Antevisão da Barclays Premier League 2017/ 18

Não há nada como a Premier League. Quem vai conquistar a liga mais competitiva do planeta? Que jogadores se vão destacar? As previsões do Barba Por Fazer estão todas aqui.

Antevisão da Liga NOS 2017/ 18

Quem vai ganhar entre Benfica, Porto e Sporting? O Barba Por Fazer dá-te a mais completa análise à nova época do futebol português.

Crítica: Dunkirk

Não é o melhor filme de Christopher Nolan, mas é o melhor desde os últimos óscares. Se só puderem ir ao cinema uma vez até ao fim de 2017, escolham a experiência que é ver Dunkirk.

Revisão: Better Call Saul (3ª Temporada)

Uma obra-prima paciente. E a melhor série da primeira metade de 2017.

Emmys Barba Por Fazer 2017: Nomeados

Entre os nomeados dos primeiros Emmys BPF, destaque para as várias nomeações de Better Call Saul, The Leftovers, The Night Of, Master of None e Atlanta.

31 de janeiro de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 76



Filme: Up
Actor: Edward Asner (voz)

por Tiago Moreira


   
    Voltámos às personagens animadas e à segunda longa-metragem de Peter Docter - Up. É provavelmente um dos maiores sucessos actuais da Disney e o quarto maior sucesso da Pixar a nível de bilheteira - ficando apenas atrás de Monsters University, Finding Nemo e Toy Story 3. Up tem - provavelmente - os primeiros 15 minutos mais emocionais do mundo Disney onde a nossa personagem é o foco principal.
    Carl Fredricksen conheceu Ellie desde criança e aquilo que começou numa grande amizade, acabou num grande amor. Partilharam momentos inesquecíveis durante toda a vida, mas ambos tinham o sonho de se mudarem para as Paradise Falls, na Venezuela. Contudo, quando ambos estavam preparados para partir para a América do Sul, Ellie morre de velhice deixando o vendedor de balões com um eterno vazio. Toda a razão do seu viver tinha partido e Carl apenas se limitava a sobreviver perante uma forte monotonia. A cidade evoluiu à sua volta, mas a sua velha casa continuava intacta. Este recusava vendê-la para a construção de um prédio, mas o que é certo é que o tribunal acaba por decidir que Carl tem que se mudar para um asilo. Decidido a não desistir, Carl Fredricksen engendra um plano para que a sua própria casa se tornasse num meio de transporte. Com milhares de balões a gás, Carl consegue colocar a sua casa a sobrevoar os céus com destino à Venezuela. Como fiéis companheiros de aventura - embora ele teimasse em não querer ninguém por perto - tinha Russell (um escoteiro que necessitava de ajudar um idoso para ganhar mais uma medalha) e ainda Doug (um cão que tinha uma coleira que o permitia falar). Juntos acabam por enfrentar diversas peripécias por causa de uma ave rara a que deram o nome de Kevin.
    Uma gigante aventura que acabou por homenagear a sua eterna amada Ellie da melhor maneira. E este é um exemplo de lealdade, companheirismo e de verdadeiro amor que nos fez colocar Carl Fredricken no nosso Top 100. Todos almejam um amor destes na vida real, mas poucos se comportam de forma a que isso se realize. É a realidade em que vivemos.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

30 de janeiro de 2015

Crítica: The Disappearence of Eleanor Rigby - Him | Her | Them

Realizador: Ned Benson
Argumento: Ned Benson
Elenco: Jessica Chastain, James McAvoy, Viola Davis, William Hurt, Bill Hader, Ciarán Hinds
Classificação IMDb: 7.2 | 7.3 | 6.6 || Metascore: 63 | 67 | 57 || RottenTomatoes: 63%
Classificação Barba Por Fazer: 73


    Este ano está a ser irremediavelmente marcado pelo conceito inovador e duradouro de 'Boyhood' de Richard Linklater, mas houve outros projectos criativos. 'The Disappearence of Eleanor Rigby' é o exemplo perfeito de como a arte é tantas vezes melhor no seu estado puro e genuíno e não quando alguém lhe reconhece o potencial de fazer dinheiro. Ned Benson (ex-namorado de Jessica Chastain) reuniu um elenco de excelência, 2 jovens actores (Jessica Chastain e James McAvoy) com um futuro brilhante à sua frente, e inovou ao fazer dois filmes, adoptando duas perspectivas. Passo a explicar. Temos assistido a muitas trilogias, filmes em várias partes espaçados por anos, mas não é hábito alguém lançar no mesmo ano a mesma história, mas contada por cada uma das partes envolvidas, o homem ('Him') e a mulher ('Her').
    É um formato que resultou na série premiada 'The Affair', na qual cada episódio acompanha o POV de Noah e Alison; claro está que o problema deste 'The Disappearence of Eleanor Rigby' prendeu-se com o Box Office. Era altamente improvável que compensasse colocar em simultâneo as versões 'Him' e 'Her' no Cinema, e por isso depois de estrear no festival de Toronto o lado de James McAvoy, a The Weinstein Company adquiriu os direitos de distribuição, sob a condição de que as perspectivas se casassem, fossem editadas e transformadas numa terceira versão conjunta: 'Them'.
    E 'Them' é, francamente, um filme comum. Um puzzle ao qual parecem faltar peças, especialmente se se tiver visualizado primeiro 'Him' e 'Her'. Este 'The Disappearence of Eleanor Rigby' é sumariamente uma história de amor, mas que contempla a relação de um casal que procura ultrapassar a perda do seu filho. Eleanor Rigby (Chastain) e Conor (McAvoy) vêem-se acompanhados com grandes nomes do cinema como Viola Davis e William Hurt, e ainda Bill Hader (The Skeleton Twins e tanta coisa do Saturday Night Live) e Ciarán Hinds (Game of Thrones). A banda sonora de Son Lux é um dos destaques deste filme em que a protagonista feminina tem nome de canção dos Beatles, e para além dos bons desempenhos dos 2 actores principais, cada um com destaque na sua versão, Benson merece destaque, não só pelo conceito Him/ Her, mas por aquela cena final de cada uma dessas versões, completando-se grafica e simbolicamente uma à outra e conseguindo um dos mais bonitos encerramentos dos romances recentes do Cinema.

    Em vez de tripartir a avaliação, preferimos considerar 'The Disappearence of Eleanor Rigby' como um todo. Não há uma ordem lógica para visualizar os filmes, mas a melhor opção talvez seja ver primeiro 'Him' e depois 'Her', e ficar por aí, não vendo 'Them'.
    É uma estreia prometedora do realizador-argumentista Ned Benson, num projecto diferente que perdeu quando o quiseram rentabilizar, tornando-o apenas mais um filme. Jessica Chastain, também produtora, reiterou sempre que embora a versão 'Them' fosse para a frente, nunca iriam abdicar das duas versões inicialmente feitas, e no final ficamos com aquela sensação - passando a metáfora - de que ouvimos uma música reconfortante e desconhecida, mas que perdeu a sua magia e carácter especial ao passar "em rádio", comercializando-se.

29 de janeiro de 2015

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 23

Fantasy Premier League - Depois de doze dias de espera (com jogos da FA Cup e Capital One Cup pelo meio), a Premier League regressa este fim-de-semana e traz um prato a escaldar: Chelsea-Manchester City. Esta 23.ª jornada é a penúltima em que os utilizadores podem dar uso ao seu wildcard.
    No jogo entre 1.º e 2.º classificados (com larga margem os 2 favoritos ao título) há vários factores que pesarão: Fàbregas e Ivanovic estão ainda em dúvida, bem como Diego Costa - cuja suspensão na sequência dos incidentes contra o Liverpool ficará decidida esta 6.ª feira -, Fernando e Fernandinho terão brutal importância e, se de um lado Agüero e Silva serão os craques de quem se espera mais, no outro terão que ser Hazard, Oscar e Drogba (caso Costa seja castigado).
    A jornada 22, a anterior, foi fértil em pontuações elevadas como prevíamos. Diego Costa conseguiu 16 pontos contra o Swansea, Dwight Gayle voltou a brilhar, tal como Oscar, Cazorla e Puncheon. Eljero Elia bisou na vitória do Southampton e Enner Valencia igualou o seu máximo numa jornada (11 pontos). 
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Desta vez, atenção a:

 Alexis Sánchez - Arsenal - 11.5

    O Arsenal é favorito na recepção ao Aston Villa e é possível que nas próximas jornadas vejamos uma equipa em crescendo, moralizada pela surpreendente vitória (0-2) em casa do Manchester City, e pelos regressos de Walcott e Özil que garantem maior profundidade e flexibilidade a um plantel sistematicamente fustigado por lesões. Alexis Sánchez está para já em dúvida (75% de probabilidade de jogar) mas caso integre o onze inicial é forte candidato a destacar-se mais uma vez. De qualquer forma, as boas opções do conjunto de Wenger não terminam no chileno, pois tanto Santi Cazorla (8.3) como Olivier Giroud (8.2) poderão ser determinantes esta jornada.


 Graziano Pellè - Southampton - 7.8

    Nas 8 primeiras jornadas marcou 6 golos, e nas 14 seguintes marcou apenas dois. É um dado impossível de ignorar, mas o italiano preferido dos saints é bem capaz de ressuscitar a sua veia goleadora nesta jornada, mantendo-a nas próximas. A presa deste Domingo é um Swansea sem Bony (vendido ao City) e Sigurdsson (castigado), e o Southampton, alicerçado numa defesa que poderá conseguir a 11.ª clean sheet da época, pode partir para a frente em busca de golos. Aí, Elia, Tadic, Ward-Prowse e sobretudo Graziano Pellé terão uma palavra a dizer.


 Dwight Gayle - Crystal Palace - 5.0

    A chegada de Alan Pardew ao Crystal Palace ficou até agora marcada por duas reviravoltas emocionantes: em casa frente ao Tottenham, e no terreno do Burnley; e pelo elevado rendimento, sobretudo, de Dwight Gayle e Jason Puncheon. Nesta jornada 23 o Crystal Palace recebe o Everton (ambas as equipas têm 23 pontos) e a coisa promete. É difícil apontar um vencedor à priori mas não tirem os olhos do jovem Dwight Gayle (que teve uma ascensão meteórica ao longo dos escalões do futebol inglês) porque é nele que pode começar mais uma tarde feliz dos pupilos de Pardew.


 Christian Eriksen - Tottenham - 8.2

    Não será nada fácil a tarefa do Tottenham nesta jornada, porque o WBA de Tony Pulis leva 2 jogos e ambos sem sofrer. Como seria de prever. Em todo o caso, com Kane, Chadli e companhia o Tottenham quer amealhar 3 pontos fora, e a equipa de Pochettino até se tem exibido de forma menos complexada fora de portas do que em White Hart Lane. O dinamarquês Christian Eriksen salvou o Tottenham na última jornada diante do Sunderland e colocou o clube londrino na final da Capital One Cup. Vamos vê-lo a manter o bom momento?

 Phil Jones - Manchester United - 5.3

    Ok, é verdade que o Leicester-Manchester United ficou 5-3 e foi um dos históricos jogos desta edição da Premier League mas é altamente improvável que a História nos reserve um capítulo semelhante. Em Old Trafford o 3-4-1-2 de van Gaal deve ser suficiente para conseguir mais 3 pontos na procura de garantir um lugar de Champions e a defesa - a começar no inspirado De Gea (Charlie Austin bem se pode queixar do espanhol na jornada transacta) - tem condições para assegurar uma clean sheet. Luke Shaw poderia ser uma opção interessante caso fosse garantido que era titular, e como o melhor é mesmo não arriscar, Phil Jones (que ocasionalmente pode também dar frutos num canto) é a opção a terem em consideração.

Outras Opções:
Guarda-Redes: Pode ser uma jornada calma para os dois melhores guarda-redes da competição até agora - David De Gea (5.8) e Fraser Forster (5.5) mas também Ospina pode destacar-se.

- Defesas: Nathaniel Clyne (5.8) e Laurent Koscielny (5.9) oferecem segurança, e no C.Palace-Everton, embora seja difícil que a equipa da casa se mantenha sem sofrer golos, Scott Dann (4.9) poderá reforçar o seu estatuto nos cantos da sua equipa. 

- Médios: Já mencionámos Cazorla, o desempenho de Eden Hazard (10.7) nesta jornada poderá ser determinante no rumo do campeonato, e há dois ingleses que podem ter uma boa jornada embora impliquem algum risco. Adam Johnson (6.0) pode dar início à sua valorização no conjunto das próximas jornadas, embora haja a possibilidade de não conseguir recuperar de uma pequena lesão; Adam Lallana (8.3) já fez o seu regresso nas taças e pode acontecer que não seja titular - a sua presença no 11 deveria significar Sterling no centro e Borini fora das contas, e não se esqueçam que Daniel Sturridge pode voltar a ter minutos já neste fim-de-semana. De resto, será que é este Sábado que Di María volta ao seu nível?

Avançados: Juntem Peter Crouch (5.7) e Wayne Rooney (10.7) aos restantes avançados já referidos. E é evidente que Agüero merece ser considerado, embora o seu rendimento tenha maiores hipóteses de disparar a partir da jornada 24. 

28 de janeiro de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 77



Filme: The Life of David Gale
Actor: Kevin Spacey

por Nuno Cunha (Escritor Convidado)



    Kevin Spacey, senhoras e senhores. Um actor que teve o seu auge de carreira nos finais dos anos 90 e inícios de 2000 em filmes marcantes como American Beauty e The Usual Suspects, e que agora volta a mostrar toda a sua qualidade na pele do diabolicamente ambicioso Frank Underwood, em House of Cards. 
    Mas indo ao que interessa, que é, neste caso, a vida do David Gale. Professor de Filosofia na Universidade do Texas, dono de uma inteligência acima da média, activista numa associação de luta contra a pena de morte, casado e pai de um filho. Este era David Gale antes da sua vida se começar a desmoronar. Acusado de violar uma ex-aluna, Gale rapidamente perde a aura de credibilidade e Idoneidade que sempre pairou sobre ele, vendo-se envolvido numa espiral de acontecimentos negativos que culmina com a morte da sua melhor amiga, confidente e parceira no combate à pena de morte, Constance Hallaway. Ironia das ironias (ou talvez não), David Gale é considerado o principal suspeito do crime e condenado à pena capital, ficando a aguardar a execução no corredor da morte.
    A poucos dias da execução, Gale decide dar uma entrevista exclusiva à jornalista Bitsey Bloom (Kate Winslet), que rapidamente começa a investigar todo o caso até perceber que há qualquer coisa que não bate certo, mesmo com todas as provas a apontarem numa só direcção. A dúvida que se vai mantendo e prolongando ao longo do filme é se a descoberta da verdade chegará ainda a tempo de alterar o destino de David Gale.
    O momento chave deste filme de Alan Parker acontece quando num debate televisivo contra o governador do Texas, e depois de ter usado habilmente todo o seu poder de retórica para apanhar o governante em contradição, David Gale não consegue responder ao desafio que lhe é lançado: provar que houve algum caso naquele Estado que tenha resultado erradamente numa condenação à morte.
Perante este cenário, Gale começa a sua busca pela resposta perdida, acreditando cada vez menos que a frase “inocente até prova em contrário” seja suficiente para impedir condenações injustas e que para provar que o sistema judicial norte-americano falha mesmo quando tudo parece fazer sentido, algo mais terá de ser feito.

    A Vida de David Gale não é, certamente, um filme que deva estar no top-of-mind da maioria dos espectadores quando o assunto é a pena de morte. No entanto, é talvez aquele que melhor explora o modo como esta pode não ser o melhor remédio para todas as doenças.
    A interpretação que Spacey consegue fazer (bem apoiado por Kate Winslet, diga-se) de um homem que se mantém fiel aos seus ideais de vida e crenças profundas desde o início ao fim, sobrepõe-se claramente a um filme que, apesar de partir de uma ideia forte e que podia dar pano para mangas, acaba por ter um desenvolvimento algo confuso e, por vezes, pouco coerente. 

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

26 de janeiro de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 78



Filme: The Shawshank Redemption
Actor: Tim Robbins

por Tiago Moreira


   
    Aqui estou eu de volta à rubrica 100 Melhores Personagens de Filmes! E para contrastar com a personagem cómica que anteriormente escrevera, trago-vos um homem reservado, sábio, calculista e bastante revoltado com o seu momento de vida. Falo-vos de Andy Dufresne, representado no filme The Shawshank Redemption. Uma película escrita por Stephen King e realizado por Frank Darabont, em 1994, e que tem a melhor pontuação de sempre do IMDb - 9.3 - ficando à frente dos dois filmes de The Godfather.
    É sem dúvida uma história muito bem escrita e muito bem aproveitada quando passada para o grande ecrã. Todo o enredo contém pequenas pistas do que se vai passar no fim do filme, mas para quem não sabe do que o filme se trata, só numa segunda visualização é que vislumbra esses pequenos pormenores. Esse grande spoiler não terão neste texto. É o que posso garantir. Seria de uma maldade bastante atroz fazer-vos isso, caros leitores. Assim sendo, apenas vos contarei tudo muito superficialmente. Andrew foi condenado com duas prisões perpétuas por supostamente ter assassinado a sua mulher e o amante. Um homem de renome, banqueiro de sucesso, Andrew vê-se de um dia para o outro preso até ao fim dos seus dias na prisão de Shawshank. Um mundo ao qual eventualmente não se conseguiria adaptar, mas a verdade é que acaba por consegui-lo através dos seus próprios meios calculistas. Rapidamente faz amizade com Red - um indivíduo influente na prisão, responsável pelo mercado negro dentro da mesma. A vida na prisão não se afigurava fácil para Andrew, mas aos poucos - com a sua gigante paciência - foi conquistando tudo e todos. Desde os prisioneiros aos guardas mais desprovidos de sentimentos.
    E é isto que caracteriza Andy Dufresne. Aparentemente parecia ser um indivíduo reservado com algumas perturbações mentais, mas acaba por se mostrar um homem paciente e calculista para atingir os seus objectivos. Objectivos esses que se mantêm trancados a sete chaves até ao fim...

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

25 de janeiro de 2015

Garganta Afinada. Top 20 ( nº 102 )

    Então gente maravilhosa? Que tal foi acordarem esta semana com aquela notícia estrondosa que o CM lançou? Sim... Estou a falar mesmo dessa que estão a pensar. O Tierry tem gonorreia. Não sabem como lidar com essa notícia nos dias que se seguem, pois não? É normal... Nós aconselhamos a ouvir música da boa como a que se segue!
    Nos lugares cimeiros temos Son Lux, compositor da banda sonora de The Disappearence of Eleanor Rigby, e que em conjunto com Faux Fix criou este bocadinho de paraíso para encerrar a versão “Him” (uma vez que o filme foi decomposto nas versões de James McAvoy e Jessica Chastain, e mais tarde numa edição conjunta). E a juntar-se à última cantiga temos "Shortline" de um cantor australiano que por aqui já passou com o nome Ry Cumming e com a sua banda The Acid. Hoje temo-lo novamente no nosso Top como Ry X - um novo nome artístico e um poço de boa música que tem como influências Pearl Jam e Jeff Buckley. Para completar o pódio temos aquele que é um dos melhores cantores de R&B da actualidade - Frank Ocean. Frank não é apenas dono de uma grande voz, como também tem um talento nato para fazer boas letras... Contudo, hoje a música que vos damos a conhecer é uma cover da "I Miss You" de Beyoncé. A boa banda sonora – mas nos seguintes casos não original - do filme de Ned Benson (The Disappearence of Eleanor Rigby) ajudou-nos a alimentar este Top com mais duas músicas: ao ritmo enérgico dos Guards e sendo também caso para dizer “Gatos ao Poder!”. E não são os fedorentos, é Cat Power, uma das vocalistas da actualidade cuja carreira merecia outro reconhecimento. Chan Marshall já conta 43 anos mas Ella Henderson, com 19, ainda está a dar os primeiros passos. Esta “Yours” é mais uma prova do monstro (que de monstro não tem nada, muito pelo contrário) de talento que ali está. Contamos ainda com o sacana do cenoura que não pára de fazer boa música (e ainda bem!)... Ed Sheeran deu um toque seu à mítica série Sons of Anarchy com "Make it Rain". Mais um pedaço de arte do jovem... Ah, há também uma música - dos The Irrepressibles - que escutámos ao ver uma rapariga dançá-la no Achas que Sabes Dançar?, mas apanhámo-la por mero zapping... Ok, confessamos: nós somos filhos de mães diferentes mas o nosso pai é o Marco de Camillis. E como temos sempre um cantinho português nos nossos tops damo-vos a conhecer o novo single de Jimmy P - "On Fire". O rapper português está em grande forma e o seu novo álbum intitulado "Fvmily F1rst" promete bastante... O lançamento está previsto para finais de Fevereiro. E quem gosta de rap tem que conhecer Grognation... Neck, Factor, Tem-P, Papillon e Prizko são quem dá voz a este projecto. Depois da boa impressão dada com a Mixtape "Dropa Fogo", os cinco rapazes lançaram no ano transacto o EP "Sem Censura" e é com a faixa "Distante" que os introduzimos aqui no Garganta Afinada. Quem também faz aqui a sua estreia são os Gessicatrip com "Feliz Acaso" e ainda Mount Keeper - um novo projecto de Ben Monteiro (dos D'Alva) que promete bastante com o seu primeiro single "Story of Its Own". De resto, têm como novos amigos dos vossos ouvidos uma candidata a Óscar (“Glory”), uma das antigas de Fink e o primeiro single de Ben Haenow. “Something I Need”, originalmente dos OneRepublic, não tem o peso da “Impossible” de James Arthur, mas tem o seu valor.
    Voltaremos para vos dar mais música assim que nos der na tola!
    Até lá, marinheiros!




1. RY X - Shortline
2. Son Lux ft. Faux Fix - No Fate Awaits Me


24 de janeiro de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 79



Filme: Ratatouille
Actor: Patton Oswalt (voz)

por Sara Antunes Santos (Escritora Convidada)

   
    A minha colaboração no Barba Por Fazer não poderia começar de melhor maneira. Apresento-vos Rémy. Um rato. Que tem a pequena particularidade de nos transmitir grandes lições no filme em que é protagonista, Ratatouille. A Disney Pixar construiu mais um clássico de animação com este filme, com nome de comida típica francesa, que tem uma sonoridade imediata com a palavra rato.
    Rémy tem um dom especial de sentido de paladar e olfacto o que faz dele um rato único, que não se limita a comer a comida “roubada” do lixo, mas sim a apreciar os alimentos, os temperos e a conjugação de sabores, tal e qual como os humanos. Inspira-se em Auguste Gusteau, um jovem conceituado chef de cozinha parisiense que detém um restaurante imensamente requisitado, muitos livros publicados e ainda um programa de cozinha na Tv. Ele é o seu ídolo, pois o vive sob o lema de que “qualquer um pode cozinhar”. Rémy, que a Disney não se preocupou em “embonecar” é mesmo um rato, ele e o seu clã podem ser até repugnantes em algumas partes do filme, mas este jovem rato destaca-se pela sua higiene e sentido crítico, incutidos por Gusteau.
    Após a morte do grande chef a reputação do seu restaurante cai a pique. Simultaneamente o jovem rato afasta-se do seu clã e fica sozinho nos subterrâneos da capital francesa, onde começa a contar com a companhia conselheira de Gusteau, uma personagem que é somente fruto da sua imaginação. Este leva-o ao seu famoso restaurante e mostra-lhe que este sempre esteve na cidade dos grandes chefs, Paris.
    É nesta aventura que acidentalmente Rémy conhece Linguini, filho desconhecido de Gusteau, que mais não é do que um jovem sem o mínimo talento para a cozinha mas que precisa desesperadamente de um emprego. Inesperadamente eles compreendem-se e graças à sensibilidade de Linguini e ao talento de Rémy, fazem em conjunto criações gastronómicas que cedo se destacam na cozinha até agora acinzentada de Gusteau. Com Rémy ao comando, Linguini é manobrado em cada gesto na cozinha e vai assim elevar a reputação do restaurante e chamar a atenção do mais acérrimo crítico gastronómico parisiense Ego (pormenor delicioso que veste como uma luva esta personagem).
Quando tudo descamba e os cozinheiros descobrem que afinal, Linguini não passa de uma marionete de Rémy, um rato, abandonam o restaurante e desistem de impressionar o Ego que nesse dia os visita. O mini-chef não baixa os braços e com a ajuda do seu clã, põe em prática os ensinamentos de Auguste Gusteau.
    O prato confecionado pelo mini-chef é a típica refeição camponesa La Ratatouille. Ego ao prová-lo é imediatamente transportado para a sua infância, recordando afectos e a sua inocência, baixando a guarda face à cozinha e aos pratos medianos.

    Na verdade Ratatouille nada mais é que um filme inspirador que nos fala sobre a coragem de lutar por aquilo que gostamos, mesmo que seja contra a nossa natureza. Também nos ensina que comer é um acto de memória que nos remete para os afectos. Cozinhar com o coração é no fundo a chave do sabor. Conjugação. Unir alimentos é criar experiências sensoriais inesquecíveis. Nem todos podemos ser grandes artistas, mas um artista pode estar em qualquer parte.
    La Ratatouille cozinhada por um rato…. “Topam”?


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

21 de janeiro de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 80



Filme: Memento
Actor: Guy Pearce

por Miguel Pontares


   
    E é por isto que Leonard Shelby merece constar nestas 100 personagens. Porventura a personagem do universo Nolan que melhor representa o que ele tem dado ao Cinema.
    Colocar aqui a cronologia correcta do que acontece a Leonard Shelby seria um spoiler demasiado grave, embora o que aqui está escrito tenha um elevado grau de crueldade para quem nunca viu o filme. Para quem já viu Memento, é bom ouvir Nolan a abordar a estrutura da narrativa, e porque não mergulhar nas teorias dos mais intensos fãs do filme, como esta.
    É alguém que pode ser entendido como minimamente linear no meio de repetições e testes à nossa memória que nos fazem entrar na sua mente baralhada, não sabendo - como ele - em quem confiar. A dicotomia Shelby/ Jenkins (brilhante o rápido frame na instituição psiquiátrica) é um dos pontos de interesse do filme e da personagem – podendo nós crer na versão de Teddy (Joe Pantoliano) ou na que Leonard conta a si mesmo. Claro que é mais interessante acreditarmos em Teddy, até porque Leonard é um homem cuja mente prega partidas. Inclusive a si mesmo. O homem que arrancou páginas do relatório da polícia sobre a morte da sua mulher, e que se manipula a si próprio numa busca incessante por um John/ James G., condiciona-se com método. Com um objectivo. Vingança. Embora pelo meio também seja usado por Natalie e Teddy.
    O brilhantismo dos irmãos Nolan (quase nunca é dado a Jonathan o crédito que merece), na construção da história de Lenny é a forma como as cenas a cores, cada qual mais recente do que a que vemos depois, se fundem no final com as cenas a preto e branco, sendo essas sequencialmente correctas. E, para além disto, quem é Leonard Shelby?
    Leonard Shelby é o protagonista de Memento, um homem incapaz de formar novas memórias depois de um grave incidente. Shelby (Guy Pearce) tem o corpo tatuado com lembretes – factos sobre um John G. que terá violado e morto a sua mulher -, diz a si próprio para se lembrar de Sammy Jenkins e confia nas anotações que vai apontando nas fotografias que tira com a sua Polaroid.
    São vários os filmes de Christopher Nolan em que o Tempo desempenha um papel essencial. Recentemente em Interstellar vimos o tempo a correr de forma diferente por fenómenos do Universo, e em Inception o tempo corria ao ritmo do sonho, do subconsciente. No entanto, é em Memento que o Tempo, por via da memória, brilha mais – o filme começa no fim, e termina no começo da história. E assim é este texto também. Cada parágrafo é uma cena, frase a frase seria demais. Este é o começo. O começo é o fim.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

Crítica: American Sniper

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Clint Eastwood
Argumento: Jason Hall, Chris Kyle, Scott McEwen, James Defelice
Elenco: Bradley Cooper, Sienna Miller, Luke Grimes, Keir O'Donnell
Classificação IMDb: 7.3 | Metascore: 72 | RottenTomatoes: 72%
Classificação Barba Por Fazer: 74



    Com 6 nomeações para Óscar, o novo filme de Clint Eastwood foi uma das surpresas na divulgação dos nomeados. Estreia em Portugal esta quinta-feira, dia 22, e é a "prova provada" de que Bradley Cooper se adapta a qualquer exigência ou circunstância. Para os mais desatentos fica a curiosidade: se considerarmos os últimos 4 anos Meryl Streep é quem guarda melhor registo junto da Academia (3 nomeações, vencendo 1 óscar) mas nos últimos três anos (2015, 2014, 2013) só um actor foi sempre nomeado.. Bradley Cooper.
    'American Sniper' é o típico filme que cai bem nos Estados Unidos. Junta a um veterano conceituado como é Eastwood e um actor que goza cada vez mais de um estatuto "especial", um enredo que toca no coração azul, vermelho e branco, e conveniente do ponto de vista político. Um herdeiro de 'The Hurt Locker', sob este último ponto de vista.
    No centro de tudo temos Chris Kyle, o sniper mais letal na História das forças armadas norte-americanas. Kyle, interpretado por um Bradley Cooper que "cresceu" 20 quilos para este papel, alistou-se e foi enviado para o Iraque em 2011, após os ataques do 11 de Setembro. Daí para a frente Eastwood guia-nos numa tensa história de guerra, com momentos de cortar a respiração e de um sangue frio sobre-humano (ou desumano). A excelente interpretação de Bradley Cooper como Chris Kyle faz-nos ler na perfeição um homem que passa a ter a Guerra como casa, como lar, parecendo incapaz de sorrir e de desfrutar de um estado de paz, nos regressos para perto da família.
    O Box Office incrível que teve nos EUA, conjugado com o tema, a persona e a dupla Eastwood/ Cooper deixava adivinhar que a Academia abraçaria de bom grado este filme; mas foi surpreendente o elevado número de nomeações (6), tantas como teve 'Boyhood' e sendo apenas suplantado por 'The Imitation Game' com 8 e a dupla 'Birdman' e 'The Grand Budapest Hotel' com 9.
    Cooper perde-se propositadamente no filme, como Kyle se perda na Guerra. Distante de tudo e focado apenas na missão - matar -, é notável como Bradley Cooper consegue desta vez esmorecer todo aquele turbilhão eléctrico que o caracterizou em 'Silver Linings Playbook' e 'American Hustle'. São dois Kyle's: um em casa transparente, e outro na sua casa focado, vivo. Com o inimigo em ponto de mira.
    Tal como Louis Zamperini ou Alan Turing, Chris Kyle é homenageado este ano mundo fora com um filme que levantou polémica - por soar pró-guerra - e Bradley Cooper não enche as medidas ou corresponde às (demasiado elevadas?) expectativas embora esteja muitíssimo bem no papel do homem que não se deixava atormentar pelas pessoas que matava, mas sim pelas que não conseguiu salvar. Falar na justiça das nomeações é sempre delicado mas o que é certo é que 'American Sniper' não se distingue como um dos 4/5 filmes de Top deste ano. No entanto, e considerando que a Academia nomeou 8 filmes, aceita-se que o filme de Clint Eastwood se insira no conjunto de filmes que estaria na "corda-bamba" entre a nomeação e o esquecimento. Já Cooper teve a Academia a fazer-lhe uma vénia pelo 3.º ano consecutivo num ano cinematográfico em que ninguém esteve ao nível que DiCaprio apresentou no ano passado em 'The Wolf of Wall Street' mas com muitos actores principais num nível bom (Miles Teller, Michael Keaton, Eddie Redmayne, Benedict Cumberbatch, Jack O'Connell, Jake Gyllenhaal, Ralph Fiennes e Steve Carell, para dizer alguns).

20 de janeiro de 2015

Crítica: Unbroken

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Angelina Jolie
Argumento: Joel & Ethan Coen, Richard LaGravenese, William Nicholson, Laura Hillenbrand
Elenco: Jack O'Connell, Takamasa Ishihara, Domnhall Gleeson, Garrett Hedlund, Finn Witrock
Classificação IMDb: 7.2 | Metascore: 59 | RottenTomatoes: 51%
Classificação Barba Por Fazer: 75

    Charles Chaplin, Clint Eastwood, Mel Gibson, Ben Affleck, George Clooney, Sean Penn, Jodie Foster.. A lista podia continuar. Hollywood tem visto actores tornarem-se realizadores, uns com mais e outros com menos sucesso. Angelina Jolie é um nome para levar a sério. A Crítica não parece protegê-la e catalisá-la como a outros mas, depois de entrar com o pé esquerdo em In the Land of Blood and Honey, desta vez a coisa correu bem.
    E correu bem por vários motivos. Em primeiro lugar, a história: 'Unbroken' conta a incrível história de vida de Louis Zamperini, um atleta olímpico e prisioneiro de guerra no Japão durante a II Guerra Mundial. A juntar a este potencial de base, o argumento teve o dedo dos irmãos Coen e Jolie conseguiu reunir o elenco com maior potencial do ano. 
    Jack O'Connell (o 'Cook' da série britânica Skins) dá corpo a Zamperini - falecido em Julho de 2014 - e o filme cruza diferentes momentos da vida do herói norte-americano. A juventude e a progressão até se tornar atleta olímpico, o tempo enquanto serviu a Força Aérea dos EUA e finalmente a difícil sobrevivência em solo nipónico como prisioneiro de guerra. 'Unbroken', ou Invencível como se chama por cá, é um filme com alma e que segue a linhagem de tantas outras películas que evidenciaram o melhor e o pior que a humanidade tem. Com estes dois pólos a medirem forças nos momentos Zamperini/ Watanabe (Takamasa Ishihara). A boa banda sonora de Alexandre Desplat (compositor nomeado para dois Óscares em 2015 pelo seu trabalho em 'The Imitation Game' e 'The Grand Budapest Hotel') dá outra dimensão aos acontecimentos, impressionando a entrega do ponto de vista físico de alguns dos actores, e vários momentos definidores do carácter de Zamperini como quando aceita ser esmurrado para que outro prisioneiro não seja violentamente castigado, quando recusa o conforto e o luxo ao opor-se a mentir sobre a sua pátria, e finalmente naquela imagem de marca - o homem que parece crucificado ao não deixar aquele bloco de madeira cair, e no limite das suas forças não se coíbe de olhar nos olhos o seu maior pesadelo.
    Angelina Jolie conseguiu com 'Unbroken' um descendente de 'Braveheart' ou 'Gladiator'. Inferior a ambos sim, mas meritório. O filme está nomeado para 3 óscares (Fotografia, Edição de Som e Mixagem de Som) mas Jolie até poderia constar entre os Realizadores nomeados. Teve maior valor do que Morten Tyldum ou Bennett Miller, embora tenha tido pelo menos 6 realizadores num nível acima: Nolan, Linklater, Iñárritu, Anderson, Chazelle e Fincher. Quanto ao elenco de 'Unbroken', como dissemos acima é um turbilhão de potencial. Finn Wittrock (o Dandy de American Horror Story: Freak Show), Domnhall Gleeson (futuramente em Star Wars), Garrett Hedlund (nomeado para Melhor Actor Secundário nos Óscares BPF 2013) e há ainda o surpreendente Takamasa Ishihara, músico japonês convertido por Jolie num Watanabe maquiavélico, na sua estreia como actor. 
    Claro que todos os caminhos vão dar a Jack O'Connell. O actor britânico é definitivamente um dos Rookies do Ano, juntando a 'Starred Up' e ''71' o seu trabalho mais exigente e com maior projecção até agora. Até à data era difícil não ver nele James Cook, mas este terá sido o primeiro ano do resto da sua vida, uma vez que já está envolvido em projectos que reúnem nomes como Clooney, Julia Roberts, Christoph Waltz e Judi Dench. E ele merece.

19 de janeiro de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 81



Filme: Psycho
Actor: Anthony Perkins

por Miguel Pontares


   
    Um estranho complexo de Édipo, conjugado com um transtorno de identidade. Pode-se explicar assim a origem comportamental do "menino da mamã" mais perturbador da História do Cinema.
    Norman Bates foi criado pelo escritor Robert Bloch e eternizado no grande ecrã por Anthony Perkins, na adaptação de Psycho de Alfred Hitchcock. É um facto que em 1998 Vince Vaughn também deu vida a Bates, assim como Freddie Highmore interpreta (magnifica e actualmente) a personagem na série Bates Motel, mas para os efeitos pretendidos é o senhor Perkins e o filme de 1960 que interessam.
    Alguns de vocês já terão visto Psycho, e outros talvez vejam a série da A&E (uma prequela do filme). Quem é Norman Bates? É um homem que foi abusado emocionalmente pela mãe, uma mulher que incendiou a sua percepção generalizada sobre as mulheres, partilhando com ele sentimentos de ciúme e dependência doentios. Em Psycho conhecemo-lo como o gerente de um motel pouco requisitado, cuja vivência com a mãe (Norma) é perturbada pela chegada de Marion Crane (Janet Leigh), uma mulher em fuga que desperta o interesse de Norman. Com o decorrer dos acontecimentos vemos a mãe Norma a matar tanto Marion como um detective, e só no final do filme fica claro que foi tudo obra de Norman. Percebe-se que Norman matou a mãe e o companheiro dela, e que a partir daí passou a ter duas personalidades, mantendo a sua e assumindo também a identidade, os juízos e tudo aquilo que definia a sua mãe e a relação dela com ele.
    É presença obrigatória em qualquer viagem no tempo ao longo das melhores personagens do Cinema, sendo por muitos considerado um dos maiores vilões de todos os tempos. E nunca esqueceremos aquele olhar final, incisivo e doente, do homem que acaba internado num hospício e que deixa a personalidade da sua mãe tornar-se 100% dominante. Um conselho pessoal: vejam a série Bates Motel - não está ao nível da prequela Hannibal, mas quase, e é uma herdeira legítima do legado psicótico, com Freddie Highmore e Vera Farmiga em grande. 


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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

17 de janeiro de 2015

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 82



Filme: Superbad
Actor: Christopher Mintz-Plasse

por Tiago Moreira


    Senhoras e senhores, apresento-vos McLovin! Hoje entrei a pés juntos! "Gaaaangstaaas!" "Chicka Chicka Yeah!" - Ok, já chega de devaneios. Embora os devaneios sejam inerentes a esta cómica personagem... Imaginem um nerd com bazófia. Já está? Aí têm o jovem McLovin... Já por si só é cómico, mas quem não viu o filme tem mesmo que ver a interpretação de Christopher Mintz-Plasse. O jovem actor eleva exponencialmente o grau de humor da personagem que criaram na vossa mente.
    E o mais surpreendente é que Christopher teve a sua primeira aparição no mundo do cinema no filme que lhe deu mais fama - Superbad. Até então apenas tinha entrado em peças amadoras, mas numa audição feita em escolas, Chris foi escolhido para um papel que iria eternizar uma das personagens mais cómicas de sempre. Como curiosidade temos ainda que, na cena de sexo, teve a sua mãe por trás das câmeras já que este apenas tinha 17 anos. A frase mítica "It's in! Oh my god, it's in!" provocou certamente muitas gargalhadas nas salas de cinema. 
    O filme consiste em três jovens amigos que são convidados para uma festa. Ficaram encarregues de levar as bebidas já que McLovin tinha conseguido um B.I. falso. Contudo, é na loja de conveniência que tudo começa a correr mal. Passando por um assalto e depois por dois polícias chanfrados. Os três amigos acabam por se separar e McLovin termina numa aventura com os mesmos dois polícias. Contudo, todos acabam por se reencontrar perto do fim. 
    Christopher assentou que nem uma luva no papel de McLovin e juntamente com Jonah Hill e Michael Cera tornou Superbad num dos melhores filmes de comédia, equiparando-se a American Pie. As personagens são perfeitas, as situações mais caricatas estão lá... Está tudo muito bem construído numa história que contou com o dedo de Seth Rogen na parte da escrita.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

15 de janeiro de 2015

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 22

Fantasy Premier League - A semana tem custado a passar, mas ao fim-de-semana homem que é homem tem o seu prémio. A Premier League. Muitos wildcards de Janeiro têm sido activados, agora que é certo que Agüero está de boa saúde, e estrategicamente varia bastante o momento certo para usar esta cartada. Quem o preservar até final do mês terá a vantagem de poder operar o seu plantel com o mercado de transferências já fechado.
    Esta é a jornada do Manchester City-Arsenal. Agüero e Alexis Sánchez medem forças, enquanto o líder Chelsea se desloca ao País de Gales, onde mora a vítima preferida de Diego Costa. 
Na jornada passada, alguns jogadores estiveram tímidos mas esse não foi certamente o caso do chileno Alexis Sánchez - 2 golos, 1 assistência, um vendaval de bom futebol contra o Stoke. Até Alexis brilhar, Konchesky era o jogador mais pontuado, sendo que também Koscielny e Ivanovic foram defesas a destacar-se. Markovic estreou-se a marcar na Premier League, Oscar esteve bem e elementos como Ings, Berahino e Kane mantiveram a veia goleadora.
    Os palpites da jornada passada correram-nos bem: entre os 5 principais jogadores sugeridos 4 deles (Alexis, Diego Costa, Berahino e Kane) marcaram, e só Boyd desapontou. Mas a verdade é que jogámos pelo seguro nas previsões.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

A jornada 22 promete ter vários jogadores a conseguirem pontuações altas. Por isso, especial atenção a:

 Kun Agüero - Manchester City - 12.4

    O herdeiro de Suárez no Fantasy 2014/ 15 voltou. Contra o Everton se lesionou, contra o Everton regressou. Agüero fez os primeiros minutos pós-lesão em Goodison Park mas diante do Arsenal será titular pela certa. O City não tem Yaya mas Agüero, Silva e companhia devem chegar num jogo que podemos imaginar que terá muitos golos (no ano passado terminou 6-3, e desde aí o Arsenal ganhou um jogo e empataram os outros 2). Embora a explosão de Agüero só se deva dar a partir do jogo com o Hull, ou seja pós-Chelsea, o avançado argentino, pequeno turbilhão de raça e talento, é menino para bisar contra o Arsenal.

    Se faz ou não sentido usar o Wildcard para introduzir Agüero, dependerá sempre da força do actual elenco de cada jogador, mas é inevitável que o preço de Kun vá subindo gradualmente.

 Nacer Chadli - Tottenham - 6.5

    Ok, Harry Kane (5.8) é a escolha óbvia. O avançado inglês está transformado, já o intitulam (muito exageradamente) como o próximo Alan Shearer, e é forte candidato a ter bom rendimento no palco em que destruiu o Chelsea. Ainda assim, e porque recomendámos Kane na jornada passada, um médio capaz de amealhar bons pontos é o belga Nacer Chadli. Nas últimas 5 jornadas, fez 1 golo e 5 assistências e promete castigar Vergini com as suas diagonais da esquerda para o interior.


 Aaron Cresswell - West Ham - 5.6

    O Hull City já de si é fraco. Mas contra o West Ham não terá Jelavic, Abel Hernández, Diamé e também não deverá ter Ramírez. Trocando isto por miúdos, Aaron Cresswell pode muito bem conseguir uma clean sheet neste fim-de-semana e, considerando que se costuma aventurar pelo corredor fora, talvez dê mais qualquer coisa. Nestes hammers elementos como Downing, Valencia e Carroll poderão destacar-se ofensivamente nesta jornada.


 Danny Ings - Burnley - 5.7

    Vem de 2 jogos seguidos a marcar e contra o Crystal Palace de Pardew pode conseguir o terceiro. Danny Ings, que está a voltar a contar com o amigo Vokes, tem estado em destaque e é um dos avançados ingleses baratos (tal como Austin, Kane e Berahino) em que compensa apostar. O Burnley-C.Palace é um teste interessante, mas se alguém agitar o marcador para os da casa, provavelmente será Ings.


 Lazar Markovic - Liverpool - 7.2

    Demorou mas o sérvio que perfumou a Liga Portuguesa na época transacta, já começou a ziguezaguear entre os defesas da Premier League. Contra o Sunderland, Markovic foi o melhor em campo e pode voltar a espalhar o terror numa defesa do Aston Villa que não terá Vlaar e Clark. O Liverpool tem vindo a estabilizar a sua defesa graças ao seu sistema táctico, vai crescer quando Sturridge voltar, mas até lá Lazar Markovic é um interessante diferencial para o meio-campo.


Outras Opções:
Guarda-Redes: Adrián (5.0) e Hugo Lloris (5.6) devem deixar-vos bem servidos. Mas Forster e Mignolet também são razoáveis possibilidades.

- Defesas: Os centrais José Fonte (5.6), Martin Skrtel (5.8), o baratinho Florin Gardos (4.8), os laterais Alberto Moreno (5.0) e Danny Rose (4.8) poderão todos fazer boa figura. Pode ser novamente uma boa jornada para Terry/Ivanovic, Trippier tentará dar o seu melhor, monitorizem Luke Shaw e era simpático Baines e Coleman terem uma daquelas noites na segunda-feira.

- Médios: Para além de Chadli, Downing e Markovic, também poderão surgir em bom plano Eden Hazard (10.7), Kevin Mirallas (7.2) e Christian Eriksen (8.2). O que fará Alexis ao Manchester City e se Di María vai acordar este fim-de-semana só o saberemos daqui a uns dias. 

Avançados: O duelo promete ser quente entre Charlie Austin e Wayne Rooney (10.8). Mas Lukaku e Pellè são elementos que também não devem desvalorizar.