Óscares Barba Por Fazer 2017

A equipa do BPF elegeu os melhores do ano. Nos nossos Óscares há justiça para 'Nocturnal Animals', 'I, Daniel Blake', Mackenzie Davis, Aaron Taylor-Johnson, Rebeca Hall ou Amy Adams, e muitos elogios para Damien Chazelle e Casey Affleck

E os Óscares 2017 foram para...

Numa noite em que La La Land ganhou 6 óscares, o último e mais importante foi para Moonlight com golpe de teatro pelo meio. Damien Chazelle, Casey Affleck, Emma Stone, Mahershala Ali e Viola Davis não esquecerão este ano

Crítica: Moonlight

Eleito Melhor Filme pela Academia, Moonlight consegue, com uma beleza rara, um trabalho de câmara e um elenco extraordinário, colocar no ecrã o tempo que demoramos a descobrir que somos, e a aceitar e abraçar isso mesmo. O filme de Barry Jenkins é uma peça universal, humana e poética, fragmentada em 3 partes (criança, adolescente e adulto).

Balanço Liga NOS 16/ 17

Um Benfica de luxo à procura do inédito tetra, um Porto que defende como ninguém mas ao qual faltam golos e um Sporting em crise. Esta é a nossa análise a meio de um campeonato com o Minho em força e Chaves a surpreender

25 Novas Séries a Não Perder em 2017

Vem aí guerra entre Netflix, FX e HBO. O novo ano traz a série de Tom Hardy e do seu pai, uma baseada em livros de J.K. Rowling, outra produzida por David Fincher e outra com Idris Elba. Punisher ganha independência, e o criador de Fargo trata da chegada de Legion. E o melhor é que há muito mais.

28 de novembro de 2014

Crítica: The Theory of Everything

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: James Marsh
Argumento: Anthony McCarten, Jane Hawking
Elenco: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Charlie Cox, David Thewlis
Classificação IMDb: 7.7 | Metascore: 72 | RottenTomatoes: 79%
Classificação Barba Por Fazer: 79

    Quando Eddie Redmayne conseguiu o papel de Stephen Hawking sabia no que se estava a meter. Das duas uma: não tendo ainda nenhum papel de grande destaque ('My Week with Marilyn' e 'Les Misérables' foram os filmes onde se expôs mais), ao interpretar Hawking ou ficava na chamada cepa-torta mais uns anos ou então convencia e subia uns quantos degraus de uma vez só. Claro está que ao dar corpo e alma a Stephen Hawking de forma convincente, era fácil de prever que o actor se conseguiria colocar automaticamente no roteiro dos maiores prémios.
    'The Theory of Everything' (realizado por James Marsh e com Anthony McCarten a adaptar a obra de Jane Wilde Hawking, intitulada Travelling to Infinity - My Life with Stephen) dá-nos, numa abordagem à la A Beautiful Mind, a história de Stephen Hawking e de Jane, acompanhando o evoluir da esclerose lateral amiotrófica - doença diagnosticada ao génio da Física quando tinha 21 anos, e que progressivamente lhe paralisou os músculos do corpo sem no entanto afectar as suas funções e capacidades cerebrais.
    Embora sintamos, pelo preponderante papel de mulher forte desempenhado pela jovem Felicity Jones, algumas semelhanças com o que Jennifer Connelly deu ao lado de Russell Crowe em 2001, a história de Stephen Hawking era uma história que merecia ser contada e, por isso mesmo, vista. Cai no habitual "atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher" mas vale pelo desempenho dos dois jovens actores: Eddie Redmayne e Felicity Jones. Com 32 e 31 anos respectivamente, embora se pudesse apostar que teriam ambos menos, são os dois claros candidatos a figurar entre os nomeados de Melhor Actor e Melhor Actriz nos Óscares 2015. Se em Felicity Jones já se tinha visto nos últimos anos potencial para atingir o quanto antes este nível, no caso de Redmayne é um elevado salto qualitativo, catalisado naturalmente por tudo o que é Stephen Hawking. Na corrida às estatuetas douradas 'The Theory of Everything' junta a estas prováveis 2 nomeações, fortes hipóteses de surgir nas categorias de Melhor Filme, Melhor Argumento Adaptado e, eventualmente, Melhor Fotografia.
    Não é uma odisseia como 'Interstellar' (alguns conceitos abordados nesse filme são referidos neste durante estas 2 horas, embora a perspectiva aqui - tal como em Interstellar - seja mais humana do que científica), não tem a visão de 'Boyhood' nem nos prende à cadeira como 'Gone Girl', mas é um filme que vale a pena ser visto. É sobre um génio, e tem pormenores de génio: Eddie e Felicity a rodarem no sentido inverso aos ponteiros do relógio numa alusão à reversão do tempo e, acima de qualquer outro momento, o take final - banda sonora envolvente, certa, e uma viagem até ao primeiro olhar. O filme é menor do que a cena final, mas a cena final é fazer cinema bem feito. Com o equilíbrio perfeito para arrepiar.

    Enriquece a nível cultural, emocional, e reserva o seu espaço na biblioteca dos filmes biográficos. Dificilmente será o filme da vida de alguém, até porque já é o filme da vida de Stephen Hawking, e um marco nas carreiras de Eddie Redmayne e Felicity Jones. Quando o verdadeiro Stephen Hawking acabou de visualizar o filme, uma enfermeira limpou-lhe as lágrimas. Se isso não é o suficiente para os actores, para Marsh e McCarten, nada o será.  

27 de novembro de 2014

Crítica: The Hunger Games: Mockingjay - Part 1

Realizador: Francis Lawrence
Argumento: Peter Craig, Danny Strong, Suzanne Collins
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Julianne Moore, Philip Seymour Hoffman, , Donald Sutherland, Natalie Dormer
Classificação IMDb: 6.7 | Metascore: 64 | RottenTomatoes: 65%
Classificação Barba Por Fazer: 68

    A Parte I do capítulo final da trilogia The Hunger Games chegou às salas de cinema portuguesa no passado dia 20, proporcionando lotações esgotadas e uma sensação de "porque é que isto não tem 4 horas e resolve-se já tudo de uma vez e o filme é muito mais marcante?!". A resposta é simples, e todos a sabemos de cor e salteado, para fazer render o p€ixe. É esse o problema destes filmes divididos em duas partes: com o fim de Harry Potter ficou de certa forma a mesma sensação, de que estivemos a assistir aos preparativos para a apoteose adiada; com Twilight não podemos dizer que isso tenha acontecido porque tudo era genericamente assim a atirar para o mau. O caso mais recente terá sido a diferença entre The Lord of the Rings e The Hobbit: no 1.º caso cada livro proporcionou adequadamente um filme épico, no 2.º caso não se justificava a divisão em 3 partes (o segundo filme já teve o impacto próximo de LOTR e o último, a estrear em Dezembro, não vai desiludir os mais e os menos fanáticos, mas do primeiro filme não se pôde dizer o mesmo, até por uma questão de gestão de expectativas).
    Mas voltemos a estes Jogos da Fome. Na Parte I desta "Revolta" encontramos Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence, que já não precisa de quaisquer apresentações) a tentar recuperar dos 75os Jogos da Fome, onde se viu separada de Peeta Mellark (Josh Hutcherson), e conduzida até ao Distrito 13. Lá, onde os Rebeldes começam a reunir forças com vista à revolução, Katniss reencontra-se com Gale (Liam Hemsworth), a mãe e a irmã, e conhece a líder do Distrito - Alma Coin (Julianne Moore) -, sempre auxiliada por Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman). Durante as 2 horas de filme acompanhamos Katniss a compreender que os Rebeldes precisam dela, precisam do mimo-gaio que inspire A Revolta, sendo gravadas diversas promos por uma equipa liderada por Cressida (Natalie Dormer, actriz de Game of Thrones) que comuniquem aos vários distritos a força do Distrito 13. No lado oposto vemos a degradação de Peeta Mellark, e um "resgate" final (bastante "consentido") dos Rebeldes com vista a motivar Katniss.
    Para quem leu o livro era mais ou menos dedutível que a Parte I poderia acabar onde acabou. No entanto, fica aguçado o apetite para a interpretação de Josh Hutcherson como Peeta Mellark no derradeiro filme da saga (a obra de Suzanne Collins torna Peeta a personagem mais interessante de acompanhar, embora muitos fãs poderão preferir Katniss ou Haymitch). Diz-se na gíria popular a expressão "primeiro estranha-se e depois entranha-se" - um fenómeno que acontece ao longo da odisseia 'Interstellar' por exemplo, e que poderia também acontecer neste caso se tudo fosse de uma assentada. Porque é impossível não ficar a sensação: quero a segunda parte.. agora.

    Até agora 'The Hunger Games: Mockingjay - Part 1' foi provavelmente avaliado pela Crítica abaixo do seu real valor mas o problema central é mesmo o facto de nestes casos a avaliação dever surgir só após o capítulo final. O palco está montado, a magia e a revolta acontece efectivamente em 2015. Em todo o caso várias notas: mais uma boa interpretação de Jennifer Lawrence (ao ser um blockbuster o papel tem automaticamente maior projecção mediática mas menor propensão para prémios como teve em 'Silver Linings Playbook' ou 'American Hustle'; neste caso não o merecia, mas não há dúvidas que Jennifer é Katniss, da cabeça aos pés); praticamente todas as falas de Woody Harrelson como Haymitch acrescentam valor à acção; potente a forma como Lawrence dá voz ao poema ('The Hanging Tree') que o seu pai lhe cantara; os minutos finais do filme deixam antever o quanto se entregou a este papel Josh Hutcherson, embora pudesse ser interessante na Parte II assistir-se, num flashback, à sua evolução de Peeta até àquele ponto.

    Em Novembro de 2015 teremos a aventura final de Katniss Everdeen. Certamente mais um recordista de bilheteiras, que vai encher mais o olho e a alma do que a Parte I, e que manterá Jennifer Lawrence como um dos maiores ícones do Cinema actual. Quanto a Jennifer, e depois de um ano em que ela nos deu tanto (sim, isto é um piada que contém nudez), poderão esperá-la de regresso às listas de nomeados apenas nos Óscares de 2016, no seu próximo trabalho com David O. Russell, intitulado 'Joy'.

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 13

Fantasy Premier League - Mais Premier League, mais espectáculo. Este fim-de-semana teremos a última jornada antes da competição entrar no seu habitualmente frenético e apaixonante mês de Dezembro (durante o qual se jogarão 6 jornadas). Entre Sábado e Domingo há vários jogos de qualidade, com destaque para o Southampton-Manchester City e o Tottenham-Everton, ambos dia 30.

    Na 12.ª jornada os craques ficaram abaixo das expectativas e não houve nenhum jogador a atingir uma pontuação monstruosa. Eriksen, na reviravolta do Tottenham em casa do Hull, foi o jogador mais pontuado com o médio dinamarquês a juntar um bónus 3 a 1 golo e 1 assistência. Danny Ings, Dwight Gayle e Eden Hazard também estiveram em grande, destacando-se ainda Bolasie, Sissoko e a prestação defensiva do Sunderland na visita a Leicester. Entre as nossas 5 apostas principais, apenas Clyne e Oscar realizaram uma jornada decente, o que foi francamente negativo, mesmo tendo apontado também como possível o regresso do melhor Yaya Touré.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Já sabem que, como habitualmente, tentamos fugir a alguns clichés (neste caso Hazard, Diego Costa, Alexis Sánchez e Di María, embora o último esteja a perder esse estatuto) e por isso, estes são alguns dos jogadores que poderão ter uma boa jornada:

 Wilfried Bony - Swansea - 8.2

    É difícil ignorar o calendário do Swansea. Os swans, num 7.º lugar mas a apenas 2 pontos do 4.º (e igualmente a 1 ponto do 10.º, o que demonstra o equilíbrio na Premier) têm estado bem e no conjunto dos próximos 4 jogos terão 3 deles no País de Gales. Contra Crystal Palace (veremos se a vitória contra o Liverpool será um catalisador significativo ou não), QPR e Tottenham o Swansea tem boas hipóteses de conseguir uma boa sequência mas para isso precisará de golos. E é de golos que vive Wilfried Bony. O ponta de lança da Costa do Marfim tem 5 golos marcados - naturalmente ainda bastante abaixo dos 17 golos apontados no ano passado, marca que pode melhorar - e será o principal perigo para a baliza de Speroni. Para além de Bony, há vários outros cisnes com capacidade para fazer a diferença neste fim-de-semana: Gylfi Sigurdsson (6.8) e Jefferson Montero (5.7) surgem logo à cabeça, havendo ainda Nathan Dyer.


 Raheem Sterling - Liverpool - 8.4

    O prodígio inglês, um dos jogadores mais prometedores da actualidade, começou a Premier League num ritmo estonteante - 3 golos marcados nos primeiros 5 jogos. No entanto, desde aí - à imagem da sua equipa, e ressentindo-se da ausência de Sturridge - Sterling tem estado longe do que pode dar, conseguindo 3 assistências no conjunto das últimas 7 jornadas, e alcançando neste intervalo de tempo 7 pontos como pontuação máxima numa jornada. Na Champions, diante do Ludogorets, vimos Raheem Sterling de volta ao seu melhor nível, endiabrado e com alto impacto e envolvimento no jogo. É assim que Anfield espera ver o seu craque neste Sábado. O Liverpool precisa de se encontrar, de renascer das cinzas chamadas Suárez, de reconstruir a sua identidade (Lallana e Markovic poderiam ser peças importantes nesse sentido), Sturridge só voltará em 2015 e por isso os reds urjam em pontuar - Rickie Lambert (6.9) será em princípio titular e poderá ter nova oportunidade para ganhar pontos a Mad Mario.


 Kieran Trippier - Burnley - 4.8

    Apostar num defesa do Burnley é sempre um risco elevado uma vez que estamos a falar do penúltimo classificado da liga inglesa. Em todo o caso, tratando-se de Kieran Trippier o risco torna-se um pouco mais calculado. O melhor lateral direito do Championship em 2013/ 14 tem-se começado a soltar finalmente e, com Danny Ings (5.7) a aparecer, torna-se bem mais provável que faça assistências visto que conhece as suas movimentações como ninguém. Contra o Aston Villa uma clean sheet é possível e, caso isso não aconteça, Trippier tentará fazer a sua parte no outro lado do campo.

 Wayne Rooney - Manchester United - 10.3

    No Arsenal-Manchester United da jornada passada poder-se-ia dizer que, pela 1.ª vez em muito tempo, o Arsenal partia como favorito num clássico entre estas 2 equipas. No final dos 90 minutos houve vitória inesperada de um super-defensivo United que soube explorar o erro, e Wayne Rooney marcou o golo que acabou por dar a vitória aos red devils. O capitão da equipa de van Gaal, e também de Inglaterra, está confiante, tem-se sacrificado e muito pela equipa (o que por um lado o torna menos fiável em termos de Fantasy, ao aparecer menos em zonas de finalização) e está atrás de vários recordes. Este Sábado há M.United-Hull em Old Trafford e o público da casa só sairá satisfeito com uma vitória - para além de Rooney, Ángel Di María (10.0) tem neste jogo - e na sequência de jogos favorável - a oportunidade de reerguer o seu valor no Fantasy, recuperando números individuais mais significativos.

 Charlie Austin - QPR - 5.9

    A lesão do brasileiro Sandro poderá afectar a dinâmica do QPR no próximo mês mas, com um QPR-Leicester neste fim-de-semana, é difícil não apontar o inglês Charlie Austin como um forte candidato a fazer golos. A equipa de Londres tem alguns jogadores em dúvida (Vargas, nomeadamente) mas precisará de Austin caso queira derrotar o Leicester num jogo que opõe o 20.º classificado e o 18.º. Fer ou Kranjcar terão que estar em dia sim na construção, mas é Austin, já com 6 golos (tendo marcado a Chelsea, Manchester City e Southampton), que terá nos seus pés e na sua cabeça a responsabilidade de decidir o encontro.


Outras Opções:
Guarda-Redes: Embora Fabianski e Courtois sejam claros candidatos a terminar os seus jogos sem golos sofridos, fiquem atentos às prestações de Tom Keaton (4.5) e David De Gea (5.4), nos jogos de Burnley Manchester United respectivamente. 

- Defesas: A capacidade defensiva do Liverpool está longe de tranquilizar alguém, Southampton e City jogam entre si, por isso os olhares recaem em Branislav Ivanovic (7.2) e Paddy McNair (4.4), embora não seja certa a titularidade do jovem no centro da defesa do United. O Newcastle é bem capaz de marcar no terreno do West Ham mas, ainda assim, Aaron Cresswell (5.4) tem estado em clara evidência nos jogos dos hammers.

- Médios: O rumo do Southampton-Manchester City vai passar muito pelo jogo que Yaya Touré (10.6) fizer. Allardyce tem muitas dúvidas em termos físicos no meio-campo do West Ham e nesse sentido poderá ser Christian Eriksen (7.8) a dar sequência ao seu bom momento de forma. É difícil prever que rumo terá o Tottenham-Everton, tal como o West Ham-Newcastle. Claro que Hazard, Alexis e Fábregas são casos, jornada após jornada, em que é proibitivo não os considerar.

Avançados: Ok, Kun Agüero (12.7) visita a melhor defesa do campeonato (Southampton). Isso joga contra o argentino. A favor dele joga o facto de ter marcado 17 golos em 14 jogos nesta época, em todas as competições. E, claro, aquele hat-trick frente ao Bayern. Já mencionámos vários nomes (Bony, Rooney, Austin, Lambert e Ings) como avançados potencialmente bons para esta jornada, por isso ficamos por aqui.

Boas apostas, e não fiquem ligados ao melhor futebol da Europa, na Premier League. Até para a semana!

26 de novembro de 2014

Real Madrid perto do pleno, Mónaco condena Benfica; Atlético, Arsenal e Leverkusen nos oitavos

 Champions League - Na quarta-feira que ditou o fim de competições europeias para o Benfica (ainda com uma jornada por decorrer), as emoções foram menores do que ontem e apenas num campo - na Bulgária - houve golos dos 2 lados. O Mónaco surpreendeu, venceu em Leverkusen e condenou o Benfica ao 4.º lugar do seu Grupo; Arsenal e Atlético Madrid garantiram a presença nos oitavos da competição. O Real Madrid chegou às 5 vitórias em 5 jogos, o Liverpool voltou a desiludir e o Anderlecht garantiu um lugar na Liga Europa.

Basel 0 - 1 Real Madrid (Cristiano Ronaldo 35')

    Na Suiça o Real Madrid conseguiu hoje a 5.ª vitória em 5 possíveis e o seu domínio (15 pontos contra 6, 6 e 4) no Grupo B é cada vez mais evidente. Os merengues, campeões europeus, recebem na última jornada o Ludogorets e poderão chegar ao pleno de pontos. No jogo de hoje, o Basel de Paulo Sousa deu uma excelente réplica ao Real e até merecia, eventualmente, 1 ponto. O golo que decidiu o encontro chegou através do suspeito do costume, Cristiano Ronaldo, que com a sua habitual fome de marcar (e uma boa movimentação) correspondeu a um cruzamento inteligente de Benzema. Entendimento perfeito entre dois jogadores que sempre comunicaram bem, e Ronaldo a igualar Raúl com 71 golos. Os suiços nunca desistiram de chegar ao empate, com Zuffi a revelar qualidade com bola e Embolo (nascido em 1997) a voltar a deixar bons pormenores, mas o 1-0 manteve-se, e Cristiano Ronaldo ainda rematou ao poste. O Grupo B reserva um espectacular Liverpool-Basel para a última jornada.
Barba Por Fazer do Jogo: Cristiano Ronaldo (Real Madrid)

Ludogorets 2 - 2 Liverpool (Dani Abalo 3', Terziev 88'; Lambert 8', Henderson 37')

    Brendan Rodgers surpreendeu bastante na Bulgária, e quase colheu frutos. O treinador britânico, pela positiva, lançou Lambert e não Balotelli, mas apostou num meio-campo com Lucas Leiva, Allen, Gerrard e Henderson - demasiado respeito por um perigoso e corajoso Ludogorets, custando ver Lallana ou Coutinho no banco. A coisa não começou famosa para os reds porque Mignolet decidiu defender um remate para a frente e oferecer a vantagem a Dani Abalo. No entanto, a reviravolta chegou ainda na 1.ª parte - primeiro marcou Lambert um golo peculiar, e Henderson fez o 2-1 após excelente cruzamento de Sterling. Na 2.ª parte o Liverpool geriu a vantagem, apenas fez uma substituição (Sterling por Moreno) e aos 88' chegou o prémio para a alma búlgara - Terziev marcou numa bola parada e atirou as decisões para a última jornada.
    Neste momento o 2.º lugar pertence ao Basel, com 2 pontos de vantagem sobre Liverpool e Ludogorets e revelando uma especial apetência contra equipas inglesas nos últimos anos, mas Anfield esperará que surja o melhor Liverpool no muito aguardado Liverpool-Basel.
Barba Por Fazer do Jogo: Raheem Sterling (Liverpool)

Bayer Leverkusen 0 - 1 Mónaco (Ocampos 72')

    A vitória do Zenit frente ao Benfica qualificou o Leverkusen mas os comandados de Roger Schmidt tinham um 1.º lugar para garantir. Em Leverkusen, onde o Benfica foi dominado, a equipa alemã foi superior mas falhou em materializar a sua maior qualidade. O Mónaco voltou a demonstrar que defende bem (em 5 jornadas sofreu apenas 1 golo, curiosamente na Luz) e decidiu o jogo aos 72 minutos num lance iniciado pela técnica de Berbatov, com Dirar a cruzar tenso para Ocampos concretizar. A vitória monegasca, numa equipa de Leonardo Jardim que soma 8 pontos com apenas 2 golos marcados, atirou o Mónaco para o 2.º lugar e na última jornada decidirá quem faz companhia ao Leverkusen em sua casa no Mónaco-Zenit, duelo entre Jardim e Villas-Boas.
Barba Por Fazer do Jogo: Lucas Ocampos (Mónaco)

Arsenal 2 - 0 Dortmund (Sanogo 2', Alexis Sánchez 57')

    O esquizofrénico Dortmund (em zona de descida na Bundesliga e com o 1.º lugar quase certo na Champions) perdeu no Emirates Stadium, num jogo em que faltaram várias estrelas - Reus, Hummels, Wilshere, Walcott, Özil ou Koscielny, embora o leque seja bastante mais vasto. As emoções começaram bem cedo com Sanogo, assistido por Cazorla, a inaugurar o marcador. Yaya Sanogo provou que Wenger pode contar com ele, e Sanogo provou que pode marcar a outras equipas para além do Benfica. O jogo foi rápido e bem disputado mas Alexis Sánchez foi sempre o elemento mais. O chileno voltou a ser destaque e fechou o resultado num excelente remate cruzado. O resultado desta noite qualificou o Arsenal, mas o Dortmund deve conseguir segurar o 1.º lugar desde que vença na última jornada o Anderlecht.
Barba Por Fazer do Jogo: Alexis Sánchez (Arsenal)


Anderlecht 2 - 0 Galatasaray (Mbemba 44' 86')

    Embora o Arsenal-Dortmund roubasse atenções no Grupo D, o Anderlecht-Galatasaray tinha a Liga Europa como farol. O Galatasaray tem acumulado prestações decentes nos últimos anos de Champions mas este não é definitivamente o ano dos turcos. Na Bélgica e junto do seu público o Anderlecht venceu sem espinhas, acabou a jogar contra 10, e os 2 golos foram marcados por Chancel Mbemba. O jovem central congolês de 20 anos, Chancel Mbemba Mangulu, bisou e colocou a sua equipa na Liga Europa.
Barba Por Fazer do Jogo: Chancel Mbemba (Anderlecht)

Atlético Madrid 4 - 0 Olympiacos (Raúl García 9', Mandzukic 38' 62' 65')

    O vice-campeão europeu também já comprou bilhete para os oitavos-de-final, e podemos esperar novos embates épicos e intensos da equipa de Diego Simeone na fase a eliminar. O Atlético goleou o Olympiacos (que ainda guarda uma ligeira esperança de se qualificar) e a vitória começou numa ajuda de Roberto. Já ninguém tem dúvidas: Roberto ou faz exibições para emoldurar a capa de jornal ou exibições para rasgar a capa de jornal. O guardião espanhol ofereceu a bola, numa típica desconcentração e proporcionou o 1-0 de Raúl García. O resto foi o espectáculo Mario Mandzukic com o ponta de lança croata a amealhar um hat-trick, servido por Ansaldi, Arda Turan e Gabi. Mandzukic, fortíssimo no jogo aéreo, não é Diego Costa mas vai encaixando cada vez melhor no esquema deste Atleti.
Barba Por Fazer do Jogo: Mario Mandzukic (Atlético Madrid)

Malmö 0 - 2 Juventus (Llorente 49', Tévez 88')

    No outro jogo do Grupo do Atlético Madrid, a Vecchia Signora conseguiu realizar uma exibição decente. Com o futebol dos italianos assente na qualidade de Vidal e Pogba, foram os avançados (Llorente e Carlos Tévez) a concretizarem as oportunidades. Uma vitória que deixa a Juventus a 1 ponto de se qualificar, e a jornada final reserva um Juventus-Atlético Madrid.
Barba Por Fazer do Jogo: Arturo Vidal (Juventus)

Zenit 1-0 Benfica: Encarnados fora da Europa

Zenit    1 - 0    Benfica (Danny 79')

    O Benfica está oficialmente fora das competições europeias após ter perdido por 1-0 frente ao Zenit. Os encarnados apresentaram uma consistência defensiva muito boa, mas uma substituição arriscada de Jorge Jesus acabou por deitar tudo a perder.
    A primeira parte não teve muita história, apesar do árbitro Nicola Rizzoli ter feito por isso ao mostrar 6 cartões amarelos na primeira metade do encontro. Cada falta feita era sancionada com cartão amarelo. Tanto para um lado, como para o outro. Com um Benfica tão bem organizado tinha que ser o sempre desestabilizador Hulk a abanar com o jogo. Um livre directo à entrada da área colocou à prova Júlio César que não agarrou à primeira e teve que fazer uma mancha de bom nível para negar o golo a Rondón. André Almeida vinha a crescer no jogo ao negar constantes arrancadas a Hulk e o Benfica quase chegou ao golo no fim do primeiro tempo com um lance nascido do seu lado. Gaitán arrancou com a bola deixando vários adversários para trás, virou para o flanco contrário onde Salvio - com uma boa recepção - ficou numa boa posição para marcar, mas teve em Yuri Lodygin uma barreira intransponível.
    As águias necessitavam de assumir o jogo e foi isso que fizeram na segunda parte. Gaitán e Salvio tomavam as rédias atacantes. Apesar do esforço, um talento só - normalmente - não resolve sozinho. Faltava apoio aos dois artistas encarnados. O Benfica quase marcou por intermédio de Luisão. Contudo, o capitão encarnado ao invés de ter reinventado o lance em White Heart Lane, atirou para a linha lateral. O central brasileiro surgiu isolado na grande área a passe de cabeça de André Almeida, mas acabou por desperdiçar a oportunidade de se colocar em vantagem. E já que falamos em desperdícios, logo a seguir surgiu outro. Nico Gaitán ganhou a Anyukov no lado esquerdo, centrou tenso e rasteiro à porta da baliza, mas nenhum jogador encarnado se disponibilizou para empurrar o esférico para dentro da baliza. O Zenit respondeu prontamente através de uma arrancada endiabrada de Danny. O internacional português fez uma diagonal da esquerda para o centro servindo Hulk, mas André Almeida encarregou-se de fazer um corte magistral mesmo quando o brasileiro se preparava para rematar. O jogo estava a ficar interessante até que Jorge Jesus decidiu dar um tiro no pé tirando Talisca e colocando Derley. O mais indicado seria a troca por troca com a saída de Lima, mas o treinador português optou pelo risco. E deu-se mal. O Zenit começou a dominar o meio campo e o golo surgiria pouco depois. Shatov trabalhou bem na esquerda, deu para Hulk e o brasileiro disparou um cruzamento venenoso para a área encarnada onde Danny aproveitou da melhor maneira a apatia de Samaris. Jesus ainda fez lançar Ola John, mas o mal estava feito. Ainda houve tempo para a expulsão de Luisão, mas para o golo do empate não houve.
    De destacar a exibição de André Almeida que parou muitas vezes as investidas de Hulk. Um jogo perfeito do polivalente encarnado que muitas vezes tem visto a sua qualidade posta em causa pela opinião pública. Enzo Peréz também se apresentou a muito bom nível e Gaitán e Salvio fizeram o que puderam. Do lado russo, Danny foi o homem do jogo. Desequilibrou sempre, fez jogar e acabou por decidir o jogo com uma desmarcação e finalização que não é para todos. Hulk também foi importante nas transições ofensivas, embora tenha encontrado em André Almeida uma barreira que talvez não esperasse. Garay mostrou mais uma vez que é um dos melhores centrais do momento e Witsel apresentou-se novamente em grande nível.


Barba Por Fazer do Jogo: Danny (Zenit)
Outros Destaques: Hulk, Garay, Witsel; André Almeida, Enzo, Gaitán, Salvio.

25 de novembro de 2014

Sporting 3-1 Maribor: Com Nani nunca falta a electricidade

Sporting  3-1  Maribor (Mané 10', Nani 35', Slimani 65'; Jefferson a.g. 42')

    Nem uma falha na iluminação do estádio adiou o inevitável: o Sporting venceu o Maribor e ultrapassou o Schalke 04. Numa situação normal a equipa leonina estaria esta noite a comemorar o acesso aos oitavos-de-final (cenário justo), mas a arbitragem no jogo da Alemanha entre Schalke e Sporting levou a que só na 6.ª jornada haja fumo branco. Uma coisa é certa: na Europa o Sporting fica.
    Depois do excelente 4-2 diante do Schalke, o Sporting sabia que hoje tinha que vencer, e não perdoou. Os leões tiveram uma entrada forte e conseguiram resultados cedo - Jefferson cruzou para a área e Carlos Mané (hoje escolhido por Marco Silva para titular em detrimento de Carrillo) colocou o Sporting em vantagem. A equipa verde-e-branca manteve o pé no acelerador e, ao ritmo de Nani, continuou com um futebol objectivo, intenso, pressionando alto e circulando com velocidade. Foi aos 35' que chegou o momento alto do jogo - Mané deu a bola a Nani e depois foi talento, foi arte, foi magia, inquietude e um golo para os adeptos do Sporting emoldurarem. O extremo do Sporting, que brilha sempre que descai para terrenos interiores, fez o que quis dos eslovenos na grande área do Maribor, "sentou" quem quis sentar, e fuzilou para o 2-0, sendo-lhe o seu egoísmo perdoado por todos os colegas. Tudo estava a correr bem mas o intervalo não chegou sem um momento negativo antes - Mejac (não) foi apanhado em excesso de velocidade no flanco esquerdo e cruzou para um desvio infeliz de Jefferson.
    Os segundos 45 demoraram e muito a iniciar-se, graças a uma falha na iluminação. Os jogadores tiveram tempo para reaquecer, e o jogo recomeçou com Nani a ser alvo de uma entrada ríspida, e com William Carvalho a mostrar o que tem sido claro - está muito abaixo do nível de 13/ 14. O Sporting demorou alguns minutos a reencontrar-se mas, quando o conseguiu, Handanovic não mais teve descanso. Slimani assustou o guardião do Maribor e pouco depois sentenciou o jogo. João Mário cruzou para Nani, o número 77 conseguiu apenas manter a bola jogável mas isso foi o suficiente para Islam Slimani aproveitar e finalizar com qualidade. 3-1 feito, tranquilidade e alegria em Alvalade. Até ao fim só deu Sporting, com Handanovic a evitar o golo de João Mário e de William, e com Nani a colocar sempre a defesa contrária em sentido.

    Em condições normais o Sporting estaria por esta altura qualificado, mas veremos o que reserva aos leões a última jornada. É certo que o Sporting depende apenas de si, só que esse "apenas" consiste em deslocar-se a Stamford Bridge. Dificilmente José Mourinho será amigo, embora possa eventualmente colocar algumas segundas escolhas, e por isso o Maribor-Schalke terá também importância para o Sporting.
    Hoje a vitória foi incontestável. Nani voltou a ser a figura-maior, iluminando o caminho e inspirando colegas para mais um degrau escalado na Champions. Paulo Oliveira, Mané e Slimani estiveram todos em bom plano, e pelo menos a Liga Europa já ninguém retira ao Sporting.


Barba Por Fazer do Jogo: Nani (Sporting)
Outros Destaques: Paulo Oliveira, Carlos Mané, Slimani; Handanovic

Agüero salva City, Messi faz História outra vez, Chelsea goleia e Athletic ajuda Porto

  Champions League - O primeiro dia da penúltima jornada da fase de grupos da Champions teve grandes jogos, goleadas e decisões nos minutos finais. Depois de ter igualado Raúl González, Lionel Messi tornou-se o melhor marcador de sempre da Champions; o Manchester City esteve perto de dizer adeus à liga milionária mas deve estar grato aos deuses por ter Agüero. Chelsea e Barcelona golearam e Mikel San José deu o 1.º lugar ao Porto, na vitória do Athletic na Ucrânia

Manchester City 3 - 2 Bayern Munique (Agüero (pen.) 22' 85' 90'; Xabi Alonso 40', Lewandowski 45')

    O jogo grande desta 3.ª feira fez jus ao destaque. Em Manchester os citizens não puderam contar com Silva, Dzeko, Yaya Touré e Fernandinho mas as coisas até começaram bastante bem - Benatia foi expulso por derrubar Agüero na grande área e o argentino converteu a grande penalidade, embora Neuer tenha adivinhado o lado. A vencer por 1-0 e contra dez tudo parecia bem encaminhado para o City, só que do outro lado estava o Bayern. A equipa de Guardiola estancou as investidas da equipa da casa e até ao intervalo virou o resultado, mesmo com uma unidade: Xabi Alonso empatou num livre directo rasteiro e Lewandowski intrometeu-se entre os centrais e cabeceou com engenho para a reviravolta.
    Na segunda parte o Bayern manteve a bravura e organização, mas a estratégia caiu por terra nos minutos finais, com o Manchester City a ser salvo pelo seu diabo e génio maior: Kun Agüero. O avançado argentino empatou o jogo depois de uma cavalgada de meio-campo finalizada com serenidade, e operou a reviravolta final (que mantém a esperança do City na qualificação) após um erro de Boateng. 5 golos em 5 jogos para Agüero na Champions, e o Grupo E segue para a última jornada com o Bayern isolado e qualificado no 1.º lugar, e as 3 restantes equipas todas com 5 pontos. Na teoria, deve sair do Roma-Manchester City o segundo qualificado.
Barba Por Fazer do Jogo: Kun Agüero (Manchester City)

CSKA Moscovo 1 - 1 AS Roma (Berezustki 90'; Totti 43')

    No jogo que se jogou à hora do BATE-Porto, o CSKA, que nas últimas 2 jornadas tinha feito 4 pontos nos dois jogos frente ao City, voltou a roubar pontos. A equipa romana chegou à vantagem aos 43 minutos numa "bomba" de Francesco Totti, o eterno capitão da Roma, de livre directo. A vitória parecia certa - e colocava a Roma em excelente posição para se qualificar - mas no período de compensação surgiu um golo do central Vasili Berezutski, assistido por Eremenko. Quem fica em 2.º, quem segue para a Liga Europa e quem dirá adeus às competições europeias: tudo se decide a 10 de Dezembro.
Barba Por Fazer do Jogo: Vasili Berezustki (CSKA Moscovo)

APOEL 0 - 4 Barcelona (Suárez 27', Messi 38' 58' 87')

    Em Chipre houve uma estreia e muita História. O Barcelona goleou o APOEL por 4-0 e Luis Suárez estreou-se a marcar pelos blaugrana. Com 27 minutos jogados o uruguaio fez o seu 1.º golo pelos catalães com a sua qualidade técnica a vir ao de cima. O resto resumiu-se em 2 palavras: Lionel Messi. Poucos dias depois de se tornar o máximo goleador na História da liga espanhola, o craque argentino - que já tinha igualado Raúl como melhor marcador da Champions - isolou-se, com um hat-trick. Aos 38, 58 e 87 minutos Lionel Messi revelou o oportunismo e rapidez de pensamento que também o caracterizam, e "picou" Ronaldo que certamente amanhã quererá aproximar-se do saudável rival. Messi chegou aos 7 golos em 5 jogos, mas o seu Barcelona ainda está atrás do PSG.
Barba Por Fazer do Jogo: Lionel Messi (Barcelona)

PSG 3 - 1 Ajax (Cavani 33' 83', Ibrahimovic 79'; Klaassen 67')

    O 1.º classificado do Grupo F manteve o seu estatuto, mas sofreu até ao fim. Com algumas baixas de peso (Thiago Motta, Thiago Silva e Cabaye) o golo inaugural foi de Cavani, a receber uma oferenda do colega Lavezzi. O empate chegou na 2.ª parte com 2 prodígios holandeses, Kishna e Klaassen, a construírem o golo. Ainda assim, o PSG "carregou" e nos 11 minutos finais Ibrahimovic e Cavani marcaram e deram a vitória à equipa de Paris. Na última jornada há Barcelona-PSG para decidir quem ocupa o 1.º e 2.º lugares. Ajax e APOEL disputarão um lugar na Liga Europa.
Barba Por Fazer do Jogo: Edinson Cavani (PSG)


Schalke 04 0 - 5 Chelsea (Terry 2', Willian 29', Kirchhoff a.g. 44', Drogba 76', Ramires 78')

    O Chelsea de José Mourinho já estava qualificado e também já tem o 1.º lugar para si no grupo do Sporting. Os londrinos deslocaram-se à Alemanha, tendo pela frente Roberto Di Matteo, timoneiro do Chelsea aquando da vitória na Champions 11/ 12. O jogo teve essencialmente um sentido, os números foram expressivos, e Fährmann e Kirchhoff também não ajudaram. A goleada iniciou-se com John Terry a cabecear logo aos 2' para golo, Willian ampliou aos 29 após combinação com Hazard, e o 3-0 chegou num auto-golo caricato de Kirchhoff. As emoções ressurgiram na 2.ª parte quando Drogba entrou - o costa-marfinense marcou aos 76' graças ao altruísmo de Willian, e ele próprio cruzou picado para o 5-0 final, fruto de um cabeceamento de Ramires.
Barba Por Fazer do Jogo: Willian (Chelsea)

Shakhtar Donetsk 0 - 1 Athletic (San José 68')

    Depois de ganhar por 7-0 e 5-0 ao BATE, o Shakhtar, embora já qualificado para os oitavos, podia ter adiado as decisões relativas ao 1.º lugar mas vacilou. O Athletic, que desiludiu nesta fase de grupos, ganhou no recinto de Luiz Adriano, Douglas Costa e companhia, com um golo de Mikel San José a fazer a diferença. O Shakhtar ficou, não obstante, com razões de queixa da arbitragem de Mark Clattenburg, que não assinalou um lance de grande penalidade evidente.
Barba Por Fazer do Jogo: Beñat Etxebarria (Athletic)

BATE 0-3 Porto: Herrera quebrou o gelo

BATE Borisov  0-3  Porto (Herrera 56', Jackson Martínez 65', Tello 89')

    Não goleou por números tão expressivos como na primeira volta, só marcou os seus golos na 2.ª parte, mas o Porto - já qualificado para os oitavos-de-final antes deste jogo - conseguiu mais 3 pontos no Grupo H da Champions, alicerçados numa super-exibição do mexicano Herrera, e uma maturidade e eficácia colectiva dignas dos grandes palcos do futebol europeu. Com a vitória desta tarde o Porto garante ainda uma fase de grupos sem derrotas fora (ganhou em Bilbao e empatou na Ucrânia) e depende apenas de si próprio para segurar o 1.º lugar, que até pode ficar já certo caso o Shakhtar não ganhe ao Athletic.
    Lopetegui, que com o evoluir do tempo tem passado a estabilizar de uma forma geral o seu 11, colocou Quaresma a titular e apostou em Marcano ao lado de Martins Indi, não arriscando a condição física de Maicon. Com 6 graus negativos na Bielorrússia, o Porto assumiu o jogo mas cedo percebeu o que teria pela frente - poucos espaços concedidos por uma equipa que não queria repetir as valentes doses que Porto e Shakhtar já lhe tinham imposto, e muita pressão sobre o portador da bola azul-e-branco. O mau estado do relvado também castigou os dragões, com o virtuosismo técnico de Brahimi, Óliver ou Quaresma a ficar prejudicado. E a 1.ª parte lá se passou, apenas com um livre de Brahimi a tentar aquecer o gelo, de temperatura e de ideias.
    Na 2.ª parte chegaram os golos e o teimoso 0-0 desfez-se aos 56' com um golaço de Herrera, o homem do jogo. Casemiro recuperou uma bola em zona avançada, deu para o mexicano e Herrera rematou forte e em arco para um grande golo. Chernik podia ter feito mais, o que ainda assim não retira mérito a Herrera. A perder por 1-0 o BATE nem por isso se soltou muito mais, e o 2.º golo chegou 9 minutos depois - começou em Herrera a descobrir Brahimi, o argelino devolveu a bola ao mexicano e o camisola 16 temporizou e segurou antes de colocar a bola a jeito para Jackson Martínez colocar no fundo das redes. Com o jogo controlado Lopetegui foi refrescando a equipa - trocou Quaresma e Brahimi por Adrián e Tello - e os minutos finais tiveram Tello e Herrera como protagonistas. O extremo espanhol cruzou com perfeição uma bola à qual Herrera não conseguiu chegar, mas logo depois foi Herrera com um brilhante passe de ruptura a explorar a velocidade de Cristian Tello. O espanhol, emprestado pelo Barcelona, não vacilou e ditou o 3-0 final.

    Os dragões cumpriram e deram mais um passo rumo a um importante objectivo - o 1.º lugar do grupo. Contra a equipa mais batida desta fase de grupos os golos só chegaram na 2.ª parte mas tiveram um denominador comum - Héctor Herrera, que marcou 1 e fez 2 assistências. O mexicano foi um faz-tudo, ressuscitando o nível que apresentou no Mundial 2014, mas juntando números e um impacto directo no resultado. Caso o Shakhtar perca ou empate com o Athletic o Porto ficará com o 1.º lugar garantido; em caso de vitória dos ucranianos, a decisão fica adiada para a derradeira jornada, com o Porto a ter o factor-casa a seu favor.


Barba Por Fazer do Jogo: 
Héctor Herrera (Porto)
Outros Destaques: Gordeychuk; Danilo, Casemiro, Tello, Jackson Martínez

21 de novembro de 2014

Crítica: Nightcrawler

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Dan Gilroy
Argumento: Dan Gilroy
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Riz Ahmed, Bill Paxton
Classificação IMDb: 7.9 | Metascore: 76 | RottenTomatoes: 95%
Classificação Barba Por Fazer: 81

    O valor de uma notícia em 1.ª mão, o backstage de uma estação televisiva e, acima de tudo, uma intensa e inquietante interpretação de Jake Gyllenhaal enquanto Louis 'Lou' Bloom. Este é o sumo de Nightcrawler.
    Realizado e escrito por Dan Gilroy, Nightcrawler (Repórter na Noite, nas salas de cinema portuguesas) traz ao de cima o melhor de Jake Gyllenhaal que, mesmo depois deste filme, ainda continua a ter em Donnie Darko a sua personagem mais emblemática. Nightcrawler arranca com Louis Bloom a obter o relógio de um homem, numa metáfora implícita - Bloom, obstinado, determinado e ambicioso, consegue aquilo que quer. E, durante quase 2 horas, percebemos que não olha a meios para atingir os seus fins.
    Nightcrawler dá-nos Louis Bloom, um homem peculiar e à procura de trabalho, que encontra na noite, de câmara na mão, a resposta para as suas necessidades. Bloom quer subir na vida e, de forma independente como repórter freelancer - embora a dada altura conte com um estagiário, Rick (Riz Ahmed) -, procura ser o 1.º a chegar aos locais de crimes nocturnos, captando as imagens em 1.ª mão e vendendo-as à TV. Na sua escalada para o sucesso, Bloom, o homem que diz entender as pessoas mas apenas não gostar delas, encontra em Nina (Rene Russo) o seu ponto de contacto com o mundo televisivo, numa ambição conjunta que envolverá chantagens e estranhas e perigosas ligações.

    Nightcrawler tem falhas: não é um filme 100% fácil para o espectador, pecando em certa medida na realização e na própria banda sonora e fotografia. Mas o problema até acaba por ser o Argumento - embora o conceito seja excelente, a personagem de Lou Bloom magnificamente bem pensada e estruturada, o argumento parece curto para o potencial que o filme tinha. Fica a ideia que podíamos estar perante um futuro filme de culto, um filme para se bater com Gone Girl como o policial/ thriller do ano, mas fica-se pelo quase. Quase uma obra-prima moderna.
    Não obstante, há várias coisas boas. A ideia de Dan Girloy foi boa (provavelmente o filme merecia um realizador diferente, como Nicolas Winding Refn, Rian Johnson, Denis Villeneuve ou David Fincher, para ser potenciado) e Jake Gyllenhaal aguenta o filme por si só. Gyllenhaal, pouco elogiado pelo seu Donnie Darko quando tinha 21 anos, tem em Louis Bloom o seu 2.º melhor papel. Até aqui, em filmes como Zodiac, Prisoners, End of Watch, Máquina Zero ou Brokeback Mountain, pareceu sempre faltar algo, o papel certo. Este Louis Bloom, que deixa Gyllenhaal pelo menos na tômbola de nomes a considerar para o óscar de melhor actor, é manipulador, impiedoso, muito ambicioso e focado, calculista. Criminoso, na sua própria maneira de ser. O mérito de Gyllenhaal estende-se em várias coisas: no olhar dilatado de Bloom, na sua cena ao espelho, e na forma como conduz vários diálogos em que introduz os conhecimentos que vai obtendo. Parece não ter sentimentos e ter apenas objectivos, e o desempenho de Gyllenhaal prima também na forma subtil como influencia e ameaça - a relação com Rick (o desconhecido Riz Ahmed) funciona bem no grande ecrã, mas a estranha e promiscua relação com Nina soa estranha.

     Sumariamente, críticas e elogios para Dan Gilroy. Só elogios para Jake Gyllenhaal. O primeiro teve o brutal mérito de criar 'Nightcrawler' mas a guitarra que concebeu merecia outros dedos para ser tocada. Fica, aliás, a ideia de que falta uma corda, aquela capaz de fazer o filme emitir o som perfeito e ecoar na eternidade. Já Gyllenhaal, até poderá não constar nos 5 nomeados finais para óscar de melhor actor (quer pela Academia, quer aqui no Barba Por Fazer) mas pelo menos nos 10 mais prováveis estará garantidamente.

20 de novembro de 2014

Dicas Fantasy Premier League - Jornada 12

Fantasy Premier League - Bem-vindos a mais uma antevisão da próxima jornada da liga inglesa. Enquanto que por cá se jogará a taça de Portugal, o fim-de-semana em Inglaterra é de campeonato. Três dias de futebol (porque o A.Villa-Southampton será jogado na noite de segunda-feira) ao mais alto nível e com um Arsenal-Manchester United a chamar a si as maiores atenções.

    Os 2 jogadores mais pontuados na jornada anterior foram defesas do Newcastle - Janmaat assistiu por 2 vezes, Coloccini marcou um bom golo de cabeça, ambos não sofreram no campo do WBA e conseguiram 15 e 14 pontos respectivamente. A 11.ª foi também uma excelente jornada para Agüero (bisou diante do QPR, embora o City tenha vacilado colectivamente, empatando 2-2) e para Shane Long que, em 23 minutos, resolveu o jogo e deu mais uma vitória ao Southampton. Trippier, Chadli ou Baines foram também jogadores que realizaram uma jornada interessante.
(Podem-se juntar à Liga Barba Por Fazer: Código - 2019364-449247)

Fugindo aos clichés Diego Costa, Agüero e Hazard (menos cliché), todos eles naturalmente boas opções para esta jornada e para todas as outras, aqui ficam alguns jogadores que se poderão destacar:

 Ayoze Pérez - Newcastle - 4.9

    O jogador revelação da II Divisão Espanhola já está a dar que falar na Premier League. Ayoze, alegadamente cobiçado pelo Porto no último defeso, demorou a conseguir o seu espaço no ataque do Newcastle mas ultimamente tem sabido aproveitar as oportunidades que Pardew lhe concedeu, tendo marcado 1 golo em cada um dos últimos três jogos. A evolução de Ayoze coincidiu com o "ressuscitar" do Newcastle, outrora afundado na classificação, que neste momento respira saúde no 8.º lugar. Esta jornada os magpies recebem o QPR e o encaixe táctico das 2 equipas deixa antever um bom jogo - Krul, Janmaat e companhia terão que ter atenção a Charlie Austin, que encontrará uma defesa desfalcada, mas o endiabrado Ayoze Pérez (ainda com muita margem de progressão), quer jogue sozinho na frente ou num sistema com 2 avançados, promete ser uma boa dor de cabeça e um claro candidato a marcar. E o preço (4.9), rendendo, torna-o um achado.


 Oscar - Chelsea - 8.4

    Veremos se o Chelsea-WBA se transforma cedo numa vitória confortável dos líderes da Premier League ou se a equipa de Mourinho demorará a marcar, alcançando aí uma vitória mais curta - uns seguros mas menos deslumbrantes 2-0. Fora de portas este West Bromwich já somou 1 ponto em casa do Southampton e dificultou muito a vida a Liverpool (1-2) e Tottenham (0-1). Caberá a elementos do ataque dos blues como Diego Costa e Hazard tornarem a tarefa mais fácil com a sua qualidade. Fábregas ainda está em dúvida (e está também a 1 amarelo de levar um jogo de suspensão) e desta vez sugerimos que olhem para Oscar. O craque brasileiro está em forma e, se forem fãs de estatística, o seu padrão recente de rendimento na BPL diz que esta é uma jornada em que ele renderá.


 Alexis Sánchez - Arsenal - 10.9

    Recentemente sugerimos o craque chileno do Arsenal, e voltamos a fazê-lo esta jornada. Alexis leva 4 jornadas consecutivas a marcar, nas quais amealhou 6 golos (1, 2, 2, 1), tem um total de 8 golos no campeonato e é o jogador com mais pontos do Fantasy a par de Kun Agüero. Tudo isto são números que não podem ser ignorados. Não surpreende que Diego Costa, Fábregas e Clyne sejam os jogadores mais seleccionados em cada sector, mas é de estranhar que os 3 jogadores com mais pontos neste momento - Alexis Sánchez, Agüero e Baines - estejam todos abaixo de 31% a nível de equipas onde estão presentes.

    Nesta jornada há jogo grande no Emirates Stadium (Arsenal - Manchester United) e, com várias dúvidas e lesões do lado dos red devils, parece ser uma boa oportunidade para o Arsenal afirmar que esta temporada nada o demoverá de um lugar entre as 3/4 equipas de topo, e Alexis Sánchez é o jogador que mais perigo causará à defesa da equipa de van Gaal. Terá que ser um jogo de empenho total para Wilshere, Ramsey, Arteta e Chamberlain, essenciais na resolução do jogo, e veremos Wenger nestas jornadas que se avizinham a voltar a contar com Giroud e Walcott. Welbeck (que está em dúvida, mas que seria engraçado marcar à ex-equipa) tem sido o parceiro de Alexis no ataque, mas veremos o que o regresso de Giroud causará. 

 Mame Biram Diouf - Stoke City - 6.2

    
No seu 9.º lugar, acima de Everton, Liverpool e Tottenham, o Stoke vai vivendo tranquilo. Com uma sequência horribilis (Liverpool fora, M.United fora, Arsenal casa) a iniciar-se na jornada 13, certamente que o Stoke quererá garantir 3 pontos frente ao Burnley para ter margem de manobra. Os últimos classificados da Premier League vêm de uma vitória (1-0 contra o Hull) moralizadora mas o Stoke era uma das piores equipas que poderiam encontrar fora nesta altura. A equipa de Mark Hughes privilegiará o seu jogo seguro - Ryan Shawcross (5.5) normalmente soma bons pontos neste tipo de jogos - mas na frente caberá a jogadores em forma como Jonathan Walters (5.2) e Victor Moses (5.5) "abanar" o jogo, embora seja o senegalês Mame Biram Diouf o elemento que pode decidir realmente o jogo com o seu poder de explosão e remate colocado. Ou Crouch ou Bojan completarão a zona ofensiva, sendo que esta poderia também ser uma jornada positiva para o espanhol, caso seja titular.

 Nathaniel Clyne - Southampton - 5.7

    Depois de 4 jogos seguidos sem sofrer golos, embora 3 tenham sido em casa, é impossível não recomendar um defesa do Southampton. Especialmente porque o Aston Villa não se tem dado bem com as balizas contrárias - nos últimos 7 jogos, marcou 1 golo. José Fonte (5.6), que se estreou em Manchester pela nossa Selecção, tem somado bónus nos últimos 3 jogos mas vamos arriscar que Nathaniel Clyne poderá ter neste fim-de-semana uma daquelas suas correrias desenfreadas pelo flanco direito, a acabar em assistência ou golo.


Outras Opções:
Guarda-Redes: A jornada tem apenas 1 jogo grande mas vários embates que poderão resultar em bons jogos (Everton-W.Ham, Leicester-Sunderland, Newcastle-QPR e veremos o que acontece nos jogos de Liverpool e Manchester City). As apostas mais seguras serão por isso mesmo Asmir Begovic (4.9), Thibaut Courtois (6.0) e o já "cliente da casa" Fraser Forster (5.3). Mas há ainda Tim Krul.

- Defesas: Pelo raciocínio acima apresentado, e com Clyne e Shawcross já mencionados até aqui, poderão confiar na defesa do Chelsea - Gary Cahill (6.4) e Branislav Ivanovic (7.2) especialmente, mas também John Terry. É natural que Janmaat queira dar sequência ao bom momento, e caso Leighton Baines jogue neste momento é impossível ficar indiferente ao seu nível exibicional.

- Médios: Para começar esta jornada poderá ser um bom momento para Yaya Touré (10.6) acordar e conseguir um jogo perto do nível que apresentou, vezes em conta, na época passada. Ainda assim, seria bom se Sigurdsson, Montero (e Bony, na frente) conseguissem baralhar as contas do jogo. Ross Barkley (6.7) terá que se fazer ouvir num meio-campo repleto de dúvidas (lesões) e contra um West Ham que com Song e Kouyaté vai ser forte; no Liverpool, que só deverá contar com o azarado Sturridge em 2015, Rodgers tem que começar a tirar o melhor de Lallana e Markovic, tal como Sterling e Coutinho têm que ser regulares. De resto, caso Tottenham e Manchester United queiram ter ambições nos seus jogos, Chadli e Di María terão que aparecer.

Avançados: Em poucas palavras Kun Agüero (12.7) deve marcar, Graziano Pellè (8.5) pode voltar aos golos, e de resto há 2 embates curiosos para acompanhar: Nugent/Ulloa contra Fletcher/Wickham e Lukaku/Eto'o contra Valencia/Sakho.

Bom fim-de-semana de futebol. E até para a semana!

18 de novembro de 2014

Garganta Afinada. "Top 20" ( nº 100 ) - EDIÇÃO ESPECIAL

    Wooo-hoooo-hooo! Chegámos ao Garganta Afinada centenário! Prometemos uma surpresa neste Top 20 nº100 e aqui está ela, caros cidadãos do mundo. Decidimos pegar em todos os Top's e escolher uma música de cada um deles. Optámos por escolher ou a música líder, ou uma música que colocámos num lugar mais abaixo que o devido. É uma vasta lista de músicas com extrema qualidade. Não são as melhores músicas de sempre. São cem músicas escolhidas por nós. Cem músicas que - de certa forma - simbolizam algo para nós ou que achamos simplesmente épicas.
    É um longo comboio que passa por vários anos e vários géneros musicais. Vamos desde os intemporais Pearl Jam a um Eminem. Desde os monstros Pink Floyd e Led Zeppelin aos menos cotados 12 Stones, Jimmy Eat World e Red. Como defensores da música portuguesa tínhamos que ter artistas portugueses no Top. Optámos, por exemplo, pela "Volta" de Diogo Piçarra e "Adeus Tristeza" dos Linda Martini como umas das melhores 100 dos nossos Tops. Ambas músicas muito fortes, embora recentes. 
    Há Kanye West, Oasis, Radiohead, Muse, Foo Fighters, Maclemore, Avenged Sevenfold, D'Alva, Chris Cornell, The National, Nirvana... Toda uma panóplia de músicas para os mais diversos gostos.

    Foram noventa e nove tops. Cada um com vinte músicas. Durante três anos. Perfazendo mil novecentas e oitenta músicas partilhadas por nós. A opção "Reproduzir Todas" dá-vos uma playlist, uma biblioteca sagrada para os vossos ouvidos, um guia para um final feliz.
    Decidimos assinalar a marca desta maneira. A promessa, essa, é continuar a partilhar mais música durante os próximos anos. Fazemo-lo não só porque não passamos sem música mas também pelos artistas (nacionais e estrangeiros) e por vocês, leitores e ouvintes. E porque como Nietzsche disse: sem música, a vida seria um erro.





1. Pearl Jam – Black
2. Oasis – The Masterplan
3. Pink Floyd – Wish You Were Here
4. Pearl Jam – Nothingman
5. Alter Bridge – Watch Over You
6. Jimmy Eat World – 23
7. The National – About Today (Warrior Version)
8. 12 Stones – Lie to Me (Acoustic)
9. Eminem – Lose Yourself
10. Bon Iver – Blood Bank
11. Stone Sour – Bother
12. The Smashing Pumpkins – Disarm
13. Pink Floyd – Shine On You Crazy Diamond (Live)
14. Red – Pieces
15. Led Zeppelin – Stairway to Heaven
16. Foo Fighters – My Hero (Acoustic)
17. Muse – Feeling Good
18. Radiohead – High & Dry
19. Alter Bridge – In Loving Memory
20. Chris Cornell – Billie Jean
21. Eddie Vedder – Long Nights
22. Macklemore X Ryan Lewis ft. Fences – Otherside
23. Aaron Lewis – Fill Me Up (Acoustic)
24. M83 – Wait
25. Diogo Piçarra – Volta
26. Pearl Jam – The End
27. This Will Destroy You – Threads
28. Linda Martini – Adeus Tristeza
29. Goo Goo Dolls – Iris
30. City and Colour – Hello, I’m in Delaware
31. Avenged Sevenfold – Dear God
32. Eddie Vedder – Guaranteed
33. Macklemore ft. Mary Lambert – Same Love
34. The Verve – Bitter Sweet Symphony
35. Temple of the Dog – Hunger Strike
36. Guns N’ Roses – November Rain
37. Linda Martini – Amor Combate
38. Klepht – Cura
39. Charlie Brown Jr. – Só os Loucos Sabem
40. Nirvana – Lithium
41. Lifehouse – Everything
42. Beck – Everybody’s Got to Learn Sometimes
43. Coldplay – Fix You
44. Jeff Buckley – Hallelujah
45. Aerosmith – I Don’t Want to Miss A Thing
46. The National – Afraid of Everyone
47. City and Colour ft. Gordon Downie – Sleeping Sickness
48. Di-rect – Inside My Head
49. Oasis – Stop Crying Your Heart Out
50. Muse – Resistance
51. Bon Jovi – Livin’ On A Prayer
52. Oasis – Don’t Look Back in Anger
53. Stone Sour – Hesitate
54. James Blake – A Case of You
55. Ed Sheeran ft. Gary Lightbody – Chasing Cars
56. David Cook – Permanent
57. The XX – Fiction (Live)
58. Radiohead – Fake Plastic Trees
59. James Arthur – Broken-Hearted
60. Gary Jules – Mad World
61. Oasis – Wonderwall
62. Foo Fighters – Best of You
63. John Lennon – Imagine
64. Eddie Vedder – Society
65. City and Colour – Love Don’t Live Here Anymore
66. Rise Against – Swing Life Away
67. Bon Iver – Holocene
68. Coldplay – The Scientist
69. Pearl Jam – Better Man
70. Pixies – Where is My Mind
71. Ornatos Violeta – Ouvi Dizer
72. William Fitzsimmons – Beautiful Girl
73. Eric Clapton – Tears in Heaven
74. Kanye West – Pinocchio Story (Freestyle Live From Singapore)
75. Macklemore X Ryan Lewis – Wings
76. Noiserv – Don’t Say Hi If You Don’t Have Time for a Nice Goodbye
77. Ed Sheeran – I See Fire
78. Mumford & Sons – Babel
79. Di-Rect – Don’t Kill Me Tonight
80. Muse – Plug in Baby
81. Pearl Jam – Indifference
82. Danyl Johnson – With a Little Help From My Friends
83. D’Alva – Primavera
84. The Lonely Forest – We Sing in Time
85. Avenged Sevenfold – Afterlife
86. Pearl Jam – Just Breathe
87. Kings of Leon – Use Somebody
88. Sting – Shape of My Heart
89. City and Colour – As Much As I Ever Could
90. Foo Fighters – Walk
91. James Arthur – Carry Us
92. The National – Exile Vilify
93. Tara Perdida ft. Tim – Lisboa
94. Pearl Jam – Given to Fly
95. The Tallest Man On Earth – Love is All
96. Ciclo Preparatório – Lena del Rey
97. Pearl Jam – Thumbing My Way
98. City and Colour – Take Care
99. Lifehouse – From Where You Are
100. All The Luck in the World – Never


11 de novembro de 2014

Crítica: Interstellar


A CAMINHO DOS ÓSCARES 2015 
Realizador: Christopher Nolan
Argumento: Jonathan Nolan, Christopher Nolan
Elenco: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain, Mackenzie Foy, David Gyasi, Casey Affleck, Wes Bentley, Michael Caine, Ellen Burstyn, Matt Damon
Classificação IMDb: 8.6 | Metascore: 74 | RottenTomatoes: 71%
Classificação Barba Por Fazer: 87

    De génio. 'Interstellar' é o filme do momento, com larga margem o alvo a abater nos Óscares Barba Por Fazer (a Academia deve ir por outros caminhos), e um dos filmes mais ousados, completos, ambiciosos e marcantes do século XXI.
    Tudo começou na cabeça de Jonathan Nolan, o irmão mais novo do realizador Christopher Nolan (que até agora tinha em The Dark Knight, Inception, The Prestige e Memento os seus maiores êxitos). Jonathan idealizou tudo o que é Interstellar, baseando-se nos estudos do físico Kip Thorne (consultor do filme), e indo ele próprio assistir a aulas sobre a Relatividade numa universidade norte-americana. Jonathan, o homem que fica na sombra, escreveu o argumento para Spielberg mas a história acabou - qual atracção gravítica - por ir parar ao irmão Christopher Nolan, que adaptou ligeiramente o argumento em sintonia com o irmão 6 anos mais novo.
    'Interstellar' tem uma vez mais o Tempo como elemento essencial das acções de um filme de Nolan, ele que inovou no formato em Memento e brincou com o tempo, ao explorar os sonhos, em Inception. Mas Nolan não é obcecado pelo tempo, é apaixonado por ele. E desta vez dá-nos o seu filme mais emocional, mais ambicioso e vanguardista, com mais mensagem e com um elemento-chave: o amor, entre pai e filha.
    A história é complexa mas perfeita, e importa não revelar demais, mas digamos que: num futuro não muito distante a humanidade, para sobreviver e evitar a extinção, tem que contemplar a hipótese de encontrar um novo planeta, noutra galáxia e sistema, que reúna condições para a vida humana. Cooper (Matthew McConaughey) é um ex-piloto da NASA, "relegado" para agricultor por força das circunstâncias, com dois filhos, Murph e Tom. O plano para salvar a humanidade da Terra (A) ou partir do zero noutro planeta (B) faz com que o professor Brand (Michael Caine) envie 4 pilotos - Cooper, Amelia Brand (Anne Hathaway), Romilly (David Gyasi) e Doyle (Wes Bentley) - numa viagem que contempla buracos negros e wormholes. E é na distorção temporal destes fenómenos, capaz de criar timelines diferentes, que reside a primeira força do filme.

    Mas a força essencial do filme é a relação Cooper-Murph, a forma como Nolan nos expõe, nas palavras habitualmente sábias de Amelia Brand, o amor como a única força capaz de transcender o tempo e o espaço; 'Interstellar' é graficamente uma beleza digna de ser contemplada mas dá 40-0 a nomeadamente um 'Gravity' no momento em não se limita a ser perfeito na imagem e na edição, tendo uma alma, um coração próprio que emociona qualquer um.
    Contrariamente à maioria dos filmes, o trailer de 'Interstellar' teve a inteligência de guardar toda a 3.ª parte do filme, onde a magia acontece verdadeiramente. Ao ver a promoção do filme podíamos ficar com a ideia "O quê? O Nolan vai fazer um Armageddon?", mas conhecendo-o era fácil antecipar que algo especial estava bem guardado. O filme cresce, conquista-nos progressivamente, embora nos hipnotize e prenda desde o primeiro momento. Os diálogos e alguns momentos ganham sentido à posteriori, e somos envolvidos numa Odisseia em que as mensagens - interpretações aparte nas escassas pontas que Nolan deixa intencionalmente soltas - a reter são claras: a humanidade deve arriscar e abraçar o risco e o desconhecido, como exploradores, pioneiros e descobridores que somos, mas nunca esquecendo que o devemos fazer tendo sempre alguém ao lado. Alguém para cuidar, alguém para amar, alguém para quem voltar.

    Para além do trabalho dos irmãos Nolan, tem que ser tremendamente elogiada a banda sonora de Hans Zimmer - como sempre em tudo adequado a cada momento, perfeito na forma como acrescenta valor a cada cena e como a torna ainda mais épica (o acoplamento, por exemplo). E já agora importa também elogiar a marcante cinematografia de van Hoytema, ele que trabalhou o ano passado em 'Her', "safando-se" com distinção nesta viagem pelo espaço e tempo, no primeiro filme em que a Fotografia de Nolan não fica a cargo de Wally Pfister.
    E isto leva-nos ao elenco, aos actores, aos desempenhos que materializam a ideia base e uma realização, argumento, banda sonora e edição de excelência. Tirando o Joker de Heath Ledger em The Dark Knight, em mais caso nenhum podemos dizer que os filmes de C. Nolan são "filmes de actor" - aqueles em que determinado desempenho rouba o protagonismo à concepção criativa, ao realizador. Em 'Interstellar' mais uma vez isso não acontece, embora os actores estejam excelentes, uns mais que outros. E não roubam o protagonismo apenas e só porque quando nos afastamos e temos um olhar global sobre o filme, aquilo que vemos é magia em forma de cinema, é um passo em frente e um filme que nos deixa a pensar no momento em que saímos do cinema, e nos mantém a pensar sobre o filme ainda algum tempo depois. Voltando aos actores, Matthew McConaughey (escolhido por Nolan pelo seu desempenho em 'Mud' e abordado enquanto gravava 'True Detective', série na qual a sua personagem curiosamente teve uma interessante dissertação sobre a dimensão temporal) está soberbo! McConaughey ganhou o óscar com 'Dallas Buyers Club' mas emociona muito mais neste filme, conseguindo ter aqui a sua melhor personagem no grande ecrã, porque Rust Cohle foi em Tv. Cooper, o pai que quer voltar a ver os seus filhos, torna-se uma personagem inesquecível por ser quem melhor representa o filme. É impossível ficar indiferente às duas cenas mais emocionantes de 'Interstellar', com a câmara a focar as reacções de Cooper aos testemunhos dos seus filhos após alguns anos, e com o desespero de Cooper no hipercubo, numa das cenas mais bonitas do cinema recente. Para além de McConaughey, há Jessica Chastain e Anne Hathaway num nível muito bom, e uma jovem Mackenzie Foy a mostrar que afinal tem potencial. Depois temos o "melhor amigo" de Nolan, Michael Caine, actores subvalorizados (Casey Affleck e Wes Bentley), a veterana Ellen Burstyn, Bill Irwin a dar voz ao robot TARS, David Gyasi como uma boa surpresa na pele de Romilly, e ainda um actor reputado cuja aparição a equipa de 'Interstellar' procurou manter em segredo.

    Christopher Nolan nunca escondeu influências - nomeadamente de 2001: A Space Odissey - mas 'Interstellar' é um filme único, brilhante, e que não se pode limitar ao rótulo de ficção científica pela forma como toca no coração de cada espectador. É uma obra-prima, uma inovação a todos os níveis, escrita com inteligência e sensibilidade. Actualmente há Scorsese, Woody Allen, Fincher, Tarantino, Spielberg, Burton, Peter Jackson e alguns mais, todos tão diferentes, mas há algo que faz de Christopher Nolan muito provavelmente o melhor realizador da actualidade. É um contador de histórias nato, e que nos faz usar um pouco mais a nossa massa cinzenta.
    Num mundo normal 'Interstellar' estaria na pole position para o óscar de melhor filme e melhor realizador mas neste momento não parece ser esse o caso. Efeitos Visuais é uma garantia, algumas categorias de edição e quiçá a banda sonora de Zimmer (que também devia ser um dado adquirido) deverão ser as conquistas na grande noite do cinema, embora ainda haja tempo para muita gente perceber que não se trata apenas de um filme técnico, sendo muito mais que isso. Ainda falta ver muita coisa (Birdman, The Imitation Game, Unbroken, Whiplash, American Sniper, Foxcatcher e Theory of Everything, principalmente) mas com Interstellar, Boyhood e Gone Girl já há motivos suficientes para dizer que este ano reúne uma melhor fornada do que o ano passado.

    Um conselho: Interstellar tem que ser visto no cinema. Por tudo. Se só puderem ir ao cinema 1 vez no espaço de um ano, este é o filme que pede esse bilhete.
    Repleto de frases carregadas de significado e que já garantiram um lugar na História do cinema moderno, 'Interstellar' abre horizontes, acredita no melhor da humanidade, intriga-nos inicialmente e convence-nos com a mestria dos irmãos Nolan, tornando o quarto de uma rapariga de 10 anos um lugar para a eternidade. Porque Interstellar merece o infinito. Embora vá mais além.

Do not go gentle into that good night
Old age should burn and rave at close of day
Rage, rage against the dying of the light.