Antevisão da Barclays Premier League 2017/ 18

Não há nada como a Premier League. Quem vai conquistar a liga mais competitiva do planeta? Que jogadores se vão destacar? As previsões do Barba Por Fazer estão todas aqui.

Antevisão da Liga NOS 2017/ 18

Quem vai ganhar entre Benfica, Porto e Sporting? O Barba Por Fazer dá-te a mais completa análise à nova época do futebol português.

Crítica: Dunkirk

Não é o melhor filme de Christopher Nolan, mas é o melhor desde os últimos óscares. Se só puderem ir ao cinema uma vez até ao fim de 2017, escolham a experiência que é ver Dunkirk.

Revisão: Better Call Saul (3ª Temporada)

Uma obra-prima paciente. E a melhor série da primeira metade de 2017.

Emmys Barba Por Fazer 2017: Nomeados

Entre os nomeados dos primeiros Emmys BPF, destaque para as várias nomeações de Better Call Saul, The Leftovers, The Night Of, Master of None e Atlanta.

31 de dezembro de 2014

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 89



Filme: The Silence of the Lambs
Actriz: Jodie Foster

por Miguel Pontares



    Abram alas para a primeira presença feminina a surgir neste conjunto de 100 personagens. Entre todos os filmes do universo Hannibal - com o ilustre Anthony Hopkins a interpretar a personagem principal, excepto na viagem às suas origens -, The Silence of the Lambs (1991) é com larga margem o filme mais aclamado. Podemos dizer que isso se deve primeiro ao facto de ser o 1.º contacto do espectador com o canibal que não pisca os olhos, mas também ao facto de ter esta Clarice Starling. Sim, esta porque a versão de Jodie Foster é mais marcante do que a de Julianne Moore dez anos depois.
    Clarice Starling é uma criação do escritor Thomas Harris, uma mulher com um passado por recalcar, e a tentar triunfar num mundo de homens. Conhecemo-la na sua rotina de árduos exercícios físicos na Academia, mas Starling, formada em Psicologia e Criminologia, gera interesse pela sua relação com Hannibal Lecter. É da troca de impressões e da empatia entre as 2 personagens que nasce o valor de Clarice Starling enquanto personagem. Hannibal fornece-lhe informações em forma de engima sobre o procurado serial killer Buffalo Bill, esperando em troca informações pessoais de Clarice. Sendo Hannibal um monstro erudito, um assassino requintado, sedutor e ponderado nas palavras, Starling acaba por representar o espectador, o lado de cá, na tentativa (nossa e dela) de compreender a mente de Dr. Hannibal Lecter.
    Determinada, inteligente e perspicaz, embora com uma certa vulnerabilidade escondida pelas primeiras camadas, Clarice resolve o caso de Jame Gumb (Buffalo Bill) numa rede de enigmas que a fazem ao mesmo tempo garantir o respeito e fazer com que Hannibal se abra com ela, mas acabando ela própria por ser influenciada pelo intelecto e persuasão subtil da personagem de Anthony Hopkins. A história de Clarice Starling evolui em Hannibal (2001), na pessoa de Julianne Moore, mas a eleição para este Top é a versão do Silêncio dos Inocentes (Lambs), título que tem por base o ruído dos cordeiros ouvido por Starling na sua marcante infância.
    Jodie Foster ganhou o óscar de Melhor Actriz Principal com esta personagem, um Clássico no universo de personagens femininas. Se lhe fosse feita a pergunta "O que dizem os teus olhos?" Starling teria que dizer algo como: sei qual o meu farol, mas não sei como retirar o mais inteligente dos psicopatas do canto obscuro da minha mente.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

30 de dezembro de 2014

Crítica: Foxcatcher

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Bennett Miller
Argumento: E. Max Frye, Dan Futterman
Elenco: Steve Carell, Channing Tatum, Mark Ruffalo, Vanessa Redgrave
Classificação IMDb: 7.0 | Metascore: 81 | RottenTomatoes: 88%
Classificação Barba Por Fazer: 76

    Depois de 'Capote' e 'Moneyball', Bennett Miller está de volta. E pela terceira vez o resultado é um filme bom, sim, mas que não chega a um patamar de excelência. Como os dois anteriores. 'Foxcatcher' aborda a história verídica do trio Mark Schultz (Channing Tatum), wrestler campeão olímpico e mundial, o seu irmão Dave Schultz (Mark Ruffalo), praticante da mesma modalidade mas mais medalhado, e do milionário John du Pont (Steve Carell). A boa vontade de John du Pont leva a que os irmãos Schultz integrem a equipa Foxcatcher, com longa tradição e sucessos noutras modalidades, querendo du Pont afirmar-se aos olhos da sua mãe, achando o dinheiro capaz de comprar tudo, menos a força da relação entre dois irmãos.

    E é de irmãos que se faz o lado luminoso de 'Foxcatcher'. Mark e Dave Schultz, interpretados por Channing Tatum e Mark Ruffalo, são uma dupla de campeões, mas que precisam do apoio um do outro. Sobretudo Mark, o mais novo, do apoio, do treino, das palavras e da orientação do seu melhor amigo e sangue do seu sangue. O lado menos luminoso, ou mais negro, do filme foca-se na relação John du Pont-Mark Schultz, uma espécie de irmandade à força, carregada de complexidades e sentimentos mistos. O destino deste triângulo será porventura sabido por alguns de vocês, mas é melhor não o referir para não estragar o filme a quem não conheça a história.
    O filme de Bennett Miller esteve para ser lançado no ano passado mas foi adiado para este ano. É possível que a decisão se tenha prendido com o facto dos produtores entenderem que nos Óscares 2015 teriam maiores hipóteses, embora a versão pública da SONY tenha sido que o filme precisava de mais tempo, e o que é certo é que Bennett Miller já confirmou em tertúlia com outros realizadores que demorou uma eternidade a editar 'Foxcatcher', na sua clausura criativa. Falando de Óscares, B. Miller tem a seu favor a Academia ter nomeado os seus 2 anteriores filmes, e 'Foxcatcher' é um dos filmes que está na corda-bamba entre figurar ou não nos nomeados da principal categoria. Bennett Miller dificilmente terá hipóteses de estar no Top-5 de realizadores, embora Mark Ruffalo seja praticamente uma garantia como Actor Secundário, e Steve Carell tenha legítimas aspirações de integrar o quadro de actores principais nomeados. Eventualmente poderá figurar em alguns categorias técnicas, como por exemplo a distinguir a maquilhagem que transformou Steve Carell em John du Pont.
    A noção de "transformação" é importante. Para Hollywood, para a Academia, para a crítica especializada e, por influência, para o público em geral. Caiu-se num lugar comum em que quando um actor se reinventa ou transforma então é porque o seu papel foi incrível. Há casos em que isso de facto acontece mas não se deve banalizar ou andar à procura de premiar o actor que emagreceu mais, ou aquele que mudou radicalmente a sua carreira com uma mudança de género. McConaughey deu uma volta de 180º nos seus filmes e papéis, e é um caso de sucesso, mas há transformações e transformações. Steve Carell é, apesar deste raciocínio, uma boa surpresa. O actor que já foi virgem aos 40 anos e que integrou o escritório mais cómico da televisão, surpreende na pele de John du Pont. Não tanto porque se reinventou - até porque curiosamente diversos actores defendem que é mais difícil desempenhar alguns papéis de comédia do que dramáticos - mas porque conseguiu preencher John du Pont de uma dimensão ao mesmo tempo triste, problemática e perigosa. Channing Tatum (impressiona em vários momentos de explosão) fica certamente um passo mais perto de ser verdadeiramente respeitado/ aclamado como actor, embora ainda tenha um longo percurso para se afirmar, e Mark Ruffalo acaba por ter em Dave Schultz a personagem com a qual é praticamente impossível não simpatizar. Claramente um actor que ultimamente tem sabido a que projectos deve dizer sim.

    Um filme cujo valor está assente sobretudo no que os 3 actores dão, e que acaba por ser metaforizado em pequenos momentos-chave: as tentativas de John du Pont em ser aceite aos olhos da mãe, aquele encosto entre irmãos cabeça com cabeça, ou a câmara a captar directamente o testemunho de Dave Schultz (Ruffalo) sobre a importância de du Pont no sucesso da equipa Foxcatcher.
    Deverá figurar em alguma categoria dos Óscares 2015 e, embora não fique para a História, é uma história que só ganhamos em conhecer melhor. 

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 20

Fantasy Premier League - Vamos mudar de 2014 para 2015, mas na Premier League há rédea curta no abuso de champanhe e festejos de passagem de ano. O ano civil muda e teremos também a viragem do calendário - a 20.ª jornada é a segunda volta da 14.ª (isto porque em Inglaterra, contrariamente a Portugal por exemplo, a ordem dos jogos na 2.ª volta não é igual à 1.ª). A jornada joga-se toda dia 1, com especial destaque para o Tottenham-Chelsea e Southampton-Arsenal.
    A jornada 19 teve Adam Lallana como principal figura. O médio ex-Southampton fez o seu melhor jogo até à data em Anfield e, primeiro com sorte depois com talento, bisou. Mame Biram Diouf também marcou 2 golos; Mahrez, Pieters, Cazorla, Henderson, Fernandinho, Hazard e Ayoze destacaram-se, e Robert Green foi o guarda-redes que somou mais pontos.
    As nossas sugestões na jornada passada foram, com honestidade, fracas. Yaya Touré foi baixa de última hora, com o Manchester City a ressentir-se frente ao Burnley; Mame Biram Diouf roubou protagonismo a Bojan, Austin ficou em branco e Vlaar, tal como Isla, Begovic e Shawcross lá safou a coisa. Cazorla e Lallana, sugestões para a jornada anterior, optaram por brilhar apenas nesta.
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E são estes os palpites para o primeiro dia do ano:

 Adam Lallana - Liverpool - 8.3

    Está encontrado um bom substituto no Fantasy para quem tenha Yaya Touré na sua equipa. Já nesta jornada ou apenas na 21, dependendo da recuperação de Yaya para defrontar o Sunderland. O médio costa-marfinense irá partir em breve para a CAN - bem como Bony, Mahrez, Sakho, Bolasie, Papiss Cissé, Sadio Mané, Kouyaté e Diouf, entre outros - e por isso há que preparar o futuro. Adam Lallana bisou diante do Swansea, somou uns esclarecedores 15 pontos, mas é previsível que a sua boa forma se mantenha. O Liverpool recebe no primeiro dia do ano o Leicester, e é bem possível que o actual esquema dos reds cause complicações ao último classificado. A energia de Sterling e Coutinho é constante, mas a maturidade de Lallana é outra. O ex-capitão do Southampton está perfeitamente adaptado ao futebol inglês, e daqui para a frente Anfield terá ainda muitas razões para festejar com o seu 20. E com tão pouca gente a ter Lallana no Fantasy, torna-se um trunfo.


  David Silva - Manchester City - 9.3

    Na antevisão da jornada 17 falámos no pequeno espanhol, mas nesta altura é inevitável referi-lo novamente. São 3 jogos consecutivos a marcar, e tendo a seu favor o facto de ser uma certeza, ao contrário de Yaya Touré (dirá "até já" em campo, ou só o vemos depois da CAN?). Com Yaya, Silva fica mais forte, porque todo o Manchester City fica mais forte. Contra o Burnley a equipa defendeu pessimamente (faltar Kompany é grave, faltar ele e Yaya é ainda pior) porque perdeu poder no ataque, acabando Yaya por funcionar neste City-sem avançado como o íman referencial dos adversários, o que acaba por beneficiar elementos como Silva, Nasri e a dinâmica conferida pelos laterais. Haja ou não Yaya, David Silva é um must, mesmo que Jovetic já seja titular neste jogo. Volta Agüero, o City e o Fantasy precisam de ti.


 Moussa Sissoko - Newcaste - 5.8

    Com Papiss Cissé em vias de ser castigado (e de malas feitas para a CAN em breve), há duas garantias e 2 incógnitas. As garantias são que Moussa Sissoko poderá ganhar maior relevância no Newcastle, e Ayoze Pérez tem caminho aberto para ser O avançado dos magpies. Incógnitas, na realidade, são mais do que duas. Cabella e Rivière poderão aproveitar as próximas jornadas para se afirmarem, mas o Newcastle é por esta altura um ponto de interrogação - acabará Pardew por rumar ao seu querido Crystal Palace? Acabará Sissoko por voar para um clube de maiores ambições? Para já, pela frente há um Burnley motivado, e enquanto houver Sissoko em St. James Park haverá pulmão, poder de explosão, e Ayoze Pérez (4.7) pode ganhar com tudo isto.


 Diafra Sakho - West Ham - 5.7

    É fácil imaginar que jogadores como Wilfried Bony, Sadio Mané ou, como é o caso, Diafra Sakho, queiram deixar um ar da sua graça antes de irem defender o seu país. Bony ou Sakho deverão ambicionar conseguir ficar 1 ou 2 golos acima do seu actual registo antes de partirem, e também Allardyce talvez se sinta com uma tendência para escalar Sakho para o 11 inicial quando brevemente será forçado a estabilizar Valencia-Carroll. O West Ham é aliás uma das equipas que mais sentirá o peso da CAN (Sakho e Kouyaté são peças importantes), embora a competição-mãe do futebol africano venha também em má altura para jogadores a subir de forma como Mahrez ou Mané. No West Ham-WBA vamos ver o que faz Diafra Sakho, ele que não marca desde a jornada 15, e que teria beneficiado se Allardyce desse preferência à dupla Sakho-Valencia.

 Christian Benteke - Aston Villa - 8.0

    O Aston Villa é na maior parte das jornadas uma incógnita. Já se sabe que a equipa de Paul Lambert sabe defender 1 ponto com unhas e dentes (embora o campeão dos empates seja o Sunderland), mas na frente há uma franca Benteke-dependência. No jogo da 1.ª volta foi o avançado belga a decidir o jogo a favor do A. Villa diante do Crystal Palace, mas Benteke merece um voto de confiança. Até porque depois de visitar o Leicester há uma terrível sequência de 3 jogos.


Outras Opções:
Guarda-Redes: Entre os postes, nomes como Brad Guzan (4.7) ou Adrián (5.0) podem ser boas opções. Joe Hart e Courtois são-no sempre, De Gea (melhor GR da Premier League na primeira volta) e Begovic terão um interessante embate, há Mignolet e veremos até que ponto Forster defenderá tudo o que lhe aparecer à frente, num jogo sem Schneiderlin, o que pode ser benéfico para o Arsenal.

- Defesas: Seguindo o raciocínio acima apresentado, elementos como Aaron Cresswell (5.5), Daryl Janmaat (5.3) e Pablo Zabaleta (6.6) poderão ter boas prestações. A titularidade do argentino, no entanto, não é garantida, numa jornada onde Terry tentará ter novamente impacto nas bolas paradas, onde a defesa do Liverpool terá que dar resposta sem Skrtel e em que será interessante ver se Martínez volta a explorar Baines como médio-esquerdo, e que resultado dá o confronto QPR-Swansea.

- Médios: Soltem o talento de Eden Hazard (10.5) e Alexis Sánchez, acreditem em mais uma jornada à Stewart Downing (6.4) e Gylfi Sigurdsson 2014/ 15.

Avançados: Dia 1 poderemos fazer as contas se houve maior destaque dos médios ou dos avançados mas Wayne Rooney (10.7) pode ter uma boa jornada. Podia ser bom Mourinho dar a titularidade a Drogba, Jovetic é uma boa ideia caso seja garantido a titular, e um dos duelos mais interessantes da jornada é Austin vs Bony.

Crítica: The Interview

Realizador: Evan Goldberg, Seth Rogen
Argumento: Dan Sterling, Seth Rogen, Evan Goldberg
Elenco: James Franco, Seth Rogen, Randall Park, Lizzy Caplan
Classificação IMDb: 6.6 | Metascore: 52 | RottenTomatoes: 51%
Classificação Barba Por Fazer: 66

    A coisa demorou mas o filme mais polémico do ano/ melhor golpe publicitário da história do cinema, finalmente teve luz verde. A comédia de Seth Rogen e Evan Goldberg, que criaram em 2013 'This is the End', com James Franco num dos principais papéis e Randall Parker encarregue de satirizar Kim Jong-un, o líder da Coreia do Norte.
    Verdade seja dita toda a polémica decorrente do ataque de hackers à SONY - que trouxe a público opiniões sobre actores, 4 filmes (Fury, Annie, Mr. Turner e Still Alice) e cujas ameaças originaram forte reacção a favor do filme - contribuiu para que o cinema e a política, dicotomia também explorada no filme, se confundissem. Barack Obama manifestou-se a favor do lançamento de 'The Interview' e aquele que era (e é) um filme a brincar tornou-se uma coisa séria, tendo por consequência uma onda de espectadores que se sentiram persuadidos a ver o filme. Afinal de contas, 'The Interview' tornou-se a bandeira da liberdade de expressão, o filme do povo e da liberdade. O filme do mundo.
    Mas vamos ao conteúdo. 'The Interview' tem no centro duas personagens: Dave Skylark (James Franco) e o produtor do seu programa, o talk-show Skylark Tonight, Aaron Rapoport (Seth Rogen). Skylark está habituado a entrevistar famosos - o filme inclui cameos com Eminem, Joseph Gordon-Levitt ou Rob Lowe - e por isso, em conjunto com Rapoport, definem que, na onda do 1.000.º episódio do programa, um objectivo interessante seria conseguir entrevistar Kim Jong-un (Randall Parker), líder da Coreia do Norte, mas um fã de Skylark Tonight. Até aqui tudo bem, mas depois envolve-se a CIA, com a agente Lacey (Lizzy Caplan, de Masters of Sex) no comando das operações, e a missão surge: com a "desculpa" da entrevista, Skylark e Rapoport devem envenenar Kim Jong-un com ricina (aquele momento em que os fãs de 'Breaking Bad' sentem uma súbita saudade).
    Não interessa contar mais mas interessa sim fazer um raio-X a este 'The Interview'. Seth Rogen e Evan Goldberg não inovaram no formato ('This is the End' teve muita estupidez junta, mas acaba por ser uma comédia superior a esta) mas podemos dizer que ousaram. E de que maneira. É sabido que a Coreia do Norte é um tópico sensível e a sátira é feita com Kim Jong-un, mas temos que ser crescidinhos e perceber que não está aqui em causa um patrocínio ao terrorismo ou uma carta branca para a guerra, é apenas um filme.
    'The Interview' é basicamente apenas mais uma comédia entre tantas, muito inferior por exemplo a 'The Grand Budapest Hotel', mas torna-se engraçado, se virmos bem a situação como ela é, o contra-senso que é por um lado toda a polémica e politiquice, e por outro aquilo que o filme é - o estúpido e imaturo humor a que Rogen já nos habituou, com alguns momentos para mais tarde recordar, uma suave piada machista (We are in 2014. Women are smart now), 'Firework' de Katy Perry e um cão a acrescentarem uma dose de fofice. Dá para rir um bocadinho, e normalmente com Seth Rogen e James Franco (na sua versão cómica) ou se gosta ou se odeia. Não vai ser nem de perto nem de longe a comédia mais marcante da vossa vida, e inclusive o hype que teve em plataformas como o IMDb prende-se apenas com o peso que 'The Interview' ganhou na agenda mediática. O filme esteve inclusive com 9.8 no IMDb, e daí para cá tem decrescido para valores mais realistas. Talvez a melhor forma de pôr um ponto final nisto seja citar o filme e, num linha repleta de poesia urbana, representar a postura de quem fez 'The Interview': They Hate Us Cuz They Ain't Us.

29 de dezembro de 2014

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 90



Filme: The Lion King
Actor: Nathan Lane (Voz)

por Tiago Moreira



    Voltámos aos personagens que não têm chicha, mas que não deixam de ser emblemáticos. Desta vez, decidimos voltar a um filme da Disney para dar destaque a um pequeno grande suricata - Timon! "Vendido" quase como pack com o seu eterno amigo Pumba, Timon faz parte daquele que é - porventura - o melhor filme de animação de todos os tempos - O Rei Leão. Com Nathan Lane a dar-lhe voz, o nosso pequeno suricata foi expulso da sua colónia tal como Pumba e acabaram por viver apenas os dois sob o lema Hakuna Matata - que significa "Sem problemas" em swahili (língua falada em alguns países africanos). 
    A história deste personagem teve início no filme O Rei Leão, da Disney. Timon e Pumba acabaram por descobrir Simba no deserto e tiveram a ideia de o adoptar. Ou melhor... Pumba teve a ideia, Timon achou-a ridícula, mas depressa a tornou uma ideia sua achando-a genial! Integrando o jovem leão na sua filosofia sem preocupações, acabaram por criá-lo e mais tarde ajudaram-no a derrotar o seu tio e a ser rei.
    Timon é uma personagem com um humor bastante peculiar. Egocêntrico de raiz, acha todas as ideias de Pumba disparatadas. Ou acaba por reprová-las e torná-las suas ou inventa algo como verdade absoluta. Mas sendo um suricata renegado, acaba por ter muitas outras qualidades. Lealdade e companheirismo é o que se pode esperar deste pequeno mamífero.
    O sucesso que Timon e Pumba tiveram no grande ecrã, acabaram por catapultá-los para uma série somente sobre ambos. E, por fim, já sabem... Hakuna Matata! É tão fácil de dizer...

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

27 de dezembro de 2014

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 19

Fantasy Premier League - Ontem houve liga inglesa e amanhã há liga inglesa outra vez. Na época festiva o futebol é verdadeiramente um fartote e neste Domingo há mais uma jornada, com 9 jogos nesse dia, e o Liverpool-Swansea a ser jogador na noite de segunda-feira. Os craques disseram presente no Boxing Day (26), jogam agora a 28/29, e voltarão a pisar os relvados logo no 1.º dia de 2015.
    A 18.ª foi uma jornada bastante acessível (a média de pontos foi 61) com vários nomes fortes a conseguirem pontuações interessantes. Wayne Rooney foi quem mais brilhou conseguindo 16 pontos graças a 2 golos e 1 assistência contra o Newcastle, mas também John Terry, David Silva (novamente), Sadio Mané e Gaston Ramírez estiveram em grande. Sterling e Sigurdsson marcaram, Begovic foi o GR mais pontuado, Harry Kane marcou pela 3.ª jornada consecutiva. E Diego Costa conseguiu uma pontuação de dois dígitos (11), algo que não acontecia desde a quarta jornada.
    Das nossas sugestões, David Silva, Yaya Touré, Adam Johnson, Fabianski, Diego Costa e Harry Kane foram os únicos palpites certeiros, enquanto que por exemplo Cazorla e Bony foram tiros ao lado.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Tomem lá então alguns palpites para a jornada 19:

 Yaya Touré - Manchester City - 10.9

    Não destacamos David Silva (9.1) porque o fizemos há 2 jornadas atrás, perspectivando-lhe uma sequência muito promissora de 4 jogos. Para além do mago espanhol, o portentoso Yaya Touré é o outro médio do Manchester City que poderá aparecer em grande contra o Burnley. A máquina ofensiva dos citizens está afinada - não é descabido, muito pelo contrário, ter Silva e Yaya -, a defesa parece nesta altura ser intransponível, e com Burnley (casa) e Sunderland (casa), as perspectivas são boas. Yaya Touré tem-se mantido sem ver o 5.º cartão amarelo, continua a ser o protagonista caso haja grandes penalidades ou livres directos, e há que o aproveitar até rumar à CAN. Frente ao Burnley Pellegrini já poderá introduzir Jovetic (talvez no decorrer do jogo), a locomotiva Pablo Zabaleta (6.5) deve regressar ao 11, mas as expectativas existem sobretudo para Silva e Yaya. Foram retirados do jogo do WBA mais cedo precisamente para que a sua condição física fosse gerida e pudessem figurar também no jogo deste Domingo. Yaya Touré marcou em 5 dos últimos 7 jogos, e David Silva conseguiu bónus 3 nos dois últimos encontros, depois de totalizar 48 e 43 no Bonus Points System, resultando em 30 pontos nas duas últimas jornadas (16+14).

 Gaston Ramírez - Hull City - 5.4

    Um risco. O Hull City escapou no Boxing Day à zona de despromoção ao vencer, inesperadamente, em casa do Sunderland. A equipa de Steve Bruce continua a não parecer efectivamente uma equipa no verdadeiro sentido da palavra, mas com as 2 próximas partidas 
(Leicester e Everton) em casa, Bruce quererá que os seus jogadores façam 3 ou 4 pontos. O uruguaio Gaston Ramírez marcou e assistiu na vitória em casa do Sunderland e por isso merece ser considerado como uma ameaça contra o Leicester. O último classificado ataca bem mas defende mal, e Ramírez - que no Southampton era craque, por isso no Hull poderá ganhar ainda maior protagonismo - pode ser o elemento decisivo.

 Bojan Krkic - Stoke City - 5.0

    Devagarinho o ex-blaugrana está a construir a sua história na Premier League. Bojan demorou a adaptar-se ao futebol inglês, tornou-se suplente, mas tem ganho cada vez maior destaque no esquema de Mark Hughes. Resolveu, de grande penalidade, a surpreendente vitória em casa do Everton, e até agora leva 3 golos e 1 assistência (conseguindo sempre Bónus, duas vezes 3 e duas vezes 2) quando consegue acrescentar algo ao jogo. O adversário desta jornada é um WBA atropelado pela criatividade e velocidade do City, e embora haja Crouch, Walters ou Diouf, poderá ser Bojan a estrela novamente. 


 Charlie Austin - QPR - 6.2

    Queríamos evitar referi-lo novamente, mas é impossível não o fazer. Charlie Austin não pára de marcar e tem agora 2 jogos em casa (Crystal Palace e Swansea), podendo assim dar sequência ao seu incrível momento, e melhorar o seu registo: actualmente soma 12 golos, menos 1 que Diego Costa e 2 que Agüero. É mesmo muito difícil imaginar um QPR-Crystal Palace que termine sem Austin marcar pelo menos uma vez, e por isso é imprescindível contar com ele no Fantasy. O calendário joga a seu favor, com uma visita ao seu antigo clube, o Burnley, depois destas duas jornadas caseiras. 

 Ron Vlaar - Aston Villa - 4.4

    Se por um lado poderá ser Christian Benteke (7.9) a marcar no A.Villa-Sunderland, muito importante nesse encontro será a performance defensiva das equipas. Tanto Villa como Sunderland são equipas que defendem bem normalmente e o Aston Villa tem nesta fase duas coisas a seu favor: um calendário esperançoso e o factor-Benteke, uma vez que o belga realiza sempre uma melhor 2.ª volta de Premier League do que a primeira metade. Para que Guzan não sofra golos, será importante que o patrão Ron Vlaar, um dos melhores centrais no Mundial 2014, comande as tropas e faça o seu sector cumprir as directrizes de Paul Lambert.


Outras Opções:
Guarda-Redes: Com 4 clean sheets nos últimos 6 jogos, Joe Hart (6.1) é a melhor opção entre todos os guardiões. Asmir Begovic (4.9) é uma possibilidade bastante mais em conta, e no duelo Forster-Courtois, há maior probabilidade de Forster somar pontos/defesas, mas o Chelsea tem isto e "apenas" isto a seu favor: sofreu golos apenas em 1 dos seus últimos 7 jogos!

- Defesas: Na defesa já mencionámos o provável regresso de Zabaleta ao onze do Manchester City, a preponderância de Vlaar no destino do Aston Villa, mas Ryan Shawcross (5.4) e Mauricio Isla (4.7). Bony pode estragar a vida a Skrtel, e é mais complicado prever - sobretudo na vertente defensiva - o que dará o Newcastle-Everton e o West Ham-Arsenal.

- Médios: Quem faz companhia a Yaya Touré, David Silva e Ramírez? Pois bem, Alexis Sánchez (11.4) estará com a motivação em alta, e a suspensão de Giroud deve mantê-lo no 11; Raheem Sterling (8.3) é outro dos desequilibradores a ter em conta, sobretudo pelo seu actual papel táctico. No Chelsea, Fàbregas e Hazard são sempre os jogadores a considerar jornada após jornada. Veremos se Mourinho descansa alguém, e quem, contra o Southampton, sendo que dia 1 joga em casa do Tottenham. Parece possível Hazard começar no banco e Schürrle ser titular, por exemplo.

Avançados: Para além dos avançados já referidos, Diego Costa (11.2) poderá ser decisivo, embora contra um Southampton que defende bem, e no duelo Tottenham-M.United, embora Kane esteja em grande forma, é mais provável que seja Rooney/ van Persie a sair a ganhar.

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 91



Filme: Training Day
Actor: Denzel Washington

por Tiago Moreira



    Senhoras e senhores, apresento-vos um dos maiores vilões do cinema: Alonzo Harris - interpretado por Denzel Washington, naquele que é o papel da sua vida até ao momento. Uma representação tão boa que lhe valeu o Oscar de melhor actor em 2002, levando a melhor sobre Russel Crowe, Sean Penn, Will Smith e Tom Wilkinson. Um filme realizado por Antoine Fuqua e escrito por David Ayer, "Training Day" conta a história de um polícia novato que tem como sonho entrar na equipa da polícia de narcóticos local. Para isso, tem que passar pelos ensinamentos da nossa personagem - Alonzo Harris. Contudo, desde bem cedo verifica que não será fácil. A película passa-se durante as primeiras 24 horas de treino de Jake Hoyt onde o consagrado detective Harris vai mostrando que não é aquilo que parece. Para sobreviver no meio do crime sem levantar suspeitas, Alonzo acaba por se transformar ele próprio num criminoso. Respeitando a analogia e considerando que os polícias são ovelhas, Alonzo não só se disfarçou de lobo, como também se tornou num. Contudo, Hoyt apenas quer lutar pelo bem e não está disposto a seguir o caminho do seu tutor... O que faz com que o próprio aluno se vire contra o professor - depois de ter sido uma peça de xadrez do seu próprio tabuleiro.
    Sem dúvida que é uma personagem que merece ser destacada por nós naquele que foi o grande papel de Denzel Washington até ao momento. Uma personagem hostil - como se tratasse de um verdadeiro gangster - e extremamente metódico. Com tudo pensado ao pormenor, para ter apenas proveito próprio. Alonzo Harris revela-se ao longo do filme um homem sem escrúpulos, capaz de atropelar tudo e todos por um objectivo. Para a nossa personagem todos são peças de xadrez num jogo em que ele tem que ganhar custe o que custar. Denzel Washington deu-lhe vida e mereceu o devido prémio no fim. Excelente performance do actor nova-iorquino que - depois do Oscar - vê aqui no Barba Por Fazer mais uma distinção ao seu trabalho. Esta muito mais consagrada que a primeira, obviamente...

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

24 de dezembro de 2014

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 92



Filme: Ferris Bueller's Day Off
Actor: Matthew Broderick

por Miguel Pontares



    É preciso recuarmos aos anos 80, mais precisamente a 1986, para encontrar o Rei dos Gazeteiros, Ferris Bueller.
    A personagem mais emblemática da carreira de Matthew Broderick (afastando o facto de ter dado voz a Simba) é o príncipe dos esquemas, o mestre da mentira, embora seja, no final de contas, apenas um rapaz que não quer ir às aulas num dia.
    Com um carisma que vai daqui até à China, e muitas vezes naquele discurso directo com o espectador, olhando directamente para a câmara - estilo Kevin Spacey em 'House of Cards', mas num registo bem mais suave -, Ferris Bueller é um Clássico da comédia, o expoente máximo do carpe diem.
    A história de Ferris não é complexa, muito pelo contrário. Ferris acorda, o dia está bom demais para ser passado na escola, e por isso opta por fingir que está doente. Como não tem piada nenhuma estar sozinho, convence o melhor amigo Cameron (interpretado por Alan Ruck) a alinhar na mentira, persuadindo-o ainda a usar o Ferrari do seu pai, e vai buscar a namorada Sloane (Mia Sara), fazendo-se passar por pai dela e fazendo pouco do director Ed Rooney (brilhante personagem de Jeffrey Jones), uma humilhação que se estende aliás ao longo do filme. Durante a balda, naquele casamento típico entre inocência e turbilhão hormonal característicos da adolescência, em que até o momento mais banal é capaz de ganhar contornos de imortalidade, o trio "vive" a cidade e Ferris Bueller define-se no seu playback de 'Twist and Shout' (música dos Beatles de 1961, mas cuja popularidade ressuscitou aquando deste filme) cantado para milhares de pessoas. Ferris é aquilo, um miúdo que não sabe o que virá a ser, mas que quer viver o momento. O epicentro da energia da cidade, uma figura carismática e contagiante, um rapaz esperto, um vendedor de sonhos. É interessante como Bueller despoleta em nós uma ambiguidade: quando, na apoteose da acção, Ferris corre desenfreadamente para chegar a casa a tempo de não ser apanhado, damos por nós divididos - o nosso "eu" adulto entende que o melhor é o plano correr-lhe finalmente mal e assumir as responsabilidades, a culpa; e o adolescente dentro de nós torce em sentido contrário.
    Ferris Bueller é um rebelde com um sorriso no rosto, presunçoso sim, mas alguém que sabe o real valor das pequenas coisas, que retira o máximo de cada situação, passando a perna a toda a gente enquanto alimenta o seu hedonismo. Mas sem maldade.
    Bueller representa a forma desprendida e intensa como a juventude é vivida. O ideal dele é simples: a vida passa muito rápido; se não pararmos de vez em quando e olharmos à nossa volta, podemos deixá-la passar (ou perdê-la). Claro que todos temos responsabilidades e deveres mas a mensagem neste caso não é elaborada. Ferris Bueller faz das palavras de Raul Solnado actos, olha directamente para a câmara e, de sorriso no canto da boca, é como se nos dissesse Façam o favor de ser felizes. 

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

23 de dezembro de 2014

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 18

Fantasy Premier League - O Natal para as crianças é a 24/ 25 de Dezembro, mas para quem gosta verdadeiramente de futebol é a 26 de Dezembro, boxing day. Nesta época festiva, e enquanto os principais campeonatos tiram férias ou abrandam a cadência das jornadas, em Inglaterra vão-se jogar 3 jornadas em 7 dias (26Dez, 28/29Dez e 1Jan). Por isso mesmo é praticamente impossível os treinadores não rodarem as suas equipas, com impacto directo e causando alguma angústia em vários fãs de Fantasy. A jornada 18 não tem um jogo cabeça-de-cartaz, mas há vários jogos que podem-se revelar interessantes: o Chelsea-West Ham, Manchester United-Newcastle, e veremos como se saem Liverpool e Southampton nas suas visitas.
    A 17.ª jornada teve um herói inglês. Charlie Austin fez um hat-trick na vitória do QPR sobre o West Brom e amealhou 17 pontos, superiorizando-se à tangente ao outro destaque da jornada, David Silva (16 pts). O improvável Yoshida e os blues John Terry e Fàbregas pontuaram bem, assim como Downing, Zabaleta, Adam Johnson e Ki.
    Na quinta-feira, nas Dicas Fantasy Premier League - Jornada 17, apontámos Charlie Austin e David Silva como potenciais boas escolhas, o que acabou por se revelar um bom palpite. Dos outros jogadores que sugerimos, Yaya Touré, Downing, Joe Hart, James Tomkins e Harry Kane foram os únicos a ter nota positiva.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Feliz Natal, e cá vão as sugestões para a jornada 18:

 Santi Cazorla - Arsenal - 8.1

    É certo que a motivação do QPR e de Charlie Austin estará mais alta que nunca, visto que o 9 dos rangers leva 11 golos em 18 jornadas, uma marca fantástica para um jogador recém-chegado ao escalão principal. Pode até acontecer Austin marcar (porque já o fez diante de Southampton e Chelsea, que têm boas defesas) mas o Arsenal-QPR tem tudo para ser um bom jogo dos gunners. No Emirates Stadium a equipa de Arsène Wenger quererá continuar em busca de um lugar no Top-4, e a terrível forma do QPR fora de portas (8 derrotas em 8 jogos) terá que ser aproveitada. Alexis Sánchez e Olivier Giroud (8.2) 
são fortes candidatos a realizar um bom boxing day, mas Cazorla é quem anda particularmente endiabrado. Nas últimas 3 jornadas a função táctica do espanhol em campo alterou-se, e os números começaram a aparecer - 3 golos e 1 assistência. Contra o QPR, o quarteto ofensivo do Arsenal (os 3 jogadores referidos e Welbeck) são os principais elementos a ter em conta, mas é preciso ter atenção porque com três jogos em 7 dias Wenger pode rodar a equipa. Afinal de contas, teoricamente será preferível contar com o melhor 11 na visita ao terreno do West Ham, do que em casa contra o QPR. A seu tempo veremos o que faz o técnico francês.

 Wilfried Bony - Swansea - 8.6

    Alguns avançados ou médios até poderão ser eventualmente repousados na 18.ª jornada, mas Wilfried Bony muito dificilmente o será. Monk surpreendeu ao deixar o avançado da Costa do Marfim no banco, na jornada 17, e a coisa correu bem - sem Sigurdsson (ainda em dúvida para a jornada 18), Montero e Bony, o Swansea venceu por 1-0 em casa do Hull. A folga que Bony teve terá sido mais do que suficiente para garantir que será titular diante do Aston Villa e, embora o A. Villa defenda bem e tenha Benteke a recuperar aos poucos a sua forma, Bony rende sempre mais no País de Gales do que em casa dos adversários. O melhor marcador em Inglaterra neste ano civil quererá eventualmente chegar à dezena de golos neste campeonato, e a verdade é que dos seus 8 golos, metade deles foram marcados nas últimas seis jornadas.


 Adam Johnson - Sunderland - 6.0

    O herói do último Newcastle-Sunderland é outra das sugestões para o boxing day. Com 1 assistência na jornada 16 e 1 golo (bem moralizador!) na jornada 17, o outrora extremo do Manchester City será fundamental contra o Hull City. O Sunderland quer fugir ainda mais aos lugares de descida, tem esta jornada um confronto directo com outro candidato a ser despromovido (o Hull está actualmente no penúltimo lugar) e, se por um lado poderão ser elementos como Pantilimon ou Vergini a segurarem a equipa na retaguarda, terão que ser Adam Johnson e Steven Fletcher (5.3) 
a assumir as despesas ofensivas. Adam Johnson é - embora a anos-luz - um Robben da Premier League. Toda a gente sabe o que ele vai fazer, e ele faz sempre a mesma coisa, mas consegue sempre fazê-lo.

 Adam Lallana - Liverpool - 8.3

    Muito possivelmente o mais arriscado dos nossos 5 palpites principais. O Liverpool está muito longe de apresentar segurança, consistência e uma ideia de jogo sólida, mas as próximas jornadas são uma boa oportunidade para os reds recuperarem algumas posições na tabela classificativa. Em casa do Burnley o Liverpool vai encontrar uma equipa que tem plena consciência das suas limitações, defendendo com tudo, e acreditando que Ings ou Barnes (aqueles que são mais do que operários) sejam capazes de mudar o jogo. Veremos se Rodgers lança Lambert ou volta a jogar com um ataque móvel (Sterling foi a falsa referência contra o Arsenal, embora Rodgers já tenha dito que o jovem extremo terá que ter uns jogos de descanso em breve). Certo é que este é o momento certo para jogadores como Lallana ou Markovic se afirmarem de vez na equipa de Anfield. Lallana, talvez o jogador inglês da actualidade com mais técnica pura, fez na época passada 9 golos e 9 assistências. Para já vai em 2-2, e é uma escolha arriscado considerando que é por exemplo 0.2 mais caro do que Cazorla. 

 Leighton Baines - Everton - 7.3

    Em 2013/ 14 ter um defesa do Everton era uma obrigação. Coleman e Baines eram uma garantia de pontos por via de clean sheets, juntando a isso o seu impacto ofensivo - golos e assistências. Esta temporada a coisa está bem diferente. O Everton conseguiu até agora 3 jogos sem sofrer golos em 17 partidas jogadas, e para além disso Baines e Coleman não pontuam de forma decente desde a remota jornada 11. Ter Leighton Baines num plantel de Fantasy é ter 6 médios, considerando o impacto ofensivo e rotinas/ processos dos toffees, mas nos últimos jogos (o último foi excepção) Baines viu a sua preponderância reduzida por via da colocação de Mirallas a extremo esquerdo. O lateral esquerdo inglês marca grandes penalidades, marca cantos, mas há muito que não pontua como deve ser, e há algumas jornadas que não assume um livre directo. Diante do Stoke poderá ser a última oportunidade para Baines. Com o seu preço e considerando o melhor calendário de outros defesas, é difícil mantê-lo.

Outras Opções:
Guarda-Redes: Costel Pantilimon, como dissemos, tem estado bem nas últimas jornadas. O cansaço acumulado nas pernas poderá fazer com que os próximos jogos tenham alguns golos e sejam menos rigorosos tacticamente, e por isso é mais difícil prever clean sheets. Talvez Lukasz Fabianski (5.2) ou David De Gea (5.6) sejam mesmo assim as melhores opções. Mas é perfeitamente possível o Newcastle marcar em Old Trafford ou Benteke marcar em casa do Swansea. E Chelsea e Arsenal vão encontrar bons avançados nos seus adversários.

- Defesas: Entre um lote mais restrito de possibilidades, talvez Santiago Vergini (4.5), Pablo Zabaleta (6.4) e Phil Jones (5.2) acabem por ser opções minimamente seguras, embora Pellegrini possa rodar novamente a sua defesa, o que a acontecer será mais provável em termos de lateral esquerdo (ou central também, caso Kompany regresse). Skrtel e Debuchy são bons jogadores para colocarem no vosso bloco de notas.

- Médios: Já evidenciámos elementos como Cazorla, Alexis, Adam Johnson e Lallana, mas há certamente vários craques - um ou outro pode ser afectado pela rotação - impossíveis de não considerar também. David Silva (8.9) e Yaya Touré (10.8) no Manchester City; Césc Fábregas (9.6) e Eden Hazard (10.6) no Chelsea; Ross Barkley (6.8) no Everton, e Mata também poderá ser uma boa aposta, restando saber se Di María regressará já contra o Newcastle à titularidade.

Avançados: Mencionámos Bony, Giroud, Steven Fletcher e podemos acrescentar Harry Kane (5.2) e Diego Costa (11.2). van Persie e Rooney também são boas escolhas, e importa estarem atentos à situação ofensiva do City - quando é que Jovetic ou Dzeko regressarão.

22 de dezembro de 2014

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 93



Filme: (500) Days of Summer
Actor: 
Joseph Gordon-Levitt

por Tiago Moreira



    Esta personagem é dedicada a uma parte da população masculina. Muitos já estiveram no lugar de Tom em dado momento. Tom está integrado num filme de Marc Webb e escrito por Scott Neustadter e Michael H. Weber - (500) Days of Summer - que é um romance, mas não é uma história de amor. É a história de um rapaz que se apaixona por uma rapariga que não acredita no verdadeiro amor. Contudo, tudo parecia perfeito no início. Tom era um arquitecto formado que trabalhava numa empresa de cartões e não era capaz de ser verdadeiramente feliz sem encontrar o verdadeiro amor. Esta certeza que ele tinha em mente eram derivadas das influências musicais e cinéfilas da sua adolescência que sempre apontaram nesse sentido ilusório.
    Eis que certa altura, Tom Hansen conhece Summer Finn - sua nova colega do trabalho. Houve logo atracção à primeira vista, mas este achou-a fora do seu alcance. Isto até ao dia em que a mesma se interessou pelas músicas que ouvia. Tom apaixonou-se logo pela nova colega e confidencia aos seus amigos. Num jantar da empresa, um dos seus colegas - algo embriagado - acaba por confidenciar a Summer que Tom gosta dela. E o romance começa. Ambos se aproximam e começam a partilhar momentos juntos. Desde brincadeiras em lojas mobiliárias a passeios em jardins - nomeadamente, um dos locais preferidos de Tom. Mas como nem tudo é perfeito, Summer já tinha afirmado que não acreditava no verdadeiro amor e ambos acabam por ter a primeira discussão após uma briga num bar. Daí ao fim do namoro foi um instante. Summer começou a mostrar ausência de sentimento e interesse e Tom não sabia a razão. Até ao dia em que a jovem acaba mesmo por sair da empresa e se mudar. A nossa personagem acabou por ficar sem entender o que se passava...
    No fundo, muitos rapazes já passaram por isto e essa é uma das razões de o termos escolhido. Quem nunca viu o seu relacionamento sair fracassado sem saber realmente a razão? Não houve falhas, nem grandes problemas... Simplesmente acabou. Tom acaba por dizer que "ou ela é um ser-humano mau, sem sentimentos e miserável... ou é um robô" - e no fundo é o que muitos de nós acabamos por pensar nesta situação. E Tom acabaria por ficar ainda mais confuso e revoltado ao descobrir que pouco tempo depois Summer estava noiva e que afinal já acreditava no amor. Acontece a todos, Tom... Mas nós estamos solidários contigo e com todos os homens e mulheres nesta situação. E aprendam com o nosso personagem: Depois de um Verão (Summer) existe sempre um Outono (Autumn).

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

21 de dezembro de 2014

Liverpool e Arsenal empatam, Sunderland vence derby, Austin brilha e City vence sem avançados

  Premier League - A 17.ª jornada da liga inglesa, na qual ainda falta jogar-se o Stoke-Chelsea de amanhã à noite, está a ser uma das melhores da edição até ao momento. Muitas emoções, golos nos últimos minutos, o espectáculo a que estamos habituados.
    O último jogo deste Domingo opôs Liverpool e Arsenal em Anfield. Um jogo que na temporada passada terminou em 5-1 (Skrtel e Sterling bisaram, Sturridge também fez o gosto ao pé), na altura com um arranque de jogo avassalador (4 golos em 20 minutos) e claro, com Suárez a inspirar a equipa. Desta vez a história foi bem diferente. Brendan Rodgers, ainda longe de ter um onze e um estilo de jogo definido com o actual elenco, colocou a equipa assente numa defesa de 3 homens (Skrtel, Kolo Touré e Sakho), o que condicionou claramente um Arsenal que demorou a saber reagir e como se posicionar, mas também condicionou a própria morfologia ofensiva dos reds. Com Markovic muito em jogo, os golos chegaram só no fim da 1.ª parte. Coutinho fez explodir Anfield com um remate indefensável após assistência de Henderson aos 45', mas ainda antes de Michael Oliver apitar para o intervalo, chegou o empate com Debuchy a ganhar nas alturas a Skrtel e a bater Brad Jones. A 2.ª parte foi electrizante, com o jogo aberto e as emoções à flor da pele, e aos 64' Giroud consumou a reviravolta. Cazorla, um dos melhores em campo sempre com aqueles pézinhos de algodão, encontrou o avançado gaulês na área e este limitou-se a colocar a bola entre as pernas de Jones. Wenger foi recuando a equipa, procurando aguentar o 1-2, trocou Giroud por Coquelin, Alexis por Monreal, mas no tempo de compensação houve.. Premier League. No decorrer dos 9 minutos de compensação - dados mediante o tempo que Skrtel precisou para ser assistido - foi precisamente o central eslovaco a fazer o 2-2 num cabeceamento imparável, após canto de Adam Lallana. Liverpool e Arsenal, "consistentemente inconsistentes" como alguém disse recentemente, empataram-se um ao outro e estão longe do Top-4. Ainda assim, na teoria será o Arsenal (6) a ter mais hipóteses que o Liverpool (10) em atingir um lugar de Champions nas próximas jornadas. No jogo grande de hoje, Cazorla e Henderson estiveram em excelente plano, Skrtel e Debuchy (tem estado bem como central improvisado) foram também decisivos.
    No outro jogo de hoje, Newcastle e Sunderland defrontaram-se no derby local e os visitantes conseguiram um feito histórico: 4.ª vitória consecutiva para os black cats, com Poyet ao leme nas últimas três. Embora tenha terminado 0-1, o resultado poderia muito bem ter sido um 3-3 considerando as boas oportunidades que as equipas tiveram (Fletcher, Wickham e Ayoze, todos tiveram lances de golo nos pés). No fim, aos 90 minutos, e numa altura em que até era o Newcastle a apresentar ascendente - contrariamente ao que ocorreu, nomeadamente, na 1.ª parte - o Sunderland marcou em casa do rival, numa transição perfeita e com Buckley a servir Adam Johnson para o especialista em derbies decidir.

    Já ontem jogaram-se 7 jogos, com o espectáculo a iniciar-se na vitória do Manchester City diante do Crystal Palace. O Etihad Stadium viu um City sem referência (Agüero, Dzeko e Jovetic todos indisponíveis), optando por Pellegrini por jogar com um "falso 9". Com imensa mobilidade, David Silva, Nasri e Milner apareceram constantemente na grande área adversária, Zabaleta e Kolarov esticaram bem o jogo, e os golos chegaram na segunda parte. David Silva marcou os dois primeiros (excelente finalização de 1.ª o segundo golo) e Yaya Touré fechou as contas com um disparo bombástico sem hipóteses para Speroni. A luta entre Chelsea e Manchester City promete, até ao fim.
    Num dos jogos mais esperados, o Southampton-Everton, a equipa de Koeman foi bastante superior e venceu por esclarecedores 3-0. Lukaku abriu o activo com um auto-golo, e na 2.ª parte Pellè e o improvável Yoshida fecharam as contas. Olhar para o comportamento defensivo do Everton da época passada e para este ano.. parece impossível.

    O QPR-West Brom foi outro dos grandes jogos desta jornada. O esquizofrénico Queens Park Rangers continua a alternar entre bons jogos em casa e total incapacidade fora, mas desta vez o jogo até começou negro. Joleon Lescott e o nosso bem conhecido Silvestre Varela colocaram o WBA a vencer nos 20 minutos iniciais, mas daí até ao final do jogo houve emoção, houve reviravolta e houve Charlie Austin. O avançado inglês esteve em grande. Reduziu convertendo uma grande penalidade, empatou pleno de oportunismo e virou o jogo com um cabeceamento convicto. Austin chegou aos 11 golos, colocou-se no pódio dos melhores marcadores e é evidente o peso que tem na época dos rangers: a equipa tem 20 golos marcados, 11 são dele.
    Radamel Falcao foi determinante no empate do Manchester United em casa do Aston Villa, marcando à Falcao depois de um cruzamento e bom trabalho de Ashley Young. Antes, Benteke tinha colocado o Villa na frente. O jogo ficou ainda marcado por uma expulsão um pouco forçada de Agbonlahor. Noutros jogos, o Swansea (mesmo sem Sigurdsson e com Bony a começar o jogo no banco) ganhou por 1-0 em casa do Hull, com golo do coreano Ki; o West Ham segurou o seu 4.º lugar ganhando por 2-0 ao último classificado Leicester, golos de Andy Carroll e Stewart Downing; e o Tottenham, cujo registo caseiro esta época tem deixado muito a desejar, derrotou o Burnley num jogo com grandes golos de Barnes e de Lamela.

20 de dezembro de 2014

100 Melhores Personagens de Filmes - Nº 94



Filme: Garden State
Actor: Zach Braff


por Tiago Moreira



    Zach Braff, meus amigos. Para quem o conhece não precisa de grandes explicações. Actor, realizador e argumentista de Garden State - um pedaço de arte um pouco subvalorizado. Zach meteu as mãos na massa e acabou por construir um esqueleto que se completou com as presenças fulcrais de Natalie Portman e Peter Sarsgaard. Uma película que se baseou nas vivências pessoais do próprio Zach Braff e que conta com algum drama, romance e até alguma comédia. Uma história simples e com representações genuínas. Há momentos até um pouco estranhos, mas a verdade é que a própria vida real é mais feita desses momentos do que aqueles que aparecem na maioria dos filmes. A vida não é um arco-íris perfeito como a maioria dos filmes fazem passar. Somos todos diferentes, somos todos estranhos em certos aspectos e situações.
    Mas falemos mais da nossa personagem - Andrew Largeman. Um rapaz de 26 anos - actor - que tem uma vida algo complicada como se apercebe mais perto do fim do filme. Largeman volta à terra natal 10 anos depois sem ter tido qualquer contacto com a família. A razão? O funeral da sua mãe. Fruto de uma família bastante controladora e com valores bastante rígidos, Andrew acabou por se tornar num rapaz introvertido e sem grandes reacções. Não só a família o tornou assim, como os medicamentos que o pai o obrigava a tomar. Andrew tornou-se quase que um robô. Quase sem sentir. Sem viver. Todo este "filme" porque aos 9 anos, Largeman acabou por colocar acidentalmente a sua mãe numa cadeira de rodas. Foi considerado perigoso para as outras pessoas e o pai colocou-o num colégio interno. Ao voltar à sua terra natal, a nossa personagem largou os medicamentos e reencontrou-se com velhos amigos. E não só. Também conheceu Sam (Natalie Portman) numa clínica e rapidamente se sentiu ligado - de certa forma - à sua personalidade. Com um sorriso sempre genuíno e sempre extravagante, Sam conquistou Andrew. O facto de também ela ser um pouco fora do vulgar criou uma ligação entre os dois. E a história é à volta da nova vida de Andrew Largeman. Desta vez vivo e a partilhar a sua vida com outras pessoas.
    Não é aquela personagem bombástica, mas que com a sua simplicidade e com os seus momentos estranhos acaba por nos conquistar. Nem todos somos enérgicos e extrovertidos. Também existem pessoas como Andrew Largeman. Introvertidos e pensativos. Mas tal como Andrew aprendeu, todos precisamos dessa actividade para nos sentirmos vivos. Nós comandamos a nossa vida. O rumo somos sempre nós quem o decide.

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Nota Editorial: A compilação/ organização e ordem das personagens deste Top é responsabilidade de Miguel Pontares e Tiago Moreira. Os textos tiveram a colaboração de Daniel Machado, Lorena Wildering, Nuno Cunha, Sara Antunes Santos e Carolina Moreira.
Foram tidos em consideração filmes lançados até 20 de Novembro de 2014. Mais informamos que poderão existir spoilers relativos às personagens e/ ou aos filmes que elas integram, passíveis de constar na defesa e caracterização de cada uma das 100 personagens.

19 de dezembro de 2014

Crítica: The Hobbit - The Battle of the Five Armies

Realizador: Peter Jackson
Argumento: Peter Jackson, Guillermo del Toro, Fran Walsh, Philippa Boyens, J.R.R. Tolkien
Elenco: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage, Evangeline Lilly, Lee Pace, Orlando Bloom, Luke Evans, Benedict Cumberbatch
Classificação IMDb: 7.4 | Metascore: 59 | RottenTomatoes: 59%
Classificação Barba Por Fazer: 72

    
Surgem os créditos acompanhados pelo cantar de Billy Boyd (o 'Pippin' de O Senhor dos Anéis), vemos o nome de Ian McKellen (bonito e justo gesto iniciar a enumeração do elenco com Gandalf, transversal e essencial aos 6 filmes de Peter Jackson) e percebemos: não vai haver mais disto. A viagem de 6 filmes, conduzida por Peter Jackson, ao longo das páginas escritas por J.R.R Tolkien, teve o seu capítulo final. E dizemos adeus ao Shire e a toda a Terra Média. Pela última vez.
    A "Batalha dos Cinco Exércitos" inicia-se, naturalmente, onde terminou "A Desolação de Smaug", o 2.º e melhor filme da trilogia The Hobbit. O facto de Thorin (Richard Armitage) ter conquistado a Montanha Solitária tolda-lhe a vista, embora o hobbit Bilbo (Martin Freeman) e os anões o tentem fazer ver a razão. A ganância de Thorin, combinada com a procura de justiça por partes dos homens - liderados por Bard (Luke Evans) -, com o desejo dos elfos e do seu líder Thranduil (Lee Pace) reclamarem aquilo que lhes pertence e com o acordar de um mal que se pensava extinto, conduzem a uma batalha com 5 exércitos. Embora, na prática, apenas com duas frentes. A aventura final de Bilbo Baggins não é tão épica como foi 'O Regresso do Rei' em O Senhor dos Anéis mas é, em parte, injusto comparar. Por vários motivos. Em primeiro lugar porque O Senhor dos Anéis foi o primeiro contacto cinematográfico com o universo tolkiano; depois também porque a narrativa da primeira trilogia realizada tem de facto maior qualidade e potencial por si só. Por fim, fica a ideia que - e basta olhar para o volume de The Hobbit e para os 3 The Lord of the Rings - desta vez tudo teria resultado melhor se fosse dividido somente em dois filmes: se tivéssemos um primeiro filme introdutório, até à chegada à Montanha Solitária, e outro que comportasse toda a acção com Smaug (é Benedict Cumberbatch o melhor dragão da história do cinema?) e a batalha final, talvez ficássemos todos com uma ideia diferente do capítulo final. Isto porque separar os momentos Bilbo-Smaug (provavelmente o melhor, no grande ecrã, desta trilogia) do destino do dragão não parece certo.
    Por respeito ao que Peter Jackson já deu ao cinema com as obras de Tolkien, é quase obrigatório ver esta segunda trilogia. Jackson sabe criar e trabalhar os cenários de batalha como poucos realizadores; e em cada minuto do filme está invariavelmente implícita a nostalgia de uma despedida que não nos apetece aceitar, enquanto vemos Bilbo regressar ao Shire, acompanhado por Gandalf.

    É impossível, por tudo o que representa, não ser um blockbuster, um sucesso de bilheteiras. É superior por exemplo à Parte I do capítulo final de The Hunger Games, embora seja inferior a vários (bons) filmes que 2014 já nos deu.
    Não obstante, deve ser verdadeiramente épico ver os 6 filmes seguidos: a trilogia The Hobbit e depois a trilogia The Lord of the Rings. Aproximadamente 17 horas do melhor cinema de fantasia alguma vez feito. Por agora deixemos Peter Jackson pegar no seu próximo Tintin, e se calhar era boa ideia ficarmos atentos àquilo em que Martin Freeman vai tocar com as suas patas de hobbit. Porque tudo aquilo em que tem tocado recentemente - Sherlock, The Hobbit, Fargo - é ouro ou perto disso.
    Mais do que criticar, mais do que avaliar, aquilo que faz mais sentido é agradecer. A Peter Jackson, a Ian McKellen, a toda uma equipa que criou um mundo e nos permitiu vivê-lo 6 vezes. Pelo todo, Tolkien foi devidamente homenageado.