. Os assaltantes são apanhados, mas a justiça não funcionou bem. A defesa das vítimas - Nick Rice - acabou por fazer um acordo com Darby de modo a servir melhor os seus interesses. Darby ficou apenas com 10 anos de prisão e Shelton foi condenado à morte. Não contente com a decisão de Rice, Clyde acaba por fazer justiça com as suas próprias mãos. Não só com Darby, mas com todo o sistema de justiça envolvido no caso da morte da sua mulher e da sua filha. Isto até podia ser um filme do Steven Seagal se não fosse tão bem escrito e inteligente e se Butler não fizesse um papel tão bom com o seu Clyde...
    Clyde Shelton teve uma mente doentia ao executar todas as suas vinganças. Estudou tudo ao pormenor e executou tudo também ao pormenor. O ser humano é muito complexo e - de facto - não podemos afirmar que não faríamos "X" ou "Y" porque é contra todos os moralismos e contra a nossa pessoa. Não há nada pior que um homem sem nada a perder. Clyde Shelton acabou por sofrer na pele a demência de dois criminosos e viu a justiça ser branda nas punições para pura e simplesmente servir interesses. O nosso cérebro é bastante complexo. Sabemos sempre responder de forma moralmente correcta quando as situações não se passam connosco. Mas a verdade é que se se passasse connosco, poderia não ser bem assim. Em situações extremas - embora possamos pensar que não - usamos a vingança como maior arma da justiça. Acabamos por achar que é a única coisa que nos saciaria o sentimento de injustiça. Isto porque quando perdemos tudo o que amamos, agimos quase sempre inconscientemente. Quando nos tiram o tapete sem que estejamos à espera é difícil mantermo-nos de pé, conscientes. Somos seres humanos. Todos temos sentimentos. E em casos extremos (já me estou a repetir) podemos perder o controlo da mente e acabarmos por ceder à loucura.


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

24 de abril de 2015

Sorteio Meias-Finais Champions (Bayern-Barcelona e R.Madrid-Juventus) e Liga Europa

O sorteio das meias-finais das competições europeias, agora órfãs de qualquer emblema português, deu-se esta manhã em Nyon (Suiça) e os adeptos de futebol podem-se regozijar porque foi um sorteio positivo para o futebol e para o espectáculo.
    As 4 equipas da UEFA Champions League casaram da seguinte forma:

    Barcelona - Bayern Munique
    Real Madrid - Juventus

     Barba Por Fazer - O importante para quem gosta de futebol era assistir a um Barcelona-Bayern, fosse nesta fase ou na final. Sendo nas meias, há a vantagem de podermos ver um grande jogo duas vezes. Neste cenário, calhou ao Real Madrid aquela que é na teoria a equipa mais fraca entre as 4 em competição, embora a cínica e bem trabalhada Juventus queira impedir os merengues de defender o título em Berlim.
    Quem assumirá a batuta e a posse de bola? É esta uma das grandes questões do embate entre Barcelona e Bayern. O duelo entre espanhóis e alemães promete e muito, e há muitos motivos para isso: Guardiola conhece tão bem este Barcelona, criou o seu ADN e a edificou a base do seu sucesso, mas será que tem um antídoto para condicionar as acções de Lionel Messi? Se o Bayern for a equipa que assumir a bola, não será perigoso imaginar um Barcelona que possa contra-atacar frente à defesa do Bayern (o sector mais fraco) com Neymar, Suárez e Messi apontados à baliza de Neuer? Conseguirá Luis Enrique arranjar forma de Busquets-Rakitic-Iniesta não serem engolidos pelo miolo bávaro? Certo é que o desfecho deste duelo de titãs é 50/50, embora perante o actual quadro clínico do Bayern o Barcelona leve vantagem. As meias-finais jogam-se a 5/6 e 12/13 de Maio, e até lá veremos se um ou mais jogadores entre Robben, Ribéry, Alaba e Benatia já estarão recuperados. O Bayern terá a vantagem - tal como a Juventus tem no duelo com o Real - de em princípio chegar a estes embates com o campeonato já resolvido e matematicamente decidido.
    Embora conte com Pirlo, Pogba (recuperará?), Tévez, Buffon, Vidal e tantos outros craques, a Juventus era a equipa que Real Madrid, Bayern e Barcelona queriam defrontar. Na temporada passada Juventus e Real Madrid integraram o mesmo grupo na Champions, com o Real a passar em 1.º e a Juventus a ser relegada para a Liga Europa (onde veio depois a ser eliminada nas meias pelo Benfica), e nos jogos entre si o Real venceu em casa por 2-1 e empatou em Turim 2-2. Desta vez, a abordagem será diferente, é bem possível que a Juventus - à imagem do que o Atlético Madrid conseguiu fazer com o rival nos quartos - privilegie o momento defensivo, e embora mesmo sem eles o Real Madrid seja favorito, será essencial aos merengues que Benzema e Bale estejam aptos para jogar, mas Modric em princípio não jogará e a sua ausência poderá notar-se.
    

Já na Liga Europa a prioridade era Sevilha (vencedor na temporada passada, derrotando o Benfica) e Nápoles não se encontrarem nesta fase, e foi o que o sorteio ditou.

    Sevilha - Fiorentina
    Nápoles - Dnipro

    Barba Por Fazer - Tal como na Champions, o vencedor da última Liga Europa perdura ainda em competição. O outsider Dnipro era a "presa" que os 3 emblemas do mediterrâneo quereriam e calhou ao Nápoles defrontar Konoplyanka e companhia. O Sevilha, a equipa mais madura e experiente em termos europeus e que melhor defende entre as 4, depois de ultrapassar o Zenit terá novamente um teste à altura e com desfecho imprevisível.
    O melhor desfecho desta competição, considerando o desempenho que as equipas têm tido, era uma final entre Sevilha e Nápoles e esse cenário mantém-se possível. Os napolitanos de Rafa Benítez (homem que comandou o Chelsea à vitória da Liga Europa em 2012/ 13) são uma equipa muito forte em casa e perante um Dnipro que defende bem mas tem soluções limitadas, pode-se esperar uma entrada forte na 1.ª mão, a tentar resolver a eliminatória como na Alemanha diante do Wolfsburgo. Ter Higuaín, Hamsik, Mertens e Callejón deve ser suficiente para o inferno napolitano dar 2 passos até Varsóvia. A outra meia-final é mais difícil de prever, embora o Sevilha seja favorito e assim possa eventualmente renovar o título que tirou ao Benfica em Maio passado. A equipa dos portugueses Beto, Daniel Carriço e Diogo Figueiras apresenta maior consistência, é fortíssima em casa, defende bem e está mais calejada em termos europeus. No entanto, é preciso não esquecer que a Fiorentina eliminou Tottenham, Roma e Dínamo Kiev para chegar a esta fase.

23 de abril de 2015

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 34

Fantasy Premier League - Contam-se as semanas para o Chelsea festejar o título de campeão, contam-se as jornadas para o fim da liga mais mediática e espectacular do mundo.
    A última jornada, cujo nº de jogos foi afectado pelas meias-finais da FA Cup (Arsenal e Aston Villa carimbaram o acesso à final), ficou marcada principalmente pela vitória (1-0) do Chelsea sobre o Manchester United. Eden Hazard voltou a ser decisivo na caminhada dos blues rumo a um título que foge desde 2009/ 10. O WBA surpreendeu o Crystal Palace, o Leicester conseguiu a 3.ª vitória consecutiva e já espreita a salvação, e a conjugação de resultados de Southampton e Tottenham conduziu a uma troca na tabela classificativa. Os spurs estão agora acima, em 6.º.
      Já esta jornada 34 tem, em termos de Fantasy, 12 jogos. Southampton e Tottenham defrontam-se num jogo determinante no acesso à Europa, o Manchester United visita o Everton mas o jogo grande está marcado para Domingo às 16:00 - Arsenal (2.º) versus Chelsea (1.º). Na primeira volta a equipa de Stamford Bridge venceu 2-0.
    Voltando à jornada passada, poucos foram os destaques individuais. 11 pontos foi o máximo que vários jogadores atingiram - Andy King e Wes Morgan (Leicester City), Eden Hazard, Jesús Navas, Chris Brunt e James Morrison (WBA) e o guardião do Burnley, Tom Heaton. Não houve 1 único empate, Agüero e Kane fugiram ao lesionado Diego Costa, apresentando ambos agora 20 golos, e em sete jogos 5 guarda-redes tiveram clean sheet
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Liverpool, Chelsea, Hull e Leicester City são as 4 equipas que tem "jornada a dobrar". Ter 1 ou 2 médios do Liverpool (entre Sterling, Henderson e Coutinho), um médio do Chelsea (Hazard e/ ou Fàbregas) e uma figura defensiva do provável futuro campeão são quase obrigatoriedades desta jornada. Não é nosso princípio repetir jogadores de uma semana para a outra, mas as boas perspectivas de pontuação de Agüero e Hazard obrigam a isso. Poderão destacar-se:

 Raheem Sterling - Liverpool - 8.5

    Para o ano parece estar anunciada uma pequena revolução em Anfield. O título fugiu por pouco ao Liverpool no ano passado e esta temporada a equipa não só sentiu a falta de Suárez, como acusou a lesão de Sturridge e a demorada/ ainda adiada adaptação de alguns jogadores (Lallana, Lovren, Balotelli). Na próxima época deixará de haver Steven Gerrard, Balotelli estará de malas feitas, tal como figuras secundárias como Touré, Brad Jones ou Borini, mas as portas talvez também se abram para Skrtel e Sterling (a questão contratual nunca mais encontra um final feliz). A permanência de Rodgers ou aposta num treinador como Klopp será também uma das questões por resolver, isto num clube que deverá terminar a Premier League no lugar em que se encontra - o quinto. Esta jornada os reds jogam duas vezes fora, em casa do WBA e Hull, e por isso mesmo são a par do Chelsea uma das equipas mais atractivas para apostar.

    Sterling, mesmo sem ter o seu futuro resolvido, é a aposta de topo por ser o jogador com mais pontos na batalha com Henderson e Coutinho. Se a tarefa fosse escolher qual o mais consistente esta época o feliz contemplado seria o médio inglês que tem assumido o papel de Gerrard. Qualquer 1 dos 3 médios é uma opção a considerar, tal como seria Sturridge se a sua titularidade fosse uma certeza e estivesse estável fisicamente.

 Eden Hazard - Chelsea - 11.3

    O derby de Londres, marcado pela grotesca rivalidade entre Mourinho e Wenger, promete. O Arsenal está motivado, pratica um futebol atraente, mas pela frente terá a equipa com mais clean sheets (curiosamente, Hazard é o jogador da liga inglesa com mais jogos sem sofrer golos, amealhando 17 pontos à conta deste pormenor) e que procurará ser letal e eficaz como o tem sido nos 2 últimos jogos. A equipa de José Mourinho joga 2 vezes esta jornada, ambas fora, e defronta um dos seus grandes rivais e depois uma equipa que lutará com unhas e dentes para fugir à despromoção (Leicester). Ter 1 figura defensiva (Ivanovic, Terry, Courtois..) e um médio (Hazard e Fàbregas são os únicos que justificam um olhar atento) é importante nesta jornada, sendo que o extremo belga, que continuará até fim do campeonato a vincar o seu estatuto de melhor jogador da competição, é um dos fortes candidatos a capitão nesta jornada.

 Charlie Adam - Stoke City - 5.4

    Foi em 2010/ 11 que um recém-promovido Charlie Adam do modesto Blackpool conseguiu uns incríveis 192 pontos (12 golos, 9 assistências, 45 pontos de Bónus) no Fantasy. Daí para cá a carreira do médio escocês fez-se por Liverpool e Stoke, num nível francamente abaixo do apresentado nessa época memorável. Esta época Adam nem sempre é titular mas nos últimos 3 jogos somou 2 golos: aquele remate desde o seu meio-campo com o qual bateu Courtois, e diante do Southampton. Será que o Sunderland será a nova presa?


 Kun Agüero - Manchester City - 12.6

    Não há muito a dizer neste caso. Agüero acordou a tempo de tentar segurar o título de melhor marcador da Premier League, e esta jornada (em casa contra o Aston Villa) terá nova oportunidade de aumentar a sua marca individual. Com Harry Kane a visitar o coeso Southampton, Agüero pode aproveitar para fugir ao jovem revelação. Ter ou não ter David Silva recuperado pode fazer diferença no jogo do craque argentino.

 Leonardo Ulloa - Leicester City - 4.9

    Há jogos grandes que nos atraem por força da História dos emblemas e da qualidade dos jogadores, mas quem goste verdadeiramente da Premier League tem que ver nesta jornada o Burnley-Leicester. Poderá até não ser o jogo mais bonito, mas podem esperar enorme emoção e muita, muita luta. O Leicester esteve afundado no último lugar durante largo período mas com 3 vitórias seguidas já conseguiu ultrapassar Burnley (agora último com 26 pts) e QPR (26). O Leicester tem agora 28, tantos como o Hull, e menos 1 que o Sunderland. Mais: o Leicester tem menos um jogo que as duas equipas abaixo, e nesta jornada as contas acertam-se. O 2.º jogo é uma recepção ao Chelsea (veremos se as raposas azuis conseguem roubar 1 ponto) mas o primeiro é tudo o que a luta pela manutenção tem de bom. Nesse jogo, para o qual Nugent está em dúvida, elementos como Andy King, Vardy e Cambiasso serão vitais. Mas é do ressuscitado Ulloa (lembram-se quando ele à 5.ª jornada levava 5 golos?) que se pode esperar também um papel determinante.

Outras Opções:
Guarda-Redes: Thibaut Courtois (5.9) e Simon Mignolet (5.3) jogam duas vezes, e entre aqueles que só têm uma vida Joe Hart (6.1) é potencialmente a melhor opção. Mas também Krul e Schmeichel terão uma palavra a dizer nesta jornada.

- Defesas: Martin Skrtel (5.9) junta à consistência defensiva o facto de ser uma ameaça nas bolas paradas ofensivas e a sua apetência para conseguir Bónus (tem 22, tantos como Agüero ou Austin); os defesas do Chelsea são também alvos preferenciais, aos quais se podem juntar elementos como Daryl Janmaat (5.3) e Ryan Shawcross (5.3).

- Médios: Não se esqueçam de Yannick Bolasie (5.7) e Matt Phillips (4.6), se o Arsenal fizer mossa no Chelsea Alexis Sánchez e Ramsey terão desempenhado bem o seu papel, será curioso ver como se comporta Fellaini no seu regresso a Goodison Park e, como referimos, para além de Sterling e Hazard, há Henderson, Coutinho e Fàbregas.

Avançados: Glenn Murray (5.3), Charlie Austin (6.4) e Mame Biram Diouf (6.1), confiem neles. E claro que Kane pode sempre marcar.

22 de abril de 2015

Champions: Real Madrid e Juventus nas meias-finais

Depois de uma noite europeia com 9 golos, esta quarta-feira apenas tivemos um. No derby entre os dois finalistas da Champions 2013/ 14, o Real Madrid conseguiu vencer - pela primeira vez em oito jogos com o Atlético esta época - graças a um golo do mexicano Javier "Chicharito" Hernández. No Mónaco, o último treinador português em competição disse adeus à prova milionária, com a Juventus a gerir à italiana a vantagem mínima da 1.ª mão.

Real Madrid  1 - 0  Atlético Madrid (Chicharito 88')

    À oitava foi de vez. O campeão europeu em título Real Madrid derrotou finalmente esta época o finalista vencido da última Champions e garantiu a presença entre as 4 melhores equipas da Europa. Os merengues viram-se privados de Benzema, Modric, Bale e Marcelo, mas depois de o Atlético ter ficado reduzido a 10 jogadores (expulsão exagerada de Arda Turan, considerando o critério), Ronaldo e James inventaram um golo para o hoje titular Chicharito.
    O 0-0 da primeira mão e as baixas fulcrais no Real tornavam o Atlético Madrid um perigoso candidato a qualificar-se hoje. A equipa de Simeone sente-se perfeitamente cómoda sem bola, tem alma e garra para dar e vender e durou.. 88 minutos. A 1.ª parte teve muitas faltas, cada vez mais típicas nestes derbies de Madrid, mas o volume ofensivo foi maior por parte do Real Madrid. A equipa de Ancelotti tentou o golo por Chicharito, Ronaldo e James mas o esloveno Oblak (o herói da primeira mão) esteve sempre intransponível, transmitindo enorme segurança e serenidade aos colegas. A melhor oportunidade dos primeiros 45 foi mesmo do capitão da Selecção portuguesa mas, frente a frente com Jan Oblak, o guardião agigantou-se e evitou o golo com um dos pés.
        Diego Simeone mexeu ao longo da 2.ª parte - trocou Saúl por Gabi ao intervalo e Griezmann por Raúl García no decorrer do jogo - e com o jogo "amarrado", graças à forma como o Atlético soube sempre cair em cima a pressionar e impediu os criativos James e Isco de acrescentarem valor, a expulsão de Arda Turan (2.º amarelo por jogo perigoso) acabou por ser uma adição de moral para a equipa da casa. Nos minutos finais, quando já se adivinhava o prolongamento, James Rodríguez viu Oblak fazer a defesa da noite (poucos guarda-redes defenderiam aquele remate, em que à primeira vista nem parecia ter havido defesa) e aos 88 minutos chegou o momento do jogo e da eliminatória: Cristiano Ronaldo fartou-se e combinou com o colombiano James Rodríguez (passe mágico na construção da jogada), aproveitando para assistir Chicharito (em melhor posição) para golo quando Oblak já fazia a mancha para um eventual remate do português.

    O vencedor da última Champions tem mais 2 jogos para provar que merece defender o título na final e a passagem para as meias-finais foi justa. Os merengues não foram brilhantes, viram-se condicionados pela raça e capacidade defensiva do Atlético mas no conjunto da eliminatória foram sem dúvida quem mais criou perigo e a equipa que mais procurou marcar. Jan Oblak foi o homem da eliminatória pela forma como manteve o Atlético vivo durante 178 minutos, mas Javier "Chicharito" Hernández acabou por qualificar o Real Madrid, com a ajuda da dupla Cristiano Ronaldo & James Rodríguez.


Barba Por Fazer do Jogo:
 Jan Oblak (Atlético Madrid)
Outros Destaques: 
Varane, Carvajal, James Rodríguez, Cristiano Ronaldo, Chicharito; Tiago



Mónaco  0 - 0  Juventus


    No Principado do Mónaco o jogo terminou tal e qual como começou. No final da 1.ª mão era fácil adivinhar que a Juventus iria bloquear o adversário e segurar a vantagem conquistada através da grande penalidade de Vidal, e foi mesmo isso que aconteceu. A Juventus pouco ou nada arriscou, e o Mónaco não teve argumentos para furar a defesa italiana.
    Pode-se dizer que a Juve "estragou" o jogo pela forma como não jogou nem deixou jogar, mas o que é certo é que foi assim que não deixou o seu melhor percurso europeu escapar-lhe (desde 2002/ 03 a vecchia signora não estava nas meias da Champions).
    A noite foi de pouco trabalho para Buffon e Subasic (cada equipa fez apenas 1 remate à baliza), sendo que as melhores oportunidades da 1.ª parte pertenceram a Kondogbia e Bernardo Silva. O melhor período dos monegascos aconteceu no início da segunda parte, altura em que o jovem Bernardo Silva descaiu várias vezes para o centro do terreno e, tirando uma má saída de Buffon salva por Evra, pouco futebol hoje. O melhor lance da 2.ª parte chegou por intermédio do pé mágico de Andrea Pirlo num livre de longe travado apenas pelo vértice superior esquerdo da baliza.
    Um jogo aborrecido, muito diferente do que a Juventus conseguiu em Dortmund, mas que foi suficiente para os italianos passarem das meias-finais da Liga Europa em 2014 para as meias-finais da Champions em 2015. Entre vários pequenos destaques, Kurzawa foi um dos jogadores mais interventivos, com Kondogbia e Bernardo Silva (correu tanto, embora nem sempre bem) a bom nível, tal como os "clássicos" italianos da Juventus.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Layvin Kurzawa (Mónaco)
Outros Destaques: Kondogbia, Bernardo Silva; Bonucci, Chiellini, Pirlo


O sorteio das meias-finais acontece na manhã desta sexta-feira - os 3 gigantes (Bayern, Barcelona e Real Madrid), desde o início os três favoritos a ganhar esta Champions, quererão teoricamente defrontar a Juventus. O que será melhor: assistir a dois jogos entre Bayern e Barcelona ou - eventualmente - ver a actual e a ex equipa de Guardiola defrontarem-se na final?

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 46



Filme: Django Unchained
Actor: Leonardo DiCaprio

por Tiago Moreira

    É inevitável assumirmos a nossa admiração por Leonardo DiCaprio. Encarna qualquer personagem com extremo afinco e torna-a épica à sua maneira. Neste preciso caso, DiCaprio interpreta um vilão. Se Christoph Waltz fosse considerado o actor principal de 'Django Unchained', provavelmente o californiano teria levado o Oscar de melhor actor secundário para casa... Que seria - inexplicavelmente - o seu primeiro. Mas nem nomeado foi em 2013. Calvin Candie é um dos melhores vilões cinematográficos do tempo da escravatura, equiparando-se à personagem de Michael Fassbender em '12 Anos de Escravo'.
    Toda uma personagem inventada pelo irreverente Quentin Tarantino. Dono de uma das maiores plantações de algodão do Mississipi - a sua Candyland -, Calvin era também dono dum bordel e promovia lutas até à morte entre os seus escravos, fazendo lembrar os gladiadores da Roma Antiga. Candie acreditava veemente que toda a população negra era inferior à raça caucasiana e que tudo era uma questão de genética. Ele defendia a teoria de que tudo dependia da fisionomia do crânio, ou seja, das suas pequenas covas. Na sua mente doentia e racista, essas pequenas supressões no crânio estavam directamente ligadas ao funcionamento do cérebro. Pelo que na sua opinião, todos os negros tinham essas covas na área ligada à submissão. E como todas as suas opiniões são factos - nada está acima dele -, era um facto que todos os negros serviam apenas para servir. Era tudo uma questão natural, de genética.
    DiCaprio encarnou a personagem de forma brilhante e demonstrou que é um autêntico camaleão do cinema. Incorporou o vilão criado por Tarantino na perfeição. Desde a forma como profere todos os seus discursos vis, ao olhar doentio. Como curiosidade, numa das cenas do filme, DiCaprio parte um copo e começa a sangrar da mão. Nada de efeitos. Não era só Candie que estava a sangrar, mas também o próprio actor que não parou em algum momento. Prosseguiu como se nada fosse e proporcionou uma cena épica, num dos melhores discursos de sempre dum vilão.


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

Bayern Munique 6-1 Porto: Exterminador de sonhos

Bayern Munique    6 - 1    Porto (Thiago 14', Boateng 22', Lewandowski 27', 40', Müller 36', Xabi Alonso 88'; Jackson 73')

    Acabou o sonho português. O Porto não conseguiu aproveitar a vantagem que trazia de solo nacional e acabou por ser goleado em Munique por um Bayern com uma fome imensa de vingança. A malapata dos portugueses contra os alemães continua, num jogo em que Guardiola soube unir a sua equipa e moldá-la face às suas grandes ausências no plantel. Já Lopetegui deu dois tiros nos pés com as suas escolhas...
    O Bayern Munique continuou privado de Robben, Ribery, Alaba e Benatia. Schweinsteiger já se sentava no banco, mas não estava em condições ideais para entrar na partida. Embora a equipa permaneça com inúmeras estrelas, era necessário que Pep Guardiola moldasse a sua estratégia já que teria de virar uma eliminatória sem as suas asas - Robben e Ribery, já ausentes na primeira mão. A diferença é que o Bayern desta vez mostrou-se organizado e com uma fome de golo fora do normal... E sem Dante no onze. Por sua vez, Lopetegui decidiu tentar defender o resultado e - estando desprovido de laterais - optou por jogar com quatro centrais. Reyes jogou no lugar de Danilo e Martins Indi no lugar de Alex Sandro. No eixo da defesa, Maicon fez dupla com Marcano.
    Desde bem cedo se viu um Porto recuado e determinado apenas em não errar defensivamente. O objectivo de Lopetegui era não abrir espaços para a velocidade e vontade de atacar com tudo dos alemães. Só que quatro centrais não significam maior consistência defensiva. Pelo contrário. Reyes e Indi não tinham de todo pernas para aguentar as investidas de Bernat e Lahm, respectivamente. As bolas nas costas dos laterais eram um perigo eminente para a baliza de Fabiano. Quaresma e Bernat acabaram por se pegar, com o espanhol a vingar-se das maldades do Harry Potter da primeira mão. Era dos mais enérgicos jogadores em campo e o primeiro golo acabou por nascer dos seus pés. Após a ameaça uns minutos antes de Müller e Lewandowski (remate do alemão para boa defesa de Fabiano e recarga do polaco ao poste), Bernat explorou as facilidades no corredor para disferir um cruzamento perfeito para a entrada fulgurante de cabeça de Thiago Alcântara ao primeiro poste. Estava feito o primeiro no jogo, mas não estavam cumpridos os 13 minutos de azar do Porto. O relógio assinalava 22 minutos de jogo quando os alemães beneficiavam do primeiro pontapé de canto. Canto batido à maneira curta, Thiago cruza para a área, Holger Badstuber cabeceia para perto da pequena área onde Boateng consegue desviar para golo. Muitas facilidades dadas pela defesa do Porto neste lance. Uma jogada que em nada parecia levar selo de golo, acabou por sê-lo através da insistência dos dois centrais do conjunto alemão. A eliminatória já não jogava a favor do dragão e complicou-se ainda mais com um golo de antologia dos alemães. Alcântara jogou largo para as costas de Indi, Lahm - de primeira - colocou na área onde Müller - também ele de primeira - serve para o golo de Robert Lewandowski. Uma jogada toda ao primeiro toque desde a sua génese - os pés de Thiago Alcântara. Foi mais um duro golpe para a moral dos portugueses e Lopetegui acabou por reagir muito tarde a um dos seus grandes erros. Após o terceiro golo, decide colocar Ricardo Pereira no lugar de Reyes para tentar que as saídas rápidas de Bernat não fizessem tanta mossa. Porém, o caudal ofensivo dos alemães ainda não tinha parado. Müller aproveitou os espaços dados para rematar de fora de área culminando num frango de Fabiano. A bola ainda desvia em Indi, mas vai na direcção do guarda-redes brasileiro... Contudo, o esférico acabou mesmo por entrar numa tentativa falhada de Fabiano pontapear para longe. No mínimo caricato... A pausa que Lopetegui tanto ansiava no jogo não aconteceria sem mais um golo alemão. Müller trabalhou bem na direita - ao aguentar a carga do defesa portista - e serviu para o bis de Lewandowski. O polaco temporizou e rematou por baixo das pernas de Maicon, sem hipótese para Fabiano. Lopetegui esfregava os olhos e não queria acreditar no que via...
    O segundo tempo começou bem mais calmo. É inevitável que uma equipa que esteja a vencer por 5-0 ao intervalo, regresse um pouco mais relaxada e encostada ao resultado. O treinador portista parecia já pensar no jogo da Luz ao deixar no banco Ricardo Quaresma e a lançar Rúben Neves na partida. Poderia interpretar-se como uma opção de pura estratégia, mas viria a verificar-se mais tarde - com a saída de Brahimi por Evandro - que não. Lopetegui já dava indícios de estar a atirar a toalha ao chão. O Porto conseguia ter mais bola do que na primeira parte, mas não criava oportunidades de golo. Até ao seu golo não tinha feito qualquer remate à baliza de Manuel Neuer. Já com Evandro em campo, Ricardo Pereira desequilibrou na direita e lançou para a linha de fundo onde Herrera cruzou para o golo de Jackson Martinez. O Porto parecia apenas ter vida nas pernas cansadas do capitão e a verdade é que o colombiano esteve perto de reduzir a vantagem numa grande jogada individual. Mas isso não se verificou e Marcano colocou um ponto final ainda mais firme na eliminatória ao ser expulso após entrada dura sobre Thiago Alcântara. Sempre muito precipitado nas suas investidas o espanhol foi tomar banho mais cedo sem contestar. No livre, Xabi Alonso mostrou que quem sabe, nunca esquece. Excelente execução do espanhol - sem qualquer hipótese para Fabiano - a fechar o resultado.
    A eliminatória acabou por ficar em 7-4 a favor dos alemães, embora o sonho tenha sido bem real com a fantástica primeira-mão portista. Contudo, o medo de Lopetegui em perder a eliminatória acabou por sentenciar o sonho de todos os portistas. Guardiola voltou a mostrar toda a sua mestria ao estudar por completo o Porto e ao explorar todos os seus pontos fracos. Jackson foi o único a querer contrariar o resultado apesar das suas limitadas condições físicas e Ricardo Pereira também era dos poucos determinados - quando entrou - a acreditar no sonho europeu. De resto, toda a equipa foi uma nulidade muito por culpa da estratégia do treinador e por culpa da inteligência de Guardiola. É difícil eleger um melhor jogador em campo quando quase toda a equipa fez um jogo soberbo. Ainda assim, é em Philipp Lahm que revemos maior importância nesta exibição. É um jogador que sabe jogar em todo o campo e que hoje foi fulcral quer na construção das jogadas, quer na concretização das mesmas. A par do alemão, Thiago Alcântara também se mostrou a grande nível. A aparecer em praticamente todos os golos e a - literalmente - catapultar a equipa para a frente com toda a sua classe e visão de jogo. Lewandowski foi um autêntico sniper na área portista ao ter sempre os olhos na baliza e a rematar sempre que podia... Dois golos foi o que levou deste jogo. Bernat mostrou-se sempre irrequieto e se no jogo anterior tinha sido maltratado por Ricardo Quaresma, nesta partida respondeu com grande nível. Reyes e Quaresma não conseguiram segurar as investidas do pequeno espanhol. Xabi Alonso e Götze - também eles foram importantes na construção dos ataques alemães, com maior ênfase para o espanhol. Müller foi um autêntico aliado de Lewandowski e foi outra dor de cabeça para a defensiva portista. Praticamente todos os ataques passavam por ele. Um autêntico desequilibrador que é - na nossa opinião - extremamente subvalorizado.

    O Bayern espera assim pelos restantes clubes nas meias-finais juntamente com o Barcelona. Os espanhóis acabaram por fazer um jogo de contenção e mesmo assim ganharam a um PSG fragilizado por duas bolas a zero. Neymar marcou dois golos, mas a estrela foi Andrés Iniesta. O médio espanhol espalhou magia por Camp Nou e deu muitas dores de cabeça aos franceses.


Barba Por Fazer do Jogo:
 
Philipp Lahm (Bayern Munique)
Outros Destaques: Thiago Alcântara, Lewandowski, Müller, Bernat; Jackson, Ricardo.

21 de abril de 2015

Revisão: 'Daredevil'

Criado por
Drew Goddard

Elenco
Charlie Cox, Vincent D'Onofrio, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Vondie Curtis-Hall, Rosario Dawson, Ayelet Zurer

Canal: Netflix

Classificação IMDb: 8.8
Avaliação BPF: 16 / 20


- Abaixo podem encontrar Spoilers - 
A História: 
    Os super-heróis estão para ficar na televisão. A "guerra" Marvel-DC já leva algum tempo no grande ecrã (com vantagem para a DC Comics graças ao trabalho de Christopher Nolan na trilogia 'The Dark Knight') e nos últimos tempos as séries têm-se tornado a nova casa dos heróis e vilões das bandas desenhadas. Para além de séries antigas ('Smallville' terá sido a mais recente), pode-se considerar que a competição ganhou vida a partir do momento em que a CW estreou 'Arrow'. As aventuras de Oliver Queen continuam a ser sinónimo de consistência e qualidade no género, mais cativantes do que 'The Flash', que a mesma rede televisiva lançou no ano passado.
    Pois bem, a Marvel já tinha 'Agents of S.H.I.E.L.D.' mas agora, com o cunho especial e único que as produções da Netflix têm, recuperou Daredevil. Longe vai o ano de 2003 quando Ben Affleck foi Matt Murdock num filme fraquinho e fácil de esquecer. Charlie Cox dá 40 a zero a Affleck na pele do super-herói cego que encontra "outras formas de ver", mas o mais importante é que este 'Daredevil' é o projecto mais maduro e negro do género na televisão. Já foi comparado a 'The Wire', teve cenas associadas ao clássico sul-coreano 'Oldboy' e a 'True Detective' mas é preciso não entrar em comparações descabidas - 'Daredevil' é bom, isso é, e passo a explicar porquê.
    Os fãs de BD's irão venerar este 'Daredevil' mas também quem não seja fanático poderá gostar graças à sua abordagem humana e terra-a-terra. Durante 12 episódios e meio, Matt Murdock (Charlie Cox) veste apenas roupas escuras e uma venda (se não fosse o respeito pela banda desenhada, seria melhor ficar sempre assim), não precisando de fatos típicos de super-herói, e o facto de acompanharmos a ascensão simultânea do herói e do vilão Wilson Fisk (Vincent D'Onofrio) dá-nos uma nova perspectiva. No entanto, a série criada por Drew Goddard e assumida depois por Steven S. DeKnight afasta-se de algumas práticas recorrentes quando se inicia o conto de um super-herói. 'Marvel's Daredevil' fica-se pelas ruas, não sobe aos céus, e não se coíbe de mostrar sangue, acabando por ser quase um filme de 13 horas e não uma série com 13 episódios.
    Apenas com alguns flashbacks rumo à infância de Matt Murdoch e de Wilson Fisk, 'Daredevil' arranca a partir do momento em que Matt e o seu melhor amigo Foggy Nelson (Elden Henson) abrem a sua firma de advogados, e cresce a partir daí, envolvendo poucas mas boas personagens e opondo Matt, a querer defender a sua cidade, e Fisk a querer renovar a cidade de acordo com as suas ideias. Um dos vários factores que faz com que 'Daredevil' resulte é o elenco. Quando se atrai Vincent D'Onofrio para uma série é porque a coisa é capaz de ser prometedora, e todos os actores parecem escolhidos a dedo, sendo que o britânico Charlie Cox passa perfeitamente por americano e a ascensão de Matt Murdock é interessante, porventura com umas influências do que Nolan e Bale fizeram com Batman.
    As sequências de combate são brutais (o episódio 9 é exemplo disso) e magnificamente coreografadas (ai aquele fim do 2.º episódio...), os crimes são progressivos e não são megalómanos, a Realização e a Fotografia são acima da média, a melodia do genérico é apelativa, há tensão por todos os lados e tudo parece real. E talvez isso seja significativo numa série sobre um super-herói da Marvel.
    
A Personagem: Wilson Fisk (Vincent D'Onofrio).
    O brutal Wilson Fisk, popularizado como Kingpin no universo Marvel, é o grande destaque desta temporada. É tão raro ver uma abordagem assim para um antagonista hoje em dia.. A história de amor que existe em 'Daredevil' é a do vilão, o que nos mostra 2 coisas - que é um vilão capaz de amar e, mais importante, que alguém é capaz de o amar. Sim, porque até Hitler tinha Eva Braun. Para além disto, 'Daredevil' ensina a 'Arrow' ou 'The Flash' que por vezes não é preciso rodar episódio a episódio as ameaças existentes, sendo preferível aprofundar um "mau" como acontecia quando éramos miúdos (quantas horas é que o Son GoKu lutou com o Freeza?) nos desenhos animados.
    Não é aquele vilão ao lado do qual queremos estar (no 8.º episódio 'Shadows in the Glass' visitamos o seu passado e vemos a ténue fronteira entre a criança meiga e o monstro em ebulição) mas há parte de nós que pede que Daredevil não o mate. É excelente também o facto de Wilson Fisk, tanto para a audiência como para Matt Murdoch, demorar uns episódios a ganhar corpo, e é ele que nos demonstra pela 1.ª vez quão brutal e sangrenta é a série.

O Episódio: 13 'Daredevil'.
    Os dois primeiros episódios são bastante bons (sobretudo o final do segundo com a sequência de 5 minutos no corredor que já se tornou viral entre os fãs, e que merece destaque não só pela criatividade com que foi realizada mas pela sinceridade física do combate), 'In the Blood' (04) e 'Shadows in the Glass' (08) são fundamentais no trajecto de Fisk, 'Speak of the Devil' (09) tem uma sangrenta luta entre Daredevil e Nobu; mas o último episódio, para além de ser um culminar, faz justiça à temporada. Um dos pontos altos é a história do bom samaritano de Wilson Fisk na carrinha do FBI. 

O Futuro: 
    O plano da Marvel, em cooperação com a Netflix, parece ser apostar ainda nas storylines de Jessica Jones, Iron Fist e Luke Cage e juntá-los numa mini-série ('The Defenders'). De qualquer modo, Charlie Cox como Daredevil merece mais temporadas (ainda há por exemplo Bullseye e Elektra como personagens-ícone ligados ao diabo de Hell's Kitchen) e não é impossível, analisando a transição de Agent Carter do Cinema para a Televisão, que Matt Murdock faça o caminho inverso.