Previsões Óscares 2018 (Actualizado a 01/10/17)

Que filmes devem ter debaixo de olho? As previsões dos Óscares 2018 estão de volta e trazem Christopher Nolan, Daniel Day-Lewis, Gary Oldman, Saoirse Ronan, Sally Hawkins, Frances McDormand, Willem Dafoe e Sam Rockwell.

Emmys Barba Por Fazer 2017

A 12 de Julho apresentámos os nossos nomeados, diferentes da Academia de Televisão, Artes e Ciências. Estes são os vencedores, num mundo paralelo onde Better Call Saul, Carrie Coon, Aden Young, Michael McKean e Master of None são reconhecidos.

TOP | Melhores Contratações da Liga NOS

Num defeso modesto, praticamente sem Porto, o Sporting foi quem melhor se movimentou. O Benfica perdeu jogadores-chave na defesa e reforçou-se bem.. no ataque.

TOP | Melhores Contratações da Premier League

O Barba Por Fazer ordenou as principais transferências do defeso inglês num campeonato que movimentou 1,6 mil milhões de euros.

Crítica: Dunkirk

Não é o melhor filme de Christopher Nolan, mas é o melhor desde os últimos óscares. Se só puderem ir ao cinema uma vez até ao fim de 2017, escolham a experiência que é ver Dunkirk.

31 de dezembro de 2013

Garganta Afinada. Top 20 ( nº 92 )

    Olá pessoas que estão sentindo ânsia por causa de uma contagem decrescente da mudança dum dia para o outro! Preparados para a borga? Então tomem lá música para ouvirem pelo caminho estando a pé ou de carro ou até mesmo para aqueles que demoram a vestir-se e querem cantigas para não se sentirem sós.
    Neste último top do ano temos muitos tugas de qualidade. Na vice-liderança temos os Trêsporcento com a música "Espero". Excelente instrumental e perfeita para ouvir seja em que altura for. Temos ainda novas músicas acabadinhas de sair do novo álbum dos Linda Martini e ainda de Noiserv. Ambos álbuns bastante bons como nos têm habituado. Voltamos a ter as poderosas rimas de Player no top com "Eu e Tu" vindo acompanhado ainda por Sam The Kid com "16-12-95" e a recém "Neve" de NBC. Mesmo atrás dos lugares cimeiros estão os Avenged Sevenfold - que estiveram há bem pouco tempo no Campo Pequeno e prometeram voltar no Verão - com a sempre emocional "Fiction" dedicada ao falecido baterista The Rev e também Luke Friend - concorrente que conquistou o 3º lugar no concurso X Factor UK com "Somewhere Only We Know" dos Keane cantada à sua maneira perfazendo a melhor actuação do jovem no programa. Ainda há a "Say Something" dos A Great Big World que tiveram a participação especial de Christina Aguilera que - surpreendentemente - não fez o seu oversinging! Para terminar ainda temos Kika com a música "Can't Feel Love Tonight" do anúncio da EDP que mostra famílias felizes e que só nos chama a atenção no cinema.
    Não podíamos fechar o ano sem uma das coisas que de melhor temos no mundo - a música. Já são mais de 2 anos e meio a dar-vos música. Mais precisamente 1840 músicas partilhadas com vocês nesta nossa modesta casa. Um até para o ano, pessoas!


29 de dezembro de 2013

Taça da Liga: Sporting (leões foram melhores) e Porto empatam 0-0, com Fabiano e Adrien em destaque

Sporting  0 - 0  Porto
    O último Clássico do ano terminou como começou: sem golos. Sporting e Porto, depois de uma pausa sem jogos, encontraram-se em Alvalade e a haver um vencedor esse seria a equipa da casa. Leonardo Jardim e Paulo Fonseca aproveitaram o facto de ser um jogo para a Taça da Liga para gerirem plantel. Ambos colocaram os guardiões suplentes - Marcelo Boeck e Fabiano - e ambos deram oportunidade aos avançados argelinos de recurso - Slimani e Ghilas. Fonseca deixou ainda Lucho no banco, colocando Carlos Eduardo com Herrera e Fernando lado a lado atrás de si, enquanto que no Sporting foi a vez de Eric Dier fazer dupla na defesa com Rojo.
    O jogo iniciou-se com duas equipas nervosas, muito preocupadas com o adversário mas estranhamente a concederem um enorme espaço a meio-campo. O 1.º aviso do jogo foi deixado por Ghilas. Alex Sandro fez um excelente passe em profundidade e o avançado argelino, explorando o espaço entre os centrais, falhou na cara de Boeck. A 1.ª parte manteve, no entanto, um Sporting superior com Slimani a trabalhar bem com o colectivo e Adrien a mostrar a Paulo Bento e ao mundo do futebol tudo aquilo que ele é neste momento: qualidade na recepção, na protecção de bola, força e atitude na luta de cada bola e ainda enorme capacidade de decisão e timing a nível de passe. Numa transição coube precisamente a Adrien o último passe, para Wilson Eduardo. O extremo português encontrou Fabiano no seu caminho, naquele que foi o último lance de destaque no primeiro tempo.
    Nos segundos 45, Paulo Fonseca - vendo o seu Porto a jogar tão pouco futebol, bem longe do nível apresentado frente ao Olhanense - trocou Herrera (mau jogo) por Lucho, e poucos minutos depois da substituição foi Fernando a ficar relativamente perto do golo na sequência de um canto. Sucederam-se então as substituições com Montero, Carrillo e Defour a serem lançados para o jogo, tendo o peruano tido impacto imediato. Um jogador como Carrillo tem obrigatoriamente que jogar estes jogos e a melhor dupla de extremos do Sporting é Carrillo-W.Eduardo. Aos 75 minutos começou então a aumentar a qualidade da exibição de Fabiano. Carrillo brilhou num lance individual pelo flanco esquerdo, Fabiano negou-lhe o golo, negou o golo depois a Montero e por fim a Cédric num remate de ressaca. Jardim gastou a sua última substituição colocando em campo Vítor e o médio ex-pacense voltou a ver Fabiano a tirar-lhe o golo depois de um grande passe de Carrillo. Olegário Benquerença (que arbitrou bem, quem diria...) ainda expulsou Carlos Eduardo, ao mostrar-lhe o 2.º cartão amarelo e até ao final o 0-0 manteve-se. Ficou tudo igual no Grupo B uma vez que Marítimo e Penafiel também empataram a zeros.

    Muito pouco Porto e algum Sporting, foi isto que se viu em Alvalade. Nenhuma equipa encheu as medidas mas a haver um vencedor seriam claramente os leões. Não fosse Fabiano (o grande destaque do Porto, onde só também Fernando teve exibição positiva) e os adeptos da casa teriam festejado. Fabiano Freitas, embora com um jogo de pés muito inferior ao de Hélton (convenhamos, quase todos os GR perdem para Hélton a esse nível) poderá de facto ser um excelente sucessor do incontornável guarda-redes portista.
    No Sporting, Adrien foi a principal figura e o melhor em campo - distinção que disputaria com Fabiano, claro. O médio do Sporting encheu o campo, elevou o seu nível numa noite em que o William e André Martins não estiveram tão bem como noutras vezes e foi rei e senhor das bolas divididas e dos lances bem decididos. Cédric esteve também a bom nível no corredor direito e Carrillo saltou do banco da melhor maneira. Curioso como, embora na teoria o Porto tenha a dupla de laterais (Danilo e Alex Sandro) mais forte, hoje nitidamente Jefferson e Cédric estiveram anos-luz melhor.

Barba Por Fazer do Jogo: Adrien (Sporting)
Outros Destaques: Cédric, Eric Dier, Carrillo; Fabiano, Fernando
Resumo: 

Chelsea vence Liverpool no último grande jogo inglês de 2013; Hazard foi o homem do jogo

 Chelsea  2 - 1  Liverpool (Hazard 17', Eto'o 34'; Skrtel 3')

    O último grande jogo de 2013 na Premier League teve intensidade, inteligência e tudo um pouco. Mais uma ode ao que é a Premier League, onde os jogadores e toda a atmosfera merece todo o respeito - como Mourinho bem disse na flash interview - pela qualidade e espectáculo que proporcionam, excedendo os seus limites jogo após jogo e entregando-se até ao último minuto mesmo em períodos de sobrecarga (será que isso existe para os jogadores da PL?) competitiva nesta recta final de ano. Hoje, no duelo entre José Mourinho e o seu antigo discípulo Brendan Rodgers, ganhou o português. O Chelsea fez um jogo à imagem do seu treinador e à imagem dos grandes jogos que as equipas de Mourinho normalmente fazem nos grandes momentos. Mou escolheu bem a equipa - Ramires teria sido peça-chave hoje, mas não estava disponível - e colocou David Luiz ao lado de Lampard no meio-campo, com o trio Hazard, Willian e Óscar atrás de Samuel Eto'o. No Liverpool não houve surpresas até porque para o adversário já basta a imprevisibilidade que é ter Luis Suárez pela frente.
    O jogo começou com uma entrada perigosa de Eto'o (merecia amarelo) e logo aos 3 minutos Skrtel inaugurou o marcador. Coutinho bateu um livre, Suárez desviou de cabeça e Skrtel marcou à boca da baliza. O Chelsea teve alma, intensidade e correu atrás do prejuízo com Óscar particularmente inspirado nos minutos seguintes e Frank Lampard a obrigar Mignolet a uma grande defesa num remate de meia distância. Acabou por ser Eden Hazard, numa jogada cujo desequilíbrio começou num passe dele, a empatar o jogo. O extremo belga - bom vê-lo a aparecer num grande jogo - teve a sorte de a bola sobrar para ele à entrada da área e colocou a bola com força e técnica, onde Mignolet não a podia ir buscar.
    O jogo manteve-se frenético, enérgico, com David Luiz a revelar-se importante a meio-campo, e o Chelsea chegou ao 2-1 com 34 minutos de jogo, e começou num bom passe do brasileiro no qual Azpilicueta acreditou. Óscar ficou com a bola na grande área, cruzou bem e Eto'o antecipou-se a Skrtel e desviou para a baliza. Ficou a ideia de que Mignolet - nada que se compare à falha frente ao City, ainda assim - podia ter feito mais. A vantagem ao intervalo era justa e a qualidade de jogadores como Hazard e Óscar iam fazendo a diferença.
    No 2.º tempo o cansaço nas pernas pesou bastante, mas o futebol continuou de pé. Sakho fez a bola bater na trave, assistido por Henderson e o Chelsea manteve-se focado em tentar o 3.º golo com Eden Hazard sempre em destaque. Houve ainda espaço para o jovem Brad Smith jogar pelo Liverpool e para Howard Webb - que não tinha marcado um possível penalty sobre Hazard - fechar os olhos a um penalty claro e indiscutível de Eto'o sobre Luis Suárez.

    Vitórias frente a City (casa) e Liverpool (casa). Empates frente a Arsenal (fora), Tottenham (fora) e Manchester United (fora). Foi assim o percurso do Chelsea de Mourinho nesta 1.ª volta frente aos rivais directos. Se quisermos acrescentar o Everton à lista, aí sim os blues têm finalmente uma derrota, em Goodison Park. O Chelsea encarou o jogo da melhor forma, teve em Eden Hazard o seu cabeça-de-cartaz, conseguiu conter regra geral Luis Suárez e, embora a arbitragem genericamente até lhe tenha sido favorável, mereceu vencer. Deu até a ideia de que foi mau para o Liverpool marcar tão cedo. A passagem do Liverpool de 1.º para 5.º lugar num ápice revela apenas a qualidade da Premier League, porque muito em breve já voltaremos a ver Suárez e companhia no top-4 e o Liverpool vai certamente garantir um lugar de Champions no final da época.
    O Chelsea ainda não deslumbra como um todo, já se vê em Hazard um jogador que está a melhorar em vários níveis - está cada vez a marcar mais, a ser mais objectivo; e muito provavelmente o Chelsea conseguirá mais pontos na 2.ª volta do que nesta primeira.

    Arsenal (42), Manchester City (41), Chelsea (40), Everton (37), Liverpool (36), Manchester United (34), Tottenham (34). Estão muito provavelmente aqui os sete primeiros classificados da presente Premier League - só Newcastle e Southampton poderão eventualmente intrometer-se, mas devem ficar com os lugares seguitnes. Agora, esperemos por 2014 para baralhar as contas.
    E, claro, veremos alguns reforços chegar já no próximo mês a terras de Sua Majestade.

Barba Por Fazer do Jogo: Eden Hazard (Chelsea)
Outros Destaques: Cahill, David Luiz, Óscar, Eto'o; Skrtel, Lucas, Suárez
Golos:
0-1 Skrtel 3'
1-1 Hazard 17'
2-1 Eto'o 34'

Premier League: Giroud põe Arsenal na liderança; Lukaku regressa aos golos e o Everton fecha ano em 4.º

  Premier League - O Super Sunday de hoje, último dia de liga inglesa em 2013, foi de qualidade. Giroud marcou um golo que carimbou a liderança na passagem de ano para o Arsenal, o Tottenham continua no bom caminho com Sherwood e ontem United e City venceram pela margem mínima. Tínhamos apostado que o Everton fecharia 2013 num lugar de Champions e assim o foi e o Liverpool depois de uma 1.ª volta incrível acaba este ano civil em 5.º lugar, penalizado também pela arbitragem do jogo em Etihad. Apontámos outrora este final de ano como o cabo das tormentas do Liverpool, mas veremos os reds em breve no top-4. O resumo do Chelsea-Liverpool, último grande jogo de 2013, será publicado daqui a momentos.

    
O Arsenal termina 2013 na liderança (nos últimos 4 anos de Premier League quem cruzou a passagem de ano na frente, acabou campeão) depois de uma vitória muito difícil em casa do Newcastle. Ambas as equipas defenderam impecavelmente em St. James Park - a dupla Mertesacker-Koscielny continua afinada e Debuchy está em grande - mas acabou por ser Giroud a decidir o jogo. O avançado francês marcou na sequência de um livre indirecto de Theo Walcott que não poderia ter sido melhor marcado do que foi. O Newcastle, que já tinha ganho a Chelsea, Tottenham e Manchester United, desta vez não ganhou, mas terminar a 1.ª volta a 9 pontos do líder, com menos 1pt que United e Tottenham é bom. 

    Everton e Southampton proporcionaram uma boa hora e meia de futebol. Esperava-se alta intensidade e foi o que houve. O 1.º golo acabou por chegar dos pés de Seamus Coleman (ou 'Goalman' como já lhe chamam). O irlandês subiu pelo flanco, não pediu licença a ninguém e disparou para o 1-0. É o melhor lateral direito da Premier League esta época e leva já 5 golos na sua conta pessoal. Lukaku foi sistematicamente bem marcado por Lovren, Adam Lallana (ficava bem no Liverpool) espalhou magia em Goodison Park, mas acabou por ser o substituto Ramírez, do meio da rua e com a ajuda de um ligeiro desvio, a fazer o empate. A vitória do Everton chegou numa transição, com McCarthy a oferecer o golo a Romelu Lukaku, que se reencontrou com os golos num excelente remate de primeira.
    O Tottenham continua saudável com Sherwood no comando (nunca saberemos se AVB conseguiria estes resultados, apenas sabemos que não teria Adebayor a contribuir para eles) sem complicar nas suas escolhas. O Tottenham recebeu o Stoke e venceu sem problemas. Soldado marcou o 1.º de penalty - penalizando mão de Shawcross -, Dembélé fez o segundo e Lennon o 3-0.

    Nos jogos de ontem houve dois empates espectaculares, duas curtas vitórias por 1-0 dos rivais de Manchester e uma goleada do Hull City.
    Sábado começou com um 3-3 entre West Ham e West Brom. Joe Cole abriu o marcador bem cedo para os hammers, mas nos últimos 5 minutos da primeira parte Anelka (com festejos polémicos à mistura) marcou dois e levou o WBA para o intervalo em vantagem. No 2.º tempo houve 4 minutos frenéticos, à la Premier League. Maïga marcou aos 65 num remate colocado, Kevin Nolan - que tinha feito as duas assistências para os golos anteriores da sua equipa - fez o 3-2 dois minutos depois, mas logo a seguir Saido Berahino, um daqueles jovens cuja qualidade não engana, fez o 3-3 final num bom remate, precedido de um grande trabalho individual assistido por Brunt.
    Às 15 horas entraram em campo 8 equipas. O Manchester United teve em Wayne Rooney uma baixa inesperada na deslocação ao terreno do Norwich. Os red devils conseguiram manter o seu caminho de recuperação (acabam o ano a 8 pontos do líder) e venceram com um golo solitário de Welbeck, com alguma sorte à mistura. De Gea, Evans, Vidic, Evra e Cleverley foram determinantes para segurar o resultado. O rival Manchester City recebeu no infernal Etihad o Crystal Palace de Tony Pulis e esperava-se provavelmente que o City mantivesse a sua fome de golos. A verdade é que o Palace fez um excelente jogo, com um colectivo a defender bem e a conseguir criar perigo normalmente por Puncheon. Joel Ward mostrou mais uma vez que é jogador para outras andanças. O City precisou de chamar para o campo Negredo e Nasri para finalmente conseguir decidir o jogo: Navas cruzou e Dzeko marcou. Vincent Kompany manteve a sua boa forma, Joe Hart fez a diferença e já ganhou de novo a titularidade em definitivo e a falta de Yaya Touré como "motor" teve um impacto gigantesco no jogo dos citizens.

    O Hull City, uma das 3 equipas que subiu este ano, acaba 2013 e esta 1.ª volta do campeonato em 10.º lugar. O que é incrível dada a competitividade e imprevisibilidade da Premier League. Os tigers fizeram o seu melhor jogo da época ao derrotarem por 6-0 o Fulham. Elmohamady, Robert Koren (2), Boyd, Huddlestone e Fryatt escreveram a história do jogo. Já o Aston Villa e o Swansea empataram 1-1 num jogo em que o Swansea teve uma posse de bola assombrosa durante grande parte do jogo, mas no qual começou a perder com Agbonlahor a marcar. Lamah fez mais tarde o golo do empate.
    O outro empate espectacular de Sábado foi o Cardiff 2-2 Sunderland. A equipa galesa teve o jogo na mão depois de chegar ao minuto 83 a ganhar 2-0 (golos de Mutch e Campbell), mas o Sunderland de Poyet teve alma e conseguiu empatar - Steven Fletcher e Jack Colback deram 1 ponto ao Sunderland que já não parecia possível.

    Esta é a Premier League - a liga em que o 20.º está a 9 pontos do 10.º lugar. No primeiro dia de 2014 há mais.

27 de dezembro de 2013

Previsões Óscares 2014 (Actualizado a 27/12/13)

Na última vez que fizemos previsões (ver Aqui) dissemos que o próximo update seria em Novembro. Mentimos. Adiante. Naturalmente nestes últimos meses houve bastantes variações na corrida às estatuetas douradas, por via - tal como foi dito da outra vez - da força dos produtores e distribuidores, da receptividade dos festivais de cinema mais cotados - e felizmente neste momento já vimos alguns dos possíveis nomeados, faltando ainda vários no entanto. 'The Wolf of Wall Street', '12 Years a Slave', 'Her' e 'American Hustle' estarão entre os mais esperados.

    Mais uma vez, e porque a cerimónia é a 2 de Março mas os nomeados serão revelados a 16 de Janeiro, a ideia deste artigo é apontar os principais favoritos e os possíveis outsiders nas principais categorias: Melhor Filme, Realizador, Actor, Actriz, Actor Secundário, Actriz Secundária, acrescentando depois a isto uma pequena viagem e considerações sobre as 2 tipologias de Argumento, os filmes estrangeiros e os de animação.

    Longe vão os tempos em que 'The Monuments Men' estava bem colocado na corrida para os óscares. O filme de George Clooney desapareceu a nível de odds, a seu tempo perceberemos se com razão ou não. Os 2 principais favoritos mantêm-se: '12 Years a Slave' e 'Gravity' vão garantidamente marcar presença no lote de filmes nomeados. 'American Hustle' (David O. Russell pode conseguir um filme nomeado em 2011, 2013 e agora 2014) tem aumentado sucessivamente a sua reputação e Alexander Payne - um dos realizadores queridos da Academia - e o seu 'Nebraska' idem aspas. Depois há vários filmes, 2 dos quais deixam muita curiosidade: 'The Wolf of Wall Street' (a aceitação está a ser boa e leva já 8.9 no IMDb, embora nem sempre seja um bom indicador) e 'Her', o criativo projecto de Spike Jonze com um conceito interessante e a voz de Scarlett Johansson a contracenar com Joaquin Phoenix. Para além de tudo isto mantêm legítimas esperanças 'Captain Phillips', 'Inside Llewyn Davis' e num nível diferente 'Saving Mr. Banks', 'Dallas Buyers Club' (que provavelmente só surgirá a nível de actores e não como filme), e menos prováveis filmes como 'Ausage: Osage County', 'Philomena', 'Blue is the Warmest Colour' e 'Blue Jasmine'.

    Nos realizadores Steve McQueen e Alfonso Cuarón mantêm-se intocáveis. No entanto, os restantes 3 lugares vão dar muita luta. Os candidatos vão desde Paul Greengrass (Captain Phillips) a David O. Russell (American Hustle), passando por Spike Jonze (Her), Alexander Payne (Nebraska), os irmãos Cohen (Inside Llewyn Davis) e Scorsese (The Wolf of the Wall Street). Depois destes 8 mais prováveis há John Lee Hancock ou Woody Allen, que em breve devem tirar tal como outros o cavalinho da chuva.

    Nos aspirantes a Melhor Actor, a competição é talvez maior do que em qualquer outra categoria. Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave) e Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club) são os que partem para já na frente, e depois há Tom Hanks (Captain Phillips) e os veteranos Robert Redford (All is Lost) e Bruce Dern (Nebraska). Mas nada é linear porque ainda sobram Leonardo DiCaprio (The Wolf of Wall Street), Christian Bale (American Hustle, mais do que Out of the Furnace), Joaquin Phoenix (Her) e com Hugh Jackman (Prisoners) ou Michael B. Jordan (Fruitvale Station) a lista parece interminável. Oscar Isaac e o "Mandela" Idris Elba seriam outros nomes a acrescentar.

    Passando para as senhoras, as 5 principais candidatas estão identificadas desde há algum tempo. Cate Blanchett e a sua grande interpretação em 'Blue Jasmine', Sandra Bullock e o seu contagiante e realista desespero em 'Gravity' são os dois nomes a destacar, seguidas de Emma Thompson (Saving Mr. Banks), Judi Dench (Philomena) e a recorrente Meryl Streep (August: Osage County). À espera de uma oportunidade estarão a jovem Adèle Exarchopoulos (Blue is the Warmest Colour), Amy Adams (American Hustle), Kate Winslet (Labor Day) ou Julie Delpy (Before Midnight). Competição interessante mas com um esqueleto mais próximo da hipotética versão final.

    Já ninguém pára o vocalista dos 30 Seconds to Mars, que sabe escolher bem em que filmes se envolve, Jared Leto (Dallas Buyers Club) e Michael Fassbender (12 Years a Slave), a talentosa dupla que à imagem dos amigos Matthew e Chiwetel respectivamente na categoria principal, vão com vantagem face à concorrência. A mais surpreendente - e justa - ascensão tem sido a do novato Barkhad Abdi (Captain Phillips). As restantes vagas podem ficar entregues a: Daniel Brühl (Rush), Tom Hanks (Saving Mr. Banks), Jonah Hill (The Wolf of Wall Street) ou Bradley Cooper (American Hustle). A homenagem a Gandolfini e as nomeações de Will Forte, McConaughey - em 'Mud' ou 'The Wolf of Wall Street' -, James Franco ou John Goodman já serão cenários muitíssimo remotos.

    No lado feminino há também 2 nomes com larga vantagem para a concorrência. São elas Jennifer Lawrence, por American Hustle, e Lupita Nyong'o (12 Years a Slave). À partida deve haver depois 3 lugares para 5 mulheres: June Squibb (Nebraska), Julia Roberts (August: Osage County), Oprah Winfrey (The Butler), Sally Hawkins (Blue Jasmine) e Scarlett Johansson (Her), isto se a Academia considerar que uma voz dada a um sistema operativo pode ser suficiente para uma nomeação. Esta é este ano uma categoria forte porque poderão ficar de fora eventualmente nomes como Octavia Spencer, Léa Seydoux, Margo Martindale (que outrora era favorita com Oprah), Naomie Harris e actrizes em consolidação como Sarah Paulson ou a sedutora Margot Robbie.

    Nos Argumentos Originais, coisas como 'Her', 'Nebraska', 'American Hustle' ou 'Inside Llewyn Davis' devem aparecer nos nomeados dia 16 de Janeiro. Poderão ter a companhia de algo como 'Blue Jasmine' (Woody Allen é o mestre dos argumentos), 'Saving Mr. Banks', 'Fruitvale Station', 'Gravity' ou 'Dallas Buyers Club'. Já nos adaptados, '12 Years a Slave' e 'The Wolf of Wall Street' são hipóteses sólidas, com a companhia de 'Before Midnight', 'Captain Phillips', 'Philomena' ou 'August: Osage County'.

    Quanto aos filmes estrangeiros, o francês 'Blue is the Warmest Colour' ficou fora da corrida por ter estreado mais tarde do que devia e a ausência surpresa da lista reduzida já anunciada foi o iraniano 'Le Passé'. Por tudo isto, filmes como o dinamarquês 'The Hunt' com o hannibal Mads Mikkelsen e o italiano "La Grande Bellezza" devem figurar, acompanhados por uma luta entre Bélgica e Hong Kong, que é como quem diz, entre "The Broken Circle Breakdown" e The Grandmaster".
    Na animação 'The Wind Rises' e 'Frozen' (que está a ter boa aceitação e crítica) partem na frente, e nomes como 'Monsters University', 'The Croods', 'Ernest & Clementine' e 'Despicable Me 2' podem juntar-se à trupe. Justamente seriam os minions e o seu Gru, abaixo do 1.º filme, a não marcar presença.

Legenda: Altamente Provável, Provável, Quem Sabe!?

Melhor Filme 
12 Years a Slave, Gravity, American Hustle, NebraskaCaptain Phillips, The Wolf of Wall Street, Inside Llewyn DavisSaving Mr. Banks, Her, Dallas Buyers ClubAugust: Osage CountyPhilomena, Blue is the Warmest Colour, Blue Jasmine

Melhor Realizador
Steve McQueen (12 Years a Slave), 
Alfonso Cuarón (Gravity), Paul Greengrass (Captain Phillips), David O. Russell (American Hustle), Spike Jonze (Her), Alexander Payne (Nebraska), Joel & Ethan Cohen (Inside Llewyn Davis), Martin Scorsese (The Wolf of Wall Street)

Melhor Actor
Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave), Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club), Tom Hanks (Captain Phillips), Bruce Dern (Nebraska), Robert Redford (All is Lost), Leonardo DiCaprio (The Wolf of Wall Street), Joaquin Phoenix (Her), Christian Bale (American Hustle), Michael B. Jordan (Fruitvale Station), Hugh Jackman (Prisoners), Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis), Idris Elba (Mandela: Long Walk to Freedom)

Melhor Actriz
Cate Blanchett (Blue Jasmine), Sandra Bullock (Gravity), Emma Thompson (Saving Mr.Banks), Meryl Streep (August: Osage County), Judi Dench (Philomena), Amy Adams (American Hustle), Adèle Exarchopoulos (Blue is the Warmest Colour), Kate Winslet (Labor Day) 

Melhor Actor Secundário
Jared Leto (Dallas Buyers Club), Michael Fassbender (Twelve Years a Slave), Barkhad Abdi (Captain Phillips), Daniel Brühl (Rush), Jonah Hill (The Wolf of Wall Street), Tom Hanks (Saving Mr.Banks), Bradley Cooper (American Hustle), John Goodman (Inside Llewyn Davis), James Gandolfini (Enough Said)

Melhor Actriz Secundária
Lupita Nyong'o (12 Years a Slave), Jennifer Lawrence (American Hustle), June Squibb (Nebraska), Julia Roberts (August: Osage County), Oprah Winfrey (The Butler), Octavia Spencer (Fruitvale Station), Margo Martindale (August: Osage County), Sally Hawkins (Blue Jasmine), Scarlett Johansson (Her)

Melhor Argumento Original
Her, American Hustle, Nebraska, Inside Llewyn Davis, Blue Jasmine, Gravity, Saving Mr. Banks, Dallas Buyers Club, Fruitvale Station

Melhor Argumento Adaptado
12 Years a Slave, The Wolf of Wall Street, Before Midnight, Captain Phillips, Philomena, August: Osage County, Blue is the Warmest Colour

Melhor Filme Estrangeiro
The Hunt (Dinamarca), La Grande Bellezza (Itália), The Broken Circle Breakdown (Bélgica), The Grandmaster (Hong Kong)

Melhor Filme de Animação
The Wind Rises, Frozen, Monsters: University, Despicable Me 2, Ernest & Celestine, The Croods


Bons filmes, boas pipocas. Até à próxima.    

Crítica: Saving Mr. Banks

A CAMINHO DOS ÓSCARES 2014
Realizador: John Lee Hancock
Argumento: Kelly Marcel, Sue Smith,
Elenco: Emma Thompson, Tom Hanks,  Colin Farrell, Paul Giamatti 
Classificação IMDb: 7.5 | Metascore: 65 | RottenTomatoes: 78%
Classificação Barba Por Fazer: 75


    Ora aqui está um filme interessante. Para os fãs de Mary Poppins e não só, para os fãs da Disney e não só, é sempre bom ficarmos a saber algumas histórias. John Lee Hancock, com a ajuda de um argumento bem pensado do princípio ao fim, conta-nos a história da venda dos direitos de 'Mary Poppins', da escritora P.L. Travers (Emma Thompson) à Disney ou, especificamente, ao imortal Walt Disney (Tom Hanks). O filme utilizou o slogan 'Where her book ended, their story began' - em alusão aos 20 anos durante os quais Walt Disney manteve sem desistir as suas tentativas de convencer Travers a aceitar a sua proposta, mas vai mais longe. 'Saving Mr. Banks' explica-nos a origem de Mary Poppins. É uma viagem ao passado de P.L. Travers para perceber a sua infância, a sua fonte de inspiração e as suas reticências em aceitar as futuristas e alegres propostas dos estúdios da Disney. 'Saving Mr. Banks' acompanha portanto a evolução mental de P.L. Travers, aceitando que a sua Mary Poppins está bem entregue à Disney e tornando-se menos fria e triste. Os flashbacks, nos quais surge o actor Colin Farrell a interpretar o pai da escritora então criança, foram todos eles bem pensados, alimentando uma cortina final que cai quando Walt Disney (Tom Hanks bate certo neste papel) diz, concluindo sobre Mary Poppins: It's not the children she comes to save, it's their father. It's your father. Toda a qualidade do filme - que é, como disse no início, interessante - afunila-se na cena em que Walt Disney conta a história da sua infância a P.L. Travers e retira depois conclusões sobre a escritora e a sua obra. Porque 'Saving Mr. Banks', tal como Mary Poppins, é sobretudo saber desculpar, deixarmo-nos ir consoante a nossa imaginação e deixar o passado para trás. David Tomlinson, Mr. Banks, este filme é sobre ti.

    É sumariamente um bom projecto que a Disney desenvolveu desde a sua génese e que poderia facilmente perder qualidade com um argumento contado doutra forma. É o 2.º filme decente de Lee Hancock, depois de 'The Blind Side' e a banda sonora ficou a cargo do hiper-nomeado pela Academia, Thomas Newman. Emma Thompson (curiosamente já tinha ficado ligada a amas mágicas, ao fazer de Nanny McPhee) e Tom Hanks (que é primo em certo grau de Walt Disney) foram brilhantes escolhas para as personagens e o restante elenco - sobretudo Farrell e Giamatti - mantêm o nível. Emma Thompson está muito bem colocada para ser nomeada para Melhor Actriz, embora não deva ter aspirações a ganhar, enquanto que nos últimos tempos Tom Hanks - que será nomeado para Melhor Actor por 'Captain Phillips - perdeu alguma força na corrida com o seu Walt Disney nos desempenhos secundários masculinos, embora ainda possa ter alguma esperança. De resto o próprio 'Saving Mr. Banks' pode ainda ser nomeado para Melhor Filme caso haja espaço para 8 ou 9 filmes neste ano, número que é sempre uma incógnita. A tudo isto se devem juntar ainda nomeações técnicas como Melhor Banda Sonora, Melhor Figurino ou Melhor Design de Produção.
    Aprende-se com o filme, vê-se dois bons papéis e bons pormenores de realização, como a utilização que Hancock faz inteligentemente do rato Mickey na personificação da Disney.

26 de dezembro de 2013

Manchester City vence Liverpool (2-1) no jogo mais renhido em Etihad esta época

Manchester City  2 - 1  Liverpool (Kompany 31', Negredo 45'; Coutinho 24')


    Manchester City e Liverpool proporcionaram um excelente final de Boxing Day, num jogo muito equilibrado (nenhuma equipa tinha conseguido jogar no terreno do City esta época como o Liverpool conseguiu) e do qual o Liverpool pode sair com algumas razões de queixa do árbitro Lee Mason. Citizens e reds lançaram os onzes esperados - Pellegrini não complicou e colocou o trio Navas, Silva e Nasri nas costas de Negredo - e a 1.ª parte foi marcada pelo melhor futebol do Liverpool. Os comandados de Brendan Rodgers mantiveram-se concentrados a defender e souberam explorar as transições com boa troca de bola e rapidez do trio Coutinho, Sterling e Suárez, muitas vezes com o apoio de Henderson, à imagem dos últimos jogos.

    Navas foi o primeiro a ficar perto do golo e aos 18 minutos Lee Mason ganhou algum protagonismo. Suárez desmarcou com um excelente passe Raheem Sterling que, com a sua estonteante velocidade, ficou isolado na cara de Joe Hart, driblou-o e marcou. O golo não contou porque foi assinalado fora-de-jogo, embora Sterling estivesse claramente em jogo, talvez mesmo 1 metro. Sterling não marcou aí mas foi dele o último toque antes de golo de Coutinho 24 minutos depois. A jogada do pool começou no brasileiro, teve Suárez envolvido e Sterling, numa tentativa de se enquadrar com a baliza, acabou por fazer uma assistência para o remate certeiro de Coutinho. A vantagem não durou muito porque 7' depois, na sequência de um canto de David Silva, o central Kompany - que estava até então a travar um interessante duelo com Suárez - conseguiu cabecear para golo. O Liverpool não baixou os braços e continuou com o seu bom futebol. Numa jogada com elevada "nota artística", o trio da frente ficou novamente muito perto do golo, mas foi mesmo em cima do intervalo que as redes mexeram pela última vez. Álvaro Negredo, lançado por Navas num contra-ataque perfeito do City, fez o 2-1 num remate ao qual Mignolet correspondeu com... um frango. A vantagem do City era injusta ao intervalo, uma vez que até seria o Liverpool a merecer estar na frente e ainda para mais tendo toda a equipa visto Simon Mignolet vacilar num lance de resolução simples.
    O 2.º tempo não teve golos, mas teve muita emoção e luta. Sakho teve momentos e decisões absurdas, mas felizmente para o Liverpool Martin Skrtel compensou. Fernandinho e Yaya estiveram mais uma vez em bom plano com a sua consciência táctica e força, mas o Liverpool é que criou as oportunidades de perigo. Glen Johnson e sobretudo Sterling, este depois de um grande cruzamento de Suárez, tiveram oportunidades clamorosas nos pés mas desperdiçaram-nas. O uruguaio foi bastante penalizado na segunda parte: sofreu uma clara falta de Joleon Lescott (ficaram dúvidas se seria fora ou dentro da área, mas pareceu fora) que não foi assinalada, nos minutos finais sofreu uma grande penalidade ao ser ostensivamente puxado por Lescott e ainda viu um amarelo injusto num lance em que embora tenha levantado muito o pé, conseguiu evitar o contacto com Joe Hart.

    O endiabrado Luis Suárez bem se esforçou e lutou pela sua equipa, bem apoiado por Sterling e Coutinho e o Liverpool merecia, pelo menos, o empate em Etihad. O estatuto de equipa que esta época mais dificuldades criou ao City já não lhes tiram. O Manchester City de Pellegrini teve o mérito de ser eficaz, contou com a ajuda de Mignolet e ganhou 3 pontos muito importantes, posicionando-se no 2.º lugar. O Arsenal acaba este Boxing Day líder com 39 pontos, seguido de City (38), Chelsea (37) e Liverpool (36). Num jogo em que não houve uma figura de proa, talvez David Silva tenha sido um dos principais destaques, pela importância na qualidade de passe e decisão que confere ao meio-campo do City.

Barba Por Fazer do Jogo: David Silva (Manchester City)
Outros Destaques: Hart, Kompany, Navas, Negredo; Skrtel, Coutinho, Sterling, Suárez
Golos:
0-1 Coutinho 24'
1-1 Kompany 31'
2-1 Negredo 45'

Premier League: Boxing Day com surpresas e reviravoltas de Arsenal e United

  Premier League - O tradicional Boxing Day - assim nomeado em terras britânicas historicamente pelo acumular de caixas (presentes) nas ruas no dia seguinte à celebração do Natal - é um dos dias mais esperados no futebol inglês. O 26 de Dezembro de 2013 tem como principal destaque o Man City-Liverpool (que se iniciou há momentos e faremos a análise em exclusivo) mas contou com algumas surpresas, volte-faces e vitórias muito importantes para algumas equipas.

    As primeiras equipas a entrarem em campo foram Hull e Manchester United, no campo dos tigers. A equipa de Steve Bruce começou da melhor maneira possível. O central Chester inaugurou o marcador aos 4' na sequência de um canto, e o médio Meyler ampliou para 2-0 aos 13'. O United parecia, mais uma vez, enterrado. Mas a resposta dos red devils surgiu rapidamente e sempre com Wayne Rooney em grande. O avançado inglês marcou o livre indirecto que originou o 2-1 de Chris Smalling, de cabeça, e 6 minutos depois fez ele próprio o empate num grande golo do meio da rua. Gary Hooper, do Norwich, tinha marcado um semelhante recentemente. A vitória do United de David Moyes chegou na 2.ª parte quando Ashley Young cruzou procurando o desvio de Rooney, mas acabou por ser Chester a marcar na própria baliza. Até ao final valeu De Gea a garantir 3 pontos importantíssimos.

    Nos jogos das 15 horas, o Arsenal mostrou mais uma vez que não se deixa facilmente ir abaixo. Depois de perder com o City (6-3) e empatar 0-0 com o Chelsea, o Arsenal precisava de ganhar no terreno do West Ham. A primeira parte não teve golos, Adrián foi acumulando interessantes defesas, e no início da 2.ª o veterano Carlton Cole pôs o West Ham na frente ao aproveitar um deslize de Szczesny. O Arsenal não baixou os braços e teve em Theo Walcott o herói da tarde. Lukas Podolski, afastado muito tempo por lesão, entrou aos 68' e a partir daí tudo melhorou para os gunners. Walcott fez o empate depois de um passe de Santi Cazorla e escassos minutos depois virou o jogo depois de um cruzamento de Podolski. O resultado final de 3-1 ficou consumado quando Giroud soltou para Podolski à entrada da área e o alemão rematou forte e rasteiro, coroando um excelente regresso.
    As emoções estiveram também ao rubro em Goodison Park. O Everton detinha o estatuto de invencível em casa esta época, mas perdeu-o contra o último classificado. Num jogo em que a equipa de Martínez era de longe favorita, acabou por ser a expulsão de Tim Howard a escrever o jogo. O guarda-redes derrubou o coerano Ki aos 23 minutos, deixou a sua equipa reduzida a 10 unidades e a perder porque Ki não falhou perante o substituto Joel Robles. Desde então, e sobretudo na 2.ª parte com Ross Barkley no lugar de Mirallas, só deu Everton. A muralha do Sunderland e sobretudo uma excelente exibição de Mannone garantiram 3 pontos inesperados, num jogo em que Barkley, Lukaku, Coleman, Jelavic e companhia bem tentaram, e o Everton até acabou com Joel na grande área adversária.

    O Chelsea de José Mourinho conseguiu não sofrer golos em Stamford Bridge mas ganhou apenas por 1-0. Eden Hazard foi a figura do jogo ao marcar o único golo depois de uma boa arrancada. Já o Tottenham de Tim Sherwood acabou por empatar em White Hart Lane com o West Brom. Christian Eriksen pôs os spurs na frente com um espectacular livre directo, mas Olsson fez o empate na sequência de um livre indirecto mal defendido.

    O Newcastle continua o seu caminho brilhante com Alan Pardew no comando. Na recepção ao Stoke as coisas não ficaram famosas quando Assaidi marcou aos 29' (grande golo do jogador emprestado pelo Liverpool), mas tudo ficou muito mais simples depois das expulsões de Whelan e Marc Wilson. Chegaram então ao sapatinho dos adeptos do Newcastle 5 golos. Rémy falhou um penalty, mas 1 minuto depois marcou depois de uma boa arrancada individual de Ben Arfa. Gouffran fez o 2-1, Rémy voltou depois a marcar, Cabaye manteve a sua excelente forma com um remate à entrada da área e foi Papiss Cissé a fechar o resultado, da marca de grande penalidade.

    O Southampton voltou hoje a evidenciar que está de volta. Jay Rodriguez foi o homem-golo em Cardiff, campo difícil para quem o visita. Os saints venceram por 3-0 e tudo começou numa assistência de Adam Lallana para Rodriguez. Em 14 minutos o Southampton construiu o seu 3-0, com Lambert a assistir Rodriguez e depois no derradeiro golo os papéis inverteram-se e foi Rodriguez a dar o golo ao camisola 7.

    O Norwich perdeu em casa. Gary Hooper marcou primeiro pelos canários, mas Kasami e Scott Parker (bom remate de meia distância) deram a vitória a um Fulham que tem outra alma e qualidade com Meulensteen no comando. O Aston Villa-Crystal Palace parecia destinado a terminar 0-0 mas o jovem Dwight Gayle deu a vitória no penúltimo minuto de jogo à equipa de Tony Pulis. Grande golo, grande momento.
    Veremos como terminará o City-Liverpool. Neste momento o resultado está em 1-1, golos de Kompany e Coutinho.

24 de dezembro de 2013

Crítica: Blue is the Warmest Colour (La vie d'Adèle)

Realizador: Abdellatif Kechiche
Argumento: Abdellatif Kechiche, Julie Maroh, Ghalia Lacroix
Elenco: Adèle Exarchopoulos, Léa Seydoux
Classificação IMDb: 7.8 | Metascore: 88 | RottenTomatoes: 91%
Classificação Barba Por Fazer: 80


Conselho: Homens do mundo, se virem sozinhos este filme não ponham o som muito alto ou então quem vive convosco/ vizinhos vão pensar que estão a ver porno.
    O cinema francês, que tem andado nas boas graças do mundo depois de coisas como 'The Artist', 'Amour' ou 'The Intouchables', dá-nos então desta vez 'La vie d'Adèle: chapitres 1 et 2' ou, o nome mais comercial e pelo qual vou optar 'Blue is the Warmest Colour'. O vencedor da Palma D'Ouro deste ano - sucessor de 'Amour', portanto - é um filme.. muito gráfico. Abdellatif Kechiche, um ousado e estranho mas talentoso realizador, conta-nos a história de Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma rapariga que procura encontrar o amor, a sedução e a atracção e que encontra tudo isto noutra rapariga mais velha: Emma (Léa Seydoux). Pessoas que ficaram chocadas com Brokeback Mountain, os cowboys não eram nada ao pé do erotismo e sexualidade presentes em 'Blue is the Warmest Colour'. Adèle quer ser professora, Léa é uma pintora em ascensão, mas toda a acção é sobre a relação de ambas, um amor sentido, vivido, experimentado e no qual há algumas cenas - reforço que mesmo quem diga que não tem preconceitos, pode-se sentir incomodado - um pouco... prolongadas.
    É um filme de amor como outro qualquer, com as peripécias, amores e desamores de sempre, magnificamente captados por Abdellatif Kechiche, numa total simbiose com a dupla de actrizes/ musas.
    Adèle Exarchopoulos - que tinha ficado conhecida em França em mais nova quando entrou em 'La rafle' com Mélanie Laurent e Jean Reno - despe-se totalmente de preconceitos, entrega-se ao filme como ninguém e seduz. Convence. Uma expressão corporal e um à vontade enormes, não só nas cenas com Léa mas nos momentos em que dança. Dá até a ideia de que consegue seduzir melhor a audiência quando dança do que nas cenas na cama, talvez por nessas a audiência estar com alguns "filtros". Abdellatif Kechiche terá tirado "tudo" de Adèle Exarchopoulos, filmando-a mesmo em momentos durante os quais ela dormia e dando-lhe guidelines improváveis para tirar dela uma naturalidade impressionante e apaixonante. É também muito estranho ver Léa Seydoux tão longe do curto registo em 'Midnight in Paris'. O sexo é visceral em todos nós e 'Blue is the Warmest Colour' não tem problema algum em mostrá-lo. Em todo o caso prefiro analisar o filme "à volta" dos momentos eróticos e numa análise sincera acho que estamos perante uma história de amor bem interpretada, bem realizada e que vive totalmente do que Adèle Exarchopoulos - muitas vezes em plano fechado - nos dá. Muito bem as actrizes no momento da discussão mais acentuada e intensa a discussão em que acusam Adèle de ser "sapatona" (desculpem, eu tinha que encaixar esta palavra neste texto, embora ainda com total respeito). Adèle Exarchopoulos, a actriz que solta o cabelo e capta a audiência, uma musa autêntica para a realização de Kechiche. Por isso mesmo, embora por esta altura não esteja encaminhada para isso, Adèle ainda pode sonhar com a nomeação para melhor actriz. Amour foi um total outsider nos óscares no ano passado, veremos se o seu herdeiro não será também.
    Tens 20 anos, Adèle Exarchopoulos. Que te escolham para bons filmes porque poderás ter a carreira que quiseres. Se quiseres.

    E, se não houver uns capítulos "3 et 4", que não faço ideia se existirão, o fim faz na mesma sentido - há coisas que tinham tudo para dar certo, mas nas quais apenas viramos para a rua errada. 

Crítica: The Spectacular Now

Realizador: James Ponsoldt
Argumento: Scott Neustadter, Michael H. Weber, Tim Tharp
Elenco: Miles Teller, Shailene Woodley, Brie Larson
Classificação IMDb: 7.1 | Metascore: 82 | RottenTomatoes: 93%
Classificação Barba Por Fazer: 74


A dupla que escreveu o argumento de '500 Days of Summer' regressou... e desiludiu. Verdade seja dita 500 Days of Summer é uma das melhores histórias sobre o amor (e não de amor) dos tempos recentes, com uma frescura e dupla com encaixe perfeito - Gordon-Levitt e Zooey Deschanel - por isso a herança era muito pesada. Miles Teller (o seu 1.º papel sério depois de coisas como 'Project X') e Shailene Woodley (que se lançou em 'The Descendants') têm boa química, sobretudo a forma como ela interpreta a evolução da personagem ao longo da relação está bem feita, embora as cenas mais fortes até sejam de Teller. Mas falta algo ao filme. Há vários bons momentos, um elenco bem escolhido e o conceito base é: Sutter (Miles Teller) é um rapaz que acaba com uma rapariga popular e começa a interessar-se por Aimee (Shailene Woodley), uma escolha improvável com a qual vai evoluindo mas sempre sem conseguir responder à pergunta qual o maior desafio da vida dele. Assombrado por vários fantasmas - a fuga do pai, o principal - Sutter é aquela pessoa que acha que o secundário será o melhor período da sua vida, tendo medo do futuro, do compromisso e das responsabilidades (como se percebe que o seu pai teve outrora). Tudo se encaminha até Sutter perceber que o maior desafio que alguma vez enfrentou na vida foi ele próprio, afastando oportunidades e pessoas.

    Se calhar agora vendi bem demais o filme, porque na realidade é um filme-quase. É quase muito bom a nível de argumento, a nível de realização, a nível de banda sonora. Sem medo de falharmos, sem medo de desapontarmos os outros, sem medo de magoarmos e sermos magoados, não sentimos. E aí, não há nada. O (bom) discurso final de Sutter comporta estes e outros pensamentos. Tem um bom fim, mais uma vez o argumento está escrito com sensibilidade e inteligência - à imagem de 500 Days of Summer - mas podia ser muito mais marcante. Havia potencial para isso. Mas foste uma boa surpresa Miles Teller, até poderás ser bom actor.

Crítica: Out of the Furnace

Realizador: Scott Cooper
Argumento: Scott Cooper, Brad Ingelsby
Elenco: Christian Bale, Woody Harrelson, Casey Affleck, Zoe Saldana, Forrest Whitaker, Willem Dafoe, Sam Shepard
Classificação IMDb: 6.8 | Metascore: 63 | RottenTomatoes: 53%
Classificação Barba Por Fazer: 73


Scott Cooper - que escreveu e realizou 'Crazy Heart', com Jeff Bridges,- juntou Christian Bale, Casey Affleck e Woody Harrelson no mesmo filme. Só isto merece imediatamente que qualquer pessoa dê uma oportunidade a 'Out of the Furnace'. Pessoalmente sou suspeito porque acho que tudo aquilo em que Christian Bale toca se torna sagrado e depois Casey Affleck e Woody Harrelson (o Haymitch de Hunger Games) são dois actores em que acontece praticamente o mesmo, sendo menos valorizados do que mereciam. 'Out of the Furnace' é sobre muita coisa, mas é sobretudo sobre dois irmãos - Russell Baze (Christian Bale) e Rodney Baze Jr. (Casey Affleck). Russell é aquele que trabalha, tem um relacionamento estável (com a personagem de Zoe Saldana) e ainda se preocupa com o que o irmão anda a fazer da vida. Rodney é um retornado do Iraque, traumatizado por muito do que viu, e com um certo síndrome de auto-destruição, estando desencontrado de si mesmo, e procurando viver no limite tendo dívidas para pagar e acabando a lutar em violentos combates de rua. É neste campo que entram Woody Harrelson (o vilão da história) e Willem Dafoe.
    Russell acaba preso por um atropelamento e quando cumpre a pena tenta retomar a sua vida. Já sem a mulher - que seguiu a sua vida e está grávida do chefe da polícia local (Forrest Whitaker) -, com o pai entretanto morto mas procurando na mesma colocar tudo à sua volta nos eixos. É então o destino do irmão Rodney que faz com que Russell procure fazer justiça com as próprias mãos.
    Em jeito de curiosidade, Billy Bob Thornton e Viggo Mortensen foram considerados para o papel de Woody Harrelson, Scott Cooper esperou que Christian Bale estivesse "livre" para que o filme fosse rodado com ele e ambos escolheram Casey Affleck como o irmão de Russell. Garrett Hedlund ou Channing Tatum estiveram entre o role de actores considerados.
    O elenco e um início com 'Release Me' dos Pearl Jam pedia um filme melhor, mas não deixa de ser bastante interessante. Três boas interpretações do trio principal de actores - com destaque para Christian Bale, e Casey Affleck em plano secundário - numa procura por redenção constante do 2.º e com uma dúvida final que assola Russell: vale a pena sentenciarmos a nossa própria vida para fazer justiça por um irmão?
    Vale. 

Crítica: Fruitvale Station

Realizador: Ryan Coogler
Argumento: Ryan Coogler
Elenco: Michael B. Jordan, Melonie Diaz, Octavia Spencer
Classificação IMDb: 7.5 | Metascore: 85 | RottenTomatoes: 94%
Classificação Barba Por Fazer: 80


Na senda de 'Crash' ou 'American History X' (sobretudo Crash, para ser honesto) cá está o filme sociológico do ano. Fruitvale Station, incrivelmente aclamado em Sundance, é um retrato actual da sociedade, realista (relata a história de Oscar Grant III, rapaz de 22 anos e todos os seus momentos do último dia de 2008, cruzando-se com a família, amigos, inimigos e desonhecidos) e cativante. Resumidamente, Oscar Grant (Michael B. Jordan) é um rapaz dos subúrbios de Bay Arena que procura fazer as escolhas certas num mundo errado, tendo vários pequenos pormenores (que tornam o filme mais rico) ao preocupar-se com o mundo à sua volta - o bem-estar da filha, da namorada e da mãe ou com uma estranha no supermercado que nunca viu antes. Para quem vir o filme acresce aqui o episódio do cão, que resume bem a personagem e os seus valores. E é de valores que o filme se trata - o actor Michael B. Jordan (nos óscares deve ficar com, por exemplo, Hugh Jackman à porta das nomeações para Melhor Actor, mas quiçá tenha lugar nos "nossos" óscares) põe a nu uma genuinidade e integridade que já não víamos no grande ecrã desde que Will Smith interpretou Chris Gardner em 'The Pursuit of Happyness'.

    O filme começa com imagens reais - gravadas na altura por um telemóvel quando o incidente que originou o filme aconteceu - e toda a acção passa-se depois numa analepse até chegar a esse momento. Ryan Coogler conseguiu um argumento consistente e que é uma boa fotografia de Oscar Grant, com uma realização de bom nível (poderia a nível de edição ter fechado o filme com o momento em que Oscar Grant corre com a filha à saída da creche, ou com as últimas imagens deles juntos, quando ele a tem às cavalitas num silêncio consumido pelo sol e pelo sorriso de ambos). Michael B. Jordan disse numa posterior entrevista que a personagem de Oscar Grant é alguém que ele vai levar consigo para o resto da vida, e a tudo isto se acrescenta um pequeno mas interessante papel da já credenciada Octavia Spencer, que faz de mãe de Oscar Grant. Neste momento não está cogitada para ser nomeada para Melhor Actriz Secundária, mas mereci mais desta vez do que noutras em que foi.
    O estúdio de Bob e Harvey Weinstein - The Weinstein Company - tem pot€nciado alguns filmes menos merecedores de tal ajuda, mas ultimamente tem acertado e Fruitvale Station (que era para se chamar apenas 'Fruitvale') certamente não teria tanta exposição se não fosse este empurrãozinho, à imagem do que aconteceu com 'The Intouchables'. Django Unchained, Silver Linings Playbook, The Artist, The Fighter e The King's Speech foram alguns dos filmes que tiveram mão dos Weinstein. E, precisamente por esta análise, só dia 16 de Janeiro - quando as nomeações para os Óscares 2014 forem anunciadas - é que perceberemos se os Weinstein conseguiram pôr Fruitvale Station na corrida para alguma estatueta dourada.
    Para já, a boa notícia é que Michael B. Jordan teve neste filme uma rampa de lançamento para a carreira, depois de ter andado sobretudo no ramo das séries. Se sempre se juntar - para já é só rumor - a 'Triple Nine' com Christoph Waltz e Casey Affleck e 2 rumores chamados Chiwetel Ejiofor e Cate Blanchett, o filme promete.

22 de dezembro de 2013

Adebayor, Lallana, Coleman e Barkley em destaque neste Domingo de Premier League

  Premier League - Depois de um Sábado repleto de jogos, a tarde de hoje brindou-nos apenas com 2 jogos, mas ambos por razões diferentes, com bastante interesse. Ainda com Tim Sherwood o Tottenham arrancou uma vitória difícil mas merecida em casa do Southampton. Já o Everton de Roberto Martínez subiu ao 4.º lugar - lugar de acesso ao play-off da Champions - depois de uma 2.ª parte entusiasmante no País de Gales, em casa de um desfalcado e combalido Swansea (equipa que não se dá bem com o Everton, assim o diz a História recente).

    No País de Gales, Laudrup teve várias baixas para o Swansea-Everton de hoje: Michel Vorm, Nathan Dyer e Michu. Com um registo de 0 golos marcados nos últimos quatro confrontos com o Everton, a tarefa parecia complicada. Martínez voltou a contar com James McCarthy (que viria a ser importante no jogo) e Oviedo terá feito provavelmente o seu último jogo antes de voltar a ceder o seu lugar a Leighton Baines. A 1.ª parte poucas oportunidades teve, com um 0-0 perfeitamente ajustado, dominando o Everton a posse de bola mas encontrando sempre o patrão da defesa galesa Ashley Williams no caminho para o golo. Os toffees entraram bem melhor no 2.º tempo e Ross Barkley teve uma oportunidade que não conseguiu converter. Nos minutos seguintes surgiu então a locomotiva Seamus Coleman. O lateral irlandês - melhor lateral direito da actual Premier League - arrancou pela direita, foi driblando quem lhe apareceu à frente e só mesmo Ashley Williams é que conseguiu impedir que Coleman rematasse. No entanto, pouco depois, ninguém conseguiu o golo de Coleman. McCarthy deu a bola para o irlandês e este rematou de muito longe, com a bola a fugir a Tremmel, num grande golo de um jogador muito motivado e em boa forma. Tudo parecia encaminhar-se favoravelmente para o Everton quando Tiendalli contou com um desvio de Bryan Oviedo - determinante para bater Tim Howard, sendo por isso auto-golo - e empatou o jogo. O Everton procurou repor a justiça no marcador e o jogo era mesmo da equipa de Goodison Park. Passava o minuto 82 quando Ben Davies derrubou imprudentemente e sem necessidade James McCarthy à entrada da área. Ross Barkley - a imitar o look máquina zero de Jonjo Shelvey - transformou o livre num grande e decisivo golo, beijando o símbolo nos festejos.
    O Everton subiu ao 4.º lugar (caso o Chelsea empate ou ganhe, iguala ou ultrapassa os toffees) e vale a pena acompanhar a restante época do Everton. Embora Oviedo tenha estado bem na ausência de Baines, com Leighton Baines o Everton consegue ter a melhor dupla de laterais na Premier League. O meio-campo já se sabe que tem excelentes opções, jogadores inteligentes e maduros e Ross Barkley é uma pérola que ainda vai dar muito ao futebol inglês na próxima década.

    No St. Mary's, o Southampton de Mauricio Pochettino teve o seu capitão, Adam Lallana, em dia sim, mas o renascido Adebayor acabou por ser a maior figura do jogo. Marcou primeiro o Southampton num lance em que o lateral esquerdo Fox subiu pelo seu flanco, soltou para Lallana que, em zona central, rematou rasteiro batendo Lloris. O Tottenham respondeu ainda na 1.ª parte com a dupla de avançados Soldado e Adebayor a construir o golo. Adebayor iniciou a transição, deu para Soldado e o avançado espanhol cruzou a partir do flanco esquerdo, surgindo então na área o desvio de Emmanuel Adebayor. O Tottenham chegou à vantagem já na segunda parte, com um auto-golo de Hooiveld (é especialista a marcar na própria baliza) depois de um cruzamento de Danny Rose. O Tottenham contou com uma defesa mais composta e Sherwood lançou elementos como Lamela, Eriksen ou Adebayor, com poucos minutos nos últimos tempos. Cinco minutos após o golo spur chegou novamente Adam Lallana. O médio tinha ameaçado o golo (valeu Lloris) mas conseguiu uma assistência para Lambert, aproveitando de forma inteligente uma saída desnecessária do guardião francês.
    A vitória dos spurs - num jogo em que o jovem Bentaleb se estreou (e bem) - chegou novamente com Adebayor a fazer a diferença. Um "patinho feio" para AVB que conseguiu dar uma importante vitória.

Sporting empata a zeros e origina Natal e Réveillon com liderança a 3

Sporting  0 - 0  Nacional


    O Sporting desperdiçou esta noite a oportunidade de festejar a passagem de ano líder isolado da Liga ZON Sagres. Frente a um concentrado e competente Nacional da Madeira, de Manuel Machado, os leões jogaram pouco, viram um golo ser anulado a Slimani por suposta falta e deixaram-se apanhar por Porto e Benfica.
    Grande casa em Alvalade com elevadas expectativas. Leonardo Jardim lançou o seu melhor onze do momento e viu Carrillo animar o jogo por diversas vezes. O peruano, com a sua capacidade de drible desconcertante, começou a deixar indícios de que seria uma noite feliz para o Sporting, mas não passou disso. André Martins viu Gottardi negar-lhe o golo num livre directo, o Sporting esteve melhor embora sem encher o olho e encontrou Mexer, Marçal e Zainadine atentos e eficazes nas suas acções defensivas. O Nacional só ameaçou por Lucas João.
    Ao intervalo, Leonardo Jardim trocou André Martins por Slimani. É verdade que Slimani já justificava mais minutos de jogo, mas a opção de Leonardo Jardim acabou por retirar meio-campo ao Sporting, trazendo Aly Ghazal a brilhar, por nem Montero nem Slimani saberem ocupar o "buraco" atrás da zona do avançado. No 2.º tempo Slimani foi o primeiro a ameaçar golo - de cabeça -, e depois foi Diego Barcellos a ter uma oportunidade clamorosa nos pés. O Nacional construiu uma excelente jogada com Djaniny a isolar o criativo brasileiro e este com tudo para fazer o golo, atirou ao lado. Aos 65' chegou então o momento capital do jogo - Cédric pôs a bola a "pingar" na área e Slimani cabeceou para o golo, tendo alegadamente (segundo decisão de Manuel Mota) empurrado Miguel Rodrigues pelas costas, tendo assim o árbitro anulado o golo. Nos minutos restantes do encontro, Gottardi quase dava "barraca", o jovem Carlos Mané ainda procurou o golo, mas acabou por ficar a imagem de um Sporting desorientado pelo golo anulado e a procurar o jogo directo, com a defesa do Nacional a dar excelente resposta.

    Ontem tínhamos dito que o Sporting hoje era favorito a ganhar mas claramente não iria golear dada a capacidade deste Nacional, e acabou por empatar 0-0. Bruno de Carvalho (poder-lhe-íamos fazer ínumeros elogios pela estrutura realista e coesa que o Sporting está a formar) optou por atribuir as culpas do resultado à arbitragem, enquanto que Leonardo Jardim, justo e consciente como sempre não o fez, certamente tendo presente que erros de arbitragem também já ajudaram o leão a amealhar pontos noutras circunstâncias.
    Certo é que há muito que não se festejava uma entrada num novo ano civil com os 3 grandes (sim, neste momento faz sentido essa distinção) em igualdade pontual. São 33 pontos para Sporting, Porto e Benfica e a 1.ª jornada de 2014 contém um Benfica-Porto e um Estoril-Sporting.


    A exibição do Sporting pode-se ver por William Carvalho. O médio português apresentou-se sólido e um "monstro" como sempre, mas falhou também por diversas vezes. A sua serenidade foi claramente beliscada nos primeiros minutos em que o Sporting passou a jogar em 4-4-2, com várias perdas de bola do nº 14 a resultarem em transições. No entanto, esteve bem. Cédric voltou a dar muita profundidade (se André Almeida não tiver minutos no Benfica, o lateral sportinguista pode ganhar a corrida ao Mundial) e Slimani foi útil. Carrillo começou bem o jogo, mas perdeu-se. No Nacional, enorme jogo de Mexer (curiosamente, um ex-Sporting) e também de Zainadine. Aly Ghazal esteve também em grande plano.
    Um bom fim de 2013 para o Nacional, bem orientado pelo erudito Manuel Machado, que jogou fora frente aos 3 grandes nesta 1.ª volta, perdendo 2-0 na Luz, mas conseguindo empatar no Dragão e hoje, em Alvalade.

Barba Por Fazer do Jogo: Mexer (Nacional)
Outros Destaques: Cédric, William, Slimani; Zainadine, Aly Ghazal
Resumo: